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FERNANDA RIBEIRO DO VALLE COLEÇÃO

APRENDER E SABER LÍNGUA PORTUGUESA ENSINO FUNDAMENTAL - ANOS INICIAIS

MANUAL DO PROFESSOR

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ANO


COLEÇÃO

APRENDER A E SABER LÍNGUA PORTUGUESA ENSINO FUNDAMENTAL - ANOS INICIAIS

MANUAL DO PROFESSOR

FERNANDA RIBEIRO DO VALLE

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Graduação em Pedagogia pelas Faculdades Campos Salles, com especialização em Orientação Pedagógica. Assessorou diversos projetos de capacitação de professores para o magistério nas séries iniciais do Ensino Fundamental e deu aulas para o Ensino Básico das redes pública e privada do Estado de São Paulo. Publicou obras didáticas para a Educação Infantil, Ensino Fundamental e Magistério.

São Paulo 1ª Edição - 2014

ANO


© Cereja editora, 2014 © Fernanda Ribeiro do Valle, 2014 Responsabilidade editorial Ana Mortara Edição Duda Albuquerque / Folia de Letras Revisão Beto Celli Programação Visual Ulhôa Cintra Capa Alexandre Romão Editoração eletrônica  Nany Produções Gráficas Ilustrações  Marco Antonio Godoy Adelmo Naccari Dave Santana Ricardo Girotto Iconografia  Marcia Sato Cartografia  MapsWorld

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) V181

Valle, Fernanda Ribeiro do.

Aprender e saber: língua portuguesa. 5º. Ano - Ensino Fundamental – Anos iniciais. / Fernanda Ribeiro do Valle. São Paulo: Cereja Editora, 2014. (Coleção Aprender e Saber). 20 p.: il. ISBN 978-85-87779-35-9 (aluno) ISBN 978-85-87779-57-1 (professor) 1. Língua Portuguesa. 2. Letramento. 3. Alfabetização. 4. Comunicação Escrita. 5. Comunicação Oral. I. Título. II. Série. III. Língua Portuguesa. CDU 811.134.3:81’4 Catalogação elaborada por Ruth Simão Paulino

São Paulo, 1a edição, 2014

Todos os direitos reservados Cereja Editora Ltda. Rua Deputado Lacerda Franco, 253 Pinheiros, São Paulo-SP CEP 05418-000

CDD 469


apresentação Você já pensou na importância da Língua Portuguesa em nossa vida? É por meio dela que pensamos, criamos e entendemos novas realidades. É ela que nos proporciona a comunicação e o conhecimento. É através da língua que podemos expressar nossos pensamentos e nossos sentimentos mais profundos. A língua nos dá identidade e nos caracteriza diante das demais pessoas. É ela que nos faz sonhar! Foi pensando na importância do estudo da língua que organizamos esta Coleção para você. Com ela você desenvolverá a leitura e a escrita de textos em diferentes linguagens, como fotos e desenhos, e vai ouvir novas histórias, além de contar e escrever as suas. Convidamos você para viver essa experiência, que certamente vai lhe possibilitar compreender melhor o mundo em que vivemos. A autora

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CONHEÇA SEU LIVRO! Descubra agora as características das principais seções do seu livro!

ABERTURA DE UNIDADE Esta obra é dividida em quatro Unidades temáticas, cada uma contendo dois capítulos. Logo no início da Unidade você será convidado(a) a trocar opiniões, relatar experiências pessoais, expôr seus pontos de vista sobre o tema abordado; tudo para que possa exercer seu direito de se manifestar!

PARA COMEÇAR… Trabalhando em grupo e tendo como ponto de partida uma ou mais imagens, você e seus colegas poderão neste momento trocar mais ideias sobre o assunto que será tratado na Unidade.

PARA PREPARAR A LEITURA Nesta seção você terá a oportunidade de revelar tudo o que já sabe sobre o texto a ser lido. Para isso, será convidado(a) a observar o texto e a dar respostas orais a questões relativas ao tema, gênero, autor, etc.

PARA dialogar com o texto Localizar informações no texto que está sendo estudado e expôr oralmente suas descobertas são os principais objetivos desta seção.

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PRODUÇÃO DE TEXTO ORAL E ESCRITO As propostas de produção de textos orais e escritos vão ajudá-lo(a) a trabalhar ainda mais a escrita e a oralidade, a fim de traduzir o que você está pensando, sabendo e sentindo.

PARA refletir sobre nossa língua Aqui você terá a oportunidade de ampliar o conhecimento e o uso da língua escrita, percebendo sua regularidade e funcionamento.

para estudar... Nesta seção você poderá aprofundar seus conhecimentos sobre as particularidades de um texto, podendo comparar suas características com a de outro texto do capítulo.

E AINDA!

conexões Com as atividades apresentadas nesta seção você irá perceber como as diversas áreas do conhecimento podem se relacionar entre si. Além disso, verá como é divertido perceber que mesmo aqui você pode fazer descobertas em Matemática, História, Geografia e Ciências!

atividade em dupla

atividade em grupo

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sumário

M10 - Victor B.

Para começar... .......................................................................................... 10 Capas de livros Capítulo 1 – Entre a ficção e a realidade..................................12 Texto 1 – Caixa mágica de surpresa, Elias José......................12 Para dialogar com o texto............................................................ 14 Para estudar o poema......................................................................15 Para conversar...................................................................................... 17 Para refletir sobre nossa língua Gramática: pontuação e expressividade............................... 18 Produção de texto escrito – Enquete....................................24 Texto 2 – Livros: o mundo numa rede encantada, Ana Maria Machado.......................................................................... 27 Para dialogar com o texto............................................................29 Para estudar o relato pessoal................................................... 30 Para conversar.................................................................................... 30 Para refletir sobre nossa língua Ortografia: sons do x.........................................................................31 Conexões ................................................................................................33 Produção de texto oral e escrito – Relato pessoal.......35 Capítulo 2 – Coisas de família........................................................ 36 Texto 1 – Cara de um, focinho do outro, Guto Lins............. 36 Para dialogar com o texto........................................................... 38 Para estudar o poema narrativo............................................... 41 Para refletir sobre nossa língua Ortografia: uso do h inicial e em dígrafos.......................... 44 Gramática: pronomes...................................................................... 46 Texto 2 – Tapete escorregador – parte I, Édimo de Almeida Pereira............................................................52 Para dialogar com o texto............................................................54 Para estudar o texto narrativo................................................. 56 Para refletir sobre nossa língua Gramática: concordância nominal............................................ 59 Ortografia: tonicidade...................................................................... 61 Conexões................................................................................................ 63 Produção de texto escrito – Desfecho da história....... 64 Para concluir............................................................................................... 68 A história do livro, Ruth Rocha e Otávio Roth atividades complementares..................................................70

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ilustrações: M10 - Victor B.

Unidade 1 – Entre livros e histórias............................8

Unidade 2 – O mundo de hoje.........................................86 Para começar... ......................................................................................... 88 Cartuns Capítulo 3 – Criança que trabalha................................................ 90 Texto 1 – Quem trabalha... não brinca, Gabriela Romeu... 90 Para dialogar com o texto............................................................92 Para estudar a reportagem......................................................... 93 Para conversar.................................................................................... 96 Texto 2 – Declaração Universal dos Direitos das Crianças..........................................................................................97 Para dialogar com o texto...........................................................101 Para estudar a declaração..........................................................102 Para refletir sobre nossa língua Ortografia: acentuação das oxítonas e das paroxítonas.................................................................................105 Gramática: verbo e concordância verbal........................... 108 Produção de texto oral e escrito – Debate.......................113 Capítulo 4 – O planeta Terra pede socorro...........................115 Texto 1 – Folheto......................................................................................115 Para dialogar com o texto...........................................................118 Para estudar o folheto...................................................................119 Para conversar...................................................................................120 Texto 2 – SOS – Salvem o planeta!, Camila Vinhas............121 Para dialogar com o texto.......................................................... 123 Para estudar a reportagem........................................................124 Para conversar...................................................................................126 Para refletir sobre nossa língua Ortografia: acentuação das paroxítonas (continuação) e das proparoxítonas.......................................127 Conexões...............................................................................................134 Para refletir sobre nossa língua Gramática: determinantes...........................................................136 Produção de texto oral e escrito – Entrevista e relatório.....................................................................138 Para concluir............................................................................................. 144 O que é o que é?, Gonzaguinha atividades complementares............................................... 146


M10 - Diego C.

Para começar... ........................................................................................150 Telas Capítulo 5 – Independência ou morte!..................................... 152 Texto 1 – Telas.......................................................................................... 152 Para dialogar com o texto.......................................................... 153 Para estudar as telas.....................................................................154 Texto 2 – Independência não é só grito.................................... 155 Para dialogar com o texto..........................................................158 Para estudar o texto informativo na internet.................159 Para refletir sobre nossa língua Ortografia: acentuação das paroxítonas (final); verbos terminados em -ram e -rão.........................................161 Gramática: preposição.................................................................. 164 Texto 3 – O nariz de Isabellinha, Ana Maria Miranda....... 167 Para dialogar com o texto.......................................................... 170 Para estudar o poema narrativo.............................................. 171 Conexões............................................................................................... 174 Produção de texto oral e escrito – Seminário..............................................................................................176 Capítulo 6 – Viva a gente brasileira!........................................ 178 Texto 1 – É índio ou não é índio?, Daniel Munduruku........ 178 Para dialogar com o texto.......................................................... 179 Para estudar o relato pessoal...................................................181 Para conversar...................................................................................182 Texto 2 – O autor, Daniel Munduruku.........................................183 Para dialogar com o texto..........................................................185 Para estudar a autobiografia.................................................... 187 Conexões.............................................................................................. 190 Para refletir sobre nossa língua Ortografia: mudança de letra, mudança de sentido......191 Gramática: conjunção.....................................................................193 Produção de texto oral e escrito – Biografia..................195 Para concluir............................................................................................. 198 Aquarela brasileira, Silas de Oliveira atividades complementares.............................................. 200

Unidade 4 – Uma história puxa a outra........... 202 Para começar... .......................................................................................204 Cartaz Capítulo 7 – Que comédia!.............................................................. 206 Texto 1 – A verdadeira história de Cinderela – parte I, Gabriela Rabelo............................................................................... 206 Para dialogar com o texto..........................................................214 Para estudar o texto de teatro................................................ 215 Para refletir sobre nossa língua Ortografia: o som /s/ (sê); emprego de -zinho, -inho em diminutivos.......................................................................217 Gramática: pontuação e intencionalidade......................... 223 Produção de texto oral e escrito – Desfecho de texto teatral e encenação...................................................226 Para conversar.................................................................................. 232 Capítulo 8 – Feira de verso............................................................ 233 Texto 1 – O boi zebu e as formigas, Patativa do Assaré......................................................................... 233 Para dialogar com o texto..........................................................237 Para estudar a literatura de cordel......................................238 Para refletir sobre nossa língua Gramática: variedade linguística............................................242 Conexões..............................................................................................246 Texto 2 – Corda, cordel, cordão: aventura e poesia de mãos dadas, Cláudio Henrique Salles Andrade............248 Para dialogar com o texto.......................................................... 251 Para estudar o texto expositivo............................................ 252 Para refletir sobre nossa língua Ortografia: uso dos porquês..................................................... 253 Para concluir..............................................................................................257 atividades complementares...............................................259 Bibliografia.................................................................................................263

M10 - Diego C.

Unidade 3 – Viajando pelo Brasil...............................148

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1 Big Cheese Photo/Diomedia

Unidade

Entre livros e hist贸rias


Converse com os colegas: Que textos vocês mais gostam de ler? Por quê?

• • De que textos vocês menos gostam? Por quê? • Que suportes consideram mais atraentes: livro, revista, jornal, gibi, internet?

Prof.(a), é importante que o conhecimento das características dos gêneros pelos alunos seja acompanhado pela identificação de suportes típicos dos gêneros, por isso é importante trazer o conceito de suporte nesse momento para eles. Suporte de um gênero é um lugar físico ou virtual, com um formato determinado, em que o texto é colocado. Destaque que as notícias são comumente encontradas nos suportes jornal ou revista; que as receitas são encontradas em cadernos ou livros de receita; que as histórias em quadrinhos são publicadas em gibis etc.


Para começar...

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Reprodução Reprodução

Reprodução

Reprodução

Observe as capas de livros apresentadas a seguir. Desses livros saíram alguns dos textos que você vai ler nesta unidade.


Reprodução Reprodução

Prof.(a), as questões não devem ser respondidas por escrito. A intenção é apenas propiciar uma conversa.

• Sente-se com alguns colegas. Juntos, observem as imagens, leiam os títulos, o nome dos autores e levantem hipóteses:

a) De que assunto cada um deles parece tratar? b) Que gênero predomina em cada um deles: poema, história, texto informativo, conto, história em quadrinhos etc.?

No capítulo 1, seu grupo vai organizar uma enquete para pesquisar os hábitos de leitura de pessoas da comunidade escolar. Agora, vamos conhecer um pouco mais esses autores e suas obras!

Prof.(a), oriente os alunos na realização da enquete. Embora tenhamos trabalhado esse conteúdo na sequência do texto 1, fica a seu critério realizá-lo no momento que achar mais oportuno.

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1

Capítulo

Prof.(a), este é o momento em que os alunos levantam hipóteses em relação ao texto que vão ler. Para fazer antecipações, os alunos vão se apoiar nas imagens, no conhecimento que têm em relação ao assunto tratado e ao autor, no perfil do

Entre a ficção e a realidade

texto e no que sabem sobre a língua escrita. É importante incentivar a troca de ideias entre os alunos. Apresentamos algumas questões como sugestão, outras poderão ser levantadas por você e pela classe. Leia mais sobre isso na Assessoria Pedagógica.

Texto 1 – Para preparar a leitura

Prof.(a), antes de iniciar o trabalho com o texto 1, leve poemas para a sala, distribua-os entre os alunos e peça que leiam, primeiramente, em silêncio e, depois, em voz alta. É importante ampliar o repertório de leitura dos alunos em relação ao gênero.

Observe o texto. Com a ajuda dos colegas, responda oralmente: O que você acha que vai ler agora: uma notícia, um poema, uma história, Espera-se que os alunos percebam que se trata de um poema, já que o texto é uma receita, uma reportagem? organizado em versos. Prof.(a), o texto pode ser chamado de poema ou poesia, se considerarmos que as palavras são usadas em geral como sinônimas. Entretanto, Localize a fonte do texto. Onde ele foi publicado? Em que materiais é importante os alunos entenderem que poema se refere à forma do texto (poema = normalmente encontramos textos como esse? texto escrito em versos), enquanto poesia denota o sentido lírico, subjetivo do texto.

O texto foi publicado em um livro de poesias. Esses textos normalmente são encontrados em livros e em algumas seções de revistas e jornais. Prof.(a), antes de iniciar a leitura, explore com os alunos as ilustrações criadas para o poema e a organização do texto em versos. Localize com eles o título e levante hipóteses sobre ele: a que caixa mágica será que o texto faz referência? Que surpresas será que vão sair dessa caixa? Essa discussão prepara a leitura do poema.

Caixa mágica de surpresa Elias José

Um livro é uma beleza, é caixa mágica só de surpresa. Um livro parece mudo, mas nele a gente

M10 - Victor B.

descobre tudo.

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Um livro tem asas longas e leves que, de repente, levam a gente longe, longe. Um livro é parque de diversões cheio de sonhos coloridos, cheio de doces sortidos, cheio de luzes e balões. Um livro é uma floresta com folhas e flores e bichos e cores. É mesmo uma festa, um baú de feiticeiro, um foguete perdido no ar, é amigo e companheiro. JOSÉ, Elias. Caixa mágica de surpresa. São Paulo: Paulinas, 1998.

M10 - Victor B.

um navio pirata no mar,

Prof.(a), após a primeira leitura, organize uma dramatização do texto. Cada aluno pode ler uma estrofe ou um verso. Chame a atenção para os agrupamentos de versos e recorde com os alunos que cada um desses grupos constitui uma estrofe.

Quem é o autor? Elias José nasceu em Santa Cruz da Prata, em Minas Gerais. Cresceu gostando de ouvir histórias contadas por sua avó paterna, o que despertou nele o desejo de escrever, principalmente para crianças. Já escreveu muitos livros, como O dono da bola, Pequeno dicionário poético humorístico e Quem quiser que conte outra. Faleceu em 2008.

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Prof.(a), esta seção propõe uma interpretação escrita do texto. Sugerimos que, no início das atividades, as perguntas sejam trabalhadas coletiva e oralmente para verificar se os alunos entenderam o texto. Nessa faixa etária, muitas vezes a leitura ainda não é fluente e os alunos têm dificuldades com o significado de algumas palavras. Concluída essa primeira etapa, problematize as diferentes respostas, relendo trechos do texto, se necessário, e discutindo com o grupo a melhor forma de registrar as respostas.

Para dialogar com o texto 1.

Releia as duas primeiras estrofes, observando as comparações feitas pelo poeta. Um livro é uma beleza, é caixa mágica só de surpresa. Um livro parece mudo, descobre tudo.

M10 - Victor B.

mas nele a gente

Responda.

a) O que você entende com a expressão: “um livro é uma caixa mágica só de surpresa”?

Prof.(a), ajude os alunos a entender a comparação que o autor faz entre um livro e uma caixa de surpresas. É como se, ao abrir um livro, o leitor abrisse uma caixa que tivesse dentro muitas coisas diferentes e inesperadas que o surpreendessem.

b) O que significa dizer “um livro parece mudo”? Qual é o sentido de parece, neste caso?

2.

Prof.(a), aqui há novamente uma metáfora, uma comparação (o que o termo parece deixa claro). Ajude os alunos a entender que a imagem do livro “mudo” remete à ideia de que ele não fala como as pessoas, mas ainda assim consegue comunicar muitas coisas por meio das leituras, dos textos.

Na terceira estrofe, o poeta diz que um livro “tem asas”. Por quê? Justifique. Espera-se que os alunos entendam que, segundo o texto, a leitura pode levar a imaginação do leitor para longe, para outros lugares, para outras realidades. Prof.(a), com os alunos, localize a expressão no texto e ajude-os a perceber que a explicação aparece na sequência. Como a linguagem do texto é metafórica, discuta com os alunos a ideia de o livro “levar” a imaginação dos leitores a outros lugares por meio de histórias. Peça a eles que apontem lugares nas histórias que conhecem e para os quais eles já “viajaram”. Oralmente, podem associar essas viagens às imagens apresentadas do texto: o livro como “um baú de feiticeiro” ou como “um navio pirata ao mar”.

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3. Explique com suas palavras: por que você acha que o autor escolheu o título Caixa mágica de surpresa para o poema?

Resposta pessoal.

Para estudar o poema

Prof.(a), as atividades desta seção têm como objetivo

levar os alunos a refletir sobre alguns gêneros discursivos que circulam socialmente: sua função social, o leitor a que se destinam, as características de linguagem, o perfil dos textos etc. Leia mais sobre isso na Assessoria Pedagógica.

1. Os textos escritos em versos são chamados de poemas. a) Como é chamado cada grupo de versos?

Estrofe.

b) Quantas estrofes tem o poema Caixa mágica de surpresa?

2.

O poema tem cinco estrofes.

Leia a estrofe abaixo e responda. Um livro é parque de diversões cheio de sonhos coloridos, cheio de doces sortidos, cheio de luzes e balões.

a) Quais palavras rimam?

Diversões/balões; coloridos/sortidos.

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b) Que palavra o autor repete três vezes?

Cheio.

c) Em sua opinião, com que intenção o autor usou rimas e palavras repetidas?

Para imprimir sonoridade ao poema. Prof.(a), os alunos devem perceber que essa é uma estratégia para inserir sonoridade ao poema. Para tal, mostre a eles o ritmo e a cadência que as repetições e as rimas criam durante a leitura. Chame a atenção, contudo, para a existência de outros versos (como na terceira estrofe: “levam a gente / longe, longe.”) que não apresentam rimas, mas também são sonoros, pois a sonoridade não é exclusiva das rimas.

Leia e compare.

Prof.(a), é importante investigar o conhecimento dos alunos em relação ao uso do dicionário (verbete). Se necessário, favoreça seu manuseio e a construção desse conhecimento antes de iniciar a atividade a seguir.

Trecho 1: poema Um livro é uma beleza, é caixa mágica só de surpresa.

ilustrações: M10 - Victor B.

3.

Trecho 2: verbete de dicionário livro s.m. coleção de folhas de papel, impressas ou não, cortadas, dobradas e reunidas em cadernos que são unidos por meio de cola, costura, etc., formando um volume que é recoberto com uma capa resistente. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. Texto adaptado.

a) Qual das definições é a mais direta e objetiva, com função de apresentar informações para o leitor?

A definição do dicionário.

b) Qual definição é mais pessoal e dá margem à imaginação?

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A definição do poema.


c) Por que a definição do dicionário é escrita dessa maneira? Para que ele serve?

Normalmente, o dicionário é usado para esclarecer o significado de uma palavra. Pode também servir para tirar dúvidas ortográficas ou até mesmo para se obter mais informações sobre alguma coisa. Assim, a linguagem deve ser direta, explicativa. Prof.(a), o objetivo da comparação é fazer com que os alunos percebam no poema não só um formato diferente, em versos, mas também a subjetividade da linguagem poética, o apelo às imagens, à ludicidade etc. Entretanto, essa percepção somente será possível se os alunos tiverem contato mais frequente com textos poéticos.

4. Que tal brincar de ser poeta?

Prof.(a), lembre aos alunos que as lacunas podem ser preenchidas com palavras que rimam ou não. Se achar conveniente, peça a eles que façam a atividade em duplas. Sugira também que escrevam um poema e socializem as produções.

Complete as lacunas como achar melhor. Um livro é

,

é caixa só de

.

Um livro parece

,

mas . Prof.(a), o objetivo desta seção é trabalhar com questões de inferência e extrapolação, estabelecendo relações entre o que foi estudado e as experiências pessoais dos alunos. De preferência, as atividades devem ser realizadas em duplas ou em pequenos grupos, o que favorece a maior circulação de informações. No final, socialize as discussões das duplas ou dos grupos em uma roda de conversa. Leia mais sobre isso na Assessoria Pedagógica. Prof.(a), é importante que as duplas primeiro conversem informalmente sobre os livros lidos para depois se preocuparem em responder às questões. Incentive-os a fazer propaganda dos livros de que gostaram, motivando os colegas a lê-los. Aproveite esse momento e leia para os alunos alguns dos livros escolhidos.

Para conversar

Converse com um colega.

1.

Você se lembra de algum livro que tenha lido e de que tenha gostado muito? Qual é o título e quem é o autor desse livro? Quando isso aconteceu? Por que você gostou? Respostas pessoais.

2.

Você se lembra de algum livro que tenha lido e de que não tenha gostado? Que livro foi esse? Quem o escreveu? Por que você não gostou? Respostas pessoais.

3.

Você gosta de ler? Muito ou pouco? Não gosta de ler? Fale sobre isso. Respostas pessoais.

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Para refletir sobre nossa língua Gramática: pontuação e expressividade 1.

Leia o poema.

Prof.(a), converse com os alunos sobre os sinais de pontuação. Enquanto na fala usamos a expressão facial e corporal, os gestos, a entonação da voz para nos expressarmos, na escrita recorremos aos sinais de pontuação para deixar clara a intenção daquilo que queremos expressar. São eles que permitem transmitir a expressividade e a significação daquilo que comunicamos.

Quem é importante?

Certo dia num caderno, Numa página interna, Deu-se a grande reunião Dos sinais de pontuação, Para decidir, no instante, Qual o que é mais importante. Chegou correndo, afobadão, O Ponto de Exclamação, Bufando, muito excitado, Entusiasmado ou assustado. — Socorro! — Viva! — Saravá! — Dá o fora! — sempre a berrar! E, logo, todo sinuoso, A rebolar-se, entrou, pimpão, O enxerido e mui curioso Dom Ponto de Interrogação: — Quem é? — Por quê? — Aonde? — Quando? — ele só vive perguntando...

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M10 - Victor B.

Samuil Marchak


E vêm as Vírgulas dengosas, Muito falantes, muito prosas, E anunciam: Nós meninas Somos as pausas pequeninas, Que, pelas frases espalhadas, São sempre tão solicitadas! Mas já chegam os Dois-Pontos, Ponto e Vírgula, e pronto! Tem início a discussão, Que já dá em confusão: — Sem por cima ter um ponto, Vírgula é um sinal bem tonto! — Ponto e Vírgula declara, Arrogante, e fecha a cara. — Essa não! Tenha paciência! — Intervêm as Reticências. — Somos nós as importantes, Tanto agora como dantes: Quando falta competência, Botam logo... Reticências! Til e Acento Circunflexo, Numa discussão sem nexo, Cara a cara, bravos, quase Se engalfinham. Mas a Crase Corta a briga, ao declarar: — Poucos sabem me empregar! Me respeitem pois bastante, Já que eu sou tão importante!

M10 - Victor B.

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Mas Dois-Pontos protestou:

A Cedilha e o Travessão

— Importante eu é que sou!

Já se enfrentam, mas então,

Eu preparo toda a ação

Bem na hora, firme e pronto

E a e-nu-me-ra-ção!...

Se apresenta o senhor Ponto: — Importante é o meu sinal.

— É aqui que nós entramos! Nós, as Aspas, e avisamos: Sem a nossa contribuição

Basta. Fim. PONTO-FINAL. Marchak, Samuil. Di-versos russos. Tradução e adaptação de Tatiana Belinky. São Paulo: Scipione, 1990.

M10 - V

ictor B.

Não existe citação!

Responda.

a) Onde se passa a história?

Ela se passa na página de um caderno onde as personagens se reúnem para decidir qual delas é a mais importante.

b) Quem são as personagens?

Sinais de pontuação.

c) Como elas são caracterizadas?

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Os sinais são personificados e a cada um deles são atribuídos sentimentos humanos, como vaidade e orgulho.


2.

Releia a estrofe que segue e explique: o que justifica o uso das exclamações nos versos finais? Que sentido ajuda a transmitir no contexto? Sugestão de resposta: O ponto de exclamação foi usado para marcar o grito ou o tom de voz elevado em Socorro! e em Dá o fora!; entusiasmo em Viva!; e exclamação enfática em Saravá!. Prof.(a), converse com os alunos sobre o significado de bufando: ofegando, fazendo barulho com a respiração, demonstrando cansaço.

