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Josephine Okot KAMPALA, Uganda — Josephine Okot tem conquistado os mais extraordinários desafios. O pai morreu quando tinha seis anos. Uma guerra civil rebentou perto da sua cidade natal no norte do Uganda quando tinha 19 anos — e não mais parou durante 20 anos. E, aos 37, lançou aqui uma empresa de sementes, lutando para abrir caminho numa indústria dominada pelos homens.

“O rosto delas diz tudo”

Mas, quatro anos depois de iniciar o negócio, viu-se perante um obstáculo que finalmente parecia esgotar as suas energias: o elevado custo dos empréstimos bancários. Sentada no seu pequeno escritório na Victoria Seeds Ltd., Okot disse que queria continuar a expandir a empresa — tinha já atingido um volume de negócios de 2 milhões de dólares — mas os bancos estavam a dar cabo do seu negócio. “Sabe qual é o juro que estão a cobrar?” pergunta. “22 a 24 porcento!” Além disso, acrescentou, os investidores em capital de risco querem 16 por cento dos seus lucros. Ainda assim Okot, 41 anos, não aceita derrota. Não faz parte do seu carácter. Significaria abandonar centenas de pessoas a quem muito estima. Mas representa enfrentar mais uma luta, numa lista que já vai longa. Nasceu em Gulu, a filha do meio entre sete. A mãe, professora, criou-os a todos sozinha. “Não era

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Uma Paix ão para Lá do Normal . UGANDA

assim muito estranho,” lembra Okot. “A maioria dos meus amigos não tinha pai — muitos haviam sido mortos por um regime brutal. Enquanto crescia, fui observando que as mulheres trabalhavam muito e que tudo era muito duro para elas. Se casam, todos os seus bens ficam a pertencer aos maridos. Na velhice, tudo é controlado pelos filhos homens.” Okot, solteira e sem filhos, diz que era uma “vida de injustiças.” Mas depois descobriu uma maneira de melhorar a vida: iniciar um negócio que desse aos agricultores mais vulneráveis algo que eles pudessem vender — sementes, o factor mais importante na agricultura. Através de formação e aconselhamento do Programa Género e Diversidade do CGIAR, ela criou a empresa e começou a ensinar aos pequenos proprietários agrícolas como gerir operações produtivas. A seguir, comprou-lhes sementes. Em meados de 2008, tinha 41 empregados a tempo inteiro e mais 39 em part-time (70 por cento dos quais mulheres) e comprava as sementes a cerca de 800 reprodutores (a grande maioria dos

Uma Paixao para la do Normal  

How farmers and researchers are finding solutions to Africa's hunger.

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