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Artigo publicado na Revista Eletrônica “Saúde CESUC” – Nº 01 – Ano de 2010

Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DE CATALÃO – CESUC

REVISTA ELETRÔNICA SAÚDE CESUC Centro de Extensão, Pesquisa e Pós-Graduação Revista Eletrônica do Centro de Ensino Superior de Catalão – CESUC Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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Revista Eletrônica do Centro de Ensino Superior de Catalão – CESUC ENDEREÇO CESUC – Centro de Ensino Superior de Catalão Rua Prof. Paulo de Lima, 100 - Bairro Santa Cruz – C.P. 162 CEP 75.706-420 - Catalão - Goiás Fone: (64) 3441-6200 Home Page: http://www.cesuc.br E-mail: posgraduacao@cesuc.br

ORGANIZADOR Prof. Thiago Simões Gomes Coordenador do Centro de Extensão, Pesquisa e Pós-graduação - CEPPG

Revista Eletrônica Saúde CESUC. Associação Catalana de Educação Catalão: CESUC, Ano I, Nº 01, 2010 Publicação Anual 1. Fisioterapia; 2. Enfermagem; 3. Farmácia I – Educação Superior

II – Periódico

Artigos apresentados à Faculdade de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC, como requisito parcial para graduação. O conteúdo dos artigos é de responsabilidade dos autores, conforme termo assinado no trabalho de conclusão de curso. Não representando, necessariamente, o ponto de vista do Conselho Editorial ou dos órgãos de Direção do CESUC, sendo permitida a reprodução e menção de parte dos mesmos sem prévia autorização, desde que devidamente citada a fonte.

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ESTRUTURA ADMINISTRATIVA

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Diretora Geral Profa. Maria Eleonora de O. Scalia

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Diretor Administrativo Profº. Danilo Nogueira Magalhães

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Diretor Acadêmico Profº. Paulo Antônio de Lima

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Diretor de Patrimônio Profº. Transvaldo Jerônimo da Silva

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Coordenação do Curso de Administração Profa. Angela Marcia de Souza

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Coordenação do Curso de Ciências Contábeis Profº. Euripedes Bastos Siqueira

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Coordenação do Curso de Direito Profº. Leonardo Pereira Santa Cecília

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Coordenação do Curso de Fisioterapia Profº. Humberto de Sousa Fontoura

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Coordenação do Curso de Sistemas para Internet Profº. Lacordaire Kemel Pimenta Cury

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Coordenação Pedagógica Profa. Teresa Regina Araújo

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Coordenação do Centro de Extensão, Pesquisa e Pós-Graduação Profº. Thiago Simões Gomes

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Coordenação do Núcleo de Atividades Complementares e Monografia Profº. Rodrigo Diniz Cury

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Coordenação do Núcleo de Práticas Jurídicas Profº. Edson Bragança Júnior

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Coordenação de Eventos e Relação com a Comunidade Profa. Clotildes Lourdes Silva Japiassu Holanda

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SUMÁRIO

Sumário 1. A APLICABILIDADE DO ULTRA SOM AVATAR IV ESTHÉTIC ASSOCIADO À FONOFORESE NO TRATAMENTO DO FIBRO EDEMA GELÓIDE (FEG) ............... 8 Andressa da Silva Luz ............................................................................................................ 8 Roberta Pires da Silva ............................................................................................................ 8 Prof. Adriana Caixeta ............................................................................................................ 8 2. A EFICÁCIA DA ASSOCIAÇÃO DAS TÉCNICAS DE ALONGAMENTO, FACILITAÇÃO NEUROMUSCULAR PROPRIOCEPTIVA E CONTROLE POSTURAL EM ADOLESCENTE COM HEMIPARESIA – ESTUDO DE CASO ...... 17 Lilian Evangelista Nunes ...................................................................................................... 17 Rivien Aparecida de Souza Martins ..................................................................................... 17 Profa Andréia Borges Macedo ............................................................................................. 17 3. A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO DURANTE O TRATAMENTO FISIOTERAPEUTICO EM PACIENTES IDOSOS COM DÉFICIT COGNITIVOESTUDO DE CASO ............................................................................................................... 27 Talita Campos Mendonça..................................................................................................... 27 Prof. Andréia Borges Macedo .............................................................................................. 27 4. ANÁLISE COMPARATIVA DO EFEITO DA CORRENTE MICROGALVÂNICA: ESTUDO DE CASO NO TRATAMENTO DE ESTRIAS ATRÓFICAS ......................... 38 Ana Paula Gomes Galdino ................................................................................................... 38 Karla Marcelino Dias........................................................................................................... 38 Prof. Adriana Caixeta .......................................................................................................... 38 5. ANÁLISE DA POSTURA DE PACIENTES COM DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR POR MEIO DE BIOFOTOGRAMETRIA COMPUTADORIZADA ........................................................................................................ 48 Ana Carolina Mesquita do Nascimento ............................................................................... 48 Conceição Silva de Vasconcelos .......................................................................................... 48 Prof. Humberto de Sousa Fontoura ..................................................................................... 48 6. AVALIAÇÃO DO PERFIL ANTROPOMÉTRICO, NÍVEIS PRESSÓRICOS, HÁBITOS DE VIDA E CONDIÇÃO ATUAL DE SAÚDE DE INDIVÍDUOS FREQUENTADORES DA ASSOCIAÇÃO LUZ E VIDA NO MUNICÍPIO DE OUVIDOR-GO ....................................................................................................................... 61 Lorainy Ribeiro Thomé Fonseca .......................................................................................... 61 Marciene Damiane de Lima Moreira ................................................................................... 61 Prof. Otávio José Plazzi de Souza ........................................................................................ 61

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7. COMPARAÇÃO DAS TÉCNICAS DE CINESIOTERAPIA E ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA NERVOSA TRANSCUTÂNEA – TENS NA MELHORA DO QUADRO ÁLGICO E CAPACIDADE FUNCIONAL EM PACIENTES COM OSTEOARTROSE DE JOELHO ........................................................................................................................... 77 Almê de Paula Costa ............................................................................................................ 77 Luckiane Pimenta da Silva ................................................................................................... 77 Prof. Humberto de Sousa Fontoura ..................................................................................... 77 8. FREQUÊNCIA DE QUEDAS E A INCIDÊNCIA DE VERTIGEM EM IDOSOS .... 90 Carolina Maria de Oliveira.................................................................................................. 90 Carolina Morais Pereira ...................................................................................................... 90 Prof. Kleyder Aurélio Fleury Silva ....................................................................................... 90 9. OS BENEFÍCIOS DA ASSOCIAÇÃO DA LASERTERAPIA E EXERCÍCIOS TERAPÊUTICOS NA SÍNDROME DO IMPACTO DO OMBRO: ESTUDO DE CASO .................................................................................................................................................. 99 Denne Rize de Souza Carneiro Borges................................................................................. 99 Prof. Andréia Borges Macedo .............................................................................................. 99 10. OS BENEFÍCIOS DA MASSOTERAPIA NO TRATAMENTO DE PACIENTE COM FIBROMIALGIA – UM ESTUDO DE CASO ....................................................... 110 Mariele da Silva ................................................................................................................. 110 Mayara Pires da Silva ........................................................................................................ 110 Prof. Andréia Borges Macedo ............................................................................................ 110 11. PREVALÊNCIA DAS ALTERAÇÕES POSTURAIS E PERCEPÇÃO DE DOR NOS DISCENTES E SUPERVISORES DO 8° PERÍODO DO CURSO DE FISIOTERAPIA DO CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DE CATALÃO - CESUC. 122 Josiane Lino da Silva.......................................................................................................... 122 Cristina Freire da Silva ...................................................................................................... 122 Prof. Andreia Borges Macedo ............................................................................................ 122 12. PREVALÊNCIA DE LESÕES OSTEOMUSCULARES EM PROFESSORES DO ENSINO FUNDAMENTAL ................................................................................................ 142 Elisa Marcelino Netto de Melo ........................................................................................... 142 Gabriela de Freitas Caixeta ............................................................................................... 142 Prof. Adriana Caixeta ........................................................................................................ 142 13. PREVALÊNCIA DE PATOLOGIAS E PERFIL DAS VALÊNCIAS FÍSICAS EM IDOSOS ASILADOS............................................................................................................ 155 Ana Paula Nascimento Venâncio ....................................................................................... 155 Leilane Pereira da Fonseca ............................................................................................... 155 Prof. Kleyder Aurélio Fleury Silva ..................................................................................... 155 14. PREVALÊNCIA E INCIDÊNCIA DE LESÕES EM ATLETAS PARTICIPANTES DO CAMPEONATO OPEN DE JIU-JITSU DA CIDADE DE CATALÃO-GO REALIZADO EM AGOSTO DE 2010 ............................................................................... 165 Emerson Gonçalves de Oliveira ......................................................................................... 165 Renata Rosa Caldas de Oliveira ........................................................................................ 165 Prof. Kleyder Aurélio Fleury Silva ..................................................................................... 165 Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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15. TRATAMENTO DAS DISFUNÇÕES DA ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR POR MEIO DA TÉCNICA DE DÍGITO PRESSÃO ...... 179 Iris André Martins Siqueira Barbosa ................................................................................. 179 Polion Elias da Silva .......................................................................................................... 179 Prof. Kleyder Aurélio Fleury Silva ..................................................................................... 179

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1. A APLICABILIDADE DO ULTRA SOM AVATAR IV ESTHÉTIC ASSOCIADO À FONOFORESE NO TRATAMENTO DO FIBRO EDEMA GELÓIDE (FEG) Andressa da Silva Luz1 Roberta Pires da Silva2 Prof. Adriana Caixeta3 RESUMO O fibro edema gelóide (FEG) é uma infiltração edematosa do tecido conjuntivo, não inflamatória, seguida de polimerização da substância fundamental que, infiltrando nas tramas, produz uma reação fibrótica. O ultra som se constitui num recurso amplamente utilizado no tratamento da celulite (FEG), gerando como benefícios a neovascularização, o rearranjo das fibras de colágeno, a melhora das propriedades mecânicas do tecido e o aumento da permeabilidade das membranas biológicas, tornando possível a penetração de fármacos no organismo. O objetivo do presente estudo foi analisar os efeitos do ultra som Avatar IV Esthétic associado à fonoforese na redução do grau e do aspecto visual do fibro edema gelóide (FEG). Os instrumentos utilizados para a análise e coleta de dados foi a ficha de avaliação, registro fotográfico e questionário de satisfação, em que teve-se como amostra uma paciente do sexo feminino, 18 anos, apresentando grau II na região média e grau III na região lateral do glúteo. A paciente foi submetida a 20 sessões de tratamento, as quais aconteceram 3 vezes por semana com aplicação do ultra-som na freqüência de 3Mhz e intensidade de 0,8W/cm2, modo contínuo, com 1 minuto cada quadrante de acoplamento da ERA, associado à fonoforese com o uso do Sonogel, à base de extrato de centella asiática, cafeína, ginkgo biloba, equisetum, algas marinhas e castanha da índia. A resposta fisioterapêutica foi satisfatória na ausência da contração isométrica. Ao final do estudo, conclui-se que o ultra som Avatar IV Esthétic associado à fonoforese, reduz o grau do fibro edema gelóide melhorando o aspecto visual. Palavras-chaves: Fibro edema gelóide; Ultra som AVATAR IV Esthétic; Sonogel

1- INTRODUÇÃO

Os atuais padrões culturais de beleza, amplamente veiculados pela mídia contribui para a insatisfação da paciente com o próprio corpo, buscando, continuamente, a "perfeição" (KEDE SABATOVICH, 2009; Oenning, 2002). Dentre outras, a fisioterapia dermato-funcional tem sido utilizada de modo a justificar alguns tratamentos estéticos utilizados em diversas afecções (FREDERICO ET AL., 2006), como é o caso do fibro edema gelóide que atinge cerca de 90% (CUNHA, 2008) das mulheres e acomete principalmente as regiões de coxa, abdômen, culotes e nádegas (STEINER DENISE, 2009). O fibro edema gelóide (FEG / celulite) inicia nas camadas intermediárias da pele (DALSASSO, 2007), na chamada substância fundamental ou amorfa do tecido conjuntivo 1

Acadêmica do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC. Acadêmica do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC. 3 Professora do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC, orientadora de trabalho de conclusão de curso. 2

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(FREDERICO ET AL., 2006). É nessa substância amorfa, de característica meio gelatinosa, que se localizam as células de gordura, as fibras colágenas e elásticas, os vasos sanguíneos e os fibroblastos. Embora tendo essa consistência gelatinosa, ela tende a endurecer quando há uma desordem, como: acúmulo de água, sais minerais e resíduos na região. Estes acúmulos impedem o funcionamento normal das células na substância amorfa, prejudicando as trocas de vitaminas, sais minerais, água, aminoácidos, radicais livres e, principalmente, oxigênio. Essa desordem torna a substância gelatinosa menos fluída transformando-a em uma espécie de "esponja" (GOLIK VERA, 1995). Para Guirro e Guirro (2004), o fibro edema gelóide é um infiltrado edematoso do tecido conjuntivo, não inflamatório, seguido da polimerização da substância fundamental que, infiltrando nas tramas, produz uma reação fibrótica. Por se tratar de uma afecção multifatorial (WEIMANN, 2004), é necessária uma avaliação detalhada, envolvendo toda a propedêutica da anamnese e do exame físico (Meyer, 2005). Guirro e Guirro (2004) ressaltam que, na inspeção, é possível observar alteração de relevo, varizes, equimoses, estrias, telangectasias, tonicidade muscular e postura, sendo esta realizada em posição ortostática. Na palpação é possível notar nódulos fibróticos, aumento da sensibilidade dolorosa local, aumento do volume e da consistência do tecido celular subcutâneo, além da deformação da pele e dos tecidos pelas aderências. Os sinais patológicos do fibro edema gelóide são facilmente verificáveis por testes simples e seguros. Um dos testes é o da "casca de laranja", em que pressiona-se o tecido adiposo entre os dedos polegar e indicador ou entre as palmas das mãos e a pele adquire uma aparência rugosa, tipo casca de laranja. O outro teste é o denominado "teste de preensão", que, após uma preensão da pele, juntamente com a tela subcutânea, entre os dedos, promove-se um movimento de tração. Se a sensação dolorosa for mais incômoda do que o normal, este também é um sinal do fibro edema gelóide, onde já se encontra alteração da sensibilidade. Atualmente alguns autores se reportam à deficiência de se estabelecer os principais fatores que desencadeiam o processo. Guirro e Guirro (2004) apontam alguns fatores que influenciam o surgimento do fibro edema gelóide, dentre os quais estão os fatores predisponentes (genéticos, idade, sexo e desequilíbrio hormonal), os fatores determinantes (estresse, fumo, mau hábitos alimentares) e os fatores condicionantes (aumento da pressão capilar e a dificuldade em reabsorção linfática). Dentre os fatores predisponentes, Kede e Sabatovich (2009) relatam que, o fibro edema gelóide piora com as terapias anticoncepcionais devido à presença de estrogênio, que possui ação nos componentes da unidade funcional do tecido adiposo, aumentando a permeabilidade e diminuindo o tônus vascular. Segundo Borges (2006), outros fatores agravantes no fibro edema gelóide são os fatores determinantes e condicionantes, em que se destaca a obesidade, resultado de um acúmulo de

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gorduras, constituídas, essencialmente, por ácidos graxos saturados, com isso comprime-se os vasos sanguíneos e linfáticos pelo aumento do tamanho dos adipócitos gerando alterações nas trocas com os interstícios, interferindo no processo, devido a esses distúrbios circulatórios, são oferecidas condições inversamente proporcionais do fluxo sangüíneo e linfático através do tecido adiposo, deixando o fluxo lento, o que leva à lipogênese. Para Ulrich apud Guirro e Guirro (2004), na fase inicial (grau 1) do FEG apresenta-se alteração somente quando realiza a compressão do tecido entre os dedos ou na presença de contração isométrica, com ausência de dor. Na segunda fase (grau 2) as depressões são visíveis, sem e com a contração muscular, e há alteração de sensibilidade. Na terceira e ultima fase (grau 3) o acometimento pode ser observado na posição ortostática e em decúbito, apresentando pele enrugada e flácida, com alteração de sensibilidade. Borges (2006) ressalta que o FEG é classificado em quatro tipos: duro, flácido, edematoso e misto. O tipo duro ocorre em pacientes jovens, com atividade física regular e boa tonicidade do tecido. O flácido significa que houve um colapso do sistema de sustentação conjuntivo, caracterizado pela ruptura do ácido hialurônico, acometendo, principalmente, pessoas sedentárias, sendo mais freqüente após a terceira década e mais comum em mulheres inativas que perderam pesos rapidamente. Clinicamente observa-se que a pele "sacode" com os movimentos e a aparência muda conforme a posição. No tipo edematoso o sinal da casca de laranja é precoce e acomete mulheres jovens que fazem uso de anticoncepcionais. O misto é caracterizado quando temos fibro edema gelóide duro nas coxas associada à flacidez no abdômen; ou então muito duro na coxa, lateralmente, acompanhada de muito flácida medialmente. Atualmente, grande parte do público feminino recorre a métodos e técnicas da área estética com a expectativa de obter resultados para seus problemas relacionados à beleza. Isto tem motivado uma grande revolução na indústria de cosméticos e aparelhos da área de estética (Melo, 2005; Simionato, 2010; Batista, 2005). O ultra-som (US), por exemplo, é um recurso amplamente utilizado no tratamento do fibro edema gelóide (celulite) (BORGES, 2006, Almeida, 2005; Reed e Low, 2001). Agne (2009) descreve o ultra-som como sendo oscilações cinéticas ou mecânicas, produzidas por um transdutor vibratório, que se aplica sobre a pele com fins terapêuticos, atravessando e penetrando no organismo em diferentes profundidades. É utilizado nas disfunções teciduais, em especial no caso da celulite, onde recomenda-se empregar o equipamento que disponibiliza a ERA de grande área, como, no caso, o AVATAR IV Esthétic, que dispõe de três emissores no mesmo

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aplicador, com freqüência de 3 MHz e com potência máxima de 45 Watts, aumentando a área de transmissão e diminuindo o tempo de aplicação. A utilização do ultra-som é importante em todos os estágios do fibro edema gelóide (Almeida, 2005), devido ao emprego da energia ultra-sônica contínua que faz o aquecimento das estruturas constituídas do tecido fibroso (Reed e Low, 2001). Agne (2009) relata que deve-se escolher a freqüência de 3Mhz para maior absorção do tecido subcutâneo e depois escolher a potência de emissão em torno de 0,8 até 1,0 w/cm2 com o objetivo de alcançar o efeito térmico. Existem duas formas para aplicar a técnica do ultra-som, as quais são a forma isolada ou combinada (Reed e Low, 2001). A fonoforese é uma forma combinada onde utiliza no gel de acoplamento um fármaco ativo, potencializando os seus efeitos (ALMEIDA ET AL, 2005). Melo (2005) ressalta, que a fonoforese não depende apenas da freqüência, intensidade e a duração do tratamento, mas, também, da natureza da droga. A cosmetologia vem sendo amplamente utilizada na estética, uma vez que associada às terapias combinadas na fonoforese, têm apresentado inúmeros resultados satisfatórios. O estudo de Simionato (2010) teve o objetivo de analisar os efeitos da fonoforese com gel contendo centella asiática, ginkgo biloba, algas marinhas, castanha da índia, equisetum e cafeína sobre a adiposidade abdominal localizada. A amostra foi constituída por 39 mulheres que foram submetidas a 15 atendimentos. Após o tratamento observou-se uma significância estatística na perimetria da adiposidade abdominal. No presente estudo foi utilizado Sonogel, fabricado pela Adcos cosméticos, rico em princípios ativos como, extrato de centella asiática, ginko biloba, cafeína, equisetum, algas marinhas e castanha da Índia. Rebelo (2004) cita que os princípios ativos, acima mencionados, apresentam ações firmantes, cicatrizantes, antiinflamatórias, lipolíticas e anti-radicais livres. Esta pesquisa tem como objetivo demonstrar a aplicação do ultra-som Avatar IV Esthétic (KLD) associado à fonoforese, com o intuito de verificar a eficácia quanto à redução do grau do fibro edema gelóide, melhorando o aspecto da pele e a auto-estima da paciente.

2. SUJEITOS E MÉTODOS O presente artigo é um estudo de caso com uma paciente do sexo feminino, 18 anos de idade, da cor branca, sedentária, não fumante, isenta de dietas alimentares, nugligesta, faz uso de terapia hormonal com anticoncepcional, com início do aparecimento do fibro edema gelóide (FEG) na adolescência, não tendo feito nenhum tratamento específico.

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Para a coleta de dados, foi utilizado uma ficha de avaliação fisioterapêutica (Meyer P. F. et. al.), uma câmera fotográfica (Olympus ,12 Mp) e um questionário de satisfação Após assinado o termo de consentimento, foi realizada uma avaliação da paciente. No início do tratamento foi constatado o FEG grau II e III na região glútea média e lateral, respectivamente, e um registro fotográfico antes de iniciar a 1a sessão e ao término de 20a sessão de aplicação do ultra-som na região acometida. Foi utilizado o aparelho de ultra-som Avatar com freqüência de 3Mhz, intensidade 0,8W/cm2, fabricado pela KLD, utilizando três transdutores com ERA de 6 cm2. A técnica de aplicação empregada com o ultra-som foi a fonoforese com a substância de acoplamento, em forma de gel, composto por cafeína, centella asiática equisetum, ginkgo biloba, castanha da índia e algas marinhas, fabricado pela Adcos cosméticos. Limitou- se a uma área de 36 cm2, que foi subdividida em quadrantes, determinando-se 9 cm2 para cada região a ser tratada. Foram realizados três atendimentos por semana, cada um dos atendimentos com duração de 8 minuto, as aplicações equivaleram ao tempo de 1 minuto em cada quadrante. Como metodologia de avaliação dos dados foi empregada a análise fotográfica. A fotografia foi realizada utilizando uma câmera digital de 12 megapixells, modelo Olympus Lens, zoom 4.65, fabricada pela Olympicos. O registro fotográfico foi realizado utilizando o modelo de Borges (2006), ele determina que o visor deve ser dividido em duas linhas imaginárias na vertical e três na horizontal, com imagem de flash e com o plano de fundo azul marinho a fim de visualizar as alterações presentes na pele. No término das sessões a paciente foi reavaliada para constatar se houve redução no grau do FEG e/ou melhora no aspecto da pele, logo em seguida, foi aplicado um questionário estruturado objetivando-se avaliar o nível de satisfação da paciente após o tratamento. 3. RESULTADOS No término das 20 sessões foi feita uma reavaliação da paciente, através dos testes de palpação e preensão, em que verificamos que não houve redução do grau do fibro edema gelóide comparados com a 1° avaliação. Após reunirmos os achados fotográficos constatamos que a resposta fisioterapêutica foi satisfatória, porém somente na ausência de contração isométrica. Quanto ao nível de satisfação, a paciente relatou estar satisfeita com os resultados obtidos ao final das 20 sessões.

3. RESULTADOS

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3. Achados Fotográficos

ANTES

DEPOIS

Figura 1: Paciente em posição ortostática antes e após o tratamento sem contração isométrica da musculatura envolvida.

ANTES

DEPOIS

Figura 2: Paciente em posição ortostática antes e após o tratamento com contração isométrica da musculatura envolvida.

4. DISCUSSÃO

Alguns autores têm descrito pesquisas sobre os efeitos terapêuticos e a aplicabilidade da técnica da fonoforese no tratamento do fibro edema gelóide (Oenning, 2002; Borges, 2006; Batista, 2005; Weimann, 2004; Togni, 2006) e da gordura localizada (SIMIONATTO, 2010; Melo, 2010). Dentre os vários recursos utilizados para o tratamento do fibro edema gelóide, o ultrasom vem se destacando por apresentar resultados satisfatórios (Menezes, 2009; Batista, 2005; Togni, 2006), em especial como facilitador da penetração cutânea de fármacos (Pires Campos). Contudo, foi possível observar um número limitado de trabalhos científicos que utilizassem instrumentos validadores, com amostras significativas (Weimann, 2004; Dalsasso, 2007;

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Revista brasileira de terapia e saúde, 2010; Batista, 2006) e que estabeleçam benefícios a longo prazo (Batista, 2006). No presente estudo a paciente faz o uso de anticoncepcional, isenta de dieta alimentar e sedentária, o que pode ter influenciado no resultado. Existem vários fatores predisponentes no aparecimento do fibro edema gelóide. Weimann (2004) realizou um estudo com o objetivo de analisar a eficácia do ultra-som terapêutico na redução do fibro edema gelóide encontrado na região glútea de 10 mulheres jovens e sedentárias. Após o término do tratamento proposto foi realizada uma nova avaliação, a qual revelou que a utilização do ultra-som mostrou-se eficaz no tratamento do fibro edema gelóide, diminuindo o grau de acometimento. Após dois meses do término do tratamento outra avaliação realizada demonstrou que não houve manutenção dos resultados. É necessário ressaltar que o uso de anticoncepcional pode agravar o quadro do fibro edema gelóide, dentre outros fatores, como: tabagismo, maus hábitos alimentares e postura. Com relação aos achados fotográficos, a resposta fisioterapêutica foi satisfatória somente na ausência de contração isométrica, o que corrobora com a pesquisa de Borges (2006), que teve como objetivo verificar a eficácia do ultra som terapêutico na redução da celulite encontrada na região glútea de cinco mulheres jovens e sedentárias, onde observou-se que os resultados em duas pacientes foram insatisfatórios devido ao nível de contração muscular. Nesta pesquisa foi utilizado o ultra som Avatar. De acordo com Agne (2009), esse ultra som difere do ultra som tradicional devido à ERA de grande área, disponibilizando três emissores no mesmo aplicador, aumentando assim a área de transmissão e diminuindo o tempo de aplicação. Guirro (2004), Borges (2006) e Weimann (2004) afirmam que, o ultra-som terapêutico é eficaz no tratamento do fibro edema gelóide. Quanto à modulação, Dalsasso (2007) utilizou um protocolo semelhante ao presente estudo, com uma freqüência de 3Mhz, intensidade 1,0 W/cm2, modo contínuo, apresentando resultados satisfatórios no término do tratamento. Coerentemente com o tempo de aplicação do ultra som, que foi demonstrado no presente estudo, Togni (2006) utilizou cinco minutos em cada região glútea e na região posterior de coxa, após o tratamento foi observada uma significativa redução no FEG de grau 1 e 2, e um melhor aspecto no de grau 3. Alguns autores (Guirro, 2004; Reed, 2001; Pereira (2007) descrevem que o tempo de aplicação do ultra-som em uma região próxima de 10 cm2 varia de 3 a 5 minutos, não excedendo de 20 minutos no total de aplicação. Divergindo do que é relatado na literatura, Batista (2005) aplicou 15 minutos de ultra som Avatar em cada hemicorpo.

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Os achados de Simionato (2010) corroboram com o presente estudo, em que descreve os efeitos da fonoforese no tratamento da adiposidade abdominal localizada com gel composto de centella asiática, ginkgo biloba, algas marinhas, equisetum e cafeína. No término do tratamento ficou constatada significância estatística na redução da perimetria abdominal. Como no presente estudo, outros autores (Batista, 2005; Borges, 2006) utilizaram princípios ativos semelhantes. Na pesquisa de Batista (2005) realizada com pacientes do sexo feminino, com quadro de FEG grau 1 e 2 na região glútea e superior da coxa.A paciente foi submetida a 15 sessões de tratamento, 4 vezes por semana, com duração de 15 minutos de ultra-som associado a fonoforese com gel composto por centella asiática 3%, ginkgo billoba 3% e cafeína 5%. Ao final do tratamento observou melhora no quadro de FEG, com melhora no aspecto da pele.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Mediante os resultados, conclui-se que o ultra som quando associado à fonoforese, foi eficaz no tratamento do FEG, melhorando apenas o aspecto da pele e auto-estima da paciente. Porém é importante ressaltar que, além desses tratamentos, também se torna necessário a associação de bons hábitos de vida, o que vai propiciar que o tratamento se torne mais eficaz e duradouro.

6. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGNE, Jones Eduardo. Eu sei Eletroterapia. Editora Santa Maria: Paliotti, 2009. ALMEIDA, D. C. B; ET AL.. "Parâmetros de aplicabilidade do ultra-som no tratamento da lipodistrofia ginóide". In: Revista Fisioterapia Brasil. Vol. 6, no 5, p. 339-344, 2005. BATISTA, Monique Côrrea. Efeitos obtidos com a aplicação do ultra som associado à fonoforese no tratamento do fibro edema gelóide. 2006. BORGES, Fábio. Tratamento de celulite (Paniculopatica Edemato Fibroesclerótica) utilizando fonoforese com substância acoplante à base de Hera, Centella asiática e castanha da índia. Fisioterapia Ser, vol. 1, no1, 2006. CUNHA, Lucimara; GOTARDO, Carine. Análises dos fatores comuns entre mulheres com fibro edema gelóide atendidas em um centro estético de Balneário Comburiu entre 2006 e 2008. DALSASSO, Janine C. FEG: Um estudo comparativo dos efeitos terapêuticos, utilizando ultra som e endermovac, em mulheres não praticantes de exercícios físicos. 2007. GUIRRO, Elaine; GUIRRO, Rinaldo. Fisioterapia Dermato-Funcional. 3 ed. Editora Manole, 2004. GOLIK, Vera. Tudo que você precisa saber para vencer a CELULITE e ficar de bem como seu corpo. Editora SENAC, 1995. KITCHEN, Scheila. Eletroterapia - Prática Baseadas em Evidências. 11 ed. Editora Manole, 2003. Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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2. A EFICÁCIA DA ASSOCIAÇÃO DAS TÉCNICAS DE ALONGAMENTO, FACILITAÇÃO NEUROMUSCULAR PROPRIOCEPTIVA E CONTROLE POSTURAL EM ADOLESCENTE COM HEMIPARESIA – ESTUDO DE CASO Lilian Evangelista Nunes4 Rivien Aparecida de Souza Martins5 Profa Andréia Borges Macedo6 RESUMO

A Paralisia Cerebral (PC) é uma patologia neurológica não progressiva que provoca alterações no tônus, postura e na aquisição de habilidades motoras. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi comparar a eficácia da associação das técnicas de Alongamento, Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) e o Controle Postural em paciente com hemiparesia espástica à esquerda. Foi realizado um estudo de caso com um paciente do sexo masculino. O tratamento fisioterapêutico foi realizado em 11 sessões de 50 minutos. Concluímos a melhora na amplitude de movimento de membro superior e da consciência corporal; porém, com o método FNP não se obteve alterações nos padrões existentes e verificou-se também que a associação das técnicas de alongamento e controle postural são importantes para aprimorar a funcionalidade motora e prevenir compensações posturais, contraturas e deformidades.

Palavras-chaves: hemiparesia, alongamento, postura.

1. INTRODUÇÃO

O termo PC designa um grupo de distúrbios cerebrais de caráter estacionário que são devidos a algumas lesões ou a anomalias do desenvolvimento ocorridas durante a vida fetal ou durante os primeiros meses de vida (SHEPHERD, 1995). Segundo Fonseca e Lima (2008), a PC é uma encefalopatia crônica com distúrbios motores não-progressivos que se manifestam em um cérebro em desenvolvimento, levando a distúrbios de motricidade, tônus e postura, podendo ou não associar a déficit cognitivo. A classificação e descrição dos tipos de PC são baseados nas partes do corpo afetado, tônus muscular e movimentos involuntários em espástica, atetósica, hipotônica, atáxica e mista. (SHEPHERD, 1995).

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Acadêmica do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC. Acadêmica do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC. 6 Professora e coordenadora do Estágio Supervisionado do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC, orientadora de trabalho de conclusão de curso. Email: andreiaphborges@hotmail.com 5

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De acordo com Fonseca e Lima (2008), a mais freqüente forma de PC é a espástica, que pode ser quadriplégica, hemiplégica e diplégica. Trata-se de uma lesão do sistema nervoso central (SNC), comprometendo o neurônio motor superior, que leva a quadros bem característicos, como espasticidade, reflexos profundos hiperativos, clônus, reflexo cutaneoplantar em extensão (sinal de Babinski), lentificação dos movimentos, fraqueza, atrofia muscular, contraturas e dor. A fisiopatologia da espasticidade é pouco clara. Por muito tempo, atribuiu-se a presença de reflexos de estiramento exacerbados na espasticidade a uma hiperatividade dos neurônios motores gama, secundária à lesão das vias supra-espinhais inibitórias (FONSECA E LIMA, 2008). Experimentos recentes, no entanto, afirmam que a espasticidade pode ser explicada pela diminuição da inibição pré-sináptica dos neurônios motores alfa. Nesta última hipótese, os interneurônios, que exercem uma inibição pré-sináptica sobre as fibras aferentes Ia, estariam insuficientemente ativadas, devido ao distúrbio supra-espinal, ocasionando uma descarga excessiva dos neurônios motores alfa. Este mecanismo de intensa facilitação da transmissão na via de reflexo monossináptico das fibras sensoriais Ia para os neurônios motores alfa é o fundamento básico para algumas abordagens terapêuticas da espasticidade (FONSECA e LIMA, 2008). Segundo NELSON et al (2009), na hemiparesia ocorre uma diminuição dos movimentos no lado afetado, o membro superior é mais envolvido com dificuldade do uso da mão e pode ocorrer atraso na deambulação com marcha ceifante. O alongamento é um termo geral usado para descrever qualquer manobra terapêutica elaborada para aumentar o comprometimento de estruturas de tecidos moles patologicamente encurtados e deste modo aumenta a amplitude de movimento (ADM) (KISNER E COLBY, 1992). Alongamento estático é o termo mais comum utilizado para descrever um método por meio do qual os tecidos moles são alongados um pouco além do ponto de resistência do tecido, e então mantidos na posição alongada por um longo tempo com uma força de alongamento (KISNER E COLBY, 2005). De acordo com Tribastone (2001), as técnicas de alongamento muscular propõem manter ou melhorar a extensibilidade músculofascial e indicadas para preparar e completar a tomada de consciência corporal e o fortalecimento muscular.

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Segundo Adler et al (2007), FNP é um conceito de tratamento. Sua filosofia baseia-se na idéia de que todo ser humano, incluindo aqueles portadores de deficiência, tem um potencial existente. O objetivo das técnicas de FNP é promover o movimento funcional por meio da facilitação, da inibição, do fortalecimento e do relaxamento de grupos musculares. As técnicas utilizam contrações musculares concêntricas, excêntricas e estáticas, combinadas com a aplicação gradual de uma resistência e com procedimento facilitatórios adequados, todos ajustados para atingir as necessidades de cada paciente (ADLER et al, 2007). Toda alteração no sistema motor está acompanhada de alterações do esquema corporal, sendo a soma de todos, os eventos que ocorrem nas funções sensitivo-motoras, afetivas e intelectuais e que levam a consciência do próprio corpo (NICOLA, 2004). A importância de perceber e conhecer o próprio corpo parece universalmente evidente. A percepção corporal é necessária para o controle motor. Com o objetivo de planejar as ações musculares, o cérebro deve ser informado da posição inicial do corpo (GOLDENBERG, 2002), Nesse sentido, este estudo tem como objetivo mostrar a eficácia do alongamento, a FNP e da correção postural trabalhadas em associação para normalizar o tônus e facilitar o movimento normal, melhorando a ADM, flexibilidade e controle postural. Isto faz com que o paciente utilize o máximo de suas atividades motoras e desempenhe as tarefas cotidianas de modo mais funcional e independente, prevenindo anormalidades posturais e alterações musculares decorrentes do déficit motor.

2. MATERIAL E MÉTODO Foi realizado um estudo experimental do tipo “estudo de caso” na Clínica Escola da Faculdade de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC. Antes de iniciar o estudo, o pai e o paciente assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido. A identidade do participante e os dados coletados durante o estudo foram confidenciais e mantidos no anonimato. Esse procedimento não apresentou riscos e nenhum tipo de ônus para o paciente. Os critérios de inclusão foram: paciente com diagnóstico clínico de PC do tipo hemiparética, sem comprometimento do cognitivo com idade entre 12 e 16 anos, com marcha independente.

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Os critérios de exclusão foram: paciente com diagnóstico clínico de paralisia cerebral diparética, tetraparética, paraparética e monoparética e por apresentar incapacidade de compreensão e realizar comandos verbais simples. Participou desta pesquisa o paciente P.S.M com 15 anos de idade, sexo masculino com diagnóstico clínico de Paralisia Cerebral Hemiparética Espástica. A intervenção fisioterapêutica baseou-se na FNP, alongamento estático e reeducação postural, através da consciência e esquema corporal na postura deitado e sentado. O estudo consistiu, inicialmente de uma Ficha de Avaliação Neurológica, realizada em 3 sessões em que foi aplicado, desde a história da gestação, evolução psicomotora até o exame físico do adolescente. Para avaliar se houve eficácia do alongamento, foi utilizado o goniômetro (é uma forma de mensuração de ADM). Foi utilizado o Teste de 1 Minuto para verificar compensações musculares que podem gerar desvios posturais. Os materiais utilizados durante o tratamento foram óleo para massagem, utilizado na região anterior do braço na inserção e comprimento do músculo bíceps braquial, para facilitar o alongamento; a mesa de reeducação postural global para posicionar o paciente em decúbito dorsal para realização do alongamento, FNP, consciência e esquema corporal; colchonete para alongamento de membro inferior esquerdo; cadeira e banco para a consciência corporal, mantendo o paciente de forma ereta, ombros alinhados, membro inferior em ângulo de 90°. As sessões de fisioterapia ocorreram duas vezes por semana nas terças e quintas-feiras às 17:30 até 18:20 horas com 50 minutos cada sessão, sendo realizadas no período de 31/08/2010 à 04/11/2010 totalizando 11 sessões. A intervenção fisioterapêutica com a FNP funcional e básica foi composta pela técnica com o membro em diagonal, associado à tração, estiramento muscular, força muscular exercida pelo paciente e comando verbal, realizado em membro superior esquerdo e membro inferior esquerdo. O alongamento utilizado foi o estático e passivo com o paciente em decúbito dorsal, sendo nas seguintes articulações: ombro (flexão e abdução), cotovelo (flexão e extensão), punho (pronação, supinação e extensão), mão (extensão das interfalangianas e abdução do polegar); em membro inferior esquerdo, alongamento de posterior de coxa (isquiotibiais), tornozelo e pé (tibial anterior e extensores dos dedos). Foi selecionado esse tipo de alongamento, pois há uma diminuição da hipertonia, relaxamento da musculatura que está sendo recrutada. O controle postural foi realizado em duas posturas: deitado e sentado; a primeira solicitava que o paciente se posicionasse da forma que ele considerava a postura correta; logo Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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após, foram feitas às devidas correções posturais, com pompage escapular e pélvica e Articulação

Data Inicial Data Final 31/08/2010 05/11/2010 mantendo o paciente na postura. A postura sentada, primeiramente, foi em uma cadeira com apoio dorsal, em frente ao espelho para que o paciente tivesse maior percepção postural e visual, mantendo a postura até o seu limite quando então ele realizava a flexão de tronco. Com a melhora do controle postural, foi trocada a cadeira por um banco, sem apoio dorsal, em frente ao espelho, permanecendo nessa postura até seu limite.

3. RESULTADOS

Com a realização do alongamento estático, houve melhora na ADM e hipertonia do membro superior esquerdo. Durante o alongamento, percebeu-se a diminuição da hipertonia do membro superior esquerdo e melhora do padrão flexor, melhorando a realização de movimentos passivos como a pronação e supinação de punho. A aplicação da FNP não promoveu o resultado esperado, a funcionalidade; pois, aumentou o padrão flexor no membro superior esquerdo e as compensações ocorridas na cabeça (rotação e inclinação) para o lado esquerdo; ombro (elevação e abdução da escápula D) para o lado esquerdo; tronco (rotação) para o lado esquerdo; quadril (elevação e adução); e membro inferior (adução), para o lado esquerdo. O paciente demonstrou muita força no membro superior esquerdo quando realizava o FNP, gerando desequilíbrios como descrito anteriormente na postura e no movimento. De acordo com a goniometria feita no início e final do tratamento, nota-se um aumento na ADM da articulação do ombro em flexão, extensão, abdução, adução e rotação externa, também na articulação do cotovelo em flexão e extensão. E na articulação de punho não foi feita porque o paciente não conseguiu realizar os movimentos de extensão do punho, desvio ulnar, desvio radial, pronação, supinação, e o movimento de flexão já é o seu padrão. Nas articulações do quadril, joelho, tornozelo não houve ganho, permanecendo os valores da goniometria anterio, conforme ilustra a Tabela 1 abaixo.

