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ADIN KRA ADINKRA

Aplicação de simbologia africana Adinkra: estudo para a aplicação em padronagem têxtil

Teddy Charbel Neris 1 Lesly Tchogninou


UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

Aplicação de simbologia africana Adinkra: estudo para a aplicação em padronagem têxtil

Trabalho de Conclusão do Curso de Graduação em Design - Habilitação em Design de gráfico, da Universidade Federal do Paraná. ORIENTADOR: José Humberto Boguszewski

Curitiba, 2017.


TERMO DE APROVAÇÃO Aplicação de simbologia africana Adinkra: estudo para a aplicação em padronagem têxtil

José Humberto Boguszewski Orientador - Departamento Design Gráfico UFPR

Marcos Beccari Examinador - Departamento Design Gráfico UFPR

Stephania Padovani Examinadora - Departamento Design Gráfico UFPR

CURITIBA,20 DE NOVEMBRO 2017


Agradecimento, Nessas curtas linhas não há nada que possa tirar o mérito de minha tia a qual dedico este agradecimento. Se hoje estou aqui nesta aventura, aproveitando ocurto tempo que tenho neste belo pais, é por causa dela. Pois ela me apoiou desdeo início de meu ensino médio. Agradeço por fazer de mim um criativo feliz, meu sonho de criança virou realidade. Hoje digo que valeu a pena. O restante de minhas linhas deagradecimento eu gostaria de dirigir à Lionela Aboh e Faissol Bello por embarcarem no mesmo barco e por adicionarem a esta aventura um toque de casa com sua presença. Por fim o meu muito obrigado a Ken Fonseca por me ajudar a dar início a este projeto,sem seu apoio eu nunca teria seguido em diante com esta idea Inter-continental. Tudo isto graças aos vários debates durante minha participação no centro acadêmico de design.


Resumo Esse projeto é de cunho exploratório porém voltado para a introdução da simbologia ADINKRA na atualidade dos criativos, com o intuito de incentivar uma cultura africana no meio de projetos modernos. O mesmo acarreta em um desenvolvimento de opções de uso dos símbolos baseado em seus significados.


Abstract This is an exploratory project, but aimed to introduce the ADINKRA symbology in the actuality of the creatives, in order to encourage an African culture in the midst of modern projects. It also entails developed options for the use of symbols based on their meanings.


LISTA DE FIGURAS 1- Mapa de 1625 usado até 1729,Fonte: htt p://www.nairaland.com/950471/ewe-peopleghanasameyoruba/3 2- Mapa de localização dos Akan, Fonte: htt ps://pt.wikipedia.org/ wiki/Ficheiro:African-civilizati ons-map-pre-colonial.svg 3- Mapa dos atuais países Togo, Benin, Nigéria, Burkina Faso, Gana , Costa de marfim, fonte: htt p://www.geocurrents.info/ geopoliti cs/electi ons/ethnicityand-politi cal-division-in-ghana 4- Kente em produção, Fonte: https:// ebenitude.wordpress. com/2017/01/25/ osez-le-tissu-africain-lekenteou-kita-du-ghana/ 5- Modelo de Kente, Fonte: http://www. africouleur. com/shop/tissus-africains/ kentes-africains/kente-rosedughana-pour-femme/ 6- Modelo de Kente, Fonte: https:// alivefabrics.files. wordpress.com/2013/06/ dsc_36101.jpg 7- Kente modern, Fonte: https://www.etsy. com/ listing/184719828/limitedkente-african-ankaramini-dress


8- Kente modern, Fonte: https://fr.pinterest. com/pin/ASf5n1ZhcBbASsUxPoFfTVBe7a0AS2Rv86Wcu9RGT07JJeK82TGKtuI/ 9- Adinkra Symbols na atualidade,Fonte: https://www.learnakan.com/adinkra-symbols/ 10- Adinkra Symbols na atualidade, Fonte: https://br.pinterest.com/ pin/505247651921862586/ 11- Adinkra Symbols na atualidade, Fonte: http://theseiwaakotocollectionblog.tumblr. com/ 12- Cerâmica do século 18 cruche, Berbère, Maroco / AfricaCerâmica Celta, Fonte: http://www.ville-ge.ch/ meg/musinfo_public. php?id=050089 13- Formas geométricas, Fonte: https://www.google.com.br/ search?tbm=isch&sa=1&q=ceramica+idade+media&oq= ceramica+idade+media&gs_l=psyab.3...6513.8247.0.8364.11.11.0.0.0.0.166.1005. 2j6.8.0....0...1.1.64.psyab..3.1.136...0j0i30k1. kzAVJNWK3_8#imgrc=hDPEuUHJrzavdM 14- Princípio de repetição, Fonte: htt ps:// pt.slideshare.net/ kuitlahuac/modulo-fundamentosdel-diseo/6 15- Carimbo, Fonte: htt p://www.fashionbubbles. com/historia-da-moda/estamparia-indianae-uma-viagem-milenar-as-tecnicasdo-block-printi ng/ 16- Block Printing, Fonte: htt p://www. fashionbubbles.com/ historia-da-moda/estamparia-indianae-uma-viagem-milenar-as-tecnicasdo-block-printi ng/


17- Block Printing (India) , Fonte: htt p://www. fashionbubbles.com/ historia-da-moda/estampariaindianae-uma-viagem-milenar-astecnicasdo-block-printi ng/ 18- Design de interior, Fonte: http://www. revistasuacasa.arq.br/sc/ selecao-especial/selecao-especial/sonhoselegantes/attachment/12-37/#prettyPhoto[gallery-17665]/0/ 19- Cabogos Lisboa, Fonte: https://cortesia. online/ blogs/news/lisboa-agorae-olinda-e-os-cobogos 20- Block Printing Direto, Fonte: http:// www.fashionbubbles.com/historia-da-moda/ estampariaindianae-uma-viagem-milenar-astecnicasdo-block-printing/ 21- Bloco Indiano , Fonte: http://www. fashionbubbles.com/ historia-da-moda/estampariaindianae-uma-viagem-milenar-astecnicasdo-block-printing/ 22- Xilogravura, Fonte: http://obviousmag.org/ archives/ 2014/03/xilogravura_passo_ a_passo.html 23- Processo de xilogravu, Fonte: http:// obviousmag.org/archives/ 2014/03/xilogravura_passo_ a_passo.html 24- Xilogravira aplicado, Fonte: http:// obviousmag.org/archives/ 2014/03/xilogravura_passo_ a_passo.html 25- Processo de produção dos carimbos pelos


Akan, Fonte: http://seencaught.co.uk/ CWBlog/?p=273 26- Processo de produção dos carimbos pelos Akan, Fonte: http://seencaught.co.uk/ CWBlog/?p=273 27- Processo de produção dos carimbos pelos Akan, Fonte: http://seencaught.co.uk/ CWBlog/?p=273 28- Padrões Adinkra sendo carimbado tradicionalmente, Fonte: http://seencaught.co.uk/ CWBlog/?p=273 29- Padrões Adinkra sendo carimbado tradicionalmente, Fonte: 30- Carimbos adinkra, Fonte: 31- Modelos da coleção safari, Fonte: http:// kikiamo.pt/vestido-urban-gipsy.html 32- Conjunto bolsa e sapato estilo “African Vevelt” , Fonte: 33- Vestido com padrões africanos linha “African Vevelt” , Fonte: https://www.afrikrea.com https://www.flair.be/fr/mode-beaute/10-pieces-aadopter-pour-un-look-ambiance-safari-topissime/ 34- Modelo do Look “casual cool” , Fonte: 35- Elmer Emanuels e Henriette visscher criadores da <<ADINKRA DWENNIMMEN>> 36- Peça da Coleção <<ADINKRA DWENNIMMEN>>, Fonte: htt ps://www.etsy.com/ listi ng/249115421/african-earringsadinkra-earrings?ref=related-7 37- Peça da Coleção <<ADINKRA DWENNIMMEN>>, Fonte: htt ps://www.etsy.com/ listi ng/249115421/african-earringsadinkra-earrings?ref=related-7 38- Peça da Coleção OCACIA, Fonte: htt ps://www. etsy.com/listing/ 239285540/adinkra-leggings-africanprintdress


39- Peça da Coleção OCACIA, Fonte: htt ps://www. etsy.com/listing/ 239285540/adinkra-leggings-africanprintdress 40- Peça da coleção POAM, Fonte: htt ps:// ameyawdebrah.com/ karl-hauth-presents-the-tribeadinkraseries/ 41- Camisetas THE TRIBE de Karl Hauth, Fonte: htt ps://www.ankhologyapparel. com/products/ adinkra-mens-t-shirt?variant= 19995059205 42- Camisetas THE TRIBE de Karl Hauth, Fonte: 43- Carimbo ADINKRA sendo cavado na madeira, Fonte: 44- Carimbo ADINKRA sendo cavado na madeira, Fonte: 45- Esboço da forma do carimbo. Fonte: Acerto Pessoal, 2017 46- Esboço da forma do carimbo. Fonte: Acerto Pessoal, 2017 47- Desenho técnico do carimbo. Fonte: Acerto Pessoal, 2017 48- Vistas dos carimbos Fonte: Acerto Pessoal, 2017 49- Carimbo pronto, Fonte: Acerto Pessoal, 2017 50- Vista do carimbo real, Fonte: Acerto Pessoal, 2017 51- Vista do carimbo real, Fonte: Acerto Pessoal, 2017 52- Vista do carimbo real, Fonte: Acerto Pessoal, 2017 53- Suporte do carimbo 12x12 Fonte: Acerto Pessoal, 2017 54- Suporte do carimbo 12x12 Fonte: Acerto Pessoal, 2017 55- Suporte do carimbo 12x12 Fonte: Acerto Pessoal, 2017 56- Carimbo 12x12 em CYREL Fonte: Acerto Pessoal,


2017 57- Carimbo 12x12 em CYREL Fonte: Acerto Pessoal, 2017 58- MIRROR ,Espelhamento pelo eixo horizontal / vertical / random. Fonte: Acerto Pessoal, 2017 59- MIRROR ,Espelhamento pelo eixo horizontal / vertical / random. Fonte: Acerto Pessoal, 2017 60- Sistema de repetição, Fonte: Acerto Pessoal, 2017 61- Símbolo ADINKRA em forma de carimbo singular, Fonte: Acerto Pessoal, 2017 62- Símbolo ADINKRA em forma de formas plurais, Fonte: Acerto Pessoal, 2017 63- Símbolo ADINKRA em forma de formas compostas ,Fonte: Acerto Pessoal, 2017 64- Tintas Acrilex usadas na produção ,Fonte: Acerto Pessoal, 2017


