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Copa

Matsuda Mangalarga o cavalo de sela brasileiro em seu melhor andamento

Exposição Brasileira:

todos os detalhes do evento que agitou a ExpoLondrina 2011

Tropel Mangalarga

estudo científico vira referência para a prática de cavalgada

História

Conheça o nobre ancestral do cavalo Mangalarga


editorial

Uma promissora temporada também tiveram bom desempenho, alcançando a cotação média de R$ 15 mil. Por fim, é importante ressaltar que o trabalho de reestruturação e aprimoramento da área técnica da ABCCRM vem tendo prosseguimento nesta temporada. O projeto, que teve duas etapas realizadas com expressivo êxito em 2010, continua agora com a realização de seus dois módulos finais, um deles destinado à realização de clínicas individuais com os técnicos e o outro voltado para a implementação de um programa para a continuidade, renovação e formação de novos jurados. Agora, entretanto, ainda temos boa parte do ano pela frente. Por isso, vamos trabalhar juntos para o engrandecimento daquela que é nossa grande paixão, a raça Mangalarga. Grande abraço a todos,

Sérgio Paiva Presidente da ABCCRM

Associação Brasileira de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga

Foto: Norberto Cândido

A

temporada começou de forma bastante movimentada e promissora para a raça Mangalarga. Durante a ExpoLondrina, realizada no início de abril, tivemos uma edição realmente diferenciada da exposição brasileira. O evento, além de merecer uma expressiva cobertura da mídia e de ter recebido a ilustre visita do governador do Paraná Beto Richa, teve grande adesão do público, que lotou as arquibancadas do Parque Ney Braga para acompanhar, com grande atenção, as atividades da raça, cujo ponto alto foi o tradicional desfile das bandeiras, realizado no decorrer da cerimônia de abertura da feira paranaense. Vale destacar ainda que, no domingo 10 de abril, uma pesquisa realizada pela Sociedade Rural do Paraná com o público presente à ExpoLondrina indicou o evento do cavalo Mangalarga como principal atração do dia, mesmo enfrentando a concorrência da apresentação da Esquadrilha da Fumaça da Força Aérea Brasileira. Além disso, dentro da pista tivemos julgamentos e competições bastante acirradas, envolvendo uma tropa realmente excepcional. A qualidade, aliás, também deu a tônica às demais etapas do Circuito de Exposições, que, apesar de ainda estarmos indo para o mês de maio, já passou pelas cinco regiões brasileiras. Umuarama (PR), Tietê (SP), Vitória da Conquista (BA), Brasília (DF), Belém (PA), Bragança Paulista (SP) e Itapetininga (SP) promoveram mostras concorridas e com grande adesão da comunidade mangalarguista, comprovando o fortalecimento da raça em todo território nacional. O mês de abril marcou ainda o início de uma nova edição da Copa de Andamento. A competição, que este ano conta com um importante reforço em sua estrutura, proporcionado graças ao apoio da Lei de Incentivo ao Esporte, já realizou com grande sucesso a etapa regional de Jaú (SP) e a prova aberta de Jundiaí (SP). Além disso, outras quinze provas, incluindo uma na capital paulista no mês de junho, estão previstas para acontecer até o final do ano, confirmando a Copa de Andamento como um dos grandes acontecimentos do calendário mangalarguista. O mercado da raça, cuja temporada passada foi encerrada com grande êxito pelo Leilão 4 Ases, também se mostra bastante aquecido neste início de ano. Realizado no dia 21 de abril, o Leilão Prestígio Otnacer movimentou a expressiva receita de R$ 1,453 milhão. Por sua vez, os dois leilões realizados durante a ExpoLondrina


sumário

Ano 1 • Nº 01 • Maio 2011

ABCCRM

Associação Brasileira de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga Diretoria Executiva – Triênio 2009/2011 Presidente: Sérgio Luiz Dobarrio de Paiva 1º Vice-Presidente Executivo: Nelson Antonio Braido 2º Vice-Presidente Executivo: Fernando Raucci Neto 1º Vice-Presidente Operacional: João Pacheco Galvão de França 2º Vice-Presidente Operacional: João Carlos Matta Diretoria Adjunta Diretoria de Cavalgadas: Paulo Pacheco Silveira Diretoria de Comunicação: Gilberto Diniz Junqueira Diretoria de Eventos: Antonio Carlos Pestili Fonseca Diretoria de Exposição: Fábio Alvim Ferreira Diretoria Financeira:Vital Jorge Lopes Diretoria de Fomento: Eduardo Henrique Souza de França Diretoria Jurídica: Fernando Tardioli Lúcio de Lima Diretoria de Marketing: Eduardo Rabinovich e João Luis Ribeiro Frugis Diretoria Nova Geração: Leonardo Novaes Figueiredo Augusto Diretoria de Núcleos: Eduardo Faria Finco e Paulo Roberto de Oliveira Vilela Filho Diretoria de Pelagem: Marisa Iório Correa da Costa Diretoria de Tecnologia: Ricardo de Toledo Piza Ferraz Conselho Superior de Administração Membros Eleitos Adaldio José de Castilho Filho, Antônio Caetano Pinto, Fernando Ferrucio Rivaben, José Luiz Junqueira Barros e Luiz Cintra Sutherland. Membros Efetivos Célio Ashcar, Celso Galletti Montalvão, Clodoaldo Antonângelo, Eduardo Diniz Junqueira, Élio Sacco, Felipe de Paula Cavalcanti de Albuquerque Lacerda Filho, Flávio Diniz Junqueira, Francisco Marcolino Diniz Junqueira, Geraldo Diniz Junqueira, Ivan Antônio Aidar, João Leite Sampaio Ferraz Júnior, Luiz Eduardo Batalha, Mário Alves Barbosa Neto - Presidente, Ottorino Marini, Reginaldo Bertholino e Renato Diniz Junqueira. Conselho Deliberativo Técnico Técnicos André Fernando Freire, André Fleury Azevedo Costa, Luciano Pacheco de Almeida Prado, Marcelo Leite Vasco de Toledo - Presidente, Marcos Sampaio de Almeida Prado e Paulo Lenzi Souza Leite. Não Técnicos Adolpho Júlio Camargo de Carvalho, Nilton Bartoli, Paulo Francisco Gomes Della Torre, Roberto Antonio Trevisan e Sebastião de Assumpção Malheiro Neto. Serviço de Registro Genealógico - Stud Book Superintendente do Serviço de Registro Genealógico: Jayme Ignácio Rehder Neto Departamento de Comunicação e marketing Marketing: Osvaldo V. Ruffino osvaldo.ruffino@cavalomangalarga.com.br Publicidade: Norberto Cândido norberto.candido@cavalomangalarga.com.br Redação: Pedro Camargo Rebouças pedro_imprensa@yahoo.com.br ABCCRMangalarga Avenida Francisco Matarazzo, 455 Pavilhão 4 “Dr. Fausto Simões” - CEP: 05001-300 Parque da Água Branca - São Paulo - SP Fone: +55 (11) 3673-9400 • Fax: +55 (11) 3862-1864 Editoração e Impressão: CGP Gráfica e Editora Projeto gráfico / Diretor de Arte: Thiago Frotscher Tratamento de Imagem: Thiago Frotscher Revisão: Alexandre Ferreira e Gabriel Rubinsteinn Capa: Norbeto Cândido (foto) e Thiago Frotscher (montagem)

Rua Dom Vilares, 1.360 • Vl das Mercês • São Paulo/SP (11) 2351.4200 / 2351.4196 • www.cgpgrafica.com.br

5 | Notas 6 | Cavalgadas 8 | Haras em Destaque 10 | O encontra com o encantador de cavalos 12 | ABCCRM expande presença na internet 14 | Alter Real 18 | 4º Leilão Prestígio Otnacer supera expectativas 20 | Mangalarguista participará de evento interncaional de arquearia 22 | 1º Festival de Verão de Enduro Equestre 24 | Assembleia reune comunidade mangalarguista 26 | Um evento só para elas 28 | Aberta uma nova fronteira 30 | Exposição de Tietê segue crescendo 36 | Mangarlaga marchador e atleta 40 | 5ª Copa Jundiaí reúne 114 animais 44 | Copa Matsuda Mangalarga promete temporada movimentada 48 | O Corneteiro de Pirajá 50 | Projeto de aprimoramento da área técnica entra em nova fase 54 | Tropel mangalarga: uma referência para a equinocultura nacional 60 | Ferramentas científicas para melhorar nossos cavalos 64 | Leilão 4 ases registra crescimento de 49% 68 | Uma saborosa cavalgada 70 | Projeto Tropel Mangalarga 1400 74 | Exposição Brasileira: o ponto alto do semestre 82 | Social – ExpoLondrina 84 | Fidelidade Mangalarga 86 | Índice de Criadores


notas Raça perde

José Eduardo Kutgen

A

Entre os destaques do plantel desenvolvido por Kutgen estão duas grandes campeãs nacionais, Letícia do JEK (1983) e Ironia do JEK (1980), e um grande campeão nacional, Príncipe do JEK (1989). O criatório do Sítio Vila Inca selecionou ainda outros produtos cuja contribuição foi importante para a raça, como Precioso do JEK, garanhão condominiado que contribuiu para a evolução de muitos criatórios nas décadas de 80 e 90.

Foto: Arquivo

comunidade mangalarguista perdeu, no dia 11 de setembro do ano passado, um dos mais tradicionais criadores da raça na região paulista de Jundiaí: José Eduardo Kutgen. Proprietário do Sítio Vila Inca, Kutgen participou intensamente das atividades do cavalo Mangalarga no período em que foi associado da ABCCRM, entre os anos de 1967 e 1999. Durante esses 32 anos, realizou um criterioso trabalho de seleção, responsável por consagrar o sufixo JEK em todo Brasil.

O grande campeão, Príncipe do JEK, foi um dos destaques do plantel de Kutgen

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O adeus a um grande mangalarguista

A

Associação Brasileira de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga (ABC CRM) perdeu, na noite de quarta-feira, 13 de abril, um dos seus mais atuantes colaboradores: o doutor Pedro Luiz Grasso. Nascido em dois de fevereiro de 1933, o renomado médico veterinário participou diretamente das atividades da raça por mais de 50 anos. Nesse período, ocupou os cargos de Técnico de Registro, Gerente Administrativo e Superintendente Substituto do Serviço de Registro Genealógico da Raça Mangalarga, função que exerceu em diversas ocasiões, sempre colaborando para a evolução do Cavalo de Sela Brasileiro. O respeitado veterinário, que com certeza deixará muita saudade à comunidade mangalarguista, foi sepultado no dia 14 no Cemitério São Paulo, localizado no bairro de Pinheiros, na capital paulista. A ABCCRM expressa suas condolências à família e registra o profundo agradecimento por todo empenho e dedicação à raça Mangalarga do doutor Pedro Luiz Grasso.

Errata

A Revista Mangalarga divulgou equivocadamente que a foto de capa de sua edição anterior seria de autoria de Modesto Wielewicki. Na verdade, a imagem em que aparece o Grande Campeão Nacional Cavalo 2010, Universal de NH, é de autoria do fotógrafo Márcio Mitsuichi. R evista M angalarga | 5


cavalgadas

Por Pedro Camargo Rebouças

A temporada

está aberta!

Fotos: Sebastião Malheiro

Cavalgada da Aleluia, Cuecada e Raid da Amizade levaram a comunidade mangalarguista para a estrada no mês de abril

A comunidade mangalarguista colocou a tropa na trilha no mês de abril. Afinal, depois de uma breve pausa no início do ano, estavam todos ansiosos para o reinício da temporada de grandes cavalgadas. A programação incluiu, aliás, três dos mais tradicionais passeios equestres da região Sudeste: a Cavalgada da Aleluia, a Cuecada e o Raid da Amizade.

Cavalgada da Aleluia

O contato com a natureza foi o ponto forte tanto na Cavalgada de Aleluia como nos demais passeios de abril

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Cavalgada da Aleluia teve início às 10h da manhã do dia 22 de abril, feriado da Sextafeira Santa, nas dependências da Pousada Jacauna, no município paulista de Brotas. O grupo, formado por 120 conjuntos, seguiu por todo o dia pelas belas paisagens da região, cortada inclusive pelo rio Jacaré Pepira, conhecido por ser um dos destinos preferidos dos apaixonados por esportes de aventura. O primeiro dia de atividade foi encerrado às 18h no Parque do Lago, na vizinha cidade de Dourado. Na belíssima propriedade, comandada pelos mangalarguistas Sebastião Malheiro e Telma Somenzari e palco no ano passado de toda etapa de preparação dos animais do Projeto Tropel Mangalarga, os participantes foram recebidos com muita atenção. A jornada prosseguiu na manhã do Sábado de Aleluia (23), quando

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acompanhado por muita moda de viola.

21ª Cuecada

os 120 conjuntos percorreram as trilhas e estradas do Parque do Lago, sempre acompanhados por muito verde. Por volta das 14h, o grupo voltou à sede, construída à margem do belo lago que dá nome à propriedade, para uma agitada programação com o diferenciado toque do interior paulista. As atividades incluíram uma missa, a brincadeira de busca e captura, a malhação de Judas e um gostoso churrasco fogo de chão

T

radicional reduto da comunidade mangalarguista, a região de São João da Boa Vista (SP), localizada nas proximidades da divisa entre o território paulista e o estado de Minas Gerais, recebeu no início de abril a 21ª edição da Cuecada. Essa tradicional cavalgada, organizada por Jairo Hamilton Domingues e sempre marcada pelo ambiente amistoso e descontraído, contou, novamente, com o apoio da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga (ABCCRM).


O passeio este ano teve um roteiro diferente das edições anteriores. Na manhã do dia 1º, depois de um belo café da manhã na Fazenda Retiro do Alto e da benção aos viajantes, ministrada pelo padre Alexandre da Paróquia Santo Antônio, o grupo seguiu em direção ao Pico do Gavião, passando pela Fazenda Cachoeira. De lá, a comitiva seguiu por belos caminhos até a Fonte Platina - local utilizado nos dois últimos anos como chegada -, onde a cozinha estava pronta e com um belo almoço aos cuidados de Chico Preto e companhia. Após essa estratégica parada, o grupo seguiu rumo ao Recanto das Sete Cachoeiras, local de beleza exuberante, escolhido para encerrar o primeiro dia de jornada e também para servir de pouso para os animais. No sábado, dia 2, foi a vez de uma jornada de dia todo até a Fazenda Curral de Pedra. Na propriedade, os cavalos passaram mais uma noite enquanto os cavaleiros seguiram

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de caminhão boiadeiro, ou melhor, de ônibus, até o Hotel Nascentes da Serra, onde puderam desfrutar de uma merecida noite de descanso. Recuperados e bem dispostos, os participantes iniciaram na manhã do domingo, dia 3, a descida da serra com destino à cidade de São João da Boa Vista, ponto final do passeio.

Raid da Amizade

A

comunidade mangalarguista também se reuniu durante a Semana Santa para outro tradicional passeio. Com apoio do Núcleo Sul de Minas e Média Mogiana e organizado pela Horse Trail Eventos, empresa comandada pelo mangalarguista Eduardo Cintra, o Raid da Amizade, que este ano chegou à nona edição, percorreu cerca de cem quilômetros por uma trilha praticamente inédita, na região de divisa entre os estados de São Paulo e Minas Gerais. O

trajeto do evento, que procura sempre unir a cultura e a história do País ao prazer de cavalgar, percorreu uma linda rota, que atravessava matas e fazendas centenárias, proporcionando a visão de belos horizontes. O início da programação aconteceu na noite do dia 20 de abril, no Bar Baridade, em Guaxupé (MG), onde os participantes puderam colocar a conversa em dia e conhecer os detalhes do passeio. A cavalgada, entretanto, partiu na manhã de quinta-feira (21) do município paulista de São José do Rio Pardo, mais precisamente do Haras Nova Roma, de propriedade do criador da raça João Batista Melo Paula Lima. Nos dias seguintes, o grupo percorreu estradas e trilhas dos municípios de Mococa (SP), Tapiratiba (SP) e Muzambinho (MG), até o destino final, a Fazenda Monte Alto, em Guaxupé (MG), onde todos foram recepcionados, na tarde do Sábado de Aleluia (23), por Marina e Carlinhos Ribeiro do Vale.

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haras em destaque

Por Pedro Camargo Rebouças

Haras Leni

Vestindo a camisa do Mangalarga

O

Haras Leni está chegando aos dez anos de idade com muito a comemorar. Afinal, nesse breve período, o criatório situado na cidade paulista de Piracaia conseguiu atingir um elevado padrão zootécnico, consolidando assim o sufixo NLB no cenário mangalarguista. O bom momento também é comprovado pelos expressivos resultados alcançados nas pistas de julgamento da raça. Presente a 11 exposições da temporada passada,

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Fotos: Márcio Mitsuishi

Perto de completar uma década de existência, criatório segue buscando tanto a qualidade genética como o cavalo de sela pronto para atender o mercado

Ginga NLB e Ébano NLB estão entre os destaques do plantel

o plantel NLB conseguiu levar o criatório a uma posição de destaque no Ranking Mangalarga 2010. Com 2811,36 pontos, o Haras Leni obteve a primeira colocação entre os 89 expositores com até dez anos de seleção da raça, repetindo o feito também na disputa entre os criadores com até dez anos, na qual somou 2342,29 pontos. “O direcionamento que nós demos ao criatório parece ter dado certo, até porque utilizamos na

formação do plantel uma genética cuja seleção já vinha de anos. Nesse processo de evolução, tive a sorte e o privilégio de conhecer pessoas que vivenciam o cavalo e que estão dispostas a orientar. Mas, para mim, o mais importante é mesmo o bom momento do cavalo Mangalarga. Eu faço questão de frisar isso porque acho que todos esses êxitos giram em torno da raça”, explica Nilton Luiz Bartoli, que comanda o Haras Leni ao lado do filho Émerson Luiz Bartoli.


Vista da entrada propriedade localizada em Piracaia

O Haras Leni também começou a nova temporada bastante animado. Tanto é que sagrou-se o melhor expositor e o segundo melhor criador em duas tradicionais e concorridas mostras do calendário mangalarguista: Tietê (SP) e Bragança Paulista (SP). Entre os animais do criatório que vêm se destacando em pista estão nomes como Estela NLB (Quartzo JES em Conquista da Jauaperi), Faceira NLB (DL Uruguai da Alvorada em DL Ferrara da Alvorada), Ébano NLB (Cristal da Jauaperi em Itália DL), Ginga NLB (Derviche Dam em Onda da Jauaperi), recentemente eleita

1ª Reservada Campeã Égua Jovem em Bragança Paulista, e o caçula do grupo Imperador NLB (Fantástico da Janga em Conquista da Jauaperi), que iniciou o ano conquistando o Campeonato Potro Menor da Exposição de Tietê. A tropa NLB, entretanto, não se destaca apenas com o Haras Leni. Outros mangalarguistas também têm apostado com sucesso nos animais provenientes do criatório. Exposta pelo mangalarguista Almiro Esteves Junior, a fêmea Graça NLB foi um dos destaques da mostra de Bragança Paulista, obtendo os

títulos de Campeã Égua e Campeã Égua de Andamento. Graça, aliás, é filha de Itália DL e DL Uruguai da Alvorada, reprodutor de grande importância na formação do plantel do Haras Leni. “Quando iniciei, não compreendia direito o grau de importância da morfologia e sua ligação com bons andamentos. Hoje aprendi que as duas caminham juntas e considero o andamento como principal requisito no meu plantel. Aliás, isso é pertinente com a minha opção pela raça Mangalarga. Se o nome já diz ‘o Cavalo de Sela Brasileiro’, eu tenho que estar inserido nesta ideia”, ressalta Nilton. O criador tem ainda o objetivo de conseguir produzir bons produtos, com planejamento genético, para obter reprodutores e, ao mesmo tempo, contribuir para a expansão do mercado de cavalos prontos para montar. “Sei que é difícil, porém é este desafio que torna a atividade prazerosa. Acredito que o fato de ir aperfeiçoando, tentando reunir tudo de melhor em um só animal, é a meta de todos os criadores. É também onde eu quero chegar. Dentro das características da raça, é preciso salientar as melhores e mais expressivas, como o seu diferenciado andamento. O Mangalarga nasceu e foi selecionado para isso ao longo dos anos, tem características morfológicas para essas funções”, conclui o dedicado selecionador.

