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Faculdade Pernambucana de Saúde | Jornal Oficial do Diretório Acadêmico Fernando Figueira | Ano III, 3ª edição | Distribuição Gratuita

Ligas Acadêmicas

Afinal, por que não há na FPS? Cineclube:

Além do assistir, uma mudança cultural. pág. 4

Henrik Ibsen:

O bater de porta que acordou o mundo.. pág. 5

Suicídio pág. 4

Sexualidade e Orgasmo Feminino pág. 6


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Jornal Oficial do Diretório Acadêmico Fernando Figueira

O

principal objetivo da gestão DAFF 2010 e principalmente da Diretoria de Imprensa Acadêmica e Comunicação (DIA) é o aprimoramento das vias da comunicação do Diretório Acadêmico Fernando Figueira. Comunicação não apenas com o intuito de divulgar projetos da gestão, cursos como o de ‘ECG’ ou ‘Epi-INFO’, Simpósios como o ‘Simpósio de Imagens’, ‘Calourada’, ‘Trilhas’, ‘Folhetim’, entre outros, incluindo este jornal que você lê neste momento, mas também com o objetivo de ser mais profícuo e acessível, não só aos alunos, e sim a todos os interessados. A criação de um jornal pode ser em alguns momentos um trabalho complicado tendo em vista principalmente o pouco número de membros da diretoria e limitações financeiras. Então, é por isso que agradecemos a todos, entre patrocinadores e colegas que ajudaram na realização deste trabalho, que durante meses foi principal foco da nossa diretoria. Procuramos escrever matérias, que são assinadas coletivamente em nome do Diretório, com um cunho científico ou que abrangem temas “polêmicos”, além de culturais, para que os leitores não apenas tenham acesso a meras palavras organizadas em frases, e sim que essas palavras possam ter a capacidade de pelo menos “cutucar” a mente de alguns.

Diretoria de Imprensa Acadêmica e Comunicação (DIA),

Rodrigo Marques Gabriela Baldasso Márcio Lobo

Projeto Gráfico:

Tiragem: 2000 mil exemplares no Papel Offset 90g

Ligas Acadêmicas

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tema “ligas acadêmicas” causa diversos questionamentos por parte dos alunos da FPS, especialmente àqueles que passaram por alguns módulos básicos de clínica, tais quais os estudantes que concluíram o 2º ano do currículo da faculdade. As maiores dúvidas desses alunos são focadas nas razões pelas quais não existem ligas acadêmicas em nossa faculdade, uma vez que várias instituições de ensino médico do nosso país contam com dezenas congregações deste tipo. Antes de adentrar no problema focalizado na FPS, porém, é deveras importante esclarecermos algumas definições, entraves e soluções relacionadas às ligas acadêmicas de uma maneira genérica e com isso, de certa forma, explicitar por que elas são tão populares no ensino médico brasileiro.

OS 3 EIXOS BÁSICOS DE UMA LIGA ACADÊMICA Uma liga acadêmica é uma entidade sem fins lucrativos formada pela reunião extracurricular dos estudantes de saúde e dos docentes de uma determinada instituição, ambos com interesse em comum em abordar um determinado tema médico sob 3 eixos: ensino, pesquisa e extensão. As atividades de ensino de uma liga são focadas no desenvolvimento técnico-científico dos participantes. Sob ponto de vista prático, isso significa que o grupo deve realizar reuniões periódicas para discussões teóricas ou para

aperfeiçoamento técnico de tópicos ligados à temática da liga. Além disso, a liga acadêmica deve promover cursos e simpósios com vista a desenvolver o conhecimento dos alunos dos cursos de saúde da instituição a qual ela faz parte. O outro alicerce das ligas acadêmicas, a pesquisa, consiste na interpretação crítica e na produção de trabalhos científicos relacionados à temática abordada pelo grupo. Neste contexto, os membros da liga ficariam designados por desenvolverem seu senso crítico e aprofundar o estudo da metodologia científica, além de desenvolverem trabalhos científicos para publicação em periódicos e apresentação em congressos. Um exemplo prático é o da Liga de Clínica Médica da UNIFESP que em apenas 3 anos já publicou mais de 25 trabalhos científicos em periódicos nacionais e internacionais. A extensão, por sua vez, é a assistência à saúde coletiva. Em outras palavras, isso quer dizer que o tema formador da liga necessita ter impacto na comunidade. Isso significa que não é preciso apenas aplicação prática dos conceitos apreendidos nas reuniões periódicas acadêmicas do grupo, mas sim a união de uma prática em saúde com assistência social à população local. Como exemplo, a primeira liga acadêmica do Brasil, a Liga de Combate à Sífilis (LCS) da FMUSP, fundada em 1924, divulgaria um relatório na década de 40 no qual constava que os membros da liga haviam realizado assistência profilática e curativa a 25.536 pacientes de lues em 20 anos de existência da

LCS-USP.

CRÍTICAS

Apesar desse modelo aparentemente 100% eficaz e benéfico ao aprendizado médico, as ligas acadêmicas enfrentam críticas quanto à sua aplicação. Uma das críticas clama que as ligas seriam “tapa-buracos” para deficiências na formação curricular de uma determinada faculdade. Todavia, as ligas não podem ter este foco, uma vez que são extracurriculares por definição. O objetivo delas, portanto, é ser um adendo ao currículo e nunca seu substituto. Logo, se há algum déficit ou ausência na formação acadêmica de alguma faculdade, este deve ser tratado diretamente com a direção acadêmica da instituição de ensino e nunca sanado com a formação de ligas. Outro ponto bastante citado pelos críticos, é que as ligas formariam especialistas já na graduação. Este, infelizmente, é um problema que ocorre bastante no nosso país, uma vez que há universidades brasileiras com quase 150 ligas acadêmicas! Todavia, este entrave pode ser combatido de 2 formas: 1- Com a criação ligas acadêmicas multidisciplinares, por exemplo, Liga de Diabetes & Hipertensão, Liga do Câncer, Liga de Clínica Médica etc. 2- Com o estabelecimento de um edital rigoroso para criação de ligas acadêmicas, o qual elencaria critérios básicos para o surgimento de ligas ou até mesmo poderia de-


