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relação entre cidade e sistema

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“o espaço e o tempo são categorias básicas da existência humana” (Harvey D. 1992 - “A Condição Pós-Moderna”)

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Os processos de pré-tgi foram de muitas dúvidas e incertezas, surgiram questões que apenas com muita experiência será possível abordá-las melhor. Mesmo nesse turbilhão de sinapses foi possível estabelecer um rumo. Saio de pré-tgi com o olhar voltado ao edifício buscando interações tanto diretas com o entorno quanto indiretas, enumerando quantas relações urbanas são consequentes da simples existencia de tal projeto. São nessas relações mais distantes que me deparo com os sistemas e é o que me leva ao interesse no aprofundamento dos transportes públicos coletivos.

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Neste processo me vejo olhando para a cidade, particularmente as metrópoles, sem encontrar um único lugar habitado que não haja movimento, pessoas andando e até correndo, entrando e saindo, subindo e descendo. Mobilidade é saúde, basta uma pequena fatalidade que impeça nossa independência de ir e vir por alguns dias e já sentimos o choque de não ter a nossa disposição os benefícios da mobilidade. Neste contexto a metrópole dispõe de uma escala que foge do alcance de nossos pés, levando em consideração a escala de tempo da sociedade contemporânea, e para que os urbanistas p ossam ter acesso a cidade como um todo faz-se necessário a criação de mecanismos que nos proporcione deslocamentos com maiores velocidades, afinal se na equação o espaço é constante e precisamos mas não podemos reduzir o tempo só nos cabe alterar a variável velocidade. Colocando foco em nosso país infelizmente neste processo, mais precisamente na década de 50, o governo opta por investimentos numa mobilidade rodoviarista que proporcionou o benefício econômico para a sociedade da época, porém como investimento a longo prazo essa escolha nos trouxe aos dias de hoje o engessamento das vias e o mecanismo que tinha o objetivo de aumentar a velocidade do nosso deslocamento ganha a função de rolha.

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Para o aprofundamento desse tema seria necessário a abordagem da questão das mentalidades, sociedade de consumo, porém vou me limitar a abordar apenas a questão dos transportes públicos coletivos. No Brasil há a mentalidade que transporte público é a opção de quem não tem condições financeiras de se deslocar com o automóvel, isso se dá pelas condições físicas do transporte público brasileiro, claro que há exceções, como é o caso da maior parte das linhas de metrô da cidade de São Paulo, porém o maior problema é a demanda, a quantidade de linhas não é suficiente, e sem muitas possibilidades a população se divide em se apertar no transporte coletivo e ficar travado dentro de seu automóvel. Faço da cidade de São Paulo meu objeto de estudo pelo fato de ser a sexta cidade mais populosa do planeta, o que gera uma grande demanda de transporte. Meu foco não é criar um sistema novo, mas trabalhar em um recorte dos sistemas pré-existentes articulando essas transições entre os transportes, criando uma estação intermodal. O objetivo desse recorte é possibilitar o aprofundamento das questões espaciais entre o sistema e o entorno de suas estações, estabelecendo conexões em diversas escalas.

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“O Governo do Estado de São Paulo licitou em 2009 o Estudo de Pré-Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental do Hidroanel Metropolitano de São Paulo, através do Departamento Hidroviário da Secretaria Estadual de Logística e Transportes (Licitação No DH-008/2009). A Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, através do Grupo Metrópole Fluvial, realizou em 2011 a articulação arquitetônica e urbanística deste Estudo. O PROJETO O Hidroanel Metropolitano de São Paulo é uma rede de vias navegáveis composta pelos rios Tietê e Pinheiros, represas Billings e Taiaçupeba, além de um canal artificial ligando essas represas, totalizando 170km de hidrovias urbanas. O projeto desenvolvido pela FAU USP se baseia no conceito de uso múltiplo das águas, estabelecido na Política Nacional de Recursos Hídricos, que considera as águas um bem público e um recurso natural limitado, cujo uso deve ser racionalizado e diversificado de maneira a permitir seu acesso a todos. Esta Política prevê o transporte hidroviário na utilização integrada

