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ANO V • N.º 19 • AGOSTO 2012 • TRIMESTRAL • DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

FUTEBOL FEMININO

FUTEBOL SÉNIOR

Agora na 2.ª divisão o objetivo é dignificar o nosso historial

Matilde Fidalgo Uma internacional que honra a camisola do Clube Futebol Benfica


Apoie o Clube Futebol Benfica Acompanhe as nossas equipas e fa莽a-se s贸cio

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EDITORIAL

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Sumário 3 Editorial 4 Homenagem Francisco Lázaro O homem que se transformou num mito 7 Homenagem Em corrida informal ou em competição, o atletismo prestou homenagem a Francisco Lázaro 8 Futebol Sénior Jantar de convívio e apresentação da equipa sénior para a época 2012/2013 10 Opinião de Domingos Estanislau 11 Futebol Feminino Matilde Fidalgo Uma internacional que dignifica o Clube Futebol Benfica 12 Hóquei Balanço da época de 2011/2012 14 Artes Marciais Karaté: A luta “de mãos vazias” no Clube Futebol Benfica

FICHA TÉCNICA JORNAL DO FÓFÓ N.º 19 - Agosto de 2012 Propriedade: Clube Futebol Benfica Rua Olivério Serpa - 1500-471 Lisboa Tel: 217 602 127 - Fax: 217 603 570 E-mail: geral@cfbenfica.net Diretor: Domingos Estanislau Editor, Conceção Gráfica, Maquetagem, Pré-Impressão e Impressão: Visão Rápida, Lda. Rua de S. Tomé, 60 - 2º C 1100-563 Lisboa Tel: 218 873 095 / 218 869 257 Fax: 218 866 217 E-mail: freguesias@sapo.pt Tiragem: 5.000 exemplares Depósito Legal: 185637/02

“Um museu p’ ró Futebol Benfica”

Várias são as personalidades que nestes últimos tempos têm passado pelas nossas instalações, o que muito nos honra e orgulha. De entre as várias necessidades que todos sabemos existirem, para além da remodelação do parque desportivo no seu todo, dizem-nos as pessoas que por aqui passam que o Clube tinha necessidade de um museu, tal é o espólio desportivo: vasta e valiosa documentação e uma miríade de taças e troféus, alguns com histórias fantásticas, que só poderiam ser evidenciadas se as condições o permitissem. Há histórias que vão perder-se na voragem do tempo: a deslocação a Bruxelas, em 1949, a história fantástica do stick de hóquei trazido de Espanha, a viagem a França em pleno maio de 68, e tantas, tantas outras que as memórias vão esquecendo. Como me disse uma vez no seu gabinete o Senhor Secretário de Estado Laurentino Dias, o Futebol Benfica deveria ser abrangido pelo Programa Especial para apoiar clubes que conseguiram sobreviver às duas Grandes Guerras mundiais – outro clube em situação semelhante foi, salvo erro ou omissão, o Sport do Porto – e ver reconhecido no presente a riqueza do seu passado. A forma como figuras gradas e gratas se referem ao Futebol Benfica, à sua história e do envolvimento que sempre manteve com a sociedade é positivo, sintomático e enche-nos de orgulho; mas não chega, pois apenas as boas intenções são manifestamente insuficientes para lançar os alicerces de um museu. O Futebol Benfica podia ser um ex-libris da Freguesia: o seu historial e os seus pergaminhos justificam plenamente tudo o que aqui está escrito. Nós temos história e memória e a importância de ambas são para preservar! A ideia do museu nasceu porque, como atrás se disse, uma série de acontecimentos trouxe ao Clube pessoas ilustres na área do desporto e são elas que nos manifestam o seu lamento pelo facto de um espólio desportivo tão importante estar espalhado por várias salas, que, obviamente, não são a forma mais correta de mostrar a dimensão da riqueza de tão importante e rico historial. Têm a palavra os responsáveis deste País. Domingos Estanislau Presidente da Direção www.cfbenfica.com


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HOMENAGEM

Francisco Lázaro O homem que se transformou num mito Aos vinte anos, iniciou a sua vida desportiva, no Clube Futebol Benfica. A primeira modalidade que praticou foi futebol. No entanto, apercebeu-se que tinha grande potencial para a corrida, pelo que começou a praticar estes dois desportos em simultâneo. Não tinha treinador nem programa de treino. Corria, diariamente, em horário pós laboral, entre São Sebastião e Benfica, “competindo “ com os elétricos e ganhava…

No centenário da estreia de Portugal nos Jogos Olímpicos de 1912, é imperioso recordar o atleta português mais mediático daquele acontecimento desportivo. O seu nome era Francisco Lázaro e defendeu as cores lusas na prova da maratona.

