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da Meia-Noite

Mateus 25.6

www.chamada.com.br

AGOSTO DE 2007 • Ano 38 • Nº 8 • R$ 3,50


Chamada da Meia-Noite Publicação mensal Administração e Impressão: Rua Erechim, 978 • Bairro Nonoai 90830-000 • Porto Alegre/RS • Brasil Fone: (51) 3241-5050 Fax: (51) 3249-7385 E-mail: mail@chamada.com.br www.chamada.com.br Endereço Postal: Caixa Postal, 1688 90001-970 • PORTO ALEGRE/RS • Brasil

Índice Prezados Amigos

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A Igreja de Jesus na Última Etapa do Caminho

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Preços (em R$): Assinatura anual ................................... 31,50 - semestral ............................ 19,00 Exemplar Avulso ..................................... 3,50 Exterior - Assin. anual (Via Aérea) US$ 28.00 Fundador: Dr. Wim Malgo (1922-1992) Conselho Diretor: Dieter Steiger, Ingo Haake, Markus Steiger, Reinoldo Federolf Editor e Diretor Responsável: Ingo Haake Diagramação & Arte: Émerson Hoffmann INPI nº 040614 Registro nº 50 do Cartório Especial Edições Internacionais A revista “Chamada da Meia-Noite” é publicada também em espanhol, inglês, alemão, italiano, holandês, francês, coreano, húngaro e cingalês.

Transformando “Gregos” em “Judeus”

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Sua Misericórdia Dura Para Sempre

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Do Nosso Campo Visual

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As opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade dos autores. “Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! saí ao seu encontro” (Mt 25.6). A “Obra Missionária Chamada da Meia-Noite” é uma missão sem fins lucrativos, com o objetivo de anunciar a Bíblia inteira como infalível e eterna Palavra de Deus escrita, inspirada pelo Espírito Santo, sendo o guia seguro para a fé e conduta do cristão. A finalidade da “Obra Missionária Chamada da Meia-Noite” é: 1. chamar pessoas a Cristo em todos os lugares; 2. proclamar a segunda vinda do Senhor Jesus Cristo; 3. preparar cristãos para Sua segunda vinda; 4. manter a fé e advertir a respeito de falsas doutrinas

• A Bíblia e os fatos históricos sobre o Irã - 17

Todas as atividades da “Obra Missionária Chamada da Meia-Noite” são mantidas através de ofertas voluntárias dos que desejam ter parte neste ministério.

Aconselhamento Bíblico www.Chamada.com.br

• Deus mudou?

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“O que devo fazer para me fortalecer na Palavra de Deus?” Essa pergunta, formulada por um dos nossos leitores, cala fundo em nosso coração, pois revela um anseio legítimo por crescimento espiritual. Como seria grandioso se todos nós estivéssemos tomados por esse anseio! Como seria maravilhoso ver os cristãos buscando crescimento espiritual e conhecimento da Palavra ao invés de entretenimento e de auto-realização, tão populares hoje em dia. Seria fantástico ver mais crentes perguntando: “Como posso me tornar um instrumento mais útil nas mãos do Mestre?” Infelizmente, não são muitos os que estão dispostos a essa caminhada nesta época viciada em soluções instantâneas e milagrosas. Mas perguntemos a nós mesmos: “Como estou? Quais são meus anseios mais profundos?” E então, ao tentar responder essas questões, chegamos à conclusão de que necessitamos de avivamento pessoal, de que precisamos ser perturbados em nossa indolência para não adormecermos espiritualmente. O Senhor sabe qual é a “pedra no nosso sapato”, Ele conhece nossas fraquezas, e por isso tomou providências para nos ajudar: na Bíblia Ele nos fornece muitos exemplos e diretrizes que nos indicam o caminho a seguir. Moisés é um dos grandes homens do passado que têm muito a nos ensinar com seu exemplo de vida e com as lições que eles próprios aprenderam na sua caminhada com Deus. Através de Moisés o Senhor falou de modo insistente com Seu povo Israel. Esse falar de Deus, que era como um cortejar amoroso, está transcrito no livro de Deuteronômio. Em seu passado imediato o povo havia experimentado pesados juízos, pois a geração que saíra do Egito havia morrido no deserto, com exceção de Josué e Calebe. Estava plenamente cumprido aquilo que Deus anunciara antecipadamente. Agora Moisés, com 120 anos de idade, dirige-se outra vez às doze tribos de Israel, porém, dessa vez a um povo mais jovem, que cresceu e se criou no deserto. O livro de Deuteronômio é, na realidade, uma orientação para a entrada e a conquista da Terra Prometida. O falar de Deus através de Moisés visava regulamentar e ordenar o dia-a-dia do Seu povo, cercado por nações pagãs. Por isso, o falar de Deus a Israel através de Moisés é igualmente significativo para os dias de hoje, pois nós, cristãos renascidos, também somos um povo chamado para fora do mundo, separado para servir ao Senhor nestes tempos do fim. Quarenta anos antes Deus já havia dito a Moisés no monte Horebe: “Reúne este povo, e os farei

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ouvir as minhas palavras, a fim de que aprenda a temer-me todos os dias que na terra viver e as ensinará a seus filhos” (Dt 4.10). Agora Moisés voltou a dizer: “Ajuntai o povo, os homens, as mulheres, os meninos e o estrangeiro que está dentro da vossa cidade, para que ouçam, e aprendam, e temam o Senhor, vosso Deus, e cuidem de cumprir todas as palavras desta lei; para que seus filhos que não a souberem ouçam e aprendam a temer ao Senhor, vosso Deus, todos os dias que viverdes sobre a terra...” (Dt 31.12-13). Prestemos atenção a três pontos que merecem ênfase: “ajuntai – para que ouçam – e aprendam”. Ouçam e aprendam o quê? A temer ao Senhor, a obedecer à Sua Palavra e a ensinar o mesmo a seus filhos, por toda a vida! Se realmente seguirmos essas instruções, dadas há tanto tempo ao povo de Israel, então essa mesma Lei nos conduzirá a Jesus, servindo de aio para nos levar até o Senhor (Gl 3.24). Esse é o objetivo, o alvo final da Lei (Rm 10.4), ou seja: a Lei nos toma pela mão e nos conduz a Jesus. Dele recebemos, então, a graça de viver uma vida que agrada a Deus. É por essa razão que Colossenses 3.16 nos conclama: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; intruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus...” (Cl 3.16). “Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” (2 Co 7.1). Essa instrução mútua e essa habitação rica da Palavra entre nós é o que desejamos para o próximo Congresso Profético em Águas de Lindóia (17/10 a 20/10/07, veja o prospecto nesta revista). Por isso, oramos e esperamos que muitos participem, que venham ouvir a Palavra de Deus, aprendendo a temer ao Senhor, que sempre cumpre Sua Palavra. Esperamos que muitos se animem a ensinar seus filhos e a viver dia após dia o que a Bíblia ordena, para que possamos testemunhar aquilo que Paulo declarou no final de sua vida: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (2 Tm 4.7). Unidos nAquele que nos intrui no caminho em que devemos seguir, saúdo cordialmente em Nome de Jesus,

Dieter Steiger


Î O que nos espera neste tempo do fim? Î Para quê os cristãos devem se preparar? Essas questões importantes são abordadas neste artigo.

Quando João escreveu sua primeira epístola, ele advertiu seus leitores, entre outras coisas, a respeito do seguinte: “Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também, agora, muitos anticristos têm surgido; pelo que conhecemos que é a última hora” (1 Jo 2.18). Quando lembramos que o apóstolo anotou essas palavras há aproximadamente 1950 anos – qual não será a sua atualidade nos dias de hoje? Em outras palavras: hoje, mais do que nunca, estamos vivendo a “última hora”. Mas, então, o que é característico para a última hora ou para os últimos tempos? Haverá tranqüilidade absoluta, o fim de todas as lutas, de forma que poderemos nos reunir confortavelmente, cruzando os braços, e simplesmente esperar o que vai acontecer? Não, é justamente o contrário: desassossego e luta caracterizam a última hora! Por quê?