Jornal Oficial do Diretório Acadêmico Fernando Figueira terminar a formulação de um conselho avaliador das propostas para formação de novas ligas. Uma terceira crítica proferida às ligas envolve a vinculação destas com empresas farmacêuticas a fim de angariar fundos para realização de suas atividades acadêmicas. A falta de verba, de fato, é um problema comum das ligas e, naturalmente, elas tendem a buscar meios para viabilizar a manutenção de seus trabalhos. Por conta disso, alguns grupos realmente se associam com empresas farmacêuticas, porém, este é um assunto deveras controverso: se estas vinculações são maléficas ou benéficas às ligas, isto na verdade depende de como esses patrocínios foram acordados. Entretanto, um estatuto rigoroso delimitado previamente pelo diretório acadêmico poderia diluir quaisquer problemas causados por essas associações ao estabelecer critérios para a formação desses vínculos, ou até mesmo ao proibir qualquer tipo de relação das ligas com qualquer empresa farmacêutica.

A FORMAÇÃO DE LIGAS ACADÊMICAS NA FPS Por fim, para formar uma liga acadêmica, é preciso principalmente vontade e organização. Além disso, como pressuposto é necessário que haja um ou mais docentes ao lado de um grupo de estudantes interessados em gerir as atividades do grupo. Fora este ponto, não é imprescindível, mas é fundamental o apoio da instituição de ensino da qual o grupo faz parte. Isto porque, sem estrutura física e logística para a realização de suas atividades, a manutenção de uma liga se torna praticamente inviável. Dito isso, volta-se ao problema central de nossa faculdade: Dito isso, volta-se ao problema central de nossa faculdade: por que não temos ligas acadêmicas na FPS? A direção acadêmica da faculdade, até esta edição do ESCULÁPIO, nunca havia se pronunciado oficialmente em relação ao tema. Segundo vários relatos dos discentes, porém, haveria uma objeção do IMIP em relação à existência das ligas. Verdade ou mero boato, tais relatos fizeram com que muitos estudantes fossem desestimulados da ideia de formar uma liga com objetivo expandirem sua formação acadêmica. O ESCULÁPIO resolveu pôr fim a este imbróglio e abordou o problema no cerne da questão: entrevistamos o Coordenador do curso de medicina da FPS, Prof. Gilliatt Falbo.

“SOMOS A FAVOR DE GRUPOS DE ESTUDOS NÃO PROMÍSCUOS À INDÚSTRIA FARMACÊUTICA” A entrevista transcrita abaixo foi realizada na tarde do dia 25/02/2010 no gabinete do Prof. Gilliatt Falbo e foi gravada em áudio com sua devida autorização.

1. Muitos alunos da FPS, especialmente aqueles que terminaram o 2º ano, se interessam em formar ligas acadêmicas na faculdade. Qual a posição oficial da FPS em relação a isso? R- A faculdade não incentiva ligas. É preciso que isso fique bastante claro e vou lhe explicar o porquê: uma liga acadêmica, originalmente, deveria ser um grupo de estudo focado em um determinado tema e há ligas que se caracterizam dessa forma. No entanto, há outras que nada mais são do que entidades jurídicas, comerciais, que além de realizarem algum tipo

de estudo, fazem pesquisa e promovem lucro, com os estudantes trabalhando como pesquisadores para empresas farmacêuticas. A FPS não concorda nem estimula este tipo de filosofia. Todavia, se os estudantes querem formar seus grupos de estudos sem se atrelar comercialmente, terão todo apoio desta escola. Somos contra o convívio promíscuo com a indústria farmacêutica e a favor dos que a ela não se submetem.

2. Já que o Sr. considera a existência de ligas que não são vinculadas às empresas farmacêuticas, não seria possível criar um estatuto rigoroso que regulamentaria a criação de ligas acadêmicas, proibindo-as de qualquer vinculação comercial? R- Vocês não precisam disso. Vocês podem realizar essas mesmas atividades, sem precisar do nome “liga”. Esse é um modismo que se iniciou nos EUA e as pessoas acabam seguindo-o sem saber suas origens e suas implicações. Se os estudantes querem criar um grupo de estudo de Trauma, por exemplo, ele será apoiado desde que não estipulem nenhum tipo de associação comercial. Para isso, o grupo deverá ser chancelado pela instituição, diferentemente das ligas acadêmicas, que são instituições a parte, com CNPJ próprio e independentes em seus próprios fins.

3. Então o Sr. está me afirmando que é a favor de grupos de estudos que sejam focados em pesquisa, ensino e extensão, mas que sejam atrelados à faculdade e à ideologia do IMIP? R- Isso, de alguma forma, já ocorre aqui nesta casa. Eu mesmo oriento grupos de estudantes focados em pesquisa acadêmica. Agora, esse nome “liga” possui significados bons e ruins e as pessoas não param para refletir e não é por isso que esta escola não tomará uma posição. Esta escola não apóia as ligas acadêmicas e não permite que isso aconteça aqui.

4. Por que, então, não podemos chamar de ligas acadêmicas esses grupos de estudos sem vinculação comercial, uma vez que já existem várias ligas sem nenhuma associação com a indústria farmacêutica ? R- Eu questiono: por que precisamos chamar tudo isso de “ligas acadêmicas” se podemos fazer a mesma atividade sem nome? Por que esse rótulo é tão importante? Está posta uma reflexão. O que esse rótulo agrega de valor a um grupo de estudo? Esse nome agrega valor a quem? Não vejo justificativa pela preocupação com esse nome. A preocupação deve ser com a qualidade da atividade, e não com um nome ou um título.