Casou no primeiro semestre do ano 1912 e a sua mulher encontrava-se grávida, quando Francisco partiu para os Jogos Olímpicos. A sua única filha, Francisca Lázaro, nasceu quatro meses após a sua morte.

O jovem operário Francisco Lázaro nasceu em 21 de janeiro de 1888, em Benfica. Era carpinteiro na oficina de carroçarias ”Ferreira e Viegas”, situada no Bairro Alto.

Como se faz um campeão Lázaro era um amante de desporto. Para a época, era um gosto incomum na sua classe social. Os sportsmen pertenciam às classes sociais mais abastadas.

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As vitórias nacionais Em 1908, venceu a primeira maratona portuguesa, na distância de 24 Km. Passados meses, venceu o Circuito de Linda-a Pastora. Em 1909, quer por lesão adquirida no futebol, quer por doença aguda, não participou em competições. Em 1910, ganhou a IV Maratona Nacional, na distância clássica de 42.800 m. Fez o percurso no tempo de 2h 57m 35s. O segundo classificado ficou a mais de quinze minutos. Em 1911, ganhou o primeiro cross-country português e a V Maratona Nacional. Em 1912, ganhou a VI Maratona Nacional com o tempo de 2h 52m 8s. O campeão olímpico de 1908, John Hayes, tinha gasto mais três minutos para cumprir a prova.


HOMENAGEM

A equipa olímpica Portugal estreou-se nas V Olimpíadas de Estocolmo, em 1912, com seis atletas (António Stromp, Armando Cortesão e Francisco Lázaro, no atletismo; António Pereira e Joaquim Vital, na luta greco-romana e Fernando Correia, na esgrima). Os atletas partiram a 26 de junho de 1912, do Cais das Colunas, no vapor Astúrias, da Mala Real Inglesa. A chegada a Estocolmo ocorreu no dia 1 de julho, depois de uma viagem atribulada de barco e comboio. Durante os Jogos Olímpicos a equipa portuguesa ficou instalada numa escola primária. Na cerimónia de abertura, ocorrida no dia 6 de julho, Francisco Lázaro era o porta-estandarte e exibia com orgulho e emoção a recém-criada bandeira nacional. A maratona fatal: “Ou ganho ou morro!” Devido aos tempos conseguidos nas maratonas portuguesas, Francisco Lázaro era a grande esperança nacional para a obtenção de um lugar no pódio. Na véspera da maratona foi submetido a uma inspeção médica, tendo sido apurado com classificação ”Bom”. A prova foi marcada para as 13h45. Estava um dia de sol sem nuvens e uma temperatura de 32º à sombra. Estas condições atmosféricas, invulgares para aquelas paragens, fizeram com que os médicos da

Os maratonistas ainda no estádio

prova solicitassem o seu adiamento para o final da tarde. Os júris recusaram o pedido. Devido a este facto, dos 98 inscritos partiram apenas 69.

A meio da prova, seguia em bom ritmo

A dificuldade da prova fez com que só chegassem à meta trinta e cinco maratonistas. Durante esta competição, seis atletas receberam tratamento médico. Segundo relatos da época, Lázaro partiu sem chapéu e com o corpo untado com sebo para não perder água com a transpiração.

