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BETH-SHALOM

www.Beth-Shalom.com.br

ABRIL DE 2007 • Ano 29 • Nº 4 • R$ 3,50

Bem-vindo à Palestina Pág. 20


índice 4

Prezados Amigos de Israel

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Algumas Promessas Gloriosas e Incomparáveis da Bíblia

Notícias de

ISRAEL É uma publicação mensal da “Obra Missionária Chamada da Meia-Noite” com licença da “Verein für Bibelstudium in Israel, Beth-Shalom” (Associação Beth-Shalom para Estudo Bíblico em Israel), da Suíça. Administração e Impressão: Rua Erechim, 978 • Bairro Nonoai 90830-000 • Porto Alegre/RS • Brasil Fone: (51) 3241-5050 Fax: (51) 3249-7385 E-mail: mail@chamada.com.br www.chamada.com.br Endereço Postal: Caixa Postal, 1688 90001-970 • PORTO ALEGRE/RS • Brasil Fundador: Dr. Wim Malgo (1922 - 1992) Conselho Diretor: Dieter Steiger, Ingo Haake, Markus Steiger, Reinoldo Federolf Editor e Diretor Responsável: Ingo Haake

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Diagramação & Arte: Émerson Hoffmann

Perfeita Injustiça: o Julgamento de Jesus Perante Pilatos

Assinatura - anual ............................ 31,50 - semestral ....................... 19,00 Exemplar Avulso ................................. 3,50 Exterior: Assin. anual (Via Aérea)... US$ 28.00 Edições Internacionais A revista “Notícias de Israel” é publicada também em espanhol, inglês, alemão, holandês e francês. As opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade dos autores.

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O Fascinante Mundo dos Hassidim - Parte 2

INPI nº 040614 Registro nº 50 do Cartório Especial

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Os Mistérios da Cabala

O objetivo da Associação Beth-Shalom para Estudo Bíblico em Israel é despertar e fomentar entre os cristãos o amor pelo Estado de Israel e pelos judeus. Ela demonstra o amor de Jesus pelo Seu povo de maneira prática, através da realização de projetos sociais e de auxílio a Israel. Além disso, promove também Congressos sobre a Palavra Profética em Jerusalém e viagens, com a intenção de levar maior número possível de peregrinos cristãos a Israel, onde mantém a Casa de Hóspedes “Beth-Shalom” (no monte Carmelo, em Haifa).

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HORIZONTE • Bem-vindo à Palestina - 20


“Se andardes nos meus estatutos, guardardes os meus mandamentos e os cumprirdes, então, eu vos darei as vossas chuvas a seu tempo; e a terra dará a sua messe, e a árvore do campo, o seu fruto” (Levítico 26.3-4). Em um país seco como Israel, no qual não chove durante todo o verão, ou seja, no mínimo por seis meses, acompanha-se durante todo o inverno as informações pluviométricas (medição das precipitações). A situação fica mais clara junto ao Lago Genesaré, cujo baixo nível está novamente causando preocupações. Em todo o mundo percebe-se que as condições climáticas estão se tornando extremas. Procura-se explicar o fenômeno com a poluição ambiental causada pelo ser humano. Naturalmente não devemos minimizar a influência humana sobre o meio ambiente, pois nem sempre agimos de forma responsável com a natureza e seus recursos. Além disso, também catástrofes naturais, como erupções vulcânicas, podem influenciar o meio ambiente de tal modo que o clima é afetado em toda a terra durante anos. Porém, o homem moderno procura respostas humanas para as causas das catástrofes naturais, para não ter de ouvir a voz de Deus por trás desses acontecimentos. Entretanto, até agora não se conseguiu encontrar qualquer influência humana que possa ser responsabilizada pelos terremotos e tsunamis (ondas gigantes provocadas por maremotos). Diante de tais catástrofes, a nós nada mais resta do que reconhecer nossa impotência diante do poder de Deus, que se manifesta através das forças da natureza. Deus prometeu repetidamente ao Seu povo Israel enviar-lhe a chuva a seu tempo, mas esse presente estava vinculado a certas condições. De modo geral, as chuvas não dependem de influências humanas. Sem dúvida, a ordem de Deus inclui o tratamento responsável da natureza, mas as prioridades dEle são diferentes das humanas. Em Levítico 26.3-4 Ele diz ao Seu povo: “Se andardes nos meus estatutos, guardardes os meus mandamentos e os cumprirdes, então, eu vos darei as vossas chuvas a seu tempo; e a terra dará a sua messe, e a árvore do campo, o seu fruto”. Nosso mundo foi criado de tal forma que é inevitável que chova: pelo calor dos raios solares a água evapora e ocorrem precipitações. Mas,

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claramente, as chuvas no tempo certo e na medida certa não estão garantidas automaticamente. Quando elas faltam ou são excessivas, o homem percebe quão dependente é de Deus. Somente Ele tem o poder de guiar o rumo das nuvens e dos ventos. A Bíblia indica que nos tempos finais, antes da volta do Filho do homem, as forças da natureza serão abaladas. O próprio Senhor Jesus também o disse em Seu sermão profético (veja Lucas 21.2526). A humanidade, porém, prefere ignorar as palavras do Filho de Deus, atribuindo o número crescente de catástrofes naturais à poluição ambiental. A razão principal, que é a “poluição” (o pecado) nos corações dos homens, não é levada em consideração. Cheio de gratidão pela Palavra de Deus, que nos abre os olhos para que vejamos também os acontecimentos na natureza pela perspectiva de Deus, saúdo com um sincero Shalom!

r Fredi Winkle

P.S.: A respeito, recomendo a leitura do artigo “Aquecimento global – A última chance de salvar o planeta?” no site www.Chamada.com.br.


Durante a primeira metade da Segunda Guerra Mundial, o general Douglas MacArthur foi forçado, pelos japoneses, a se retirar das Filipinas no cenário da guerra no Pacífico. Na sua despedida, ele fez a seguinte promessa ao povo filipino: “Eu vou voltar”. Pela força e poderio do exército dos Estados Unidos, o general MacArthur pôde cumprir a sua promessa. Se a humanidade pode fazer e cumprir promessas de resgate e libertação, quanto mais o nosso grande Deus no cumprimento daquelas promessas incomparáveis que Ele fez em Sua Palavra! Na verdade, Cristo nos avisou que um dia voltará e cumprirá as numerosas e grandiosas promessas sobre o glorioso futuro, reservadas para aqueles que O conhecem como seu Salvador. Por que as promessas são tão importantes para Deus? As promessas são importantes no plano de Deus para a história, porque Deus cumpre a Sua Palavra. A história é um registro da fidelidade de Deus em

cumprir Suas promessas. Assim, Deus se deleita em fazer promessas aparentemente impossíveis, de modo que Ele, através das mais difíceis circunstâncias, possa demonstrar que cumpre as Suas promessas. Pense no registro da fidelidade de Deus da próxima vez que você for tentado, pelas circunstâncias, a descumprir a sua palavra. Há três grandes promessas, feitas por Deus ao Seu povo, que eu gostaria de examinar neste artigo. Essas promessas são: a permanência de Israel, a Segunda Vinda de Cristo, e a vida eterna para os crentes em Cristo.

torno de Israel, Seu povo escolhido. Deus escolheu deixar a Sua marca ao longo de toda a história por intermédio de Israel. Foi através de Israel que Deus outorgou a Sua Lei, constituiu uma nação, fez com que a Sua presença habitasse entre os homens, mediou a Sua Palavra, e enviou o Salvador do mundo. No futuro, será através de Israel que Deus atuará na pregação do Evangelho por todo o mundo, determi-

O general Douglas MacArthur.

