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BETH-SHALOM

www.Beth-Shalom.com.br

NOVEMBRO DE 2006 • Ano 28 • Nº 11 • R$ 3,50


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Prezados Amigos de Israel

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Novidade ou Déjà Vu?

Notícias de

ISRAEL É uma publicação mensal da “Obra Missionária Chamada da Meia-Noite” com licença da “Verein für Bibelstudium in Israel, Beth-Shalom” (Associação Beth-Shalom para Estudo Bíblico em Israel), da Suíça. Administração e Impressão: Rua Erechim, 978 • Bairro Nonoai 90830-000 • Porto Alegre/RS • Brasil Fone: (51) 3241-5050 Fax: (51) 3249-7385 E-mail: mail@chamada.com.br www.chamada.com.br Endereço Postal: Caixa Postal, 1688 90001-970 • PORTO ALEGRE/RS • Brasil Fundador: Dr. Wim Malgo (1922 - 1992) Conselho Diretor: Dieter Steiger, Ingo Haake, Markus Steiger, Reinoldo Federolf Editor e Diretor Responsável: Ingo Haake

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Diagramação & Arte: Émerson Hoffmann

Resgatadores Dignos de Nota

Assinatura - anual ............................ 31,50 - semestral ....................... 19,00 Exemplar Avulso ................................. 3,50 Exterior: Assin. anual (Via Aérea)... US$ 28.00 Edições Internacionais A revista “Notícias de Israel” é publicada também em espanhol, inglês, alemão, holandês e francês. As opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade dos autores.

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HORIZONTE

INPI nº 040614 Registro nº 50 do Cartório Especial

• A Rússia czarista e os Judeus - 12 • Na Síria, as novas armas já estão à disposição - 18 • Terceiro laboratório de software da IBM em Israel - 19

O objetivo da Associação Beth-Shalom para Estudo Bíblico em Israel é despertar e fomentar entre os cristãos o amor pelo Estado de Israel e pelos judeus. Ela demonstra o amor de Jesus pelo Seu povo de maneira prática, através da realização de projetos sociais e de auxílio a Israel. Além disso, promove também Congressos sobre a Palavra Profética em Jerusalém e viagens, com a intenção de levar maior número possível de peregrinos cristãos a Israel, onde mantém a Casa de Hóspedes “Beth-Shalom” (no monte Carmelo, em Haifa).

Sempre prontos a dar a razão da nossa esperança


“Tocai a trombeta em Sião, promulgai um santo jejum, proclamai uma assembléia solene” (Joel 2.15). Em resposta ao soar da trombeta em Sião, Israel torna-se recipiente da graça de Deus em meio ao julgamento. Enquanto o juízo mencionado anteriormente no livro de Joel é dirigido primariamente contra Israel, vemos que todo o mundo está envolvido, porque ele se refere ao tempo da Grande Tribulação. Sem dúvida, foi o que Jeremias revelou: “Ah! Que grande é aquele dia, e não há outro semelhante! É tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será livre dela” (Jeremias 30.7). Portanto, o juízo é voltado contra Jacó, mas ele será “livrado”. Aqui estão as instruções do Senhor para Seu povo: “Ainda assim, agora mesmo, diz o SENHOR: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto. Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR, vosso Deus, porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal. Quem sabe se não se voltará, e se arrependerá, e deixará após si uma bênção, uma oferta de manjares e libação para o SENHOR, vosso Deus?” (Joel 2.12-14). Israel está sendo admoestado a voltar-se para o Senhor e a buscá-lO. Trata-se, claramente, de uma via de mão dupla: a expectativa é que Israel responda positivamente, mas a vontade de Deus é que isso ocorra. Por exemplo, lemos em Zacarias 12.9-10: “Naquele dia, procurarei destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém. E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o espírito da graça e de súplicas; olharão para aquele a quem traspassaram; pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito e chorarão por ele como se chora amargamente pelo primogênito”. Deus derramará “o espírito da graça e de súplicas” no exato momento em que Israel não souber mais o que fazer, pelo fato de todo o mundo ter-se voltado abertamente contra o povo judeu. Assim, os israelitas reconhecerão repentinamente o Senhor na Sua vinda e “olharão para aquele a quem traspassaram”. A seguir, são dadas instruções específicas: “Congregai o povo, santificai a congregação, ajuntai os anciãos, reuni os

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filhinhos e os que mamam; saia o noivo da sua recâmara, e a noiva, do seu aposento. Chorem os sacerdotes, ministros do SENHOR, entre o pórtico e o altar, e orem: Poupa o teu povo, ó SENHOR, e não entregues a tua herança ao opróbrio, para que as nações façam escárnio dele. Por que hão de dizer entre os povos: Onde está o seu Deus?” (Joel 2.16-17). Esse espírito de graça e de súplicas será derramado sobre toda a casa de Israel: os anciãos, as crianças e até mesmo os noivos. Além disso, os ministros do Senhor começarão a implorar ao Deus de Israel. Qual será o resultado? “Então, o SENHOR se mostrou zeloso da sua terra, compadeceuse do seu povo e, respondendo, lhe disse: Eis que vos envio o cereal, e o vinho, e o óleo, e deles sereis fartos, e vos não entregarei mais ao opróbrio entre as nações. Mas o exército que vem do Norte, eu o removerei para longe de vós, lançá-loei em uma terra seca e deserta; lançarei a sua vanguarda para o mar oriental, e a sua retaguarda, para o mar ocidental; subirá o seu mau cheiro, e subirá a sua podridão; porque agiu poderosamente” (Joel 2.18-20). Evidentemente o ataque militar descrito em Ezequiel 38 e 39 acontecerá. Não há como espiritualizar “o exército que vem do Norte”, porque o resultado da sua derrota é descrito com as palavras: “subirá o seu mau cheiro, e subirá a sua podridão”, que se referem, evidentemente, a cadáveres. Israel não recebe apenas essa gloriosa promessa de que o Senhor estará do seu lado e que o exército do Norte será derrotado, mas que haverá uma restauração total da terra devastada, incluindo a vegetação e os animais: “Não temas, ó terra, regozija-te e alegra-te, porque o SENHOR faz grandes coisas. Não temais, animais do campo, porque os pastos do deserto reverdecerão, porque o arvoredo dará o seu fruto, a figueira e a vide produzirão com vigor. Alegrai-vos, pois, filhos de Sião, regozijai-vos no SENHOR, vosso Deus, porque ele vos dará em justa medida a chuva; fará descer, como outrora, a chuva temporã e a serôdia. As eiras se encherão de trigo, e os lagares transbordarão de vinho e de óleo” (Joel 2.21-24). Em Joel 1 lemos sobre a desolação total da agricultura israelense: “O campo está


Por isso, devemos entender que aquilo que ocorre em Israel atualmente faz parte do plano soberano de Deus, que está realizando o processo de restauração do Seu povo. Desse modo, estamos enganados quando ficamos alarmados por circunstâncias dos nossos dias que não se desenrolam conforme nosso entendimento limitado. Muito tem sido escrito sobre a situação precária de Israel em relação aos árabes palestinos, que são agora liderados oficialmente por uma organização terrorista chamada Hamas, que foi eleita democraticamente. Quer seja o Hamas a jurar que vai eliminar Israel, quer seja o presidente iraniano a declarar publicamente que Israel será apagado do mapa, ou as nações consideradas amigas, que vêem Israel como uma extensão da cultura ocidental – no final todos serão envergonhados e nenhum deles tem o poder de alterar as decisões eternas de Deus. Fazemos bem em ignorar as declarações dos líderes políticos mundiais, os vários acordos de paz e as esperanças continuamente expressas de que haverá paz duradoura. Quando lidamos com Israel – com a terra e o povo – estamos tratando com o Deus eterno, que escolheu esse pequeno pedaço de terra e o povo mais controvertido do mundo para Seus próprios propósitos eternos. Quando lemos o que Deus prometeu que acontecerá, podemos ter certeza do juízo e do conforto, da destruição e da restauração. Devemos entender as intenções de Deus, que são reveladas nas Escrituras proféticas. Esse fato também penetra profundamente em nosso coração com a garantia de que as determinações eternas de Deus serão cumpridas igualmente para aqueles que crêem em Jesus Cristo, como lemos em 2 Coríntios 4.17: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação”. Unido com vocês nessa certeza maravilhosa, saúdo com um sincero Shalom! Arno Froese

Remessa a partir de 30/11/2006.