Ao Km 25 bebeu água, sofregamente

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A velocidade da corrida estava alta (17 Km/h), pelo que ao 15.º Km o atleta português ia em 27.º lugar e ao 25.º Km ia na 18.ª posição. Segundo consta, no posto de apoio do 25.º Km estava bem, mas com muita sede, tendo bebido água sofregamente. Por volta do 30.º km, começou a cambalear, caindo e levantando-se várias vezes até tombar inconsciente. Foi socorrido de imediato por um médico da prova, que lhe aplicou gelo na cabeça. Seguidamente foi transportado para o hospital. A sua temperatura corporal era de 41,2º C e tinha convulsões. Os médicos tentaram hidratá-lo e baixarlhe a temperatura. Todos os esforços foram gorados. Francisco Lázaro morreu durante a madrugada do dia 15 de julho, com o diagnóstico de insolação. Alguns defendem que a morte do atleta se deveu a consumo de substâncias nocivas. No entanto, não há evidência de que tivesse consumido estricnina ou outra substância vulgarmente usada por atletas naquela época. Por outro lado, a chamada “emborcação” para melhoria do trabalho muscular, não era ingerida, mas sim aplicada na pele para massagens. Atualmente, o Dr. Pedro Branco (médico da Federação Portuguesa de Atletismo) considera que, de acordo com os relatos e com os conhecimentos médicos atuais, a hipótese de Encefalopatia Hiponatrémica é uma possível causa de morte.

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HOMENAGEM

O funeral No dia seguinte à sua morte, realizou-se um funeral provisório para uma igreja católica de Estocolmo. A Realeza Sueca, o Comité Olímpico Internacional, os atletas e o povo sueco demonstraram o seu pesar pela tragédia ocorrida. Cinco dias após a sua morte, realizou-se, no Estádio Olímpico de Estocolmo, um festival para homenagear o atleta falecido e angariar fundos para a família enlutada. Os restos mortais de Francisco Lázaro só chegaram a Portugal a 23 de setembro, devido a problemas na transladação do corpo motivados por deficiências económicas do Comité Olímpico de Portugal. O féretro chegou a Portugal transportado por um navio da armada sueca. Após o desembarque, ficou em câmara ardente no Arsenal da Marinha, em Lisboa. O cortejo fúnebre iniciou-se às 16h00 do dia seguinte e demorou quatro horas a chegar ao cemitério de Benfica. Milhares de pessoas participaram no cortejo. Os colegas de equipa transportaram, em ombros, o caixão de Francisco Lázaro até à sua última morada. Os seis atletas olímpicos começaram e finalizaram juntos a odisseia dos jogos de 1912.

Multidão acompanhou o funeral Foto de Joshua Benoliel

O centenário da morte Em Portugal, no centenário da morte do grande maratonista português, foram múltiplos os momentos evocativos deste trágico www.cfbenfica.com

acontecimento, nomeadamente: programas televisivos (RRV+, RTP e SIC Notícias); programas radiofónicos (RR); manifestações desportivas (“Memorial Francisco Lázaro”; ”Rota Francisco Lázaro“); cerimónia de homenagem pelo Comité Olímpico de Portugal; lançamento de livros (“Ou Ganho Ou Morro”, “Francisco Lázaro - O Homem da Maratona“); romagem

de saudade ao mausoléu do atleta no cemitério de Benfica e tertúlia organizada pela Secretaria de Estado do Desporto e Juventude. A corrida “Memorial Francisco Lázaro“ foi tornada oficial, pelo que passará a ser realizada anualmente, no aniversário da morte do atleta, com a colaboração do Clube Futebol Benfica, Comité Olímpico de Portugal e Xistarca.

Familiares do atleta marcaram presença nos momentos evocativos realizados em território nacional. Na Suécia, no dia 14 de julho, reproduziu-se a maratona de 1912, com a participação de 10.000 atletas, dos quais cerca de sessenta eram portugueses. Fez-se então, uma cerimónia evocativa da morte de Francisco Lázaro, com a participação de individualidades suecas e portuguesas entre as quais o Secretário de Estado do Desporto e Juventude (Dr. Alexandre Miguel Mestre). Nesta cerimónia foi dado a conhecer um trabalho escultórico em bronze, executado por um artista plástico português. Em memória Um homem simples teve um dia o

sonho de ser um grande campeão. Fez da vida um desafio e correu sem parar …. No fim transformouse num mito. Laurinda Leitão (Familiar de Francisco Lázaro) Fotografias: http://anavedobomgosto.blogspot.se


HOMENAGEM

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Em corrida informal ou em competição, o atletismo prestou homenagem a Francisco Lázaro