Chegou correndo, afobadão, O Ponto de Exclamação, Bufando, muito excitado, Entusiasmado ou assustado. — Socorro! — Viva! — Saravá! — Dá o fora! — sempre a berrar!

3.

Releia a quarta e a sétima estrofe. Segundo o texto, quando se usa vírgula? E por que a Crase se acha tão importante? Usa-se vírgula para marcar pequenas pausas; a Crase se acha muito importante porque pouca gente sabe usá-la. Prof.(a), é importante chamar a atenção dos alunos para o conceito de vírgula apresentado, que não expressa de forma completa os casos de uso da vírgula. Ela também é usada, por exemplo, para separar vocativo, para separar elementos de uma enumeração, para separar orações em um período etc.

4. Como você entende os versos abaixo?

Quando falta competência, Botam logo... Reticências!

ilustrações: M10 - Victor B.

Quando a pessoa não sabe mais o que dizer, usa as reticências.

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5. Afinal de contas, de acordo com o poema, quem é mesmo importante? Qual foi o recurso usado para destacar essa conclusão?

O Ponto-Final, porque finalizou o poema. A palavra foi escrita com letras maiúsculas.

6. Escreva frases de acordo com as situações indicadas. Escolha a pontuação que mostra mais claramente a intenção de cada mensagem.

a) O que você diria a um colega sobre a importância da leitura no dia a dia? (Você quer que ele perceba a importância de ler.)

Espera-se que os alunos usem ponto-final ou ponto de exclamação na frase.

b) O que você perguntaria a um colega sobre os livros que ele já leu? (Você quer obter uma informação.)

Espera-se que os alunos utilizem ponto de interrogação.

c) O que você diria se recebesse uma carta informando que você ganhou um prêmio? (Mas você não acredita que isso seja verdade.)

Espera-se que os alunos usem ponto de interrogação ou ponto de exclamação.

d) O que você diria se recebesse uma carta informando que você ganhou um prêmio? (Você acredita que isso seja verdade.)

Espera-se que os alunos usem ponto de exclamação.

e) O que você diria à professora sobre um livro que leu, no caso de ter adorado ou detestado a história? (Você quer que a professora perceba seu sentimento em relação ao livro.)

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Espera-se que os alunos utilizem ponto de exclamação.


7.

Leia o texto a seguir. Observe que ele está com alguns sinais de pontuação ocultos. Para ajudá-lo a compreender o texto com mais facilidade, colocamos os travessões.

Miniconto Prova de português Aimar Labaki

— O que é que só é quando não pode ser ● ? — Não conversa comigo agora, Marcelo. — O que é que só tem pé se não tem cabeça● ? — Olha pra sua folha● ! — O que é que só está aqui quando também está lá longe● ? — Se você continuar eu chamo a professora e digo que você não está fazendo a prova● ! — O que é que parece que está fora, mas, na verdade, está dentro● ? — Para de azucrinar. Nenhuma dessas perguntas tem resposta. — E essa aqui: depois da prova você me dá um beijo● ? Labaki, Aimar. Folha de S.Paulo, São Paulo, 19 jun. 2004. Folhinha.

• Reescreva o texto nas linhas abaixo. Reúna-se com um colega e, juntos, pontuem o texto de forma que tenha sentido. Mostrem o texto a outra dupla e verifiquem que outras soluções foram encontradas para pontuar a narrativa. Façam alterações no seu texto se acharem necessário. Depois, comparem suas respostas com a versão que a professora vai escrever no quadro.

Prof.(a), escreva no quadro a versão original do autor, mas discuta com os alunos que é possível, em alguns casos, aceitar outra pontuação.

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Produção de texto escrito Enquete

Prof.(a),o objetivo desta produção é recolher e apresentar opiniões de diferentes pessoas sobre hábitos de leitura. Para que os alunos entendam o papel e o perfil das enquetes, traga para a sala de aula jornais ou revistas com exemplos — é comum a publicação de resultados de enquetes nos meios de comunicação de massa. Uma sugestão é consultar as enquetes disponíveis no site <www.akatu.org.br/interatividades/enquetes> (acesso em: 19 jun. 2014), de um instituto de pesquisa sobre o consumo consciente.

Como são os hábitos de leitura das pessoas que estudam e trabalham na sua escola? Quais são as preferências delas? Vamos fazer uma enquete para conhecer um pouco mais o perfil de leitura da comunidade escolar? Enquete: pesquisa organizada para saber a opinião de um público específico sobre um determinado assunto e apresentação dos resultados obtidos.

Planejando a pesquisa de opinião 1. Reúna-se com quatro colegas para coletar dados para a pesquisa. Sigam as instruções:

• A professora marcará o dia e a hora em que vocês farão as entrevistas.

• Cada grupo ficará em um lugar designado pela professora.

• Todos terão em mãos uma ficha, como o modelo apresentado na página seguinte, na qual anotarão os dados e a resposta do entrevistado.

• Vocês vão abordar a primeira pessoa que passar e pedir a ela que responda às perguntas da ficha. Se ela não aceitar, tentem perguntar a outra pessoa.

• Antes de iniciar as entrevistas, leiam a ficha inteira e treinem entre si. Se quiserem fazer alguma modificação nas perguntas ou nas opções de resposta, decidam com antecedência na sala.

24


Enquete

Prof.(a), reproduza a ficha de acordo com o número de alunos, já que cada um fará uma entrevista. A pesquisa pode ser feita na própria escola. Se possível, distribua os grupos, munidos de fichas, lápis e apoio para escrever, nos quarteirões ao redor da escola ou na praça da cidade. Sugira aos membros do grupo que tentem entrevistar pessoas bem diferentes.

Nome: Sexo:

FEMININO

MASCULINO

Com que frequência você costuma ler?

SEMPRE

DE VEZ EM QUANDO

NÃO TENHO O HÁBITO DE LER

O que você mais gosta de ler? Marque uma única opção.

HQ

CRÔNICA

ROMANCE

CONTO

POEMA

OUTROS

REPORTAGEM / NOTÍCIA

Organizando e apresentando os resultados 2. Com

a ajuda da professora, reúnam as respostas relacionando-as ao sexo dos entrevistados. Completem as tabelas a seguir e marquem quantas pessoas de cada sexo responderam a cada pergunta nas fichas. Prof.(a), é importante que os alunos sejam auxiliados na organização dos resultados e no preenchimento das tabelas.

Com que frequência você costuma ler? Sempre

De vez em quando

Não tenho o hábito de ler

Feminino Masculino

25


O que você mais gosta de ler? HQ

Romance Poema

Reportagem/ Crônica notícia

Conto

Outros

Feminino Masculino

3.

Preenchidas as tabelas, preparem-se para apresentar os resultados obtidos aos colegas da classe. Levantem hipóteses sobre os dados que colheram. Vocês podem querer saber qual a preferência de gêneros ou qual a frequência de leitura entre homens e mulheres. Anotem as questões levantadas e as respostas delas. Prof.(a), ao tabular os dados com a classe, aproveite para fazer atividades de Matemática: pode-se construir um gráfico de barras ou de pizza, por exemplo.

4. No dia marcado para a apresentação, cada grupo vai expor os resultados de sua enquete e analisar os dados colhidos.

5.

Durante as apresentações, a professora registrará no quadro os resultados obtidos pelos grupos e relacionará todos os dados. No final, aparecerão agrupamentos de opiniões iguais ou semelhantes relacionadas ao perfil dos entrevistados.

Avaliando as apresentações 6.

Prof.(a), explique aos alunos que os elementos e/ou valores que influem na configuração ou expressão de determinado assunto (no caso, sexo) são chamados de variáveis. De acordo com o que se deseja verificar, o pesquisador formulará sua pesquisa levando em conta determinadas variáveis e excluindo outras.

Cada grupo vai avaliar o próprio trabalho. Estabeleçam os critérios para isso, ou seja, definam o que será avaliado. Se quiserem, utilizem as sugestões a seguir: Ficha de avaliação

• O grupo demonstrou organização na apresentação dos dados? • Todos contribuíram para a realização da atividade? • Os alunos conseguiram se fazer entender?

7. Após as apresentações e autoavaliações, observem os resultados encontrados

pela classe e concluam oralmente: o que pensa a maioria dos entrevistados sobre a questão proposta? Qual a frequência e o tipo de leitura mais comum entre todos os entrevistados?

26


Texto 2 – Para preparar a leitura Observe o texto que você vai ler agora: leia o título, consulte a fonte. O que você sabe sobre essa autora? Você conhece algum livro dela? Qual? O que o título quer dizer? A que a autora se refere?

Espera-se que os alunos entendam que a escritora, Ana Maria Machado, faz referência ao fato de que a literatura é capaz de transportar os leitores a mundos diferentes.

Livros: o mundo numa rede encantada Ana Maria Machado

Eu era pequena, não sei bem que idade tinha. Só sei que tinha altura suficiente para poder ficar de pé em frente à escrivaninha de meu pai, apoiar nela os braços e, sobre eles, o queixo. Bem grande, diante de meus olhos, ficava uma estatueta de bronze: um cavaleiro magro de lança na mão, montado num cavalo esquelético, seguido por um burrico onde ia encarapitado um sujeito gorducho segurando um chapéu na ponta do braço estendido, como quem dá vivas. Respondendo a minha pergunta, meu pai me apresentou os dois: — Dom Quixote e Sancho Pança. Quis saber quem eram, onde moravam. Aprendi que eram espanhóis e moravam há séculos numa casa encantada: um livro. Em seguida, meu pai interrompeu o que estava fazendo, foi até a prateleira, pegou um livrão e começou a me mostrar as figuras e contar a história daqueles dois. Numa das ilustrações, Dom Quixote estava cercado de livros. Pela resposta, comecei a perceber que havia livro de todo tipo e dentro deles morava o infinito. A partir daí, pelas mãos de meus pais, fui conhecendo alguns deles, como Robinson Crusoé em sua ilha, Gulliver em Lilliput, Robin Hood em sua floresta. E descobri que as fadas, princesas, gigantes e gênios, reis e bruxas, os três porquinhos e os sete anões, o patinho feio e o lobo mau, todos eles velhos conhecidos meus das histórias que eu ouvia, também moravam em livros. Mais tarde, quando aprendi a ler, quem passou a morar nos livros fui eu. Conheci personagens de contos populares do mundo inteiro, em coleções que me fize-

M10 - Victor B.

— E dentro desses aí, mora quem? — quis saber.

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ram percorrer da China à Irlanda, da Rússia à Grécia. Me embrenhei de tal maneira nos livros de Monteiro Lobato, que posso dizer que me mudei durante uns tempos para o sítio do Picapau Amarelo, era lá que eu vivia. Era um território livre e sem fronteiras. Com a mesma facilidade pude morar no Mississípi com Tom e Huck, cavalguei pelos bosques da França com D’Artagnan, me perdi no mercado de Bagdá com Aladim, voei para a Terra do Nunca com Peter Pan, sobrevoei a Suécia montada num ganso com Nils, me meti pela toca de um coelho com Alice, fui engolida por uma baleia com Pinóquio, persegui Moby Dick com o capitão Ahab, naveguei pelos mares com o Capitão Blood, procurei tesouros com Long John Silver, dei a volta ao mundo com Phileas Fogg, fiquei muito tempo na China com Marco Polo, vivi na África com Tarzan, no alto das montanhas com Heidi e numa casinha na campina com a família Ingall, fui menina de rua em Londres com Oliver Twist e em Paris com Cosette e os miseráveis, escapei de um incêndio com Jane Eyre, fui à escola de Cuore com Enrico e Garrone, segui um santo homem na Índia com Kim, sonhei em ser escritora com minha querida Jo Marsh, fiz parte do grupo dos Capitães da Areia com Pedro Bala pelas ladeiras da Bahia... e a partir daí fui cada vez mais lendo livros de gente grande.

Relato de Ana Maria Machado publicado originalmente em um folheto da Fundação Nacional do Livro Infantojuvenil.

M10 - Victor B.

Assim mesmo. Sem fronteiras geográficas nem faixa etária, tudo comunicando com tudo, interligando-se por todos os lados, numa rede de casas encantadas. Até que, de conhecer tantos mundos, fui criando os meus. E comecei a dividir com os outros, nos livros que faço, tudo o que mora dentro de mim.

Prof.(a), comente com os alunos que Dom Quixote é o protagonista do livro de mesmo nome escrito pelo espanhol Miguel de Cervantes e publicado a partir de 1605. Trata da história de um velho fidalgo que, de tanto ler romances de cavalaria, endoidece, passa a imaginar que é o cavaleiro Dom Quixote de la Mancha e sai pelo mundo para viver aventuras na companhia do espirituoso escudeiro Sancho Pança. Seria interessante também conversar com os alunos sobre outras histórias da literatura clássica, como Tarzan, Moby Dick, Oliver Twist, As viagens de Gulliver etc, procurando situá-los quanto às personagens e obras citadas pela autora.

Quem é a autora?

Ana Maria Machado nasceu no Rio de Janeiro em 24 de dezembro de 1941. Foi pintora e professora antes de tornar-se escritora de sucesso. Em 2000, recebeu a medalha Hans Christian Andersen, maior prêmio da literatura infantil e juvenil do mundo.

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Para dialogar com o texto 1.

Qual foi a reação de Ana Maria Machado quando descobriu que a estátua na escrivaninha de seu pai mostrava Dom Quixote e Sancho Pança? Ela quis saber tudo sobre eles: quem eram, onde moravam.

2. Ao se referir às personagens Dom Quixote e Sancho Pança, por que a escritora afirma que eles viviam “há séculos” dentro de um livro? Espera-se que os alunos entendam que se trata de um livro escrito muitos séculos atrás.

3. O que Ana Maria Machado quis dizer quando identificou o livro como “uma casa encantada”?

Espera-se que os alunos concluam que, segundo a autora, o livro é um mundo mágico habitado por personagens, criado e governado segundo as leis da imaginação. Prof.(a), ressalte também o trecho “Pela resposta, comecei a perceber que havia livro de todo tipo e dentro deles morava o infinito. A partir daí, pelas mãos de meus pais, fui conhecendo alguns deles, como [...]”. Nesse momento, a autora passa a citar todos os mundos, personagens, histórias que existiam dentro de livros e que ela passou a conhecer.

4. Releia: Até que, de conhecer tantos mundos, fui criando os meus. E comecei a dividir com os outros, nos livros que faço, tudo o que mora dentro de mim.

a) O que Ana Maria Machado quis dizer com “fui criando os meus [mundos]”?

Significa que ela também começou a criar mundos imaginários feitos de palavras, tornou-se escritora.

b) Segundo a escritora, de onde vêm as ideias para a construção de suas histórias?

De tudo o que ela sabe, do que viveu e das histórias que leu.

29


Para estudar o relato pessoal 1.

Relato é um texto que apresenta depoimentos, declarações, informações sobre alguém ou sobre um acontecimento. Um relato pessoal é um registro oral ou escrito das experiências vividas pelo próprio autor do texto. O texto Livros: o mundo numa rede encantada é um relato pessoal de Ana Maria Machado e foi publicado num folheto produzido pela Fundação Nacional do Livro Infantojuvenil. Nesse folheto se anuncia um concurso com o tema: “Despertando o envolvimento das crianças com literatura”. O que o relato da escritora tem a ver com o concurso anunciado? Espera-se que os alunos percebam que, ao descrever seu envolvimento com os livros e a literatura, a autora se coloca como exemplo da importância desses livros na vida das crianças. Com esse relato, procura-se incentivar as pessoas a participar do concurso para promover a leitura.

2. Explique por que o texto de Ana Maria Machado é um relato pessoal. Porque a escritora conta sua própria história, relata suas experiências como leitora. Ou seja, ela registra suas próprias experiências, o que caracteriza um relato pessoal.

3. O relato é um texto baseado em fatos reais ou fictícios? Ele é baseado em fatos reais.

Para conversar Converse com os colegas sobre estas questões:

1.

Ana Maria Machado conta como conheceu personagens de contos populares do mundo inteiro. Que personagens populares de contos brasileiros você conhece? Resposta pessoal.

2. Entre as histórias que você leu, de qual você gostou mais? Por quê? 3. 30

Respostas pessoais.

Que tipo de livro você gosta mais de ler? Por quê?

Respostas pessoais.


Para refletir sobre nossa língua Ortografia: sons do x Leia a tirinha. Prof.(a), interprete o texto com a classe.

Galvão/Folhapress

1.

GALVÃO. Folha de S.Paulo, São Paulo, 15 set. 2003. Folhateen.

• O menino ficou em dúvida entre X e CH. E você, também está em dúvida? Leia as palavras do quadro abaixo em voz alta e tente descobrir por que isso acontece.

chinelo xarope

xereta chinês

xaxim

chave choro

chuva

Descobriu? Então, conte para a classe.

xodó enxuto

Prof.(a), ajude os alunos a perceber que o som /x/ (xê) pode ser representado na escrita por letras diferentes: X e CH, daí a dúvida quando se tem de registrar uma palavra na escrita com esse som.

2. Agora leia em voz alta as palavras a seguir observando o som da letra X em cada uma delas.

caixa

texto

fixo

exercício

a) O que você percebeu em relação ao som do X nessas palavras?

Prof.(a), ajude os alunos a perceber que a letra X representa sons diferentes.

b) Em alguma dessas palavras o X representa o mesmo som que na palavra xícara?

Espera-se que os alunos percebam que a palavra caixa é a única em que o X tem o mesmo som que na palavra xícara.

31


c) Leia: A letra X pode representar sons diferentes: o som /x/ (xê) como em xícara, o som /s/ (sê) como em sexto, o som /ks/ como em táxi e o som /z/ (zê) como em exame.

d) Agora que você sabe quais são os sons da letra X, responda: que som essa letra representa em cada palavra do quadro acima?

Em caixa, som /x/; em texto, som /s/; em fixo, som /ks/; em exercício, som /z/. Prof.(a), retome os estudos anteriores que envolvem os diferentes sons da letra S. Mostre que em relação à letra X também acontecem variações. Essas descobertas favorecem a compreensão de que, da mesma forma que uma letra pode representar diferentes sons (como as letras X e S, por exemplo), um mesmo som pode ser representado por mais de uma letra (como os sons /x/ e /s/).

3.

Reúna-se com um colega e leiam em voz alta as palavras do quadro. Prestem atenção nos sons da letra X em cada palavra.

excelente

táxi

próximo

xícara

Quixote

exigente

boxeador

máximo

exato

exemplo

lixeira

oxigênio

a) No caderno, separem as palavras nos grupos listados abaixo, de acordo com o som da letra X.

Som /x/ xícara, Quixote, lixeira.

Som /z/ exigente, exato, exemplo.

Som /s/ excelente, próximo, máximo.

Som /ks/ táxi, boxeador, oxigênio.

b) Pesquisem em revistas e jornais outras palavras escritas com X e comple-

Prof.(a), organize uma lista com as palavras pesquisadas pelas duplas. A lista poderá ficar afixada na classe para servir de referência sempre que necessário. Incentive os alunos a consultar o dicionário sempre que tiverem dificuldade de entender o significado de alguma palavra. Prof.(a), mostre aos alunos a Espera-se que os alunos concluam que a letra X pode representar os seguintes sons: /x/, /s/, /z/ e /ks/. regularidade na grafia de palavras de uma mesma família.

tem os grupos listados acima.

4. Registrem no caderno as conclusões a respeito dos sons da letra X. 5. Escreva palavras da mesma família das palavras a seguir: táxi

taxista, taxímetro

próximo

aproximação, aproximar

exigente

exigência, exigir

exato

exatidão, exatamente

exemplo

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exemplificar, exemplar, exemplificação


conexões

HISTÓRIA

Os dois textos que seguem são depoimentos — declarações de duas autoras sobre suas experiências de leitura e escrita. O objetivo é que sirvam de motivação para que os alunos pensem sobre o assunto. Para a produção, contudo, o modelo é o texto de Ana Maria Machado, cuja estrutura é resgatada nas orientações para os alunos a seguir.

No relato que você leu de Ana Maria Machado, a autora relembra sua experiência de leitura e escrita. Essa experiência acontece de um jeito diferente para cada pessoa, e cada um de nós também a vê de forma diferente.

Depois de tantos livros publicados, devo contar aos pais, aos professores e às crianças com dificuldades que também tive as minhas. Não diferenciava alguns sons de letras como “f” e “v”, por exemplo. Meus pais valorizavam muito a formação intelectual. E aos 7 anos eu percebi que a expectativa deles era que eu teria dificuldades de leitura.

Acervo particular

Leia os depoimentos de outras duas escritoras sobre ler e escrever.

Para compensar essa situação, assim que me alfabetizei, tratei de escrever e ilustrar poemas, com a seguinte assinatura: “uma criança prodígio”. Tratei de negar o medo de decepcionar aos meus e a mim mesma. Minha mãe guardou esses poemas dedicados a ela e a meu pai. Nos versos falo do meu amor por eles e pela natureza. São legíveis, apesar das trocas de letras. Encontrei esses papéis na caixa de recordação da minha mãe, quando ela morreu. Depoimento extraído de entrevista cedida por Angela Lago ao Portal Cosac Naify em março de 2010. Disponível em: <http://editora.cosacnaify.com.br/ObraEntrevista/11347/40/Psiqu%C3%AA.aspx>. Acesso em: 6 maio 2014.

33


Victor Moriyama/Folhapress

Sempre gostei de brincar com palavras, com o som, com o ritmo, com a rima. Como eu tenho muito conhecimento em literatura para crianças, às vezes me dá um “estalo” e digo para mim: vou escrever assim. Também gosto de escrever crônicas, que são “acontecências”. Tudo o que acontece em volta de nós pode virar crônica. As crianças perguntam: de onde vem a ideia? A ideia não veio, eu a vi. Se usarmos os olhos para ver, não só para enxergar, veremos que acontecem coisas o tempo todo à nossa volta. As ideias pipocam e algumas dão crônicas e, às vezes, um livro. Depoimento de Tatiana Belinky, extraído de entrevista publicada em Coll, César; Teberosky, Ana. Aprendendo Português: conteúdos essenciais para o Ensino Fundamental de 1ª- a 4ª- série. São Paulo: Ática, 2000.

Converse com os colegas:

a) Para você, como foi aprender a ler e escrever? Resposta pessoal. b) Que recordações você tem da época em que começaram a ler para você ou de quando você começou a ler sozinho?

Resposta pessoal.

c) E como foi aprender a escrever? Que fatos marcaram esse momento tão importante de sua vida?

34

Respostas pessoais.


Produção de texto oral e escrito Relato pessoal

Prof.(a), o objetivo desta produção é levar os alunos a relatar, oralmente e por escrito, em 1ª- pessoa, acontecimentos importantes que marcaram o momento em que começaram a ler e a escrever.

Planejando o texto e fazendo o rascunho 1. Tente se lembrar do início de sua aprendizagem da leitura e da escrita e anote

essas recordações. Escreva quais foram os livros mais interessantes que você leu e quais foram os menos interessantes — e não se esqueça de dizer por que gostou ou não gostou de cada um deles. Escreva também sobre as ideias que eles traziam: falavam de situações que acontecem ou já aconteceram com você, como diz Tatiana Belinky? Ou levaram você para mundos diferentes, como no poema de Elias José? Fizeram você ver as coisas de um jeito diferente?

2. Organize essas anotações e escreva um texto sobre suas lembranças. Não deixe de falar dos sentimentos que tem quando está lendo ou escrevendo.

Trocando ideias e avaliando 3. Pronto

o texto, releia-o com atenção e reescreva os trechos que não estiverem claros. Mostre seu relato a um colega e leia o dele. Troquem ideias e façam as modificações necessárias. Vocês podem seguir as sugestões seguintes: Ficha de avaliação

• O texto está claro, é possível entender o que o colega quis dizer? • O autor do texto fala de experiências vividas por ele mesmo? • Foram relatados acontecimentos da vida pessoal do colega? • É necessário corrigir algum aspecto gramatical do texto? A acentuação das palavras, a pontuação e a concordância ajudam a tornar o texto compreensível?

4. Passe sua produção a limpo e entregue-a à professora, que fará a avaliação final.

Quando a receber de volta, guarde-a: a professora organizará uma leitura em voz alta na qual todos apresentarão seus relatos pessoais. Depois desse encontro, todos se conhecerão melhor.

35


2

Capítulo Prof.(a), relembre com os alunos que o texto é chamado de poema porque é escrito em versos. Ouça as hipóteses da turma sobre o significado da expressão cara de um, focinho do outro (semelhança física entre duas pessoas, no caso, o filho é parecido com o pai) e depois da leitura confirme as hipóteses levantadas.

Coisas de família

Texto 1 – Para preparar a leitura Observe o texto a seguir. Como você já viu no capítulo anterior, este texto também é um poema. Leia o título, consulte a fonte. O título é uma expressão conhecida. Você sabe o que ela quer dizer?

Cara de um, focinho do outro Guto Lins

Ele era um cara legal, um cara que metia a cara. Assim meio cara de pau, meio caradura. O tipo de cara que não fica com cara de tacho quando está cara a cara com o perigo. Era um cara que acertava de cara. Mas, de vez em quando, quebrava a cara. Dizem que era a cara do pai. Tipo cara de um focinho do outro. mas o cara gostava do coroa.

36

M10 - Victor B.

O pai do cara era um pouco careta,


Sabia que o coroa era um cara que não ficava mudando de cara. Nem com cara amarrada Nem com cara de quem comeu e não gostou E o coroa gostava do cara, da cara e da coragem do cara. Mas nunca teve cara de lhe dizer tudo isso na cara. Mas quem vê cara não vê coração. E os dois nunca ficaram cara a cara. O tempo então foi passando e o cara foi ficando coroa. E cada vez mais com a cara do coroa. Um dia ele ligou pro coroa e falou logo de cara: — Tô o maior coroa e o meu filho é a sua cara!

M10 - Victor B.

E o vovô viu a uva.

37


Aí os dois foram jogar dama na praça e jogar conversa fora. E tirar na cara ou coroa... Se o carinha era a cara do cara, ou a cara do coroa.

Prof.(a), o texto permite trabalhar interdisciplinarmente com a área de História, em uma atividade de identificação das semelhanças e diferenças entre os alunos e suas famílias.

