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N E S TA E D I Ç Ã O

A matéria de capa o tema é “O Futuro das Lojas de Rua”. Especialistas do varejo apontam que as lojas de rua são e continuarão a ter grande relevância em todo o Brasil. Como destaque a Avenida Paulista em São Paulo, onde comércio de rua é a principal atração. Destaque nos principais veículos nacionais, a Pesquisa SPC Brasil Compras por Impulso, é um verdadeiro raio-X do segmento. Sempre atentos aos recentes acontecimentos, discutimos o saldo das manifestações com uma série de presidentes das Federações das Câmaras de Dirigentes Lojistas. Qual é a opinião da CNDL em relação ao veto presidencial à extinção da multa dos 10% do FGTS nas demissões sem justa causa, como vai se posicionar e quais as ações que a entidade tomará para pressionar o governo. Mulher Empreendedora, três histórias de mulheres que se destacaram no cenário empresarial. Viaje no tempo com a “História do Comércio em Belo Horizonte”. Tenha mais informações sobre o Cadastro Positivo e conheça as iniciativas da CDL Jovem. E como já é tradição, leia também as seções Brasil Lojista, Informe Jurídico e o Varejo em Frases. Sucesso e ótimos negócios! 4 - Dirigente Lojista

Darcy Junior Santos

A revista Dirigente Lojista é produzida pela Mídia Kitcom Comunicação

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PA L AV R A D O P R E S I D E N T E

cima PIB para baixo

Juros para

Sempre que a inflação brasileira ameaça mostrar a sua face, provocando desconfiança em toda a sociedade, pois a sua volta pode desequilibrar a nossa economia, o governo vale-se de uma receita que, acredita, pode ser a solução definitiva para o problema: o aumento dos juros. No entanto, o que se vê é que, mesmo controlando momentaneamente o indesejável retorno de uma inflação, o aumento dos juros provoca desaquecimento da atividade econômica. E o comércio é um dos setores que mais sente os efeitos do amargo remédio. Os índices divulgados pelo setor de automóveis, supermercados, varejo, transporte, emprego e expansão do crédito mostram isto claramente, evidenciando o fim de um ciclo baseado no consumo. O esforço do governo em conceder subsídios ou reduzir a alíquota de impostos, como foi o caso do IPI para certos produtos, são transitórios e não resolvem toda a

,

questão. Devemos levar em conta outros fatores determinantes que atuam na conjuntura atual e impedem nosso crescimento como é o caso da alta do dólar, que impacta na inflação, o aumento do endividamento das famílias, as recentes manifestações públicas, que estagnaram boa parte do país, e o déficit da balança comercial, que de janeiro a julho deste ano acumulou um déficit histórico de US$ 4,989 bilhões. Todos estes fatores combinados não são animadores, pois o crescimento do PIB que apresentou um índice de 2,7% em 2011, 0,9% em 2012, deve chegar a cerca de 2% em 2013, perdendo para inflação. E o governo, incapaz que controlar os gastos e reduzir a máquina pública, entra no círculo vicioso do aumento da taxa básica de juros. Somese a todo o cenário relatado, uma reforma tributária e política que não sai do papel, deixando a população cada vez mais frustrada.

Enquanto isto, os investimentos em infraestrutura, estradas, portos e aeroportos seguem no ritmo lento, causando ainda mais apreensão. Estamos vivenciando, claramente, o fim de um ciclo, tornando urgente a necessidade de novos e claros rumos para a nossa economia.

Dirigente Lojista - 5


ÍNDICE

466 EDIÇÃO

15

Pesquisa

SPC Brasil e CNDL Compras por Impulso

24 Manifestações

Violência não! Manifestações sim! 6 - Dirigente Lojista

34

Nota

CNDL critica o veto à extinção da multa de 10% do FGTS nas demissões sem justa causa

37 Novidade CNDL Desenvolve Nova Ferramenta de Acompanhamento das Atividades Parlamentares

52 Mulher Empreendedora

3 Histórias / 3 Mulheres 3 Empreendedoras


SEÇÕES

Matéria de Capa

O Futuro das Lojas de Rua

08

Brasil Lojista

14

CDL Jovem

20

Informe Jurídico

22

O Varejo em Frases

61

História do Comércio

41

Apesar da concorrência crescente, as lojas de rua continuam tendo papel muito importante no segmento varejista nacional. O melhor é que devido às suas características únicas, o comércio de rua tem um futuro promissor.

Uma metrópole chamada Belo Horizonte Com apenas 116 anos de fundação, a capital mineira apresenta uma rica história do seu comércio, segmento de extrema importância para Belo Horizonte uma das principais cidades do Brasil. Dirigente Lojista - 7


B R A S I L L O J I S TA

Presidente da CNDL

participa de Encontro Empresarial em Campo Grande Em visita à CDL de Campo Grande/MS, no dia 1º de agosto, o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior, proferiu palestra no Encontro Empresarial de Campo Grande

E

m sua fala abordou temas em discussão na atualidade, no âmbito do Movimento Lojista, tais como o veto da presidente Dilma ao PLS 198/2007 que extingue a cobrança dos 10% sobre o FGTS, no caso de demissões sem justa causa. O presidente da CNDL aproveitou o assunto para apresentar a nova ferramenta da CNDL, para acompanhamento dos posicionamentos dos nossos parlamentares, em suas respectivas atuações no Congresso Nacional.

Visita à CDL Campo Grande

Com agenda em Mato Grosso do Sul, o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior, aproveitou a viagem e realizou visita à CDL de Campo Grande/MS, quando foi recebido pelos filhos do presidente da FCDL/MS, Álvaro José Fialho, falecido recentemente no exercício 8 - Dirigente Lojista

da presidência da Federação. Álvaro Fialho Junior e Alesi Fialho receberam a solidariedade do presidente da CNDL em nome do Movimento Lojista, e do amigo Roque Pellizzaro Junior e de sua esposa Dhébora Costa Pellizzaro. Eles foram convidados ainda para participarem do Fórum Nacional do Comércio, em Brasília de 10 a 12 de outubro, oportunidade em que será prestada uma homenagem póstuma à família em memória do grande líder lojista Sul Matogrossense.


B R A S I L L O J I S TA

Membros do Conselho do SPC de Minas se reúnem

Conselhos do SPC

A

presentação de novos produtos, estabelecimento de metas de consultas, registros e captação de associados. Esses foram alguns dos temas contemplados durante mais uma reunião do Conselho Estadual do SPC de Minas Gerais. O encontro foi realizado na sede da CDL/BH, na capital, e se estendeu durante toda a manhã.

Instituídos em novembro de 2011, seguindo uma determinação da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), os Conselhos do SPC auxiliam os demais existentes - Deliberativo, de Administração e Fiscal -, nos trabalhos a serem desenvolvidos pelos Bancos de Dados de SPC em cada estado. Significa que todos os estados que possuem SPCs são obrigados a constituir um Conselho Estadual, de acordo com o artigo 77 do Estatuto da CNDL.

Diretoria da CNDL se reúne em Cuiabá

O

s diretores da CNDL estiveram reunidos no dia 19 de julho, em Cuiabá (MT). Durante o encontro, o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior, deu as boas vindas aos diretores. Em pauta assuntos como o Fórum Nacional do Comércio, que acontece em Brasília entre os dias 10 e 12 de outubro deste ano. Foram apresentados os palestrantes e painelistas convidados e já confirmados, além do vídeo oficial do evento e o valor das inscrições. Além disso, a 54ª Convenção Nacional do Comércio e o projeto ECOM 2013 foram apresentados a todos os diretores.

Foram tratados ainda assuntos referentes a CDL Celular, ao 81º Seminário Nacional de SPCs, a NRF 2014 e apresentado um projeto elaborado pela assessoria parlamentar que, em breve, estará disponível no site da CNDL (www.cndl.org.br).

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B R A S I L L O J I S TA

Conselho Deliberativo do SPC Brasil se reúne em São Paulo

O

“Associativismo, juntos fazemos mais e melhor”

SPC Brasil realizou no dia 31 de julho, em São Paulo, a reunião do Conselho Deliberativo, que reúne entidades quotistas de todo o Brasil. Sob a presidência do Sr. Itamar José da Silva a reunião tem em sua pauta matérias de interesse do SPC objetivando sempre seu aperfeiçoamento com o objetivo de proporcionar aos nossos associados segurança na concessão e recuperação do crédito e aprovação das contas do SPC Brasil. O presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior, se fez presente a reunião e juntamente com os demais representantes das entidades e do Conselho de Administração do SPC Brasil deliberaram as matérias constantes da pauta.

CDL Cuiabá inaugura Espaço Cultural e Empresarial A noite do dia 18 de julho foi de festa em Cuiabá (MT). Isto porque, a CDL Cuiabá inaugurou o Espaço Cultural e Empresarial CDL. O evento reuniu diversas autoridades, além de líderes lojistas de todo o país. A festividade faz parte da comemoração dos 40 anos da CDL. Entre os presentes estava o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior, que discursou durante a cerimônia de inauguração. Os convidados foram recepcionados com honras pelo presidente da CDL Cuiabá, Paulo Gasparoto, que também fez um breve discurso.

10 - Dirigente Lojista


B R A S I L L O J I S TA

Com Cadastro Positivo,

consumidor terá maior oferta de crédito,

diz SPC Brasil Bancos compartilham com o SPC desde o dia 1º de agosto. Novo sistema deve derrubar juros e reduzir a inadimplência dos consumidores

U

m sistema de concessão de crédito justo em que os bons pagadores são valorizados. Esse é o principio que rege o Cadastro Positivo, que já vigora desde janeiro deste ano, e que entrou em nova fase de implantação a partir de primeiro de agosto, com o início do compartilhamento de informações dos bancos com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e demais bureaux do mercado. Com a operação do Cadastro Positivo, que reunirá informações sobre o histórico de pagamentos em dia dos consumidores, a expectativa é de que o processo de avaliação e concessão de crediários e de linhas de financiamentos seja desburocratizado, podendo incidir em redução das taxas de juros e na flexibilização dos prazos para pagamento.

de superendividamento. “Essa nova condição, facilita também muito a vida das empresas, uma vez que elas passam a ter a sua disposição uma quantidade muito maior de informações sobre quem está solicitando o crédito”, explica.

“Com o Cadastro Positivo vamos aperfeiçoar o modelo de concessão de crédito. Será um sistema mais preciso para o lojista, mais assimétrico para o mercado e mais justo para o consumidor”, garante o superintendente do Serviço de Proteção ao Crédito, Nival Martins. Na opinião de Martins, outra consequência direta do Cadastro Positivo e da avaliação personalizada do modelo de concessão de crédito será a redução significativa dos índices de inadimplência e Dirigente Lojista - 11


B R A S I L L O J I S TA

Uma nova realidade com o Cadastro Positivo Até a criação do Cadastro Positivo, o que existia no Brasil era o chamado ‘cadastro negativo’, utilizado para checar o histórico de inadimplência. O Cadastro Positivo inverte essa realidade para o mercado de crédito. Os dados utilizados pelo SPC passam a informar, também, a pontualidade do consumidor no pagamento de suas contas, listando os bons pagadores e aqueles que cumpriram seus compromissos em dia. A adesão ao cadastro é opcional e gratuita. Além disso, o consumidor pode solicitar a retirada do seu nome a qualquer momento.

“No modelo anterior, o bom pagador ficava anônimo porque o sistema se limitava ao arquivamento de informações sobre a inadimplência. Nessa nova fase, o consumidor poderá ter no seu cadastro o histórico de pagamentos de todos os negócios realizados a partir da sua adesão”, explica Martins.