Fotografias: JoaoLima.net

Depois de no dia anterior se ter realizado uma corrida informal, de participação livre, onde se percorreu a rota que Francisco Lázaro fazia, desde o Mercado de Benfica até à rua que tem hoje o seu nome, na freguesia dos Anjos, passando pela Travessa dos Fiéis de Deus, no Bairro Alto, local da oficina onde trabalhava, no dia 15 teve lugar uma prova “à séria”, denominada “Memorial Francisco Lázaro”. Organizada pela Associação de Atletismo de Lisboa, em colaboração com a Xistarca, empresa especializada em eventos desportivos, essa prova teve a extensão aproximada de 10 mil metros, na qual puderam competir atletas

federados ou não, sem distinção de sexo ou nacionalidade, desde que tivessem idade superior a 18 anos. Entre o local de partida situado em frente ao campo de jogos do Clube Futebol Benfica e o da chegada, no interior do mesmo, foi um cons-

tante sobe e desce, especialmente em toda a ciclovia de Benfica, a que se juntou um abrasador calor de verão para tornar ainda mais difícil a tarefa dos concorrentes. Pena foi que a adesão não tivesse a grandiosidade que o evento merecia, mas, apesar de tudo, cortaram a meta 371 atletas, sendo que destes apenas 72 não pertenciam ao escalão de veteranos. Quanto às classificações, de realçar a vitória de Fábio Oliveira, em masculinos, com 33 m e 32 s, e da veterana Lucília Soares, que gastou apenas mais 7m e 17 s. Por equipas, no setor masculino, a representante do Clube Futebol Benfica obteve o 2.º lugar. Esta prova passou a fazer parte do calendário nacional, pelo que todos os anos será realizada.

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FUTEBOL SENIOR

Jantar de convívio e apresentação da equipa sénior para a época 2012/2013 Teve lugar no passado dia 23, no restaurante Jockey, no Hipódromo do Campo Gande, o jantar convívio da equipa sénior que este ano irá disputar o campeonato nacional de II divisão. Com um plantel de 23 jogadores, composto na sua maioria por elementos que transitam da época anterior, este encontro teve como objetivo principal enquadrar no espírito do Clube as novas aquisições Luís Vaz, ex-Pero Pi-

nheiro; Fábio Paim, ex-1.º de Agosto (Angola); Alcides, ex-Real; Naldo, ex-Montijo; Rui Miguel, ex-1.º de Dezembro; Fábio Monteiro, ex-Sintrense, e o regressado Mustafá, ex-Torreense.

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Como em equipa que ganha não se mexe, Pedro Barroca continua a ser o treinador principal, sendo a restante equipa técnica constituída pelo adjunto Vasco Vigário e pelo treinador de guarda-redes Paulo Silva. Em relação ao posto médico, Toni continua a ser o responsável, estando todos estes elementos subordinados ao Departamento de Futebol, composto pela tríade Vitor Brito, Pedro Santos e António Macedo. O jantar decorreu em ambiente calmo e descontraído, tendo na parte final sido apresentado o vídeo “We are the champions” e também o projeto do novo site do Clube, elaborado pela empresa Visão Rápida, Lda., instrumento indispensável para, através das novas tecnologias, reunir num mesmo espaço todas as atividades em que o mesmo está envolvido e também a sua componente de intervenção cívica, firmada através de proto-

colos com diversas entidades que possibilitam que cidadãos aqui se possam reabilitar ou cumpram penas a que foram condenados pres-

tando serviço comunitário. Depois de jogadores, dirigentes e treinadores terem sido apresentados individualmente, o presidente da Direção do Clube Futebol Benfica tomou a palavra para, em


FUTEBOL SENIOR

linguagem simples, fluente e habituada a estas ocasiões, começar por recordar que este é um clube diferente, podendo ser até considerado um dos mais importantes da cidade de Lisboa, já que tem no seu palmarés a conquista de seis títulos nacionais em outras tantas modalidades.

