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LISTA ANEXOS I − ENTREVISTA NÍVIA CARVALHO.....................................................................78 II – COLEÇÃO RESTAURANTE SPOLETO.............................................................79 III − ANÚNCIO NOVO SEGUNDO CADERNO......................................................80 IV – ENTREVISTA NANI RUBIM.............................................................................81 V – ARTES VISUAIS 26/07/2010...............................................................................82 VI – ARTES VISUAIS 02/08/2010..............................................................................83 VII – ARTES VISUAIS 16/08/2010.............................................................................84 VIII – ARTES VISUAIS 23/08/2010...........................................................................85 IX – ARTES VISUAIS 30/08/2010..............................................................................86 X – ENTREVISTA LIN LIMA....................................................................................87 XI – ENTREVISTA HERTON ROITMAN.................................................................88 XII – ENTREVISTA ROGÉRIO RAUBER.................................................................89 XIII – ENTREVISTA GILBERTO ABREU................................................................90 XIV – ENTREVISTA WELLINGTON RODRIGUES COSTA..................................91


SUMÁRIO INTRODUÇÃO........................................................................................................................09 CAPÍTULO I: ARTES VISUAIS E JORNALISMO CULTURAL 1.1) Artes Visuais.................................................................................................................12 1.1.1) Nomenclatura: de liberais a visuais.......................................................12 1.1.2) A relação entre artes visuais e sociedade..............................................13 1.1.3) Artes visuais e indústria cultural............................................................15 1.2)

Jornalismo Cultural Brasileiro......................................................................................17 1.2.1) Conceituação e gêneros...............................................................................17 1.2.2) Quatro críticas ao jornalismo cultural brasileiro.........................................18 1.2.3) Breve histórico do jornalismo cultural brasileiro........................................19 1.2.3.1) De 1500 a 1920: origens......................................................................20 1.2.3.2) A Semana de Arte Moderna.................................................................24 1.2.3.3) De 1940 a 1960: a era dos meios de comunicação de massa...............26 1.2.3.4) De 1960 a 2000: da censura a democracia...........................................29 1.2.3.5) 2001 a 2011: jornalismo cultural em tempos de Internet.....................33

CAPÍTULO II: TEORIAS EM JORNALISMO CULTURAL 2.1) A obra de arte perde sua aura............................................................................................38 2.1.1) A evolução das técnicas de reprodutibilidade..............................................38 2.1.2) Características que a obra perde com a reprodutibilidade...........................39 2.2) Nasce a indústria cultural...................................................................................................41 2.2.1) A escola de Frankfurt...................................................................................41 2.2.2) Cultura de massa X indústria cultural..........................................................42 2.3) Indústria cultural e jornalismo cultural..............................................................................44 2.4) As funções dos meios de comunicação de massa..............................................................46 CAPÍTULO III: ESTUDO DE CASO: ARTES VISUAIS, SEGUNDO CADERNO 3.1) Metodologia de análise......................................................................................................49 3.2) Contextualização do objeto................................................................................................50 3.2.1) Breve histórico do jornal O GLOBO.......................................................50 3.2.2) O Segundo Caderno................................................................................53 3.3) Estudo de caso: análise da página Artes Visuais do Segundo Caderno, do jornal O GLOBO............................................................................................................................55 CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................................................67 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................................70 ANEXOS..................................................................................................................................77


INTRODUÇÃO Filmes, novelas, obras de arte, livros, maquiagem, jóias, roupas, sapatos, cadernos, copos, pratos, DVD‟s, CD‟s, carros, perfumes, viagens, cursos, comportamentos. Tudo vira produto na indústria cultural. O presente trabalho analisou a presença dela no jornalismo cultural especializado em artes visuais. No capítulo 1 foram apresentadas as artes visuais e o jornalismo cultural brasileiro. Em relação às artes: nomenclatura (visuais ou plásticas?), a relação delas com a sociedade e com a indústria cultural. Em relação ao jornalismo cultural: definição, os principais gêneros e as críticas ao seu modo de produção. Ainda no mesmo capítulo foi apresentado um breve contexto histórico da produção cultural brasileira entre os anos de 1500 e 2011. O nascimento do jornalismo cultural, a semana de arte moderna, bem como a evolução tecnológica dos meios de comunicação (cinema, rádio, TV, internet) e de reprodutibilidade da arte (pintura, fotografia, arte digital) estão entre os temas abordados estão entre os temas contextualizados. O capítulo 2 mostrou o pensamento dos teóricos escolhidos para confecção deste trabalho: Walter Benjamin, Theodor Adorno, Robert Merton e Paul Lazarsfeld. Na sequência, um resumo do pensamento de cada autor contido nesse trabalho. BENJAMIN aponta cinco características que a obra de arte perdeu ao ser reproduzida em larga escala: autenticidade, aura, tradição, valor de culto e valor de eternidade. O autor destaca ainda o valor de culto da obra e o seu valor de exposição. HORKHEIMER e ADORNO criam, em 1944, o conceito de indústria cultural, para designar a exploração mercantil da cultura e dos processos de formação de consciência dos indivíduos nos primeiros anos do século XX. ADORNO destaca a necessidade de distinguir cultura de massa (construída pelo povo) da indústria cultural (cultura produzida para o povo). Sobre esse aspecto, a obra de arte torna-se dentro da indústria cultural um bem descartável, produzido e vendido levando em conta os princípios de construção e difusão estética e intelectual − antes reservados a arte, aos indivíduos e ao pensamento. O autor defende ainda a ideia de que a indústria cultural criou e dissemina uma ideologia, na qual determinadas pessoas (os olimpianos) transmitem critérios e regras para orientar as massas dentro de um mundo caótico.