A Promessa da Existência Permanente de Israel As Escrituras deixam claro que a integridade de Deus na história gira em

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do moderno Estado de Israel, graças à influência positiva da posição dispensacional pré-milenista defensora de que Israel tem o seu futuro no plano de Deus. Contudo, existem aqueles na cristandade que negam o fato de que Israel ocupa um lugar permanente no plano de Deus. Essa perspectiva é conhecida como “Teologia da Substituição”. O que vem a ser a Teologia da Substituição? Essa teologia assume a postura de que a Igreja substituiu Israel, definitivamente, como o instrumento através do qual Deus opera, e de que o Israel nacional não tem As Escrituras deixam claro que a integridade de Deus qualquer futuro no plana história gira em torno de Israel, Seu povo escolhido. Na foto: crianças orando junto no de Deus. Isso tamao Muro das Lamentações. bém é conhecido pelo termo “supersessionismo”. Alguns teólogos da substituição talvez nará a Segunda Vinda, reinará por creiam que alguns judeus, indivimil anos em Jerusalém, estabelecerá dualmente, se converterão e serão a Sua glória eterna. Dessa maneira, inseridos na Igreja (algo que todos a promessa de Deus a Israel é que nós também cremos), mas eles não os judeus terão uma existência per- crêem que Deus cumprirá, literalmanente na história e por toda a mente, as dezenas de promessas do eternidade (Jeremias 31.35-36). Antigo Testamento que se referem Sem a permanência de Israel, a Se- a um Israel nacional que, no futugunda Vinda não poderia ocorrer, ro, se converterá totalmente. O pavisto que os israelitas têm de estar triarca reconstrucionista, R. J. em sua terra para que esse glorioso Rushdoony, utiliza uma linguagem evento possa acontecer. pesada ao declarar: A queda de Jerusalém, e a rejeição pública do Israel físico como poA Teologia da vo escolhido de Deus, significaram, Substituição também, a libertação do verdadeiro Hoje em dia, a maioria dos cristãos povo de Deus, a Igreja de Cristo, os evangélicos norte-americanos têm eleitos, do jugo de escravidão a Isum conceito elevado dos judeus e rael e a Jerusalém (...).1

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Uma outra heresia mancha as interpretações pré-milenistas das Escrituras – sua elevação do racismo a um princípio divino. Todos os esforços para trazer os judeus de volta às profecias, na qualidade de judeus, é atribuir à raça e às obras (pois a descendência racial é uma obra humana) uma prioridade sobre a graça e sobre a obra de Cristo, e isso não é puro paganismo (...). Não pode haver concordância com essa heresia cruel.2

O Desenvolvimento Histórico Como deveria acontecer, a natureza do futuro de Israel se tornou um “divisor de águas” na interpretação bíblica, causando a polarização de posições encontradas nos dias atuais. Hoje em dia, a maioria dos intérpretes de tradição reformada não crê num futuro Israel nacional, ainda que tenham sustentado tal posição durante os últimos 400 anos. Qual seria a razão de tal mudança? No começo da sistematização de qualquer posição teológica, os assuntos não estão plenamente desenvolvidos e não se mostram tão claros quanto nas épocas posteriores, em que a solidez de várias posturas doutrinárias surte o seu efeito. Portanto, para uma compreensão madura de qualquer questão teológica, é natural que se leve à polarização de pontos de vista, como um resultado da interação e do debate entre posições diferentes. A posição reformada inicial incluía uma combinação de algumas passagens do Antigo Testamento que eram interpretadas literalmente (ou seja, aquelas que indicavam uma futura conversão de Israel como nação) e outras passagens que não eram abordadas literalmente (isto é, aquelas que tratavam dos detalhes quanto à proeminência de Israel durante um futuro período da his-


tória). Por um lado, aqueles que “bateram na tecla” de uma compreensão literal de Israel, a partir do Antigo Testamento, com o passar do tempo se tornaram mais coerentes na aplicação de tal abordagem a todas as passagens que se referem ao destino de Israel. Por outro lado, aqueles que pensavam que o literalismo tinha ido longe demais, se afastaram, por completo, de qualquer resquício de literalidade que ainda pudessem ter, e argumentavam que a Igreja cumpre as promessas feitas a Israel; por conseguinte, pensavam eles, não havia necessidade de um Israel nacional no futuro. Além disso, a interpretação não-literal foi vista como uma ferramenta com a qual os liberais negavam os fundamentos da fé cristã. Conseqüentemente, ao tempo da Segunda Guerra Mundial, o Dispensacionalismo chegou, de fato, a dominar os evangélicos que viam a interpretação literal da Bíblia como uma base de defesa da ortodoxia. Depois da Segunda Guerra Mundial, muitas das batalhas entre o fundamentalismo e o liberalismo começaram a arrefecer. Tal ambiente fazia concessões, estigmatizando menos a interpretação não-literal dentro dos círculos conservadores. Contudo, hoje em dia, à medida que observamos um declínio da interpretação literal dentro do evangelicalismo, como um todo, vemos uma erosão no apoio que eruditos evangélicos davam à atual nação de Israel.

O Estado de Israel Moderno O grande indicador divino de que todas as outras áreas do desenvolvimento mundial são profeticamente significativas está no fato de que os últimos 100 anos assistiram a um reajuntamento de Israel procedente

de todas as partes do mundo e o seu restabelecimento como nação. O Estado de Israel está agora situado no cenário exato necessário para a revelação do Anticristo e para o início da TribulaDos muitos fenômenos peculiares que caracterizam a presente ção. O Dr. geração, quando se trata de profecia bíblica, poucos eventos Walvoord podem se nivelar em grau de importância ao retorno de Israel à sua terra. Na foto: mulheres junto ao Muro das Lamentações. declara: Dos muitos fenômenos peculiares que caracterizam a presente gera- de benção nacional, terá que pasção, quando se trata de profecia bí- sar, primeiro, pelo fogo da Grande blica, poucos eventos podem se nive- Tribulação (Deuteronômio 4.30; lar em grau de importância ao retor- Jeremias 30.5-9; Daniel 12.1; Sofono de Israel à sua terra. Tal fato nias 1.14-18). Ainda que os horroconstitui-se numa preparação para o res do “Holocausto” sob as ordens fim desta era, o cenário da volta do de Hitler já foram de uma extensão Senhor para a Sua igreja, e o cum- inimaginável, a Bíblia mostra que primento do destino profético de Is- um tempo de sofrimento muito pior rael.3 espera por Israel durante a TribulaAquilo que se crê sobre o futuro ção. O anti-semitismo atingirá o seu de Israel é da maior importância auge, desta vez em proporções glopara que uma pessoa compreenda a bais, pelo qual dois terços da popuBíblia. Eu creio, sem sombra de dú- lação judaica mundial será morta vida, que as promessas feitas ao Is- (Zacarias 13.7-9; Apocalipse 12). rael nacional no Antigo Testamento Deus protegerá o Seu remanescente se cumprirão, literalmente, no futu- durante aquele período, de modo ro. Em outras palavras, a Bíblia en- que, antes do Seu Segundo Advensina que Deus traria os judeus de to, “todo o Israel será salvo” (Romavolta à sua terra, antes do começo nos 11.26). Na realidade, o propóda Tribulação (Isaías 11.11-12.6; sito de Deus em resgatar Israel fisiEzequiel 20.33-44; 22.17-22; Sofo- camente da perseguição mundial nias 2.1-3). Tal promessa já tem se durante o Armagedom está incluído tornado uma realidade concreta e o na Segunda Vinda (Daniel 12.1; palco já está montado como um re- Zacarias 12-14; Mateus 24.29-31; sultado da existência atual do mo- Apocalipse 19.11-21). derno Estado de Israel. A Bíblia Se o Israel nacional é uma “vaga também assinala que, antes que Is- lembrança” na história, então tudo rael ingresse naquele seu momento isso, obviamente, está errado. En-