Émerson Bartoli recebe premiação conquistada por Fama NLB na 31ª Nacional e, ao lado, Nilton Bartolli cavalga pela propriedade com Netto JMV

www.cavalomangalarga.net.br

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aprimoramento

Mangalarga encontra o

Encantadorde Cavalos

Pioneiro no trabalho baseado no respeito e na não-violência na relação com os cavalos, Monty Roberts realizou demonstrações utilizando exemplares da raça. E gostou muito da experiência!

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Monty Roberts Hoje, aos 75 anos de idade, Monty Roberts é considerado por muitos como o maior nome do mundo do cavalo. Um de seus livros esteve durante 58 semanas na lista dos mais vendidos do New York Times, foi traduzido em mais de 15 idiomas e vendeu cerca de seis milhões de cópias. Amigo pessoal e responsável pela doma dos cavalos da rainha da Inglaterra, sua história inspirou o personagem principal do blockbuster “O Encantador de Cavalos”, com Robert Redford. Além disso, Monty inspirou e inspira, há décadas, amantes de cavalos ao redor do mundo. Roberts foi ainda tema de cerca de 50 documentários e especiais de TV. Suas apresentações já foram vistas por mais de dois milhões de pessoas ao redor do mundo, com mais de sete mil cavalos já trabalhados com suas técnicas, diante de audiências de diversos países. Monty foi ator de cinema, bicampeão mundial de rodeio e treinou milhares de cavalos, dos quais vários tornaram-se campeões mundiais em suas categorias. Nunca um treinador de cavalos havia conseguido formar campeões mundiais em tantas categorias de competição diferentes, como turfe, salto, adestramento, rédeas, pólo, entre outras. Muito antes de se falar em respeito aos animais, sustentabilidade e ecologia, Monty Roberts transformou a doma do cavalo, processo que demorava meses e consistia no uso de muita violência, em um processo

que demora minutos sem o uso de nenhum ato violento. Seus métodos hoje são objetos de estudo de sociólogos, pedagogos, antropólogos e cientistas ao redor do mundo, que veem neles uma infinidade de aplicações.

Gilberto Junqueira também esteve no encontro com o mestre do join-up Monty

Ruth Vilela de Andrade com Monty Roberts durante o evento Fotos: Ruth Vilela

A

raça Mangalarga marcou presença no seminário internacional ministrado por um dos principais nomes da equinocultura mundial, o norte-americano Monty Roberts, conhecido mundialmente como o “Encantador de Cavalos”. O evento, que aconteceu nos dias 25 e 26 de março, celebrou em grande estilo o aniversário de cem anos da Sociedade Hípica Paulista. A  participação mangalarguista foi encabeçada pelos criadores Gilberto Diniz Junqueira, Ruth Vilela de Andrade e Victor Arnaldo Torresan, que conseguiram viabilizar a inclusão de alguns exemplares da raça nas demonstrações feitas por Monty Roberts, cujo trabalho prima pela não-violência e pelo respeito aos cavalos. Primeiro exemplar do “Cavalo de Sela Brasileiro” a ser trabalhado no evento, a potranca Náutica Mangalarga (filha de Ventaneiro do Sheik) mereceu até elogios do mestre norte-americano: “good girl...intelligent Mangalarga!” Ruth Vilela conta que o evento foi uma verdadeira escola de amor e compreensão, tanto ao cavalo como ao ser humano. “A participação dos potros foi um show a parte. Um deles, que tinha fobia de entrar em trailers, em poucos minutos já estava entrando ao simples chamado do Monty Roberts. Acho que foi um momento que vai ficar para a história da nossa raça. Além disso, ele disse ter gostado muito do cavalo Mangalarga e declarou até ter vontade de possuir um exemplar da raça”, revela a criadora.


marketing

Mangalarga expande

presença na

A

internet

Redes sociais, como Twitter e Facebook, têm ajudado a ABCCRM a ampliar sua divulgação e a atrair mais pessoas para o convívio com a raça

Associação Brasileira de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga (ABCCRM) vem ampliando nos últimos meses sua participação nas principais redes sociais da internet. Hoje, a entidade participa de forma marcante de serviços como o Twitter e o Facebook, comprovando que está sempre atenta às inovações do universo tecnológico. A participação da ABCCRM no Twitter teve início no mês de novembro. Por meio desta popular rede social, conhecida por utilizar um sistema de mensagens curtas e rápidas, com no máximo 140 caracteres, a Associação estreitou os laços com centenas de seguidores, que ficam sabendo em primeira mão das novidades da raça. “O Twitter vem se mostrando uma eficaz ferramenta para divulgar as qualidades e as atividades do Mangalarga para um público com grande interesse por cavalos, formado por pessoas dos mais diversos pontos do país e do mundo. Além disso, essa é uma rede social que proporciona uma interação constante com dezenas de veículos de comunicação voltados ao agronegócio e ao setor equestre, possibilitando assim uma repercussão extra ao noticiário da raça”, explica o jornalista Pedro Camargo Rebouças, assessor de imprensa da ABCCRM. Rebouças explica ainda que a divulgação do Projeto Tropel Mangalarga foi o ponto alto da presença mangalarguista no Twitter até o momento. “As novidades sobre essa diferenciada cavalgada, que percorreu cerca de 1400 quilômetros, eram divulgadas

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em diversas mensagens diárias, que narravam o desenrolar da viagem, as aventuras e as conquistas obtidas pelos participantes durante os 36 dias da jornada. Também por meio do Twitter, foi possível repercutir as inúmeras matérias sobre o Tropel Mangalarga publicadas por sites, revistas e jornais, além dos vídeos veiculados nas emissoras de TV das regiões percorridas pelo grupo”, ressalta o assessor, lembrando ainda que outros eventos tiveram ampla veiculação na rede social, como a Copa de Andamento e o Circuito de Exposições. O jornalista destaca também que a participação dos associados ainda é relativamente pequena no Twitter. “Num cálculo informal, creio que cerca de 15% dos seguidores do Twitter da ABCCRM são criadores da raça. Esse dado é positivo, pois mostra que há um grande público interessado na raça, do qual poderão surgir novos usuários e criadores. No entanto, acho que é importante que mais pessoas participem dessa rede para ampliarmos a troca de informações e tornar ainda maior a repercussão dos assuntos ligados à raça. Além disso, essa é uma ferramenta muito

simples, em pouco tempo de uso o internauta fica familiarizado.” Iniciada no dia 28 de fevereiro, a participação da raça no Facebook é mais recente. Explorando muito as fotos e os vídeos sobre as atividades da raça nos mais variados pontos do País, a página da ABCCRM vem conseguindo receber um número expressivo de visitantes, responsáveis por uma rápida disseminação das novidades mangalarguistas nesta rede social cujo crescimento em território brasileiro é bastante acelerado. No Facebook, o principal destaque até agora foi a divulgação da Exposição Brasileira, realizada entre os dias 7 e 10 de abril, na cidade paranaense de Londrina. O evento, afinal, teve fotos e vídeos veiculados com sucesso na rede social. Entre eles estavam reportagens veiculadas por emissoras como a Rede Massa, afiliada do SBT, e o Canal Rural, do Grupo RBS. O Facebook, além disso, serve como uma vitrine permanente da raça na internet, em que é possível encontrar diversas curiosidades sobre a história, as aptidões e a programação do Cavalo de Sela Brasileiro.


história

Uma viagem ao mundo do nobre ancestral do Cavalo Mangalarga

s arquibancadas do Hipódromo do Campo Grande, na charmosa cidade de Lisboa, capital portuguesa, estavam lotadas naquele fim de tarde. Os conjuntos, trajados e equipados à moda setecentista, entravam, um a um, na pista central, sob o som de música barroca portuguesa, exibindo um belíssimo carrossel. O espetáculo, uma verdadeira viagem no tempo e na história, encantava a todos. As coreografias iniciais, desenvolvidas ao longo dos séculos por mestres cavaleiros obcecados pela perfeição, exibiam uma harmonia única, repleta de naturalidade. Em seguida, com grande destreza e sob o comando de experimentados ginetes, os cavalos iniciaram a demonstração dos mais exigentes movimentos da Alta Escola, a antiga arte equestre guerreira utilizada para a preparação dos cavalos das principais cortes européias durante os séculos XVI, XVII e XVIII. Piaffers, capriolas, corvetas e passages encantavam a todos em um espetáculo único. Após aquela surpreendente apresentação, que encerrava o evento que me levara a Lisboa, decidi incluir mais algumas reportagens na pauta daquela minha estada em terras de “além mar”. Afinal, o espetáculo, realizado pela Escola Portuguesa de Arte Equestre, exclusivamente com cavalos Alter Real, provenientes da Coudelaria de Alter do Chão, despertara em mim a vontade de conhecer melhor aquele fundamental

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ancestral das raças equinas do Sudeste brasileiro, em especial a nossa querida Mangalarga. Como ainda era domingo, decidi esperar até a quarta-feira seguinte para visitar a sede da Escola, localizada no magnífico Palácio de Queluz, na cativante cidade de Sintra, nos arredores de Lisboa. Aquele, afinal, era o dia da semana em que a Escola Portuguesa de Arte Equestre realizava sua tradicional apresentação nos jardins da antiga residência de verão da corte portuguesa, fundada pelo rei Dom Pedro III e mais tarde adotada como moradia permanente de seu filho mais novo, o príncipe-regente Dom João, que viria a se tornar o rei Dom João VI.

Escola Portuguesa

Depois de um breve passeio pelas dependências do Palácio, em que aproveitei para conhecer um pouco

mais sobre a história dos nossos colonizadores, segui para as cocheiras da Escola Portuguesa de Arte Equestre na companhia de meu amigo Carlos Calado, que mais uma vez me ciceroneava em terras lusitanas. Ali, tive a oportunidade de acompanhar de perto a preparação de cavalos e cavaleiros para o espetáculo. Com muito zelo, os animais eram escovados, arreados e trançados. Tive ainda a oportunidade de conhecer alguns dos ginetes que integram a equipe de apresentação, todos eles donos de uma sólida formação hípica, como Bento Castelhano, que pouco depois se sagraria campeão europeu de equitação de trabalho. Faltava ainda algum tempo para as 11h, horário marcado para o começo da apresentação, mas eu já estava a postos com uma máquina fotográfica em mãos ao lado da pista onde o espetáculo aconteceria. Logo

Escola Portuguesa de Arte Equestre utiliza exclusivamente o Alter Real

Imagem: Divulgação

A

Alter

Real

Por Pedro Camargo Rebouças


Foto: Pedro Rebouças

O mestre picador Felipe Figueiredo comanda apresentação da Escola Portuguesa

depois, a apresentação teve início. Agora, com os jardins de Queluz como cenário, eu não tinha dúvida de que se tratava de uma real viagem no tempo. Os cavaleiros, que vestiam um traje de equitação branco com um enorme jaquetão cor de vinho com detalhes em dourado, traziam nas cabeças os pontiagudos e triangulares chapéus pretos típicos do século XVIII. O mesmo cuidado e refinamento podia ser visto nos arreios e nas selas portuguesas exibidos pelos cavalos castanhos, todos provenientes da seleção da Coudelaria de Alter. A pista com dimensões menores que a do Hipódromo do Campo Grande e as acolhedoras dependências do Palácio de Queluz tornavam a nova apresentação ainda mais impressionante que a anterior. Terminado o espetáculo, fui recebido pelo principal dirigente e mais antigo cavaleiro da Escola, o mestre picador João Felipe Geraldis de Figueiredo, mais conhecido como Marquês de Graciosa. Graciosa começou a conversa exaltando o fato do cavalo Alter Real ser um dos pilares da formação de importantes raças equinas brasileiras. www.cavalomangalarga.net.br

Em seguida, recordou com carinho de sua experiência com a raça Mangalarga nas Nacionais de 1995 e 1996, quando atuou como jurado a convite da ABCCRM. Como naquela ocasião, Graciosa elogiou o caráter do nosso cavalo de sela brasileiro, ressaltando ainda que o Mangalarga é um equino capaz de fazer sucesso em qualquer parte do mundo e que a Associação estava no caminho certo ao valorizar a funcionalidade. No entanto, como o nosso assunto naquele dia era o Alter Real, o mestre picador logo ressaltou que os animais utilizados pela Escola mantinham as mesmas características da época áurea da Picaria Real, assim como continuavam a executar os mesmos exercícios praticados no século XVIII. “Em 1979, reunimos quatro cavaleiros e quatro cavalos e fundamos a escola com a intenção de resgatar o trabalho feito na antiga academia da corte portuguesa, fechada em 1807 em consequência das Guerras Napoleônicas. Aqui, utilizamos apenas animais selecionados na Coudelaria de Alter, exatamente como acontecia nos séculos XVIII e XIX”, explica Graciosa.

A estrutura da Escola vem, aliás, evoluindo bastante nos últimos anos. Além do mestre picador principal, outros dois mestres dividem a responsabilidade de coordenar o trabalho da academia e orientar os cerca de 12 cavaleiros que completam o grupo, ocupando os cargos de picadores, picadores ajudantes e aspirantes. Todos eles dedicam suas manhãs aos treinamentos e são empregados do Ministério da Agricultura de Portugal, órgão responsável pela administração da academia. Os salários desses profissionais são de nível médio, mas a projeção profissional que conquistam na escola lhes garante muitos alunos particulares e diversos convites para cursos por toda Europa. O sucesso da instituição depende ainda de outros profissionais. Tratadores e ferradores cuidam para que os cerca de 60 cavalos alojados em Queluz estejam sempre em boas condições. E há ainda o alfaiate, o chapeleiro, o seleiro e o sapateiro, que trabalham para que equipamentos e vestimentas utilizados nas apresentações estejam rigorosamente de acordo com o figurino setecentista.

Coudelaria de Alter

O êxito também depende muito do trabalho feito na Coudelaria de Alter, que, além de preservar o patrimônio genético do Alter Real, é responsável por fornecer os animais que participarão da Escola. Localizada na região do Alto Alentejo, no município de Alter do Chão, a Coudelaria de Alter é um dos mais antigos criatórios de cavalos do mundo. Segundo Graciosa, a eguada da Coudelaria de Alter foi comprada e iniciada em 1748 por Dom João V, sob a influência de sua esposa Dona Mariana da Áustria, que desejava reproduzir na corte de Lisboa uma academia equestre nos moldes da que existia em Viena. Foram então compradas, especialmente na região de Jerez, cerca de 300 éguas utilizadas para fornecer os produtos necessários R evista M angalarga | 15


Foto: Pedro Rebouças

Desde o século XVIII, a antiga arte equestre guerreira da Alta Escola é a principal aptidão do Alter Real

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e Nobre Arte da Cavalaria. A obra, considerada uma das mais famosas da história do hipismo mundial, é até hoje uma importante referência para equitadores de todo mundo. O início do século XIX reservava, no entanto, uma abrupta mudança de rumos na história da Picaria Real, da Coudelaria de Alter e de Portugal. O País, governado desde 1792 pelo Príncipe Regente Dom João, que ocupara o lugar da adoecida Dona Maria, via-se então acuado com a política expansionista de Napoleão e também pela grande antipatia que

Matrizes e éguas na Coudelaria de Alter, fundada em 1748 por Dom Jão V Foto: Divulgação

para a nova academia, que logo se transformaria na Picaria Real. A estruturação da Coudelaria veio, no entanto, no reinado seguinte, comandado pelo rei Dom José I, que, entre os anos de 1749 e 1770, estruturou esse importante centro de seleção, investindo na formação da manada, nas instalações hípicas, no alargamento do assento agrícola e na ampliação da área de pastoreio. O período considerado o apogeu de Alter está situado, entretanto, entre os anos de 1771 e 1807, fase que compreendeu a transição entre o reinado de Dom José e o de sua filha e sucessora Dona Maria. Durante essa época, além de alcançar um sólido nível na seleção e no padrão dos animais, a Coudelaria viu a equitação praticada na Picaria Real atingir a perfeição no rigor da técnica, na beleza dos movimentos e na elegância das atitudes, tendo como mentor o quarto Marquês de Marialva, Dom Pedro de Meneses. Prova disso é a produção no ano de 1790 - pelo picador Manuel Carlos de Andrade, discípulo de Pedro de Meneses - do Tratado de Equitação Luz da Liberal

o governante francês nutria pelos representantes das antigas monarquias europeias. Até que, em novembro de 1807, Dom João viu-se obrigado a fugir para o Brasil para preservar a dinastia de Bragança e, principalmente, para escapar do triste destino definido por Napoleão para inúmeros outros monarcas europeus: a prisão e a morte. Dessa forma, o Príncipe precisou, em curtíssimo espaço de tempo e sob a tutela do governo inglês, tomar a decisão de transferir toda a corte para o Brasil, a principal e mais rica colônia lusitana. Essa decisão implicou inevitavelmente no fim da Picaria Real e deixou a Coudelaria de Alter numa situação bastante complicada, considerada a mais crítica de sua trajetória, com casos de roubo de importantes cavalos, redução na área do pastoreio, vandalismo nas instalações e também as primeiras ameaças à integridade étnica da manada. Felizmente, tanto para a preservação do patrimônio genético da raça como para a posterior formação das raças equinas do sudeste brasileiro, Dom João resolveu incluir alguns exemplares do Alter Real, entre eles importantes reprodutores e matrizes, na bagagem de sua enorme comitiva. Apesar das asperezas da viagem, que durou pouco menos de quatro meses e incluiu severas dificuldades com as condições insalubres das embarcações que atravessaram o Atlântico, esses animais chegaram ao Rio de Janeiro.


Toque de nobreza

Já instalado em terras brasileiras e provavelmente buscando fortalecer os laços com a elite local, Dom João presenteou Gabriel Francisco Junqueira, que viria a se tornar Barão de Alfenas, com alguns dos reprodutores provenientes da Coudelaria de Alter. Junqueira instalou esses animais na fazenda Campo Alegre, localizada no município de Cruzília, na região limítrofe entre o sul de Minas Gerais e o Estado de São Paulo. Logo, esses cavalos - com altura entre 1,50 e 1,60m e pelagem predominantemente castanha - passaram a atuar na reprodução do criatório mineiro. Aqui, esses reprodutores foram utilizados para cobrir éguas nacionais - também de ascendência ibérica, mas já bastante adaptadas -, que desde o início do século XVIII vinham sendo criadas por proprietários rurais mineiros, como o próprio Gabriel Francisco Junqueira. “Essas fêmeas

www.cavalomangalarga.net.br

foram trazidas pelos colonizadores e, com o passar dos anos, viveram em condições selvagens, adquirindo características que permitiram a sobrevivência nas condições climáticas e de alimentação do interior do Brasil, em Minas Gerais, mais precisamente”, explica o professor da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo Alexandre Gobesso, no texto “Influência do PSL na formação das raças nacionais”. O encontro entre esses dois plantéis, que viviam em condições tão distintas, proporcionou o surgimento dos indivíduos que se tornariam os formadores das raças equinas do Sudeste brasileiro, em especial a Mangalarga, dando o toque de qualidade que ainda fazia falta à seleção da região. Para Bjarke Rink, equitador atualmente radicado no estado do Rio de Janeiro e autor do livro “O enigma do centauro”, a principal contribuição do Alter

Real foi proporcionada pelas suas notáveis qualidades: diagrama próximo do Andaluz, cabeça refinada com olhos bem separados, pescoço levemente arqueado, espádua longa, grande profundidade torácica, garupa musculosa e pernas particularmente fortes e de boa ossatura, além da inteligência e vivacidade características dos grandes cavalos de sela. Ainda segundo Rink, o Alter Real representou a melhora da conformação necessária para a transformação do cavalo mestiço em cavalo de raça, proporcionando ao Mangalarga moderno o toque de ‘nobreza’ para que a raça fosse digna do dignitário e abriu-lhe a porta para a corte Imperial do Rio de Janeiro. * O jornalista Pedro Camargo Rebouças realizou, entre 2000 e 2003, uma série de quatro viagens a Portugal, durante as quais pôde conhecer inúmeros aspectos da cultura equestre daquele país europeu.