Ainda de acordo com o autor, a indústria cultural prega a submissão tanto das obras de arte ao mercado capitalista quanto dos indivíduos ao consumo exagerado de bens culturais tidos como moda, hits da estação e efemérides. De acordo com o pensamento de MERTON e LAZARSFELD, os meios de comunicação de massa possuem um papel social uma vez que impactam sobre todos os indivíduos. Entre as funções sociais atribuídas a eles: atribuição de status, reforço das normas sociais e a disfunção narcotizante. O trabalho utilizou referências do trabalho de outros autores que se relacionam a área de jornalismo cultural. Fazer Bond, por exemplo, destaca que o jornalismo em geral possui quatro razões de ser: informar, interpretar, orientar e entreter. Utilizando esse gancho, foi apresentado o conceito de indústria cultural dentro do jornalismo cultural usando elementos do pensamento de José Marques de Mello e Daniel Piza. O objeto escolhido para análise foi a página Artes Visuais, publicada toda segundafeira, na editoria Segundo Caderno, dentro do jornal O GLOBO. No capítulo 3 foi apresentado o histórico do jornal O GLOBO, do Segundo Caderno e da página Artes Visuais, seguido pela explicação do processo de edição da página: dividida em notas (Pinceladas), matérias (Making OF/Artes Crítica e Obra em Progresso), indicação do trabalho de um artista por outro artista (Dica do Artista) e notas de eventos e exposições (Agenda). Foram analisadas cinco edições da página, equivalendo a um mês de publicações, compreendendo as segundas-feiras entre 26 de julho e 30 de agosto de 2010. Para confecção deste trabalho também foram realizadas entrevistas com a editora assistente do Segundo Caderno Nani Rubim e com artistas plásticos. Respectivamente, para entender o processo de edição da página Artes Visuais e para mostrar como é a visão dos profissionais da área de arte sobre o que é publicado pela mídia. Foram escolhidos os artistas plásticos Lin Lima (RJ), Herton Roitman (SP) e Rogério Rauber (RS) pelo destaque que suas obras têm alcançado no Brasil e no exterior. Também foi entrevistado o jornalista cultural Gilberto Abreu – editor de um site sobre artes visuais – e Wellington Rodrigues Costa – parecista da Fundação Nacional de Artes (Funarte). O trabalho tentou explicar a presença da indústria cultural dentro dessa página. Analisando a forma como são abordadas às artes visuais nesse espaço.


Entre os assuntos investigados: a presença da cultura de massa dentro da indústria cultural; a presença da indústria cultural dentro da página; as funções exercidas pelo Segundo Caderno ao transmitir notícias sobre artes visuais; a superficialidade na abordagem do tema; a frequência com que aparecem notas e matérias sobre os mesmos artistas e galerias; as referências ao universo capitalista; a análise dos gêneros em jornalismo cultural identificados por PIZA e os problemas do jornalismo cultural contemporâneo apresentados pelo mesmo autor; a segmentação das matérias de acordo com o público leitor; a espetacularização dos temas; roteirização dos serviços; e a diferenciação entre arte erudita e arte popular. Dentre todas as mídias escolheu-se analisar o impresso. Pois ele é uma fonte de consulta permanente (não pode ser alterado, como um site, por exemplo) e está acessível a todos os alfabetizados. A importância social do trabalho está no fato dele se relacionar a área cultural e refletir, e ser reflexo, em nossas vidas. Uma vez que a arte e o jornalismo englobam todos os assuntos, cada um a sua maneira. Por exemplo: se há um escândalo na política, os jornalistas estão presentes para investigar, relatar, denunciar o assunto. Já os artistas visuais têm uma gama enorme de opções para abordar de forma crítica em suas obras. Desde um protesto sobre o tema até uma reflexão filosófica e social sobre as mazelas políticas.


CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo tentou realizar uma análise sobre a relação entre a indústria cultural e o jornalismo cultural na abordagem das artes visuais. Além disso, pretendia-se identificar as funções exercidas pelo Segundo Caderno ao transmitir notícias sobre artes visuais. Nas questões referentes ao primeiro capítulo desse estudo, conclui-se que CHAUÍ estava correta ao afirmar que é impossível separar as artes visuais da sociedade. A arte, o mito e a ciência são sim modos de organização da experiência humana. E por isso é impossível dissociá-la de seu contexto histórico. Quando MARX afirmava em 1847 que as transformações sócio-políticas eram marcadas pela luta entre classes sociais, ele já preconizava os efeitos do capitalismo no mundo. Na área cultural confirmam-se dois eventos associados a ele: a divisão da arte em erudita (da classe dominante e mais letrada) e popular (da classe dominada e menos instruída) e a criação da indústria cultural. A massificação das obras de arte iniciou-se após a Segunda Revolução Industrial, no século XIX. É nesse momento que as artes começam a ser submetidas às regras do mercado capitalista e a ideologia da indústria cultural. Entre as quatro críticas ao jornalismo cultural apresentadas por PIZA, identificou-se que todas estão corretas. Há segmentação na página Artes Visuais no que diz respeito à geografia (predominância da cidade do Rio de Janeiro), escolaridade do público leitor (quase a totalidade das obras representadas são eruditas) e repetição de assuntos nas edições. Quanto ao superficialismo, ele está presente sim, mas é aceitável uma vez que o impresso possui limitação de espaço e que os deadlines de um jornal factual tornam quase impossível se aprofundar em um tema. A terceira crítica, em relação ao modo de produção do jornalismo cultural, também foi identificada e denunciada pelos artistas entrevistados. Muitos jornais pautam-se por meio de releases. A quarta crítica, sobre a tendência de querer aparentar o jornalismo cultural aos demais (econômico, policial, científico) não foi abordada na pesquisa. Portanto pode ser apontada como um possível desdobramento desse trabalho. A roteirização do jornalismo cultural foi confirmada no objeto de estudo. Ao analisarmos a página Artes Visuais, percebemos que ela é puramente roteiro de serviços. A „Agenda‟ não ocupa somente o rodapé da página. Ela se espalha pelas matérias, notas e olhos, fazendo referência a alguma exposição em cartaz.


Ainda sobre o capítulo 1, confirma-se que as redes sociais são meios democráticos e econômicos para os artistas promoverem seus trabalhos. O que não elimina a presença da imprensa. Muito pelo contrário. Ela agora exerce o papel de selecionar no meio de tantas opções o que realmente vale à pena. O que é discutível – e, também, pode ser tema de um próximo estudo – são os critérios utilizados pelos jornalistas para selecionar algum artista em detrimento a outros. Já no capítulo 2, identificou-se que o pensamento de BENJAMIN sobre as cinco características que a obra de arte perde ao ser reproduzida em larga escala (autenticidade, aura, tradição, valor de culto e valor de eternidade) que algumas delas não desapareciam completamente. Por exemplo, em uma matéria publicada na página Artes Visuais onde aparecia a obra, ela não perdia sua autenticidade porque só existia um exemplar da mesma – que era o que estava em exposição na galeria – e justamente por isso, ela também não perdia sua aura e seu valor de eternidade aumentava. A tradição se perdia na medida em que os jornais não a contextualizavam. Já o valor de culto era ampliado: agora, além de ser contemplada „ao vivo‟ na galeria, ela também poderia ser contemplada em fotografias na imprensa. O que desaparece por completo é o valor de culto – uma vez que as obras contemporâneas são construídas para contemplação, e até mesmo interação, do público. Analisando o pensamento de HORKHEIMER e ADORNO sobre a indústria cultural − exploração mercantil da cultura – ela continua até hoje. E o que mais assusta, digamos assim, é que está tão internalizado que nem demos conta de que estamos consumindo cultura como mercadorias. Ou seja, o processo de formação de consciência dos indivíduos já foi afetado ao longo dos anos. Esse poderia ser outro desdobramento do estudo. Quando ADORNO apresentando a diferença entre cultura de massa e indústria cultural, ele mostra que a indústria cultural mistura elementos da cultura popular e da arte erudita criando produtos que agradam ao gosto médio, esvaziando a arte e reduzindo-a a novas possibilidades de aplicação de capital. A afirmação não foi confirmada no presente estudo, pois se notou a presença forte da cultura erudita sobre a cultura de massa. No entanto, em outros meios de comunicação – como a TV e o rádio – a afirmação de ADORNO é coerente. Já o pensamento de MERTON e LAZARSFELD mostra que os meios de comunicação de massa possuem um papel social uma vez que impactam sobre todos os indivíduos. Entre as


funções sociais atribuídas a eles, identificou-se nesse trabalho a atribuição de status. O reforço das normas sociais e a disfunção narcotizante não foram identificados na pagina Artes Visuais. Último autor a ser abordado no capítulo 2, KELLNER tece seu estudo na espetacularização da cultura a fim de conquistar audiência, poder e lucro. De certa forma foi identificado no objeto da análise à presença da espetacularização em alguns títulos (“Máquinas com alma”, “Invensão nos Escombros”, “O sonho dos trópicos”) e na escolha de algumas fotos (como a de Carlos Vergara em meio a escombros). Pode-se concluir então, que a página Artes Visuais cumpre sua função jornalística ao informar sobre artes. A forma de passar a informação está muito erudita, mas devemos levar em conta que o público que lê o jornal pertence às classes A e B. A diagramação da página é atraente, o uso de fotos está visualmente compatível com a quantidade de texto. Os títulos são instigantes e o tamanho das notas adequadas.


Lista, Sumário, Introdução e Considerações Finais