Porque “também, agora, muitos anticristos têm surgido”, e por isso a tranqüilidade é a última coisa que pode haver. Por isso precisamos nos precaver quando ouvimos falar a respeito de épocas tranqüilas. O apóstolo Paulo já fez a seguinte advertência a respeito : “Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão” (1 Ts 5.3). Aqui Paulo fala da vinda do Senhor, isto é, da última hora, e adverte contra o perigo de acomodar-se na expectativa por esse acontecimento. Pois neste momento realmente não há paz para nós, que cremos em Jesus, já que essa última hora é a hora do Anticristo. E não foi só João que escreveu a respeito desse aparecimento tão negativo nos tempos finais. Paulo também escreveu palavras bem cla-

ras a Timóteo: “Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes” (2 Tm 3.1-5). Como sabemos que aqui Paulo fala do Anticristo, e não simplesmente a respeito de pessoas que não crêem? Ele escreve: “...tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder”. Essas pessoas dão a impressão de estarem ao lado de Jesus Cristo, mas agem de forma contrária à Sua palavra – e o espírito anticristão se comporta da mesma forma. Assim também o último Anticristo surgirá: ele dará a impressão de ser o Cris-

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“Filhinhos, já é a última hora...!”

to, ou o Messias, destacando-se como um benfeitor e pacificador. Mas logo em seguida ele se relevará como o filho do Diabo. Apesar do nosso tempo ser muito inquieto, já que existem muitos anticristãos entre nós, também há um aspecto tranqüilizador para os cristãos renascidos:

Os filhos de Deus devem ter ânimo! O Senhor Jesus encoraja os Seus com as palavras: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33). Podemos recordar essa verdade maravilhosa a cada dia, como sinal de vitória, mesmo conhecendo o sofrimento e a luta deste tempo. Precisamos ter sempre diante de nossos olhos: o sofrimento nunca será maior que o Ajudador! Estamos, sim, neste mundo terrível, mas temos o vencedor do Gólgota ao nosso lado! Por isso, a Primeira Carta de João diz: “Filhinhos, vós sois de Deus e tendes vencido

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os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo” (1 Jo 4.4). Apesar de justamente nesta época atual sentirmos o espírito do abismo como um hálito saído do inferno e muitas vezes termos medo, podemos olhar para Jesus e ouvir as Suas palavras mesmo nas maiores tempestades e oposições: “...tende bom ânimo; eu venci o mundo”. Quando seu coração estiver muito abatido, você precisa juntar forças para dizer em alto e bom som: “Jesus é vencedor! Ele venceu o mundo!” Ainda assim, isso não impede que vejamos de forma cada vez mais clara que realmente vivemos na última hora e que, do ponto de vista escatológico, o dia já escureceu faz tempo. O sol já se pôs, a noite ainda não tomou conta, mas a Igreja de Jesus está às portas do Arrebatamento, e o juízo sobre este mundo está prestes a começar. Talvez você já tenha se perguntado: “O que esta noite, esta última hora, nos trará? O que ainda devemos esperar?” A fim de encontrar uma resposta para essas perguntas, muitas vezes receosas, é útil permitir que os acontecimentos da época de Jesus lancem sua luz sobre os nossos dias. Vamos analisar um desses acontecimentos e aprender a confiar no nosso maravilhoso Senhor Jesus em cada situação que enfrentarmos.

Uma visão profética para o nosso tempo Em João 6.16-18 lemos: “Ao descambar o dia, os seus discípulos desce-

ram para o mar. E, tomando um barco, passaram para o outro lado, rumo a Cafarnaum. Já se fazia escuro, e Jesus ainda não viera ter com eles. E o mar começava a empolar-se, agitado por vento rijo que soprava”. Já havia anoitecido quando os discípulos entraram em um barco para ir a Cafarnaum, cruzando o lago de Genesaré. Não é esta uma clara imagem profética para o nosso tempo da última hora, que já revelou tantos anticristos? Não são justamente a escuridão e a insegurança espiritual caracaterísticas para o nosso tempo, tendo assustado tantas pessoas, impelindo algumas até ao suicídio? Quem ainda não pertence ao Senhor Jesus pela fé no Filho de Deus sente medo o tempo todo, pois vivemos em uma época demoníaca, um tempo de confusão, na qual o mal já tomou proporções enormes, fazendo da insegurança o principal problema. Quando Jesus fala da Sua vinda em grande poder e glória (e não sobre o Arrebatamento), Ele conta que antes acontecerá o seguinte: “...haverá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo...” (Lc 21.26). Hoje já sentimos esse medo do qual Jesus falou; ele já atua de forma paralisante sobre a humanidade. Sim, toda criação está sujeita a este medo, como escreveu Paulo em sua carta aos cristãos em Roma: “A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus” (Rm 8.19). Mesmo nós, que já nos tornamos filhos de Deus, não temos como escapar de tudo isso. É verdade que não estamos submetidos ou entregues ao espírito do medo e temor, mas ainda nos encontramos no mundo e, por isso, muitas vezes estamos rodeados do sopro do inferno. Jesus não disse que os Seus nunca teriam medo neste mundo, mas: “No mundo, passais por aflições;


mas tende bom ânimo; eu venci o mundo”. Se permanecermos nEle, o mundo não poderá nos atingir; pois “somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8.37). É justamente essa a grande diferença entre os filhos de Deus e os filhos deste mundo, que são praticamente esmagados pelo medo, enquanto os cristãos podem vencê-lo no nome de Jesus. Mas não podemos nos acomodar numa falsa segurança, pois também nós, como filhos de Deus, precisamos lidar com esse enganoso espírito anticristão. Em João 6.1617 lemos: “Ao descambar o dia, os seus discípulos desceram para o mar. E, tomando um barco, passaram para o outro lado, rumo a Cafarnaum. Já se fazia escuro, e Jesus ainda não viera ter com eles”. Não era um grupo qualquer de pessoas, mas discípulos de Jesus que queriam passar de barco até Cafarnaum. É claro que Jesus sabia que haveria uma tempestade no lago, mas mesmo assim Ele não impediu que Seus discípulos enfrentassem esse perigo. O mesmo acontece conosco, que cremos nEle. Jesus não criou simplesmente um pequeno céu neste mundo para os Seus, onde pudéssemos nos colocar a salvo dos perigos e esperar pela volta dEle. Não, Ele nos colocou neste mundo terrível, demoníaco, a fim de testemunharmos de Seu Evangelho aos que ainda não crêem, por meio de palavras e atos. Mas Ele nos deu um salvo-conduto: Sua vitória sobre este mundo. E por causa desse salvo-conduto um dia chegaremos em segurança até Ele, mesmo que agora muitas vezes enfrentemos insegurança e até medo, ou então, para usar uma ilustração, quando as ondas do mar parecem nos derrubar e ameaçam nos afogar. Apesar das dificuldades que encontramos pela frente, chegaremos a Ele em segurança, sim, pode-

mos nos alegrar na expectativa por esse dia do encontro com Jesus, pois o destino que nos aguarda é maravilhoso. Os discípulos de Jesus lá no lago de Genesaré remaram para dentro da noite escura e a tempestade que se armou trouxe-lhes grande insegurança. Mas eles tinham um destino maravilhoso diante dos olhos: Cafarnaum.

Cafarnaum – apenas uma simples vila de pescadores? O que havia de tão extraordinário em Cafarnaum, o que traduzido significa literalmente “vila de Naum”? Apesar de Cafarnaum ser uma simples vila de pescadores, havia algo de especial nela. Em Marcos 2.1 lemos: “Dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu que ele estava em casa”. As

palavras “que ele estava em casa” significam que Jesus estava no Seu lar. Realmente, Cafarnaum era o lar de Jesus enquanto Ele viveu na terra, ou, como diz Mateus 9.1: “sua própria cidade”. Mateus 4.13 também diz: “...e, deixando Nazaré, foi morar em Cafarnaum, situada à beira-mar”. Apesar dos discípulos de Jesus terem remado para a noite escura num barco e a insegurança ter aumentado ainda mais quando um forte vento agitou a água no lago de Genesaré, eles estavam a caminho da cidade de Jesus e de Sua casa: Cafarnaum. Que destino esperado e maravilhoso tinha a sua viagem! O mesmo acontece conosco. Escuridão e insegurança são as marcas do nosso tempo, que já está muito endemoninhado e é, portanto, cheio de enganos. O mal aumentou muito no mundo. Apesar disso, a Igreja de

“...pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos”.