5. Muitos procuram intitular essa atividade dessa forma porquê há uma tradição, um costume entre os estudantes de medicina em denominar tais grupos de estudos com esse formato, de “ligas acadêmicas”. R- Você pode perceber que esta não é uma escola tradicionalista. Nós não concordamos com a estrutura de poder da sociedade, nós não concordamos que essa é uma sociedade justa, e nós achamos essa sociedade possui uma série de coisas que necessita de mudança. E essa escola possui uma filosofia de que, na área da saúde, a contribuição que nós pudermos dar para qualificar as relações humanas na sociedade e torna-la justa, nós iremos fazê-la. E nós não vamos facilitar que coisas que são maléficas aos nossos estudantes e à sociedade aconteçam aqui.

6. Então, na verdade, o cerne do problema

pág. 3 que o Sr. aponta são os alunos criarem uma liga acadêmica totalmente desvinculada à ideologia que a FPS e o IMIP defende?

R- As pessoas são livres para fazerem o que querem e são responsáveis pelos seus atos. Entretanto, a escola não irá chancelar nenhuma organização desse tipo. E desaconselha quem o faça.

7. E que tipo de objeção ou sanção a FPS realizaria a esses estudantes que criassem ligas nessas condições? R- Não há nenhuma sanção que a escola possa realizar. Porém, é bom deixar claro que a escola desaconselha e não apóia esse tipo de organização e nem irá apoiar nenhum tutor que se propuser a participar destas ligas. E eles estão cientes disso.

8. E algum tutor que se interessasse por essas ligas poderia sofrer alguma punição por parte da direção desta faculdade ou do IMIP? R- Eu não acredito que um tutor queira participar disso. Ele pode participar de uma atividade semelhante, sem se submeter a essas ligas. Não creio no interesse de nenhum deles nesse tipo de instituição. E eu aproveito o ensejo para lançar um questionamento aos estudantes acerca dessas ligas: por que um grupo de estudo, que o enfoque deveria ser unicamente voltado ao aprendizado científico, necessita realizar uma inscrição numa associação comercial de uma cidade? Por que um grupo de estudantes com um tutor ou professor necessita de um CNPJ? São questionamentos que os estudantes deveriam pensar antes de quererem entrar em instituições deste porte.

9. Uma dúvida que ronda os alunos da FPS se deve ao fato de que algumas universidades, como a USP, incluem como parte da avaliação curricular para o ingresso na Residência Médica a participação do estudante em ligas acadêmicas. *** (fonte abaixo) R- Isso é um equívoco. Pode vir de onde for. É um equívoco brutal. Se a liga acadêmica está preenchendo lacunas, e é o que chamamos “curruculum paralelo”, alguma coisa está faltando no currículo da faculdade que faz com que os estudantes procurem uma liga acadêmica ou o estudante está se dedicando a uma especialidade numa profundidade inadequada ao seu momento curricular . E uma universidade pontuar um “curriculum paralelo” como acesso à residência é um equívoco grave, pois está sendo cometido por quem deveria entender de educação médica.

10. Para finalizar, Prof., se algum aluno da FPS quiser formar um grupo de estudos baseados em ensino, pesquisa e extensão, dentro da filosofia do IMIP, como ele deve proceder? R- Ele deve procurar um tutor da FPS ou um médico do IMIP interessado no tema que será abordado pelo grupo que pretende formar e receberá todo apoio nosso que precisar, inclusive com toda a estrutura física, onde o estudante poderá praticar sua extensão no IMIP ou realizar reuniões acadêmicas. *** Fonte: EDITAL PARA RESIDÊNCIA USP 2010 http://www.sjtresidencia.com.br/novosite/mod_aluno/EDITALR1_USP_2010.pdf Págs, 19, 30, 31.


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Cineclube

Além do assistir, uma mudança cultural.

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m espaço, uma organização sem fins lucrativos, para ver filmes de todos os gêneros, saber das novidades, trocar idéias, criar um senso crítico e fazer amigos. É mais ou menos assim que se caracteriza um cineclube, conceitualmente definido como uma organização de pessoas com objetivo comum de assistir e discutir obras cinematográficas. Para alguns pode soar como novidade, mas o “cineclubismo” é praticado no Brasil há 82 anos e apesar de ter ficado 15 anos, de 1989 à 2004, no esquecimento, eles voltaram com todo o gás nos últimos 5 anos, com a intenção de cumprir o seu papel de formar um bom público de cinema, especialmente num país onde a minoria tem acesso às películas em grandes salas escuras. Muitos talvez nem saibam, mas o Festival de Cinema de Gramado nasceu de um cineclube: “O clube de cinema de Porto Alegre”, fundado por Fontoura Gastal. Além disso, um grande número de cineastas, estudiosos e trabalhadores na área do cinema foram influenciados por cineclubes, muito comuns em décadas passadas, que tiveram como marco inicial, no Brasil, a criação do “Chaplin Club”, no Rio de Janeiro, em 1928. Muitas vezes o senso comum deturpa o verdadeiro conceito de um cineclube, tratando-o como um mero lazer cultural, criado por algum jovem cinéfilo ou até mesmo o contrário, muitos definem cineclubes como algo sofisticado que poucos poderiam apreciar, adornados de filmes “cults”, considerados difíceis de se entender pelo grande público. Claro que nada há de errado com esses outros tipos de grupo de filmes, mas eles não podem ser chamados legalmente de cineclubes. É fato que existem diversos tipos de