Com o Cadastro Positivo, o Brasil supera uma das principais barreiras que impedia a modernização do seu sistema de crédito. Vale destacar que o Brasil foi o último país do G20 e do Brics a aprovar o cadastro positivo. Em outros países a implantação do sistema trouxe benefícios significativos para a economia. Nos Estados Unidos, por exemplo, o acesso a financiamentos subiu de 40% para 80% e na Coreia do Sul, a inadimplência das famílias passou de 10% para apenas 1% após a implantação de um sistema semelhante. Desde o início do ano, o SPC Brasil tem disponibilizado formulários para a captação de consumidores interessados em aderir ao Cadastro Positivo. 12 - Dirigente Lojista


B R A S I L L O J I S TA

O que é o Cadastro Positivo? É um banco de dados com informações sobre o histórico de pagamentos de consumidores. O Cadastro Positivo vai facilitar o processo de avaliação e concessão de crédito, tornando-o mais seguro, justo e assertivo. Para o consumidor, uma das vantagens é a agilidade na aprovação de crédito, uma vez que ele poderá ser reconhecido como bom pagador. Quais informações integrarão o Cadastro Positivo? Informações sobre empréstimos pessoais, financiamentos e crediários. Além de dados sobre o comportamento de pagamento das contas de consumo, como água, gás, telefone fixo e luz. Quem pode participar? Qualquer pessoa emancipada ou com mais de 18 anos que tenha assinado a autorização de adesão ao Cadastro Positivo.

O consumidor cadastrado pode sair da lista quando quiser? Sim, o cadastrado poderá solicitar a sua retirada do Cadastro Positivo a qualquer momento. Como se inscrever no Cadastro Positivo? O consumidor deve fazer o download do formulário no site do SPC (www.spcbrasil.org.br/consumidor/cadastro-positivo),

preenchê-lo e entregar pessoalmente em qualquer posto de atendimento do SPC (consultar a unidade mais próxima no site www.spcbrasil.org.br/consumidor/postos-atendimento)

ou enviá-lo por correspondência para a sede do SPC (Rua Leôncio de Carvalho, 234, 5º andar, CEP: 04003-010, São Paulo/SP);

Assinar o termo de adesão ao Cadastro Positivo do SPC Brasil em qualquer agência bancária; A adesão online estará disponível no site do SPC ainda no segundo semestre de 2013.

Serviço de Atendimento ao Consumidor A central de atendimentos do SPC Brasil está disponível das 8h às 18h de segunda a sexta-feira para orientar os consumidores sobre como aderir ao Cadastro Positivo. Telefone: (11) 4063-4700.

Benefícios do Cadastro Positivo * Possibilidade de redução de juros a partir da análise do histórico de pagamento do cliente e critério de avaliação da empresa; * Redução da inadimplência e do superendividamento, uma vez que a empresa passa a ter acesso aos hábitos de pagamento do consumidor; * Melhora da avaliação das condições de pagamento do consumidor, de forma mais justa e completa, reduzindo a assimetria das informações; * Possibilitar a ‘bancarização’ das classes menos favorecidas, como a C e D.

Dirigente Lojista - 13


CDL JOVEM

Sustentabilidade D

ia da Liberdade de Impostos, Pedalar para Respirar, Plantando Equilíbrio e uma infinidade de outros bons projetos rodam pelo Brasil e são tocados por jovens líderes, voluntários, que assumiram um papel diferenciado e tentam transmitir à sociedade valores que são muito aclamados nos discursos e nos textos, mas quase não são encontrados nas ações do dia a dia. Plantar uma árvore é fácil, difícil é impedir que ela seja derrubada em prol de um empreendimento imobiliário que trará moradia a centenas de pessoas, reclamar da saúde pública é coro fácil contra qualquer político, mas adotar hábitos saudáveis dá muito trabalho. A capacidade de discernir entre o que é bom para mim e o que é bom para nós, é o que diferencia os bons líderes e consequentemente as boas entidades. Ir para a rua jamais será um ato simples, não foi no passado e não está sendo hoje, não foi simples na primavera árabe, não foi simples na Europa ou no Brasil. Também não será simples conquistar as transformações que as ruas estão pedindo, a falta de foco do movimento é fruto da enxurrada de escândalos e desmandos que estampam os jornais dia após dia, e o principal culpado disso tudo somos nós. Sim! Eu! Você! O trabalhador que ganha um salário mínimo! O grande executivo com um bom salário! E todos os demais brasileiros! Queremos bons políticos, mas somos bons cidadãos? Quando você está na liderança de qualquer coisa (entidade, grupo de amigos, grupos escolares ou da sua comunidade), você pensa em responsabilidade fiscal? Em formação de sucessores? Quando você não está na liderança, você pensa em fazer parte dela? Você debate junto com as lideranças? Acompanha as ações?

“Uma sociedade forte não é feita por bons políticos, é construída com muito suor por bons cidadãos, conscientes, envolvidos e atuantes”

Renzo Nogueira Coordenador Estadual no Espírito Santo.

CDL Jovem se prepara para a realização de mais uma campanha

Samuel Vasconcelos Coordenador Nacional da CDL Jovem.

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Começamos a nos preparar para mais uma edição da campanha Não Morra no Trânsito. No ano passado 11 CDLs Jovem de 5 estados participaram desta importante mobilização, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da direção responsável ao volante, sem abrir mão da diversão. A Campanha acontece durante a Semana Nacional do Trânsito, de 18 a 25 de setembro em várias cidades do país. Entre as ações, nós realizamos Blitz de vistoria gratuita, abordagem noturna em bares com distribuições de kits, além de palestras educativas. Assim como acontece com o DLI, qualquer CDL Jovem pode aderir à Campanha. Os materiais já estão disponíveis no site da CDL Jovem: www.cdljovem.org.br.


Pesquisa (compras por impulso)

Metodologia

Para elaborar o estudo sobre o Uso do Crédito pelo consumidor brasileiro foram entrevistadas 604 consumidores em todas as capitais do país, com alocação proporcional ao tamanho da População Economicamente Ativa (PEA). A margem de erro amostral é de 4% e a confiabilidade de 95%.

Supermercado supera shopping center nas compras por impulso, aponta pesquisa SPC Brasil Costume é mais recorrente entre as famílias da classe C. Segundo especialistas, com a ampliação do poder de compra, o brasileiro passou a adquirir novos hábitos de consumo

Dos entrevistados 72% possuem renda própria, sendo que quanto maior a classe social maior esse percentual. Na classe A/B, 86% possuem renda própria, 67% na classe C e 50% nas classes D/E. Quando questionados se possuem conta bancária, a maioria (75%) afirmou possuir, sendo que o maior percentual está concentrado nas classes A/B (84%), pois é uma classe com maior grau de escolaridade e já acostumada a lidar com bancos. Porém, é relevante observar o percentual das classes C, D e E que atualmente possui conta bancária (73% classe C e 56% classe D/E). Pode-se observar a maior familiarização da população brasileira com as questões bancárias e sua relação com a forma de guardar e investir seu dinheiro.

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Pesquisa (compras por impulso) Conhecidos como templos do consumo, que despertam desejos em mulheres e homens de qualquer idade ou classe social, os Shopping Centers perderam espaço para os Supermercados como o lugar onde as pessoas mais fazem compras por impulso. Segundo levantamento encomendado em junho pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) para avaliar como o brasileiro lida com as ferramentas de crédito, 34% dos entrevistados admitem gastar mais do que o planejado quando estão em Supermercados contra 25% em Shopping Centers. As lojas online, como e-commerces e sites de compras coletivas, apareceram em terceiro lugar, com 19%. De acordo com o estudo, as compras sem planejamento nos supermercados são uma prática comum na maior parte das classes sociais, mas demonstram ser mais recorrentes entre as famílias da classe C. Em cada dez entrevistados da classe C, pelos menos quatro responderam que são mais impulsivos nos supermercados contra 29% dos consumidores das classes A e B. Os Shopping Centers são responsáveis pelas compras por impulso para 27% dos entrevistados das classes A e B enquanto que na classe C o percentual é de 22%. Na avaliação do gerente financeiro do SPC Brasil, Flávio Borges, a transformação dos supermercados em estabelecimentos amplos e com maior variedade de produtos é uma das razões que explicam o porquê de tantos consumidores perderem o controle do orçamento quando visitam esses lugares. “Hoje os supermercados oferecem em suas gôndolas produtos que vão além de itens básicos para alimentação da família, higiene e limpeza da casa. As grandes redes de supermercados investem cada vez mais para despertar o desejo de consumo e as estratégias vão desde ofertar produtos diferenciados até a maneira mais atrativa de organizar os produtos nas prateleiras”, explica.

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Pesquisa (compras por impulso) Razões do descontrole A emergência da classe C é outro fator citado pelos economistas do SPC Brasil para explicar a liderança dos supermercados como o estabelecimento mais comum nas compras não planejadas. “As classes de menor poder aquisitivo sempre destinaram parte maior de seus orçamentos para o supermercado, como alimentação e itens de necessidade da casa. Com a recente ampliação do poder de consumo no Brasil, essa parcela da população passou a incorporar novos produtos em suas compras”, esclarece Borges.

Na avaliação dos economistas do SPC Brasil alguns hábitos inapropriados podem contribuir para a impulsividade nas compras, como não fazer uma lista de planejamento antes de sair de casa ou até mesmo levar filhos pequenos para os supermercados. Pelo menos 26% dos entrevistados afirmam que não resistem às pressões dos filhos e acabam enchendo o carrinho com mais produtos do que deviam. Entre os pais que tem crianças de até seis anos de idade o percentual aumenta para 37% e para os que tem filhos entre sete e 15 anos é de 35%.

“Na faixa etária dos seis, sete anos de idade é realmente difícil para os pais demonstrarem aos filhos a importância do planejamento financeiro, mas é necessário que ele seja ensinado desde pequeno, pois essa é a maneira mais saudável da criança crescer e se tornar um adulto financeiramente responsável”, enfatiza Borges.

Quando perguntados sobre os produtos que menos conseguem resistir, os mais citados pelos entrevistados foram roupas (56%), calçados/ acessórios (43%) e perfumes/ cosméticos (29%), mas Borges destaca que muitas das compras por impulso nos supermercados são imperceptíveis para o consumidor. “Os supermercados são verdadeiros paraísos para as pequenas compras e é comum o consumidor supor que uma compra supérflua de baixo valor não vai pesar no orçamento ou que ele não está agindo impulsivamente no ato da compra”, alerta Borges.

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Pesquisa (compras por impulso)


Pesquisa (compras por impulso)


INFORME JURÍDICO

“Qualidade significa fazer certo quando ninguém está olhando” Henry Ford

SPC

Trabalho

A Qu inta Tu r m a E sp e c ializada d o TR F2 isento u um Ba n co d e p ag ar dano s m o r a i s a uma c o r re n tis t a q u e tev e o n o me i n cl u í d o inde v idam e n te p elo banc o n o S P C . S egu n do o re l a t or d o pro c e s s o , o d ese mbargad o r fed e ral Aluisio M e n d e s , "Não o bs tan te o recon he c ime n t o d e q ue a C EF in s c re v eu , inde v idam e n te , o nome da auto r a em cad astro s de res t r i çã o a o c r é dito , n ã o h á q ue se f alar , n o ca s o sob anális e , e m cond e n aç ão e m d a n os mora is , v e z qu e d e v ese aplic ar ao c a s o o E nunc iado da S ú m u l a nº3 8 5 do Su pe r i or Trib un al de J u s t i ça " . A súmu la e stabe l ece q u e "da a no taç ão i r reg u l a r em c adas tro d e p roteç ão ao c r éd i t o, nã o c abe inden i z a ç ã o p or dano m o r a l , q uan do pre e xi s t en t e leg ítima in s c r i ç ã o , ressalv an do o d i rei t o a o c anc e lam e n t o" . Fonte: LEXMagister.

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O Senado Federal aprovou o parcelamento de férias para trabalhadores com menos de 18 e mais de 50 anos. A restrição a esse parcelamento tem suas origens na primeira metade do século passado, quando a expectativa de vida do brasileiro não chegava a 45 anos, mas hoje em dia não se justifica. Fonte: Senado Federal.

Vigilante A Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho condenou uma empresa de segurança e o Banco que terceirizava o serviço a indenizar familiares de vigilante assassinado durante prestação de serviço ao banco. O TST reconheceu a existência de responsabilidade objetiva das empresas, que independe de existência de culpa ou dolo, fundamentando-se na chamada teoria do risco profissional -, condenando-as ao pagamento da indenização. Fonte: TST.

Comerciários

A presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei n. 12.790/13 que regulamenta a profissão de comerciário. A jornada de trabalho é de 8 horas diárias e 44 horas semanais e só pode ser alterada mediante convenção ou acordo coletivo. Admite-se ainda a jornada ininterrupta de 6 horas diárias para turnos de revezamento, não podendo o trabalhador fazer mais de um turno, salvo negociação coletiva de trabalho. Fonte: Assejur.

