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Escola Secundária de Maria Lamas

E se de repente os alunos fossem professores?

Nessa manhã cheguei à escola e soube que durante esse dia íamos ser professores dos nossos professores. Com ar profissional perguntei: - Quanto é que pagam? - O dobro do que normalmente um professor recebe. – respondeu a directora. - Excelente ! Estava desejoso que começassem as aulas. Finalmente ouviu-se o toque da campainha. Nunca estivera tão ansioso para ouvir aquele som irritante. Comecei pela aula de Educação Física. - Bom dia, vamos fazer o aquecimento. Vistam estes fatos de avestruz e depois vão dar cinquenta voltas ao campo sem parar. Terminada a tarefa: - Vamos jogar ao mata: quem for atingido fará cinquenta flexões. E assim acabou a aula. De seguida aula de Inglês: - Quem falar Português faz cinquenta flexões em Educação Física… Os alunos calaram-se de imediato. Então comecei a dar-lhes ordens (estava na altura de me vingar dos recados na caderneta, etc!) Eles portaram-se tal e qual como nós, principalmente duas tagarelas que estavam no fundo da sala e que trocavam entre si coisas do género: - Vê lá tu que o meu Rafa quer ser agente secreto. Outro dia pôs os óculos de sol do meu marido, vestiu a minha gabardine e andou a espiar as vizinhas! - Ai, tu cala-te! Olha que a minha Bia andou a vestir-se como aquelas saloias da escola dela! - Meninas!! Estou a ouvir tudo! - Desculpe! Passados alguns minutos terminou a aula. Dirigi-me à cantina e fui para a fila, pois não me lembrei que os professores podem passar à frente. Quando me lembrei avancei todo contente para a porta.


- Então “stor”? O que é isso, a passar à frente?! – resmungaram os alunos. Ignorei-os e fui ter com os meus colegas. Ao acabar o almoço, fui preparar a última aula que começou daí a meia hora. Fui para a sala, mas logo no início já estava farto daqueles alunos irritantes: não paravam de me chamar, pois não sabiam trabalhar com computadores. Uns autênticos nabos!! Estavam cada vez mais impacientes, visto que eu não os podia ajudar todos ao mesmo tempo. Como se já não bastasse falarem, levantam-se e andavam de um lado para o outro da sala, enquanto eu ajudava os outros. Já farto, mandei-os calar e obriguei-os a escrever cinquenta vezes: “ Não vou falar nem andar pela sala.” Durante o resto da aula ficaram calados! Afinal não é assim tão fácil ser professor! No fim fui receber o meu ordenado. Contente, dirigi-me a casa e contei tudo à minha mãe. Sem querer, falei-lhe do ordenado. Adivinhem: ela ficou com ele para pagar as minhas despesas!!

Texto colectivo do 8ºA Professora Maria José Brás Ano lectivo de 2010/2011

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons

Divulgação de trabalhos de alunos no âmbito do “Programa de integração das literacias no currículo da ESML”

E se de repente os alunos fossem professores?  

Trabalho colectivo alunos ESML