GYE NYAME “except for God” symbol of the supremacy of God This unique and beautiful symbol is ubiquitous in Ghana. It is by far the most popular for use in decoration, a reflection on the deeply religious character of the Ghanaian people


Introdução...............................22 Localização e cultura AKAN

I

I-Território – localização....................36 1.2 -Introdução a cultura do povo AKAN........38 II- O KENTE...................................36 III- Cores para a cultura AKAN................41 IV- Simbologias (ADINKRA).....................44

Estamparia e Design de superfície

II

I- Aplicações no Setor de Cerâmica............51 II- Aplicações no Setor Têxtil e de Moda......53 III- Aplicações no Setor de Arquitetura e Design de Interiores.................................54 IV- Técnicas de estamparia....................54 4.1- Estamparia digital.......................56 V- Xilogravura................................57 VI- Carimbos..................................58 VII- Flexografia..............................60

Desenvolvimento

III

I-Conceituação................................64 II- similares.................................68 III- Tamanho dos carimbos.....................72 IV- Alternativas..............................72 V- Do tecido e da tinta para a produção.......77 VI-Teste de composição........................79 VII-Das tintas................................92 VIII-produção.................................94 IX-Aplicação e modelos........................98

Referências.............................112 Apêndice................................116 Anexos...................................118


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Intro dução: O continente africano possui uma grande diversidade cultural. Ao falarmos de cultura englobamos tudo o que é e não é visual, passando por signos, elementos gráficos e até costumes e hábitos os mais diversos. Na parte ocidental do continente há uma grande diversidade em termos de simbologias e estas são muito presentes no cotidiano da população. Uma destas é a simbologia criada pela civilização Akan, denominada simbologia Adinkra, da qual trataremos nesse trabalho. Considerando que, segundo dados do IBGE (instituto brasileiro de geografia e estatística), até 2014 a população brasileira será composta por 53,6% de negros - ou seja o pais com maior número de população negra fora do continente africano - este pode ser apontado como um país cujas raízes se encontram muito próximas das dos povos Africanos apesar da distância geografia que os separa. Recordando que, a população negra inicialmente trazida ao Brasil era da mesma região ocidental africana onde encontramos até hoje a simbologia Adinkra. Este fator foi um dos responsáveis por acentuar a diversidade cultural no Brasil, o que representa uma fonte de criatividade e conhecimento muito grande para os designers. Entretanto, apesar de o designer normalmente possuir o domínio sobre a forma e a imagem, não podemos alegar que, não raro, as origens dessas culturas não são estudadas de

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maneira aprofundada, de modo a interpretar corretamente seus valores e simbologias, incentivando o interesse nessas culturas gerais e ampliando o diálogo entre ambos os campos. Muitas vezes, observamos mesmo uma apropriação cultural irresponsável por parte dos comunicadores. Entretanto teremos a finalidade atingir o público afrodescendente brasileiro em busca de resgate de suas raízes e nesse sentido procurará direcionar-se no sentido de auxiliar a suprir esta lacuna, tratando da simbologia da África ocidental, principalmente do antigo reino de Gana chamado “Adinkra”. Ao longo da minha estadia em Curitiba, em conversas sobre moda com colegas tive a oportunidade de acompanhar uma discussão sobre a moda e interpretação de simbologia indiana. Um dos tópicos abordados foi como nós, designers, temos a autonomia para manipular a forma, e consequentemente o design, consumido pelo público e, ao mesmo tempo, o quão pouco carecemos de oportunidade, ou interesse, em descobrir e conhecer melhor outras culturas, distantes do nosso cotidiano. A partir dessas conversas, meu objetivo foi justamente começar a pesquisar estas simbologias e culturas diversas, à margem do design cotidiano. Procurei, então, focar-me principalmente na África ocidental. Tomando um mapa pré-colonial, pode-se perceber que essa grande região, engloba um grande reino, dividido na atualidade em países. Nessa mesma região encontrase meu pais de origem o Benin. Após uma breve pesquisa acerca desta região, meu foco foi deslocado especificamente para a simbologia Adinkra, por ser muito usada na indústria africana da moda, e ser conhecida no Brasil. Nesse sentido, utilizando como base o trabalho de Menezes (2009), desejamos promover, neste TCC, um resgate e aproximação entre a cultura brasileira e suas raízes africanas.

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A modalidade escolhida para tal é teórico-projetual, por oferecer a possibilidade de desenvolvimento de um projeto capaz de aliar crítica e dissertação teórica, sem renunciar ao projeto e sua atuação pragmática em nossa realidade social. Por ser uma simbologia bastante desenvolvida e bem estruturada, suas potencialidades são muito grande se encaradas a partir do âmbito do design de superfícies. Assim, podemos oferecer ao público um produto final que carrega, ao mesmo tempo, uma forma esteticamente aprazível e cumpre uma determinada função social. Esperamos igualmente poder proporcionar um resgate cultural aos afrodescendentes. De acordo com Jean Baudrillard (1983), a sociedade pósmoderna caracteriza-se pela “hiperrealidade” . Isso quer dizer que a realidade contemporânea é moldada pela publicidade, o marketing e, especialmente, pelo design, o campo a que se filia este trabalho. Em crítica, Baudrillard (1983) aponta para o design como manipulador potencial das informações que circulam na sociedade, por possuir esse domínio, ele contribui em parte na elaboração de estereótipos, símbolos e padrões projetados em massa. Esse poder detido pelos designers pode chegar a extrapolar e envolver outros campos e áreas do conhecimento. O que se percebe na indústria da moda. O site de notícias da Folha de São Paulo, em seu artigo “Moda do ideograma faz jovem tatuar símbolo errado” (2016), demonstra como a interpretação equivocada de símbolos muita das vezes pode incorrer no uso inadequado de certos valores por parte de seus usuários. Esse tipo de prática pode ser identificada diariamente em nossa sociedade, através das redes sociais, e de mídia televisiva.

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No entanto, como poderia o designer contribuir para a diminuição destes equívocos e esclarecer as relações entre simbologia, moda e desing? Em outros termos, como o design de superfície pode melhorar a aplicação, a interpretação e o uso de valores simbólicos da cultura africana Adinkra na contemporaneidade? Bruna Bastos (2010), no seu artigo “O design de superfície”, alega que o homem sempre sentiu necessidade de expressarse por meio de superfícies. Das pinturas rupestres às corporais, passando por ornamentos encontrados nas armas de caça e chegando a estamparia e design de superfícies. O produto ou trabalho a ser desenvolvido ao longo do projeto pode ser, portanto, definido como uma padronagem ou design de superfícies para têxteis. Por ser um conjunto de símbolos, o projeto “Adinkra” se dedicará à elaboração de padrões a serem aplicados em superfícies têxteis, baseados nas definições de cada símbolo. Eles poderão ser combinados segundo seus sentidos, de modo a gerarem uma sinergia entre as formas e seus significados. As superfícies em quais serão aplicados podem ser variadas, porém, especialmente relacionadas ao campo da moda, o que envolve o têxtil em geral e joias, por exemplo. Para compreender o problema apresentado anteriormente, podemos colocar como objetivo geral deste projeto a criação de um conjunto de padronagens , baseado e inspirado na simbologia Adinkra.

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E como objetivos específicos: – Descrever a simbologia Adrinkra contemporânea e antiga. - pesquisar superfícies que seriam passíveis de servir de suporte às padronagens projetadas. - Explorar processos de desenvolvimento de padronagem. - incentivar o estudo aprofundado da cultura africana Se referindo a sua definição: O design é a idealização, criação, desenvolvimento, configuração, concepção, elaboração e especificação de artefatos. Essa é uma atividade estratégica, técnica e criativa, normalmente orientada por uma intenção ou objetivo, ou para a solução de um problema. Levando em consideração que o design é uma atividade estratégica que é orientado para a solução de um problema, o designer exercendo sua profissão deve ter a capacidade de manipular informações, dados, imagens, formas e significados. Esta manipulação, em última análise, constitui aquilo que corriqueiramente denominamos criatividade. Portanto, o conteúdo consumido pelo designer transforma-se em inspiração, e pode ser retransmitido por meio dos artefatos criados pelo mesmo. A proposta desse projeto é relevante culturalmente tanto para o continente africano quanto para o Brasil, pois “Adinkra” é uma das simbologias mais antigas do atual Gana, e seu uso não se limita ao continente Africano. O tema “Adinkra” é relevante no sentido de promover um resgate cultural, ao mesmo tempo que contribuirá para um aprofundamento sobre os significados desses símbolos ainda usados na atualidade. É uma chance para poder reforçar a identidade cultural, e a oportunidade de

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desenvolvimento de um trabalho capaz de trazer uma cultura nova, totalmente diferente do corriqueiro ou das referências que fazem parte da nossa rotina. Esse TCC também terá uma abordagem antropológica, discorrendo sobre a história do povo criador dessa simbologia da qual temos pouca informação por aqui e cuja presença pouco se nota em nosso cotidiano. A proposta tem como foco os afrodescendentes brasileiros que manifestam o desejo de resgatar e conhecer suas raízes ou origens, e ela traz com si a opção de geração de padrões a serem aplicados em superfícies diversas. Essas superfícies podem exercer a função de relatar histórias carregadas pelos símbolos e ser consideradas também como lembranças culturais e memória do povo Akan criadores da simbologia Adinkra. Entretanto existe também em parte uma valorização da cultura negra na sociedade moderna, uma vez que a cultura Akan é uma cultura negra e foi desenvolvida por um povo que fez parte da população negra trazida ao Brasil pelos europeus. Segundo Jamile sodré (2011), “moda é a tendência de consumo da atualidade. A moda é composta de diversos estilos que podem ter sido influenciados sob vários aspectos. Acompanha o vestuário e o tempo, que se integra ao simples uso das roupas no dia-a-dia. É uma forma passageira e facilmente mutável de se comportar e sobretudo de se vestir ou pentear.” Nesses últimos tempos despertou-se um interesse pela cultura Africana na moda e no Design em geral, e como todo fenômeno popular temos consequências desse interesse que afeta um pouco na forma de uso das simbologias e dos significados originais de certos elementos culturais. Isso motiva a necessidade de abordar esse tema para colocar também em questão de forma

