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FUNDOS DE PRIVATE EQUITY

COMO AGENTES DE FINANCIAMENTO PARA EMPRESAS NO BRASIL


César Ricardo Leite

FUNDOS DE PRIVATE EQUITY

COMO AGENTES DE FINANCIAMENTO PARA EMPRESAS NO BRASIL


PARTE I 1. INTRODUÇÃO Os mecanismos de financiamento existentes tornam difícil o acesso das médias e pequenas empresas ao capital necessário ao seu desenvolvimento, penalizando seus empreendedores, diminuindo as ofertas de emprego, de competitividade no mercado interno, e aumentando a disputa nas importações/exportações. Este Livro trata de descrever uma nova alternativa para as empresas captarem financiamentos por meio de fundos de capital de risco e Private Equity, constituídos por investidores nacionais e estrangeiros. Salienta-se que, nos EUA e na Europa, a experiência e o sucesso alcançados pelas empresas de capital de risco ao investirem em outras de pequeno e médio porte, em geral inovadoras e com grande possibilidade de crescimento, vem garantindo altos retornos para seus investidores e um ótimo desenvolvimento às empresas que receberam o investimento. Outro ponto a ser abordado neste livro, é a forma como a empresa de capital de risco e private equity, fornecedora do investimento, deverá participar acionária e administrativamente na empresa financiada, proporcionando e oferecendo um conjunto de ferramentas de gestão, para criar as condições necessárias para a obtenção da rentabilidade e dos retornos esperados, que facilitará, futuramente, a venda/saída de sua participação acionária, bem mais valorizada, face à liquidez futura de suas ações proporcionada pelo financiamento realizado.


Tratará de mostrar também o crescimento dos fundos de private equity nos últimos anos no Brasil e quais são as perspectivas futuras para investidores e empresários que necessitam alavancar suas atividades. Assim, o método de pesquisa utilizado para a elaboração deste livro, baseia-se em um estudo exploratório sobre a aplicação deste sistema de financiamento em empresas no país, com abordagem qualitativa, apresentando uma nova proposta de financiamento para as empresas, em que se justificará conceitualmente que esta forma de captação de recursos pode ser viável, possibilitando, dessa forma, uma maximização dos resultados esperados. Vale salientar ainda que serão apresentados estudos de caso de empresas que utilizaram desta modalidade de financiamento, material coletado por meio da realização de entrevistas com executivos destas empresas, conforme roteiro apresentado no Anexo 4. Deste modo, constará nesta obra (i) estudo e questionamento dos conceitos; (ii) exemplos e modelos encontrados, na revisão de literatura (Capítulo 2), por meio de pesquisa bibliográfica; e (iii) proposta teórica para a introdução da nova forma apresentada de financiamento de risco, eis que há uma necessidade eminente de capitais que possam entrar na economia com a função de garantir a sobrevivência das indústrias e também de poder proporcionar o surgimento de outras em nosso país. Por isso, o autor deste livro, conforme já descrito, e principalmente por sua preocupação com o sistema vigente de financiamento às empresas, busca mostrar mais uma alternativa para que as estas consigam obter condições financeiras


adequadas Ă sua sobrevivĂŞncia e prosperidade, razĂŁo pela qual decidiu, o autor, escolher este assunto para escrever este livro.


1.Primeiros Passos CONCEITOS A primeira parte deste trabalho deverá mostrar, por meio de ampla revisão de literatura, as principais definições de capital de risco e private equity. a.DEFINIÇÃO DE CAPITAL DE RISCO De acordo com Fulano de Santos, Capital de Risco (CR) é “uma atividade de participação no capital de uma empresa, geralmente nova, acentuando o aspecto mais dinâmico, arriscado e aventureiro do investimento realizado” (1987, pp. 28 e 29). O termo capital de risco advém de “capital risque” que é a tradução francesa para a expressão “venture capital”, de origem anglo-saxônica, a qual possui o mesmo sentido e representa o mesmo fenômeno, e que por isso recebeu o mesmo significado também na maioria da literatura em língua portuguesa. Santos ressalta ainda, que o princípio do capital de risco está na seguinte proposição: “uma pequena ou média empresa (PME), detendo, em um certo momento, uma inovação ou vantagem tecnológica, pode, perfeitamente, se desenvolver e ter sucesso no mercado diante de empresas maiores ou grupos multinacionais” (1987, p. XX). Esta vantagem tecnológica temporária conquistada pela empresa não deve significar que esta não deva possuir um sistema de gerenciamento eficaz, mesmo porque, estes setores envolvidos com desenvolvimento e criação de produtos com base tecnológica tendem a serem alcançados rapidamente pela concorrência. A empresa,