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º 4

supera expectativas º 4 sucesso

Leilão Prestígio Otnacer

M

ais uma vez, o feriado de Tiradentes, no último dia 21, teve um evento de sucesso na agenda de leilões da raça Mangalarga. A 4ª edição do já consagrado leilão Prestígio Otnacer apresentou 35 lotes de 24 renomados criatórios convidados pelo promotorz Antonio Caetano Pinto, do Haras Otnacer. Com faturamento de R$ 1,453 milhão e média geral de R$ 41,5 mil, o leilão trouxe animais de qualidade ímpar e garantiu ótimos negócios para os compradores presentes no local e criadores que deram seus lances por telefone, através da transmissão ao vivo do canal Terraviva. Para o leiloeiro Guillermo Sanchez, “o diferencial e o sucesso do Leilão Prestígio estão pautados na qualidade dos animais apresentados. O Toninho (promotor do leilão) consegue convidar pessoas importantes

Apesar do feriado prolongado o evento foi um sucesso, movimentando uma receita total de R$ 1,453 milhão

e retirar de seu criatório os melhores animais, trazendo produtos que formam um plantel de qualidade”. Além do Haras Otnacer, outros criatórios fizeram negócios na ocasião: Haras Espinhaço, Haras Origem, Haras  Cerávolo Paoliello, Fazenda Sabaúna, Haras EFI, Fazenda Santo Antônio, Haras Araxá, Haras AEJ, Haras JES, Haras Orgin, Sítio Jedi, Haras Jaó, Haras Corumbau, Haras Da Costa, Fazenda Império, Haras Alvorada, OJC Empreendimentos e Participações, Haras F1, Haras NH, Haras Brumazi e Haras R.A.A. ofertaram seus melhores lotes aos convidados. Como esperado, um dos destaques do leilão, a potra Samanta do Fotos: Divulgação

Samanta obteve a segunda melhor cotação do evento

Nairana esteve entre as atrações do remate promovido por Antonio Caetano Pinto

Otnacer, teve ótimos lances e foi o segundo lote mais valorizado do plantel. A surpresa ficou por conta da potra Sucata do Otnacer (Reservada Campeã Nacional Potranca 2010), que obteve a maior cotação do evento, sendo arrematada por R$ 120 mil. Nem o feriado prolongado e o congestionamento de mais de 30 quilômetros na Rodovia Castelo Branco atrapalharam as vendas, e o Leilão Prestígio cada vez mais se consolida na agenda da raça Mangalarga como uma excelente oportunidade para criadores que buscam qualidade e transparência. Aliás, a transparência é uma das marcas do leilão e, segundo seu promotor, o criador Antonio Caetano Pinto, é uma característica que deve se manter nas próximas edições. Texto da assessoria de imprensa do 4º Leilão Prestígio Otnacer

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esporte

Por Pedro Camargo Rebouças

Mangalarguista participará de evento

internacional

arquearia Fotos: Raul Almeida Prado

de

Fernando Almeida Prado representará a raça e o Brasil em competição organizada por Abdullah li Ibn Al Hussein, rei da Jordânia

A

Fernando viajará ao Oriente Médio para representar a comunidade mangalarguista

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raça Mangalarga vem, aos poucos,  expandindo  sua participação no universo da arquearia a cavalo. Depois da bem sucedidas apresentações em eventos como a 32ª Exposição Nacional e o 8º Encontro Internacional de Horsemanship da Universidade do Cavalo, ambos realizados no final do ano passado no estado de São Paulo, o grupo de arquearia da Chácara do Rosário estará agora representado na Al Faris International Horseback Archery Competition, a primeira competição internacional desse esporte realizada na Jordânia, no Oriente Médio. O evento, promovido pelo rei Abdullah Ii Ibn Al Hussein, acontecerá nos dias 9 e 10 de junho, na capital jordaniana, Amã. Na ocasião, o Brasil será representado pelo mangalarguista Fernando Almeida Prado. O jovem cavaleiro, que vem se destacando no grupo da Chácara do Rosário, é filho de Raul Sampaio de


No detalhe, a aljava utilizada pelo arqueiro para guardar as setas

Almeida Prado, idealizador do projeto de arquearia realizado no município paulista de Itu e introdutor da modalidade na raça. Além de representar bem o Brasil e  a  comunidade  mangalarguista, Fernando tem o objetivo de adquirir experiência internacional e desfrutar da convivência com os melhores arqueiros do mundo para, posteriormente, ajudar a modalidade em território brasileiro. Na competição, em decorrência das dificuldades logísticas e sanitárias, e do alto custo do transporte de animais até o Oriente Médio,  os  concorrentes  utilizarão cavalos cedidos pelos organizadores do evento, muitos deles integrantes do plantel pessoal do rei Hussein. Além disso, as provas serão divididas de acordo com os estilos mais praticados de arquearia a cavalo, como o turco (no qual o cavaleiro deve acertar um alvo a sete metros de altura durante um galope circular à sua volta), o coreano (que é dividido em três etapas com um, dois e cinco alvos em cada uma delas) e o húngaro (em que os competidores precisam disparar em três alvos, um a cada www.cavalomangalarga.net.br

30 metros de corrida), além de uma demonstração à maneira jordaniana, durante a qual os participantes alternam o arco e flecha com o uso de outras armas, como a espada, para a derrubada de obstáculos. Iniciado há cerca de um ano e meio, nas dependências da Chácara do Rosário, o projeto de arquearia a cavalo com o uso do Mangalarga começou de forma despretensiosa. O intuito era descobrir uma nova modalidade para a prática cotidiana da raça e também unir amigos e familiares dos organizadores em um gostoso momento de confraternização. Aos poucos, no entanto, a iniciativa foi ganhando espaço e  despertando o interesse de muitas pessoas. A aptidão dos exemplares da raça também já está mais do que provada.  Ágil, dócil e dotado de

equilíbrio psicológico, o Mangalarga tem demonstrado muita habilidade para a prática desse esporte, cuja origem é milenar. Raul Almeida Prado conta, inclusive, que a raça já foi elogiada por um dos principais nomes da arquearia, o tcheco radicado nos Estados Unidos Lukas Novotny que, em recente visita ao Brasil, pôde testar o Mangalarga na prática dessa exigente atividade. Agora, é torcer pelo êxito do Fernando nas distantes terras árabes e ficar atento para saber quando será o próximo encontro para a prática da arquearia na Chácara do Rosário. Convite envi ado pelo rei da Jordânia

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Fotos: Fabrício Bagarolli

º 1 esporte

Festival de Verão de

Enduro Equestre Além de aprimorar os conhecimentos sobre a modalidade, os mangalarguistas participaram de uma prova de regularidade de 26 quilômetros

O

1º Festival de Verão de Enduro Equestre, que aconteceu no Hotel da Fazenda Dona Carolina, em Itatiba (SP), teve parte de sua programação direcionada especialmente para a comunidade mangalarguista: a Clínica de Enduro para Iniciantes. Realizada nos dias 19 e 20 de fevereiro, a clínica apresentou essa modalidade hípica internacional a criadores da raça Mangalarga e seus familiares. O curso foi ministrado pelo treinador da equipe brasileira de jovens cavaleiros de enduro, Guilherme Ferreira da Rocha, e pelo cavaleiro internacional Fabríco Bagarolli, e os participantes puderam aprender sobre a preparações técnica e prática para as provas desse diferenciado esporte equestre. Os mangalarguistas inscritos no curso também puderam conhecer um pouco mais sobre a modalidade por meio da exposição da história, regras e categorias do esporte. Eles tiveram, ainda, a oportunidade de colocar o conhecimento adquirido em prática, com o acompanhamento dos organizadores, na prova de regularidade do Festival, realizada na manhã do dia 20 com um percurso de 26 quilômetros. Além disso, durante a prova, os participantes puderam vivenciar a importância dos Vet Checks – os exames veterinários

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realizados antes e depois da prova de enduro, com o intuito de conservar a saúde dos equinos concorrentes. Segundo Fabrício Bagarolli, o grupo de mangalarguistas que compareceu ao evento foi composto por Nelson Antônio Braido, Nelson Antônio Braido Júnior, Maria Carolina Braido, Dirk Helge Kalitzki, Karin Caixeta Kalitzki, Stefanie Caixeta Kalitzki, Luísa Ópice, Sérgio Ópice, Maria Cândida Junqueira Melo e Luciana Ligeiro. O Festival de Verão, que contou com o apoio da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga (ABCCRM), foi uma realização da Global Equi Consulting. A programação do evento contou também com um curso de ferrageamento e podologia equina, ministrado pelos franceses Jacques Cardin e Jean Marc Gibert, e uma clínica preparatória para os intercâmbios internacionais de enduro da temporada 2011.

Firmeza e regularidade Nos últimos anos, mesmo com uma participação relativamente pequena, a raça Mangalarga obteve bons resultados nas disputas de regularidade. Nelas, o conjunto competidor deve completar um percurso que varia de 20 a 40 quilômetros, tentando manter-se o mais fiel possível à média de velocidade previamente determinada pelos organizadores. Segundo Vivian Feres José, detentora de dois títulos nacionais de regularidade com o Mangalarga Humaitá do Suelotto, a principal qualidade da raça para a modalidade está no andamento firme e regular. “Você coloca o animal numa velocidade e ele vai embora. Essa regularidade é muito boa para o cavaleiro, pois dá pouco trabalho durante a prova”, destaca a amazona, cujo início no enduro ocorreu em 1994.

Guilherme Ferreira recepcionou os mangalarguistas na Fazenda Dona Carolina


associação

Assembleia reúne a comunidade

mangalarguista Diretores e associados participaram da reunião realizada na sede da ABCCRM

Fotos: Norberto Cândido

A

Associação Brasileira de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga (ABCCRM) promoveu, na tarde de 31 de março, uma Assembleia Geral Ordinária para a apresentação dos relatórios referentes ao exercício fiscal encerrado no dia 31 de dezembro de 2010. A reunião, que contou com a participação de cerca de 30 pessoas, aconteceu na sede da entidade, no Parque da Água Branca, em São Paulo (SP). Os trabalhos foram abertos pelo presidente da ABCCRM, Sergio Luiz Dobarrio de Paiva. Em seguida, o diretor jurídico Fernando Tardioli Lúcio de Lima e o presidente do Conselho Superior de Administração Mário Alves Barbosa Neto deram prosseguimento à assembleia, que contou também com a apresentação dos relatórios conduzida pelo diretor financeiro Vital Jorge Lopes.

Sérgio Paiva abriu os trabalhos da assembleia

Antidoping

No início de março, a Associação decidiu, por meio de sua Diretoria Executiva, incrementar a utilização do exame antidoping durante a temporada 2011. Dessa forma, os testes não se limitarão mais apenas à Exposição Nacional e à final da Copa de Andamento, como acontecia anteriormente. Assembleia aconteceu na sede da ABCCRM

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Segundo o Regulamento Geral de Exposições Oficiais, está prevista a realização do exame antidoping em todas as mostras e copas de andamento, tanto regionais como abertas. Os associados devem ficar, portanto, cientes de que as análises poderão ser realizadas sem qualquer aviso prévio por parte da Associação ou dos organizadores dos eventos que integram o calendário da ABCCRM. Assim, a partir de agora, expositores, apresentadores, médicos veterinários e todo o staff do cavalo apresentado deverão ficar atentos ao Regulamento de Antidoping. Para obter uma cópia do Regulamento de Antidoping, basta acessar o site da ABCCRM – www.cavalomangalarga.com.br – ou solicitá-lo, pelo telefone (11) 3673-9400, ao Carlos Alberto, do Departamento de Exposições.


aprimoramento

elas

Um evento

só para

Clínica ministrada por amazona norte-americana procurou retratar a poderosa, e mágica, relação de cumplicidade entre mulheres e cavalos, cuja origem remonta à antiguidade mais remota

A

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a afinidade natural que existe entre elas, os cavalos e o ato de cavalgar”, ressaltou o empresário, responsável pela organização da clínica ao lado da mangalarguista Marisa Iório.

Programa

Segundo os organizadores, o evento foi estruturado de maneira a unir teoria e prática. As atividades da manhã do primeiro dia, que aconteceram em sala de aula, incluíram uma apresentação destinada a mostrar e explorar as conexões físicas, emocionais, mentais, espirituais e intuitivas entre mulheres e cavalos. Além disso, foi abordado o tema “entendendo a equitação sob a perspectiva feminina”. No período da tarde, os participantes seguiram para o picadeiro do Centro de Eventos Lagoinha, onde aconteceram duas diferenciadas Grupo de participantes da clínica

demonstrações. A primeira, “O cavalo focado”, mostrou como criar uma conexão ente mulheres e cavalos para tratar, manejar, treinar e manter uma ligação profunda, usando métodos naturais e seguros para atingir a mente, o corpo e alma dos cavalos, incluindo neste processo a aromaterapia com óleo essencial. Já a segunda demonstração abordou “O cavalo equilibrado”, acupuntura e outras técnicas. Nela, Mary Midkiff envolveu a audiência ao percorrer todo o corpo do cavalo, ensinando sobre seu comportamento e linguagem corporal. A manhã do segundo dia do evento foi reservada para uma revisão do dia anterior. Nessa etapa, foram realizadas leituras de partes do livro  “Voando  Sem  Asas” e  debates  sobre  demonstração da véspera, além de apresentações de exercícios Fotos: Marisa Iorio

Cavalgadas Brasil e o Haras Lagoinha promoveram, nos dias 2 e 3 de abril, no Centro de Eventos Lagoinha, em Jacareí (SP), a clínica internacional “Mulheres e Cavalos - Como os cavalos tocam a alma das mulheres”. O evento foi comandado pela amazona, instrutora, treinadora e escritora norte-americana Mary Midkiff, que veio ao País exclusivamente para a realização deste inédito curso. Durante  a  clínica,  Mary falou sobre os sentimentos que unem as mulheres aos seus cavalos. O programa, entretanto, apresentou muito mais do que isso: aela também ensinou às presentes como tratar, manejar, treinar e usar equipamentos que propiciam melhor desempenho a amazonas. Na ocasião, as participantes também ganharam um exemplar autografado do livro “Voando sem Asas – Como os cavalos tocam a alma das mulheres”. Escrita por Mary, a obra, que agora chega ao Brasil, já foi lançada em diversos países e é detentora de vários prêmios. Diretor da Cavalgadas Brasil, Paulo Junqueira revelou interessantes dados sobre a presença feminina no universo equestre. “Cerca de 65% dos clientes que procuram nossos roteiros são mulheres. Por isso, a clínica representou uma oportunidade única para todas aprenderem a lidar com


Marisa Iorio com Mary Midkiff

de alongamento e resistência, alinhamento corporal e consciência de movimento. Depois, a amazona norte-americana demonstrou às mulheres como usar sua intuição, mente e corpo no trabalho com cavalos de maneira tranquila e segura.

Mary Midkiff

Conhecida como pioneira na ‘indústria do cavalo’, Mary Midkiff é presidente da Recursos Equestres (EQR), empresa de marketing e planejamento criada em 1991 para promover atividades relacionadas a cavalos. Em 1992, lançou o programa “Women & Horses Fitness and Performance”. Especializou-se em uma abordagem holística para condicionamento e treinamento de cavalos, criando uma parceria de ligação profunda entre cavalos e humanos, oferecendo informações, técnicas e recursos para as mulheres que atuam na área equestre. Premiada e reconhecida pelos 30 anos de trabalho com cavalos, Mary – pós-graduada em Publicidade e Comunicação na Universidade de Kentucky – procura transmitir às pessoas seu envolvimento originário na infância, sob inspiração do avô, Dan Midkiff, empresário, treinador e criador de cavalos Puro-sangue. Na área, Mary completou com honras o Programa de Equitação na mesma universidade, e recebeu as certificações de Horsemaster do Departamento de www.cavalomangalarga.net.br

Educação do Estado de Maryland e da British Horse Society. Ela também participa de diversas entidades e organizações relacionadas à indústria do cavalo. Tem artigos publicados em diversos veículos de imprensa e é citada como especialista equestre em muitas ocasiões. “Minhas palestras são focadas em mulheres e em vê-las se aproximando de cavalos e equitação. Abordo o intuitivo e o relacionamento físico entre mulheres e cavalos, incluindo o porquê da afinidade natural, a paixão por cavalos e as técnicas de equitação e equipamentos específicos para mulheres. Trato também da oportunidade de compreender as nossas diferenças e o que as mulheres precisam para se sentir mais seguras e confortáveis”, relata a amazona em um deles..

O livro

para as amazonas. “Montando toda a minha vida, eu havia descoberto que as técnicas para lidar com cavalos, ou mesmo montar, que funcionam para os homens, não necessariamente funcionam para as mulheres. Escrevi o livro para mostrar que os cavalos me ajudam no caminho da aceitação, além de ensinar e trazer liberdade.” Para Mary, o relacionamento entre uma mulher e um cavalo é um encontro entre o intangível - o espiritual, mítico, etéreo - e o muito tangível – as realidades diárias físicas de montar e manter um cavalo e a vida em si. Tendo passado boa parte da vida em cima de um cavalo, ela concluiu e procura transmitir a seguinte ideia: “cavalos fizeram toda a diferença em minha vida e me deram muito mais do que condicionamento.  Conversando com grande número de mulheres, percebi que a conexão que sinto com os cavalos é algo que muitas sentem. Quando partilho esse senso de conexão, o que emerge é que nosso relacionamento com cavalos nos leva a novos níveis de confiança pessoal, força e compaixão. Eles fornecem verdadeiras dádivas espirituais, num mundo sagrado”. Tanto o livro quanto a clínica, procuram retratar a poderosa, e mágica, relação de cumplicidade entre mulheres e cavalos, que vem desde a mitologia, a história e a literatura, passando pela experiência da própria autora e por numerosas entrevistas com outras mulheres.