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volta de Jesus procissão de anjos e santos ou exérCristo ao planeta citos celestiais no intuito de reivinTerra será o even- dicar o Seu direito sobre a terra, de to mais importan- destruir os exércitos do mundo, e te que acontecerá de derrotar o Anticristo e o Falso no futuro. Mas o Profeta. que sabemos soEssa passagem mostra que a volbre a vinda de ta de Cristo resultará em grande Cristo? Seria ape- destruição física e muitas mortes. nas uma esperan- Para os que não pertencem a Crisça emotiva e uma to, será um evento medonho e aterpropaganda sensa- rador. Para aqueles de nós que O cionalista históri- conhecemos como nosso Salvador, ca, ou existe algu- será um momento de grande alema afirmação cla- gria, vingança, e expectativa. ra e certa da parte A Bíblia representa a trajetória Ainda que os horrores do “Holocausto” sob as ordens de Hitler já foram de uma extensão inimaginável, a Bíblia de Deus sobre es- da vida de Cristo girando em torno mostra que um tempo de sofrimento muito pior se evento? de dois aspectos principais. O texto espera por Israel durante a Tribulação. A promessa de Tito 2.11-14 menciona as duas profética da Se- aparições de Cristo na terra. A prigunda Vinda de meira fase se refere à Sua vinda em tretanto, a Bíblia diz que há um fu- Jesus Cristo à Terra é o assunto de humildade, a fim de morrer pelos turo preparado para Israel e que os muitas passagens, tanto no Antigo pecados da humanidade. A segunda eventos mundiais girarão em torno quanto no Novo Testamento. fase se refere ao tempo em que Ele dessa minúscula nação no centro da Quais seriam os textos mais eviden- voltará em poder e glória para reiterra. A atenção mundial já está vol- tes nessa questão? Alguns dos se- nar sobre a humanidade inteira. tada para Israel. Deus tem preserva- guintes textos estão incluídos: Deu- Num único versículo, a passagem do o Seu povo por uma razão e ela teronômio 30.3; Salmo 2; Isaías de Hebreus 9.28 explica e contrasta não é ruim. Apesar da história estar 63.1-6; Daniel 2.44-45; 7.13-14; as duas vindas de Cristo. O escritor progredindo de conformidade com Zacarias 14.1-4; Mateus 24-25; da Carta aos Hebreus declara: “aso projeto estabelecido por Deus pa- Marcos 13; Lucas 21; Atos 1.9-11; sim também Cristo, tendo-se oferecido ra Israel, vemos o ressurgimento da Romanos 11.26; teologia da substituição dentro dos 1 Tessalonicenmeios conservadores, que, sem dú- ses 3.13; 5.1-4; Embora muitos não percebam o seu significado, vida, será usada no futuro para ali- 2 Tessalonicena volta de Jesus Cristo ao planeta Terra será o evento mentar o fogo do anti-semitismo, tal ses 1.6-2.12; 2 mais importante que acontecerá no futuro. como foi utilizada no passado. A Pedro 2.1-3.17; sua perspectiva quanto ao futuro do Judas 14-15; Israel nacional não é apenas um te- Apocalipse 1.7; ma meramente acadêmico. 19.11-21. A descrição mais pictórica A Proda Segunda Vinmessa da da de Cristo se Segunda encontra em A p o c a l i p se Vinda de 19.11-21. Nessa Cristo Embora mui- passagem, Jesus tos não perce- Cristo é descrito bam o seu como Aquele significado, a que lidera uma

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experimenta- Seu plano. Qual deveria ser a resrão. A existên- posta do crente às promessas de cia eterna será Deus? O salmista corretamente comum aos re- aconselha: “Que darei ao Senhor por dimidos e aos todos os seus benefícios para comigo? n ã o - r e d i m i - Tomarei o cálice da salvação e invocados, mas os rei o nome do Senhor” (Salmo destinos serão 116.12-13). Quando pensamos no significatotalmente diferentes. Os do das gloriosas promessas que o crentes em nosso Senhor tem reservado para Se você confiou em Cristo, já tem a vida eterna no presente, a Cristo entra- nós como Seu povo, respondemos qual continuará por toda a eternidade no céu. Os crentes em rão no céu e com um coração cheio de gratidão. Cristo têm a esperança da vida eterna no céu junto estarão na pre- Devemos nos lembrar que, para o com o nosso Senhor para sempre. sença de crente em Cristo, esta vida atual na Deus; os des- terra é a pior coisa que nos ocorrerá crentes serão em toda a eternidade. Porém, para uma vez para sempre para tirar os pe- lançados dentro do lago de fogo os descrentes, esta vida atual será a cados de muitos, aparecerá segunda (Apocalipse 20.11-15). melhor coisa que eles experimentavez, sem pecado, aos que o aguardam Para aqueles de nós que confia- rão por toda a eternidade. Vamos para a salvação”. Jesus virá outra ram em Jesus Cristo como nosso reivindicar as preciosas promessas vez. Aí está uma gloriosa promessa Salvador, a promessa de vida eterna que Deus nos fez no presente, de e esperança para todos os crentes é concedida no momento em que modo que Ele nos faça aptos para a em Cristo. cremos. João afirma: “E o testemu- eternidade. (Pre-Trib Perspectives) nho é este: que Deus nos deu a vida Thomas Ice é diretor-executivo do Pre-Trib eterna; e esta vida está no seu Filho. Research Center em Lynchburg, VA (EUA). A Aquele que tem o Filho tem a vida; Ele é autor de muitos livros e um dos editores Promessa aquele que não tem o Filho de Deus da Bíblia de Estudo Profética. de Vida não tem a vida” (1 João 5.11-12); se você confiou em Cristo, já tem, enEterna Notas: Vida eterna é tão, a vida eterna no presente, a 1. Rousas John Rushdoony, Thy Kingdom Come: Studies in Daniel and Revelation, o presente de qual continuará por toda a eterniFairfax, Virgínia, E.U.A., Thoburn Press, Deus dado a dade no céu. Os crentes em Cristo 1970, p. 82. todos aqueles têm a esperança da vida eterna no 2. Rushdoony, Thy Kingdom Come, p. 134. John F. Walvoord, Israel in Prophecy, que crêem céu junto com o nosso Senhor para 3. (Grand Rapids: Zondervan Publishing Comem Jesus sempre. pany, 1964), p. 26. Cristo, tendo aceitado Sua oferta de salvação baseada em Sua morte e ressurreição (João 10.10; Efésios Conclusão 2.8-19). Na Bíblia, a expressão vida Qualquer pessoa faeterna enfatiza uma qualidade de miliarizada com a vida, qualidade esta que só pode ser Palavra de Deus Recomendamos: concedida pelo próprio Deus. Esta sabe que Ele tem vida certamente não faz de nós um um plano maraviDeus – somos e sempre continuare- lhoso para a histómos a ser criaturas; contudo, é uma ria e para o Seu poqualidade de vida que procede do vo. Essas são, de Deus que tem o atributo da eterni- fato, as gloriosas e dade. Portanto, a vida eterna não incomparáveis prodeveria ser confundida com a exis- messas através das Pedidos: 0300 789.5152 • www.Chamada.com.br tência sem fim ou eterna, que todos quais Ele executa o

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Craig L. Parshal

Um dia no tribunal

Ainda era cedo de manhã, mas Pôncio Pilatos, o governador romano da Judéia, já se deparava com uma lista cheia de causas a serem julgadas. Ele não queria ser incomodado com as intrigas do sumo sacerdote dos judeus e seu conselho de anciãos, o Sinédrio. Na Judéia sempre faz calor desde o início do dia e Pilatos já estava suado e irritado, antes mesmo que os membros do conselho judaico se apresentassem diante dele arrastando consigo aquele profeta judeu, pregador do deserto ou seja lá o que fosse. Pôncio Pilatos costumava ficar no palácio de Herodes quando visitava a cidade de Jerusalém. Era a ocasião em que os judeus celebravam uma de suas festas religiosas e ele começava a ter uma sensação de que esse era um caso do qual não conseguiria se esquivar. É verdade que ele odiava Jerusalém, bem como os judeus com seus costumes religiosos e suas prescrições insuportáveis, além de odiar a atitude obstinadamente defensiva desse povo no que dizia respeito ao seu templo. Porém, ele sabia que não podia correr o risco de melindrar o Sinédrio, sem dúvida, não agora. Afinal de contas, uma multidão de judeus se reunira do lado de fora do Pretório, junto com os principais sacerdotes e sua ordem religiosa de mestres da Lei. Eles não sairiam dali enquanto ele não julgasse o caso daquele sujeito chamado Jesus.