Eles nunca descobriram, mas a resposta estava na cara. Lins, Guto. Cara de um, focinho do outro. São Paulo: Globo, 2008.

Quem é o autor? Guto Lins é designer, ilustrador, autor de muitos livros infantis e professor do Departamento de Artes e Design da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Para dialogar com o texto 1. A palavra cara aparece no título e repete-se várias vezes no poema. a) Ela é empregada sempre com o mesmo sentido?

Não, ela é empregada em sentidos diferentes.

b) Depois da leitura do poema, você mudou de opinião sobre o sentido que imaginou para a expressão “cara de um, focinho do outro”?

2. Observe o sentido das palavras e expressões destacadas abaixo. Ele era um cara legal, Assim meio cara de pau, meio caradura.

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M10 - Victor B.

um cara que metia a cara.


Responda:

a) Qual é o sentido da palavra cara no primeiro verso?

Cara significa pessoa, indivíduo.

b) O que significam as expressões “metia a cara” e “cara de pau”?

“Metia a cara” significa corajoso, destemido e “cara de pau” significa cínico, descarado, atirado.

c) O que quer dizer a palavra caradura?

O mesmo que “cara de pau”.

3. Encontre no texto as expressões abaixo. Escreva, o que cada uma delas quer dizer.

a) cara a cara

frente a frente

b) de cara

de imediato, rapidamente

c) quebrava a cara

se dava mal, errava

d) nunca teve cara

nunca teve coragem

e) cara ou coroa

jogo com moeda (cara e coroa são os lados da moeda)

f) estava na cara

estava claríssimo, era óbvio

39


4. Qual é o significado de coroa nos versos a seguir? O pai do cara era um pouco careta, mas o cara gostava do coroa. Pai.

O tempo então foi passando e o cara foi ficando coroa. Velho.

E tirar na cara ou coroa... O lado da moeda que traz seu valor.

5. Encontre no texto e escreva: a) algumas características da personagem que o narrador identifica como “o cara”.

Era legal, cara de pau, corajoso, acertava quase sempre, era parecido com seu pai.

b) algumas características do pai, “o coroa”.

Era um pouco careta, não mudava de cara, gostava do filho, que achava bonito e corajoso.

6. Até o verso 24 são apresentadas as características das duas personagens, que

“nunca ficaram cara a cara”. Passa o tempo e aparece uma terceira personagem. Quem é e com quem se parece? É o carinha, o neto do coroa, que se parece com o cara (pai) e com o coroa (avô).

7. O que pai e filho disputavam na cara ou coroa? Disputavam com quem o neto (o carinha) se parecia mais.

40


Para estudar o poema narrativo

Prof.(a), é possível dividir o texto de diferentes formas. A divisão pela qual optamos tenta marcar a sequência narrativa com as seguintes fases: apresentação da personagem principal, introdução do conflito, encaminhamento do desfecho e desfecho/encerramento da narração.

1. Observe o texto que você leu dividido em partes.

Releia cada parte e explique o que acontece em cada uma delas.

Cara de um, focinho do outro PARTE 1 – INTRODUÇÃO Ele era um cara legal, um cara que metia a cara. Assim meio cara de pau, meio caradura. O tipo de cara que não fica com cara de tacho quando está cara a cara com o perigo. Era um cara que acertava de cara. Mas, de vez em quando, quebrava a cara. Apresentação e descrição da personagem: uma pessoa legal e destemida que se saía bem na vida, de maneira geral.

PARTE 2 – DESENVOLVIMENTO Dizem que era a cara do pai. Tipo cara de um focinho do outro. O pai do cara era um pouco careta, mas o cara gostava do coroa. Sabia que o coroa era um cara que não ficava mudando de cara. Nem com cara amarrada Nem com cara de quem comeu e não gostou E o coroa gostava do cara, da cara e da coragem do cara. Mas nunca teve cara de lhe dizer tudo isso na cara.

41


Mas quem vê cara não vê coração. E os dois nunca ficaram cara a cara. Descrição do relacionamento da personagem com seu pai, com quem se parecia muito e de quem gostava, porque o achava, embora careta, sincero e bem-humorado. O pai também gostava do filho, da sua coragem, mas eles não diziam o que pensavam um do outro.

PARTE 3 – DESENVOLVIMENTO O tempo então foi passando e o cara foi ficando coroa. E cada vez mais com a cara do coroa. Um dia ele ligou pro coroa e falou logo de cara: — Tô o maior coroa e o meu filho é a sua cara! E o vovô viu a uva. Indicação da passagem do tempo: conforme amadurecia, o filho ficava cada vez mais parecido com o pai. Ocorre também o surgimento de mais uma personagem: o neto, que segundo o pai era muito parecido com o avô.

PARTE 4 – DESFECHO Aí os dois foram jogar dama na praça e jogar conversa fora. E tirar na cara ou coroa... Se o carinha era a cara do cara, ou a cara do coroa. Eles nunca descobriram, mas a resposta estava na cara. Encerramento: encontro das personagens pai e filho, que foram passear na praça e discutir com qual deles o neto se parecia mais. Não chegaram a nenhuma conclusão, mas é claro que o neto se parecia com os dois.

42


2.

Quantos versos tem o poema? E quantas estrofes? O poema tem 39 versos e seis estrofes. Prof.(a), ajude os alunos a localizar e a contar os versos e as estrofes.

3. Apesar de ser escrito em versos, esse texto é narrativo. a) Quem são as personagens?

O cara, o pai do cara (o coroa) e o filho do cara (o carinha).

b) Quem conta a história é o narrador. No texto, o narrador é também uma das personagens ou apenas conta os acontecimentos sem participar deles?

Ele apenas conta os acontecimentos, não participa deles como personagem.

4. No texto, aparece a fala de uma personagem. Qual? Como é indicada? “— Tô o maior coroa e o meu filho é / a sua cara!”. A fala é indicada pelo travessão.

5. Muitas vezes os poemas apresentam uma linguagem mais lúdica, isto é, divertida, brincando com palavras ou expressões.

a) Em sua opinião, isso acontece com o texto Cara de um, focinho do outro?

Sim.

b) Com que palavras o texto brinca?

O texto brinca com as variações de significado das palavras cara e coroa.

c) Se a mesma história fosse contada sem esse jogo de palavras, ela seria mais ou menos agradável de ler?

Prof.(a), é provável que alguns alunos respondam que sem o jogo de palavras a história seria mais agradável, pois ele dificulta a leitura, mas é importante que eles percebam a intenção do autor de tornar o texto mais lúdico e com linguagem mais próxima do cotidiano. É importante que os alunos percebam que decifrar a linguagem poética é um jogo que traz o prazer de brincar com as palavras.

6. Em prosa, reconte a história resumidamente no caderno.

É a história de um cara legal e corajoso, parecido com seu pai. Eles se gostavam, mas não diziam isso um ao outro. Quando o filho amadureceu e teve seu filho, percebeu que a criança se parecia com o avô. Numa ocasião, pai e avô saíram juntos e disputaram na cara ou coroa com qual deles a criança mais se parecia. Eles não chegaram a nenhuma conclusão, mas era evidente que os três eram parecidos.

43


Para refletir sobre nossa língua Ortografia: uso do h inicial e em dígrafos 1.

Fale as palavras em voz alta.

história

homem

hoje

havia

a) Circule a primeira letra de cada palavra acima. b) Esconda a letra H com o dedo e leia novamente. O que você observou dessa segunda leitura?

Espera-se que os alunos concluam que a letra H no início das palavras, seguida de vogal, não tem som. O som que se ouve é o das vogais i, o, a. Prof.(a), certifique-se de que os alunos concluíram corretamente. Se necessário, faça o registro da resposta com a ajuda coletiva da classe.

c) Pesquise outras palavras, em revistas e jornais, com a letra H inicial e escreva-as abaixo.

2.

Leia em voz alta as palavras da primeira coluna e as da segunda coluna. Observe o que acontece com as letras C, L e N quando vêm seguidas da letra H.

taco

tacho

fila

filha

tina

tinha

Prof.(a), faça o registro das palavras no quadro e incentive os alunos a observar a mudança de significado e de som provocada pela presença da letra H das palavras tacho, filha e tinha.

Agora responda:

a) O que você percebeu de diferente entre as palavras da primeira e as da segunda coluna?

44

Prof.(a), ajude os alunos a perceber que, quando o H se junta às consoantes C, L ou N, essa combinação produz um único som (dígrafo). No caso, são formados respectivamente os dígrafos CH, LH e NH.


b) Reveja os exemplos da página anterior e transforme as palavras abaixo acrescentando a letra H.

cama

chama

penha

caco

cacho

mala

malha

toca

tocha

sono

sonho

coceira

3.

pena

cocheira

tela

gana

ganha

bola

mina

minha

vela

telha bolha velha

Procure mais dígrafos com H nos textos Caixa mágica de surpresa (p. 12) e Livros: o mundo numa rede encantada (p. 27) do capítulo 1. Copie as palavras encontradas, separando-as nos seguintes grupos: Grupo CH cheio, bichos, gorducho, chapéu, Sancho, China, Machado

Grupo LH olhos, ilha, velhos, coelho

Grupo NH sonhos, companheiro, tinha, escrivaninha, minha, espanhóis, conhecendo, porquinhos, patinho, conhecidos, conheci, embrenhei, montanhas, casinha, sonhei, conhecer

Prof.(a), comente com os alunos que algumas palavras estrangeiras têm consoante seguida de H, mas não formam dígrafo, como é o caso de Christian, Marsh ou Phileas. Lembre-os também de que Machado é com maiúscula, no caso, por ser nome próprio, o sobrenome da autora Ana Maria Machado.

4. Pesquise palavras que têm CH, LH e NH. Anote-as abaixo e circule os dígrafos de vermelho.

45


Para refletir sobre nossa língua Gramática: pronomes 1.

Faça uma leitura silenciosa do conto que segue.

O ovo Ferreira Gullar

Prof.(a), o objetivo deste estudo é levar os alunos a perceber que alguns pronomes (como os pronomes pessoais de terceira pessoa ele(s), ela(s), o(s), a(s), lhe(s), se, lo, la) estão diretamente relacionados com a retomada do referente, por isso são um importante recurso para a coesão textual, além de evitar repetições desnecessárias.

Aquele restaurante era tão triste como a maioria desses pequenos restaurantes que, depois das sete da noite, dão de comer à fauna dos trabalhadores noturnos. Pessoas sozinhas em mesas de dois e quatro lugares, pessoas que são sempre as mesmas, àquela hora, mas que não se falam nem se cumprimentam. Comem em silêncio e vão embora. O ambiente era esse até que apareceu o homem do ovo, um sujeitinho magro de cara chupada. — Já escolheu? — Quero um ovo, mas nem cozido, nem frito, nem quente... — Como? — Quero um ovo entre cozido e quente, sabe? Nem muito mole, nem muito duro. Era natural que a coisa não desse certo. O garçom pediu na cozinha “um ovo cozido malpassado”. Trouxe-o para a mesa, o homenzinho olhou e desaprovou com a cabeça: estava mole demais. O garçom desculpou-se e prometeu trazer outro ovo, no “ponto” exato. Trouxe. O homenzinho de novo desaprovou: estava duro demais. “Como hoje assim mesmo; amanhã, daremos um jeito.”

M10 - Victor B.

Na noite seguinte, disse ao garçom: “Avise ao cozinheiro que deixe o ovo ferver durante três minutos e meio, nem mais nem menos”. Mas ainda não era dessa vez que se atingiria o ideal. “Sei o que foi” — disse o freguês —, “ele pôs o ovo na caçarola antes da água ferver”. O próximo ovo teria mais chance. “Lembre-se: três minutos e meio precisamente.” O garçom explicou que não tinha relógio, o cozinheiro também não.

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Veio o dono do restaurante. “Precisamos de alguém que controle o tempo de preparo de um ovo”, explicou-lhe o homenzinho. O dono controlaria. “Quando a água ferver, me avise e eu dou o sinal para colocar o ovo na panela. Nosso amigo fica observando o ponteiro de segundos, OK?” A essa altura o restaurante parara para acompanhar a operação ovo. “Começou a ferver.” “Pronto, ponha o ovo na panela.” Durante três minutos e meio houve um silêncio total. “Pode tirar”, gritou o patrão. E quando o garçom veio com o ovo, os fregueses rodearam a mesa do homenzinho, que já o descascava: “Ótimo”. E a partir desse dia, o restaurante ganhou outra vida: chegada a hora do ovo, todos paravam de comer e ficavam esperando. [...] Mas o homenzinho procurou outro restaurante onde pudesse controlar o tempo exato de seu ovo e comê-lo em paz.

M10 - Victor B.

Gullar, Ferreira. O ovo. In: Acontece na cidade. São Paulo: Ática, 2005.

2.

Responda.

a) Como o conto caracteriza o restaurante e os clientes?

O restaurante era triste e silencioso. Os clientes eram solitários.

b) Que palavras são usadas para se referir ao cliente que pediu o ovo?

Homem do ovo, sujeitinho magro de cara chupada, homenzinho, freguês.

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3.

Releia os trechos abaixo e responda às questões.

a)

Na noite seguinte, disse ao garçom: “Avise ao cozinheiro que deixe o ovo ferver durante três minutos e meio, nem mais nem menos”. Mas ainda não era dessa vez que se atingiria o ideal. “Sei o que foi” — disse o freguês —, “ele pôs o ovo na caçarola antes da água ferver”.

Em “ele pôs o ovo na caçarola antes da água ferver”, a quem se refere a palavra ele?

b)

Ao cozinheiro.

O garçom pediu na cozinha “um ovo cozido malpassado”. Trouxe-o para a mesa, o homenzinho olhou e desaprovou com a cabeça: estava mole demais.

Em “Trouxe-o”, o o é usado para substituir uma palavra anterior, um substantivo. Qual?

c)

O substantivo ovo.

Pessoas sozinhas em mesas de dois e quatro lugares, pessoas que são sempre as mesmas, àquela hora, mas não se falam nem se cumprimentam.

Em “mas não se falam nem se cumprimentam”, a que palavra anterior o se se refere?

d)

O se refere-se à palavra pessoas.

Veio o dono do restaurante. “Precisamos de alguém que controle o tempo de preparo de um ovo”, explicou-lhe o homenzinho.

Em “explicou-lhe”, o lhe é usado para se referir a uma personagem. Qual?

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Ao dono do restaurante.


4. Leia:

Prof.(a), deixe claro para os alunos que a repetição de palavras não é proibida, pois, às vezes, ela é esclarecedora. O que eles devem evitar é o excesso de repetições e, para isso, um dos recursos que têm à disposição são os pronomes pessoais ele(s), ela(s), o(s), a(s), lhe(s), se.

As palavras ele, o, se e lhe, destacadas na atividade anterior, são chamadas de pronomes. Elas servem para substituir os nomes (substantivos) e evitar a repetição desnecessária das palavras.

5.

Releia o trecho a seguir observando o substantivo e o pronome destacados.

M10 - Victor B.

Mas o homenzinho procurou outro restaurante onde pudesse controlar o tempo exato de seu ovo e comê-lo em paz.

a) A quem o pronome -lo se refere? Que palavra ele substitui?

Refere-se a ovo, palavra que substitui.

b) Para que serve essa substituição?

Essa substituição serve para evitar a repetição do substantivo ovo.

6. Leia: Os pronomes pessoais o(s), a(s) podem ser representados pelas formas lo(s), la(s), no(s), na(s).

7. Sente-se com um colega e, juntos, observem o uso dos pronomes. ele(s), ela(s)

O homem e seu pai eram caras legais.

Eles eram caras legais.

A criança era parecida com o avô.

Ela era parecida com o avô.

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o(s), a(s)

lo(s), la(s)

no(s), na(s)

lhe(s)

O garçom levou o ovo à mesa.

O garçom levou-o à mesa.

O dono do restaurante observou os ovos.

O dono do restaurante observou-os.

O homenzinho queria comer o ovo sossegado.

O homenzinho queria comê-lo sossegado.

O cara deveria jogar a moeda para saber com quem o filho se parecia.

O cara deveria jogá-la para saber com quem o filho se parecia.

As pessoas observaram o homenzinho do ovo.

As pessoas observaram-no. Ou: As pessoas o observaram.

Aqueles clientes adoram os ovos.

Aqueles clientes adoram-nos. Ou: Aqueles clientes os adoram.

O homem mostrou a criança ao avô.

O homem mostrou-lhe a criança. Ou: O homem lhe mostrou a criança.

O garçom entregou o ovo aos fregueses.

O garçom entregou-lhes o ovo. Ou: O garçom lhes entregou o ovo.

Agora façam como nos exemplos: substituam a expressão destacada pelo pronome adequado.

a) O cozinheiro deixou o ovo cozinhando durante três minutos.

O cozinheiro deixou-o cozinhando durante três minutos.

b) Os clientes adoraram a comida do restaurante.

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Os clientes adoraram-na./ Os clientes a adoraram.

Prof.(a), ajude os alunos a perceber que, quando juntamos os pronomes o(s), a(s) a verbos terminados em R, esta letra deixa de existir, o verbo passa a ter acento gráfico e os pronomes assumem as formas lo(s) ou la(s). Nos verbos terminados em M, não há alteração e os pronomes assumem as formas no(s) ou na(s).


c) O avô resolveu convidar o filho e o neto para almoçar.

O avô resolveu convidá-los para almoçar.

d) Pai e filho foram jogar dama na praça.

Eles foram jogá-la na praça.

8. Reescreva os textos abaixo substituindo os termos destacados por um destes pronomes: ele, eles, lhe, o.

Prof.(a), discuta com os alunos as possibilidades de reescrita. É interessante escrever diferentes versões no quadro para que os alunos possam perceber os recursos disponíveis.

a) O homem era parecido com o pai e gostava muito dele, mas o homem e o

pai não conversavam muito. Quando teve um filho, o homem achou que a criança era parecida com o avô. Então o homem chamou o pai para contar isso ao pai.

O homem era parecido com o pai e gostava muito dele, mas eles não conversavam muito. Quando teve um filho, o homem achou que a criança era parecida com o avô. Então ele chamou o pai para contar-lhe isso.

b) O dono do restaurante entrou e observou os clientes. O homenzinho chamou

o dono do restaurante e disse que o ovo não estava bom. O homem do ovo, então, tentou pagar ao dono do restaurante o que tinha consumido, mas o dono do restaurante não aceitou.

O dono do restaurante entrou e observou os clientes. O homenzinho chamou-o e disse que o ovo não estava bom. O homem do ovo, então, tentou pagar-lhe o que tinha consumido, mas ele não aceitou.

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Texto 2 – Para preparar a leitura Observe o texto a seguir. Leia o título, o nome do autor, a fonte. Observe as imagens. Você imagina o que seria um tapete escorregador? Já ouviu o título faz um jogo de palavras com “tapete voador”, falar em alguma expressão parecida? Prof.(a), remetendo à história de Aladim.

Tapete escorregador – parte I Édimo de Almeida Pereira

Que mistério tinha aquele tapete?, perguntavam-se todos. E ficaram na dúvida por muito tempo, até que uma vez Mariana veio passar uma temporada na cidade. Ela e o primo gostaram disso, pois poderiam brincar bastante. Já tinha se passado uma semana, desde a chegada da prima Mariana. A mãe do Júlio havia comprado uma infinidade de doces e uns bombons de chocolate branco muito grandes de que a menina gostava. O primo, é claro, foi beneficiado com umas balas de gelatina, de várias cores e sabores, que a mãe também se lembrou de comprar.

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M10 - Victor B.

O irmão mais velho caíra. Também caíram o pai e a mãe. Os avós maternos só não tiveram a mesma sorte porque, alertados com tantas quedas acontecidas e relatadas, tinham se convencido de que não era nada seguro transitar pelo quarto do Júlio. Esse, o dono do quarto, não tinha caído uma vezinha sequer — apesar de só andar aos pinotes pela casa toda. Ah, quem também nunca tinha caído, ou mesmo levado um pequeno escorregão, era a Mariana, a prima do Júlio, que sempre vinha da fazenda para passar alguns dias na cidade. Ela gostava muito de correr por todos os lados, na companhia do menino. [...]


M10 - Victor B.

Tudo ia muito bem, não fosse uma tarde de chuva. Aliás, a tarde não foi inteiramente de chuva; apenas o finalzinho dela. Júlio e Mariana brincavam à frente da casa com outros amigos da vizinhança. [...] Era a rua ideal para brincadeiras. E lá estava a meninada, correndo num pique-esconde divertido que já durava várias horas. A avó advertia para tomarem cuidado com aquela correria. Era para prestarem atenção se não vinha carro pela rua e para não quebrarem as roseiras de Dona Madalena com aquela história de se esconderem no jardim da casa dela. [...] À noitinha é que a coisa toda ficou chata. Mariana tinha pegado um resfriado daqueles... Uma tosse muito forte sacudia seus seis anos, acompanhada de uma febre que, ao que tudo indicava, iria piorar. — Lá na fazenda, quando a gente gripa, a mamãe faz um chá de poejo e a gente sara logo — disse Mariana ao primo. O menino achou esquisito o nome daquele chá. Poejo. Foi falar com a mãe, para assuntar a coisa. Será que dava certo mesmo? Se desse era melhor que injeção. Toda vez que gripava, o Seu Loló da farmácia teimava em lhe aplicar uma injeção. O pai, entendido em assuntos de Biologia, dizia que de nada adiantava, pois a vacina era uma prevenção. De nada serviria vacina contra gripe em gente já gripada. Só sei que essa conversa de injeção e prevenção, valendo ou não, acabava em agulhada. Foi aí que a mãe do Júlio explicou que a tia Heloísa, seguindo uma receita de família, fazia um chá para combater o resfriado e a gripe. Ela usava o poejo, uma plantinha rasteira de folhas perfumadas. Era remédio antigo, de pessoas como a avó de Mariana, e que dava certo, ela sabia. Na cidade, entretanto, havia outros recursos. Vacinas, antifebris em comprimido ou líquido. Com sabor de fruta e tudo! Qualquer coisa era só ligar para o pediatra e depois dar um pulinho na farmácia do Seu Loló. [...]

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Neste mesmo instante, Júlio teve a ideia de buscar para a prima o poejo, lá na fazenda. — De que jeito, primo? Então você não sabe que a fazenda fica muito longe daqui?

M10 - Victor B.

Júlio estava decidido. Eles iriam até a fazenda da tia Heloísa para buscar o chá. Disse para a prima se enrolar no cobertor e saltar para cima do tapete azul. Em seguida, deu uma olhadela pelos vidros da janela. A chuva tinha passado e o céu agora tinha poucas nuvens. Havia até uma lua e algumas estrelas. O ar estava fresco e limpo. A chuva tinha lavado a cidade, deixando a noite muito agradável. O menino abriu as duas partes da janela e, em seguida, sentou-se junto à prima. Estava próximo de revelar a Mariana o grande segredo do tapete. Abraçou a menina, que já estava enrolada no cobertor, e disse apenas duas palavras: “Quero viajar”. [...] Pereira, Édimo de Almeida. O menino assentado no meio do mundo e outros contos. Juiz de Fora: Funalfa Edições, 2003.

Prof.(a), depois das atividades de interpretação e estudo do gênero, os alunos serão orientados a escrever um desfecho para a história. Quando encerrarem a produção de texto, conhecerão o final dado pelo próprio autor.

Quem é o autor? Édimo de Almeida Pereira mora em Juiz de Fora, Minas Gerais. É autor de livros infantojuvenis, escultor e ilustrador.

Para dialogar com o texto 1.

Vamos identificar as personagens.

a) Qual é o nome das personagens principais, ou seja, dos protagonistas?

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Júlio e Mariana.


b) E das personagens secundárias com nomes próprios?

Tia Heloísa, Dona Madalena e Seu Loló. Prof.(a), além dessas personagens, há o irmão mais velho, o pai, a mãe, os avós maternos, outros amigos da vizinhança, a meninada, a mãe e a avó de Mariana e o pediatra.

2.

Júlio e sua prima são bons amigos? Como podemos perceber isso na história? Júlio e a prima são bons amigos. Podemos perceber isso porque os dois brincam juntos e por Júlio querer curar a prima do resfriado.

3. Segundo o texto, o que parece que vai acontecer com o menino e a prima? Parece que eles farão uma viagem mágica no tapete de Júlio para buscar poejo na fazenda.

4. Que tipo de remédio é usado contra resfriado/gripe na cidade e na fazenda? Justifique sua resposta.

Na cidade, usa-se vacina para prevenção. Na roça, usa-se chá de poejo para tratamento.

5. Para

reproduzir a fala das personagens, o autor do texto usa o discurso direto, ora com travessão, ora com aspas. Encontre no texto os trechos em que isso ocorre e copie-os. — Lá na fazenda, quando a gente gripa, a mamãe faz um chá de poejo e a gente sara logo; — De que jeito, primo? Então você não sabe que a fazenda fica muito longe daqui?; “Quero viajar.”

Discurso direto: reprodução fiel da fala da personagem. Pode ser marcado por travessão ou por aspas.

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Para estudar o texto narrativo 1.

Leia os verbetes de dicionário:

Verbete: palavra dos dicionários e enciclopédias seguida de explicações e informações sobre ela.

narração s.f. 1. Ação ou efeito de narrar. 2. Exposição verbal ou escrita de um fato; narrativa. narrar v.t. 1. Expor ou descrever minuciosamente. 2. Historiar. 3. Relatar; referir; contar. narrativa s.f. 1. Conto; história. 2. Ato de narrar; narração. Minidicionário Luft. São Paulo: Ática, 2001.

a) Explique com suas palavras, o que é um texto narrativo.

Resposta pessoal.

b) Por que o texto Tapete escorregador é narrativo?

Porque é um texto em que se conta uma história.

2.

Considerando o texto Tapete escorregador, responda às questões e encontre as características da narrativa.

a) O que acontece na história?

Mariana vai visitar o primo Júlio na cidade. Numa tarde, enquanto brincam, o tempo esfria e Mariana fica resfriada. Júlio decide, então, ir buscar na fazenda da tia Heloísa o chá que pode curá-la.

b) Com quem acontece a história?

Com Mariana e Júlio.

c) Quando acontece a história?

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Na temporada de Mariana na cidade.


d) Onde acontece a história?

3.