FGTS

A PRESIDENTA DILMA VETOU INTEGRALMENTE O PLP 200/2012, MANTENDO A MULTA ADICIONAL DE 10% PAGA PELOS EMPRESÁRIOS AO FGTS EM CASO DE DEMISSÃO SEM JUSTA CAUSA SOB A JUSTIFICATIVA QUE A SUA EXTINÇÃO RESULTARIA NUM IMPACTO NEGATIVO SUPERIOR A R$ 3 BILHÕES DE REAIS POR ANO NAS CONTAS DO FGTS, AFETANDO EM ESPECIAL, OS PROGRAMAS SOCIAIS DO GOVERNO. ESTE ADICIONAL DEIXOU SEU CARÁTER PROVISÓRIO PARA FAZER PARTE DEFINITIVA DO CAIXA DO GOVERNO, AUMENTANDO ASSIM O CUSTO BRASIL. ESPERAMOS SERENIDADE DO CONGRESSO NACIONAL PARA DERRUBADA DO VETO PRESIDENCIAL. Fonte: Assejur.


INFORME JURÍDICO

STF 1

STF 2

O Supremo Tribunal Federal analisa se a estabilidade provisória das gestantes se aplica também a contratos de trabalho por prazo determinado. O TST, em 2012, decidiu que tanto estabilidade provisória como o salário-maternidade são devidos para empregadas gestantes, ainda que elas estejam em contrato de trabalho por prazo determinado, como em caso de aviso prévio trabalhado ou período de experiência.

A outra questão trabalhista a ser decidida pelo STF, é a constitucionalidade da nova base de cálculo do adicional de periculosidade de quem trabalha com energia elétrica (eletricitários e eletricistas). Recentemente, a Lei 12.740/2012 definiu que a base de cálculo desse adicional de periculosidade é o salário base, da mesma forma que para os demais casos de adicional de periculosidade. Antes, entendia-se que a remuneração era a base de cálculo, conforme leitura da Lei 7.369/85, anteriormente aplicável.

Estabilidade 1

A Câmara analisa o Projeto de Lei 5665/13, do deputado Dr. Jorge Silva (PDT-ES), que garante estabilidade no emprego à mulher que adotar ou obtiver a guarda judicial de criança, durante o período de licençamaternidade, ou seja, 120 dias a partir da adoção.

Fonte: Agência Câmara.

Fonte: STF.

Fonte: STF.

Periculosidade

Estabilidade 2

Uma trabalhadora que afirmou ter trabalhado durante quatro meses e foi demitida ao comunicar aos patrões que estava grávida não conseguiu o reconhecimento do direito à estabilidade. O relator, ministro Vieira de Mello Filho, destacou que, de fato, a garantia dada pela Constituição Federal assegura a estabilidade à gestante desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. Contudo, não foi possível aferir a data em que foi confirmada a gravidez onde a mera referência ao mês da concepção não permite concluir que esta ocorreu ainda no curso do aviso prévio indenizado.

Fonte: TST.

A Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho decidiu que o trabalhador da área comercial de postos de combustíveis não tem direito a adicional de periculosidade. O relator do processo no TST, ministro Augusto César Leite de Carvalho, aplicou a Súmula 364 do TST, que exclui o direito ao adicional quando o contato com o risco se dá de forma eventual. Fonte TST.

Em ALTA:

o “SPC Brasil” que na ultima reunião do Conselho Deliberativo (31/07) demostrou seu crescimento e eficiência em prol do SPC e do movimento lojista.

Em BAIXA:

o veto da presidenta Dilma Rousseff ao projeto de lei que havia acabado com a multa adicional de 10% ao FGTS em caso de demissão sem justa causa, aumentando o custo Brasil. Por: André Luiz Pellizzaro E-mail: assejur@cndl.org.br Twitter: @PELLIZZAROANDRE Blog: www.pellizzaro.adv.br/blog

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O VA R E J O E M F R A S E S

“O Brasil inicia uma nova era no que diz respeito ao crédito. Iniciamos o Cadastro Positivo do SPC Brasil”. Roque Pellizzaro Junior, presidente da CNDL em mensagem no twitter.

“Muitos empresários ainda não se conscientizaram da força que podem ter”. Dênis Ribeiro Leite, presidente da CDL Governador Valadares (MG) em mensagem aos lojistas.

“O encontro foi produtivo e importante para que todas as CDLs tenham conhecimento da força do SPC Brasil, da amplitude do banco de dados e como cada entidade pode explorar essas informações e obter auxílio”. Álvaro Silveira Junior, presidente da CDL-DF sobre visita à sede do SPC Brasil em São Paulo.

Nival Martins, superintendente do SPC Brasil sobre o Cadastro Positivo.

22 - Dirigente Lojista

“Depois que já tem um histórico de pagamento, o consumidor pode barganhar, por exemplo, o financiamento de veículo. Ela mostra ao Banco seu histórico de pagamento e com isso consegue obter taxas menores”.

“O comércio é o parachoque da economia nacional. Para-choque porque vai à frente. É quem interage diária e diretamente com a sociedade, captando e traduzindo seus anseios, até porque seu desafio é o de atendê-la, possibilitando a realização de seus sonhos, desejos, aspirações”. Francisco Freitas Cordeiro, presidente da CDL Fortaleza em discurso sobre o Dia do Comerciante.


Dirigente Lojista - 23


M A N I F E S TA Ç Õ E S

M a ni f es taç õ e s sim, Os atos de violência e depredação de patrimônio público e privado, principalmente das lojas, mancharam o espírito democrático e legítimo das manifestações em todo o Brasil. Para traçarmos um perfil dos acontecimentos, consultamos os presidentes de sete Federações das Câmaras de Dirigentes Lojistas (Bahia, Ceará, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo), que apresentaram suas ações e expectativas em relação aos acontecimentos que mudaram o País. 24 - Dirigente Lojista


M A N I F E S TA Ç Õ E S

Violênc i a n ão ! A

s manifestações populares que tomaram as ruas para reivindicar uma série de melhorias já entraram para a história do Brasil. Infelizmente, as mesmas manifestações tiveram o seu lado negativo. As imagens de vândalos, que eram a minoria dos manifestantes, depredando o patrimônio público e particular principalmente as lojas, correram o mundo. Sem qualquer motivo, lojas foram saqueadas e destruídas, causando o pavor nos consumidores e prejuízos aos empresários. Imediatamente, as Federações das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDLs) por todo o País iniciaram um trabalho de auxílio e de conscientização aos lojistas, indicando ações para proteger o patrimônio e como agir durante os momentos críticos. Dirigente Lojista - 25


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Consumidor fic Antoine Tawil, presidente da FCDL-BA, apontou que as recentes manifestações populares registraram um impacto negativo no comércio baiano: “Podemos citar, por exemplo, o fechamento das lojas situadas nas avenidas Sete de Setembro e Joana Angélica, no centro da capital baiana, que resultou em perdas significativas nas vendas. Pedimos o apoio das autoridades policiais competentes que sempre foram muito sensíveis ao setor. O fato é que o vandalismo que acompanhou as manifestações assustou os lojistas e os consumidores. A providência foi fechar as portas das lojas. Um fato triste que lamentamos muito. As manifestações geraram um clima de medo e as pessoas, os consumidores, preferiram ficar em casa, fugindo das ruas. Obviamente, a situação gerou queda de movimento e a consequente redução do consumo. Estas manifestações deixaram grandes prejuízos e um cenário de terror e destruição.”

Por meio de seu presidente Vitor Koch, a FCDL-RS cita que também houve queda nas vendas no Estado: “As vendas caíram por razão do fechamento das lojas em horário comercial e por vezes as depredações. A estimativa do departamento de pesquisa da FCDL-RS mostra que a perda de faturamento em um dia de manifestação pode chegar a 70%”.

José César da Costa, presidente da FCDL-MG, salienta que apesar das grandes expectativas do comércio em torno da Copa das Confederações, os acontecimentos influenciaram diretamente nas vendas: “Se meses antes do evento havia um sentimento de otimismo por parte dos empresários e a expectativa de faturar mais com a presença de turistas em Belo Horizonte e no estado, é possível afirmar que houve certa frustração com os resultados. De acordo com levantamento divulgado pela Fecomércio Minas, o comércio de Belo Horizonte deixou de faturar cerca de R$ 75 milhões durante a realização da Copa das Confederações em virtude das manifestações ocorridas na cidade – fruto do fechamento de lojas e receio do consumidor em passar por determinados locais de grande circulação e concentração de estabelecimentos comerciais”. José César informa ainda que os atos de vandalismo na capital geraram um custo que passou dos R$ 84 milhões, incluindo a depredação de lojas e locais públicos.

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ou com medo

Na região Norte do Brasil não foi diferente. Afonso Monteiro, presidente da FCDL-PA, afirma que as manifestações tiveram um impacto negativo para o comércio: “Os acontecimentos afastaram os consumidores do comércio e obrigaram os lojistas a se protegerem e a seus colaboradores, fechando as portas. A influência foi muito negativa, pois sendo um mês de promoções, e que antecipa o mês de julho, que é o mês do veraneio no Pará, nos prejudicaram muito”.

Mauricio Stainoff, presidente da FCDL-SP, analisa que mesmo antes das manifestações, as vendas já não tinham mais o mesmo desempenho de igual período de anos anteriores, mas que as manifestações influenciaram ainda mais nesta queda: “As manifestações deixaram os consumidores inseguros, que adiaram suas compras. Estimamos que as vendas recuaram aproximadamente 8%”.

Uma exceção foi o que aconteceu no Paraná, como relata Samoel de Mattos, presidente da FCDL-PR: “Não houve nenhum tipo de problema, nem diretos, como também indiretos ao movimento lojista paranaense. As manifestações foram totalmente passivas e não houve influências diretas no resultado financeiro dos nossos lojistas”.

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Manifestação em São Paulo/SP

Manifestação em Florianópolis/SC

O apoio das FCDLs O Presidente da FCDL-BA, Antoine Tawil, destaca que a principal ação de uma entidade é defender os interesses e sempre se fazer presente criando uma sinergia amigável entre entidade e seus associados, nos momentos tristes, e ou nos momentos alegres: “Uma entidade de classe tem que estar sempre atenta aos acontecimentos sociais que interfiram diretamente ou diariamente na vida dos seus associados. Procuramos estar juntos, repassar as informações necessárias e apoiar especialmente os que tiveram prejuízos maiores. Também solicitamos providência e apoio do poder público constituído, destacando que o comércio estava exposto à ação de vândalos, que não era justo sob qualquer hipótese”. Antoine espera que os distúrbios não se repitam, por que foram dias que comprometeram negativamente a imagem de um país conhecido pela sua generosidade e cortesia. A FCDL-BA divulgou uma nota pública repudiando veementemente os atos de violência e vandalismo”. Os gaúchos também publicaram uma nota orientando os lojistas a manterem suas portas abertas, diante da previsão de manifestações em diversas partes do Estado. Já a FCDL gaúcha aponta que em Porto Alegre os lojistas foram cautelosos e colocaram tapumes para 28 - Dirigente Lojista

proteger vitrines. “Uma iniciativa interessante foi a realizada pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Bento Gonçalves, associada da FCDL-RS, que realizou uma ação inédita em apoio às manifestações e contra o vandalismo na cidade. Os lojistas colaram cartazes nas portas dos estabelecimentos com a seguinte frase “A favor da manifestação pública sem violência”. O resultado da iniciativa foi uma manifestação sem vandalismos nem saques às lojas”. A FCDL-RS conclui que o fechamento total das lojas pode trazer sérios prejuízos financeiros aos lojistas que são empregadores de uma grande massa salarial, direta ou indiretamente. “Apontamos ainda que o comportamento do comércio só deve ser modificado em casos de real suspeita de algum tipo de agressão física ou ao patrimônio. Há ainda uma preocupação para que as notícias não tragam sensação de caos ou pânico na sociedade”, constata o presidente da FCDL-RS Vitor Koch. Em São Paulo, a FCDL deu total apoio ás lojas que estavam estabelecidas nas vias onde ocorreram as manifestações: “A providência possível era ficar atento e fechar o estabelecimento. Os lojistas que estão estabelecidos nas regiões onde ocorrem manifestações devem usar as seguradoras e contratarem seguros contra