assolado... o cereal está destruído, a vide se secou, as olivas se murcharam... Como geme o gado! As manadas de bois estão sobremodo inquietas... os rebanhos de ovelhas estão perecendo” (vv. 10,18). Mas tudo isso muda com as palavras confortadoras: “Não temais, animais do campo...” Por que não? “...porque os pastos do deserto reverdecerão, porque o arvoredo dará o seu fruto...” (Joel 2.22). Isso é nada menos que o renascimento da terra de Israel, algo sem precedentes que acontecerá! Enquanto o mundo estiver experimentando o juízo de Deus e a destruição se abater sobre todas as nações, Israel “...porém, será livre dela”. Há ainda mais por vir: “Restituir-vos-ei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto migrador, pelo destruidor e pelo cortador, o meu grande exército que enviei contra vós outros” (Joel 2.25). Essa é uma promessa incondicional. Deus disse: “Eu restaurarei”. A destruição, os sofrimentos em virtude da fome, das pestilências e de outras catástrofes não serão o final, pois Deus “restituirá os anos” a Israel. Em outras palavras, o Senhor fará algo sem precedentes na história: a agricultura israelense experimentará uma restauração miraculosa, comparável ao que havia no Jardim do Éden. Se bem que atualmente Israel já lidera diversas áreas de ciência agrícola, particularmente na irrigação controlada por computador, podemos considerar que se trata apenas de uma sombra das coisas que virão. O que acho significativo é que Deus identifica a si mesmo como o autor final da destruição: “...meu grande exército que enviei contra vós outros”. Quem era esse exército? No capítulo 2 lemos que se tratava do exército das trevas, de uma entidade demoníaca que sufocava a terra de Israel. Entretanto, Deus diz: “...meu grande exército”. Assim, vemos novamente que Deus é onipotente. Ele é soberano, mesmo sobre os poderes das trevas, às quais Ele chama de “...meu grande exército”. Quando Deus envia bênçãos, elas são abundantes, amplas e irresistíveis: “Comereis abundantemente, e vos fartareis, e louvareis o nome do SENHOR, vosso Deus, que se houve maravilhosamente convosco; e o meu povo jamais será envergonhado. Sabereis que estou no meio de Israel e que eu sou o SENHOR, vosso Deus, e não há outro; e o meu povo jamais será envergonhado” (Joel 2.26-27). A Grande Tribulação vai conduzir Israel às suas horas mais escuras, mas terminará com sua maior glória. Lemos: “o meu povo jamais será envergonhado”.

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Déjà vu – aquela sensação familiar de já ter vivido a mesma situação anteriormente – descreve a consciência crescente de que o antisemitismo da década de 1930 está novamente vindo à tona em toda a Europa na atualidade. Um relatório publicado pelo Parlamento Europeu mencionava a Inglaterra, a Bélgica, a Holanda, a França e a Alemanha como nações integrantes da União Européia (a UE, com 25 países-membros) nos quais o anti-semitismo tem crescido. “O velho câncer está de volta [...] os judeus na Europa não podem viver uma vida normal”, declarou Cobi Benatoff, presidente do European Jewish Congress (Congresso Judaico Europeu).1 Beate Winkler, diretora do European Monitoring Centre on Racism and Xenophobia (Centro Europeu de Monitoramento do Racismo e da Xenofobia), acredita que o relatório do Parlamento Europeu é “suficiente para causar medo e grande angústia entre os 1 milhão e duzentos mil judeus que vivem na Europa”.2 Diferente do anti-semitismo da década de 1930, instigado pela

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direita fascista, a irrupção atual me perguntou: “Você sabia que sou provém da esquerda – “a centro-es- judeu?”. Em seguida, ele me conquerda politicamente correta que tou que fora criado em Edimburgo condena atos de anti-semitismo e, e que, até a Guerra do Iraque, nunao mesmo tempo, defende regimes ca tivera medo de admitir que era que apóiam o terrorismo contra Is- judeu. Agora, porém, ele tem rerael”, afirmou Peter Sichrovsky, ceio. membro austríaco do Parlamento A vida não mudou apenas para Europeu.3 Sua manifestação tem se os judeus da capital escocesa, mupropagado dentro de regiões da Eu- dou também para toda a comunidaropa que historicamente estavam li- de judaica que vive na Europa. Só vres do anti-semitismo. na Inglaterra, por exemplo, os inciHá algum tempo levei minhas dentes anti-semitas (agressões físicorrespondências à agência dos cor- cas, incêndios criminosos, profanareios em Edimburgo, na Escócia. O balconista me olhou com ar de deVândalos pintaram uma suástica sobre uma boche e perguntou: sepultura em um cemitério judaico na França. “Que tipo de organização política é essa chamada Friends of Israel (Amigos de Israel)?” Eu expliquei que pregamos as boas-novas acerca do Messias, instruímos os cristãos quanto ao pano de fundo judaico da Bíblia e que somos veementemente contrários ao anti-semitismo. Depois de muitas outras perguntas, ele sorriu e


ção de lugares considerados sagrados pelos judeus, etc.) cresceram 75% entre os anos de 2002 e 2003. A França registrou um aumento seis vezes maior de tais ocorrências.4

O novo híbrido Ao contrário da década de 1930, quando o anti-semitismo tinha por alvo o povo judeu e sua religião, o anti-semitismo dos dias de hoje é mais político, estimulado pelo conflito palestino-israelense. Uma pesquisa de opinião na Europa entrevistou 7.500 pessoas em 15 países da UE e revelou que 60% dos europeus consideram Israel como a maior ameaça para a paz mundial, até mesmo maior do que o Irã, a Coréia do Norte e os Estados Unidos.5 Entretanto, o ex-dissidente soviético e ex-ministro do Gabinete israelense, Natan Sharansky, definiu esse suposto “criticismo político” de “puro anti-semitismo”.6 Na realidade, o anti-semitismo atual é uma mistura de política internacional com anti-semitismo tradicional, resultando num híbrido que poderia ser rotulado como “anti-semitismo do Novo Milênio”. Na condição de americanos que vivem na Grã-Bretanha, temos visto esse híbrido fundir-se com o sentimento antiamericano posterior aos acontecimentos que culminaram, bem como os que se passaram, na Guerra do Iraque. Essa fusão não é nenhuma surpresa, já que a mídia deturpa as notícias sobre Israel, bem como as notícias sobre os Estados Unidos, para agradar os 17 milhões de muçulmanos da UE, considerados um valioso “mercado consumidor” a ser satisfeito. A histórica e famosa BBC, outrora conhecida por seu jornalismo imparcial baseado em fatos, agora

se destaca por demonstrar um “impiedoso preconceito contra Israel”.7 O jornal inglês The Guardian informou que o governo israelense descobrira o seguinte: “De todos os países, a Inglaterra foi que sofreu os ataques anti-semitas mais violentos no ano passado. A causa principal é o [modo como a] imprensa inglesa tem coberto o conflito palestino-israelense”.8 A imprensa inglesa raramente noticia os ataques palestinos contra Israel, mas faz ampla cobertura da retaliação israelense contra os Ao contrário da década de 1930, quando o anti-semitismo tinha por alvo o povo judeu e sua palestinos. Lamentavelreligião, o anti-semitismo dos dias de hoje é mais mente, ressaltou Shapolítico, estimulado pelo conflito palestino-israelense. Na foto: palestinos queimam bandeira ransky, “o anti-semitismo israelense. se tornou politicamente correto na Europa”.9 Emanuele Ottolenghi, que trabalha para o jornal inglês da ignorância desta quanto ao plaThe Guardian, acredita que “alguns no de Deus tanto para o mundo daqueles que criticam Israel utili- quanto para a nação de Israel. Mais zam estereótipos anti-semitas” e preocupante ainda é o crescente “freqüentemente apresentam uma número de cristãos que são atraídos máscara de respeitabilidade” para o por essa mentalidade anti-semita e anti-semitismo. Ao descreverem Is- antibíblica. rael como a fonte de todos os maFelizmente, ainda existe na Eules, eles proporcionam o mandato ropa um significativo contingente lingüístico e a justificativa moral pa- de cristãos que apóiam Israel. Eles ra destruí-lo”.10 se opõem ao anti-semitismo e assuMais perturbador ainda, informa mem a sua identidade de sionistas Chris McGreal no mesmo jornal bíblicos compromissados, que The Guardian, é que o “novo” anti- amam o povo judeu e manifestam semitismo “emana de grupos in- as mesmas convicções que compelifluentes, tais como os intelectuais, ram outros a resgatar os judeus duos políticos e a mídia, e traja-se ele- rante a Segunda Guerra Mundial. gantemente como uma postura crí- A evidência disso se acha nos motica da ocupação do território pales- dernos movimentos que dão apoio tino por Israel”.11 a Israel, tais como a Festa dos TaA verdade, naturalmente, é que bernáculos, que no ano passado a terra não é dos palestinos; ela per- trouxe cerca de 7.000 pessoas a Jetence a Israel. rusalém, a maioria procedente da Infelizmente, a ira atual contra o Europa. povo judeu é um reflexo do estado Todavia, é importante que se tede declínio espiritual da Europa e nha uma compreensão das forças