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provações”, mas na certeza que cada cristão renascido pode ter: ao passar por essas provações estou a caminho da Sua cidade, para o lar eterno, onde Jesus Cristo, o Arquiteto celestial, constrói moradas! Que graça maravilhosa, que esperança grandiosa!

A tentação da última hora: presunção

“Ao descambar o dia, os seus discípulos desceram para o mar. E, tomando um barco, passaram para o outro lado, rumo a Cafarnaum...”.

Jesus e todos que a ela pertencem estão a caminho do lar eterno, a Jerusalém celeste. E nesse caminho, que às vezes parece difícil demais, você, querido filho de Deus, se dirige ao lar celestial. É bom entrar pela porta estreita e andar pelo caminho apertado, pois somente este leva a Jesus, que é a vida (Mt 7.14). No caminho largo há espaço para muitas outras coisas e tudo é tolerado, mesmo o que é diametralmente oposto à Palavra de Deus. Porém, o caminho largo não conduz a Jesus, no lar do Pai, mas a um outro lugar bem diferente: “...larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela” (Mt 7.13). No caminho estreito só há lugar para duas pessoas, Jesus e você. Aqui o que conta é lutar o bom combate da fé, pois nesse caminho encontraremos muito sofrimento e provações. Mas sabendo que Jesus, o Vitorioso, está conosco, proclamando a Sua vitória e di-

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rigindo nosso olhar sempre para o destino, “Cafarnaum”, a cidade celestial, nosso lar, todo medo e dor logo serão vencidos. Como são comoventes as palavras de Jesus em relação ao lar dos cristãos, a “Cafarnaum” celestial, o lar eterno: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim”. Por que não devemos temer? “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também” (Jo 14.1-3). Mais uma vez brilha aqui esse amor cuidadoso, protetor, do Redentor que encontramos antes em João 16.33, onde Jesus diz: “No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo”. A vitória de Jesus não está apenas em podermos dizer com certeza: “Ele me ajuda, me sustenta nas

Em João 6.16-17 vimos profeticamente a Igreja de Jesus no último trecho de sua caminhada, por meio da figura dos discípulos enfrentando a tempestade no lago de Genesaré, na escuridão. Mas o que aconteceu imediatamente antes disso? A multiplicação dos pães, alimentando cinco mil pessoas, onde os discípulos ainda estavam no meio de uma multidão (Jo 6.1-15). De repente, entretanto, eles foram arrancados dessa atmosfera pacífica a fim de remar sozinhos num barco, na noite escura. Também isso me parece ser uma indicação para a situação da Igreja de Jesus no último trecho de sua caminhada, quando o Senhor começa a preparar os crentes para a Sua volta iminente. Como acontece esse preparo? O Senhor Jesus tira crentes individuais da massa dos cristãos e começa a trabalhar de forma muito pessoal na vida deles. Por que Ele faz isso? Porque na Igreja de hoje age o espírito da igreja de Laodicéia. Do ponto de vista escatológico vivemos hoje o período dessa igreja, e justamente isso é um sinal de que estamos realmente vivendo na última hora. Na Primeira Carta a Timóteo, Paulo escreve: “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios” (1 Tm 4.1).


Qual é a tentação da última hora? Na época da igreja de Laodicéia tratava-se da presunção: “Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma...” (Ap 3.17). Hoje, não são poucas as igrejas que se vangloriam com palavras como: “Estamos indo bem. Veja só quantas pessoas vêm às nossas reuniões. Temos tudo sob controle. Sabemos como fazer as coisas”. Como se forma essa atitude tão superficial? Na minha opinião, a culpa é do poder de sugestão da massa. O que quero dizer com isso? Muitos cristãos correm o perigo de se tornarem “maria-vai-com-as-outras”. Em outras palavras: só se sentem bem na massa. Mas isso nunca foi o propósito de Deus. Não – antes, Ele deseja ter um relacionamento muito pessoal com cada um de Seus filhos. Como, porém, somente poucos cristãos encontram a paz interior, mantendo uma comunhão íntima com o Pai e o Filho por meio da leitura da Bíblia e da oração, desenvolveu-se esse infeliz espírito de “manada”. Muitos cristãos só se sentem bem se estiverem no meio de centenas ou até milhares de co-cristãos, “aquecendo-se” nessa comunhão. Mas a vida verdadeira e o calor verdadeiro só podem ser encontrados em Jesus Cristo! Muitos correm de um evento “Gospel” para outro. Não sou contra reuniões onde muitas pessoas possam ouvir a Palavra de Deus; oro por elas e me alegro com elas. Mas, no meio de milhares de cristãos e sob a impressão da união o indivíduo muitas vezes deixa de perceber que, interiormente, sua vida está descendo ladeira abaixo; ele não consegue mais aferir o grau de qualidade de sua própria vida espiritual. Sob o efeito da massa, ele pensa que tudo está ótimo consigo mesmo. E justamente esse é o problema hoje em dia: pensamos que temos tudo, mas na verdade não te-

mos mais nada, como já acontecera com Laodicéia.

Atenção: fogo estranho! As muitas atividades na igreja de Laodicéia eram muito bem organizadas, mas, na verdade, os crentes não faziam aquilo que Deus queria. Por isso, aos olhos dEle, eles não tinham nada, de forma que tiveram de ouvir a repreensão: “...e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu” (Ap 3.17). Também hoje isso acontece em muitos lugares: os cristãos estão perfeitamente organizados, mas não são um organismo, ou seja, não formam uma unidade, um todo em Cristo. Por isso vemos hoje tanto fogo estranho nas igrejas! O que quero dizer com isso? Tudo parece funcionar muito bem, as assim chamadas manifestações do Espírito estão aparentemente presentes, mas muito disso é falso: pseudo-bênçãos, pseudo-experiências, pseudo-revelações, pseudo-obras. Mas o pior são as pseudo-atividades, das quais muitas igrejas atuais estão repletas. No Antigo Testamento já era um problema quando os dois filhos do sumo-sacerdote pensaram que tinham de mostrar atividades especiais. O holocausto ordenado pelo Senhor não parecia mais suficiente. Não, a seus olhos era preciso fazer algo especial para a honra do Senhor, naturalmente não por meio de uma pessoa qualquer, mas por meio deles mesmos. Aos

olhos de Deus, porém, isso não era nada mais que desobediência pura, e o castigo veio rapidamente. Levíticos 10.1-2 relata a esse respeito: “Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário, e puseram neles fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram fogo estranho perante a face do SENHOR, o que lhes não ordenara. Então, saiu fogo de diante do SENHOR e os consumiu; e morreram perante o SENHOR”. Aqui o fogo estranho, isto é, as atividades erradas, causaram a morte de dois filhos de um sacerdote. O fogo estranho, ou seja, as pseudo-atividades, também causaram a queda de Laodicéia. E o fogo estranho também causará a nossa morte espiritual se não nos convertermos e fizermos o que Deus quer! Por que, apesar da intensidade de sua vida cristã, não há mais alegria do Senhor em seu coração, mas apenas um vazio enorme, insatisfação e tristeza? Por que a sua vida de oração é tão pobre? Por que você não tem mais uma ligação viva com Deus? Porque Deus diz não ao discípulo cujo caminho é composto de obras e atividades que ele mesmo escolheu, de forma que sua vida é consumida por esse fogo estranho.

Cuidado com fogo estranho!

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Hoje a presunção piedosa se revela exatamente no fato de pensarmos que precisamos organizar e planejar o máximo possível de atividades, sendo que Jesus Cristo muitas vezes é “des-organizado” ou “des-planejado”. E uma conseqüência direta dessas atividades erradas, de escolha própria, são os meios errados. Muitas vezes se diz que “os fins justificam os meios”. Mas seria mais correto dizer: “Os meios mudam o fim!” Já no Antigo Testamento o Senhor lamentou: “Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas” (Jr 2.13). Os israelitas usaram meios estranhos para alimentar a sua vida espiritual. Mas o Senhor não compactuou com isso! E Ele também não o faz hoje!

Quem se alegra quando não concordamos ou concordamos só em parte com a ação de Deus em nossa vida? O inimigo de Deus e do homem: Satanás! Tiago diz: “Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios crêem e tremem” (Tg 2.19). Em outras palavras: Satanás e os demônios nunca vão tremer por nossa causa, o que ou quanto quer que nós façamos. Mas diante de Deus os poderes da escuridão estremecem quando Ele pode agir livremente na vida de uma pessoa!