“Voando sem Asas - Como os cavalos tocam a alma das mulheres”, que está em sua primeira edição brasileira, é organizado em doze capítulos que espelham o arco da vida da mulher – desde a descoberta, ainda jovem, de uma afinidade natural com o cavalo até o surgimento da consciência das mudanças da vida. Um dos temas dominantes é que os cavalos constantemente testam os limites de aceitação entre o grupo, da mesma forma que os humanos. De maneira peculiar, eles estabelecem níveis de aceitação com seus cuidadores humanos, e, naturalmente, procuram contentaSilvia Rossi, Sueli Linces, Mary Midkiff e Marisa Iorio mento na vida diária, u m a    s e r e n i d a d e só adquirida pela autoaceitação sob um largo espectro de circunstâncias. Mary Midkiff conta que a ideia do livro surgiu no programa “Women & Horses”, que oferece condicionamento e sistema de performance especificamente

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eventos

Aberta uma

nova fronteira para o cavalo Mangalarga

Com o sucesso da mostra de Vitória da Conquista e o entusiasmo dos criadores, Sudoeste Baiano tem tudo para se tornar um importante polo da raça

A

cidade baiana de Vitória da Conquista recebeu, no dia 2 de abril, a terceira etapa do Circuito de Exposições do Cavalo Mangalarga 2011. A mostra, promovida pelo Núcleo do Sudoeste Baiano, com o apoio da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga (ABCCRM), contou com a presença de 40 animais, que passaram pela análise do jurado Marcelo Leite Vasco de Toledo. A coordenação do evento esteve a cargo dos criadores e fundadores do Núcleo do Sudoeste Baiano Rafael Ladeira, engenheiro agrônomo e diretor-presidente da Mangalô Publicidades, de Vitória da Conquista, e Jivago Queiroz, médico oftalmologista de Itapetinga (BA). A exposição, entrentanto, também contou com a presença de outros tradicionais selecionadores do estado: José Henrique

Animais de qualidade passaram pela pista de julgamento Foto: Arquivo/Norberto Cândido

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Ramos, Lizete e Maurício Pimentel, Kalu Tourinho de Abreu, Marcelo Cintra Zariff, Dorival Santana, Antonio José Seabra, Alberto Ramon, Henrique Brugni, José Marcos Costa, Nivaldo Batista Queiroz, Pedro Pitanga, Renato Passini, Roberto Fachinetti e Vitor Gama. As categorias mais concorridas do evento baiano foram aquelas dedicadas às potrancas e às éguas seniores. Criada por Joaquim Bento de Souza Neto e exposta por Tourinho de Abreu e Filhos, Suíça da Sabaúna (Quântico da Janga em Libéria da Sabaúna) sagrou-se Campeã Potranca da Exposição. Já entre as fêmeas mais experientes, se destacaram Lilica NJT (Hebreu JHR em Tradição Paulista), de Nivaldo Batista Queiroz, eleita Campeã Égua Sênior, e Utopia JHR (Patrício JHR em Fragata da Matta), exposta por José Henrique Ramos, que conquistou o Campeonato Égua Sênior de Andamento. O ranking dedicado aos expositores da mostra magalarguista de Vitória da Conquita, por sua vez, foi liderado foi liderado por Maurício Nelson Andrade Pimentel, que somou 295,60 pontos, seguido por Nivaldo Batista Queiroz (273,20) e Tourinho de Abreu e Filhos (239,80). A mesma classificação se repetiu, aliás, na listagem final envolvendo os criadores: Maurício Nelson Andrade Pimentel (162 pontos) em primeiro,

seguido por Nivaldo Batista Queiroz (76) e Tourinho de Abreu e Filhos (68). Realizada nas dependências do Parque de Exposição Teopompo de Almeida, a mostra mangalarguista aconteceu durante a Exposição Nacional do Agronegócio de Conquista, a Expoconquista. O evento, que está entre os principais do agronegócio baiano e possui 81 anos de história, recebeu, na edição deste ano, representantes de mais de 80 municípios da Bahia e de 14 estados brasileiros. Situada em eegião  emergente,  onde vivem 310 mil habitantes, Vitória da Conquista canaliza 67 municípios para sua estrutura cultural e de serviços, que inclui seis universidades, centro médico regional e polo comercial. Além disso, a cidade, situada a 900 metros de altitude, com influência forte na cafeicultura e circunvizinha de áreas nobres da pecuária baiana, como a região de Itapetinga, é a porta de entrada para o nordeste brasileiro. Com o sucesso da exposição e o entusiasmo dos criadores da região, Conquista tem tudo para se tornar um grande polo de desenvolvimento para novos criatórios e adeptos do cavalo Mangalarga. O próximo evento do Núcleo Sudoeste será a Exposição Mangalarga de Itapetinga, cuja programação terá início em meados de maio e incluirá o 3º Leilão NJT e convidados.


eventos

Por Pedro Camargo Rebouças | Fotos: Norberto Cândido

Tietê

Exposição de

segue crescendo

Umuarama (PR), Bragança Paulista (SP) e Itapetininga também receberam importantes etapas do Circuito de Exposições 2011 Mostra de Tietê recebeu 97 exemplares da raça

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Produtos de grande qualidade passaram pela pista do Parque de Exposições de Tietê

A

26ª Feira Agropecuária e Industrial de Tietê (SP) recebeu, nos dias 26 e 27 de março, a segunda etapa do Circuito de Exposições 2011. O evento, organizado pelo mangalarguista Paulo Lenzi, com o apoio da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga (ABCCRM), contou com uma ampla programação, que incluiu disputas funcionais e julgamentos de morfologia e andamento. A mostra, além disso, foi prestigiada pelo prefeito de Tietê, José Carlos Melare, e pelo presidente da ABCCRM, Sergio Luiz Dobarrio de Paiva. Seguindo a tendência das temporadas anteriores, a Exposição Mangalarga de Tietê registrou uma expressiva evolução. Este ano, 97 exemplares da raça passaram pela pista de julgamento da Fait, número 8% superior ao registrado em 2010. Já a participação de expositores saltou de 32, no ano passado, para 42 na edição de 2011, comprovando o aumento de interesse da comunidade mangalarguista pela mostra do interior paulista. Para comandar os julgamentos, foram convocados os jurados Marcelo Leite Vasco de Toledo, responsável pela análise morfológica dos concorrentes, e Thomas Nogueira Negrão D’Angieri, a quem coube a avaliação www.cavalomangalarga.net.br

do andamento dos exemplares que passaram pela pista do Parque de Exposições de Tietê. Além da classe geral, o evento contou com julgamentos dedicados às categorias de pelagens diferenciadas, das quais participaram animais pampas, alazões amarilhos, tordilhos, castanhos e pretos ou zainos. Com dez concorrentes cada, as categorias destinadas às éguas jovens (fêmeas de 36 a 48 meses) e às éguas (além de 48 a 60 meses) foram as mais concorridas da programação. Exposta por João Pacheco Galvão de França, Dinamarca da Bica (Xingú da Bica em Camile DAM) sagrou-se Campeã Égua Jovem enquanto

Jubilee ACD (Helíaco DA em Itália DAM), originária da seleção de Antonio Carlos Pestili Fonseca, obteve o Campeonato Égua Jovem de Andamento. Por sua vez, a disputa entre as éguas teve como principais destaques Theresa da Araxá (Olimpo JMV em Atração FSI), exposta por Haigazun Sanazar e eleita Campeã Égua, e Energia JCMAF, proveniente da criação de José Carlos Moraes Abreu Filho e escolhida Campeã Égua de Andamento. Entre os machos, a classe mais movimentada foi a destinada aos potros (mais de 24 a 30 meses), que teve como campeão Zenith do Fogo (T.E.), produto de Paulista MAB e Primeira Bel, criado e exposto por Rodrigo Cardoso Barbosa. Por sua vez, a disputa entre os expositores teve como principais destaques o Haras Leni (com 223,50 pontos), o Haras Cerávolo Paoliello (com 193,65 pontos) e José Eduardo de Souza (191,85 pontos). Além disso, o Haras Leni liderou também o ranking de expositores de andamento, somando 73,50 pontos e ficando à frente de Mário Alves Barbosa Neto (70 pontos) e Aníbal Baptista Teixeira Rodrigues (65 pontos).

Umuarama

A agenda de eventos da raça Mangalarga foi aberta este ano com a Exposição Mangalarga de

Paulo Lenzi na companhia do prefeito de Tietê José Carlos Melare, Thomas D’Angieri, Sérgio Paoliello e Marcelo Toledo

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eventos

Umuarama. A mostra, realizada na sexta-feira 11 de março, nas dependências da pista Orlando Mesquita da Silva, foi uma das principais atrações da ExpoUmuarama, considerada uma das mais importantes feiras agropecuárias do Norte do Paraná e da região Sul do País. Organizada pelo mangalarguista João Quadros, com o apoio do Sindicato Rural de Umuarama e da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga, a mostra foi conduzida pelo jurado Silas Eduardo Freire e contou com a participação de selecionadores dos estados de São Paulo e Paraná. Na classe geral, os expositores que mais se destacaram foram Josiane Cardoso Matta Vidotti (419,40 pontos), ZCM Agropecuária Ltda. (326,85 pontos) e Vinicius João Curi (307,20 pontos). Já o julgamento de andamento teve como melhores expositores ZCM Agropecuária (172,50 pontos), Josiane Cardoso Matta Vidotti (132 pontos) e Vinicius João Curi (76,50 pontos). As categorias mais movimentadas da mostra foram as destinadas às potrancas (fêmeas com 24 a 30 meses) – cuja primeira colocação ficou com Valentine da Araxá (Ouro F.S.I. em Romênia da Janga), exposta por Josiane Vidotti – e às éguas jovens – cujos destaques foram a campeã da classe geral Roma da Sabaúna (Jambo Número de concorrentes cresceu 8% na Fait

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da Sabaúna em Catarata do Ingá), criada por Joaquim Bento de Souza Neto e exposta por Vi n i c i u s   J o ã o Curi, e a campeã de andament o  N e b r a s k a Z C   ( Q u i t u t e Nivaldo Costa e Luiz Carlos Macedo estavam entre os 42 expositores que participaram da segunda mostra do ano da Janga em Nedos 25 expositores que participaram blina do Mamão), originária da seleda classe geral, seguido pelo Haras ção de José Lamartine Moreira Cintra Precioso (383,70 pontos) e pela ZCM e exposta pela ZCM Agropecuária. Agropecuária (265,50 pontos). Já no Bragança Paulista julgamento de andamento, a ZCM O Circuito de Exposições do Cavalo Agropecuária ficou com o primeiro Mangalarga promoveu, no sábado 16 lugar entre os expositores, registrande abril, a tradicional mostra mangado 136,50 pontos, à frente do criador larguista de Bragança Paulista (SP). O Paulo Pacheco da Silveira (100,50 ponevento, que contou com a presença tos) e do Haras Leni (94,50 pontos). dos jurados Thiago Nogueira Negrão O Campeonato Égua e o CamD’Angieri e Eduardo Leite Cintra, levou peonato Égua de Andamento, que à pista do Parque Fernando Costa, potiveram como grande destaque pularmente conhecido como Posto Graça NLB (DL Uruguai da Alvorada de Monta, 136 exemplares da raça, em Época LHL), exposta por Almiro sendo que 77 desses animais particiEsteves Junior e criada pelo Haras param do julgamento geral enquanto Leni, estiveram entre as categorias os outros 59 animais participaram da mais movimentadas da exposição. disputa nas classes dedicadas às peTambém bastante concorrida foi lagens diferenciadas, que incluíram a disputa entre as éguas seniores, pampas, alazões amarilhos, tordilhos, cujos principais destaques foram castanhos e pretos ou zainos. Primeira Bel (Amigo JO em Prima O Haras Leni, com 415,20 pontos, Dona RN) e Xica do Mangabaia ficou em primeiro lugar no ranking (Exótico TG em Implosão da Água Sumida). Originária da seleção de Antonio Martinez e exposta por Rodrigo Cardoso Barbosa, Primeira Bel sagrou-se Campeã Égua Sênior. Já a representante do criatório de Paulo Pacheco da Silveira, Xica do Mangabaia, que ficou famosa no final do ano passado por sua destacada participação no Projeto Tropel Mangalarga, conquistou o título de Campeã Égua Sênior de Andamento. Entre os machos, a categoria mais movimentada foi novamente a dedicada aos potros (machos com 24 a trinta meses de idade). Criado e exposto por Rodrigo Cardoso Barbosa, o jovem Zenith do Fogo (T.E.), fruto do cruzamento entre Paulista MAB e Primeira Bel, foi o


eventos

principal destaque entre os oito concorrentes dessa classe, sagrando-se assim Campeão Potro. Por sua vez, o julgamento dos animais pampas teve como destaque os expositores Paulo Eduardo Correa da Costa, primeiro colocado com 792,60 pontos, Rodnei Pereira Leme (158,85 pontos) e a Corumbau Participações (96 pontos). Além disso, Paulo Eduar-do Correa da Costa também liderou o ranking dos expositores de andamento dos exemplares pampas, registrando 136,50 pontos, enquanto Corumbau Participações e Luis Fernando Toledo obtiveram respectivamente 42 e 30 pontos.

Itapetininga

Continuando seu giro pelo estado de São Paulo, o Circuito de Exposições promoveu na cidade paulista de Itapetininga a oitava mostra de 2011. A Exposição Mangalarga de Itapetininga aconteceu no dia 22 de abril, feriado da Sexta-feira Santa, com a participação de 55 animais, expostos por 15 tradicionais criatórios da raça. O Campeonato Potranca foi responsável pela mais acirrada disputa na pista de julgamento de Itapetininga. Exposta por José Eduardo de Souza, Comédia JES (T.E.), filha de Xaréu JES Participação da raça já é tradicional na Fait

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A pelagem pampa esteve em destaque nas primeiras mostras de 2011

(T.E.) em Vítima JES (T.E.), sagrou-se campeã da categoria, superando outras cinco concorrentes. A exposição consagrou também Bárbara JES (T.E.), produto de Regalo JO e Virada JES, também originária da seleção de José Eduardo de Souza, que obteve os títulos de Campeã Égua Jovem e Campeã Égua Jovem de Andamento, outra categoria bastante disputada durante o evento, cujo julgamento esteve a cargo da jurada Maria Aracy Tavares de Oliva. Por sua vez, o ranking de expositores da mostra de Itapetininga teve como principais destaques os mangalarguistas José Eduardo de Souza, cujos animais somaram 481,35 pontos, Luiz Aparecido de Andrade, que obteve 175,50 pontos, e Aníbal Bap tista Teixeira Rodrigues, com 124,50

pontos. Souza também ficou em primeiro entre os expositores de animais de andamento, somando 211,50 pontos, resultado que o deixou à frente de Aníbal Rodrigues (57 pontos) e Natal Francisco Ribeiro (39 pontos). Além de Tietê, Umuarama, Bragança Paulista e Itapetininga, a programação mangalarguista no ano de 2011 contou com exposições em outras quatro cidades: Belém (PA) e Brasília (DF), cujos resultados não estavam disponíveis até o fechamento da Revista Mangalarga, e Vitória da Conquista (BA) e Londrina (PR), cuja cobertura pode ser acompanhada em outras matérias desta edição. Para ver os resultados das etapas do Circuito de Exposições, visite o site da ABCCRM (cavalomangalarga. net.br).


marketing

Mangalarga marcha e esporte:

Marchador

Atleta

Por que o mercado da raça não cresce na mesma proporção que a evolução zootécnica e genética de nossos animais

H

á cerca de 15 anos, quando tive o primeiro contato com o Mangalarga, certa peculiaridade da raça me chamou logo a atenção. Não conseguia compreender por que animais tão belos e funcionais experimentavam dificuldade em serem reconhecidos pelo mercado equestre na mesma medida de seus notáveis atributos e de suas incontestáveis qualificações. Imaginava desde então que possuíamos um grande trunfo nas mãos, embora subutilizado: um animal extraordinário, de beleza exuberante e andamento primoroso, com aptidões para o lazer, trabalho e esporte, e que teimava em buscar um lugar ao sol mais por seus próprios méritos do que propriamente por força de nossa ação, na condição de administradores e gestores dos interesses da raça. Concluí que o diagnóstico do problema pode ser obtido com relativa precisão a partir da análise dos instrumentos de que fazem uso as demais raças de equinos no Brasil para expandir suas fronteiras, e do extraordinário nível de evolução zootécnica e genética alcançado pelo Mangalarga em descompasso com a evolução de seu mercado: faltaram historicamente estratégias eficientes de marketing que direcionassem as ações para a divulgação das qualidades que o trabalho centenário e criterioso de selecionadores permitiu alcançar. Some-se a isso a carência,

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ao longo dos anos, da implementação de trabalhos que extrapolassem as fronteiras de São Paulo e Minas, e que buscassem priorizar novos mercados potencialmente fortes, que representassem centros estratégicos e promissores de crescimento. Entretanto, seria ingênua a intenção de atribuir eventuais dificuldades exclusivamente às ineficiências de antigos projetos de marketing, que contemplavam apenas os grandes centros, ou que, por omissão, deixavam de priorizar a divulgação ampla e ostensiva das principais qualidades de nosso animal. Estes projetos, por sinal, foram eficientemente contrapostos pelo recentes trabalhos de valorização da função, entretanto, algumas outras razões de uma aceleração de demanda aquém de nossas expectativas sempre estiveram bem diante de nossos olhos. Ao longo dos anos, pudemos observar o crescimento no mercado de raças notoriamente atrasadas em seu processo de evolução zootécnica, mas que atingiram uma fatia de mercado considerável, portanto incompatível com a evolução genética alcançada por sua tropa, fato este que motivou a utilização de sangue estranho para acelerar um processo de evolução que há tempos o Mangalarga já havia alcançado. Como explicar então, no caso do Mangalarga, o fato das variáveis “participação no mercado” e “evolução

da raça” não serem diretamente proporcionais, ou não ascenderem no mesmo ritmo? Fatores aparentemente de fácil reversão potencializaram este quadro adverso, se não contribuíram negativamente de forma determinante. Exemplos clássicos de marketing negativo (e me desculpem os mais conservadores) são os próprios nomes com que designamos a raça que criamos e seu andamento característico. Levando-se em conta que a maioria absoluta daqueles que se iniciam na atividade não têm a menor ideia das características da raça que pretendem criar, muito menos são devidamente orientados por profissionais isentos e competentes, fica nítida a desvantagem da raça Mangalarga em relação a outras, por uma questão de nomenclatura associada a conceitos. Explico o porquê. Os novos proprietários e futuros criadores adquirem seu primeiro animal quase invariavelmente por intuição ou por força do acaso. Sendo assim, imagine que fosse o cavalo pantaneiro, apenas a título de exemplo, um animal de marcha, e houvesse uma dissidência nos quadros de sua associação que fundasse uma nova entidade de criadores, a do cavalo “pantaneiro marchador”. Seria previsível imaginar que a imensa maioria dos novos proprietários e usuários leigos seguramente optaria


por criar o “pantaneiro marchador”, em detrimento do “pantaneiro”, a despeito das qualidades deste último, pelo simples fato de deduzirem, por intuição, que o primeiro tem uma qualificação que provavelmente o segundo não deva possuir, ou que o segundo é destituído de uma virtude inerente ao primeiro. Ora, sabemos que nosso cavalo é um animal de andamento marchado e progressivo, bem como um exímio atleta para provas funcionais, enduros e trabalho com o gado, mas perdemos de início uma infinidade de novos criadores em potencial pela simples ausência de um adjetivo em seu nome que o qualificaria ou que melhor o descreveria, impedindo-lhe assim de competir em igualdade de condições com outra raça junto a conquista desses nichos de mercado, raça esta que teve a felicidade de batizar seu animal com um atributo que também é característico de nossa tropa. Por consequência, abrimos mão de um número substancial de novos proprietários e de animais registrados anualmente e, obviamente, de novos criadores de grande potencial, os quais seriam responsáveis por um giro comercial relevantemente maior, fator que multiplicaria as oportunidades de crescimento e aceleração da raça em ritmo progressivo, ampliando suas perspectivas no mercado. Na mesma linha de raciocínio, a designação do andamento característico da raça, a “marcha trotada”, transmite subliminarmente a ideia de movimento mais áspero e menos confortável do que transmitiria, a título de exemplo, a denominação “marcha diagonal”, “marcha progressiva” ou outra similar, depondo por consequência contra a característica natural de comodidade de nossos animais. Não tenha dúvidas de que

se trata de mais um exemplo de marketing negativo, haja vista que as associações de criadores de animais de trote, estes por natureza ásperos, não fazem questão alguma de propalar a característica de andamento de seus animais, preferindo de forma estratégica enaltecer suas qualidades e aptidões para o esporte. O expediente de rebatizar o andamento próprio de nossos animais, em que pese o crescimento percentual de animais de marcha batida em nossas exposições, assim como o artifício de agregar um adjetivo ao nome de nossa raça, não se fariam talvez necessários caso inexistisse uma raça homônima que tenha tomado como exclusividade sua, apenas aos olhos do mercado, uma qualidade que é compartilhada por ambas as raças. O planejamento e implementação de medidas estratégicas de marketing se fazem urgentes, se considerarmos sobretudo a utilização indiscriminada e ilegítima de nosso patrimônio genético em processos de seleção de criadores de outras raças, visando minimizar diferenças inequívocas mas hoje menos exorbitantes, aliada ao fato de que o desenvolvimento do mercado de uma raça é tão mais rápido quanto maiores forem seus quadros de criadores e proprietários. A solução estaria associada a um trabalho mercadológico amplo e audacioso, buscando permanentemente grandes parceiros e empresas, naturalmente interessados em agregar valor a seus produtos, associando-se a uma marca cuja força a maioria de nós ainda parece desconhecer. Este trabalho contribuiria para a descentralização do mercado, com o fortalecimento efetivo dos núcleos regionais, imprescindíveis para a consecução de qualquer projeto de expansão de fronteiras, e teria como foco precípuo

a divulgação das aptidões do cavalo “Mangalarga Marcha e Esporte”, ou do “Mangalarga Marchador Atleta”, ou outra denominação com adjetivo qualificante, que contivesse um ingrediente sedutor e persuasivo, interessante do ponto de vista de marketing, sem contudo abrir mão de se preservar nossa identidade e nossa história. Ainda que não agregados ao nome, a simples menção obrigatória dos referidos atributos na divulgação dos eventos oficiais auxiliaria o iniciante em sua escolha intuitiva, estimulando-o a reconhecer diferenças de fato, e não alimentadas por mera suposição. Neste contexto, a intensificação de nossas consagradas copas de andamento, a promoção de grandes eventos em praças estratégicas e a distribuição de prêmios substanciais para as provas funcionais e esportivas consolidariam a adesão deste novo público, reduzindo também a idade média dos associados da raça. Tal fato multiplicaria, por consequência, as perspectivas de aceleração do crescimento do mercado em um ritmo proporcional à notável evolução de uma das mais importantes raças de cavalos de sela do mundo, o nosso cavalo Mangalarga, marchador sim, e atleta também.