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Manifestação em Vitória/ES

Manifestação em Belém/PA

O apoio das FCDLs tumultos”, aconselha o presidente Maurício Stainoff. No Pará, o presidente Afonso Monteiro salienta que a FCDL local deu apoio irrestrito no sentido de divulgação, com os dias e horas das manifestações e orientações de como proceder em caso de manifestações não pacíficas. Em Minas Gerais, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte promoveu encontros com representantes da Polícia Militar para orientar seus associados em casos de depredações. José César da Costa relata: “À época, a entidade orientou os comerciantes a fecharem suas portas em caso de manifestações nas proximidades dos estabelecimentos. Para os empresários prejudicados pelos atos de vandalismo, a orientação da CDL/BH foi que reunissem toda a documentação comprovando os prejuízos para que fosse feito, ao governador do Estado, Antonio Anastasia, o pedido de isenção ou prorrogação do recolhimento dos impostos. No dia 10 de julho, Anastasia publicou no Diário Oficial do Estado o decreto prorrogando o prazo de recolhimento do ICMS para as empresas prejudicadas”. Mesmo sem grandes problemas a FCDL Paraná deu total apoio aos seus associados: “O Movimento Lojista paranaense através de nossos presidentes das CDL

locais e sempre com o apoio da FCDL Parará reuniu - se com os meios e órgãos competentes municipais e estaduais para que medidas de prevenção fossem tomadas. Foi dado principalmente o apoio politico e informativo com as melhores maneiras e tratativas de como agir, se adequando de uma maneira responsável e ordenada, juntamente com os órgãos competentes do Estado e de nossos municípios”, afirma Samoel de Mattos, presidente da FCDL-PR.

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Apoio às manifestações pacíficas As FCDLs são unânimes em demonstrar apoio às manifestações. “Somos favoráveis à livre e democrática manifestação popular, com bandeiras legítimas e justas. A essência do movimento foi pacífica. As pessoas foram às ruas manifestar sua indignação e gritar por mais justiça social, por serviços públicos de qualidade como educação, saúde e transporte. É preciso respeitar a voz do povo. No comércio varejista, por exemplo, sofremos pela falta de uma reforma tributária que não acontece nunca. Não suportamos mais juros altos e uma carga tributária que atrapalha a livre iniciativa e o crescimento do país. Somos favoráveis às manifestações, mas com a manutenção da ordem pública”, manifesta-se Antoine Tawil. Vitor Kochi destaca outras ações da FCDL-RS: “É por meio de intenso trabalho político da entidade que atuamos também em defesa de melhores condições para o setor empresarial no Rio Grande do Sul, que é de grande importância para a geração de emprego e renda para população”. O presidente da FCDL-RS cita ainda uma reivindicação do segmento como uma das bandeiras a serem levantadas: “O varejo está sempre atento aos acontecimentos e prevenido, mas ao mesmo tempo participando por meio de ações políticas que trabalhamos como a busca pela redução do ICMS que beneficiará 40 mil empresas do Simples, que poderão comprar insumos com a diminuição da alíquota para 12% em vez dos 17% atuais”. “Como todos, a FCDL-SP também acredita que as manifestações são legítimas, porém depredar o patrimônio público ou privado não é legítimo”, afirma Maurício. 30 - Dirigente Lojista

José César destaca que juntamente com representantes dos setores produtivos de Minas Gerais, a FCDL-MG elaborou um manifesto posicionando-se a favor das manifestações pacíficas e reinvindicações contra a corrupção e em prol de necessidades sociais básicas, como educação, saúde, infraestrutura e segurança de qualidade. “A redução da carga tributária, mais decência na política, necessidade de reformas estruturais, diminuição de impostos e desburocratização, foram algumas das bandeiras levantadas pelo movimento lojista de Minas Gerais. Por isso, as manifestações em todo país são legítimas e representam a voz de uma nação que exige muito mais que apenas a redução de 20 centavos nas passagens de transporte público. Sentimos hoje uma inflação silenciosa que corrói o poder de compra dos trabalhadores e o lucro das empresas, enfraquecendo toda a economia e deixando como legado os R$ 28 bilhões gastos para a Copa das Confederações e Copa do Mundo. O grande problema são os atos de vandalismo infiltrados nessas manifestações porque além de afetar a credibilidade das mesmas e até mesmo colocar em risco a saúde e vida dos manifestantes, acabam por prejudicar o comércio de diversas formas”, atesta o presidente da FCDL-MG. “As manifestações de origem pacíficas fazem parte do processo democrático. No entanto, aquelas em que uma minoria se aproveita para manifestações violentas, a FCDL-PA se coloca, efetivamente, contrária a estas atitudes”, também opinou Afonso Monteiro.


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Em relação às manifestações futuras As FCDLs esperam que em novos protestos, as ações sejam focadas na cidadania e na paz, sem violência ou prejuízo para o comércio local. “O comerciante é um lutador, um batalhador e não é justo que seja prejudicado num momento tão delicado da economia. É preciso que se pense nisso também. Por outro lado, a polícia tem que estar preparada para agir se necessário for. Mas, quero acreditar que o bem continuará vencendo o mal e que ao invés de pedras, prevaleçam flores”, salienta Antoine Tawil, presidente da FCDL Bahia. Maurício Stainoff espera que a ordem pública seja mantida: “As autoridades têm que cumprir seu papel e que os responsáveis por depredações e prejuízos sejam punidos adequadamente”. Para o paraense Afonso Monteiro, para futuras manifestações, há a expectativa de receber orientações de forma institucional vindas da CNDL, entidade mater. em que o varejo local está ligado, porém complementa: “Com a experiência adquirida recentemente, promoveremos reuniões com a classe lojista, no sentido de buscar estratégias para outros eventuais protestos ou mesmo manifestações”. O presidente da FCDL paulista também avalia o lado bom das manifestações: “Elas mostraram que a

arrogância das autoridades pode ser vencida, que os empresários donos das micro e pequenas empresas podem, se quiserem, mudar o tratamento dado por essas autoridades. É preciso união e participação, e a FCDL é a trincheira de cidadania do lojista”, finaliza. Samoel de Mattos, presidente da FCDL-PR, faz uma abordagem diferenciada sobre as perspectivas de novas manifestações, que inclusive poderão se transformar em oportunidades de negócios: “As perspectivas são positivas em prol do apoio ao movimento lojista local, desde que se tenha a prevenção, principalmente nas áreas de segurança pública e privada. É importante a sociedade estar organizada e cobrar ações dos nossos políticos locais e regionais com o único objetivo de trabalhar por um bem comum. O maior benefício do apoio dos lojistas para com toda a nossa sociedade organizada nas manifestações foi que nos fez sentir uma aproximação espontânea e agradável, sendo que de uma maneira muito perceptível a população viu com bons olhos a integração entre o empresário local com o seu futuro consumidor, prospectando a médio e longo prazo um fomento econômico positivo através das manifestações”.

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Para completar nosso perfil sobre as manifestações que abalaram o Brasil, entrevistamos Honório Pinheiro, presidente da FCDL-CE. O Ceará, assim como Minas Gerais e Bahia, enfrentou uma série de manifestações contra a Copa das Confederações, um evento que prometia ser de grande importância para o varejo e que perdeu parte do seu brilho e lucratividade graças às ações violentas. 32 - Dirigente Lojista

Dirigente Lojista: Qual foi o impacto das manifestações para o varejo de Fortaleza ou de outras cidades do Ceará influenciou diretamente nas vendas? Honório Pinheiro: O comércio no interior do Ceará não foi muito prejudicado com as manifestações populares durante a Copa das Confederações. No entanto, em Fortaleza alguns comerciantes de forma preventiva e em alguns bairros fecharam as suas portas para evitar depredações em seus estabelecimentos. Quais providências os varejistas de Fortaleza tomaram para defender-se das depredações? Somente em locais pontuais, como em torno do Arena Castelão onde foram realizados os jogos da Copa das Confederações, ocorreram manifestações mais exaltadas e em alguns bairros em que houve passeatas, comerciantes fecharam as portas dos seus estabelecimentos.

Que apoio a FCDL Ceará deu aos seus associados durante as manifestações? Não foi necessário. Qual a opinião da FCDL-CE a respeito das manifestações? Toda manifestação oriunda do povo feita de forma tranquila, sem tumulto e sem depredações em lojas ou patrimônio público e com uma pauta coerente, é válida. É o sentimento do povo mostrado para seus governantes que existe muito a fazer, produzir mais em beneficio do povo.

Quais as perspectivas do varejo local para futuras manifestações, caso isto aconteça? O dialogo é o melhor caminho para que não ocorra novamente esse confronto entre aqueles que deveriam proteger cidadãos. O entendimento promove abertura para novas oportunidades e chances de um País mais produtivo em seus diversos setores da economia.

Na sua opinião, as manifestações trouxeram algum tipo de benefício para o varejo local? Acredito que não. Na época, foi decretado feriado municipal em Fortaleza(CE), e o comércio não funcionou nos dias de jogos, cujo comércio foi estimulado a se preparar para atender no período dos jogos.

Tivemos então a seguinte situação: o comercio perdeu resultados e o governo deixou de arrecadar


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CNDL critica o veto à extinção da multa de 10% do FGTS nas demissões sem justa causa 34 - Dirigente Lojista

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o dia 25 de julho, a presidente Dilma Roussef vetou integralmente o Projeto de Lei Complementar 200/12, que acabava com a multa adicional de 10% do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), paga pelas empresas quando a empresa demite um funcionário sem justa causa. Dilma justificou-se afirmando que a razão do veto se deu por “contrariedade ao interesse público”, pois o objetivo é destinar os recursos provenientes da manutenção da multa para financiar o programa Minha Casa, Minha Vida. Para tanto, já existe projeto em tramitação na Câmara dos Deputados.

A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), que desde o início é favorável à extinção da multa, reagiu imediatamente ao veto.


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Roque Pellizzaro Junior, presidente da CNDL pronunciou-se: “É um absurdo. Este mecanismo foi criado para ser temporário e existe a muito mais tempo do que o previsto”. Na avaliação de Roque Pellizzaro Junior, o projeto além de não beneficiar o trabalhador brasileiro, prejudica as empresas, sobretudo as micro e pequenas, que atualmente correspondem a 85% do varejo brasileiro. Para Pellizzaro, é importante destacar que a extinção da multa não afeta os valores recebidos pelo trabalhador.

“O trabalhador não perderia em nada e seria uma importante desoneração para o setor empresarial, e principalmente para o comércio varejista, exaustivamente sobrecarregado pela absurda carga tributária no Brasil. Os valores que deixarão de ser pagos terão grande importância para que o varejo invista em estrutura e na contratação de mais funcionários. A extinção desta cobrança é uma questão de justiça, pois os valores já foram repostos e o empresariado não pode arcar com mais esta conta. A extinção também seria importante para a flexibilização dos processos trabalhistas”.

Entenda o caso Após forte pressão do empresariado nacional, a Câmara dos Deputados aprovou na noite de 3 de julho, por 315 votos favoráveis, 95 contrários e uma abstenção, o projeto de lei complementar 200/12, que acaba com a cobrança adicional de 10% do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) paga pelos empregadores em demissões sem justa causa.

A proposta seguiu para a sanção presidencial e acabou vetada integralmente. O projeto extinguia a multa a partir de junho de 2013 e, de acordo com os próprios parlamentares, causaria efeitos retroativos. A sua aprovação estimularia o crescimento das empresas, já que a manutenção da multa representava na prática a criação de mais um imposto. Com a extinção, os empresários poderiam investir mais, principalmente na criação de novas vagas de trabalho.

O presidente da CNDL afirma ainda que o veto presidencial representa um retrocesso: “O Tesouro tem é que fazer economia de verdade. O veto é uma vergonha nacional”. Dirigente Lojista - 35


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A origem da cobrança A contribuição foi criada em 2001 para cobrir o rombo de R$ 45 bilhões devido a milhões de trabalhadores lesados nos planos Verão e Collor 1. A medida definiu que a multa do FGTS paga pelas empresas nas demissões sem justa causa passou de 40% para 50%, sendo que o trabalhador continuou recebendo os 40% e os outros 10% foram destinados para cobrir o rombo. Desde 2002, este adicional rendeu R$ 18 bilhões.