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Equipa para a época 2012/2013

Em baixo: Paim, Vivaldo, Martinho, Vitor Brito (Departamento de Futebol), Domingos Estanislau (Presidente), Pedro Silva (Departamento de Futebol), Mustafá, Rui Miguel, Diogo Calheiros. “Por isso, a camisola pesa e não é qualquer um que a enverga. Para o fazer há que merecê-la e para isso contamos com a preciosa colaboração do nosso treinador, que embora nos refira os reforços necessários em termos desportivos, tem sempre em conta esta componente”, relembrou Domingos Estanislau. Na parte final do seu discurso, depois de recordar alguns acontecimentos que reforçam a importância do FóFó e as dezenas de

No meio: Gerson, Felisberto, Vasco (treinador-adjunto) Barroca (treinador principal), Paulo Silva (treinador de guarda-redes), Justino, Zé Mário, Óscar (assessor de imprensa) e Toni (massagista). Em cima: Naia, Formiga, Nuno Diogo, Baldé, Barbosa, André, Hugo, Alcides e Fábio. Jogadores não presentes: Batista, Frutuoso, Lamas, Naldo, Pina, See Wong e Seo Min Wood

mensagens de adeptos que chegam de lugares longínquos através do Facebook, fez questão de quebrar a regra que é a importância da equipa no seu todo para salientar a aquisição do jogador Fábio Paim, um nome consagrado do futebol, internacional em todas as categorias, e do que o Clube pode representar para o relançamento da sua carreira: ”esperamos muito dele e

em nós terá sempre um grupo que o apoiará”. O presidente terminou o seu discurso em jeito de brincadeira (que era ao mesmo tempo um desafio), dizendo que “como todos os jogos são para ganhar – e todos trabalhamos para isso – podemos sonhar, mas subir outra vez de divisão era capaz de me criar mais cabelos brancos…”

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10 OPINIÃO

Acabar com a III divisão nacional é um crime e uma ofensa ao futebol amador

Domingos Estanislau O futebol tem uma estrutura própria. É como um prédio, ou seja, não é possível construí-lo sem que se façam primeiro os caboucos para o suportar. É por isso importante que se tenha em atenção toda a nomenclatura do futebol nacional, que se estende dos campeonatos regionais ao campeonato da I Liga. O fomento, a divulgação, os agentes que mais tarde dão corpo e alma ao futebol profissional, jogadores, treinadores, dirigentes e árbitros que hoje militam no futebol profissional iniciaram-se, muitos

deles, no futebol amador. A radiografia do futebol português profissional está espelhada com alguns elementos que colhi e que me parecem importantes para uma análise cuidada sobre as consequências de uma malfadada decisão em tempos tomada para extinguir a III divisão nacional. De tantos exemplos que nós ouvimos tantas vezes apregoar, que de seguida copiamos, não conheço nenhum que se equipare a esta perfeita idiotice que é pôr termo a um campeonato que leva o futebol a todos os cantos do País. Vejamos: - Árbitros: todos eles se iniciam no futebol amador; - Jogadores: 418 inscritos, sendo 184 portugueses e 234 estrangeiros. Entre os portugueses, 85 são originários do futebol amador, o que corresponde, sensivelmente, a 43%, sendo os restantes 57% originários do futebol profissional; - Treinadores: 9 dos treinadores que treinam equipas da I Liga iniciaram a sua carreira no futebol amador; - Nacionalidades: 46 nacionali-

dades estão representadas no principal campeonato português; - Clubes: 69 clubes cessaram a sua atividade na época transata; Aspetos económicos: 24.752.544,25 euros foram os custos totais da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) com a organização da atividade desportiva em 2011, sendo que apenas 1.505.688,76 euros foram referentes à organização do campeonato nacional da III divisão, o que representa apenas 6% dos custos totais das provas organizadas pela FPF. Podemos ainda ir mais longe e compararmos outros números: 7.448.840,01 euros de custos administrativos e 4.857.421,35 euros de outros custos. Estes números indicam-nos uma percentagem com a III divisão na ordem dos 4,1%. Conclui-se, portanto, que acabar com a III divisão não é mais nem menos que uma obsessão louca e desprovida de qualquer justificação. Nota final: estes dados constam do Relatório e Contas da FPF.

