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Há uma lição na recolha para este livro: ponha de parte, por um minuto, as suas noções preconcebidas durante a formação universitária, no trabalho de campo, nas discussões no escritório. Agora, entre num campo de cultivo. Imagine que é um investigador. Que vai então fazer? Começar a fazer perguntas. A quem as fazer? Você faz perguntas a quem está no campo, ao agricultor. E talvez queira dirigir-se também à pessoa que anda a espantar os pássaros. Este livro é sobre isso. É sobre investigadores que foram brilhantes no laboratório e que, no campo se mostram abertos a novas ideias, e sobre agricultores brilhantes no campo e de mente aberta em relação aos investigadores que apareceram a oferecer ajuda. É um livro sobre “a vantagem de fazer caminho juntos”, como disse Leonardo. E que conta também como as boas práticas na agricultura não se instalaram facilmente e, em muitos casos, foram precedidas por decepção e insucesso. Era preciso trabalho árduo e empenho. Tinha que haver motivação e determinação. Era preciso, como dizia a empresária ugandesa de sementes, Josephine Okot, “uma paixão para lá do normal”. As dez histórias e quatro perfis neste livro — relatado a partir de nove países espraiados desde o Benim, na África Ocidental, ao Malawi, na África Meridional — correspondem a algumas das mais importantes realizações devidas a essas paixões, em mais de três décadas de trabalho do CGIAR.

As fotografias que acompanham a história ilustram esse trabalho — desde as salas fechadas dos laboratórios, aos grandes campos abertos e aos caóticos mercados. Mas este livro deve também ser lido com sentido crítico, especialmente em termos de impacto. Alguns dos projectos — o mais importante dos quais talvez seja o controlo das pragas e moléstias da mandioca — têm tido grande sucesso em todo o continente. Outros, no entanto, ajudaram os agricultores apenas em certas regiões ou países. Pensei muitas vezes sobre isto. Seria por o projecto estar apenas no início? Terá sido cortado por falta de financiamento? Ou foi falta de visão? As respostas terão uma importância crucial nos meses e anos vindouros. Nesta época de alta de preços alimentares e de maior pressão sobre os agricultores para aumentarem o seu rendimento, o CGIAR vai obviamente tentar encontrar novas maneiras de intensificar as suas melhores iniciativas, incluindo algumas que aqui são descritas.

Quénia a permitir o comércio de leite cru dos pequenos lavradores; e como pesquisadores arquitectaram novos mercados para a batata-doce de polpa alaranjada de Moçambique — incluindo o pão de batata-doce laranja (rico em Vitamina A). A propósito, o pão laranja era óptimo, todos o saboreámos. Esperamos que estas histórias alimentem os vossos pensamentos em meses e anos futuros.

John Donnelly Setembro de 2008

Em muitos aspectos, este pequeno livro demarca-se claramente da maioria das muitas e importantes publicações do CG, como todos lhe chamam. Não é um douto tratado; não traz notas de rodapé no fim das páginas. Este livro é sobre a vida real, situações reais e pessoas reais que estão a tentar fazer a diferença. Não é só sobre sucessos do passado, mas também sobre desafios, que iam surgindo ao longo do tempo em que ali estivemos. E é por isso que vai saber aqui como os investigadores ajudaram uma aldeia no Malawi a lidar com o número crescente de órfãos da SIDA; como investigadores persuadiram políticos no

Uma Paix ão para Lá do Normal . Introdução

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Uma Paixao para la do Normal  

How farmers and researchers are finding solutions to Africa's hunger.

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