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que estão popularizando esse antisemitismo “cristão”.

no bíblico bem fundamentado; (3) Uma deficiência em desafiar as pessoas à santidade; e (4) Uma omissão em defender a fé.12 A ramificação A escassez de ensino bíblico bem da doutrina enganosa fundamentado, a segunda causa Em 1917, uma Inglaterra espiri- mais importante, afeta diretamente tualmente mais forte levou o mun- o anti-semitismo. Na busca de condo, com sua Declaração Balfour, à firmar tal conclusão, eu visitei reiniciativa de criar uma pátria para o centemente uma variedade de igrepovo judeu. Hoje em dia, a Ingla- jas inglesas para ouvir o que elas terra está falida espiritualmente e têm ensinado. Encontrei mensagens poucos crentes em Cristo ingleses mornas, vazias, carentes de embasadefendem publicamente a existên- mento, conteúdo ou compreensão cia de uma pátria judaica. Ao estu- espirituais. Também não havia nedar-se tal declínio espiritual, pode- nhum senso de missão ou propósise compreender a maneira pela qual to, nem qualquer explicação do essa nova forma de anti-semitismo Evangelho. Como isso pôde acontepenetrou sorrateiramente na socie- cer? dade cristã da Inglaterra. No momento que sucedeu a PriNuma pesquisa recente, 14.000 meira Guerra Mundial, a maioria ingleses responderam a seguinte dos europeus estava otimista quanpergunta: “Como tal catástrofe es- to ao futuro, pois cria que, a partir piritual aconteceu desde o fim da de uma “guerra para dar fim a toSegunda Guerra Mundial?” Cente- das as guerras”, um mundo utópico nas de páginas com respostas a essa surgiria. Os cristãos contemplavam indagação revelaram quatro causas a chegada de um reino espiritual à básicas: (1) Uma diminuição do terra, por intermédio do progresso número de pastores cuidadosos e social. A Segunda Guerra Mundial crentes; (2) Uma carência de ensi- não somente destruiu esse sonho, como também prenunciou um cinismo espiriEm 1917, uma Inglaterra espiritualmente mais forte levou o mundo, com sua Declaração Balfour, à iniciativa de criar tual que acabou uma pátria para o povo judeu. chegando aos púlpitos. Muitos pastores começaram a promover a perspectiva amilenista da história, que se encaixava com o estado de espírito pessimista da Europa pósguerra e com o vertiginoso declínio dos interesses espirituais do povo. Em

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termos teológicos, o Amilenismo não prevê nenhum Reino futuro de Jesus Cristo nesta terra, pelo contrário, propõe que o clímax final da história acontecerá quando Cristo congregar todos os crentes no céu e der a sentença final para todos os descrentes. Tal crença rejeita o futuro predito por Deus para a nação de Israel e para o povo judeu. Também não reconhece o ensino bíblico da volta pré-milenar de Cristo a esta terra para estabelecer um Reino literal de mil anos, durante os quais governará a partir do trono de Davi em Israel (1 Cr 17.11-14; Ap 20.4). A perspectiva pré-milenista da história (na qual cremos – N.R.) requer obrigatoriamente uma existência literal tanto da nação de Israel quanto do povo judeu. Por não sustentarem uma perspectiva pré-milenista da história e não entenderem o plano de Deus a respeito das eras, muitos cristãos europeus desiludidos começaram a se afastar das igrejas. Em conseqüência, fracassaram na compreensão do significado profético da criação do Estado de Israel e, à semelhança do governo inglês, voltaram-se contra o Estado e o povo judeu. Ao invés de se lembrarem da promessa feita por Deus de abençoar aqueles que abençoam o povo judeu e de amaldiçoar aqueles que o amaldiçoam, um número enorme de pessoas escolheu voltarse contra os judeus sem se dar conta das conseqüências. Nessa altura, amilenistas agressivos começaram a penetrar nos círculos pré-milenistas, tirando proveito do temor infundado de que o ensino profético causa divisões e resulta na diminuição do número de pessoas presentes nas igrejas. Na crença de que estavam evitando o espírito divisor, as igrejas pararam de ensinar os livros proféticos, tais


como os de Daniel e o Apocalipse. Pouco tempo depois, começaram a eliminar de seu ensino outros livros do Antigo Testamento e algumas das passagens bíblicas escritas pelo apóstolo Paulo. Tal atitude contraria a doutrina de que “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Tm 3.16-17). À medida que esse movimento se propagou, o discernimento e o conhecimento bíblicos começaram a desaparecer dos púlpitos das igrejas. Sem uma interpretação biblicamente correta da história, inclusive no que diz respeito à importância de Israel e ao papel desempenhado pelo povo judeu no plano de Deus, os ingleses passaram a considerar Deus irrelevante. Eles buscaram soluções e respostas em qualquer outra fonte, gerando um súbito declínio espiritual. Desprovidos de um alicerce bíblico bem fundamentado, os ingleses foram facilmente atraídos pelo traiçoeiro engodo do antisemitismo “cristão”.

Uma análise do mal anti-semita A primeira força motriz do antisemitismo é, naturalmente, o coração pecaminoso do ser humano. Porém, a partir do momento da salvação, ninguém mais precisa seguir as inclinações da velha natureza com suas tendências anti-semitas. Temos uma nova natureza que nos foi concedida com a habitação do Espírito Santo em nós. Lamentavelmente, apesar da obra do Espírito Santo na vida de muitos cristãos, o anti-semitismo neles continua. Ele pode não aparecer na forma de um ataque contra o povo judeu; na realidade, pode manifestar-se na sutil

rejeição do papel a ser desempenha- nações, pegarão, sim, na orla da veste do pelo povo judeu e pela nação de de um judeu e lhe dirão: Iremos conIsrael no futuro, segundo Deus de- vosco, porque temos ouvido que Deus terminou. Essa falta de discerni- está convosco” (Zc 8.23). (Israel My mento confunde a perspectiva das Glory) pessoas acerca da existência do Es- Robert Congdon é representante de The Friends of Israel no Reino Unido. tado de Israel na atualidade. A segunda força motriz é Satanás, que luta para manter seu atual Notas: “Anti-Semitism on the Rise in Britain Says governo sobre a terra (Jo 12.31; Jo 1. EU”, publicado em 31 de março de 2004 no 14.30; 16.11). Com a volta pré-misite http://archives.tcm.ie/breakingnews/ lenista de Cristo para instituir Seu 2. 2004/03/31/story140775.asp. Ibid. Reino nesta terra, o poder de Sata- 3. “Viewpoints: Anti-Semitism and Europe”, publicado em 3 de dezembro de 2003 no nás será derrubado. Então o povo site http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/3234 judeu reconhecerá que Jesus era o 264.stm. seu Messias em todo esse tempo 4. “Anti-Semitism on the Rise in Britain Says EU”, cit. passado, e O aceitará como seu Rei 5. McGreal, Chris, “EU Poll sees Israel As Peace Threat”, publicado em 3 de novem(Zc 12.10; Zc 13.1). Essa é a razão bro de 2003 no site www.guardian.co.uk/inpela qual Satanás deseja de anteternational/story/0,,1076442,00.htm. mão destruir os israelitas, de modo 6. Ibid. “Rising UK Anti-Semitism Blamed on Meque seu reino maligno possa perdu- 7. dia”, publicado na edição eletrônica do jorrar. Mas ele não vai conseguir. nal The Guardian de 25 de janeiro de 2005, pelo site www.buzzle.com/editorials/1-25Deus nos garante que na ocasião 2005-64763.asp. da volta do Messias para estabele- 8. Ibid. cer Seu Reino milenar terreno, a 9. McGreal, Chris, “The New Anti-Semitism: Is Europe in Grip of Worst Bout of Hatred Sinderrota de Satanás ocorrerá (Ap ce the Holocaust?”, publicado em 25 de novembro de 2003 no site www.guar20.1-3,10). À medida que os dias se d i a n . c o . u k / f a r r i g h t / aproximam da volta de Cristo, Sastory/0,11981,1092466,00.htm. tanás utilizará o anti-semitismo na 10. Ottolenghi, Emanuele, “Anti-Zionism is Anti-Semitism”, publicado em 29 de novemtentativa de destruir tanto a nação bro de 2003 no site www.guarde Israel quanto o povo judeu. Esse d i a n . c o . u k / c o m m e n t / story/0,3604,1095694,00.html. esforço satânico atingirá um crescen11. McGreal, “The New Anti-Semitism: Is Eudo durante a Grande Tribulação rope in Grip of Worst Bout of Hatred Since the Holocaust?”. vindoura. Todavia, no final, Israel 12. London Jr., H. B., “The Chalenged triunfará: Church”, publicado no periódico eletrônico The Pastor’s Weekly Briefing de 15 de ju“Naquele dia, farei de Jerusalém lho de 2005, através do site www.fauma pedra pesada para todos os povos; m i l y . o r g / p a s t o r / r e s o u r todos os que a erguerem se ferirão graces/pwb/a0037200.cfm. vemente; e, contra ela, se ajuntarão todas as Recomendamos os livros: nações da terra” (Zc 12.3). “Assim diz o Senhor dos Exércitos: Naquele dia, sucederá que pegarão dez hoPedidos: 0300 789.5152 mens, de todas www.Chamada.com.br as línguas das