Como Deus atinge Seu objetivo na sua vida?

Retirando-o da massa, como fez com os discípulos naquela oportunidade, a fim de trabalhar de forma pessoal com você. Essa também foi a oferta feita a Laodicéia: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha Jesus Cristo deve ser o centro em toda Igreja! voz e abrir a porta, entrarei Mas, freqüentemente, Seu lugar é tomado pelas muitas atividades. em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo” (Ap 3.20). Eu com Ele e Ele comigo; nunca houve nem há outra pessoa envolvida. Fazendo uma aplicação pessoal: Jesus com você e você com Ele. Esse relacionamento pessoal com cada um de Seus filhos é o que Deus deseja manter nesta época em que o espírito de Laodicéia, o espírito da presunção, age de forma tão marcante. Por esse motivo as palavras de Jesus: “Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me” (Lc 9.23), provavelmente nunca foram tão atuais quanto hoje. Ao Senhor importa o

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indivíduo! É claro que Ele quer preparar cada crente em todo o mundo. Mas nem todo crente está disposto a ser retirado do meio da multidão para seguir sozinho o caminho com Jesus. Muitos se rebelam contra isso e pensam que Deus os colocou de lado por eles terem errado em alguma coisa; e que foram abandonados por Deus e pelos homens. Mas quando Deus tira um de Seus filhos da massa dos cristãos, Ele quer prepará-lo para a vinda de Seu Filho Jesus Cristo. Cada um dos cristãos renascidos deseja ver a volta de Cristo, mas nem todos estão dispostos a se deixar preparar pelo Senhor, pois recusam ser tirados da grande massa.

Um caminho que não nos agradará O que significa o fato do Senhor tirar o indivíduo da multidão dos crentes? Pode ser que esse caminho seja muito solitário, especialmente difícil, algo que nunca teríamos escolhido por nós mesmos. Naquela ocasião os discípulos também não empreenderam a perigosa travessia noturna do lago Genesaré por iniciativa própria, pois está escrito: “Logo a seguir, compeliu Jesus os discípulos a embarcar e passar adiante dele para o outro lado, enquanto ele despedia as multidões” (Mt 14.22). Não ouvimos nada a respeito de que algum dos discípulos tenha se recusado a entrar no barco, antes lemos: “...seus discípulos... (tomaram) um barco, passaram para o outro lado...” (Jo 6.16-17). E você, querido amigo, não deseja também andar pelo caminho que Jesus escolheu para você, mesmo que talvez lhe pareça muito difícil? Acredite em mim: é um grande privilégio quando o Senhor o leva à parte porque deseja prepará-lo para Sua volta. É bem possível que você


ache esse caminho tão difícil porque tem a impressão de que o Senhor não está com você e que você está completamente sozinho. Esse sentimento de abandono também deve ter assaltado os discípulos naquela ocasião em meio à tempestade que se abateu sobre o lago Genesaré. Jesus tinha insistido em que entrassem no barco, mas Ele mesmo foi para outro lugar. Afinal, onde estava Jesus enquanto Seus discípulos lutavam no meio do lago? Ele estava sobre um monte: “E, despedidas as multidões, subiu ao monte, a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde, lá estava ele, só” (Mt 14.23). Não seria lógico supor que, entre outras coisas, Jesus também orou pelos Seus discípulos, que estavam lutando com suas últimas forças contra o mar e pensavam estar sozinhos? Sim, com certeza Ele se ocupava com eles, levando-os em oração diante de Seu Pai celestial. E você, querido filho de Deus, talvez também esteja pensando que

o Senhor o abandonou e que você está sozinho. Mas isso não é verdade. Veja três maravilhosos testemunhos das Escrituras a esse respeito: – “Temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1 Jo 2.1). – “É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós” (Rm 8.34). – “Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7.25). Agora você acredita que o Senhor Jesus só quer o seu bem e que, na verdade, você nunca está sozinho? Ou ainda precisa de outra confirmação de que Ele não o abandonou? Quando você chegou à fé em Jesus Cristo, foi selado com o Espírito Santo (Ef 1.13). E Jesus disse a respeito do Espírito Santo, que é Deus, assim como o Pai e o Filho: “...a fim de que esteja para sempre convosco,... ele habita convosco e estará em vós” (Jo 14.16-17).

Mesmo que, muitas vezes, as ondas da vida ameacem nos submergir, chegaremos sãos e salvos a Jesus!

Preparação “nas profundezas” Como é o próprio Deus onipotente que quer prepará-lo para a vinda de Seu Filho e só quer o melhor para sua vida, você pode dizer-Lhe confiantemente: “Sim, Tua vontade, Senhor, é boa!” Se Ele também quiser passar com você pelas profundezas, não tenha medo. Pois justamente ali você receberá a necessária e melhor preparação, porque algumas verdades da vida cristã só podem ser bem apreendidas no abismo. O salmista também teve essa experiência quando estava abatido e por isso orou: “Das profundezas clamo a ti, SENHOR” (Sl 130.1). Por que o Senhor levou esse Seu servo para tal abismo? Porque somente assim Ele conseguiu lhe ensinar sete verdades especiais: – Reconhecimento do pecado: “Se observares, SENHOR, iniqüidades, quem, Senhor, subsistirá?” (v.3). – Perdão: “Contigo, porém, está o perdão, para que te temam” (v.4). – Esperar: “Aguardo o SENHOR, a minha alma o aguarda;... A minha alma anseia pelo SENHOR mais do que os guardas pelo romper da manhã. Mais do que os guardas pelo romper da manhã” (vv.5-6). – A Palavra: “...eu espero na sua palavra” (v. 5). – Esperança: “Espere Israel no SENHOR” (v.7). – Misericórdia: “...pois no SENHOR há misericórdia” (v.7). – Redenção: “...nele, (há) copiosa redenção. É ele quem redime a Israel de todas as suas iniqüidades” (v. 7-8). Você quer dizer “sim” à ação de Deus em sua vida nesta última hora, mesmo que Ele o leve, ou já o tenha levado, às profundezas? Uma resposta positiva de nossa parte aos caminhos de Deus vai nos render recompensa eterna, já que, assim, Deus nos preparará para a vinda iminente de Seu Filho Jesus Cristo.

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Em 1959 eu completava oito anos de idade. Foi um ano inesquecível na história de minha terra natal, a Austrália, porque um famoso evangelista norte-americano dirigiu uma série de cruzadas de evangelização nas cidades de Melbourne e Sydney. Alguns comentaristas afirmaram que aquele acontecimento foi o ponto mais próximo de um avivamento espiritual a que a Austrália já chegou até hoje.1 Desde então, a Austrália nunca mais viu tamanho impacto produzido pelo Evangelho. Ao que parece, cruzadas semelhantes não alcançaram os mesmos resultados daquela ocorrida em 1959. Hoje em dia, quando tais esforços de evangelização são empreendidos, seja na Austrália, seja nos Estados Unidos ou em outros países, as estatísticas revelam que o pequeno percentual de pessoas que, pela primeira vez, manifesta uma decisão pública de crer em Cristo, acaba por abandonar a fé ou não chega a se unir a nenhuma igreja local.2 Qual seria a explicação para o fato de que, apesar da cultura australiana ter sido despertada em decorrência daquelas cruzadas de

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evangelização de 1959, tais cruzadas não produziram nenhum impacto duradouro relevante na própria cultura? Além disso, por que a Austrália e outros países ocidentais continuam em constante declínio no que se refere à moralidade cristã, apesar de inúmeras campanhas de evangelização?