cineclube, com práticas diferentes, enquadrados em lugares, situações sociais e temporais distintas, mas existem três características unânimes que devem estar presentes em todos os cineclubes. Duas delas são objetivas e claras sendo a terceira a mais subjetiva, porém derivante das duas primeiras e apesar de existir grande variação entre diferentes organizações é esta última que oferece o conteúdo objetivo, atualidade e personalidade ao clube. As regras de um Cineclube são: Primeiro, um cineclube não tem fins lucrativos, segundo, um cineclube é dotado de estrutura democrática e terceiro um cineclube tem um compromisso cultural. Ao ler essas leis, logo se percebe adiferença de um clube com interesses comerciais que se passam em salas escuras dos grandes Shoppings, por exemplo, e os cineclubes que não obrigatoriamente necessitam de uma grande estrutura. O Cineclube é mais voltado para a cultura e sentimentos. Cineclubes produzem “algo novo”, formam novas opiniões, mobilizam. “Produzem e modificam a cultura nas pessoas”. Essas características estão consagradas na legislação brasileira desde o final dos anos 60 com a Lei 5.536 (de 21/11/68) e mais tarde em 1980, graças ao movimento “cineclubista”, os cineclubes são por lei “associações culturais sem fins lucrativos”, alem de serem obrigatoriamente constituições democráticas, onde todos podem participar livremente. Essas duas primeiras características identificam os cineclubes e é justamente a terceira, citada acima, que os diferencia e permite que elas sejam ricas e criativas, que vai de cinema mudo a formas mais modernas, podendo ser apresentadas em projetores de carvão ou em imagens digitais. A faculdade Pernambucana de Saúde, e principalmente seus orga-

nizadores Juliana Guerra, Camila Bomfim, Ítalo Lira e Filipe Sarinho, implantaram, em março de 2010, um cineclube na Faculdade Pernambucana de Saúde. O cineclube da “FPS”, será um espaço para que os alunos não apenas assistam à filmes de temas variados, mas também que estes alunos interpretem e critiquem aquilo que viram. O objetivo é gerar sentimentos nos alunos, dúvidas e pensamentos, fazer com que eles saiam dessa “zona de conforto” que é ser apenas um observador. O mais importante é justamente o fato de poder discutir os filmes e não apenas vê-los. Essas discussões serão em forma de grupos tutoriais e têm como um dos objetivos o “Feeling Storm” conceito que significa: “Fazer com que o espectador pense o que ele faria na situação do personagem à mostra”, diz Felipe Sarinho. Além de interagir com os alunos, o projeto do cineclube da ‘FPS’ é de, no futuro, expandir essa experiência para comunidades carentes do Recife e assim estimular o senso critico dos moradores. Os filmes terão como foco temas cotidianos como violência a mulher, alcoolismo etc. Esta segunda parte do projeto será realizada pelos próprios alunos interessados em participar do clube. A metodologia do cineclube da FPS consiste em: exposição do filme e ao tema, discussão em grupos com pergunta inicial aberta (para a tempestade de ideias e o “Feeling Storm”) e posteriormente discussões direcionadas as questões objetivas do tema. Seu obje-

Vai ser “complicado”

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ós pensamos: “Vai ser complicado’’, pensamos. Um DA em transição de gestões (da gestão 2009 para 2010), fim de ano letivo, THC, incompatibilidade de horários... Enfim, fatores que atrapalhariam qualquer idéia a ser posta em prática por um grupo de alunos sem experiência e, de certa maneira, sem “entrosamento”. Este poderia ser o meu depoimento sobre um fracassado I Simpósio de Diagnóstico por Imagem do DAFF. Contudo, não é. Graças a diversos fatores, dentre os quais se destacam o COMPROMETIMENTO do professor

Eduardo Just com os alunos e o pacto de UNIÃO entre alguns membros do DAFF [que em uma reunião de emergência no início da noite conseguiram ressuscitar um projeto ‘’assassinado’’ por volta das 10h da manhã], é possível dizer, hoje, que o I Simpósio de Diagnóstico por Imagem do DAFF foi um sucesso.Sucesso no mais amplo sentido da palavra: alunos satisfeitos, professores convidados deslumbrados com ´´aquelafaculdade-particular-de-medicina``, um bom retorno financeiro para os cofres do Diretório e a satisfação pessoal daqueles que suaram para pôr em pratica o evento. Obstáculos

imprevisíveis sugiram no meio do caminho, desde quebra de última hora da máquina da gráfica até a confusão de informações dentro da secretaria acadêmica, motivo pelo qual digo que o Simpósio quase fora forçadamente cancelado, faltando três dias para o evento. Sábado de manhã foi a abertura do evento. Sexta 21h estavam dois membros do DAFF desafiando o tempo no eixo IMIP -Centro do RecifeFPS para tentar consertar a citada ’’confusão de informações``. THC na semana seguinte? Para nós era questão de honra colocar de pé esse tão malagourado evento. Toda uma logística

tivo é criar o hábito da reflexão e racionalização de ideias, um aprendizado que ajuda a lidar melhor com embates éticos e filosóficos, exercita a comunicação e aumenta a vivência para que se melhore a humanização, por exemplo. Como disse Hermann Hesse: “Ninguém pode ver nem compreender nos outros, o que ele próprio não ter vivido”. O cineclube da FPS visa que - depois de ter visto o filme e se colocado no lugar, situações e sentimentos dos personagens - as pessoas tenham a experiência de ter “vivido” aquilo. Situação chamada de catarse. Uma ótima oportunidade para ir alem da legitimação e do senso comum, além de prover o crescimento humanístico pessoal. Nota: O Cineclube da “FPS” acontecerá em toda a última quarta-feira do mês às 17h30min, no Segundo andar do ‘Bloco 9’ da “FPS”. As inscrições são feitas momentos antes das exibições dos filmes, além de serem abertas para todos os cursos da Faculdade Pernambucana de Saúde e contar como horas de atividade complementar no curriculum. *Para expandir: O livro “O clube do filme” de David Gilmout, editora Intríseca.

emergencial foi criada. Setores do Diretório que poderiam não se importar com o evento engajaram-se. O pacto de união deu certo. E é assim que o DAFF muitas vezes tem funcionado, ora enfrentando dificuldades casualmente ‘’impostas’’ pela faculdade, e sua desorganizada secretaria. Ora superando obstáculos que o acaso põe em nosso caminho. Minha participação no DAFF Foi e está sendo um grande aprendizado. - ‘’ Foi complicado, mas, gratificante!``. Daniel Falcão Felisberto

Diretor Científico Diretório Acadêmico Fernando Figueira


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Henrik Ibsen

O bater de porta que acordou o mundo.