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Durante a Segunda Guerra Mundial, quando os nazistas exterminaram sistematicamente 6 milhões de judeus, nem todos tiveram a coragem de acudi-los e de zelar pelas suas vidas. O Museu do Holocausto em Jerusalém, chamado Yad Vashem, de propriedade do Estado de Israel, reconheceu os esforços de muitos heróis resgatadores. Num programa intitulado Os Justos Dentre as Nações, iniciado em 1963, o Estado de Israel homenageou cerca de 21 mil não-judeus, dos quais alguns professavam ser crentes em Cristo, que fizeram o que fizeram por crerem naquilo que a Bíblia declara sobre o amor de Deus pelo povo judeu. Poucos deles se tornaram famosos, como foi o caso de Corrie ten Boom (a respeito, recomendamos o livro O Refúgio Secreto, da Editora Betânia – N.R.). A maioria desses resgatadores não é conhecida. A seguir são relatadas algumas de suas histórias:

> > André Trocmé Em 1934, quando André Trocmé foi designado para seu novo pastorado no pacato vilarejo de Le Chambon-sur-Lignon no Sul da França, ele sabia que os habitantes daquele povoado eram descendentes dos huguenotes, um grupo protestante de cunho reformado que sofrera grande perseguição. Trocmé escreveu: “Estas pessoas, que em vez de lerem os jornais lêem as Escrituras, não se fundamentam no solo arenoso e movediço da opinião, mas, sim, na rocha da Palavra de Deus”.1

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>>AT

Depois que os nazistas se apoderaram do Sul da França, o pastor Trocmé recomendou veementemente que os membros de sua igreja e todos os habitantes daquele lugarejo salvassem o maior número possível de judeus. A cidade inteira concordou em fazê-lo. Durante os

A Sala dos Nomes no Yad Vashem, que funciona como um repositório das Páginas de Testemunho de milhões de vítimas do Holocausto, um memorial para aqueles que pereceram.

três anos seguintes, cerca de 5 mil judeus, a maioria deles crianças, foram abrigados e alimentados, bem como receberam documentos para entrar clandestinamente na neutra Suíça e em outros lugares, tudo isso com a ajuda do pastor Trocmé e da população de Le Chambon. Assim que novos refugiados judeus chegavam ao vilarejo, o pastor Trocmé anunciava na igreja que uma determinada quantidade de “Antigos Testamentos” havia chegado, uma expressão em código que significava “judeus”. Então, um dos membros da igreja respondia: “Eu vou pegá-los”.2 Apesar de ter sido preso numa certa ocasião,


de ter que se esconder dos alemães e de perder um primo, morto na câmara de gás de um campo de concentração nazista, o pastor Trocmé não parou de ajudar os judeus. Ele declarou: “Essas pessoas vieram até aqui à procura de um abrigo. Eu sou o pastor delas, o seu guia espiritual. Não vou traí-las”.3

> > Marc Donadille

>> Outro pastor protestante francês, Marc Donadille, tinha muitos amigos judeus que cresceram com ele. Donadille afirmou: “Meus antepassados protestantes criam com toda a convicção que era inadmissível perseguir as pessoas por causa de sua raça ou religião. Eles me ensinaram que os judeus são o povo da Bíblia”.4 Donadille auxiliou no resgate de judeus dos campos de concentração nazistas. Em sua própria casa ele elaborava documentos de identidade falsos para os refugiados e os escondia através de uma rede esquematizada composta de casas e igrejas. Estima-se que ele tenha escondido cerca de 80 judeus e que tenha levado outros 100 para o vilarejo de Le Chambon. Os nazistas vigiavam cada passo que ele dava, todavia Donadille não se intimidava, como se pode ler: “Nós sabíamos que era perigoso, mas concordamos de uma vez por todas em correr o risco e ponto final”.5

Miedema, de seu púlpito na igreja, pregou acerca da obrigação que eles tinham de ajudar os refugiados judeus. Em 1942, os Miedema deram abrigo a um menininho judeu. Então vieram outros refugiados judeus. O pastor Miedema providenciou casas que abrigassem a todos eles. Ele chegou ao ponto de construir um bunker (abrigo) subterrâ-

MD

A Avenida dos Justos Dentre as Nações no Yad Vashem em Jerusalém. As árvores são dedicadas aos gentios que salvaram judeus das mãos dos nazistas.

neo próximo de sua casa na floresta, tão completo que tinha até uma cozinha. Depois da guerra, o pastor Miedema foi transferido para outra congregação porque determinados membros da sua igreja ficaram irritados com ele em virtude de seu trabalho de resistência durante a guerra. Tempos depois, ao recusar a homenagem que lhe foi prestada pelo Museu Yad Vashem, Miedema expressou seu pensamento: “Era o que todos deviam fazer. Portanto, não havia nada de especial naquilo”.7

> > Peter Miedema Miedema era pastor da Igreja Reformada da Holanda e vivia em Friesland, na Holanda. Sua esposa, Joyce, escreveu: “Nossa convicção cristã era a de que os judeus são um povo especial”.6

>>YV

>>PM

> > Gabor Sztehlo Gabor Sztehlo era um ministro evangélico que vivia em Budapeste, na Hungria. Sua obra estava ligada a um ministério judaico conhecido como Good Shepherd Committee (Comitê Bom Pastor). No segundo semestre de 1944, Sztehlo trabalhou ativamente no resgate de judeus da Hungria, a maioria crianças, e lhes proporcionou refúgio em 32 lares diferentes. Vinte dias antes que os russos libertassem Budapeste do domínio nazista, Sztehlo se escondeu junto com 33 crianças judias em sua própria adega subterrânea. Ao todo, Sztehlo salvou mais de 2 mil crianças judias. Muitas outras histórias de resgatadores de judeus poderiam ser contadas. Essas quatro servem como fervoroso exemplo de pessoas que levaram a sério a prescrição de Provérbios 24.11-12:

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Horizonte “Livra os que estão sendo levados para a morte e salva os que cambaleiam indo para serem mortos. Se disseres: Não o soubemos, não o perceberá aquele que pesa os corações? Não o saberá aquele que atenta para a tua alma? E não pagará ele ao homem segundo as suas obras?”. (Israel My Glory)

>>GS

Bruce Scott é representante de The Friends of Israel em New Hope, Minnesota, EUA.

da Sibéria, e do Mar Negro até o Báltico. Dentre todas as minorias étnicas que viviam sob o jugo czarista, a mais hostilizada era a judaica. Desde os primórdios até sua queda, esse regime autocrático via os judeus como forasteiros inaceitáveis. Em 1917, às vésperas da Revolução Bolchevista, a comunidade judaica russa levava o triste selo de a mais oprimida do mundo.

