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Feijao-de-trepar

“Em toda a parte, todos os dias... feijão, feijão, feijão”

CYANIKA, Ruanda – Para um ruandês, uma refeição sem feijão não é realmente uma refeição. Um agricultor que não plante feijoeiros é visto como um tolo, até mesmo irresponsável – afinal, como há-de ele, ou ela, pôr feijão na mesa duas vezes ao dia? Os naturais deste pequeno país da África Central gostam tanto de feijão que consomem, em média, 60 quilos por ano – o mais elevado consumo de todo o mundo. Deste modo, quando um agente de extensão agrícola trouxe sementes de feijão-de-trepar de alta produtividade a esta comunidade montanhosa e intensamente cultivada, em 1996, os aldeões viram nele o portador de uma oferenda preciosa. “Antes disso, eu plantava feijão arbustivo e feijão-de-trepar”, disse Augustin Shiragahinda, de 51 anos, chefe de uma associação local de agricultores. “Mas, depois de aquele agente vir cá, passei só para feijão-de-trepar. Como não havia de o fazer, depois de ver as novas plantas e a quantidade de feijões que produziam?” O feijão-de-trepar teve a sua primeira grande oportunidade aqui em meados da década de 80. Desde então, os cientistas do Centro Internacional para a Agricultura Tropical (CIAT) têm ajudado muito a disseminar os feijões de estaca em 18 países de África. Em muitos locais, nem foi preciso grande promoção de vendas; o

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Uma Paix ão para Lá do Normal . Ruanda

produto falava por si só, produzindo três ou quatro vezes a colheita do feijão arbustivo. “Quando trazemos novas variedades de feijão-detrepar para um local, disse-nos um lavrador que é como se Deus nos tivesse enviado”, contou Robin Buruchara, um patologista de plantas e coordenador do CIAT para a África Subsariana. “É como nas cidades: quanto não se tem terra que chegue, constrói-se em altura. Quando não temos terra suficiente para o feijão, plantamos feijão-de-trepar.” Há mais de três décadas que o CGIAR procura modos de obter variedades de feijoeiro de mais elevada produtividade. O CIAT, um dos 15 Centros apoiados pelo grupo, não só introduziu feião-detrepar em África, como também fez pesquisas inovadoras para lutar contra a podridão radicular que afectou gravemente as culturas no Ruanda, na parte ocidental do Quénia e ainda noutros países. Outro Centro do CGIAR, o Centro Internacional de

Uma Paixao para la do Normal  

How farmers and researchers are finding solutions to Africa's hunger.

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