“Através da perplexidade dos críticos, o grande talento deste homem vem à tona, dia após dia, e ele surge como um herói em meio ao mesquinho pensamento mundano”. Esse foi o parecer dado por James Joyce em um longo artigo sobre o ainda principiante Henrik Ibsen. E talvez realmente não haja melhor definição para quem viria a ser uma dos maiores e mais influentes dramaturgos da modernidade.”

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sse foi o parecer dado por James Joyce em um longo artigo sobre o ainda principiante Henrik Ibsen. E talvez realmente não haja melhor definição para quem viria a ser uma dos maiores e mais influentes dramaturgos da modernidade. Ibsen nasceu em 1828 numa pequena cidade da Noruega, onde teve uma vida boa até seus 15 anos, quando as autoridades exigiram o fechamento da destilaria da sua família. Em situação difícil e buscando horizontes maiores, ele partiu de sua cidade natal, trabalhou, desenvolveu fascínio pelo teatro assistindo companhias itinerantes e, aos 20 anos, já era um livre-pensador excitado com a onda de revoluções populares que surgia pela Europa. Portanto, é compreensível a tendên-

cia de Ibsen para o que se chamou de “dramaturgia problemática”: peças que abordavam temas inovadores, polêmicos e possivelmente incômodos ao público da época. Isso, aliado ao seu criticismo social, à contemporaneidade de seus enredos e ao uso de situações corriqueiras em suas peças fez de Ibsen um pioneiro – se não o próprio patrono – do realismo nas artes cênicas.

Há quem diga que o bater de porta dado pela personagem principal da peça Uma Casa de Boneca ao sair de casa, selando sua decisão de abandonar o marido e rompendo o sufocamento do seu casamento vitoriano, reverberou por todo o mundo, dando luz a movimentos não só literários como também sociais. Outra obra sua, Um Inimigo do Povo, foi ainda mais controversa, provocando manifestações públicas em prol de idéias libertárias. Henrik Ibsen, como seus próprios personagens, foi alguém além do seu tempo e, portanto, taxado tanto de subversivo como de genial, sendo ovacionado, mas também repudiado. Todavia, independente do olhar crítico, o fato é que sua influência foi tremenda, e que os ecos extraordinários de suas obras repercutem claramente até os nossos dias.

*Obras recomendadas: Peer Gynt, The Pillars of Society, A Doll’s House (Uma Casa de Boneca), An Enemy of the People (Um Inimigo do Povo), Heda Gabler.

Suicídio

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ecado, vergonha, tabu, loucura, crime, punição: raros são os atos que carregam consigo tantas definições negativas. Apesar da sua concepção médica moderna, a qual o transformou em pouco mais de outra doença estatisticamente enumerada, o juízo de valor em relação ao suicídio parece ser, de fato, inescapável. De uma maneira geral, na história de nossa sociedade, verifica-se um onipresente preconceito contra o suicídio e, sobretudo, contra o suicida: punições para aqueles que sobreviveram a uma tentativa de tirar a própria vida existem desde a antiguidade. Mas podemos afirmar que somente após o advento da cristandade é que a coisa começou a ficar mais séria. Entretanto, para os primeiros cristãos, o suicídio não era ainda algo a ser evitado. É notável o grupo donatista, o qual via no sacrifício altruísta de Jesus Cristo um indício de que morrer por sua própria escolha era o fim mais nobre e santo possível. O argumento contra a prática só surgiu com Santo Agostinho, o qual se abismou com a quantidade de suicídios praticados diariamente pelo grupo. Ele buscou seus motivos teológicos em Platão, e não na bíblia, a qual não faz muita menção do assunto, mas terminou por fornecer razões suficientes

para conceder ao suicídio o título de pecado e o estigma de tabu. Somente no século 19, com o lançamento do clássico Le suicide de Émile Durkheim, uma análise científica foi dedicada ao tema. Nela, o grande sociólogo francês usou largamente da avaliação quantitativa, finalmente pondo uma luz racional sobre o tópico, encarando-o como um mero fato social. Logo, a medicina moderna passou a estudar o suicídio, através das ciências da saúde mental. Buscouse, sobretudo, uma etiologia precisa para seu acontecimento. Freud discorreu sobre o tema, chamando-o de “agressão ao objeto introjetado”. Outros buscaram explicações sociais, cognitivas, comportamentais e genéticas. Há pesquisas que indiciam, inclusive, terem descoberto o um gene onde a presença de um único alelo seria o fator determinante para se uma pessoa poderia ou não tirar a própria vida. Assim, temos inevitavelmente vinculada ao suicídio a imagem de pecado, doença, problema. Problema que, como definiu Albert Camus, talvez seja verdadeiramente o único da existência humana.As palavras de Sêneca, o velho, contudo, trazem outra perspectiva: “O filósofo pode escolher a maneira de sua própria morte como se escolhe uma casa ou navio. Ele de-

ixa a vida como se deixa um banquete – quando for a hora”. Sim, o suicídio já foi um fato aceito, defendido e até almejado em certas civilizações, sem trazer qualquer repercussão negativa para o praticante ou para a família, na melhor acepção de estoicismo. Nesse caso, será que se aplicaria ainda a definição de problema? Isso sem falar nas sociedades onde existe o suicídio ritual, como o seppuku dos samurais e o jejuvy dos guaraniskaiowás, cuja realização é considerada sinônimo de bravura e hombridade. Há muito mais perspectivas para serem abordadas sobre a o ato de causar a própria morte do que é possível expor

em um texto. O prisma da vida não se limita a uma definição ou duas. O suicídio pode ser encarado de diversas maneiras, a depender da moral vigente, de quem o pratica e de em que situação ele ocorre. Mas reduzi-lo a um mero fato social ou sintoma, julgá-lo como um tabu a ser enterrado junto com outras vergonhas sociais nunca vai nos trazer um entendimento completo.O suicídio, do ponto de vista médico é realmente um problema. Mas não nos deixemos levar pela fácil conceituação disponível: sua explicação está muito além do que imaginamos no presente. É preciso rever nossos paradigmas se quisermos seguir em frente.


