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Mandioca: Quem matou? À procura de um meio para derrotar as pragas

OGOUKPATE, Benim – O velho parecia um duende. As pernas finas eram tão curtas que, sentado na cadeira, mal chegavam ao chão. Os olhos brilhavam. E quando sorria as pessoas sorriam também para ele. Mas quando lhe falaram nas pragas que haviam destruído as raízes de mandioca duas gerações atrás, ele franziu a cara com horror e agitou os braços à frente, como se estivesse a afastar um espírito maligno. Tinha sido muito mau. As origens do problema eram duas; a cochonilha e o ácaro verde da mandioca, que foram inadvertidamente trazidos para África como passageiros clandestinos de materiais para plantas vindos da América do Sul no princípio dos anos 70. Na década seguinte, as pragas espalharam-se por todo o vasto cinturão da mandioca no continente, estendendo-se da África Ocidental até à África Meridional. Nos princípios da década de 80, só a cochonilha estava a causar a perda de até 80 por cento das raízes e das folhas da planta, que são consumidas como legumes em muitos países. Para muitos dos 200 milhões de africanos que dependem da mandioca como produto base da sua alimentação, a infestação causou grande perturbação económica e arruinou as famílias pobres. Aqui, em Ogoukpate, as pessoas dependiam do mercado da mandioca para prover às suas necessidades básicas. Sem essa receita, os aldeões deitavam a mão qualquer trabalho que aparecesse.

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Uma Paix ão para Lá do Normal . BENIM

Cortaram as refeições. Uma sensação de temor invadiu as suas vidas. “As pequenas quantidades de mandioca que costumávamos ter para vender, pois agora, já nada tínhamos” contou Alphonse Ogoule-Okpe, o velho que andaria na casa dos 60. “Sofremos muito. Ah, tanto que nós sofremos.” Mas depois, primeiro por volta de meados da década de 80 e depois, de novo, uma década mais tarde, as plantas da mandioca ressurgiram. As raízes comestíveis tornaram-se mais fortes e os caules e folhas já não estavam cobertas por aquele pêlo esbranquiçado característico das infestações de cochonilha. Gradualmente, ao longo dos 15 a 20 anos seguintes, por toda a África, sucedeu-se o mesmo, centenas de milhares de vezes em aldeias como esta. Poucos sabiam por quê. Seria um acto de Deus? Um capricho da natureza?

Uma Paixao para la do Normal  

How farmers and researchers are finding solutions to Africa's hunger.

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