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DIÁRIO DO GRANDE ABC

QUINTA-FEIRA, 28 DE ABRIL DE 2011

2 TURISMO

PATAGÔNIA ▼ Divulgação

Lago Pehoe no Parque Nacional Torres del Paine

no fim do Karla Machado Enviada à Patagônia

A

expressão “fim do mundo” pode até soar pejorativa, mas é impossível se manter apático ao avistar os picos nevados da Terra do Fogo e saber que ali acaba o continente. Só por isso a viagem à Patagônia chilena já valeria a pena. Mas essa terra encantadora tem muito mais a oferecer, tanto para aventureiros habilidosos na arte da escalada, quanto para quem deseja apenas contemplar as belezas naturais, que aos olhos dos brasileiros mais parecem um cenário de filme. Apesar da parte argentina da Patagônia ser mais desenvolvida e conhecida, o Chile é quem detém a maior porção do território: 68%. Geleiras e glaciares limitam a geografia local, que conta com pampas abertos, colinas, riachos, lagos com icebergs flutuantes e, inclusive, fiordes, os únicos do hemisfério sul, datados de milhares de anos. A Patagônia está separada do resto do Chile pelo norte por uma barreira de golfos e montanhas que formam a maior massa de gelo do hemisfério austral, exceto a Antártica. O mais impressionante de tudo isso é o fato de o local ter sofrido pouquíssima intervenção humana, o que remete a uma inusitada sensação de pequenez diante de tão exuberante natureza. O destino é belo e convidativo o ano inteiro. No verão, o sol tem preguiça de ir embora. Costuma nascer às 3h30 e se põe à 0h, mas é acompanhado por vento. Já nos dias frios, o período de claridade é bem menor, os ventos são mais suaves e os termômetros oscilam entre 8º c e -2˚c, podendo che-

gar a -14˚c. Mas a recompensa por resistir às baixas temperaturas são imagens dignas de um cartão-postal. A flora se reveste de uma aura especial,

MUNDO

com neve por todos os cantos. Só não dá para navegar por alguns rios e percorrer trilhas que acabam interditadas pela neve.

LOCALIZAÇÃO A cidade de Punta Arenas, capital da Patagônia chilena, é a porta de entrada à região. O voo de Santiago até a cidade

dura cerca de quatro horas e meia, com escala em Puerto Montt, pela Lan Chile. Ao todo, são quatro voos diários. A cidade encontra-se na riKarla Machado

Cumes nevados dos Chifres del Paine

beira do Estreito de Magalhães e dispõe de boa estrutura de hotéis e restaurantes, mas é Puerto Natales, a cerca de duas horas e meia de carro do aeroporto de Punta Arenas, que tem despontado como centro turístico local. Este porto situado no Seno de Ultima Esperanza é o melhor ponto de partida para visitar os parques nacionais Torres del Paine e Bernardo O’Higgins. Nos últimos anos, imponentes hotéis cinco estrelas abriram suas portas na cidade, que hoje oferece aos visitantes fazendas de ovelhas, trekking, pesca esportiva e rafting. A jornalista viajou a convite do Sernatur (Serviço Nacional de Turismo do Chile)

Divulgação

Conjunto de montanhas que dá nome ao parque

Torres del Paine é vedete Para qualquer lado que se lance o olhar, a paisagem surpreende. O Parque Nacional Torres del Paine, equivalente à Suíça em extensão, impressiona pela imponência de suas montanhas e natureza abundante. Os fotogênicos Cuernos (Chifres) e as espigadas Torres de granito são os grandes protagonistas do local, rodeado por lagos de diferentes cores: água-marinha, esmeralda, turquesa, safira e lápis-lázuli. A paisagem bucólica é decorada por bosques de lengas, o carvalho patagônico, por onde passeiam livremente simpáticos guanacos (a lhama patagônica) e até mesmo pumas – estima-se que haja 50 dentro do parque. Colore o céu grande varieda▼

de de aves, com destaque para o condor, que pode ser visto ao longe, voando em grandes altitudes. Os roteiros de trekking podem durar até 10 dias. Também é possível se divertir com a canoagem ao redor de glaciares, sendo o maior deles o Grey, cavalgadas e escaladas. Não é à toa que o parque foi designado em 1979 como Reserva Mundial da Biosfera pela Unesco. A maioria das excursões parte de Puerto Natales, distante 112 quilômetros ao norte, mas também é possível dormir no local. Entre as opções estão desde camping até hotel cinco estrelas. Para estrangeiros, a entrada custa 15.000 pesos chilenos (cerca de R$ 51). KM


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