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Sexualidade e Orgasmo Feminino Uma breve história...

A

s questões sobre a sexualidade feminina, mesmo no século XXI, não estão isentas de julgamentos preconceituosos, ideias controversas e muitas vezes tendenciosas. Porém, muitas mudanças positivas ocorreram durante a história e a mulher passou de um juízo de valor onde ela era um mero ser reprodutivo, objeto da ação e do discurso masculinos para um ser com desejos e vontades. O direito ao tesão à mulher é uma grande conquista da modernidade, porém mesmo libertadas das culpas do desejo, essa liberdade “criou” novos tabus relacionados a essa sexualidade, por exemplo, o orgasmo feminino. Como cita Maria Nadege em sua obra “Orgasmo Feminino – Teoria e mitos”, tudo tem início no domínio privado, na época do paleolítico, quando os homens eram responsáveis pela caça e as mulheres pela colheita, não havendo predominância entre os sexos. Já no neolítico têm início as noções de agricultura e pecuária, e sendo os homens responsáveis por este último, sobrou às mulheres, a agricultura, além de terem que cuidar da casa e dos filhos , não sobrando tempo para que ela exercesse o pensamento especulativo, bastante fomentado pelos homens, que dispunham de um horário mais livre. Foram pelas observações que o homem percebeu a importância dele na reprodução, associando que sua presença ou ausência influenciavam diretamente no processo reprodutivo. Como conseqüência dessa conclusão, ele passou a exigir a monogamia, transformando a mulher em “propriedade” na qual ele era o “Senhor”. Já na antiguidade clássica, o domínio privado da mulher torna-se público, seu corpo e mente agora também pertencem a médicos, filósofos, entre outros. Concomitantemente o direito ao prazer lhe é concedido, uma vez que ela era considerada no mundo grego, por exemplo, parte fundamental na sociedade por conter a “semente da vida”, tendo em vista esse conceito, era de suma im-

portância que ela tivesse estimulações à prática sexual, apesar de ainda ser considerada inferior ao homem. Mesmo com esse preconceito na idade Clássica, foi na Média, quando as teorias  sobre a sexualidade da mulher misturaram biologia e teologia, que se formou uma cultura extremamente anti-feminina. Apenas o fato de  ser mulher era castigo. Para a sociedade a mulher era a representação dos pecados da carne que tentavam os homens, como o diabo, além de  também ser afirmado por teólogos e creditado pela população a teoria da “Costela de Adão”, onde a mulher era apenas uma parte do homem, inferior à ele.

Nos século XV, XVI e XVII, os conceitos da antiguidade clássica de que a mulher é fundamental na sociedade,por conta da maternidade,  são pregados novamente. Já no início do século XIX começaram a ser  melhor estudadas e estabelecidas  as diferenças anatofisiológicas entre os sexos, e apesar do avanço científico a mulher continuou sendo, nos conceitos sociais, um ser inferior , anatomicamente mais fraca  e possuidora de um corpo apto apenas para a maternidade, entretanto gozava de um status mais importante se comparada a épocas antecessoras. O século XX foi um tempo de grande avanço social e  sexual para

a mulher, e apesar de outros problemas como a demasiada importância  à beleza e até mesmo a vulgarização do corpo feminino, terem surgido no final deste século a instabilidade do papel sexual da mulher cessou, diferente de antes quando ora os direitos ao prazer eram concedidos, ora eram considerados pecado. Com o conhecimento constituído ao longo desses séculos, porém, outros tabus surgiram, como por exemplo o do Orgasmo Feminino. O Orgasmo Feminino é um tema recheado de mitos e teorias, não apenas compartilhados por leigos, mas também por estudiosos do assunto, prova disso é a grande diferença das definições em renomados livros sobre o assunto como  em “O dicionário da Sexualidade” ou como “O relatório Hite. Um profundo estudo sobre a sexualidade feminina” por Hite e “O orgasmo da mulher” por Seymour Fisher. Para alguns a saúde psíquica influencia o orgasmo, para outros o orgasmo ou a falta dele é que influencia a saúde mental. Para uns é o ápice do prazer sexual apenas, para outros pode ser atingido por ações também não-sexuais, entre outras inúmeras teorias.   O primeiro grande estudioso, conhecido, da sexualidade feminina em relação ao orgasmo foi Freud. Freud acreditava que “A mulher psicossocialmente madura deve ter orgasmos vaginais”. Em sua teoria, ele também dizia que na infância ocorre o auto-conhecimento sexual, e o estímulo orgasmático era por conta da sensibilidade erótica do clitóris. Para Freud o amadurecimento sexual dá-se quando o orgasmo clitoriano é substituído pelo vaginal e quando o símbolo sexual passa a ser a figura do “pai”, antes representado pela mãe. Alem também de acreditar que o “desejo” da mulher pelo pênis, na verdade è fruto de uma inveja que esta tem do genital masculino. Apesar de ter criado teorias polêmicas, Freud assumiu que não possuía um conhecimento baseado em pesquisas de fato, diferente de Alfred Kinsey que nos anos


