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leandro bassini Graduado em História pela Universidade de São Paulo (1988), Mestre em História Econômica pela Universidade de São Paulo (2000). Experiência de vinte e três anos no Ensino Superior como professor, gestor de curso e gestor institucional, assessoria pedagógica e vice-diretoria. Atualmente ocupa a vice-direção e a coordenação da pós-graduação da Faculdade Unida de Suzano (UniSuz), em São Paulo. A área de maior atividade profissional está relacionada à elaboração de projetos especiais e estratégicos no Ensino Superior como: educação à distância, responsabilidade social e inserção regional, inovação pedagógica com base na tecnologia da informação, criação e desenvolvimento de cursos e de ambientes virtuais de aprendizagem. Possui vasta experiência em assessoria pedagógica, especialmente relacionada a História da Educação, Metodologia de Ensino, Ensino Comportamental e estudos e projetos na área de bullying.

programa de combate à

ção a d i m i int ática sistem

BULLYing o que é, como prevenir LIVRO DA FAMÍLIA


© Leandro Bassini, 2012 Edição, preparação e revisão: RAF Editoria e Serviços Projeto gráfico, capa e editoração eletrônica: Nany Produções Gráficas Ilustrações: Marcos Guilherme/Estúdio Figuras

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Bassini, Leandro Bullying: o que é, como prevenir / Leandro Bassini. – São Paulo: Núcleo Edições, 2012. – (Projeto combate ao bullying) ISBN 978-85-67242-18-7 1. Bullying 2. Conflito interpessoal 3. Ensino fundamental 4. Violência na escola I. Título. II. Série. 12-06673

CDD-372.8 Índices para catálogo sistemático: 1. Bullying : Ensino fundamental 372.8

Todos os direitos reservados Núcleo Edições Ltda. (11) 2157-3687


Sumário Introdução..........................................................................................4 capítulo 1

A vida da gente e o bullying ...................................................12

Bullying: o que é... .......................................................................15

Contando para todo mundo... ..................................................21

capítulo 4

Não ouço nada, não vejo nada, não falo nada...! ...........29

capítulo 5

Cyber bullying ...............................................................................36

capítulo 6

O bullying fora de nossas vidas .............................................40

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capítulo 3

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capítulo 2


Introdução A geração de pais com mais de 40 anos e seus filhos têm encontrado muito mais do que o famoso “conflito de gerações” no cotidiano das relações. O que se assiste é a convivência, nada tranquila, de concepções de mundo e sociedade muito diferentes e com lógicas igualmente divergentes. A transição da Idade Média para a Idade Moderna, turbinada pelo Renascimento, talvez nos remeta a uma passagem histórica tão dramática quanto pelos meios de comunicação e pelas grandes redes de relações sociais, econômicas, culturais e políticas estabelecidas entre todas as pessoas do mundo. a lidar com os equipamentos eletrônicos, desde funções mais simples até as de comunicação que ganharam um status extremamente importante. Os pais e avós, normalmente, rendem-se à autoridade e competência tecnológica dos mais jovens – esse novo mundo chegando em nossas casas. Além disso, o espaço do lar perdeu o diálogo entre pais e filhos, avós e netos como algo que lhe era próprio. Principalmente, na atualidade, as casas possuem enormes janelas (comunicação facilitada pela tecnologia) conectadas com todo o planeta; conversamos com o mundo em nossas casas, mas não conversamos com quem está em nossa própria casa. O diálogo não necessariamente se faz com quem está em casa, aliás a tendência é justamente inversa. A criança e o jovem contemporâneos possuem uma gama muito grande de relacionamentos, inclusive no espaço privado do lar, responsável em última instância por sua formação. A ideia de que a educação vem de casa (dos pais, compartilhando atitudes, valores e ideias) pode ser revista, pois não há apenas um referencial – há inúmeros; não há apenas o diálogo no seio da família no espaço privado do lar – há novos e inúmeros agentes; não há apenas uma autoridade na condução e explicação do mundo – os papéis estão

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Em nossas casas, essa realidade chega implacável. Somos desafiados

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a que vivemos agora. E, ainda, temos o fator de aceleração provocado


invertidos em alguns aspectos (filhos guiando os pais e avós no novo mundo que se apresenta). Joseph Campbell, autor da obra O Poder do Mito, afirma que a sociedade contemporânea abandonou seus mitos primordiais. Não se contam mais histórias com uma narrativa heroica que dá sentido à própria existência. O papel dos pais e avós na reprodução dessas histórias não tem sido universo de adultos, jovens e crianças são mensagens e histórias instantâneas de jornais e televisões. O sentido da existência e o que fazer e por que fazer, inspirados na tradição, costumes e valores se esboroam e se constroem em uma reali-

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desempenhado, pois há uma alteração dos referenciais. O que permeia o

dade completamente mutante. O que sobressai é imediatismo e violência. O jovem busca, por si, o sentido de sua existência baseado na experiência imediata que possui. Nesse sentido, é o físico que se destaca como um fator importante de diferenciação entre os iguais: a cultura do corpo, a busca pelo corpo perfeito, pelo destaque social baseado no valor dos objetos que possui. As relações humanas cordiais, respeitosas, o esforço para a compreensão do outro, o aspecto anímico de nossa existência são deixados em segundo plano. Evidentemente, o egoísmo, a violência, o consumismo da sociedade atual não se explicam exclusivamente por essas questões, porém são fatores importantes para entendermos como nossa sociedade escolhe suas prioridades. Em casa, essas características são diluídas ou minimamente sentidas, pois acreditamos que a calma de nossos filhos ou seu isolamento no quarto é sinal de introversão ou de muitos afazeres. Na escola, pelo contrário, as características descritas se potencializam, pois é um lugar de encontro de jovens e do encontro de uma pluralidade muito grande de maneiras de ser e entender o mundo (não necessária e exclusivamente a descrita neste trabalho). Porém não é apenas um en-

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contro; a escola constitui-se em local privilegiado (para alguns alunos) de confrontos e de afirmação de uns sobre os outros. Se a escola não tiver uma proposta pedagógica e metodológica que consiga captar a essência do pensamento infantojuvenil e que proponha atividades que envolvam os alunos na construção do conhecimento, logo uma parte deles se sentirá mais atraída por oportunidades de provocação do outro, de comparações relacionadas aos aspectos físicos, de exercício de uma pseudoautoridade sobre alguém ou algum grupo. Ou seja, o que está potencialmente ativado, torna-se, de fato, ações de violência, de descaso e escárnio. Muitas palavras estrangeiras são introduzidas em nosso cotidiano. bulário e hoje já temos uma exata dimensão do que se trata e como podemos usá-las: delivery é a antiga “entrega em domicílio”; fast-food prato”; shopping é “hora de comprar ou de se divertir”. Uma palavra estrangeira, no entanto, vem ganhando destaque e espaço ultimamente: BULLYING. Talvez ainda não tenhamos a exata dimensão de seu sentido, mas sabemos de antemão que ela denuncia situações de opressão, violência, desespero, desrespeito e dor. Quando somos agredidos por alguém ou por um grupo de pessoas de forma insistente, contínua e nos sentimos fragilizados e sem recursos para nos defendermos de tal conduta, estamos sofrendo BULLYING. A palavra BULLYING é muito difícil de ser traduzida porque traz em si o sentido de uma ação de força exercida por alguém de forma insistente, com o objetivo de provocar o mal a outras pessoas (agressão, violência). Mas, independentemente dessa discussão, a palavra BULLYING tem sido usada para designar ações cometidas nas escolas, por alunos ou grupos de alunos sobre outros; no trabalho, entre os profissionais que ali estão; em casas de espetáculos ou diversão; em filas; enfim, em muitos e diferentes lugares. O que mais nos preocupa, neste trabalho, é o BULLYING no ambiente escolar e seu reflexo em nossas casas.

