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À comunidade rural de Matuba, Moçambique, chegaram investigadores apoiados pelo Grupo Consultivo para Pesquisa Agrícola Internacional (CGIAR), para inspeccionar um campo de ensaio. À sua espera estavam os representantes de uma empresa que queria investir muitas centenas de milhares de dólares no negócio das sementes. Os dois grupos fundiram-se naturalmente, rindo, partilhando histórias e depois falando sobre aquilo que os preocupava. Mas ao longe, na distância, por entre fileiras de trigo, uma segunda cena se estava a desenrolar, mansamente, quase invisivelmente. Várias pessoas pareciam caminhar de um lado para o outro sem destino por entre as leiras. Algumas assobiavam. Uma tocava uma campainha. A sua função, na realidade, era uma das menos atraentes tarefas da agricultura em África. Estavam a assustar os pássaros. Haverá quem diga que isso podia ser feito por espantalhos. Alguns dirão que contratar estas pessoas é um desperdício de dinheiro, mesmo com um salário de 2 dólares por dia. Mas aquela gente no campo nesse dia, todos eles africanos, não diriam isso. Cientistas e

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Uma Paix ão para Lá do Normal . Introdução

agricultores sabem que os espantalhos humanos desempenham um dos muitos papéis essenciais para que as colheitas atinjam a maturidade. “Se não fossem as pessoas para assustar os pássaros, eles estragariam a colheita e não se conseguiria cultivar o arroz, sorgo, trigo, cevada ou o milho painço”, explicou Wilson Leonardo, um cientista do Instituto Internacional de Investigação de Culturas para os Trópicos Semi-Áridos (ICRISAT). “Ao controlar os pássaros, elas acrescentam o valor do produto. A agricultura às vezes é complicada.” Complicado é por vezes, também, o relacionamento entre o investigador e o agricultor. Como dizia Leonardo, “Os agricultores contestam-nos sempre. Aprendemos coisas novas todos os dias.”

Uma Paixao para la do Normal  

How farmers and researchers are finding solutions to Africa's hunger.

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