Porque o governo é contra O governo federal é contra a extinção da tarifa extra porque a manutenção da multa possibilita uma receita extra de R$ 3 bilhões por ano ao caixa do FGTS. Já o empresariado brasileiro contesta a cobrança, pois de acordo com cálculos do próprio Conselho Curador do FGTS (que é a Caixa Econômica Federal), o rombo foi coberto em junho de 2012, No início estava previsto que este rombo seria coberto apenas em 2016. Assim, o governo tem se apropriado indevidamente da contribuição desde agosto de 2012, arrecadando mais de R$ 27 bilhões no período de agosto de 2012 a abril de 2013. O governo também é acusado de utilizar a verba para abastecer a conta do Tesouro Nacional para o superávit primário, que é a economia para pagar juros da dívida pública. O governo defende-se afirmando que destina os recursos exclusivamente para o programa Minha Casa, Minha Vida, e que o fim da contribuição comprometerá os investimentos no programa social.

CNDL

continuará na luta Roque Pellizzaro Junior destaca que o veto não significará o fim da luta: “Os representantes nas diversas esferas governamentais têm a obrigação de ouvir os anseios do povo. O empresariado lutou pelo fim desta cobrança injusta e descabida e, assim como o povo que foi para as ruas, deu mais uma lição de cidadania e, de forma ordeira e pacífica, porém contundente, mostrou que este é um momento de mudança e de conscientização. Continuaremos lutando para que o governo federal reveja a sua posição e que a justiça seja feita e a multa de 10% sobre o FGTS em demissões sem justa causa seja extinta”. Em relação à justificativa da verba no Programa Minha Casa Minha Vida, o presidente da CNDL reconhece a grande importância social e a urgência em sua expansão, mas ressalta: “O governo não pode transferir as suas obrigações para as empresas, que já estão extremamente oneradas. Os empresários precisam de incentivos e não de novas cobranças. Nossos associados podem estar certos que não descansaremos até atingirmos os nossos objetivos”

Roque Pellizzaro Junior, presidente da CNDL.

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CNDL DESENVOLVE NOVA FERRAMENTA DE ACOMPANHAMENTO DAS ATIVIDADES PARLAMENTARES

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O futuro das lojas de rua Apesar da concorrência crescente, as lojas de rua continuam tendo papel muito importante no segmento varejista nacional. O melhor é que devido às suas características únicas, o comércio de rua tem um futuro promissor.

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as últimas décadas as lojas de ruas tiveram que passar por uma reestruturação. Deixaram de ser soberanas como opção dos consumidores para enfrentarem a concorrência, principalmente dos shoppings centers e do comércio digital. Mesmo assim, o comércio de rua nunca deixou de ter o seu valor podemos dizer o seu glamour e continua tendo um espaço de extrema importância para a venda dos mais diferentes produtos.

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Consultamos especialistas no varejo para traçar um perfil sobre a atual situação do mercado formado pelas lojas de rua e quais ações são necessárias para que o sucesso no futuro esteja garantido.

Um conceito básico considerado pelos especialistas do setor varejista é que as lojas de rua são mais indicadas para as “compras planejadas”, ou seja, quando o consumidor vai ao estabelecimento com um valor e uma quantidade prédeterminados. Já as lojas em shoppings centers se identificam às “compras por impulso”, ou seja, quando o consumidor está propenso a gastar mais do que o planejado, inclusive em relação à quantidade de produtos. 42 - Dirigente Lojista


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Compra planejada Marcos Fontoura, proprietário da loja Tóquio, especializada em papelaria e presentes, localizada no centro de Vitória-ES, ressalta: “Isto acontece principal-

mente porque a maioria dos estabelecimentos de rua se concentra nos centros comerciais dos bairros. As pessoas vão às lojas próximas de casa de forma mais descontraída, inclusive na maneira de se vestir. Muita gente ainda considera ir ao shopping como um passeio, que engloba a refeição, o cinema, o sorvete. Muitas vezes acaba nem consumindo nos estabelecimentos”. O professor Eduardo Teixeira, vice-presidente do IBEVAR, Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo, concorda com Marcos:

“Tenho que destacar que o comércio de rua é considerado muito simpático para o consumidor, o que lhe confere um ponto positivo importante em comparação aos outros tipos de centros de compras. Outra vantagem é que as lojas ficam a céu aberto, diferente dos shoppings, e muita gente ainda valoriza esta particularidade”. Eduardo diz ainda que as lojas de rua continuam representando um grande volume do comércio brasileiro, porém tem passado por uma série de transformações. “As lojas de ruas buscam se adaptar às

mudanças, principalmente em relação à segurança e ao estacionamento. A segurança é um pouco mais complicada, mas pode ser atenuada, desde que os comerciantes se unam e contratem uma empresa de vigilância. Seguranças particulares nas portas das lojas ou se locomovendo constantemente pela rua das lojas dão uma sensação maior de segurança.”. Para Nicolau André de Miguel, professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP), o maior atrativo dos estabelecimentos de rua é a conveniência. “Pensar em comodi-

dade atualmente está diretamente atrelado à questão do estacionamento. Oferecer vagas para os clientes tornou-se uma estratégia, mesmo nos centros menores, que já sofrem com o problema da escassez das vagas. Se o lojista realmente quiser se diferenciar, a contratação de manobristas exige um investimento, mas trará funcionalidade para os clientes”. O professor se baseia nas pesquisas que indicam que um dos principais motivos de adiamento ou desistência por parte do comprador em relação ás lojas de ruas é a falta ou a dificuldade de estacionamento.

Conheça o cliente Outro ponto considerado fundamental por Nicolau André de Miguel é conhecer o consumidor nos mínimos detalhes. “O lojista tem que fazer uma pesquisa sobre mercadoria, mesmo que informal, na sua região para ter o sortimento correto do estoque. Para isto é preciso conhecer as características básicas de seu consumidor, poder aquisitivo e faixa etária, assim como em relação aos produtos que são comercializados no estabelecimento. Se o segmento da loja for confecções, é preciso levantar quais os tamanhos que mais vendem cores preferidas, entre outros dados”. Eduardo Teixeira segue a mesma linha de raciocínio: “Traçar um plano de marketing e fazer uma pesquisa, mesmo que simples, é a melhor solução. Verifique se há público e crie um conceito na sua loja baseado neste público. Cuidado com o estoque. Ele precisa ter a quantidade certa. Uma das piores situações é um cliente pedir um produto e não encontra-lo. Isto causa uma grande frustração. Na terceira vez que ele não encontra o que quer, nunca mais retornará”.

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Qualidade no atendimento Este é um dos conceitos mais exigidos atualmente. A qualidade no atendimento realmente faz a diferença e pode ser uma arma importante para que seu comércio de rua se destaque dos concorrentes. As lojas de rua tem a vantagem de que os consumidores as associam ao atendimento personalizado, diferente do autosserviço comum em muitas lojas dos shoppings. Um bom atendimento gera a fidelização do comprador. Incentive que seus vendedores criem um vínculo com o consumidor, perguntando seu nome, o que ele deseja, cores preferidas, ou seja, tente obter informações diversas que possam ajudar e aumentar a venda. Porém tenha cuidado para não ser invasivo e nem chato. Lembre-se que é o comprador ou seja o seu cliente quem manda. 44 - Dirigente Lojista

“Gosto muito de citar o exemplo da cultura árabe de vendas, que tem como costume fazer com que você se sinta confortável nos comércios. Por meio do atendimento, os árabes querem dizer que reconhecem que o consumidor se esforçou para ir à sua loja e querem agradecer. Para isto, são oferecidos benefícios como chá, água, café. Faça o mesmo e o retorno será certeiro”, enfatiza o professor Nicolau. O especialista em varejo indica que o bom atendimento não é apenas ser simpático e mostrar interesse em relação às necessidades do consumidor: “O

vendedor precisa estar tecnicamente bem preparado. Tem que ter um amplo conhecimento técnico sobre o produto. Não basta só ler a caixa para o consumidor, tem que ir além. A boa equipe de vendas tem que passar por treinamento técnico,

que os fabricantes oferecem, e estar preparada para tirar dúvidas até em relação ao futuro, como assistência técnica”. Nicolau destaca ainda: para que o atendimento seja totalmente satisfatório, a loja de rua deve oferecer pacotes para presente e até a entrega em domicílio: “O delivery é

um diferencial que não exige muito investimento, pois se pode determinar um raio de ação, ou seja, até cinco quilômetros a entrega é de graça, mesmo para pequenos itens”. Para Eduardo Teixeira, cada varejo exige um tipo de profissional:

“O vendedor de roupas precisa ser uma espécie de consultor. Tem que estar “antenado” com as novidades e dar dicas de como aquele produto pode ser usado, com que ele combina etc. O consumidor espera que lhe seja oferecido um serviço além da venda”.


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Outras dicas “A enorme concorrência obriga o lojista a ser criativo. Saber negociar prazo e preço influenciará no resultado final e poderá facilitar a rotatividade do seu estoque. Uma boa negociação, até com margens menores de lucro, poderá trazer grandes benefícios e atrair os clientes”, aposta o professor Nicolau. Outro ponto destacado frequentemente é a questão do visual e do merchandising das lojas. No caso do comércio de rua, Nicolau André de Miguel indica na teoria do quando o menos é mais:

“As lojas precisam ter uma aparência “clean”, ou seja, limpa. Uma boa iluminação e as paredes em cores pastéis são essenciais, pois dão uma melhor impressão de espaço e limpeza para o local. Evite cores escuras, pois estudos apontam que os consumidores se sen-

tem acanhados em locais escuros. A exposição dos produtos deve ser de forma atrativa e tenha como regra que de 10% a 15% do que está exposto é composto de novidades. Crie uma frequência para renovar a vitrine, como por exemplo, quinzenalmente ou mensalmente. Seja dinâmico e mostre sempre algo de novo, pois o consumidor se sentirá atraído e até desafiado por encontrar algo novo”. Eduardo Teixeira relata que as lojas de ruas em bairros residenciais precisam ter um cuidado maior em relação à vitrine: “Como

o fluxo das pessoas muitas vezes não é de compradores, é necessário explorar mais a vitrine ou a fachada. Verifique a legislação da sua cidade e invista em novidades. Se preciso, consulte um vitrinista”.

A questão da liquidação também deve receber atenção especial ressalta Nicolau: “A liquidação tem que oferecer uma boa oportunidade e ser realizada num prazo determinado. Com a agilidade dos dias de hoje, é fácil perceber ou pesquisar para saber se o preço que está sendo promovido compensa e se realmente se trata de uma liquidação”.

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Aposte na propaganda As pesquisas indicam que um dos principais problemas das lojas de rua é a dificuldade de ser notada pelos consumidores. Para isto, Nicolau André de Miguel aponta que o investimento em propaganda é primordial. “É claro que os investimen-

tos precisam ser feitos de acordo com a capacidade da própria loja. Mesmo aqueles comércios de rua já conhecidos e que contam com público fiel precisam fazer algo em

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relação à propaganda, pois senão passarão a ser vistos como obsoletos. Afinal, as pessoas mudam o seu comportamento, novos consumidores passam a fazer parte da área de abrangência de seu negócio e é preciso continuar se comunicando com o seu público. Os bairros oferecem muitas oportunidades interessantes, como anúncios nos jornais do próprio bairro, Uma forma criativa é apoiar e prestigiar causas do

bairro, como festas populares, ações comunitárias, eventos que reúnam um grande número de pessoas da região. A panfletagem também é eficiente nas cidades em que é permitido. Vá além e ofereça descontos com a apresentação do panfleto. Demonstre preocupação ambiental e recolha os panfletos jogados na rua ou ofereça lixeiras na rua em que eles foram distribuídos. Associe a sua loja a ações responsáveis”.