Tabela 1: Goniometria - Movimentação Ativa

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Ombro: Flexão: (180°) Extensão: (45°) Adução: (45°) Abdução: (180°) Rotação Interna: (70°) Rotação Externa: (90°) Cotovelo Flexão: ( 145°) Extensão: (0°) Punho Pronação: (90°) Supinação: (90°) Flexão: (80°) Extensão: (70°) Desvio Ulnar: (45°) Desvio Radial: (20°) Quadril Flexão(com joelho fletido): (125°) Extensão: (10°) Adução: (10°) Abdução: (45°) Rotação Interna: (45°) Rotação Externa: (45°) Joelho Flexão: (140°) Extensão: (0°) Tornozelo Dorsiflexão: (20°) Flexão Plantar: (45°) Inversão: (40°) Eversão: (20°)

140 graus 25 graus 15 graus 110 graus 50 graus 75 graus

150 graus 30 graus 20 graus 120 graus 50 graus 80 graus

130 graus 35 graus

135 graus 50 graus

Não consegue realizar Não consegue realizar Não consegue realizar Não consegue realizar Não consegue realizar Não consegue realizar

Não consegue realizar Não consegue realizar Não consegue realizar Não consegue realizar Não consegue realizar Não consegue realizar

100 graus

100 graus

10 graus 10 graus 20 graus 20 graus 15 graus

10 graus 10 graus 20 graus 20 graus 15 graus

100 graus 0 grau

100 graus 0 grau

10 graus 10 graus 15 graus 10 graus

10 graus 10 graus 15 graus 10 graus

No membro superior, que é o mais comprometido com depressão da escápula esquerda e rotação interna de ombro, flexão de cotovelo e punho, houve uma melhora na ADM, confirmando a importância do alongamento diário em pacientes com PC Hemiparética.

Tabela 2: Teste de 1 Minuto Vista Anterior

31/08/2010

05/11/2010

Cabeça:

Rotação a D

Rotação a D

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Clavícula:

E mais alta

E mais alta

Ombro:

D mais alto

D mais alto

Joelho:

Normal

Normal

Pé:

D

desabado D

desabado

medial(pronação)

medial(pronação)

E em inversão

E em inversão

Vista Perfil

31/08/2010

05/11/2010

Cabeça:

Protusão

Protusão

Centro de Gravidade:

Anterior

Anterior

Crista Ilíaca

Normal

Normal

Vista Posterior

31/08/2010

05/09/2010

Cabeça:

Rodada a D

Rodada a D

Nível das Escápulas:

D mais alta

D mais alta

Ombro:

D mais alto

D mais alto

Ângulo de Tales:

E mais aberto

E mais aberto

Crista Ilíaca:

Mesma altura

Mesma altura

Linha Poplítea:

Alinhada

Alinhada

Pé:

D

Gibosidade:

é

desabado(medial- D

é

desabado(medial-

protusão)

protusão)

E em inversão

E em inversão

Assimetria Muscular a D

Assimetria Muscular a D

Fonte: Luiz Carlos Ferracini Júnior

Foi observado mudança na melhora da consciência corporal; o paciente permaneceu na postura por mais tempo, sem compensações e desvios. Quando solicitado para permanecer na postura de decúbito dorsal e sentado, o mesmo se colocava em um melhor posicionamento. DISCUSSÃO

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Observou-se neste estudo que o alongamento diário é fundamental para que o paciente possa diminuir o tônus muscular, otimizar a função e melhorar a ADM, favorecendo assim maior independência. A espasticidade depende proporcionalmente da velocidade com que os movimentos são realizados; por isso, os movimentos lentos têm menor possibilidade de induzir à hipertonia espástica. Sendo assim, os alongamentos músculo-tendinosos devem ser lentos e realizados diariamente para manter a ADM e reduzir o tônus muscular (TEIVE et al, 1998). O alongamento minimizou o risco de contraturas, lesões musculotendíneas, melhora da postura, consciência corporal, induzindo o paciente a manter o membro afetado em uma extensão um pouco maior que antes por mais tempo. O alongamento estático de baixa intensidade com longa duração realizado no paciente resultou em melhora na ADM da articulação do ombro em flexão, extensão, adução, abdução e rotação externa e da articulação do cotovelo em flexão e extensão. Os exercícios de FNP podem contribuir para compensar determinadas deficiências, entre elas, a amplitude de movimento voluntário. Através dos exercícios, a FNP visa aumentar sua capacidade de amplitude de movimento e melhorar a capacidade da pessoa em responder de forma positiva ao esforço (PEREIRA E JUNIOR, 2003 apud ADLER et al., 1999). Neste estudo, observou-se que a técnica de FNP fez aumentar o tônus do membro superior e inferior esquerdo e gerou compensações, ocorridas na cabeça (rotação e inclinação), para o lado esquerdo; ombro (elevação e abdução da escápula D) para o lado esquerdo; tronco (rotação) para o lado esquerdo; quadril (elevação e adução); e membro inferior (adução), para o lado esquerdo. Os encurtamentos e as deformidades articulares surgem por mau posicionamento dos segmentos afetados e pelo desenvolvimento de espasticidade e causam danos na postura e marcha (SEGURA et al,2008 apud ANDRÉ, 2005). As alterações posturais interferem na qualidade de vida, além de provocar alterações na biomecânica corporal; motivo esse a importância de se utilizar a técnica da consciência e esquema corporal para melhorar o desequilíbrio muscular, a propriocepção e o encurtamento dos tecidos moles; alivia-se, assim, as compensações musculoesqueléticas produzidas pela hipertonia e promovendo estabilidade corporal, endireitamento e equilíbrio. Portanto, a percepção corporal é a relação de aspectos neurológicos e de comportamento, os quais integram a sensação da presença do corpo no ambiente, sendo considerada a base da estruturação psicomotora do indivíduo. Para facilitar o desenvolvimento da percepção corporal da criança com deficiência motora é importante o Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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desenvolvimento de atividades de integração que conjugam a neurofisiologia e o comportamento motor para a utilização de estratégias de intervenção que adotem a abordagem de solução de problemas. (BERTOLDI et al, 2007) É importante e necessário estimular movimentos ativos e voluntários para promover a funcionalidade, o alongamento e a consciência e esquema corporal os quais são favoráveis para melhorar a mobilidade e a postura porque permitem que os movimentos sejam feitos com menor compensação e mais eficiência.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Fisioterapia pode dar uma contribuição relevante para melhoria do paciente com PC, visando melhora da qualidade de vida e independência. Sendo esta uma patologia de alta complexidade e cronicidade, deve-se utilizar todos os recursos disponíveis e conhecidos para aprimorar o tratamento fisioterapêutico, para conseguir alcançar o máximo de funcionalidade dentro da limitação de cada paciente. Pacientes com PC com hemiparesia apresentam diminuição da força muscular, fraqueza e hipotrofia muscular, decorrentes da espasticidade e da diminuição de estímulos do SNC, causadas pela lesão; entretanto, é necessário implementar exercícios de fortalecimento muscular associados as técnicas de alongamento, FNP e controle postural para melhorar a força muscular, flexibilidade, postura, equilíbrio e mobilidade. Percebemos a falta do fortalecimento muscular, sendo necessário e importante para o paciente com PC hemiparética espástica que o mesmo utilize como tratamento o fortalecimento muscular, pois a musculatura comprometida apresenta aumento de tônus (hipertonia); porém, é uma musculatura fraca (hipotrofismo) e, com o fortalecimento muscular, há ganho na marcha, melhora do tônus, postura, melhora dos desequilíbrios musculares, consciência e esquema corporal e melhora das capacidades funcionais. Deste modo, conclui-se que a freqüência do alongamento precisa ser diária, porque produz ganhos expressivos na ADM (observado no membro superior esquerdo). Para se obter uma melhora na mobilidade pode-se associar atividades funcionais em diagonal e o uso do splints, o qual o paciente usa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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3. A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO DURANTE O TRATAMENTO FISIOTERAPEUTICO EM PACIENTES IDOSOS COM DÉFICIT COGNITIVOESTUDO DE CASO Talita Campos Mendonça7 Prof. Andréia Borges Macedo8 RESUMO

O envelhecimento é um processo natural, ocorrendo alterações no organismo afetando cognitivo, psicológico e social tendo como conseqüência a perda funcional. Realizou-se um estudo de caso, com a paciente que apresentou déficit cognitivo, quadro clínico de hipotonia de membros superiores, fraqueza muscular de membros superiores e inferiores, diminuição de coordenação motora de membros superiores (MMSS), dificuldade de deambulação, edema e úlcera de pressão no pé direito e perna esquerda, diminuição de amplitude de movimento (ADM) de membro superior e inferior, encurtamento de isquiotibiais e abdutores. Foi desenvolvido: tratamento fisioterapêutico convencional associado ao lúdico com intuito de melhorar a compreensão na realização das atividades propostas, estimulando atenção, concentração, melhora na qualidade de vida e independência para atividades de vida diária (AVD's). Aplicou-se teste da memória de figuras, teste de fluência verbal, teste de reconhecimento de figura, formulário de avaliação das atividades de vida diária e ficha de avaliação geriátrica. Os materiais usados no tratamento foram: faixa elástica, theratube, espelho, cadeiras, caneleiras, pente, bexigas, bolas coloridas de diferentes texturas, tamanhos com ou sem som, tamborim, pandeiro, bola suíça, jogo da memória de animais, peças de enroscar, montagem e encaixe com formato de animais. Percebeu-se no início do tratamento que a paciente apresentava dificuldades em executar e compreender os exercícios propostos, com falta de interesse, concentração e atenção. Com o tratamento a paciente teve evoluções significativas, melhorando raciocínio, atenção, orientação de tempo e espaço, coordenação motora, compreensão, interesse, destreza, domínio ao manipular objetos, proporcionando facilidade na execução, disposição, socialização e interação da paciente com o tratamento. Palavras-chaves: Lúdico, idoso e cinesioterapia

1. INTRODUÇÃO

O termo envelhecimento é usado para se referir a um processo ou conjunto de processos que ocorrem em organismos vivos e que com o passar do tempo levam a uma perda de adaptabilidade, deficiência funcional e finalmente, a morte. Outra conseqüência do envelhecimento é o aumento da prevalência de idosos dependentes: falta de capacidade física, mental e social para realizar a AVD's, tanto as comuns quanto

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Acadêmica do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC. Professora e coordenadora do Estágio Supervisionado do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC, orientadora de trabalho de conclusão de curso. Email: andreiaphborges@hotmail.com 8

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as instrumentais, e falta de autonomia (incapacidade da pessoa de tomar decisões e executá-las), desestabilizando toda a estrutura familiar e sua relação (SPIRDUSO, 2005). O envelhecimento tem início pouco perceptível até que surjam as primeiras alterações funcionais e/ou estruturais (DRIUSSO e CHIARELLO 2007). Segundo Braghirolli, et al., (1999) as teorias cognitivas reconhecem que o comportamento e seu resultado dependerão tanto das escolhas conscientes do indivíduo, como dos acontecimentos do meio sobre os quais não tem controle e que atuam sobre ele. O idoso geralmente apresenta lapsos de memória e menor velocidade de raciocínio (DRIUSSO e CHIARELLO, 2007). O que acreditamos ser a natureza humana, o que percebemos como valoroso em nosso mundo, e o que identificamos como "qualidade de vida (QV)" dirige nossas decisões, nosso comportamento e nossa comunicação. Como profissionais de saúde, nosso papel é não causar nenhum prejuízo, desenvolver uma relação de confiança baseada na honestidade e na verdade, promover a independência, demonstrar uma "visão incondicionalmente positiva", e estimular a crença de que cada individua é única, capaz e passível de mudanças (GUCCIONE, 2002). Matos (2006) define a atividade lúdica pode ser uma dentre os vários aspectos favoráveis à melhor QV da pessoa idosa, que pode ser alcançada por uma prática lúdica que abra as portas para situações estimulantes dentro dos jogos e das brincadeiras, buscando diminuir as resistências ao tato, ao contato, ao movimento e ao prazer pela vida. A comunicação é uma habilidade aprendida com base cultural. Ela é um processo complexo, transmitido nas formas escrita, oral e não-verbal. Um comunicador eficiente adapta o conteúdo da mensagem e o estilo de sua transmissão às necessidades de quem a recebe. A comunicação eficaz com o idoso requer adaptação às alterações fisiológicas, psicológicas e sociais comuns que resultam do processo de envelhecimento (GUCCIONE, 2002). A comunicação é um componente essencial do papel de um profissional de saúde. O aspecto comunicativo do ser humano-corpo, gestualidade e verbo são essenciais em sua abordagem quer na educação, reeducação ou terapêutica (NICOLA, 2004). O uso do humor entre o paciente e o terapeuta precisa de três condições: Uma relação que permita a introdução de brincadeiras sem más interpretações; um ambiente social que permita as brincadeiras sem romper com a sociedade; alguém que faça insinuações para mudar o humor e assuma o risco de a mensagem ser ignorada (GUCCIONE, 2002). Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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Segundo Nicola (2004), chamamos linguagem corporal ou linguagem do corpo ao conjunto de atitudes e comportamentos que têm significados para outra pessoa. Como base devemos ter a idéia real de que a linguagem só existe como forma de comunicação se houver sentido para duas ou mais pessoas. O que se apresenta como fundamental neste nível e que todos os nossos gestos, todas as nossas atitudes e comportamentos corporais sempre podem ser interpretados a despeito da nossa intenção. A psicomotricidade estuda o homem na sua unidade como pessoa. A intervenção psicomotora se situa em âmbito global, numa tentativa de modificar toda uma atitude em relação ao seu corpo como lugar de sensação, expressão e criação. Toda alteração no sistema motor está acompanhada de alterações do esquema corporal, sendo a soma de todos, os eventos que ocorrem nas funções sensitivo - motoras, afetivas e intelectuais e que levam a consciência do próprio corpo (NICOLA, 2004). A memória é a base para o desenvolvimento da linguagem, do reconhecimento das pessoas e dos objetos vistos todos os dias, para que o homem saiba quem é e tenha consciência da continuidade da própria vida. Sem a memória, a cada dia, ou mesmo a cada momento, estaríamos começando uma nova etapa, sem podermos nos valer do que aprendemos anteriormente (SANTOS 2010; apud YASSUDA 2002). A memória diminui na velhice, e embora algumas áreas continuem relativamente preservadas a perspectiva é de declínio (HAMILTON, 2002). A palavra lúdico vem do latim ludus e significa brincar. Neste brincar estão incluídos os jogos, brinquedos e divertimentos e é relativa também à conduta daquele que joga, que brinca e que se diverte. O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para uma boa saúde mental, prepara para um estado interior fértil, facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento. (CRUZ, et al, 1998). Souza (2005, p.6) classifica que o lúdico pode ser muito importante para a terceira idade, desde que o mesmo esteja associado ao brincar prazeroso. Os exercícios fisioterapêuticos é o treinamento sistemático e planejado de movimentos corporais, posturas ou atividades físicas com a intenção de proporcionar ao paciente meios de tratar ou prevenir comprometimentos; melhorar; restaurar ou aumentar a função física; evitar ou reduzir fatores de risco relacionados à saúde; otimizar o estado de saúde geral; o preparo físico ou a sensação de bem estar. Os programas e exercícios fisioterapêuticos elaborados por fisioterapeutas são individualizados para as necessidades particulares de cada paciente (KISNER e COLBY, 2005).

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2. METODOLOGIA

Foi realizado um estudo de caso com uma paciente do sexo feminino com 69 anos sem diagnostico clinico definido e que apresentava: hipotonia de membros superiores, fraqueza muscular de membros superiores e inferiores, diminuição de coordenação motora grossa e fina na mão esquerda, dificuldade de deambulação, edema e úlcera de pressão no pé direito e perna esquerda, diminuição de ADM de membro superior e inferior direito e esquerdo e encurtamento de isquiotibiais e abdutores direito e esquerdo. Os critérios de inclusão foram pacientes dependentes nas AVD's e déficit cognitivo. Os critérios de exclusão foram pacientes independentes nas AVD's e sem déficit cognitivo. Foi aplicado os testes de cognição (anexo V) como teste da memória de figuras que apresenta dez figuras para a avaliação da percepção visual; da nomeação da memória incidental; imediata e tardia; além de posterior reconhecimento dessas figuras junto há outras dez. O teste de fluência verbal avalia a memória semântica (conhecimento geral sobre o mundo, dos fatos, das palavras, sem relação com o momento do seu aprendizado). O teste de reconhecimento de figuras avalia a percepção visual e nomeação dos desenhos presentes nas figuras. O formulário de avaliação das AVD's (anexo VI) e a ficha de avaliação geriátrica (anexo III). Antes de iniciar a execução do tratamento no Centro de fisioterapia e terapia ocupacional do Asilo São Vicente de Paulo, foi aplicado o termo de consentimento e de anuência (anexo I e II) assinado pela responsável da moradora, que incluiu a autorização do uso da imagem sem a identificação da paciente. Este foi realizado duas vezes por semana nas terças e quintas por 30 dias, em dez sessões com duração de 45 a 60 minutos. Os materiais usados foram a bexiga, bolas coloridas de diferentes texturas e tamanhos com ou sem som onde a paciente realizou exercícios em diagonais e movimentos de flexão, extensão e abdução do ombro, na tentativa de pegar, bater e/ou jogar com as mãos o objeto em direção ao terapeuta e devolvendo-o a paciente. Para trabalhar a coordenação motora e os movimentos ativos de MMSS foram utilizados o pandeiro e o tamborim, onde a paciente segurava os instrumentos sozinha e depois segurados pelo terapeuta. Foram usados para tocar com as mãos e/ou baquetas alternando os membros superiores e em diferentes direções (frente, lateral, acima e abaixo). Para os exercícios de dissociação da cintura escapular, pélvica e consciência corporal foi utilizado espelho e bola suíça onde a paciente era colocada sentada à frente do espelho com o terapeuta atrás auxiliando nos exercícios de circundução, para frente e para trás e lateralização. Estes exercícios também foram associados a bola colorida de diferentes texturas, com e sem som como Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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exercícios diagonais sendo que a paciente pegava a bola da mão da terapeuta em diferentes direções (frente, lateral, acima e abaixo) e à entregava da mesma forma, estimulando o visual e auditivo. Para a coordenação motora grossa e raciocínio, foram utilizadas peças de montar onde ela montava uma na outra até formar uma torre, depois as desmontava e guardava dentro de um saco. Peças de enroscar foram utilizadas para a coordenação motora grossa, atenção e raciocínio onde a paciente desenroscava todas as peças do tubo, e quando terminasse as colocava enroscando de volta ao mesmo tubo, até acabar com todas. Peças de encaixar com formato de animais que foram usadas como exercícios de coordenação motora fina, orientação de tempo e espaço, que consiste em uma fôrma com diferentes formatos de animais, possuindo espaços para cada forma. Ainda na mesma atividade, a paciente encaixava cada animal no seu devido formato até acabar com as peças. Jogo da memória de animais como exercícios para percepção visual, memória e reconhecimento. Sendo que a terapeuta imitava e soletrava os animais e a paciente repetia tudo que acontecia no tratamento. Para as AVD's e sua independência, a paciente foi colocada em frente ao espelho sentada em uma cadeira, onde penteava os cabelos alternado as mãos melhorando a coordenação motora. Para treino funcional, foram colocadas três (3) cadeiras com três (3) bexigas e três (3) caneleiras para fortalecimento de membros inferiores e equilíbrio, que eram realizados como exercícios de obstáculos, onde a paciente pulava a primeira caneleira; passava pela primeira cadeira e sentava nela estourando a bexiga que havia no assento, o exercício terminava até completar todo o circuito.

3. RESULTADOS

Os testes de cognição de fluência verbal, memória de figuras e reconhecimento de figuras foram realizados com a paciente comprovando o déficit cognitivo. Através do formulário de avaliação das AVD's revelou-se que a paciente é parcialmente dependente, devido ao fato dela se alimentar sozinha. As atividades que não consegue realizar são: tomar banho, vestir roupa: pegar roupa no armário e vestir-se, incluindo roupas íntimas, roupas externas com fechos e cintos, ir ao banheiro, transferências e continência. Assim, em algumas questões da ficha de avaliação geriátrica teve auxilio de respostas pelo responsável da paciente tais como: dados pessoais, medicamentos, médico responsável, hábitos de vida e história pessoal, constatando que não foi possível identificar o diagnóstico clínico, a queixa Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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principal, a história da moléstia atual, sensibilidade, propriocepção, equilíbrio e goniometria devido a incompreensão da paciente. Através da bexiga (foto em anexo IV) e bolas coloridas de diferentes texturas, com ou sem som foram realizados exercícios em diagonais de membro superior para AVD's e exercícios ativos com movimentos de flexão, extensão, abdução e adução do ombro sendo que estas eram jogadas e pegadas pela paciente alternando as mãos e em diferentes direções (frente, atrás, lateral, abaixo e acima) com movimentos promovidos pelo terapeuta estimulando a mobilidade, a visão, audição, coordenação motora, concentração para realizar as tarefas propostas e orientação de tempo e espaço. Através destes movimentos a paciente apresentava dificuldade de atenção, lentidão ao pegar os objetos, e ao jogar bola com a mão esquerda não tinha coordenação suficiente para solta-la em direção ao terapeuta. No decorrer do tratamento a paciente foi apresentando melhora na atenção, concentração e mobilidade em executar os movimentos, fazendo-os com mais rapidez e segurança. Figura 1.

Figura 2.

Através do tamborim e pandeiro (foto em anexo IV) a paciente trabalhava a coordenação motora, audição, visão e fortalecimento tocando com as mãos e/ou baquetas alternando-as. Realizou primeiro os movimentos segurando os instrumentos sem o auxílio da terapeuta usando os dedos, palma da mão, parte lateral e medial das mãos para bater no pandeiro e baquetas para bater com uma mão, com as duas, mais lento e mais rápido no tamborim. Após isso, a terapeuta segurou os instrumentos pedindo para a paciente bater seguindo as diferentes direções que colocava (frente, lateral, acima e abaixo) a fim de executar os exercícios diagonais. A partir deste tratamento percebeu-se que a paciente apresentava fraqueza ao levantar os membros superiores, falta de vontade ao realizar exercícios, falta de interesse, atenção e coordenação principalmente de membros superior esquerdo. E no decorrer do tratamento ela melhorou o interesse, atenção e concentração mostrando mais ânimo.

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Figura 3.

Figura 4.

A theratube foi amarrada ao espaldar de forma que resta uma ponta, com isso a paciente utilizava as mãos segurando na ponta que restou fazendo força com membros superiores para puxá-la em extensão e volta-la para flexão de cotovelo, sendo que esse exercício foi realizado para ajudar no fortalecimento, funcionalidade e mobilidade. O bastão foi utilizado para exercícios de fortalecimento e mobilidade dos membros superiores, onde a paciente usou uma das mãos para segurar um lado do bastão e a outra mão do outro lado do mesmo, realizando exercícios com movimentos de flexão e extensão que proporcionou mobilidade, funcionalidade e orientação de tempo e espaço. Para dissociação de cintura pélvica e escapular foi usada a bola suíça, sendo que a paciente ficava sentada na bola em frente ao espelho e o terapeuta auxiliando atrás. Eram executados movimentos de lateralização, para frente e para trás, circundunção e pulos, melhorando na descarga de peso, deambulação, mobilidade e equilíbrio. Em todos os itens acima a paciente executava as atividades com dificuldade, falta de compreensão, falta de ânimo, falta de interesse, falta de concentração, movimentos incoordenados, pouca mobilidade e lentidão. No entanto esses aspectos foram melhorados ao decorrer do tratamento. O circuito com obstáculos composto por três (3) cadeiras, três (3) bexigas e três (3) caneleiras eram colocadas no chão e propostos para a paciente andar e/ou pular descalça, assim pulando a primeira caneleira; passando pela primeira cadeira e sentando nela, estourando a bexiga que havia no assento. O exercício terminava até completar todo o circuito. Estes mesmos foram utilizados para melhorar na deambulação, orientação de tempo e espaço, treino funcional ao trocar da posição sentada para em pé, equilíbrio, sensibilidade e propriocepção. Nesta primeira atividade a paciente não conseguia realizar a tarefa com interesse, atenção e era lenta ao executá-la, mais com isso foi adaptando e melhorando a disposição, atenção, propriocepção e orientação de tempo e espaço.

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Figura 5.

Figura 6.

As peças de montagem (fotos em anexo) trabalhavam coordenação motora e raciocínio através dessas montando uma na outra até formar uma torre e acabar com as peças, depois desmontando-as e guardando-as dentro de um saco. Através das peças de enroscar (fotos em anexo) foram utilizadas para a coordenação motora, atenção e raciocínio onde a paciente desenroscava todas as peças do tubo e quando terminasse, as colocava enroscando de volta ao mesmo tubo até acabar com as peças. E as peças de encaixe (fotos em anexo) com formato de animais com intuito de trabalhar a coordenação motora, raciocínio, atenção, orientação de tempo e espaço e tolerância em realizar tais exercícios. Nas primeiras sessões de fisioterapia a paciente apresentou dificuldade em compreender as atividades citadas anteriormente, em manipular os objetos, como também falta de atenção, raciocínio, paciência, interação, concentração e coordenação. Através disto fez com que ela melhorasse em todos os itens citados acima. Figura 7.

Figura 8.

Para treino de atividades de vida diária foi utilizado o pente, onde a paciente ficava sentada em frente ao espelho penteando os cabelos alternando os membros

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superiores, trabalhando a coordenação motora para torná-la mais independente. Ao realizar o exercício na primeira sessão encontrou dificuldade de coordenação motora do membro superior esquerdo e após outras sessões obteve evolução nesta. No decorrer do tratamento realizou os exercícios propostos de forma correta, coerente e com precisão percebendo assim uma evolução graduada e significativa da paciente. Obtiveram-se resultados positivos como a melhora na concentração, coordenação motora, interação e socialização com o terapeuta, alegria e disposição ao realizá-los, orientação de tempo e espaço, reconhecimento e domínio em manipular os objetos, melhora na percepção, compreensão e raciocínio.

4. DISCUSSÃO

Segundo Cruz, et al (1998) o lúdico significa brincar e traz divertimento a quem participa. Ele facilita na aprendizagem, desenvolvimentos pessoais, sociais e culturais, colabora para uma boa saúde mental, prepara para um estado interior fértil, facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento. Esta pesquisa mostrou que os exercícios lúdicos possuem benefícios significativos em pacientes idosos com déficit cognitivo, mostrando que a inserção do lúdico ao tratamento convencional facilita a comunicação entre a paciente e terapeuta, melhorando atenção, compreensão, manipulação, percepção, vontade, auto-estima, interação, interesse, raciocínio, disposição, memória, socialização, noção de espaço e reconhecimento de objetos. As atividades lúdicas e, especificamente os jogos e brincadeiras adaptados para idosos, podem ser mais bem utilizados durante as sessões de fisioterapia com a finalidade de promover a estimulação cognitiva e de memória (MATOS, 2006). Segundo Sousa (2005) o lúdico pode ser muito importante para a terceira idade, desde que o mesmo esteja associado ao brincar prazeroso. Além disso, apresenta outros parâmetros propiciadores de QV, auto - estima e prevenção de doenças, muito importantes para os projetos futuros na vida do idoso. Com o lúdico os idosos podem sentir mais prazer pela vida, relembrar o passado e voltar a realidade através da terapia, do divertimento e prevenindo doenças. O adulto que volta a brincar não se torna criança novamente, apenas ele convive, revive e resgata com prazer e alegria do brincar e da lucidez (CRUZ, et al 1998).

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Matos (2006) define a socialização e integração vivida de modo prazeroso são elementos positivos possibilitados pela oficina de atividades lúdicas, reconhecimento e lembranças de brincadeiras e de jogos. Alguns dos materiais utilizados tiveram destaque pela evolução da paciente, que são as peças de enroscar, encaixar com formato de animais e montagem de peças, pente, auxiliaram na melhora da coordenação motora grossa e fina de mãos, manuseio de objetos, atenção e raciocínio. Segundo Matos (2006) os benefícios apresentados pelos idosos são: alegria, aprendizagem, estimulação da mente, riso, diversão, relembrar o passado, bem-estar, prazer, fazer exercício, distanciamento do cotidiano, ser criativo, associação com a realidade, beleza, socialização e integração. Através da bola suíça estimulou a mobilidade, equilíbrio e confiança ao sentar na cadeira, dissociação de cintura escapular e pélvica. Observando uma melhora da percepção de tempo e espaço, funcionalidade de membro inferior ao trocar de postura sentada para em pé, equilíbrio, fortalecimento de membro inferior através do treino funcional utilizando obstáculos. A partir desta pesquisa notou-se que nas primeiras sessões do tratamento a paciente teve dificuldades, pois não compreendia as atividades propostas, ficando dispersa, sem interesse, desanimada e desmotivada em executar os exercícios, causando grande dificuldade na realização do mesmo. No decorrer do tratamento houve eficácia despertando o interesse da paciente na execução dos exercícios, ao dominar objetos de forma correta, apresentando vontade para vencer e concluir obstáculos, melhorando o raciocínio, a disposição, a atenção, compreensão, orientação de tempo e espaço, conhecimento de suas limitações e interação com a terapeuta.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho colaborou para identificar que o lúdico facilita no tratamento e na evolução do paciente idoso com déficit cognitivo, proporcionando satisfação, alegria e interação. A partir deste, teve um bom resultado, pois a paciente conseguiu ser mais positiva em relação ao tratamento; ser mais próxima a terapia proposta, sentindo-se realizada ao conseguir superar os desafios presentes e capacidade em observar e entender o tratamento. Os métodos utilizados foram de suma importância no tratamento em idosos com déficit cognitivo ajudando na descrição dos resultados. Devido aos resultados obtidos neste trabalho observou-se a importância de se associar o método convencional com exercícios lúdicos. Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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REFERÊNCIAS ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas NBR. 14724: Informação e Documentação. Trabalhos Acadêmicos Apresentação - Rio de Janeiro ABNT, 2002. BRAGHIROLLI M. M.Elaine; BISI P. Guy; RIZZON A. Luiz; NICOLETTO Ugo -Psicologia Geral. 17° Edição Editora Vozes, 1999. CRUZ da M. R. Dulce; SILVEIRA Da M. J. Maria; BOLZAN V. P. Doris; CORRÊA M. M. Sonia; GARBIN M. Elisabete - O Lúdico na Formação do Educador, 2° Edição, 1998. DRIUSSO. Patrícia; CHIARELLO. Berenice - Fisioterapia Gerontológica. Editora Manole Ltda, 2007 GUCCIONE, A. Andrew- Fisioterapia Geriátrica. 2a edição, Ed. Guanabara, 2002. HAMILTON -S. Ian- A Psicologia do Envelhecimento, 3° Edição, 2002 KISNER, Carolyn; COLBY, A. Lynn- Exercícios Terapêuticos, Fundamentos e Técnicas, 4a edição, 2005. NICOLA, Mônica- Psicomotricidade Manual Básico. Editora Revinter Ltda, 2004 SPIRDUSO, W. Waneen - Dimensões Físicas do Envelhecimento, 1a edição, Ed. Manole, 2005

ARTIGO EM PUBLICAÇÃO PERIÓDICA SANTOS dos B. Izabel- Oficinas de Estimulação Cognitiva em Idosos Analfabetos com Transtorno Cognitivo Leve (Stricto Sensu em Gerontologia) Universidade Católica de Brasilia, 2010, 33 p. http://biblioteca.universia.net/html bura/ficha/params/id/6715904.html Acesso em: 24/03/2010. http://www.bdtd.ucb.br/tede/tde busca/arquivo.php?codArquivo=1231 Acesso em: 20/11/2010. http://www.avm.edu.br/monopdf/7/MARCIO%20PEREIRA%20DE%20SOUSA.pdf Acesso em: 25/11/2010. MATOS de M. Neuza- O significado do Lúdico para os Idosos (Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Gerontologia) Universidade Católica de Brasília, 2006, P. 94. SOUSA de P. Márcio-O lúdico na Terceira Idade (Pós-Graduação-"Latu Senso") Universidade Candido Mendes, Rio de Janeiro, 2005, 6p.

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4. ANÁLISE COMPARATIVA DO EFEITO DA CORRENTE MICROGALVÂNICA: ESTUDO DE CASO NO TRATAMENTO DE ESTRIAS ATRÓFICAS Ana Paula Gomes Galdino9 Karla Marcelino Dias10 Prof. Adriana Caixeta11

RESUMO A estria é uma atrofia da pele que surge do rompimento das fibras elásticas que se localizam na derme, apresentando no início rubras e tardiamente esbranquiçadas. A junção da corrente microgalvânica com a agressão da agulha, leva a uma resposta inflamatória aguda local imediata no trajeto da estria. O presente estudo teve como objetivo comparar a eficácia do aparelho STRIAT (IBRAMED) desligado, através da técnica de punturação e com o aparelho ligado utilizando a corrente juntamente com a agressão mecânica. A metodologia consistiu em um estudo de caso, sendo um estudo experimental, com uma voluntária do sexo feminino de 30 anos, cor da pele morena clara, nuligesta, sedentária, sem históricos de problemas cardíacos e fazendo uso de anticoncepcional oral. Para coleta de dados foi utilizada uma ficha de avaliação (GUIRRO e GUIRRO, 2007), uma máquina fotográfica e um questionário de satisfação. Assim comparamos o resultado final do procedimento do hemicorpo direito que foi usado o aparelho ligado passando assim a corrente microgalvânica e o hemicorpo esquerdo que apenas sofreu as punturas do eletrodo com o aparelho desligado, não passando assim nenhum tipo de corrente. O quadro álgico da paciente apresentava oscilações quando ela encontrava-se no período prémenstrual. Concluiu-se que a corrente microgalvânica é eficaz podendo notar a melhora do aspecto visual da estria no hemicorpo direito. Palavras-chave: derme. Estrias atróficas. Corrente microgalvânica. Satisfação. Estética da pele. 1 INTRODUÇÃO

A fisioterapia dermato funcional é uma área relativamente nova que vem dando embasamentos e buscando evidências para que o fisioterapeuta possa utilizar vários recursos em patologias, como fibroedema gelóide (celulite), pré e pós-operatório de cirurgia plástica, linfedema, flacidez, obesidade, quelóides, lipodistrofia localizada e estrias (MILANI et al; 2005). A pele é formada por três camadas distintas sendo: a epiderme a mais superficial, a derme a intermediária e a hipoderme a mais profunda. A epiderme caracteriza-se por ser impermeável avascular e apresenta uma camada queratinizada, chamada de camada córnea. A derme é composta por tecido conjuntivo e inúmeras estruturas fibrosas, filamentosas e amorfas juntamente com os fibroblastos, histiócitos, células dendríticas, mastócitos, linfócitos, plasmócitos e demais elementos celulares (AZULAY, 2008). A estria é encontrada tanto em homens quanto em mulheres, acometendo 2,5 vezes mais as mulheres. Em adolescentes do sexo feminino, aparecem de doze a quatorze anos e em adolescentes do

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Graduanda em Fisioterapia pela Faculdade de Ensino Superior de Catalão – CESUC. Graduanda em Fisioterapia pela Faculdade de Ensino Superior de Catalão – CESUC. 11 Professora do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC, orientadora de trabalho de conclusão de curso. 10

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sexo masculino, entre doze e quinze anos. Visto com frequência em obesos, gestantes e pessoas usuários de esteróides (GUIRRO e GUIRRO, 2007). Segundo Guirro e Guirro (2007), a estria é considerada um problema estético que ocasiona problemas emocionais. O mesmo autor define que o seu surgimento se da através da atrofia da pele e do rompimento das fibras elásticas, que se localizam na derme. Raras ou abundantes, com disposição paralela e perpendicular as linhas de fissura da pele. Há um adelgaçamento da espessura da derme, sendo que as fibras colágenas se separam entre si, não existindo fibras elásticas no centro da lesão e aparecendo apenas na periferia de forma enoveladas. Já Lima e Pressi (2004) definem que as estrias no início são rubras podendo existir substâncias inflamatórias, e tardiamente esbranquiçadas o que pode se tornar irreversível. De acordo com Agne (2009), apesar do seu aparecimento frequente ainda não se sabe ao certo a sua etiologia, apenas que a sua origem se da pela produção de glicocorticóides, ocorrendo assim muitas vezes durante gravidez obesidade e adolescência. Xavier e Petri (2009) afirmam que a maior probabilidade do surgimento das estrias é ocasionada pelo emagrecimento, sedentarismo e falta de hidratação da pele. Mondo e Rosas (2004) relatam que por se tratar de uma lesão no tecido elástico e segundo sua teoria o mesmo não se regenera assim o tratamento para estrias é bastante discutido. Portando Mondo e Rosas (2004) a bordam que para o tratamento surtir um efeito satisfatório, deve haver a associação de duas técnicas, como por exemplo, o uso da corrente microgalvânica intercalado com um ácido. Lima e Pressi (2004) expõem que a estria é uma disfunção na qual não apresenta solução, e esses tratamentos existentes proporcionam apenas a suavização da estria. Kede e Sabatovich (2009) abordam que a princípio ocorre um forte processo inflamatório, mononuclear e predominantemente perivascular, sendo tardiamente atrófica e plana, ocorrendo alterações nas fibras elásticas e colágenas ficando dispostas em feixes paralelos onde ocorre a presumida força de distensão. As regiões mais acometidas são o abdômen, quadril, glúteo, a região lombo sacra e as mamas. O mesmo autor afirma, por não existir nos dias de hoje, um tratamento que acabe totalmente com as estrias, muitos desafios terapêuticos estão surgindo para tentar solucionar essa patologia que vem ocorrendo com frequência, sobretudo no sexo feminino. Kede e Sabatovich (2009) relatam que o sucesso obtido durante o tratamento varia de pessoa para pessoa, dependendo também do grau que se encontra a estria, sendo mais propício o seu tratamento na fase inicial onde ela se encontra ainda com a coloração avermelhada, mas os tratamentos em estrias brancas também apresentaram grandes resultados. Segundo Agne (2009), a eletroterapia é uma grande aliada à fisioterapia, e oferece recursos que fazem à estimulação de diferentes sistemas orgânicos com objetivos diferentes. Ele ainda explica que o uso da corrente microgalvânica é um desses recursos que associado aos efeitos da corrente elétrica juntamente com a agressão da agulha, origina um processo inflamatório agudo desejável no trajeto da estria, sendo ela preenchida por um exsudato inflamatório contendo leucócitos, eritrócitos, proteínas plasmáticas, fáscias de fibrina, e que de acordo com Consulim (2007) existe uma Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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regeneração de fibras de colágeno e da elastina, surgindo uma neovascularização, retorno da sensibilidade promovendo um melhor aspecto estético da pele. De acordo com Mondo e Rosas (2004) a corrente galvânica causa um processo inflamatório agudo de regeneração do tecido colágeno preenchendo a área acometida pela estria, devolvendo a sensibilidade fina. Esta inflamação não ocasiona nenhum efeito sistêmico e é absorvido pelo organismo no período de uma semana. Segundo Machado (2002) a corrente galvânica é uma corrente elétrica de baixa frequência polar, com fluxo constante de elétrons em um só sentido. A corrente galvânica faz um importante papel nas ações terapêuticas, quando aplicada de maneira correta os resultados podem ser de grande siguinificância e satisfação. Mondo e Rosas (2004), Lima e Pressi (2004), White et al; (2008) abordam sobre o uso da corrente galvânica, todavia Mondo e Rosas (2004) descrevem que a galvanopuntura fundamenta-se na mutação fisiológica instigado pelo estímulo elétrico, tendo atuação sobre as proteínas que são encontradas espalhadas na substância fundamental. Na ação da liberação da corrente, ocorre uma modificação eletroquímica no entorno da agulha obtendo o ponto isoelétrico de alguma proteína fazendo a mesma se precipitar, que leva a uma estabilidade protéica, induzindo a reorganização do tecido conjuntivo à medida que as sessões acontecem. O estímulo físico da agulha desencadeia um processo de reparação muito complexo, cujo objetivo é restabelecer de forma satisfatória a integridade dos tecidos. A estimulação com a corrente associada desencadeia uma inflamação aguda localizada, não apresentando qualquer efeito sistêmico. Embora o padrão da inflamação aguda seja único, a intensidade e duração da reação são determinadas tanto pela intensidade da corrente como pela capacidade reacional do paciente (WHITE et al; 2008).

Agnes (2009) cita que a corrente microgalvânica é a mais utilizada no tratamento de estrias, sendo que existem dois eletrodos o positivo que é a placa grande e o negativo que é a caneta com uma fina e pequena agulha em sua extremidade. O mesmo autor ainda afirma que, o uso da corrente deverá ser associado com uma prévia esfoliação do local a ser tratado, para remover as células mortas e o extrato córneo (camada da pele queratinizada que tem como função a proteção dos tecidos da pele com agentes externos que podem causar lesões e infecções) que ao fazer o uso da microgalvanopuntura tem como consequência uma resposta inflamatória aguda no decorrer da estria. Lima e Pressi (2009) relatam que para o uso da corrente elétrica é contra indicado em paciente que apresentam problemas cardíacos, portadores de marca-passo, neoplasias, gestantes, epiléticos e demais patologias que não sejam indicadas o uso de corrente elétrica. Agne (2009) diz que essa puntura deverá ser com pontos de 3 a 4 centímetros lineares, sendo com uma introdução da agulha paralelamente a pele, permanecendo com a agulha 3 segundos a cada perfuração. Borges (2006) cita que essa técnica foi descrita por Winter, assim que se introduz a agulha sob a pele, essa é esticada por um tempo de 3 a 5 segundos, podendo também movimentar a agulha transversalmente a linha de introdução da mesma. Meyer et at; (2009) diz que a punturação apesar de ser incomoda é a mais indicada no tratamento de estrias, não deixando espaço na perfuração da agulha. Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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Segundo Guyton (1997), logo após a lesão nota-se uma leve hiperemia e edema, que são causados pelas substâncias liberadas através da lesão causada pela agulha ocorrendo assim, a vasodilatação e aumento da permeabilidade dos vasos. De acordo com Borges (2006) deve preconizar a estimulação em uma mesma estria em um período de sete dias de intervalo entre uma aplicação e outra, e os resultados com cinco a quinze sessões. Atualmente, a falta de estudos e definição no protocolo do tratamento das estrias, como a intensidade, frenquência, tipo de estimulo, número de sessões, leva a dificuldade para definição do melhor tratamento para as estrias (BRAVIM e KIMURA, 2007). Mondo e Rosas (2004) e White et al; (2008) também utilizou em sua pesquisa o aparelho STRIAT (IBRAMED), pois este aparelho é um gerador de corrente contínua filtrada, no qual consiste em um eletrodo ativo do tipo caneta com uma agulha especial em sua extremidade, sendo ideal para promover o processo inflamatório das estrias. Mondo e Rosas relatam em seu artigo que foram selecionadas 6 voluntárias do sexo feminino, entre 20 e 23 anos, onde foi aplicado o aparelho STRIAT. Após dez sessões de tratamento foi aplicado um questionário de satisfação onde a maioria das pacientes não apresentou contentamento com o resultado, necessitando de mais sessões para um resultado satisfatório final. O STRIAT é um aparelho estimulador de fácil manuseio, é essencial na prática da fisioterapia dermato funcional. É um equipamento que emite corrente contínua (galvânica milianpéres) e microcorrente contínua (galvânica microamperes) com o objetivo de ionização e no tratamento de estrias e rugas (MANUAL DO STRIAT). O presente estudo teve como objetivo comparar a eficácia do STRIAT (IBRAMED) desligado através da técnica de punturação e com o aparelho ligado utilizando a corrente juntamente com a agressão mecânica.

