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DIÁRIO DO GRANDE ABC

QUINTA-FEIRA, 28 DE ABRIL DE 2011

4 TURISMO

PATAGÔNIA ▼

NAVEGANDO

Fotos: Karla Machado

entre glaciares

Lago reflete o glaciar Serrano

Karla Machado Enviada à Patagônia

“N

avegar é preciso”, já diziam os versos do português Fernando Pessoa. Quanto mais na Patagônia, que me permita acrescentar o poeta. Isso porque a visão dos mais belos glaciares, como o Balmaceda e o Serrano, só é possível por meio de excursão marítima. Ambos os glaciares ficam no Monte Balmaceda, dentro do Bernardo O’Higgins, o maior parque nacional do Chile, que supera a Bélgica em extensão. O barco com capacidade para grupos de 70 pessoas sai de Puerto Natales e avança pelo canal de Última Esperança, passando por colônias de lobos-marinhos e, dependendo da época, os visitantes são presenteados com a presença de golfinhos até chegarem ao Monte Balmaceda. Com uma altitude de 2.035 metros, o glaciar Balmaceda pode ser usado para prática de trekking, montanhismo e escalada livre. Do outro lado do monte está o glaciar Serrano, do qual os turistas podem se aproximar via terrestre, nu-

ma caminhada de aproximadamente 20 minutos, e contemplar uma lagoa formada pelo degelo e troços do desprendimento do glaciar e que durante o dia espelha as montanhas ao seu redor. Tal desprendimento é um processo natural, conforme explica o guia turístico Miguel Muñoz, porém acelerado nos últimos anos em razão do aquecimento global. O gelo chega a ter uma cor azul-turquesa, que contrasta com o verde da floresta, capaz hipnotizar os amantes da natureza. Na pausa para o lanche, além de batatas e amendoins, é servido uísque com pedras de gelo produzido há milhões de anos. Em excursões que duram o dia inteiro, os visitantes retornam à embarcação e partem para almoço em uma estância, para depois voltar à cidade de Puerto Natales. De botes zodiac, o passeio pode se estender pelo Rio Serrano. Para tanto, são cedidas roupas especiais, que ajudam a combater o frio, e flutuam, caso haja algum incidente. As excursões ocorrem diariamente, mas são suspensas entre os meses de abril e outubro. ▲

Trilha no Parque Bernardo O’Higgins

Belezas encantam brasileiros “Conhecer a Patagônia era um desejo antigo e aproveitamos para viajar agora porque ainda não está tão frio”, diz a administradora de empresas de São Paulo Roselina Metzner Guido, 38 anos, enquanto navega e se encanta com a paisagem que rodeia o rio Serrano ao lado do marido, o também administrador Nelson Guido, 36. O casal preferiu fazer um roteiro por conta própria em vez de contratar uma operadora de turismo e recomenda a iniciativa. “Gastamos US$ 640 com passagem de avião e reservamos pela internet apenas a hospedagem no hotel de Punta Arenas, as demais hospedagens fomos procurando quando chegamos aos distritos”, detalha Nelson. Em duas semanas, eles conheceram Santiago, Punta Arenas, Puerto Natales e Perito Moreno, que pertencem ao trecho chileno, e também o glaciar Perito Moreno, na Argentina. “Embora a parte argentina seja a mais conhecida, em minha opinião a paisagem mais interessante está no Chile. Além do Parque Torres ▼

▼ GASTRONOMIA

Para todos os paladares ▼ Exótica e variada. Assim é a gastronomia da Patagônia, rica em cordeiros e frutos do mar, sempre acompanhados por batata. Normalmente, o legume é servido inteiro e cozido, mas também pode vir na forma de purê, frito ou in-

Cordeiro com batatas

crementado com molhos. Experiente na preparação de cordeiros, Hector Hernan Mercgue dedicou 18 dos 63 anos de idade à arte. Segundo ele, o ideal é que o cordeiro tenha apenas seis meses, fase em que a carne é mais

macia e saborosa. Para temperar, nada muito rebuscado. Bastam vinagre, pimenta, alho em pó, menta e água. Já para saborear, é preciso paciência: a partir do momento em que é colocada na brasa, a carne leva cerca de três horas para assar. Nas fazendas de ovelhas, conhecidas na região como estâncias, é comum reunirse em volta da fogueira e esperar pela comida ao som de música típica. Para beber, além dos excelentes vinhos chilenos, não pode faltar à mesa o tradicional pisco sour, drinque local feito de aguardente de uva com limão, açúcar e gelo, batidos na coqueteleira. KM

Hector Hernan

Roselina e Nelson Guido

Del Paine, que é maravilhoso, a natureza aqui sofreu pouquíssima interferência humana”, justifica Roselina. Moradores de Belo Horizonte (MG), os namorados Maria Teresa Corahara, 27, e Mateus Brant, 26, ambos advogados, ganharam a viagem de presente dos pais do jovem. Eles embarcaram em um cruzeiro que passou por Ushuaia, na Argentina e foi até Punta Arenas e declararam paixão pelo destino.

“Sempre ouvi falar da Patagônia Argentina, mas estou apaixonada pelo Chile. Tem muita natureza, é mais limpo e as pessoas são mais educadas”, declara Teresa. Tamanho foi o apreço pelo destino, que o casal resolveu esticar a viagem. “Meu sogro pagou o cruzeiro, que durou três noites, e ao fim da viagem viemos de Punta Arenas a Puerto Natales de ônibus para aproveitar um pouco mais”, conta ela. KM


Brasil 2011 4