Na casa de Júlio. Prof.(a), na segunda parte do conto, que os alunos ainda não viram, a história se passa também na fazenda da tia Heloísa. Neste momento, contudo, tal resposta não é esperada, ainda que possa ser deduzida pela leitura.

Releia o trecho. Neste mesmo instante, Júlio teve a ideia de buscar para a prima o poejo, lá na fazenda. — De que jeito, primo? Então você não sabe que a fazenda fica muito longe daqui? Júlio estava decidido. Eles iriam até a fazenda da tia Heloísa para buscar o chá.

M10 - Victor B.

a) Repare que algumas linhas começam afastadas da margem esquerda. O que esse afastamento indica?

Indica o início de parágrafos. Prof.(a), para que os alunos entendam aos poucos o que é um parágrafo, é importante começarem a reconhecê-lo no perfil do texto para irem aprofundando essa concepção com base nisso.

b) Quantos parágrafos há no trecho?

Três parágrafos.

c) O narrador é também uma das personagens da história ou apenas relata os acontecimentos?

Espera-se que os alunos entendam que o narrador apenas relata os acontecimentos.

d) No trecho, o autor usa um sinal para indicar a fala de uma personagem. Que sinal ele usa e de quem é a fala?

Ele usa o travessão para indicar a fala da prima Mariana.

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4. No conto Tapete escorregador, a sequência dos acontecimentos é organizada da seguinte maneira:

• Apresenta-se uma situação inicial. • Em um determinado momento, acontece um problema. • Quando esse problema se resolve, apresenta-se um desfecho para a história. Levando em conta essa sequência, releia: Já tinha se passado uma semana, desde a chegada da prima Mariana. A mãe do Júlio havia comprado uma infinidade de doces e uns bombons de chocolate branco muito grandes de que a menina gostava. O primo, é claro, foi beneficiado com umas balas de gelatina, de várias cores e sabores, que a mãe também se lembrou de comprar.

M10 - Victor B.

Tudo ia muito bem, não fosse uma tarde de chuva. Aliás, a tarde não foi inteiramente de chuva; apenas o finalzinho dela.

a) Em que parágrafo o narrador apresenta a situação inicial, em que a visita da prima Mariana acontece em clima de grande tranquilidade?

No primeiro parágrafo.

b) Que expressão indica uma mudança na situação inicial e o surgimento de um problema?

Espera-se que os alunos indiquem o início do segundo parágrafo: ”Tudo ia muito bem, não fosse uma tarde de chuva.”.

c) Pensando no que você já leu dessa história, responda: que problema acontece na história?

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Mariana fica doente quando toma chuva.


Para refletir sobre nossa língua Gramática: concordância nominal 1.

Releia o trecho e observe as palavras destacadas. Júlio estava decidido. Eles iriam até a fazenda da tia Heloísa para buscar o chá. Disse para a prima se enrolar no cobertor e saltar para cima do tapete azul. Em seguida, deu uma olhadela pelos vidros da janela. A chuva tinha passado e o céu agora tinha poucas nuvens. Havia até uma lua e algumas estrelas. O ar estava fresco e limpo. A chuva tinha lavado a cidade, deixando a noite muito agradável.

a) A quais outras palavras do texto elas se referem?

Azul refere-se a tapete; fresco e limpo referem-se a ar; e agradável refere-se a noite.

b) Leia: Existem palavras que servem para indicar coisas, pessoas, lugares, acontecimentos, sentimentos, fenômenos. E existem palavras que servem para indicar as características dessas coisas, pessoas, lugares etc. Chamamos esses dois tipos de palavra de nomes, porque eles indicam os seres e suas características. Prof.(a), chame a atenção dos alunos para o fato de que tanto os substantivos (indicados no primeiro parágrafo do quadro)

c) Com base na leitura do quadro acima, separe as palavras usadas na resposta quanto os adjetivos (indicados no segundo parágrafo) pertencem à classe dos

do item a em duas colunas. nomes. Isso será muito importante para que eles,futuramente, entendam por que palavras como verde e brasileiro podem funcionar tanto como designadores quanto como qualificadores.

Nomes que indicam coisas, pessoas, lugares etc. Tapete, ar, noite.

Nomes que indicam características de coisas, pessoas, lugares etc. Azul, fresco, limpo, agradável.

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2.

Releia o fragmento abaixo. Foi aí que a mãe do Júlio explicou que a tia Heloísa, seguindo uma receita de família, fazia um chá para combater o resfriado e a gripe. Ela usava o poejo, uma plantinha rasteira de folhas perfumadas. Era remédio antigo, de pessoas como a avó de Mariana, e que dava certo, ela sabia.

a) No trecho acima estão destacados três nomes que indicam coisas: planti-

nha, folhas e remédio. Encontre as palavras que indicam as características desses nomes e escreva-as.

Rasteira, perfumadas e antigo.

b) Leia: As palavras usadas para dar nome às coisas, às pessoas, aos lugares etc. são chamadas de substantivos. As palavras que indicam as características dos substantivos são chamadas de adjetivos.

c) Como você descobriu quais adjetivos se referem aos substantivos destacados no trecho?

Prof.(a), ajude seus alunos a perceber que, além do fato de, geralmente, o adjetivo vir logo depois do substantivo, ele concorda em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural) com o substantivo a que se refere.

3.

Vamos recordar?

O adjetivo concorda em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural) com o substantivo a que se refere. Assim, se um substantivo está no masculino singular, temos de usar um adjetivo também no masculino singular. Se está no feminino e no plural, temos de usar o adjetivo no feminino e no plural. A esse processo damos o nome de concordância nominal. Veja: tapete vermelho cortina vermelha substantivo adjetivo masculino masculino singular singular

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substantivo adjetivo feminino feminino singular singular


© mauricio de sousa/mauricio de sousa produções

a) Leia a história a seguir:

SOUSA, Mauricio de. Chico Bento. São Paulo: Panini, n. 11, nov. 2007.

b) Imagine que você queira contá-la a outra pessoa. Como essa pessoa não viu os quadrinhos, você terá de contar quem são as personagens da história, como elas são e o que acontece. Com base nos quadrinhos, termine a história. Não se esqueça de usar travessão para iniciar a fala das personagens! Um dia, a Rosinha e sua prima se encontraram. A prima da Rosinha era uma menina loira, muito bonitinha, mas muito curiosa. Elas estavam conversando e a prima foi logo perguntando: — Como é o seu namorado, prima? Então a Rosinha respondeu: Prof.(a), ajude os alunos a identificar as características das personagens antes que eles escrevam a história. Para isso, escreva-as no quadro, relacionando-as às personagens. Enfatize a necessidade de o adjetivo concordar com o substantivo.

Para refletir sobre nossa língua Ortografia: tonicidade 1.

Leia as palavras em voz alta.

andar

tapete

dúvida

a) Separe as sílabas dessas palavras.

an-dar; ta-pe-te; dú-vi-da.

b) Pronuncie lentamente as palavras com as sílabas separadas. Identifique a sílaba forte e as sílabas fracas de cada palavra.

andar – sílaba forte: dar; sílaba fraca: an; tapete – sílaba forte: pe; sílabas fracas: ta, te; dúvida – sílaba forte: dú; sílabas fracas: vi, da.

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2. Sabendo que as sílabas dar, pe e dú da atividade 1 são chamadas tônicas e as outras são chamadas átonas, converse com seus colegas e responda:

a) O que são sílabas tônicas?

São as sílabas fortes, pronunciadas com mais força.

b) O que são sílabas átonas?

São as sílabas fracas, pronunciadas com menos força.

3.

Leia as palavras de cada grupo em voz alta observando a posição da sílaba tônica. Grupo 1

Grupo 2

Grupo 3

até andar irmão escorregão

tapete fazenda chocolate resfriado

dúvida líquido próximo médico

Agora, responda: em qual desses grupos a sílaba tônica das palavras é sempre:

a) a última?

No grupo 1.

b) a penúltima?

No grupo 2.

c) a antepenúltima? No grupo 3.

4.

Dependendo da posição da sílaba tônica, as palavras podem ser chamadas de: oxítonas (grupo 1), paroxítonas (grupo 2) e proparoxítonas (grupo 3). Então, conclua:

a) O que são palavras oxítonas?

São palavras cuja sílaba tônica é a última.

b) O que são palavras paroxítonas?

São palavras cuja sílaba tônica é a penúltima.

c) O que são palavras proparoxítonas?

62

São palavras cuja sílaba tônica é a antepenúltima.


5.

Leia as palavras em voz alta, descubra as sílabas tônicas e depois responda: elas são oxítonas, paroxítonas ou proparoxítonas? São todas oxítonas.

será

avó

alguns

você

bambu

falar

daqui

também

Loló

b) Quais delas apresentam acento gráfico?

Será, você, avó, também, Loló.

c) O que se pode concluir sobre o acento gráfico nesse tipo de palavras? Todas as oxítonas terminadas em A, E, O e EM são acentuadas. Prof.(a), ajude os alunos a chegar a essa conclusão mostrando-lhes outros exemplos.

conexões

CIÊNCIAS

dabjola/Shutterstock

O poejo é uma planta medicinal, também conhecida como hortelãzinho, muito utilizada no tratamento de diversas doenças como diabetes, má digestão, gripes e resfriados. O seu nome científico é Mentha Pulegium e pode ser comprado em lojas de produtos naturais e farmácias de manipulação. O poejo serve para ajudar no tratamento para tosse, falta de apetite, digestão difícil, gases, cólicas intestinais, coriza, gripe, resfriado, catarro, bronquite, asma, vermes intestinais, febre, transtornos menstruais, crise nervosa e reumatismo. Disponível em: <www.tuasaude.com/poejo/>. Acesso em: 6 maio 2014.

Você conhece outras plantas medicinais? Informe-se sobre isso para contar aos colegas. Você pode conversar com pessoas mais velhas ou fazer pesquisas em livros, enciclopédias, sites.

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Produção de texto escrito Desfecho da história

O quê? Continuação/finalização do conto infantojuvenil, para compor um “varal de histórias”. Objetivos: recordar as características de um conto, enfatizar o ponto de vista do narrador-observador e criar um desfecho para a situação-problema apresentada.

Você acabou de ler a primeira parte do conto Tapete escorregador, de Édimo de Almeida Pereira. Que tal criar um desfecho para essa história?

Fazendo um rascunho Leia o trecho. O menino abriu as duas partes da janela e, em seguida, sentou-se junto à prima. Estava próximo de revelar a Mariana o grande segredo do tapete. Abraçou a menina, que já estava enrolada no cobertor, e disse apenas duas palavras: “Quero viajar”. [...]

M10 - Victor B.

1.

• Por que será que Júlio disse para Mariana se enrolar no cobertor e saltar sobre o tapete azul? O que será que aconteceu quando ele disse “Quero viajar”? Resposta pessoal.

2.

Continue a narrativa do ponto em que o texto parou. Escreva a continuação em uma folha avulsa orientando-se pelos itens abaixo:

a) Respeite os nomes das personagens e os locais mencionados na história. b) Comece a continuação da história no mesmo lugar onde a ação do trecho lido se desenvolve.

c) Organize os parágrafos:

• Mantenha o mesmo tipo de narrador da história inicial (o narrador não participa da história);

• Nas falas de personagem, use travessão e inicie parágrafo.

d) Crie um desfecho (um final) para a história. 64


Trocando ideias e avaliando 3.

Prof.(a), nesta revisão serão avaliados os aspectos comunicativos e discursivos (relacionados ao gênero estudado) e formativos (uso da letra maiúscula e da pontuação). Se achar necessário, acrescente à avaliação outros aspectos referentes ao uso da língua.

Leia sua história para um colega. Ele observará:

a) se os fatos vividos pelas personagens são contados de forma clara, dando continuação aos acontecimentos já apresentados;

b) se o desfecho está coerente com o início do texto e se o narrador-observador é mantido;

c) se o travessão é usado para marcar a fala das personagens no diálogo.

Prof.(a), incentive os alunos a agradecer a colaboração do colega no momento da revisão do texto. Estimule a amizade e o respeito entre os colegas da dupla, em um clima de harmonia e cordialidade. Promova sempre a variação na formação das duplas.

4. Com base no que o colega observou e sugeriu, releia o texto e modifique o que for necessário. Em seguida, entregue o texto à professora.

5.

Faça no texto os ajustes indicados pela professora. Passe-o a limpo em uma faça uma avaliação das produções anotando os tópicos em que houve maior incidência de folha avulsa. Prof.(a), desajustes nos aspectos mencionados. É importante dar um retorno da revisão. Uma boa estratégia é

escolher um dos contos e, com a permissão do aluno, escrevê-lo em uma folha de papel pardo para fazer uma avaliação coletiva. Destaque cada tópico, enfatizando aqueles em que os alunos tiveram maior ou menor dificuldade.

Apresentando o desfecho imaginado

6. Formem uma roda. Cada aluno vai ler seu desfecho da história em voz alta, enquanto os colegas escutam com atenção.

7.

Depois das apresentações, ajudem a professora a organizar um varal com os vários desfechos imaginados para o conto Tapete escorregador.

8. Agora, que tal conhecer o final dado pelo próprio autor? Leia-o e compare o

desfecho dele com o que você criou. Será que o seu texto ficou parecido com o do autor? Será que ficou completamente diferente? Descubra!

Tapete escorregador – parte II Édimo de Almeida Pereira

Para o espanto de Mariana, o tapete começou a se levantar do piso de madeira. Era um tapete voador... A menina quase não tinha palavras, e a tosse, essa já tinha passado há muito tempo. Os primos saíram voando pela janela. Na casa, ninguém havia percebido nada. Àquela hora da noite, a mãe do Júlio ainda estava ocupada preparando o jantar, o pai havia chegado há pouco do trabalho e lia o jornal na sala de televisão. Os avós estavam ocupados em rezar o terço, hábito de todos os dias. O

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irmão mais velho, com certeza, estudava em seu quarto. Ficava fácil voar sem que ninguém soubesse, além do mais era um voo mágico. Veloz e seguro para quem estava sobre o tapete azul. Num piscar de olhos, tinham chegado à fazenda da tia Heloísa. Mariana, então, apontou para onde costumava estar plantado o poejo. Estava no jardim, não na horta. As duas crianças desceram e Júlio se ocupou de colher uma boa quantidade da erva de cheiro adocicado. [...] Mariana tomou o chá que a tia havia feito para ela. A tosse deveria passar logo. Em seguida, cada um colocou um pé sobre o tapete e em minutos estavam todos na fazenda. Puderam, assim, explicar ao pessoal de lá, para a tranquilidade dos pais de Mariana, a visita pouco comum da filha e do sobrinho. Depois desta noite, ninguém mais caiu no quarto do Júlio, pois todos agora sabiam que o tapete azul era voador, era recomendado pisar sobre ele com o máximo cuidado, a menos que se quisesse uma viagem mágica. Algum tempo depois, veio da fazenda a tia Heloísa, querendo saber do vovô Theobaldo o endereço do comerciante Salim. Ela bem que compraria um tapete voador. Foi então que o Júlio, provocando o riso de todos, corrigiu a tia, dizendo: Tapete voador não, tia Heloísa, tapete escorregador!

M10 - Victor B.

Pereira, Édimo de Almeida. O menino assentado no meio do mundo e outros contos. Juiz de Fora: Funalfa Edições, 2003.

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LIVROS

Reprodução

CONHEÇA TAMBÉM •

A história de cada um, de Juciara Rodrigues. Editora Scipione.

Bruno e Amanda: histórias misturadas, de Pedro Veludo. Editora Quatro Cantos.

Classificados e nem tanto, de Marina Colasanti. Editora Record.

• • • • •

O menino e o arco-íris, de Ferreira Gullar. Editora Ática. O tapete voador, de Caulos. Editora Rocco. Se as coisas fossem mães, de Sylvia Orthof. Editora Nova Fronteira. Vamos brincar de escola?, de Ana Maria Machado. Editora Salamandra. Ver-de-ver-meu-pai, de Celso Sisto. Editora Nova Fronteira.

sites

• • • • •

<www2.uol.com.br/ruthrocha/home.htm> <www.ricardoazevedo.com.br> <www.tvcultura.com.br/aloescola/literatura/ceciliameireles> <www.recantodasletras.com.br> <www.recreionline.com.br>

Acessos em: 20 jun. 2014. CD

Os saltimbancos, de Chico Buarque. Polygram, 1977.

filmes

• •

A família Addams (Estados Unidos, 1991), Paramount.

O pequeno Stuart Little (Estados Unidos, 1999), Columbia Tristar Studios.

Toda a série Harry Potter (Inglaterra), Warner Bros.

A história sem fim (Estados Unidos/ Alemanha, 1984), Warner Bros.

Photos 12/Diomedia

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PARA concluir Nesta unidade, você leu histórias reais e inventadas que, de formas diferentes, demonstram a relação que as pessoas estabelecem com os livros. Agora você vai ler um texto que ajuda a explicar que esse contato dos homens com a escrita existe há muitos anos e é cheio de curiosidades. Leia o texto A história do livro e depois converse com os colegas e a professora sobre as informações apresentadas. Em casa, conte para alguém o que aprendeu. Prof.(a), o texto permite um trabalho interdisciplinar com a área de História, abordando a evolução da escrita, das pinturas rupestres aos dias de hoje.

A história do livro Ruth Rocha e Otávio Roth

Mary Evans/Diomedia

Superstock/Glow Images

O livro, do jeito que nós conhecemos, impresso em papel, apareceu no século XV, quando Johannes Gutenberg inventou a prensa de tipos móveis.

Johannes Gutenberg (c. 1398-1468), inventor alemão.

Gutenberg ao lado de sua máquina. Imagem sem data.

Prensa de tipos móveis: é o processo gráfico criado por Johannes Gutenberg. Gutenberg esculpiu cada letra do alfabeto em pequenas peças metálicas, os tipos. Em seu processo de impressão, esses tipos eram unidos de maneira a gerar frases e compor os textos. A técnica de impressão com moldes não era novidade — já tinha sido iniciada bem antes na China —, mas Gutenberg inovou a prática ao escolher para os seus tipos um material bem mais resistente e durável que o usado pelos chineses, de modo que a impressão ficava muito mais eficaz e rápida. Antes da prensa de tipos móveis, cada cópia de livro era feita à mão, página por página.

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Essa invenção foi uma verdadeira revolução. Pelo fato de ser muito mais barato, o livro impresso pôde alcançar muitíssimo mais gente, em todas as partes do mundo. O livro popularizado modificou a educação e o conhecimento [...]. Mas antes de ter a forma que tem hoje, o livro já existia. [...] Naturalmente a forma que os livros assumiram dependia dos materiais e dos instrumentos que cada povo tinha à sua disposição. E eram livros muito diferentes dos atuais. Quando se escrevia sobre barro, madeira, metal, osso e bambu, materiais rígidos, que não podiam ser dobrados, os livros eram feitos de lâminas ou placas separadas. Os materiais flexíveis, como tecido, papiro, couro, entrecasca de árvores e finalmente papel, permitiram outras soluções, como dobras e rolos. [...] Quando Gutenberg inventou a imprensa de tipos móveis, por volta de 1440, já existiam outros processos de impressão. Conta-se que no ano 700, no Japão, a imperatriz Shotoko mandou imprimir um milhão de cópias de uma oração budista para distribuir. Mas nesse tempo era preciso entalhar o texto na madeira, para imprimir. [...] Os chineses também conheciam o papel desde o primeiro século da era cristã. Mil anos antes de Gutenberg, já se faziam, na China, livros impressos no papel. Mas o papel só seria difundido na Europa a partir do século XIV, apesar de ter sido levado para a Espanha pelos árabes desde o século XII. [...] O livro tem sido durante os últimos séculos o instrumento mais importante do desenvolvimento intelectual e espiritual do homem e da sua possibilidade de aprender e progredir. Através do livro viaja-se para o passado e para o futuro. Conhecem-se o pensamento e a fantasia de outras pessoas e de outros povos. [...] Rocha, Ruth; ROTH, Otávio. A história do livro. São Paulo: Melhoramentos, 2002.

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Atividades complementares 1.

Prof.(a), este complemento tem o objetivo de auxiliar o trabalho diário do(a) professor(a). É composto de atividades complementares para cada unidade, que focalizam determinados tipos de texto e gêneros textuais, revendo e ampliando gêneros trabalhados nas unidades e atividades que retomam conhecimentos de gramática e ortografia trabalhados em sala de aula. A critério do(a) professor(a) poderá ser usado em sala de aula ou como lição de casa.

Leia o texto observando a discussão que é feita em torno da pontuação. Prof.(a), antes de pedir a resolução da atividade aos alunos, escreva no quadro a frase do primeiro parágrafo, que está sem pontuação, e peça a eles que pontuem de diversas formas procurando encontrar diferentes sentidos.

O valor da pontuação Luiz Bertin Neto

M10 - Diego C.

Um homem muito rico, sentindo que ia morrer, pediu papel e caneta e escreveu assim: “Deixo meus bens à minha irmã não ao meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres”. Nem teve tempo de pontuar o texto. Morreu. A quem ele teria deixado sua riqueza? Eram quatro os concorrentes. Chegou o sobrinho e fez estas pontuações numa cópia do bilhete: “Deixo os meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres”. Veio a irmã do homem em seguida e, com outra cópia do texto escrito, pontuou deste modo: “Deixo os meus bens à minha irmã. Não ao meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres”. Surgiu, então, o alfaiate, que, pedindo a cópia do original, fez esta pontuação: “Deixo os meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres”. Um juiz que estudava o caso achou que a vontade do morto devia ser os mais necessitados e achou que o texto deveria ser pontuado assim: “Deixo os meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada! Aos pobres”. Pra quem, afinal, deve ter ficado a herança? Adaptado pela autora com base em texto atribuído a Luiz Bertin Neto.

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2. Para que os textos tenham clareza de sentido, é necessário pontuá-los. Leia o

texto que segue procurando entendê-lo. Em seguida, reescreva-o no caderno substituindo os símbolos pela pontuação adequada. Não se esqueça de usar iniciais maiúsculas sempre que necessário. Prof.(a), acate outras possibilidades de pontuação desde que coerentes.

● ponto-final ou vírgula

Dia do Professor

M10 - Diego C.

♦ ponto de interrogação ou ponto de exclamação

No Brasil●, o Dia do Professor é comemorado em 15 de outubro●. Eessa data foi escolhida porque●, em 15 de outubro de 1827●, dom Pedro I decretou uma lei muito importante criando o Ensino Elementar no nosso país● . Oo decreto determinava as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender ● , como os professores seriam contratados e até qual seria o salário deles● . Os professores têm uma função essencial na sociedade● .Mmais do que ensinar a ler e escrever● , eles ajudam a formar o caráter de milhares de crianças●. Transmitem aos alunos valores como honestidade●, trabalho● , solidariedade●, amor e paz● . Por isso●, não se esqueça de dar um grande abraço nos seus professores e agradecer tudo que eles fazem por você♦! Que tal escrever sobre seus professores♦? Disponível em: <http://revistakidsonline.blogspot. com.br/2011/10/hoje-e-o-dia-do-professor-data-foi. html>. Acesso em: 13 jun. 2014.

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3. O texto a seguir é parte de um relato de Eva Furnari, em que ela fala sobre sua

profissão de escritora e ilustradora. Como você vai perceber, retiramos todos os sinais de pontuação e deixamos todas as palavras com letra minúscula.

a) Leia o texto e verifique se é possível compreendê-lo assim como está. inventar história é sempre a melhor parte de fazer um livro em geral me deito no sofá fecho os olhos e me concentro as imagens vão aparecendo na minha cabeça como se fosse um filme ou um sonho Catálogo da editora Ática.

b) Reescreva o texto pontuando-o da maneira como você imagina que a autora tenha feito originalmente. Use letras maiúsculas sempre que achar necessário.

“Inventar história é sempre a melhor parte de fazer um livro. Em geral me deito no sofá, fecho os olhos e me concentro. As imagens vão aparecendo na minha cabeça, como se fosse um filme, ou um sonho.” Prof.(a), essa é a pontuação feita por Eva Furnari, mas nada impede que os alunos usem ponto de exclamação, por exemplo, no lugar de alguns pontos-finais ou não usem vírgulas no último período. Acate outras pontuações, desde que coerentes.

4. O texto a seguir está bastante desorganizado: sem pontuação, sem parágrafos nem letras maiúsculas... Faça primeiro uma leitura silenciosa. Depois, no caderno, reescreva-o trocando os códigos pela pontuação correta.

Quando eu era pequena, morava num bairro só de casas. O lugar era tão calmo que nós podíamos brincar no meio da rua! Parecia uma cidade do interior, apesar de ser São Paulo! A turma do quarteirão era composta de dez crianças, sete meninos e três meninas: eu e duas gêmeas, minhas vizinhas. Uma era a Flávia e a outra, a Andreia. Junto com os meninos, aprontávamos pra burro: jogávamos bolinha de papel higiênico molhado no quintal da dona Amália, fechávamos a rua para fazer campeonato de rolimã, nos fantasiávamos de fantasmas para dar susto nas pessoas...

● ponto-final ou vírgula

▶ reticências ou dois-pontos

♦ ponto de interrogação ou ponto de exclamação ▪ parágrafo

▪quando eu era pequena● morava num bairro só de casas● o lugar era tão calmo que nós podíamos brincar no meio da rua♦ parecia uma cidade do interior● apesar de ser são paulo♦ ▪a turma do quarteirão era composta de dez crianças● sete meninos e três meninas▶ eu e duas gêmeas● minhas vizinhas● uma era a flávia e a outra● a andreia● junto com os meninos● aprontávamos pra burro▶ jogávamos bolinha de papel higiênico molhado no quintal da dona amália● fechávamos a rua para fazer campeonato de rolimã● nos fantasiávamos de fantasmas para dar susto nas pessoas▶ flora, Anna. O louco do meu bairro. São Paulo: Ática, 1999. Adaptado.

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Leia um trecho do texto Tapete voador. O irmão mais velho caíra. Também caíram o pai e a mãe. Os avós maternos só não tiveram a mesma sorte porque, alertados com tantas quedas acontecidas e relatadas, tinham se convencido de que não era nada seguro transitar pelo quarto do Júlio. Esse, o dono do quarto, não tinha caído uma vezinha sequer — apesar de só andar aos pinotes pela casa toda. [...] Que mistério tinha aquele tapete?, perguntavam-se todos. E ficaram na dúvida por muito tempo, até que uma vez Mariana veio passar uma temporada na cidade. [...]