2. METODOLOGIA

Foi realizada uma pesquisa experimental, tendo como projeto o delineamento dos procedimentos antes e depois, realizados na Clínica escola da faculdade CESUC no período de 15 de setembro de 2010 até 17 de novembro de 2010, totalizando 10 sessões uma vez por semana. A paciente deste estudo de caso é do sexo feminino de 30 anos de idade, cor de pele morena clara, nuligesta, sedentária, sem história de problemas cardíacos, faz uso de anticoncepcional oral, e já realizou tratamento para estrias atróficas na adolescência com ácido, porém sem resultado satisfatório. Após assinar o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) para a coleta de dados, foi utilizada uma ficha de avaliação Guirro e Guirro (2007), uma máquina fotográfica, um aparelho STRIAT (IBRAMED) e um questionário de satisfação. Foi aplicado um eletrodo especial, o qual consiste em uma fina agulha sustentada por um eletrodo do tipo caneta onde apresenta maior concentração da corrente. Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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Neste período a paciente foi informada de que não poderia tomar sol evitando assim o aparecimento de manchas na pele, não fazer o uso de medicamentos antiinflamatórios, corticóides, estróides e também cremes hidratantes que possui substâncias calmantes visando não interferir no processo inflamatório. No hemicorpo direito da região lombossacra foi feito com aparelho ligado e no hemicorpo esquerdo da mesma região com aparelho desligado, comparando assim qual o lado teve melhor resultado e verificando a eficiência da corrente microgalvânica. O tratamento foi parcialmente invasivo, porém, superficial penetrando apenas sobre a derme. Foi utilizada a técnica descrita por Winter (BORGES, 2006) onde a introdução da agulha foi subepidérmica, paralela à pele sobre toda extensão da estria, onde também a agulha foi movimentada transversalmente a linha de introdução da mesma obtendo um quadro de hiperemia e edema, que se devem ao processo inflamatório que é produzido por substâncias locais liberadas pela lesão, que fazem a vasodilatação e aumenta a permeabilidade dos vasos. Em todas as sessões foi utilizado máscaras e luvas de procedimentos, que juntamente com as agulhas foram descartadas no final das sessões. No início das sessões a paciente foi posicionada em uma maca de decúbito ventral, onde realizamos uma esfoliação com um creme de microdermoabrasão com os componentes (macadâmia, pêssego e maracujá) para a remoção de células mortas, logo após uma assepsia usando algodão embebido com álcool 70%no local da aplicação. Posteriormente foi posicionado o eletrodo em forma de placa (passivo) previamente umidificado com água, com o objetivo de fechamento de circuito, fixado com uma faixa de velcro na parte posterior da coxa do lado direito, onde foi feito o procedimento com a passagem da corrente, em seguida a agulha foi acoplada na caneta (ativo), depois foram selecionadas duas estrias superiores na região lombossacra para serem tratadas do lado direito. Na seqüência modulamos o aparelho com a amperagem de 100 microamperes que é a indicada para iniciar as punturas, que foram introduzidas de forma paralela as estrias, punturadas de 3 a 4 centímetros com a permanência da agulha por 3 segundos. No hemicorpo esquerdo fizemos o mesmo procedimento inicial de limpeza da pele e também foram selecionadas duas estrias superiores, em seguida foram iniciadas as punturas com o aparelho desligado não passando assim nenhum tipo de corrente. Na análise de dados foi utilizado os registro fotográfico feito no primeiro dia (15 de setembro de 2010) da sessão, e a foto do pós tratamento foi tirada uma semana após a última sessão (17 de novembro de 2010) para que estivesse totalmente findado o processo inflamatório. Os registros foram realizados com a máquina fotográfica da marca SONY (7.2 mega pixels) com o fundo preto, iluminação ambiente a uma distância de vinte centímetros da região a ser fotografada (BORGES, 2006). Para concluir o tratamento foi aplicado o questionário de satisfação.

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4. RESULTADOS

Após serem coletados os achados fotográficos do pré e pós tratamento, foi observado e comparado as estrias que sofreram o tratamento com aparelho ligado e desligado. Através da foto mostrada na figura 1 verificou-se que a imagem do aspecto inestético da pele antes do tratamento onde se podem notar as estrias esbranquiçadas bem evidenciadas. Já na figura 2 do pós tratamento apresentou melhora no seu aspecto visual e estético na região tratada, principalmente no hemicorpo direito onde se fez o tratamento com o aparelho ligado, onde se observa a diminuição do diâmetro e redução da depressão das estrias. Em relação ao hemicorpo esquerdo onde foi realizado o tratamento com o aparelho desligado obteve-se uma melhora porém não tão satisfatória como a do hemicorpo direito. De acordo com a ficha de avaliação (GUIRRO e GUIRRO, 2007) a paciente relatou dor durante os procedimentos observando oscilações de intensidade quando a paciente se encontrava no período pré-menstrual, onde queixava-se de dores em forma de pontada e queimação, fato que coincidia com este período. No figura 3 (na sequência) observa-se o demonstrativo da intensidade da dor em uma escala de 0 a 5. No questionário de satisfação que a paciente respondeu ao final das sessões, a mesma apresentou satisfeita com o tratamento, devido à melhora do aspecto da estria, sendo necessário apenas um número maior de sessões para a conclusão final do tratamento. Antes

Figura 1: Aparências das estrias esbranquiçadas antes do tratamento. Fonte: GALDINO, A.P.G.; DIAS, K.M. 2010

Depois

Figura 2: Resultado do tratamento onde foi verificada resposta terapêutica satisfatória no hemicorpo direito (corrente microgalvânica). Fonte: GALDINO, A.P.G.; DIAS, K.M. 2010

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Figura 3 - Relato de intensidade da dor sentida pela paciente durante o procedimento. Fonte: GALDINO, A. P. G.; DIAS, K. M. 2010.

3 DISCUSSÃO

O presente estudo colaborou com as pesquisas de alguns autores como (GUIRRO e GUIRRO, AGNE, MACHADO, BORGES, KEDE e SABATOVICH, AZULAY, MONDO e ROSAS) demonstrando uma redução significativa das estrias quando usada a corrente microgalvânica. De acordo com os nossos achados verifica-se que como (GUIRRO e FERREIRA e GUIRRO, 1991), (WHITE et al; 2008) e (CONSULIM, 2007) resaltam que após se fazer o uso do aparelho STRIAT e passar a corrente microgalvânica, as fibras de colágeno se regeneraram e leva ao aumento do número de fibroblastos, fibras colágenas e elásticas, e estas se organizam, o que proporciona uma neovascularização e consequentemente uma melhora da sensibilidade local, melhora da aparência estética e visual da disfunção cutânea a ser tratada. Consulim (2007) corrobora com os achados do presente estudo onde na sua pesquisa foram selecionadas 12 voluntárias brancas e saudáveis com idade de 12 a 22 anos, onde foram submetidas a um tratamento de estrias atróficas com o uso do aparelho STRIAT, que do lado direito o procedimento foi realizado com o aparelho desligado e no lado esquerdo o aparelho ligado, recebendo assim a eletroestimulação da corrente microgalvânica durante quatro sessões. A análise dos resultado se vez através da transferência das fotos tiras antes e pós tratamento para a planimetria, que nada mais é, a utilização do programa Corel Photo Paint 8, onde realizou a contagem de pontos através de uma malha quadriculada que foi colocada sobre a foto do trajeto da estria, mostrando que com o aparelho desligado não se obteve uma diferença estatística quando comparada com o lado esquerdo no qual

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resultado foi mais satisfatório. Para Guirro e Guirro (2007), que o mecanismo de lesão da agulha contribui para a reparação tecidual melhorando o aspecto visual da estria. Por não haver um protocolo a ser seguido, foram encontrados na literatura brasileira dois autores que se divergem quando se é abordado sobre a microamperagem da corrente microgalvânica. Borges (2006) afirma que os profissionais de fisioterapia dermato funcional utilizam a microamperagem entre 70 e 100 microamperes, não devendo ultrapassar 400 microamperes para evitar o aparecimento de manchas e lesões na pele. Agne (2009) preconiza que a microamperagem de variar de acordo com a sensibilidade do paciente oscilando de 150 a 300 microamperes. Diferentemente dos resultados encontrados nessa pesquisa, Lima e Pressi (2009). Os mesmos descrevem que a pesquisa feita através de enquete, mostra melhores resultados nas estrias que foi utilizado o aparelho desligado, sofrendo somente as punturas da agulha, mostrando que o tratamento poderia ser feito somente com as punturas não necessitando da microcorrente galvânica, surgindo à reação inflamatória apenas pela lesão mecânica na estria. Meyer et al; (2009) relata ainda que na sua experiência com o uso da corrente microgalvânica transmitida através da máquina de tatuar mostrou resultados além do esperado, aumentado o processo inflamatório podendo ser realizado um número maior de punturação sendo que o desconforto e a dor referida pelo paciente foi mínimo. Guirro e Guirro (2007) abordam que o tratamento depende de variações tais como o número de sessões, cor da pele, idade, tamanho das estrias, e que o resultado final pode variar de um paciente para outro. Ele ainda afirma que para se obter um resultado ainda mais satisfatório é necessário um tratamento em longo prazo, não sendo favorável tratamento em curto prazo como foi oferecido neste trabalho. Verificamos através do autor estudado (GUIRRO e GUIRRO, 2007) que a estria é considerada uma patologia na qual ainda não se tem um tratamento 100% eficaz, mas que podemos obter uma melhora no aspecto estético da pele, e que o seu tratamento é minucioso e prolongado, necessitando de paciência para que exista uma boa evolução no seu tratamento. Atualmente já existem outras técnicas para o tratamento de estrias atróficas, sendo citadas por Xavier e Petri (2009), que seu artigo foi um estudo de caso onde a paciente em questão de 19 anos de idade que havia emagrecido 10kg em apenas quatro anos, dando início ao aparecimento das estrias. Assim como proposta de tratamento foi utilizado microdermabrasão, vacuoterapia, ácido glicólico a 20% e ácido ascórbico a 10% onde foi realizado o tratamento em nove sessões, tendo como resultado final a diminuição da largura da estria e mudança da sua coloração tornando as estrias brancas em rosadas. Mesmo que ainda não exista um protocolo a ser seguido em relação ao estímulo, frequência, intensidade, tempo e a seqüência do tratamento, pode-se afirmar que o uso da microgalvânica, traz evidentes resultados no aspecto da estria a ser tratada (BRAVIM e KIMURA, 2007).

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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através da análise dos resultados obtidos, com a pesquisa, pode-se concluir que o aparelho Striat, utilizado como recurso de tratamento da estria foi eficaz após 10 sessões de terapia. Alcançamos o resultado almejado, comprovando assim que a corrente microgalvânica é realmente eficaz no tratamento de estrias atróficas, proporcionando assim um bom aspecto estético da pele e com isso o aumento da auto estima da paciente. A preocupação das pessoas com a estética vem aumentando, e com isso fazendo com que a área da fisioterapia dermato funcional venha crescendo cada vez mais e tornando essa área mais desenvolvida e conhecida. Assim, este artigo científico veio para ampliar o conhecimento no campo da fisioterapia dermato funcional, não apenas para mostrar os resultados obtidos da corrente microgalvânica, mais também contribuir para o perfil científico nesta área que é relativamente nova da fisioterapia.

6. REFERÊNCIAS AGNE, J. E. Eu sei eletroterapia. Santa Maria: Pallotti, 2009. AZULAY. Dermatologia. 5° ed.cap. 1,2008. BORGES, F. do S. Dermato funcional: Modalidades terapêuticas nas disfunções estéticas. São Paulo Editora Phorte. 2006. BRAVIM, A. R. M; KIMURA E. M. O uso da eletroacupuntura nas estrias atróficas: Uma Revisão bibliográfica; 2007. Disponível em: http://www.portalunisaude.com.br/.../eletroacumpuntura_nas_estrias.pdf Acesso em: março 2010 CONSULIN, M. O uso da microcorrente galvânica em estrias albas, 2007. Disponível em: http://www.unimep.br/phpg/mostaacademica/anais/5mostra/5/431.pdf Acesso em: março de 2010 GUIRRO, E.; GUIRRO, R. Fisioterapia Dermato-funcional. 3.ed. ver. E amp. São Paulo; Manole, 2007. GUIRRO, E.C.O; FERREIRA, A.L; GUIRRO,R.RJ. Estudos preliminares dos efeitos da corrente galvânica de baixa intensidade no tratamento de estrias atróficas da cútis humana. Anais do X Congresso Brasileiro de Fisioterapia de Fortaleza, CE, 1991. GUYTON, ac Fisiologia Humana. 9° ed. Rio de Janeiro. Guanabara koogan, 1997. LIMA, K. S.; PRESSI, L. O uso da microgalvânopuntura no tratamento de estrias atróficas: análise comparativa do trauma mecânico e da microcorrente. Disponível em: http://www.upf.br/feff/download/mono lisiane total.pdf Acesso em: maio 2010 MACHADO, C. M. Eletroterapia Prática. 3ed. Ver. E ampl. São Paulo: Pancast, 2002. MANUAL DO APARELHO STRIAT IBRAMED

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MEYER, P. F et al. Aplicação da galvanoterapia em uma maquina de tatuar para tratamento de estrias. 2009 Rev. Fisioterapia Brasil vol.10, n3 p.176-180; maio/junho 2009. MILANI, G. B.; JOÃO, S. M. A.; FARAH, E. A. Fundamentos Fisioterapia dermato-funcional: revisão de literatura, 2006.Rev. Fisioterapia e pesquisa; 13 (1): p.37-43 MONDO, P. K. S.; ROSAS, R. F. Efeitos da corrente galvânica no tratamento de estrias atróficas. 2004. Disponível em: http://www.fisio-tb.unisul.br/tccs/04b/patricia/artigopatrciakochsavimondo.pdf Acesso em: abril de 2010 KEDE, M. P. V.;SABATOVICH, O. Dermatologica estética. São Paulo: Atheneu, 2009. WHITE, P. A. S et al. Efeitos da galvanopuntura no tratamento de estrias atróficas. 2008. Disponível em: www.lilacs.com.br Acesso em: abril 2010 XAVIER, L. G.; PETRI, F. C, Efeitos do ácido glicólico, ácido ascórbico, vacuoterapia e microdermoabrasão no tratamento de estrias brancas- estudo de caso; 2009.

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5. ANÁLISE DA POSTURA DE PACIENTES COM DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR POR MEIO DE BIOFOTOGRAMETRIA COMPUTADORIZADA Ana Carolina Mesquita do Nascimento12 Conceição Silva de Vasconcelos13 Prof. Humberto de Sousa Fontoura14 RESUMO Este é um estudo analítico e descritivo que visa identificar e descrever as alterações de postura encontradas nas vistas anterior, lateral (direita e esquerda) e posterior de pacientes com disfunção temporomandibular. A amostra foi composta por 10 indivíduos, sendo 8 mulheres e 2 homens, com diagnóstico de disfunção temporomandibular. Os dados foram obtidos por meio de biofotogrametria, utilizando-se o programa SAPO – Software de Avaliação Postural. A análise dos dados foi feita por meio de estatística descritiva utilizando o programa Microsoft Office Excel 2007. A avaliação para identificar possíveis desordens em pacientes com disfunção temporomandibular tornou-se necessária desde que os primeiros estudos mostraram uma relação entre disfunção temporomandibular e postura. Ainda são necessárias mais pesquisas aprofundadas para que possa estudar e definir se os desalinhamentos da postura encontrados em pacientes com disfunção temporomandibular são decorrentes da disfunção temporomandibular (origem descendente) ou se a disfunção temporomandibular é decorrente dos desalinhamentos da postura (origem ascendente). Palavras-Chave: Disfunção. Articulação Temporomandibular. Postura. 1. INTRODUÇÃO O grande número de pacientes com disfunção temporomandibular (DTM) que apresentam alterações na postura, torna necessárias pesquisas para estudar essa relação, desta forma é válido ressaltar que os problemas que afetam as estruturas do corpo humano são de interesse da fisioterapia (AMANTÉA et al., 2004). A articulação temporomandibular (ATM) faz parte do sistema estomatognático (SE), que engloba, além da ATM, o sistema mastigatório (dentes, músculos, ligamentos e nervos) e as glândulas salivares (PAIVA et al., 2008). Segundo YI, GUEDES, VIEIRA, 2003 e AMANTÉA et al., 2004, O sistema estomatognático integra o sistema postural, sendo o osso hióde o traço de união entre as cadeias musculares, anterior e posterior. A mandíbula e a língua estão diretamente ligadas à cadeia muscular anterior; a maxila, por intermédio do crânio, está em relação com a cadeia posterior. Ainda, existem conexões nervosas entre os 12

Acadêmica do Curso de Fisioterapia – Faculdade de Ensino Superior de Catalão - Faculdade Cesuc Email: anacarolina.fisioterapia@yahoo.com.br 13 Acadêmica do Curso de Fisioterapia – Faculdade de Ensino Superior de Catalão - Faculdade Cesuc Email: csvasconcelos@hotmail.com 14 Professor, Orientador, Doutor e Coordenador do curso de fisioterapia da Faculdade de Ensino Superior de Catalão - Faculdade Cesuc. Email: humbertofisio@hotmail.com Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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núcleos dos nervos do sistema estomatognático e aferências desse sistema para as informações que intervêm no equilíbrio tônico postural. Portanto, todo o desequilíbrio do sistema estomatognático poderá, por meio dessas vias, repercutir sobre o conjunto do sistema postural, do mesmo modo que alterações posturais poderão interferir negativamente no sistema estomatognático.

A DTM pode ser causada por uma doença ou por um desarranjo do complexo temporo mandibular (DAWNSON, 2008). Sinais e sintomas clínicos, musculares e articulares, indicam DTM. Esta poderá ser acometida por inúmeros fatores, como microtraumas, macrotraumas, hiperatividade muscular, parafunções, reflexos neuromusculares, diminuição da tolerância fisiológica. A postura e a hipermobilidade são fatores predisponentes (BIASOTTOGONZALEZ, 2005).

Fonte: Paiva, H.J. de et al.,2008, p.218. Adaptação: Nascimento, A.C. M. do; Vasconcelos, C.S.de, 2010.

As agressões ao SE pode ser causadas por complicações em tratamentos pregressos, traumas e hábitos posturais dinâmicos atípicos. Dessa forma, essas agressões podem desencadear um processo fisiopatológico (PAIVA et al., 2008). Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) demonstram que cerca de 60% da população mundial apresentam algum tipo de disfunção na articulação temporomandibular (MEURER, 2006). A DTM ocorre com mais frequência em pessoas que têm idades entre 20 e 45 anos e a prevalência desta disfunção é maior em mulheres; a estimativa é de que a cada 5 mulheres com DTM apenas 1 homem sofra com o problema (BIASOTTO-GONZALEZ, 2005). O eixo hormonal hipofisário-adrenal é responsável pelo funcionamento do sistema neuroendócrino, que controla as reações de estresse, regula os sistemas digestivo, metabólico energético e imune e até mesmo as emoções e condutas sexuais. Acredita-se que esse eixo hormonal hipofisário-adrenal é mais intricado e complexo nas mulheres, o que sugere que a Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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maior somatização seja um dos motivos pelos quais a DTM afete mais o sexo feminino (PAIVA et al., 2008). Os sintomas encontrados com maior frequência em relatos de pacientes são dor na musculatura mastigatória (masseter, temporal, pterigóideo interno e externo, digástrico, milohióideo e gênio-hióideo) na região lateral e posterior da ATM, estalos, cefaleia, otalgia. Entre os sinais encontrados em exame clínico tem-se hipersensibilidade muscular à palpação, limitação de movimentos, luxação e travamento da ATM (STEENKS e WIJER, 2005). Os sintomas primordiais são dor nas ATMs, ruídos articulares e desvio mandibular durante a abertura bucal (GRANJA e LIMA, 2003). A soma ou a exacerbação desses sinais limitam ou até mesmo levam à incapacidade o individuo em suas atividades fisiológicas (BERTOLI e PEREIRA, 2004). Pacientes que sofrem distúrbios da articulação temporomandibular também apresentam alterações importantes na postura corporal (AMANTÉA et al., 2004). A postura é uma boa disposição que os segmentos do corpo mantêm entre si, com intuito de promover a harmonia, a economia e a sustentação do corpo, devido à ação interligada dos músculos (TANAKA e FARAH, 1997). Quando há um equilíbrio nas estruturas de suporte, que, por sua vez, devem apresentar uma mínima quantidade de sobrecarga e esforço, o corpo permanece eficiente, considerandose que assim há uma postura ideal (GODELIEVE, 1995). Já na má postura essas estruturas de suporte desviam-se do alinhamento normal (KISNER e COLBY, 2005). Para uma postura ideal a cabeça deve estar em uma posição neutra, a coluna torácica apresentar uma leve cifose, as escápulas estarem em repouso entre a segunda e a sétima vértebra torácica, as espinhas ilíacas ântero-superiores devem estar entre si no mesmo plano horizontal, e no mesmo plano vertical que a sínfise púbica, com pelve neutra, deve ainda existir uma curva anterior na região lombar (KENDALL et al., 2007). Quando há inclinação anterior da pelve, ocorre uma lordose; quando ela inclina-se posteriormente há uma retificação. Na vista lateral deve-se ter uma linha de referência padrão que vai dos membros inferiores, na sua parte posterior, ao centro da articulação do quadril. Essa linha ao passar pela articulação do joelho quando há um desvio anterior ou posterior há uma tendência de estender ou flexionar-se. Com o joelho estendido a dorsiflexão do tornozelo é de aproximadamente 10°. A posição dos pés é aquela na qual os calcanhares distam aproximadamente 7,5 centímetros e os antepés, quando separados apresentam um ângulo de aproximadamente 8°a 10° (KENDALL et al., 2007).

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O objetivo do presente estudo foi identificar e descrever as alterações posturais encontradas nas vistas anterior, lateral (direita e esquerda) e posterior de pacientes com disfunção temporomandibular por meio da biofotogrametria computadorizada.

2. METODOLOGIA Foi realizado um estudo do tipo analítico e descritivo, com pacientes voluntários de idades entre 20 e 45 anos, com diagnóstico clínico de disfunção temporomandibular. Foram excluídos do estudo portadores de trauma direto ou cirúrgico na região orofacial. A amostra contou com 10 voluntários: 8 mulheres e 2 homens. Todos os participantes do estudo receberam as devidas informações sobre a pesquisa e assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para participação como sujeitos da pesquisa. Os procedimentos de avaliação dos voluntários foram: Questionário e Índice Anamnésico de Fonseca, Índice de Disfunção Clínica Craniomandibular – Helkimo e Índice de Mobilidade Mandibular. A obtenção de dados foi em uma sala de 6 m², com fundo branco e utilizou-se um suporte para colocar um fio de prumo, cuja ponta ficou a 30 cm do piso, a uma distância de 17,5 cm do centro do retângulo. Esse fio tinha duas marcas (bolas de isopor vermelhas) que guardavam uma distância de 1 metro entre si para calibrar a imagem. No piso foi demarcado um retângulo de 40 cm x 35 cm com distância de 25 cm entre sua borda posterior e a parede, no qual o voluntário tomava as posturas indicadas (vista anterior, vista posterior, vista lateral direita, vista lateral esquerda) para ser fotografado, trajando roupa de banho. Foram marcados pontos anatômicos específicos com metades de bolas de isopor menores que as do prumo na cor vermelha. Os pontos anatômicos marcados para análise: tragos, acrômios, espinhas ilíacas ântero-superiores, trocânteres maiores dos fêmures, linhas articulares dos joelhos, pontos mediais das patelas, tuberosidades das tíbias, maléolos laterais, maléolos mediais, processo espinhoso das vértebras C3, C7, T3, T7, T12, L3 e L5, ângulos inferiores das escápulas, linhas médias das pernas, pontos sobre os tendões dos calcâneos na altura dos maléolos, calcâneos, pontos entre as cabeças do segundo e do terceiro metatarso.

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A coleta e o armazenamento dos dados foram feitos por meio de fotografias para o que se utilizou uma câmera fotográfica digital Olympus X-785, 7.1 megapixel, zoom óptico 6.3, sobre um tripé Fancier FT-363 localizado ao nível médio da altura do voluntário, a uma distância de 3 metros dele. Para minimizar possíveis erros de interpretação, o voluntário foi fotografado 2 vezes em cada vista – vista anterior, lateral direita, lateral esquerda, e posterior.

Figura 2: Vista Lateral Figura 3: Vista Lateral Direita Esquerda Fonte: Nascimento, A. C. M. do; Vasconcelos, C. S. de, 2010.

Figura 1: Vista Anterior

Figura 4: Vista Posterior

Os voluntários foram orientados a se manterem em postura ortostática e se sentindo confortáveis, tão imóveis quanto possível e com o olhar fixo em um ponto à frente ao nível dos olhos para serem fotografados. Para fazer a biofotogrametria, foi utilizado o programa SAPO – Software de Avaliação Postural, que forneceu os dados da avaliação da postura dos voluntários. A análise se deu por meio de estatística descritiva utilizando o programa Microsoft Office Excel 2007. Após a coleta, os dados foram gravados em um microcomputador PHILCO PHN 14A R 223 WS para as consultas necessárias. Este estudo foi submetido ao Comitê de Ética e Pesquisa (CoEP) da Universidade Federal de Goiás (UFG) em Goiânia - Go, e aprovado sob o protocolo nº 251/10.

RESULTADOS

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De acordo com o Índice de Helkimo, 0% dos voluntários apresentaram índice de disfunção temporomandibular 0 (nenhuma disfunção), 0% apresentaram índice 1 (disfunção suave), 10% dos voluntários apresentaram índice 2 (disfunção moderada), 70% dos voluntários apresentaram índice 3 (disfunção severa, com 1 fator severo de DTM), 10% índice 4 (disfunção severa, com 2 fatores severos de DTM) e 10% índice 5 (disfunção severa, com 3 fatores severos de DTM).

Índice de Helkimo ou de Disfunção Clínica Craniomandibular (IDCCM) 80%

70% 60% Índice 2

50%

Índice 3

40%

Índice 4 30%

Índice 5

20% 10% 0%

Figura 5: Índice de Disfunção Clínica Craniomandibular - Helkimo Fonte: Nascimento, A. C. M. do; Vasconcelos, C. S. de, 2010.

Utilizando-se o Índice Anamnésico de Fonseca, que mede o grau de acometimento de DTM, a análise dos dados demonstrou que 20% apresentam grau de acometimento leve, 40% grau de acometimento moderado, 30% grau de acometimento severo, o que soma 90% dos

Grau de Acometimento de DTM 45% 40% 35% 30% Sem DTM

25%

DTM Leve

20%

DTM Moderada

15%

DTM Severa

10% 5% 0%

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voluntários. Os 10% restantes não apresentaram acometimento de DTM. Figura 6: Grau de Acometimento de DTM segundo Índice Anamnésico de Fonseca Fonte: Nascimento, A. C. M. do; Vasconcelos, C. S. de, 2010.

Já de acordo com o Índice de Mobilidade Mandibular (IMM), a média da máxima abertura da boca é de 40,4 milímetros (mm), a média do movimento de lateralidade para a direita é de 10,3 mm, a de lateralidade para a esquerda é de 9,2 mm e a de protrusão máxima é de 2,8 mm. Tabela 1 – Média de abertura máxima da boca, movimento de lateralidade à direita, movimento de lateralidade à esquerda e protrusão máxima: DESVIO MÉDIA PADRÃO

Máxima Abertura de Boca (mm)

11,31

40,4

Movimento de Lateralidade (D) (mm) Movimento de Lateralidade (E) (mm)

2,26 4,61

10,3 9,2

Protrusão máxima (mm)

1,31

2,8

Fonte: Nascimento, A. C. M. do; Vasconcelos, C. S. de, 2010.

Em relação aos dados posturais obtidos, os números que apresentam sinal negativo (-) referem-se a desvios posturais à esquerda, os números sem sinal referem-se a desvios posturais para o lado direito. Os resultados da biofotogrametria, com a utilização do programa SAPO – Software de Avaliação Postural, conforme a tabela 2, da vista anterior, mostra que o alinhamento horizontal da cabeça teve média de inclinação de 0,41° para a direita, variou de -3,1° a 3,9° o que indica que a maioria dos voluntários da pesquisa apresenta inclinação para a direita. O alinhamento horizontal dos acrômios apresentou média de 0,34° de inclinação para a direita e variou de -1,8° a 3,5°, demonstrando que a maioria dos voluntários apresenta elevação do ombro direito. O alinhamento horizontal das espinhas ilíacas ântero-superiores teve média de -0,95° de inclinação para a esquerda, variando de -3,9° a 2,1°, o que indica que a maioria dos voluntários apresenta elevação da espinha ilíaca ântero-superior esquerda. A medida do ângulo entre os dois acrômios e as duas espinhas ilíacas ânterosuperiores apresentou média de -1,28° para a esquerda, tendo variado de -5,7° a 2,4° levando à conclusão de que a maioria dos voluntários apresenta o membro inferior esquerdo menor que o membro inferior direito. Com relação ao ângulo Q verificou-se que a média do joelho direito foi de 19,2°, variou de -5,4° a 34,3°, demonstrando que os voluntários apresentam valgismo de joelho direito; o ângulo do joelho esquerdo teve média de 7,64°, variando de -6° a 16,5°, representando varismo de joelho esquerdo. Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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Tabela 2 – Medidas (desvio padrão, média, valor mínimo, valor máximo) dos voluntários com disfunção temporomandibular para as variáveis da postura em vista anterior. DESVIO VALOR MÍNIMO VALOR PADRÃO MÉDIA MÁXIMO 2, 15 0,41 -3,1 AHC (º) 1,67 0,34 -1,8 AHA (º) 1,83 -0,95 -3,9 AHEIAS (º) 2,50 -1,28 -5,7 AAEIAS (º) 12,23 19,2 -5,4 AQD (º) 8,95 7,64 -6,0 AQE (º) Fonte: Nascimento, A. C. M. do; Vasconcelos, C. S. de, 2010. AHC – Alinhamento Horizontal da Cabeça AHA – Alinhamento Horizontal dos Acrômios AHEIAS – Alinhamento Horizontal das Espinhas Ilíacas Ântero-superiores AAEIAS – Ângulo entre os dois Acrômios e as duas Espinhas Ilíacas Ântero-superiores AQD /AQE– Ângulo Q do Joelho Direito/ Ângulo do Joelho Esquerdo

3,9 3,5 2,1 2,4 34,3 16,5

Na Tabela 3 apresenta as medidas tomadas da vista posterior, referentes às alterações do alinhamento horizontal das escápulas em relação à T3; a média encontrada foi 22,21% de assimetria para a direita, variado de 0% a 72,3%. A medida do ângulo perna/retropé direito, em média, foi de -0,69°, identificando descarga de peso medialmente no membro inferior direito, variando de -74,7° a 25,4°. A média do ângulo perna/retropé esquerdo foi de 0,6°, o que demonstra descarga de peso lateral no membro inferior esquerdo, variando de -83,4° a 26,6°. Tabela 3 – Medidas (desvio padrão,média, valor mínimo, valor máximo) dos voluntários com disfunção temporomandibular para as variáveis da postura em vista posterior. DESVIO VALOR MÍNIMO VALOR PADRÃO MÉDIA MÁXIMO 23,58 22,21 0 26,85 -0,69 -74,7 30,68 0,6 -83,4 Fonte: Nascimento, A. C. M. do; Vasconcelos, C. S. de, 2010. AHET3 – Assimetria Horizontal das Escápulas em relação a T3 APRD – Ângulo Perna/Retropé Direito APRE– Ângulo Perna/Retropé Esquerdo AHET3 (%) APRD (º) APRE (º)

72,3 25,4 26,6

Na Tabela 4 estão os valores referentes à vista lateral direita. O alinhamento vertical da cabeça em relação ao acrômio direito tende para a anteriorização, com média de 16,23°, variando de -3,6° a 47,5°. O tronco apresentou inclinação para trás, em média de -1,87°, variando de -6,7° a 3,2°. O ângulo do quadril (tronco e coxa) teve média de -5,1°, o que demonstra desvio de quadril à esquerda variando de -14,9° a 11,8°; no flexo de joelho obtevese média 177,15° variando de 162,3° a 186,1°, o que demonstra que a maioria dos voluntários apresenta genuflexo. Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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Tabela 4 – Medidas (desvio padrão, média, valor mínimo, valor máximo) nos voluntários com disfunção temporomandibular para as variáveis da postura em vista lateral direita. DESVIO VALOR MÍNIMO VALOR PADRÃO

MÉDIA

MÁXIMO

AVCAD(º)

17,44

16,23

-3,6

47,5

IVTD(º)

3,28

-1,87

-6,7

3,2

AQD(º)

8,44

-5,1

-14,9

11,8

FJD(º)

7,13

177,15

162,3

186,1

Fonte: Nascimento, A. C. M. do; Vasconcelos, C. S. de, 2010. AVCAD – Alinhamento Vertical da Cabeça em Relação ao Acrômio Direito IVTD – Inclinação Vertical de Tronco a Direita AQD – Ângulo do Quadril (tronco e coxa) Direito FJD – Flexo de Joelho Direito

Na Tabela 5 estão os valores referentes à vista lateral esquerda. O alinhamento vertical da cabeça em relação ao acrômio esquerdo tende para a anteriorização, com média de 10,06°, variando de -4,9° a 27,8°. O tronco apresentou inclinação para frente, com média de 0,45°, variando de -6,8° a 7,0°. A medida do ângulo do quadril (tronco e coxa), média, foi de -4,27°, o que demonstra desvio de quadril à esquerda, variando de -17,1° a 8,1°; o flexo de joelho teve em média 178,3° e variou de 170,3° a 186,6°, do que se conclui que a maioria dos voluntários apresenta genuflexo. Tabela 5 – Medidas (desvio padrão, média, valor mínimo, valor máximo) medidos nos voluntários com disfunção temporomandibular para as variáveis da postura em vista lateral esquerda. DESVIO VALOR MÍNIMO VALOR PADRÃO MÉDIA MÁXIMO 10,70 10,06 -4,9 4,18 0,45 -6,8 8,09 -4,27 -17,1 4,92 178,3 170,3 Fonte: Nascimento, A. C. M. do; Vasconcelos, C. S. de, 2010. AVCAE – Alinhamento Vertical da Cabeça em Relação ao Acrômio Esquerdo IVTE – Inclinação Vertical de Tronco a Esquerda AQE– Ângulo do Quadril (tronco e coxa) Esquerdo FJE – Flexo de Joelho Esquerdo AVCAE(º) IVTE(º) AQE(º) FJE(º)

27,8 7 8,1 186,6

Na tabela 6 tem-se os valores referentes ao centro de gravidade. No plano frontal a maioria dos voluntários apresenta um desvio à esquerda, com uma média de -15,8°, variando de -53° a 10,6°. No centro de gravidade no plano sagital a maioria dos voluntários apresenta um desvio anterior, com média de 42,21°, que varia de 22,2° a 64°.

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Tabela 6 – Medidas (desvio padrão, média, valor mínimo, valor máximo) dos voluntários com disfunção temporomandibular para as variáveis da postura em relação ao centro de gravidade. DESVIO VALOR MÍNIMO VALOR PADRÃO MÉDIA MÁXIMO 22,10 -15,8 -53 14,83 42,21 22,2 Fonte: Nascimento, A. C. M. do; Vasconcelos, C. S. de, 2010. CGPF – Centro de Gravidade Plano Frontal CGPS – Centro de Gravidade Plano Sagital CGPF(º) CGPS(º)

10,6 64

Na tabela 7 mostra os valores referentes a curvaturas no plano sagital. A maioria dos voluntários apresenta protrusão de cabeça com média de 46,24°, variando de 31,9° a 55,15°; observa-se também que a maioria dos voluntários apresenta uma retificação cervical com média de 17,42° e variação de 13,6° a 24,5°. Ainda, verificou-se que a maioria tem hipercifose torácica com média 58,03°, de 41,35° a 67,4°; no plano sagital pode ser verificado que a maioria apresenta retificação lombar com média 26,11°, variando de 13,05° a 38,25°. Tabela 7 – Medidas (desvio padrão, média, valor mínimo, valor máximo) medidos nos voluntários com disfunção temporomandibular para as variáveis da postura em relação a curvaturas no plano sagital. DESVIO VALOR MÍNIMO VALOR PADRÃO MÉDIA MÁXIMO PC(º) LC(º) CT(º) LL(º)

6,25 46,24 31,9 3,75 17,42 13,6 7,88 58,03 41,35 8,83 26,11 13,05 Fonte: Nascimento, A. C. M. do; Vasconcelos, C. S. de, 2010.

55,15 24,5 67,4 38,25

PC – Protrusão Cervical LC – Lordose Cervical CT – Cifose Torácica LL – Lordose Lombar

3. DISCUSSÃO Os dados encontrados no presente estudo demonstraram uma maior prevalência de DTM em pacientes do gênero feminino, verificados pelo maior número de mulheres na amostra. Na amostra relacionado ao Índice de Helkimo 70% dos voluntários apresentaram Índice 3 (disfunção severa, com um fator severo de DTM), 10% dos voluntários apresentaram Índice 2 (disfunção moderada), 10% dos voluntários Índice 4 (disfunção severa, com dois fatores severos de DTM), 10% dos voluntários Índice 5 (disfunção severa, com três fatores severos de DTM), 0% apresentaram Índice 1 (disfunção suave). Quanto ao Índice Anamnésico de Fonseca 40% apresentaram DTM moderada, 30% DTM severa, 20% DTM leve, 10% sem disfunção. Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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De acordo com o Índice de Mobilidade Mandibular (IMM) obteve-se uma média de abertura da boca de 40,4 milímetros (mm), média de movimento de lateralidade para a direita de 10,3 mm, de lateralidade para a esquerda de 9,2 mm e protrusão máxima de 2,8 mm o que nos demonstram mobilidade mandibular severamente reduzida. O equilíbrio postural é de grande importância visto que o desequilíbrio de um segmento do corpo levará a uma reorganização de todos os outros, desencadeando, então, uma postura compensatória. Estudos demonstram que os segmentos do corpo humano estão anatômica e

funcionalmente relacionados

através

das

cadeias

musculares,

cujos

comportamentos elásticos caracterizam a postura (MARQUES, 1996; YI, GUEDES, VIEIRA, 2003). Referente à avaliação da postura em pacientes com disfunção temporomandibular apontam para um aspecto comum entre todos os voluntários estudados que é a assimetria de segmentos corporais. As alterações de postura encontradas foram: anteriorização de cabeça e inclinação da cabeça à direita, ombro direito elevado, tronco inclinado posteriormente à direita, tronco inclinado anteriormente à esquerda, elevação da espinha ilíaca ântero-superior à esquerda, desvio do quadril à esquerda, valgismo de joelho direto e varismo de joelho esquerdo, genuflexo, descarga de peso medial no membro inferior direito, descarga de peso lateral no membro inferior esquerdo e membro inferior esquerdo menor que o direito. O centro de gravidade apresentou desvio anterior e à esquerda. Em relação à angulação da coluna vertebral, os voluntários apresentaram protrusão de cabeça, retificação cervical, hipercifose torácica e retificação lombar. Severas desordens crânio cervicais como anteriorização de cabeça, retificação da coluna cervical, têm sido estabelecidas em pacientes com desordem temporomandibular (ZONNENBERG et al., 1996). Desta forma os voluntários do presente estudo apresentaram anteriorização de cabeça com média de 13,14° entre a vista direita e esquerda e retificação cervical com média de 17,42°. A DTM não se limita a crânio e mandíbula, faz parte de um complexo que envolve crânio, região cervical, estruturas supra e infra hióideas, ombros, região torácica e região lombo-sacral (PASSERO et al., 1985), a partir deste pensamento no estudo foi verificado que o alinhamento horizontal das escápulas em relação a T3 a média foi 22,1% o que demonstra assimetria escapular à direita, hipercifose torácica média de 58,3° e retificação lombar com média 26,11°. Ao analisarmos a relação crânio-coluna cervical em norma lateral, pode-se notar que a maior parte do peso do crânio, seu centro de gravidade, descansa na região anterior da coluna Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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cervical e nas articulações temporomandibulares, desta forma, sua posição ortostática é mantida por um complexo mecanismo muscular envolvendo músculos da cabeça, pescoço e cintura escapular. Devido a estas intimas relações, qualquer alteração em uma destas estruturas poderá levar a um desequilíbrio postural, gerando uma alteração do centro de gravidade anteriormente (AMANTÉA et al., 2004). O resultado do mesmo no estudo verificou que os voluntários analisados tiveram média de 42,21° demonstrando uma anteriorização do centro de gravidade. As análises realizadas condizem com a realidade de estudos com a mesma linha de raciocínio, no entanto sugerem-se outras pesquisas na área, para posteriores comprovações de resultados da relação entre disfunção temporomandibular e alteração da postura (ZONNENBERG et al., 1996; AMANTÉA et al., 2004; MUNHOZ, MARQUES e SIQUEIRA, 2004).