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é a antiga “comida rapidinha”; self-service é a antiga “faça seu próprio

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Nos últimos anos, algumas delas foram incorporadas ao nosso voca-


Um dos mais importantes papéis dos pais é compreender que a criança e o jovem precisam de orientação e cuidado. Essa história de dizer para um jovem que ele já é grande o suficiente para saber o que é certo e o que é errado é um engano. Precisamos saber dosar a conquista de autonomia pelos jovens e a necessidade de orientação e cuidado. Os limites do que se julga apropriado devem ser apontados e cobrados. O exemplo de conduta, de valores morais, de alteridade, de ação cidadã responsável deve ser fornecido pelos pais e pela família o tempo todo – a Educação nunca cessa. Passada a primeira década do século XXI, estamos envoltos em um ciedade. De um lado, a maioria que deseja usufruir, o mais intensamente possível, dos benefícios que a tecnologia e o desenvolvimento científico nos trouxeram, porém com uma atitude egoísta e consumista; e, de outro lado, um grupo já significativo de pessoas que buscam uma sociedade

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debate sobre a necessidade de mudarmos os caminhos de nossa so-

mais humana, mais justa, social e ambientalmente responsável que aceita as diferenças e busca uma cultura para a paz. Claro que não é uma relação entre o bem e o mal, tampouco há uma delimitação tão precisa e excludente entre os lados descritos. O importante é sabermos como podemos agir neste novo contexto, nesta nova sociedade e como podemos contribuir para que as crianças e os jovens consigam imprimir sentido a sua existência. A seguir, apresentamos algumas sugestões que podem contribuir para a construção e manutenção de relacionamentos em nossa casa com nossos filhos: • reserve um horário para conversar com eles sobre o que aconteceu no dia; • realize pelo menos uma refeição com toda a família ou com a maior parte dela; • faça as refeições em lugar apropriado, longe da televisão; • evite televisão nos quartos; • regre o uso da internet; • acompanhe a vida escolar de seus filhos;

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• indique leituras; • leve-os a lugares que talvez não fossem sozinhos: exposições, teatros, museus, parques; • converse sobre notícias atuais do Brasil e do mundo, ouça seus pontos de vista; • incentive a tomada de decisão e escolhas pessoais sobre os mais diversos assuntos e ações; • conheça os amigos de seus filhos; • exteriorize seus sentimentos e não tenha receio de demonstrar seu lado frágil;

• valorize cada conquista de seus filhos; • pratique ações de altruísmo espontâneas;

• preocupe-se em compreender o outro, posicionar-se no lugar de pessoas que possuam opiniões e ações divergentes de sua compreensão ou pensamento; • seja resiliente.

Não é só a família ou só a escola as responsáveis pela educação de nossas crianças. A família, sem dúvida, cumpre um papel de máxima importância na afirmação de valores morais e sociais, na vivência de relacionamentos pautados pelo cuidado e amor. A escola, além de proporcionar experiências de respeito ao outro, de aceitação das diferenças e de exercício democrático, avança no domínio de saberes científicos, artísticos e culturais necessários ao entendimento do conhecimento historicamente produzido pela sociedade e pela descoberta de novos caminhos para o desenvolvimento dessa mesma sociedade. A família e a escola não devem se sentir responsabilizadas exclusivamente pela educação. Toda a sociedade o é. Mas, sem dúvida, família e escola são os lados mais próximos e mais visíveis do ato educativo. Tam-

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• adote posturas socioambientais sustentáveis;

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• conte histórias de seus pais e de sua infância/adolescência;


bém são as duas instituições que precisam se unir para evitar e controlar os atos de agressão e violência que ocorrem diariamente nas escolas. Muitas crianças e jovens que, repentinamente, não querem mais ir à escola, têm seu comportamento alterado, apresentando-se mais introvertidos, temerosos, com dificuldades de dormir, sentindo suores e palpitações, podem estar sofrendo bullying no ambiente escolar. A violência e a agressão são mais comuns do que se pode imaginar. Normalmente, ocorrem na sala de aula, entre os próprios colegas. Não se tratam de pequenas crueldades como episódios esporádicos de brigas, xingamentos e pressão psicológica (que a maioria de nós já passou na provocar desequilíbrio, dor ou sofrimento em colegas que não possuem condições de defesa, quer por sua condição física ou psicológica. São ações que podem levar a processos de alteração do estado saúde-doença, inclusive com traumas, psicoses e ao extremo: suicídio ou homicídio.

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escola). Tratam-se de ações contínuas, insistentes, com o fim claro de

A família e a escola devem aperfeiçoar o diálogo que existe entre si, extrapolando o caráter meramente burocrático sobre o desenvolvimento cognitivo dos filhos e afiançar-se em debates sobre o projeto político-pedagógico da escola e sobre os objetivos humanos, solidários e cooperativos que pretende desenvolver. Segundo Ana Beatriz Barbosa da Silva, na obra Bullying: mentes perigosas nas escolas, além dessa atuação conjunta, a família pode ajudar no reconhecimento de bullying observando os seguintes sinais:

Quando autores de bullying, os jovens: • podem mostrar-se arrogantes e provocadores, inclusive em relação aos familiares; • procuram provar sua agilidade, domínio e superioridade diante de situações de difícil resolução; • podem guardar e carregar objetos e valores cuja origem não conseguem explicar; • apresentam-se com roupas rasgadas e amarrotadas ao chegar da escola;

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• estão mais predispostos a assumirem comportamentos de risco: uso de drogas, álcool, tabaco e envolver-se em brigas recorrentes.

Quando vítimas de bullying, os jovens: • podem apresentar modificações no seu padrão de rendimento escolar; • apresentam sintomas de mal-estar e/ou doenças para não ir à escola; • apresentam-se com humor instável – variações bruscas em pouco tempo;

• retornam para casa com materiais escolares sujos, rasgados ou quebrados; soas que podem lhes fazer mal.

Quando testemunhas de bullying, os jovens: • mantêm-se calados sobre o que sabem; • contam casos sobre o assunto, mas negam tratar-se de suas vivências; • justificam seus relatos indicando filmes, novelas, reportagens como fonte de seus conhecimentos.

A família deve ficar atenta em relação ao uso que seus filhos fazem da internet, pois as ações de bullying também ocorrem por esse meio de comunicação. Nick Hunter, em sua obra Cyber Bullying: Hot Topics, sugere algumas ações para auxiliar os jovens na rede: • ter responsabilidade e limites na forma e profundidade dos relacionamentos na rede mundial de computadores;

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• levam objetos escondidos na mochila para se defenderem de pes-

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• aparecem com hematomas e manchas inexplicáveis pelo corpo;


• não aceitar pessoas desconhecidas como amigos e, tampouco, compartilhar dados e arquivos pessoais; • nunca responder a mensagens de tom abusivo ou agressivo; • não abrir e-mails ou mensagens de pessoas que não conhecem; • adotar configurações de segurança para proteger o perfil no sites de relacionamento; • bloquear mensagens e remetentes indesejáveis ou mesmo trocar suas contas de e-mails; • contar para um adulto se o assédio moral se tornar um problema;

Vou contar uma história que ouvi de uma jovem sobre as várias dimensões de bullying. É uma história que envolve várias gerações em um

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• denunciar às autoridades policias, quando necessário.

só problema. Tomo a liberdade de criar situações sobre o relato que ouvi para tornar mais claras as causas e implicações do bullying na escola e sua repercussão na família. A história é ambientada em uma classe de Educação de Jovens e Adultos (EJA). As personagens são alunos com características e experiências muito parecidas com as de muitas pessoas que conhecemos, como a professora dedicada e aberta a opiniões e ao diálogo com a classe e a neta de uma das alunas que se correspondia com a avó por meio de cartas. O cenário está armado: pessoas de diferentes idades convivendo com um problema que hoje em dia ganha dimensões nunca imaginadas: BULLYING. Utilize essa história para conversar com sua família sobre esse fato social, que não é novo, mas ganha contornos cada vez mais dramáticos. Vamos à história!

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capítulo 1

A vida da gente e o bullying A professora chegou com as duas pernas à frente, de tão apressada que estava. Jogou os livros sobre a mesa e deu um grande suspiro. – Desculpe, turma! Fiquei presa no trânsito e me atrasei um pouco. O fim de tarde e o vaivém das pessoas trazia muitos problemas. Uns corriam para chegar logo em casa, outros para chegar em mais um trabalho, outros ainda para chegar à escola para entender (na escrita) o que já ensinam (na vida).

A professora completou: – Ela tinha um cachorro mágico. Transformava notícia ruim em notícia boa. Dona Herculana, uma mineirinha que fazia um prato feito (PF de bar) como ninguém, anunciou ao grupo: – Escolhi uma reportagem que, na época, já havia me chamado a atenção: o massacre de Realengo.

No dia 7 de abril de 2011, um jovem invadiu uma escola do bairro de Realengo, no Rio de Janeiro, e começou a atirar nas salas de aula – 12 mortos e muitos feridos. 12

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– Eu tinha uma professora – começou a contar dona Laura, de 42 anos de idade e muita experiência nas costas, ao ver aquele monte de notícias ruins – que recebia o jornal todo dia em sua casa. O cachorro dela era o primeiro a recepcionar o entregador. Se não se apressasse, o cachorro não só apanhava o jornal ainda no ar como o estraçalhava. Ela dizia que tinha um lado positivo na história. Ele rasgava tanto o jornal que as manchetes de uma página se confundiam com as das outras, então, às vezes, o que era trágico ficava, no mínimo, engraçado. A manchete da primeira página: “A corrupção no governo atinge o Senado”. A da terceira página: “A greve dos motoristas de ônibus acabou”. Com a sábia intervenção do cachorro, podia-se ler “A corrupção no governo [...] acabou”.

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– Separei algumas reportagens dos principais jornais. Dividam-se em grupos de quatro pessoas, escolham as reportagens, leiam em conjunto, marquem as palavras que não conhecem e, depois, cada grupo vai contar para os outros o que leu.