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Jornal Oficial do Diretório Acadêmico Fernando Figueira 40 e 50, por meio de experiências laboratoriais e relatos de pessoas sobre atos sexuais de diferentes pessoas, junto com um grupo de ginecologistas, estudou a sensibilidade do órgão sexual feminino, provando a importância do clitóris na sexualidade feminina. Em seu trabalho, Kinsey viu que 98% das mulheres examinadas reagem ao estímulo clitoriano, contra 97% de qualquer área da entrada vaginal e contra menos de 14% que respondem a estímulos no interior da vagina. A explicação desses números, para Kinsey, seria embriológica, pois a área mais interna da vagina é derivada dos ovidutos primitivos e consequentemente possui poucas terminações nervosas. Kinsey também afirmava que na masturbação a frequência do orgasmo é maior que durante no coito e que não existem provas que a vagina seja a fonte principal de excitação erótica.Apesar dos grandes estudos de Kinsey sobre o comportamento sexual, foram William Masters e Virginia Johnson que procuraram descrever o que realmente acontecia anatofisiologicamente às mulheres diante um estímulo sexual. Em suas pesquisas, determinaram que o clitóris e a vagina sempre reagem da mesma forma aos mesmos estímulos, ou seja, existe uma resposta padrão de ambos. Já a sexóloga Shere Hite, embora aceitando algumas descobertas de Master e Johnson, desenvolveu em suas pesquisas uma característica mais social. Para ela, as mulheres perdem muito tempo preocupando-se em chegar ao orgasmo durante o coito e culpa Freud e a sociedade patriarcal

judaico-cristã por determinar que a mulher madura e “livre de problemas psicossociais devem chegar ao orgasmo durante o coito”. Essa teoria patriarcalista até hoje é amplamente defendida por grupos de psicanalistas, além de ser enfatizado pela mídia, revistas, opinião masculina etc. Para Hite é necessário desenfatizar a relação sexual com penetração como fonte máxima de expressão sexual. Nos anos 80,  três especialistas em sexualidade, Alice Hadas, Beverly Whipple e John Perry, “trouxeram ao mundo” dois grandes temas polêmicos até hoje: ejaculação feminina e o ponto G. Ambos negligenciados por Kinsey, bem como Master e Johnson, mas não por Ladas, Perry e Whipple, particularmente inspirados em Ernst Grafenberg (1950). Foi ele quem primeiro estabeleceu uma associação entre um estímulo de um determinado ponto existente na parede anterior da vagina, gerador de muito prazer, e a expulsão de uma grande quantidade de secreção, durante o orgasmo, quimicamente diferente da urina e que de acordo com Perry nao poderia ser comparada  à lubrificação. Então, mulher ejacula? Interessados em provar tal fato os três especialistas desenvolveram uma pesquisa com 400 mulheres. A principal revelação foi a confirmação da existência do ponto procurado por Ernst Grafenberg, ressalvando-se que talvez nem toda mulher o possua, e deram a ele o nome de ponto G ou ponto de Grafenberg em homenagem a seu antecessor. De acordo com seus descobridores, o ponto G, situa-se na frente da porção anterior da vagina, sendo de mais difícil

localização se comparada ao clitóris e mais fácil de ser atingido (de acordo com relatos das cobaias da pesquisa) na posição em que o homem penetra a mulher por trás. Apesar de afirmarem a existência deste ponto máximo de prazer, para Whipple, Hadas e Perry o orgasmo em si pode ser atingido de diversas formas, por diversos estímulos em diferentes pontos, o que os diferenciavam dos estudiosos passados que limitavam a experiência orgasmática. Nesta pequena viagem pela historia da sexualidade feminina, e principalmente do orgasmos, viu-se que algumas teorias psicanalíticas consideram ser portadora de algum grau de neurose a mulher que, uma vez adulta, continuasse gozando pela manipulação do clitóris. Viu-se também que Master e Johnson diziam que só havia um tipo de orgasmo (fato desmentido depois) e que Shere Hite bradava contra a insistência com que se procura saber por que as mulheres não gozam no coito e que mulheres que nao chegam ao orgasmo sempre são neuróticas. Mas na verdade a “viagem” não acaba aí, e as especulações sobre o orgasmo feminino parecem não ter fim. E não tem, contemporâneo de Shere Hite, Seymour Fisher contraria Freud ao dizer que na verdade, as mulheres neuróticas são as que preferem o orgasmo vaginal. Para ele a preferência por um determinado orgasmo revela os traços da personalidade da mulher e aquelas que preferem o vaginal, para ele, são desprovidas de vitalidade e incapazes de experiências físicas mais expressivas, além de se demonstrarem mais ansiosas.

Entre tantas teorias e divagações é natural a sensação de estar meio perdido, quem estaria certo, Freud e suas mulheres neuróticas que só conseguem ter orgasmos clitorianos, Kinsey que dizia haver dois tipos de orgasmo, vaginal e clitoriano, Master e Johnson que criaram um “orgasmo padrão” e único, sempre igual em todas as mulheres, Shere Hite que dizia que a mulher não deveria se preocupar em obter orgasmos no coito, Perry,Whipple e Hadas com sua pesquisa sobre o ponto G e a ejaculação feminina? Ou Fisher ao afirmar que a mulher que prefere o orgasmo vaginal precisa de tratamento psicanalítico? Mesmo com tantas discordâncias a evolução das questões sobre o orgasmo feminino e também a sexualidade feminina, è fato. Quem poderia imaginar mulheres que antes educadas para servir ao marido, hoje rompem essa sujeição sexual? Ou mulheres que hoje desmistificam o tabu da virgindade entre tantas outras heresias? Pesquisadores atuais estão sempre em busca de respostas sobre a sexualidade da mulher, que hoje é vista com muito mais naturalidade, apesar de as mulheres ainda sofrerem certos preconceitos o avanço pode ser claramente visto.