4. CONCLUSÃO A avaliação da postura e a identificação de suas possíveis desordens em pacientes com disfunção temporomandibular tornaram-se necessárias desde que foi percebida a relação entre esses eventos. As pesquisas já realizadas para saber se os desalinhamentos posturais são decorrentes da disfunção temporomandibular (origem descendente) ou se disfunção temporomandibular é decorrente de desalinhamentos posturais (origem ascendente) ainda não são conclusivas. Resta à fisioterapia, uma vez verificada a ocorrência dos dois fatos simultaneamente, aliada a outras especialidades médicas, procurar alternativas que possam minimizar os problemas para que seus portadores tenham maior qualidade de vida.

5. REFERÊNCIAS AMANTÉA, Daniela Vieira, et al. A importância da avaliação postural no paciente com disfunção da articulação temporomandibular. Acta ortopédica brasileira, São Paulo, v.12, n.003, julho/setembro 2004. BERTOLI, Fernanda M. P., et al. Cefaléias relacionadas às disfunções temporomandibulares em crianças. Jornal paranaense de pediatria, Paraná, v.5, n. 4, triênio 2004 – 2006. BIASOTTO-GONZALEZ, Daniela Aparecida. Abordagem interdisciplinar das disfunções temporomandibulares. 1 ª. ed. Manole, 2005. DAWSON, Peter E. Oclusão funcional da ATM ao desenho do sorriso. 1 ª .ed. Santos, 2008.

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GODELIEVE, Dennys Struyf. Cadeias musculares e articulares: o método G.D.S. 1 ª. ed. Summus, 1995. GRANJA, Débora Viviane Albuquerque; LIMA, Ana Paula. Influência dos recursos fisioterapêuticos nas algias orofaciais. Revista fisioterapia Brasil, São Paulo, v. 4, n. 6, novembro/dezembro 2003. KENDALL, Florence Peterson, et al. Músculos provas e funções: com postura e dor. 5 ª. ed. Manole, 2007. KISNER, Carolyn; COLBY, Lynn Allan. Exercícios terapêuticos fundamentos e técnicas. 4 ª. ed. Manole, 2005. MARQUES, Amélia Pasqual. Escoliose tratada com reeducação postural global. Revista fisioterapia da universidade de São Paulo v.3, n.1/2, janeiro/dezembro 1996. MEURER, Patrícia Silveira. Liberação miofacial nas assimetrias da face. 2006. 55 f.. Dissertação (Bacharel em Fisioterapia) - Universidade do Sul de Santa Catarina, Tubarão, 2006. MUNHOZ, Wagner César; MARQUES, Amélia Pasqual; SIQUEIRA, José Tadeu Tesseroli. Radiographic evaluation of cervical spine of subjectswith temporomandibular joint internal disorder. Braz Oral Res, v. 18, n.4, 2004. PAIVA, Helson José, et al. Noções e conceitos básicos em oclusão, disfunção temporomandibular e dor orofacial. 1 ª. ed. Santos, 2008. PASSERO Peter L. Temporomandibular Joint Dysfunction Sydrome et al. Physical theray, Los Angeles v. 65, n.08, agosto,1985. STEENKS, M.H.; WIJER, A. Disfunção da articulação temporomandibular: do ponto de vista da fisioterapia e da odontologia. 1 ª. ed. Santo, 2005. TANAKA, Clarice; FARAH, Estela. Anatomia funcional das cadeias musculares. 1ª. ed. Ícone, 1997. YI, Liu Chiao; GUEDES, Zelita Caldeira Ferreira; VIEIRA, Marilena Manno. Relação da postura corporal com a disfunção da articulação temporomandibular: hiperatividade dos músculos da mastigação. Revista fisioterapia Brasil, São Paulo, v. 4, n.5, setembro/outubro. 2003. ZONNEMBERG, AJJ et al. Body posture photographs as a diagnostic aid for musculoskeletal disorders related to temporomandibular disorders. J. Craniomandib Pract, 1996.

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6. AVALIAÇÃO DO PERFIL ANTROPOMÉTRICO, NÍVEIS PRESSÓRICOS, HÁBITOS DE VIDA E CONDIÇÃO ATUAL DE SAÚDE DE INDIVÍDUOS FREQUENTADORES DA ASSOCIAÇÃO LUZ E VIDA NO MUNICÍPIO DE OUVIDOR-GO Lorainy Ribeiro Thomé Fonseca15 Marciene Damiane de Lima Moreira16 Prof. Otávio José Plazzi de Souza17 RESUMO Este estudo tem por objetivo quantificar através da aferição de pressão arterial, circunferência da cintura, peso, altura, hábitos de vida e condição de saúde, a possibilidade de identificação de fatores de risco que possam influenciar no desenvolvimento de um evento cardiovascular. A pesquisa é um estudo transversal, cuja amostra foi composta por 39 indivíduos idosos, homens e mulheres, com idade igual ou superior a 60 anos, freqüentadores assíduos da Associação dos idosos Luz e Vida, no município de Ouvidor-Goias; A coleta de dados foi realizada através das medidas do índice de massa corporal (IMC), de circunferência da cintura (CC), da pressão arterial sistólica e diastólica, condição atual de saúde e hábitos de vida. Os dados foram anotados em um questionário estruturado elaborado para esta pesquisa. Os resultados obtidos apontam que 53,85% dos idosos fuma ou já fumou regularmente; 43,6% afirmam não praticar atividade física; 61,54% dos participantes apresentam o IMC maior que o ideal, dos quais, 18% com classificação de obesidade; 15,38% apresenta diabetes; 64,1% Hipertensão Arterial Sistêmica e 30,77% Hipercolesterolemia. Ao final, observa-se que os idosos apresentam fatores de risco isolados ou associados que podem influenciar no desenvolvimento de eventos cardiovasculares. Palavras chave: Idoso. Hipertensão Arterial Sistêmica. Fatores de Risco. Índice de Massa Corporal. Circunferência da Cintura. Doença Cardiovascular. 1. INTRODUÇÃO A Organização Mundial da Saúde classifica cronologicamente como idosos indivíduos de ambos os sexos, com mais de 65 anos de idade em países desenvolvidos e com mais de 60 anos de idade em países em desenvolvimento (OMS, 1994 apud ZALASVSKY, GUS, 2002). Na medida em que mais pessoas vivem até a idade bem avançada, aumenta a prevalência de doenças, em que a idade é fator de risco, como por exemplo, as doenças cardiovasculares (TADDEI et al.,1997). A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica os fatores de risco em dois grupos, um deles relacionado com o individuo e o outro relacionado com o ambiente. O 15

Aluna do curso de Fisioterapia da Faculdade de Ensino Superior de Catalão Aluna do curso de Fisioterapia da Faculdade de Ensino Superior de Catalão 17 Professor orientador de trabalho de conclusão de curso da Faculdade de Ensino Superior de Catalão 16

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primeiro grupo de fatores de risco subdivide-se em: geral (idade, sexo, escolaridade, herança genética), associados ao estilo de vida (tabagismo, dieta inadequada, e sedentarismo) e intermediário

ou

biológico

(hipertensão

arterial

sistêmica-HAS,

obesidade

e

hipercolesterolemia). No segundo grupo estão às condições socioeconômicas, culturais, ambientais e de urbanização (COLTRO et al.,2009). Quando se refere à hipertensão arterial sistêmica trata-se de uma alteração da regulação da pressão arterial que a mantém em níveis mais elevados do que o normal correspondente a esse indivíduo, além disso, trata-se de uma perturbação que se mantém no tempo, ou seja, tem características de cronicidade (DOUGLAS; 2006). A proporção de brasileiros diagnosticados com hipertensão arterial cresceu de 21,5% em 2006, para 24,4% em 2009. Os dados fazem parte do levantamento anual do Ministério da Saúde e foram divulgados no dia 26/04/2010, Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão. O percentual de hipertensos não passa de 14% na população até os 34 anos. Dos 35 aos 44 anos, a proporção sobe para 20,9%%. O índice salta para 34,5% dos 45 aos 54, e para 50,4% dos 55 aos 64 anos (MS, 2010). Doenças cardiovasculares coronarianas, dislipidemias, hipertensão, obesidade e diabetes mellitus formam um conjunto de morbidades geralmente associadas entre si, constituindo-se em graves problemas de Saúde Pública no Brasil (MARTINS et al.,1993). A CC (circunferência da cintura) é uma medida antropométrica capaz de estimar a gordura abdominal ou obesidade central, e está relacionada á quantidade de tecido adiposo visceral. A CC tem estreita correlação com IMC (Índice de Massa Corporal) e gordura corporal total e independe da altura. É também um importante preditor de co-morbidades, como dislipidemia, hipertensão e síndrome metabólica (MCARDLE, KATCH F. e KATCH V. 2003) Estudos têm demonstrado amplamente que o aumento da morbidade e mortalidade por doenças crônico-degenerativas está associado ao excesso de peso, principalmente ao depósito de gordura abdominal, favorecendo a ocorrência de eventos cardiovasculares, particularmente os eventos coronarianos. (BARBOSA, SCALA e FERREIRA, 2009). Devido á esses fatores vê-se a importância da identificação de fatores de risco, que exponham os idosos a maiores riscos de doenças cardiovasculares, e tem se como objetivo levantar dados que possibilitem identificar esses fatores de risco e assim implementar medidas diretas e concretas.

2. MATERIAIS E MÉTODOS Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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Este trabalho é um estudo observacional, descritivo e transversal de base populacional. Foram realizadas entrevistas e avaliações, em 39 indivíduos idosos (com idade igual ou superior á 60 anos), sendo 13 do sexo masculino e 26 do sexo feminino, freqüentadores assíduos da Associação Luz e Vida, que se localiza no município de OuvidorGO. A coleta de dados foi realizada em dois dias, 11 e 17 de setembro de 2010, das 17:00 as 19:00h na sede da instituição, pelos pesquisadores. Inicialmente foi oferecida aos participantes uma palestra informando todos os dados a serem colhidos no estudo, bem como a leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os idosos foram organizados por ordem de chegada e chamados um a um para a realização da entrevista e a avaliação. Foi aplicado um questionário estruturado, elaborado para esta pesquisa com a finalidade de se levantar hábitos de vida, condição atual de saúde e a antropometria, dos indivíduos incluídos na pesquisa. Foram analisados os seguintes dados: peso, altura, circunferência da cintura, tabagismo, consumo de álcool, pressão arterial sistólica e diastólica e se possuía, ou não, diagnóstico de Diabetes, Hipertensão arterial e Hipercolesterolemia. Os participantes da pesquisa foram entrevistados após assinarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Logo, em seguida, teve seu peso, altura, circunferência da cintura e pressão arterial aferidos. As medidas de peso foram obtidas com os indivíduos descalços, trajando roupas leves e por uma balança elétrica digital da marca Toledo, modelo 2096 PP, com capacidade máxima para 200 kg devidamente calibrada. Medidas de altura foram obtidas através de fitas métricas afixadas à parede. A medida da circunferência da cintura foi obtida no ponto médio entre as últimas costelas e a crista ilíaca utilizando-se fitas métricas. A Pressão Arterial foi aferida com o membro superior esquerdo repousando sobre uma mesa e na altura do coração, na posição sentada e após 5 minutos de descanso, utilizando um estetoscópio da marca Bic e um esfignomanômetro da mesma marca devidamente calibrado.

3. RESULTADOS A amostra foi composta por 39 indivíduos idosos, a qual se tinha como objetivo quantificar através da aferição de pressão arterial, circunferência da cintura, peso, altura e hábitos de vida, a possibilidade de identificação de fatores de risco que influenciassem no desenvolvimento de um evento cardiovascular. Depois de realizadas as análises, observamos

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um percentual de hipertensão arterial (64,10%), Hipercolesterolemia (30,77%) e diabetes (15,38%). As análises e seus respectivos resultados estão descritos a seguir.

Fig.1- Proporção de homens e mulheres entre os entrevistados. Entre os 39 idosos entrevistados 26 (66,67%) eram do sexo feminino enquanto que, 13 (33,33%) eram do sexo masculino.

Fig.2- Distribuição etária dos participantes. Ao dividirmos a faixa etária dos entrevistados em grupos de 5 em 5 anos encontramos que a maior parte deles (41,03%) tem entre 65 e 70 anos. O grupo mais jovem, de 60 a 65 anos, representa 15,38% e o de mais idade (entre 75 e 80 anos) apenas 2,56%. As demais faixas etárias podem ser observadas na figura 2. Verificando-se a idade dos integrantes da pesquisa, percebemos que a idade média entre os homens foi de 72,4 e entre as mulheres a média foi de 69,9 anos.

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Fig.3-Análise estatística do estado civil dos idosos entrevistados No que se refere ao estado civil dos idosos, observa-se, na figura acima, uma predominância de idosos casados (56,41%). Enquanto 33,33% afirmaram ser viúvos (as) e 5,13% se dizem solteiros (as) e o mesmo percentual divorciados (as).

Fig.4- Proporção de fumantes. Ao se questionar quanto ao hábito de fumar podemos observar que a maioria dos entrevistados afirmou nunca ter fumado (46,15%) seguido por ter parado de fumar (43,59%). Apenas 10,26% dos indivíduos afirmaram fumar atualmente.

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Fig.5- Prática de atividade física Os dados verificados nesta pesquisa mostram que a maioria dos idosos, 56,41%, afirmou praticar atividade física, porém de forma irregular (na medida em que lhes é oferecido). Já 43,59% afirmaram não realizar atividade física. Entre os entrevistados que afirmaram não praticar atividade física a justificativa mais presente é a irregularidade da oferta na Associação o que, segundo eles, desmotiva que participem.

Fig.6- Análise da altura dos avaliados. Ao analisarmos a altura dos idosos, dividimos em conjuntos de 10 em 10 cm e constatamos que a maioria deles (46,15%) possui estatura entre 1,50 e 1,60 m. O conjunto de menor estatura, de 1,40 a 1,50 m representa 15,38% e os de estatura maior 17,95%. Entre as mulheres, a estatura média foi de 1,5m. Já os participantes de sexo masculino têm estatura média de 1,7m.

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Fig.7- Análise estatística do peso dos idosos participantes da pesquisa. Os dados levantados nesta pesquisa revelam que a maior parte dos participantes 35,90% está com peso entre 56 e 65 Kg. Já 2,56% estão com peso acima de 100 kg. Os valores médios obtidos em relação ao peso foram de 68,4 Kg. Ao separarmos o grupo pelo gênero, observamos que o peso médio dos homens é 67,9 e das mulheres é 69,2Kg.

Fig.8- Análise estatística do Índice de Massa Corpórea dos entrevistados. O gráfico acima demonstra que a maioria dos idosos (43,59%) está com Índice de Massa Corporal (IMC) acima dos valores normais, de 26 a 32 IMC, apresentando um percentual elevado de gordura. Já outro grupo (38,46%) está com IMC dentro dos valores normais. Entre os homens entrevistados observa-se um IMC médio de 24.1 Kg/m. Já entre as mulheres o valor médio encontrado foi 29.1 Kg/m, classificando como sobrepeso, pois o mesmo se caracteriza entre 25,0 a 29,9 IMC.

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Fig.9- Análise de Circunferência da Cintura dos Idosos. Ao verificarmos a circunferência da cintura dos idosos, podemos perceber que a maioria dos participantes apresenta 35,90% entre 91 a 100 cm e o mesmo percentual tem entre 101 a 110 cm, estando mais propensos a desenvolver problemas de saúde, devido ao excesso de gordura ao redor da cintura. Sendo apresentada uma média de 97,8 cm no total de indivíduos. Fazendo-se a separação pelo gênero observamos que, entre os homens a circunferência média da cintura foi de 93,0 cm, enquanto que entre as mulheres o valor encontrado foi de 101,4 cm. Observa-se então que, para homens o valor é considerado normal, enquanto que para as mulheres é excessivo.

Fig.10-Relação dos Diabéticos. Entre os entrevistados quando questionados se possuíam diagnóstico clínico de Diabetes (15,38%) afirmou ter e (84,62%) relataram não possuir.

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Fig.11-Percentual de Hipertensão Arterial Sistêmica. Entre todos os investigados observa-se que a grande maioria afirmou ser portador de Hipertensão Arterial Sistêmica – HAS (64,10%) o que demonstra a alta prevalência de HAS nos indivíduos da faixa etária avaliada neste estudo. Os demais, 35,90%, afirmam não ter o diagnóstico clínico de HAS. A média de pressão sistólica foi de 142,5 e da pressão diastólica de 78,5 nos indivíduos estudados.

Fig.12-Descrição de Hipercolesterolemia. Dentre os avaliados (30,77%) relataram ter hipercolesterolemia, enquanto que (69,23%) relataram não ter. Porém, ao aprofundarmos a entrevista neste tópico percebemos um percentual significativo dos idosos que afirmam não terem feito os exames de dosagem do colesterol recentemente, o que pode comprometer a veracidade das informações dadas pelos entrevistados.

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Fig.13-Classificação da amostra de Pressão Arterial Sistólica. No que se refere à pressão sistólica, observa-se uma grande variação no gráfico, sendo (23,08%) a pressão de 120 mmHg a mais comum. O grupo de menor pressão (2,56%) ficou entre 100, 110, 160 e 190 mmHg, representando o mesmo percentual. Entre os homens a pressão média sistólica foi de 130,8 enquanto que as mulheres apresentaram média de 144,6 mmHg.

Fig.14-Classificação da amostra de Pressão Arterial Diastólica Os indivíduos apresentaram pressões diastólica diversas, caracterizando um percentual maior (38,46%) a pressão de 70mmHg, (30,77%) pressão de 80mmHg, (23,08%) pressão de 90 mmHg e as pressões de 60, 100 e 120 mmHg, apresentaram no gráfico um percentual de (2,56%). Observamos que, entre os homens a pressão média diastólica foi de 76,9, no entanto as mulheres demonstraram pressão média de 80,8 mmHg

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4. DISCUSSÃO Os achados mais significativos do presente estudo foram: identificação de fatores de riscos como idade, tabaco, atividade física, analisando índices antropométricos como o Índice de Massa Corporal (IMC) e a Circunferência da Cintura (CC), peso com a condição de saúde e identificando possibilidades de um evento cardiovascular da população idosa do município de Ouvidor-GO. De acordo com Rosini, Machado e Xavier (2006) é de reconhecida importância a participação dos múltiplos fatores de risco (FR) no desenvolvimento das doenças cardiovasculares (DCV), implicados diretamente na gênese, progressão e ocorrência dos eventos cardiovasculares futuros. Opinião semelhante à de (GORDON e KANNEL, 1986 apud IRWIN; TECKLIN, 2003) que cita, ainda, fatores como hipertensão, tabagismo, colesterol ou triglicerídeos séricos elevados tolerância anormal à glicose, estilo de vida sedentário, histórico familiar de doença coronariana, idade e sexo masculino são fatores que, isoladamente ou em combinação aumentam o risco de transtornos cardiovasculares. Em concordância a este autor encontramos parcela importante de idosos que apresentam fatores de risco associados que podem, em conjunto ou isoladamente, predispor o idoso a maior risco cardiovascular. Apesar do conhecimento da importância do levantamento de fatores de risco associados à terceira idade, segundo Conceição e colaboradores (2006) no Brasil, somente existem estudos regionais sobre a epidemiologia da HAS, bem como de fatores de risco cardiovasculares, o que dificulta o conhecimento da prevalência e da dimensão do problema na realidade brasileira, limitando-o a estimativas. De acordo com, Coltro e outros (2009) as últimas diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, os fatores de risco mais evidentes no panorama da saúde cardiovascular no Brasil são: tabagismo, hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabetes mellitus (DM), obesidade e dislipidemias. O aumento do IMC também foi associado com prevalência elevada de HAS, DM, hipertrigliceridemia e HDL-colesterol baixo. A relação entre IMC e risco de morbidades, no entanto, pode ser afetada pela distribuição da gordura corpórea, visto que as principais complicações da obesidade, que incluem doenças cardiovasculares, diabetes mellitus, hipertensão e hiperdislipidemia, estão associadas ao maior acúmulo de gordura abdominal, independente do peso corpóreo (PEIXOTO et al., 2006). Todavia, Gordon e Kannel, relatando os dados obtidos ao Estudo Framingham, demonstraram que um peso relativo mais elevado estava associado a um maior

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risco para o desenvolvimento de lesões coronarianas (GORDON e KANNEL, 1986 apud IRWIN; TECKLIN, 2003). Opinião contrária a esta foi dada por Pollock e Wilmore (1993) que afirmam: havendo vigência da influência de outros fatores de risco, o peso excessivo e a obesidade não se mostravam relacionados ao futuro desenvolvimento da coronariopatia. Este é um fator preocupante, pois principalmente entre as mulheres participantes desta pesquisa, os valores encontrados de IMC foram relativamente altos. Segundo Monteiro e Filho (2004) o sedentarismo também constitui importante fator de risco, já estando bem estabelecida a ocorrência de maior taxa de eventos cardiovasculares e maior taxa de mortalidade em indivíduos com baixo nível de condicionamento físico. O mesmo autor acima relata que o exercício físico realizado regularmente provoca importantes adaptações autonômicas e hemodinâmicas que vão influenciar o sistema cardiovascular, com o objetivo de manter a homeostasia celular diante do incremento das demandas metabólicas. Apesar de observarmos, através dos resultados, uma pequena diferença a favor dos indivíduos que relatam praticar atividade física quando comparados aos que relatam não praticá-la, a irregularidade da oferta de exercícios a eles pode comprometer o resultado benéfico esperado conforme citação acima. As vantagens da prática de exercícios para idosos dependem de como se processa o envelhecimento e da rotina de exercício físico praticada. Sabe-se que os benefícios à saúde ocorrem mesmo quando a prática de atividade física é iniciada em uma fase tardia de vida, por sujeitos sedentários, sendo benéfica inclusive para portadores de doenças crônicas. (ELIOT; LONG; BOONE, 1992 apud CAROMANO; IDE; KERBAUY, 2006). Apesar do pequeno percentual de idosos que se declararam Diabéticos, Schmidt e colaboradores (2006) a prevalência do diabetes vem crescendo mundialmente, configurandose, atualmente como uma epidemia resultante, em grande parte, do envelhecimento da população. Contudo, o sedentarismo, a alimentação inadequada e o aumento da obesidade também são responsáveis pela expansão global do diabetes. Oliveira e colaboradores (2008) definem a hipertensão arterial como sendo uma doença de natureza multifatorial com prevalência na população idosa tornando-se um fator determinante nas elevadas taxas de morbidade e mortalidade desses indivíduos. Acomete quase 60% dos idosos, está freqüentemente associado a outras doenças como arteriosclerose, diabete mellitus e síndrome metabólica, conferindo a este grupo alto risco cardiovascular. Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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Entre os indivíduos participantes desta pesquisa, o percentual de portadores de HAS se assemelha ao apresentado por Silva e outros (2006) em seu trabalho. Porém as estatísticas epidemiológicas são discordantes, uma vez que cita a prevalência entre 22 e 44% e atesta que no Brasil a quantidade de trabalhos epidemiológicos nesta área são pouco significativos. De acordo com Lima-Júnior e outros (2000) a hipertensão arterial sistêmica é o maior fator de risco para doença coronariana em mulheres e homens. Um estudo da “American Heart Association” mostrou que a sua prevalência em 53% das mulheres entre 55 e 64 anos e em 67,5% das mulheres de mais de 65 anos. Entre as entrevistadas neste estudo 80,7% afirmaram ser hipertensas, valor maior que a média citada acima. Embora a pressão arterial esteja tipicamente aumentada no idoso, há evidências sugerindo que não há efeito desse índice de funcionamento cardiovascular em indivíduos saudáveis ou quando os indicadores fisiológicos de condicionamento físico estão estatisticamente controlados (GUCCIONE, 2002). O estudo MRFIT (Multiple Risk Factor Intervention Trial) claramente confirmou que a HAS, hipercolesterolemia e tabagismo são independentemente preditivos de mortalidade por doença cardiovascular e a presença de pelo menos um desses fatores de risco tem impacto maior sobre a mortalidade em indivíduos diabéticos do que em não diabéticos (SCHAAN, HARZHEIM E GUS, 2004). Estudos

epidemiológicos

demonstram

associação

direta

entre

doença

cardiovascular, especialmente as ateroscleróticas e hipercolesterolemia, sendo que muitos têm comprovado que o nível de colesterol na infância é um preditor do nível de colesterol na vida adulta (MOURA et al., 2000). Fato esse que preocupa, pois, entre os idosos entrevistados, há um percentual significativo que afirma ter hipercolesterolemia. A prevenção primária da elevação da pressão arterial, bem como do risco de um evento cardiovascular pode ser obtida através de mudanças no estilo de vida que incluam o controle do peso, do hábito de fumar e da prática de atividade física regular. Levando-se em conta que o aumento da massa corporal está fortemente associado á elevação da pressão arterial, apresentado altas prevalências, tanto nos países ricos, como naqueles menos desenvolvidos, podemos considerar o excesso de peso como um dos principais determinantes que pode ser prevenido, da ocorrência de hipertensão arterial e, conseqüentemente, de um evento cardiovascular. (FEIJÃO et al., 2005).

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5. CONCLUSÃO

Conclui-se, portanto, que a existência de alta prevalência de fatores de risco (isolados ou em associação) nos idosos avaliados os torna mais expostos à eventos cardiovasculares e coronarianos tendo em vista o fato de que a idade avançada associada a estes fatores de risco é uma combinação sabidamente perigosa. A irregularidade dos exercícios físicos relatada pelos idosos constituiu outro fator importante, pois, a sua regularidade proporcionaria, de acordo com a bibliografia consultada, melhor qualidade de vida e a minimização do risco de complicações cardiovasculares futuras. Sugerimos à direção da Associação e às autoridades de saúde do município, um maior compromisso quanto à regularidade da atividade física ofertada, bem como um leque maior de opções para que um maior número de idosos possam interessar pela prática e, assim, garantir, a eles, uma velhice mais saudável e proveitosa.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARBOSA, Larissa Silva; SCALA, Luiz César Nazário; FERREIRA, Márcia Gonçalves. Associação entre marcadores antropométricos de adiposidade corporal e hipertensão arterial na população adulta de Cuiabá, Mato Grosso. Rev. bras. epidemiol., São Paulo, v. 12, n. 2, jun. 2009 . Disponível em <http://www.scielo.br/scielo. BRASIL. Ministério da Saúde. Disponível em <http// www.portal.saúde.gov.br>.Acesso em:03 de maio 2010. CAROMANO, Fátima A.; IDE, Maiza Ritomy; KERBAUY, Rachel Rodrigues. Manutenção na prática de exercícios por idosos. Rev. Dep. Psicol.,UFF, Niterói, v. 18, n. 2, Dec. 2006 . Available from <http://www.scielo.br/scielo. CONCEICAO, Tatiana Valverde da et al . Valores de pressão arterial e suas associações com fatores de risco cardiovasculares em servidores da Universidade de Brasília. Arq. Bras. Cardiol., São Paulo, v. 86, n. 1, Jan. 2006 . Available from <http://www.scielo.br/scielo COLTRO e et al. Freqüência de fatores de risco cardiovascular em voluntários participantes do evento de educação em saúde.Rev.Associação medica brasileira, São Paulo,v.55,n.5,2009. <http://www.scielo.br/scielo DOUGLAS, Carlos Roberto. Tratado de Fisiologia aplicada á ciências medicas. 6 ed.Rio de Janeiro:Guanabara Koogan,2006. FEIJAO, Adelina Maria Melo et al . Prevalência de excesso de peso e hipertensão arterial, em população urbana de baixa renda. Arq. Bras. Cardiol., São Paulo, v. 84, n. 1, Jan. 2005 . Available from <http://www.scielo.br/scielo Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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7. COMPARAÇÃO DAS TÉCNICAS DE CINESIOTERAPIA E ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA NERVOSA TRANSCUTÂNEA – TENS NA MELHORA DO QUADRO ÁLGICO E CAPACIDADE FUNCIONAL EM PACIENTES COM OSTEOARTROSE DE JOELHO Almê de Paula Costa18 Luckiane Pimenta da Silva19 Prof. Humberto de Sousa Fontoura20

RESUMO

Esse trabalho propôs ressaltar a importância da cinesioterapia e da eletroterapia para alívio de dor e melhora da capacidade funcional em paciente com osteoartrose (OA) de joelho, bem como comparar a eficácia das duas técnicas. Foram selecionados dois pacientes (A e B), sendo que o paciente A, foi submetido a dez sessões de cinesioterapia, duas vezes por semana, totalizando dois meses de atendimento (agosto a setembro) e o paciente B, foi submetido a dez sessões de estimulação elétrica nervosa transcutânea - TENS, duas vezes por semana, totalizando dois meses de atendimento (agosto a setembro). Foi aplicado o questionário de Lequesne no pré e pós-tratamento fisioterapêutico e escala visual analógica da dor – EVA específica para avaliar a dor antes e depois de todas as sessões de tratamento. Os resultados obtidos foram de grande relevância, tendo em vista que pela análise da E.V.A que vai de 0 a 10, e do questionário de lequesne que vai de leve a extremamente grave, os valores iniciais antes do tratamento eram comprovados como altos e extremamente graves, com o decorrer das sessões de tratamento percebeu-se que esses valores foram diminuindo após à realização do tratamento com cinesioterapia e estimulação elétrica nervosa transcutânea. Conclui-se que ambas as técnicas foram eficazes no alívio do quadro álgico e melhora da capacidade funcional em paciente com osteoartrose de joelho, mas a cinesioterapia demonstrou um melhor resultado no tratamento da dor e capacidade funcional quando comparado com o TENS. Palavras-Chave: Osteoartrose, Cinesioterapia, Tens, Capacidade Funcional, Dor.

18

Aluna do curso de Fisioterapia da Faculdade de Ensino Superior de Catalão. Email: almedepaula@yahoo.com.br 19 Aluna do curso de Fisioterapia da Faculdade de Ensino Superior de Catalão. Email: luckiane@yahoo.com.br 20 Professor, Orientador, Doutor e Coordenador do curso de fisioterapia da Faculdade de Ensino Superior de Catalão - Faculdade Cesuc. Email: humbertofisio@hotmail.com Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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1. INTRODUÇÃO

A osteoartrose é uma patologia que acomete a cartilagem e o osso subcondral podendo ser dividida em primária e secundária. Como consequências, podem surgir lesões anatômicas características, representadas por degeneração cartilaginosa, eburnificação do osso subcondral e remodelagem óssea. Nas fases mais avançadas do processo pode-se ter sinovite de grau variável (SEDA, 2001 apud DAVID e LLOYD,2001 cap 9). Visamos utilizar o exercício terapêutico porque é uma das principais técnicas fisioterapêuticas utilizadas com o intuito de restaurar e melhorar o bem estar musculoesquelético do paciente com osteoartrose (KISNER & COLBY, 1998). Um programa de exercícios pode ser efetivo na diminuição da dor assim como o tratamento medicamentoso com anti-inflamatórios não hormonais (SILVA, IMOTO & CROCI, 2007) . A TENS é também uma técnica que pode ser usada para diminuir a dor oriunda das lesões decorrentes da osteoartrose e consiste na aplicação de eletrodos na pele intacta com o objetivo de estimular as fibras nervosas grossas A ALFA (sensoriais) mielinizada de condução rápida bem como as fibras motoras. Esta ativação desencadeia-se a nível central, onde os sistemas analgésicos descendentes de caráter inibitório atuam sobre a transmissão nociceptiva conduzida pelas fibras não mielinizadas de pequeno calibre gerando dessa forma a redução da dor (AGNE, 2009). Para AGNE, 2009, no método de aplicação tetrapolar quando as duas correntes se cruzam no interior do corpo , ocorre a produção da interferência, consequentemente, o efeito de modulação da intensidade ocorre nesta zona e em casa um dos quadrantes que delimitam dois eletrodos de circuitos distintos. AGNE, 2009 ainda afirma que períodos insuficientes de estimulação tem dado lugar ao fracasso da TENS, sendo esta razão mais comum para o pouco ou nenhum alívio da dor com este equipamento. As consequências da osteoartrose comprometem a capacidade funcional que pode ser definida como uma medida sistemática, abrangente e objetiva da capacidade máxima de um indivíduo. (JAHN, CUPON & STEINBAUGH, 2004). Como ferramentas de avaliação do impacto da osteoartrose na saúde do indivíduo, pode ser utilizado o questionário de Lequesne que foi desenvolvido na França nos anos 70 e publicado pela primeira vez nos anos 80. Foi atualizado em 1997 e novamente revisado em 2003 por Faucher et al (2003). Este índice é composto de 11 questões sobre dor, desconforto e Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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função, sendo seis questões sobre dor e desconforto (dentre estas, uma distinta para joelho e outra para quadril), uma sobre distância a caminhar e quatro distintas para quadril ou joelho sobre atividades da vida diária. As pontuações variam de 0 a 24 (MARX et al, 2006). Também como ferramenta para avaliar o nível de dor, a E.V.A é amplamente utilizada por ser própria para avaliar a dor (BRIGGS

& CLOSS, 1999). Consiste de uma linha de 10 cm, com âncoras em

ambas as extremidades. Numa delas é marcada "nenhuma dor" e na outra extremidade é indicada "a pior dor possível", ou frases análogas. A intensidade da dor é indicada marcando a linha e uma régua é utilizada para quantificar a mensuração numa escala de 0-100 mm. (SCOPEL, ALENCAR & CRUZ, 2007)

2. DESENVOLVIMENTO

2.1 Tipo de pesquisa: Descritiva e transversal

2.2 Aspectos éticos: A pesquisa está cadastrada no SISNEP e foi submetida ao comitê de ética e pesquisa da Universidade Federal de Goiás com protocolo 252/2010. Os participantes assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido onde foi descrito todos os benefícios e riscos de participação da pesquisa.

2.3 Amostra: A amostra contou com dois pacientes de ambos os sexos, divididos em A e B, onde foram realizadas 10 (dez) sessões, 2 (duas) vezes por semana durante 2 (dois) meses, no período de agosto à setembro. O estudo foi realizado na clínica escola da Faculdade CESUC em Catalão GO. Ressaltamos que os procedimentos que foram citados a seguir não tiveram ônus aos pacientes envolvidos, ou seja, as despesas dos materiais de consumo foram de responsabilidade dos pesquisadores.

2.4 Procedimentos: Sessões de Cinesioterapia: Consta de um paciente A, que foi submetido à 10 sessões de cinesioterapia, 2 vezes por semana, totalizando 2 meses de atendimento (agosto à setembro). A cinesioterapia foi aplicada no membro afetado pela osteoartrose de joelho. Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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Foram realizados exercícios de alongamento, fortalecimento, mobilização articular, treino de equilíbrio e propriocepção em todo membro afetado. As sessões de cinesioterapia tiveram duração de 40 minutos, sendo realizadas em todo membro inferior.. Sessões de TENS: Consta de um paciente B, que foi submetido à 10 sessões da TENS, 2 vezes por semana, totalizando 2 meses de atendimento (agosto à setembro). Foi utilizado modo Burst com freqüência 2-10 Hz, duração do impulso de 180-250 us, intensidade que apresenta contração visível, tempo de estimulação 30-60 min.(AGNE, 2009).

2.5 Protocolo Fisioterapêutico

A) Sessões de Cinesioterapia 1 Paciente: 2 vezes por semana (terça e quinta) 2 meses de tratamento (agosto e setembro) Horário: 09:00 às 10:00 horas

Aplicação da ficha de avaliação ortopédica No inicio do tratamento.

Aplicação da Cinesioterapia Tempo de aplicação: 40 minutos Local de aplicação: Joelho bilateral afetado pela AO.

Aplicação de questionário de Lequesne: No início e no final do tratamento.

Aplicação de questionário de Escala Visual Analógica da dor- EVA: No início e no final de cada sessão de tratamento.

Mobilização Articular: Posição do paciente: decúbito dorsal Graus: 1 e 2. Tempo de aplicação: 2 minutos.

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Exercícios de alongamento: 1) Posição do paciente: decúbito dorsal Tipo de alongamento: passivo Grupo muscular: isquiotibiais e adutores da coxa, gastrocnêmio,tensor da fáscia lata. Tempo de alongamento: 05 minutos

2) Posição do paciente: decúbito ventral Tipo de alongamento: passivo Grupo muscular: quadríceps. Tempo de alongamento: 2 minutos

3) Posição do paciente: decúbito lateral Tipo de alongamento: passivo Grupo muscular: glúteo máximo Tempo de alongamento: 2 minutos

Tempo total de alongamento: 9 minutos

Exercícios de Fortalecimento: 1) Material: caneleira Peso: 1 a 2 kg Movimento: flexão e extensão do joelho Grupo muscular: quadríceps, isquiostibiais, tensor da fáscia lata. Séries: três séries de 15 repetições. Tempo: dez minutos

2) Material: Faixa elástica Cor da faixa elástica: vermelho, verde e cinza. Movimento: flexão plantar, adução da coxa, extensão de quadril. Grupo muscular: gastrocnêmio, adutores de coxa e glúteo máximo. Séries: três séries de 15 repetições Tempo: 10 minutos

3) Treinamento de Propriocepção, Equilíbrio e macha: Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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Circuitos em terrenos regulares e irregulares, com e sem obstáculos e velocidade de lenta à moderada. Tempo de aplicação: 9 minutos.

B) Sessões de TENS 1 Paciente 2 vezes por semana (terça e quinta) 2 meses de tratamento (Agosto e setembro) Horário: 17:30 às 18:30 horas

Aplicação da ficha de avaliação ortopédica No início do tratamento.

Aplicação de questionário de Lequesne: No início e no final do tratamento.

Aplicação de questionário da EVA: No início e no final de cada sessão de tratamento.

Cada início de sessão foi feito uma assepsia do local a ser tratado com algodão e álcool Materiais da eletroterapia Marca do Aparelho: Ibramed Gel de aplicação da corrente: Gel condutor hidrosolúvel, incolor e inodor, (carbogel). Papel toalha/fita adesiva Modulação: modo Burst / freqüência 2-10 Hz /duração do impulso 180 a 250us. Tipo de eletrodo: Silicone Tipo de aplicação: Tetrapolar Cruzado Duração de aplicação: 30 minutos Região de aplicação: Joelho afetado pela OA.

3. COLETA DOS DADOS: Será aplicado o questionário de Lequesne no pré e pós-tratamento fisioterapêutico (figura 1), e E.V.A específica para avaliar a dor antes e depois de todas as sessões (figura 2). Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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Figura 1: Questionário Algofuncional de Lequesne usado para avaliar a capacidade funcional do paciente.

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Figura 2: E.V.A usada para avaliar nível da dor segundo AGNE(2009)

Materiais: Foi utilizado faixa elástica (como auxílio no tratamento favorecendo resistência), caneleiras (para ganho de força muscular) aparelho de TENS, gel, papel toalha e fita adesiva. Critérios de inclusão: Foi selecionado paciente de ambos os sexos, sedentários, com diagnostico de OA de joelho. Critérios de exclusão: Paciente que não se sujeitar em assinar o termo de consentimento livre e esclarecido, que não possuam disponibilidade de horário para a realização das dez sessões e que não preencham todos os requisitos dos critérios de inclusão. Riscos e benefícios: Consideramos esta pesquisa de baixo risco para os sujeitos envolvidos, onde o paciente que foi submetido à cinesioterapia foi advertido quanto a possíveis dores musculares devido aos exercícios propostos, e ao paciente que foi submetido a TENS foi esclarecido que poderia sentir uma sensação de formigamento e contração muscular durante a aplicação da corrente elétrica. Os benefícios podem ir além do que o presente estudo coloca em questão, como melhora da mobilidade articular, aumento da força muscular, melhor equilíbrio e propriocepção, prevenindo contraturas musculares e alívio do quadro doloroso. Análise dos dados: Para análise dos dados, foi utilizado a estatística descritiva e teste T de Student por meio dos programas Excel 2007 e SPSS 17.0

4. RESULTADOS

Os resultados obtidos foram de grande relevância, tendo em vista que pela análise da E.V.A que vai de 0 a 10, e do questionário de lequesne que vai de leve a extremamente grave, os valores iniciais antes do tratamento eram comprovados como altos e extremamente graves, com o decorrer das sessões de tratamento percebeu-se que esses valores foram diminuindo após à realização do tratamento com Cinesioterapia e TENS. Os resultados obtidos foram satisfatórios, sendo que ambas as técnicas foram eficazes no alívio do quadro álgico e melhora da capacidade funcional em paciente com OA de joelho. Estatisticamente o questionário de Lequesne não teve significância por ser apenas modos de comparação pré e pós tratamento, já a estatística da E.V.A por ser modos de comparação pré e pós cada sessão de tratamento, teve significância, como mostra tabela 01 e figura 03.