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parcial nosso verdadeiro nível de conhecimento cultural sobre os elementos de design que usamos no cotidiano. Cultura: Seguindo a definição genérica de cultura segundo Edwar B. Taylor, cultura é todo aquele complexo que inclui as artes, a ciências, o conhecimento, a moral, a lei, os costumes e todo os demais hábitos e comportamentos adquirido pelo ser humano dentro da sociedade. Levando em consideração que a cultura enquanto algo de toda a humanidade, Utilizara-se Edwar B. Taylor como referência para um breve aprofundamento sobre o tema ao longo desse trabalho. Introduziremos de forma simples à cultura do povo AKAN, sendo que a análise de simbologias em si demanda saberes desta área. Eles conseguiram preservar seus valores culturais mesmo sendo colonizados pelos britânicos, e sua identidade continua existindo por meio de seus produtos. Hoje o reino de Gana é compreendido pelos seguintes países: Gana, Burkina Faso, Togo, Guinée-Conakry e Costa do Marfim. MENEZES (p.40), afirma que, a civilização akan trabalha os ideogramas, ou seja, seus signos, Como simbologia de vida, fazendo com que seu povo viva a comunicação visual a todo instante. “Esses ideogramas são chamados adinkra, palavra que significa adeus, visto seu primeiro uso ter sido nas estamparias em ocasiões fúnebres ou festivais de homenagem. No que diz respeito a cultura e antropologia, se basearemos em Clifford GEERTZ um antropólogo que trata de forma moderna as questões culturais e, Gui BONSIEPPE que trata de antropologia relacionado ao design. Então a palavra adinkra é a denominação da simbologia

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desenvolvido pelo povo Akan originários do atual Gana na África, esses símbolos foram desenvolvidos baseado na sua história, na filosofia, e suas crenças por isso que será usado como referência , “The Adinkra dictionary: A visual primer on the language of Adinkra” de W. Bruce Willis, para a definição dos símbolos. Geertz afirma que “todos nós nascemos com o equipamento para vivermos mil vidas, mas ao fim vivemos apenas uma”, ou seja, qualquer criança poderia se adaptar em 1.000 diferentes culturas se para isto dispusesse de tempo e espaço, mas gasta sua existência em uma fatalidade unitária. Para comprovar sua teoria, ele afirma que todos nós sabemos o que fazer em determinadas situações, apesar de não podermos prever o que iremos fazer. A cultura é, assim, um código de símbolos partilhados pelos membros de uma sociedade. Em outras palavras, e sendo isso o que mais nos interessa: o homem dispõe em si de elementos universais e comuns a todos. Ocorrerá, portanto, um aproveitamento dos conceitos cultura e antropologia supracitados, de modo a explicar e contextualizar a simbologia “Adinkra”, criada pela civilização “Akan”. Além destes, outro importante referencial teórico deste trabalho é a a tese de JACQUELINE APARECIDA GONÇALVES FERNANDES DE CASTRO chamada “Design com identidade” (2007). Um ponto muito importante desse projeto é o design de superfície, e estaremos abordando o temo com as referências de Renata Rubim uma carioca, criada em Porto Alegre, Designer de Superfície que afirma que “design de superfície é sempre um projeto para um superfície, seja ela de que natureza for.” Ela figura entre as melhores do Brasil a respeito do assunto design de superfície. A área têxtil abraça em toda parte o design de superfície, então aplicara-se fundamentos do mesmo como:

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Batik Esse método artesanal muitas vezes é associado à tinta aplicada com a mão e a detalhes estampados com auxílio de pranchas de madeira gravadas em relevo, usadas como carimbo. (PEZZOLO, 2007, p. 187) Carimbos de Madeira A partir dos conhecimentos básicos do processo de batik, várias são as formas de se obter os efeitos e resultados como, por exemplo, amassar o tecido antes de mergulhá-lo para tingimento de modo a quebrar a cera em algumas áreas, ou impermeabilizar as partes com pincel ou carimbos de madeira. Tie Dye ou Shibori Outro processo antigo, porém oriundo da África do Norte é o tie dye, (tempos Depois chamado pelos japoneses de Shibori), estilo popularizado nos anos 1960 e 1970, é caracterizado por áreas tingidas e não tingidas ao longo do tecido, podendo ser também tecnicamente processado em peças prontas. Esses processos são apenas alguns dos processos mais comuns portanto haverá a integração de processos diversos ao longo do desenvolvimento, sendo que acontecera possíveis mudanças. Esse projeto possui o objetivo de se tornar algo culturalmente inovador, introduzindo em nossa cultura uma novidade. Por isso que o modelo de processo de design escolhido para o seu desenvolvimento é o de Vijay Kumar (2003), criado para cumprir de forma dinâmica as necessidades dos inovadores. É

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um processo circular bastante dinâmico, que traz consigo uma facilidade para adaptações, o que gerou o interesse de adaptá-lo para este projeto. Vijay Kumar é professor da IIT Institute of Design e lidera o Design Estratégico dos programas Projeto métodos de planejamento e por mais de 12 anos foi chefe metodologista em Dõblin Inc. Ele também levou a sua prática de consultoria de design a Índia há mais de 7 anos. Kumar apresentou esse modelo em 2003 no HITS Conferência (Os seres humanos, Interação, Tecnologia, Estratégia) em Chicago. Ele descreve o modo de planejamento (ao invés de passos), enfatizando a natureza iterativa e interligado do processo de design. Ele mapeou também fermentas e métodos sobre todo os modos. E falou da inovação como o salto de visão ao conceito-de aha para eureka descrevendo-o como uma revelação, mágica, gênio, intuição, um palpite. Modelo de

Kumar

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Adaptação

de modelo

Pesquisa: Na fase de pesquisa procederemos com uma pesquisa sobre o assunto e a hipótese sobre a qual trabalharemos. Esta pesquisa consiste em saber mais sobre o assunto, descobrir e aprofundar o conhecimento a respeito do que se trata e como o mesmo deve ser interpretado de forma correta, para que o design não gere, ao final, falsas informações ou interpretações. Essa fase permite também conhecer melhor o usuário, gerando um mapa de oportunidades, visando atender as exigências do usuário. Análise: Essa fase permitirá que seja realizado um levantamento de dados sobre o uso da simbologia “Adinkra”, definindo como e em quais superfícies poderá ser realizada sua aplicação. Síntese: Terá objetivo principal de sintetização de dados, ao mesmo tempo visando atender uma necessidade de exploração de

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conceitos, o que permitirá fazer planos sobre o como será feito a entrega do produto final. Entrega: Essa fase diz respeito ao desenvolvimento do protótipo, do piloto e a preparação da entrega final.

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CAPÍTULO

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I- Território – localização Depois de vários estudos a respeito de uma das civilizações mais influentes na história da África do Oeste, o ponto de partida para começar a relatar o que foi aprendido ao longo do caminho está nas referências mencionadas por Allou Kouamé René no seu livro “Histoire des peuples de civilisations Akan. Des origines a 1874”. Podemos dizer

que os verdadeiros registros geográficos e culturais feitos sobre os povos Akan começaram por volta de 1600. Foram feitos vários registros muito importantes por diversos europeus que exploraram a região onde localiza-se os povos Akan, entretanto apontaremos primeiramente o registro francês sobre essa civilização.

Mapa de 1625 usado ate 1729

As fontes francesas principalmente o mapa de Anville 1729 nos orientam para informações muito interessantes. Esse mapa menciona o pais de Akanni no Norte de Atti, no Nordeste de Akanni ele revela o pais de Akim ou grande Akanni. Afinal no Noroeste nós temos um território chamado Akam. O lugar onde fica Akam no mapa de Anville que é o mesmo que o mapa Akan de Mourre.

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Mapa de localização dos Akan

Mourre é a denominação do mapa feito pelos Holandeses da mesma região onde localisa-se o povo Akan. Nos registros holandeses o nome Akan possui a transcrição 2

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de Akanisten ou Acanij. No seu relatório de 1650, Valckenburg que foi o comandante da frente de “saint antoin d’axim” descreve os Akanistens (Akan) como grandes negociantes da costa de ouro que fica nos atuais pais Costa de Marfim e Gana, ele relata que esses negociantes fornecem a maior parte do ouro conseguido pelos europeus nessa região e são bem-vindos na costa toda por comprarem peixe em todos os cantos de Mourre e eram tão poderosos que os Holandêses tiveram que pagar eles para se instalarem na costa. Essa região foi nomeado pelos europeus por vários nomes como Acanes, Akani, ou Akan. Os Akan por Allou Kouamé René são uma serie de povos caracterizados por parentescos linguísticos muito fortes. Porem há um outro autor bem contraditório chamado Adu Boahen que define esse mesmo povo sobre critérios completamente diferentes, ele alega que os Akans são povos especificamente locutores de língua Twi [9][27], no Gana o “TW” é pronunciado de forma rápida e acaba gerando uma sonoridade de “CHEW” o que acaba gerando uma pronuncia mais parecida com um “CHEWY” do “TWI” ,esses últimos considerados por ele detentores de um sistema político que prega a monarquia.

Os critérios de definição desse último abraça unicamente os Akans originários do atual pais Gana que fica no oeste da Africa entre o Togo, Costa do Marfim , e o Burkina Faso. Existe um porem pois esses são os únicos locutores atuais da língua Twi. Mapa dos atuais países Togo, Benin, Nigéria, Burkina Faso, Gana , Costa de marfim

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Então Kouamé René no seu estudo esclarece melhor as definições iniciais de Adu boahen afirmando que o sistema político Akan não é essencialmente baseado na monarquia como a história estipula. O sistema político Akan segundo ele é inicialmente e tradicionalmente antes de tudo baseado na sede ancestral, ele aponta também que o mesmo povo se estende até o atual pais Costa do marfim. « Si Adu Boahen avait étudié de près les Akan de Côte d’Ivoire (C.I), il n’aurait pas tiré les conclusions hâtives auxquelles il est parvenu. Chez les Akan lagunaires comme les Mekyibo, Abouré, Nladianbo, c’est le génie paternel qui était vénéré, mais il est évident que chaque ethnie akan vénère les génies de son espace géographique. Qu’Adu Boahen comprenne donc que les Nzema ont intérêt à vénérer l’Amanzule et le Tanoè (Tano) qui coulent chez eux, que de vénérer l’Afram qui est éloigné d’eux. D’ailleurs la liste des génies du Ntoro qu’Adu Boahen limite à douze est

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une erreur. En effet le nombre des génies (Bossom) va largement au-delà de ce nombre. En énumérant leur Egyabossom (génies du père) les Fante citent des génies qui ne figurent pas sur la liste d’Adu Boahen[1][31]. Les Mekyibo de même ont intérêt à vénérer l’Assemalan, l’Agbodjuanumi et l’Asohun[10][32] au lieu du Bossompra trop éloigné d’eux.