Quando Pilatos olhou para o acusado, que estava diante dele manietado e quieto, percebeu que uma “justiça brutal” já tinha sido administrada contra tal homem. As vestes de Jesus estavam rasgadas e era evidente que ele tinha sido espancado. Não há nada de estranho nisso, pensou Pilatos. A não ser por uma coisa. Algo relacionado com o comportamento daquele homem. Será que se poderia chamar aquilo de dignidade? Dificilmente. Um pregador errante; vestido de trapos. Bem, o que quer que fosse, começava a enervar Pilatos. O governador se sentia cada vez mais pressionado a tomar uma decisão. Mas aquele homem, em pé diante dele com um olhar sereno e implacável, sem um pingo de medo ou ansiedade, apesar de ensangüentado e de provavelmente ter que enfrentar a pena de morte, tornava a situação ainda mais difícil. Pilatos não podia ajudar; só conseguia relembrar seu histórico malsucedido em Jerusalém. Ele tinha sido convocado à Judéia para reassumir o controle da região. Seu antecessor, Arquelau, um dos filhos de Herodes, o Grande, cometeu um erro sórdido na tentativa de governar aquele território. Esse governante herodiano enviara suas tropas aos pátios do templo a fim de controlar uma rebelião violen-

ta e acabou por massacrar três mil pessoas. Poucas semanas depois, Arquelau ausentou-se tranqüilamente de Jerusalém para fazer uma viagem a Roma e outra rebelião estourou. Essa última insurreição foi, finalmente, subjugada pelos romanos, depois que estes crucificaram dois mil habitantes locais ao redor das muralhas da cidade. Pilatos pensava que podia fazer melhor. Afinal de contas, quando ele chegou a Jerusalém, pela primeira vez, na qualidade de governador, pensara consigo mesmo: César exige paz e ordem nos territórios de sua ocupação – e eu estou pronto a oferecer-lhe o que exige. Mas, então, a realidade chegou. Pilatos, na intenção de sufocar um distúrbio, teve de enviar tropas para dentro da área do templo, as quais mataram muitos galileus, de modo que o sangue destes, derramado sobre o piso pedregoso, acabou por se misturar com o sangue dos animais que tinham acabado de ser sacrificados. Em seguida, aconteceu o fiasco dos estandartes. Com o objetivo de fazer uma demonstração de força em Je-


Com o objetivo de fazer uma demonstração de força em Jerusalém e assumir o controle pela intimidação, Pilatos, na calada da noite, ordenou que suas tropas hasteassem estandartes ou bandeiras romanas no contorno de uma determinada área, todas elas com a imagem de César estampada.

rusalém e assumir o controle pela intimidação, Pilatos, na calada da noite, ordenou que suas tropas hasteassem estandartes ou bandeiras romanas no contorno de uma determinada área, todas elas com a imagem de César estampada. Ele nem se importou com o fato de que levantara imagens “idólatras” nas proximidades do templo. Como resultado, irrompeu outra rebelião. Dessa vez um enorme contingente de judeus marchou na direção norte até o quartelgeneral de

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Pilatos em Cesaréia e exigiu que os estandartes romanos com a imagem de César fossem removidos. Naquele momento, quando Pilatos deu ordens para que seus soldados se dirigissem contra a turba de judeus, os últimos homens da multidão descobriram seu pescoço, desafiando o governador a matá-los. Até mesmo os centuriões ficaram impressionados. Pilatos ficou ainda mais intimidado quando se lembrou da maneira pela qual teve de voltar atrás. Contudo, o que mais ele poderia fazer? A sobrevivência política nesse território abandonado da Judéia obviamente exigia sutileza diplomática, algo que ele considerava insultante. Ele preferia a força bruta. Era mais rápido – mais objetivo. Entretanto, Roma desejava a estabilidade naquela região. Agora Pilatos perguntava a si mesmo se algum dia isso seria possível. Ele encarou Jesus outra vez. Aquele judeu tinha acabado de confessar que era um “rei”. Mas Pilatos era esperto o suficiente para saber que aquele rabi (mestre) itinerante falava acerca de alguma espécie de reino religioso – não de um reino político. Os principais sacerdotes o constrangiam a usar sua autoridade para sentenciar o acusado à pena capital, pela alegação de que Jesus cometera traição. Porém, Pilatos sabia que, pelo rigor da lei romana, aquele homem não representava risco nenhum de provocar uma revolta. Então ele ouviu o grito de um dos escribas (ou era um dos sacerdotes? Talvez ele fosse ambas as coisas) que dizia algo sobre o modo pelo qual Jesus incitara o povo na Galiléia. Pilatos pensou: Herodes Antipas, o tetrarca da Galiléia, está aqui em Jerusalém para a festa. Esse Jesus procede do território que está sob a jurisdição de Herodes. Que Herodes

julgue esse caso. Por que deveria eu decidir tal questão? Nesse momento, ao dar novamente uma olhada em Jesus de Nazaré, o governador romano finalmente começou a esboçar um sorriso, que desapareceu de seu rosto quando ele contemplou os olhos fitos de Jesus nele como uma chama de fogo que arde no papiro seco, queimando a fina cobertura que ocultava as motivações políticas de Pôncio Pilatos.

Diz a história Esse enredo dramático pode ou não refletir com exatidão os mais íntimos pensamentos de Pilatos. Contudo, é coerente com o relato dos quatro Evangelhos e com consideráveis registros da história antiga acerca do julgamento romano de Jesus. Afinal, duvidar da historicidade do julgamento de Cristo perante Pilatos é o mesmo que questionar se a Suprema Corte dos Estados Unidos julgou o caso Dred Scott antes da Guerra da Secessão. A existência histórica do Sinédrio é evidente e a família dos Herodes está solidamente comprovada nos escritos do historiador judeu Flávio Josefo, o qual também escreveu sobre o julgamento de Jesus perante Pilatos. A identidade do governador romano é atestada até mesmo fora dos relatos bíblicos e nos registros de Josefo. Nos idos de 1950, numa escavação em Cesaréia, onde se localizava a residência oficial de Pilatos, descobriu-se uma inscrição em pedra. Embora uma parte dela tenha se perdido, as seguintes palavras ainda podiam ser lidas nitidamente: “Pôncio Pilatos, o Governador da Judéia”. Já ouvi a argumentação daqueles que duvidam da Bíblia, alegando


que a prática de Pilatos em conceder à multidão o direito de escolha, pelo voto verbal, entre Jesus e Barrabás, mencionada nos quatro Evangelhos, não era usual, nem histórica. Contudo, essa prática de indultar ou perdoar criminosos pelo voto popular realmente existiu. Um papiro do primeiro século (Papirus Forentinus), originário do Egito sob a ocupação romana, trouxe à luz que a mesma prática foi usada no ano 85 d.C.

Uma amizade misteriosa Entretanto, há uma pergunta intrigante que nem as Escrituras Sagradas nem a história responderam. Após Pilatos ter enviado Jesus a Herodes para que este desse continuidade ao processo judicial, por que razão a Bíblia declara: “Naquele mesmo dia, Herodes e Pilatos se reconciliaram, pois, antes, viviam inimizados um com o outro” (Lc 23.12). Será que Herodes simplesmente desejava ser cordial? Isso parece pouco provável. O antigo escritor Fílon [de Alexandria, c. 20 a.C. - 50 d.C.] relatou que certa feita Pilatos instalou seus escudos distintivos dourados no palácio de Herodes. Herodes Antipas, ultrajado por tal situação, registrou uma queixa perante Tibério César, o qual ordenou que Pilatos removesse seus escudos daquele palácio. Com essa inimizade amargurada entre eles, só mesmo um motivo extremamente interesseiro, que garantisse o benefício de ambos, poderia ter curado a ruptura. Então, será que houve, de fato, uma conspiração entre Herodes e Pilatos? Se a resposta for afirmativa, contra quem seria? Há uma possível explicação. Jesus permaneceu calado perante Herodes. Herodes o mandou de volta a Pilatos, porque não achou nele crime algum “digno de morte” (Lc