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Tabela 01 – Nível de significância da E.V.A na comparação do pré e pós teste dos tratamentos por Cinesioterapia e TENS.

Nível de Significância Cinesioterapia Pré e Pós

0,000619699

TENS Pré e Pós Cinesioterapia Pré e TENS Pré Cinesioterapia Pós e TENS Pós

0,000435128 0,092874436 0,033800731

4,5 4 3,5

3

Cinesioterapia Pré

2,5

Cinesioterapia Pós

2

TENS Pré

1,5

TENS Pós

1

0,5 0 Escala Analógica Visual de Dor

Figur a 3 – Gráfico comparativo da E.V.A entre o pré e pós teste dos tratamentos por Cinesioterapia e TENS.

5. DISCUSSÃO

O questionário de Lequesne mostrou redução nos dois tratamentos, porém mais significativa no tratamento realizado pela cinesioterapia. Enfim, ambos os tratamentos foram efetivos na melhora da capacidade funcional. O Índice Algo Funcional de Lequesne juntamente com o Índice Algo Funcional de WOMAC apresentam a eficácia para a avaliação da qualidade de vida em pacientes portadores de OA, porém em nosso estudo preferimos a utilização do Índice de Lequesne, por ser validado para a língua portuguesa. A qualidade de vida mensurada com este índice obteve resultados positivos em ambos os grupos. Em relação ao questionário da E.V.A, os resultados foram:

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A comparação de Cinesioterapia Pré e Pós teste, foi estatisticamente significativo o que mostra que houve diminuição da dor, sendo que o mesmo ocorreu entre o TENS Pré e Pós. Enfim, ambos os tratamentos foram efetivos na diminuição da dor. Para comprovar a eficácia, realizou-se um comparativo entre a Cinesioterapia Pré e TENS Pré, o que não deu diferença estatisticamente significativa, este resultado mostra que as duas amostras estavam em condições semelhantes no início do tratamento, isto é, elas eram iguais em termos de sensibilidade de dor, por isto não houve diferença no Test T. Na comparação entre a Cinesioterapia Pós com o TENS Pós, os resultados mostraram ser efetivos no tratamento de dor, mas quando comparamos os dois vemos que há diferença significativa entre os resultados finais o que mostra que estes são diferentes. Isso significa que os dois tratamentos melhoraram, porém um tratamento foi ainda mais efetivo que o outro. Neste caso, a Cinesioterapia demonstrou um melhor resultado no tratamento da dor quando comparado com o TENS. Estudo realizado por Teixeira e Olney,1995 apud, SILVA, IMOTO & CROCI, 2007 mostrou a existência de correlação entre dor e rigidez articular e entre dor e função. Este achado sugere que o alívio da dor está diretamente relacionado com ganhos da função, sendo, portanto um objetivo importante a ser considerado no tratamento de pacientes com OA. Estes sugerem que uma abordagem terapêutica, visando o alívio da dor e redução da rigidez articular, é fundamental para que os pacientes com OA apresentem um melhor empenho funcional. Segundo Greve et al,1992 apud SILVA, IMOTO & CROCI,2007 a dor inibe a atividade muscular reflexa, causando hipotrofia e fraqueza muscular, o processo doloroso é prévio ao quadro de fraqueza muscular, essa afirmação sugere que exercícios são benéficos para ganho de força e consequentemente melhora na dor. Foi comprovado que a TENS promoveu analgesia considerativa bem como melhorou a capacidade funcional do paciente envolvido, porque aliviando a dor o paciente ganhava mais mobilidade e menos restrição aos movimentos, tornando-se mais funcional e sem dor. A utilização de correntes elétricas terapêuticas constitui um dos vários recursos utilizados na fisioterapia. Uma vez moduladas com parâmetros apropriados, estas correntes podem atuar em diferentes condições, tais como: promover analgesia, contrações musculares, melhoria do fluxo circulatório local, drenagem de líquidos, tonificação ou relaxamento muscular, bem como incentivar a regeneração e a cicatrização de diversos tecidos corporais. (MELO G de Paula et al, 2006) Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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A TENS constitui num método simples, prático, de baixo custo e de resolução rápida, sem, no entanto, promover efeitos colaterais para os pacientes (MELO et al, 2006, apud, MORAES, 2007) Segundo MELO et al 2006, este recurso tem sido usado extensivamente em locais de atendimento à saúde para o manejo sintomático de dor aguda e dor crônica de origem benigna e também no atendimento paliativo da dor causada por doenças ósseas metastáticas e neoplasias. A TENS, como um tratamento de dor, é singular, pois exerce sua função analgésica, baseada na teoria da comporta de dor, desenvolvida por Welzack e Wall (LASMAR et al, 2002, apud, MORAES, 2007) Quando se tem a definição do quadro de dor existe a recomendação de que se faça a colocação dos eletrodos de forma sistemática em sessões sucessivas, pois parece aumentar o êxito de tratamento (WOOLF, 1981; FRAMPTON, 1982 e 1994, apud, Agne, 2009)

6. CONSIDERAÇOES FINAIS

A cinesioterapia e a TENS é um ponto a ser observado com bastante precisão, pois o intuito dessas técnicas é eliminar processos dolorosos e melhorar a capacidade funcional que o individuo apresentar. No estudo proposto, concluímos que a cinesioterapia e a TENS são técnicas bastante eficazes para diminuição da dor e melhora da capacidade funcional em indivíduos com AO de joelho, comprovado por meio dos questionários de lequesne e E.V.A, que mostraram resultados considerativos e favoráveis em relação a diminuição do quadro álgico e melhora da capacidade funcional, e com isso promove uma melhor qualidade de vida para os pacientes portadores de AO de joelho. Todas as voluntárias eram sedentárias, a grande maioria permanecia muito tempo do dia na postura sentada, não consumiam a quantidade de água recomendada por dia, não tinha hábitos saudáveis de alimentação, não praticavam exercício físico, mostrando assim a falta de hábitos saudáveis na população em geral. Dessa forma, mesmo a amostra sendo reduzida, mostra a importância da atuação fisioterapêutica na saúde, bem-estar não somente das mulheres, incluindo também os homens. Sugere-se então outras pesquisas na área, para posteriores comprovações de resultados das técnicas aqui utilizadas e de caráter amplo como foi tratado, visando não

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somente a redução do quadro álgico e melhora da capacidade funcional, mas também a busca pela saúde, bem-estar e qualidade de vida. Como o número de participantes foi reduzido, propõe-se também pesquisas com um numero(n) maior para melhores resultados.

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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8. FREQUÊNCIA DE QUEDAS E A INCIDÊNCIA DE VERTIGEM EM IDOSOS Carolina Maria de Oliveira21 Carolina Morais Pereira22 Prof. Kleyder Aurélio Fleury Silva23

RESUMO

O exercício físico é definido como qualquer movimento corporal decorrente de contração muscular, no qual permite o aumento da força física, flexibilidade do corpo e maior resistência. A vertigem é uma sensação qual o paciente sente que o ambiente está movendo em relação a ele, o impacto psicológico das quedas é outro fator importante entre indivíduos mais velhos, sendo que a consequência mais imediata é o medo de cair, o que pode minar a disposição do idoso para manter um nível maior de atividade, podendo iniciar um declínio funcional irreversível. O objetivo deste estudo foi comparar vinte indivíduos de ambos os sexos, dez praticantes de exercícios físicos e dez sedentários, em relação à frequência de quedas e a incidência de vertigem. Foi aplicada a Escala de Equilíbrio de Berg (EEB) com os voluntários. No escore dos voluntários, o grupo “A” (praticantes de exercícios físicos) obteve um maior resultado do que o grupo “B” (não praticantes de exercícios físicos). Palavras-chaves: Queda, Vertigem, Idoso, Escala de Equilíbrio de Berg (EEB), Equilíbrio. 1. Introdução

O envelhecimento da população é um fenômeno mundial. No Brasil, a transição demográfica ocorreu um pouco mais de vinte anos e devido a esse processo ter sido abrupto isto tornou um grande problema, dada a falta de recursos humanos especializados para assistir a este enorme contingente de pessoas e a falta de políticas adequadas a esta parcela da sociedade (IBGE, 2003). O exercício físico é definido como qualquer movimento corporal decorrente de contração muscular, com dispêndio energético acima do repouso que, em última análise, permite o aumento da força física, flexibilidade do corpo e maior resistência, com mudanças, seja no campo da composição corporal ou de performance desportiva. A prática de exercício físico regular demonstra a opção por um estilo de vida mais ativo, relacionado ao comportamento humano voluntário, onde se integram componentes e determinantes de ordem biológica e psico-sócio-cultural (BATISTA, CHIARA, GUGELMIN e MARTINS, 2003). 21

Aluna do curso de Fisioterapia da Faculdade de Ensino Superior de Catalão Aluna do curso de Fisioterapia da Faculdade de Ensino Superior de Catalão 23 Professor e supervisor de Estágio Supervisionado do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC, orientador de trabalho de conclusão de curso. 22

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O envelhecimento é um processo dinâmico e progressivo, no qual há modificações morfológicas, funcionais, bioquímicas e psicológicas, que determinam perda de capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente, ocasionando maior vulnerabilidade e maior incidência de processos patológicos que terminam por levá-lo a morte (FREITAS, CANÇADO e GORZONI, 2006). Em relação à capacidade funcional do idoso, 70% dos casos de acidentes de pessoas idosas podem ser atribuídos a uma redução de sua capacidade de coordenação e à redução de atividades como: andar, correr e saltar (WEINECK, 1999). As quedas são comuns em todas as épocas da vida, sendo mais frequentes numa faixa etária (idosos). Os indivíduos idosos quando caem, correm mais riscos de lesões (FREITAS, CANÇADO e GORZONI, 2006). As lesões resultantes de quedas são comuns, ocorrendo em um terço a três quartos dos casos, embora a maior parte seja de pequena gravidade e mais da metade dos pacientes não procure atendimento médico (DOWMTON, 1998 apud FREITAS, CANÇADO e GORZONI, 2006). O impacto psicológico das quedas é outro fator importante entre indivíduos mais velhos, a consequência mais imediata é o medo de cair, o que pode minar a disposição do idoso para manter um nível maior de atividade, podendo iniciar um declínio funcional irreversível (GUIMARÃES e CUNHA, 2004). As quedas estão intimamente relacionadas à postura e a marcha, que por sua vez, sofrem várias influências do envelhecimento normal e patológico. Distúrbios da marcha e do equilíbrio constituem fatores de risco para problemas tão sérios como quedas e dependência (FREITAS, CANÇADO e GORZONI, 2006). A tontura é uma das queixas mais comuns entre os pacientes idosos, sendo mais frequente nas mulheres. A avaliação de um idoso com tonturas é desafiante devido à grande quantidade de possibilidades diagnósticas. Mais de 60 enfermidades têm sido relacionadas na literatura médica como potenciais causadoras de tontura, que podem representar a queixa principal do paciente ou um importante e frequente sintoma incapacitante (FREITAS, CANÇADO e GORZONI, 2006). A vertigem é uma sensação na qual o paciente sente que o ambiente está movendo ou rodando em relação a ele, ou ele em relação ao ambiente. O paciente também pode sentir-se como se estivesse caindo. A vertigem em cada paciente é única, mas as queixas ouvidas com frequência incluem a dificuldade com os movimentos de transcrição e com os movimentos rápidos (FREITAS, CANÇADO e GORZONI, 2006). Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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Consideram que os exercícios corretamente prescritos e orientados desempenham importante papel na prevenção, conservação e recuperação da capacidade funcional dos indivíduos, repercutindo positivamente em sua saúde. Estes não farão parar o processo de envelhecimento, mas, poderão retardar o aparecimento de complicações, interferindo positivamente no seu bem estar (GUEDES e GUEDES, 1995). Para avaliar o equilíbrio das voluntárias foi utilizado o método da Escala de Equilíbrio de Berg (EEB), que consiste na realização de 14 tarefas, tais como: em pé sem apoio, em pé para sentado, em pé sem suporte com os pés juntos, entre outros. A EEB mostra excelente confiabilidade e de moderada para boa correlação com outros instrumentos de avaliação funcional do equilíbrio. E também é muito importante para distinguir os efeitos quanto às alterações de equilíbrio e à probabilidade de queda (PERES e SILVEIRA, 2010). A avaliação da frequência de quedas e vertigem em idosos, praticantes de exercícios físicos e os não praticantes foi analisada no presente estudo a fim de saber como esta interfere no dia-a-dia do idoso juntamente com a incidência de vertigem. Portanto, este estudo tem como finalidade verificar se existe relação entre indivíduos que praticam exercícios físicos durante a semana e aqueles que não praticam, com a incidência de vertigem e de queda. Este trabalho tem como objetivo comparar vinte indivíduos de ambos os sexos, dez praticantes de exercícios físicos e dez sedentários, em relação à frequência de quedas e a incidência de vertigem interferindo no dia-a-dia.

2. Metodologia Os participantes estão compreendidos entre a idade de 62 a 84 anos, de ambos os sexos, no total de 20 indivíduos, sendo divididos em dois grupos “A” e “B”. A: 10 praticam alguns exercícios físicos, B: 10 não praticam nenhuns exercícios físicos. Os voluntários foram selecionados a partir dos critérios de inclusão e de exclusão. Os de inclusão são: acima de 60 anos, alguns praticam exercícios físicos e outros não praticam. Os de exclusão são: os que apresentam alguma patologia cardíaca e/ou respiratória e sequelas neurológicas. O local da pesquisa foi realizado no CESUC (Faculdade de Ensino Superior de Catalão), na cidade de Catalão – GO.

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Durante a realização do teste de vertigem, um dos possíveis riscos seriam os voluntários sofrerem uma tontura muito severa e/ou uma queda. A conscientização da importância de realizar atividades físicas semanais está entre os possíveis benefícios deste trabalho. Os voluntários foram informados da realização deste estudo e participaram aqueles que se dispôs e tal participação se deu de forma voluntária. Os participantes assinaram o termo de consentimento esclarecido, receberam informações sobre a importância do estudo e sobre os procedimentos que foram realizados e os riscos ao se submeterem a tais procedimentos. Foi aplicado um questionário semi-estruturado composto por quatro perguntas para definir o perfil do indivíduo com relação à frequência de quedas, medo, gravidade e tempo da última queda e por fim aplica-se a Escala de Equilíbrio de Berg (EEB) (teste de vertigem) com os voluntários na Clínica Escola. A Escala de Equilíbrio de Berg (EEB) tem como objetivo mensurar as habilidades de equilíbrio do indivíduo ao realizar determinados testes. São realizadas 14 tarefas, onde avaliase a habilidade do indivíduo de se sentar, ficar de pé, alcançar, girar em volta de si mesmo, olhar por cima dos ombros, transferência em pé sem suporte com os olhos fechados, permanecer em pé sem apoio com outro pé a frente, permanecer em pé apoiando em uma perna. A pontuação total é de 56, sendo que abaixo de 36 pontos o risco de quedas é quase 100%. Cada teste tem cinco opções de classificação, sendo que zero significa a inabilidade de desenvolver a ação solicitada. As opções aumentam até quatro, conforme aumenta a habilidade total de exercer a função. Dessa forma, quanto maior o escore, melhor a condição de equilíbrio do idoso e menor o seu risco de queda. Os resultados esperados são ampliar os conhecimentos diante da população, da importância de praticarem exercícios diários na melhora da realização de suas atividades diárias, redução de quedas, auto-estima, melhora do equilíbrio e bem estar psicológico.

3. Resultados A Escala de Equilíbrio de Berg obteve resultados significativos, pois o grupo “A” (os praticantes de exercícios físicos) teve um melhor escore do que o grupo “B” (não praticantes de exercícios físicos). Para a análise dos dados estatísticos, foi adotado o Teste T de Student, quando o nível fica menor de 0,05 (p<0,05).

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Observe em negrito que comparando as respostas dos praticantes com os não praticantes de exercícios físicos, houve significância em 3 domínios, além da diferença estatisticamente significativa na média final dos resultados, que é o dado mais interessante. DOMÍNIOS

NÍVEL DE SIGNIFICÂNCIA

Sentada para posição em pé

0,069369

Permanecer em pé sem apoio

0,027058

Permanecer sentado sem apoio nas costas, mais com os pés

0,027186

apoiados no chão ou num banquinho Em pé para posição sentada

0,13213

Transferências

0,139485

Permanecer em pé sem apoio com os olhos fechados

0,382081

Permanecer em pé sem apoio com os pés juntos

0,35708

Alcançar a frente com o braço estendido permanecendo em pé

0,211976

Pegar um objeto do chão a partir de uma posição em pé

0,165282

Virar-se e olhar para trás por cima dos ombros enquanto

0,027058

permanece em pé Girar em 360º

0,170087

Posicionar os pés alternadamente ao degrau enquanto

0,319434

permanece em pé sem apoio Permanecer em pé sem apoio com um pé à frente

0,285427

Permanecer em pé sobre uma perna

0,065908

Média Total

0,044116

Através desta tabela, pode-se concluir que, quem praticam exercícios físicos, possuem maior equilíbrio do que os que não praticam, principalmente nos testes: Permanecer em pé sem apoio; Permanecer sentado sem apoio nas costas, mais com os pés apoiados no chão ou num banquinho e Virar-se e olhar para trás por cima dos ombros enquanto permanece em pé. Sendo que tal resultado, o escore desses itens se deu menor que o nível 0,05. Abaixo o gráfico comparando a média das respostas dos 20 participantes separados em 2 grupos – praticantes e não praticantes de exercícios físicos, então é possível comparar que os praticantes obtiveram notas superiores.

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4. Discussão O resultado do escore do grupo “A” foi maior que do grupo “B”, este dado foi comprovado pela tabela e pelo gráfico acima. Para testar a igualdade entre duas médias, o teste t de student, muito utilizado nos dias de hoje, seria o mais apropriado por ser um teste paramétrico, o que nos dá um maior poder estatístico e, consequentemente, maior confiabilidade dos resultados (HUANG e PAES, 2009). Tanto a atividade quanto o exercício podem propiciar benefícios agudos e crônicos. São eles: melhora no condicionamento físico; diminuição da perda de massa óssea e muscular; aumento da força, coordenação e equilíbrio; redução da incapacidade funcional, da intensidade dos pensamentos negativos e das doenças físicas; e promoção da melhoria do bem–estar e do humor (MORAES, DESLANDES, FERREIRA et al, 2007 ). A identificação dos exercícios como benéficos não somente para o bem-estar geral, mas também para as articulações, musculaturas e movimentação são concordantes com os dados de pesquisas quando concluem que o exercício físico, além de manter e melhorar a força muscular, a saúde e a energia (PRADO, MAMEDE, ALMEIDA e CLAPIS, 2004). Já se encontra bem fundamentada a importância da aplicação de exercícios terapêuticos em fisioterapia, em especial em doentes crônicos, devido aos inúmeros benefícios

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atribuídos a esta modalidade terapêutica, principalmente no que diz respeito à promoção da qualidade de vida e melhora da capacidade funcional (JORGE, SOUZA, JONES et al, 2009). As consequências das quedas para os idosos podem ser bastante limitadoras e, em alguns casos, até fatais. Os principais problemas decorrentes são fraturas, lesões na cabeça, ferimento grave, ansiedade, depressão, o chamado “medo de cair” (medo de subsequentes quedas), que também podem acometer idosos que nunca caíram (TINETTI, 1994 apud CARVALHO e COUTINHO, 2002). O diagnóstico baseado somente na avaliação clínica torna-se inadequado com a real condição de saúde da população idosa, já que, para essa faixa etária, os níveis de funcionalidade e independência são dados mais relevantes do que somente a presença de condições mórbidas (RICCI, KABOTA e CORDEIRO, 2005). Sabe-se que é elevado o número de idosos que caem e que mudam radicalmente sua vida cotidiana, tanto pela queda em si, como pelo temor de uma nova ocorrência; restrição de atividade, maior isolamento social, declínio na saúde e aumento do risco de institucionalização, são alguns exemplos do impacto causado na vida da pessoa idosa após um episódio de queda. (GUIMARÃES e FARINATTI, 2005). O efeito dos exercícios na prevenção e recuperação das perdas motoras decorrentes do processo de envelhecimento conhece-se bem a relação entre treinos específicos e a melhora do órgão ou sistema exercitado, como por exemplo, prática de alongamento muscular e ganho de flexibilidade, ou treino de equilíbrio e melhora no desempenho em testes de equilíbrio (JUDGE, UNDERWOOD e GENNOSA, 1993 apud CAROMANO, IDE e KERBAUY, 2006).

5. Conclusão Com base no estudo realizado, o grupo “A” (que praticam exercícios físicos todos os dias) apresentou maior escore na EEB que o grupo “B” (que não praticam exercícios físicos), Os testes como: Permanecer em pé sem apoio; Permanecer sentado sem apoio nas costas, mais com os pés apoiados no chão ou num banquinho e Virar-se e olhar para trás por cima dos ombros enquanto permanece em pé, conclui-se que, quem praticam exercícios físicos, possuem maior equilíbrio e menor risco de quedas do que os que não praticam. Foram obtidos pontos positivos com a realização deste estudo, por exemplo: os benefícios da prática de exercícios físicos na qualidade de vida dos idosos, um melhor desempenho ao realizarem suas tarefas diárias, melhora da auto-estima e bem estar Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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psicológico, consequentemente, ocasionando um maior equilíbrio, força muscular e contudo, um menor risco de sofrer quedas. Portanto, este trabalho serve como fonte para futuras pesquisas, abordando os seguintes aspectos: maior número de voluntários; idades diferentes; diferentes gêneros, entre outros, o estudo poderá ser ampliado.

6. Referências Bibliográficas BATISTA, DC; Chiara, VL; GUGELMIN, SA; MARTINS, PD. Atividade física e gestação: saúde da gestante não atleta e crescimento fetal. Rev. Bras. Saúde. Vol. 3 Nº 2 abr./jun. 2003. CARVALHO, A de M e COUTINHO, E da SF. Demência como fator de risco para fraturas graves em idosos. Rev. Saúde Pública, 2002, 36 (4): 448-54. CAROMANO, FA; Ide, MR; KERBAUY, RR. Manutenção na prática de exercícios por idosos. Revista do Departamento de Psicologia, Vol. 18 Nº 2 – jul./dez. 2006. FREITAS, EV de., Py L; CANÇADO, FAX; Doll, J; GORZONI, ML. Tratado de geriatria e gerontologia, 2ª ed., Guanabara Koogan, 2006. GUEDES, DP e GUEDES, J.E.R.P. Exercício na promoção da saúde. Londrina: midiograf, 1995. GUIMARÃES, JMN e FARINATTI, P de TV. Análise descritiva de variáveis teoricamente associadas ao risco de quedas em mulheres idosas. Rev. Bras. Med. Esporte, Vol. 11, Nº 5 – Set/Out, 2005. Guimarães, RM; CUNHA, UGV. Sinais e sintomas em geriatria, 2ª ed., Atheneu, 2004. HUANG, G; PAES AT. Posso usar o teste t Student quando preciso comparar três ou mais grupos? Educ. Contin. Saúde. 2009. IBGE (2003). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – Tábua da vida 2001. Disponível na internet: http://www.ibge.com.br, 01 de abril de 2003. JORGE, RT; SOUZA, MC de; JONES, A; JÚNIOR, IL; JENNINGS, F; NATOUR, J. Treinamento resistido progressivo nas doenças musculoesqueléticas crônicas. Rev. Bras. Reumatol. Vol. 49 Nº 6 - nov./dez. 2009. MORAES, H; DESLANDES, A; FERREIRA C; POMPEU, FAMS; RIBEIRO P; Laks J. O exercício físico no tratamento da depressão em idosos: revisão sistemática. Rev. Psiquiatr. Vol. 29 Nº 1 - jan./abr. 2007. PERES, M. e SILVEIRA E. da. Efeito da reabilitação vestibular em idosos: quanto ao equilíbrio, qualidade de vida e percepção. Ciência e Saúde coletiva, 15 (6): 2805-2814, 2010.

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PRADO, MAS; MAMEDE, MV; ALMEIDA, AM de; CLAPIS, MJ. A prática da atividade física em mulheres submetidas à cirurgia por câncer de mama: percepção de barreiras e benefícios. Rev. Latino-Am. Enfermagem Vol. 12 Nº 3 - maio/jun. 2004. RICCI, NA; KUBOTA, MT; CORDEIRO, RC. Concordância de observações sobre a capacidade funcional de idosos em assistência domiciliar. Rev. Saúde Pública, Vol. 39, Nº 04 – ago, 2005. WEINECK, J. Treinamento ideal: instruções técnicas sobre o desempenho fisiológico, incluindo considerações específicas de treinamento infantil e juvenil, 9ª ed., São Paulo: Manole, 1999.

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9. OS BENEFÍCIOS DA ASSOCIAÇÃO DA LASERTERAPIA E EXERCÍCIOS TERAPÊUTICOS NA SÍNDROME DO IMPACTO DO OMBRO: ESTUDO DE CASO Denne Rize de Souza Carneiro Borges24 Prof. Andréia Borges Macedo25

RESUMO A síndrome do impacto constitui uma patologia onde se tem lesão das partes moles tendo como trajeto o espaço subacromial. Esta lesão é consequência da elevação do braço acima de 90° ou por alterações anatômicas como osteófitos anexos ao acrômio, acrômio tipo II (curvo) e III (ganchoso) que fazem com que o espaço subacromial seja diminuído comprimindo estruturas ali presentes. Os sintomas são dores intensas e limitação funcional do membro. O portador da Síndrome do Impacto do Ombro poderá na maioria das vezes estar impossibilitado de realizar algumas atividades de vida diária como pentear-se e vestir-se. O aparelho de eletroterapia Laser é utilizado juntamente com a cinesioterapia como tratamento da síndrome de impacto pelos efeitos analgésicos, anti-inflamatórios e aumento da amplitude de movimento respectivamente. Este trabalho realizado como estudo de caso, tem como objetivo analisar os efeitos proporcionados pelos recursos fisioterapêuticos Laser e cinesioterapia na Síndrome do Impacto do Ombro. O estudo foi composto de uma paciente, apresentando Síndrome do Impacto no ombro direito. A paciente foi submetida a 10 sessões de fisioterapia com aplicação do Laser e Cinesioterapia. Foram coletados os dados de goniometria e Escala visual analógica de Dor antes e depois do tratamento. O resultado da pesquisa revelou redução significativa do quadro álgico e aumento da amplitude de movimento. Conclui-se com este trabalho que o uso destas intervenções fisioterapêuticas se mostrou eficaz na redução da dor, no ganho de amplitude de movimento e consequentemente na funcionalidade do membro aumentando a qualidade de vida do paciente. Palavras-chave: Síndrome do Impacto. Laserterapia. Exercícios Terapêuticos.

1. Introdução A síndrome do impacto é a lesão de partes moles devido à compressão das mesmas, causada pela diminuição do espaço subacromial, seja por impacto puramente mecânico ou por alterações anatômicas, resultando em quadro álgico ao movimentar o membro (PETERSON e RENSTRON, 2001). As partes moles que preenchem o espaço subacromial são os tendões dos músculos supra espinhal, infra espinhal, cabeça longa do bíceps, redondo menor e subescapular e a bolsa subjacente ao tendão do supra espinhal (PETERSON e RENSTRON, 2001).

24

Acadêmica do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC. Email: dennerizeal@hotmail.com 25 Professora e coordenadora do Estágio Supervisionado do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC, orientadora de trabalho de conclusão de curso. Email: andreiaphborges@hotmail.com Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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O atrito causado pela condição de pinçamento pode resultar em inflamação e como consequência o aumento de volume das estruturas afetadas tornando o espaço subacromial ainda mais insuficiente e a somatória desses fatores resulta numa piora progressiva da patologia (PETERSON e RENSTRON, 2001). Quando comparadas com as alterações musculoesqueléticas a dor no ombro é bastante presente entre elas, ficando atrás apenas das dores na cervical e lombar da coluna vertebral (DESMEULES, 2004 apud LIMA, BARBOZA e ALFIERI, 2006). O complexo articular do ombro proporciona ampla variação de movimentos que permite importantes funções de estabilização para a utilização do braço ao levantar, empurrar, sustentação de peso como andar de muletas (SANTOS, 2006). Para Peterson e Renstron (2001) a síndrome do impacto pode se desenvolver por vários fatores, intrínsecos e extrínsecos. Os extrínsecos consistem em primário (impacto puramente mecânico do tendão contra a superfície inferior do acrômio anterior) e secundário (causado pela frouxidão ligamentar dando instabilidade à articulação glenoumeral e diminuindo o tamanho da saída do músculo supra espinhal). Os intrínsecos por sua vez são as alterações degenerativas nos tendões do manguito rotador, causando enfraquecimento que faz com que o úmero se desloque para cima causando impacto mecânico secundário. Segundo Peterson e Renstrom (2001) o contorno ântero inferior do acrômio é um fator importante, pois dependendo do tipo em que ele se enquadra pode aumentar ou diminuir o espaço subacromial. Existem três tipos de acrômio: tipo I (definido como plano, pois o contorno tem sua superfície reta se projetando para longe da cabeça do úmero), tipo II (conhecido como “curvo”, a superfície do contorno segue paralelo com a cabeça do úmero) e tipo III (em forma de “gancho” o acrômio do tipo III se projeta para baixo estreitando o espaço subacromial). A conclusão do trabalho realizado por Junior e Assunção (2005) afirma que estão associados aos distúrbios do ombro os fatores psicossociais como estresse, jornadas longas de trabalho, pouco tempo de descanso.

2. DESENVOLVIMENTO

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A síndrome do impacto pode ter três classificações: grau 1, tendo como características a pré laceração, bursite e tendinite do manguito rotador, grau 2, impacto com ruptura parcial de Manguito Rotador e grau 3, impacto com ruptura completa do Manguito Rotador (PETERSON e RENSTRON, 2001). O quadro clínico presente nas lesões por impacto é de incapacidade funcional do membro superior em atividades realizadas acima da cabeça. A incapacidade de elevar o membro superior ativamente contra gravidade pode significar lesão extensa do manguito rotador, principalmente o tendão do músculo supra espinhal (SOUZA, 2001 apud WEBER e LIMA, 2003). O quadro álgico está sempre presente no paciente com Síndrome do Impacto do Ombro. Pode apresentar em repouso e agravar aos esforços. A dor é proporcional ao nível de inflamação da musculatura, ela se localiza ao redor do ombro, podendo se irradiar para o cotovelo e região escapular (LECH e SEVERO, 1998 apud GONÇALVES, 2009). A contratura capsular é um fator importante no quadro clínico do paciente com Síndrome do Impacto do Ombro, que se desenvolve com a imobilização do membro pela dor inflamatória (GONÇALVES, 2009). Outro aspecto a se observar é a diminuição da força muscular geralmente presente no quadro de sintomatologia principalmente para os movimentos de abdução e rotação externa no membro envolvido (LECH, 1995 apud GONÇALVES, 2009). Durante a avaliação geralmente se observa presença de arco doloroso entre 70 e 120 graus, causado pelo impacto subacromial, onde a dor diminui após os 120 graus de elevação (GODINHO et al.,1996 apud GONÇALVES,2009). Esta patologia pode atingir pessoas de todas as faixas etárias, etnias e sexo (ROSAS e PRATES, 2004). Mas as mais propensas a desenvolver a Síndrome do Impacto são: atletas do voleibol, tênis, natação, basquetebol e pessoas que usam em seu cotidiano movimentos a cima do nível da cabeça (SOUZA, 2010). O portador da síndrome do impacto poderá ficar na maioria das vezes impossibilitado de realizar algumas atividades de vida diária dentre elas: vestir-se, pentear-se, estender roupas, realizar serviços domésticos. Por estes motivos, o paciente deve procurar tratamento fisioterapêutico o mais precoce possível, pois o tratamento tardio pode implicar em perca das funções do membro (WEBER e LIMA, 2003).

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Dentre outras patologias a Síndrome do Impacto do Ombro é um dos distúrbios mais frequentes na prática clínica e entre os tratamentos disponíveis a fisioterapia é um dos mais recomendados (GIORDANO et al., 2000). Os recursos eletrotermoterapêuticos e cinesioterapêuticos disponíveis na Fisioterapia podem proporcionar a diminuição do processo inflamatório, redução do quadro álgico e aumento da amplitude de movimento (SOUZA et al., 2006). A escolha destes recursos se deu pelos efeitos benéficos que os mesmos proporcionam combatendo as características do quadro clínico da patologia abordada. A Cinesioterapia deve ser a intervenção principal no programa de tratamento fisioterapêutico, principalmente nas disfunções do sistema músculo esquelético, com o intuito de eliminar ou reduzir a incapacidade ou limitação funcional, além de impedir ou diminuir a progressão da patologia e prevenir recidivas. O exercício terapêutico é o principal recurso na reabilitação do ombro. Sua indicação estende-se a todas as patologias do ombro onde a dor está presente, enfatizando a importância da mobilização passiva precoce (ORTIZ, 2001 apud WEBER e LIMA, 2003). Vários tipos de exercícios integram a cinesioterapia dentre eles os exercícios para amplitude de movimento. São eles: passivos, que são produzidos em completo pelo terapeuta, exigindo pouca ou nenhuma contração da musculatura responsável pelo movimento, ativos, produzidos através da ação dos músculos responsáveis pelo movimento, ativos assistidos, que são realizados a partir da associação do movimento ativo até o nível onde é possível ir e obter ajuda de uma força externa para chegar até o nível normal do movimento. Estes exercícios são indicados para manter a capacidade de se mover da articulação e tecido conjuntivo, ajudar na produção de líquido sinovial, manutenção da elasticidade do músculo, diminuição do quadro álgico, manutenção da percepção de movimento e proporcionar coordenação e habilidades motoras para atividades funcionais (KISNER e COLBY, 2005). Ainda na cinesioterapia encontramos os exercícios para fortalecimento muscular dentre eles os exercícios resistidos que são divididos em: isométricos, onde a musculatura contrai, mas não há diminuição do seu comprimento e nem movimentação da articulação, concêntricos, há encurtamento físico da musculatura, tensão muscular e uma resistência é vencida e excêntrico, causa um alongamento (aumento do comprimento) da musculatura, produz força a medida que tenta controlar a força contrária (KISNER e COLBY, 2005). Outro exercício bastante utilizado para tratar patologias do ombro é o método Codman, que tem como objetivo aumentar flexibilidade e movimento articular (LAGO e FILHO, 2004). Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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A laserterapia consiste numa radiação obtida a partir da estimulação de um diodo semicondutor, formado por cristais de arseneto de gálio (As-Ga), que apresenta potencial terapêutico destacado em lesões profundas do tipo articular e muscular (VEÇOSO, 1993 apud WEBER e LIMA, 2003). Os efeitos proporcionados pela laserterapia que podem reduzir o quadro de dor e processo inflamatório segundo Agne (2005) são reabsorção de exudato e favorecendo a eliminação de substâncias algógenas, atua à distância sobre o “filtro da dor”, como um estímulo constante sobre as fibras nervosas grossas, bloqueando assim a passagem das sensações dolorosas transmitidas pelas fibras finas. Nas zonas reflexas por atuação sobre o cérebro, diminui os níveis de bradicinina e ativa a liberação de endorfinas, que também atuariam como inibidores da sensação dolorosa. Já os efeitos antiinflamatórios são conseqüências que o laser exerce sobre as prostaglandinas, pois modifica a pressão hidrostática intracapilar melhorando a absorção de líquidos intersticiais e provocando a redução do edema com ativação da regeneração tissular. Há também o efeito bioestimulativo trófico tissular, são eles: aumento de fibroblastos, regeneração dos vasos sanguíneos, incremento da repitelização a partir dos restos basais. (AGNE, 2005). Dentre os vários programas de tratamentos utilizados na síndrome do impacto, as terapias combinadas são as mais comuns para a redução do quadro álgico associado à melhora funcional (GONÇALVES, 2009), o que estimula ainda mais a realização deste trabalho abordando o tema que o intitula.

3. Metodologia Foi realizado um estudo experimental do tipo estudo de caso com uma paciente portadora da Síndrome do Impacto do Ombro Direito. A paciente correspondeu às exigências do item de inclusão (diagnóstico clínico de Síndrome do Impacto) e não apresentou itens de exclusão (diagnóstico não fechado, presença de complicações devido a ausência de tratamento). Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram: ficha de avaliação contendo dados pessoais, goniometria e Escala Visual Analógica de Dor e goniômetro. Os materiais utilizados durante as sessões foram: aparelho Laser Ibramed, óculos de proteção para uso da laserterapia; polia; bastão; halteres de 0,5kg e 1 kg; maca; espelho; Theraband (amarela); escada de dedos.

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Após a confirmação da voluntária para participar da pesquisa, a mesma passou por uma avaliação fisioterapêutica contendo testes específicos como o de Neer, teste de Jobe, teste de queda do braço, teste de relocação e teste do subescapular de Gerber para a avaliação das estruturas a que eles correspondem. A paciente foi informada sobre a metodologia do trabalho, e a mesma assinou um termo de consentimento livre e esclarecido. As sessões tiveram início no dia 19/10/2010 onde foi feita a coleta de dados iniciais. A goniometria foi realizada a partir dos movimentos da articulação do ombro sendo eles: flexão, extensão, abdução, adução, rotação medial e rotação lateral no membro afetado e contra lateral. A algia foi questionada em todas as sessões dando à paciente a escolha do grau numa escala de a 0 a 10 para a mensuração da intensidade da mesma. Após a coleta de dados, as sessões tiveram início, realizando o programa de tratamento fisioterapêutico traçado de acordo com os sintomas encontrados na avaliação, utilizando a laserterapia e os exercícios terapêuticos. Foram 10 sessões, três vezes por semana, realizadas na Clínica Escola de Fisioterapia da Faculdade de Ensino Superior de Catalão, no período matutino, tendo duração de uma hora cada sessão. A laserterapia foi aplicada regularmente no início das sessões de forma pontual, com 3J/cm² de intensidade permanecendo 6 segundos em cada ponto, que tinha 1 cm aproximadamente de distância. Os pontos foram previamente marcados fechando a área articular afetada, somando 25 pontos. A paciente permanecia sentada com a região do ombro descoberta e se fazia assepsia com algodão e álcool no local a ser tratado. A Cinesioterapia foi aplicada inicialmente com movimentos passivos, realizados em todos os movimentos do ombro descritos anteriormente, onde a cada ganho de movimento os exercícios progrediam para ativo assistido, ativo e ativo resistido utilizando instrumentos já citados. Também foram utilizados os exercícios pendulares com paciente deitada em decúbito ventral no sentido horário, anti-horário, ântero-posterior e látero-lateral. A última sessão se deu no dia 23/11/2010 na qual se finalizou com uma segunda avaliação a fim de se comparar com a primeira.

4. Resultados A realização deste trabalho bem como o programa de tratamento fisioterapêutico foi fundamentada a partir de literaturas e artigos, com o intuito de promover o restabelecimento

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da amplitude de movimento normal do ombro por meio da minimização do quadro álgico e ganho de força muscular. O método utilizado para comparar os resultados foram tabelas contendo os dados coletados antes e após o tratamento e serão expostos separadamente para melhor compreensão.

4.1 Quadro álgico Tabela 1: Relato dos graus de dor desde a 1° sessão até a última. Sessão

Grau relatado pela paciente segundo EVAD* 1e2 7 3 5 4 4 5,6 e 7 3 9 2 10 1 *Escala Visual Analógica de Dor Fonte: BORGES, Denne Rize de Souza Carneiro, 2010.

Em relação ao quadro álgico observa-se que a paciente na primeira sessão aferiu dor grau 7, considerada intensa, sendo igual na segunda sessão. A partir da terceira houve um decréscimo de intensidade da dor relatando grau 5, já passando para o nível moderado, na quarta sessão grau 4, da quinta a sétima grau 3, reduzindo para grau 2 na oitava e permanecendo com grau 1 na nona e décima sessão. A paciente relatou ainda que as dores em repouso e muito intensas ao movimento diminuíram significantemente a ponto de permitir a realização de algumas atividades de vida diária com mais precisão. A partir dos dados ilustrados na tabela a cima, podemos dizer que os recursos utilizados para a redução do quadro álgico foram satisfatórios, mostrando uma redução significativa da dor.

4.2 Amplitude de Movimento

Tabela 2: Goniometria inicial e final dos movimentos do ombro Movimentos do Ombro Inicial Final Flexão 65° 94° Extensão 20° 38° Adução 20° 30° Abdução 56° 78° Rotação lateral 30° 62° Rotação medial 42° 60° Fonte: BORGES, Denne Rize de Souza Carneiro, 2010.

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4.3 Flexão A partir da tabela acima verificamos que na primeira avaliação a paciente apresentava apenas 65°, evoluindo para 94°na avaliação final aumentando a amplitude para 52% do movimento.

4.4 Extensão Na avaliação inicial, verificamos 20° de extensão. Após as sessões, esse mesmo movimento aumentou para 38°, aumentando a amplitude para 63%.