Allou Kouamé René (2012)

Os povos Akan e os reinos Akans tiveram históricos políticos, geográficos e étnicos ricos e marcantes culturalmente, eles constituem atualmente um grupo de povos (Agni, Ashanti, Attié,Baoulé, etc). A civilização deles é uma das primeiras no Golfo de Guiné até a segunda guerra mundial. Em uma conferência realizada na universidade de Toulouse na sexta feira de dois de abril de 2011, Bernard Adou afirma que apesar de ter sido invadido por diversos povos, e ter subido a influência quanto do islã quanto do cristianismo, a organização deles é o que menos recebeu influencias exteriores na África do Oeste. Eles conseguiram ficar autenticos, mantendo um laço sociocultural muito

1.2 -Introdução a cultura do povo AKAN A definição de Edward Tylor no “Dicionário de Conceitos Históricos - Kalina Vanderlei Silva e Maciel Henrique Silva – Ed. Contexto – São Paulo; 2006 nos diz que:

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forte, e essa hipótese é compartilhada por antropólogos, sociólogos e etnólogos. Entretanto se dirigindo nas fontes inglesas mencionadas por Allou Kouamé René entenderemos que os ingleses foram os colonizadores definitivos da costa de ouro, e os que acabaram tendo mais contato com a etnografia Akan em si. No final do século XVIII autores como SIR Francis Fuller , Bowdich e Claridge contribuíram para que o nome Akan possa ser atribuído a vários povos que possuem o mesmo laço culturais similares , que são todos fornecedores de ouro da costa. Esses autores ingleses, Claridge, Brodie Cruickshank, T.Edward Bowdich definiam por seus verdadeiros nomes os povos que formavam os Akan reconhecendo sua origens comuns. Infelizmente eles não deram sua opinião sobre o sentido a dar ao nome Akan. O único que aponto o sentido do nome é Joseph Dupuis que também se contenta em dizer que Akan significa “Falar”.

“O conceito de cultura é um dos principais nas ciências humanas, a ponto de a Antropologia se constituir como ciência quase somente em torno desse conceito. Na verdade, os antropólogos, desde o século XIX, procuram definir os limites de sua ciência por meio da definição de cultura. O resultado é que os conceitos de cultura


ADINKRA

são múltiplos e, às vezes, contraditórios. O significado mais simples desse termo afirma que cultura abrange todas as realizações materiais e os aspectos espirituais de um povo. Ou seja, em outras palavras, cultura é tudo aquilo produzido pela humanidade, seja no plano concreto ou no plano imaterial, desde

artefatos e objetos até ideais e crenças. Cultura é todo complexo de conhecimentos e toda habilidade humana empregada socialmente. Além disso, é também todo comportamento aprendido, de modo independente da questão biológica.”

II- O KENTE Conduzindo a nossa escrita por meio desse esclarecimento em termo antropológico sobre a cultura , podemos insinuar que os povos Akan fizeram várias realizações materiais e espirituais que influenciaram e ainda continuam influenciada várias gerações. A primeira dessas realizações é a “Kente cloth” ou o Kente em português que é um tecido de alto valor cultural para eles.

4 Kente em produção

5 Modelo de Kente

A palavra Kente vem do emperio Ashanti um dos mais poderosos impérios do povo Akan, eles se referem ao Kente em dialeto Ashanti ou Akan usando a palavra nwentoma ou em inglês chamando de “woven cloth”, que em português significa malha ou tecido. JACQUELINE APARECIDA GONÇALVES FERNANDES DE CASTRO defende que O Kente foi também encontrado em outras civilizações africanas no Vale do rio Nilo, (Egito) e Nubia ou Kush. Existem grandes evidências pictóricas e arqueológicas provando a existência de uma indústria de tecelagem desde 3200 a.C.

6 Modelo de Kente

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Esses tecidos variam dependendo de sua cor, e seus padrões tudo de acordo com seu estilo, ele possui significados diferentes dependendo de seu design, seu significado e sua historia. Para entender de onde vem originalmente o Kente relataremos a lenda de acordo com Jessica Achberger que nos conta que, dois camponeses, Kugru Amoya e Watah Kraban da aldeia de Bonwire se depararam com uma aranha , Ananse, montado uma teia. Esses últimos encantados pela teia ao voltarem para casa tentaram recriar o mesmo. Eles teceram primeiro um tecido branco e depois um preto e branco usando fibras de “Raffia” e o ofereceram para o rei dos Ashanti Osei TUTU que reinou de 1701 a 1717. Raffia ou Ráfia em português é o nome dado às fibras têxteis de palmeiras. Então o primeiro Kente foi feito de fibras de ráfia e é diretamente

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associado ao sistema real Ashanti. Durante XVIII séculos o Kente foi produzido com seda, uma fibra natural produzida por alguns tipos de insetos. Tudo isso limitava consideravelmente a um circulo os tipos de pessoas que podiam fazer uso do Kente, porem hoje em dia a maior parte desse tecido é produzido em algodão o que facilita seu acesso a todo tipo de pessoa, o que não há limita mais ao quadro real. Há produções de acessórios e vestimentas como bolsas, sapatos etc... que se inspiram do Kente e os turistas na atualidade não se passam de comprar esses acessórios quando passam por gana. Castro [51] afirma que o Kente era originalmente reservado para funções especiais, socioculturais e sagradas porem já se difundiu como ornamento no vestuário.

7 Kente moderno

8 Kente moderno


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III- cores para a cultura AKAN Observando os Kentes podemos notar uma importância muito grande no uso das e uma presença considerável dessas na cultura do próprio povo Akan, na sua tese Castro[53] explica que a simbolismo da cor dentro da cultura Akan é regional. Os Akans tinham como unidade básica de sociedade a família e as mulheres são as que comandavam, elas tendem

principalmente a preferir tecidos com cores dominantes mais leves como, amarela clara, azul clara, branca, a purpura, a verde clara, a rosa e a turquesa. Entrtanto os homens tendem a preferir tecidos que possuem mais de cores dominantes como, preta, azul escura, verde escura, a amarela escura, a castanha, a laranja e a vermelha. Portanto diremos que hoje em dia não há mais essas convenções com as cores, as pessoas decidem qual tipo de tecido querem segundo seus gostos pessoais, então é comum achar quanto homem como mulher usando um Kente que era no passado especificamente para homem ou especificamente para mulher. No quadro abaixo encontra-se as cores comuns nos Kentes e as mais presentes na cultura Akan em geral junto com seus significados.

Castro o uso das cores para a etnia akan. [53]

AMARELO em todas as suas variações é associado com a gema do ovo, frutas maduras e comestíveis, legumes e também o ouro mineral. Em algumas cerimônias de purificação espiritual os estames são triturados e coloca-se o amarelo com a união de óleo de palma com ovos. Simboliza santidade, preciosidade, direito autoral, riqueza, espiritualidade, vitalidade e fertilidade.

ROSA é associado com a essência de vida. É visualizado com a sensação aprazível e gentil, e também associado à ternura, tranqüilidade, prazer, e doçura. De acordo com o pensamento social Akan, estes atributos são geralmente considerados como aspectos essenciais.

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VERMELHO é associado com o sangue, ritos sacrificatórios e o derramar de sangue. O humor de olhos vermelhos significa uma sensação de seriedade, prontidão para um encontro sério espiritual ou político. O vermelho é então usado como um símbolo de humor exaltado espiritual e político, sacrifício e luta. AZUL é associado com o céu azul, o domicílio do Criador Supremo. é então usado em uma variedade de caminhos para simbolizar santidade espiritual, boa fortuna, paz, harmonia e idéias relacionadas.

VERDE é associado com a vegetação, canteiro, a colheita da medicina herbária. As folhas verdes tenras são normalmente usadas para borrifar água durante as cerimônias de purificação. Simboliza crescimento, vitalidade, fertilidade, prosperidade, saúde abundante e rejuvenescimento espiritual.

PÚRPURO é visualizado da mesma maneira como a cor castanha. É considerado como terra, associada para uso em cerimônias e propósitos curativos. Também é associado com aspectos femininos de vida. os panos púrpuros são principalmente vestidos por mulheres.

COR CASTANHA tem uma semelhança íntima para vermelha-marrom que é associada com a cor da Mãe Terra.

Vermelha-marrom é normalmente obtido de barro e está associado com curativo e a potência para repelir álcool malévolo.

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BRANCO seu simbolismo deriva da parte branca do ovo e do barro branco usado em purificação espiritual, curando, ritos de santificação e ocasiões festivas. Em um pouco de situações simbolizam contato com o ancestral, deidades e outras entidades desconhecidas espirituais. É usada em combinação com a cor preta, verde ou amarela para expressar, espiritualidade, vitalidade e equilíbrio.

CINZA esta cor é usada para curar, limpar o espiritual, é para recriar equilíbrio espiritual. Também É usado em cerimônias para proteção contra algo malévolo. Cinzento está então associado com a marca espiritual. É associada com a lua que representa a essência da vida. Os ornamentos prateados são normalmente vestidos por mulheres e são usados no contexto de purificação espiritual, nomeando formalidades, formalidades de casamento e outros festivais de comunidade. simboliza sossego, pureza e trabalho.

OURO deriva seu significado do valor e prestígio social associado com o mineral precioso. o pó de ouro foi usado como meio de troca e para fazer ornamentos reais valiosos. Simboliza direito autoral, riqueza, elegância, alto status, qualidade suprema, glória e pureza espiritual.

PRETO derive seu significado da noção que novas coisas ficam mais escuras à medida que eles amadurecem; e envelhecimento físico vem com a maturidade espiritual. Os Akans enegrecem a maior parte de seus objetos rituais para acrescentar sua potência espiritual. A cor preta simboliza uma energia espiritual intensificada, comunhão com algo ancestral, antigüidade, maturidade espiritual e potência espiritual.

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IVSimbologias (ADINKRA) Os povos Akan sempre foram centros de atrações por serem detentores de elementos socioculturais muito fortes, tanto linguísticos como filosófico, visual e simbólico. Foram estudados por antropólogos, linguístico, músicos, etnológicos, filósofos e muito mais. A resistência cultural deles é o que impressiona independentemente de eles terem sido influenciados por povos exteriores. Seus símbolos representam uma parte visual muito importante que coloca constantemente seu povo em contato com uma comunicação visual bem elaborada para que eles possam vivê-lo a todo instante. Isso pode ser reparado no próprio Kente que é constantemente estampado de signos, símbolos e ideogramas. Esses ideogramas trabalhados pelos Akan possui uma denominação especifica de “Adinkra” em Twi, e ele transmite mensagens especiais por meio da simbologia. A palavra “Adinkra” em si significa ADEUS, e segundo MArizilda Menezes [10] seu primeiro uso foi feito na estamparia em ocasiões fúnebres ou em festivais de homenagem.