M10 - Diego C.

5.

Pereira, Édimo de Almeida. O menino assentado no meio do mundo e outros contos. Juiz de Fora: Funalfa, 2003.

a) Separe as sílabas das palavras destacadas no texto e circule a sílaba tônica (a sílaba que é pronunciada com mais força).

tam-bém; a-vós; a-ler-ta-dos; re-la-ta-das; tran-si-tar; ve-zi-nha; pi-no-tes; ta-pe-te; dú-vi-da; a-té.

b) São oxítonas as palavras cuja sílaba tônica é a última. Das palavras do item a, quais são oxítonas?

Também, avós, transitar e até.

c) São paroxítonas as palavras cuja sílaba tônica é a penúltima. Das palavras do item a, quais são paroxítonas?

Alertados, relatadas, vezinha, pinotes e tapete.

d) São proparoxítonas as palavras cuja sílaba tônica é a antepenúltima. Das palavras do item a, quais são proparoxítonas?

Dúvida.

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e) Leia as palavras do quadro abaixo. Elas são oxítonas. vocês avó

Ceará

cipós

avô

café

sofás

amém

parabéns

Complete o quadro abaixo com as palavras do quadro acima. São acentuadas as palavras oxítonas terminadas em:

• A (AS), como • E (ES), como • O (OS), como

Ceará, sofás café, vocês avó, avô, cipós

• EM (ENS), como

amém, parabéns

6. Leia o texto. Prof.(a), prepare os alunos para entrarem em contato com texto narrativo, dividido em capítulos. Antes da realização da atividade, converse sobre o título: Talismã do Tibet. Talismã é um objeto ao qual se atribui poder; amuleto.

Talismã do Tibet Anna Flora

1 – O pessoal do meu prédio A coisa mais gostosa que existe é morar num prédio que tem quatro crianças por andar! Melhor do que isso só mesmo o caso do meu primo Mateus, que vive num edifício com trinta e dois amigos e eles montaram uma banda de olodum. Aqui em casa nós ainda não tocamos nenhum instrumento, mas o que a gente se diverte não está no gibi! Os encontros são lá embaixo, no pátio grande. A dona Filoca, que mora no térreo, sempre nos dá balas pela janela. Ela diz que tem muita pena de criança que vive em prédio, que antigamente quase todas as casas tinham quintais com mangueiras. Nós não temos mangueira, mas mesmo assim inventamos mil jogos. E eles variam conforme a moda, sabe? No último verão, todo mundo virou bafo com figurinhas plastificadas. O único problema é que pra ter as figurinhas

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M10 - Diego C.

você era obrigado a comprar umas marias-moles muito ruins, que a figurinha vinha com o doce e o seu Manoel da mercearia não vendia separado. O que sobrou de maria-mole em todos os andares, você nem queira saber! A dona Alice, mãe do Pedro, do Fernando e da Ciça, falou que quase ficou louca, que não sabia o que fazer com tanta maria-mole e ainda por cima ruim, que a Ciça ficou com dor de barriga e que os filhos estavam gastando toda a mesada com as figurinhas. Ainda bem que aqui em casa só sou eu e o Rex, que por sinal cheirou as marias-moles e não quis nenhuma.

Aí passou a onda das figurinhas; não demorou muito, surgiram os ioiôs com luz que queimavam depois de cinco minutos de uso. Foi tanta procura que o seu Manoel vendeu ioiô a prestação. Até o Tiago do oitavo andar — que é muito rico, vai pra Disney todo ano e vive dizendo que ioiô é brinquedo de terceiro mundo — até ele, quando viu o pessoal comprando, não resistiu e levou dezoito ioiôs “só pra experimentar”. 2 – A venda do seu Manoel Agora, confusão mesmo aconteceu com os talismãs. Deu o maior quiproquó e é isso que vou contar. Não sei bem se foi depois da moda das gelecas, ou antes dos girinos venusianos — uns bonequinhos horrorosos que custavam caro pra burro, e não valia ter um só, o legal era ter doze. Só agora que já passou é que eu penso: por que tinha que ter doze? Na hora de brincar a gente só usava um... Mas onde eu estava mesmo? Ah, nos talismãs! Começou assim: a turma jogava queimada no pátio quando o Beto chegou berrando: — Pessoal! Olha o que eu comprei no seu Manoel: um talismã do Tibet! — e mostrou uma pedrinha vermelha brilhante amarrada num fio preto.

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— Pra que serve? — a Bia perguntou. — Como pra que serve? — o Beto falou. — Serve pra proteger, pra dar força. Quem esfrega o talismã na mão fica poderoso. — Há, há, há... — a Bia gozou. — Quem te contou essa? O seu Manoel ou os monges tibetanos? Foi só risada, mas bem que eu reparei que todos estavam com um olho comprido na pedrinha... — Tem só três talismãs lá na venda... — o Beto informou. — Ah, é!? — todos exclamaram. Nessa tarde, quando saí da escola, passei no seu Manoel só pra dar uma espiada. — Não me venha dizer que você também quer talismã! — ele disse. — Por quê? — perguntei. — Você é a oitava que vem aqui hoje — ele respondeu. — Já encomendei mais pra amanhã.

M10 - Diego C.

Aí, no dia seguinte, eu fui e comprei um verde, a Bia escolheu um rosa-choque e a Dani levou um desbotado porque era o último.

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3 – A moda dos talismãs Os talismãs do Tibet fizeram o maior sucesso na escola! — Nós somos da tropa dos talismãs, vocês não são! — o Tiago provocava os outros. — E daí? — os alunos da quinta série enfrentaram. — E eu com isso? — os alunos da sexta falaram. Só que na saída do colégio havia uma fila imensa na venda do seu Manoel e tinha um cartaz pregado na parede: Talismã: Só vinte reais cada! — Vinte?! Mas até ontem o preço era dez! — reclamei espantada. Bom, a turma do prédio estava toda “talismanizada”. Quer dizer, quase todos. O Pedro, o Fernando e a Ciça não tinham comprado.

M10 - Diego C.

— Esta é uma remessa nova — ele respondeu.

— Pois é, nós somos três lá em casa e resolvemos ajudar. Ficou combinado que durante este mês nem o papai e a mamãe vão gastar com besteira. Eu sabia que os pais deles trabalhavam por conta própria — eu tinha ouvido a dona Alice conversar com a minha mãe no elevador. — Já explicamos para as crianças e todos vão controlar um pouco as despesas; é só por um tempo, até entrar mais projetos. Eu não falo nada, mas acho superlegal a dona Alice e o marido calcularem o que eles ganham e gastam junto com os filhos; não são que nem os pais do Tiago que dão tudo pra ele, senão o Tiago esperneia até conseguir. [...] FLORA, Anna. Talismã do Tibet. São Paulo: FTD, 2000.

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a) Localize o título do texto. Escreva-o.

Talismã do Tibet. Prof.(a), é interessante comentar com os alunos que Tibet apresenta ainda outra grafia: Tibete.

b) Observe o mapa abaixo e localize o Tibete. Explique onde está situado.

O Tibete fica na China.

50º

RÚSSIA

Geografia 0

ESCALA 383

maps world

Tibete

766 km

MONGÓLIA 40º

COREIA DO NORTE

130º

COREIA DO SUL

CHINA 30º

TIBETE NEPAL BUTÃO

ncer de Câ Trópico

BANGLADESH 80º

ÍNDIA Golfo de Bengala

MIANMA

VIETNÃ

OCEANO PACÍFICO

LAOS 90º

100º

110º

120º

Adaptado de Atlas geográfico escolar. Rio de Janeiro: IBGE, 2009.

c) É importante que um título, além de resumir o que o texto vai narrar, seja capaz de atrair a atenção do leitor. Você acha que o título do texto consegue isso? Explique sua resposta.

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d) Escreva o significado das expressões destacadas, de acordo com o contexto.

• “eles montaram uma banda de olodum”.

Banda carnavalesca da Bahia. Olodum, no ritual religioso do candomblé, significa “deus dos deuses” ou “deus maior”

• “o que a gente se diverte não está no gibi!”.

Ninguém consegue imaginar quanto, há muita diversão.

• “todo mundo virou bafo com figurinhas”.

Brincou com figurinhas, tentando virá-las com as mãos.

• “Deu o maior quiproquó”.

A maior confusão.

• “uns bonequinhos horrorosos que custavam caro pra burro”.

Eram muito caros.

• “todos estavam com um olho comprido na pedrinha”.

Desejando muito, querendo.

Prof.(a), verifique se há outras palavras ou expressões desconhecidas pelos alunos e converse com eles sobre o significado de cada uma. Proponha que, primeiro, eles digam o que acham que as palavras significam. Depois, peça que consultem o dicionário para verificar o significado correto.

e) Releia o trecho abaixo e responda às questões que seguem. — Pessoal! Olha o que eu comprei no seu Manoel: um talismã do Tibet! — e mostrou uma pedrinha vermelha brilhante amarrada num fio preto. — Pra que serve? — a Bia perguntou. — Como pra que serve? — o Beto falou. — Serve pra proteger, pra dar força. Quem esfrega o talismã na mão fica poderoso.

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— Há, há, há... — a Bia gozou. — Quem te contou essa? O seu Manoel ou os monges tibetanos? Foi só risada, mas bem que eu reparei que todos estavam com um olho comprido na pedrinha... — Tem só três talismãs lá na venda... — o Beto informou. — Ah, é!? — todos exclamaram. Nessa tarde, quando saí da escola, passei no seu Manoel só pra dar uma espiada. — Não me venha dizer que você também quer talismã! — ele disse. — Por quê? — perguntei.

Aí, no dia seguinte, eu fui e comprei um verde, a Bia escolheu um rosa-choque e a Dani levou um desbotado porque era o último.

M10 - Diego C.

— Você é a oitava que vem aqui hoje — ele respondeu. — Já encomendei mais pra amanhã.

• Que argumento convenceu Beto a comprar o talismã?

O argumento de que o talismã serve para proteger, para dar força; de que quem esfrega o talismã na mão fica poderoso.

• E por que quase todos compraram os talismãs?

Por causa da propaganda feita por Beto, que tornou a compra mais um modismo entre as crianças.

f) Qual o objetivo principal do texto Talismã do Tibet? Assinale a resposta correta.

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X

Narrar uma história.

Informar o leitor sobre o lançamento de um brinquedo.

Dar opinião sobre a vida de crianças que moram em apartamento.


g) Como são denominados textos como esse? Qual o gênero textual? Assinale a opção correta.

X

Conto infantojuvenil

Notícia

Crônica argumentativa

h) Releia o trecho.

i) Prof.(a), chame a atenção dos alunos para esse recurso, os subtítulos marcam a divisão da história em partes. É como se a história tivesse diferentes capítulos. Essa estratégia torna a leitura mais fácil e dá mais clareza à sequência dos acontecimentos da narrativa. “O pessoal do meu prédio” contém uma introdução da história, com apresentação das personagens e do ambiente em que a história acontece. “A venda do seu Manoel” é um capítulo em que o narrador conta sobre os modismos na compra de brinquedos. “A moda dos talismãs” é o capítulo em que o narrador começa a contar sobre o novo modismo, o dos talismãs. Prof.(a), em sala de aula, a atividade pode ser realizada em duplas ou grupos. O objetivo é levar os alunos a identificar a sequência dos acontecimentos e ensiná-los a fazer síntese. A atividade será mais proveitosa em ambos os aspectos se for feita coletivamente, sob sua orientação.

Só que na saída do colégio havia uma fila imensa na venda do seu Manoel e tinha um cartaz pregado na parede: Talismã: Só vinte reais cada! — Vinte?! Mas até ontem o preço era dez! — reclamei espantada. — Esta é uma remessa nova — ele respondeu.

Quantos parágrafos existem nesse trecho?

Quatro parágrafos.

i) O texto que você leu foi tirado de um livro escrito por Anna Flora. Para contar a história, a autora usou três subtítulos. Que fato principal é apresentado em cada parte?

7.

No final do livro Talismã do Tibet, a autora colocou o “Pequeno dicionário do conProf.(a), espera-se que os alunos associem o título à ideia de que terão informações sobre direitos do consumidor”. Leia-o. sumidor. Solicite aos alunos que escrevam no caderno as palavras que não conhecem e, depois, oriente-os a buscar o significado dessas palavras em um dicionário, relacionando-o ao contexto em que foram usadas.

Pequeno dicionário do consumidor Anna Flora

Alimento fraudado: é o que apresenta alguma alteração indevida em sua composição, em prejuízo do consumidor. Exemplo de fraude: colocar água no leite. Arrependimento de compra: se o consumidor comprou alguma coisa fora de uma loja (pelo telefone, pela internet ou pelo correio, por exemplo), ele tem direito de se arrepender da compra num prazo de sete dias e receber de volta o que pagou.

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Consumidor: toda pessoa que compra algum produto para uso próprio ou contrata alguém ou alguma empresa para prestar-lhe um serviço. Direitos do consumidor: leis que protegem o consumidor contra irregularidades cometidas por um fornecedor. Por exemplo, é direito do consumidor obter produtos e serviços que não ofereçam riscos quando usados apropriadamente, o de ter conhecimento do que está consumindo, de quanto custa, do que é feito, dos males que pode causar. O consumidor também tem direito de acesso à Justiça para reclamar direitos e de ter serviços públicos que funcionem bem. Fornecedor: é quem fabrica ou vende um produto ou presta um serviço. Ele é responsável pela qualidade e quantidade do que forneceu. Garantia: prazo durante o qual o fornecedor é responsável por qualquer defeito em um produto ou problema em um serviço. A garantia é dada pelo próprio fornecedor, mas há também a garantia da lei, um prazo de 30 a 90 dias, dependendo do tipo de produto. Nesse período, o fornecedor pode consertar o que vendeu ou fez, devolver o dinheiro recebido ou fazer um abatimento no preço.

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M10 - Diego C.

Código de Defesa do Consumidor: lei que estabelece os direitos do consumidor, como devem ser respeitados e as penalidades para quem não respeita esses direitos. Sua abreviatura é CDC.


Prazo de validade: data, que deve constar no rótulo de alimentos e medicamentos, entre outros produtos, que informa até quando podem ser consumidos. Depois dessa data, o consumo deles pode ser perigoso. Jamais se deve comprar ou consumir um produto com prazo vencido. Produto: é tudo o que se pode consumir. Alimento, roupa, máquina ou equipamento são produtos. Eles podem estar em seu estado natural (leite, feijão, arroz) ou ter sido fabricados (carro, tênis, televisão ou um simples hambúrguer). A lei só reconhece os direitos do consumidor quando ele compra produtos para o próprio uso. Propaganda enganosa: é a que contém informação falsa, podendo levar o consumidor a comprar um produto ou serviço diferente do que ele queria ou pensava que era. É proibida pela lei. Reclamação: exigência que o consumidor tem direito de fazer, dentro dos prazos da lei, para que o fornecedor atenda aos seus direitos nos casos de defeito ou outra irregularidade no produto ou serviço fornecido. Serviço: qualquer trabalho que alguém faz ou presta por encomenda ou pedido de outra pessoa. Por exemplo: um eletricista faz instalações elétricas da casa, uma agência de viagem vende passagem, uma empresa de serviços públicos fornece telefone e eletricidade, um plano de saúde presta assistência médica. Serviço público: é o que atende às necessidades do povo, como fornecimento de energia elétrica, água, esgoto e telefone, mediante o pagamento de uma tarifa que corresponda ao que foi consumido. A lei exige que os serviços públicos tenham qualidade e sejam prestados sem interrupção. Troca: reposição de um produto defeituoso. O consumidor tem direito de exigir a troca ou receber o dinheiro de volta. FLORA, Anna. Talismã do Tibet. São Paulo: FTD, 2000.

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a) Em que verbete do “Pequeno dicionário do consumidor” se encontram os problemas apresentados em Talismã do Tibet e relacionados abaixo?

• O caso da maria-mole ruim.

Alimento fraudado.

Prof.(a), antes de pedir a resolução das atividades, incentive os alunos a relatar as próprias experiências como consumidores. Pergunte se conhecem casos de fraude de alimentos ou de adultos que recorreram aos direitos dos consumidores para não serem lesados. É importante fazer com que eles relacionem suas vivências ao texto lido.

• O caso dos ioiôs com defeito.

Garantia e Troca.

b) Compare a história Talismã do Tibet com o “Pequeno dicionário do consumidor” e responda às questões.

• Que personagens representam na história o consumidor?

As crianças e seus familiares, que compram os produtos.

• Que personagem representa o fornecedor?

O seu Manoel.

c) Qual é a diferença entre serviço e serviço público?

O serviço pode ser prestado por uma pessoa ou empresa e praticado durante um período determinado. O serviço público é da competência do governo e deve ser executado sem interrupção.

d) Leia este outro trecho da história Talismã do Tibet para saber mais sobre o que aconteceu com os talismãs.

A mensagem secreta — Gente, olha só! Tem uma mensagem secreta no meu talismã! Por baixo da tinta lascada estava escrito: CONQUISTA. O Tiago, que é muito convencido, até esqueceu que o talismã estava quebrado e falou: — Eu tenho CONQUISTA, vocês não têm! É um recado mágico, eu sou o escolhido. [...]

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— Aí aconteceu uma coisa que você vai achar que eu estou mentindo, mas não estou não: a Bia chegou e o talismã dela também tinha quebrado e na parte rachada dava pra ler: VITÓRIA. [...] Foi então que o Beto, que é muito inteligente e bom em geografia, juntou os caquinhos dele, examinou tudo com uma lupa e depois de um tempo disse: — Pessoal, descobri o segredo! O talismã não é do Tibet, não. Tá aqui, ó: VITÓRIA DA CONQUISTA, BA. O talismã é baiano. FLORA, Anna. Talismã do Tibet. São Paulo: FTD, 2000.

• A que verbete do “Pequeno dicionário do consumidor” corresponde o que aconteceu com os talismãs da história?

Propaganda enganosa.

• Por que será que os fornecedores do produto criaram, então, o nome Talismã do Tibet?

espera-se que os alunos respondam que isso torna o produto mais atraente. O consumidor imagina que seja algo Prof.(a), diferente por ser de outro país.

e) Você já aprendeu que cada item do dicionário é denominado verbete.

• Qual a função de um dicionário? Para que serve no dia a dia?

Para consultar o significado de palavras ou expressões.

• Quantos verbetes tem o “Pequeno dicionário do consumidor”?

Catorze verbetes.

• O que é um verbete de dicionário? Que outros materiais contêm os verbetes? Se quiser, procure o significado no dicionário, ele pode ajudar você a dar uma explicação.

Verbete é um conjunto de significados que uma palavra ou expressão pode ter. Também existem verbetes em enciclopédias e glossários em geral.

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2 Levi Bianco/brazil photo press

Unidade

Grynold/Shutterstock

O mundo de hoje


cifotart/Shutterstock

Filipe Frazao/Shutterstock

Vivemos na época da tecnologia e das facilidades que a ciência proporciona, mas nem tudo é perfeito... Observe as imagens e converse com os colegas: Que problemas da vida moderna estão retratados nas fotos?


Para começar...

Prof.(a), esta unidade possibilita trabalhar interdisciplinarmente com a área de Ciências.

Prof.(a), converse com os alunos sobre os assuntos abordados nos cartuns, como meios de transporte, falta de área verde em grandes centros urbanos e o ritmo acelerado em que muitas pessoas vivem.

CAULOS/ACERVO CARTUNISTA/L&PM EDITORES

CAULOS/ACERVO CARTUNISTA/L&PM EDITORES

CAULOS/ACERVO CARTUNISTA/L&PM EDITORES

Observe os cartuns de Caulos:

CAULOS. Só dói quando eu respiro. Porto Alegre: L&PM, 2001.

88


1.

Sente-se com alguns colegas e conversem sobre os cartuns:

a) Vocês acharam os cartuns engraçados? Por quê?

Prof.(a), as duas primeiras questões devem ser respondidas apenas oralmente.

Respostas pessoais.

b) Descrevam detalhadamente as imagens. c) Apesar de bem-humorados, esses cartuns trazem uma mensagem séria, não é? Qual?

2.

Caulos faz uma crítica à falta de áreas verdes nas cidades (e, ampliando essa ideia, à ausência de consciência da necessidade de preservação da natureza), às condições desconfortáveis e, às vezes, desumanas em que vive boa parte da população urbana, ao ritmo muito acelerado das grandes cidades.

Vocês já viveram ou presenciaram alguma situação parecida com as mostradas nos cartuns? Contem aos colegas como foi. Resposta pessoal.

3. Agora

conversem entre si sobre os problemas da vida moderna: poluição, congestionamentos, falta de parques e de outras áreas de lazer nas cidades, pressa, consumismo (hábito de comprar demais) etc. Pensem no que vocês observam todos os dias em casa, na rua e na escola e expressem sua opinião sobre estas questões:

a) Quais desses problemas acontecem no lugar em que vocês moram? Resposta pessoal.

b) Há algum outro problema sobre o qual vocês gostariam de falar? Vocês têm alguma sugestão para solucioná-lo? Respostas pessoais.

c) O que deve ser mudado para que as pessoas possam viver melhor? Resposta pessoal.

d) De quem é a responsabilidade por essas mudanças: do governo, dos adultos, de todas as pessoas?

Resposta pessoal.

4. Para não se esquecerem do que discutiram, façam anotações no caderno. Se possível, selecionem imagens que mostrem os problemas levantados por vocês.

No dia marcado pela professora, apresentem aos colegas as conclusões a que chegaram, sobretudo as possíveis soluções para os problemas levantados. Prof.(a), estimule uma troca de ideias entre os alunos após as apresentações.

M10 Victor B.

5.

89


3

Capítulo

Criança que trabalha

Prof.(a), aproveite a oportunidade para verificar o conhecimento que os alunos têm sobre o trabalho infantil. Comente com eles o caso dos vendedores ambulantes nas cidades, das meninas empregadas como domésticas e das crianças que trabalham na lavoura, por exemplo.

Texto 1 – Para preparar a leitura O texto que você vai ler é uma reportagem. O assunto de que trata é um grave problema que muitos países enfrentam: o trabalho infantil. Leia o título do texto. Qual é sua opinião sobre crianças trabalharem?

Quem trabalha... não brinca Passar roupa, lavar louça, varrer casa são atividades de milhares de crianças brasileiras que fazem trabalhos domésticos. Leia algumas histórias Da enviada especial a Belo Horizonte

É domingo, dia de jogar futebol ou andar de bicicleta. Luciano, 10, deixa a brincadeira de lado e anda pela vizinhança, na favela Boa Vista, em Belo Horizonte (MG), à procura de trabalho: um terreiro para limpar, uma pia com vasilhas para lavar. Outra tarefa oferecida ao menino é lavar banheiros. Ele demora uns vinte minutos para limpar um banheiro bem sujo. “O preço depende do tamanho: se for um pequeno, cobro 1 real; um grande..., uns 3 reais”, calcula. O dinheiro é dividido com a mãe. ATENÇÃO PARA O PERIGO DE UMA CRIANÇA EXECUTAR ESTE TIPO DE TRABALHO, POIS HÁ RISCO DE CONTAMINAÇÃO PELO CONTATO COM VÍRUS E BACTÉRIAS E DE INTOXICAÇÃO POR PRODUTOS QUÍMICOS!

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Alamy/Glow Images

À procura de serviço


Para Luciano não é um trabalho difícil: “Primeiro jogo água, passo sabão na parede toda, lavo a pia e a privada com detergente. Depois esfrego um pano no chão e jogo um pouco de desinfetante”. Sábado também não é seu dia de descanso. Após ajudar a mãe a “arrumar o quartinho” onde mora, ele vai ao supermercado. “Ajudo o pessoal a carregar as coisas.” E a hora de brincar? “Quase não brinco de nada, não.” Luciano conta que foi ele quem decidiu, aos 8 anos de ida-

de, ir atrás de trabalho. “Não gosto de ficar parado, e a situação de casa não é boa.” A história de Luciano chama a atenção por ele ser um menino que é trabalhador doméstico — atividade feita por 95,6% das meninas no Brasil. Mas sua diversão ocorre durante a semana. Depois das aulas pela manhã, Luciano faz cursos de capoeira e de teatro na ONG Circo de Todo Mundo [...], em BH. (GR) ONG: sigla de Organização Não Governamental.

Sem tempo de fazer a lição de casa Gabriela Romeu Da Redação

Estela, 12, limpa a casa de uma vizinha, na favela paulistana onde vive, duas vezes por semana. Em Belo Horizonte (MG), Fátima, 10, ajuda a tia a cuidar dos filhos. Patrícia, 14, trabalha há três anos para uma família em Recife (PE) e diz ser tratada como filha. As meninas trabalham como empregadas domésticas para levar dinheiro para suas mães. Elas vão à escola, mas algumas dizem que ficam cansadas para fazer a lição e que pouco tempo sobra para brincar. As histórias das três são parecidas com os relatos de Roberta, 13, Angélica, 13, Amanda, 11. Elas — que integram o grupo de 502 mil crianças e adolescentes trabalhadores domésticos no país (dados de 1999) — dividem os ganhos com os pais. A Folhinha entrevistou crianças que trabalham para os pais, parentes, vizi-

nhos ou estranhos em troca de 1 real para lavar uma pia cheia de louça ou 10 reais por semana para cuidar de um bebê, por exemplo. Às vezes, elas só recebem comida, roupa, caderno. “Vale a pena trabalhar para ajudar em casa. Com o dinheiro, ajudo a comprar os mantimentos”, diz Estela, que ganha até 60 reais mensais. E o que é trabalho infantil doméstico? “É quando uma criança ou um adolescente abaixo de 16 anos fazem serviços domésticos para outras pessoas para conseguir o seu sustento, quando colaboram no sustento da família ou assumem as responsabilidades e funções dos adultos nas suas casas. Isso independe de eles receberem algo em troca, ou não, pelo trabalho que realizam”, explica Renato Mendes, da OIT. OIT: sigla de Organização Internacional do Trabalho. ROMEU, Gabriela. Folha de S.Paulo, São Paulo, 19 abr. 2003. Folhinha.

* Os nomes de crianças, familiares e empregadores da reportagem são fictícios.

91


Para dialogar com o texto 1.