23.15). No entanto, segundo o texto de Atos 4.27, tanto Herodes quanto Pôncio Pilatos se voltaram contra Jesus. Ao harmonizaremse tais versículos, chega-se à seguinte possibilidade: Herodes, embora desejasse secretamente O processo judicial romano reconhecia o direito de ficar em livrar-se de silêncio e a inocência do acusado até que se provasse o qualquer pessoa contrário. Antigos registros daquela época, transcritos de processos civis romanos, demonstram uma semelhança (em especial, de impressionante com o processo judicial Jesus) que renas cortes de justiça atuais. presentasse uma ameaça às suas ambições políticas, talvez tenha pensado que podia dias depois, ressuscitou triunfalusar Jesus como um joguete, um mente. A tarefa de Pilatos, como goverpeão no seu magistral jogo de xadrez – com o intuito de dar o xe- nador romano, era a de exercer jusque-mate no poder crescente do su- tiça. Mesmo nos territórios de ocumo sacerdote e do Sinédrio. Ao pação romana esperava-se que a mesmo tempo, Pilatos queria sim- justiça prevalecesse. O processo juplesmente evitar mais uma decisão dicial romano reconhecia o direito impopular e pode ter visto Herodes de ficar em silêncio e a inocência do como um expediente de auxílio. acusado até que se provasse o conAfinal de contas, Pilatos era uma trário. Antigos registros daquela pessoa moralmente baixa, além de época, transcritos de processos civis romanos, demonstram uma semeser um pragmático cruel. lhança impressionante com o processo judicial nas cortes de justiça O grande veredito atuais: a presença dos advogados, A despeito dos motivos de am- a apresentação das provas dobos, nem Herodes nem Pilatos con- cumentais e testemunhais, seguiram o que desejavam. Hero- bem como a formulação des, posteriormente, foi deposto de elaborados argupor Calígula no ano 39 d.C. e Pila- mentos legais. Pitos, depois de muitos fracassos, foi latos, porém, substituído em sua função de co- desconsidemando por ordens de Roma. Todavia, Jesus, condenado sem razão e cruelmente crucificado, foi sepultado no túmulo de um homem rico e, três

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rou todas as salvaguardas, ao permitir – e até mesmo ordenar – a execução de um homem que ele mesmo já tinha declarado inocente de qualquer crime passível de morte (Lc 23.14-15,22). A última interrogação de Pilatos a Jesus registrada nos Evangelhos, pergunta essa que deve ter sido feita num tom de frustração e arrogância ultrajante, foi a seguinte: “Não sabes que tenho autoridade [poder] para te soltar e autoridade para te crucificar?” (Jo 19.10). Mas a resposta de Jesus a Pilatos deve ter penetrado até a medula, quando ele lembrou ao governador romano que Deus é o Outorgante Supremo da autoridade (v. 11). A partir de então, Pilatos redobrou seus esforços para evitar que o fiasco legal e político se desenrolasse na sua presença, mas tudo foi em vão (v. 12). Entretanto, Jesus não foi morto por causa do fracasso de Pilatos em exercer justiça, nem por causa da

conspiração de Herodes, nem mes- por Jesus, de ser ele o Messias, o mo em virtude da má fé de seus Filho de Deus em carne, o Salvaacusadores ligados ao Sinédrio. O dor, a perfeita e definitiva oferta pesangue de Jesus foi voluntária e lo pecado, será que nós – eu e você propositalmente “derramado em fa- – temos retribuído a Jesus “o que vor de muitos, para remissão de peca- lhe é devido”? (Israel My Glory) dos” (Mt 26.28). O princípio fundamental da justiça romana espelhava-se numa máxima popular (a qual, posteriormente, foi coligida nas Institutas de Craig Parshall é advogado de sucesso em Justiniano) que Pilatos, sem dúvida, Washington, D.C. (EUA) e autor de vários liEle é casado com Janet Parshall, apreconhecia, mas optou por ignorar: vros. sentadora de um conhecido programa de en“A justiça é o propósito determina- trevistas. do e constante de retribuir a cada um o que Recomendamos: lhe é devido”. Assim, portanto, também há uma decisão pessoal diante de cada um de nós: após considerarmos as Pedidos: 0300 789.5152 • www.Chamada.com.br alegações, feitas

O Fascinante Mundo dos

Hassidim

O rabino Israel Ben Eliezer, conhecido pelo cognome Ba’al Shem Tov (i.e. “Mestre do Bom Nome”), é um personagem tão importante na história judaica que até hoje seu nome desperta admiração e respeito, especialmente entre os judeus ultra-ortodoxos – os hassidim. Na realidade, é impossível que alguém compreenda o movimento hassídico sem entender um pouco acerca do rabino Israel Ben Eliezer. Geralmente chamado pelo acrônimo Besht, o rabino Israel nasceu

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Parte 2 Steve Herzig

no ano de 1700 em Okup, uma aldeia da Ucrânia. Na época de seu nascimento, seus pais já eram de certa idade e vieram a falecer quando ele ainda era uma criança. O povo de sua aldeia sentiu-se na responsabilidade de cuidar dele e prover-lhe alimento, roupas e formação religiosa. Quando jovem, ele trabalhou como um shamash [i.e. um assistente de líder religioso judaico] na sinagoga daquela localidade. Ele ensinava o alfabeto hebraico às crianças

menores, bem como as orientava a recitar orações simples, enquanto usava seu tempo livre para estudar os livros místicos da Cabala (veja o


O rabino Israel ben Eliezer, o Ba’al Shem Tov (Besht), fundador do hassidismo.

artigo “Os Mistérios da Cabala” nesta edição). Após se casar, mudou-se para a região dos montes Cárpatos, onde vivia uma vida de condição humilde, sustentada pela atividade de extração de cal [i.e., óxido de cálcio] e de vendê-lo nas aldeias da redondeza, enquanto mantinha sua mente livre para a oração e a meditação. Numa pousada dirigida por sua esposa, Israel mantinha contato com muitos hóspedes, os quais ficavam impressionados com sua sabedoria e devoção. Ele ensinava por meio de histórias simples e parábolas que atraíam o interesse da maioria das pessoas. O rabino continuou a estudar a Cabala, a orar e a meditar. O uso que ele fazia de ervas medicinais fez com que sua reputação aumentasse, a ponto de surgirem várias histórias acerca de seu poder miraculoso de cura. Segundo a escritora Deborah Pessin, “Israel sempre irradiava contentamento e felicidade; as pessoas vinham a ele quando estavam com problemas, quando necessitavam de ajuda ou conselho”.1 Embora tivesse pouca escolaridade e treinamento formal, não demorou

muito para que as pessoas se diri- acadêmico estão em segundo lugissem a ele como mestre, ou mes- gar”.3 O Besht não rejeitava os intemo, rabino. Sua orientação pessoal lectuais, mas também não atendia floresceu desdobrando-se em men- às expectativas deles. Pelo contrásagens repletas de esperança e ale- rio, ele modificou e popularizou o gria, de forma que as pessoas judaísmo para as massas. Lis Harafluíam em multidões para ouvi-las. ris, em seu livro intitulado Holy Dizem que ele tratava doenças, cu- Days [i.e. Dias Sagrados], apresenta rava enfermidades e, até mesmo, a seguinte explicação: O Besht e seus seguidores nunca expelia demônios. Paul Johnson, em seu livro intitulado A History of rejeitaram uma única doutrina da Orthe Jews [i.e. Uma História dos Ju- todoxia. Eles, naturalmente, introduziram certas inovações, dentre estas a deus], escreveu: À semelhança de John Wesley de permitir que os horários de ora[fundador do Metodismo], Israel via- ção fossem alterados para que as java por todo o país. Ele fazia inscri- pessoas pudessem orar com menos ções em talismãs, curava e purificava pressa e, como se esperava, com pessoas possessas de espíritos malig- mais sentimento; a de eliminar dos nos [...] Porém, acima disso, ele tinha cultos a figura do cantor-mor, o qual carisma: homens e mulheres se sen- cumpria uma parte extensa da vida litiam capazes de ter aspirações me- túrgica da sinagoga, de modo que lhores ou comportamento mais puro qualquer homem piedoso pudesse liem sua presença. Essa impressão de derá-la; e a de declarar que a dança intensa santidade, apesar da simplici- e a música cantada eram maneiras dade, era reforçada por suas curas, próprias de se expressar entusiasmo sempre espetaculares; por seus so- religioso.4 nhos, nos quais ele predisse eventos com exatidão; por seus estados Com o intuito de anunciar o tradicional início da místicos e pelos milagres Páscoa, judeus ultra-ortodoxos, residentes em Boro Park, no Brooklyn (Nova York/EUA), queimam todos a ele atribuídos.2 os tipos de produtos da panificação fermentada, proibidos durante a festividade sagrada.