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(...) Esses ideogramas são chamados Adinkras, palavra que significa adeus, visto seu primeiro uso ter sido nas estamparias em ocasiões fúnebres ou festivais de homenagem. Eram destinadas aos trajes de reis e líderes espirituais, em ritos e cerimônias. Com o tempo, esses panos além do caráter cerimonial passaram a fazer parte da vida fora da corte, mas preservando-se o papel de tecido nobre é ainda reservado a ocasiões especiais como casamentos, festas, ritos de iniciação e funerais. O pano de Akan não é usado apenas como ornamento, mas também como meio de expressão e comunicação. (MENEZES, M., 2000, grifo nosso)


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A simbologia Adinkra possui um conjunto de símbolos cujo cada um tem um nome especificamente derivado dos provérbios, e da literatura Akan tudo dentro da língua TWI. Por exemplo o símbolo que parece um coração em twi é chamado de “AKOMA”, essa palavra é literalmente traduzível porem não se explica exatamente da mesma forma que sua tradução literal. Esses símbolos hoje se encontram não somente em tecidos, mas também em vários outros acessórios como, esculturas, elementos têxteis em geral, guarda chuvas, sapatos, na arquitetura, em joias e muito mais. Podemos notar que ao estampar um símbolo Adinkra em algum objeto ele se torna automaticamente mais valioso, por ser portador de uma mensagem carregada pelo símbolo, hoje já é a simbologia nacional de Gana e não se limita somente ao círculo dos Akan seus criadores. O potencial da imagem, por meio dos adinkras é Incorporado, preservado e transmitido aspectos da história, filosofia e normas sócio-culturais de seu povo, remetemos à afirmação de Hall (1989, p. 71-72.). Esses símbolos constituem uma parte essencial da cultura do povo Akan , e podemos dizer que a cultura desse povo é extremamente dinâmica e comunicativa, os ideogramas geraram e continuam gerando curiosidade por suas interpretações e seus elementos gráficos extremamente bem elaborados. Por isso que o desenvolvimento de padrões e as aplicações em superfícies ao longo desse trabalho estarão sempre se referindo aos símbolos Adinkra, e fazendo conexões entre esses símbolos para gerar uma contextualização moderna bem estabelecida e um equilíbrio entre os elementos simbolicos.

9 Adinkra Symbols na atualidade

10 Adinkra Symbols na atualidade Identidade cultural não é uma essência fixa, que se mantém imutável em relação à história e à cultura. É sempre construída através da memória, fantasia, narrativa e mito. Identidades culturais são pontos de identificação, os instáveis pontos de identificação ou sutura, que se constituem dentro dos discursos de história e de cultura.

11 Adinkra Symbols na atualidade

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Símbolos da simbologia ADINKRA

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Mapa completo dos símbolos e seus nomes respectivos

Segundo Nascimento (1996, pg. 35), há evidências que o Adinkra surgiu no ocidente africano, por meio da expulsão de sacerdotes do Egito que foramobrigados a migrarem para o ocidente, isso antes de Cristo. Nascimento (1996),também relata que os Adinkras apresentam forte ligação com o Egito. JACQUELINE APARECIDA GONÇALVES FERNANDES DE CASTRO

Repertorio baseado no livro “The Adinkra dictionary: A visual primer on the language of Adinkra” de W.

Bruce Willis

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CAPÍTULO

2

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Design de superfície Quando falamos de design de superfície não podemos passar sem levar em consideração as definições de alguns dos nomes mais comuns dentro dessa área de estudo no Brasil. Primeiramente Evelise Anicet Rüthschilling (2006, p. 35) afirma que :

“Design de Superfície é uma atividade técnica e criativa cujo objetivo é a criação de imagens bidimensionais (texturas visuais e tácteis), projetadas especificamente para a constituição e/ou tratamento de superfícies, apresentando soluções estéticas e funcionais adequadas aos diferentes materiais e processos de fabricação artesanal e industrial”

Já a mais conhecida Renata Rubim nos dirá que “O design de superfície abrange o design têxtil (em todas as especialidades), o de papéis (idem), o cerâmico, o de plásticos de emborrachados, desenhos e/ou core sobre utilitários (por exemplo, louça) (...)” (RUBIM, 2004, p. 22).

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I- Aplicações no Setor de Cerâmica A cerâmica é uma das Técnicas de produção de artefatos em argila mais antigas utilizadas, ela faz parte também de uma das áreas que rapidamente abriu um grande leque para o design de superfície. Quando tratamos de design de superfície aplicado nessa área, principalmente no Brasil podemos dizer que ela contribuiu para um amadurecimento do design de superfície nacional, com a priorização pelos designers de uma identidade autentica nacional, tudo isso pelo intermediário de percussores do design de superfície como Marcelo Rosenbaum, Renata Rubim, Fábio Galeazzo, Guto Requena, dentre outros. Quando falamos da produção de revestimentos cerâmicos em setor nacional, pode-se citar a Incenor – Empresa do Grupo Incefra, que é a primeira fabricante de revestimentos cerâmicos nas regiões Norte e Nordeste do país; possuindo centros de distribuição nos Estados de São Paulo e Bahia.

12 Cerâmica do século 18 cruche, Berbère, Maroco / Africa

No design de superfície em cerâmicas possuímos a noção de modulo e de repetição. O modulo é uma unidade ou peça autônoma que pode ser combinada com outras para formar um todo. É basicamente a unidade mínima de uma padronagem que inclui todos os elementos visuais que compõe o desenho final. Segundo Rüthschilling (2008) a composição visual dáse em dois níveis: Depende da organização dos elementos ou motivos do módulo e de sua articulação entre os módulos,

13 Cerâmica Celta Formas geométricas

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gerando o padrão, de acordo com a estrutura preestabelecida de repetição, ou rapport. 14 Princípio de repetição

Empegando o caminho do trabalho de Juliana Coelho Martins (2013) [11-12] Alegaremos que : “A noção de encaixe citada pela autora seria regida por dois princípios: continuidade, neste contexto compreendida como a seqüencia ordenada e ininterrupta de elementos visuais dispostos sobre uma superfície; e contigüidade que diz respeito à harmonia visual na vizinhança dos módulos, onde o sucesso é verificado na medida em que a imagem do módulo desaparece, dando lugar à percepção da imagem contínua, revelando outras relações entre figura e fundo. A maneira pela qual um módulo vai se repetir a intervalos constantes é chamado sistema de repetição.9 Os sistemas podem ser alinhados, não alinhados e progressivos. Os sistemas alinhados podem funcionar por translação, onde de modo geral o módulo se desloca sobre um eixo, mantendo a mesmo sentido; rotação, onde o módulo rotaciona com relação ao próprio eixo original; e reflexão, onde existe uma relação de espelhamento entre os módulos.”

Translação

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Rotação

Reflexão


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II- Aplicações no Setor Têxtil e de Moda A estamparia têxtil é considerada um dos setores de atuação do design de superfície que foi movido especificamente pela necessidade humana de interferir no ambiente em que vive. Segundo Maria Sílvia Barros de Held em “APLICAÇÕES E POTENCIALIDADES POR MEIO DO DESIGN DE SUPERFÍCIE NO BRASIL “

A estamparia teve início na Índia e na Indonésia, de onde chegou aos países do Mediterrâneo. Nos séculos V a.C. e IV a.C. os egípcios já dominavam as técnicas, utilizando substâncias ácidas e corantes naturais. Com relação aos métodos inicialmente utilizados no processo da estamparia têxtil, pode-se dizer que o homem usou as mãos como matriz principal para estampar os primeiros tecidos. Posteriormente, pedaços de madeiras, algumas vezes com as extremidades amassadas, permitiam novas formas de desenhos nos tecidos. Linhas onduladas foram traçadas a partir do surgimento de um rudimentar pincel e talvez mesmo como precedentes dos carimbos, mãos ou conchas eram molhadas no pigmento e então estampadas nos tecidos. Há cerca de dois mil anos, os chineses utilizavam blocos de madeira esculpidos para imprimir caracteres caligráficos. “Pouco mais tarde, com essa mesma técnica, estampavam-se tecidos tanto na China quanto na Índia”. 16

15 Carimbo

17 Block Printing (India)

Block Printing

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III- Aplicações no Setor de Arquitetura e Design de Interiores Quando abordamos a aplicações do Design de Superfície no campo da arquitetura e decoração de ambientes, podemos apontar ou citar uma das mais influentes e renomadas no ramo, a designer carioca Renata Rubim, vencedora do “Oscar” do Design, o IF Product Design Award, em 2012 na Alemanha, que atua no Brasil não apenas no setor de decoração e produção de revestimentos e produtos para aplicação em design de interiores; mas também atende empresas como Coza, Termolar, Sanremo, TOK&STOK, entre outros.

Design de interior 18

Cabogos Lisboa

IV- Técnicas de estamparia Considerando que a aplicação em superfície de elementos como: símbolos, signos, padrões, texturas, desenhos e etc.…, faz parte das prioridades quando tratamos do assunto design de superfície, podemos considerar essa área como uma das que mais contribui na expansão de signos ou símbolos de culturas diversas. Os símbolos da simbologia Adinkra são aplicados em superfícies, principalmente superfícies que abrangem o design têxtil que seja artesanalmente como industrialmente. Fazendo uma curta lembrança do capitulo 1, o Kente que é um dos trajes tradicionais dos povos Akan era inicialmente produzido para funções especiais, isso porque a produção era especificamente artesanal, demandava bastante cuidados e era reservado para os que tinham cargos

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específicos dentro da sociedade, porém com a aparição das produções em grande escala, que envolvem a área industrial, e a repentina modernização da cultura na gana, passaram a ser difundidos como ornamento no vestuário.

Voltando dessa breve lembrança, salientamos que “mais do que seu desempenho funcional em grande escala, e sua ligeira popularização o DS (Design de Superfície ) prevê a ocupação das superfícies de artefatos cotidianos como suporte para expressões com significados (RÜTSCHILLING, 2008)” Isso define o porquê a ocupação de superfícies durante o desenvolvimento desse projeto será especialmente dirigido para fins expressivos e significativos, com o intuito de resgatar a essência comunicadora dos símbolos da simbologia Adinkra, tornando as superfícies em quais forem aplicados mais valiosas culturalmente. A aplicação de elementos em superfície na área têxtil principalmente envolve vários processos tanto industrialmente como artesanalmente. Os mais conhecidos na produção de pequenas escalas ou produções únicas são as mais tradicionais como: O Batik , o Tie Dye ou Shiborie, o carimbo em madeira e muito mais. Por ser o mais usado e o mais conhecido, nosso sujeito principal aqui estará sendo o carimbo de madeira um dos processos empregado popularmente na gana para estampar símbolos da simbologia porem estaremos abordando em primeiro lugar algumas dessas técnicas para ter uma visão geral sobre o que diz respeito a estamparia. Estêncil, (do inglês stencil)[1] é uma técnica usada para aplicar um desenho ou ilustração que pode representar um número,

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letra, símbolo tipográfico ou qualquer outra forma ou imagem figurativa ou abstrata, através da aplicação de tinta, aerossol ou não, através do corte ou perfuração em papel ou acetato. Resultando em uma prancha com o preenchimento do desenho vazado por onde passará a tinta.