Rogério Cruz Dias Teixeira Presidente Núcleo Mangalarga de Goiás www.cavalomangalarga.net.br

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eventos

Fotos: Thiago D’Angieri

Por Pedro Camargo Rebouças

5ª Copa Jundiaí

114

reúne

animais

Proprietários da melhor égua e do melhor cavalo do evento foram agraciados, respectivamente, com os troféus “ Josué Rosa Zoé” e “Eduardo Figueiredo Lima Filho”

A

Copa de Andamento Matsuda Mangalarga promoveu, entre os dias 29 de abril e 1º de maio, a primeira etapa aberta da temporada. A prova aconteceu nas dependências da Fazenda Rio das Pedras, dentro da programação da quinta edição da Copa de Andamento de Jundiaí (SP). O evento, considerado um dos mais movimentados do calendário da Copa Matsuda Mangalarga, superou

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a edição do ano passado tanto na quantidade de animais inscritos, que subiu de 109 para 114, quanto no número de expositores, que passou de 50 para 57 na edição deste ano. Promovida pelo Núcleo Mangalarga de Jundiaí e Região e presidido pelo mangalarguista Atílio D’Angieri, o Tióca, a Copa de Andamento de Jundiaí novamente contou com atraentes premiações. Os proprietários da melhor égua e do melhor cavalo do

evento jundiaiense foram premiados com um carro zero quilômetro cada um. Além disso, foram agraciados, respectivamente, com os troféus “ Josué Rosa Zoé” e “Eduardo Figueiredo Lima Filho Dado”. A premiação do evento, que também contou com disputas voltadas à pelagem pampa, incluiu também três motos, cinco televisões de LCD, selas e prêmios em dinheiro para os expositores de animais premiados com medalha de ouro.


A Copa de Jundiaí, cujas disputas foram conduzidas pelos jurados Benedito Carlos da Silva, Marcelo Leite Vasco de Toledo e Paulo Francisco Gomes Della Torre, contou também com atrações como a Galeria de Celebridades, onde o público pôde conhecer garanhões e éguas de grande prestígio na raça, e o Espaço Mulher – que ofereceu às mulheres toda infraestrutura e conforto para acompanhar as provas. Considerada a principal competição funcional da raça, a Copa de Andamento Matsuda Mangalarga promoverá este ano um total de oito provas abertas e oito etapas regionais, além da grande final – marcada para acontecer no mês de novembro. A Associação Brasileira de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga (ABCCRM) conseguiu, ainda, o apoio da Lei de Incentivo ao Esporte, do Ministério do Esporte, para cinco dessas disputas: Uberaba (MG), Amparo (SP), Espírito Santo do Pinhal (SP), Mococa (SP) e também a finalíssima. Confira na tabela ao lado, a relação dos animais premiados com medalha de ouro na etapa de Jundiaí da Copa Matsuda Mangalarga.

Expositor João Pacheco Reginaldo Bertholino Sérgio Paiva Israel Iraides da Costa Haigazun Sanazar José Carlos M. Abreu Filho Luis A.C.Opice José Carlos M. Abreu Filho Nelson Braido

Prêmios Animal

Dinamarca da Bica Badalada RB Tapera do Mont Serrat

Energia JCMAF Gioia VAT

Égua

Ouro Égua Sênior

Escócia R.A.A. Reino do Otnacer

Luis A.C.Opice

Fenômeno do H.I.C.

José Carlos M. Abreu Filho

Hino da Piratininga

Luiz Ap. de Andrade

Gaio da Piratininga

Antonio Caetano Pinto

Protegido do Otnacer

Mário A. Barbosa Neto

Zumbi da Bica

Paulo Pacheco

Ouro

Porcelana da Braido I Primeira Bel

Fernando Rivaben

Égua Jovem

Málika JCMAF

Rodrigo C. Barbosa

Luiz Ap. de Andrade

Ouro

Theresa da Araxá

Fada do Dado

Antonio Caetano Pinto

Prêmio

Firense do H.I.C

Fernando Rivaben Almiro Esteves Jr.

Categoria

Cavalo Jovem Cavalo

Ouro Ouro Ouro

Cavalo Sênior

Cenário da Piratininga Destino do H.I.C Zorro do Mangabaia

Castrado c/ + de 54 meses

Ouro

Entrega do troféu transitório Eduardo Figueiredo Lima Filho para o melhor macho: Hino da Piratininga

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eventos

Por Pedro Camargo Rebouças | Fotos: Norberto Cândido

Copa

Matsuda

Mangalarga

promete temporada

movimentada

Premiações diferenciadas estão entre as atrações desta importante competição mangalarguista, que terá provas nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Goiás 44 | R evista M angalarga


A

Copa de Andamento Matsuda Mangalarga promete ter uma temporada realmente diferenciada neste ano. Afinal, além de um calendário bastante agitado, que incluirá um total de 17 provas, a edição 2011 oferecerá, novamente, premiações bastante atraentes. Mantendo a tradição dos últimos anos, a premiação será dada em cartões equivalentes aos valores dos prêmios. Nas etapas abertas da Copa, por exemplo, cada ganhador de medalha de ouro será premiado com um cartão de R$ 1.200m – valor www.cavalomangalarga.net.br

correspondente ao de uma TV LCD de 32 polegadas. Além disso, a premiação das etapas abertas incluirá duas motos zero quilômetro, cada uma correspondente a um cartão de R$ 2.500. Entretanto, o ponto alto está pre-visto para a prova decisiva, que acontecerá nos dias 26 e 27 de novembro. Segundo a ABCCRM, os campeões das diversas categorias em disputa levarão para casa uma TV LCD de 32 polegadas cada (cartão de R$ 1.200,00). Os primeiros reservados campeões serão premiados, por sua vez, com um

aparelho eletrônico no valor de R$750 – possivelmente um home theater. Já os segundos reservados campeões receberão, um aparelho eletrônico no valor de R$ 450, como, por exemplo, um micro system. Os prêmios na etapa final, entretanto, não param por aí. Afinal, os grandes campeões da temporada serão premiados com carros zero quilômetro – cada um deles correspondendo a um cartão de R$ 25 mil. Além disso, os primeiros reservados grandes campeões levarão para casa uma moto (cartão de R$ 2.500), R evista M angalarga | 45


eventos

mesmo prêmio, aliás, que será concedido aos segundos reservados grandes campeões. Para participar da prova decisiva, no entanto, os concorrentes precisarão obter o índice exigido pela ABCCRM. Para isso, os animais terão que somar pontos nas etapas regionais e etapas abertas da competição. No total, a Copa de Andamento 2011 contará com 17 provas e passará por quatro estados: São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Goiás. Além da finalíssima, acontecerão mais oito disputas abertas e outras oito regionais.

Copa de São Paulo

Uma das principais novidades da temporada será a volta da competição à cidade de São Paulo. Marcada para os dias 11 e 12 de junho, a prova paulistana marcará também o retorno dos eventos agropecuários ao Parque da Água Branca, que passou por um longo período de reforma entre o final do ano passado e o início de 2011. Com sua localização privilegiada e o grande fluxo de pessoas que recebe nos finais de semana, o Parque dará uma visibilidade extra a essa etapa da mais importante disputa funcional da raça. Além disso, a antiga ligação desse tradicional ponto de lazer da capital paulista com a raça Mangalarga promete atrair um grande número de criadores, provenientes dos mais diferentes pontos do País.

Imagens meramente ilustrativas

Tvs LCD, Home Theaters e até uma moto fazem parte das premiações para esta temporada

Progressivo, macio e equilibrado

A principal característica do cavalo Mangalarga está no seu andamento progressivo, equilibrado e macio. As provas de andamento foram criadas justamente para valorizar este marcante diferencial da raça. Nessas disputas, os animais concorrentes são avaliados em diversos quesitos, como: deslocamento (cobertura de rastro e progressão da passada), comodidade, sincronia e elegância da movimentação, ausência de movimentos parasitas e regularidade e disposição. Apesar de separados em classes diferentes, tanto machos

como fêmeas participam da disputa, subdivididos em categorias conforme a idade: 36 a 48 meses, mais de 48 a 60 meses, mais de 60 meses e, por fim, cavalos castrados com mais de 36 meses. Iniciada no mês de abril, a Copa Matsuda Mangalarga realizou sua primeira etapa aberta na Fazenda Rio das Pedras, na cidade paulista de Jundiaí. A prova, que contou com 114 concorrentes, expostos por 57 tradicionais criatórios da raça, foi novamente um grande sucesso de público. Confira na tabela abaixo as datas e locais das próximas etapas da Copa de Andamento 2011.

Calendário de eventos

19/05 19-21/05 28-29/05 28/05 11-12/06 18/06 25/06 09/07 30-31/07 27 e 28/08 03 e 04/09 Outubro 08/10 29 e 30/10 26 e 27/11

Copa Regional de Goiânia Copa Regional de Itapetinga Copa Aberta de Guaxupé Copa Regional de Jaú Copa Aberta de São Paulo Copa Regional de São Sebastião da Grama Copa Regional de Itajú Copa Regional de Bocaina Copa Aberta de Uberaba Copa Aberta de Amparo Copa Aberta de Espírito Santo do Pinhal Copa Aberta de Jaú Copa Regional de Atibaia Copa Aberta de Mococa Final da Copa de Andamento 2011

GO BA MG SP SP SP SP SP MG SP SP SP SP SP

Obs.: Este calendário poderá ser alterado no decorrer do ano. Todas as alterações, exclusões e substituições serão informadas aos criadores, usuários e interessados pela raça Mangalarga por meio dos veículos de comunicação oficiais da ABCCRMangalarga. Mais informações no site www.cavalomangalarga.com.br ou pelo telefone (11) 3673-9400.

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crônica

Corneteiro de Pirajá

Por Luiz Alberto Patriota

O

e o verdadeiro

espírito mangalarguista S

empre acreditei em ir contra o fluxo óbvio, sempre acreditei no princípio básico de investir na “baixa” e realizar resultados na “alta”, às vezes pode parecer sem sentido fazer algo quando ninguém mais acredita ou investir em algo que poucos têm interesse, pois é, há quase duzentos anos um desconhecido herói brasileiro fez isso e mudou a história do nosso país. O corneteiro de Pirajá, um personagem realmente inspirador e que nos ensina muito sobre o verdadeiro espírito do criador e investidor do Mangalarga. Dedico essa pequena crônica a todos os criadores do cavalo Mangalarga. Leiam a história dele:

Com a saída de Dom João do Brasil de volta a Portugal seu filho Pedro fica em terras brasileiras e com ele ficam as guarnições trazidas de Portugal por seu pai em 1808. Uma delas, liderada pelo general português Madeira de Mello, proclama a independência na Bahia em 1822 e começa então um conflito com Portugal, que considera o gesto uma traição e trata o caso como uma insurreição contra a coroa. Naquela época no Brasil, ainda não existia exército e estas guarnições compunham-se, basicamente, de camponeses e amadores civis que nunca haviam pegado em armas propriamente ou disputado uma batalha. Entre eles, estava Luis Lopes, um negro experiente tocador de corneta, instrumento imprescindível para coordenação das tropas naquela época. Ainda que em condições precárias, esse “exército” ofereceu

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resistência e marchou para a batalha de Pirajá em pleno recôncavo Baiano. A batalha durava o dia inteiro e, já ciente de sua clara desvantagem, ao entardecer o general brasileiro ordenou o toque de retirar ao corneteiro. Ciente de uma vantagem tática, visto que o sol encontrava-se atrás das linhas brasileiras, o corneteiro ao invés de dar o toque de retirada, deu o toque de avançar. Os portugueses, sem enxergar direito e confusos com o súbito ataque, supõem que os brasileiros haviam recebido reforços e batem em retirada, garantindo a vitória na Batalha de Pirajá aos brasileiros e a nossa independência. É esse o espírito do criador de Mangalarga, perseverante e visionário. Um grande levante se inicia e, com certeza, aqueles que acreditaram na qualidade do nosso cavalo colherão o fruto dessa visão. É assim que os grandes feitos são construídos!


aperfeiçoamento Por Pedro Camargo Rebouças

Projeto de

aprimoramento

nova fase

em

da área técnica entra

Expandir o quadro de jurados, implementar o programa de “trainees” e promover a atualização dos jurados efetivos estão entre os principais objetivos da ABCCRM para 2011

A

Associação Brasileira de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga (ABCCRM) dará continuidade nesta temporada ao projeto de reestruturação e aprimoramento de seu setor técnico iniciado no ano passado. O trabalho, que teve duas etapas realizadas com expressivo êxito em 2010, continuará agora com a realização de seus dois módulos finais, um deles destinado à realização de clínicas individuais com os técnicos e o outro voltado para a implementação de um programa para a continuidade, renovação e formação de novos jurados.

da subjetividade aplicada por cada um dos participantes nos julgamentos. Essa ação inicial, orientada pelo agropecuarista Nelson Pineda com o auxílio do professor e doutor em estatística rural José Aurélio Bergman (Universidade Federal de Minas Gerais), forneceu um claro diagnóstico e possibilitou uma profunda reflexão sobre questões de grande importância para a raça, como o

Primeira etapa reuniu 52 mangalarguistas em Jaú

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Foto: Pedro Rebouças

Fase inicial

A primeira fase do projeto de reestruturação técnica da ABCCRM ocorreu, no início de maio do ano passado, no Parque de Exposições de Jaú (SP), com a participação de 52 mangalarguistas: 23 jurados efetivos, sete jurados auxiliares, 11 jurados aspirantes e 11 criadores. Durante três dias, todos participaram de uma intensa programação, que incluiu palestras e um intenso trabalho de campo, em que foram avaliadas a constância e a solidez

atual estágio do corpo de jurados, os critérios de avaliação utilizados nos julgamentos e os conceitos adotados para estabelecer o cavalo ideal para a raça. “Este trabalho, além de mostrar um sistema mais transparente e gerar confiança e credibilidade no corpo técnico, está possibilitando que transformemos o conhecimento dos participantes em informação


Fotos: Osvaldo Ruffino

Benedito Carlos da Silva e Thomas D’Angieri estiveram entre os palestrantes

e posteriormente em uma importante ferramenta de gestão para a ABCCRM. Além disso, esta é uma oportunidade única para promovermos a padronização dos critérios que norteiam a raça e para refletirmos sobre onde estamos, quem somos e para onde queremos ir como raça e como associação”, destacou na ocasião o coordenador Nelson Pineda. No início de dezembro, já com um retrato do setor bem definido pelo dados coletados no módulo inicial, o projeto partiu para sua segunda etapa: a realização de clínicas técnicas para treinamento, atualização e aperfeiçoamento do quadro de jurados. Realizadas no Haras RB, as clínicas contaram com a participação de 20 jurados efetivos da ABCCRM. A programação do evento – cuja organização esteve a cargo do Colégio de Jurados, composto por Marcos Sampaio de Almeida Prado, João Pacheco Galvão de França, Paulo Lenzi Souza Leite e Jayme Ignácio Rehder Neto – incluiu uma parte teórica, que contou com palestras sobre morfologia, aprumos e andamento, e uma parte prática, na qual os participantes puderam atualizar seus conhecimentos a cerca do que se deseja do andamento típico da raça. As atividades do segundo módulo incluíram ainda momentos de intercâmbio de ideias, nos quais os jurados puderam dar sugestões e debater temas pertinentes ao aprimoramento da área técnica da www.cavalomangalarga.net.br

Associação. Para coordenar esse intercâmbio, o curso contou com duas mediadoras, que também ajudaram a garantir uma melhor fluidez dos debates e deram um abrangente aproveitamento aos itens abordados pelos participantes. O evento foi prestigiado também pelo presidente da ABCCRM Sergio Luiz Dobarrio de Paiva. O dirigente ressaltou a relevância da iniciativa, destacando que ela representa uma importante oportunidade para valorizar e dar condições de aprimoramento para o corpo técnico da raça.

Próximas etapas

O Módulo 3, que contará com clínicas individuais para os jurados, dará prosseguimento ao projeto neste início de ano. Nestes encontros,

além de apresentar e debater os resultados obtidos com cada um dos participantes, o Colégio de Jurados fornecerá as diretrizes sobre os procedimentos e o padrão de julgamento que serão adotados pela ABCCRM para a temporada 2011. Por sua vez, o Módulo 4 pretende estabelecer um programa para renovar e expandir o quadro de jurados da raça. Nesta fase, a ABCCRM irá realizar uma série de palestras e cursos voltados à formação de novos jurados técnicos. Além disso, também serão promovidas clínicas com o objetivo de orientar os associados sobre os procedimentos, os regulamentos e o padrão de julgamento da raça, abrindo assim a possibilidade para a atualização e treinamento de novos criadores para a participação nos julgamentos das Copas de Andamento. O quarto módulo pretende, por fim, promover um intercâmbio maior entre a ABCCRM e as principais entidades de ensino do País. Para atingir este objetivo, conseguindo ainda atrair novos talentos para o setor técnico da raça, a Associação irá promover um projeto de formação de “trainees” em conjunto com as universidades. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11)3673-9400.

Apoio dos apresentadores tem sido fundamental na realização do projeto

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destaque

Por Pedro Camargo Rebouças

Tropel Mangalarga:

uma referĂŞncia para a equinocultura nacional

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O

som das ferraduras tocando o asfalto ecoava pela imponente avenida da capital federal. Tomados por um sentimento de orgulho e satisfação, os cavaleiros conduziam as oito heroínas pela via projetada com esmero por Oscar Niemeyer. Mesmo depois de 36 dias e 1400 quilômetros de viagem, com direito a todas as dificuldades típicas de uma longa jornada, as éguas percorriam aquele último e diferenciado trecho da cavalgada com a mesma desenvoltura, entrega e determinação do dia em que haviam partido de São Paulo. Diante do Congresso Nacional, Dengosa RBV, Xica do Mangabaia, Xereta do Mangabaia, Serpentina RB, Araruta CJ, Q Linda MAB, Revista da Cravinhos e Honduras do Mont Serrat se perfilaram para a foto que as inscreveria definitivamente na história da raça Mangalarga. Com elas estava o abnegado grupo de mangalarguistas que tomou, literalmente, as rédeas do projeto Tropel Mangalarga: Telma Somenzari, Adolpho de Carvalho, Sebastião Malheiro, Marcos Barboza e Pedro Aguiar. No entanto, os lombos fortes, cômodos e confortáveis das oito éguas selecionadas para o projeto conduziam naquele domingo, 12 de dezembro, muito mais do que dedicados mangalarguistas. Afinal, sobre eles estavam depositados também audaciosos objetivos ligados à raça Mangalarga, à equinocultura, à história do Brasil e ao meio ambiente. Além disso, eles também transportavam a expectativa de apaixonados pela raça de todo Brasil, em especial os criadores Cícero Junqueira Franco, Luis Biagi, Luis Ópice, Paulo Silveira e Sergio Paiva, que cederam seus animais para a viagem assim como os próprios tropelistas Adolpho Carvalho e Sebastião Malheiro.