Na Busca de um “Estado de Espírito Mais Elevado” O ensino do rabino Israel enfatizava a intimidade com Deus, uma posição que parecera inalcançável para os pobres e ignorantes camponeses. Além disso, ele cria na concepção radical de que uma pessoa não precisava ter certa escolaridade para ser íntima de Deus. Ele acreditava que “estudo intelectual e conhecimento

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Muitas crenças e procedimentos dos hassidim têm claros vínculos ocultistas, reprovados severamente pelas Escrituras. Na foto: um anel de proteção.

Ele também adotou um tipo de panenteísmo bíblico, o qual afirma que Deus está em tudo o que criou [N.T., não confundir com o panteísmo, o qual declara que “Deus é o mundo e o mundo é Deus”. O panenteísmo crê que Deus está no mundo assim como a alma ou a mente está no corpo humano]. Ele ensinava, escreve Pessin, que “Deus estava em tudo, em qualquer coisa que o ser humano tocasse, sentisse ou visse. Orações simples eram suficientes para se alcançar a Deus, desde que o coração da pessoa estivesse nas orações”.5 O Ba’al Shem Tov queria que seus seguidores orassem em voz alta, lessem em voz alta e cantassem em voz alta, a fim de produzir um estado de espírito mais elevado. O escritor Haim Hillel Ben-Sasson explicou: A oração era o seu principal acesso místico e extático à presença de Deus [...] Especialmente em momentos de empolgação, ele entrava num estado de exaltação mística – aliyyat neshamah – do qual fez des-

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crições em termos reais. Eventos futuros e personalidades passadas, tanto boas quanto más, eram mostrados a ele em sonhos. Nos contos tradicionais ele é retratado em conversas e encontros com pessoas, até mesmo com mulheres [...]. Nunca ele é descrito como alguém que prega numa sinagoga. Os ensinamentos do rabino Israel não apresentam nenhum indício da erudição talmúdica, de modo que seus opositores o criticavam por essa omissão e por sua preocupação com curas, inscrição de talismãs, bem como por suas relações com pessoas simples.6

Ele encorajou seus seguidores a viverem o “agora”; a serem alegres agora, a orarem agora e a se achegarem a Deus agora, nas coisas comuns do dia-a-dia. Ele chamou esse princípio de devekut (i.e. “adesão”; “apego”).7 Segundo escreveu Avraham Rubenstein, o Ba’al Shem Tov cria que “o homem deve adorar a Deus e se apegar a Ele não somente quando pratica atos religiosos e obras piedosas, mas também nos seus afazeres diários, nos seus negócios e relações sociais, pois um homem que está ocupado com necessidades materiais e que mantém seu pensamento apegado a Deus será abençoado”.8 No intuito de se contrapor à desilusão causada pelos impostores messiânicos, o rabino Israel os tirou do foco de atenção das pessoas, sem, contudo, eliminar a pessoa do Messias. Ele deu ênfase à salvação da alma. Sua missão na vida parecia originar-se de um sonho, durante o qual ele fazia esta pergunta a alguém que, segundo ele, era o Messias: “Quando tu voltarás, Mestre? E ele me respondeu: Quando teu ensino se tornar conhecido e revelado ao mundo e sua fonte se propagar [...] e todos possam experimentar a mesma ascensão espiritual que experimentas”.9

O misticismo continua a existir em abundância no hassidismo dos dias atuais. Por exemplo, muitos seguidores de Lubavitch [i.e. membros da seita judaica hassídica dos Lubavitchers], crêem que se comunicam com seu falecido líder, o rabino Menachem Mendel Schneerson, que morreu em 1994. Quando têm questões importantes a serem decididas ou respondidas, eles as escrevem numa folha de papel e, em seguida, colocam-nas dentro de um livro que se encontra na sede da seita em Crown Heights, Nova York (EUA). Mais tarde, ao retirarem o papel com as perguntas ali escritas, eles dizem que já têm sua resposta da parte do rabino Schneerson. É evidente que as Escrituras Sagradas condenam tais práticas, como se pode ler: “...acaso não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos?” (Is 8.19). O Besht não negligenciou o estudo da Torá, todavia ele não a estudava pelo modo convencional. Ao enfatizar as letras que formam as palavras, em vez de dar ênfase ao conteúdo das mensagens, ele cria que as próprias letras continham um significado oculto e que, enquanto alguém não entendesse tal significado, não seria capaz de compreender as palavras formadas por aquelas letras. Para entrar naquilo que ele denominava “saguões celestiais” da oração, o Besht cria que um homem tinha de “aniquilar sua personalidade e se tornar algo sem nenhum valor, uma nulidade”. Paul Johnson explica: “Dessa maneira, ele cria um vácuo que é preenchido por uma espécie de ser sobrenatural, o qual age e fala por ele [...] Eu deixo a boca falar tudo o que ela quiser dizer”.10 O Besht chegou ao desenvolvimento dessa crença pelo estudo da


mosos adotaram esse aspecto específico do hassidismo.

Vida Familiar e Adoração

Madonna em uma reunião sobre a Cabala em Israel.

Cabala. Ao surgir como um tipo de teologia por volta do ano 1200 d.C., a Cabala, termo originário de uma palavra hebraica que significa “tradição”, atraiu a atenção do Besht porque tirava a ênfase dada aos livros sagrados e salientava que as próprias letras, números e, até mesmo, sinais de acentuação, são chaves codificadas para o conhecimento. Hoje em dia, Britney Spears, Madonna, Demi Moore e outros fa-

O hassidismo estabelece uma nítida distinção entre os papéis de homens e mulheres. Os homens são líderes espirituais e políticos, enquanto as mulheres são as que cuidam dos filhos a que deram à luz e das casas que mantêm. As mulheres devem agir e se vestir com decência. A educação fundamentase na hierarquia. Os meninos são colocados em primeiro lugar, classificados por suas habilidades intelectuais no que diz respeito à Bíblia, ao Talmude e a outros escritos sagrados. As meninas, porém, não precisam se preocupar com tais detalhes. Na comunidade dos hassidim, poucas mulheres possuem curso superior. Quando jovens, os meninos e as meninas são mantidos

separados e não há nenhum estímulo para qualquer convivência interativa entre os sexos. Em momentos de adoração, existe uma divisória física que separa homens e mulheres. A maioria dos casamentos é arranjada entre as famílias. Um bom partido seria o filho estudioso de um rabino piedoso. As capacidades atléticas e a beleza física não recebem muita importância. O Besht fez das reuniões hassídicas um espetáculo em si mesmas. São reuniões barulhentas, repletas de orações em voz alta, cânticos estridentes, salvas de palmas e danças. Isso provoca uma animação e entusiasmo para adorar, de que as pessoas gostam muito. Os adoradores são estimulados a agir conforme as palavras do Salmo 35.10: “Todos os meus ossos dirão: Senhor quem contigo se assemelha?” O Besht ensinou que o sapateiro, o lenhador, o alfaiate e o tecelão deviam dançar e se alegrar porque Deus os aceita da maneira que são. (Israel My Glory) [continua] Steve Herzig é diretor de The Friends of Israel na América do Norte.

O hassidismo estabelece uma nítida distinção entre os papéis de homens e mulheres. Na foto: famílias hassídicas.

Notas: 1. Deborah Pessin, The Jewish People. Nova York: United Synagogue Commission on Jewish Education, 1953, vol. 3, p. 101. 2. Paul Johnson, A History of The Jews. Nova York: Harper & Row, 1987, p. 296. 3. Haim Hillel Ben-Sasson, “Israel Ben Eliezer Ba’al Shem Tov”, publicado na Encyclopaedia Judaica, edição em CD-ROM. 4. Lis Harris, Holy Days: The World of a Hasidic Family. Nova York: Summit Books, 1985, p. 52. 5. Pessin, vol. 3, p. 102. 6. Encyclopaedia Judaica. 7. Avraham Rubenstein, “Israel Ben Eliezer Ba’al Shem Tov”, publicado na Encyclopaedia Judaica, edição em CD-ROM. 8. Ibid. 9. Ibid. 10. Johnson, p. 297.