Block Printing Direto

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Bloco, inicialmente os blocos eram esculpidos em baixo relevo sobre madeira e utilizados como método de estamparia desde o século V.34 Também pode ser feito em outros materiais como borrachas e metais e funcionam como um carimbo. Juliana Coelho Martins [34]

BlocoIndiano

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4.1- Estamparia digital As Impressões digitais na área têxtil chegaram com um diferencial que é a não fabricação de matrizes ou cilindros para suprir suas demandas, além de possibilitar a produção em pequena escala. Outro grande diferencial da estampa digital é a alta resolução dessas impressoras de tecido. É possível imprimir até fotos através da estamparia digital. Nessa área há diversas formas de impressão que são empregadas, como: 01

Tranfer/Sublimação Permitem um processo de transferência de uma imagem do papel para o tecido por uma prancha aquecida (prensa térmica). A tinta contida no papel é transferida para o tecido quando o papel é submetido à pressão e alta temperatura por alguns segundos.

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01 http:// estampaweb. com/2011/06/ diferentes-formasde-estampar-pecasde-roupas/)


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Estamparia Laser Devido a sua limitação, a estampa com laser em tecidos / malhas é pouco utilizada atualmente nas confecções. Por “imprimir” (ou melhor, queimar) em somente 1 cor, o efeito é sempre o mesmo, parecido com efeito corrosão feio em serigrafia.

02 http:// estampaweb. com/2011/06/ diferentes-formasde-estampar-pecasde-roupas/)

V- Xilogravura Segundo o dicionário português, a xilogravura significa gravura em madeira. É uma técnica provavelmente de origem chinesa, que permite ao artesão utilizar um pedaço de madeira para entalhar um desenho, deixando em relevo a parte que pretende fazer a reprodução. Existem dois tipos de xilogravura: a xilogravura de fio e a xilografia de topo que se distinguem através da forma como se corta a árvore. Na xilogravura de fio (também conhecida como madeira à veia ou madeira deitada) a árvore é cortada no sentido do crescimento, longitudinal; na xilografia de topo (ou madeira em pé) a árvore é cortada no sentido transversal ao tronco. É uma técnica que tem uma grande ligação com o procedimento de estamparia que estará sendo nosso foco nesse projeto “o carimbo”, estaremos se apropriando dessas técnicas para enriquecer nosso processo de produção ao longo do caminho .

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VI- Carimbos Quando falamos de Adinkra principalmente na área têxtil, não se pode esquecer do carimbo. Ele é um dos processos mais utilizados para estampar os símbolos da simbologia nos tecidos além da impressão direta no próprio tecido. É relatado Em “An Introduction to a History of Woodcut, Arthur M. Hind,p64-94, Houghton Mifflin Co. 1935” que o carimbo principalmente o carimbo de madeira ou (wood block printing) teve suas origens na Ásia, principalmente na china e se expandiu no século XVIII, sua idade avançada faz dele um dos grandes precursores dos processos modernos de estamparia como, a impressão digital , a gravação de chapa em metal etc..., foi o método que deu entrada a processos de produções industriais na área têxtil, observando as particularidades dos matérias como corantes e têxteis a serem utilizados ele passou a ser a opção que fornecia os melhores detalhes dos desenhos a serem estampados e oferecia como ponto positivo uma saída ecológica. Bastante parecido com o processo de gravação de matriz da xilogravura, o carimbo atua como protagonista na produção dos KENTE. Essa técnica pode produzir estampas simples de uma só cor ou ser mais complexa e utilizar diversos carimbos em que cada um deles aplica uma imagem ou cor diferente ao tecido. Se o design vai se repetir ao longo do tecido, alfinetes podem ser inseridos ao carimbo para alinhar os desenhos. Esse método de estamparia ganhou escala de produção industrial na Europa na metade do século XVII. Já no século XIX, tinha se tornado o principal processo da estamparia têxtil. A produção manual é a dominante no mundo de produção de Kente, por ser um processo artesanal ele atrai o olhar dos turistas e agrega um denominado valor ao tecido em si. Os símbolos da simbologia Adinkra são artesanalmente cavados dentro de madeira ou banboo, depois é feito também artesanalmente o processo do Tie Dye. Durante esse processo é fervido a casca de uma arvore chamado “KunKunti” para gerar uma pasta chamado

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ADINKRA ADURU. É logo depois desse processo que os carimbos fazem sua entrada na cena , eles são mergulhados dentro da pasta gerada e estampados de forma linear no tecido ate alcancar um padrão uniforme e harmonioso dos símbolos. Processo de produção dos carimbos pelos Akan

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Os carimbos usados para os Adinkra possuem uma especificidade muito grande em termo de preparação , a madeira é cuidadosamente recortada com uma leve curva por dentro , de forma a deixar o símbolo gravado na parte principal da superfície e na superfície de dentro vai três ou quatro palitos pontudos especialmente feitos para serem segurado durante o processo de repetição linear das formas. Esse processo é um dos mais tradicionais instorado pelos Akan, e ainda perpetua até hoje como um jeito de manter a cultural e os legados tradicionais deixados pelos Akan na estamparia.

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VII- Flexografia É um processo de impressão gráfica em que a fôrma, um clichê de borracha ou fotopolímero, é relevográfica. O sistema pode ser considerado como um “bisneto” do carimbo. Usa-se tintas líquidas altamente secativas, a base de água, solvente ou curadas por luz UV ou feixe de elétrons. Uma de suas virtudes é a flexibilidade para imprimir os mais variados suportes, de durezas e superfícies diferentes. Levando em consideração os fornecedores que temos na nossa atualidade foi optado por testar a flexografia para o desenvolvimento dos primeiros modelos de carimbo, esse processo permite que seja mandado um padrão definido de carimbo para realizar uma gravação desses últimos sobre borracha, oferecendo uma possibilidade de modernização da produção.

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CAPÍTULO

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Lembrando da metodologia de design que mencionamos desde a introdução deste trabalho, estaremos apontando que o mesmo será retomado durante este capitulo para a produção.

I-Conceituação Segundo o dicionário Larousse em português, a palavra Urbano tem origem no Lati m “urbanus” que signifi ca “pertencente à cidade”. Urbano é tudo aquilo que está relacionado com a vida na cidade e com os indivíduos que nela habitam. O modo de vida urbano é também marcado pelos esti los e pelas tendências, uma razão pela qual os costumes e hábitos vesti mentares de um determinado grupo urbano, pode se refl eti r em outros, determinando novas tendências e alternativas.

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“Tendência é uma previsão, através de pesquisas, quanto ao uso de determinados tecidos, fios, cores, silhuetas, modelagens, estampas, shapes, volumes… São influências que os produtos recebem unidos aos valores de consumo”, explica a designer de produtos Thais Wendling. As tendências surgem para remodelar os hábitos das cidades urbanas, o que surge hoje pode já não valer amanhã, porem há algumas coisas que ficam por décadas, como as tradicionais camisetas (T-shirt). As inspirações buscadas pelos designers para as tendências surgem geralmente tanto do étnico como do cultural. Assim você pode encontrar uma marca como a Hering buscando inspiração em macro temas como: “Urban Gipsy”, “Safari”, “African Velvets” e “Casual Cool”. Segundo um artigo do site jaciarabarros O tema “Urban Gipsy” ressalta o espírito livre e a alma nômade, com referências ao urbano e às experiências de viagens pelo mundo. Esta inspiração é traduzida em vestidos soltos, tecidos leves, com foco em cores quentes. São os vestidos que traduzem o espírito jovem e cool da estação. Eles podem ser encontrados em diversas modelagens como o t-shirt dress e os longos. O tema “Safari” cria a transição de inspirações entre o urbano e a estética tribal, ilustrando os comportamentos escapistas, tendência da vida urbana que busca resgatar o lado aventureiro. Neste universo, as peças da coleção têm detalhes utilitários, estampas que unem texturas e flores e cartela de cores nos tons de verde-militar.

“Safari”

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Já o tema “African Velvet” traduz a estética africana através de estampas tribais e bordados. Cores fortes e vibrantes, como o ocre e o vinho, além das texturas marcantes, trazem para o tema estilo e personalidade.

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O tema “Casual Cool” também explora a conexão entre a vida de uma metrópole e o contato com a natureza. Resultado: mix&match de florais, grafismos e texturas, assim como o contraste entre o preto e o branco. Tomando como referencias esses 3 pontos das coleções da marca, portanto afirmamos que a nossa produção estará

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em uma linha um pouco “African Vevelt”, quer dizer que produziremos peças que traduzem a estética africana principalmente de GANA, buscando exaltar a riqueza dos símbolos Akan Adinkra.

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II-similares As analises nesta parte do projeto acarretam como fim principal, a introdução de projetos parecidos e interligados ao nosso contexto, essas analises foram feitas partindo dos seguintes pontos principais:

Identificar projetos parecidos com uso de símbolos AKAN.

Identificar nesses projetos significações e referencias

Comentar a intenção dos projetos e seus objetivos

Comentar os resultados finais e a satisfação que estes projetos ofereceram

<<ADINKRA DWENNIMMEN>> Os símbolos são usados em varias áreas de produção como joalherias, estamparias, e muito mais, como joalheria há várias produções como a coleção que foi produzido por Elmer Emanuels e Henriette visscher nos estados unidos;

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ambos são nascidos nos estados unidos e possuem origens africanas. Essa coleção chama- se <<ADINKRA DWENNIMMEN>>, e faz parte do conjunto de produtos de uma loja virtual da qual estaremos analisando outras coleções nas próximas linhas. A linha de produtos desenvolvido pelos dois artistas carrega um lado tanto sócio cultural quanto sustentável. Tendo o objeti vo de gerar uma valorização de suas origens a ao mesmo tempo empregar um pouco de sustentabilidade, optaram por desenvolver essas peças. As joias são todas 100% em bambo e são baseadas nos símbolos da simbologia Adinkra ao qual fi zeram referência para desenvolver suas alternati vas.