Entendendo as diferenças A resposta para tais indagações reside, de fato, na compreensão da diferença entre judeus e gregos, fazendo-se uso desses termos como tipos. Em 1 Coríntios 1.22-23, lemos: “Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios”. Em Atos 2, o apóstolo Pedro pregou uma ousada mensagem que, primeiramente se dirigia ao povo judeu (ou àqueles que estavam familiarizados com a religião judaica). O enfoque principal de sua pregação concentrou-se na morte e ressurreição de Jesus Cristo, bem co-

mo na necessidade de salvação do ser humano. As Escrituras relatam que cerca de três mil pessoas responderam positivamente à mensagem. Podese dizer que foi uma “cruzada” fenomenalmente bem sucedida. Entretanto, em Atos 17, Paulo pregou uma mensagem semelhante aos filósofos gregos e estes a reputaram como uma tolice. Por quê, nessas duas ocasiões consideradas, as reações dos ouvintes foram diferentes? Na ocasião de Atos 2, Pedro dirigiu sua pregação a pessoas que acreditavam no Deus da criação, tal como fora registrado no Antigo Testamento. Eles entendiam o significado de pecado e já tinham conhecimento da queda espiritual do primeiro casal de seres humanos. Além disso, eles possuíam a Lei de Moisés, de modo que sabiam exatamente o que Deus esperava deles e tinham consciência de que haviam falhado no cumprimento da Sua vontade. Eles também não tinham sido doutrinados em idéias evolucionistas. Aos olhos deles, a Palavra de Deus possuía credibilidade e era considerada sagrada.


a concepção de que a suposta idade da terra é de milhões de anos. Tais questões não eram pontos em debate na cultura judaica daquele tempo. Todavia, em Atos 17, Paulo pregava para filóEm Atos 2, o apóstolo Pedro pregou uma ousada mensagem que, sofos gregos. primeiramente se dirigia ao povo judeu (ou àqueles que estavam Eles não tifamiliarizados com a religião judaica). nham nenhum conhec i m e n t o Além do mais, eles compreen- acerca do Deus da criação, como o diam a necessidade de um sacrifício tinham os judeus. Eles criam em pelo pecado, pois, afinal de contas, muitos deuses e que esses deuses, à eles estavam em Jerusalém para sa- semelhança dos seres humanos, ticrificar animais naquele dia especí- nham evoluído. Os filósofos epicufico, como sempre faziam. Contu- reus, por exemplo, acreditavam que do, a maioria do povo judeu rejeita- o homem sofrera um processo evora Jesus como Messias (i.e., o lutivo a partir do pó da terra; na Cristo), razão pela qual Pedro os realidade, eles eram os ateus daquedesafiou com a verdade sobre quem la época. era Jesus e sobre o que Ele realizara Os gregos não tinham nenhum na cruz. discernimento do que é o pecado, Neste ponto, então, se faz uma nem daquilo que é necessário para importante observação: os judeus que o pecado seja expiado. A Palatinham o conhecimento elementar vra de Deus, nos moldes em que foacerca da criação e do pecado, in- ra transmitida ao povo judeu, não dispensável para que alguém enten- tinha nenhuma credibilidade para a da a mensagem de salvação. Pedro cultura grega que se fundamentava não teve de convencê-los de que no evolucionismo. Portanto, na Deus era o Criador, nem de que o ocasião de Atos 17, quando o apósser humano havia pecado. Ele teve tolo Paulo pregou a mesma mensacondição de concentrar o foco de gem básica que Pedro pregara em sua pregação na mensagem da cruz. Atos 2, os gregos não entenderam; Pedro não precisou estabelecer um para eles, aquilo era loucura. alicerce para comprovar a veracidaÉ fascinante analisar a estratégia de da Palavra de Deus, nem preci- que Paulo adotou a partir de tal sou convencer o povo judeu de que percepção. Ele falou aos gregos explicações naturalistas para a ori- acerca do “Deus desconhecido”, gem do Universo eram um equívo- cuja referência se encontrava em co, muito menos teve de lidar com um dos altares deles, e lhes propôs

uma definição precisa do verdadeiro Deus da criação. Ele também esclareceu que todos os povos foram feitos a partir de um único homem (“de um só sangue”; conforme a versão Almeida Corrigida Fiel), lançando assim o fundamento histórico necessário para que pudessem entender o significado do pecado e a necessidade humana de salvação. Paulo contrariou as crenças evolucionistas dos gregos e, por conseguinte, desafiou todo o modo de pensar deles. A partir de então, Paulo novamente pregou a mensagem cujo enfoque era Cristo e Sua ressurreição. Embora alguns tenham continuado a zombar cinicamente, outros queriam ouvir mais. Seus corações estavam receptivos e alguns deles se converteram a Cristo. Apesar de Paulo não ter contemplado a conversão de três mil pessoas, como Pedro contemplou, ele, todavia, foi bem sucedido. Pense um pouco no que ele teve de fazer, ou seja: transformar “gregos” em “judeus”. Em outras palavras, ele teve que lidar com gregos pagãos evolucionistas; teve que mudar toda a estrutura de pensamento deles sobre a vida e o Universo, para, então, levá-los a pensar como judeus no que se refere ao alicerce original e verdadeiro da história. Não é de se admirar que, no começo, poucos tenham se rendido a Cristo. É uma mudança drástica. Imagine, por exemplo, tentar fazer com que um aborígine australiano pense como um americano. Tal mudança seria, no mínimo, extremamente difícil. Voltemos agora ao que aconteceu em 1959. Naquele momento da história australiana, era comum que alunos das escolas públicas se reunissem em sala de aula para juntos, em classe, fazerem orações, antes do início das atividades de cada dia.

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gou a mensagem da cruz, tal situação assemelhava-se relativamente à pregação de Pedro aos judeus registrada em Atos 2. Os australianos tinham o conhecimento básico para entender a mensagem e responder de forma adequada à mesma. Entretanto, creio que a maioria dos líderes eclesiásticos não percebeu que as pessoas já começavam a ser “gregas” quanto à sua concepção da realidade. Mesmo naquele tempo, os alunos já estavam expostos ao ensino das idéias evolucionistas de uma maneira subliminar, que sutilmente minava a perspectiva bíblica da história. Em conseqüência disso, não houve nenhum impacto real e duradouro na cultura Os gregos não tinham nenhum discernimento do que é o pecado, nem daquilo que é australiana, que se tornou, necessário para que o pecado seja expiado. cada vez mais, anticristã. Por Na foto: o Partenon em Atenas. trás de tudo, as pessoas tinham dúvidas acerca da validade da Bíblia. Nas escolas de ensino fundamental, Na Austrália da atualidade não os alunos estavam acostumados a se ouve mais falar de alunos reuniler um trecho da Bíblia antes do co- dos em classe nas escolas públicas meço da aula. Muitas crianças fre- para orar ou ouvir histórias bíblicas qüentavam a Escola Bíblica Domi- antes de começarem as atividades nical na igreja, além do que os pró- de cada dia. Além disso, a evolução prios pastores evangélicos, tem sido ensinada em todo o sistesemanalmente, visitavam as escolas ma educacional como se fosse um e ensinavam as verdades bíblicas fato. aos alunos. Hoje em dia, diferentes gerações Há algumas gerações atrás, até de australianos possuem pouco ou na Austrália, que não teve a mesma nenhum conhecimento da Bíblia; herança evangélica que tiveram os foram completamente doutrinadas Estados Unidos, a cultura era um numa filosofia atéia e evolucionista. tanto parecida com a dos “judeus”, As crianças não vão mais automatia saber: a população estava familia- camente à Escola Bíblica Dominirizada com a Bíblia. A maioria das cal, nem a outras atividades de uma pessoas conhecia os conceitos bási- igreja, como era o costume no pascos da fé cristã referentes à Criação, sado. Os pastores evangélicos enao pecado e à mensagem da salva- frentam obstáculos cada vez maioção. Por essa razão, quando um res para desenvolverem atividades evangelista veio à Austrália e pre- nas escolas e a maioria dos líderes

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eclesiásticos diz aos membros de suas igrejas que não há problema em crer na concepção de que a terra foi criada há milhões de anos ou em crer nas idéias evolucionistas, contanto que Deus esteja envolvido de alguma maneira no processo. Após anos de ardilosa doutrinação e ênfase na rejeição da literalidade do livro de Gênesis, as gerações atuais não consideram o relato histórico de Gênesis digno de confiança e, dessa forma, duvidam da fidedignidade da Bíblia inteira.