4.5 Adução A paciente realizou na avaliação inicial a adução parcialmente na amplitude fisiológica, quando mensurado esse movimento totalizou 20°, passando para 30°.

4.6 Abdução Na paciente em questão, este movimento foi um dos mais afetados pela Síndrome do Impacto. A primeira goniometria indicou 56° de movimento de abdução, evoluindo para 78°, passando a realizar 43% do movimento.

4.7 Rotação Lateral O movimento de rotação lateral do ombro foi o que apresentou mais evolução segundo ilustração da tabela. Este movimento apresentou no primeiro momento 30° e após o tratamento fisioterapêutico elevou para 62°, realizando no final do tratamento 68% deste movimento.

4.8 Rotação Medial Ao movimento de rotação lateral a paciente realizou apenas 42° na avaliação inicial e na final 60°, alcançando assim 85% do movimento.

5. Discussão O presente estudo teve o objetivo de analisar os efeitos proporcionados pela associação da laserterapia e exercícios terapêuticos nos sintomas da Síndrome do Impacto do Ombro.

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Os dados coletados durante a realização do trabalho mostram os efeitos benéficos dos recursos fisioterapêuticos utilizados, no caso, a laserterapia e os exercícios terapêuticos. Tais efeitos são a diminuição do quadro álgico e recuperação parcial dos movimentos afetados, que se dão pelo efeito analgésico e anti-inflamatório do laser (AGNE, 2005) e a capacidade dos exercícios terapêuticos de fortalecer a musculatura lesada que outrora fora enfraquecida pela situação na qual foi submetida (KISNER e COLBY, 2005). Ao término das sessões a paciente obteve uma melhora significativa no estado geral dos sintomas apresentados devido à patologia instalada, melhorando assim a sua qualidade de vida, pelo fato de conseguir realizar atividades de vida diária como pentear-se, vestir-se normalmente, amarrar o cabelo. Dentro do termo cinesioterapia há vários tipos de exercícios no qual foram utilizados de acordo com os sintomas encontrados durante a avaliação prévia da paciente, dentre eles exercícios auto assistidos, ativos e resistidos realizados com uma vasta gama de instrumentos disponíveis que tornam a sessão diferente e consequentemente menos monótona para o paciente e terapeuta sem deixar de ser eficaz. Num estudo feito realizando o tratamento apenas com cinesioterapia, teve a conclusão de que os exercícios terapêuticos isolados de qualquer outro recurso teria o efeito de redução do quadro álgico (GOTARDO e BIAZUS, 2004 apud GONÇALVES, 2009). Concordando com o estudo realizado por Weber e Lima (2003) a cinesioterapia deve essencialmente estar presente no centro dos programas de tratamentos fisioterapêuticos dos distúrbios músculo esquelético, com o intuito de devolver a funcionalidade do membro, prevenir a evolução da patologia e recidivas. Durante a execução das sessões realizadas neste trabalho foi observado que a principal causa de incapacidade funcional da paciente é a dor intensa, daí a importância de se ter no programa de tratamento da Síndrome do Impacto do Ombro (SIO) um recurso que promova a analgesia, associada à cinesioterapia para que uma complete a outra tornando o resultado do tratamento bem sucedido, o que foi possível visualizar neste trabalho. O presente estudo concorda com o trabalho realizado por Weber e Lima (2003), onde a conclusão deste diz que a laserterapia e os exercícios terapêuticos são eficazes no retorno da funcionalidade do membro afetado pela Síndrome do Impacto do Ombro. 6. Conclusão

Observando o complexo articular do ombro, percebemos que essa articulação representa mobilidade, que permite a nós seres humanos, a prática de diversas funções. Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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Quando uma articulação como esta se depara com um processo de lesão, onde há incapacidade funcional, seja por dores ou fraqueza muscular ou até mesmo ambos, a qualidade de vida desse indivíduo vem a cair significantemente. A fisioterapia com sua gama de recursos oferece vários deles em que possam ser usados no tratamento da SIO (Síndrome do Impacto do Ombro), dentre eles os que estão em questão. Com o intuito de testar os efeitos benéficos do Laser e dos exercícios terapêuticos nesta patologia, conclui-se com este trabalho que o uso dos mesmos se mostrou eficaz na redução do quadro álgico e no ganho de amplitude de movimento respectivamente, onde o que se viu foram o aumento da qualidade de vida da paciente e a eficácia destas intervenções fisioterapêuticas.

7. Referências bibliográficas

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10. OS BENEFÍCIOS DA MASSOTERAPIA NO TRATAMENTO DE PACIENTE COM FIBROMIALGIA – UM ESTUDO DE CASO Mariele da Silva26 Mayara Pires da Silva27 Prof. Andréia Borges Macedo28

RESUMO A fibromialgia por se tratar de uma patologia de etiopatogenia indefinida, não possui um tratamento especifico o que gera dificuldade da escolha do recurso terapêutico mais benéfico para o paciente e que traga mudanças significativas em sua qualidade de vida. O objetivo foi analisar a eficácia de um programa de tratamento fisioterapêutico de massoterapia sobre os sintomas da fibromialgia e como esses benefícios podem influenciar na qualidade de vida. Foi realizado um estudo de caso com paciente do sexo feminino, 46 anos de idade, onde a paciente foi submetida a 19 sessões de massoterapia utilizando técnicas de (Effleruage e Pétrissage), com duração da sessão de 60 minutos cada sessão, num total de 3 meses de tratamento. Foram realizados no início e termino do tratamento um questionário de qualidade de vida (QIF) e a escala analógica da dor (EVA). Foi observado que analisando as 19 questões do Questionário de Impacto da Fibromialgia (QIF) e a Escala Visual Analógica da Dor (EVA), obteve-se 65% de melhora nos resultados das questões após o tratamento, enquanto 35% mantiveram-se constantes. O estudo mostrou que a massoterapia é uma forma efetiva de tratamento da fibromialgia, por gerar efeitos que melhoram significativamente a dor, depressão, cansaço, rigidez, nervosismo e ansiedade melhorando assim a qualidade de vida do paciente. Palavras-chave: Fibromialgia. Massoterapia. Qualidade de vida.

1. Introdução A fibromialgia é uma síndrome de dor difusa e crônica, caracterizada pela presença de pelo menos 11 dos 18 pontos anatomicamente específicos chamados de tender points dolorosos a palpação (CHIARELLO; DRIUSSO; RADL, 2005). Também pode ser descrita como um grupo de distúrbios reumáticos não-artríticos, caracterizados por dor, sensibilidade e rigidez. Tais sintomas podem ser agravados por estresse físico ou mental, trauma, exposição à umidade ou frio e padrões de sono irregulares. Os locais mais comuns para a fibromialgia são:

26

Acadêmica do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC. E-mail: msmariele@hotmail.com 27 Acadêmica do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC. E-mail: mayara_diva22@hotmail.com 28 Professora e coordenadora do Estágio Supervisionado do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC, orientadora de trabalho de conclusão de curso. E-mail: andreiaphborges@hotmail.com Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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a região do ombro, músculo trapézio, área esternocleidomastóideo, região lombar, tórax e a coxa (CASSAR, 2001). As alterações consideradas manifestações mais frequentes nos fibromiálgicos que ocorrem em mais de 75% dos pacientes, nem sempre se manifestam simultaneamente no mesmo indivíduo. Na maioria dos pacientes o início dos sintomas é insidioso e a dor que habitualmente é ampla e difusa, inicia-se frequentemente na nuca, pescoço e ombro. Uma rigidez que pode vir associada à dor, fadiga referida como física ou psíquica, presença de parestesia nos locais que se refere dor, cefaléia na região frontal e dor na nuca, zumbido e tonteira que muitas vezes está relacionado com alteração de humor, depressão, ansiedade e irritabilidade proveniente dos distúrbios do sono (CARVALHO; LANNA; BÉRTOLO, 2008). A fibromialgia afeta, aproximadamente, oito vezes mais mulheres do que homens, provocando impacto negativo sobre a qualidade de vida e atividades cotidianas dos seus portadores (WOLF F, 1990; WOLF TA, 1995; WHITE, 1999 apud CAVALCANTE et al ,2006). Os primeiros sintomas se manifestam geralmente entre a terceira e a quinta década de vida, podendo ocorrer também em outras faixas etárias (CARVALHO; LANNA; BÉRTOLO, 2008). Por se tratar de uma patologia desconhecida sabe-se que vários fatores podem contribuir para sua origem, sendo assim, várias hipóteses são sugeridas pela literatura. Uma teoria defende que a fibromialgia seja uma doença do tecido conjuntivo e não da célula muscular. Ela afeta principalmente o componente fibroso de tecido conjuntivo dos músculos, tendões, ligamentos e os tecido periarticulares. A fáscia dentro do músculo, isto é, das fibras e dos feixes musculares, está particularmente propensa a inflamação. A fibromialgia também pode afetar a fáscia subcutânea e o revestimento fibroso que se estende por sobre os nervos. As fibras do músculo com fibromialgia estão conectadas a uma rede de fibras reticulares e elásticas. Essa rede interconectada de finos fios entre as fibras musculares é supostamente a causa da dor. Conforme uma célula muscular se contrai exerce uma tração sobre outras células a ela conectadas por esses filamentos, e essa tração nos filamentos pode causar dor. Tal ocorrência também pode fazer com que as células de conexão se contraíam, e uma vez que se tem contração forçada de outras células tem-se eventualmente fadiga muscular que também leva a dor (CASSAR, 2001) Outra teoria propõe uma vasoconstrição aconteça na pele sob os tender points, levando a uma hipóxia local. Os autores observam em seu trabalho com relação aos eritrócitos que ocorre um aumento da sua concentração, uma diminuição da sua velocidade e uma

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consequente diminuição do seu fluxo na pele sobre os tender points (CHIARELLO; DRIUSSO; RADL, 2005). Outros estudiosos voltam à atenção para a serotonina, um neurotransmissor que possui uma ação inibitória na liberação de uma substância por meio dos neurônios aferentes proveniente de um estímulo nociceptivo periférico, apresentando um papel importante na modulação da dor. Estudos nessa área têm demonstrado uma redução dos níveis de serotonina, além de metabólicos precursores no sangue de pacientes com fibromialgia, sendo que essa alteração poderia explicar a exacerbação da dor nestes pacientes (CHIARELLO; DRIUSSO; RADL, 2005). Atualmente a teoria fisiopatológica mais aceita é a existência de uma síndrome de amplificação dolorosa na qual ocorre uma alteração no processamento da nocicepção em nível de Sistema Nervoso Central associando-se também a uma resposta anormal aos estressores evidenciada por alterações no eixo hipotálamo hipofisário-adrenal (STAUD, 2004 apud MARTINEZ, 2009). Os pacientes apresentam diversos sintomas dentre elas a principal é a dor que possui dificuldade de ser localizada, por se tratar de um sintoma generalizado, podendo apresentar intensidade de moderada a forte na maioria dos pacientes. Dentre os sintomas mais comuns podemos citar a fadiga que acometem os pacientes mais comumente na parte da manhã e no término do dia, os distúrbios do sono com manifestações como: sono leve, insônia terminal, a parestesia que pode ser sentida nas extremidades, face e língua. A cefaléia é uma das queixas mais comuns, sua relação com a fibromialgia pode indicar a existência de alguma forma de sensibilização central comum as duas doenças, com compartilhamento de eventos neuroquímicos (CARVALHO; LANNA; BÉRTOLO, 2008). Depressão, ansiedade e irritabilidade são notadas na maioria dos pacientes que muitas vezes são ocultadas pelos mesmos, mas durante o tratamento são constatadas tais alterações (CARVALHO; LANNA; BÉRTOLO, 2008). Durante a década de 1980 os tender points eram considerados úteis para o diagnóstico de fibromialgia e foram realizadas várias tentativas de estabelecer o diagnóstico de fibromialgia e excluir patologias sistematizadas, dentre elas as reumáticas. A partir de então que foi desenvolvido e estabelecido critérios de classificação da fibromialgia pelo comitê do American College of Rheumatology onde houve a solidificação do termo fibromialgia e o estabelecimento dos critérios de diagnóstico para a classificação da doença em que há a combinação de uma dor ampla pelo corpo que pode ser definida bilateralmente envolvendo o

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esqueleto axial, acima e abaixo da cintura em que exista dor em pelo menos 11 (onze) dos 18 (dezoito) pontos especificados (CARVALHO; LANNA; BÉRTOLO, 2008). Por se tratar de uma patologia de etiologia desconhecida que acomete uma parcela significativa da população e devido à escassez de estudos científicos que mostram um tratamento eficaz e benéfico aos pacientes portadores de fibromialgia se iniciou um estudo para melhor compreensão dos efeitos que a massoterapia pode promover nestes pacientes. Massagem é uma técnica terapêutica que envolve a aplicação de sequências de golpeamentos e técnicas de manipulação de tecidos (CASSAR, 2001). Sendo que os principais efeitos são: aumento da circulação linfática (mecânico), aumento do fluxo sanguíneo (mecânico), alívio da dor (fisiológico), remoção dos produtos do catabolismo e metabolismo (fisiológico), facilitação da atividade muscular (fisiológico), relaxamento (psicológico), alívio da ansiedade e tensão (psicológico) e sensação de bem-estar (DE DOMENICO, 2008). O efeito primário da massagem consiste em produzir deformação mecânica dos tecidos por meio de uma pressão e estiramento ritmicamente aplicados. A pressão comprime e estira os tecidos moles e, portanto destorce os tecidos excitáveis e não excitáveis do corpo. Os tecidos excitáveis são aquelas estruturas que respondem de um modo mensurável e imediato a um estímulo mecânico aplicado externamente. Os tecidos não excitáveis são compostos de estruturas como ossos, ligamentos e cartilagem. Se um estímulo mecânico é aplicado ao músculo especialmente de forma contínua o corpo irá reestruturar (alongar) os componentes elásticos em série e em paralelo. Já a pressão mecânica aplicada também pode afetar o fluxo sanguíneo e linfático aumentando a circulação de ambos além dos efeitos de produção de movimentos e mobilização dos tecidos (CASSAR, 2001). Os efeitos fisiológicos são provenientes dos efeitos mecânicos que agem sobre os tecidos gerando um efeito indireto sobre a movimentação da linfa provocando aumento da circulação sanguínea e linfática, aumento do fluxo de nutrientes, remoção dos produtos do catabolismo e metabolismo, promoção de relaxamento local e geral e aumento da extensibilidade do tecido conjuntivo (DE DOMENICO, 2008). O alívio da ansiedade e da tensão por meio da massagem está intensamente ligado a promoção do relaxamento, no entanto para que haja resultado a pessoa deve ser capaz de minimizar os impulsos corticais que transita pelos neurônios motores medulares. Já o alívio da dor deve-se a fricção da pele na qual estimula mecanorreceptores mecânicos, e estes sinais aferentes são capazes de bloquear a transmissão e possivelmente a percepção dos sinais nociceptivos (DE DOMENICO, 2008). Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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Devemos lembrar que a fisioterapia como outro método de tratamento não deve ser utilizada só na prevenção dos sintomas, mas também na restauração da função e de estilo de vida funcional, promovendo o bem estar e a qualidade de vida dos indivíduos com fibromialgia, qualidade de vida na qual consiste numa percepção individual do estado de saúde, avaliado em grandes domínios ou dimensões da vida, o que caracteriza a sua subjetividade e “multidimensionalidade”. O terapeuta deve ver o paciente como um todo, e não simplesmente só a patologia (POUNDS; CLAY, 2008). A qualidade de vida é determinada por vários fatores, além das condições do meio em que se vive, o estado de saúde, a capacidade funcional, as condições socioeconômicas e culturas, as condições de saneamento e infra-estrutura e experiência de vida são fatores que influenciam percepção de qualidade de vida em um ou vários indivíduos (GEORGE, 1980; PILON, 1992, apud CARVALHO et al, 2009).

Sujeitos e Métodos

Foi realizado um estudo de caso por meio de um paciente com diagnóstico de fibromialgia, segundo os critérios do Colégio Americano de Reumatologia (1990). Todo o tratamento foi realizado na Clínica Escola da Sociedade Catalana de Educação do Centro de Ensino Superior de Catalão - CESUC. Inicialmente toda a metodologia incluindo os objetivos e as técnicas a serem realizadas foram explicadas, todas as dúvidas foram esclarecidas e houve a assinatura de um termo de consentimento livre e esclarecido. Os critérios de inclusão foram: o paciente ser do sexo feminino, com idade entre 40 (quarenta) a 55 (cinqüenta e cinco) anos, apresentar diagnóstico de fibromialgia, segundo os critérios do Colégio Americano de Reumatologia (1990) e pelo médico especialista da área, não utilizar nenhum medicamento durante todo tratamento fisioterapeutico pois este pode vir alterar a sintomatologia da patologia, ter responsabilidade de comparecimento as sessões de massoterapia pelo período proposto, consentir com sua participação no estudo assinando o termo de consentimento livre e esclarecido. Os critérios de exclusão foram: pacientes que apresentassem feridas na pele, histórico de câncer e doenças cardiovasculares. Para realização do trabalho foram utilizados: um protocolo de avaliação de fibromialgia contendo os dados pessoais como idade, sexo, profissão, queixas mais comuns, anamnese; a Escala Visual Analógica de Dor (EVA), onde o paciente marca a intensidade de sua dor; e um questionário de qualidade de vida específico para fibromialgia - Questionário Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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de Impacto da Fibromialgia (QIF), o qual conta com 19 questões, que servem para avaliar o comprometimento que a patologia provoca na qualidade de vida destes pacientes. A participante respondeu ao questionário de fibromialgia (QIF), que é composto de 19 questões e contém ainda a escala visual analógica de dor (EVA), que varia de zero a 10, onde zero indica ausência da variável e 10, a maior intensidade possível no início e final do tratamento. O tratamento teve duração de 19 sessões, sendo que os atendimentos ocorreram duas vezes por semana com duração de aproximadamente 60 minutos cada sessão, totalizando 3 meses de tratamento. Durante as sessões foram realizadas técnicas de massoterapia Effleruage e Pétrissage, inicialmente realizadas na porção anterior do corpo e logo em seguida na região posterior do corpo com ênfase na região cervical e posterior de tronco.

Resultados

As informações abaixo foram obtidas através do questionário QIF e da coleta de dados, e foram convertidos em porcentagem e demonstrados em gráficos para melhor compreensão do leitor.

Atividades de Vida Diária

Gráfico I 120% 100% 80% 60% 40% 20% 0% Fazer Lavar Cozinh compra roupas ar s Antes

Lavar louça

Limpar a casa

Andar Cuidar Arruma Visitar Dirigir vários do ra parent quartei Trabalh carro cama es rões o

25%

100%

100%

50%

100%

100%

50%

50%

100%

100%

Depois 100%

100%

100%

100%

100%

100%

100%

100%

100%

100%

Figura I. Atividades de Vida Diária. Fonte: Das autoras. Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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No gráfico I foi observada uma melhora significativa nas atividades de vida diária após o tratamento, principalmente em fazer compras antes 25%, e depois do tratamento 100%; lavar louça antes 50%, depois do tratamento 100%; andar vários quarteirões 50%, depois do tratamento 100%; visitar parentes antes 50%, depois do tratamento 100%. Observou-se que as outras informações mantiveram-se estáveis não havendo nenhum tipo de piora durante o tratamento, onde foi possível analisar que a massoterapia tem efeitos benéficos atua

Dias da Semana

Gráfico II 3,5 3 2,5 2 1,5 1 0,5 0

Quantos dias você se sentiu bem?

Quantos dias você faltou ao trabalho?

Antes

1

0

Depois

3

0

diretamente nas atividades cotidianas.

Figura II: Dias da Semana. Fonte: Das autoras.

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No gráfico II podemos observar que dos 7 dias da semana a paciente, antes do tratamento, se sentia bem em apenas 1 dia e que logo após o tratamento a mesma relatou um bem estar em 3 dias da semana. Já os dias em que ela faltou ao trabalho permaneceram estáveis, portanto verificamos que o tratamento promove uma manutenção da qualidade de vida, evitando assim as faltas no trabalho. Através destes dados notamos que tais melhoras só não foram mais satisfatórias devido ao pouco tempo de tratamento.

Figura III: Escala Visual Analógica da Dor Fonte: Das autoras.

No gráfico III podemos verificar que em todos os quesitos apresentaram uma redução do quadro álgico. A interferência na capacidade de fazer o serviço caiu de 5 para 3; a dor relatada caiu de 6 para 4; o cansaço de 5 para 2; a dor ao se levantar de manhã reduziu de 10 para 4; a rigidez de 10 para 4; o nervosismo/ansiedade de 4 para 2; e a depressão/desânimo de 10 para 2. Destacamos na análise do gráfico referido que podem ser observadas melhoras significativas quanto ao cansaço, rigidez e depressão, podendo atribuir todas as melhoras à massoterapia e seus principais efeitos.

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Figura IV: Escala Visual Analógica da Dor Fonte: Das autoras.

No gráfico IV obtivemos uma alteração da queixa de dor apresentada pela paciente com redução de 6 pontos comparados ao inicial. Foi observado por meio das 19 questões do Questionário de Impacto da Fibromialgia (QIF) e a Escala Visual Analógica da Dor (EVA), que obteve-se 65% de melhora nos resultados das questões após o tratamento, enquanto 35% mantiveram-se constantes e não se obteve nenhum quadro de piora. Após a análise de todos os resultados podemos concluir que a massoterapia é um método eficaz no tratamento de pacientes com fibromialgia.

Discussão

O presente estudo teve como objetivo avaliar a eficácia dos benefícios da massoterapia, na melhora da dor, qualidade de vida e nas atividades cotidianas do paciente com fibromialgia. Os nossos dados mostraram os benefícios da melhora dos sintomas acima citados, o que significa que aliviando a dor consequentemente há melhoria na qualidade de vida. Tais melhoras devem ser atribuídas aos benefícios de relaxamento, melhor da circulação, Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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eliminação de catábolicos, redução da tensão entre outros, cujos efeitos agem diretamente nos tecidos promovendo assim um relaxamento global e redução da tensão reduzindo assim significativamente o quadro de dor, o que permite o desempenho das atividades cotidianas, ocupacionais e recreativas serem realizadas de forma mais harmoniosas e adequadas sem limitações por ciclos de dor. Neste estudo, a paciente obteve uma melhora significante em atividades de diária simples como fazer compras, lavar louça, andar vários quarteirões, visitar parentes, obteve redução do cansaço, diminuição de interferência na capacidade de fazer o seu serviço, melhora ao se levantar pela manhã, bem como melhora da ansiedade, nervosismo e depressão. Dentre as várias técnicas de massoterapia, obtidas em diversas literaturas, a massoterapia com técnica de Pétrissage e Effleurage foi um procedimento escolhido deste estudo devido ser um método mais confortável e que utiliza desde manobras de relaxamento até mobilização do tecido para melhorar os sintomas que a fibromialgia gera, sem gastar demandas energéticas e aeróbias que possivelmente podem gerar mais sintomatologia, desconforto e limitação ao paciente. De forma mais sucinta “promover redução dos sintomas sem ficar cansado”. Neste estudo a frequência de atendimento fisioterapêutico semanal de 2 (duas) vezes com duração de 60 (sessenta) minutos, mostrou-se uma forma efetiva de tratamento, sendo uma alternativa para o deficiente sistema de saúde e poucos estudos relacionado aos tratamentos específicos para a fibromialgia. Um trabalho que é bem elaborado e sucedido de forma precisa em pacientes com dor crônica propicia um autocontrole da dor e expectativas positivas, portanto o principal objetivo de intervenção terapêutica junto à fibromialgia é a melhora significativa da dor, das sintomatologias adversas e no aumento e melhora das habilidades funcionais e atividades cotidianas, seguidas da redução de várias outras manifestações e comprometimentos que podem trazer sofrimento e transtorno psicológico e físico ao paciente. Como a dor é um dos principais sintomas da fibromialgia e, que gera a maior parte da incapacidade nestes pacientes, interferindo desde atividades diárias simples até no trabalho, lazer e na vida familiar, esse estudo demonstrou que a massoterapia é bastante significativa e eficaz na melhora da dor, pois foi observado melhora no limiar de dor, principalmente nos tender points. A diminuição dos sintomas como: depressão, dor, ansiedade entre outros, possivelmente foram os principais responsáveis pela melhora observada na qualidade de vida após o tratamento com massoterapia. Pode-se entender que a alívio ou redução dos sintomas da fibromialgia melhora significativamente a qualidade de vida desses pacientes. É importante Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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a participação efetiva e ativa do paciente durante todo tratamento e a sua relação com o terapeuta, porque dessa forma os ganhos e benefícios são mútuos. Acreditamos que os amplos estudos nessa área, e comparações de formas de tratamento tornaram-se essenciais para o tratamento mais efetivo e eficaz no combate dos sintomas da fibromialgia. Não só os estudos de tratamento mas a verdadeira etiologia para que posamos amenizar tal patologia que acomete grande parte da população mundial, melhorando assim a qualidade de vida globalmente.

Conclusão

Com o presente estudo podemos perceber as dificuldades em se encontrar um tratamento específico para a fibromialgia por ainda se tratar de uma patologia de etiologia desconhecida e que gera sintomatologias diversificadas em várias regiões do corpo. Foi também constatado que qualquer tratamento, seja ele mais leve, acaba gerando um demanda energética e emocional adicional, o que para o paciente com fibromialgia acaba sendo desconfortante, então antes de iniciar um programa de tratamento deve estar atendo a diversos fatores, como: intensidade, duração, fadiga e carga. O estudo mostrou que a massoterapia é uma forma efetiva de tratamento da fibromialgia por gerar efeitos que melhoram significativamente a dor, a tensão, a depressão, a sensação de peso no corpo, a fadiga, alterações de humor promovendo diminuição do desconforto causado pelos sintomas da doença e consequentemente melhorando a qualidade de vida do paciente.

Referências Bibliográficas:

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11. PREVALÊNCIA DAS ALTERAÇÕES POSTURAIS E PERCEPÇÃO DE DOR NOS DISCENTES E SUPERVISORES DO 8° PERÍODO DO CURSO DE FISIOTERAPIA DO CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DE CATALÃO - CESUC. Josiane Lino da Silva29 Cristina Freire da Silva30 Prof. Andreia Borges Macedo31 RESUMO

A presente pesquisa teve como objetivo identificar quais são as regiões de dor e alterações posturais presente nos discentes e docentes do 8° período de fisioterapia. O interesse despertado pelo tema ocorreu no intuito de saber se existem diferenças significativas entre os grupos participantes. Os dados foram obtidos através de gráficos e/ou porcentagem do questionário piloto, questionário de McGill, perfil postural sendo um de vista anterior, posterior e lateral, além do método OWAS enfatizando o desconforto causado pelas posturas de trabalho, nos vários procedimentos fisioterapêuticos. As regiões com elevado índice de desconforto dos acadêmicos são as pernas e os pés, pois as posturas habituais exigidas durante o atendimento são de grande maioria em pé, sendo dinâmicas ou estáticas, ocasionando sobrecarga nos membros inferiores. Os fisioterapeutas sentem desconforto na região lombar, região cervical e pés, devido posturas estáticas por tempo prolongado em pé, agachar-se com ou sem sustentação de peso, utilização de técnicas manuais e flexão parcial ou total do tronco em pé diante ao esforço exigido, gerando cansaço ao final da jornada de estágio. A pesquisa permitiu concluir que acadêmicos e fisioterapeutas ficam expostos a um grau de constrangimento postural importante, que o classificaria como uma profissão de alto risco com propensão a doenças ocupacionais, principalmente, aquelas associadas a coluna vertebral. Palavras - chave: Alterações. Dores. Postura.

1. INTRODUÇÃO

A coluna vertebral forma o eixo ósseo do corpo e está constituída de modo a oferecer a resistência de um pilar de sustentação, mas também a flexibilidade necessária a movimentação do tronco. Assim, ela protege a medula espinhal, que está alojada no seu interior, serve de pivô para suporte e mobilidade da cabeça, permite movimentos entre diversas partes do tronco e dá fixação a numerosos músculos. Sua função principal,

29

Acadêmica do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC. Acadêmica do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC. 31 Professora e coordenadora do Estágio Supervisionado do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC, orientadora de trabalho de conclusão de curso. Email: andreiaphborges@hotmail.com 30

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entretanto, é suportar o peso da maior parte do corpo e transmiti - lá, através das articulações sacroilíacas, para os ossos do quadril. (DANGELO, FATTINI, 2006). "Postura é o termo geral definido como uma posição ou atitude do corpo, a disposição relativa das partes do corpo para uma atividade específica, ou uma maneira característica de sustentar o próprio corpo". (SMITH, WEISS, LEHMKYHL, 1997). Na postura correta, a linha da gravidade passa através dos eixos de todas as articulações com os segmentos corporais alinhados verticalmente. Portanto, quanto mais próximo do centro de todos os eixos articulares está o alinhamento postural de uma pessoa, menor será o estresse gravitacional aplicado aos componentes de tecidos moles do sistema de apoio. (PALMER, EPLER, 2000). A boa postura é um bom hábito que contribui para o bem-estar do individuo. Por outro lado, a ma postura é um mau hábito e, infelizmente, é muito comum. Defeitos ou alterações posturais têm sua origem no uso incorreto das capacidades providas pelo corpo, não na estrutura e função do corpo normal. Entretanto, defeitos posturais persistentes podem dar origem ao desconforto, a dor ou a incapacidade. (KENDALL et al, 1995). A dor é definida clinicamente como "uma experiência sensorial e emocional desagradável associada com um dano tecidual real ou potencial". A interpretação da dor é influenciada por idade, sexo, etnia, cultura, antecedentes religiosos, níveis de atenção e de distração, ambiente e a resposta dos outros ao comportamento diante da dor. (PALMER, EPLER, 2000). Machado, colaboradores apud Romani (2001), os fisioterapeutas fazem parte da população de risco para desenvolvimento de distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho porque a fisioterapia é uma atividade que exige muito do sistema músculoesquelético do profissional, devido a aplicação de força dinâmica e estática, movimentos repetitivos de membros superiores e manutenção de posturas estáticas, tornando-se fatores de risco para o desenvolvimento de LER / DORT. Barbosa apud Calil (2005), revelou em seu estudo, uma elevada incidência de incômodo (49,00%) e dor (42,00%) em região lombar, sendo encontrado como cardeal fator o sedentarismo, a postura estática por um prolongado período na mesma posição, pausas insuficientes entre os atendimentos, o que sobrecarregava a região lombar dos fisioterapeutas.

2. METODOLOGIA Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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Estudo quali-quantitativo com 27 acadêmicos, com idades variantes entre 20 a 42 anos, que realizou estágio supervisionado na clínica ou em locais que a mesma dispõe e 05 supervisores com idades variantes entre 24 e 35 anos de idade, os quais supervisionaram os estágios na clínica escola ou em locais que a mesma dispõe. Os critérios de exclusão foram: Funcionários da limpeza, pacientes presentes na clínica escola, as pesquisadoras deste projeto, estar graduando do primeiro ao sexto período do curso de fisioterapia, histórias de patologia pregressa, estudantes de outros cursos. Foi aplicado o questionário piloto, composto de questões pessoais e da rotina durante o estágio, estruturado pelas próprias pesquisadoras, com embasamento literário sobre o assunto do projeto. O questionário de McGill que caracteriza a maneira como a pessoa sente a dor, sendo que a somatória representa o índice da dor. Para traçar o perfil postural foram realizadas as avaliações postural sendo uma de vista anterior, posterior e lateral. Aplicou-se então o método OWAS (Ovaco Working Posture Anlysing System), durante os atendimentos ou não aos pacientes, para avaliação postural com ênfase principal no desconforto causado pelas posturas de trabalho a partir de registros fotográficos e porcentagem, nos vários procedimentos fisioterapêuticos.

3. RESULTADOS

De acordo com os resultados obtidos no questionário piloto, 88,88% dos acadêmicos era do sexo feminino e 11,11% do sexo masculino. Dentre os docentes, 80% eram do sexo feminino e 20% do sexo masculino. A carga horária de estágio era fixa, sendo 4 horas diárias e o número de atendimentos realizados pelos estagiários se limitava ao máximo de quatro por dia.

Evidencia-se que 20% dos supervisores atuam mais de dez anos. (Figura 1)

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Figura 1: Tempo de atuação profissional dos supervisores

Conforme se pode verificar na (Figura 2), a sobrecarga de trabalho é predominante.

Figura 2: Distribuição de horas/dia de trabalho dos docentes

Na figura 3 observa-se que 60% dos docentes atendiam acima de 10 pacientes dia/hora fora da instituição de supervisão de estágio.

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Figura 3: Número de atendimentos realizados pelos docentes

A distribuição de acadêmicos que exercem uma profissão fora da graduação representa um percentual de 15%. (Figura 4)

Figura 4: Acadêmicos que trabalham ou não em outro local

O cansaço ao final da jornada de estágio relatado é predominante nos dois grupos participantes. (Figura 5).

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Há uma maior incidência de 80% dos supervisores com desconforto nas pernas e região lombar e 62,96% dos estagiários nas pernas. (Figura 6).

Figura 6: Locais de desconfortos

As posturas mais ocorrentes pelos estagiários é a flexão parcial ou total do tronco em pé e postura estática por tempo prolongado em pé para os supervisores. (Tabela 1).

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Tabela 1: Ocorrência de eventos durante os estágios Postura Distribuição de

Flexão parcial ou total do tronco em pé Utilização de técnicas manuais Movimentos repetitivos com membros superiores Flexão parcial ou total da região cervical Rotação do tronco em pé Agachar - se com ou sem sustentação de peso Postura dinâmica por tempo prolongado em pé Transferência de pacientes (leito e maca) Postura estática por tempo prolongado em pé Trabalhar em posição restrita ou desconfortável Rotação de tronco sentado Deambulação assistida ao paciente Postura estática por tempo prolongado sentado

estagiários (%) 88,88

Distribuição de supervisores (%) 80

77,77 62,96

80 60

59,25

60

55,55 44,44

60 80

37,03

40

37,03

-

33,33

100

29,62

60

22,22 14,81 14,81

40 20

Fonte: As pesquisadoras

Tabela 2: Distúrbio osteomuscular no último ano nos docentes e discentes

Distúrbio osteomuscular no último ano Sim Não

Discentes Incidência (%) 51,85 48,14

Docentes Incidência (%) 100 -

Fonte: As pesquisadoras

A lombalgia foi o distúrbio osteomuscular com maior índice relatado pelos participantes. (Tabela3).

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4. QUESTIONÁRIO MCGILL

O diagrama corporal contido no McGill confirmou a região lombar com elevado índice entre os participantes da pesquisa. (Tabela 6).

Os participantes dos dois grupos selecionaram palavras semelhantes, como: pontada, enjoada, cansativa e que incomoda para identificar a dor, conforme distribuição na Tabela 7.

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Tabela 7: Frequência dos principais descritores verbais referidos pelo McGill

Componente de dor

Palavras selecionadas com maior frequência Agulhada Fina

Sensorial

Afetivo

Avaliativa

Latejante Fisgada Pontada Enjoada Cansativa Dolorida Sensível Miserável Que incomoda

Estagiários % -

48,14 44,44 40,74 44,44 55,55 -

37,03 62,96

Supervisores % 80 80 80 80 60 60 60 60

Fonte: As pesquisadoras

O somatório dos índices dos descritores são maiores para os estagiários. (Tabela 8).

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AVALIAÇÃO POSTURAL

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Tabela 9: encontradas.

índice

das

Segmento Corporal Cabeça

Ombro

Tronco

Membro inferior

Fonte: pesquisadoras

principais

alterações

Alterações Posturais Anteriorização Inclinação lateral a direita Inclinação lateral a esquerda Protusão Elevação do ombro esquerdo Retificação cervical Hipercifose torácica Hiperlordose lombar Escoliose Joelho hiperestendido Joelho valgo Pé cavo

Discentes (%) 81,48 22,22 44,44 55,55 18,51 25,91 40,73 22,21 55,55 11,11 55,55

Docentes (%) 60 40 60 40 40 60 20 60

As

MÉTODO OVACO WORKING ANALYSING SISTEM-OWAS

As posturas adotadas no estágio de Ortopedia enquadram-se na categoria 2, sendo que a postura mais frequente com 50% (Figura 7), pode ser descrita com costas inclinadas para frente ou para trás, ambos os braços abaixo do nível dos ombros, de pé ou agachado com os joelhos dobrados e peso ou força menor que 10 kg. 20

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O estágio de Cardiovascular encaixa-se na categoria 2. A postura mais utilizada (Figura 8), com 67% significa: costa inclinada para frente ou para trás, ambos os braços. abaixo do nível dos ombros, sentado e peso ou força necessária menor que 10 kg.

Figura 8: Posturas Cardiovascular

adotadas

durante

o

estágio

de

O estágio de Dermato-Funcional se localiza na categoria 2, (Figura 9), com 50% de costa inclinada para frente ou para trás, ambos os braços abaixo do nível dos ombros, em pé com as pernas esticadas; de pé com uma das pernas esticadas e peso ou força menor que 10 kg.

Em Neurologia 68% se encaixam na categoria 2 e 33% na categoria 3. Com 33% a postura mais usada é costa inclinada e torcida ou inclinada para frente e para os lados, um Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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braço no nível dos ombros ou abaixo, de pé com ambas as pernas esticadas; de pé com uma das pernas esticada e peso ou força necessária excede 10 kg, mas é menor que 20 kg. (Figura 10).

O estágio de Ergonomia 67% se encaixam na categoria 2 e 33% na categoria 4, uma das posturas com maior frequência são costas inclinada e torcida ou inclinada para frente e para os lados, um braço no nível dos ombros ou abaixo, de pé ou agachado com um dos joelhos dobrados; de pé com uma das pernas esticada e peso ou força excede 20 kg. (Figura 11). UJLV. 1

L-JICIL H

i .i.-ij. .J

1

UJL-IJ.

4

Figura 11: Posturas adotadas durante o estágio de Ergonomia

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Para os supervisores os procedimentos analisados durante a supervisão de estágio se encontram 20% na categoria 1 e 80% na categoria 2 e com 80% a postura mais recorrente é costas inclinada para frente ou para trás, ambos os braços abaixo do nível dos ombros, sentado e peso ou força necessária menor que 10 kg. (Figura 12).

Figura 12: Posturas adotadas pelos supervisores

Abaixo estão os resultados de todas as atividades desenvolvidas, havendo predominância na postura de costas com inclinação para frente em 62%; posicionamento dos dois braços para baixo do nível dos ombros em 75%; posicionamento em pé sobre as duas pernas em 50% e levantamento de carga até 10 kg com 84%. (Figura 13).

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No demonstrativo de categorização de todo o material, 3% se encontra na categoria 1; 84% na categoria 2; 6% na categoria 3 e 6% na categoria 4. (Figura 14).

Figura 14: Demonstrativo Desenvolvidas

das

Categorias

para

Todas

as

Atividades

Constata-se a ação das categorias 3 e 4 no estágio de neurologia e ergonomia, segundo a classificação do método OWAS, a necessidade de modificações nas posturas de trabalho. (Figura 15).

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Figura 15: Categorias

Demonstrativo

de

Todas

as

4. DISCUSSÃO

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A escoliose foi a alteração constatada na avaliação postural com maior frequência nos supervisores, justificada pelo tempo de atuação, carga horária excessiva e dupla jornada de trabalho. Guimarães (2007), realizou um estudo de incidências de desvios posturais em fisioterapeutas e mostrou-se relevante que o maior índice é de escoliose, com 55,80% e hiperlordose com 9,40%. Nos estagiários algumas das alterações acometidas foi anteriorização da cabeça e protusão de ombro, pois flexão parcial ou total do tronco em pé e flexão parcial ou total da região cervical são os eventos com maior recorrência relatados. As regiões de maior desconforto dos acadêmicos são as pernas e pés, já que as posturas habituais durante o estágio são de grande maioria em pé, sendo dinâmicas ou estáticas, ocasionando sobrecarga nos membros inferiores. "A posição de pé é altamente fadigante, porque exige muito trabalho estático da musculatura envolvida para manter essa posição. E consequentemente leva o indivíduo a relata dor". (IIDA). Os fisioterapeutas sentem desconforto na região cervical, lombar e pernas, devido posturas estáticas por tempo prolongado em pé, utilização de técnicas manuais e flexão parcial ou total do tronco em pé diante ao esforço exigido, gerando cansaço ao final da jornada de estágio. Os dados obtidos neste trabalho assemelham-se às afirmações de Molumphy, em 1985, sobre os fisioterapeutas que tiveram dores nas costas pela atividade profissional e Holder (1999), que confirmaram achados de ocorrência de distúrbios na coluna vertebral, na região lombar e na região cervical em fisioterapeutas. No componente sensorial do McGill a palavra pontada para os docentes e latejante para os discentes, caracteriza a escolha sensitiva a experiência dolorosa. "As palavras pertencentes a esta subcategoria parecem representar dores indefinidas e constantes e são chamadas de dores surdas por contraste as dores vivas, ou seja, representam a "sensação da falta de sensação" que algumas dores podem implicar". (CASTRO, 1999). Na experiência global que representa uma dor avaliativa a palavra incomoda, que irrita e importuna, teve um elevado índice de escolha pelos participantes. "A palavra "incômoda" representa a categoria avaliação subjetiva. É formada por somente uma categoria de mesmo nome que analisa, estima e sumariza a forca e a importância do desconforto subjetivo global gerado pela presença da dor". (CASTRO, 1999). E, que dores e desconfortos não acometem somente os acadêmicos, mas também, os profissionais fisioterapeutas já formados e atuantes, como foram destacados nas pesquisas realizadas por Peres (2002) e Romani (2001).