A Rússia Czarista e os Judeus Era em território pertencente ao Império Russo que, nos séculos XVIII e XIX, vivia grande parte dos judeus do mundo. Tinham a vida marcada por sofrimentos e miséria. Discriminação e violência eram uma constante, pois a política imperial e os ensinamentos da Igreja Ortodoxa Russa tinham incorporado em seu âmago virulento anti-semitismo. O regime czarista foi um dos piores e mais persistentes exemplos de autocracia da História. Os soberanos russos exerciam poder absoluto e ilimitado sobre seus súditos. No século XIX ainda existia na Rússia uma ordem pré-moderna de classes sociais legalmente separadas: de um lado, privilégios aristocráticos e, de outro, um sistema legalizado de servidão. Esse império, o maior do mundo, estendia-se das margens do Rio Vístula às estepes

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Presença judaica Era muito antiga a presença judaica na vasta região dominada pelos czares. Na Armênia e Geórgia, tradições locais relacionam sua chegada às Dez Tribos de Israel. Sabe-se também que desde tempos helênicos os judeus eram ativos nos territórios fronteiriços russos. Há documentos que atestam sua presença já na época do Império Romano, sabendo-se que nos séculos IV e V havia entre 10 a 30 mil judeus na Armênia e na Criméia. Durante to-

Notas: 1. Draper, Allison Stark, Pastor André Trocmé: Spiritual Leader of the French Village Le Chambon, Nova York: The Rosen Publishing Group, Inc., 2001, p. 23-4. 2. Ibid., p. 65. 3. Meltzer, Milton, Rescue: The Story of How Gentiles Saved Jews in the Holocaust, Nova York: Harper & Row, 1988, p. 81. 4. “Marc Donadille: The Testimony of a Rescuer”, publicado por The Simon Wiesenthal Center no site http://motcl.learningcenter.wiesenthal.org/text/x00/xm0057.html. 5. Ibid. 6. “Pieter and Joyce Miedema: The Drama of a Rescuer”, publicado por The Simon Wiesenthal Center no site http://motlc.learningcenter.wiesenthal.org/text/x00/xm0019.html. 7. Ibid.

da a Idade Média, os judeus desempenharam intensa atividade como comerciantes, em vasta faixa territorial na Euro-Ásia. Na primeira metade do século VIII, o Reino dos Khazares se convertera ao judaísmo e, mesmo após a queda desse reino, no século X, ainda havia judeus vivendo no Principado de Kiev. Foi a partir do século XIV que o Principado de Moscou passou a liderar o processo de formação do futuro Império Russo e há documentos de 1471 que confirmam a presença de uma população judaica relativamente pequena nesse principado. No início do século XVI, todos os territórios russos estavam unidos sob a hegemonia moscovita e seus governantes, que incorporaram a ideologia imperial bizantina e as crenças da Igreja GrecoOrtodoxa, passaram a usar o título de “czares” e “soberanos de todas as Rússias”. Já no final da Idade Média, com a subida ao trono do czar Ivan IV, o Terrível (1530-1584), os judeus foram oficialmente excluídos de todo o terri-


Horizonte da Rússia; torná-las economicamente “úteis” e absorvê-las religiosa e culturalmente. A política czarista era caracterizada por uma mistura de esforços para “regenerar” os judeus, russificando-os e os obrigando a se “amalgamar” com a população cristã, e [a aplicação de] medidas discriminatórias. Os maustratos, a hostilidade e o desprezo eram uma constante.

A Encarcerização: Território do Acordo Em 1762, subiu ao trono a czarina Catarina II, a Grande. Imbuída das idéias do Iluminismo, ela apoiou, durante seu reinado, o comércio, as artes e as ciências, e, destaque seja feito, publicou uma Carta de Tolerância Religiosa que englobava os súditos muçulmanos e cristãos não-ortodoxos. Mas, deixou claro, desde o início, que seus ideais liberais não abrangiam os judeus. Um de seus primeiros atos, ao subir ao trono, foi permitir aos estrangeiros a livre circulação em seu império. Havia, porém, uma exceção: os judeus. A czarina queria evitar a “nefasta” influência que eles poderiam exercer sobre as massas russas. Em 1772, após a primeira anexação de território polonês, Catarina II concedeu aos judeus o direito de residência, para, pouco depois, barrar sua entrada no “solo da Mãe Rússia”. Pressionada por comerciantes cristãos de Moscou, que queriam impedir a atuação de negociantes judeus, em 1791 proibiu aos judeus de se estabelecerem na Rússia Central. Mas, foi em 1794 que a Czarina promulgou um decreto que marcaria

A czarina Catarina II, a Grande, queria evitar a “nefasta” influência que os judeus poderiam exercer sobre as massas russas.

tório russo. Déspota e sanguinário, Ivan IV proibiu a entrada de qualquer judeu em suas terras, ordenando que, se encontrados, fossem afogados os que se recusassem à conversão – ou seja, só viveria em solo russo o judeu que deixasse de sê-lo. Esse fato levou à maciça instalação de judeus na Polônia, na Lituânia e na Ucrânia, onde, a partir do fim do século XV, floresceram numerosas e pujantes comunidades. Mas, no final do século XVIII, a Polônia deixou de existir como país soberano, sendo dividida entre seus poderosos vizinhos, Rússia, Áustria e Prússia, em 1772, 1793 e 1795, respectivamente. Parte substancial do território polonês foi anexada pelo Império Russo e centenas de milhares de judeus tornam-se, de uma hora para outra, súditos indesejáveis dos czares. Desde o início, os objetivos dos czares foram: não permitir que as massas judaicas vivessem no coração

profundamente a história dos judeus do Império Russo. Determinou seu confinamento na chamada “Zona de Residência” ou “Território do Acordo” – em russo, Cherta Osedlosti. Com um milhão de km,2 ou seja, 4% do Império, essa área incluía a antiga Polônia, a Ucrânia, a Bielorrússia e a Lituânia. Mais de 90% dos judeus do Império passaram a viver na Cherta, passando a ser a maioria em muitas cidadezinhas e vilarejos, os famosos shtetls. Nem mesmo podiam aventurar-se temporariamente fora da área delimitada, a não ser com permissão especial e de curta validade, cuja obtenção era extremamente difícil. Ela apenas era concedida a poucos privilegiados. Tampouco lhes era permitido escolher a área onde viver, ainda que dentro do Território. E, durante todo o século XIX, o governo czarista foi restringindo, cada vez mais, os locais onde era permitido aos judeus viverem. No início do século XX, 94% dos judeus ainda viviam dentro da Cherta, tendo esse confinamento forçado prevalecido até a queda do regime czarista, em 1917.

O Estatuto dos Judeus No início de seu reinado, Alexandre I, neto de Catarina, que governou de 1801 até 1825, iniciou uma série de reformas. Um de seus projetos foi melhorar a condição dos judeus, integrando-os na vida russa. Na época, a população judaica era de cerca de 1 milhão de pessoas. Em 1804, promulgou o “Estatuto dos Judeus”, que perdurou praticamente inalterado por meio século. Segundo as determinações desse conjunto de leis, os judeus passaram a ter acesso a escolas e universidades russas, mas essa aparente benevolência nada mais era que outra tentativa de “amalgamá-los”, educando-os dentro dos valores cristãos. O estatuto atacava as bases econômicas da população

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Horizonte

Alexandre I, neto de Catarina, que governou de 1801 até 1825, iniciou uma série de reformas. Em 1804, promulgou o “Estatuto dos Judeus”, que perdurou praticamente inalterado por meio século. Segundo as determinações desse conjunto de leis, os judeus passaram a ter acesso a escolas e universidades russas, mas essa aparente benevolência nada mais era que outra tentativa de “amalgamá-los”, educando-os dentro dos valores cristãos.

judaica, proibindo-a de arrendar terras, comercializar bebidas alcoólicas, inclusive dirigir tabernas. Determinava também a expulsão de judeus dos pequenos vilarejos do Território. Os judeus deviam viver em centros urbanos ou se tornar agricultores em terras cedidas pelo governo, no Sul da Rússia. O governo czarista queria convencer a população cristã de que a miséria e desumana escravização dos servos não eram conseqüência de sua exploração por nobres latifundiários, mas, sim, “resultado” das atividades econômicas dos judeus. Nenhum dos objetivos de Alexandre I se concretizou. A agricultura não atraía os judeus e nada conseguia fazê-los se converterem. Eles repudiaram

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todas as medidas que visavam sua “russificação”. Sua profunda religiosidade lhes era fonte de consolo e determinava todos os aspectos de seu cotidiano. Ademais, a vida primitiva e miserável dos camponeses russos, iletrados e supersticiosos, não tinha atração alguma para eles. Mesmo as expulsões não se concretizaram porque o czar temia a Napoleão e seu exército. Ciente dos direitos que o imperador francês concedera aos judeus, temia que, caso Napoleão invadisse a Rússia, certamente firmaria uma aliança com os judeus russos. Mas tal fato não aconteceu: quando os exércitos franceses invadiram a Rússia, os judeus não cooperaram com os invasores. Apesar disso, como “recompensa” por sua lealdade, o governo czarista intensificou sua hostilidade.