Além de divulgar a raça e promover o resgate da história nacional, projeto forneceu dados científicos de grande importância para a compreensão do desempenho dos equinos em jornadas de longa distância Foto: Sérgio Ronco

Momento histórico

www.cavalomangalarga.net.br

Faltava agora um pequeno trajeto para o próximo destino, o Memorial JK. No museu criado para preservar a memória do fundador de Brasília, R evista M angalarga | 55


Foto: Marcos Barboza/Sérgio Ronco

Depois de 1400 quilômetros de viagem, o grupo faz uma pausa diante do Congresso Nacional

os participantes da cavalgada foram recebidos por Cristina Kubitschek, neta do ex-presidente Juscelino Kubitschek. Ali, eles também atingiram uma das principais metas do projeto: a entrega solene de uma placa histórica originalmente criada para celebrar a inauguração de um hotel construído por Juscelino na Ilha do Bananal (TO). Recuperada de um ferro-velho por um dos participantes da comitiva - o recordista mundial de cavalgada Pedroca Aguiar -, a placa representa um período pouco lembrado da história brasileira. “Creio que este é um importante ato de civismo, pois, além de celebrar o cinquentenário de Brasília com um valioso resgate histórico, serve como exemplo de preservação da memória do País para as próximas gerações”, destaca o cavaleiro Sebastião Malheiro. Idealizador do projeto, Malheiro conta que a viagem também conseguiu atingir outros importantes objetivos, como incentivar o debate a respeito da questão ambiental e popularizar as cavalgadas de longa distância. “O Tropel Mangalarga demonstrou que esse gênero de cavalgada, conhecido internacionalmente como raid, é uma atividade hípica acessível a todos, independente de idade ou sexo. Afinal, o nosso grupo era bastante heterogêneo, contando inclusive com a participação do 56 | R evista M angalarga

Pedroca, que já completou 78 anos mas continua com a mesma disposição de quando conquistou o recorde mundial de cavalgada, e da Telma Somenzari, responsável por mostrar que as mulheres possuem uma grande aptidão para enfrentar desafios como esse, nos quais o conforto e a comodidade da vida moderna ficam bem distantes.” O projeto promoveu ainda uma ampla divulgação da raça Mangalarga e serviu para realizar uma aprofundada análise da performance da atual geração da raça, representada no projeto pelas já mencionadas Dengosa RBV, Xica do Mangabaia, Xereta do Mangabaia, Serpentina RB, Araruta CJ, Q Linda MAB, Revista da Cravinhos e Honduras do Mont Serrat. As oito éguas, aliás, chegaram ao Memorial JK, ponto final da viagem, em perfeitas condições, tendo inclusive ganho massa muscular no decorrer da jornada, comprovando a rusticidade e resistência do Mangalarga. “O projeto também deixou clara a aptidão da raça para as cavalgadas de longa distância. A rusticidade, a docilidade e o andamento cômodo e progressivo do Mangalarga são diferenciais muito importantes para a prática de raids equestres. Nossos animais realmente gostam desse tipo de desafio”, destaca a amazona e tropelista Telma Somenzari Malheiro.

Trabalho de referência

O estudo do desempenho das éguas foi comandado pelo professor José Corrêa de Lacerda Neto, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp de Jaboticabal (SP). O trabalho contou ainda com a participação da professora Roberta Ariboni Brandi, que integra o corpo docente da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos do campus da USP de Pirassununga (SP), e da equipe de orientados do professor Lacerda, assim como dos alunos do Colégio Técnico Agrícola José Bonifácio. Além de acompanhar a fase de treinamento - cuja duração foi de 135 dias e durante a qual os organizadores trabalharam a adaptação dos animais, desenvolvendo a preparação psicológica, pulmonar e muscular necessária para enfrentar um longo trajeto -, a equipe de estudiosos monitorou o desempenho das éguas no decorrer da viagem. No oitavo dia, por exemplo, o grupo passou por uma primeira análise, realizada na cidade paulista de Dourado (SP), na qual se constatou que as participantes permaneciam bem, inclusive mantendo peso próximo ao da largada. Depois, os testes voltaram a ser feitos no vigésimo dia de viagem, na mineira Uberaba, sob o comando da professora Fabiana Garcia, da Fazu.


que é bom para ambas as partes”, explica a professora.

A comunidade mangalarguista comemora o fim da jornada no Memorial JK

A professora Roberta Brandi conta que o óleo vegetal foi, ao longo do projeto, uma importante fonte de energia na dieta das éguas. “Essa medida, além de proporcionar mais energia para que elas enfrentassem o exigente ritmo da viagem, possibilitou que elas ficassem mais calmas para enfrentar as situações estressantes que apareceram ao longo da jornada.” O projeto, no entanto, não terminou em Brasília. Afinal, após a chegada à capital, as éguas foram transportadas para o campus da Unesp de Jaboticabal, onde seis delas passaram por um último teste: um enduro de regularidade de 75 quilômetros de extensão, no qual os animais percorreram, em meio a trilhas e estradas rurais, três anéis com percurso de 25 quilômetros. Essa última fase foi bastante importante para encerrar a coleta de dados. Segundo o professor Lacerda, “os dados obtidos no trabalho são de relevância para o entendimento dos eventos que ocorrem com o organismo do cavalo durante o esforço físico prolongado e podem nortear não apenas o treinamento, mas também fornecer informações importantes sobre os cuidados necessários durante a realização de cavalgadas. Desta forma, os dados estão sendo preparados para apresentação em congressos e publicação em revistas especializadas e periódicos científicos, assim como constituirão parte importante de trabalhos de dissertação e de pós-doutorado”. www.cavalomangalarga.net.br

O professor explica ainda que o trabalho promovido com o apoio da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga já pode ser considerado uma importante referência para a prática da cavalgada. “É dever de um cavaleiro bem informado e esclarecido a preservação de sua montaria e, neste aspecto, os conhecimentos agregados pelo projeto Tropel Mangalarga 1400 foram fundamentais”, destaca Lacerda. Roberta Brandi ressalta, por sua vez, que o projeto ofereceu uma rica e importante oportunidade de parceria entre o meio acadêmico e os proprietários de cavalos. “O Tropel Mangalarga mostrou para os criadores que é possível interagir com a Universidade. Além disso, possibilitou que o conhecimento científico alcançasse mais pessoas, não ficando restrito apenas ao meio acadêmico. Isso é muito importante pois ajuda a disseminar a informação, o

O sucesso do projeto também decorreu em grande parte da boa estrutura formada para a comitiva do Tropel Mangalarga. Um time bastante experimentado - formado por Telma Somenzari, Sebastião Malheiro e Pedroca Aguiar, que enriqueceu o grupo com sua vastíssima experiência em cavalgadas – assumiu a responsabilidade de conduzir a tropa até Brasília, contando com o essencial respaldo de Marcos Barboza (cavaleiro e fotógrafo), Robson Banza (ferrador e motorista de um dos veículos de apoio), Maria Barboza (cozinheira) e Alcides Miranda (motorista e tratador). Essa estrutura, entretanto, só foi possível graças à confiança de um seleto grupo de entidades e empresas. O projeto, afinal, teve entre seus patrocinadores: Scania, Coca-Cola, Búfalo Dourado, Haras Mangabaia e Associação Brasileira de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga (ABCCRM). Além disso, contou com o apoio de Guabi Equitage, Pre-mix, Unesp Jaboticabal e Parque do Lago. Isso sem falar nos já citados selecionadores (Cícero Junqueira Franco, Luis Biagi, Luis Ópice, Paulo Silveira, Sergio Paiva, Adolpho Carvalho e Sebastião Malheiro) que cederam animais de destaque em seus Evento mereceu grande atenção da mídia

Foto: Sérgio Ronco

Foto: Marcos Barboza

Parcerias de sucesso

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Foto: Marcos Barboza

Conheça as integrantes do Tropel Mangalarga Dengosa RBV – Nascida em 21 de novembro de 2006, fruto do cruzamento entre Fraque OB e Baucide Matta, é originária da seleção de Luis Augusto de Camargo Ópice. Xica do Mangabaia – Nascida em 5 de março de 2005, fruto do cruzamento entre Exótico TG e Implosão da Água Sumida, essa alazã amarilha é originária da seleção de Paulo Pacheco Silveira.

Muitos obstáculos precisaram ser vencidos no decorrer da aventura

criatórios para essa importante empreitada da raça Mangalarga. Vale destacar que a confiança de todos foi plenamente correspondida antes, durante e após a viagem. O retorno de mídia, por exemplo, foi muito expressivo tanto entre os veículos de comunicação dedicados ao agronegócio e ao meio equestre como na imprensa aberta dos três estados cruzados pelos viajantes. Matérias foram publicadas em inúmeros jornais, revistas e sites. E emissoras de TV deram ampla cobertura à jornada, especialmente a EPTV, afiliada da Globo no interior paulista, que fez questão de acompanhar todas as etapas do projeto. Além disso, o Tropel Mangalarga foi divulgado de forma farta e frequente por meio de blogs, do site da Associação e especialmente do Twitter, rede social da internet que garantiu uma ampla repercussão ao noticiário da jornada.

Calorosa acolhida

Os viajantes tiveram ainda a oportunidade de interagir com as comunidades dos diversos municípios pelos quais passaram durante os 36 dias de viagem. Segundo Malheiro, a acolhida ao grupo foi sempre bastante calorosa. “As pessoas procuravam sempre interagir conosco, perguntando sobre o cavalo Mangalarga e suas características. Além disso, recebemos uma grande atenção da mídia, que nos acompanhou durante todo o percurso”, ressalta o organizador da cavalgada. Na cidade paulista de Araraquara, por exemplo, a comitiva mereceu 58 | R evista M angalarga

Xereta do Mangabaia – Nascida em 22 de outubro de 2004, fruto do cruzamento entre Exótico TG e Libra da Água Sumida, essa alazã amarilha foi cedida para o projeto por Sebastião Malheiro.

recepção especial na tarde do Serpentina RB – Nascida em 24 de janeiro de 2004, fruto do dia 16 de novembro, quando cruzamento entre Galileo OJC e Acácia da Jauaperi, foi cedida para os mangalarguistas foram o evento por Adolpho Julio Camargo de Carvalho. recepcionados pelo prefeito Araruta CJ – Nascida em 4 de dezembro de 2003, fruto do cruMarcelo Barbieri e pela primeizamento entre Licor CJ e Ópera CJ, foi cedida ao projeto por Cícero ra dama Zi Barbieri na Praça Junqueira Franco. Pedro de Toledo, um dos principais pontos do município. Revista da Cravinhos – Nascida em 25 de dezembro de A viagem, entretanto, re2000, fruto do cruzamento entre Nairobi Mangalarga e Betania da servou também algumas surCravinhos, foi cedida para o evento por Luiz Lacerda Biagi. presas aos participantes. Um Honduras do Mont Serrat – Nascida em 1996, fruto do dos momentos mais tensos cruzamento entre Clarão JO e Caneta do Matão, essa tordilha foi aconteceu no trecho entre cedida ao projeto pelo criador Sergio Paiva. as cidade mineiras de Delta, Q Linda MAB – Alazã cedida para o projeto Tropel Mangalarga na divisa com São Paulo, e pelo criador Sebastião Assumpção Malheiro Neto. Uberaba, devido à movimentada rodovia pela qual tiveram que viajar. “Após uma noite atropelado por uma carreta. O susto difícil, pegamos uma rodovia de pista foi grande, pois a cena foi presenciada dupla sem nenhum acostamento e por todos. Paramos então na primeira forte tráfego de caminhões e carrebrecha possível e agradecemos pela tas. A comitiva estava tensa quando proteção recebida. Refeitos do susto, as duas éguas puxadas por mim se seguimos para Uberaba margeando assustaram e quase entraram na a rodovia Broso”, relatou Malheiro ao pista oposta. Por centímetros não fui Blog do Ronco. O caminhão de apoio também não teve vida fácil


genética

Sobre o

melhoramento dos nossos Mangalargas e as

ferramentas científicas que dispomos para isso

E

screveu em 1934, o grande João Francisco Diniz Junqueira: “O Melhoramento de qualquer raça deve ser pela seleção e não pelo cruzamento”. Em parte esta frase é verdadeira, porém em tempos mais modernos onde as ferramentas da engenharia genética estão mais amplamente difundidas e os conhecimentos sobre transmissibilidades de caracteres mais desvendados, não faz muito sentido ignorá-los e partir simplesmente para a seleção massal. O cruzamento dirigido e bem estudado faz muita diferença na rapidez e no sucesso de uma boa criação de cavalos melhorados. Além dos já tradicionais métodos de pontuação e análise visual dos animais, deve-se considerar muito bem a correlação de seus pedigrees. Não é nova a técnica, e muitos falam em consanguinidade controlada ou cruzamentos de parentes como benéficos ao melhoramento a décadas. Na verdade o que se está fazendo inconscientemente não é só um cruzamento de parentes, mas um retro-cruzamento com indivíduos parentais de maior destaque ou sucesso. O melhoramento genético de plantas já é conduzido assim a séculos e me parece incompreensível que alguns ainda apostem na loteria do “choque de sangue” para criar cavalos de primeira linha. Além deste, outro fator pouco é estudado ou levado em consideração na hora de se planejar

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os cruzamentos, a herTabela Característica/Herdabilidade dabilidade ou heritabilidade dos caracteres Altura no Dorso 0,67 envolvidos na seleção (Artigo:Melhoramento Altura na Garupa 0,68 e Genética do Cavalo 0,61 Campolina – UFMG/ Comprimento da Cabeça 2006 - Leonardo Mene- Comprimento do Dorso - Lombo 0,51 guini dos Santos). Di0,54 versos artigos mostram Comprimento da Espádua que certos caracteres Comprimento do Corpo 0,58 morfológicos ou de deFonte: Melhoramento e Genética do Cavalo Campolina sempenho são mais UFMG/2006 - Leonardo Meneguini dos Santos facilmente expressados na progênie do que outros. Por exempelagens dos cavalos. Mesmo assim plo: altura de cernelha ou altura de ainda vejo criadores afirmando que garupa. Já outros são de difícil “transesta ou aquela égua alazã é mais promissão” ou mensuração excetuando pensa a dar esta ou aquela cor. Veja, fatores ambientais. Exemplo: perímealazã é uma cor homozigota e que tro de canela e aprumos. implica em não expressão de nenhuPortanto é muito mais econômima outra, portanto fica inteiramente co investir-se em um garanhão que a cargo do garanhão e do acaso imtenha boas características de alta primir qualquer pelagem diversa na herdabilidade do que em garanhões cria. Além disso, falta planejamento com problemas nessas partes e quana criação de cavalos pretos ou amalidades dificilmente transmissíveis. rilhos que vão sendo cruzados quase (veja na tabela nesta página). ao acaso sem nenhuma preocupaNas conduções de seleções de cação em fazer um teste estatístico de valos coloridos, também abundante suas progênies. Enfim, é preciso mais ainda a miscelânea de conceitos e planejamento e apoio técnico de um teorias que se conta entre os criadomelhorador. res. A genética das cores, se não toÉ isso aí, vamos estudar para nos talmente desvendada, já é bastante aprimorar! conhecida. Testes de homozigoze em cavalos pampas já são rotina entre grandes criadores e muitos Luiz ALberto Patriota são os artigos sobre as combinações Engenheiro Agrônomo gênicas relacionadas às diversas (ESALQ/USP)


negócios

Por Pedro Camargo Rebouças | Fotos: Norberto Cândido

49%

Leilão 4 Ases registra crescimento de

Valor médio dos lotes negociados no evento, promovido por cinco tradicionais criatórios da raça, atingiu uma evolução ainda mais impresionante: 57%

O

7º Leilão 4 Ases & Cia., realizado na tarde de 11 de dezembro, no Helvetia Riding Center, em Indaiatuba (SP), deu mais uma mostra do bom momento vivido pelo mercado mangalarguista. O remate, afinal, movimentou a expressiva receita de R$ 694 mil, alcançando a cotação média de R$ 19,8 mil.

Esses números tornam-se ainda mais expressivos na comparação com a edição anterior do evento, realizada em setembro de 2009, na capital paulista. O faturamento total da 7ª edição foi, afinal, cerca de 49% superior aos R$ 466 mil obtidos pelo 6º Leilão 4 Ases. Além disso, o valor médio dos lotes negociados subiu de R$ 12,6 mil, em 2009, para R$ 19,8

mil, no evento de dezembro de 2010, um impressionante salto de 57% na cotação dos produtos. Promovido por cinco tadicionais criatórios da raça - os haras Otnacer, Três Rios, Precioso, Braido e Leni -, o evento negociou 35 lotes de grande qualidade, que incluíam desde garanhões e matrizes até potros, potrancas e barrigas.

A premiada Brisa França teve a barriga ofertada no Leilão 4 Ases

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Um grande público acompanhou o remate no Helvetia Riding Center

O recorde da tarde, segundo a Djalma Leilões, empresa responsável pela organização do evento, foi obtido pela matriz pampa de preto Ousadia da Braido I (TE), de seis anos de idade, ofertada pelo criador Nelson Antonio Braido. Produto do cruzamento entre Mesclado do Luar e Morena do Sapecado, Ousadia, que foi apresentada com potro ao pé do premiado reprodutor Quântico da Janga, mereceu um investimento de R$ 104 mil, realizado pelo selecionador Othoniel Brandão Costa. Já a segunda melhor cotação do remate coube ao lote composto pela potranca alazã Jaçanã NLB, uma filha de Arteiro VJC (TE) em Noruega da Sabaúna (TE), originária da seleção do Haras Leni. A jovem fêmea, que completou um ano de idade no dia 29 de dezembro, foi adquirida por Erivaldo Lui, que realizou na ocasião um investimento de R$ 39 mil. O evento, cuja condução esteve a cargo do leiloeiro rural Marcelo

Junqueira, teve a assessoria técnica de João Quadros e foi transmitido pelo Agrocanal. Além disso, contou com a participação de outros três importantes selecionadores da raça: Israel Iraídes da Costa, José Carlos Moraes Abreu Filho e Eduardo Henrique Souza de França. O 7º Leilão 4 Ases teve também uma programação social bastante movimentada. Na parte da manhã, os mangalarguistas presentes puderam desfrutar de um gostoso coquetel enquanto realizavam a vistoria dos animais. Em seguida, os anfitriões serviram um gostoso almoço de confraternização, após o qual os negócios tiveram início.

Leilão Estações

Os negócios da raça foram abertos no mês de fevereiro por dois eventos promovidos pela Mitsu Leilões. O 1º Leilão Virtual Estações realizou sua edição de verão na noite do dia 9, com transmissão ao vivo pelo Terra

Quitanda do Otnacer também esteve entre as atrações do leilão

Nelson Braido, Fernando Raucci e Eduardo Rabinovich formam parte do grupo que promoveu o leilão

Viva. Já a 1ª Venda de Barrigas DL aconteceu no sábado 19, durante Dia de Campo na Fazenda São Joaquim, em São José do Rio Preto (SP). Com uma média real de R$ 18,3 mil, o Leilão Estações movimentou uma receita total de R$ 165 mil e teve como principal destaque a matriz Musa da Copi, adquirida por Paulo Eduardo Corrêa da Costa pela maior cotação da noite. Segundo a Mitsu Leilões, durante o remate foi surpreendente o interesse, as consultas e os cadastros de novos criadores, o que comprova um aquecimento geral no mercado da raça Mangalarga. Por sua vez, a 1ª Venda de Barrigas DL - promovida pelo criador Francisco Carlos de Luccia, cujo criatório está celebrando 40 anos de atividade – obteve um faturamento geral de R$ 213,6 mil. No total, foram negociados 14 ventres pelo valor médio de R$ 15,2 mil, com destaque para DL Lisboa da Alvorada, cuja barriga foi adquirida pelo Haras HIC e pelos criadores José Borges da Cruz Filho e Josiane Cardoso Matta Vidotti. R evista M angalarga | 65


neg贸cios

Quem esteve l谩...

