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Primeiro, cientistas do CIP e do Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA) entraram no domínio do marketing social, numa tentativa de descobrir maneiras de promover a batata-doce junto da generalidade da população. Maria Isabel Andrade, de 50 anos, uma produtora de batata-doce e especialista em sementes do CIP, baseada no Maputo, assumiu para a campanha um título não oficial: cheerleader da batata-doce. Laranja tornou-se a cor da sua vida. Encomendou milhares de t-shirts e saias traçadas cor de laranja para brindes. Coordenou campanhas de publicidade em jornais e na rádio sobre a batata-doce de polpa laranja. Contratou um artista para pintar murais mostrando seres humanos com forma de batatadoce a trabalhar sorridentes nos campos. Pintou seu armário de arquivo cor de laranja. E até arranjou um Toyota Land Cruiser em brilhante cor de laranja. “Sabe, tem que se acreditar naquilo que se faz”, disse ela, à guisa de explicação. “É assim que as pessoas alinham connosco.” Os cientistas do CIP dedicaram-se também a documentar os benefícios da batata-doce para as crianças das famílias que estavam a fazer a cultura. Segundo um estudo conduzido por Jan Low, líder regional do CIP para a África Subsariana, baseado em Nairobi, os investigadores concluíram que, num período de dois anos, na província da Zambézia, na zona central de Moçambique, o esforço para educar os pais sobre os benefícios nutricionais desta cultura tinham dado bons resultados. A batata-doce tem não só betacaroteno, o precursor da vitamina A, mas é também uma boa fonte de vitamina C, manganês, cobre, fibra dietética, vitamina B6, potássio e ferro. As crianças que viviam em famílias a quem foram explicados os benefícios da batata-doce consumiam oito vezes mais vitamina A que as de

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Uma Paix ão para Lá do Normal . Moçambique

lares que não receberam esses ensinamentos. No final do estudo, a prevalência de crianças emaciadas e com peso inferior ao próprio da idade era substancialmente mais elevada no grupo que não tinha sido encorajado a consumir batata-doce — 6 por cento foram diagnosticadas como emaciadas, em comparação com 3 por cento no grupo educado, e 34 por cento estavam abaixo do peso para a idade, em comparação com 24 por cento no grupo que recebeu formação. Seguidamente, com uma doação da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, e do governo de Moçambique, o CIP e o IITA distribuíram 813 568 estacas de batata-doce para plantio, entre 2000 e 2007, a famílias por todo o país. Quase 500 hectares foram plantados para semente, resultando em 2,9 milhões de quilos de estacas. Utilizaram também as verbas para dar formação aos agricultores sobre os usos múltiplos da batata-doce, incluindo pão, farinha, biscoitos, batatas fritas, sobremesas e bolos. E há também quem coma as folhas. Na Padaria Aliança, do Maputo, os donos resolveram começar a cozer pão de batata-doce após uma especialista de extensão, Cheila Martins, os ter persuadido de que os clientes gostariam. Após vários projectos de pão de batata-doce nos distritos do planalto de Moçambique, Martins conseguiu convencer 10 padarias de vários pontos do país a alinharem também. Os padeiros da Aliança, tal como os outros, usaram polpa da batata-doce e não farinha pois, conforme Andrade lhes tinha explicado, a polpa contém mais vitamina A que a farinha processada da polpa alaranjada. “Este pão é mais uma opção para as pessoas daqui — e talvez uma opção mais barata dada a subida do preço da farinha de trigo”, disse Victor Miguel, um dos donos da padaria.

No primeiro dia, venderam-se 90 pãezinhos de batata-doce em poucos minutos. “O sabor é muito bom”, comentou o padeiro Elias Manhique, de 35 anos. “E é um pão muito prático. Nem precisa de juntar manteiga ou compota. Come-se assim mesmo, por ser tão bom.” Na aldeia de Boane, estes comentários são uma boa notícia. As padarias representam um outro mercado para as suas batatas-doces. A cooperativa local vai plantar 5 hectares de batata-doce em 2008, o dobro do ano anterior. A batata-doce, a par dos tomates de alta produção, das couves, pimentos e pepinos, ajudou a elevar o nível de vida dos membros da cooperativa. Continuam longe de ser ricos — nenhum deles possui automóvel — mas os seus horizontes alargaram. Em anos anteriores, só duas pessoas, de entre as famílias da cooperativa, faziam estudos universitários, mas agora há seis jovens adultos a prepararem-se para o ensino superior. Há um benefício directamente atribuível à batatadoce: ela tornou-se um elemento importante da dieta alimentar das crianças. “Estou a começar a dar batata-doce ao meu bebé”, contou Deolinda Charles, de 32 anos, que transportava, enrolado às costas, o seu bebé de quatro meses, Carlos. “Os investigadores disseram-me que o ajudará a crescer forte, que teria ali uma fonte de vitamina A. E isso dá-me uma grande satisfação.”

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How farmers and researchers are finding solutions to Africa's hunger.

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