O grupo aceitou a sugestão (foi mais uma imposição do que sugestão) e começou a estudar o texto jornalístico. O drama das pessoas agredidas e os assassinatos tingiam de vermelho o texto do jornal. Não era para menos, pois casos assim ninguém esquece. Em determinado momento da reportagem, atribuía-se tal loucura à vida escolar e aos relacionamentos nada amistosos que Wellington mantinha. O autor da tragédia sentia-se humilhado e agredido por seus colegas de escola. Os alunos fizeram o que a professora havia determinado: leitura, seleção das palavras desconhecidas, compreensão do texto e, em roda, comentários sobre o teor da reportagem.

A professora Vera discutiu cada uma das notícias que os grupos destacaram. Dedicou mais tempo, porém, à reportagem descrita pelo grupo de Herculana. Ela perguntou se acreditavam que problemas mal resolvidos com os colegas de escola durante a infância e a adolescência poderiam gerar tamanha violência.

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Realmente, o caso chamou a atenção de todos, principalmente pela informação de que o autor dos disparos teria alguma mágoa profunda do tempo em que estudava.

Os alunos, em um misto de risada e apreensão, descreviam situações opostas: contavam histórias do tempo de criança, quando sofriam todo o tipo de chacota e nem por isso saíram atirando por aí, ou, em sentido inverso, mostravam-se horrorizados com a tragédia descrita na reportagem, lembrando-se de seus filhos na escola. – A reação depende de cada um. Depende de como sentimos as piadas, gozações e sopapos que levamos ao longo do tempo. Eu mesmo – relatou Ricardo – tenho 27 anos e voltei pra escola somente agora. Achava que não queria estudar mais, que era burro mesmo, mas no fundo, no fundo, o que eu não queria era ser humilhado pelos colegas de novo. Hoje estou mais maduro, sei que não é um apelido que faz a gente. Também sei responder à altura. Não fico mais quieto.

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Dona Lina, ou melhor, Petrolina, saiu de Pernambuco há mais de cinquenta anos e deu seu depoimento também: – Todo mundo me conhece como dona Lina, mas eu me chamo (acho que alguns de vocês já prestaram atenção na chamada) Petrolina. Minha mãe quis fazer uma homenagem à cidade onde ela nasceu, Petrolina, em Pernambuco. Ela se mudou de lá ainda meninota. Eu nasci. Ela matava a saudade de sua terra natal toda vez que me chamava. Não é uma história bonita? Alguns colegas da sala responderam: – É...!!! Continuou ela: – Mas não é tanto assim. Na escola – eu tive a sorte de fazer dois anos de escola na-

– Não sei não, mas ela diz que é melhor que Osória. Eu não acho. A professora disse que esse tipo de comportamento na escola – provocar, agredir, humilhar uma pessoa para lhe causar mal intencionalmente, com insistência e de forma repetitiva, e que, por uma série de motivos, não possui condições de defesa – é bullying! Em coro, os alunos perguntaram: – BU, o quê???

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– Por que Dirce? – perguntaram os colegas.

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quela época – todo mundo me chamava de Petrolina e era risada pra todo lado. Eu não sabia por que riam. Eu achava que era de mim. Na verdade, riam era do meu nome, que eu achava tão bonito e fazia minha mãe feliz. Depois de viver em Boa Hora, no Piauí, me mudei para Osório, no Rio Grande do Sul. Parecia o fim do mundo de tão longe. Lá, conheci meu marido e tive meus filhos. Essa era minha terra de verdade. Batizei uma de minhas filhas de Osória em homenagem à cidade de que sempre gostei. Coitada de minha filha! Sofreu muito com o nome de minha querida cidade. Os meninos a perturbavam tanto que ela era um desânimo só pra ir pra escola. A coitadinha ficou até doente, perdeu ano e tudo. Hoje, todo mundo a chama de Dirce.


capítulo 2

Bullying: o que é... A professora Vera escolheu o tema bullying para discussão. Na Educação de Jovens e Adultos (EJA), é extremamente importante trazer a experiência de cada um para a sala de aula. A riqueza de uma turma de EJA é constituída pelas pessoas e suas vivências. Ricardo perguntou à professora por que algo tão cotidiano, tão próximo de cada um, tinha um nome tão complicado.

Havia várias palavras que os alunos nunca tinham ouvido falar. Às vezes, achavam que nem dava para ler. – Encontramos!

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– Bullying é uma palavra inglesa. Vamos todos para a biblioteca procurar nos dicionários de inglês o que significa bullying – apressou-se a professora.

bullying: termo que compreende toda forma de agressão, intencional e repetida, sem motivo aparente, em que se faz uso do poder ou força para intimidar ou perseguir alguém, que pode ficar traumatizado, com baixa autoestima ou problemas de relacionamento [A prática de bullying é comum em ambiente escolar, entre alunos, e caracteriza-se por atitudes discriminatórias, uso de apelidos pejorativos, agressões físicas etc.] (Dicionário Aulete)

– Também procuramos a palavra bully e encontramos “brigão, valentão”. O Ricardo logo berrou no meio da biblioteca: – Conheci muito valentão colocando banca em cima de mim! – PSSSSIIIIUU! Estamos em uma biblioteca! – lembraram os colegas. A professora pediu aos alunos que procurassem algumas revistas ou livros que falassem um pouco sobre o tema. Quase não havia nada, apenas reportagens de revistas abordando o assunto da época do massacre de Realengo.

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De volta à sala, os alunos formaram grupos maiores e a tarefa que receberam era bem difícil. Eles deveriam ler as reportagens, resumi-las, organizá-las e montar painéis para fixarem na sala de aula. Conseguiram as seguintes informações1:

• O bullying está presente em nossas escolas há décadas, mas somente agora tem sido caracterizado e estudado. • É uma forma de violência que cresce no mundo todo.

• Não falar sobre o bullying permite que esse comportamento se multiplique e se agrave. • Na maioria dos casos, não há uma motivação clara para a ação dos agressores. • O agressor – ou agressores –, de certa forma, domina(m) uma pessoa ou grupo de pessoas fragilizadas por alguma situação ou condição. • As pessoas que passam por essa experiência podem apresentar alterações de comportamento e manifestar doenças. • Quando a pessoa que sofre bullying consegue superar, reagir ou ignorar a ofensa, pode desmotivar o agressor. Para isso, procure ajuda! Não se cale!

1 Informações extraídas de várias obras sobre o assunto, com destaque para: SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Bullying: mentes perigosas nas escolas. Rio de Janeiro: Fontanar, 2010.

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• A prática de bullying não atinge apenas as escolas, mas todos os ambientes. Há pesquisadores que afirmam que, hoje, esse tipo de comportamento pode ser considerado um problema de saúde pública.

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• O bullying (do inglês bully = valentão, brigão) compreende comportamentos com diversos níveis de violência, que vão desde chateações inoportunas ou hostis até fatos francamente agressivos, sob forma verbal ou não, intencionais e repetidos, sem motivação aparente, provocados por um ou mais alunos em relação a outros, causando dor, angústia, exclusão, humilhação e discriminação. Alguns autores usam o termo vitimização.


Os alunos ficaram orgulhosos pelas informações que coletaram e pela forma como as organizaram. Encontraram pesquisas sobre bullying que apresentavam algumas características do fenômeno no Brasil:

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Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2009, conhecida como Pesquisa Nacional da Saúde do Escolar (Pense), ouviu alunos do 9- º ano do Ensino Fundamental. A Pense investigou o bullying por meio da seguinte pergunta: “Nos últimos trinta dias, com que frequência algum de seus colegas de escola o esculachou, zoou, mangou, intimidou ou caçoou tanto que você ficou magoado/incomodado/aborrecido?”. • Os resultados mostraram que quase um terço dos alunos (30,8%) disse ter sofrido bullying. O percentual dos que foram vítimas desse tipo de violência raramente ou às vezes foi de 25,4%, e a proporção dos que disseram ter sofrido bullying na maior parte das vezes ou sempre foi de 5,4%. • O fenômeno atinge mais os estudantes do sexo masculino (32,6%) que os do sexo feminino (28,3%). • Quando comparada a dependência administrativa das escolas, a ocorrência de bullying foi verificada em maior proporção entre os alunos de escolas particulares (35,9%) do que entre os de escolas públicas (29,5%).

Para alegria da professora, os alunos conseguiram outra pesquisa que completava e atualizava os dados da anterior. Essa pesquisa, promovida pela Fundação Instituto de Administração (FIA), foi realizada nas cinco regiões do país e ouviu estudantes entre 11 e 15 anos (alunos do Ensino Fundamental II). Segundo o estudo:

70% dos alunos já viram, pelo menos uma vez, um colega ser maltratado no ambiente escolar;

• 9% deles afirmaram ter visto colegas serem maltratados várias vezes por semana;

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• 10% disseram ver essas ações diariamente. A constatação é de que 20% dos alunos vivenciam atos de bullying frequentemente.