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cavalgada

saborosa cavalgada

Por Joel T. de Campos Mello

Uma

Fotos: Divulgação

Passeio realizado em Andradas uniu o prazer de cavalgar aos sabores da alta gastronomia

Q

uando me pediram para escrever sobre uma cavalgada que fizemos em Andradas (MG), dias 26 e 27 de fevereiro p.p., organizada pela Fabiana Maroni da “Cavalgadas sob Medida” e pelos anfitriões do “Rancho da Bela Vista”, Nelita e Luis Augusto Ópice, o primeiro pensamento que me ocorreu foi o de que, como um novo cavaleiro que sou, a missão seria espinhosa, mas não, logo percebi que, tal e qual quando se toma um bom vinho, se mira uma paisagem especial, várias imagens e sensações voltam à nossa

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Participantes puderam desfrutar de toda beleza dos arredores do Pico do Gavião

mente, reproduzindo uma boa parte do que foi uma experiência e um final de semana deliciosos. A rigor, até poucos anos atrás, fazia tempo que não montava e, motivado por minhas duas filhas, Maria Antonia, de onze anos, e Joana, de cinco, as duas literalmente apaixonadas por cavalos da raça Mangalarga, comecei a frequentar assiduamente a Fazenda Capoava e, com o incentivo de dois velhos amigos, o Paulo e o Raul Almeida Prado, fui aos poucos participando de passeios pela região de Itú, aumentando a duração das

cavalgadas, participando de outras fora da região enfim, até adquirir uma égua para minha filha, depois outra para mim, e daí por diante. Hoje esta atividade é uma parte muito importante de nossas vidas e além de proporcionar bons momentos em boas companhias nos leva a conhecer diferentes rincões de nosso Brasil e porque não de outros países, no futuro. Em relação ao fim de semana que nos foi proporcionado no Rancho da Bela Vista, especificamente, tudo foi muito bem programado/organizado,


As mulheres marcaram presença no evento e, ao lado, pode-se perceber as belas paisagens da cavalgada

o que redundou em uma excelente cavalgada, a começar pela região que, desde o acesso, topografia e clima, é ótima até chegarmos ao RBV aonde, aí sim, vimos o resultado da somatória do conhecimento de cavalos e da raça Mangalarga, com a dedicação intensa de anos do casal Ópice e que, de fato, fizeram a diferença na qualidade da tropa, piquetes, pasto, arreios, selas, treinamento da equipe de apoio e, principalmente, o cuidado pessoal para que tudo desse certo e que fez com que todos se sentissem muito à vontade e seguros para aproveitar ao máximo as trilhas, paisagem, as montarias, sem se falar, é óbvio, na qualidade das comidas, bebidas e boa companhia. Éramos vinte e cinco cavaleiros, aproximadamente, pessoalmente tive o prazer de montar em uma égua de nome Imponência, com idade aproximada da minha – a Ópera – oito/nove anos, e que me

fez me sentir muito à vontade, valendo dizer que ao mínimo toque nas rédeas, ela entendia exatamente o que eu estava pedindo – que a Ópera não me ouça! Outro aspecto muito importante e que contribuiu para o sucesso do final de semana como um todo foi a sinergia entre a “Cavalgadas sob Medida” da Fabiana e o “Rancho da Bela Vista” dos Ópice, que além de serem muito amigos e se conhecerem há anos, trabalharam muito e com muita antecedência na preparação do final de semana, com a escolha das trilhas, dos locais de paradas, água para os animais e até os mínimos detalhes como o cardápio, vinhos especialmente indicados para os pratos, música ao vivo e etc... Enfim, um resumo que se pode fazer, é que por intermédio do cavalo, no caso o Mangalarga, uma raça em franco crescimento e de pessoas, como disse, com conhecimento e

dedicação, tenho tido a oportunidade de conhecer locais e pessoas especialíssimos e sobretudo a cultura das regiões uma vez que, a cavalo, conhece-se metro a metro o local, os costumes, tradições enfim, a vida daquele povo, como ela é ! Hoje é dia 31 de março e amanhã já sairemos para mais uma cavalgada, nos dias 1º e dois de abril, esta com os Mangalargas da tropa do Paulo Almeida Prado da Fazenda Capoava e também organizada pela Fabiana, o que já traz a certeza de colher os frutos desta mesma sinergia entre os criadores e organizadores, depois, espero que alguém lhes conte como foi. Por último, vale dizer que, além dos locais, amigos, família e etc., montar em um bom cavalo mangalarga vale muito mais do que uma terapia, é quase como um disjuntor, desconectando-nos do que, às vezes, precisa ser desconectado!

Os cavaleiros desfrutam de um bom almoço para revigorar as energias e para o jantar, bons vinhos para celebrar o sucesso do evento

www.cavalomangalarga.net.br

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pesquisa

Tropel Mangalarga 1400 Por José Corrêa de Lacerda Neto

Projeto

E

m maio de 2010 fomos convidados por Sebastião Malheiro, homem do cavalo e apaixonado criador da raça Mangalarga, para participar do Projeto Tropel Mangalarga 1400 que propunha a realização de uma viagem a cavalo, indo de São Paulo a Brasília. Malheiro queria que efetuássemos uma análise científica da empreitada. Além de aceitar o convite propusemos a realização de um enduro de regularidade nas dependências da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP, campus de Jaboticabal, SP. Nossa participação nos eventos que descrevo não seria possível sem a Prof. Dra. Roberta Ariboni Brandi, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos/USP, Pirassununga e de minha equipe de orientados tanto da graduação como da pós-graduação, além de alunos do Colégio Técnico Agrícola “José Bonifácio”, os quais nos deram suporte para participar do projeto. Agradeço a todos a inestimável e prestimosa colaboração. Sob a coordenação de Malheiro, estabeleceu-se um Plano de Trabalho, no qual o desenvolvimento do projeto se deu em quatro fases sequenciais, assim estabelecidas:

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Fase I: Preparatória O projeto contou com a participação de oito éguas. Estas foram inspecionadas e sua condição corpórea classificada em escores. Em seguida, foram submetidas a exame físico geral, para avaliação da higidez, com ênfase aos sistemas locomotor e estomatognático. Somente foram utilizados os animais em boas condições sanitárias e nutricionais. Antes do início do treinamento, os animais foram desverminados e vacinados contra influenza, rinopneumonia, tétano e garrotilho e, adicionalmente, submetidos à ferrageamento para evitar o desgaste excessivo dos cascos. O planejamento nutricional para as diferentes fases do projeto se ateve a dois aspectos principais, a saber, atendimento as exigências nutricionais de acordo com a intensidade do esforço físico realizado em cada etapa e prevenção de distúrbios associados a aumentos do plano nutricional. Na confecção do Programa Nutricional, considerou-se o peso das éguas e a intensidade do exercício que seria realizado em cada fase. No início de treinamento, o exercício foi considerado moderado. Uma vez que a cavalgada constitui uma atividade de resistência, optou-se por suplementar os animais com óleo de soja e produto

contendo sais minerais e fibras de fácil fermentação, além de feno e capim de ótima qualidade. Em relação ao manejo, iniciou-se pela adaptação das éguas ao novo grupo, reunindo-as em um amplo espaço, evitando-se assim disputas por melhores áreas de pastejo ou sombra e proximidades da aguada. O arraçoamento passou a ser feito no sistema de lanchonete, no qual os animais têm acesso a cocho individual. Arreamentos novos foram adquiridos e utilizados durante o treinamento dos animais.

Fase II: Treinamento

O reconhecimento das respostas do organismo ao esforço físico prolongado é fundamental ao entendimento dos distúrbios que acometem os equinos durante treinamentos, cavalgadas e enduros. A geração de energia necessária para a realização de exercícios duradouros produz muito calor, aquecendo o organismo e comprometendo sua higidez. Dessa forma, faz-se imprescindível atenção aos mecanismos termorregulatórios. A evaporação de suor constitui a principal forma de controle da temperatura interna, mas quando em excesso pode causar distúrbios de diferentes manifestações como na desidratação,


Tabela 1. Média ± EPM da frequência cardíaca (bpm) de éguas da raça Mangalarga submetidas a exercício teste de 52 mil

além de quadros mais grametros de extensão em repouso (basal), imediatamente após o término do percurso e 10 minutos após (Jaboticabal - 2010) ves como a exaustão. Exercício teste Condição de equitação Chegada do Basal 10 min após A temperatura am(datas) no último anel último anel biente, umidade relativa Montadas 41,5 ± 2,2a 75,0 ± 2,5A,c 59,0 ± 3,4A,b 21/07 do ar e a força dos ventos Puxadas 37,5 ± 0,8a 60,0 ± 2,1B,c 47,0 ± 1,5B,b influenciam tanto a evaMontadas 37,5 ± 1,5a 54,5 ± 1,9C,c 49,0 ± 1,7B,b poração do suor como a 25/08 Puxadas 38,0 ± 1,4a 51,5 ± 1,9D,c 46,5 ± 2,5B,b temperatura corpórea. O exercício e a realização de Montadas 38,0 ± 1,2a 74,0 ± 1,5A,c 60,0 ± 0,0A,b 14/10 cavalgada em dias quenPuxadas 40,0 ± 0,0a 62,0 ± 5,0B,c 49,3 ± 1,3B,b tes e úmidos dificultam A Médias seguidas de letras maiúsculas diferentes diferem entre si na mesma coluna o funcionamento dos B Médias seguidas de letras minúsculas diferentes diferem entre si na mesma linha mecanismos de termorregulação dos equinos. Neste caso, a dias foram reservados para sessões de no período de recuperação do esforevaporação de suor não ocorre de 60min de adestramento ou para adapço, 10min após o final do teste. No forma satisfatória, embora o indivítações ao ambiente urbano, quando terceiro ET os valores obtidos para duo perca muita água e eletrólitos. caminhavam por ruas e avenidas. FC não diferiram dos encontrados no Outro aspecto a considerar quanDurante o treinamento, aos 29, 64 primeiro. Registra-se que, enquanto do os equinos executam exercícios e 114 dias, foram realizados testes de o primeiro ET foi realizado durante prolongados é a alta intensidade esforço físico em trilha, denominados o inverno, quando a temperatura e a repetibilidade do esforço. Este exercícios testes (ET). Os ET consisambiente e a umidade relativa do fato potencializa a ocorrência de tiram na execução de um percurso ar eram baixas, o terceiro ET foi lesões em estruturas do sistema de 52.000 m, dividido em seis anéis efetuado no outono, momento no músculo-esquelético. de 8.666 m, nos quais os equinos, qual as mesmas estavam excepcioO treinamento constitui a forma alternadamente, foram montados ou nalmente altas o que possivelmente mais eficiente de preparar o organispuxados pelos cavaleiros/amazona, influenciou os resultados. De outro mo dos cavalos para os desafios mede forma que cada um deles percorlado, o terceiro ET refletiu melhor as tabólitos e estruturais enfrentados reu metade do percurso montados condições ambientais por que pasna realização de atividades físicas. O e outra metade puxados. Entre dois sariam os animais durante a viagem. treinamento deve almejar os seguinanéis, um intervalo de 20 minutos foi Durante os check-ups veterinários tes objetivos: aumentos da velocidadado às éguas para exame, arraçoarealizados ao final dos ETs, não foram de e da força muscular, assim como mento e dessedentação. A avaliação encontradas alterações nas variáveis da resistência, postergando o início da capacidade física dos animais foi examinadas, com destaque para da fadiga; melhoria das habilidades efetuada mediante determinação da a higidez das estruturas músculobiomecânicas e da coordenação frequência cardíaca (FC) antes do iní-esqueléticas e equilíbrio da loconeuromuscular e redução dos riscio do percurso, ao final de cada anel moção. Concluiu-se pelos resultados cos de ocorrência de traumatismos. e 10 minutos depois. Adicionalmente, dos ETs que o treinamento preparou Quando bem conduzido, o treinaos animais passaram, ao término de adequadamente os animais para a mento mantém a disposição e o encada anel, por avaliação clínica, com realização da viagem. tusiasmo do cavalo para o exercício. ênfase a locomoção. Os valores de No segundo ET realizou-se tamO período de treinamento dos frequência cardíaca, determinados bém a determinação das concenanimais teve a duração de 135 dias. em batimentos por minuto (bpm), trações sanguíneas de lactato dos A realização de três sessões semados animais em repouso (basal), ao fianimais nos mesmos momentos nais de exercícios em trilhas rurais foi nal do último anel e 10min após estão utilizados para aferição da FC. Os estabelecida durante o período. Em apresentados na Tabela 1. valores médios de lactato sanguíneo média, cada sessão tinha a duração Observa-se nos resultados do (mmol/L) determinados em repouso, de 120 minutos, nas quais os animais segundo ET que os animais apresenao final de cada anel e 10 minutos intercalavam os andamentos passo, taram melhoria do condicionamento após o término do teste estão relatrote e galope. Ademais, dois outros físico com valores mais baixos de FC cionados na Tabela 2.

Tabela 2. Média ± DP das concentrações de lactato sanguíneo (mmol/L) determinadas em fêmeas equinas da raça Mangalarga durante a realização de exercício teste de 52.000 m de extensão, em repouso, ao final de cada um dos anéis (A) de 8.666 m e 10 e 30min após o término do teste (Dourado, SP - 2010)

Basal

A1

A2

A3

A4

A5

A6

10’ após

30’ após

0,23 ± 0,09 0,16 ± 0,05 0,12 ± 0,04 0,12 ± 0,05 0,10 ± 0,06 0,11 ± 0,06 0,20 ± 0,09 0,23 ± 0,10 0,20 ± 0,09 www.cavalomangalarga.net.br

R evista M angalarga | 71


pesquisa

Os valores para lactato obtidos com os animais em repouso, após cada anel e 10 e 30min após o final do ET não diferiram entre si. Os resultados obtidos indicam que durante o teste os animais produziram energia por meio de metabolismo aeróbio.

Fase III: Cavalgada

Ao final do treinamento os cavalos realizaram, durante 36 dias, uma viagem de 1.400km, de São Paulo, capital de nosso estado, a Brasília, DF. Neste período o acompanhamento foi à distância. Nesta fase, o arraçoamento dos animais, com ração concentrada de alto teor energético, acrescida de fibra e sal mineralizado, foi efetuado três vezes ao dia, a saber, antes do nascer do sol, no meio da cavalgada, quando era dado um período mais longo de repouso aos animais, e ao final do dia. O fornecimento de feno ocorria principalmente durante a noite. Quanto à ingestão de água, além de mantê-la ao alcance durante os períodos de repouso da marcha e nos pontos de parada, o encontro com uma aguada natural ou artificial nunca era desperdiçado. Dois animais apresentaram lesões durante o trajeto. Uma égua manifestou inchaço do MPD, que posteriormente mostrou ser uma leve lesão crônica da bainha tendínea, enquanto outra apresentou pisadura na região lombar que se agravou com o uso da sela durante a viagem. Ambas foram apartadas do restante da tropa para tratamento, recuperando-se em uma semana e retornando ao grupo.

Fase IV: Enduro

No dia seguinte ao final da cavalgada, as oito éguas foram transportados via terrestre para a Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP, em Jaboticabal, SP. Os animais foram acomodados em piquetes de Tifton 85, recebendo 2,0 kg de ração três vezes ao dia. Exames físicos dos animais foram realizados para determinação da condição clínica. Também foram efetuadas avaliações clínicas 72 | R evista M angalarga

e ultrassonográficos das estruturas músculo-esqueléticas dos animais. Uma semana após chegada a FCAV, seis éguas realizaram um enduro de regularidade de 75 km de extensão. Durante o teste de resistência, os animais percorreram três vezes um percurso de 25 quilômetros, por trilhas e estradas rurais. A oferta de água para bebida foi efetuada apenas no décimo segundo quilômetro e ao final de cada anel. Imediatamente ao final de cada percurso os animais tiveram suas jugulares puncionadas para colheita de sangue, sendo em seguida pesadas. Na sequência, passaram por dez minutos de refrigeração realizada por meio de aspersão de água, sendo, em seguida, encaminhadas para exame veterinário. Os animais só foram liberados para o próximo anel após constatação de higidez no exame veterinário. Antes, durante e após a realização do teste de resistência, foram colhidas amostras de sangue para análises laboratoriais a fim de avaliar possíveis alterações metabólicas decorrentes do esforço prolongado. Os resultados da pesagem e dos exames laboratoriais realizados durante e após o enduro estão apresentados na Tabela 3. Observa-se que, as éguas perderam peso ao final do primeiro anel, o qual se manteve diminuído até o final do enduro. No dia seguinte ainda não haviam recuperado o peso o que aconteceu apenas com 48 horas. Considerando a perda de peso, observa-se que a intensidade do esforço durante o enduro foi significativa. Esta intensidade de esforço, acima da praticada na viagem, promove gasto excessivo das reservas energéticas, enfraquece os animais e diminui a disposição para prosseguir. Porém, os pesos registrados durante e após o teste demonstram a capacidade de recuperação, a qual, em animais destreinados pode se estender por mais de 72 horas. Ao confrontar estas informações com o que foi realizado durante a cavalgada, não é demais recordar que, durante esta, em apenas três dos 36 dias a distância percorrida chegou a 75 km. Nestas ocasiões, dentro da

estratégia adotada de preservar os animais para a chegada, a intensidade do esforço imprimido a cada dia foi menor do que aquela realizada no enduro. Esta menor intensidade de esforço não se deu apenas por perfazer menores extensões do percurso, o que nem sempre foi possível, mas se caracterizou por três fatores: 1) menor velocidade de marcha, 2) intervalos de repouso mais longos e, fundamentalmente, 3) fornecimento de alimentos de alto teor energético durante o repouso (o que não ocorreu no enduro). Ademais, no desenrolar da cavalgada houve acréscimo diário no volume de ração concentrada fornecida aos equinos. A somatória destes fatores foi responsável pela ótima condição física e manutenção do escore físico das éguas do início ao final da cavalgada. Observa-se ainda, a ocorrência de hemoconcentração durante o enduro. Este achado indica leve indício de desidratação, um fato esperado dadas as grandes perdas de fluidos por meio da sudação. Esta condição foi responsável pelas elevações observadas em proteínas plasmáticas totais (PPT) e hematócrito. Relativamente ao sódio, este eletrólito é o grande responsável pela manutenção da pressão osmótica e retenção de líquido nos vasos, se contrapondo a desidratação. Nota-se que não se registraram alterações nesta variável, para a qual o organismo contempla inúmeras modalidades de regulação. Tal fato demonstra que o organismo dos animais respondeu ao treinamento e ao esforço da viagem, melhorando sua capacidade de regular o volume intravascular. Uma das formas de manter o sódio no organismo se dá pela troca deste com o potássio durante a formação da urina. Ou seja, conserva-se o sódio aumentando a excreção de potássio o que em alguns momentos pode ter contribuído para a diminuição deste eletrólito. Tal fenômeno não se deu durante o enduro, mas sim na recuperação, uma vez que para economizar líquidos, as éguas urinaram pouco durante a prova.


Tabela 3. Média ± DP de variáveis clínicas e bioquímicas determinadas em equinos submetidos a enduro de 75 km, antes, a cada 25 km e 15, 30 e 60min após o enduro e nos dois ou três dias subsequentes (Jaboticabal, SP - 2010)

Enduro

Período pós enduro

Variáveis

Basal

Peso

417±5,9A

400±5,9B 394,5 ± 6,0B 394,3±6,1B

PPT

6,8±0,1C

7,1±0,1A

7,3±0,3AB

Hematócrito

33±0,6B

38±0,6A

Sódio

142±1,0

Potássio

25 km

50 km

75 km

15min

30min

60min

24h

48h

72h

-

-

-

408±6B

418±6A

411±6AB

6,8±0,1BC

6,6±0,1C

6,8±0,1C

6,8±0,1C

6,7±0,1C

6,7±0,1C

-

37±0,7A

36,5±0,7A

34±1,0B

35±1,0C

35±1,0C

35,6±1,0C

34±1,0C

-

144±1,0

141±1,0

142±1,0

142±0,9

142±1,0

142±1,0

144±0,9

141±0,9

-

3,1±0,2A

2,8±0,2A

3,0±0,2A

2,9±0,2A

2,5±0,1AB

2,2±0,1C

2,6±0,1BC

3,4±0,1A

3,4±0,1A

-

Cloreto

103±0,2B

99±0,1A

98,5±0,1A

98±0,2A

98±0,2A

98±0,1A

97,5±0,2A

101±0,2B

102±0,2B

-

Lactato

0,6±0,1B

0,5±0,0B

0,5±0,1B

0,9±0,0A

0,8±0,1BC

1,0±0,1AC

0,9±0,1BC

1,3±0,1D

1,0±0,1CD

-

Glicose

102±3,2B

116±3,2A

102±3,2B

104±3,4B

104±4,8B

103±4B

116±4,8AB

98±4,4B

116±4,4A

-

pH

7,40±0,0BD

7,44±0,0A

7,46±0,0A

7,45±0,0A

7,42±0,0BC

7,42±0,0BC

7,43±0,0C

7,39±0,0BD

7,40±0,0BD

-

pCO2

44,2±1,0A

42,6±1,0A

42,3±1,1A

40,4±1,0A

46,5±1,0B

43,2±1,0AB

42,2±1,0AC

40,2±0,9C

41,4±0,5AC

-

HCO3-

26,8±0,7C

28,9±0,7AB

29,6±0,8A

27,8±0,8BC

29,4±0,6A

27,6±0,6BC

27,1±0,6C

24,1±0,6D

25,1±0,4CD

-

*Unidades: peso (kg), PPT (proteínas plasmáticas totais, em g/dL), hematócrito (%), sódio, potássio, cloro, e lactato (mmol/L); pCO2 (pressão parcial de gás carbônico, em mmHg), HCO3- (íon bicarbonato, em mmol/L) e glicose (mg/dL).