Alcançando os “gregos” Seja a Austrália, sejam os Estados Unidos, seja a Inglaterra ou outro país, o fato constatável é que a cultura ocidental de nossos dias não mais se constitui na sua maioria de “judeus”, pelo contrário, assemelha-se muito mais aos “gregos” – os “gregos” genuinamente pagãos. É uma cultura marcada, predominantemente, por uma visão filosófica que, a cada dia que passa, torna-se mais anticristã, ateísta, evolucionista e secularizada. Na verdade, as pessoas de nossa cultura ocidental talvez sejam piores do que os opositores de Paulo em Atenas, os quais pelo menos lhe pediram que explicasse a doutrina que ele pregava. Hoje em dia, muitos secularistas tentam acabar com os ensinamentos cristãos. Existe, atualmente, um remanescente de “judeus” que ainda entendem a terminologia bíblica e cristã, porém, rapidamente têm se tornado a minoria. Os “gregos” do presente tempo não têm o conhecimento fundamental para entenderem o Evangelho. Devido ao fato de que as pessoas têm sido ensinadas a crer na evolução e numa suposta criação que levou milhões de anos, elas são induzidas a acreditar que a Bíblia não é confiável e que o registro histórico


sido descartadas da educação pública. Os alunos têm de aprender a evolução como se fosse um fato; aos olhos deles, a Bíblia não é um livro fidedigno. Eles são “gregos”. Hoje em dia, se quisermos evangelizar o outrora “cristianizado” mundo ocidental, teremos de nos conscientizar de que a mensagem da cruz não será entendida enquanto as pessoas não forem transformadas de “gregos” em “judeus”. A cultura atual necessita de respostas da ciência e da Bíblia para contrapor ao ensino evolucionista dos “milhões de anos”, de modo que o relato histórico e literal de Gênesis 1-11 fique constatado e o Evangelho (na verdade, toda a doutrina cristã), fundamentado nesse mesmo relato histórico, ganhe credibilidade. (Israel My Glory) Ken Ham é presidente do ministério Answers in Genesis-US. Para consultar milhares de artigos que equipam os crentes em Cristo para defenderem a autoridade da Bíblia e para responderem aos argumentos dos céticos, acesse o site www.AnswersInGenesis.org.

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Notas: 1. Piggin, Evangelical Christianity in Australia: Spirit, Word and World, Melbourne: Oxford University Press, 1996, p. 154-171, citado por Ken Manley em “Shaping the Australian Baptist Movement”, publicado no site www.bwa-baptist-heritage.org/hic-mnly.html. 2. Rolland McCune, Promise Unfulfilled: The Failed Strategy of Modern Evangelicalism, Greeville, S.C.: Ambassador International, 2004, p. 80-82. 3. George William Hunter, A Civic Biology Presented in Problems, Nova York: American Book Company, 1914, p. 196.

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ções atrás, a Bíblia, a oração e o relato histórico de Gênesis sobre a criação eram parte da vida diária nas escolas públicas (i.e., administradas pelo governo). Mas as sementes do pensamento “grego” foram sutilmente semeadas através de todo o sistema eduDevido ao fato de que as pessoas têm sido ensinadas a crer na evolução e numa suposta criação que levou micacional. Já em lhões de anos, elas são induzidas a acreditar que a Bí1925, alunos de esblia não é confiável e que o registro histórico de Gênesis (a criação do mundo em seis dias e o dilúvio na época colas públicas dos de Noé) não é digno de crédito. Estados Unidos eram influenciados por um livro didático que ensinava serem os caude Gênesis (i.e., a criação do mundo casianos a “raça superior” e que a em seis dias e o dilúvio na época de idade da Terra era de milhões de Noé) não é digno de crédito. Assim, anos. Esse mesmo livro didático quando um evangelista proclama a também promovia a eugenia (a eumensagem da cruz, tais pessoas, à genia é um suposto ramo da ciência semelhança dos gregos de Atos 17, a que estuda as condições para reproconsideram tolice e loucura. dução e melhoramento da raça huMas, então, como alcançar os mana – Nota do Tradutor).3 Várias gerações já passaram pela “gregos” da atualidade? Da mesma maneira que os gregos literais da influência de um sistema educacioépoca de Paulo: eles têm de ser nal que é basicamente desprovido transformados em “judeus”. Seu do conhecimento de Deus. Na reaalicerce defeituoso concernente à lidade, a maioria das escolas ensina evolução tem de ser reconstruído. contra o cristianismo ou o relega a Eles precisam entender e crer que o uma mera fé de cunho pessoal, em relato bíblico acerca da criação e da vez de considerá-lo como a verdade queda do homem (i.e., de que o ser imparcial sobre a história mundial. humano é pecador) é verídico. A A Bíblia, a oração e a criação têm partir do momento que possuem tal alicerce, eles podem entender a mensagem do Messias, aquele que Recomendamos: veio ao mundo para proporcionarlhes perdão, por ter Ele se constituído no sacrifício perfeito e definitivo pelos pecados deles (Is 53). Então, pode-se ter esperança de que eles reajam adequadamente ao Evangelho. Os Estados Unidos e a InglaterPedidos: 0300 789.5152 ra vivem uma situação semelhante www.Chamada.com.br à da Austrália. Há algumas gera-

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Há muitos anos atrás, um famoso artista de Hollywood entregou sua vida ao Senhor. Mas o dinheiro, a fama e a corrupção começaram a agir em sua vida, e aos poucos ele foi se distanciando de Deus. Conta-se que sua esposa finalmente o confrontou e disse: “É melhor você se acertar com Deus porque o seu pecado irá arrastá-lo ao abismo; e quando isso acontecer, vai levar toda a sua família com você”. O pecado age dessa forma. É como um câncer que pode destruir os homens mais poderosos e de mais elevada posição, os melhores e os mais inteligentes. Mais freqüentemente do que imaginamos, suas conseqüências afetam famílias inteiras, como uma legítima metástase. Foi o que aconteceu com Davi e Bate-Seba. Sua história é trágica, mas, apesar de tudo, tem um final triunfante, por causa de um Deus misericordioso e amoroso que graciosamente concede a vitória para pecadores que se arrependem sinceramente. “Decorrido um ano, no tempo em que os reis costumam sair para a guerra... Davi ficou em Jerusalém” (2 Sm 11.1). Talvez ele não tenha conse-

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guido dormir naquela noite, porque a Bíblia diz: “...levantou-se Davi do seu leito e andava passeando no terraço da casa real” (11.2). De lá, ele viu uma linda mulher tomando banho: “Então, enviou Davi mensageiros que a trouxessem... a mulher concebeu e mandou dizer a Davi: Estou grávida” 11.4-5). A Bíblia apresenta Bate-Seba como uma mulher quieta, submissa, cujo nome tem sido associado, ao longo dos séculos, com os mais terríveis pecados de Davi, com adultério e assassinato premeditado. O sórdido episódio abriu um triste e trágico capítulo na vida de um rei que havia sido bondoso, e destruiu a paz da família real. Alguns comentaristas pintaram Bate-Seba de maneira pouco lisonjeira em sua moral, culpando-a, na essência, pela infidelidade de Davi e de seu desejo de buscar um relacionamento sexual com a mulher de outro homem, contrariando tudo o que ele sabia ser o certo. O fato é que Bate-Seba estava em sua casa, e não estava fazendo nada de incomum ou provocativo. De acordo com Charles Ryrie, em seu comentário na Bíblia Anotada: “As casas

no Oriente Médio possuíam um pátio cercado que era considerado parte da casa. Bate-Seba, banhando-se à luz de lamparina, não foi indecorosa, pois estava em sua casa. O interior do pátio, todavia, podia ser visto do telhado da casa de Davi, situada em terreno mais elevado no monte Sião”.1 A Bíblia nem mesmo diz se Bate-Seba sabia porque Davi estava chamando-a naquela noite. No entanto, como serva leal, ela não tinha alternativa a não ser obedecer. As Escrituras pintam Bate-Seba como uma mulher quieta e submissa que não possuía a sabedoria ou a astúcia, nem a ousadia ou a segurança da esposa de Davi, Abigail, que é chamada de “sensata e formosa” (1 Sm 25.3). Há mais de vinte anos atrás, quando ainda era casada com o egoísta Nabal, Abigail havia impedido Davi de assassinar toda a sua casa pela raiva que ele sentia por Nabal (1 Sm 25.23-35). Se Bate-Seba fosse como Abigail, poderia ter convencido Davi a não concretizar o desejo que estava em sua mente. Mas ela não era assim, e fez o que lhe mandaram fazer. Quando, mais tarde, descobriu


que estava grávida de Davi, mandou avisá-lo. Em uma tentativa completamente errada de tentar esconder o seu pecado e enganar Urias, o marido de Bate-Seba, levando-o a acreditar que o bebê era dele, Davi mandou chamá-lo do campo de batalha esperando que ele fosse para casa ficar com sua esposa. Mas Urias era um homem íntegro e disse: “A arca, Israel e Judá ficam em tendas; Joabe, meu senhor, e os servos de meu senhor estão acampados ao ar livre; e hei de eu entrar na minha casa, para comer e beber e me deitar com minha mulher? Tão certo como tu vives e como vive a tua alma, não farei tal coisa” (2 Sm 11.11). Davi tentou novamente, embebedando Urias. Mesmo assim, Urias passou a noite no palácio do rei, junto dos seus servos. Então, em um ato nada característico de sua personalidade, e com crueldade e sangue-frio, Davi escreveu uma carta a Joabe, comandante de seu exército, e pediu que Urias a levasse até ele. Nessa carta estava escrito: “Ponde Urias na frente da maior força da peleja; e deixai-o sozinho, para que seja ferido e morra” (2 Sm