A pesquisa revela ainda que:

• os maus-tratos (cerca de 30% dos casos) e o bullying (cerca de 10% dos casos) são mais comuns nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.

Na visão dos gestores, o bullying se deve a vários fatores: • número excessivo de alunos em sala de aula; • dificuldade da escola em lidar com problemas familiares do aluno; • falta de preparação e habilidade de professores para educar sem uso de coerção e agressão; • estrutura física inadequada; • falta de espaços para que os alunos expressem suas emoções e dificuldades pessoais. Para os pais, os responsáveis são: • falta de hierarquia e autoridade no ambiente escolar; • falta de limites e omissão dos professores e funcionários como fatores de fortalecimento dos comportamentos violentos; • negligência familiar.

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A investigação procurou apurar as possíveis causas para ações violentas, maus-tratos e bullying, coletando impressões e informações com gestores e funcionários das escolas, professores, pais e alunos, criando assim um caleidoscópio de argumentos, mas que, ao final, são complementares sob a ótica de uma análise.

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• 28% dos alunos foram vítimas de maus-tratos pelo menos uma vez no ano, ao passo que 10% da população pesquisada relata ter sofrido maus-tratos três ou mais vezes no ano;


Já para os professores, o bullying é motivado por:

• vida familiar violenta, que estimula comportamentos violentos; • negligência dos pais em relação ao desenvolvimento pessoal e à aprendizagem escolar; • falta de apoio emocional, depreciação e estigmatização dos filhos pelos pais.

Na visão dos alunos, são vários os motivos:

• dificuldades emocionais e de relacionamento interpessoal dos agressores; • necessidade de pertencer a um grupo e se ajustar a suas demandas; • agressor mais forte que as vítimas;

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• emprego generalizado de apelidos e agressões verbais como formas de brincadeira;

• vítima não reage; • vítima é diferente; • não punição aos agressores pela escola. É necessário observar quais foram as respostas mais frequentes, distribuídas por ordem de importância, que os alunos vítimas de maus-tratos ou bullying deram ao serem questionados sobre por que os agressores mantinham esse comportamento: • “não sei”; • “por brincadeira”; • “querem ser populares”. Os alunos autores de maus-tratos e bullying, quando perguntados por que agiam dessa maneira, responderam – as respostas indicadas abaixo foram as mais frequentes e por ordem de importância: • “porque me sinto provocado”; • “por brincadeira”; • “não sei”; • “porque acho que eles merecem”.

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Há ainda outros dados relevantes para a compreensão do fenômeno do bullying no Brasil: • As ações de violência ocorrem com maior frequência em sala de aula, com ou sem a presença do professor; e no pátio, durante o intervalo (lugares de grande visibilidade e público). • Os meninos são vítimas de bullying com maior frequência (12%) do que as meninas (7%). • Os meninos, normalmente, são agredidos só por outros meninos, ao passo que as meninas são mais agredidas por grupos mistos (meninos e meninas), representando 25% dos casos de maus-tratos.

– Parabéns a todos. Realmente ficou bom demais. Mas ainda não acabou! O que vocês acham que falta? Por tudo aquilo que leram, ouviram, escreveram e resumiram, o que está faltando? Seu Emanuel, que trabalha com reciclagem de materiais – quando alguém diz que ele é catador de lixo, ele responde que lixo quem faz somos nós, ele recicla materiais (e ele está certo!) –, soltou de primeira: – Tem de contar para as outras pessoas, nossos netos, filhos e conhecidos! – É isso aí! – concordou a professora.

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Todos mostravam-se orgulhosos pelo resultado das pesquisas. Os painéis levaram algumas semanas para ficar prontos, mas o resultado foi excelente. Tiraram fotos da sala de aula e tudo. Só não gostaram quando a professora Vera disse:

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• A incidência maior de bullying ocorre entre os alunos de 6- º e 7- º ano do Ensino Fundamental.


capítulo 3

Contando para todo mundo... A professora Vera organizou uma atividade para que os alunos explicassem o que era bullying, e como normalmente se manifesta, ao maior número possível de pessoas. A turma deu sugestões:

– Poderíamos pedir para nossos filhos colocarem nossos textos na internet – sugeriu dona Vilma, cozinheira de mão-cheia em um restaurante por quilo.

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– Vamos colocar nossos painéis nos corredores da escola para que outros alunos vejam, alunos do Ensino Médio e do Fundamental – sugeriu Teobaldo, aluno de 34 anos, comerciante (vende café da manhã nos principais pontos de ônibus da cidade, serve os clientes em uma bandeja pendurada em seu corpo por uma alça).

– Eu consigo escrever cartas. Gosto disso. Agora que não tenho mais medo de escrever para os outros, posso escrever cartas. Tenho uma neta, filha do Antônio, meu caçula. Ela tem 13 anos e mora longe daqui. Posso escrever uma carta para ela contando o que aprendemos sobre bullying. Afinal, ela está no período mais crítico para sofrer bullying – completou dona Lina. – Ou cometer bullying! – completou Ricardo, em tom de ironia. – Como é? Você está falando que minha neta pode cometer bullying? Não gostei disso, Ricardo. Você não a conhece! Não fale assim dela! – esbravejou dona Lina. A professora interveio, dizendo para o Ricardo não fazer ironia dessa forma com outras pessoas e acalmou dona Lina. A professora aprovou as ideias e cada um, a seu modo, começou a desenvolver algum instrumento para divulgação do que haviam encontrado sobre bullying. Dona Lina escreveu uma carta para sua neta Talita, garota de 13 anos que cursava o Ensino Fundamental II. A neta respondeu com uma carta emocionante. Primeiro, agradeceu à avó por ter escrito. Talita e os pais ficaram contentes por dona Lina já conseguir escrever tão bem. Agora, em vez de telefonar, prometeram escrever cartas como forma de se comunicar e de ajudar a avó a desvendar os “segredos” da escrita e as delícias da leitura.

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Talita escreveu:

Santo André, 31 de maio Querida vovó Petrolina,

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Tem gente que gosta da escola, tem gente que não gosta muito não! Aqueles que gostam falam dos professores legais, das lições interessantes, dos amigos, da hora do lanche e das aulas livres, quando os professores faltam e a gente pode colocar a conversa em dia sem se preocupar se está falando alto, muito alto ou mais alto ainda... Aqueles que não gostam falam das aulas chatas, das broncas dos professores, das intermináveis lições, das provas, dos amigos que não são tão amigos assim... Assim é minha escola, todo dia uma mesmice cheia de novidades. Uma mistura de sim e de não, um pouco de talvez e muitas interrogações. Minha última interrogação veio com um frio no estômago. Vi o Danilo, um amigo muito quieto de minha classe, levar um monte de croque na cabeça. Primeiro foi o Péricles, o mais alto da turma, que vive tentando meter medo em todo mundo. Ele se aproximou do Danilo, falou alguma coisa que, juro, não ouvi e lascou um croque de cima para baixo na cabeça do menino.


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Então, vieram o Fábio e o Marcelo e imitaram o grandalhão do Péricles. Nessa hora a escola é de assustar, e bota assustar nisso! Eu vi tudinho. E o Fábio percebeu que eu vi, ele me olhou de um jeito que entendi o que ele pensava: “se contar para alguém, vai ver o que vai acontecer com você”. O Danilo ficou sentado no chão com os braços sobre a cabeça tentando não chorar. O pior é que vi outras vezes em que o trio sem noção chutou o Danilo, bateu no Danilo, xingou o Danilo, ameaçou o Danilo. Coitado do Danilo! Ele é um cara muito legal. Só tira notão nas provas e trabalhos. O buraco do meu estômago só aumenta. O que devo fazer? Se eu contar o que tenho visto, entro no rolo. Talvez alguns amigos que também sabem (a gente se comunica, né!) não fiquem mais comigo. Se eu não contar, o que pode acontecer com o Danilo? Vó, me ajuda!!!! Talita

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Dona Lina trouxe a carta para a sala de aula e mostrou-a para a professora Vera, que ficou abismada diante do fato e da coincidência. A aluna perguntou para a professora se poderia ler a carta para toda a sala. Vera autorizou, desde que dona Lina não visse inconveniente em revelar para a classe o teor da carta da neta. Dona Lina terminou a leitura e percebeu vários rostos preocupados, outros cabisbaixos. Todos pareciam estar pensando em algo ocorrido há muito tempo. Parecia que todos tinham uma história para contar... A aula que a professora havia preparado para aquele dia era bem interessante. Ela trouxe cartas de todos os tipos: comercial, de amizade, de amor, de despedida, de terror. Uma das cartas era do atirador de Realengo, encontrada após seu suicídio. A carta na íntegra não fala do que o rapaz pretendia com o massacre, mas mostra uma mente perturbada:

[...] Primeiramente deverão saber que os impuros não poderão me após o casamento e não se envolveram em adultério poderão me tocar sem usar luvas, ou seja, nenhum fornicador ou adúltero poderá ter um contato direto comigo, nem nada que seja impuro poderá tocar em meu sangue, nenhum impuro pode ter contato direto com um virgem sem sua permissão, os que cuidarem de meu sepultamento deverão retirar toda a minha vestimenta, me banhar, me secar e me envolver totalmente despido em um lençol branco que está neste prédio, em uma bolsa que deixei na primeira sala do primeiro andar, após me envolverem neste lençol poderão me colocar em meu caixão. Se possível, quero ser sepultado ao lado da sepultura onde minha mãe dorme. Minha mãe se chama [...] e está sepultada no cemitério Murundu. Preciso de visita de um fiel seguidor de Deus em minha sepultura pelo menos uma vez, preciso que ele ore diante de minha sepultura pedindo o perdão de Deus pelo o que eu fiz rogando para que na sua vinda Jesus me desperte do sono da morte para a vida. Wellington Menezes Recolhido de: <http://g1.globo.com/Tragedia-em-Realengo/noticia/2011/04/leia-trecho-da-carta-do-atirador-que-invadiu-escola-no-rj.html>, acesso em: 28 jun. 2012.