Outro aspecto interessante foi o comportamento do cloreto. Este eletrólito é encontrado em grandes concentrações no suor e volumes copiosos são perdidos durante o trabalho prolongado. A diminuição de cloro estimula a reabsorção renal de bicarbonato. Nota-se que o bicarbonato aumenta no decorrer do enduro. A associação destes fatos é a responsável pelo discreto, mas significativo aumento do pH. Ou seja, nos exercícios prolongados, os equinos podem desenvolver alcalose metabólica, como demonstrado, ao invés de acidose como, erroneamente, acredita-se. Nas condições da pesquisa, a influência do lactato sobre o equilíbrio ácido-base do sangue foi mínima. Os valores obtidos constituem forte evidência de que o metabolismo responsável pela produção de energia foi predominantemente aeróbio. Tal fato pode levar os menos avisados a classificar o exercício como sendo de baixa intensidade, porém não se pode esquecer que neste caso é a duração do esforço que eleva a condição para a categoria de alta intensidade. As demandas energéticas, embora aeróbias em curto prazo, podem, com o passar das horas de exercício constante, deprimir as reservas de energia e levar a morte celular e colapso do organismo. www.cavalomangalarga.net.br

O aumento da glicemia, observado ao final do primeiro anel, é forte indicativo da atuação endócrina no sentido de mobilizar glicose das reservas hepáticas para o metabolismo muscular. No entanto, a manutenção deste estímulo por tempo prolongado esgota as reservas de glicogênio, e compromete o metabolismo energético. Desta forma, à medida que o exercício se prolonga, são ativados mecanismos que estimulam o aproveitamento de lipídeos na produção de energia. Os lipídeos constituem um reservatório quase inesgotável de energia, mas seu metabolismo requer a participação da glicose em um ponto da cadeia, razão suficiente para que o organismo atue preservando a glicemia. Aos 50 km nota-se o retorno da glicemia aos valores basais e sua manutenção até o final do enduro. Relativamente a pCO2, esta é uma variável importante, à medida que o CO2 é um dos produtos finais do metabolismo aeróbio e participa do equilíbrio ácido-base do sangue. Espera-se, portanto, que seus valores aumentem durante o exercício quando a atividade metabólica está aumentada. Entretanto, a elevação da temperatura e da própria pCO2 estimulam o aumento da ventilação, excretando o CO2 a medida que a frequência respiratória aumenta.

Os dados obtidos neste trabalho são de relevância para o entendimento dos eventos que ocorrem com o organismo do cavalo durante o esforço físico prolongado e podem nortear não apenas o treinamento, mas também fornecer informações importantes sobre os cuidados necessários durante a realização de cavalgadas. Desta forma, os dados estão sendo preparados para apresentação em congressos e publicação em revistas especializadas e periódicos científicos, assim como constituirão parte importante de trabalhos de dissertação e de pós-doutorado. Ficou demonstrado que mesmo animais muito bem treinados estão sujeitos a alterações de fatores responsáveis pelo equilíbrio do sangue e, consequentemente, do organismo. Se de um lado, o treinamento bem planejado e adequadamente conduzido não pode impedir, é, pelo menos, fator preponderante na diminuição da gravidade dos distúrbios a que os equinos estão sujeitos durante os esforços prolongados. Finalizando, é dever de um cavaleiro bem informado e esclarecido a preservação de sua montaria e, neste aspecto, os conhecimentos agregados pelo projeto Tropel Mangalarga 1400 foram fundamentais. R evista M angalarga | 73


eventos

Por Pedro Camargo Rebouças* | Fotos: Imprensa SPR

Exposição Brasileira: o ponto alto do semestre

Programa��ão variada e grande adesão da comunidade mangalarguista colocaram a mostra promovida pela ABCCRM no centro das atenções da 51ª ExpoLondrina

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Raรงa esteve entre os destaques da ExpoLondrina 2011 www.cavalomangalarga.net.br

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O

cavalo Mangalarga foi um dos protagonistas da Expo Londrina 2011. Afinal, a realização da Exposição Brasileira dentro do programa desse importante evento paranaense, considerado, aliás, uma das principais vitrines do agronegócio na América Latina, proporcionou uma visibilidade única, merecendo assim dezenas de matérias na mídia aberta e especializada, além de muita atenção do público e até uma visita do governador do Paraná Beto Richa. A participação da raça na feira paranaense, que este ano chegou à 51ª edição, foi aberta com o tradicional desfile das bandeiras dos criatórios participantes. A exibição mangalarguista, que foi escoltada pela cavalaria dos Dragões da Independência, robou a cena justamente durante a cerimônia de abertura da ExpoLondrina, realizada na manhã do dia 7 de abril, na pista central do Parque de Exposições Ney Braga. Logo em seguida, a comunidade mangalarguista recebeu a visita do governador Beto Richa, motivada pela inauguração da Casa do Mangalarga. A solenidade foi acompanhada por representantes de dezenas de veículos de comunicação, que, no ímpeto de acompanhar a principal autoridade paranaense, puderam também conhecer melhor o Cavalo de Sela Brasileiro. Recepcionado pelo presidente do Núcleo Mangalarga do Norte do

Paraná, Paulinho Vilela, e pelo presidente da Sociedade Rural do Paraná, Gustavo Lopes, o governante cortou a fita simbólica que envolvia a nova sede e em seguida descerrou a placa de inauguração da Casa do Mangalarga, que foi batizada justamente com o nome de “Governador Beto Richa”. Segundo Paulinho Vilela, além de mostrar o prestígio da raça com o governo do Paraná, a visita comprovou o bom momento vivido pelo cavalo Mangalarga nesse importante estado brasileiro. “A partir de agora, além de ter um importante ponto de apoio na ExpoLondrina, a comunidade mangalarguista passa a ter uma sede permanente na região, um local em que os criadores serão sempre recebidos com toda a atenção”, destaca Vilela, ressaltando ainda que no Norte do Paraná existem atualmente 68 selecionadores e 500 usuários da raça.

Êxito de público

A Exposição Brasileira 2011, cuja programação se estendeu do dia 7 ao dia 10 de abril, levou à ExpoLondrina uma série de atrações, da qual fizeram parte concorridos julgamentos de morfologia e andamento, provas funcionais e leilões. Promovida pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga (ABCCRM), em parceria com o Núcleo Mangalarga do Norte do Paraná e com a Sociedade Rural Paranaense,

a mostra contou com a participação de 159 animais, provenientes de 33 tradicionais criatórios da raça. Um dos principais momentos do evento aconteceu, aliás, na tarde do domingo que encerrou a mostra, quando aconteceram as aguardadas competições funcionais da raça. “Apesar da concorrência da Esquadrilha da Fumaça da Força Aérea Brasileira, que também se apresentava naquele momento, o público lotou as arquibancadas da exposição para acompanhar e vibrar com as nossas provas. Esse foi realmente um momento muito especial”, destaca o presidente da ABCCRM Sergio Luiz Dobarrio de Paiva. O evento contou ainda com outra grande atração, a premiação reforçada que distribuiu quatro motos zero quilômetro. “Esse é sempre um incentivo muito importante, afinal valoriza o trabalho dos criadores e especialmente dos peões, que se dedicam muito para que os animais dos criatórios que representam se destaquem na pista de julgamento”, ressaltou, em entrevista ao Canal Rural, concedida durante a Brasileira, o criador Israel Iraídes da Costa. Além disso, a organização reservou dois imponentes prêmios aos melhores criadores do evento: os troféus transitórios que levam respectivamente os nomes dos mangalarguistas Mário Alves Barbosa Neto e Norman Prochet.

O governador Beto Richa inaugura a Casa do Mangalarga na companhia de Gustavo Lopes e de Paulinho Vilela

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Foto: Ruth Vilela de Andrade

O público acompanhou atentamente a disputa das provas funcionais

Disputas concorridas

A qualidade da tropa que passou pela pista de julgamento foi outro destaque do evento. Os jurados André Fleury, a quem coube a responsabilidade de avaliar o andamento dos concorrentes, e Benedito Carlos da Silva, cuja tarefa foi a de analisar a morfologia dos participantes, tiveram muito trabalho para escolher os melhores entre os 159 exemplares da raça que estiveram em Londrina. A categoria reservada às potrancas (fêmeas com mais de 24 a 30 meses) foi a mais concorrida do evento. Criada e exposta por José Eduardo de Souza, Comédia JES (T.E.), uma filha de Xaréu JES (T.E.) em Vítima JES (T.E.), superou outras 20 concorrentes para chegar ao título de Campeã Potranca. A classe reservada às éguas jovens (mais de 36 a 48 meses), que contou com a participação de 19 concorrentes, esteve também entre as mais disputadas da Exposição Brasileira. Originária da seleção de Sergio Paiva e exposta por Fernando Tardioli Lúcio de Lima, Tramela do www.cavalomangalarga.net.br

Mont Serrat (Regalo JO em Gasolina Campeonato da Copa Matsuda do Arceburgo) obteve uma duMangalarga, obteve mais uma impla premiação nesse julgamento, portante premiação, sagrando-se sagrando-se Campeã Égua Jovem e desta vez Campeão Cavalo Sênior. Campeã Égua Jovem de Andamento. Por sua vez, Porre Vargedo (Critério Entre os machos, as categorias do Hab em Cereja F.R.L.), proveniente mais disputadas foram as dedicadas da seleção dos Herdeiros de Geraldo aos potros (mais de 24 a 30 meses) de Souza Ribeiro e exposto pelo e aos cavalos seniores (mais de 60 Haras Cerávolo Paoliello, mostrou meses), com dez participantes cada. muita qualidade em pista para obter Proveniente da seleção de Israel o título de Campeão Cavalo Sênior Iraídes da Costa e produto do cruzade Andamento. mento entre Colorado OJC e Represa A disputa entre os expositores do H.I.C., Gramado do H.I.C. (T.E.) satambém foi bastante acirrada. Com grou-se Campeão Potro. Já entre os 1339,10 pontos, José Eduardo de machos mais experientes brilharam Souza foi eleito o melhor expositor dois animais: Barcelos Os cobiçados troféus da Exposição Brasileira 2011 do Torquato e Porre Vargedo. Selecionado por Plínio Brotero Junqueira e exposto por Fernando Ferrucio Rivaben, Barcelos do Torquato (Horizonte do Campo Alegre em Mangava do Torquato), que no ano passado conquistou o Grande R evista M angalarga | 77


Uma tropa de grande qualidade passou pela pista do Parque Ney Braga

geral do evento, sendo seguido por Sergio Paiva (637 pontos) e pela ZCM Agropecuária (619,15). Souza repetiu o feito na disputa entre criadores da classe geral. Somando 1279 pontos, ele garantiu o primeiro lugar, à frente dos selecionadores Sergio Paiva e Josiane Vidotti, que alcançaram respectivamente 1200 e 545,65 pontos. No julgamento de andamento, novamente José Eduardo Souza e Sergio Paiva travaram uma acirrada disputa pelos primeiros lugares. No fim, o primeiro lugar entre os expositores de andamento ficou

com Souza, que somou 273 pontos, apenas 14 a mais que o segundo colocado Sergio Paiva e 18 a mais que o terceiro colocado Fernando Rivaben. Já no ranking de criadores de andamento, Paiva obteve a primeira colocação, totalizando 476 pontos e ficando à frente de José Eduardo de Souza (245) e Antônio Caetano Pinto (192,50). Integrante da diretoria da ABCCRM, Fernando Tardioli destacou, também em entrevista ao Canal Rural, a importância dos bons resultados no evento para os criadores

envolvidos na disputa para entrar na lista dos melhores da temporada 2011. “Em função da qualidade dos animais que participam de seus julgamentos e da expressiva adesão de criadores, a pontuação da Exposição Brasileira possui um peso maior que as demais exposições. Isso a torna muito importante para os selecionadores que desejam obter boas colocações no ranking anual da raça Mangalarga, que é estabelecido a partir do desempenho dos participantes em um circuito com cerca de 20 eventos realizados nos mais diferentes pontos do País. Além disso, um prêmio na Brasileira traz sempre muito prestígio aos animais concorrentes e também aos expositores”, ressalta Tardioli.

Negócios em alta

Os negócios também estiveram em alta na Exposição Brasileira 2011. A agenda do evento contou, afinal, com dois leilões já tradicionais na raça: o 6º Mangalarga Londrina Show e o Raridades Mangalarga. Realizado na noite da sexta-feira 8 de abril, no Recinto Horácio Sabino,

Foto: Ruth Vilela de Andrade

Leilão Raridades movimentou os negócios durante a Brasileira

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Paulinho Vilela e Sergio Paiva apresentam o Troféu Transitório Norman Prochet

no Parque Ney Braga, o 6º Leilão Mangalarga Londrina Show ofertou 32 lotes, entre os quais estavam embriões, barrigas, potros, potras, matrizes e reprodutores originários de tradicionais criatórios da raça Mangalarga. Além disso, o evento, cuja organização esteve a cargo da Rural Business Leilões, ofertou jumentos da raça Pêga e muares de qualidade comprovada. O Leilão Raridades, por sua vez, movimentou a programação mangalarguista no Parque Ney Braga na tarde do sábado 9 de abril. O remate, organizado pela Djalma Leilões com a coordenação do zootecnista João Quadros, ofertou 33 lotes com produtos selecionados em 24 criatórios de destaque na raça. Além de barrigas e embriões de matrizes de grande qualidade, a relação apresentou potrancas, potros, cavalos e éguas com futuro promissor tanto para as pistas de julgamento como para a reprodução. Segundo a Sociedade Rural do Paraná, entidade responsável pela organização da ExpoLondrina, os leilões da raça Mangalarga atingiram uma liquidez de 90%, obtendo a cotação média por animal negociado de R$ 15 mil, valor 30% superior ao registrado na edição anterior da feira. Dessa forma, pode-se estimar que os remates movimentaram juntos uma receita total de R$ 742,5 mil. Ainda de acordo com a Sociedade Rural, o maior lance registrado nos leilões mangalarguistas na www.cavalomangalarga.net.br

ExpoLondrina foi de um embrião comercializado por R$ 70 mil. A entidade revela também que, além dos participantes in loco, os eventos contaram com diversas aquisições feitas via internet e Canal do Boi, inclusive com compradores da Bahia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Pará e São Paulo. Para Paulinho Vilela, presidente do Núcleo do Norte do Paraná, o bom desempenho leva à conclusão de que está faltando animais para o número de interessados pelo Cavalo de Sela Brasileiro.

Redes sociais

A Exposição Brasileira foi um marco também por sua grande exposição nas novas mídias. Afinal, além da transmissão em tempo real dos julgamentos e provas funcionais, que foi acompanhada por mangalarguistas dos mais diferentes pontos do País, a mostra deste ano teve grande repercussão nas redes sociais da internet. As novidades eram postadas pelo Twitter para centenas de seguidores no Brasil e no mundo, obtendo uma repercussão extra para os acontecimentos da mostra. Também por meio desta inovadora rede de micro blogs, onde as mensagens não podem ter mais de 140 caracteres, dicas e links de reportagens e vídeos eram enviados com frequência aos internautas. O Facebook, por sua vez, foi utilizado de forma inovadora para divulgar álbuns de fotografias do evento e vídeos produzidos por redes de televisão como o Canal R evista M angalarga | 79


Premiação contou com quatro motos, entregues pelas princesas da ExpoLondrina

Rural e o SBT do Paraná. Contando assim com o grande poder de disseminação de informações dessas novas mídias sociais, o cavalo Mangalarga pôde atingir e cativar um expressivo público durante a Exposição Brasileira, que é considerada a segunda mais importante mostra promovida pela ABCCRM.

Cavalgada da Rural

conseguiram se destacar, graças à tropa bem preparada e a toda aptidão típica da raça para os passeios equestres. Concentradas na região do monumento Marco Zero, caravanas de diversas cidades do Paraná e também de outros estados iniciaram o desfile pelas ruas de Londrina até o Parque de Exposições Ney Braga, anunciando a chegada da 51ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. “A cavalgada reúne tradição e inovação, duas qualidades que foram escolhidas para o tema desta edição da ExpoLondrina. A tradição consolida a exposição como um dos eventos mais importantes deste país e a inovação representa a dinamicidade do setor”,

A participação da raça na Expo Londrina 2011 começou, entretanto, bem antes da abertura oficial do evento. Na manhã do domingo 20 de março, o Núcleo Mangalarga do Norte do Paraná marcou presença na quarta edição da Cavalgada Paulo Ubiratan, promovida pela Sociedade Rural do Paraná para Mangalarguistas aguardam o início da Cavalgada da Rural anunciar a principal feira do agronegócio paranaense e também para reforçar a tradição e o vínculo de Londrina com a área rural. Apesar do grande número de participantes - 1745 conjuntos estiveram presentes ao desfile -, os mangalarguistas 80 | R evista M angalarga

explicou o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Gustavo Lopes. Segundo os organizadores, a cavalgada lembrou também o vínculo de Londrina com o campo e com as raízes rurais. Afinal, o desenvolvimento e a riqueza da região foram desencadeados quando o norte do Paraná era um importante ponto de passagem para os tropeiros que conduziam o gado do Sul para São Paulo. Depois de percorrer a cidade, o desfile terminou no Parque de Exposições, onde os participantes puderam desfrutar de um gostoso almoço com arroz tropeiro e Participantes da cavalgada curtiram um bom almoço


Vista geral da pista de julgamento

churrasco, ao som de muita música sertaneja.

Sucesso da ExpoLondrina Com o tema “O Show de Quem Produz”, a 51ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina – a Expo Londrina 2011 – realizada de 7 a 17 de abril, terminou superando todas as expectativas traçadas. O crescimento geral da feira foi de 73,7%, impulsionado pelo bom momento que o setor agropecuário passa. Segundo dados apurados pela organização, a movimentação econômica nos 11 dias de evento foi de R$ 337 milhões, valor significativamente maior que o registrado em 2010: R$ 194 milhões. O Banco do Brasil, por exemplo, encerrou sua participação na Exposição mereceu grande atenção da mídia

ExpoLondrina com R$ 100 milhões em propostas de financiamentos feitas pelos produtores rurais. Este volume equivale a um valor quase cinco vezes maior que o obtido no ano passado, quando R$ 22 milhões foram solicitados à instituição financeira. Agora, a expectativa do banco é que no pós-feira o total de pedidos de financiamento ultrapasse esse valor. Segundo o superintendente regional do BB em Londrina, Flávio Mazzaro, o bom momento pelo qual passam a agricultura e a pecuária fez com que os produtores buscassem financiamentos não só para aquisição de máquinas, implementos agrícolas e animais, mas também para melhorias na infraestrutura da propriedade com objetivo de aumentar a produtividade.

Outro forte setor da ExpoLondrina, a comercialização de animais em leilão, atingiu um total de R$ 20,5 milhões com a realização de 28 remates, que juntos venderam 8.181 animais. E o número de visitantes, que já era expressivo, também registrou um aumento de 8,04% ante 2010, atingindo 500,8 mil pessoas. Só no sábado 16 de abril, o público presente no Parque de Exposições atingiu 80,6 mil pessoas, um número recorde. Nos 11 dias da ExpoLondrina fo-ram realizados 11 espetáculos na Arena de Shows e Rodeios João Milanezs. Além disso, os três últimos dias do evento foram dedicados ao Rodeio Brahma Super Bull PBR. Este ano, uma das novidades realizadas foi o Rodeio Mirim, em que crianças com idade entre 4 e 12 anos montaram em ovelhas. Segundo os organizadores, os shows e rodeios atraíam um público de 123,8 mil pessoas. Além disso, 38 raças bovinas, equinas, ovinas, caprinas, bubalinas, suínas e asininas passaram pelo evento, fazendo com que mais de três mil animais passassem pelas pistas de julgamento da feira norte-paranaense. * com a colaboração da Assessoria de Imprensa da Sociedade Rural do Paraná.

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social – ExpoLondrina

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