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uma excelente fonte nutritiva para eles próprios, mas que pode também render um preço elevado no mercado se aprenderem a criar peixes de grande dimensão, através de alimentação adequada. Encontraram então um parceiro — World Vision, uma organização humanitária internacional — e definiram quem seriam os primeiros beneficiados: os afectados pela epidemia de SIDA, em particular as legiões de órfãos que dela resultaram. Os cientistas do WorldFish viram no programa uma nova forma de dar benefícios económicos e de saúde aos que sofrem de SIDA.

Mawila, estabeleceram uma quota de 300 kwachas (USD 2,25) e começaram a ajudar-se uns aos outros.

fazer carvão, o que provoca erosão e reduz o abastecimento de água.

É trabalho duro cavar as lagoas, que têm um metro de profundidade e ocupam uma área de cerca de 200 metros quadrados. Mas as pessoas aqui, como em outros lugares, juntaram-se para cavar uns para os outros.

“As pessoas compreendem agora como é importante conservar as florestas da montanha”, explica.

“Tínhamos 30 membros a cavar juntos e eles conseguiram abrir três lagoas em duas semanas”, recorda Kanyema, à porta de sua casa. “Trabalhamos desde manhã ao sol-pôr. As mulheres cozinham e os homens cavam.”

“A questão principal, para nós, era fornecer proteínas de alta qualidade às famílias”, explicou o Dr. Daniel Jamu, director regional do WorldFish para África Oriental e Meridional. “Mas era também importante conseguirmos aumentar a produção das lagoas, de modo a que ajudassem as famílias afectadas pelo VIH a ganhar dinheiro.”

A ajuda não termina aí. “Um dia, houve uma enorme chuvada. Uma das minhas lagoas ficou danificada”, recorda. “Quando as pessoas viram o meu problema vieram em grande número e todos juntos reparámos a lagoa.”

Os resultados positivos surgiram rapidamente: em cerca de três anos, em média, duplicou o rendimento de 1 200 famílias afectadas pelo VIH e pela SIDA no Malawi, além de ter aumentado consideravelmente o consumo de peixe e vegetais entre as pessoas das comunidades rurais.

Asan Chiunda, o chefe da aldeia que tem o seu nome, estava junto de uma das suas lagoas, que tinha acabado de esvaziar. Dois rapazes estavam a revolver a lama rica com as suas pás; mais tarde, levariam este solo rico em nutrientes para os campos de milho do chefe. Devido à fertilização e melhor irrigação, alguns agricultores estão agora a ter três colheitas de milho por ano, em vez de duas.

As famílias aumentaram o consumo de peixe fresco 150 por cento, elevando assim a ingestão de proteínas, cálcio, vitamina A e micronutrientes. Em 2005, o Banco Mundial citou o sucesso do programa, atribuindo-lhe um prémio Development Marketplace no valor de USD 20 000 por ter criado uma solução inovadora para problemas prementes, sociais e económicos. Em Chiunda, o projecto não só ajudou a dieta alimentar e os recursos das famílias, como também teve um papel importante em aproximar as pessoas. Os aldeões formaram o Clube de Aquacultores de

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Uma Paix ão para Lá do Normal . MALAWI

“A aldeia está a mudar por causa destas lagoas de peixes”, disse o chefe. “Agora as pessoas têm dinheiro. Têm comida que baste. Alguns até têm telhados novos de zinco!” Mas os aldeões sabem que têm que vigiar de perto as lagoas, em especial monitorizar a fonte da água, que vem das vizinhas montanhas de Zomba. Joseph Nagoli, um investigador analista sénior do WorldFish, disse que os aldeões estão agora a tentar que ninguém corte árvores para

Um outro problema é a vida dura que os aldeões têm de enfrentar. Kanyema, a antiga professora, estava a preparar, no dia seguinte, o funeral de uma mulher chamada Mariana, que morrera de uma doença relacionada com a SIDA na vizinha aldeia de Kapito. Kanyema relatou que a mulher, que não era casada, tinha deixado quatro órfãos. Todos eles se tinham vindo instalar em casa de um parente na aldeia de Chiunda. “Faremos o que pudermos por aquelas crianças”, disse ela. “Agora vamos ter que nos reunir e ver como podemos ajudar. Mas sabemos que os podemos ajudar — por causa dos peixes.”

Uma Paixao para la do Normal  

How farmers and researchers are finding solutions to Africa's hunger.

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