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O futuro do comércio de rua Há dois tipos de comércio de rua: o conceitual que reúne num mesmo lugar uma série de lojas do mesmo segmento e que oferecem os mais diferentes produtos para aquele mercado. O segundo é o de lojas de segmentos diversos, conhecido como comércio de rua tradicional. “O comércio conceitual só tende a crescer, já que ele atrai um público específico e que tem a intenção de compra definida. Só que o atendimento nestes locais precisa ser realizado por especialistas. Os consumidores têm um alto conhecimento e é extremamente exigente. Muitas destas ruas tornaram-se ponto turístico das cidades, como é o caso das ruas de confecções do bairro do Bom Retiro, Rua José Paulino em São Paulo”, salienta o professor Nicolau André de Miguel, que analisa as lojas tradicionais de rua da seguin-

te forma: “Elas continuarão tendo papel muito importante, mas precisam ter uma administração mais agressiva e ativa. Elas precisam ser ágeis e ter sempre novidades e produtos diferenciados para que o consumidor que reside próximo a elas não precisem se deslocar até outros centros comerciais, principalmente o shopping center. Sempre haverá público para o comércio de rua. Não há um cenário ruim, pelo contrário. O varejo num total está passando por um momento de profissionalização e os lojistas de rua precisam se especializar. Há várias opções para todos os bolsos. Já há várias formas para isto, como os cursos, os livros, as revistas especializadas e até nos eventos do segmento, que normalmente oferecem eventos paralelos com fins didáticos. Só tome cuidado em relação aos cursos online, pois alguns temas, como liderança, costumam não funcionar. A profissionalização pode ser feita por etapas”.

Eduardo Teixeira,

professor e vice-presidente do IBEVAR

Nicolau André de Miguel,

professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas.

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O exemplo da Avenida Paulista

Antônio Carlos Franchini Ribeiro, presidente da Associação Paulista Viva.

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A Avenida Paulista em São Paulo é um dos principais cartões postais e representa a capacidade produtiva do País. Basta um passeio rápido pela região para perceber que a Paulista conta com um comércio de rua ágil e ativo, que atrai milhões de consumidores. Falamos com Antônio Carlos Franchini Ribeiro, presidente da Associação Paulista Viva, para sabermos como o comércio de rua local faz tanto sucesso.

Dirigente Lojista: O que é a Associação Paulista Viva e quais são as suas funções em relação ao comércio da região? Antônio Carlos Franchini Ribeiro: A Associação Paulista Viva é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público e sem fins lucrativos (OSCIP) que atua pela preservação do patrimônio cultural e material da região da Avenida Paulista. Ela estimula ações que tem como objetivo aprimorar a segurança e a condição ambiental buscando melhoria da qualidade de vida na região e incentiva a cultura e a arte em todas as suas manifestações. A Paulista Viva foi fundada e presidida pelo Dr. Olavo Setúbal, mais tarde pelo Dr. Nelson Baeta e atualmente é presidida


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por mim. A Associação desenvolve ações na área de economia criativa e sustentabilidade. Em sua trajetória, teve importante papel na reforma das calçadas da avenida ao torna-la 100% acessível, na melhoria da iluminação e responde pela manutenção das cabines suspensas utilizadas pela PM, reforçando seu compromisso em promover ações visando a melhoria e preservação da região.

Qual a importância das lojas de ruas para a região da Paulista e qual o perfil destas lojas? As lojas de rua complementam o cenário da Avenida Paulista e são importantes pela facilidade que geram. Elas ajudam a manter viva a avenida e seu entorno. Em função da Lei Cidade Limpa, por exemplo, muitos comerciantes viram-se obrigados a investirem em estrutura para destacarem-se diante da concorrência. Isso foi importante para a valorização da região, com lojas preocupadas em investir em reformas de vitrines. Fatores como este são muito importantes para consolidar o consumo da região. Além disso, a região e consequentemente o comércio local, possui um perfil variado, democrático e espaço para todos os tipos de público, além da infraestrutura que oferece aos visitantes, como portabilidade, acessibilidade e segurança. A Avenida Paulista é um importante símbolo da cidade e, portanto, uma grande vitrine. O comércio na região é muito diverso. Vai desde o consumo de luxo representado pelas grandes marcas na Oscar Freire e imediações, lojas conceito na Avenida Paulista e lojas de comércio popular na Rua Augusta

e na própria Avenida Paulista. O grande diferencial da região é oferecer os mais variados produtos para um público consumidor heterogêneo. A região oferece excelentes opções para quem gasta muito e se preocupa com o luxo e também para quem procura por opções mais em conta.

Qual o perfil do consumidor das lojas da região? É bastante eclético e segue o aspecto democrático da avenida. Seria quase impossível traçar um perfil básico para o consumo e os frequentadores da região, uma vez que parte do seu charme é justamente reunir indivíduos de todas as partes da cidade e todos os setores sócios econômicos. A região é um importante polo de atração turística concentrando vasta rede hoteleira, além de oferecer aos consumidores todos os tipos de produtos. Só a Avenida Paulista concentra mais de três mil empresas. Toda esta pluralidade faz com que o perfil do consumidor seja muito heterogêneo. Assim como todos os segmentos de lojas de rua são bem vindos.

As lojas de rua da região têm enfrentado algum tipo de dificuldade? Não detectamos grandes dificuldades. De longa data o comércio faz-se presente na Paulista, tem estrutura e já se consolidou na região.

Quais os maiores benefícios que a Avenida Paulista oferece para os seus lojistas? A Paulista e região funcionam

24 horas por dia nos sete dias da semana. A população encontra serviços, comércio e entretenimento a qualquer horário e abriga todos os perfis de frequentadores. São quatro estações de metrô que atendem a região e mais de 35 linhas de ônibus que passam por aqui. O principal benefício para os comerciantes é poder contar com um ambiente seguro, limpo, de fácil acesso e com opções de locomoção para as pessoas. A região dispõe também de consumidores das variadas condições e grande movimentação de pedestres.

Como a Associação projeta o futuro em relação ao comércio de rua da Paulista? A Paulista é uma região de grande valor social, econômico e cultural para a cidade, assim como também é um símbolo nacional. Projetamos que a região continue valorizada, como ponto de convergência para a pluralidade de São Paulo. Preservar a identidade da região também visa a manutenção da cultura do comércio e lojas de rua, que são peças de um mosaico que constrói a imagem da região. Acreditamos que o comércio de rua da região já esteja consolidado e que, cada vez mais pensando neste bom posicionamento, marcas e lojistas invistam em melhorias para seus estabelecimentos e consequentemente revertendo estes benefícios para o consumidor e também para a região. Dirigente Lojista - 49


C A PA

Futuro promissor As lojas de rua continuam e continuarão a ter seu espaço de destaque na economia, não importando em que cidade estejam localizadas. Elas atendem um público que busca comodidade, funcionalidade e bons produtos e que tem crescido consideravelmente nos últimos anos. Mas é preciso que se invista em produtos diferenciados, nas novidades e de qualidade garantida, assim como capriche no preço, principalmente porque o custo de um comércio de rua é menor do que o shopping. Conheça seu público-alvo e mantenha seu estoque “redondo” e profissionalize-se e informe-se. Estas são as chaves para fazer os melhores negócios 50 - Dirigente Lojista


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MULHER EMPREENDEDORA

Cleusa Maria da Silva,

Jacksan Neves da Silva,

empresária da Sodiê Doces.

empreendedora do Paraíso Saudável.

“Comecei a trabalhar aos nove anos como boia fria no Paraná”

“A dificuldade de voltar ao mercado de trabalho cresceu depois do acidente”

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Ana Fontes,

fundadora do MyJobSpace Coworking e Eventos e da Rede Mulher Empreendedora.

“Com sacrifício me formei em publicidade e propaganda”


MULHER EMPREENDEDORA

Nas últimas edições apresentamos diversos aspectos e conceitos do empreendedorismo feminino, como as pesquisas que comprovam que as mulheres são as principais empreendedoras no Brasil, até questões comportamentais, como o relacionamento familiar, e o próprio futuro pela visão de especialistas. Desta vez deixamos a teoria de lado e apresentamos:

O

empreendedorismo feminino está consolidado no Brasil. Se até algumas décadas era raro encontrar uma mulher à frente dos negócios, nos dias atuais elas são a maioria. Não importa o segmento, as mulheres estão cada vez mais presentes e alcançando excelentes resultados. Mesmo com a situação positiva, a vida das empreendedoras continua não sendo nada fácil. Apresentamos exemplos que fizeram da necessidade, do sonho de ter o próprio negócio e da dedicação, o combustível para alcançar o sucesso e que podem ser referência para quem quer empreender.

Começo difícil Nossas personagens são Cleusa Maria da Silva, empresária da Sodiê Doces, maior franquia de doces do Brasil e que está no mercado há 16 anos, Jacksan Neves da Silva, empreendedora do Paraíso Saudável, empresa da área de alimentação que funciona em um dos principais edifícios comerciais de São Paulo, e Ana Fontes, fundadora do MyJobSpace Coworking e Eventos e da Rede Mulher Empreendedora.

Três histórias, Três mulheres, Três empreendedoras,

que fizeram da necessidade e da dedicação a chave do seu sucesso

* A primeira coincidência entre as três histórias é a idade das empreendedoras: 46 anos. * A outra coincidência é em relação ao começo difícil, todas tiveram que começar a trabalhar muito cedo. Dirigente Lojista - 53


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Cleusa relembra o início: “Comecei a trabalhar

aos nove anos como boia fria no Paraná. Perdi meu pai e minha mãe e além de mim, tinha outros nove irmãos que precisavam ser sustentados. Com 15 anos, saí do Paraná para tentar a vida em São Paulo como empregada doméstica. De São Paulo, fui Jacksan também começou a trabalhar desde muito cedo, já no ramo de alimentação. Mas no seu caso, um acidente de trânsito a deixou com pequenas dificuldades de locomoção. “A dificuldade de voltar ao

mercado de trabalho cresceu depois do acidente. Foi quando apareceu a oportunidade. Trabalhava como coordenadora de culinária da União dos Moradores do bairro de Paraisópolis, em São Paulo“. Com a experiência adquirida, criaram um projeto que foi o embrião do projeto atual. O Paraíso Saudável é uma cafeteria e também serve almoços, funcionando de segunda a sexta no 21º andar do edifício Plaza Centenário, na zona sul de São Paulo, que abriga Ana Fontes foi outra que não encontrou moleza na sua caminhada como empreendedora: “Nasci em

Igreja Nova, estado de Alagoas. Meus pais eram semianalfabetos e viemos – eu, meus pais e sete irmãos - para São Paulo na tentativa de uma vida melhor. Comecei a trabalhar bastante jovem por necessidade e com muito sacrifício me formei em publicidade e propaganda, com pós-graduação e atuação na área de Marketing”. A história de Ana tem um diferencial, devido à sua vida profissional consolidada antes de empreender:

“Até 2008 exerci a função de executiva de uma multinacional como gerente da área de marketing de relacionamento. Nesta época já 54 - Dirigente Lojista

para Salto, interior do Estado, onde recebi a oportunidade de trabalhar como boleira. Nessa época eu já tinha o meu filho mais velho, Diego, com oito anos. Agarrei a oportunidade para oferecer uma vida melhor para ele”.

os escritórios das empresas Brastemp e Consul. O projeto só foi possível graças ao apoio administrativo que recebeu do Instituto Consulado da Mulher, que assessora empreendimentos femininos e que é organizado pela Consul.

Jacksan completa: “A produção é realizada numa casa alugada na comunidade de Paraisópolis. Para atender as exigências e os horários de entrega dos alimentos, temos que iniciar a produção às três horas da manhã, algo que é um pouco sacrificante”.

estava casada e uma filha de seis anos. Hoje tenho duas filhas. Descobri que o meu sonho não era trabalhar o resto da vida para outras empresas e decidi construir algo novo e que pudesse deixar algum legado para este mundo e para minhas filhas. Minhas filhas foram também um dos grandes motivos para empreender”. O mundo corporativo infelizmente ainda é meio cruel para mães de filhos pequenos e isto foi somente o gatilho para que eu pudesse iniciar meus negócios”.