Decretos Cantonais É difícil dizer qual dos czares russos foi pior para os judeus. Mas, não há dúvida de que Nicolau I, sucessor de Alexandre I, que governou de 1825 até 1855, iniciou um dos períodos mais sombrios da história dos israelitas. Seu governo foi marcado por um autoritarismo absoluto, uma ortodoxia religiosa e um nacionalismo extremado. Odiava todas as minorias e sua hostilidade e desprezo pelos judeus eram exacerbados. Em agosto de 1827, Nicolau I promulgou um decreto que fez estremecer o coração judaico. Era uma “reinterpretação” da lei do alistamento militar, obrigatório para todos os homens do Império entre 18 e 25 anos. Os famigerados “Decretos Cantonais”, como ficaram conhecidos, determinavam que os jovens judeus se alistassem aos 12 anos e, até completarem 18 anos, vivessem em escolas “cantonais” (o nome veio da palavra “cantão”, que significava acampamento militar). Eram horrendas as condições de vida dos meninos nessas escolas: apa-

nhavam e passavam fome. Não podiam rezar em hebraico, eram obrigados a se desfazer de todos os seus pertences religiosos e a assistir missas e aulas da religião cristã. O objetivo era convertê-los. Se resistiam às pressões psicológicas, eram submetidos a cruéis castigos. Houve casos de unidades inteiras de “cantonistas” forçadas ao batismo em massa. Havia recrutas que preferiam a morte ao batismo. Uma vez recrutados, suas famílias não esperavam ver os filhos novamente; muitos morriam e os que sobreviviam convertiam-se, na maioria. Mas, um dos mais cruéis aspectos do decreto era que recaía sobre a própria comunidade judaica a obrigação de fornecer seus recrutas. As injustiças decorrentes e a luta heróica dos judeus contra os “Decretos Cantonais” viraram o amargo tema central do folclore judaico-russo. Em 1835, Nicolau I reduziu ainda mais drasticamente a área de residência permitida aos judeus dentro da Cherta. O czar proibiu também o uso de vestuário tradicional judaico e o uso da língua iídiche. Querendo impulsionar a “educação moral” dos judeus, determinou que fossem queimados publicamente milhares de livros em hebraico e iídiche. Não satisfeito, Nicolau I fomentou a cisão dentro das comunidades judaicas, criando situações tais que colocassem os seguidores da Haskalá (Iluminismo judaico) contra os chassidim e os ortodoxos. Mas, apesar de todas as discriminações e perseguições, os judeus permaneciam fiéis à sua herança e isso forçou o Império Russo a uma abordagem mais “científica”, concebida a partir de 1840. O governo determinou a criação pela Coroa de escolas judaicas em toda a Zona de Residência. Para tentar minimizar a desconfiança dos judeus, a implementação do projeto ficou a cargo de um jovem judeu alemão, Max Lillienthal. Caberia a ele convencer os judeus a enviarem seus


Horizonte filhos às Escolas da Coroa – tarefa nada fácil, especialmente porque na época o governo intensificara as medidas antijudaicas. O grande incentivo era a isenção do recrutamento militar para todo jovem que freqüentasse tais escolas. Mesmo assim, eram poucos os que se matriculavam e o número caiu ainda mais quando, em 1844, os temores dos judeus se confirmaram. Isso se deu ao tomarem conhecimento de um memorando confidencial que reafirmava as intenções do czar “cujo objetivo em educar os judeus era trazêlos mais perto do cristianismo”.

Falsa Esperança Somente com a subida ao trono do czar Alexandre II (que reinou de 1855 até 1881), a situação dos judeus apresentou alguma melhora. Tomando posse em clima de descontentamento social, o novo governante prometera a todos os súditos “educação, justiça, tolerância e tratamento humanitário”. Aclamado como o “Czar Libertador”, Alexandre II iniciou reformas para implantar um sistema de produção capitalista. A Rússia ainda era uma nação agrícola, que preservava as injustiças feudais de servidão. O czar começou a incentivar a indústria, o comércio e

Max Lillienthal.

a construção de uma rede de estradas de ferro. Em 1861, emancipou os 47 milhões de servos russos. Ninguém tinha mais esperanças no novo czar do que os 3 milhões de judeus que viviam na Cherta. Alexandre II, que reduzira para 6 anos o odiado alistamento compulsório, aboliu o “acantonamento” dos jovens judeus. Se os judeus tivessem compreendido as atitudes do czar a seu respeito, teriam sido menos otimistas. Alexandre II tinha horror à idéia de igualdade civil para os judeus, mas sabia que a época exigia alguma melhora em seu status. Acreditava que eles deviam “conquistar” privilégios através de uma “melhoria moral”. Decidiu russificá-los usando métodos mais modernos, não mais penalizando os judeus “inúteis”, mas, pelo contrário, premiando os considerados “úteis”. O governo czarista dividia os judeus entre “úteis” e “inúteis”. A primeira categoria abrangia grandes comerciantes, banqueiros, os que tinham curso superior, artistas e artesãos qualificados. Em 1865, permitiu aos “úteis” estabelecerem-se na própria Rússia, pois queria que o capital e o talento judaicos fossem usados para o desenvolvimento da economia de seu império. Comunidades judaicas formadas por grandes comerciantes, financistas, industriais, artistas, acadêmicos surgiram em Varsóvia, Lodz, Vilna, Odessa, São Petersburgo e Moscou. Vestiam-se seguindo os padrões ocidentais, falavam russo e seus filhos freqüentavam escolas russas, mas, ainda assim, muitos adotaram as idéias da Haskalá. Nas duas últimas décadas do governo de Alexandre II, a Rússia vivenciou um impressionante desenvolvimento econômico. A produção industrial aumentou, assim como o comércio internacional. Centenas de ferrovias foram construídas e o sistema financeiro se expandiu. Empresários

O banqueiro Barão Horace Ginzburg de São Petesburgo, um porta-voz dos judeus russos e incentivador das artes.

judeus destacavam-se no comércio e no sistema bancário. Graças a seu acesso ao capital e às relações internacionais, os judeus estabeleceram as bases do moderno sistema financeiro da Rússia. Foram responsáveis pela construção e financiamento de 75% do sistema ferroviário. Os irmãos Poliakov, agraciados pelo czar Alexandre II com títulos de nobreza, construíram as primeiras ferrovias do império e fundaram o Banco de Moscou. Os barões Guinsburg, pai e filho, fundadores do Banco Guinsburg de São Petersburgo e grandes investidores nas minas de ouro da Sibéria, foram algumas das mais importantes personalidades da época. Mas, nuvens pretas novamente avizinhavam-se da população judaica. Na década de 1870, após esmagar uma rebelião polonesa, Alexandre II deu uma guinada reacionária. O czar e seus ministros se tornaram adeptos das idéias do nacionalismo eslavo, uma nova corrente de pensamento reacionário que pregava uma volta aos valores russos e desprezava qual-

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Horizonte quer idéia liberal da Europa Ocidental. Como era de se esperar, os judeus foram os grandes alvos da nova política. Até início do século XX, foi-se gradualmente acumulando contra eles uma enorme massa de legislação discriminatória. Ademais, parte da população russa não via com bons olhos o sucesso econômico e o aumento da visibilidade social dos judeus. A alegação favorita de todo anti-semita – a de que “o país estava prestes a ser dominado pelos judeus e que a pátria e o povo precisavam ser protegidos” – tomou corpo em todo o império. No fim do reinado de Alexandre II, 4 milhões de judeus viviam na Rússia.

As “Leis de Maio” As esperanças dos judeus de que a situação melhorasse acabaram abruptamente quando, em março de 1881, o czar foi assassinado por revolucionários; seu filho, Alexandre III, subiu ao trono, governando de 1881 até

1894. O fato de haver entre os responsáveis uma jovem judia deu margem a um recrudescimento da propaganda anti-semita. A mídia passou a escrever acerca de uma “conspiração judaica secreta contra a Rússia”. Para piorar o panorama, o novo czar entregara as rédeas do governo a Konstantin Pobedonostzev. Arqui-reacionário nacionalista, procurador geral do Santo Sínodo, autoridade suprema da Igreja Ortodoxa Russa, Pobedonostzev acreditava que só um governo nacionalista forte e absolutista poderia salvar o país. Instalou-se um regime de terror policial e as minorias étnicas foram alvo de nova campanha de russificação. Em relação aos judeus, o governo determinou que deviam ser isolados ainda mais da vida russa, identificados e responsabilizados como “a raiz de todos os males da Rússia”. O anti-semitismo – que permeava todas as classes sociais, inclusive as elites intelectuais – era um ingrediente básico da ideologia de Pobedonostzev. Para ele, os ju-

Os pogroms dos anos 1880 geraram uma onda de emigração judaica que perdurou por décadas. Estes refugiados, fotografados no porto de Liverpool (Grã-Bretanha) em maio de 1882, estavam entre os primeiros dos aproximadamente 2 milhões de judeus que deixaram a Rússia entre 1881 e 1914. A maioria deles foi para os Estados Unidos.

deus da Rússia tinham apenas três opções: “emigrar, morrer ou se converter”. No dia da coroação de Alexandre III explodiu uma onda de pogroms* sanguinários que se alastraram, “espontaneamente”, durante a primavera e verão russos de 1881, no Sul da Rússia e na Ucrânia. As comunidades de Odessa, Kiev, Balta e, em seguida, todos os shtetls da “Zona de Residência”, mais de cem, foram assaltadas, suas propriedades destruídas, ocorrendo muitos assassinatos. A polícia sempre assumia uma postura apática e há provas de que o anti-semitismo era “patrocinado” pelo governo. Era a polícia secreta do czar que, além de organizar inúmeras caças aos judeus, imprimia e distribuía folhetos incitando as massas. Rumores à época afirmavam que o czar via os pogroms com bons olhos.