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tocar sem luvas, somente os castos ou os que perderam suas castidades

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Sepetiba, 7 de abril de 2011.


Depois disso, a classe toda só queria discutir como o bullying está presente em todos os lugares e como provoca consequências muito diferentes em cada pessoa, desde um pedido de ajuda como o de Talita, ao extremo oposto, como o caso de Realengo. Teobaldo sugeriu à professora e à turma que fizessem nova pesquisa sobre as consequên­ cias do bullying na vida das pessoas e como isso podia variar de indivíduo para indivíduo. A proposta foi aceita por unanimidade! Dona Lina falou em tom mais alto: – Preciso ajudar minha neta!

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Na aula seguinte, os alunos trouxeram muito material, reuniram-se em grupo, separaram o que consideraram mais importante e elaboraram cartazes com as informações:

As consequências da ação de bullying para uma pessoa são inúmeras, pois podem agregar-se à história de vida e ao desenvolvimento pessoal, agravar problemas ou desencadear traumas e transtornos que acompanharão a pessoa por muito tempo ou definitivamente. Segundo o pediatra Aramis Antônio Lopes Neto, os sinais e sintomas possíveis de serem observados em alunos alvos de bullying são: alterações de sono;

agressividade;

dor de cabeça;

ansiedade;

desmaios;

perda de memória;

vômitos;

depressão;

paralisias;

pânico;

síndrome do intestino irritável;

medos;

anorexia;

resistência em ir à escola;

bulimia;

demonstração de tristeza;

isolamento;

insegurança por estar na escola;

tentativas de suicídio;

baixo rendimento escolar;

irritabilidade;

autoagressão.

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Os alunos ainda conseguiram informações sobre diferentes tipos de manifestação de bullying: Bullying verbal É o tipo de bullying mais comum. Também costuma ser interpretado pela maioria das vítimas (quando questionados se o consideravam uma agressão) como uma brincadeira. Normalmente os apelidos, típicos desse tipo de bullying, estão associados a características físicas (altura, sobrepeso, uso de aparelho, entre outros). Na pesquisa da FIA, as agressões verbais aparecem entre as cinco respostas mais frequentes: • xingamentos (9,8%); • ameaças (4,8%); • calúnias (4,7%); • insultos (4,5%).

Dentre as práticas mais comuns citadas pelos entrevistados, encontramos:

• socos, pontapés e empurrões (3,8%); • puxões de cabelo e arranhões (2%). Outras práticas não apuradas na pesquisa realizada, mas que devem ser ressaltadas são: • espancamentos; • ferimentos; • beliscões; • pancadas. Bullying moral

Principais práticas relatadas:

• difamar; • caluniar; • disseminar rumores.

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Bullying físico

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• apelidos vexatórios (5,7%);


Bullying psicológico

A seguir, as práticas mais comuns nessa forma de bullying:

• insultar em razão de característica física (4,5%); • ridicularizar (3,7%); • excluir (3,4%); • ignorar (1,5%); • insultar em razão da cor, etnia (1,5%); • insultar em razão do sotaque (0,8%); • humilhar em razão da orientação sexual (0,7%); • perseguir (0,7%).

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• encurralar (0,7%);

Além dessas práticas que foram objeto de pesquisa e puderam ser quantificadas, há outras que merecem ser destacadas: • tiranizar;

• dominar;

• aterrorizar;

• irritar.

Bullying social

Principais práticas relatadas:

• ignorar; • isolar; • excluir. Bullying material

Principais ações relatadas:

• estragar material (1,7%); • pegar dinheiro ou material (1,1%); • obrigar a entregar dinheiro e material (0,5%).

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Outra prática não apurada na pesquisa realizada, mas que deve ser ressaltada é: • atirar objetos contra os outros alunos. Bullying sexual

Principais práticas relatadas:

• assediar sexualmente (0,6%); • abusar sexualmente (0,2%). Outra prática não apurada na pesquisa realizada, mas que deve ser destacada é:

Bullying virtual

• enviar e-mail falando mal da pessoa alvo (6,4%); • falar mal da pessoa no MSN e em sites de relacionamento (5,8%); • furtar senha e invadir e-mail (4%).

– Belo trabalho – disse a professora, encantada com os resultados obtidos pela turma. – Só não sabia que o bullying tinha tantas formas diferentes. Eu, sinceramente, já fiz muito cada uma das formas de bullying, menos o sexual e o virtual, o resto já fiz – confessou Ricardo, em um misto de arrependimento e confusão. – Não sabia que poderia ferir tanto as pessoas. Eu sei que me divertia com a reação delas. Desculpa, turma! – completou Ricardo.

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Dos jovens alvos da pesquisa FIA, 17% declararam já ter sofrido maus-tratos pela internet. A prática mais comum é o insulto e a difamação por e-mail, MSN e sites de relacionamento. Algumas ações de maus-tratos recebidas pela internet:

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• insinuar.


capítulo 4

Não ouço nada, não vejo nada, não falo nada...! Dona Lina ligou para a neta e a aconselhou a não ficar calada diante do que via. Recomendou que dividisse o problema com os pais e que não se desesperasse.

Santo André, 8 de junho Vó Petrolina, VENDA PROIBÍDA

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Talita respondeu com nova carta:­

Acho que só você me entende. Achei que tudo ia se resolver seguindo seu conselho e contando tudo ao pai e à mãe. Mas acho que ficou pior. Você acredita que os pais do Péricles e dos outros meninos falaram para a diretora que eu sou complicada!? Complicada uma ova! Querer justiça e querer acabar com o jeito deles na escola é ser complicada? Acho que meus pais souberam me educar. Eles sempre falam que devo tomar cuidado antes de fazer qualquer coisa e pensar no que é certo e no que é errado. Também dizem que não devo pensar só em mim, tenho de pensar no bem dos outros também. Acho que faço isso! Mas tem gente que não está nem aí para nada. A Jenifer é prima do Péricles e está na minha sala. Ela diz que ele faz o que quer em casa, que os pais dele não se preocupam quando ele sai, se faz lição ou se tira boas 29


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notas. O Péricles é bonito, é forte, mas é muito chato. Ele pensa que pode mandar em todo mundo e vive tirando sarro de quem não gosta. Empurra todo mundo na fila, sai toda hora da sala de aula para ir ao banheiro, quer ser o capitão do time de futebol e acha que pode namorar todas as meninas da escola — um chato. O Fábio e o Marcelo seguem o Péricles. Fazem tudo o que ele manda. Topam tudo. Quando saem da escola juntos, vão chutando pedras pelo caminho, derrubam lixeiras, xingam quem passa por eles na rua — acho que são dois puxa-sacos. Eu só sei que eles não têm motivo nenhum para perturbar a gente na escola, mas arranjam qualquer desculpa para conseguir uma briga. Se uma menina é meio gordinha, vira logo uma baleia; se um menino é magro, vira logo pau de virar tripa; se usa óculos, vira zarolho; se acham feio, vira um monstro; se tira boas notas, vira cê-dê-efe. Eu acho que eles não se olham no espelho. Todo mundo tem defeitos e qualidades — eles também. Sabe, vó, gostaria de ficar mais livre na escola — tem horário para tudo, tem roteiro para tudo, o que devemos fazer, como fazer e por que fazer. Ninguém escuta a gente (também, nem dá tempo — é só lição, prova, lição).