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Coleção <<ADINKRA DWENNIMMEN>>

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Coleção <<ADINKRA DWENNIMMEN>>

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OCACIA No Gana já há uma modernização na definição do estilo e das peças que carregam os símbolos , identificamos varias lojas que já empregam o ADINKRA em cima de superfície da área têxtil como camisetas tecidos e muito mais , alguns priorizam o incentivo a um olhar sobre a cultura africana outros já se concentram em outros pontos essa peça da loja OCACIA de GANA disponibiliza peças produzidas com os símbolos da simbologia adinkra porém não há uma grande preocupação sobre orientar os consumidores ou incentivá-los a cultura africana Coleção OCACIA

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nessa segunda peça da atualidade já há um contexto diferente, a loja online ETSY fez uso dos símbolos GYE NYAME e DUAFE acompanhado dos princípios de continuidade e rotação para gerar um elemento como um todo em cima de uma superfície que é a calça Legging, o processo de produção dessa calça é manual além de ter a integração da modernidade no processo de produção, ela é estampada manualmente o que agrega um valor um pouco maior na peça. A coleção foco em uma produção que não englobe um gênero especifico, dando a possibilidade de uso a qualquer um, por ser uma peça que transporta elementos simbólicos e ao mesmo tempo cultural, foi estabelecido um conjunto de processos de valorização dela, um desses processos é a produção em escala muito pequena, o que aumentou seu custo, gerando mais curiosidade dos grupos adeptos de vestuários inéditos sobra a peça. A loja a define como afrocêntrica , atraindo por meio das palavras uma atenção sobre o lado cultural do objeto em si, o que incentiva um olhar sobra a cultura africana.

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POAM

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A POAM é uma loja online que comercializa também produtos que encarregam símbolos da simbologia Adinkra, essa última identifica-se como uma coleção que apenas faz referência ao nome adinkra portanto sem especificações sobre seus significados ou origens reais. Nesse caso podemos perceber apenas uma comercialização no caso de peças únicas que misturam vários símbolos e faz referências a “África do Oeste”.

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Karl Hauth , um designer ganense que possui experiência em vários países da Europa e autor de várias coleções , nos apresenta seu próximo design (The Tribe) da série Adinkra. Ele prioriza os tecidos com 100 porcento de algodão, esta é a mais nova edição de t-shirts clássicos desenhados por Karl e Colin Yesutor e aprovado pela True Witness. Esse último disponibiliza um estudo sobre os símbolos Adinkra, faz referência a várias figuras africanas na sua coleção e prioriza a cultura africana na sua produção. As coleções dele não são perfeitas porem oferecem um ponto principal que é seu bom senso de colocar sempre referencias e origens de suas inspirações no seu trabalho.

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III-Tamanho dos carimbos Os carimbos tradicionalmente produzidos pelos Akan passam por um processo bastante antigo e delicado de produção, o que alonga o tempo de produção dos carimbos, por não termos acesso aos materiais tradicionalmente usados por esses últimos e por não termos a autonomia de reprodução fiel dos processos empregados pelos povos Akan de GANA, Usar um processo mais moderno fica a nossa principal alternativa , e foi estabelecido para seu desenvolvimento um tamanho fixo de carimbo baseado nos carimbos originais ainda produzidos pelos povos do GANA nos dias de hoje para a produção dos tradicionais tecidos (KENTE)

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IV-Alternativas Os carimbos tradicionalmente produzidos na atualidade possuem um tamanho de aproximadamente 12cmx12cm, uma forma basicamente quadrada dentro do qual é desenhado o símbolo sem necessidade de uso de margem.

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Para incorporar versatilidade e flexibilidade ao desenvolvimento de padrões, tomamos a liberdade de estabelecer um tamanho secundário de carimbo. Esse tamanho secundário é basicamente a metade do tamanho inicial dos carimbos normais. Essa opção surgiu como necessidade durante o desenvolvimento de padrões e acrescentara mais possibilidades ao projeto. Pode haver ao longo da geração de alternativas a necessidade de desenvolver outros tamanhos de carimbos para abrir a diversas possibilidades de padronagem.

45 Esboço da forma do carimbo.

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12cm

12cm

Área real de uso

Borda

6cm

Modelos elaborados e esquematizados, dentro dos quais estarão sendo adaptados os símbolos para a produção de carimbos com fornecedor.

6cm

Área real de uso

Borda

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Após um encontro decisivo com o fornecedor para discutir a elaboração dos carimbos foi definido várias possibilidades para o processo de produção Foi ao mesmo tempo apontado pelo fornecedor alguns aspectos: - Da ergonomia do carimbo - Dos tipos de borrachas que podem ser implicados na produção - E a madeira que servira para a produção do cabo principal.

Redesign

Da Ergonomia Como Louis Sullivan afirmava a forma segue a função, e isso é um dos grandes fundamentos do design, o carimbo foi principalmente redesenhado por não oferecer durante o teste do primeiro modelo, eficiência e conforto. Porem com referência ao carimbo original ele volta com o principal foco na eficiência e no conforto durante seu uso.

Redisign do carimbo baseado nos quesitos do fornecedor e as matérias primas disponíveis atualmente no mercado.

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Modelos e matrizes Reais dos carimbos Mencionamos anteriormente, principalmente na parte quatro deste capitulo, que foram definidos dois tamanhos padrões para os carimbos. Os mesmos foram realizados pelo fornecedor porem com algumas modificações durante o processo de produção. A madeira usada nos carimbos de tamanha 6x6 (os menores) acabou recebendo um suporte que se aparenta mais com o suporte que aparece, no desenho dos primeiros carimbos rabiscados. Isso porque o fornecedor de madeira conseguiu realizar só a produção desse tipo de suporte, por não conseguirmos outro fornecedor que possa realizar o mesmo tipo de projeto, acabamos por nos conformar com esse mesmo, sendo que o produto continuou mantendo sua funcionalidade.

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O carimbo 12x12 O carimbo 12x12 acabou sendo produzido dentro de uma temática um pouco diferente do inicial. Para manter uma sustentabilidade, reduzimos o número de carimbos a serem produzidos, elaborando apenas uma matriz fixa de madeira, e o mesmo recebera as borrachas na sua superfície por meio de fita dupla face. Após uso, essas mesmas borrachas poderão ser trocadas por outras que encaixarão na mesma matriz de madeira, e assim continuará a rotatividade durante a produção.

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Foram usados os mesmos símbolos pilotos das matrizes de 6x6 para desenvolver as borrachas que que irão na madeira . Fotos das matrizes de borracha Dos materiais usados para a produção doas carimbos , encontra-se apenas borracha vulcanizada na produção dos carimbos de 6x6 e as maiores são derivados de polímero cujo o nome técnico denomina-se CYREL.

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V-Do tecido e da tinta para a produção Do tecido para a produção. Por ser um projeto voltado para a indústria têxtil o tecido possui um lugar muito importante nessa produção, ele é um fator que define a usabilidade do que é produzido como estampa. Há uma grande variedade de tecidos, porém os classificados para servirem de piloto durante o desenvolvimento das estampas são os mais voltados para a produção de camisetas.

Camisetas porquê? A camiseta é dotada de uma versatilidade eficiente, ela pode ser usada no dia dia e está sendo o foco dessa produção por ser uma peça que não possui: -Gênero -Etnia -Religião - E dificuldade de lavagem.

Os tipos de tecido para camiseta Poliéster Tecido 100% poliéster. Há vários tipos de tecido poliéster. Um dos mais conhecidos é o dry-fit, um sistema tecnológico em que a construção do tecido é projetada para a absorção do suor do corpo. Poliviscose Composto por 67% poliéster e 33% viscose, é um tecido de excelente qualidade e durabilidade. Algodão Quando se fala em tecido de algodão, significa que é 100% algodão. A camiseta terá performance diferenciada de acordo com o tipo de fio, tipo de trama e o processo de lavagem ao qual a malha possa ter sido submetida. 77


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Tipo de fio Fio Open End Fio oco (sem algodão no meio) e áspero. É um tipo inferior de fio com encolhimento maior. Fio Cardado Fio maciço com encolhimento médio e de ótimo custo benefício. Fio Penteado Fio maciço, de alta qualidade com o mínimo de encolhimento. O nosso foco aqui acaba sendo o algodão por ser um tecido que agrada em termo de conforto e usabilidade, o algodão não gera nenhum tipo de alergia e acaba ficando uma alternativa muito mais natural

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VI-Teste de composição Elementos construtivos

O processo de construção compreende princípios básicos e clássicos do design têxtil, sendo assim para o teste de produção estaremos empregando os princípios básicos que o design de superfície prevê.

Na área do Design de Superfície e Estamparia, o termo Rapport é traduzido, tanto em inglês como em português, como Repeat ou Repetição. (Lula Rocha, 2014)

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MIRROR Espelhamento pelo eixo horizontal /vertical / random.

CONTIGUIDADE: Equilíbrio visual de módulos - estado de união visual. A imagem do módulo desaparece e revela novas relações, sentidos e ritmos.

CONTINUIDADE: Sequencia ordenada e ininterrupta dos elementosvisuais dispostos sobre a superfície. Possui grande efeito de propagação.

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No Sistema de Repetição não alinhado as células são deslocadas na horizontal ou na vertical e por isso o módulo tem que ser projetado de tal maneira que, quando repetido lado a lado, resulte na noção de deslocamento desejada. (Rocha, 2014)

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A repetição de um módulo pode acontecer através de diferentes sistemas, e configura a maneira pela qual um módulo vai se repetir em intervalos constantes (RÜTSCHILLING, 2008)

MÓDULO Unidade de padronagem: a menor área que inclui todos os elementos visuais que constituemo desenho.

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REPETIÇÃO Rapport, termo francês. É o arranjo da direção dos módulos de modo contínuo o que configura padrão.


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Forma: A forma é um dos fundamentos mais importantes para o desenvolvimento de padrões, ele servira de Pilar para a configuração de padrão durante o desenvolvimento dos nossos padrões. FORMAS SINGULARES Composição é construída por apenas uma forma. Não possui um aglomerado de formas distinguíveis.

FORMAS COMPOSTAS Forma diferentes que quando unidas se compõem.

FORMAS PLURAIS Composição com uma forma que se repete, denominada de forma plural. Podem estar unidas de várias maneiras, inclusive formando uma única imagem.

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Estara também sendo usado como ponto de partida para geração de alternativas nessa parte do projeto 5 grandes áreas de estilo visual A sintaxe da linguagem visual de Donis a. dondis Ornamental

Funcional

Primitivo

Expressionismo

Classicismo

Complexidade Profusão Exagero Rotundidade Ousadia Fragmentação Variação Colorismo Atividade Brilho

Simplicidade Simetria Angularidade Previsibilidade Estabilidade Sequencialidade Unidade Repetição Economia Sutileza Planura Regularidade Agudeza Monocromatismo Mecanicidade

Exagero Espontaneidade Atividade Simplicidade Distorção Planura Irregularidade Rotundidade Colorismo

Exagero Espontaneidade Atividade Complexidade Rotundidade Ousadia Variação Distorção Irregularidade Justaposição Verticalidade

Harmonia Simplicidade Exatição Simetria Agudeza Monocromatismo Profundidade Estabilidade Estase Unidade

Cores:

O uso de cores na produção se fundamentaria principalmente no quadro das cores comuns nos Kentes e as mais presentes na cultura Akan em geral junto com seus significados. Esse quadro foi inicialmente detalhado no primeiro capitulo desse projeto com toda transparência sobre as cores e seus significados na cultura dos povos AKAN.