portanto, deverá desenvolver-se também em seus aspectos de gestão organizacional para poder continuar no mercado a partir do diferencial obtido, transformando esta vantagem tecnológica em conquista do mercado e em lucros para os empreendedores. Já Fulano Montezano (1983, pp.11-15) nos mostra que as Pequenas e Médias Empresas (PMEs), no Brasil, têm grandes dificuldades de conseguir capital para suas necessidades por meio do sistema de financiamento interno e externo, disponíveis no Brasil. Isto deve-se ao fato de que estas empresas, de uma maneira geral, oferecem maiores riscos aos ofertantes de fundos, além de pequena oferta no mercado interno disponibilizado pelas instituições nacionais. Em um país em desenvolvimento, como o Brasil, o grau de restrições internas e externas de oferta de capital para as PMEs é maior se compararmos aos países desenvolvidos, pois o problema de endividamento interno e externo obriga o Governo a praticar altas taxas de juros para atrair capital externo e absorve quase toda poupança interna. Reforça-se o fato de que o potencial das PMEs na geração de renda e de empregos é enorme e que essas imperfeições do mercado financeiro contribuem para a limitação do produto e do emprego potenciais na economia brasileira; motivos pelos quais o Governo deveria preocupar-se em desenvolver e garantir mecanismos eficazes de apoio e financiamento para tais. Nesse sentido, percebe-se que o universo representado pelas PMEs é bastante heterogêneo, subdividido em diversos segmentos distintos e com níveis de problemas financeiros qualitativamente diferentes, sendo necessário buscar novos


mecanismos e alternativas de financiamento, levando em conta esta diversificação para poder atender de maneira adequada o universo das PMEs. As inovações dos mecanismos financeiros podem canalizar-se por meio dos investimentos de capital de risco, que espera retornos associados a maiores riscos, aumentando assim, as perspectivas de financiamento e entrada de recursos para as PMEs. Considerando-se este enfoque, o investimento de risco sob o ponto de vista do mercado de capitais pode ser definido, segundo Montezano, como “aquele que é direcionado para setores cujas rentabilidades esperadas são superiores ao custo de oportunidade do capital, já devidamente considerados os riscos” (1983, p. XX). Para Fulano Gladstone (1988, p.3), antes de definir o que é capital de risco torna-se necessário entender o que não pode ser considerado como um investimento deste gênero; e, desse modo, cita, como exemplo, um empréstimo que é realizado a uma empresa por uma instituição financeira e/ou os investimentos realizados por uma empresa na compra de ações ou “bonds” na bolsa de valores de Nova York, ou, ainda, a compra e investimentos em ativos imobilizados, como prédios de apartamento e similares. Dessa forma, perguntaríamos: que tipos de investimentos, então, podem ser considerados como de capital de risco? O autor continua exemplificando: [é citação??] um investimento em que alguns amigos reúnem-se e apliquem seu capital para abrir um pequeno negócio pode ser considerado investimento de capital de risco. O dinheiro que se empresta a um irmão para que ele abra um novo tipo de loja, também pode ser considerado como investimento em capital de risco. Ao


comprar ações preferenciais de uma companhia privada que esteja começando a manufaturar um novo tipo de máquina está-se fazendo tradicionalmente um investimento de capital de risco em tecnologia avançada. Portanto, a partir das explanações apresentadas, o autor define capital de risco como “o dinheiro investido em uma empresa nova que mostre um potencial para o crescimento acelerado, caracterizado, também, por um risco elevado. Não importa como o investimento é estruturado, se é um investimento acionário que possa gerar ganhos importantes a longo prazo, ou um empréstimo de risco elevado que proporcione ao capitalista de risco uns 25 por cento de retorno ao seu investimento” (1988, p.XX). Um ponto importante para a discussão do tema deste livro, diz respeito às diferenças existentes entre uma instituição financeira tradicional e uma empresa de capital de risco. A principal entre as duas é o auxílio na gestão do negócio [uma tem e outra não?]. Pode-se encontrar o capitalista de risco muito mais envolvido no negócio em que investiu do que uma companhia financeira. Este [o capitalista ou a companhia] deverá rever frequentemente suas operações e fazer constantemente sugestões; é essencialmente, seu sócio temporário no negócio. Tentará fazer a empresa crescer e, assim, esta (essa)? será mais rentável e poderá garantir-lhe um retorno mais elevado. Portanto, quando uma PME apresenta uma proposta ou plano de negócio a uma empresa de capital de risco, não deve fazê-lo o com o pensamento de procurar somente o dinheiro necessário ao seu negócio, pois ao obtê-lo, estará adquirindo uma força adicional ao seu negócio para conseguir atingir os objetivos estabelecidos.