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Se a gente tivesse uma hora para conversar, falar o que a gente tá sentindo, acho que seria melhor. Na escola da senhora é assim também? Aqui na minha classe, ninguém se conhece direito. Fica todo mundo sentado o tempo todo, um atrás do outro, tendo de prestar atenção no professor. Ficamos perto das mesmas pessoas, fazemos trabalhos com as mesmas pessoas. Aí formam aquelas panelas que não tem jeito de separar. Quem não está em uma das panelas, tá frito, tá sozinho! Tudo é motivo para um tirar sarro do outro. Eu acho que tudo tem limite. Tem gente que não enxerga esses limites e exagera até deixar a pessoa irritada: eu já vi gente ser excluída de um grupo porque não tinha tanto dinheiro quanto os outros. Isolamento por causa da religião, então? Já vi um monte. Japoneses, afrodescendentes, pobres, muito inteligentes, com alguma deficiência física, pessoas muito educadas, de uma forma ou de outra, acabam sendo vitimadas por ações de bullying. Preciso achar uma forma de me defender e de defender meus colegas. Com amor, Talita

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Petrolina, mais uma vez, leu a carta de sua neta para a turma e, revoltada, pediu a punição dos garotos. Essa história não podia ficar por isso mesmo, dizia ela, era preciso uma punição exemplar para os meninos. Herculana perguntou para a professora: – A maldade que esses meninos estão fazendo nasce com eles? É possível saber quem tem tendência a ser agressor? A professora Vera respondeu que não é tão simples assim. Não há uma única causa para esse comportamento.

Os autores possuem um comportamento agressivo, mas o consideram como positivo, pois os auxilia na conquista de “um território” ou grupo de seguidores, o que possibilita a eles construir uma visão positiva de si, mesmo em relações contraditórias (na visão dos outros). Possuem um sentimento de prazer ao obter domínio, quer seja pela força ou por pressões de ordem psicológica, e infligir dor ou sofrimento ao alvo. Além disso, tendem a desrespeitar normas estabelecidas por qualquer instituição. Não se furtam em ausentar-se da escola e obter desempenho escolar baixo (isso não significa que possuam deficiência intelectual ou de aprendizagem). As principais características dos envolvidos nas ações de bullying foram baseadas no texto: LOPES NETO, Aramis A. “Bullying: comportamento agressivo entre estudantes”. Jornal de Pediatria. Rio de Janeiro, Sociedade Brasileira de Pediatria, 2005, vol. 81, n. 5 (Supl.). 2

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Os autores

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– Na verdade – disse ela – o comportamento e as atitudes que temos são fruto tanto de fatores internos, biológicos, quanto externos, a história de nossas vidas, como crescemos, com quem convivemos e como fazemos a própria leitura dessa vida e das oportunidades que temos e tivemos. A neta da dona Lina até falou da escola dela, que não tinha muita novidade, que exigia um determinado tipo de conduta e comportamento que talvez não fosse adequado à maioria dos alunos. O que quero dizer é que vivemos em uma sociedade muito competitiva, individualista e excludente. Muitas crianças e jovens adotam comportamentos e atitudes com essa mesma lógica, daí o querer se dar bem sobre um colega, ser visto com o “tal”, querer popularidade. Punir simplesmente não adianta, deve ser feito, mas simultanea­ mente o grupo todo deve se responsabilizar por ações educativas que permitam trabalhar outros valores ou, pelo menos, levar a uma reflexão sobre a justiça dos valores, atitudes e comportamentos guiados pela lógica de nossa sociedade. Todos temos um pouco de responsabilidade nessa história. Não há uma característica determinante das pessoas que cometem, sofrem como vítimas ou ainda testemunham as ações de bullying. Eu trouxe para vocês uma revista com um texto que tenta esquematizar as características mais comuns2.


Outra característica dos autores é a predisposição a assumir comportamento de risco, como consumir tabaco, drogas, meter-se em brigas, possuir armas etc. A agressividade latente pode ter origem em uma infância sem uma estrutura familiar assertiva. Como reconhecer que está sendo praticado bullying? Alguns sinais são dados pelo comportamento na escola e em casa: • demonstram-se desafiadores e arrogantes, inclusive em relação aos familiares; desafiadoras ou difíceis; • apresentam-se com roupas rasgadas e amarrotadas ao chegar da escola; • carregam e guardam objetos e valores dos quais não conseguem comprovar a origem.

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• estão sempre tentando provar seu domínio e superioridade diante de situações

Os alvos Os alvos preferenciais dos autores de bullying são jovens incapazes de interromper as recorrentes agressões sem qualquer motivo aparente. Mostram-se frágeis e fragilizados e complacentes em relação às atribuições que lhes são outorgadas pelos agressores. Normalmente, possuem grande dificuldade de estabelecer laços de amizade com grupos de alunos, são inseguros e ansiosos. Possuem autoestima muito baixa, fato que os leva a supor, muitas vezes, que as agressões são merecidas. Há, ainda, os alvos conhecidos como vítimas provocadoras, pois conseguem mobilizar os colegas com reações agressivas contra si mesmos e reagem da mesma forma quando são atacados. A médica e pesquisadora Ana Beatriz Barbosa Silva3 afirma que as vítimas provocadoras podem fazer parte de um grupo de crianças e adolescentes hiperativos e impulsivos que, como um bumerangue, conseguem irritar muitos que estão ao seu redor e acabam desviando a atenção dos verdadeiros agressores.

3

SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Bullying: mentes perigosas nas escolas. Rio de Janeiro: Fontanar, 2010.

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Como reconhecer que alguém está sofrendo bullying? Alguns sinais são dados pelo comportamento na escola e em casa: • apresenta sintomas de mal-estar e/ou doenças para não ir à escola; • mostra alteração no desempenho escolar; • apresenta instabilidade de humor – variações significativas em pouco tempo; • volta para casa com livros e materiais sujos, rasgados ou quebrados; • apresenta manchas e hematomas pelo corpo; • procura levar objetos escondidos em sua bolsa para tentar se defender ou para machucar alguém que lhe faz mal.

Os espectadores se constituem em figuras muito importantes no ato do bullying. forma indireta, referendam o poder do agressor e reconhecem a diferença de poder entre as partes em conflito. O medo de se tornarem as próximas vítimas os silencia, reforçando o círculo vicioso do domínio do agressor. Não há apenas um tipo de comportamento dos espectadores/das testemunhas, que podem ser: • silenciosos, mas também auxiliares, quando participam da agressão; • incentivadores ou ativos, quando animam os agressores; • observadores ou neutros, quando apenas acompanham os fatos; • defensores, quando se posicionam ativamente contra as agressões. De qualquer forma, também convivem com problemas relacionados a esse comportamento: podem apresentar tensão, culpa, baixo rendimento escolar, desânimo ou vontade de faltar às aulas. Como reconhecer que se está vivenciando situação de bullying? Os sinais não são tão explícitos quanto os anteriores.

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Eles criam situações de agressões, humilhações e de submissão para si mesmos. De

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Os espectadores


Os espectadores podem: • se manter calados sobre o que sabem; • negar que estejam falando de si mesmos quando contam casos de bullying; • indicar filmes, reportagens e novelas quando questionados sobre a origem dos relatos.

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– Professora! – chamou Ricardo. – Professora, eu não sei os outros colegas, mas eu senti como se todos nós já tivéssemos participado de uma forma ou de outra de bullying. Não sabia que uma brincadeirinha poderia causar tanto estrago... A professora aproveitou a chance e disse que o bullying vem crescendo muito nos últimos anos em razão das características de nossa sociedade, da banalização da violência e da construção de valores morais extremamente frágeis e não consensuais. Há uma diferença entre maus-tratos e bullying. Os maus-tratos são ações de agressão cometidas por uma pessoa ou por um grupo a colegas, porém sem o caráter repetido e incessante, típico do bullying. – Um exercício interessante para ser feito – disse a professora – é tentar se colocar no lugar do outro para tentar compreender o que ele está sentindo e se por acaso gostaríamos de enfrentar o que estamos provocando. Um sinal dos tempos também é uma forma de bullying que vocês trabalharam há pouco. O cyberbullying. – Cyberbullying! Com esse não corro perigo, não gosto nem de ficar perto desse bichinho chamado computador – revelou Sara, uma senhora de 38 anos.

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capítulo 5

Cyber bullying – Sara, não precisa ter medo do computador. Ele pode te ajudar muito. Você não mexe no celular, no caixa eletrônico do banco? – perguntou a professora. – Mexo sim, apanho às vezes, mas não tenho vergonha de perguntar – respondeu Sara. – Pois é. Como você pode ter medo do computador, então? Em casa tem micro-ondas, televisão toda cheia de teclas, até a geladeira agora “pensa”. Você acha que pode ter medo de computador!? Não tem mais jeito, não – explicou Teobaldo.

Atualmente, é corriqueiro que se confie ao computador um conjunto de dados pessoais, projetos profissionais, lembranças familiares e listas de contatos de amigos e colegas de trabalho. Assim, o fato de que alguém, conhecido ou não, pode invadir seu computador, apropriar-se de suas senhas e cometer todo tipo de leviandade tem aterrorizado muita gente. O cyber bullying é uma categoria da violência que pode ocorrer pela internet. Os jovens são as principais vítimas dessa prática, apesar de ganharem maior destaque reportagens e grandes manchetes com adultos, famosos ou não, que tiveram sua vida revirada. As vítimas do cyber bullying agem como as de qualquer outro tipo de bullying − calam-se e procuram resolver o problema sozinhas. As práticas mais comuns às quais são submetidas as vítimas de cyber bullying são: • receber e-mails ameaçadores;

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– O que nós podemos explicar para nossos filhos e netos é que o computador tanto é uma janela para o conhecimento quanto uma oportunidade para pessoas mal-intencionadas –, prosseguiu a professora, explicando o cyber bullying e sua conexão com cuidados no uso da internet.