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No método Owas 84% das posturas analisadas se enquadram na categoria 2, ou seja, a carga física é levemente prejudicial: é necessário adotar medidas para mudar a postura em um futuro próximo. No estágio de Neurologia as posturas se encaixaram na categoria 3, ou seja, a carga física é normalmente prejudicial: é necessário adotar medidas para mudar a postura o mais rápido possível. Neste estágio há sobrecarga pela frequente transferência de pacientes, movimentos passivos repetitivos com o paciente, postura estática por um longo tempo, deambulação com o paciente e uso do tablado em postura incorreta. O estágio de Ergonomia foi classificado na categoria 4, ou seja, a carga física da postura é prejudicial: é necessário adotar medidas, imediatas, para mudar a postura. Esta sobrecarga se deve ao fato que as posturas mais utilizadas são estáticas ou dinâmicas em pé, postura estática sentada e transferência de mobiliário. "Os distúrbios posturais estão relacionados principalmente à transferência de posicionamento, transporte, levantamento e deambulação de pacientes dependentes, movimento súbito ou inesperado de pacientes confusos ou agitados, aplicação de técnicas manuais, levantar ou mover equipamentos ou materiais pesados, manutenção de posturas desajeitadas ou restritas com movimentos constantes de flexão, rotação ou extensão do tronco, manutenção de posturas por período prolongado, trabalhos repetitivos, sobrecarga de jornada de trabalho, poucas pausas durante os atendimentos e alto índice de atendimentos diário". (CROMIE, 2000; HOLDER, 1999; MOLUMPHY, 1985; SCHOLEY e HAIR, 1989). Não foi considerado o fato dos estagiários trabalharem ou fazerem estágio não obrigatório, já que são 26 minoria dos participantes e esta inclusão se tornaria irrelevante aos resultados apresentados. A partir dos autores citados, podemos correlacionar os dados desta pesquisa na qual demonstrou claramente a alta incidência de dor e alterações posturais dos estagiários e profissionais fisioterapeutas em função de sua atividade ocupacional.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

No decorrer do trabalho observou-se a necessidade de se realizar um laudo ergonômico que analise a iluminação, ventilação, ruídos, mobiliário, entre outros, já que estes são importantes para constatar interferências que levam a alteração posturais durante a rotina de trabalho. Notou-se que os participantes apesar de terem conhecimento de biomecânica, alongamento e posturas adequadas não as colocam em prática em benefício próprio, vendo a Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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necessidade destes profissionais durante a rotina de trabalho realizarem o auto-alongamento e pausas, pois estes fatores também podem influenciar nas dores e alterações posturais.

6. REFERÊNCIAS

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12. PREVALÊNCIA DE LESÕES OSTEOMUSCULARES EM PROFESSORES DO ENSINO FUNDAMENTAL Elisa Marcelino Netto de Melo32 Gabriela de Freitas Caixeta33 Prof. Adriana Caixeta34

RESUMO As atividades laborativas em excesso podem acometer músculos, fáscias, vasos sanguíneos, tegumentos, tendões, ligamentos, articulações e nervos ocasionando o surgimento das lesões osteomusculares (L.E.R./D.O.R.T.), que acometem principalmente os membros superiores (M.M.S.S.) levando à dor, parestesia, sensação de peso e fadiga, resultando em diferentes graus de incapacidade funcional. O objetivo do presente estudo foi conhecer a epidemiologia e caracterizar as lesões osteomusculares em professores do Ensino Fundamental das Escolas da rede Municipal da cidade de Catalão (GO). Foram obtidos prospectivamente dados de 45 professores em 6 escolas da Rede Municipal da cidade de Catalão-GO. Os instrumentos utilizados na coleta de dados foram a ficha de avaliação fisioterapêutica e o Questionário Nórdico para avaliação dos sintomas osteomusculares. Os dados foram analisados através da estatística descritiva, com determinação das médias (X) e desvio-padrão (D.P.) para as variáveis quantitativas, e frequências simples e relativas para as variáveis categóricas. Predominaram indivíduos do sexo feminino com média de idade de 41,86 anos com a carga horária máxima de 60 horas semanais, acentuando o cansaço físico e mental. A postura mais adotada foi a de pé, com presença de sintomas osteomusculares na maioria dos entrevistados com predomínio dos M.M.S.S., sendo o ombro a região mais acometida nos últimos 12 meses. Conclui-se diante dos resultados obtidos que a região anatômica de maior prevalência para o surgimento das lesões osteomusculares é à região do ombro, o que salienta a necessidade de implantar programas de prevenção dentro das escolas.

Palavras-chave: Fisioterapia, lesões osteomusculares, professor, saúde do trabalhador.

1. INTRODUÇÃO

As lesões por esforços repetitivos (L.E.R.) ou distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (D.O.R.T.) são um conjunto de afecções do aparelho locomotor decorrentes de atividades laborativas que acometem músculos, fáscias, vasos sanguíneos,

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Aluna do curso de Fisioterapia da Faculdade de Ensino Superior de Catalão Aluna do curso de Fisioterapia da Faculdade de Ensino Superior de Catalão

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Professora orientadora de trabalho de conclusão de curso da Faculdade de Ensino Superior de Catalão Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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tegumentos, tendões, ligamentos, articulações e nervos (GREVE e AMATUZZI, 1999; CHIAVEGATO FILHO e PEREIRA JUNIOR, 2004; PANZERI, 2004; YASSI, 1997). Os D.O.R.T.s são mais comuns nos membros superiores (LONGEN, 2003; VERTHEIN e MINAYO-GOMEZ, 2000) ocasionando dor, parestesia, sensação de peso, fadiga (MERLO, JACQUES e HOEFEL, 2001; PICOLOTO e SILVEIRA, 2008), queda do desempenho no trabalho, incapacidade temporária, às vezes evoluindo para uma síndrome dolorosa crônica (FROTA e FILGUEIRAS, 2008; COUTO, NICOLETTI e LECH, 2007). Outro fator associado aos D.O.R.T.s é a combinação da sobrecarga das estruturas anatômicas do sistema osteomuscular, devido à falta de tempo para a sua recuperação (BRASIL, 2003) levando a diferentes graus de incapacidade funcional (WALSH et al., 2004, PINZÓNVERNAZA e TORRES-SIERRA, 2005). De acordo com Walsh e colaboradores (2004), os D.O.R.T.s são um dos mais graves problemas de saúde do trabalhador. Segundo Longen (2003), a Organização Mundial de Saúde (O.M.S.), no ano de 2003, classificou as “doenças relacionadas ao trabalho” (worked-related diseases) como multifatoriais, sendo constatados vários fatores envolvidos na gênese destas lesões. Várias patologias são classificadas como L.E.R./D.O.R.T., tais como: tendinites, tenossinovites, bursites, epicondilites, miosites, tenossinovite de Dequervain, ombros congelados, cervicobraquialgias, síndrome do desfiladeiro torácico, síndrome do túnel do carpo e do canal de Guyon, entre outras (MENDES, 2008). Couto, Nicoletti e Lech (2007) reportam que a questão da denominação (L.E.R./D.O.R.T.) contém diversos aspectos relacionados à abordagem social e política. Segundo os autores, a Previdência Social em 1998, em vez de empregar o termo L.E.R. passou a utilizar a sigla D.O.R.T., mas com as mudanças políticas ocorridas no Brasil, a partir de 2003, retomou o termo L.E.R./D.O.R.T. Greve e Amatuzzi (1999) e Tulder, Malmivaara e Koes (2007), apontam que a repetição de movimento, vibração, posturas incorretas, ergonomia inadequada e solicitações cumulativas do aparelho locomotor, entre outros, são fatores de risco da L.E.R./D.O.R.T. De acordo com Oliveira (2001), no modo de produção capitalista, o trabalhador precisou submeter-se a condições e ambientes inadequados de trabalho, o que gerou uma perda gradativa de produtividade e um aumento do desgaste físico e emocional. Diversos fatores como mecanização e informatização do trabalho, intensificação do ritmo das atividades, redução da flexibilidade do tempo, aumento da pressão pela produtividade, repetição e constância da execução de movimentos (GREVE e AMATUZZI, 1999), ausência e impossibilidade de pausas espontâneas, necessidade de permanência em Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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determinadas posições por tempo prolongado evoluem para o surgimento da L.E.R./D.O.R.T. (BRASIL, 2003). As condições do trabalho docente intensificam o aparecimento de agravos à saúde destes, tais como, baixos salários, desvalorização social e burocratização das relações de trabalho (FERNANDES, ROCHA e COSTA-OLIVEIRA, 2009; CARDOSO et al., 2009). De acordo com a literatura Nacional, há uma carência de estudos científicos relacionados aos fatores de risco osteomusculares (CARVALHO e ALEXANDRE, 2006; DELCOR et al., 2004) correlacionados à profissão específica, como por exemplo, a classe de professores. Rocha e Fernandes (2008) ressaltam que a escola constitui um importante ambiente, o qual sofre os impactos das mudanças políticas, tecnológicas e econômicas decorrentes da globalização. O presente estudo realizado com os professores do Ensino Fundamental das Escolas da rede Municipal da cidade de Catalão (GO) teve como objetivo identificar a prevalência de lesões osteomusculares por esforços repetitivos de acordo com as regiões anatômicas mais acometidas, as posturas mais adotadas durante o trabalho e determinar a presença de sintomas como dor, formigamento, e dormência nos últimos 12 meses.

2. METODOLOGIA

Esta pesquisa foi realizada com 45 professores de seis escolas da Rede Municipal de Ensino da cidade de Catalão/Goiás no período de 09 de agosto a 29 de outubro de 2010. Estes professores eram do Ensino Fundamental, compreendendo do 1º ao 9º ano, ativos em sala de aula, que ministravam qualquer disciplina, com idade entre 25 e 60 anos e de ambos os sexos. Foram excluídos da pesquisa aqueles que trabalhavam na parte administrativa, os que tiverem o tempo de profissão inferior a dois anos e os que não concordaram em participar desta. O critério de escolha das escolas foi aleatório, sendo que apenas 22% dos 196 professores aderiram à pesquisa. Foram realizadas visitas prévias nas escolas escolhidas, solicitando a autorização da pesquisa através dos diretores, por meio de uma reunião com a direção das escolas juntamente com os professores, quando foi explicado o tema, apresentados os objetivos e os instrumentos que iriam ser utilizados para coleta de dados. Ressaltando aos professores interessados em aderir à pesquisa que esta era por livre escolha, sendo entregue para cada participante um termo de consentimento livre e esclarecido (ANEXO A), informando-os sobre os objetivos, procedimentos, riscos e benefícios, liberdade de retirar-se a qualquer momento e deixar de Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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participar do estudo, garantindo assim o sigilo e privacidade de informações relacionadas à análise obtida. Foi elaborada uma Ficha de Avaliação que teve como referência bibliográfica Mendes (2008), sendo esta submetida à validação de seu conteúdo por meio da análise de cinco fisioterapeutas docentes do curso de Fisioterapia da Faculdade de Ensino Superior de Catalão escolhidos aleatoriamente. As áreas de atuação desses profissionais são fisioterapia neurológica, desportiva, cardiorrespiratória, osteopatia, reeducação postural global (R.P.G.), ergonomia, saúde pública e acupuntura. Os especialistas avaliaram a ficha através de um questionário (ANEXO B) que abordava a subjetividade, clareza, assunto e sequência apresentada na ficha. Após cinco dias, os questionários foram recolhidos pelas pesquisadoras e, em seguida, feitas as adequações na Ficha de Avaliação (ANEXO C), mediante as sugestões apontadas pelos avaliadores. Os instrumentos utilizados para coleta de dados foram: Ficha de Avaliação (ANEXO C) e Questionário Nórdico (ANEXO D). A Ficha de Avaliação foi aplicada em duas etapas. A primeira etapa continha a identificação do paciente, históricos ocupacionais e anamnese, que foi realizada com os professores, nos intervalos das aulas ou durante o período de hora atividade. Após a realização e análise da primeira parte, teve início a segunda etapa, onde foi feito o exame físico, o qual abordava os testes funcionais e específicos realizados somente no local referente à dor, sendo que estes foram feitos em dias aleatórios conforme a disponibilidade de horário do entrevistado. O Questionário Nórdico (PANZERI, 2004; DICKISON et al., 1992), para avaliação de sintomas osteomusculares, foi entregue aos professores e recolhidos após o período de uma semana. Cada uma das autoras avaliou 50% do total de professores incluídos no estudo, fora do período de aula, que foram escolhidos aleatoriamente. Elaborou-se um banco de dados através do aplicativo Microsoft Excel®. A análise dos dados foi realizada através da estatística descritiva, com determinação das médias (X) e desvio-padrão (D.P.) para as variáveis quantitativas, e frequências simples e relativas para as variáveis categóricas.

3. RESULTADOS

Entre os professores investigados 39 (87%) eram do sexo feminino e 6 (13%) do sexo masculino, sendo a média de idade dos participantes 41, 86 anos (D.P. ± 8,37). Tabela 1 – Distribuição dos Professores em relação ao sexo, Catalão, 2010. Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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Variáveis

Categorias

N

%

Sexo

Masculino Feminino

6 39 45

13 87 100

Total

Tabela 2 – Distribuição dos Professores em relação à idade, Catalão, 2010. Variáveis

Categoria

N

%

Faixa Etária

25 31 37 43 49 55

3 12 12 8 6

6,66 26,67 26,67 17,78 13,33 8,89 100

31 37 43 49 55 61

Total

4 45

Com relação à escolaridade, 100% dos professores possuem ensino superior completo. O tempo médio na função de professor foi de 16,35 anos (D.P. ± 7,20). A média da carga horária semanal dos professores entrevistados foi de 48,25 horas semanais (D.P. ± 16,81), sendo a de maior percentual a carga horária de 60 horas semanais (67%) Gráfico 1.

Gráfico 1 – Distribuição dos professores quanto à carga horária semanal. Com relação às posturas mais adotadas durante o trabalho, a que obteve maior percentual foi a postura de pé 35 (78%). Dos professores investigados 18 (40%) realizavam algum tipo de exercício físico e 27 (60%) não realizavam. Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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Gráfico 2 – Distribuição dos professores quanto a realização de exercícios físicos. Segundo a análise do tipo de cansaço relacionado ao trabalho, 80% referiram cansaço físico e mental (Gráfico 3).

Gráfico 3 – Distribuição dos professores quanto ao tipo de cansaço em decorrência do trabalho.

Do total de investigados 22,2% consentiram em participar do exame físico. Foi constatado em 88% dos pacientes como positivo os testes específicos de M.M.S.S. e em 12% positivo os testes de Coluna Vertebral (Cervical, Torácica e Lombar). Na análise do Questionário Nórdico, a prevalência de dor, formigamento e dormência nos últimos 12 meses, independente da região corporal afetada, foi de 100% entre os professores da rede Municipal de Ensino. As queixas foram predominantes nos ombros 16% e parte superior das costas 15,3%. Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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Do total de investigados, 96,3% responderam que a presença da sintomatologia osteomuscular nos últimos 12 meses impediu a realização das atividades de vida diária, tendo 96% dos participantes relatado ter realizado consulta a algum profissional da saúde devido ao referido problema. Analisando a última pergunta do Questionário Nórdico, 95% dos entrevistados afirmaram que tiveram algum problema nas regiões do corpo nos últimos 7 dias. Dentre as regiões que apresentaram maior número de queixas, destacamos o ombro 18% e tornozelos/pés 15%. Todos os dados referentes ao Questionário Nórdico encontram-se na Tabela 3. Tabela 3 – Distribuição dos Sintomas Osteomusculares, incapacidade funcional, procura por profissional da área de saúde em Professores da Rede Municipal de Catalão (GO). Região Anatômica

(%)

Sintomas nos últimos 12 meses (%)

Pescoço Ombros Parte superior das costas Cotovelos Punho/ mãos Parte inferior das costas Quadril/coxas Joelhos Tornozelos/pés

Impedimento de realizar atividades normais devido ao problema (%)

Consulta a algum profissional da área da saúde nos últimos 12 meses (%)

Sintomas nos últimos 7 dias (%)

13,5 16 15,3

7,3 14 12

9 14 11

11 18 12

4,7 11,1 13

12 17 9

9 14 9

6 8 11

7,6 6,5 12,3

9 7 9

9 9 12

8 6 15

4. DISCUSSÃO

O predomínio de professores do sexo feminino foi também encontrado em outros estudos (CARDOSO et al., 2009; CARVALHO e ALEXANDRE, 2006; PANZERI, 2004; FERNANDES, ROCHA E COSTA-OLIVEIRA, 2009). Coerentemente com os dados do presente estudo, Vedovato e Monteiro (2008) analisaram os professores de escolas Estaduais em Campinas e São José do Rio Pardo, no interior de São Paulo, utilizando um questionário que abordavam dados sociodemográficos, estilos de vida, trabalho, aspecto de saúde e riscos ocupacionais, os quais obtiveram, também, o predomínio do sexo feminino com a percentagem de 81,8%. Para Delcor e colaboradores (2004), tal fato se justifica pela representação da mulher perante a sociedade, considerando que o trabalho na escola é uma Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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continuação das tarefas exigidas no âmbito doméstico, cujo papel principal é educar e cuidar dos filhos estendendo para a área educacional. Como no presente estudo, percentagens semelhantes da média de idade foram encontradas por outros pesquisadores (VEDOVATO e MONTEIRO, 2008; BORK et al., 1996; FILHO e BARRETO, 2001). Fernandes, Rocha e Costa-Oliveira (2009) utilizaram o Questionário Nórdico com professores de educação básica da rede Municipal da cidade de Natal, para avaliação de sintomas osteomusculares e um questionário auto-administrável, no qual encontraram uma média de 36,05 anos. A predominância de professores com nível superior também foi relatada por outros autores (VEDOVATO e MONTEIRO, 2008; PANZERI, 2004). Delcor e colaboradores (2004) reportam em sua pesquisa realizada na cidade de Vitória da Conquista no Estado da Bahia, uma percentagem de 72,1% de professores com o nível de escolaridade superior (em curso ou completo). Para o mesmo, a necessidade do Ensino Superior passou a exigir escolaridade superior e qualificação profissional para todos os docentes das escolas públicas e particulares de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (L.D.B.), Lei 9.394/96, criada em 20 de dezembro de 1996. Como na presente pesquisa, alguns autores encontraram dados similares no que se refere ao tempo médio na função de professor (CARVALHO e ALEXANDRE, 2006; PANZERI, 2004). Cardoso e colaboradores (2009) descrevem em seu trabalho a prevalência de dor musculoesquelética segundo variáveis sociodemográficas e ocupacionais de professores do ensino básico e constataram que o tempo médio entre os pesquisados foi de 14,4 anos na função de professor. A maior frequência de carga horária semanal difere dos dados de Rocha e Fernandes (2008), que avaliaram a qualidade de vida dos professores do Ensino Fundamental na cidade de Jequié na Bahia, através de um questionário de avaliação da qualidade de vida (SF-36), o qual encontrou 2,19% de professores que apresentavam carga horária máxima de 50 horas semanais. Alguns autores (CARVALHO e ALEXANDRE, 2006; VEDOVATO e MONTEIRO, 2008) sugerem que a carga horária máxima dos professores pode ser por trabalharem em mais de uma escola, pela necessidade de complementação da renda familiar, devido à baixa remuneração desses profissionais, o que eleva o período de exposição a diversos fatores de risco. O predomínio da postura de pé durante a jornada de trabalho corrobora dados de outros autores (VEDOVATO e MONTEIRO, 2008; DELCOR et al., 2004) o que pode ser atribuído ao fato de que a postura de pé pode justificar uma considerável incidência de Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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sintomas nos tornozelos/pés. Maciel, Fernandes e Medeiros (2006), abordaram em seu estudo a prevalência e fatores associados à sintomatologia dolorosa entre profissionais da indústria têxtil, concluindo que o trabalho realizado pelos entrevistados era principalmente na postura de pé, os quais apresentaram cinco vezes mais chances de possuir dor em mais de um local. Alguns autores (PICOLOTO e SILVEIRA, 2008; VEDOVATO e MONTEIRO, 2008; CARVALHO e ALEXANDRE, 2006) observaram dados que diferem do presente estudo, sendo a maioria dos entrevistados praticantes de algum tipo de exercício físico. Carvalho e Alexandre (2006) observaram que mais da metade dos participantes eram adeptos a caminhada. A World Health Organization (W.H.O.) ressalta que a prática regular de atividade física beneficia a preservação da saúde por reduzir riscos de adoecimentos por diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares, além de prevenir as dores musculoesqueléticas, proporcionando um bem-estar físico e psicológico. Coerentemente com os dados do presente estudo, Panzeri (2004) encontrou uma maior percentagem de professores que não realizavam atividade física. Para a mesma, isso se justifica devido à falta de tempo, pela maioria ser do sexo feminino e possuir dupla jornada de trabalho, como também o desconhecimento da importância desta prática para a qualidade de vida. Isso resulta no aumento de indivíduos sedentários e com propensão a adquirir lesões osteomusculares em decorrência do trabalho, confirmando com Maciel, Fernandes e Medeiros (2006). A maior frequência de professores com desgastes físicos e mentais assemelha-se com dados na literatura (ROCHA e FERNANDES, 2008), os quais afirmam que os fatores estressantes podem estar influenciando e determinando a saúde mental dos docentes, o que pode evoluir para a Síndrome de Burnout. Delcor e colaboradores (2004) identificaram aspectos negativos que influenciaram no desenvolvimento do trabalho como o ritmo acelerado de trabalho, posições inadequadas e incômodas do corpo e longos períodos de uma intensa concentração em uma mesma tarefa. O predomínio de lesões osteomusculares em M.M.S.S. na presente pesquisa, corroborou com a de Scopel (2010) que obteve 56,5% de prevalência de sintomas em M.M.S.S., sendo que, destes 27,5% eram casos sugestivos de L.E.R./D.O.R.T. O que difere dos dados colhidos no estudo de Gangopadhyay e colaboradores (2010), realizado em Bengal na Índia com trabalhadores de obras, no qual revelou que estes sofriam de desconforto especificamente em parte inferior das costas, joelhos e ombros, devido às posturas incorretas adotadas durante o trabalho. Diferindo dos achados do presente estudo em relação à prevalência de dor, formigamento e dormência nos últimos 12 meses, Carvalho e Alexandre (2006) encontraram Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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as regiões lombar e torácica como as mais afetadas, o que corrobora com a pesquisa feita por Panzeri (2004) a qual encontrou também que as regiões de maior acometimento dos sintomas osteomusculares foram às regiões lombar (63,1%) e torácica (62,4%). Fernandes, Rocha e Costa-Oliveira (2009) descreveram que as regiões corporais com maior índice de queixa foram a parte superior das costas seguida da parte inferior das costas. A maior ocorrência de lesão que impediu os entrevistados de realizar as atividades normais, no presente estudo, foi na região de punho/mãos o que contradiz Panzeri (2004), que reporta em sua pesquisa 20,4% dos professores apresentando incapacidade na parte inferior das costas, o que aproxima dos resultados de Fernandes, Rocha e Costa-Oliveira (2009), que encontraram a mesma região como a mais acometida. A grande maioria dos pesquisados afirmou ter procurado um profissional da área da saúde devido a algum sintoma musculoesquelético nos últimos 12 meses, o que confirma os dados da literatura de Panzeri (2004). Tal fato pode ser justificado por um aumento das incapacidades ocupacionais, prejudicando assim o desempenho dos professores na execução de seu trabalho, o que resulta a diminuição de sua produtividade. Com relação aos sintomas abordados no Questionário Nórdico, nos últimos 7 dias, Panzeri (2004), em sua pesquisa, obteve uma percentagem de 29,9% de queixas no ombro, o que vem confirmar aos dados desse estudo.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Embora os dados não apresentem significância, observamos que os professores, do presente estudo, eram na sua maioria, do sexo feminino, com a média de idade de 41,86 anos, com carga horária máxima de 60 horas semanais, apresentavam maior desgaste físico e mental e afecções nos M.M.S.S., possibilitando a ocorrência de distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. Para tanto, sugere-se o uso de meios avaliativos complementares, bem como a utilização de uma amostragem mais significativa, sendo necessária a realização de pesquisas mais acuradas. Isso se faz necessário, a fim de fornecer subsídios, para a implantação de programas de prevenção dentro das escolas. 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BORK B.E., COOK T.M, ROSECRANCE J.C., ENGELHARDT K.A., THOMASON M-E. J., WAUFORD I. J., WORLEY R.K. Work-Related Musculoskeletal Disorders Among Physical Therapists. Physical Therapy, v.76, n.8, 1996. Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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13. PREVALÊNCIA DE PATOLOGIAS E PERFIL DAS VALÊNCIAS FÍSICAS EM IDOSOS ASILADOS Ana Paula Nascimento Venâncio35 Leilane Pereira da Fonseca36 Prof. Kleyder Aurélio Fleury Silva37

RESUMO

O presente estudo teve como objetivo verificar a prevalência de patologias e o perfil das valências físicas dos pacientes atendidos pelo serviço de fisioterapia da clínica escola do Asilo São Vicente de Paula. Métodos: Foram avaliadas 24 fichas de avaliação dos idosos submetidos ao tratamento fisioterapêutico, na clínica de fisioterapia do Asilo São Vicente de Paula, avaliados pelos (as) estagiários (as) do 7° período, do curso de Fisioterapia da Faculdade Cesuc. Com relação aos resultados obtidos, o tônus muscular, verificou-se uma maior prevalência de normotonia 40,59%; seguindo hipertonia 34,65%; a hipotonia 17,82%, quanto à sensibilidade verificou-se hiperestesia de 4,95%; hipoestesia de 24,75%; a normoestesia de 55,45%, a força muscular obteve-se maior prevalência em grau 3 (24,50%); grau 4 (21,29%) e o grau 5 (18,15%), as patologias mais acometidas nos idosos do asilo foram doenças neurológicas 58,33%; doenças ortopédicas 12,50%; doenças reumatologias 12,50%. A partir dos achados do presente estudo, foram observadas alterações nas valências físicas e prevalência de patologias. A hipertonia e hipotonia representou mais de 50% na avaliação de tônus muscular. Com relação à prevalência de patologias, observou-se maior índice de patologias neurológicas. O estudo mostra que com o processo do envelhecimento e alterações decorrentes do mesmo, há alta prevalência de patologias entre os idosos do Asilo São Vicente de Paula. Palavras-Chave: Idosos, asilo, força muscular, tônus muscular, sensibilidade.

1. Introdução

Um dia, um adolescente tardio descobre que o caminho que tomou ao acaso vai tornarse irreversível. O portão está prestes a fechar-se atrás dele. Ele entra na idade em que não se recomeça mais, a idade em que se começa a envelhecer, em que é preciso aceitar ocupar na sociedade um lugar que nos fará existir como um Outro entre os Outros. Bem antes de ser um destino biológico, o envelhecimento é um destino social. (GORZ, 2009).

35 36

Aluna do curso de Fisioterapia da Faculdade de Ensino Superior de Catalão Aluna do curso de Fisioterapia da Faculdade de Ensino Superior de Catalão

37

Professor e supervisor de Estágio Supervisionado do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC, orientador de trabalho de conclusão de curso. Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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O envelhecimento é um dos maiores mistérios da vida. Depois do nascimento e da morte, o envelhecimento pode ser uma das únicas etapas que o ser humano pode passar em comum. (SPIRDUSO, 2005). O processo do envelhecimento esta ligada a extensão lógica das alterações fisiológicas do crescimento e desenvolvimento do indivíduo, sendo ela marcada pelo nascimento e terminando com a morte, não é possível separar idade e tempo, pois são sinônimos, por mais que as pessoas envelheçam cada uma delas passam por esse processo de uma maneira diferente e em ritmo diverso, tal fato pode esta relacionada pelos fatores biológicos, psicológicos e sociais. (SPIRDUSO, 2005). Para Papaléo (2007), o envelhecimento do ser humano vem desde a sua concepção e vai até a morte, onde passa por diferentes fases: desenvolvimento, puberdade, maturidade e envelhecimento, todo ser humano vem predestinado a passar por cada uma dessas etapas, a identificação dos marcadores físicos e fisiológicos de transição das três primeiras fases é possível de serem marcados, mas a fase do envelhecimento não se sabe o ponto exato de transição, pois as alterações estruturais e funcionais advindas do envelhecimento variam de um indivíduo a outro. O processo de transição demográfica que hoje o Brasil atravessa em ritmo acelerado, se associou, em diversos países, ao aumento da demanda por instituições de longa permanência. Idosos residentes nas principais capitais brasileiras apresentam alta prevalência de fatores de risco para institucionalização, tais como: doenças crônicodegenerativas e suas seqüelas, hospitalização recente e dependência para realizar atividades da vida diária. A internação do idoso em uma instituição de longa permanência é uma alternativa em certas situações: necessidade de reabilitação intensiva no período entre a alta hospitalar e o retorno ao domicílio, ausência temporária do cuidador domiciliar, estágios terminais de doenças e níveis de dependência muito elevados. (CHAIMOWICZ, GRECO, 1999).

Segundo Guimarães (2004), com o avançar da idade implica o indivíduo a necessitar de ajuda de outra pessoa para desenvolver as atividades de vida diária. Essa incapacidade pode levar a uma síndrome da imobilização, onde o indivíduo torna-se restrito a uma poltrona ou, nos casos extremos, imobilizado no leito, nas unidades de longa permanência tal fato é comumente encontrado. Levando em consideração o processo de envelhecimento e suas alterações, resolveu-se desenvolver uma análise do perfil de alterações apresentadas em idosos de uma instituição de longa permanência, na cidade de Catalão - GO. O objetivo desta pesquisa foi verificar a prevalência de patologias e o perfil das valências físicas dos pacientes atendidos pelo serviço de fisioterapia da clínica escola do Asilo São Vicente de Paula. Para tanto, foi feito o levantamento de dados das principais patologias e alterações acometidas de cada paciente. Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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2. Metodologia

2.1. Sujeitos Foi realizado um estudo descritivo analítico, por meio de voluntários que compreende na faixa etária entre 54 e 102 anos, a média de idade entre homens foi de 68,83 anos, para mulheres de 68,66 anos. Sendo 12 homens e 12 mulheres, residentes no asilo São Vicente de Paula e pacientes residentes no bairro. Os voluntários foram selecionados a partir dos critérios de inclusão e exclusão. Como se tratava de uma coleta de dados já constados nas fichas de avaliação dos pacientes, não houve desistência por parte dos voluntários.

2.2. Procedimentos

Para realização do estudo foi realizada a coleta de dados por meio das fichas de avaliação dos pacientes, submetidos ao tratamento fisioterapêutico na clínica escola do asilo, pelos (as) estagiários (as) do 7° período do curso de fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão- CESUC. Após a aplicação do termo de consentimento livre e esclarecido à diretoria do asilo, foi iniciada a coleta de dados das fichas de avaliação de cada paciente, sendo coletados os seguintes pontos: sexo, idade, patologias, força muscular, tônus muscular e sensibilidade. Os dados coletados são referentes aos meses de fevereiro a junho. Foram utilizados como critérios de inclusão, pacientes que realizaram tratamento na clínica de fisioterapia do asilo, de ambos os sexos e idade compreendida entre 50 e 110 anos. Para os critérios de exclusão, idades inferior a 50 anos, pacientes que foram submetidos a menos de 3 meses de tratamento, fichas mal avaliadas e pacientes que faleceram durante o tratamento.

2.3. Análise estatística

No primeiro momento foi utilizado o teste de normalidade (Kolmogorov-Smirnov), para verificação da homogeneidade da amostra, após esta verificação foi utilizada seguinte regra: onde que X é um numero real, tem-se que X% representa a fração X/100, obtendo assim a porcentagem dos dados coletados nas fichas de avaliação, tais resultados foram aplicados no programa do Excel criando assim os gráficos. Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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2.4. Resultados

Gráfico 1: Referente ao tônus muscular dos meses de fevereiro a junho

De acordo com o gráfico 1, a hipertonia foi de 34,65%; a hipotonia foi de 17,82%; a normotonia foi de 40,59%; e 6,93% não relataram.

Gráfico 2: Referente à sensibilidade dos meses de fevereiro a junho.

O gráfico 2 nos mostra que, a hiperestesia foi de 4,95%; a hipoestesia foi de 24,75%; a normoestesia foi de 55,45%; a anestesia foi de 3,96%; e 10,89% não relataram.

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Gráfico 3: Referente à força muscular global dos meses de fevereiro a junho.

Segundo o gráfico 3, o grau 0 foi de 7,01%; o grau 1 foi de 9,57%; o grau 2 foi de 9,90%; o grau 3 foi de 24,50%; o grau 4 foi de 21,29%; o grau 5 foi de 18,15%; e 9,57% não realizaram. Foi avaliado o grau de força muscular dos seguintes músculos: bíceps braquial, tríceps braquial, quadríceps, isquiotibiais, tríceps sural e preensão palmar.

Gráfico 4: Referente aos tipos de patologias mais acometidos nos idosos do asilo. Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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Conforme a coleta dos dados, 58,33% dos pacientes apresentou doenças neurológicas; 12,50% doenças ortopédicas; 12,50% doenças reumatologias; 16,67% sem diagnóstico definido.

3. Discussão

Uma constante preocupação dos exercícios e atividades desenvolvidas nos programas de ginástica para terceira idade tem sido a manutenção do tônus muscular. O tônus muscular é um termo que inclui muitas propriedades diferentes, tais como elasticidade, viscosidade e contratilidade e sua importância reside nas funções associadas ao controle motor e estabilidade articular. Os elementos viscosos e elásticos conferem ao músculo um comportamento semelhante ao de uma mola em série com um amortecedor, permitindo o armazenamento de energia nas mais variadas tarefas, como na manutenção da postura em decorrência da combinação das características acima descritas, economizando energia e resistindo a um estiramento inesperado. (KANDEL et al., 2003; MASI et al., 2008; apud POLATO, 2010).

De acordo com o gráfico 1 referente ao tônus muscular, dos asilados São Vicente de Paula, a normotonia apresentou maior prevalência. Para Kandel (2003) e Mais (2008), sua maior preocupação é a manutenção do tônus muscular em programas de ginástica. A preocupação com manutenção do tônus muscular é fundamental em protocolos de tratamento fisioterapêutico, ocorrendo por meio de métodos que utilizam a atividade física como recurso. Os efeitos fisiológicos do envelhecimento são relacionados por Netto (2004), como: o enfraquecimento do tônus muscular e da constituição óssea levando a mudança na postura do tronco e das pernas, tendo maior predomínio nas curvaturas da coluna torácica e lombar. As articulações tornam-se mais endurecidas, diminuindo a extensão dos movimentos e gerando alterações no equilíbrio e na marcha do idoso. Como é mostrado no gráfico 1, a hipotonia apresentou o menor valor dentro da avaliação de tônus muscular. Verificando a citação, de Netto (2004), há alterações decorrentes com o avançar da idade, que causam a diminuição do tônus muscular. Entretanto, a normotonia possuía o maior valor apresentado, mostrando que o tratamento fisioterapêutico, obteve resultados satisfatórios retardando as alterações do tônus. “As alterações degenerativas nos corpúsculos de Meissner podem resultar em sensibilidade diminuída da pele nas regiões palmar e plantar, mas não da pele provida de pêlos.” (GUCCIONE, 2002). Nos achados deste estudo tal fato foi confirmado durante a avaliação da sensibilidade, sendo a hipoestesia a alteração que apresentou maior índice (gráfico 2). Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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A perda da sensibilidade é um dos principais fatores que contribuem para a diminuição das aferências para o sistema de controle motor, para a diminuição do equilíbrio, levando alterações na marcha e na postura, passos mais curtos e menor aceleração, tendo também uma diminuição de velocidade na correção dos movimentos errados e ao deparar com obstáculos. (MENZ et al., 2004, apud SACCO et al., 2007). No presente estudo esses dados podem ser confirmados com os achados de que 24,75% dos idosos apresentaram diminuição da sensibilidade (gráfico 2), podendo ser esse um dos fatores que favorecem a perda de independência em muitos dos idosos do asilo São Vicente de Paula. O envelhecimento determina modificações estruturais que levam à redução da capacidade de gerar força, limitando tanto o desempenho durante a atividade física, quanto à tolerância a situações que exijam grande demanda de força. Para um bom condicionamento físico do idoso é fundamental a sua participação em atividades físicas regulares. (MATSUDO e MATSUDO, 1992, apud POLATO, 2010). Observa-se que, a força muscular vem sendo limitada no decorrer da idade, chegando a grau 3 (gráfico 3), de acordo com os dados deste estudo, não só pelo avanço da idade, mas também, pelo sedentarismo. Sendo importante a manutenção de atividade física dentro do atendimento fisioterapêutico para a regressão e possível diminuição do avanço desta alteração. “A força muscular pode sofrer até 60% de redução após os 50 anos, pois ocorre uma manutenção desta força até aproximadamente os 60 anos, depois sofre um declínio acentuado nos anos posteriores”, conforme cita Spirduso (2005), sendo este um padrão comum. Os idosos apresentaram maior prevalência em grau 3 (gráfico 3), ou seja, quanto maior a idade, menor o grau de força muscular, e aumenta-se a probabilidade de alterações físicas e patológicas. De acordo com Murray (1996) apud Duca et al., (2009), dentre os comprometimentos advindos com o avanço cronológico da idade, está ligado a incapacidade funcional, caracterizada como qualquer limitação para desempenhar uma atividade dentro da extensão considerada normal para a vida dos seres humanos. Conforme estes dados, podemos perceber que o avanço da idade traz aos indivíduos idosos grandes limitações, sendo estes comprovados nos resultados obtidos em relação ao tônus muscular, sensibilidade, força muscular e o aparecimento de patologias. “O risco de cair aumenta significativamente com o avançar da idade. O envelhecimento traz várias alterações anatômicas e fisiológicas, tornando o idoso mais frágil e mais propenso a sofrer quedas.” (MORELAND et al., 2004, apud GONÇALVES et al., 2008). Sendo esse um dos indicativos que confirmam os achados do presente estudo de que, Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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os

tratamentos

ortopédicos

representou

12,50%

(gráfico

4),

dos

atendimentos

fisioterapêuticos na Clinica de fisioterapia do Asilo São Vicente de Paula. Segundo Kalimo et al., (1997) apud Pittella (2002), “as doenças cerebrovasculares (DCVs) constituem a terceira causa de morte nos países desenvolvidos”. “A mortalidade nos três primeiros meses após o acidente vascular cerebral (AVC) aumenta significativamente com a idade, variando de 11,1% entre 55-64 anos, 24% entre 6574 anos e 39,4% nos indivíduos com 85 ou mais anos.” (NAKAYAMA et al., 1994 apud PITTELLA, 2002). Além das doenças neurológicas serem uma das doenças com maior prevalência dos achados da população idosa, o que pode ser comprovado pelo presente estudo (gráfico 4), elas são umas das maiores causadoras de morte em idosos após os 50 anos e com o avançar da idade o índice tente a se elevar significativamente. O estudo de Mascarenhas et al., (2008), pode se identificar uma maior prevalência de distúrbios neurológicos de 85%, sendo os distúrbios ortopédicos de 15%. Tais resultados confirmam os achados do presente estudo, de que 58,33%, dos pacientes apresentaram doenças neurológicas e 12,50% doenças ortopédicas (gráfico 4), demonstrando que o perfil patológico dos idosos do asilo São Vicente de Paula se enquadra nas prevalências citadas em outros estudos por outros autores. Segundo Brenol et al., (2007), a artrite reumatóide é uma doença muito heterogênea em termos de gravidade e ritmo de progressão da inflamação articular, presença de manifestações extra-articulares e de resposta ao tratamento farmacológico. Seu diagnóstico é realizado por meio da associação de manifestações clínicas, radiológicas e laboratoriais. Tem prevalência de, aproximadamente, 1% na população brasileira, similar à literatura mundial, e predominante no sexo feminino, com tendência a surgir após a quarta década de vida, com pico de incidência na quinta década.

Para a população avaliada neste estudo a prevalência de patologias reumáticas apresentou índice de 12,50% (gráfico 4), sendo a artrite reumatóide uma das doenças relacionadas.

4. Conclusão

No presente estudo, foi possível observar o perfil de alterações apresentadas nos idosos do asilo São Vicente de Paula, sendo estes submetidos ao tratamento fisioterapêutico da clínica escola – CESUC. Em vista dos resultados obtidos, observou-se que a hipertonia e a hipotonia apresentaram mais de 50% na avaliação de tônus muscular. Já na sensibilidade, ocorreu maior prevalência na normoestesia, apontando 55,45%. Na força muscular, teve um índice maior no Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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grau 3, apresentando 24,50%. No estudo fica evidente que as doenças neurológicas tiveram maior índice, sendo 58,33% nas prevalências patológicas. Pode-se, portanto concluir que, os idosos do asilo São Vicente de Paula, apresentam um perfil das valências físicas e das prevalências de patologias relativamente altas, o que vem limitando a capacidade funcional dos mesmos. Futuros estudos poderão averiguar a diminuição das limitações apresentadas pelos idosos asilados, devido à atuação da fisioterapia e também a melhora das valências físicas devido ao tratamento fisioterapêutico.