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O

misticismo – a busca da verdade suprema através de rituais misteriosos e experiências subjetivas – há séculos exerce fascínio sobre a humanidade. Sob a alegação de proporcionar uma compreensão mais profunda dos segredos complexos e enigmáticos do Universo, o misticismo promete aos interessados a sua inclusão num grupo de elite, seduz ao oferecer garantias de elucidar o sentido da vida e fascina com a promessa de levar a pessoa a uma relação mais íntima com Deus. Durante toda a história humana, as culturas têm produzido suas versões do misticismo. O povo judeu não é exceção. A forma mais influente e expressiva de misticismo judaico se desenvolveu em Israel, na Babilônia e em certas regiões da

Europa, entre os séculos X e XVIII d.C. Em grande parte, originou-se de uma reação contra o judaísmo estéril e filosófico daqueles dias. Ela ficou conhecida como Cabala (“Tradição”). O rabino Meyer Waxman descreveu a Cabala como “uma síntese desordenada de todos os elementos do misticismo que sempre achou expressão no judaísmo”.1 Na verdade existem duas correntes de pensamento na Cabala: a prática e a especulativa. A Cabala prática enfoca o uso de fórmulas místicas para realizar milagres ou obras sobrenaturais. Através da manipulação dos nomes de Deus, de anjos e das próprias letras de palavras da Torah [a Lei ou Pentateuco], a Cabala prática alega que certas combinações podem ser feitas para produzir qualquer feitiço, encantamento ou resultado que se deseje, seja a cura de um doente, seja o sucesso nos negócios. A Cabala especulativa, que incorpora e se impõe sobre a Cabala prática, é

As dez sephiroth juntas são simbolicamente representadas pela figura de um corpo humano, ou pela árvore da vida, ou por círculos concêntricos, ou ainda, pela luz em suas diversas gradações.

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mais teórica. Ela lida com certas questões, tais como, a maneira pela qual um Deus infinito pode criar e se relacionar com um mundo físico e finito. Segundo a Cabala, a resposta para tal questão é: através da mediação. A mediação é efetuada por intermédio de anjos, bem como por intermédio das dez emanações de Deus, denominadas sephiroth. Essas sephiroth, conforme escreveu o rabino Waxman, “são manifestações tanto da essência [de Deus] quanto dos agentes de Sua vontade” na terra. É por meio dessas manifestações que o mundo não apenas veio a existir, como também tem sido preservado, organizado e governado”.2 As dez sephiroth juntas são simbolicamente representadas pela figura de um corpo humano, ou pela árvore da vida, ou por círculos concêntricos, ou ainda, pela luz em suas diversas gradações. Outra influente doutrina da Cabala é a concepção de que tudo possui dois poderes ou energias inerentes: a ativa e a passiva; simbolizadas por macho e fêmea. A Cabala apregoa que a própria alma humana constitui-se tanto de uma parte


O Kabbalah Centre em Los Angeles, na Califórnia (EUA).

masculina, quanto de outra parte feminina. [Os adeptos crêem que] a alma preexistente, ao descer dos mundos superiores, se subdivide nessas duas partes – a parte masculina entra num homem e a parte feminina entra numa mulher. Se um homem vive uma vida justa, ele se casará com aquela mulher que possui a outra parte de sua alma, ou seja, a sua “alma gêmea”. A principal obra escrita da Cabala é o Zohar (“Esplendor”), um enigmático comentário da Torah, cuja ênfase recai na busca de um significado oculto ou místico que esteja além do sentido normal e literal do texto bíblico. O povo judeu já estuda a Cabala há muito tempo, contudo, nas últimas quatro décadas o interesse por ela cresceu significativamente, especialmente entre certos artistas de Hollywood, como Madonna, por exemplo, que assumiu publicamente ser praticante da Cabala. O estilo “pop” da Cabala dessas celebridades, defendido por uma organiza-

e os homens, Cristo Jesus, homem” (1 Tm 2.5). No que diz respeito aos segredos, o apóstolo Paulo lembra aos crentes em Cristo de Colossos que nenhum segredo místico pode ter a pretensão de se comparar ao segredo revelado por Deus, a saber, Jesus, o Messias, “em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Cl 2.3). Moisés declarou: “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Dt 29.29). Há certas coisas que Deus reservou para Si e não revelou. Entretanto, não temos necessidade de nos preocupar com elas. Pelo contrário, nossa atenção e obediência devem estar voltadas para aquilo que Ele revelou em Sua Palavra escrita. Deus planejou para nós o ensino claro das Escrituras, não esse amontoado de bobagens sutis reservado a poucos de uma “elite” (1 Tm 6.20; 2 Tm 1.13). (Israel My Glory)

ção sem fins lucrativos sediada em Los Angeles denominada The Kabbalah Centre [Centro da Cabala], tem sido censurado pelos cabalistas tradicionais pelo fato de franquear os ensinos secretos da Cabala aos Bruce Scott é representante de The Friends of que não são judeus e por banalizar Israel em New Hope, Minnesota (EUA). suas doutrinas. Os tradicionalistas também criticam o Kabbalah Centre por sua visão comercial e busca de lucros (por exemplo, por vender amuletos da sorte, tais como o poNotas: pular cordão vermelho que está na 1. Meyer Waxman, A History of Jewish Literature: From the Close of the Bible to Our última moda, ou a pulseira dobrável Own Days, 2ª ed., Nova York: Bloch Publisque se ajusta ao pulso para proteger hing Co., 1943, vol. 2, p. 383. do “mau-olhado”; e por fazer pro- 2. Ibid., p. 362. paganda de uma nova bebida energética cabalística). Recomendamos: A Cabala contraria totalmente os ensinos da Bíblia. No que se refere à mediação, a Palavra de Deus declara: “Porquanto há um só Deus e um só Pedidos: 0300 789.5152 • www.Chamada.com.br Mediador entre Deus

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Bem-vindo à Palestina No mundo da diplomacia internacional poucos assuntos recebem mais apoio, em qualquer lugar, do que a noção de que é essencial estabelecerse um Estado palestino. Os líderes mundiais estão tão ocupados em dizer como é essencial criar um Estado da Palestina, que nenhum deles parece ter notado que ele já existe. Esse Estado foi fundado oficialmente no verão de 2005, quando Israel removeu suas forças militares e a população civil da Faixa de Gaza e então estabeleceu o primeiro Estado palestino completamente independente da história. A destruição, por parte de Israel, de quatro comunidades israelenses no Norte de Samaria e a redução de suas operações militares na área, estabeleceram condições de Estado também naquela região. E assim aconteceu que, enquanto os estadistas e ativistas em todo o

mundo, proclamavam ruidosamente seu compromisso em estabelecer o Estado soberano da Palestina, eles não perceberam o fato de que a Palestina já existe. E ela é um pesadelo. No Estado da Palestina, 88% do público sente-se inseguro. Talvez os outros 12% sejam membros da multidão de milícias regulares e irregulares. Porque no Estado da Palestina a relação entre policiais/milicianos/homens-armados e civis é mais alta do que em qualquer outro país do mundo. No Estado da Palestina, crianças de dois anos são mortas e ninguém se importa. Crianças são acordadas no meio da noite e assassinadas na frente de seus pais. Fiéis nas mesquitas são abatidos a tiros por terroristas que freqüentam mesquitas rivais. E ninguém se preocupa. Nenhum grupo de direitos humanos internacional publica relatórios exigindo o fim da matança. Nenhum órgão da ONU condeNo verão de 2005 Israel removeu suas forças militares e a na qualquer pessoa ou população civil da Faixa de Gaza e então estabeleceu envia uma missão pao primeiro Estado palestino completamente independente ra descobrir os fatos e da história. Na foto: um colono judeu repreende um oficial investigar os assassiisraelense responsável por entregar ordens de despejo no natos. assentamento de Morag. No Estado da Palestina, as mulheres são despidas e forçadas a caminhar nas ruas para humilhar seus maridos. Ambulâncias são paradas a caminho dos hospitais e os feridos são mortos a sangue frio. Terroristas entram em salas de operação em hospitais e desconectam os pa-