Visite o novo site do Clube Futebol Benfica: www.cfbenfica.com

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FUTEBOL FEMININO

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Matilde Fidalgo, uma internacional que honra a camisola do Clube Futebol Benfica está repleto de jogadoras talentosas, com qualidade para conquistar um título. Falta, de facto, alguma maturidade que pode ser explicada pela reduzida idade das jogadoras

Passar do futebol “a brincar” para uma equipa com o historial do Clube Futebol Benfica e daí para a seleção nacional de sub-19 – sendo internacional com apenas 16 anos –, não está ao alcance de muitos atletas. Como explicas esta evolução? - Bem, embora não jogasse numa equipa a nível nacional, como é o caso do Clube Futebol Benfica, desde pequena joguei com os rapazes, o que me obrigou sempre a ser extremamente esforçada para conseguir acompanhá-los. A necessidade de trabalhar aumentou ao longo dos anos, uma vez que não só me federei com eles, entrando, desta forma, num campeonato mais exigente, mas especialmente porque, sendo rapazes, eles se tornaram fisicamente mais capazes que eu. Embora este acontecimento tenha dificultado a minha “carreira” na altura, ajudou a tornar-me numa pessoa muito trabalhadora, característica à qual atribuo grande parte do meu atual sucesso. Face à juventude da equipa e ao trabalho desenvolvido, achas que o nosso Clube tem condições para, a curto prazo, vencer o campeonato nacional? - Acredito que o Futebol Benfica

e também pela falta de experiência em competições desta magnitude. Contudo, acredito que tanto a maturidade como a experiência irão ser adquiridas com alguma brevidade, afastando definitivamente a impossibilidade de conseguir um título. Uma atleta com o teu valor tem maiores ambições e horizontes mais rasgados. Os nossos adeptos vão continuar a ver-te evoluir aqui ou o futuro próximo passa por outras latitudes e novos desafios? - Ambiciono de facto crescer muito enquanto atleta. Embora não possa falar por experiência própria, sei que o futebol feminino em Portugal tem crescido muito, aliás o apuramento da seleção sub-19 na fase final do Europeu confirma isso mesmo; contudo ainda está longe de estar tão evoluído como em al-

guns países estrangeiros. Por esse motivo contemplo a possibilidade de um dia ir para o estrangeiro. Voltando ao campeonato europeu realizado na Turquia, eram só mais uns minutos e… tudo podia ter acontecido. Como é que a equipa reagiu ao facto de Portugal ter “morrido na praia”? - Uma derrota é sempre frustrante, mas todas temos noção do enorme impulso que proporcionámos ao futebol feminino e, assim sendo, encarámos a derrota como algo inevitável no percurso de qualquer equipa, não nos desmotivando, pois temos noção que o futuro das futebol feminino português é risonho. Para a Matilde Fidalgo chegar a internacional A é uma ambição ou uma meta já ali “ao virar da esquina”? - A essa pergunta não me cabe a mim responder. Direi apenas que é um objetivo do qual não desistirei até o ver cumprido. Para terminar, queres deixar alguma mensagem especial para os nossos adeptos e também para todas as raparigas que queiram praticar a modalidade de que és um símbolo neste Clube? - Já que me está a ser dada a oportunidade... deixo aqui um incentivo a todas as raparigas que desejam iniciar esta modalidade e um agradecimento aos adeptos do Futebol Benfica que, juntamente com a restante equipa, me receberam maravilhosamente e continuam a tornar a minha estadia neste clube extremamente agradável. Aníbal Santos www.cfbenfica.com


12 HOQUEI

Hóquei em Campo Balanço da época de 2011/2012

Antes de, em setembro, começar a nova época, é importante fazer um balanço do que foi a época transata, refletir sobre o futuro e traçar os objetivos que se poderão alcançar. No total geral de todos os escalões, o Clube Futebol Benfica utilizou 72 atletas e disputou 103 jogos. Apesar de não haver informações disponíveis referentes a épocas anteriores, certamente que esta deverá ter sido aquela em que mais atletas estiveram em atividade e que mais jogos realizou. Em jeito de balanço, a Direção e os respetivos seccionistas consideram que, em termos gerais, a época foi positiva, com um conjunto de resultados que poderá ser considerado bom, mas que ainda poderia ser melhor face às exibições que produzimos e muitas vezes não tiveram expressão no marcador. Isso leva-nos a trabalhar cada vez mais, esperando que no futuro ambas possam estar mais equilibradas, subindo um pouco mais a fasquia e chegar – porque não? – ao título nacional. www.cfbenfica.com

