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primeira época. No Uganda, que introduziu NERICA em 2002, as novas variedades renderam 2,2 toneladas por hectare, em média, e alguns agricultores relataram mesmo ter obtido até 5 toneladas. Por toda a África, a média da colheita de arroz de planalto era, havia muito, de 1 tonelada por hectare. O Burkina Faso registou, em poucos anos, um aumento de 102 por cento nas colheitas de arroz, em resultado directo das novas variedades. E aqui na Nigéria, a produção de arroz aumentou todos os anos, desde a introdução das variedades NERICA. Em reconhecimento destes resultados, Jones, um cidadão da Serra Leoa, ganhou em 2004 o Prémio Mundial da Alimentação. Mas nem só os cientistas foram responsáveis pelo sucesso das novas variedades. As organizações nacionais de agricultura tinham que as aprovar. Os lavradores tinham de ser convencidos. “É um sistema evolutivo,” disse Mande Semon, um produtor de arroz do Centro do Arroz para África, baseado na Nigéria, que trabalhou com o Dr. Jones nas variedades NERICA. “Os programas nacionais são parte integrante do processo e os agricultores participam directamente na escolha das variedades que pretendem.” A aprovação das novas variedades chegou em boa altura. O consumo de arroz em África ultrapassou em muito a produção local, obrigando muitos países a importar arroz da Ásia. Mas esta procura tem um custo. O aumento das importações representa um aumento de custos, especialmente a partir da crise alimentar global de 2008, que fez subir em muito o preço do arroz.

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Uma Paix ão para Lá do Normal . Nigéria

A Nigéria, que tem vindo a aumentar o consumo do arroz 6 por cento ao ano, espera produzir o suficiente para as necessidades domésticas e deixar de importar arroz. Em 2006, importou 2 milhões de toneladas da Ásia, com um custo de USD 700 milhões. Olupomi Ajayi, coordenador da delegação do Centro na Nigéria, acredita que o país vai conseguir. Em primeiro lugar, a Nigéria tem suficiente terra arável e uma variedade de ecossistemas que permitem a cultura do arroz. E em segundo, ele tem esperança que o país permita em breve o cultivo de novas variedades NERICA para as terras baixas, o que irá aumentar a produção de arroz nos vastos vales do interior. Depois da aprovação dessas variedades, disse, “aí é que esperamos ver uma revolução”. Mas no estado de Ekiti, já está a decorrer uma mini-Revolução Verde. Um estudo de 2006 concluiu que quase 97 por cento dos produtores de arroz de Ekiti estavam a utilizar variedades NERICA, um número espantoso, dado que tinham sido introduzidas apenas três anos antes. Em Ogbese, dúzias de agricultores disseram que as novas variedades não só produziam maiores colheitas, mas que tinham uma protecção contra os pássaros, que frequentemente roubavam grande quantidade de grãos de outras variedades. A razão principal é que a “bandeira” NERICA — o caule mais alto da planta — vai até muito mais acima dos grãos do que em outras variedades, afastando os pássaros. Os agricultores acreditam que vêm aí melhores dias. A Cooperativa de Agricultores Anuoluwapo decidiu,

em 2008, investir 8 500 dólares no pagamento de entrada de um tractor; o governo federal contribuiu com USD 17 000, deixando os lavradores com um empréstimo de 17 000 dólares. Com um novo tractor, Sunday, o director da cooperativa, diz que o grupo espera poder plantar 200 hectares no próximo ano — mais do triplo da actual área de cultivo. Janet Olatunji, uma de três mulheres agricultoras da cooperativa, plantou um hectare de arroz em 2007. Daí, obteve um lucro de USD 1 200. O conjunto de todas as suas outras culturas rendeu metade desse valor. Em 2008, plantou três hectares e espera vir a semear muito mais no futuro. “Quando experimentei a primeira vez, estava céptica,” disse Olatunji, no meio do seu campo de arroz. “Mas depois, vi como Deus é grande. O arroz teve muito bons resultados. Acho que agora posso fazer ainda melhor. Talvez algum dia as coisas corram tão bem que eu venha a ter um Range Rover para dar a volta à minha quinta.” Ela e alguns dos outros agricultores riram. Mas eles sabem que na era de NERICA muitas coisas, até mesmo um Range Rover, se tornaram agora possíveis.

Uma Paixao para la do Normal  

How farmers and researchers are finding solutions to Africa's hunger.

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