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cientes dos aparelhos que os mantêm vivos. No Estado da Palestina, as pessoas são seqüestradas de suas casas em pleno dia e na frente das câmeras de televisão. Isso ocorre porque os seqüestradores são eles próprios operadores de câmeras de TV. Na verdade, seus chefes freqüentemente comandam estações de televisão. E uma vez que os chefes do terror comandam estações de televisão no Estado da Palestina, o fato deles bombardearem as estações dos seus rivais não deveria surpreender ninguém. Assim sendo, recentemente, terroristas deste ou daquele grupo bombardearam a estação de televisão Al Arabiya em Gaza. Desse modo, o Hamas ataca anunciantes da rádio da Fatah e fecha sua estação, acusando-os de usar seus microfones para incitar assassinatos. Porque, de fato, eles estavam mesmo incitando assassinatos. O que se espera que terroristas façam quando colocados no comando de uma estação de rádio? No Estado da Palestina, os jornalistas – quer sejam membros de grupos terroristas ou não – fazem parte dos 88% do seu público que tem medo. Há algum tempo, eles protestaram, do lado de fora dos escritórios de uma ou outra facção terrorista, que controla a Autoridade Nacional Palestina (ANP). Falando para o jornal The Jerusalem Post, a repórter Ala Masharawi explicou: “Ninguém sai, ninguém se move sem pensar duas vezes. As ruas de Gaza se tornaram ruas terríveis, especialmente à noite. Gaza é uma ‘cidade fantasma”’. Como o jornalista Khaled Abu Toameh, do Post, escreveu, no Estado da Palestina, os cristãos são perseguidos, roubados e espancados, no que só pode ser visto como uma campanha sis-


Horizonte temática para terminar com a presença cristã em lugares como Belém. Como Samir Qumsiyeh, dono da estação de TV particular Al-Mahd, estabelecida em Beit Sahur (Natividade), lamentou: “Acredito que daqui a 15 anos não haverá mais nenhum cristão em Belém. Então você precisará de uma tocha para achar um cristão aqui”. Muitos ministros do governo e comentaristas políticos buscam significado estratégico na disputa que ocorre no Estado da Palestina. A ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, por exemplo, fala sem parar sobre a necessidade de fortalecer os “moderados” – isto é, o grupo terrorista Fatah – frente aos “extremistas” – ou seja, o grupo terrorista Hamas. O presidente da ANP e chefe da Fatah, Mahmoud Abbas, está ajudando-a a propor esse contra-senso. Abbas e seus homens contam aos ocidentais o quanto são pró-ocidentais, ao mesmo tempo em que nomeiam ruas e escolas, financiadas com a ajuda dos EUA, em homenagem a Saddam Hussein e constroem instalações esportivas, com o dinheiro dos contribuintes americanos, em memória de terroristas que mataram soldados americanos no Iraque. Pela milionésima vez os porta-vozes da Fatah no escritório do presidente da ANP, Mahmoud Abbas, culparam o Irã e a Síria pela escalada da violência em Gaza, na Judéia e Samaria, que, em quatro dias, matou 29 pessoas, incluindo duas crianças. “O Irã e a Síria estão encorajando o Hamas a continuar lutando contra a Fatah”, alegaram eles. Há pouco tempo o Shin Bet (serviço de segurança interno de Israel) prendeu Omar Damra, um terrorista da Fatah em Nablus... Damra e seu parceiro e companheiro terrorista Mahmad Ramaha, que foi preso há um mês atrás, estavam trabalhando sob as instruções do Hezb’allah (Partido de Alá) – isto é, sob o comando do

Irã. De acordo com o Shin Bet, o Hezb’allah – ou seja, o Irã – assumiu as operações da Fatah em Nablus. Desde a retirada de Israel do Norte de Samaria, em agosto de 2005, o Shin Bet observou que, como Gaza, a região de Nablus se tornou um peRecentemente, terroristas bombardearam a estação queno Afeganistão. de televisão Al Arabiya em Gaza. De modo que, não apenas os terroristas do Hamas estão operando hoje sob as ordens piorando. E ainda assim, a pressão iniranianas e sírias, mas também os ter- ternacional dos árabes, dos europeus roristas da Fatah. Mesmo assim, isso e dos EUA sobre Israel, para ceder não faz com que os EUA e Israel inter- mais territórios, restringir sua autorirompam o fluxo de armas e dinheiro dade, retirar suas reivindicações sobre para as mãos dos chefes de terror da áreas atribuídas à Palestina, e finanFatah. Eles não reconhecem que aqui- ciar o grupo terrorista Fatah, só aulo que você vê é real. mentou de intensidade. Essas armas não são usadas para E a cada ano decorrido, na mediestimular a moderação. Elas são usa- da em que a realidade da Palestina fidas contra israelenses e palestinos, cou mais clara, a vontade da lideranigualmente, em uma guerra de quadri- ça israelense de resistir a essa pressão lha entre grupos terroristas por dinhei- está cada vez mais corroída. ro, armas e poder que nunca vai acaAssim sendo, há algum tempo, o bar. Ela nunca terminará porque lutar ministro da Defesa, Amir Peretz, anune matar por dinheiro, armas e poder é ciou que ele apoiava negociações com o que os terroristas fazem. Durante os últimos 13 anos, desde que a Autoridade Nacional Palestina foi esMembros do Hamas apresentam suas armas durante tabelecida, em 1994, os uma manifestação no campo de refugiados contornos do Estado da Pade Rafah, no sul da Faixa de Gaza. lestina tomaram forma na frente dos nossos olhos. Começando com a revogação, por Yasser Arafat, do Estado de Direito e a campanha assassina contra vendedores de terras e jornalistas, a cada ano decorrido e com cada movimento contribuindo para dar sempre mais poderes à ANP, a situação só foi

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Horizonte vo prevenir massacres de civis israelenses, como o que aconteceu em Eilat recentemente. Livni, por sua vez, se tornou a defensora internacional da Fatah. Falando efusivamente para uma audiência de promotores da paz internacionais em Davos, na Suíça, Livni disse: “Para alcançar Apesar do acordo entre os líderes do Hamas e da Fatah assinado na Arábia Saudita, o conflito entre as facções a paz e para promocontinua. Na foto: os líderes palestinos Ismail Haniyeh, ver o processo, temos Khaled Meshaal e Mahmoud Abbas na grande que aderir a essa somesquita em Meca. lução de dois Estados e temos que examinar quais as melhores medidas a tomar”. o Hamas. Peretz expôs sua “opinião” É claro que nem Livni nem Peretz, sobre o restabelecimento do assim que insistem que a prioridade mais urchamado processo de paz com os pa- gente de Israel é estabelecer a Palestilestinos, e declarou que, para “dar au- na, estão dispostos a reconhecer que a toridade” a eles, apoiava a extensão Palestina já existe. Eles se recusam a da proibição das operações das For- reconhecer o que nós já sabemos: a ças de Defesa de Israel (FDI) em Gaza Palestina é um Estado terrorista e um também para a Judéia e Samaria. caso de país em má situação financeiNão deveria ser necessário dizer que ra, completamente financiado pela cotais operações das FDI têm por objeti- munidade internacional. Na verdade, durante o último ano, desde que o Hamas ganhou as eleições palestinas, a ajuda internacioKhaled Meshaal, líder do Hamas, diante da pedra negra nal aos palestinos au(dentro do envoltório de prata) que é venerada mentou dramaticamente. pelos muçulmanos em Meca.

Como observou Ibrahim Gambari, o sub-secretário-geral da ONU para assuntos políticos, a ajuda ocidental oficial aos palestinos, não incluindo o apoio árabe e iraniano ao Hamas e à Fatah, aumentou em 10% em 2006 comparado a 2005, alcançando US$ 1,2 bilhão. Os palestinos, que recebem mais ajuda per capita do que qualquer povo na terra, não estão necessitados por falta de fundos. Eles são pobres porque preferem a pobreza, a violência e a guerra à prosperidade, à paz e à moderação. Desse modo, 57% dos palestinos apoiam ataques terroristas contra Israel. A multidão de manifestantes mundiais, que exige o fim da assim chamada “ocupação” e o estabelecimento da Palestina, deveria ser alertada sobre o fato de que a Palestina já existe. As hordas de líderes políticos que repetem como papagaios as cantilenas sobre “visões” e a “solução de dois Estados” deveriam saber: esta é a Palestina. Entre nela por sua conta e risco. (Caroline Glick, The Jerusalem Post)

Caroline Glick é a vice-gerente editorial do jornal The Jerusalem Post.

Leia também: “Todos contra todos!”, na revista Chamada da Meia-Noite 4/2007.

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Notícias de Israel - Ano 29 - Nº 4  

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