No primeiro “Seminário Internacional sobre Capital de Risco”, Fulano Gill define capital de risco como “o capital investido em empreendimentos que se deparem com risco maior do que o risco comercial normal, na expectativa de retornos acima da média” (1981, p.25). Classifica-se este tipo de investimento como um tipo de financiamento secundário em relação aos outros empréstimos realizados, que necessitam [refere-se ao investimento?] de garantias do tomado para que instituições, como bancos comerciais, possam realizar tais operações. Simplificadamente, a compra minoritária de ações de uma empresa seria a forma mais importante e flexível de se realizar uma operação chamada de financiamento de capital de risco, empréstimos não garantidos conversíveis em dívida e empréstimos cujos pagamentos estejam condicionados ao grau de sucesso da empresa ou empreendimento. Considera-se importante estabelecer certos pontos ou fatores-chave que afetam as operações de capital de risco, alertando, assim, os empreendedores. Para tal, baseamo-nos em experiências internacionais. Veja como os demais países tratam estas questões: • o Governo deve estabelecer condições legais, fiscais, monetárias e de regulamentação, necessárias ao funcionamento de um sistema de livre empresa; • compete ao setor privado a utilização e criação de novas oportunidades comerciais e industriais, pois isto deve fazer parte do trabalho do capitalista de risco; • a qualidade da administração dos negócios é mais importante do que o dinheiro para o sucesso de novos empreendimentos, também para as novas empresas de capital de risco;


• para que a administração seja bem sucedida, o papel de uma empresa de capital de risco é o de saber reagir às diversas situações, sendo suficientemente flexível, além de saber como motivar as pessoas e recompensá-las adequadamente face aos resultados obtidos; • as perspectivas de investimento devem ser analisadas criteriosamente para se avaliar a capacidade gerencial e a qualidade dos produtos e serviços da empresa que receberá o investimento, seus mercados e suas técnicas de produção e de marketing - que serão abordados mais adiante -, garantindo e assegurando o requisito de alto potencial de crescimento das operações de capital de risco bem sucedidas; • decidir corretamente sobre o momento de realizar o investimento para assegurar o respeito aos direitos do investidor de capital de risco na sua condição de minoritário, bem como, prever o momento adequado para a realização do desinvestimento, obtendo assim, os ganhos possíveis e preparar-se para investir em novos projetos. Ainda no primeiro “Seminário Internacional sobre Capital de Risco”, Fulano Pratt (1981, p.111) define o capital de risco como a participação de investidores que buscam adicionar valor por meio de um envolvimento contínuo e a longo prazo, com o desenvolvimento ininterrupto do negócio, e como atividade desenvolvida pelo capitalista de risco, financiando a abertura e expansão da atividade empresarial. Ao analisar uma oportunidade de investimento de capital de risco em uma empresa, o investidor precisa verificar se ela possui cinco fatores-chave para o desenvolvimento bem sucedido dos negócios: 1. Administração; 2. Administração; 3. Administração;


4. Nicho de mercado; 5. Produto e/ou serviço. Como apresentado enfaticamente, a empresa deve possuir fundamentalmente um bom corpo gerencial, capaz de identificar uma real necessidade de mercado e de identificar um produto e/ou serviço capaz de atender a esta necessidade, e mais, que tenha estruturado a empresa de conformidade com este mercado e este produto, tornando esta um empreendimento sólido. A empresa deve especificar com exatidão um determinado nicho de mercado, aquele que preferencialmente a concorrência não conseguiu ainda enxergar, estruturando e fazendo com que ele cresça natural e rapidamente, tornando-se futuramente atrativo para as grandes empresas, por meio de bons retornos. Percebe-se, portanto, que para um empresário sair para o mercado em busca de um financiamento, deve antes preocupar-se com seu corpo administrativo e com a qualidade de sua administração, itens necessários para a elaboração de uma proposta para captação de um financiamento (proposta de captação será explorada neste livro no item 2.2, parte 3). Indica-se que os produtos e/ou serviços oferecidos pela empresa devem possuir algumas características exclusivas (os chamados diferenciais competitivos), ou seja, devem ter produtos e/ou serviços que a concorrência não possua. Neste ponto é importante salientar que o capitalista de risco deve entender o funcionamento das patentes, de modo a garantir que estes diferenciais conseguidos não possam ser facilmente copiados pelos concorrentes. Deve-se ressaltar ainda que a


tecnologia é um fator muito importante para o desenvolvimento de um projeto, porque a inovação tecnológica é, na realidade, aquilo que abre e amplia os mercados; portanto não basta simplesmente alterações nos produtos; a tecnologia é considerada como fator-chave para levar a empresa a tornar-se bem sucedida.

Fundos private equity  

O Livro trata de capital de risco e como são formados os fundos de Private Equity, com a finalidade de financiar empresas para alavancar sua...

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