Apesar dos protestos e da indignação internacional, o governo do czar não modificou sua política antijudaica. Em outubro de 1881 foi promulgada uma legislação anti-semita conhecida como “As Leis de Maio”. O pretexto que as “justificava” foram os pogroms, segundo o governo, “resultado direto da indignação popular contra os judeus, cabendo, portanto, ao czar restringir as atividades de tal minoria”. Na época, a Rússia era o único país da Europa onde o anti-semitismo era política oficial e, nos trinta anos que se seguiram, as ações antijudaicas apenas se multiplicaram. As Leis de Maio limitavam drasticamente o ingresso de judeus em várias profissões, assim como ao sistema educacional russo e às universidades. Reduziram a área do Território onde podiam viver. Com

* Movimentos de violência contra os judeus.

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Horizonte A Revolução de 1905 foi um marco na história da Rússia, assinalando o início do fim do regime czarista. Temendo ser deposto, Nicolau II atendeu, contrariado, algumas das exigências das massas insatisfeitas: promulgou a Constituição e criou a Duna, o parlamento russo. Ansioso por recuperar seu poder absolutista e esvaziar a reGrupo de soldados judeus na Rússia em 1887. volução, o czar buscava um “bode expiatório” para levar sua expulsão dos vilarejos, a vida a culpa pelos males da Rússia. A escojudaica nos shtetls chegava ao fim. lha foi fácil. A estratégia era convenOcorreram deportações em massa cer os camponeses de que o movimende judeus. Mais de dez mil foram to revolucionário era um movimento expulsos de Moscou, em seguida de judaico, que visava destruir toda a São Petersburgo e Carkov. Mais de Rússia. Acreditavam o czar e seus par40% de toda a população judaica tidários que, se a revolução pudesse fora reduzida à miséria. O desespe- ser desacreditada, as massas se iriam ro tomou conta dos judeus e cente- voltar para seu czar em busca de pronas de milhares deixaram a Rússia, teção contra o inimigo comum. Em outubro de 1905, 660 comunilevando consigo nada mais que a roupa do corpo. Estima-se, em mé- dades judaicas foram atacadas. Sodia, que de cada 1.000 judeus, 156 mente em Odessa, 300 judeus foram mortos e dezenas de milhares perdeemigraram entre 1898 e 1914. ram todos os seus bens. Um grupo paramilitar, chamado “Centúrias NeO Czar dos Pogroms gras” (braço armado da Liga do Povo Quando subiu ao trono Nicolau II Russo), foi organizado para acabar (1895-1918), último da dinastia dos com a oposição ao czarismo. Estava Romanovs, conhecido na história ju- pronta a contra-ofensiva que deteria a daica como o Czar dos Pogroms, ini- Revolução. A Liga do Povo Russo foi o ciava-se mais um período negro e primeiro instrumento moderno do antimarcado por extremo sofrimento ju- semitismo russo. Seu alvo eram todos daico. O czar resolveu tentar “afo- os judeus, indiscriminadamente. Entre gar a Revolução Bolchevista no san- as pessoas assassinadas havia burgue judeu”. Entre 1903 e 1907, a gueses liberais e industriais proemiviolência se reacendeu. Os pogroms nentes. Para atiçar ainda mais o ódio con– 284 durante o período – foram incentivados pelo governo e, em abril tra os judeus, o governo passou a pude 1903, ocorreu o sangrento po- blicar e distribuir panfletos incendiários. Entre 1903 e 1916, foram distrigrom de Kishinev.

buídas 14 milhões de cópias de 2.873 panfletos anti-semitas. Muitos eram impressos nos escritórios do Ministério do Interior. Um destes, que se tornaria o documento anti-semita mais lido da história – Os Protocolos dos Sábios de Sião – também foi forjado e publicado pela polícia secreta russa. O famigerado panfleto “afirmava” que tais protocolos eram anotações de uma reunião sigilosa de líderes mundiais judeus, que supostamente acontecia uma vez a cada cem anos, a fim de organizar a manipulação e o controle do mundo, no século seguinte. Os Protocolos eram e, infelizmente, ainda são usados como “prova” de que “o mundo é dominado pelos judeus”. Apesar de serem desmascarados como óbvia fraude, poucos anos após sua primeira publicação, não cessaram de ser lidos por anti-semitas.

O czar Nicolau II resolveu tentar “afogar a Revolução Bolchevista no sangue judeu”. Entre 1903 e 1907, a violência se reacendeu. Os pogroms – 284 durante o período – foram incentivados pelo governo e, em abril de 1903, ocorreu o sangrento pogrom de Kishinev.

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Horizonte Foi ainda durante o reinado de Nicolau II, em 1911, que o “Caso Beilis” tornou o anti-semitismo russo célebre no mundo todo. Com a crescente devastação da comunidade judaica, considerada a mais oprimida do mundo, as pessoas buscavam uma saída dentro ou fora da Rússia. Desesperados e à procura de um meio para melhorar a situação, muitos judeus aderiram aos movimentos anarquistas, comunistas, socialistas e ao movimento Bund. Qualquer tendência lhes servia, desde que pudesse fornecer alguma es-

perança de mudança. Outros, em massa, preferiram emigrar em busca de local mais acolhedor. Entre 1881 e 1914, cerca de 50 mil judeus deixavam a Rússia anualmente, totalizando 2,5 milhões. A maioria dos imigrantes desse período escolheu como destino os Estados Unidos. Apesar dessas maciças levas emigratórias, devido à sua alta taxa de natalidade, a população judaica da Rússia permaneceu constante, cerca de 5 milhões de pessoas. Antes da emigração em massa, os judeus totalizavam de 7 a 8 milhões.

O elo de ligação entre os aiatolás e o Hizb’allah

Na Síria, as novas armas já estão à disposição O envolvimento da Síria no Líbano segue uma longa tradição. Mesmo que os soldados sírios tenham se retirado do país dos cedros há algum tempo, o ditador Bashar el-Assad continua interferindo fortemente na política libanesa. No final de agosto, o primeiro-ministro israelense repetiu com a maior clareza: “Milhares dos mísseis do Hizb’allah (Partido de Alá) que caíram sobre Israel vieram da Síria”. Olmert foi ainda mais incisivo, pois exigiu que esse fornecimento de armas fosse “interrompido do mesmo modo que a presença e proteção de comandos terroristas palestinos em Damasco”. Assim, a Síria voltou a ficar sob fogo cruzado. Bashar el-Assad deve ter ficado surpreso com as reações, pois tinha apenas continuado com sua política seguida há anos: seu país continua sendo um abrigo seguro para todos os ativistas do Partido Baath e da

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organização terrorista internacional Al Qaeda interessados em escapar do Ocidente. Grupos palestinos radicais, entre os quais o Hamas e a Jihad Islâmica, mantêm escritórios e campos de treinamento na Síria. Se Assad achava que tinha obtido um ponto a seu favor com a retirada de suas tropas do Líbano, ele imediatamente o perdeu pela participação no assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri. Se bem que Assad tem sido atacado de tempos em tempos por causa de sua política, normalmente ele tinha escapado sem maiores danos. Por que isso mudaria agora? Através do ataque do Hizb’allah a Israel, repentinamente a Síria voltou ao foco das atenções. O filho do falecido ditador onipotente Hafez Assad constatou que os EUA apoiaram Israel e não somente toleraram as operações militares israelenses contra o Hizb’allah, mas as aprovaram e, em caso de necessidade, até estavam dispostos a

Em 1917 a Revolução Bolchevista pôs fim ao odiado regime czarista. Para muitos judeus, parecia o fim de um longo pesadelo. Mal sabiam que era o início de outro, tão ou mais cruel ainda... (extraído de www.morasha.com.br)

Bibliografia: – Sachar, Howard, The Course of Modern Jewish History, Ed. Random House. – Johnson, Paul, História dos Judeus, Editora Imago. – Comay, Joan, The Diaspora Story. – Beilis, Mendel, Scapegoat on Trial: The Story of Mendel Beilis.

aceitar a ampliação dos combates. Nesse meio-tempo, o papel silencioso de Assad no armamento de grupos árabes radicais foi cada vez mais revelado ao público. A Síria é o local central de transferência de armamentos que procedem do Irã e são transferidos à milícia libanesa Hizb’allah. Porém, Assad não se limitou a isso, pois nos últimos anos a Síria forneceu ao Hizb’allah mísseis de

Milhares dos mísseis que caíram sobre Israel foram fornecidos pela Síria.