Seniores Hóquei de Sala Vencemos a fase zonal de Lisboa, sem derrotas e fomos apurados para o Campeonato Nacional, onde alcançámos o 3.º lugar, em igualdade de pontuação com o AA Espinho. Hóquei em Campo Taça de Portugal: de vitória em vitória, chegámos aos quartos de final, tendo aí sido eliminados pelo AD Lousada. Campeonato Nacional: classificados em 4.º lugar na fase regular, fomos apurados para o play-off onde nos quedámos pelo 3.º lugar, em igualdade com o CFU Lamas. Torneio Internacional do Jamor: obtivemos o 2.º lugar, depois de termos sido derrotados pelo UEA Falcons do Dubai nas grandes penalidades. Neste escalão, disputámos em toda a época, entre sala e campo, 29 jogos, utilizámos 25 atletas, dos quais é justo destacar o João Nuno, o Cabé e o Diogo Sequeira, que fizeram 28, 27 e 26 jogos, respetiva-

mente. Em termos de golos, marcámos por 104 vezes, sendo o Diogo Sequeira, o Ricardo Fernandes e o Tiago Arnauth os de stick’s mais afinados, com 29, 23 e 17 golos. Nunca é de mais salientar que estes resultados só foram possíveis através do trabalho desenvolvido nos 78 treinos realizados, com o Chano, o Tiago Arnauth e o Tiago Costa a serem os mais assíduos. Veteranos Participámos apenas em duas etapas: na 3.ª, em Lisboa – Casa Pia, na qual ficámos em 3.º lugar entre cinco equipas; e na 5.ª, em Lisboa – Jamor, onde obtivemos o 2.º lugar entre igual número de equipas. No conjunto, utilizámos 18 atletas e fizemos nove jogos.

Formação Em parceria com o CED Jacob Rodrigues da Casa Pia participámos em todos escalões (Sub-12, Sub-14 e Sub-16 femininos), para além de também termos estado presentes em diversas iniciativas no âmbito do desporto escolar. Estivemos presentes no Dia do Hóquei, no ENNA de Sala, no ENNA Escolas e no ENNA de Campo com todos os escalões. Inscrevemos 29 atletas na Federação Portuguesa de Hóquei, que disputaram 65 encontros, entre jogos oficiais e de treino.


HOQUEI

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tribuídas algumas lembranças a atletas e dirigentes. No dia 21 do mesmo mês, realizou-se um outro jantar, desta vez comemorativo dos 70 anos do 1.º Campeonato Nacional de Hóquei em Campo conquistado pelo nosso Clube. Vencemos ainda um torneio Rumo ao ENNA, no escalão Sub-14/16 e nos ENNA’s de Sala e Campo, no escalão de Sub-14, fomos a melhor equipa de Lisboa na classificação geral. Convívio de final de época No dia 16 de junho, nas nossas instalações, teve lugar um jantar/ convívio durante o qual foram dis-

Rui Graça leva a seleção nacional ao título europeu de sub-21, escalão III

Disputado no complexo desportivo do Jamor, entre os dias 17 e 22 de

julho, o Campeonato Europeu de Hóquei em Campo (EuroHockey),

na categoria júnior (sub-21), teve Portugal como vencedor. Isto só vem mostrar que a nossa seleção tem grandes atletas que, quando bem orientados e com condições mínimas de trabalho, podem sonhar com títulos internacionais. Aliás, a superioridade de Portugal foi grande, com vitórias expressivas sobre a Grécia (5-1), Azerbaijão (5-0), Chipre (11-0), Turquia (10-1) e Gibraltar (5-3). Parabéns à Seleção Nacional e, em especial, ao seu treinador Rui Graça, atleta sénior do Clube Futebol Benfica.

SOMOS O CLUBE DO SEU BAIRRO

Venha até nós! Pratique uma modalidade e/ou apoie as nossas equipas! www.cfbenfica.com