11.15). E Urias foi morto. Davi casou-se com Bate-Seba, que deu à luz ao seu filho. “Porém isto que Davi fizera foi mau aos olhos do Senhor” (2 Sm 11.27). Deus, então, aplicou a vara da disciplina. Primeiro, a criança morreria; segundo, a espada jamais se apartaria da casa de Davi (2 Sm 12.10-14). Com o coração e o espírito quebrantados, Davi se arrependeu profundamente, orou e jejuou por sete dias na esperança de que Deus poupasse a criança. Mas Ele não a poupou. A criança morreu; a metástase havia começado a se alastrar. Dentro de nove meses Bate-Seba perdeu o marido e um filho. Sua vida mudou para sempre. Pelo que sabemos, aquela criança era seu primeiro filho. A Bíblia não faz menção de nenhum filho que ela tenha tido com Urias. As Escrituras também não atribuem a ela nenhum tipo de culpa. Deus culpou Davi, e foi Davi quem Ele puniu. Mas Bate-Seba, sem dúvida, sofreu tanto quanto ele. Antes desses fatos, Davi havia escrito: “Recolheste as minhas lágrimas no teu odre; não estão elas inscritas no teu livro?” (Sl 56.8). A Escri-

A Bíblia e os fatos históricos sobre o Irã Muitos de nossos leitores já fizeram perguntas sobre o Irã e aquilo que deveríamos saber acerca dessa importante e estratégica nação em nosso mundo atual. A história anti-

ga faz menção de um país chamado Elão. Lemos em Gênesis 14 que no tempo de Abraão (há cerca de 4.000 anos) houve uma confederação de nações liderada por Quedor-

“Recolheste as minhas lágrimas no teu odre; não estão elas inscritas no teu livro?” (Sl 56.8).

tura não fala de palavra nenhuma que Bate-Seba tenha dito em relação à tragédia que sofreu, mas, com certeza, suas lágrimas fluíram livremente para o odre de Deus. [continua] (Israel My Glory) Lorna Simcox é editora-sênior de The Friends of Israel. Nota: 1. Charles Ryrie, A Bíblia Anotada, p. 418.

laomer, mencionado nas Escrituras como “rei de Elão”. Quedorlaomer atacou Sodoma e levou cativo a Ló, sobrinho de Abraão. Este, acompanhado de seus 318 homens mais capacitados, saiu ao encalço do rei de Elão e de seus aliados. Após derrotá-los, Abraão resgatou Ló. O profeta Isaías (cf. Isaías 21.2) menciona o Elão e parece sugerir um relacionamento desse povo com

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Do Nosso Campo Visual a antiga Média (i.e., os medos). O profeta Jeremias também se refere ao Elão (cf. Jeremias 49.34-39), bem como faz alusão à sua futura destruição como nação. A data dessa profecia remonta aos dias de Zedequias, rei de Judá. Talvez essa profecia tenha sido predita na ocasião em que a Babilônia chegou ao apogeu de seu domínio e destruiu Jerusalém no ano 586 a.C. O fato bíblico interessante dessa profecia de Jeremias 49.39 é o seguinte: “Acontecerá, porém, nos últimos dias, que farei voltar os cativos de Elão, diz o Senhor” (Almeida Corrigida Fiel). É muito provável que essa seja uma referência ao futuro Dia do Senhor. No século 7 a.C., um pequeno reino se estabeleceu em Parsu (ou Parsuash) sob o governo de Aquêmenes, cujo nome foi usado pelos historiadores para descrever a primeira dinastia persa, a dinastia Aquemênida. O filho de Aquêmenes foi um homem chamado Teispes (aprox. 675-664 a.C.) e, ao que parece, seu reino foi dominado pelos medos. A história registra que, após obter a liberdade do domínio dos medos, Teispes, assumiu o controle da província de Parsa (a atual Fars), aproveitando-se do enfraquecimento do Elão. Os assírios, sob o reinado de Assurbanipal, puseram fim à nação do Elão. O filho de Teispes foi Ciro I, o qual entrou em contato com os assírios na qualidade de líder dos persas. O filho de Ciro I foi Cambises, que se casou com a filha de Astíages, rei da Média. Dessa união conjugal nasceu Ciro II, conhecido na história como Ciro, o Grande (559-530 a.C.), o primeiro grande imperador que dominou a antiga Pérsia. Ciro II também conquistou os medos e derrotou seu sogro, Astíages, transformando

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a capital da Média, Ecbátana, na capital de seu próprio império. Ciro também invadiu a Ásia Menor e derrotou a Creso, rei da Lídia. Além disso, ele capturou, sem muita resistência, a cidade de Babilônia em 539 a.C. (a data oficial da queda do Império Babilônico). O filho de Ciro II foi Cambises II (529-522 a.C.), aquele que conquistou o Egito. Cambises II foi sucedido por Dario I, conhecido tanto como Dario, o Grande (522-486 a.C.), quanto como Dario Histaspes (seu pai era um dos sátrapas do império persa). Dario criou vinte satrapias (províncias) a fim de administrar com mais eficácia o crescente poderio do império persa. Dario I também mudou a capital de seu império da cidade de Pasárgada para Persépolis. Ele era um seguidor de Zoroastro e adorava a divindade Ahura Mazda (também venerada por Xerxes e Artaxerxes, mencionados na história bíblica). Esse Dario é o mesmo rei que aparece nas profecias bíblicas de Ageu e Za-

carias. O projeto de construção do templo (do segundo templo judeu – N. do Tradutor) foi concluído pelos judeus em 516 a.C., durante o reinado dele. Dario I foi sucedido por seu filho Xerxes (485-465 a.C.). Uma inscrição descoberta em Persépolis alista as nações que ficaram submissas ao seu domínio. Além disso, trata-se do mesmo rei Assuero mencionado no livro bíblico de Ester. Depois do reinado de Xerxes, Artaxerxes Longimanus I subiu ao poder (465-424 a.C.) e, no vigésimo ano de seu reinado, o decreto para restaurar os muros de Jerusalém foi entregue a Neemias (Neemias 2.1). De acordo com o texto de Daniel 9.24-27, esse decreto para restaurar os muros foi o começo da “contagem regressiva” para a vinda do Messias – profecia conhecida como “as 70 semanas de Daniel”. Contudo, o termo hebraico “setes”, traduzido por “semanas”, não se refere a semanas de dias, mas a sema-

Os iranianos almejam a restauração da glória do primeiro império persa (um dos maiores impérios da história em termos geográficos). Na foto: soldados iranianos.