Horizonte 200 milímetros, com ogivas que podem transportar 80 quilos e têm alcance de aproximadamente 70 quilômetros. Além disso, a Síria mandou ao Hizb’allah foguetes de 302 milímetros, com ogivas de 100 quilos e alcance de 100 quilômetros. Os sírios também colocaram à disposição dos guerrilheiros armas anti-tanques e outros tipos de mísseis – além de granadas antiaéreas. Entretanto, a ajuda por parte dos sírios não se limita apenas ao fonecimento de armas. A Síria permite, por exemplo, que o Hizb’allah recolha do-

nativos no país para promover a luta armada. Isso acontece de forma aberta e agressiva, sem que se tente esconder qual o destino das ofertas. Em muitos locais há caixas de coleta com a inscrição “Donativos Para a Resistência” e são realizadas grandes campanhas para angariá-las. Há também farta distribuição de folhetos com mensagens e imagens muito claras, por exemplo, de Hassan Nasrallah (o líder do Hizb’allah) tomando posse do Domo da Rocha em Jerusalém e de moedas que se transformam em balas e caem sobre uma estrela de Davi. Tam-

Israel, o novo Vale do Silício

Terceiro laboratório de software da IBM em Israel As atividades de pesquisa e desenvolvimento da IBM em Israel já têm uma tradição de longos anos. Agora, a grande corporação de informática pretende ampliar ainda mais seus investimentos em Israel. A IBM já está presente em Israel há muito tempo. Recentemente, a liderança da empresa comunicou que irá ins-

talar no país um terceiro laboratório de desenvolvimento de software (programas de computador). O novo laboratório consistirá de três divisões de pesquisas, que serão instaladas em Rehovot e em Jerusalém. Os funcionários serão colaboradores de empresas israelenses adquiridas nos últimos anos pela IBM.

Recentemente, quando voltava para casa de ônibus, um homem ultra-ortodoxo estava sentado ao meu lado lendo o livro de Salmos. Ele lia o Salmo 96, que era o mesmo capítulo que havíamos estudado em minha igreja alguns dias antes. Ele lia e olhava-me. Percebi que não se sentia bem. Finalmente, perguntou-me: “Você não tem vergonha?” – “Por que essa pergunta? O que foi que eu fiz?”, respondi-lhe.

bém são distribuídos, entre crianças e jovens, quiz e jogos que utilizam linguagem de incitação e deturpam fatos históricos. Além disso, os combatentes do Hizb’allah utilizam o aeroporto de Damasco para viajar ao Irã para participarem de cursos de aperfeiçoamento e treinamento militar. Um integrante do Hizb’allah preso por Israel confessou que os sírios até mesmo colocaram à disposição dos guerrilheiros um prédio especial no aeroporto de Damasco e não realizam quaisquer controles quando eles embarcam no local. (AN)

O laboratório de pesquisa e desenvolvimento da IBM em Haifa já existe há 30 anos, sendo, portanto, um dos mais antigos e bem equipados desse tipo em Israel. Ao mesmo tempo, tratase da maior unidade de pesquisas que a empresa mantém fora dos EUA. No laboratório de Haifa trabalham atualmente 400 cientistas. O segundo instituto já funciona há diversos anos em Ramat HaChayal na Grande Tel Aviv. Após a abertura do terceiro laboratório de pesquisas, a IBM terá aproximadamente 650 empregados em Israel (AN)

– “Você vê que estou lendo o Salmo e nem sequer cobre a cabeça”, respondeume irritado. Moro em Jerusalém há cinqüenta anos e nunca enfrentei uma situação como essa. Muitas pessoas a quem testemunho perguntam-me porque não cubro a cabeça. Mas nunca alguém veio contra mim com tanta hostilidade, usando palavras tão ásperas, enquanto eu apenas estava sentado,

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Horizonte nhor, devo recordar o que está escrito: ‘Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos’ (Zacarias 4.6)”. Dessa vez ele me perguntou: “Onde está escrito isso?” – “Não fui eu que escrevi esse texto. Nós o encontramos nas Sagradas Escrituras, no livro de Zacarias”, Em Israel encontramos muitas pessoas que lêem falei-lhe. os Salmos, mas tão rapidamente que não – “Você sabe, muitos gastam tempo para estudar. Elas nem ao menos entendem o que lêem. Estão cegas para a cristãos usam a palavra Yesverdade! hua”, replicou ele [com desconfiança]. Enquanto o homem falava, não pude evitar não fazendo nada. “Talvez esteja um sentimento de compaixão por doente”, pensei. ele. Em Israel encontramos muitas Porém, ele continuou agredin- pessoas assim. Elas lêem os Salmos, do-me com seu vocabulário. Final- mas tão rapidamente que não gasmente, perguntei: “O que você quer tam tempo para estudar. Elas nem de mim?” Diante de todos que esta- ao menos entendem o que lêem. Esvam no ônibus, ele respondeu em tão cegas para a verdade! voz alta: “Quando alguém lê o livro – “Por favor”, falei-lhe, “deixede Salmos, como eu estou fazendo, me mostrar no livro de Salmos one outra pessoa está perto de mim, de está escrito sobre Yeshua. Veja deve mostrar respeito e cobrir a ca- no próprio Salmo 96, que você está beça”. lendo. A quem o texto se refere?* – “Quando eu oro”, respondi, “a Esse não é um livro cristão. Vejo cabeça não assume um valor espe- que você tem medo da verdade porcial. O mais importante é o cora- que acredita em histórias fictícias. ção. Eu creio no Senhor e no que Em Levítico 19.4 está escrito: ‘Não está claramente escrito na mais im- vos virareis para os ídolos, nem vos faportante oração cotidiana: ‘Amarás, reis deuses de fundição. Eu sou o Sepois, o Senhor teu Deus, de todo o teu nhor, vosso Deus’. Porém, tantas tracoração, de toda a tua alma e de toda dições judaicas têm feito o povo a tua força’ (Deuteronômio 6.5). Ja- voltar-se para os ‘ídolos’. É impormais digo às pessoas que devem fa- tante crer o que está escrito aqui na zer isso ou aquilo de acordo com o Bíblia”. que falo”. Então, perguntou-me: “Você crê Os passageiros do ônibus escuta- em Yeshua”? – “Sim”, respondi. vam-me e se posicionaram do meu “Eu creio em Yeshua. Creio porque lado. está escrito nas Sagradas Escrituras. – “Eu creio em Deus”, conti- É nossa obrigação crer porque sonuei. “Ele é nosso Salvador, Yes- mos o povo da Bíblia e temos sido hua [Jesus]. É nEle que confio. Se chamados a levar a Sua salvação até eu quiser que outros creiam no Se- aos confins da terra”. * “O salmo é messiânico no sentido de que o futuro reino de Deus aqui mencionado será cumprido no reino do Messias, que é filho de Davi e Filho de Deus” (A Bíblia Anotada, Charles Ryrie, p. 758).

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Em seguida, perguntei: “De que maneira você se aproxima das pessoas e fala com elas? Há alguns minutos atrás eu vi como reagiu. Em qual mandamento está escrito que devemos nos irritar e ser hostis com os outros?” Mostrei-lhe Levítico 19.18, onde lemos: “...amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor”. “Quem nos deu esse mandamento? Não foram os rabinos em quem você põe sua confiança, mas a pessoa do Senhor Deus. Nós, que cremos em Yeshua, ensinamos às pessoas o amor e a salvação de Deus. Perceba que não estou gritando como você fez comigo, mas mostrando o que o Senhor espera de nós: que nosso coração se abra para Ele. Deus é amor”. Os passageiros estavam surpresos de ouvir alguém que não estava vestido como um ultra-ortodoxo falando da fé segundo a Bíblia. Começaram a fazer-me perguntas, querendo saber como havia chegado a crer em Yeshua. Tudo isso aconteceu num ônibus. Tantas vezes faço planos para encontrar pessoas como essas para falar-lhes acerca do Senhor e dessa vez o Senhor trouxe-as a mim. (Zvi, Israel My Glory) Zvi nasceu na Polônia, é sobrevivente do Holocausto e desde 1948 vive em Israel. Lá aceitou Jesus, o Messias, como seu Salvador pessoal.

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Notícias de Israel - Ano 28 - Nº 11  

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