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Alternativas experimentadas Foi necessário nesta fase do projeto, estabelecer um conjunto de palavras técnicas em torno dos quais foram elaboradas as estruturas dos padrões desenvolvidos. Estas palavras serviram também como conectores entre técnicas de padrões utilizados, e permitiram estabelecer uma ordem no processo. Essas palavras são : 1

Rapport Espelhamento Modulo

símbolo : DWENNIMMEN 82

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Repetição Contiguidade Continuidade

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Conceituais Visuais Relacionais

símbolo : FUNTUNFUNEFU DENKYEMFUNEFU Significado : Democracia, unidade na diversidade


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Gerando uma sinergia entre os símbolos e as cores da cultura AKAN, o padrão foi aplicado nas cores branco e vermelho. O vermelho para exaltar a luta, o sacrifício e a espiritualidade, o branco sendo a expressão do equilíbrio e da vitalidade. O conjunto para expressar o significado do símbolo.

Padrão aplicado em superfície para observação do comportamento do mesmo.

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símbolos : MPATAPO e SANKOFA

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Significados: SANKOFA = Volte e obtenha MPATAPO = pacificação e reconciliação Nessa alternativa foi feito um mescla de dois símbolos que conversam em termo de significado para gerar uma harmonia do signo , do significado e do significante


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Nessa alternativo se apropriamos do sentido da cor azul, que se refere e a domicílio do creador supremo , a paz e harmonia para fazer uma combinação com o amarelo que se refere a elegância , riqueza e pureza, combinando com o branco que expressa a pureza espiritual também, tudo para expressar a volta, a pacificação e o retorno

Padrão aplicado em superfície para observação do comportamento do mesmo. 85


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símbolo: Nkyinkyim

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Significados: Nkyinkyim Literalmente: Torções e voltas na jornada da vida Esse símbolo é o tipo de símbolo que unido se compõe, o mesmo podendo ser definido como forma composta.


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Nessa alternativa foi usado a cor verde associado a vegetação, e crescimento, vitalidade fertilidade, saúde abundante, para reforçar a volta nas jornadas da vida depois de torções, a torções podem ser considerados neste contexto , formas de dificuldade superados pela vitalidade o crescimento e etc..., Misturando esse verde com o preto ele pode significar uma energia intensifica.

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símbolo: ASASE YE DURU

Significado: Este símbolo representa a importância da Terra na sustentação da vida. Um ponto interessante também é a presença no cotidiano dos povos Akan desse símbolo. Há uma mais que um significado nesse signo pois ele alimenta a crença dos agricultores

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Esse é um do que mais valoriza a terra mãe , seu principal significado quando abordamos a questão de cor é a cor castanha, associado a terra mãe.

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DENKYEM LITERALMENTE: Crocodilo Adaptabilidade, astúcia 90

O crocodilo, esse nome é o significante do significado de adaptabilidade e astucia, ambos significados do símbolo DENKYEM, nesse contexto o mesmo foi aplicado com significado do cinza que explica a espiritualidade e a purificação espiritual, uma cor que define também o sossego, o prateado é normalmente vestido por mulheres e é usado também para formalidades.


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Aplicação da estrutura do crocodilo em superfície

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VII-Das tintas

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Após a realização de uma pesquisa exploratória sobre as tintas existentes no mercado, principalmente as para aplicação sobre tecido, foi definido que as tintas a tecido da marca ACRILEX estarão sendo os principais para a produção porque: 1- São aplicáveis com pincel, esponja ou carimbo o que é nosso foco 2- Aplicáveis em tecidos de algodão sem goma, não sintéticos. 3- Por serem não toxicas 4- E por fim possuem uma grande flexibilidade em termo de preços no mercado

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VIII-produção

Foram realizados vários testes para ver a consistência da tinta, a flexibilidade do carimbo, as curvas da borracha, e o comportamento do conjunto sobre a malha de algodão 30 fio. Nessa parte o símbolo foi carimbado em uma única cor. Foi explorado a continuidade e a unidade.

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Nessa fase já temos uma aplicação um pouco mais avançada em termo de habilidade, já tinha uma praticidade estável no uso do carimbo, um melhor desempenho na continuidade e na consistência do padrão sobre a malha.

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usando os princípios de rapport , foi testado uma opção mais neutra (pretobranco), para entender o comportamento dos símbolos sobre a malha principalmente com o contraste que o preto-branco gera, a tinta branca ofereceu um contraste significante em relação a outras tintas, e o carimbo apresentou um desempenho melhor. A combinação de dois símbolos apresentou também uma sinergia entre os elementos aumentando o valor do significado do conjunto.

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IX-Aplicação e modelos Essa parte do projeto é dedicado a uma pequena coleção de camisetas que foram sendo modeladas ao longo do trabalho, elas possuem cada uma um nome especifico, nomes derivados de referências tanto do dia-dia quanto de figuras populares ou nomes populares dado a artefatos, pode ser considerado um tipo de lembrança cultural.

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Apko dopko:

o nome Apko dopko significa literalmente, “um bolso” em língua FON , uma das mais faladas localmente no Benim. 99


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The BOMBA t-shirt:

esse modelo ĂŠ especialmente em referĂŞncia ao conjunto de roupas tradicionais confeccionados com panos africanos popularmente chamados de BOMBA no Benim. 101


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A paralela:

a paralela é um modelo constituído basicamente de duas linhas no meio, foi elaborado em referência a um ditado popular em língua Fon que nos diz que “só as arvores vivem na paralela, elas nunca se encontram) 103


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O olho do meio: este modelo é uma opção que traz um bolso no meio da camiseta, centralizando tudo para gerar um equilíbrio no visual.

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David Rigobert:

esse modelo foi criado baseado em uma curta história sobre meu avô DAVID RIGOBERT TCHOGNINOU. Duranteminha adolescencia, eu costumava receber a mesada doem meesmu oa vsóe,m pre conseguia escapar quando exageramos nos valores que pedimos, uma das soluções que ele usou ao longo de anos foi mandar o alfaiate da família sempre costurar um bolso secundário dentro de seus bolsos, assim o mesmo afi rmava a nos crianças que não ti nha dinheiro para assumir os valores exagerados que eram inventados por nos, e como prova mostrava seu bolso que sempre fi cava cheio quando ele tivesse dinheiro. Em homenagem ao mesmo foi desenvolvido este modelo que possui bolso no meio do bolso principal

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The Kwame Nkrumah t-shirt :

O Muito Honorável Doutor Conselheiro Privado Kwame Nkrumah foi um líder político africano, um dos fundadores do PanAfricanismo. Foi primeiroministro entre 1957 e 1960 e presidente de Gana de 1960 a 1966. O mesmo é considerado o pai da valorização da cultura africana, por priorizar a utilização e o consumo de tudo que é das nossas origens.

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X-CONSIDERAÇÕES FINAIS Os processos de desenvolvimento de projeto dentro da academia proporcionam um crescimento pessoal, principalmente por meio das metodologias que surgem basicamente na hora de desenvolver um TCC, podemos dizer que estes mesmos existem ao longo do curso porem, atuam em uma hibernação constante nas partes praticas dos projetos. Os anos de aprendizado dentro do design gráfico proporcionou a capacidade de gerenciamento de um projeto de conclusão de curso, portanto percebese ao chegar no final que o maior aprendizado fica o que o próprio criativo disponibilizou-se a aprender para seu próprio bolso, a teoria das sala de aula pode ser considera um mundo fantasma, e a pratica no mercado o mundo. O tempo passado dentro da realidade acadêmica foi uma constante balança em cima da qual os pesos precisavam ser equilibrados. Afinal dentro da academia, o mundo da criatividade ainda precisa de mais entendimento e de normas que possam se enquadrar na sua realidade. Voltando para nosso contexto, podemos afirmar no final deste projeto que o nível de intelectualidade subiu, a certeza de que o design não tem limite ficou, e a necessidade de trabalhar com outras pessoas nesta área ficou mais do que clara. O agradecimento ao apoio fica primeiro pessoal e em segundo aos professores do curso de design principalmente os que possuem mais afinidade com o tipo de projeto que desenvolvemos.

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Apêndice possibilidades "Bellerie"

Desenvolvimento de identidade visual

Cu

Adinkra Origem

https://ccmeta.files.wordpress.com/2014/06/typologieadinkra.pdf

Tipografia "Adinkra"

http://www.stlawu.edu/gallery/education/f/09textiles/ adinkra_symbols.pdf

Referencias Modelo de processo de Design, "Diamond double" ou "Garrett

referências m

Simbologia Design centrado no usuario https://uxdesign.cc/human-centered-design-the-6fundamental-principles-of-interaction-between-productsand-users-7343734b38a1? ref=webdesignernews.com#.xi3kzstsq

Carimbo para desenvolvimento de pecas

Moda , desenvolvimento de coleção:

Processos de Design

Gestalt do Objeto "Jão PAulo Gomes"

adaptações, recriaçõe

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ADINKRA

http://afrikhepri.org/adinkra-les-symboles-ouestafricains-evocateurs-de-la-sagesse-traditionnelle/

ultura

Resgate dos simbolos da simbologia

https://youtu.be/oqNac3Te0FI

Origem da civilisaçao « AKAN » Sgnificado do conjunto de simbolos "ADINKRA"

Antropologia

moda Adinkra

On Kickstarter Tattoo

originais

produção popular de estampa

popular

Possivel produção de Bandana

Porta Moeda

Textilaria Sketch book com tecido 'lembrança cultural"

es produtos

desenvolvimento de objetos "lembranças culturais"

exemplos de chaveiro

http://www.dhresource.com/albu_913502433_001.600x600/5-chaveiro-transparente-x-bonito-quadrode.jpg

Jolheria referências moda

desenvolvimento de Colar

Estamparia

Modelo de porta moeda "colocar foto depois" Camisa, camisetas, roupas de uma area da moda vestimentar , "Street wear"

Artefatos possivelmente produsiveis com a simbologia Desenvolvimento de peças para cablo

CAmisetas

Bandana para cabelo:

Processo de produção

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Anexos

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ANDINKRA estudo para aplicação em padronagem têxtil  
ANDINKRA estudo para aplicação em padronagem têxtil  
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