14 ARTES MARCIAIS

Karaté: A luta “de mãos vazias” no Clube Futebol Benfica O karaté é uma arte marcial japonesa originária de Okinawa, introduzida nas principais ilhas do arquipélago japonês em 1922, e que traduzido significa “de mãos vazias”. É uma arte que valoriza as técnicas de ataque mais do que as lutas corpo-a-corpo e cuja prática se divide em três partes essenciais: Kihon, Kumite e Kata. Kihon refere-se ao estudo dos movimentos básicos; Kumite significa luta, que pode ser livre ou definida, e Kata, ou forma, é a luta contra um inimigo imaginário expressa em sequências de movimentos. Remontando às suas origens, o karaté resulta da fusão entre uma arte de luta chinesa levada até Okinawa por mercadores e marinheir-

os da província de Fujian com uma arte própria de Okinawa. Os nativos de Okinawa davam a este estilo o nome “te”, que significa mão, pelo que os estilos mais antigos de karaté de Okinawa são o Shuri-te, Naha-te e Tomari-te, de acordo com os nomes das três cidades em que foram criados. Em 1820, Sokon Matsumura fundiu os três estilos e deu o nome de shaolin (em chinês) ou shorin (em japonês). Entretanto, os próprios estudantes de Matsumura criaram novos estilos, adicionando ou subtraindo técnicas ao estilo original. Gichin Funakoshi, um estudante de um dos discípulos de Matsumura, foi a pessoa que introduziu e popularizou o karaté nas ilhas

principais do arquipélago japonês. Posteriormente, o estilo de Funakoshi foi chamado por outros de shotokan. Funakoshi foi o responsável pela mudança na forma de escrever o nome desta arte marcial de modo a que karaté fosse aceite pela organização de Dai Nippon Butokai. Numa época de ascensão do nacionalismo japonês, era muito importante fazer com que o karaté não parecesse uma arte de origem estrangeira, como a sua grafia indicava. O karaté foi popularizado no Japão e introduzido nas escolas secundárias antes da Segunda Guerra Mundial e, à semelhança de muitas outras artes marciais, fez a sua transição para o karaté-do (o sufixo significa caminho) no início do século XX. Adotado na moderna cultura japonesa, o karaté contém elementos do budismo, sendo muitas vezes apelidado de “zen em movimento”; as aulas começam com momentos de meditação e nelas treinam-se os princípios de autocontrolo, rigor, atenção, força e velocidade. No Clube de Futebol Benfica, as aulas de karaté têm lugar duas vezes por semana: terça e quinta-feira, das 18h00 às 20h00. Inscreva já o seu filho! Vai ver que vale a pena! Cláudia Martins

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CLUBE FUTEBOL BENFICA As sociedades modernas trouxeram mais qualidade de vida às populações, mas também outro tipo de doenças e de preocupações. O stress, as doenças cardiovasculares, a obesidade, a diabetes, entre outras, são doenças que hoje afetam grande parte da população. Recomendam os médicos a prática de exercício físico regular e controlado como forma de cada um se manter saudável. O CLUBE FUTEBOL BENFICA oferece-lhe condições vantajosas para praticar desporto, com um nível de preços ao alcance de qualquer bolsa.

ATIVIDADES 2012/2013

Campismo

Capoeira

Canicultura

Futebol Sénior

Ginástica

Hoquei de Sala

Krav Maga

Escolas de Futebol

Futebol Feminino

Hoquei em Campo

Tai Chi Ki Kung

Karaté

Yoga

Condições de inscrição

- A inscrição para a prática de qualquer modalidade é de 25,00 euros. - No ato da inscrição é liquidado o mês respetivo e o de julho, sendo em janeiro o de junho. - É necessário a apresentação de um atestado médico comprovativo de que pode praticar a modalidade. - Para praticar qualquer modalidade é necessário ser sócio do Clube, devendo ser entregue uma fotografia, tipo passe, com a respetiva proposta.

HORÁRIOS Modalidades

2ª feira

Escolas Futebol

3ª feira

4ª feira

17h00/18h30

5ª feira

6ª feira

17h00/18h30

Mensalidade 25,00 euros

Ginástica infantil (*)

18h00/19h00

18h00/19h00

20,00 euros

Ginástica adultos (*)

19h00/20h00

19h00/20h00

20,00 euros

Karaté

18h00/19h00

Yoga

18h00/19h00 20h00/21h00

Krav Maga

20h00/21h00

20h00/21h00

Capoeira

19h00/20h00

19h00/20h00

Tai Chi Ki Kung

10h00/11h00

23,00 euros 19h00/20h00

20,00 euros 25,00 euros

19h00/20h00 10h00/11h00

20,00 euros 7,00 euros

(*) Iniciação, Acrobática e Manutenção

INSCRIÇÕES ABERTAS www.cfbenfica.com



Jornal do Fófó N.º 19