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Variedades NERICA “Isto está a mudar as nossas vidas”

OGBESE, Nigéria — Os homens ceifavam com as catanas uma ilha de ervas altas. O suor manchava as suas camisas. No calor do meio-dia, a sua tarefa era simples: espantar os ratos.

Os ratos, que tinham encontrado abrigo seguro no capim, faziam raides nocturnos aos campos de arroz em redor, comendo os grãos. A tarefa era bastante desagradável — um trabalhador tinha inadvertidamente atingido um ninho de vespas e o resultado fora o previsível caos e dor — mas os homens tinham obviamente boas razões para proteger a colheita. Ali cresce uma variedade do Novo Arroz para África, designado por NERICA, desenvolvido e criado por cientistas no Centro do Arroz para África (WARDA). É uma das novas variedades de cultura a serem introduzidas em África com maior sucesso no último quarto de século, e os agricultores nesta região sudoeste da Nigéria pedem sempre mais. “Isto está a mudar as nossas vidas em muitos aspectos — como nos deslocamos, como nos vestimos, como aprendemos”, disse-nos Sunday Olajolumo, de 57 anos, director da Cooperativa de Agricultores Anuoluwapo, um grupo de 26 agricultores que plantaram 69 hectares da variedade NERICA em 2008, contra 30 hectares em 2007. “Devido a este novo arroz, pude comprar uma

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Uma Paix ão para Lá do Normal . Nigéria

motorizada, comprar roupa para a minha família e pagar as taxas escolares das crianças.” Cientistas do centro, liderados pelo produtor Monty Jones, começaram a cruzar o arroz asiático com o africano, no início da década de 90, desenvolvendo as variedades NERICA. O arroz africano, embora de baixa produtividade, tem várias virtudes: resistência às pragas, crescimento precoce, boa cobertura da terra para reduzir as ervas daninhas e uma boa tolerância à seca e à salinidade. O arroz asiático produz colheitas de espantar. Os investigadores começaram por criar variedades NERICA para os planaltos, que produziam colheitas muito mais elevadas que o arroz africano, mantinham a resistência às pragas e amadureciam em 150 a 170 dias. As variedades NERICA permitem aos agricultores vender as colheitas mais cedo (e muitas vezes a preços mais elevados) bem como plantar outra cultura de curta duração, como o feijão de soja ou batatas, após a colheita do arroz. Em 2001, os países africanos tinham já aprovado variedades NERICA para produção e os resultados positivos começaram a verificar-se logo a partir da

Uma Paixao para la do Normal  

How farmers and researchers are finding solutions to Africa's hunger.

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