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A professora argumentou que o medo é natural diante do que não se conhece, mas se a postura for de desafio você pode dominar aquilo que acha impossível aprender. É necessário ter alguns cuidados no uso de computador, afirmou a professora.


• ver postadas, em sites de relacionamento, calúnias que colocam em dúvida, por exemplo, sua integridade moral e sua orientação sexual; • ver postados, nas redes sociais, xingamentos; • ter divulgadas fotos pessoais, modificadas ou não; • ver-se invadido, ter seu perfil alterado e não ter mais domínio sobre seus ambientes virtuais (páginas da web, blogs, Twitter, Facebook, Orkut, MSN, entre outros), tornando-se autor de mentiras sobre si mesmo; • ver-se invadido, ter seu perfil alterado e não ter mais domínio sobre seus ambienrelacionamento; • receber mensagens de todos os tipos pelo celular, tablet e outros aparelhos móveis com acesso à rede.

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tes virtuais, tornando-se autor de calúnias, denúncias e ameaças a pessoas de seu

O estadunidense Nick Hunter4 argumenta que não é fácil decidir quando certas ações podem ser consideradas cyber bullying ou não, e dá o exemplo: alguns argumentos postados em uma sala de bate-papo podem ser vistos como bullying, dependendo de sua acidez ou referências. Além disso, mostra que algumas mensagens recebidas por e-mail podem ser interpretadas, por quem as recebe, como bullying, ao passo que para quem as enviou não passam de diversão (comentários sobre aparência e porte físico, desempenho de seu time de coração na última rodada do campeonato etc.). De qualquer forma, a caracterização do bullying se dá quando as agressões são recorrentes, insistentes, com o intuito de provocar o mal a outras pessoas e sem qualquer motivo, de forma gratuita. Se para as outras formas de bullying o público é fundamental para o ego do agressor, a internet apresenta-se como uma grande oportunidade de satisfação. Milhares de pessoas podem fazer parte, como plateia virtual da agressão. Da mesma forma, mas em sentido oposto, a sensação de satisfação e prazer existe quando se consegue uma ação bem-sucedida de invasão de computadores e domínio do perfil da pessoa que sofreu a agressão.

4

HUNTER, Nick. Cyber bullying: Hot Topics. London: Raintree Books, 2012.

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Há algumas dicas interessantes para se evitar o bullying virtual, ações de prevenção sugeridas por Hunter (2012): • Não aceitar pessoas que não conhece como amigos, nem deixar disponíveis endereços residencial e profissional. Dados de contas bancárias ou de cartões de crédito, entre outras referências, podem denunciar o que faz rotineiramente, como faz e por que faz. • Tomar cuidado com a quantidade e a qualidade das informações sobre onde vive, fotos, agenda. • Nunca responder a uma mensagem abusiva. não abrir. • Guardar todas as mensagens de bullying para, se necessário, utilizar como prova. • Contar para um adulto o que está acontecendo, se o assédio moral se tornar um • Adotar configurações de segurança para proteger o perfil nos sites de relacionamento. • Bloquear mensagens de remetentes indesejáveis. Se não for suficiente, trocar suas contas de e-mail e de mensagens. • Se receber mensagens de bullying pelo celular, fazer contato com a empresa para acompanhar as ligações. • Muito importante! Mesmo que os agressores tenham identidades falsas é possível rastreá-los. Por mais que os cyber bullies se escondam, é possível localizá-los! • Quando necessário, fazer denúncia às autoridades policiais. Ana Beatriz Barbosa Silva ensina que “... caso o cyber bullying seja praticado por maiores de idade e configure crime, cabe ação penal privada [...] e ação penal pública [...] e se as condutas forem praticadas por menores de 18 anos, caberá ao Ministério Público [...] pleitear ao juiz competente a apuração do ato infracional”.5

5

SILVA, Ana Beatriz Barbosa. op. cit, p. 140.

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problema.

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• Ter cuidado quando receber e-mails de pessoas que não conhece. Em caso de dúvida,


– Minha neta passou por essa experiência. Ela descreveu como aconteceu em sua última carta. Ela estava tentando ajudar um amigo da escola, o Danilo, que sofria com os colegas diariamente, e aí ela virou vítima também, mas por meio da internet e do celular. Eu trouxe aqui o que ela escreveu. Vejam só. Dona Lina leu um pequeno trecho de mais uma carta de Talita:

Vó, olha o que escreveram para mim no meu e-mail:

“As Daniletes cê-dê-efes vão lamber a sola de meu sapato.” VENDA PROIBÍDA

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“Quem é amiga do Danilo vai ter de sofrer como ele.”

“Traíra! Tá com dó? Fica com ele. Você vai ter de aguentar o rojão.” Ainda meio roxa de raiva e amarela de medo, recebi uma mensagem em meu celular: “Tremeu!? Sua intrometida, hahahaha!”

– Não é para ficar preocupada? – perguntou dona Lina. – Muito! – disse a professora.

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capítulo 6

O bullying fora de nossas vidas Para dona Laura, era uma pena não conseguir acabar com o bullying tal qual o cachorro mágico da professora (aquele que comia o jornal e embaralhava as manchetes). – Já pensaram se isso fosse possível:

Bullying cresce em todo o país

– Com cachorro ou sem cachorro, o fato é que precisamos encarar o problema – disse a professora. – O pior que a gente conhece o bullying muito de perto. Eu cometi bullying minha vida toda. Hoje sinto na pele o problema. Já ouvi comentários por estudar em uma turma de EJA – esbravejou Ricardo. Teobaldo também quis opinar: – Já me disseram que velho esquece, que velho não aguenta, que velho não sabe dirigir... A professora Vera fez uma intervenção, mostrando como o preconceito aos idosos poderia transformar-se em bullying sim. Como eles estavam na escola, era mais fácil perceber isso e denunciar a situação. Ela também pediu para a turma imaginar o idoso que fica isolado em casa e não tem com quem conversar, nem um grupo de amigos como aquele da sala de aula, em que se pode trocar ideias e se sentir mais acolhido. Isso era uma grande violência. Ela disse ainda que, nos últimos trinta anos, a sociedade brasileira vem passando por uma série de transformações.

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– Com a ajuda do cão mágico, teríamos: Bullying definitivamente fora de nossas vidas – imaginou dona Laura.

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Violência urbana: sossego e tranquilidade definitivamente fora de nossas vidas


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– Tínhamos uma realidade de descaso com todos os setores e segmentos sociais populares. Era a “massa”, a massa de manobra política, a massa de trabalhadores que construíram as grandes obras de infraestrutura com salários de miséria. Mas, nas últimas décadas, com a democratização do país, há uma preocupação com o acolhimento dos diferentes grupos sociais. Atualmente, a escola pública fundamental está próxima de atingir a universalização do ensino, ou seja, o ensino para todas as crianças. O Estatuto da Criança e do Adolescente trouxe a criança como uma das preocupações de nossa sociedade: ela é considerada um ser em formação e a sociedade é responsável em educá-la. O Estatuto do Idoso introduziu uma nova forma de enxergar as pessoas que já passaram dos 60 anos – são cidadãs ativas e que merecem amar, viajar, dançar, viver. A preocupação com o bullying tem origem nesse movimento de resgate da cidadania, dos direitos, da proteção à pessoa em todas as fases de sua vida. Como combater o bullying? Somente fazendo essa mesma sociedade valorizar as conquistas que obtivemos de usufruir de uma cidadania ampla, verdadeira, completa. Devemos fazer um trabalho com as pessoas, portanto, trabalho em grupo, de diálogo, de cooperação e de colaboração. A escola é o lugar ideal para essa luta. Depois que terminou esse quase desabafo, a professora leu um documento que estava circulando na sala dos professores. Nele, defendia-se que a escola também mudasse, procurasse ser uma escola diferente, baseada em novos conceitos, se tornasse uma escola educadora, solidária, cooperativa e atenciosa. Para Vera, uma escola diferente poderia ensinar valores esquecidos nos dias de hoje.

A escola como instituição educadora A escola e os profissionais da educação tendem a adotar discursos inovadores que têm origem nas propostas de trabalho e concepções de educação defendidas por professores destacados, divulgadas por revistas especializadas, sistematizadas por diretrizes educacionais, porém não concretizadas. As propostas, vivas nos discursos, acabam se perdendo durante o caminho, pois são a todo tempo sabotadas por um planejamento escolar sujeito a projetos de última hora e, basicamente, teóricos. Invariavelmente, há um insistente isolamento entre funcionários, professores e gestores. Negam-se ao trabalho coletivo, colaborativo e que integrem várias disciplinas.