Prof.(a), peça a alguns alunos que escrevam a resposta no

quadro e discuta a maneira como organizaram o parágrafo. É importante destacar a presença de elementos relacionadores ou da pontuação ajudando, por exemplo, a dar mais clareza ao texto. Os alunos tendem a escrever as respostas em uma única frase extensa; é necessário ajudá-los a organizar as ideias.

Na reportagem, são apresentados relatos de quatro crianças: Luciano, Estela, Fátima e Patrícia. Que idade elas têm, de onde são e que trabalho fazem? Escreva um parágrafo organizando essas informações. Sugestão de resposta: Luciano e Fátima, ambos com 10 anos, são de Belo Horizonte. Estela tem 12, é de São Paulo. Já Patrícia tem 14 e é de Recife. Todos eles fazem trabalhos domésticos para ajudar no orçamento familiar.

2.

Quanto ou o que essas crianças recebem pelo trabalho que realizam? Luciano recebe de 1 a 3 reais para lavar o banheiro; para as meninas que trabalham como domésticas o pagamento em dinheiro também varia (1 real para lavar a pia cheia de louça ou 10 reais por semana para cuidar de um bebê). Às vezes, recebem apenas comida, roupas e cadernos pelo trabalho.

3. A história de Luciano chama a atenção, segundo o texto, porque ele faz serviços

geralmente executados por meninas. Você acha que é por isso que a história dele deve realmente chamar a atenção? Prof.(a), lembre aos alunos que, além do diferencial quanto à ocupação, a história de Luciano chama atenção também por seu teor, o menino de dez anos que trabalha desde os oito anos para ajudar a mãe.

4. De acordo com a reportagem, por que essas crianças muitas vezes não fazem a lição da escola?

Porque ficam cansadas com o trabalho.

92


Para estudar a reportagem 1.

O texto Quem trabalha... não brinca é informativo. Por quê? Justifique. Espera-se que os alunos percebam que ele tem a finalidade de fornecer informações sobre determinado assunto.

2.

Qual é a fonte desse texto, isto é, onde ele foi publicado? Em um suplemento do jornal Folha de S.Paulo (Folhinha).

3. Releia a apresentação da reportagem e responda.

Quem trabalha... não brinca

Passar roupa, lavar louça, varrer casa são atividades de milhares de crianças brasileiras que fazem trabalhos domésticos. Leia algumas histórias a) Qual é o título?

O título é Quem trabalha... não brinca.

b) Abaixo do título há uma explicação. Como ela é chamada e para que serve?

A explicação, comum nos textos jornalísticos, é chamada de subtítulo. Ele delimita o assunto da matéria, especifica, para o leitor, o que será enfocado no texto. Nesse caso, explica que o texto trata do trabalho de crianças.

c) A quem a repórter se dirige na frase “Leia algumas histórias”?

Ao leitor.

d) Além do título, há dois intertítulos ou entretítulos. Escreva-os.

“À procura de serviço” e “Sem tempo de fazer a lição de casa”

Chamamos intertítulo ou entretítulo os títulos internos que dividem as matérias jornalísticas.

93


e) Que história é contada na primeira parte, “À procura de serviço”?

A história do menino Luciano, que procura trabalho nos finais de semana para ajudar a família.

f) E na segunda parte, “Sem tempo de fazer a lição de casa”?

A história de meninas que também fazem serviço doméstico e por isso acabam deixando de fazer as tarefas escolares.

4. Os textos informativos são organizados de modo a responder a algumas questões e, com as respostas, informar o leitor sobre determinado assunto ou fato. Veja:

O quê? (O fato que o texto relata)

Quem? (A pessoa de quem fala)

Quando? (O tempo, o momento em que o fato acontece)

Onde? (O local, o lugar do acontecimento)

• Como? (De que modo o fato ocorre) • Por quê? (A causa, o motivo da ocorrência) Responda a estas perguntas relacionando-as à primeira parte do texto.

a) O quê?

O trabalho de um menino de 10 anos.

b) Quem?

O menino Luciano.

c) Quando?

Nos fins de semana.

d) Onde? Na favela Boa Vista, em Belo Horizonte, MG.

94


e) Como?

Limpando terreiros, pias, banheiros...

f) Por quê?

Para ajudar a completar o orçamento da família.

5. A segunda parte da reportagem é concluída com uma definição de trabalho infantil doméstico.

E o que é trabalho infantil doméstico? “É quando uma criança ou um adolescente abaixo de 16 anos fazem serviços domésticos para outras pessoas para conseguir o seu sustento, quando colaboram no sustento da família ou assumem as responsabilidades e funções dos adultos nas suas casas. Isso independe de eles receberem algo em troca, ou não, pelo trabalho que realizam”, explica Renato Mendes, da OIT.

a) Explique com suas palavras: o que é trabalho infantil doméstico?

É o trabalho realizado em residências, feito por crianças menores de 16 anos, com a finalidade de conseguir dinheiro para colaborar no sustento da família.

b) Por que será que o texto foi concluído dessa maneira? Em sua opinião, o que esse desfecho provoca no leitor?

Prof.(a), converse com os alunos sobre essa informação, que ajuda o leitor a concluir que a exploração do trabalho infantil é um problema sério na sociedade em que vivemos e que deve ser solucionado, pois as crianças muitas vezes realizam tarefas inadequadas para elas, tarefas de adulto.

95


6. Observe os depoimentos das crianças entrevistadas. E a hora de brincar? “Quase não brinco de nada, não.” Luciano conta que foi ele quem decidiu, aos 8 anos de idade, ir atrás de trabalho. “Não gosto de ficar parado, e a situação de casa não é boa.” Às vezes, elas só recebem comida, roupa, caderno. “Vale a pena trabalhar para ajudar em casa. Com o dinheiro, ajudo a comprar os mantimentos”, diz Estela, que ganha até 60 reais mensais.

a) Que pontuação foi utilizada para indicar os depoimentos?

Os depoimentos foram escritos entre aspas.

b) De que maneira você acha que a repórter que escreveu a reportagem conseguiu esses depoimentos?

Espera-se que os alunos respondam que os depoimentos de entrevistados são conseguidos por meio de entrevistas. Prof.(a), é importante conversar sobre isso para que os alunos entendam todos os aspectos do gênero, como o objetivo comunicativo, o suporte textual e o modo de produção do gênero, entre outros.

Para conversar Prof.(a), ajude os alunos a perceber que a intenção provavelmente foi chamar a atenção do leitor para o problema da utilização indevida da criança como mão de obra. Mostre a diferença entre as obrigações educativas (arrumar a própria cama, recolher objetos pessoais espalhados pelo chão, arrumar a mesa para as refeições etc.), definidas pelos pais e responsáveis, e as tarefas que constituem exploração por parte de adultos e mesmo de crianças mais velhas.

Converse com os colegas sobre as questões abaixo:

1.

O texto foi publicado em um suplemento de jornal destinado ao público infantil. Por que você acha que isso foi feito?

2.

Você acha que as crianças se interessam ou deveriam se interessar pelo assunto Prof.(a), é importante mencionar que o assunto tratado é tratado nesse texto? Explique sua resposta. de interesse de todos, por ser um problema da sociedade como um todo. Discutir o assunto é uma das formas de conscientizar as pessoas sobre o problema e buscar soluções para ele.

3.

Que trabalhos você acha que as crianças não deveriam fazer? Prof.(a), comente com os alunos que, segundo a Constituição Brasileira, até os 16 anos a criança e os jovens devem se ocupar exclusivamente da escola, sendo garantidos o direito à educação, a brincadeiras e à proteção, além do convívio familiar e comunitário. Pela Constituição, tarefas educativas, como ajudar na hora de arrumar o quarto, tirar a mesa ou fazer a cama, não são trabalho infantil. Contudo, qualquer outra ocupação que envolva receber pagamento de terceiros é e deve ser proibida, especialmente se for sistemática e prejudicar a frequência escolar. O trabalho infantil afeta o acompanhamento escolar da criança e sua capacidade de criar e, em alguns casos, pode prejudicar mesmo o seu desenvolvimento físico, por expor o jovem, ainda em Respostas pessoais. crescimento, a ambientes e condições de trabalho insalubres.

4. Dê exemplos de tarefas que uma criança pode fazer. 5. 96

Você ajuda em casa? Fazendo o quê?


Texto 2 – Para preparar a leitura Observe o texto a seguir e leia o título. Em seguida, responda oralmente: De que assunto o texto trata? O que você acha que vai ler agora? Espera-se que os alunos percebam que se trata de uma declaração de direitos.

O que você sabe sobre esse assunto?

Prof.(a), aproveite a oportunidade para verificar o conhecimento que os alunos têm sobre os direitos da criança e a proteção oficial que elas podem receber. Comente com eles casos de desrespeito ao direito à vida (a falta de cuidados básicos ocasiona a mortalidade infantil), de crianças que sofrem violência física, de crianças que trabalham para ajudar no sustento da família, de crianças abandonadas pelos pais, e peça que contem sobre suas vivências e conhecimentos desse tema.

Declaração Universal dos Direitos das Crianças

Prof.(a), para tornar mais dinâmica a leitura do texto, peça aos alunos que escolham um colega e discutam o texto de um ou dois princípios. Em seguida, solicite a um aluno que leia em voz alta um dos princípios e explique-o para a turma. Continue promovendo essa leitura e discussão, seguida de leitura, até o final do texto.

20 de novembro de 1959

Princípio I As Crianças têm Direitos Direito à igualdade, sem distinção de raça, religião ou nacionalidade. A criança desfrutará de todos os direitos enunciados nesta Declaração. Estes direitos serão outorgados a todas as crianças, sem qualquer exceção, distinção ou discriminação por motivos de raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões políticas ou de outra natureza [...]. Desfrutará: aproveitará, gozará. Outorgados: concedidos, dados.

Princípio II

A criança gozará de proteção especial e disporá de oportunidade e serviços, a serem estabelecidos em lei por outros meios, de modo que possa desenvolver-se física, mental, moral, espiritual e socialmente de forma saudável e normal, assim como em condições de liberdade e dignidade. [...]

ilustrações: M10 - Victor B.

Direito a especial proteção para o seu desenvolvimento físico, mental e social.

97


Princípio III Direito a um nome e a uma nacionalidade. A criança tem direito, desde o seu nascimento, a um nome e a uma nacionalidade.

Princípio IV

Pré e pós-natal: antes e depois do nascimento.

Princípio V Direito à educação e a cuidados especiais para a criança física ou mentalmente deficiente. A criança física ou mentalmente deficiente ou aquela que sofre de algum impedimento social deve receber o tratamento, a educação e os cuidados especiais que requeira o seu caso particular.

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es: M10 - Vi ilustraçõ

A criança deve gozar dos benefícios da previdência social. Terá direito a crescer e desenvolver-se em boa saúde; para essa finalidade deverão ser proporcionados, tanto a ela, quanto a sua mãe, cuidados especiais, incluindo-se a alimentação pré e pós-natal. A criança terá direito a desfrutar de alimentação, moradia, lazer e serviços médicos adequados.

ctor B.

Direito a alimentação, moradia e assistência médica adequadas para a criança e a mãe.


Princípio VI

es: M10 - Vi ilustraçõ

A criança necessita de amor e compreensão, para o desenvolvimento pleno e harmonioso de sua personalidade; sempre que possível, deverá crescer com o amparo e sob a responsabilidade de seus pais, mas, em qualquer caso, em um ambiente de afeto e segurança moral e material; salvo circunstâncias excepcionais, não se deverá separar a criança de tenra idade de sua mãe. A sociedade e as autoridades públicas terão a obrigação de cuidar especialmente do menor abandonado ou daqueles que careçam de meios adequados de subsistência. [...]

ctor B.

Direito ao amor e à compreensão por parte dos pais e da sociedade.

Amparo: proteção. Tenra idade: nos primeiros meses de vida.

Princípio VII Direito à educação gratuita e ao lazer infantil. A criança tem direito a receber educação escolar, a qual será gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares. Dar-se-á à criança uma educação que favoreça sua cultura geral e lhe permita — em condições de igualdade de oportunidades — desenvolver suas aptidões e sua individualidade, seu senso de responsabilidade social e moral. Chegando a ser um membro útil à sociedade. [...]

99


Princípio VIII Direito a ser socorrido em primeiro lugar, em caso de catástrofes. A criança deve — em todas as circunstâncias — figurar entre os primeiros a receber proteção e auxílio.

Princípio IX Direito a ser protegido contra o abandono e a exploração no trabalho. A criança deve ser protegida contra toda forma de abandono, crueldade e exploração. Não será objeto de nenhum tipo de tráfico. Não se deverá permitir que a criança trabalhe antes de uma idade mínima adequada; em caso algum será permitido que a criança dedique-se, ou a ela se imponha, qualquer ocupação ou emprego que possa prejudicar sua saúde ou sua educação, ou impedir seu desenvolvimento físico, mental ou moral. Princípio X

A criança deve ser protegida contra as práticas que possam fomentar a discriminação racial, religiosa, ou de qualquer outra índole. Deve ser educada dentro de um espírito de compreensão, tolerância, amizade entre os povos, paz e fraternidade universais e com plena consciência de que deve consagrar suas energias e aptidões ao serviço de seus semelhantes.

ilustrações: M10 - Victor B.

Direito a crescer dentro de um espírito de solidariedade, compreensão, amizade e justiça entre os povos.

Fomentar: incitar, sustentar. Consagrar: destinar, expressar. Disponível em: <www.dhnet.org.br/direitos/sip/onu/c_a/lex41.htm>. Acesso em: 17 maio 2014.

100


Para dialogar com o texto 1. Releia o sexto princípio e responda às questões que seguem. Princípio VI Direito ao amor e à compreensão por parte dos pais e da sociedade. A criança necessita de amor e compreensão, para o desenvolvimento pleno e harmonioso de sua personalidade; sempre que possível, deverá crescer com o amparo e sob a responsabilidade de seus pais, mas, em qualquer caso, em um ambiente de afeto e segurança moral e material; salvo circunstâncias excepcionais, não se deverá separar a criança de tenra idade de sua mãe. A sociedade e as autoridades públicas terão a obrigação de cuidar especialmente do menor abandonado ou daqueles que careçam de meios adequados de subsistência. [...]

a) Segundo esse princípio, por que as crianças devem ser tratadas com amor e compreensão?

Para desenvolver-se completamente e de maneira harmoniosa, com equilíbrio.

b) De preferência, por quem as crianças devem ser criadas?

Pelos pais.

c) No caso da falta dos pais e de outros familiares, quem se torna responsável pela criança?

A sociedade e as autoridades públicas.

2. Releia o princípio sobre o trabalho infantil. Em seguida, responda às questões. Princípio IX Direito a ser protegido contra o abandono e a exploração no trabalho. A criança deve ser protegida contra toda forma de abandono, crueldade e exploração. Não será objeto de nenhum tipo de tráfico. Não se deverá permitir que a criança trabalhe antes de uma idade mínima adequada; em caso

101


algum será permitido que a criança dedique-se, ou a ela se imponha, qualquer ocupação ou emprego que possa prejudicar sua saúde ou sua educação, ou impedir seu desenvolvimento físico, mental ou moral.

a) Segundo esse princípio, o trabalho infantil é permitido ou não?

Não.

b) Que explicação é dada para isso?

As crianças não podem realizar atividades que comprometam seu desenvolvimento e sua saúde, o que em geral acontece quando elas têm um trabalho formal.

3.

Você acrescentaria algum princípio a essa declaração? Qual? Respostas pessoais.

4. Você já vivenciou ou presenciou alguma situação em que um desses direitos foi desrespeitado? Conte aos colegas.

Resposta pessoal.

Para estudar a declaração 1. Leia o verbete que segue. princípio s.m. 1 O primeiro momento da existência (de algo) ou de uma ação em processo; começo, início. 2 O que serve de base a alguma coisa; causa primeira, raiz, razão. 3 Ditame moral; regra, lei, preceito. [...] Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

a) Qual dos sentidos corresponde ao que aparece no texto da Declaração de Direitos?

102

O sentido 2.


b) Assinale a alternativa correta:

2.

O objetivo principal do texto é convencer as pessoas de que as crianças devem ser cuidadas pelas famílias e pelas ações governamentais, sendo tratadas com respeito. X

O objetivo principal do texto é apresentar os direitos das crianças; é expor princípios que devem ser cumpridos como leis. O objetivo principal do texto é orientar os pais sobre os direitos das crianças.

Observe a divisão do texto em dez princípios.

a) Por que foi feita essa divisão?

Espera-se que os alunos entendam que são focalizados assuntos diferentes.

b) Cada princípio contém um título. Que informação é colocada no parágrafo abaixo do título?

3.

No parágrafo, desenvolve-se a ideia resumida no título.

Observe a expressão destacada abaixo. A criança tem direito a receber educação escolar [...]. A criança deve — em todas as circunstâncias — figurar entre os primeiros a receber proteção e auxílio. A criança deve ser protegida contra toda forma de abandono, crueldade e exploração. Não será objeto de nenhum tipo de tráfico.

a) A quem essa expressão se refere?

Às crianças em geral.

b) A expressão foi escrita no singular: “a criança”. Se ela tivesse sido escrita no plural, haveria mudança de sentido no contexto?

Não, pois a expressão no plural (“as crianças”) corresponde exatamente ao sentido que se pretende no texto: o de que os princípios mencionados se aplicam a todas as crianças.

103


4. Como foi concluído o décimo princípio? Que efeito esse desfecho provoca no leitor?

Espera-se que os alunos respondam que o décimo princípio ajuda o leitor a verificar que deverá haver um ambiente de compreensão, destacando-se a importância de que a paz e a fraternidade sejam universais. Para isso, é fundamental que cada pessoa se coloque a serviço de seus semelhantes, o que indica para o leitor do texto que ele é corresponsável por isso.

5. Comparando a reportagem Quem trabalha... não brinca com a Declaração Universal dos Direitos das Crianças, responda:

a) Quando foi publicada a reportagem?

Em 19 de abril de 2003.

b) E a Declaração?

Em 20 de novembro de 1959.

c) O nono princípio da Declaração trata do trabalho infantil. Quantos anos se passaram desde que a Declaração foi escrita?

Em 2014, passaram-se 55 anos desde que a Declaração foi escrita.

d) Com base na leitura da reportagem e do nono princípio, a que conclusão se pode chegar sobre o trabalho infantil?

Espera-se que os alunos percebam que, apesar de terem se passado tantos anos, o problema do trabalho infantil continua existindo, mesmo depois de regulamentado pela Declaração. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, em 2011, havia 704 mil crianças e adolescentes entre cinco e 13 anos no mercado de trabalho, número que caiu para 554 mil no ano seguinte.

6. Leia os trechos, retirados respectivamente da reportagem e da Declaração. Sábado também não é seu dia de descanso. Após ajudar a mãe a “arrumar o quartinho” onde mora, ele vai ao supermercado. “Ajudo o pessoal a carregar as coisas.” E a hora de brincar? “Quase não brinco de nada, não.” Luciano conta que foi ele quem decidiu, aos 8 anos de idade, ir atrás de trabalho. “Não gosto de ficar parado, e a situação de casa não é boa.”

104


Princípio V Direito à educação e a cuidados especiais para a criança física ou mentalmente deficiente. A criança física ou mentalmente deficiente ou aquela que sofre de algum impedimento social deve receber o tratamento, a educação e os cuidados especiais que requeira o seu caso particular.

• Os dois textos têm linguagem formal, ou seja, seguem as normas urbanas de prestígio da língua. Entretanto, um dos textos tem linguagem mais rebuscada, mais formal que o outro. Qual deles? Por que isso acontece?

A Declaração é mais formal, mais rebuscada, por se tratar de um documento, uma lei.

7. A reportagem Quem trabalha... não brinca fornece informações como o nome e

a idade das crianças entrevistadas, o nome da cidade onde vivem, o trabalho que realizam etc. Por que essas informações são dadas em textos como esse? Espera-se que os alunos respondam que dar informações desse tipo é função do texto jornalístico, que tem por objetivo informar o leitor sobre acontecimentos reais e, por isso, procura ser fiel aos dados concretos.

Para refletir sobre nossa língua Ortografia: acentuação das oxítonas e das paroxítonas Prof.(a), é interessante começar as atividades de reconhecimento da sílaba tônica pela separação das sílabas, para que fique mais clara a posição da sílaba tônica.

1. Leia em voz alta as palavras de cada um dos grupos identificando a sílaba tônica. Grupo 1

Grupo 2

Grupo 3

desfrutará

trabalho

políticas

infantil

sociedade

doméstico

prejudicar

útil

físico

105


a) Em qual desses grupos as palavras são oxítonas?

No grupo 1.

b) Qual dos grupos tem palavras paroxítonas?

O grupo 2.

c) Em que grupo as palavras são proparoxítonas?

No grupo 3.

2. Leia:

Prof.(a), para resolver o problema das palavras que são classificadas, segundo a posição da sílaba tônica, de uma maneira no Brasil (paroxítonas terminadas em ditongo crescente: -ea, -eo, -ia, -ie, -io, -ua, -ue, -uo) e de outra em Portugal e no restante da CPLP (proparoxítonas), o Acordo Ortográfico de 1990 (em vigor no Brasil desde 1º- de janeiro de 2009) inclui a acentuação dessas palavras no grupo das proparoxítonas, chamando-as de proparoxítonas aparentes.

Quanto à posição da sílaba tônica, as palavras classificam-se em:

• Oxítonas: palavras cuja sílaba tônica é a última. • Paroxítonas: palavras cuja sílaba tônica é a penúltima. • Proparoxítonas: palavras cuja sílaba tônica é a antepenúltima. Algumas proparoxítonas são chamadas de aparentes, porque o encontro vocálico final pode ser pronunciado de uma só vez ou separado. Veja: his-tó-ria ou his-tó-ri-a, cá-rie ou cá-ri-e, má-goa ou má-go-a, tá-bua ou tá-bu-a.

3. Todas as palavras do quadro abaixo são oxítonas. Leia-as em voz alta e compare as sílabas tônicas com a definição que você leu na atividade anterior.

café atrás avô após chuchu urubus aqui guri vocês português até vatapá xará também ananás rubis amém parabéns bisavós tatu

a) Copie as palavras oxítonas do quadro, separando-as de acordo com as terminações a seguir.

106

• a(s):

atrás, vatapá, xará, ananás

• e(s):

café, vocês, português, até

• i(s):

aqui, guri, rubis


• o(s):

avô, após, bisavós

• u(s):

chuchu, urubus, tatu

• em(ens):

também, amém, parabéns

b) Observe os grupos de palavras do item a. Complete a explicação abaixo. São acentuadas as oxítonas terminadas em a(s), o(s)

,

em

e

nadas em i(s) ou

,

. Não são acentuadas as oxítonas termi-

ens u(s).

e(s)

.

4. Leia em voz alta as palavras do quadro a seguir identificando a sílaba tônica. Vênus todos nesta homem sociedade lápis crianças escola biquíni natureza origem

a) Como se classificam essas palavras quanto à posição da sílaba tônica?

Todas são paroxítonas.

b) Quais apresentam acento gráfico?

Vênus, lápis, biquíni.

5. Complete a tabela abaixo com as palavras do quadro, de acordo com as terminações e a posição da sílaba tônica.

fubá

robô

crianças

presente

chulé tênis rubi povos

homem urubu parabéns vírus

oxítonas

paroxítonas

a(s)

fubá

crianças

e(s)

chulé

presente

i(s)

rubi

tênis

o(s)

robô

povos

u(s)

urubu

vírus

em(ens)

parabéns

homem

107


6. Complete a explicação com base na tabela da atividade anterior. As

terminadas em

oxítonas

,

a(s)

e(s)

,

, em(ens) recebem acento gráfico. As paroxítonas recebem acen-

o(s)

i(s)

to gráfico quando terminam em

e u(s), e não recebem quando ter-

minam em a(s), e(s), o(s), em(ens).

7. Copie as palavras a seguir, acentuando-as se necessário.

Prof.(a), amplie esta atividade observando com os alunos a acentuação das oxítonas e das paroxítonas em vários textos.

orelha recebe-lo cabelo

compra-lo dente cipo

atras guarani

almoço

virus

atlas tenis

tapete juri

bambu

atraves

gibi

retros

adeus

urubu

São acentuadas: comprá-lo, atrás, através, recebê-lo, tênis, júri, retrós, cipó, vírus.

Para refletir sobre nossa língua Gramática: verbo e concordância verbal 1.

No início deste capítulo, conhecemos um pouco da história de Luciano, um menino trabalhador doméstico. Releia esta fala de Luciano. Em seguida, responda às questões. “Primeiro jogo água, passo sabão na parede toda, lavo a pia e a privada com detergente. Depois esfrego um pano no chão e jogo um pouco de desinfetante.”

a) Observe as palavras em destaque no trecho. O que elas indicam?

Indicam as ações que Luciano realiza em seu trabalho.

b) Como essas palavras são chamadas?

108

Verbos.


2.

Vamos recordar?

Verbos são palavras que indicam ação, estado, mudança de estado, fenômenos da natureza, posse, desejo, entre outros processos. Exemplos:

• ação (fazer, pegar etc.); • movimento (dar, ir etc.); • transferência (dar, enviar etc.); • estado (ser, estar etc.); • percepção (ver, ouvir etc.); • discurso (falar, pedir etc.); • pensamento (pensar, imaginar etc.); • posse (ter, possuir etc.); • desejo (querer, pretender etc.); • necessidade (precisar, necessitar etc.); • fenômenos da natureza (chover, trovejar etc.).

3.

Releia o trecho narrado por Luciano na atividade 1. Depois, responda:

a) Os acontecimentos narrados por Luciano acontecem no presente, no passado ou no futuro?

No presente. Prof.(a), ajude os alunos a observar a terminação dos verbos. Peça-lhes que mudem a fala para o passado e para o futuro e que percebam a mudança de terminação com essa variação.

b) Reescreva o trecho em que Luciano explica seu trabalho como se os fatos tivessem acontecido no passado.

Primeiro jogava/joguei água, passava/passei sabão na parede toda, lavava/lavei a pia e a privada com detergente. Depois esfregava/esfreguei um pano no chão e jogava/joguei um pouco de desinfetante.

109


c) E se ele narrasse no tempo futuro, como ficaria o trecho?