MULHER EMPREENDEDORA

A importância do apoio familiar Cleusa Maria da Silva vislumbrou a possibilidade de crescimento e apostou no seu empreendimento, mesmo que inconsciente: “As coisas foram acon-

tecendo aos poucos na minha vida. Agarrei a primeira oportunidade que apareceu para ter uma vida melhor e fui trabalhando muito, me aprimorando e buscando novos desafios. Foi assim que as coisas começaram a acontecer. Demorou muito, passei muito tempo entregando bolos a pé até que um antigo cliente e amigo sugeriu abrir a primeira franquia na cidade de São Paulo. A partir deste impulso, a Sodiê começou a tomar a forma de hoje”. As dificuldades para montar o negócio foram muitas. A primeira foi a de acertar a mão da primeira receita. Depois, dinheiro para expandir, claro. Trabalhou de domingo a domingo sem um dia de folga por cinco anos seguidos. Arrisquei tudo e investi rodo o dinheiro que juntei neste período para empreender, a empresária afirma que tudo só foi possível com o apoio da sua família: “Sempre contei

com o apoio da minha família e continuo contando até hoje, porque não é fácil. Trabalho bastante e tento sempre estar com eles nos mais diferentes momentos. Infelizmente gostaria muito de poder me dedicar mais à família, mas amo também o que faço e tento, dentro da medida do possível, tornar a minha vida mais prática e assim poder ter mais tempo para eles”. Para Jacksan, as dificuldades ainda continuam, apesar das condições já terem melhorado bastante: “O empre-

endimento possibilitou aumentar os meus ganhos. Mesmo assim, ainda

trabalho em dois períodos, pois além de ser responsável pelos alimentos do Paraíso Saudável, também faço bolos e salgados sob encomenda. Começo a trabalhar de madrugada. Aproveitei a minha experiência, pois trabalho desde muito jovem com alimentos e é o que eu gosto de fazer”. Em relação à família, Jacksan, que é solteira e não tem filhos, afirma que o apoio dos pais foi importantíssimo para arriscar na nova empreitada e que eles estão sempre ao seu lado. Ana Fontes apresenta outro foco para a questão: “Minha família apoiou apesar

de muitos não entenderem a razão de deixar uma vida corporativa de sucesso e mudar para um mundo de total incerteza. Quando comecei em 2008 /2009, não era tão comum falar de empreendedores, modelos de negócios, etc. Iniciamos intuitivamente baseados em nossa experiência no mundo corporativo e cometemos muitos erros por achar que a experiência no mundo corporativo era suficiente para gerir um negócio e não é. Apostei tudo, tanto que comecei investindo os meus próprios recursos poupados durante minha carreira corporativa”. Ana Fontes com a sua experiência de esposa, mãe e empresária ressalta que outra pergunta comum é como uma empreendedora consegue conciliar a correria diária com a família. É muito difícil conciliar a questão familiar e não dá pra negar, mas o apoio do companheiro e uma organização familiar mais colaborativa ajudam bastante para que as coisas funcionem. Eu procuro também usar ferramentas de tecnologia para organizar o dia a dia. Incluindo tarefas importantes numa agenda e compartilhando com quem pode ajudar. Dirigente Lojista - 55


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Principais dificuldades Além das questões financeiras, as nossas empreendedoras tiveram que enfrentar outras dificuldades. “Seria irreal dizer que não encontrei barreiras, mas sou uma mulher muito determinada e superei todas as dificuldades que pudessem me tirar do meu objetivo principal”, diz Cleusa Maria, que analisa ainda os problemas enfrentados atualmente, mesmo após estar concretizada no mercado: “O

Jacksan aponta que a maior dificuldade para o Paraíso Saudável atualmente é encontrar mão de obra para a produção, principalmente por causa do horário de funcionamento na madrugada, que acaba afastando as interessadas. “Não posso dizer que en-

Brasil ainda é um país que está se ajustando economicamente e socialmente. Temos um negócio que atende a classe média que hoje é o grande foco do mercado brasileiro. Mas estamos sempre nos atualizando e buscando aprimorar nossos conhecimentos, ampliar parcerias e conhecer novas praças para desta forma sempre estarmos junto do nosso publico consumidor”.

atenta Jacksan que afirma ainda que o segredo do sucesso é atender os clientes: “Atendemos as necessidades e pedidos do cliente através de reuniões entre as sócias, principalmente as que trabalham no ponto de venda. Analisamos os itens que mais vendem e ficamos prontas para nos adequar às demandas. Também temos grande preocupação em relação ao desperdício”.

frentamos preconceito, pois todos nos receberam muito bem e a qualidade dos nossos produtos é a nossa principal propaganda”,

A experiência de Ana Fontes também enfoca o assunto. “Nunca encontrei dificuldades por ser mulher empreendedora. Por ter um pequeno negócio sim. As grandes empresas não olham com bons olhos para os pequenos. Ainda existe muito preconceito. Atualmente, nossas dificuldades são em relação ao custo da folha de pagamento, que é muito alto (proporcionalmente igual a uma multinacional), recrutar bons funcionários que sejam comprometidos e acreditem no sonho de uma pequena empresa”. Ana finaliza: “Ainda há a bu-

rocracia e a dificuldade de crédito, que é comum para todo pequeno empreendedor”.

Administração feminina Outro assunto destacado é sobre a diferença entre a administração feminina e masculina. Cleusa acredita que o olhar feminino seja mais apurado e delicado. “Eu observo tudo, detalhe por detalhe, não deixo passar nada. Sou muito perfeccionista e acredito que isso faça parte do universo feminino e tenha colaborado muito para o sucesso da Sodiê”. Jacksan não vê grandes diferenças: “Antes do Paraíso Saudável, sempre trabalhei com homens, muitos deles como chefes, e nunca tive problema. A situação mudou mesmo desde que comecei a empreender, pois somos apenas

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mulheres na administração e procuramos sempre conversar, trocar ideias e ser justas”. Ana aponta que as mulheres são naturalmente mais agregadoras e se importam com as pessoas não somente como profissionais, mas como seres humanos e isto ajuda a ter um ambiente mais agradável. “Empresas geridas por mulheres também tem um impacto maior na sociedade porque as mulheres procuram ajudar quem está no seu entorno, sejam familiares, ou a comunidade. Pesquisas apontam que empresas gerenciadas por mulheres são 25% mais lucrativas do que geridas por homens”.


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A relação com os colaboradores O sucesso de um negócio só será alcançado com a soma de uma série de fatores. Um dos principais é a relação com os colaboradores. No caso da Sodiê, que já alcançou um patamar maior e que conta com 126 lojas, no esquema de franquia, em cinco Estados. Cleusa Maria ressalta que quem quiser investir na empresa pode fazer uma espécie de "test drive".

“A rede permite que o futuro empreendedor acompanhe de perto o funcionamento de uma loja antes de fechar negócio e, posteriormente, é feito um treinamento de 30 dias na matriz. Nós temos um bom produto, com preço justo. Faço questão de conhecer pessoalmente todos os franqueados, temos uma relação próxima, olho como está o movimento e ajudo no que for preciso. Todos têm meu número de celular”, afirma a empresária. Em relação ao Paraíso Saudável, Jacksan aponta que utiliza o sistema de líderes, uma na cozinha, que no caso é ela, e outra no ponto de venda. “Ainda estamos no começo e as

empreendedoras precisam colocar a mão na massa. Temos o entendimento que é preciso cobrar resultados e ser justa com todas as envolvidas no projeto para crescermos”. Ana Fontes acredita que o ambiente de trabalho tem grande importância para o sucesso: “Motivação não é algo que você consegue

colocar numa pessoa. Ou ela é motivada ou não é. Procuro manter um ambiente saudável e seleciono pessoas que tenham alinhamento com a causa de empreender numa pequena empresa. As pessoas se motivam mais por uma causa do que só por salário e benefícios”. Dirigente Lojista - 57


MULHER EMPREENDEDORA

Dicas para o sucesso Cleusa Maria da Silva: Minha dica é conhecer o

mercado, pesquisar muito. Participar de feiras que possam ampliar a sua visão de negócio. Escolhido o foco a ser investido, é necessário se aprofundar no negócio. Não acredito que ter franquia e colocar na mão de outras pessoas para tocar seja uma solução. O correto é ter sempre o olhar do proprietário por perto. Jacksan Neves da Silva: A empreendedora pre-

cisa ter certeza do quer e gostar do que vai fazer. “Um empreendimento toma muito tempo da gente e desgasta muito. Se você não amar o que faz, não vai aguentar”. A empreendedora aponta que a disciplina também é de grande importância: “Não ter um patrão aumenta ainda mais a responsabilidade. A disciplina é essencial, assim como a determinação. Muita gente se ilude que por ser seu próprio patrão poderá fazer o que quiser. Não é verdade, pois seu patrão passa a ser o cliente”. Finalizando, Jacksan utiliza a sua experiência para ressaltar alguns aspectos que fazem com que o seu empreendimento, o Paraíso Saudável, continue crescendo: “Treinar os colaboradores, sempre inovar e implantar coisas novas, perceber o que o cliente deseja conhecer o ambiente em que trabalha e aprender cada vez mais com o dia a dia são as regras básicas que todos, sem importar qual o negócio, precisam seguir”. Ana Fontes: “Há vários erros. E olha que já co-

meti boa parte deles e posso falar com conhecimento, são muito comuns para quem está começando a empreender. Acertei em cheio em buscar inovar sempre e ver o que mundo e as sociedades fora do Brasil estão fazendo de melhor. Por isto, consegui enxergar tendências (coworking e empreendedoras) que foram inspiração para os meus negócios. Sempre busquei conhecimento e nunca tive medo do novo. Isto é fundamental para quem é empreendedor”.

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MULHER EMPREENDEDORA

Os principais erros de quem está começando na visão de Ana Fontes são: 1 • Não fazer um plano de negócios ou fazer um muito complexo, difícil de explicar. Existem ferramentas eficientes na organização de um modelo de negócios; 2 • Não entender o mercado onde vai atuar; 3 • Misturar as finanças da empresa com as pessoais;

9 • Fazer sociedade por amizade e não por competência; 10 • Entrar num mercado ou negócio porque acha que vai dar dinheiro, mas não gosta; 11 • Não fazer uma reserva de sobrevivência até que o negócio se estabeleça;

4 • Pensar primeiro na estrutura, no escritório, na cadeira, no local e depois no modelo de negócios;

12 • Fazer dívidas nos bancos para financiar o negócio;

5 • Idealizar o negócio e não dividir com ninguém, perdendo a oportunidade de obter dicas importantes;

13 • Contratar parentes por afinidade e não por competência:

6 • Acreditar que se o negócio não existe no Brasil, vai dar certo no Brasil;

14 • Não selecionar bem os funcionários, preferindo uma equipe mediana;

7 • “Se achar” acima de qualquer coisa e não buscar capacitação para ser empreendedor;

15 • Buscar pessoas que não o questionam.

8 • Achar que ter trabalhado em grandes corporações dá credenciais para ser empreendedor;


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Grandes oportunidades O que fica claro é que o empreendedorismo feminino abre as mais diferentes oportunidades para que os sonhos sejam realizados. Aqui apresentamos três exemplos de grande valor. O primeiro começou pequeno e com muito trabalho tornou-se uma verdadeira potência no seu segmento, com previsão de abertura de novas franquias. Já o segundo exemplo ainda está no começo, exigindo que a empreendedora também execute a função de produção. Mesmo em uma escala financeira menor, o negócio precisa ser administrado com responsabilidade e já possibilita excelentes resultados e com excelentes possibilidades de crescimento. A terceira história é feita de ousadia e percepção de um novo mercado, abrindo mão de um emprego estável para realizar seu sonho.

Se você deseja se tornar uma empreendedora, não deixe de seguir as dicas apresentadas, além de se cercar do máximo de informações, pois o mercado brasileiro está aberto para receber novos investimentos que venham somar.