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Isso significa dizer que a escola precisa se livrar da arrogância do discurso e pensar sobre suas práticas. As ações anuais e os projetos de educação devem ser definidos no momento do planejamento. Todos devem saber o que fazer e como fazer. Dessa forma, há grande possibilidade de os desafios apresentados aos alunos durante o ano serem significativos, que os conteúdos sejam arranjados e rearranjados em razão de uma reflexão que se faça sobre o hoje e o agora.

mas um lugar onde a Educação acontece. A escola como instituição solidária

A solidariedade é uma virtude que projeta um olhar plural para as diferentes pessoas que compartilham espaços, interesses e objetivos comuns. Quando se aborda a atualidade como um tempo que privilegia o individualismo e o consumismo, é possível colocar em dúvida a capacidade de a escola trabalhar valores e atitudes tão diferentes. O desenvolvimento da solidariedade pode ser iniciado com o diálogo. Nesse sentido, também é muito importante a adoção de relações democráticas e respeitosas em toda a escola, em todas as esferas. Não se pode pensar na construção de relações solidárias em uma estrutura escolar autoritária. As relações entre os alunos, professores, gestores, funcionários e pais devem ser vivenciadas intensamente para que haja a compreensão de que pensar e decidir em grupo é melhor do que pensar e decidir sozinho. A solidariedade não nasce com a gente. Deve existir uma compreensão de seu sentido pela prática, por constantes e longos exercícios.

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A construção de relações solidárias nas escolas é diametralmente oposta às relações de violência que hoje as assombram.

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A escola deve preparar os alunos para o hoje e não com promessas para o amanhã. A escola não pode ser um passatempo indesejável e obrigatório,


A escola e a construção da relação de cooperação A cooperação se torna possível quando os sujeitos se reconhecem iguais e se respeitam mutuamente.

Cooperar é fazer juntos. A escola atenciosa

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Na escola, as relações de cooperação não ocorrem somente entre os alunos. Elas podem ocorrer entre os alunos, os profissionais da educação e toda a comunidade escolar. Essas relações de cooperação são cimentadas pela confiança e pelo respeito, ou seja, saber enxergar no outro valor que não é maior ou menor que o seu, mas diferente.

A escola atenciosa é aquela que sabe ouvir, perceber e observar os detalhes ao redor. Diferente de outros lugares, a escola precisa ter olhos e ouvidos para seus alunos. Saber do que gostam, por que agem de certa forma e não de outra e como gostam de se expressar. O ato educativo deve ser direcionado: • aos alunos, em vez de aos conteúdos; • às produções dos alunos no lugar dos diários e semanários; • ao diálogo, em vez de ao silêncio; • ao compartilhar estratégias e soluções em vez de decisões centralizadas.

– Nossa, professora, quanta coisa difícil a senhora leu! O que significa tudo isso – perguntou Herculana. – Significa que a escola tem um papel fundamental para que o bullying seja eliminado. Na escola se aprende um monte de coisas, mas ela tem falhado na escolha do que ensinar, como ensinar e por que ensinar. Parece que ela não fala a língua do aluno. Então, como escola e alunos não combinam, os conflitos se tornam muito maiores.

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– A senhora quer dizer que a escola é culpada pelo bullying? Não estou entendendo! – disse, quase desanimada, dona Laura. – Não. A escola não é responsável pelo bullying. Ela pode contribuir sim, mas não é a única responsável. O que quero dizer é que, se ela não proporcionar a vivência de experiências de respeito, compreensão, colaboração e cuidado com o outro, onde é que se aprenderá tudo isso? – perguntou a professora. – Na casa da gente! – No trabalho! – Na igreja! – Na casa dos amigos! – No futebol! – Ou seja, além da escola, devemos proporcionar essa vivência em todos os lugares – completou a professora.

A ideia da professora Vera era mostrar que a base para a superação do bullying é promover o encontro de pessoas. Os alunos da Educação de Jovens e Adultos organizaram o Dia Antibullying na escola. Muitos estudantes não compareceram, mas as coisas são assim: o trabalho de convencimento é longo, é demorado. – Professora, contei a festa que organizamos aqui na escola para a Talita e ela respondeu que uma atividade igualzinha foi feita na escola dela. Lá eles batizaram a atividade de “Maratona antibullying”. Mas o que eu queria ler para a turma é o sentimento dela, depois da festa. Se a gente tem alguma dificuldade de falar ou escrever sobre o que vivemos, minha netinha não tem. Vou ler a carta de Talita para todos, se a senhora achar que posso – disse dona Lina. – Claro que pode. As cartas de sua neta tem completado a visão que estamos construindo sobre o bullying – afirmou a professora.

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Na semana seguinte, a lição da professora para a classe foi organizar atividades gostosas, brincadeiras com a escola toda, com os alunos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Ela propôs que os alunos criassem tarefas para que cumprissem em grupo, com outros de diferentes classes, todos misturados.

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Falaram um a um todos os alunos.


Santo André, 30 de junho.

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Querida Vó Lina, Estas últimas semanas foram cheias de novidades. Tive medo em muitos momentos, mas acho que reagi bem. Fiquei mais amiga dos meus amigos e fiquei amiga daqueles que eu não pensava que seriam meus amigos. Parece que a gente formou uma parede de proteção. A gente se ajuda. Somos todos diferentes. Eu, com minhas pernas longas, a Jenifer com sua língua presa, o Pedro com sua pele sardenta, a Maura com sua risada engraçada, a Cândida com sua cor branca que parece leite... Todos nós somos diferentes, mas o que é mais legal — somos gente. Gosto de me preocupar e ajudar os outros. Gostamos um dos outros — acho que esse é o segredo. Também, se não gostamos, respeitamos. O Péricles e o Fábio, dizem, morreram de rir de uma festa como a nossa. Azar o deles, nós aproveitamos muito, criamos um cinturão de segurança das amizades. O silêncio, tenho certeza, não existirá se virmos alguma ameaça, violência ou humilhação. Sabemos que se for necessário devemos denunciar. Já existem leis antibullying:

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* Lei 13.474/2010, conhecida como lei antibullying, é publicada no Diário Oficial do Rio Grande do Sul. * O governo do Rio de Janeiro aprova lei antibullying nas escolas. * O Senado Federal discute e aprova projeto de lei antibullying. * No Paraná, lei antibullying já está em vigor. Até o momento, muitas discussões sobre a eficácia da criminalização do bullying estão ocorrendo. Dias atrás, parecia que não havia saída. Os meninos aterrorizavam a gente. Mandavam e-mails, mensagens em celulares, invadiam as redes sociais com mentiras. Na escola, um tormento só. O espaço era deles. A gente estava nas mãos deles. Estou muito orgulhosa de mim mesma, por não ter tido vergonha de falar, de denunciar, de enfrentar a situação com a ajuda de muitas pessoas queridas, meus pais e a senhora, vó Petrolina! É possível que o bullying continue existindo em muitos lugares, é possível que muitos agressores de hoje se tornem pessoas o tempo todo violentas. É possível que muitas crianças e adolescentes, que são vítimas do bullying hoje, se transformem em adultos também violentos. Mas o que realmente sei é que é possível iniciar uma luta contra a violência em todos os sentidos e em todos os lugares, con-


– Já pensou, estudar com medo? Não sair pro intervalo por causa dos grandalhões ou pensando no que você vai ouvir? Já pensou não poder agir naturalmente por pensar que está todo mundo olhando pra você por causa de sua orelha, do seu jeito de andar ou por sua “chatice”? Deve ser uma situação de muita angústia – finalizou dona Lina.

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tinuar lutando por uma cultura para a paz e por respeito entre as pessoas — a conversa sincera é a chave para esse caminho. Chega de bullying! De sua neta querida e sem medo, Talita

– Se a gente luta, como disse a professora, pela garantia e conquista de direitos, que até pouco tempo eram negados, o direito a estudar tranquilo, de ter uma escola segura, acolhedora e ética deve ser uma das nossas mais ferrenhas lutas – discursou dona Laura. – Não é fácil perceber isso. É difícil para mim ter de pensar se a piada que vou fazer ou a atitude que vou tomar só é boa para mim e para o grupo que está a minha volta. Pensar rapidamente como seria se eu estivesse no lugar do outro tem sido um exercício bem complicado. Mais complicado do que fazer as atividades da professora – disse Ricardo. De qualquer forma, o caminho está traçado. Vocês já sabem todas as consequências do bullying na vida das pessoas e podem avaliar e responder, conscientemente, por suas atitudes. Senão pela consciência, agora pela lei – sentenciou a professora, que continuou: – Vale lembrar, porém, que a lei está aí para casos em que haja o desrespeito. Nenhuma lei nasce sem que haja uma demanda da própria sociedade. O ideal, contudo, é agir e viver eticamente. Vocês, com essas aulas, são agentes desse processo de conscientização e mudança. Sejam bem-vindos à luta.

Chega

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