Primeiro jogarei/vou jogar água, passarei/vou passar sabão na parede toda, lavarei/vou lavar a pia e a privada com detergente. Depois esfregarei/vou esfregar um pano no chão e jogarei/vou jogar um pouco de desinfetante.

d) Imagine que Luciano é um menino que não trabalha. O que você acha que ele faria quando chegasse da escola?

Resposta pessoal. Prof.(a), faça a correção oral das atividades, destacando para os alunos essa variação dos verbos no passado, presente e futuro. Além disso, é importante ajudá-los a perceber a necessidade de usar o futuro do pretérito na resposta da letra d para que imprimam o caráter condicional às ações.

4. Leia: Além de indicar os fatos, os verbos também indicam quando eles ocorrem. Dessa forma, podemos encontrar verbos no presente, no passado e no futuro. Encontramos também verbos que indicam situações que não ocorrem de verdade e são apenas possibilidades (condicional).

Observe com atenção os exemplos abaixo. Exemplo

Atualmente, Luciano trabalha como empregado doméstico. Quando tinha 12 anos, Luciano trabalhava como empregado doméstico. Luciano trabalhou como empregado doméstico. Luciano trabalhará como empregado doméstico quando crescer. Luciano não trabalharia como empregado doméstico se pudesse.

110

O que indica

Tempo

Fatos sem um momento definido ou que acontecem no momento em que se fala. Fatos que aconteciam repetidamente.

Presente

Fatos que já aconteceram antes do momento em que falamos sobre eles. Fatos que ainda acontecerão.

Passado

Fatos possíveis, mas que não se realizaram de verdade.

Condicional

Futuro


5. Leia o depoimento a seguir. “Quando a gente chega à adolescência, se a gente está ocupado com alguma coisa, a gente não pensa em fazer besteira. Como eu, que trabalhava, ia para a escola e à noite, às vezes, eu ficava para brincar.” Depoimento de Tiago, 14 anos. Disponível em: <www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2003/11/printable/031111_tculturalae.shtml>. Acesso em: 27 jun. 2014.

a) Na fala, é comum usarmos a gente, como aparece no depoimento. Que pronome pode substituir essa expressão?

Essa expressão pode ser substituída pelo pronome nós.

b) Reescreva a primeira frase do depoimento substituindo a expressão a gente por esse pronome. Faça as modificações necessárias para manter a correção da frase.

Sugestão de resposta: “Quando (nós) chegamos à adolescência, se (nós) estamos ocupados com alguma coisa, (nós) não pensamos em fazer besteira.”

c) Ao usar a palavra nós, o que mais você precisou alterar no texto?

Foi necessário alterar os verbos (de chega para chegamos, de está para estamos, de pensa para pensamos) e a palavra ocupado foi para o plural.

d) Em que situação do cotidiano você acha que o uso do pronome nós é mais adequado do que a expressão a gente?

Prof.(a), chame a atenção dos alunos para a concordância. Leve-os a perceber que a linguagem que usamos deve ser adequada às situações e que em uma situação mais formal pode ser mais adequado o pronome nós, enquanto a gente é adequado a situações informais. Nenhuma das formas deve ser tratada como correta ou incorreta.

6. Leia: Quando mudamos a palavra à qual o verbo está ligado, temos de mudar também, em geral, a terminação do verbo. Isso acontece porque precisamos indicar para o leitor de nossos textos, ou para nosso ouvinte, a qual nome ou pronome o verbo se refere. A esse processo, damos o nome de concordância verbal.

111


Você descobriu neste capítulo o que algumas crianças, como o Luciano, fazem no dia a dia. Forme um grupo com dois ou três colegas e respondam às seguintes Prof.(a), esta atividade visa a consolidar o trabalho com a perguntas.

a) O que vocês fazem todos os dias?

concordância verbal. Estimule os alunos a construir pequenas narrativas e enfatize com eles a necessidade de diferenciar os sujeitos dos verbos para responder adequadamente às perguntas, sem deixar dúvidas a respeito do nome ou pronome aos quais os verbos se referem.

b) Existe algo que vocês façam juntos? O quê?

c) Leiam as respostas de cada um e observem se foi feita corretamente a concordância do verbo com a palavra a que ele se refere. Em caso de dúvida, consultem a professora.

7.

No trecho: “Vale a pena trabalhar para ajudar em casa. Com o dinheiro, [eu] ajudo a comprar os mantimentos [...]”

o pronome eu se refere ao narrador-personagem.

a) Se fosse mais de um narrador-personagem, como ficaria a escrita? Que palavras deveriam ser alteradas? Faça a transformação oralmente.

b) Registre o trecho incluindo as mudanças que você fez no item anterior.

Vale a pena trabalhar para ajudar em casa. Com o dinheiro, [nós] ajudamos a comprar os mantimentos.

c) Escreva as palavras que precisaram ser modificadas.

112

[eu] ajudo. Prof.(a), incentive os alunos a perceber que a mudança do pronome eu para nós altera o número de pessoas, o verbo e algumas palavras que estiverem ao seu lado. Amplie essas reflexões na leitura dos textos e em outras atividades de reescrita.


Produção de texto oral e escrito Debate

Prof.(a), o objetivo desta produção é levar os alunos a opinar sobre um tema polêmico, apresentando argumentos para defender suas opiniões.

Que tal fazer um debate sobre o trabalho infantil? Para isso é necessário saber mais sobre o tema.

Pesquisando informações 1. Reúna

mais informações sobre trabalho infantil. Pesquise em jornais, revistas, enciclopédias, sites da internet etc.

Discutindo o assunto e fazendo anotações 2.

Forme um grupo com mais dois ou três colegas. No dia marcado pela professora, cada aluno apresenta o material pesquisado para o grupo e fala sobre as informações que encontrou.

3.

No final das explanações, conversem sobre os dados pesquisados. É importante que cada um de vocês expresse uma opinião sobre o trabalho infantil e apresente dados que ajudem a defender essa opinião.

113


4. Escolham um colega para anotar as principais ideias e as conclusões levantadas, formulando um posicionamento claro do grupo sobre o assunto.

5.

Decidam quem organizará um texto único com as conclusões e as informações destacadas pelo grupo e quem apresentará esse texto à classe.

6. Pensem na possibilidade de usar algum recurso audiovisual na apresentação. Definam quem ficará responsável por essa tarefa.

Realizando o debate

Prof.(a), atue como moderador do debate. Estabeleça as regras anteriormente, como tempo de explanação das conclusões dos grupos e tempo de pergunta, resposta, réplica etc. Para que o debate realmente se efetive, é interessante que os grupos apresentem opiniões divergentes.

7. No dia combinado, os grupos apresentarão seus trabalhos. 8. A professora vai determinar um tempo inicial para a apresentação de cada gru-

po. Enquanto os grupos estiverem expondo os trabalhos, anotem perguntas e dúvidas que tiverem.

9. No fim de cada apresentação, a professora vai abrir espaço para que perguntas

sejam apresentadas. O grupo terá então um tempo para a resposta. Se o grupo que perguntou não ficar satisfeito com o que for dito, deve pedir à professora que opine sobre o assunto. O debate visa a persuadir os ouvintes, por isso é importante que cada grupo responda às perguntas defendendo as opiniões dadas na sua apresentação.

Avaliando as apresentações

Prof.(a), na avaliação, é importante verificar que argumentos os alunos levantaram para defender suas opiniões e, acima de tudo, levar a classe a valorizar a participação e a cooperação de todos os componentes do grupo.

10. Depois da apresentação, a professora vai sortear alguns alunos para avaliar os trabalhos. Esses alunos poderão se orientar pela ficha a seguir: Ficha de avaliação

• Todos os componentes do grupo colaboraram para preparar o debate e participaram dele?

• Os alunos conseguiram comunicar as conclusões do grupo? • O grupo apresentou argumentos que convenceram a classe? • As dúvidas foram esclarecidas? 114


4 Capítulo

O planeta Terra pede socorro

Texto 1 – Para preparar a leitura Observe o texto. O título, a fonte e o perfil dão a você uma ideia do que Espera-se que os alunos identifiquem que o texto vai ler? Você já viu textos parecidos com esse? é um folheto sobre educação ambiental. Prof.(a), converse com os O que você sabe sobre educação ambiental? Converse com a alunos sobre o fato de que, no dia a dia, é muito professora e os colegas sobre isso. Resposta pessoal. comum que folhetos como esse sejam chamados de fôlder.

GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL/SEMARH

ciências

115


116 GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL/SEMARH


117

GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL/SEMARH


Para dialogar com o texto

Prof.(a), é importante estimular os alunos a ter contato com outros folhetos para ampliar o repertório sobre o gênero. Peça a eles que tragam para a sala outros folhetos e conversem sobre os objetivos para os quais foram produzidos, os públicos a que se destinam, as entidades que os patrocinaram etc.

Sente-se com um colega para responder às questões a seguir. Observem a capa do folheto. GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL/SEMARH

1.

a) Leiam as informações escritas. Expliquem, com suas palavras, a mensagem abaixo do título.

Sugestão de resposta: É preciso se informar sobre o meio ambiente para saber protegê-lo e, assim, tornar a vida melhor para todos.

b) Observem a imagem. Que relação existe entre a imagem e o texto verbal?

A imagem é de uma margarida; no miolo da flor foi colocada a foto de um grupo de estudantes. Espera-se que os alunos percebam que a flor e os estudantes formam um conjunto no qual se associam educação e vegetação, para simbolizar uma proposta educativa voltada para as questões ligadas à preservação da natureza (aprender sobre a natureza para protegê-la).

2. Agora observem as duas primeiras páginas internas do folheto.

118


a) O que as imagens apresentam?

Crianças em ambientes de estudo, nos quais parecem desenvolver atividades práticas, em grupos. Os ambientes são quase sempre externos.

b) Localizem os subtítulos dessas páginas do folheto. Por que o texto foi organizado dessa maneira? Que efeito essa organização provoca na leitura?

Espera-se que os alunos respondam que essa disposição do texto em itens facilita a comunicação da mensagem ao mesmo tempo que torna a leitura mais leve.

c) Leiam o conceito de educação ambiental e expliquem o que entenderam sobre ele.

Resposta pessoal.

Para estudar o folheto GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL/SEMARH

1. Leia novamente as informações da terceira página interna do folheto.

a) Que mensagem é expressa na frase “Todos nós podemos ser educadores ambientais”?

Todos podemos participar desse trabalho, que não se restringe a instituições como escolas, por exemplo.

119


b) Em sua opinião, com que intenção essa mensagem foi escrita?

Prof.(a), aceite as várias respostas. A princípio, contudo, a intenção do folheto é atrair a atenção do leitor, chamando-o para a proposta.

2.

Qual é o principal objetivo do texto, ou seja, com que finalidade o folheto foi produzido? Assinale a alternativa correta.

O principal objetivo do folheto é informar sobre problemas relacionados ao meio ambiente. X

O principal objetivo do folheto é divulgar um projeto de educação ambiental chamado Cidade 21.

O principal objetivo do folheto é orientar os leitores sobre como criar aulas de educação ambiental nas escolas.

3.

Na contracapa do folheto, aparecem as siglas caesb, semarh e GDF. Veja o que elas significam: Companhia de Saneamento do Distrito Federal. Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Governo do Distrito Federal.

• Por que o nome dessas instituições aparece no folheto?

Para que os leitores saibam quais são as instituições que financiam a campanha da qual esse folheto faz parte.

Para conversar Converse com os colegas sobre estas questões:

120

1.

Pense em suas atitudes cotidianas. O que você faz para ajudar a preservar a napessoal. Prof.(a), incentive os alunos a se posicionar em relação aos itens apresentados na terceira página do tureza? Resposta miolo do folheto, cujo título é “Todos nós podemos ser educadores ambientais.”

2.

O que você acha que deveria mudar no seu modo de agir no dia a dia para ajudar a preservar o planeta? Resposta pessoal.


Texto 2 – Para preparar a leitura Observe o texto a seguir: o título, as imagens e o perfil. Leia a fonte. Onde ele foi publicado? O texto foi publicado na Folhinha, suplemento infantil da Folha de S.Paulo. Com base na observação, você consegue imaginar que assunto será traEspera-se que os alunos percebam que é uma matéria tado e como se chamam textos como esse? de jornal sobre problemas ambientais e que se trata de

uma reportagem. Prof.(a), durante a antecipação, desafie

os alunos a observar os aspectos formais do texto (olho e título). Oriente a primeira leitura oral e depois peça aos alunos que se preparem em casa para, em classe, ler o artigo como se fossem locutores de rádio ou TV.

SOS — Salvem o planeta! Para curar a Terra, é preciso reflorestá-la e usar energia limpa

Camila Vinhas

Freelance para a Folhinha

As indústrias e os carros causam febre na Terra. A febre é um sintoma de desequilíbrio no ecossistema global. As principais causas desse sintoma são: a diminuição das plantas da superfície da Terra, o excesso de gás carbônico no ar que todo mundo respira e a emissão de aerossóis na atmosfera — partículas sólidas e líquidas suspensas no ar, como a fuligem. A indústria do petróleo desequilibra os ecossistemas do ar e da água e impede que as pessoas usem energia limpa, que não solta gás carbônico na atmosfera. [...] A indústria do petróleo desequilibra o ciclo do carbono no planeta porque fornece combustível, ou energia, para carros e caminhões, que emitem gás carbônico. No Brasil, os poluidores da atmosfera são também as usinas termoelétricas, que, para usar o carvão, derrubam as matas. O carvão é feito das árvores e solta muita fuligem.

As usinas hidrelétricas também são poluidoras porque inundam grandes áreas de vegetação, que, debaixo d’água, apodrecem e liberam metano, gás que é 21 vezes mais perigoso para o aquecimento global do que o gás carbônico. A agricultura brasileira também polui quando faz modificações no uso do solo e produz queimadas e desmatamentos. [...] Juergen Faelchle/Shutterstock

ciências

A Terra vista do espaço.

Freelance: pessoa que executa um trabalho para uma empresa sem ter com ela nenhum tipo de vínculo de emprego. Ecossistema: conjunto dos relacionamentos entre os seres vivos e o meio ambiente onde habitam. Global: diz respeito ao globo terrestre. Fuligem: substância preta, em forma de pó ou de poeira, que a fumaça deposita nas paredes e no teto das cozinhas ou nos canos das chaminés.

121


Aquecimento da Terra em filme Especial para a Folhinha

Alguns filmes têm tido a capacidade de antecipar desastres que depois aconteceram. Será que uma nova era glacial pode surgir do aquecimento do planeta como mostra o filme O dia depois de amanhã? Estudos sobre a atmosfera e o clima indicam que pode, sim, haver outra era glacial. Cientistas observam mudanças graduais e não imaginam uma paralisação da corrente marítima do golfo no oceano Atlântico, que é um rio dentro do mar muitas vezes maior que o Amazonas. Essa corrente pode aumentar em poucos dias, como ocorreu no filme. O clima na Terra depende de muitos fatores e não é todo conhecido.

Camada raios

defende

planeta

de

Segundo Antônio Nobre, a atmosfera mantém o oxigênio em torno da Terra. A camada de ozônio impede que raios ultravioleta, prejudiciais à saúde, alcancem o planeta. “A atmosfera é confortável para a vida na Terra, mas tem espessura fina, por isso devemos mantê-la equilibrada.” A luz do Sol tem as cores do arco-íris, mas o céu é azul se você olha da Terra, pois o oxigênio do ar interage com o azul, espalhando-o. Os raios ultravioleta são barrados pela camada de ozônio. Outras cores passam direto.

Quem garante que uma surpresa não surja da combinação de muitas causas juntas? O filme alerta para a fragilidade da Terra e do clima. Serve para acordar as pessoas da crença de que podem queimar petróleo e florestas à vontade. * Antônio Nobre, 46, é mestre em ecologia tropical pelo Inpa (AM) e doutor em Ciências da Terra pela University of New Hampshire (EUA).

United Archives/KPA/Diomedia

Antônio Nobre*

Cena do filme O dia depois de amanhã.

Energia limpa diminui fumaça Energia limpa é a energia que, para ser produzida, não causa impacto no ambiente. E, ao ser consumida, não polui. As fontes de energia limpa já descobertas pelos cientistas são: a energia eólica, vinda do vento, que pode fornecer 10% da eletricidade usada no mundo; a solar, que também gera eletricidade. Em 2040, a energia solar suprirá até 25% da demanda de eletricidade no mundo. Ainda há a biomassa, que, com novas tecnologias, pode gerar grande quantidade de energia. Funciona de modo parecido com a reciclagem de materiais — madeira, esterco de animais, resíduos domésticos e industriais.

Folha de S.Paulo, São Paulo, 19 jun. 2004. Folhinha. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/folhinha/dicas/inde190604.htm>. Acesso em: 17 maio 2014.

122


Para dialogar com o texto 1.

Os textos informativos muitas vezes contêm, além do título, um olho. Olho: texto curto que fica logo depois do título e tem a função de atrair a atenção do leitor para a matéria.

a) Qual é o título da reportagem?

“SOS — Salvem o planeta!”

b) E qual é o olho?

“Para curar a Terra, é preciso reflorestá-la e usar energia limpa”

2. Quem

é o autor do texto que abre a reportagem? Que profissão essa pessoa exerce? Camila Vinhas. Ela é a repórter que fez a reportagem como freelance para a Folhinha.

3. Um dos textos da reportagem, uma matéria especial, foi escrito pela pessoa que a repórter entrevistou para fazer os outros textos (como o Camada defende planeta de raios).

a) Qual é o título dessa matéria?

O título é Aquecimento da Terra em filme.

b) Quem é o autor da matéria especial? Sobre o que ele escreve?

Antônio Nobre, um professor e pesquisador que comenta o filme O dia depois de amanhã, cujo tema é o aquecimento da Terra, assunto tratado na reportagem.

c) Que relação existe entre o texto escrito por Antônio Nobre e o texto principal, escrito pela repórter?

Espera-se que os alunos respondam que o texto principal aponta os vários problemas ambientais que têm provocado o aquecimento da Terra, assunto tratado pelo filme de que fala o professor Antônio Nobre em seu texto.

123


d) Segundo o pesquisador, que mensagem o filme apresenta? Explique com suas palavras o último parágrafo desse texto.

O filme serve de alerta para as pessoas entenderem a fragilidade da Terra e do clima e se conscientizarem dos problemas causados pela queima indiscriminada de petróleo e de florestas.

Para estudar a reportagem 1. Leia os verbetes abaixo para responder às questões. informação s.f. 1. Ato ou efeito de informar; informe. 2. Notícia recebida ou informação ao público. 3. Dados sobre alguém ou alguma coisa. 4. Conhecimento, participação. 5. Instrução, orientação. reportagem s.f. 1. Levantamento e coleta de informações para elaboração de matéria jornalística, executado pelo repórter. 2. O artigo de jornal, revista, rádio ou televisão resultante da edição dessas informações. 3. Conjunto de informações sobre determinado assunto divulgado pelo rádio, pela televisão, jornais, etc. 4. Conjunto de repórteres. Dicionário de língua portuguesa Larousse. São Paulo: Ática, 2001.

a) O texto SOS — Salvem o planeta! é uma reportagem. Por quê? Justifique sua resposta com informações contidas no verbete.

Prof.(a), espera-se que os alunos respondam que o texto é uma reportagem, pois apresenta as características descritas nos três primeiros itens do verbete reportagem.

b) Por que a reportagem é um texto informativo?

124

Porque informa o leitor sobre determinado assunto, no caso, o aquecimento da Terra, discute os problemas decorrentes disso e aborda os cuidados preventivos a serem tomados para se evitarem as condições de acidentes.


2.

Observe o perfil de um trecho da reportagem. 1

Nnnnnnnnnnn nn Nnnnn nn nnnnn

2

4 Nnnnnn nn nnn

nnnnn nn n nnn nnnnn nnnn 3

Nnnnnn nn nnnnnn

5

Que número corresponde:

a) ao título do texto assinado pelo especialista?

1

b) às informações obtidas por meio de entrevista? c) ao título de um boxe? d) a uma imagem?

5

4

2

e) à legenda da imagem?

3

Boxe: bloco de texto à parte, inserido na matéria, que destaca uma informação e/ou amplia os dados sobre o assunto tratado.

3. Releia os títulos e o olho da reportagem. Esses elementos conseguem atrair o leitor, despertando a curiosidade dele para a leitura? Por quê? Sim, esses elementos têm um perfil diferenciado e atrativo, são compostos por frases curtas e objetivas.

125


4. Identifique no texto informações sobre os problemas ambientais que têm prejudicado nosso planeta. Em seguida, responda: que informação você considerou mais importante? Por quê? Respostas pessoais.

5.

Qual é a importância do depoimento do especialista Antônio Nobre para a construção da reportagem? Foi com base nas informações dadas pelo especialista que a repórter construiu a reportagem. O depoimento de um especialista dá credibilidade à matéria. Prof.(a), ajude os alunos a perceber que os repórteres, em geral, constroem a matéria com dados obtidos em entrevistas.

6.

Qual é a função das imagens em textos como esse? E das legendas que acompanham as fotos? As imagens ajudam o leitor a visualizar o conteúdo tratado. As legendas são textos explicativos que acompanham as imagens.

Para conversar Converse com os colegas sobre estas questões:

126

1.

Você costuma ler o suplemento infantil de algum jornal? Qual?

2.

Você gostou de ler a reportagem? Por quê?

Respostas pessoais.

Respostas pessoais.


Para refletir sobre nossa língua Ortografia: acentuação das paroxítonas (continuação) e das proparoxítonas 1.

Vamos recordar a acentuação das paroxítonas estudada no capítulo 3?

a) Por que a palavra lápis é acentuada?

Porque devem ser acentuadas as paroxítonas terminadas em i, seguidas ou não de s.

b) Por que a palavra vírus é acentuada?

Porque devem ser acentuadas as paroxítonas terminadas em u, seguidas ou não de s.

2. Prof.(a), chame a atenção dos alunos para que não confundam os acentos agudo ( ´) e circunflexo (^), usados sobre a vogal tônica das palavras, com o til (~), sinal usado sobre as vogais a, e e o para indicar a nasalização dessas vogais.

2. Leia as palavras do quadro em voz alta. Observe o acento gráfico e as terminações. irmãos

órgãos

anã

atum

túnel

órfãs

pavão

álbuns

órfão

partir

mártir

órfã

canal

maçãs

tórax comuns

álbum pirex

a) Organize as palavras do quadro acima de acordo com a posição da sílaba tônica. Oxítonas

Paroxítonas

canal, atum, comuns, partir, pirex, pavão, irmãos, anã, maçãs

túnel, álbum, álbuns, mártir, tórax, órfão, órgãos, órfã, órfãs

127


b) Converse com um colega e responda: qual é a diferença entre o grupo de oxítonas e o grupo de paroxítonas quanto à acentuação?

As oxítonas terminadas em l, um(uns), r, x, ão(ãos) e ã(ãs) não recebem acento gráfico, enquanto as paroxítonas com essas terminações recebem.

3. Você observou que algumas palavras paroxítonas são acentuadas, dependendo

de sua terminação. Vamos organizar esses casos? Complete o quadro abaixo, observando as terminações das palavras paroxítonas da coluna da esquerda. Escreva a regra correspondente na coluna da direita. Palavras paroxítonas

São acentuadas as paroxítonas terminadas em

• favorável, míssil, frágil

l.

• açúcar, repórter, tórax

r, x.

• álbum, álbuns

um, uns.

• órfã, ímãs, órgão, órfãos

ã e ão com ou sem s no final.

4. Leia a quadrinha popular: Sem ajuda de ninguém. E depois saiu falando

M10 - Victor B.

Construiu a casa toda

Edifício fazer bem. Quadrinha popular.

a) A quadrinha faz uma brincadeira com uma palavra e uma expressão. Quais são elas?

São edifício e é difícil.

b) Por que a palavra difícil é acentuada?

128

Porque é paroxítona terminada em l.


c) Escreva mais três palavras que são acentuadas pelo mesmo motivo.

Sugestões: útil, fácil, móvel, amigável, favorável, saudável, inútil, têxtil etc.

5. Em cada grupo de palavras a seguir, há uma paroxítona que deve ser acentuada. Identifique a palavra e escreva-a acentuando-a corretamente.

a) sumi – javali – fuzis – biquini – infantis

biquíni

b) tatu – Itu – angu – xampus – Venus

Prof.(a), o estudo da acentuação gráfica é fundamental para que os alunos consigam tomar decisões sobre a escrita ortográfica. Há regras que precisam ser fixadas. Para tanto, amplie a prática dos alunos, fazendo com que observem a acentuação de palavras nas atividades de leitura e, principalmente, nas produções escritas.

Vênus

c) somar – dolar – comer – sumir – partir

dólar

d) automovel – funil – barril – anzol – anil

automóvel

6. Leia as palavras em voz alta observando a posição da sílaba tônica. plástico máquina

metal papel

desperdício

alumínio

garrafa reciclável

lâmpada

dominó

você

ambiental

planeta

prático

indústria

doméstico

área

combustível

a) Separe as sílabas dessas palavras circulando a sílaba tônica.

plás-ti-co, me-tal, a-lu-mí-nio, gar-ra-fa, re-ci-clá-vel, in-dús-tri-a (ou in-dús-tria), má-qui-na, pa-pel, lâm-pa-da, do-mi-nó, vo-cê, do-més-ti-co, á-re-a (ou á-rea), des-per-dí-cio, am-bi-en-tal, pla-ne-ta, prá-ti-co, com-bus-tí-vel.

129


b) Complete o quadro abaixo e liste as palavras do item a de acordo com a posição da sílaba tônica. Oxítonas metal, papel, dominó, você, ambiental

Paroxítonas garrafa, reciclável, planeta, combustível

Proparoxítonas reais plástico, máquina, lâmpada, doméstico, prático

aparentes alumínio, indústria, área, desperdício

Prof.(a), recorde com os alunos que são chamadas de proparoxítonas aparentes as palavras que terminam por encontro vocálico, cujas vogais podem ser pronunciadas de uma só vez (ditongo) ou separadamente (hiato). Dê exemplos: história/ história, série/ série, família/ família etc.

7.

Justifique a acentuação gráfica de:

a) você.

Palavra oxítona terminada em E.

b) dominó.

8.

Palavra oxítona terminada em O.

Observe as palavras proparoxítonas do quadro da atividade 6. Alguma delas não é acentuada? Não.