“A mulher

psicossocialmente madura deve ter orgasmos vaginais” Freud

IFMSA-BRAZIL

Uma oportunidade para expandir horizontes. A experiência de um intercâmbio acadêmico é uma grande oportunidade para obter conhecimento e experiência, tanto pessoal quanto profissional. É com esse intuito que a instituição IFMSA-BRAZIL propicia a realização de intercâmbios, tanto nacionais como internacionais, com a preocupação não apenas da obtenção de conhecimento por parte do intercambista, mas também de humanização e da responsabilidade social. Afim de exibir o que representa, como funciona e quais os ideais da instituição, o “Esculápio” entrevistou um membro do comitê da FPS da IFMSA-BRAZIL, Larissa Sobral:

1- O que é a IFMSA-Brazil? “A International Federation of Medical Students Associations of Brazil (IFMSA-Brazil), ou como comumente chamamos de “IF”, é uma organização não governamental, apolítica, suprapartidária e sem fins lucrativos. Todo o seu trabalho é voluntário e realizado exclusivamente por estudantes de medicina, espalhados em 37 escolas médicas pelo país. Ela representa o Brasil na IFMSA (International Federation of Medical Students Association), a maior organização estudantil do mundo, formada por acadêmicos de medicina de 89 países e vinculada à OMS, ONU, UNICEF e outras.”

2- Qual a meta da IFMSA-Brazil?

claro que todos são bem-vindos a juntar-se a nós!”

“ Ampliar o horizonte e o conhecimento dos estudantes de medicina através da promoção de intercâmbios nacionais e internacionais, além de incentivar a realização de projetos sociais e campanhas em saúde pública, direitos humanos, saúde reprodutiva e educação médica, fornecendo instrumentos de humanização, promoção da saúde e qualidade de vida, cidadania e integração com a comunidade. O principal é sempre pensar global e agir local!”

4-O que fazer para participar de um intercâ mbio internacional da IFMSA-Brazil? Que tipos de intercâmbios existem?

3- Como funciona e quem faz parte do Comitê Local da FPS? “O objetivo principal do nosso comitê local é representar a nossa faculdade, sendo a voz de todos os alunos diante da IFMSA-Brazil. Ele é formado por coordenadores locais (alunos responsáveis em coordenar e divulgar os projetos, campanhas e intercâmbio da IF dentro da nossa faculdade) e por trainees (alunos que estão passando por um processo de capacitação para futuramente ocuparem o cargo de coordenadores). Vale lembrar que a nossa faculdade está filiada a IF, assim todos os estudantes de Medicina podem participar dos eventos da IF, não precisando necessariamente fazer parte do comitê, mas

“O aluno que deseja realizar um intercâmbio deverá passar por uma seleção, que ocorre no segundo semestre de todo ano (geralmente em outubro) e envolve todas as faculdades filiadas à IFMSA-Brazil. Uma classificação é feita para selecionar os estudantes que irão para cada país, ou seja, não basta escolher o país para o qual se quer viajar, deve-se obter uma pontuação para consegui-lo, como no vestibular. Entre os itens que mais ajudam no acúmulo de pon-tos, está a participação nas campanhas e projetos da IF, monitoria, trabalhos científicos entre outros. Se classificado, o aluno seguirá para uma segunda etapa, na qual são requisitados alguns documentos mais específicos para as necessidades de cada país escolhido para a realização do intercâmbio. Para finalizar, a IFMSA-Brazil oferece duas modalidades de Intercâmbio Internacional para estudantes de medicina: uma clínica-cirúrgica e outra em pesquisa.” * Mais informações: http://www.iflms.org.br/


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Me and Myself

Expressões Acadêmicas: Arte feita pelos alunos

A Narration to You.

very fast, but my breath was very deep, slowly deep. Then, Myself entered in a room. When I entered after him, I found something very familiar. I found all my stuffs there, but Myself started to destroy it. First of all, he tore up all the things of mine. He looked so angry and his hands were shaking a lot, but there

was a shy smile on the right half of his mouth. It was a terrible view. He took each picture, each story that I helped him to write, and tore it by a fast manner. Then, Myself put all the pieces together and burned it with no pain in his face. When almost the room was on fire, Myself looked at me. At that moment, I noticed what would happen

and I ran out as fast as I could. Suddenly, it was a silence in that house and I found a safety room to stay. However, something unbelievable was there. When I opened the door’s room, I saw in front of me Myself and beside him, a mirror. When I looked into the mirror, I couldn’t believe. I saw you. I was astonished, stunned. Then, Myself broke the mirror with his elbow and took the biggest and the sharpest piece that he found and came next to me. I couldn’t move. Actually, I didn’t want to move. For a reason that I didn’t know why, I wanted to see my blood threw out from me. Finally, Myself stabbed my breast as strong as he could and did it many times again. He cut out all my organs and at the same time, I could feel his feelings getting better and relieved. After this, Myself forgot you for the rest of his life, forever.

Raul dos Santos Cortez 1º Período de Medicina da FPS

Tirinhas

I was running. I was in a place that was very similar to my home. It was very dark and the narrow hallways seemed like infinity roads. Something very bad would happen there and I was in panic. I looked inside all the rooms in that house to seek for someone who wanted to destroy my life for a reason that I didn’t know why. Suddenly, I finally found that person. I found Myself. When Myself saw me, he was extremely frightened and anger. Then, he started to run. Afterward, I started to feel something wicked inside me. After I saw that scene, for a reason that I didn’t know why, I wanted to trick Myself like I did in the past. In those times, I could do what I wanted to do, but in that moment I wanted more: I wanted to dominate him. Therefore, carrying a mix of wickedness and panic, I went to catch Myself. At first, we ran along the dark hallways. It was a terrible silence in that place. I only could hear our steps slamming the wood floor and the sound of our breathless. Myself’s breath was

Bebê - Infantil - Enxovais GALERIA HORA CENTER Rua da Hora, 345 - Loja 09 e 10 - Espinheiro Recife - PE - Fone: (81) 34270695

Jornal FPS  

Jornal Acadêmico para Alunos da Faculdade Pernambucana de Saúde

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