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14. PREVALÊNCIA E INCIDÊNCIA DE LESÕES EM ATLETAS PARTICIPANTES DO CAMPEONATO OPEN DE JIU-JITSU DA CIDADE DE CATALÃO-GO REALIZADO EM AGOSTO DE 2010 Emerson Gonçalves de Oliveira38 Renata Rosa Caldas de Oliveira39 Prof. Kleyder Aurélio Fleury Silva40

RESUMO O proposito deste estudo foi analisar a prevalência e incidência de lesões em atletas participantes do campeonato, Catalão Open de Jiu-Jitsu que aconteceu em 29 de agosto de 2010, na cidade de Catalão-GO. Especificamente buscou identificar qual lesão e segmento anatômico mais acometido, golpe aplicado durante o momento da lesão, peso e graduação do oponente, ambiente de ocorrência da lesão, se em treinamento ou campeonato, e por fim, se as variáveis, tempo de prática e graduação do atleta influenciam no aparecimento das mesmas. Nossa amostra foi composta de 61 relatórios de casos obtidos através de questionários semiestruturados em 61 atletas, sendo 58 do sexo masculino e 3 do sexo feminino, com idade ≥ a 18 e ≤ 40 anos, tendo no mínimo 6 meses de prática. Observou-se com aplicação dos questionários e posterior análise dos dados que a lesão mais frequente foi a luxação, o segmento anatômico mais acometido foi o joelho, o golpe com maior percentual de lesão foi a chave de articulação, onde seu oponente era mais pesado e mais graduado na maioria das situações, e por fim, tendo o ambiente de treinamento diário o local com maior incidência de lesão. Palavras-chave: Jiu-Jitsu; Lesões no esporte; Traumatismo em atletas; Artes marciais.

1. INTRODUÇÃO As artes marciais asiáticas nasceram há cerca de 2.500 anos passados na Índia migrando para a China e posteriormente ao Japão país que se aprimorou. Em 1880, o Dr. Jigoro Kano, fez uma síntese das técnicas existentes nos diversos estilos praticados no Japão até então, criando duas categorias novas de luta: uma centrada em técnicas de queda e imobilização, que deu origem ao judô olímpico de hoje; e outra categoria que foi baseada em técnicas de golpear com mãos e pés, e combinação de agarramentos e chaves para imobilização, com ênfase na defesa pessoal, que permaneceu com a nomenclatura de Jiu-Jitsu (TEGNER, 1996). Na época da I Guerra Mundial, o jiu-jitsu foi introduzido no Brasil, pelo conde japonês Maeda Koma, acolhido em Belém do Pará pelo brasileiro Gastão Gracie. Os ensinamentos da 38

Acadêmico do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC. Acadêmica do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC. 40 Professor do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC, orientador de trabalho de conclusão de curso. 39

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arte marcial foram passados ao filho de Gastão, Carlos Gracie. A partir daí, o jiu-jitsu foi sendo desenvolvido e adaptado, com ênfase nas técnicas de luta no solo, agarramento, imobilização e chaves com movimentos em alavanca, sem o uso de golpes diretos com mãos, pés, ou outras partes do corpo. Este novo estilo foi, inicialmente, difundido pelas lições dos faixas-preta da família Gracie, e a seguir pelos novos graduados, tanto nacional como internacionalmente. Hoje, o jiu-jitsu brasileiro é praticado por cerca de 350.000 atletas do país (GURGEL, 2000). Uma metáfora a qual muitos praticantes recorrem para definir o jiu-jitsu é o do jogo de xadrez, pois trata-se mais precisamente a uma tática que evita o gasto de energia intenso e ataca moderamente, aproveitando a fraqueza dos oponentes (CECCHETTO, 2004 apud SILVA, 2006). É praticado em pé e no chão e para a melhor execução dos golpes com o fim de aumentar os coeficientes de atrito, os atletas usam uma vestimenta especial chamada de Kimono, amarrada por uma faixa ao nível da cintura pélvica e os pés nus. A luta é disputada em uma área denominada tatame. (ASSIS et al. 2005). Em relação às técnicas adotadas, Ide & Padilha (2006), subdivide-as em: projeções, imobilizações, pinçamentos, chaves, torções e estrangulamentos. Em relação a lesões no esporte, segundo estudo apontado por Meneses (1983), os atletas estão sujeitos a lesões em qualquer fase, tanto de treinamento quanto de competição as quais dependem diretamente de fatores predisponentes, que podem ser tanto intrínsecos (instalações esportivas, tipos de calçados, proteção corpórea, condições do tempo, objetos do esporte e doping) quanto extrínsecos (vida diária, escolha do esporte ideal, inaptidão para o esporte, deficiências esportivas). Segundo Gould (1993), além da natureza inerente do esporte, são as demandas de movimentos de habilidades que influenciam as chances de lesão. Em esportes de menor contato como o tênis, ginástica, natação e corrida, os fatores determinantes de lesão são consideravelmente diferentes. Entretanto, uma vez que estes esportes provocam contato limitado, não deve ser sugerido que sejam mais seguros do que os esportes de contato. De fato, os esportes de não contato que enfatizam a repetição, como a natação ou corrida, podem demonstrar maiores índices de lesão relacionada ao superuso. Em estudo realizado por Ejnisman et al (2001), encontrou-se associação estatisticamente significante entre esporte de contato e mecanismo da lesão. A proporção de casos de lesão traumática nos atletas que praticam esporte de contato (56,1%) mostrou-se significantemente maior do que a encontrada entre os praticantes de esportes de não-contato Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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(33,9%). O inverso também vale, isto é, a proporção de casos de lesão atraumática nos atletas que praticam esporte de contato (43,9%) mostrou-se significantemente menor do que a encontrada entre os praticantes de esportes de não-contato (66,1%). De acordo com o mesmo autor, os esportes mais afetados foram: o vôlei, com 14 atletas, seguido da natação, com 13, jiu-jítsu, com 11; e musculação, com 10. Na divisão por categorias, os esportes envolvidos com artes marciais (judô, jiu-jítsu, caratê, taekwon-do) estavam em primeiro lugar, com 29 (24,3%) atletas, seguidos dos esportes de quadra (basquete, vôlei, handebol), com 26 (21,8%) atletas. Para Barbosa et al (2004), as atividades físicas que exijam esforço contínuo devem ser dosadas criteriosamente, pois o potencial de aparecimento de lesões por excesso físico é certamente maior do que nossa experiência como profissional de saúde. Carazatto, Cabrita e Castropil (1996) em estudo sobre a prática do judô de alto nível, verificaram que quanto maior o nível de competição, maior é o número de lesões. Essa relação pode ocorrer devido à maior intensidade de treinamentos para manter o nível. Oliveira (2004) apud Oliveira (2006), relata que devido à grande competitividade dos atletas de jiujitsu, presente mesmo fora dos campeonatos, são freqüentes as lesões que acometem os lutadores, acarretando na interrupção dos treinamentos e prejuízo à performance do atleta, que precisa se submeter ao tratamento fisioterapêutico. De acordo com estudo apontado por Meneses (1983), as lesões esportivas são classificadas em lesões típicas e atípicas. As lesões típicas são aquelas mais freqüentes na prática esportiva, isto é, mais comum a cada modalidade esportiva e as lesões atípicas são acidentais, isto é, lesões que não são comuns a determinada modalidade esportiva ou que dificilmente ocorrem no esporte. Segundo Arena e Marcini (2003) apud Arena e Carazzato (2007), a incidência de determinadas lesões esportivas em jovens, pode variar como decorrência de uma série de fatores, tais como o tipo de esporte praticado, o tempo da prática esportiva e o nível de competição do atleta (estadual, nacional e internacional). A ocorrência de lesões típicas do esporte é comum em todo programa de treinamento esportivo. A combinação de diferentes fatores, como a organização esportiva, o treinamento técnico, o sistema de competições e a falta de estrutura médica adequada, pode favorecer riscos para a saúde dos jovens envolvidos. Meneses (1983), relata em seu estudo que na prática esportiva as lesões ocorrem em duas fases distintas, fase de treinamento ou fase de competição. Na fase treinamento todo atleta está sujeito a lesões típicas e atípicas, ocorrendo, entretanto, com menor intensidade e gravidade do que na fase de competição, devido à ausência do fator agonístico. Já na fase de Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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competição devido a necessidade de auto-afirmação, o desejo de suplantar marcas ou a vontade de vencer adversários, faz com que as lesões atípicas e principalmente típicas, ocorram com maior freqüência e gravidade do que na fase de treinamento. Tão importante como a lesão propriamente dita é a base científica para o reconhecimento das lesões mais incidentes nas modalidades esportivas, para que sejam corretamente aplicadas medidas de controle, tratamento e prevenção. (COHEN 2003 apud CARVALHO et al. 2009). Diante do exposto, tendo em vista que o jiu-jitsu apresenta mais de 80 anos de existência no Brasil (GURGEL 2000), ainda sim possui poucas literaturas publicadas que aborda a prevalência e incidência de lesões, bem como o segmento anatômico mais acometido, ambiente de ocorrência, golpe aplicado no momento da lesão, relação tempo de prática, graduação e peso na interferência ou não dessas lesões. Para tanto, este estudo se propõe a verificar as variáveis acima, buscando com os resultados obtidos contribuir com futuros trabalhos focados nas necessidades reais desses atletas.

2. METODOLOGIA 2.1. Tipo de estudo Foi realizado estudo transversal e quantitativo.

2.2. Local da pesquisa A pesquisa foi realizada no Ginásio Internacional de esporte da cidade de Catalão-GO no dia 29 de agosto de 2010.

2.3. População e amostra

Foram avaliados 61 atletas de jiu-jitsu, sendo 58 do sexo masculino e 3 do sexo feminino participantes do campeonato realizado na cidade de Catalão-GO, no mês de agosto de 2010. Os atletas participantes do campeonato foram de Catalão e de várias cidades, dentre elas: Caldas Novas, Anápolis, Goiânia, Brasília, Uberlândia, Araxá, Araguari, Pires do Rio, Itumbiara, Paracatu, Unaí, Cristalina e Uberaba.

2.4. Aspectos éticos

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Todos os procedimentos da pesquisa foram realizados de acordo com as Normas de Pesquisa Envolvendo Seres Humanos (Res. CNS 196/96) do Conselho Nacional de Saúde, respeitando as normas éticas e os direitos dos pacientes. Os dados foram coletados com o consentimento dos pacientes após assinatura de um termo de consentimento livre e esclarecido, onde os mesmos receberam informações sobre a importância do estudo e sobre os procedimentos a serem realizados, garantindo-lhes a privacidade das informações pessoais colhidas.

2.5. Critérios de inclusão e exclusão

Foram incluídos na pesquisa atletas praticantes de Jiu-Jitsu participantes do campeonato realizado na cidade de Catalão-GO em agosto de 2010, que tinham no mínimo seis meses de experiência e se encontravam na faixa etária de > 18 anos e < 40 anos, podendo ser de ambos os sexos. Os critérios de exclusão foram os atletas que não fossem participantes do campeonato Catalão Open de Jiu-jitsu, que apresentem faixa etária menor que 18 anos e maior que 40 anos e que tenham menos de seis meses de treinamento.

2.6. Coleta e armazenamento dos dados.

Realizamos para coleta de dados aplicação de questionário semi-estruturado composto por 8 questões, que constavam os dados pessoais do atleta, tempo de prática, graduação que se encontra, se possui alguma lesão decorrente do jiu-jitsu, diagnóstico clínico da lesão, ambiente de ocorrência se treinamento diário ou campeonato, golpe aplicado no momento da lesão, segmento anatômico lesionado, situação que o atleta se encontrava no momento da lesão e qual o peso e graduação do seu oponente. Os dados foram armazenados em planilhas do programa Microsoft Excel® em que foram analisados segundo informações dos atletas.

2.7. Tabulações de dados e análise estatística

Os dados foram armazenados no programa Microsoft Excel 2003, também utilizado para a confecção dos gráficos. Para análise estatística dos dados foi estabelecido um nível de significância de 95%, ou seja, p<0,05. Após análise dos dados, realizamos o teste de Análise Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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de Variância para medidas repetidas (ANOVA para medidas repetidas) para descrever o comportamento das variáveis.

3. RESULTADO

Gráfico 1: Distribuição percentual do tempo de prática do jiu-jitsu.

O gráfico 1 demonstra que a maioria dos atletas (52,46%) pesquisados possuem tempo de prática entre 0 a 3 anos, 21,31% entre 4 a 7 anos, 11,48% entre 8 a 11 anos, 9,84% entre 12 a 15 anos, 1,64% entre 16 a 19 anos, 0,00% entre 20 a 23 anos, e 3,28% entre 24 a 27 anos.

Gráfico 2: Distribuição percentual da graduação que o atleta se encontra.

O gráfico 2 demonstra a graduação dos atletas onde em nossa amostra dividiremos em dois níveis, são eles: nível iniciantes abrangendo as faixas branca 22,95%, faixa amarela 6,56%, faixa verde 4,92%, e faixa azul com 32,79%, e nível avançado com as faixas roxa 9,84%, faixa marrom 8,20% e faixa preta com 14,75%.

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Gráfico 3: Distribuição percentual dos atletas com e sem lesão.

O gráfico 3, demonstra o percentual de lesão onde no nível iniciante os faixas brancas apresentaram lesão em 15,79% e 34,78% não apresentaram, os faixas amarelas apresentaram lesão em 7,89% e 4,35% não apresentaram, os faixas verdes apresentaram lesão em 5,26% e 4,35% não apresentaram, os faixas azuis apresentaram lesão em 26,32% e 43,48% não apresentaram, no nível avançado os faixa roxas apresentaram lesão em 13,16% e 4,35% não apresentaram, os faixas marrom apresentaram lesão em 10,53% e 4,35% não apresentaram, os faixas pretas apresentaram lesão em 21,05% e 4,35% não apresentaram. Gráfico 4: Distribuição do percentual do golpe aplicado no momento da lesão.

O gráfico 4 demonstra o percentual do golpe aplicado no momento da lesão em que a chave de articulação teve maior índice com 34,09%, seguido da raspagem e da projeção com 25,00%, outros com 13,64% e por último o estrangulamento com 2,27%.

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Gráfico 5: Distribuição percentual da lesão mais freqüente.

O gráfico 5 demonstra o percentual do tipo de lesão mais freqüente. No nível iniciante os faixas brancas, amarelas e verdes tiveram uma maior percentual em luxação com 31,58% e os faixas azuis em distensão muscular com 31,25%. No nível avançado a luxação predominou com mais freqüência sendo seu percentual na faixa roxa de 33,33%, faixa marrom com 40,00% e faixa preta com 31,58%. Gráfico 6: Distribuição percentual do segmento anatômico acometido.

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O gráfico 6, demonstra o percentual do segmento anatômico mais acometido por lesão sendo o joelho o mais acometido com 21,52% em seguida outros com 15,19%, ombro com 13,92%, dedos das mãos e pés com 11,39%, tornozelo com 7,59%, costela com 6,33%, punho com 3,80%, nariz, orelha e supercilho com 2,53% e clavícula com 1,27%. Gráfico 7: Distribuição percentual do ambiente de ocorrência da lesão.

O gráfico 7, demonstra o percentual do ambiente de ocorrência da lesão em que no nível iniciante os faixas branca, amarela e verde apresentaram 27,78% e os faixas azuis também apresentaram 27,78% das lesões no ambiente de treinamento diário, já no ambiente de campeonato os faixas branca, amarela e verde 8,33% das lesões e azul com 16,67%. Já no nível avançado a lesão em ambiente de treinamento diário foi, faixa roxa com 13,89%, marrom com 8,33% e preta com 22,22% e no ambiente de campeonato tivemos roxa com 8,33%, marrom com 16,67% e preta com 50,00% das lesões. Gráfico 8: Distribuição percentual do peso e graduação do oponente no momento da lesão.


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O gráfico 8, demonstra o percentual da influência do peso e da graduação no momento da lesão, onde o maior índice de lesão em relação ao peso ocorreu quando o atleta lutava com o oponente mais pesado 39,22%, seguido de um atleta do mesmo peso 23,53% e mais leve 1,96%. Agora em relação à graduação do oponente quando no momento da lesão, o maior índice de lesão se deu quando na luta com um atleta mais graduado 15,69%, seguido de atleta com mesma graduação e menos graduado 9,80%.

4. DISCUSSÃO

De acordo com o referencial teórico adotado um programa de treinamento mal elaborado e, ou mal vivenciado acarreta lesões seríssimas de efeito imediato ou retardado. O atleta pode vir a lesionar-se não só durante a fase de treinamento, como na fase de competição ou no futuro próximo em decorrência de um programa cujas atividades tenham sido incorretamente planejadas ou executadas. (MENESES, 1983) Podemos constatar em nosso trabalho com amostra de 61 atletas que o tempo de prática dos mesmos teve maior concentração no período de até 3 anos de prática. No presente trabalho também foram adotados critérios de graduação e tempo de treinamento para diferenciar os atletas em nível iniciante e avançado. Com relação à presença de lesão, dos 61 atletas, 38 disseram que apresentam lesão concentradas no grupo considerado como nível avançado, constatando que, quanto maior for a graduação e tempo de prática do atleta mais propicio a lesão ele estará, corroborando com o estudo de Carpeggiani (2004), sobre lesões no jiu-jitsu, que atletas que praticam a modalidade por tempo maior ou igual a três anos são mais acometidos por lesões que aqueles que praticam há menos de três anos e que entre atletas de nível de experiência diferentes, os de nível avançado lesam-se mais que os de nível iniciante, partindo do pressuposto que os atletas que treinam há mais tempo estariam mais expostos a traumas e lesões crônicas. O segmento anatômico mais acometido por lesões em atletas de jiu-jitsu segundo estudos realizados por Carpeggiani (2004), foi o joelho (27%), seguido do ombro (18%), região lombar (10%). Baffa & Barros Júnior (2002), em estudo sobre as principais lesões do jiu-jitsu, apontaram como local anatômico mais acometido o joelho (37,5 %), seguida do cotovelo, dedos e mão (16,6%) e ombro (15,3%). Segundo Júnior (2009), o local mais acometido foi também o joelho (35,08%), seguido de ombro (33,33%), dedo e mãos (8,77%) em atletas de jiu-jitsu das academias de Belém do Pará. Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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De acordo com estudo desenvolvido por Assis et al (2005), sobre avaliação isocinética de quadríceps em atletas praticantes de jiu-jitsu, dentre os atletas lesionados a maioria apresentavam lesão anterior no joelho (42,9%), seguido de lesão anterior de ombro (28,5%). Segundo o autor o joelho é uma articulação complexa que tem a flexão e extensão como movimentos principais e acessoriamente os movimentos de rotação interna e externa onde devido as suas variações anatômicas, múltiplas solicitações de impacto, de rotações e flexoextensões, impulsos, arranques e frenagens, transformam essa articulação suscetível a lesões em especial ligamentares. Os resultados desses estudos assemelham-se ao nosso que teve como região mais acometida o joelho (21,52%), pois há grandes solicitações dessa articulação para realização das técnicas do jiu-jitsu, tais como, as raspagens que o atleta de jiu-jítsu se encontra por baixo do adversário e através de determinada técnica procura desequilibrar o oponente para assumir a posição sobre o mesmo, empregando muitas vezes a extensão do joelho contra uma carga equivalente ao peso do lutador. Ainda, posições dos lutadores observadas em treinamentos e descritas em manuais práticos de jiu-jítsu (GURGEL 2000), poderiam estar relacionadas à maior frequência de lesões ocorridas sobre esta articulação, como o trauma direto sobre a face lateral do joelho causado por quedas quando os rolamentos são mal realizados, o trauma repetido da face frontal do joelho contra o solo quando o atleta se encontra sobre o oponente, assim como a hiperflexão da articulação do joelho pelo atleta quando se encontra na chamada guarda do adversário, as manobras de estrangulamento como o triângulo, que utilizam o joelho em flexão e rotação interna contra a força do oponente, e finalmente as chaves de perna sofridas pelo praticante de jiu-jítsu, que visam imobilizar e estender além da amplitude de movimento permitida. Em relação ao tipo de lesão mais acometida, observou-se em nosso estudo que a luxação teve maior incidência, semelhante ao estudo de Guedes (2009) sobre prevalência de lesões em atletas praticantes de jiu-jitsu, em que 76% da população em estudo sofreram algum tipo de lesão, sendo maior o índice em luxação (52%), seguida de entorse (21%) e fratura (21,1%). Em relação ao ambiente de ocorrência das lesões, nosso estudo aponta como principal local o ambiente de treinamento diário para o nível iniciante corroborando com o estudo de Carpeggiani (2004) onde a maior parte das lesões (85%) ocorre em ambiente nãocompetitivo. Em estudo sobre outra arte marcial muito semelhante ao jiu-jitsu, o judô, Barsottini et al (2006), observou que do total de casos pesquisados, 71% dos processos de Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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lesão acontecem em treino e apenas 29% ocorrem em competição, segundo ele devido ao número de treinamentos serem maiores que os de competição favorecendo assim esse índice. Já quando falamos das lesões ocorridas em ambiente de competição, nosso estudo aponta que, os atletas de nível avançado possuem maior índice. Esses dados se assemelham aos estudos de Baffa & Barros Júnior (2002) e Carazatto, Cabrita e Castropil (1996), que fizeram essa relação, e verificaram que quanto maior o nível de competição, maior é o número de lesões. Essa relação pode ocorrer devido a maior intensidade de treinamentos para manter o nível. De acordo com estudo realizado por Meneses (1983), é na fase de competição devido à necessidade de auto-afirmação, o desejo de suplantar marcas ou a vontade de vencer adversários, fazem com que as lesões atípicas e principalmente típicas, ocorram com maior frequência e gravidade do que na fase de treinamento No momento da lesão o golpe recebido foi uma chave de articulação (34,09%), em que o oponente se encontrava na maioria das situações em um nível maior de graduação (15,69%) e também mais pesado (39,22%). Em relação à graduação na influência da existência de lesão, o trabalho de Carpeggiani (2004), corrobora com nosso estudo em que houve diferença estatisticamente significativa na ocorrência de lesão entre atletas de nível de experiência diferente. Barsottini et al (2006), em estudo com praticantes de judô, também aponta semelhanças com nosso estudo onde 31% das lesões ocorreram com adversário mais graduado, 24% com adversário menos graduado e 39% com mesma graduação e em relação ao peso do adversário, as lesões aparecem 42% com adversário mais pesado, 31% com mesmo peso e 21% com adversário mais leve, assemelhando-se ao nosso estudo.

5. Conclusão

Em relação à incidência de lesões, os resultados demonstraram que o segmento anatômico mais acometido foi o joelho e a lesão mais comum foi a luxação, sendo o golpe recebido no momento da lesão uma chave de articulação, onde o adversário era mais pesado e mais graduado na maioria das situações. Os atletas de jiu-jitsu de nível iniciante sofreram um maior número de lesões na fase de treinamento e os atletas de nível avançado sofreram maior número de lesões na fase de competição, e essas lesões tiveram em nosso estudo, total relação no que diz respeito ao tempo de prática e graduação do atleta, onde encontrou-se maior prevalência e incidência de lesões entre os atletas mais graduados e com maior tempo de prática. Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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Por meio desse levantamento abrem-se novos leques, para que surjam novas pesquisas que abordem a prevenção e tratamento das lesões mais comuns para esse tipo de esporte, visando à melhora do rendimento desses atletas, fazendo com que os mesmos tenham uma longa e saudável vida atlética.

6. Referência Bibliográfica ARENA S.S; CARAZZATO J. G. A relação entre o acompanhamento médico e a incidência de lesões esportivas em atletas jovens de São Paulo. Rev. Bras. Med. Esporte vol.13, n° 4, Jul/Agos, 2007. p. 217-221 ASSIS, M. M. V. de; GOMES, M. I. ; CARVALHO, E. M. S. Avaliação isocinética de quadríceps e isquios-tibiais nos atletas de jiu-jitsu. RBPS 2005; 18 (2): p. 85-89. BAFFA A. P; BARROS J. E. A. As principais lesões no jiu-jitsu. Fisioter. Bras. 2002;3: 377-81. BARBOSA, L; MUNIZ, W; VELLOSO, G. Lesões osteoarticulares e a prática desportiva em atletas jovens. Univ.Ci.Saúde, Brasília, jan/jun. 2004 v.2, p. 137-145. BARSOTTINI D; GUIMARÃES A. E; MORAIS P. R. Relações entre técnica em praticantes de judô. Rev Bras. Med. Esporte - vol 12, n°1 - jan/fev. 2006, p.56-60. CARAZZATO J. G; CABRITA H; CASTROPIL W. Repercussão no aparelho locomotor da prática do judô de alto nível: estudo epidemiológico. Rev Bras Ortop. 1996;12: 957-69. CARPEGGIANI J. C. Lesões no jiu-jitsu: estudo em 78 atletas. 2004. 36 p. Trabalho de conclusão de curso (graduação), Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2004. CARVALHO A. P; HANNA S.J; OHIRA M. M; KOCH H. REVITE L. R; PINTO R. X; CARDOSO D; NETO R. C. Prevalência de lesões no judô de alto rendimento. Rev. Bras. de Fisiologia do Exercício, vol.8, n°1, Jan/Mar, 2009. p.14-19. GOULD, J. A.. Fisioterapia em Ortopedia e Medicina do Esporte. Editora Manole, 1993,692 p. GUEDES, R. C. Prevalência de lesões de punho e mão em atletas praticantes de jiu-jitsu. 2009. 67 p. Trabalho de conclusão de curso (graduação), Universidade do Extremo Sul Catarinens. Criciúma, 2009. GURGEL, F. Manual do Jiu-jítsu - Básico. 1 ed. Rio de Janeiro: Axcel Books do Brasil; 2000. IDE B. N; PADILHA D. A. Possíveis lesões decorrentes da aplicação das técnicas do jiujitsu desportivo [online]. [citado 2006 Set 07]. Disponível em: URL: http://www.efdeportes.com.

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15. TRATAMENTO DAS DISFUNÇÕES DA ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR POR MEIO DA TÉCNICA DE DÍGITO PRESSÃO Iris André Martins Siqueira Barbosa41 Polion Elias da Silva42 Prof. Kleyder Aurélio Fleury Silva43 RESUMO Doenças e disfunções na articulação temporomandibular (ATM) afetam grande número de pessoas, mais de 20% da população. Essa articulação realiza movimentos complexos, tendo função na mastigação, deglutição e fonação. Os distúrbios tempormandibulares (DTM), são definidos como um conjunto de manifestações clínicas de má função mandibular, associadas ou não á dor, que são geradas por agentes agressores à integridade da ATM, tendo etiologia multifatorial. A proposta de tratamento inclui os recursos terapêuticos manuais, que podem ser descritos como uma massagem profunda, que ajuda a mobilizar tecidos, aumentando o fluxo sanguíneo na área e eliminando os pontos dolorosos. O estudo teve como objetivo geral, analisar a eficiência da técnica de dígito pressão no tratamento das DTM. A metodologia do trabalho foi por estudo de caso, sendo realizado na clínica escola de fisioterapia da Faculdade de Ensino Superior de Catalão. O critério de inclusão foi apresentação de dor, crepitação, diminuição da ADM e não ter usado aparelho ortodôntico. Foi realizada uma avaliação com os índices de Helkimo, Fonseca e questionário de triagem, onde a paciente apresentou sintomas referentes à DTM. O tratamento consistiu em 10 sessões utilizando a técnica “Dígito Pressão”. Os resultados obtidos foram positivos no sentido de diminuição do quadro álgico e funcionalidade. Palavras chave: Disfunção Temporomandibular, Terapia Manual, Pontos Gatilho.

1. INTRODUÇÃO De

acordo

com

Hertling

(2009),

doenças

e

disfunções

na

articulação

temporomandibular (ATM) e estruturas adjacentes afetam grande número de pessoas, mais de 20% da população em um ou outro momento exibe sintomas relacionados à ATM. Sobre a ATM, Menezes et al. (2008), classifica a mesma como parte do sistema estomatognático, capaz de realizar movimentos complexos. A função e a estabilidade dessa articulação regem a mastigação, deglutição, fonação e a própria postura mandibular. Segundo Moreno et al. (2009), a Disfunção Temporomandibular (DTM) pode ser definida como um conjunto de manifestações clínicas de má função mandibular, associadas

41

Acadêmico do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC. Acadêmico do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC. 43 Professor e supervisor de Estágio Supervisionado do Curso de Fisioterapia do Centro de Ensino Superior de Catalão – Faculdade CESUC, orientador do trabalho de conclusão de curso. 42

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ou não à dor, que são geradas por agentes agressores à integridade morfológica ou funcional do Sistema Temporomandibular. Nesse sentido Biasotto-Gonzalez (2005), relata que existe uma estreita relação entre disfunção muscular e dor, tratando-se de uma desordem geralmente relacionada ao estresse que induz ao aumento do tônus muscular. Fato esse associado a hábitos parafuncionais, que resulta em fadiga e espasmo gerando dor. Considera-se como hábitos parafuncionais, mascar chicletes, roer unhas, morder canetas, bruxismo e apertamento dos dentes. Steenks e Wijer (2005) confirmam que a etiologia das (DTM) tem origem multifatorial, não existindo um fator etiológico único que possa ser responsabilizado pela disfunção. Isso é confirmado pela sintomatologia clínica, pois as mesmas abrangem importantes elementos funcionais, anatômicos e psicossociais. Pelo exposto, Moreno (2009), afirma que exercícios terapêuticos têm sido muito empregados na reabilitação e prevenção da DTM, com o objetivo de aliviar a dor e melhorar a função. O autor justifica ainda que existam estudos conclusivos sobre a aplicação de exercícios terapêuticos, associados à terapia manual, justificando que esses procedimentos parecem ser úteis nos casos de deslocamento anterior do disco com redução da síndrome dolorosa miofascial e DTM miogênica. Visto que as desordens musculares fazem parte das DTM, constata-se que o tratamento fisioterapeutico, favorece não só o alivio da sintomatologia do paciente, mas também busca restabelecer a função normal do aparelho mastigatório (BIASOTTOGONZALEZ, 2005). Biasotto-Gonzalez (2005), conclui ainda que a proposta de tratamento para DTM dispõe de vários recursos, dentre eles a cinesioterapia e os recursos manuais, que podem ser definidos como “exame ou tratamento pelas mãos”, inclui-se nessa definição a manipulação e a mobilização articular, associados a uma massagem profunda podendo ajudar a mobilizar tecidos aumentando o fluxo sanguíneo na área e eliminando os pontos gatilhos. Que ponde ser considerado, como um ponto, localizado num músculo, que se apresenta tenso e muito irritável, visto que o conjunto ou manobras realizadas com as mãos sobre os tecidos moles do organismo tem objetivos curativos, profiláticos e / ou revigorantes. Portanto, essa pesquisa fundamenta-se pelo expressivo número de pacientes portadores de DTM, tornando obrigatório um conhecimento adequado sobre a alteração, bem como estudos mais abrangentes com novas possibilidades de tratamento e que possam servir como fonte de pesquisa para os profissionais da área. Tendo como objetivo geral, analisar a

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eficiência da técnica de digito pressão no tratamento das DTM, assim como identificar o grau das disfunções temporomandibular.

2. METODOLOGIA 2.1 Sujeito

O tipo de estudo realizado caracterizou-se como, estudo de caso, que foi realizado com a paciente, R.R.C.O, com idade de 28 anos, do sexo feminino, que apresentou sintomas referentes à DTM. Nos critérios de avaliação, entre os quais utilizamos: Índice de Helkimo, Índice de Fonseca, Escala Analógica Visual e Questionário de Triagem. A Pesquisa poderia ser interrompida caso houvesse desistência ou falta da paciente, falta de material e não disponibilidade de local para atendimento. A pesquisa foi realizada na clinica escola de fisioterapia da Faculdade de Ensino Superior de Catalão-CESUC. A paciente foi previamente informada sobre o tipo de tratamento a que foi submetida, bem como todos os procedimentos realizados durante o mesmo, o número de sessões e sua provável duração, variando em media de 25 a 45 minutos, foram esclarecidos também todos os possíveis riscos e benefícios. Para isso a paciente assinou o termo de consentimento livre e esclarecido, onde a mesma se declarou ciente de todos os riscos e benefícios que foi submetida no tratamento. Termo esse que isentou a paciente de qualquer custo gerado pela pesquisa, ao mesmo tempo em que declarou a paciente livre para abandonar o tratamento quando julgasse necessário. - Critérios de inclusão; A paciente apresentou dor, crepitação, diminuição da ADM de acordo com o questionário de triagem recomendado para DTM segundo Academia Americana de Dor Orofacial. Apresentou também presença de mordida cruzada, bruxismo, idade acima de 18 anos e abaixo de 40 anos e que nunca usou aparelho ortodônticos. - Critério de exclusão: Todos os pacientes que apresentaram idade acima de 40 anos e abaixo de 18 anos, que usam ou já tenham usado aparelhos ortodônticos. Foram excluídos também, aqueles que usam algum tipo de medicação para alivio de dor ou que não apresentaram dor, crepitação ou diminuição da ADM.

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2.2 Procedimentos As sessões tiveram inicio com a aplicação da escala analógica de dor no inicio e no fim de cada sessão, e a aplicação do Índice de Helkimo e Fonseca na primeira e na ultima sessão do tratamento. - Escala visual analógica: e um modelo de régua graduado de 0 a 10 onde a paciente classificou o nível de dor que ela apresentou durante cada sessão. Foi um instrumento importante para verificarmos a evolução do paciente durante o tratamento e mesmo a cada atendimento, de maneira mais fidedigna. - Índice de Helkimo: usado como instrumento para mensurar a severidade da DTM, que tem por objetivo classificar a voluntária em categorias de severidade de sinais clínicos de DTM. É subdividido em cinco itens: limitação na amplitude de movimento mandibular, limitação na função da ATM, dor muscular, dor na ATM e dor no movimento mandibular. Para cada item são possíveis três pontuações, dependendo da avaliação clínica, o índice varia de: 0, 1 e 5. Ao final, a somatória das pontuações de cada item permite classificar a voluntária em quatro categorias: sem sintomas de DTM (0 ponto), sintomas leves (1 a 4 pontos), moderados (5 a 9 pontos) e severos (10 a 25 pontos). - Índice de Fonseca: Caracteriza a severidade dos sintomas de DTM. Para cada uma das questões do questionário de Fonseca são possíveis três respostas (sim, não e às vezes) para as quais são preestabelecidas três pontuações (10, 0 e 5, respectivamente). Com a somatória dos pontos atribuídos obtém-se um índice que permite classificar os voluntários em categorias de severidade de sintomas: sem DTM (0 a 15 pontos), DTM leve (20 a 45 pontos), DTM moderada (50 a 65) e DTM severa (70 a 100 pontos). Assim o tratamento propriamente dito se iniciou com a terapia “digito pressão”, onde o fisioterapeuta utilizou os dedos indicadores ou polegares, pressionando os pontos dolorosos até a sedação dos mesmos. Os músculos tratados foram: músculo temporal, músculo bucinador, músculo pterigóide medial, músculo pterigóide lateral, músculo masseter, identificados na avaliação. Foram realizadas 10 sessões consecutivas, com exceção ao sábado e domingo sendo que as sessões não tiveram tempo pré-determinado, variando de 25 a 45 minutos visto que a paciente apresentou uma variação de tempo para se alcançar a sedação de cada ponto doloroso. O método foi aplicado com a paciente deitada em decúbito dorsal, com o fisioterapeuta posicionado de pé ou sentando atrás da cabeceira da maca.

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Os pontos aplicados na musculatura do pterigóide e bucinador foram acessados de forma intra-oral utilizando-se da mesma técnica dos pontos externos, porém o fisioterapeuta utilizou luvas de látex descartáveis.

3. RESULTADOS Após analise dos resultados dos índices (Helkimo e Fonseca) aplicados no início e no final do tratamento, foi constatado que a paciente apresentou no primeiro índice uma classificação de DTM severa, e no segundo DTM moderada. Após o término do tratamento, que consistiu na aplicação de 10 sessões da técnica “Dígito Pressão”, observou-se no primeiro índice uma regressão do quadro severo para moderado, e no segundo de moderado para leve. A análise da escala visual analógica, aplicada no início e no final de todas as sessões, demonstrou que a paciente apresentava um nível de dor moderado, que não regrediu apenas na primeira (1) sessão, as demais (9) apresentaram regressão do quadro, de moderado para leve. Podendo ser representado na seguinte tabela.

Assim, os resultados obtidos por meio do tratamento utilizando a técnica “Digito Pressão”, mostraram-se positivos no sentido de diminuição significativa do quadro álgico apresentado inicialmente pela paciente.

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3.1 Discussão O presente trabalho buscou confirmar a eficácia do método “Digito Pressão” como aliado definitivo para o tratamento das DTM. Concordando com essa afirmação, Andrade e Frare (2008), relatam que a terapia manual tem sua eficácia baseada na eliminação das tensões nos tecidos moles, pontos gatilhos e estados de defesa muscular, recorrendo a movimentos de baixa intensidade que aplicados sobre a área, agem sobre o sistema sensorial através dos órgãos tendinosos de Golgi. Contribuído nessa discussão, Vilarta et al. 2007, confirmam que a massoterapia é um recurso manual muito empregado nas DTM, por meio das terapias de pontos gatilhos, tendo nesse método um importante recurso a ser utilizado para tratar a disfunção. O primeiro índice aplicado, o “Índice de Helkimo”, foi o pioneiro no desenvolvimento de índices para mensurar a severidade das desordens temporomandibulares, bem como as dores desse sistema, pois foi a partir dos trabalhos de helkimo que pode se observar a prevalência e o grau de severidade das DTM, individualmente e na população em geral, por meio de um índice anamenético e clínico, em que se pode notar uma maior padronização dos estudos em relação aos anteriormente realizados (Almeida et al. 2005). A avaliação de Helkimo abrange: índice de amplitude de movimento; dor ao movimento da mandíbula; dor na ATM; alterações na função da ATM; dor muscular.

Para

cada item são possíveis três pontuações, o índice varia de: 0, 1 e 5, a somatória no início do tratamento foi de 10 pontos classificando a paciente com disfunção severa, no índice de disfunção 3 com intervalo de 10-13. No final do tratamento onde novamente foi aplicado o índice, a paciente apresentou uma melhora, com a somatória de 5 pontos classificando a paciente com disfunção moderada, no índice de disfunção 2 com intervalo de 5-9. Segundo Chaves (2007), o índice Fonseca tem sido utilizado em vários estudos devido sua simplicidade, favorecendo o estudo das epidemiologias populacionais. Portanto o “Índice de Fonseca” foi inserido na pesquisa por ser um dos poucos instrumentos disponíveis em língua portuguesa para caracterizar a severidade dos sintomas da DTM. Para cada uma das questões do índice são possíveis três respostas (sim, não e às vezes) para as quais são preestabelecidas três pontuações (10, 0 e 5, respectivamente). A somatória dos pontos no início do tratamento foi de 70 classificando a paciente com grau de acometimento, DTM moderada no índice anamnésico 70-100. No final do tratamento foi novamente aplicado o índice, onde a paciente apresentou melhora, com a somatória de 45

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pontos, classificando a paciente com grau de acometimento de DTM

leve no índice

anamnésico 45-65. Para verificarmos a evolução da paciente durante o tratamento e mesmo a cada atendimento de maneira mais fidedigna utilizamos a Escala Visual Analógica, um modelo de régua graduado de 0 a 10, onde a paciente visualiza de 0 a 2 nível leve, 3 a 7 nível moderado, 8 a 10 nível intenso, onde a própria paciente classifica o nível de dor referido. A Escala Visual Analógica (EVA) foi aplicada em todas as sessões no início e no final, sendo que o tratamento foi dividido em 10 sessões, onde na 1°sessão a paciente apresentou no início classificação de dor quatro (4) para moderada e no final três (3), também classificando como moderada. Porém, com a evolução do tratamento, na 10° sessão a paciente apresentou, no início zero (0), classificando a dor como leve, e o final zero (0) também leve, confirmando assim a efetividade do método na sedação dos pontos dolorosos.

4. Conclusão O tratamento da Disfunção Temporomandibular (DTM) por meio da técnica “Dígito Pressão”, após 10 sessões apresentou resultados positivos, como a diminuição da sintomatologia dolorosa da Articulação Temporomandibular (ATM), e regressão das severidades após nova avaliação por meio dos índices, confirmando assim a técnica como método de tratamento eficaz para DTM. Corroborando essa tese o índice de Helkimo apresentou o seguinte resultado: classificação inicial de DTM moderada e final de DTM leve. No índice de Fonseca a classificação inicial foi de severa com uma regressão do quadro final para moderada. A escala visual analógica confirma também apresentando resultados favoráveis, principalmente quanto á diminuição do quadro álgico, onde se observa no início do tratamento uma graduação de quatro (4) pontos, classificando a dor como moderada, e no final do tratamento observou-se uma pontuação igual a zero (0), classificando o quadro de dor como leve.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA R. A. C., VASCONCELOS B. C. E., CUNHA S. C., NOGUEIRA R. V. B., DUARTE A. P., Índices de Helkimo e Crâniomandibular para diagnostico de desordens Revista Eletrônica “Saúde CESUC” - Centro de Ensino Superior de Catalão, Ano I, Nº 01 - 2010


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