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dos recursos hídricos, visando um desenvolvimento urbano sustentável. Ao transformar os principais rios da cidade em hidrovias, e considerando também suas margens como espaço público principal da metrópole, o caráter público das águas de São Paulo é reforçado. Dessa forma, os rios urbanos se colocam como vias para transporte de cargas e passageiros, uso turístico e de lazer, além de contribuir para a regularização da macrodrenagem urbana. Criam-se, assim, áreas funcionais e lúdicas para a população. O projeto do Hidroanel também está alinhado às diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, que tem entre seus objetivos contribuir para o acesso universal à cidade e mitigar custos ambientais, sociais e econômicos dos deslocamentos de pessoas e bens. Intimamente relacionados com o desenvolvimento urbano e bem estar social, os bens deslocados na cidade são compreendidos no Estudo de Pré-viabilidade do Hidroanel como sendo as cargas públicas e comerciais que transitam no meio urbano.” Texto retirado do site: www.metropolefluvial.fau.usp.br


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O sistema proposto pelo grupo Metrópole Fluvial não foca apenas no transporte de cargas e passageiros mas abre um leque abordando o campo das políticas de mentalidades. O projeto trabalha a questão do descarte de material reciclável que em sua maioria ocorre de maneira inadequada. Aproveitando o transporte de carga, que envolve o transporte de lixo e entulho, serão instalados postos de recolhimento do material reciclável que visa criar um hábito na população e assim começar a partir das pessoas a preocupação com o lixo gerado.

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zona sul - sp 29


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área de projeto

região de encontro dos sistemas de transporte hidrovia - ferrovia - metrô região de encontro da linha lilás com a linha azul estações de metrô linha lilás prevista pelo governo linha lilás linha azul hidrovia prevista pelo Grupo Met´ropole Fluvial

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Há uma distância linear de 500m e de 3km de caminho está o bairro Felicidade, dado esse problema geográfico, as próprias pessoas que precisam chegar a esse destino resolvem o problema criando esse caminho precário. O deslocamento como necessidade gera essas situações quando o poder público não proporciona a solução

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Entre galpões ocupados e abandonados, grandes empreendimentos imobiliários e o centro comercial ainda resistem habitações de estreita testada, o lote é dividido ao meio para ou baixar o custo para o comprador ou aumentar o lucro para o vendedor ou ambos, típicas da cidade de São Paulo

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Centralidade comercial que proporciona aos moradores da zona sul de S達o Paulo uma alternativa, substituindo o centro da cidade

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Buscando um espaço que não fosse apenas uma estrutura para o sistema de transporte, me coloco pensando em um lugar de passeio e contemplação, um espaço na cidade que preserve uma baixa densidade urbana, garantindo um respiro que se contraste com o entorno que se hoje se encontra pouco ocupado não permanecerá por muito tempo assim.

1. mercado hortifruti 2. chegada dos produtos hortifruti 3. oficina de barcos 4. garagem dos barcos 5. embarque/desembarque transporte fluvial

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É criado um eixo que conecta saída da estação de transporte fluvial até a oficina de barcos finalizando em um pequeno mirante. Valorizando o passeio e a contemplação é nesse eixo que as coisas vão acontecendo, entre elas o fluxo de chegada e saída do mercado.

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A passarela que conecta os dois lados do rio permite não só a passagem de pedestres mas também de ciclistas, permitindo o acesso da bicicleta até os barcos, incentivando o uso desse transporte individual.

1. anexo administrativo 2. acesso direto a estação 3. embarque/desembarque transporte fluvial 4. marginal pinheiros

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O mercado de hortifruti é fundamental no projeto, não só por dar suporte ao sistema, mas como articulador desse sistema, alimentando o lugar com as pessoas que vão em busca dos produtos oferecidos e acabam encontrando um espaço de lazer.

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a volumetria do edifício que abriga a oficina dos barcos é utilizado como marco para o lugar.

1. sala de ferramentas 2. administração e vestiários 3. acesso

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Deslocamentos entre cidade e sistema