Do Nosso Campo Visual nas de anos (i.e., conjuntos de “sete” anos). Um ano profético de 360 dias (segundo o calendário lunar), multiplicado por 483 anos, perfaz um total de 173.880 dias, desde o decreto de Artaxerxes Longimanus I até a vinda do Messias. Dois acontecimentos trágicos, mencionados por Daniel, ocorreriam antes do começo do septuagésimo “sete” (ou septuagésima semana): o primeiro é que o Messias seria “morto”; o segundo é que, tanto a cidade de Jerusalém quanto o seu santuário seriam destruídos. Nós ainda aguardamos o início do septuagésimo “sete” – reconhecido pelos estudiosos da Bíblia como o futuro Dia do Senhor (mencionado 25 vezes em toda a Bíblia) ou como o período da Tribulação (Mateus 24.21-22). Após o reinado de Artaxerxes I Longímano, Dario II chegou ao poder (423-405 a.C.). Os sucessores de Dario II foram os seguintes: Artaxerxes II Mnemon (404-359 a.C.), Artaxerxes III Ochus (358338 a.C.), Arses (337-336 a.C.) e Dario III (335-331 a.C.), cujos exércitos foram derrotados por Alexandre, o Grande em 333 a.C. Com a morte de Alexandre em 323 a.C., a Pérsia ficou sob o controle de um dos generais de Alexandre (Selêuco). Segundo Daniel 11, haveria conflito incessante entre os selêucidas (a dinastia de Selêuco) e os ptolomeus (a dinastia de Ptolomeu, outro general de Alexandre a quem foi entregue o Egito) numa disputa pela Terra de Israel, um fato que é lembrado pelo Irã até os dias de hoje. Estudiosos da Bíblia sabem bem que a Pérsia estará presente na batalha que será travada quando houver a invasão da Terra de Israel (cf. Ezequiel 38 39). Ao que parece, a Pérsia será o país que encabeçará aquele ataque (pelo menos, os per-

sas são os primeiros mencionados na lista de nações). Esse assombroso império da antiguidade continuou a ser conhecido pelo nome de Pérsia até 1935 d.C., quando seu nome foi mudado para Irã. Na atualidade, o idioma oficial do Irã é o persa moderno ou farsi, uma língua indo-européia escrita com caracteres árabes. Em 1979, o Irã experimentou o que a história denomina de “Revolução Islâmica”. Os muçulmanos xiitas assumiram o controle do país e instauraram a lei sharia. Embora muitos árabes vivam em certas regiões do país, o Irã não é um estado árabe. A relação do Irã com os árabes e o apoio que deles recebe, fundamenta-se na religião islâmica que é comum a esses povos. Ao longo da história do Islã, houve muitas ocasiões em que o Irã demonstrou ser uma poderosa força de oposição aos muçulmanos da Arábia Saudita, os quais controlam os lugares sagrados de Meca e Medina. O Irã também enfrentou oito anos de guerra contra o Iraque, seu vizinho ocidental, na época em que o sunita iraquiano Saddam Hussein estava no poder. Muitos muçulmanos xiitas oriundos do Irã têm povoado territórios ao sul do Iraque e, atualmente, se constituem numa influente força dentro do parlamento iraquiano que foi eleito. O Irã, por tradição histórica, acredita que o território do Iraque lhe pertence, bem como reivindica direito de propriedade de muitos outros países do Oriente Médio (inclusive Israel). Os iranianos almejam a restauração da glória do primeiro império persa (um dos maiores impérios da história em termos geográficos). Devia ser óbvio que o Irã (principalmente por causa do petróleo) seja, nos dias atuais, um dos mais

Em 1979, o Irã experimentou o que a história denomina de “Revolução Islâmica”. Os muçulmanos xiitas assumiram o controle do país e instauraram a lei sharia.

importantes personagens no cenário político, econômico e militar deste mundo. Os iranianos são os principais fornecedores de armas para os terroristas islâmicos em todo o Oriente Médio. É possível que a maior parte de seu armamento provenha da Rússia, China e Coréia do Norte. O Estado de Israel se depara com um sério desafio da parte dos líderes do Irã e suas constantes ameaças. O Senhor Deus de Israel tem ouvido todas elas e a profecia bíblica envolverá o Irã entre as nações do mundo que marcharão contra Israel. Tais nações serão derrotadas pelas mãos do Messias que voltará em glória, nosso bendito Senhor Yeshua! (Dr. David Hocking, Pre-Trib Perspectives)

O Dr. David Hocking é fundador do Hope for Today Ministries [Ministério Esperança para Hoje], que produz programas de rádio, vídeos e publicações. Maiores infomações estão disponíveis em seu site: www.davidhocking.org/.

Chamada da Meia-Noite, agosto de 2007

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Deus mudou? Pergunta: “Tenho ouvido que Deus passou por mudanças. No Antigo Testamento, Ele teria sido um Deus sem misericórdia que aniquilava os inimigos de Israel e usava o povo judeu como instrumento de juízo. No Novo Testamento, Ele seria um Deus misericordioso, que ama a todos e não aniquila ninguém. Foi o que aprendi nas aulas de religião. Não sei como explicar essas diferenças, apesar de estar convencido de que Deus foi, é e será sempre o mesmo. Vocês podem me ajudar?”

Resposta: Aqueles que afirmam que Deus mudou no decorrer do tempo, consciente ou inconscientemente fazem dEle um mentiroso, pois Ele mesmo disse em Malaquias 3.6: “Porque eu, o SENHOR, não mudo...”. E em Tiago 1.17 está escrito: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança”. Lemos o mesmo no Salmo 102.27: “Tu, porém, és sempre o mesmo, e os teus anos jamais terão fim”. Entretanto, não é apenas a Palavra de Deus que afirma que Ele é eterno e imutável. O mesmo é mostrado pelos Seus atos. Analisemos as primeiras páginas da Bíblia: Deus criou seres humanos à Sua imagem. Ele queria ter alguém à altura, com quem pudesse ter comunhão. Por isso, Deus “andava no jardim pela viração do dia” (Gênesis 3.8). Esse era o lugar, belo e paradisíaco, criado para o encontro com o homem. Adão e Eva podiam usufruir dos

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frutos das árvores do jardim. Apenas de uma delas, a árvore do conhecimento do bem e do mal, eles não poderiam comer. Deus lhes explicou porque: “...mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gênesis 2.17). Sabemos o que aconteceu: Eva e Adão foram desobedientes e a conseqüência foi o juízo! Eles foram expulsos do Paraíso e o salário do pecado foi a morte (Gênesis 3; Romanos 5.12; Romanos 6.23). No Novo Testamento encontramos o mesmo: Deus veio a este mundo na pessoa do Seu único Filho, para trazer de volta à Sua comunhão os seres humanos, separados dEle desde a queda e sujeitos à morte física e eterna: “a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação” (2 Coríntios 5.19). E Ele fez proclamar através de João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1.29). A única condição é: “...quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (João 3.36). Desde que Jesus realizou Sua obra de redenção na cruz do Calvário, possibilitando ao ser humano o retorno à comunhão com Deus, inúmeras pessoas fizeram uso dessa oferta e aceitaram Cristo em seu coração e em sua vida. Dessa forma, elas passaram da morte eterna para a vida eterna. Esse milagre continua acontecendo diariamente!

Há pessoas, entretanto, que desprezam a Palavra de Deus, como Adão e Eva no Paraíso. Elas são desobedientes e rejeitam a comunhão com Deus através de Jesus Cristo. Qual é a conseqüência? Do mesmo modo como antigamente, Deus exercerá o juízo: “...em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder” (2 Tessalonicenses 1.8-9). Todos os terríveis juízos descritos no Apocalipse nada mais são que a ira de Deus, que será derramada sobre todos os ímpios! Sim, é verdade que Deus usou Israel como instrumento de juízo no Antigo Testamento, mas também Israel foi castigado pelo próprio pecado (através do cativeiro na Assíria e na Babilônia, pela destruição de Jerusalém em 70 d.C. – veja Jeremias 9.12-15). Isso não é diferente na Nova Aliança: Israel transforma-se em cálice de tontear para os povos, porque eles rejeitam a Palavra de Deus e Seu primeiro amor, o povo da sua Antiga Aliança, Israel (veja Zacarias 12.2ss.; Zacarias 14.12-15; Joel 3.12-13; Apocalipse 14.19-20). Deus é imutável! No Antigo Testamento, Ele castigou o pecado e faz o mesmo no Novo Testamento. Sim, Deus é um Deus de amor, mas Ele também é um Deus justo e santo e, portanto, um Deus de juízo. Feliz daquele que pode chamá-lO de Pai através de Jesus Cristo, por ter se tornado participante do Seu amor salvador! (Elsbeth Vetsch)



Chamada da Meia-Noite - Ano 38 - Nº 8