Rede Mulher Empreendedora Fundada em 2010, a Rede Mulher Empreendedora a primeira e maior rede de apoio a empreendedoras do Brasil. Hoje conta com mais de 35 mil mulheres engajadas. É responsável por um dos maiores eventos de empreendedorismo, “A Virada Empreendedora” que está na sua quarta edição. www.redemulherempreendedora.com.br

Sodiê Doces É a maior rede especializada em bolos artesanais do Brasil e sua rede de franquias conta com 126 lojas espalhadas em cinco Estados Brasileiros (São Paulo, Paraná, Distrito Federal, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul). Faturamento médio é R$ 50 milhões por ano. Seu catálogo conta com 80 versões de bolos, além de versões com zero de açúcar e especialmente desenvolvidas para clientes com alergia a lactose, glúten e ovo www.sodiedoces.com.br

Paraíso Saudável Recebeu o apoio do Instituto Consulado da Mulher, que é uma ação social da marca Consul e tem como objetivo assessorar empreendimentos populares protagonizados por mulheres, com apoio de conhecimento e recursos. Está presente em 20 Estados brasileiros e 77 municípios e já participou de 169 empreendimentos. Fundado em 2002, o Instituo já beneficiou mais de 30 mil pessoas. www.consuladodamulher.org.br

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HISTÓRIA DO COMÉRCIO

Uma metrópole chamada Belo Horizonte/MG Com apenas 116 anos de fundação, a capital mineira apresenta uma rica história do seu comércio, segmento de extrema importância para Belo Horizonte uma das principais cidades do Brasil.

E

a história do comércio brasileiro continua sendo registrada em nossas páginas com muito orgulho. Desembarcamos desta vez em Belo Horizonte, que se caracteriza pelo seu comércio moderno e diversificado. Aliás, o segmento do comércio sempre teve papel de extrema importância para o que a cidade representa atualmente no Brasil. Para contarmos esta bela história, nada melhor que Bruno Falci, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Belo Horizonte.

Bruno Falci,

presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Belo Horizonte/BH

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HISTÓRIA DO COMÉRCIO

A Fundação de BH Os primórdios da cidade se originam por volta de 1701, porém, a nova capital mineira só foi inaugurada em 12 de dezembro de 1897, com o nome de Cidade de Minas. Lembrando que anteriormente a capital de Minas Gerais era a cidade de Ouro Preto. A mudança para o nome atual aconteceu em 1901. A curiosidade principal é que BH foi inspirada, planejada e construída em Paris, na França, e em Washington, nos Estados Unidos, e seu projeto foi executado de 1894 a 1897. Bruno Falci lembra que “Belo Horizonte nunca foi uma cidade industrial nem tampouco agrícola. A cidade teve início com os funcionários públicos que vieram para a nova capital, fundada em 1897. O comércio sempre foi a atividade mais importante da cidade, que recebeu muitos imigrantes como sírios, libaneses, turcos, italianos e portugueses que tinham o dom da comercialização”.

Inauguração de Belo Horizonte, em 12 de dezembro de 1897.

Em relação aos produtos mais comercializados na época, Bruno resalta que, “Como era uma nova capital, havia demanda para material de construção que chegava via estrada de ferro. E, é claro, secos e molhados, trazidas pelos tropeiros que eram os viajantes da época”.

Antiga Estação Ferroviária da cidade de Minas, atual Belo Horizonte, construída pela E.F.Central do Brasil em 1898.

Teatro Municipal - Rua da Bahia com Goitacazes - 1930.

Grupo de tropeiros em 1905.

A Constructora, que vendia materiais de construção e ferragens - 1895.


HISTÓRIA DO COMÉRCIO

Principais ruas de comércio Assim como todas as cidades, a história do comércio de Belo Horizonte também foi marcada pelas ruas principais que se caracterizaram por concentrar o comércio: “Desde o começo, as ruas mais relevantes são as compreendidas pela Praça Sete, como por exemplo, a Avenida Afonso Pena, Rua dos Caetés, Rua dos Goitacazes, dentre outras”, ressalta Falci.

De acordo com o presidente da CDL Belo Horizonte, os polos comerciais nos dias de hoje que se destacam aumentaram consideravelmente e são os que se localizam no entorno da Praça Sete, o entorno da região da Savassi, Barro Preto e Bairro de Lourdes. “O comércio em BH está bastante pulverizado. Além dos citados, preciso mensionar ainda que há os centros comerciais de bairros como Alípio de Melo, Venda Nova, Barreiro, que ganharam destaque nos últimos anos”, informa Bruno Falci.

Armazém de propriedade do Sr. Eduardo Edwards, localizado na Rua do Capão, Arraial do Curral Del-Rei - 1915.

Praça Raul Soares e Mercado Central - 1950.

Praça Sete - Cine Brasil - 1932.

Casa Sales, na São Paulo com Caetés - 1910.


HISTÓRIA DO COMÉRCIO

Locais que fazem parte da história do comércio Praça Sete É o marco zero do hipercentro de Belo Horizonte e se localiza no cruzamento das avenidas Afonso Pena e Amazonas, consideradas as principais da cidade; É o centro nervoso da capital mineira e foi desenhada pelo arquiteto Aarão Reis, no final do século 19. A Praça Sete já se chamou Praça Doze de Outubro, trocando de nome em 1922, durante as comemorações do centenário da Independência do Brasil. No local ainda há uma marca registrada: o monumento conhecido como Pirulito. Inaugurado em 7 de setembro de 1924, o obelisco é feito de granito e tem o formato de uma agulha, com sete metros de altura e apoiado num pedestal. O monumento chegou a ser transferido em 1963 para a Praça da Savassi durante as obras de modernização da Praça Sete, retornando para seu local original 17 anos depois, onde permanece até hoje. Em 2003, o local passou por uma nova revitalização.

Praça Sete com o obelisco (Pirulito) - 1924.

Praça Sete de Setembro - 1930.

Avenida Santos Dumont Planejada para ser a principal via do comércio varejista, junto com a Rua dos Caetés, foi inaugurada como Rua do Comércio. Passou a ter o nome atual após visita do pai da viação a Belo Horizonte, ainda na primeira década do século 20. Era na Avenida Santos Dumont onde se concentrava o comércio do tipo atacadista, formado pela proximidade com a Estação Central, por onde chegavam todos os suprimentos para a capital. Com o passar dos anos, o comércio local se democratizou e vários tipos de comércio são encontrados no endereço.

Avenida Santos Dumont.

Rua dos Caetés Bruno Falci aponta uma característica histórica deste local: “A Rua dos Caetés era chamada de "rua dos turcos" devido ao grande número de comerciantes turcos, árabes, libaneses e sírios lotados na região”. A Rua foi inaugurada em 1897 e projetada para desempenhar o papel de uma das principais vias comerciais da cidade, situação que permanece até hoje. No começo, eram comercializados produtos de armarinho, tecidos e enxovais. Com o passar dos anos o comércio se diversificou com a chegada de lojas de artigos esportivos, perfumarias, restaurantes, entre outros.

Rua Rio de Janeiro na esquina da rua dos Caetés. A esquerda vemos a antiga Casas Pernambucanas e à direita a Casa Bleriot e seu farol – 1930.

Rua dos Caetés - 1930.

Alfaiataria Callotti e Alessio na Av. Afonso Pena e a Rua Rio de Janeiro - 1910.


HISTÓRIA DO COMÉRCIO

Locais que fazem parte da história do comércio Avenida Afonso Pena Inaugurada junto com Belo Horizonte, esta avenida se caracterizava nas primeiras duas décadas do século passado pelas figueiras plantadas em ambos os lados das vias, que foram cortadas em 1963 pela alegação de que atrapalhavam o trânsito, assim como pelos trilhos por onde passavam os bondes. Nesta época era o ponto de encontro da população das classes sociais mais altas e famílias tradicionais. As lojas no local eram destinadas para a elite, como a Slooper, loja de roupas femininas, a chapelaria Londres e a sapataria Clark. A Casa Falci, fundada antes de 1908, começou sua operação na Avenida, no número 529, imóvel que foi restaurado pela família para as comemorações dos 100 anos da cidade. A Casa Falci continua na ativa e atua no segmento de materiais para construção e está localizada na Rua Rio Grande do Sul, no Centro.

Av. Afonso Pena - 1920.

Com o passar dos anos, o local recebeu novas casas comerciais. Conforme o livro “No Tempo dos Capuchinhos”, de autoria de Guilherme Cardoso, a Mesbla vendia de roupas a brinquedos, passando por eletrodomésticos e até veículos, e estava localizada na Rua Curitiba com a própria Avenida Afonso Pena. Destacavam-se também a Bemoreira-Ducal, especializada em roupas e eletrodomésticos, a Casa Guanabara, que mais tarde passou a ser a Mobiliadora Inglesa Levy, em um prédio de 12 andares e era um magazine no estilo americano da época. Uma característica comum neste tipo de comércio é que cada andar correspondia a uma especialidade. A Casa Guanabara foi um dos primeiros comércios de BH a adotar a venda em prestação, o que facilitou bastante o acesso da população aos produtos mais caros. A Mobiliadora Inglesa Levy sucedeu a Casa Guanabara e se caracterizava por ser a loja mais popular da cidade, e por ser a primeira a utilizar o sistema de carnê para as compras a prazo. Destacavam-se ainda as Casas Pernambucanas e a Casa Abreu.

Super Mercado Popular, construído na década de 40, na Avenida Antônio Carlos.

A Loja Bemoreira vendia eletrodomésticos e móveis - 1960.

Fachada da Ducal anunciando uma das suas grandes liquidações na década de 1960.

Padaria Savassi - 1940.


HISTÓRIA DO COMÉRCIO

O espaço da sofisticação A Rua Espírito Santo, no trecho entre a Rua dos Goitacazes e a Rua Tupis, era sinônimo de requinte na década de 1970, após a mudança de lojas com este perfil da Rua dos Caetés e da Rua Santos Dumont para outras localidades. A escolha pela Espírito Santo se deu graças aos prédios recém-construídos na época, que apresentaram as condições desejadas pelos lojistas. Lojas de joias finas e principalmente de vestuário, atraiam as senhoras das famílias tradicionais de BH, graças aos produtos trazidos da Europa. Só que a falta de benefícios básicos, como estacionamento amplo, fácil acesso, tráfego e segurança afastaram os clientes da região, que se deslocaram para regiões como Savassi e Lourdes.

Calçamento na Rua Espírito Santo, entre as Ruas Tupiambas e Caetes - 1930.

Mudanças significantes Como toda metrópole, Belo Horizonte passa por mudanças constantes no seu comércio. Bruno Falci comenta que existe hoje uma tendência para a setorização. Podemos citar a Avenida Pedro II com comércio de material de construção e automóveis; Avenida Silviano Brandão e redondezas que se tornou o polo moveleiro; a região do Barro Preto com comércio de confecções; e a região da Savassi e Bairro de Lourdes, com o comércio de artigos de luxo e restaurantes. Falci salienta que a importância do comércio para a cidade permanece: “O comércio da capital é muito diversificado. Belo Horizonte é uma grande metrópole. O setor de comércio e serviços é hoje a principal atividade econômica da cidade, representando 85% do PIB de Belo Horizonte. É o que mais gera postos de trabalho, mas infelizmente é o segmento mais onerado da cadeia produtiva”.

Belo Horizonte/BH - Dias Atuais.

O que esperar do futuro O presidente da CDL BH aponta o caminho para o futuro e o sucesso dos lojistas num aspecto geral: “Atualmente o consumidor quer algo mais além da mercadoria. Quer atendimento diferenciado e segurança na hora de efetuar as compras. Sem cair na mesmice, é preciso encantar o cliente”. Em relação às dificuldades encontradas, Bruno Falci aborda um aspecto interessante e que merece atenção especial: “Antigamente, os funcionários eram formados nas empresas. Eles permaneciam décadas na mesma empresa, tinha desejo de crescer profissionalmente e seguir carreira. Tinham um nível de comprometimento muito maior, com mais dedicação e respeito mútuo”. Com uma história breve, apenas 116 anos, Belo Horizonte pode se orgulhar pela grandeza que seu comércio alcançou.

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Como toda metrópole, a capital mineira tem as mais variadas opções para os consumidores, atendendo de forma completa e satisfatória as necessidades de seus moradores e visitantes. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade tem uma população aproximada de 2,4 milhões de habitantes, tornando-a a sexta maior no Brasil. Como dito pelo presidente da CDL local, o segmento do comércio tem grande importância no Produto Interno Bruto (PIB) de BH, que é o quinto maior do País. É importante destacar que o segmento varejista tem se profissionalizado e modernizado constantemente, tudo graças ao investimento e pela visão dos empresários, garantindo vida longa e sucesso não só para o comércio, mas principalmente para a própria cidade de Belo Horizonte


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