9. Pesquise em livros, revistas e jornais outras palavras proparoxítonas. Faça uma listagem com elas. Em seguida, responda: o que se pode concluir a respeito da acentuação das palavras proparoxítonas? Espera-se que os alunos concluam que todas as palavras proparoxítonas (reais ou aparentes) são acentuadas.

130


10. Com um colega, leia o texto a seguir. Observem que algumas palavras estão sem acento gráfico.

Prof.(a), peça aos alunos que, em grupos, escrevam faixas com essas e outras frases criadas por eles para que possam ser afixadas nos murais da escola. Antes de finalizarem o trabalho, peça que façam um rascunho observando a escrita de todas as palavras, fazendo alterações quando encontrarem erros e tirando as dúvidas com você e os companheiros do grupo quando for necessário.

• Não jogue lixo na rua e diga a outras pessoas que ninguem deve fazer isso.

• Recolha sempre a sujeira que o seu cão fizer na rua. ciências

• Muitas coisas que voce joga fora podem se transformar em brinquedos ou objetos úteis. Uma lata vira porta-lapis, uma garrafa se torna um vaso e sacolas de plastico são otimos sacos de lixo.

• Em casa, evite objetos descartáveis. Use copos de vidro e guardanapos de pano.

• Papéis, latas, vidros e plasticos limpos podem ser reciclados. Informe-se na prefeitura ou na companhia de limpeza da cidade em que voce mora para saber onde o material pode ser entregue.

• Passear de carro e legal, mas a fumaça dos veiculos e uma das causas do efeito estufa e da poluição do ar. Sempre que puder, ande a pe ou de bicicleta e utilize transportes publicos, como onibus, trens e metro.

• Peça aos seus pais que evitem sair de carro em horarios de muito transito e que procurem caminhos alternativos. Em congestionamentos, o carro polui mais.

• Fale com a sua familia sobre a importancia de proteger o meio ambiente. Ela pode ajudar, por exemplo, escolhendo produtos que não prejudicam a natureza e separando o lixo para reciclagem. 30 dicas para cuidar do planeta. Revista Recreio. São Paulo: Abril, ano 2, n. 60, 3 maio 2001. Texto adaptado.

131


a) Reescrevam as frases, acentuando as palavras que estão sem acento. Se necessário, consultem as atividades anteriores para recordar as regras de acentuação.

132


b) Comparem suas respostas com as de outra dupla. Discutam e cheguem a um só resultado caso haja diferença na acentuação de algumas palavras. Consultem as regras estudadas para esclarecer as dúvidas.

c) Façam uma lista com todas as palavras que vocês acentuaram.

Ninguém, você, porta-lápis, plástico, ótimos, plásticos, você, veículos, é, pé, públicos, ônibus, metrô, horários, trânsito, família, importância.

M10 - Victor B.

11. Vamos brincar de Jogo de Bingo?

Prof.(a), para o sorteio, escreva as palavras em tiras de papel, para que os alunos as visualizem. Essa estratégia ajuda a fixar a ortografia. Combine previamente com eles que o vencedor do jogo deverá ter escrito corretamente todas as palavras. Dessa forma eles ficarão atentos à grafia correta.

• Pegue uma folha de sulfite. Dobre-a ao meio. Repita esse movimento outras duas vezes, como na ilustração acima.

• Abra a folha e observe que ela ficou com oito marcas de divisão. Se quiser, passe o lápis sobre essas marcas para torná-las mais visíveis.

• Em cada um dos espaços da folha, escreva uma das palavras acentuadas na atividade anterior. Escolha oito delas.

• A professora vai sortear cada uma das palavras listadas anteriormente. Se a palavra sorteada estiver escrita na sua cartela, marque-a.

• Ganhará o jogo o aluno que marcar as oito palavras primeiro. 133


matemática e ciências

reprodução

conexões

134


reprodução

Prof.(a), explore esse painel com seus alunos, numa abordagem interdisciplinar. Além dos aspectos relacionados ao meio ambiente, há inúmeras quantidades citadas, o que permite um trabalho de leitura e entendimento de números, porcentagens, medidas, além de desenvolver a percepção das relações quantitativas. Para isso, aborde as diferenças numéricas entre as atitudes inadequadas de consumo e as medidas sugeridas para ajudar o meio ambiente. Ainda mais, esta é uma ótima oportunidade para você explorar o gênero “infográfico”, destacando a relação entre textos e imagens e sua forma objetiva de comunicação. Peça-lhes também que observem o uso do imperativo, já que se trata de um texto prescritivo.

Disponível em: <http://blogger-sabendomais.blogspot.com.br/2011/01/como-ajudar-o-meio-ambiente.html>. Acesso em: 5 maio 2014.

135


Para refletir sobre nossa língua Gramática: determinantes Sente-se com um colega para realizar as atividades desta seção. Escrevam as b) Prof.(a), observe que agrupamos sob o rótulo funcional de determinantes uma série de palavras que respostas. tradicionalmente pertencem às classes dos artigos, numerais, pronomes e adjetivos. Entretanto, como adotamos uma perspectiva funcional de tratamento da gramática, centrada no uso, acreditamos que fique mais clara para o aluno a utilização de uma nomenclatura que se baseie no emprego real da palavra em um determinado contexto, e não em sua classificação puramente teórica.

1. Releia o trecho abaixo.

Alguns filmes têm tido a capacidade de antecipar desastres que depois aconteceram. [...] O clima na Terra depende de muitos fatores e não é todo conhecido. Quem garante que uma surpresa não surja da combinação de muitas causas juntas?

a) Observe as palavras destacadas. Circule a que outras palavras elas se referem. b) As palavras que você circulou na resposta da questão anterior são substantivos. Leia:

As palavras alguns, a, o, muitos, uma e muitas que aparecem no trecho acima funcionam como determinantes dos nomes, ou seja, dos substantivos. Elas são chamadas assim porque indicam a quantidade (como é o caso de alguns e muitos) desses nomes ou ainda porque mostram se esses nomes são elementos bem definidos (caso de o clima) ou indefinidos (caso de uma surpresa), determinando-os.

2.

Observe o quadro abaixo. Ele apresenta os vários usos que podemos fazer das palavras determinantes: Função

136

Determinantes

Exemplo

Definir os nomes

o, a, os, as

O planeta precisa da nossa ajuda.

Indefinir os nomes

um, uma, uns, umas

Vimos uns passarinhos no quintal

Indicar quantidades indefinidas

alguns, muitos, poucos, vários, todos etc.

Poucos alunos vieram, mas não sei dizer quantos alunos exatamente.

Indicar quantidades definidas

dez, cinco mil, um terço, cem por cento etc.

Eu sei: vieram doze alunos.


3. Leia os trechos A e B a seguir observando os elementos em negrito. Todos eles têm como função indicar quantidades.

Prof.(a), as quantidades podem ser representadas por números ou por palavras determinantes.

Trecho A A baleia-azul é o maior animal que já existiu no nosso planeta [...] Ele é cerca de vinte vezes mais comprido que um ser humano e pode pesar até 180 toneladas. Em seus pulmões cabem cinco mil litros de ar, o suficiente para uma pessoa respirar por seis horas. As baleias-azuis se alimentam filtrando da água pequenos animais planctônicos semelhantes a camarões, o krill. Folha de S.Paulo, São Paulo, 30 out. 2010. Folhinha.

Planctônico: organismo que vive nas correntes marinhas.

Trecho B Alguns filmes têm tido a capacidade de antecipar desastres que depois aconteceram. Será que uma nova era glacial pode surgir do aquecimento do planeta como mostra o filme O dia depois de amanhã? Estudos sobre a atmosfera e o clima indicam que pode, sim, haver outra era glacial. Cientistas observam mudanças graduais e não imaginam uma paralisação da corrente marítima do golfo no oceano Atlântico, que é um rio dentro do mar muitas vezes maior que o Amazonas. Essa corrente pode aumentar em poucos dias, como ocorreu no filme. Folha de S.Paulo, São Paulo, 19 jun. 2004. Folhinha.

a) De que forma foram indicadas as quantidades no trecho A?

Com números.

b) No trecho B, como foi registrada a quantidade?

Foi registrada com palavras determinantes que indicam quantidades indefinidas.

c) Qual dessas duas formas de indicar quantidades é mais precisa?

A indicação por números é mais precisa.

d) O trecho A foi extraído de uma seção sobre animais em um suplemento in-

fantil. O trecho B trata das alterações no clima da Terra. Ele foi extraído de uma reportagem que fala da possibilidade de fatos apresentados em um filme acontecerem na vida real. Em sua opinião, qual dos dois trechos apresenta informações de maneira mais precisa, com dados exatos?

O trecho A.

137


e) O fato de o trecho A apresentar números contribui para que ele apresente informações mais detalhadas. Como experiência, modificamos esse trecho, retirando os números ou substituindo-os por palavras determinantes. Leia-o com atenção e responda: o que acontece com o texto?

O trecho fica menos preciso, já que não se pode ter certeza das quantidades exatas.

Trecho A modificado A baleia-azul é o maior animal que já existiu no nosso planeta [...] Ele é algumas vezes mais comprido que um ser humano e pode pesar até muitas toneladas. Em seus pulmões cabem muitos litros de ar, o suficiente para uma pessoa respirar por várias horas. As baleias-azuis se alimentam filtrando da água pequenos animais planctônicos semelhantes Prof.(a), o infográfico “Ajude o meio ambiente” (página 134) pode ser retomado para a camarões, o krill. reforçar o papel que as quantidades definidas exercem num texto desse tipo. Nesse caso,

a natureza do texto praticamente exige que as informações sejam precisas. Prof.(a), ajude os alunos a perceber que a escolha da escrita de quantidades em números ou em palavras determinantes vai depender do gênero e do objetivo do autor. Explique a eles que nos textos científicos, em que as quantidades são abundantes, são usados, principalmente, números. Nos textos informativos também, já que a rapidez e a precisão da informação são fundamentais.

Produção de texto oral e escrito Entrevista e relatório

Prof.(a), o objetivo desta produção é levar os alunos a participar de uma pesquisa como entrevistadores e analistas e a escrever um relatório sobre os resultados tabulados.

Que tal fazer uma pesquisa para saber se as pessoas estão realmente preocupadas com a preservação do meio ambiente?

Lendo o texto 1. Antes de começar a pesquisa, leia o texto seguinte.

ciências

Nos últimos 120 anos, a temperatura média da superfície da Terra subiu cerca de 1 grau Celsius. Os efeitos disso sobre a natureza são muito graves e afetam bichos, plantas e o próprio ser humano.

138

M10 - Victor B.

Aquecimento global


Esse aquecimento provoca, por exemplo, o derretimento de geleiras nos polos. Por causa disso, o nível da água dos oceanos aumentou em 25 centímetros e o mar avançou até 100 metros sobre o continente nas regiões mais baixas. Furacões que geralmente se formam em mares de água quente estão cada vez mais fortes. Os ciclos das estações do ano e das chuvas estão alterados também. Efeito estufa A poluição do ar é uma das principais causas do aquecimento. A superfície terrestre reflete uma parte dos raios solares, mandando-os de volta para o espaço. Uma camada de gases se concentra ao redor do planeta, formando a atmosfera, e alguns deles ajudam a reter o calor e a manter a temperatura adequada para garantir a vida por aqui. Nas últimas décadas, muitos gases poluentes vêm se acumulando na atmosfera e produzindo uma espécie de capa que concentra cada vez mais calor perto da superfície da Terra, aumentando ainda mais a temperatura global. É o chamado efeito estufa. Outro problema que afeta diretamente o clima é a devastação das matas que ajudam a manter a umidade e a temperatura do planeta. Infelizmente, o desmatamento já eliminou quase metade da cobertura vegetal do mundo. Disponível em: <http://recreionline.abril.com.br/fique_dentro/ciencia/natureza/conteudo_233685.shtml>. Acesso em: 28 out. 2010.

Conversando em grupo 2.

Prof.(a), estimule os alunos a pensar sobre as questões. Peça ao grupo que eleja um coordenador para indicar o momento da participação de cada colega de modo que a discussão ocorra de forma organizada e todos sejam ouvidos.

Forme um grupo com três ou quatro colegas para conversar sobre as seguintes questões:

a) No mundo existem mais pessoas que contribuem para a preservação do planeta ou mais pessoas que não contribuem?

b) Que atitudes das pessoas ajudam a preservar o meio ambiente? E quais prejudicam o planeta?

3. Cada integrante do grupo vai levantar hipóteses sobre essas questões, isto é, vai imaginar uma resposta possível para cada uma delas e explicar por que pensa assim. Anotem todas as hipóteses levantadas pelo grupo.

139


4.

Sob a orientação da professora, cada grupo apresentará à classe suas hipóteses, que serão registradas no quadro. Discutam as hipóteses de todos os grupos e, no fim do debate, anotem as conclusões da turma, para compará-las com as respostas que serão dadas nas entrevistas que vocês farão agora.

Fazendo entrevistas 5.

Cada componente do grupo vai entrevistar um colega da escola, um funcionário, um professor ou um adulto da família para saber como é a relação dessa pessoa com o meio ambiente. Atenção: é interessante que vocês entrevistem pessoas de sexos e idades diferentes. Definam quando e onde será feita cada entrevista.

6. Copiem

a ficha abaixo no caderno. Se quiserem, acrescentem outras questões ou façam modificações. Para treinar, entrevistem um colega do grupo antes de começar o trabalho propriamente dito. Dados pessoais do entrevistado Nome ou apelido: Sexo: Idade: Até 10 anos

De 21 a 50 anos

De 11 a 20 anos

Mais de 50 anos

Perguntas

Contribuem muito.

Contribuem pouco.

Não contribuem.

Prejudicam muito.

Prejudicam pouco.

• • •

140

Você acha que, no dia a dia, suas atitudes contribuem para a preservação do meio ambiente ou prejudicam a natureza?

De que modo você acha que contribui para preservar o meio ambiente? Que ações você considera prejudiciais ao meio ambiente? Você pratica alguma dessas ações prejudiciais ao meio ambiente? Quais? Por quê?


7. Marque

M10 - Victor B.

a entrevista com a pessoa escolhida. Ao encontrar-se com ela, cumprimente-a e preencha o questionário com os dados pessoais dela. Em seguida, faça as perguntas com clareza. Escreva as respostas usando as palavras da pessoa entrevistada (para isso, você pode abreviar palavras e pedir ao entrevistado que repita o que foi dito sempre que precisar tomar nota). Se gravar, depois escute a gravação com cuidado e copie a entrevista no papel, registrando com precisão aquilo que foi dito. Não altere as respostas. No fim, lembre-se de agradecer a participação da pessoa. matemática

Avaliando os resultados das entrevistas

Prof.(a), conduza esta etapa do trabalho, ajudando os alunos a cruzar as variáveis de modo que possam chegar a uma conclusão com base nos dados colhidos. Cada espaço deve ser preenchido com o número total de entrevistados em cada situação descrita.

8. Agora,

sob a orientação da professora, o resultado geral das entrevistas será registrado em uma tabela. Depois que os dados forem preenchidos no quadro, copie-o na tabela abaixo. Total

Homem até 10

11-20

21-50

Mulher + de 50

até 10

11-20

21-50

+ de 50

Contribuem muito Contribuem pouco Não contribuem Prejudicam muito Prejudicam pouco Praticam ações para preservar Praticam ações que prejudicam

141


9. Coletivamente, conversem sobre essas informações e tirem suas conclusões. • No grupo de pessoas pesquisadas, a maior parte contribui para a preservação da natureza ou não?

• São jovens ou pessoas mais velhas? • São homens ou mulheres?

Prof.(a), é preciso que fique bem claro para os alunos que, como o grupo pesquisado é muito pequeno, as conclusões a que eles chegarem não poderão ser generalizadas. Eles não devem supor que os comportamentos detectados no grupo pesquisado representam a média do comportamento do país ou do mundo.

• Que ações prejudiciais ao meio ambiente são mais frequentes? • Que atitudes de preservação são mais comuns?

10. As respostas obtidas coincidem com as hipóteses levantadas em sala antes das entrevistas?

Redigindo um relatório 11. Cada grupo fará um relatório com as conclusões da classe sobre as entrevistas. Orientem-se pelas indicações a seguir.

Prof.(a), aproveite a oportunidade para recordar o conceito de parágrafo.

a) No primeiro parágrafo, expliquem o objetivo das entrevistas:

• Saber se mais pessoas contribuem ou não para a preservação ambiental;

• Conhecer o perfil das pessoas que mais contribuem com a natureza ou que a prejudicam;

• Quais as atitudes mais comuns praticadas por essas pessoas.

Expliquem também as respostas (hipóteses iniciais) que o grupo esperava obter com as entrevistas.

b) Em outro parágrafo, descrevam as pessoas entrevistadas: informem quantas foram as pessoas e qual o sexo e a idade delas.

c) No seguinte, descrevam os resultados obtidos pela pesquisa, comparando-os com as hipóteses iniciais.

d) No final, informem o grau de conscientização e de participação (alto ou baixo) das pessoas entrevistadas na preservação da Terra.

e) Deem um título ao trabalho. 142


CONHEÇA TAMBÉM LIVROS

O que fazer? Falando de convivência, de Liliana e Michele Iacocca. Editora Ática.

• • • • • • •

A árvore generosa, de Shel Silverstein. Cosac Naify. Um passeio pela escola, de Cláudio Martins. Editora Formato. Recicle!: diversão passo a passo para todos, de Marta Ribon. Editora Global. Manifesto Verde, de Ignácio de Loyola Brandão. Editora Global. Minhocas comem amendoins, de Elisa Gehin. Pequena Zahar. Uma carta para Deus, de Fernando Bonassi. Editora Formato.

sites

• •

• • • •

<www.fundabrinq.org.br>

Reprodução

Mais respeito, eu sou criança!, de Pedro Bandeira. Editora Moderna.

<http://reporterbrasil.org.br/trabalhoinfantil/ galeria-de-fotos-2/ > <www.kidsplanets.org> <www.recicloteca.org.br> <www.apoema.com.br/hp.htm >

<www.tamar.com.br> Acessos em: 22 jun. 2014.

CD

Canções dos Direitos das Crianças, de Toquinho e outros. Movieplay, 1997.

filmes

• • • •

Procurando Nemo (Estados Unidos, 2003), Disney. Vida de inseto (Estados Unidos, 1998), Disney. Os sem-floresta (Estados Unidos, 2006), DreamWorks SKG. Wall-E (Estados Unidos, 2008), Pixar.

VÍDEO

Globo Ecologia, Filmoteca Global.

143


PARA concluir Prof.(a), se for possível, toque em classe esta canção, para que os alunos a conheçam. Cantem acompanhando o CD.

Leia a letra desta canção do compositor Gonzaguinha.

O que é o que é? Eu fico com a pureza Da resposta das crianças É a vida, é bonita e é bonita, no gogó Viver e não ter a vergonha de ser feliz Cantar e cantar e cantar A beleza de ser um eterno aprendiz Ah, meu Deus! Eu sei que a vida devia ser bem melhor e será Mas isso não impede que eu repita: É bonita, é bonita e é bonita. E a vida? E a vida o que é, diga lá meu irmão Ela é a batida de um coração? Ela é uma doce ilusão? Mas e a vida? Ela é maravilha ou é sofrimento? Ela é alegria ou lamento? O que é o que é, meu irmão? Há quem fale que a vida da gente É um nada no mundo É uma gota, um tempo, que não dá um segundo Há quem fale que é um divino mistério profundo É o sopro do criador, numa atitude repleta de amor

144

M10 - Victor B.

Gonzaguinha


Você diz que é luta e prazer, Ele diz que a vida é viver Ela diz que melhor é morrer Pois amada não é, e o verbo é sofrer Eu só sei que confio na moça, E na moça eu ponho a força da fé Somos nós que fazemos a vida Como der, ou puder ou quiser Sempre desejada

M10 - Victor B.

Por mais que esteja errada Ninguém quer a morte Só saúde e sorte E a pergunta roda e a cabeça agita Eu fico com a pureza Da resposta das crianças É a vida, é bonita e é bonita. Viver... GONZAGUINHA. O que é o que é? In: Caminhos do coração. São Paulo: Emi-Odeon, 1982. 1 CD. Faixa 1.

1.

Forme grupo com alguns colegas e converse com eles sobre a canção de seria interessante manter para este trabalho os mesmos grupos formados para a atividade de Gonzaguinha. Prof.(a), abertura da unidade.

a) Para vocês, a vida é maravilha ou sofrimento? É alegria ou lamento? Ou é algo diferente disso?

b) Que mensagem o compositor tenta transmitir na canção? Prof.(a), converse com os alunos sobre a mensagem da canção, que é principalmente de otimismo, apesar dos problemas.

2. Nesta

unidade falamos sobre a vida moderna, que tanto proporciona progresso e conforto como causa aquecimento do planeta, excesso de lixo etc. Ainda em grupo, criem uma canção ou um poema em que, como Gonzaguinha, vocês expressem de maneira poética o que pensam sobre o mundo de hoje, com tudo o que ele tem de bom e de ruim.

a) Se criarem uma canção, ensaiem bem e, no dia marcado, cantem para a Prof.(a), o objetivo aqui não é o estudo dos gêneros letra de canção e poema, e sim proporcionar aos alunos

classe. uma oportunidade de realizar uma atividade criativa em grupo. O que deve ser avaliado não é o resultado formal do trabalho, mas o envolvimento de cada aluno no projeto.

b) Se preferirem fazer um poema, escrevam-no em uma folha avulsa e o ilustrem, para ser colocado no mural da classe.

145


Atividades complementares 1. Leia:

Prof.(a), o texto favorece um trabalho interdisciplinar com História, abordando a origem de outros meios de comunicação.

The Granger Collection / Glow Images

Imagens a toda hora! Quando apareceu a primeira televisão, mais de sessenta anos atrás, quem estava assistindo achou que era um show de mágica. Como é que aquela caixa preta podia transmitir uma cena que estava acontecendo em outro lugar? Essa mesma pergunta pode ser feita até hoje. Porque parece mesmo mágica. Mas sabemos que não é bem assim. A primeira pessoa que conseguiu essa façanha foi o americano Philo Farnsworth, em 1927. A imagem era muito sem graça. Apenas um fio que cortava ao meio uma tela dentro de um tubo de vidro. Mas era um passo e tanto na história das comunicações. [...]

Modelo de televisão RCA-Victor de 1939.

A ideia estava pronta. Mas quem transformou a sacada em um aparelho foi um russo, chamado Vladimir Zworykin. Ele trabalhava para uma grande empresa americana de comunicações, que existe até hoje, a RCA. Por meio dela, a TV entrou na vida dos americanos, em 1947. O resto da história você já conhece. É telejornal, novela, desenho animado... e tudo por controle remoto! Disponível em: <www.canalkids.com.br/tecnologia/meios/tevi.htm>. Acesso em: 13 jun. 2014. Adaptado.

a) Copie os verbos do texto.

146

Apareceu, estava, assistindo, achou, era, é, podia, transmitir, estava, acontecendo, pode, ser, feita, parece, sabemos, é, conseguiu, foi, era, cortava, era, estava, transformou, foi, trabalhava, existe, entrou, conhece, é.


b) Releia o primeiro parágrafo do texto. M10 - Diego C.

Quando apareceu a primeira televisão, mais de sessenta anos atrás, quem estava assistindo achou que era um show de mágica. Como é que aquela caixa preta podia transmitir uma cena que estava acontecendo em outro lugar?

Reescreva o texto substituindo as palavras em negrito pelas palavras/expressões do quadro abaixo. Faça as adaptações necessárias para atender às normas de concordância!

televisões

as pessoas que

caixas

Quando apareceram as primeiras televisões, mais de sessenta anos atrás, as pessoas que estavam assistindo acharam que era um show de mágica. Como é que aquelas caixas pretas podiam transmitir uma cena que estava acontecendo em outro lugar?

2. Leia: As árvores servem de abrigo aos pássaros. Eles constroem seus ninhos nos ramos e comem os insetos parasitas. Outras plantas podem nascer no tronco ou à sombra de sua ramagem. Minha primeira enciclopédia — As plantas. São Paulo: Ática, 1997.

Reescreva o texto de acordo com o tempo verbal indicado.

a) no passado;

As árvores serviram/serviam de abrigo aos pássaros. Eles construíram/construíam seus ninhos nos ramos e comeram/comiam os insetos parasitas. Outras plantas puderam/podiam nascer no tronco ou à sombra de sua ramagem.

b) no futuro.

As árvores servirão/vão servir de abrigo aos pássaros. Eles construirão/vão construir seus ninhos nos ramos e comerão/vão comer os insetos parasitas. Outras plantas poderão/vão poder nascer no tronco ou à sombra de sua ramagem.

147


3

Mercado Ver-o-peso, centro histórico de Belém, Pará, 2010.

Ricardo Teles/Pulsar Imagens

Unidade

Roberto Tetsuo Okamura/Shutterstock

Poconé, Mato Grosso, 2014.

Viajando pelo Brasil


Luiz Rocha/Shutterstock

Nesta unidade, vamos conversar sobre o Brasil, conhecer um pouco de sua história e de sua gente. Observe as fotos e converse com os colegas: • Que estados brasileiros estão representados nas fotos?

• Você mora em algum desses

estados? Você já visitou algum deles?

Ouro Preto, Minas Gerais, 2013.

• Se

você fosse escolher um estado brasileiro para visitar, qual seria? Por quê?

Pdrocha/Shutterstock

Praia de Carneiros, Pernambuco, 2010.

steven gill/Shutterstock

Cataratas do Iguaçu, Paraná, 2012.


Para começar...

MILITÃO DOS SANTOS/ACERVO PORTUGAL

As telas que você vê a seguir foram pintadas por artistas plásticos brasileiros e mostram algumas festas típicas de nosso país. E não é à toa que eles escolheram esse tema: o Brasil tem festas animadas, bonitas, cheias de brincadeiras.

Prof.(a), as telas favorecem um trabalho interdisciplinar com Arte.

Andrea Ebert/SambaPhoto

Folia de Reis, Antonio Militão dos Santos (2011). Óleo sobre tela, 40 x 60 cm.

Bumba meu boi, Andréa Ebert (2004). Aquarela sobre papel, 18 3 18 cm. Coleção Particular.

150


Andrea Ebert/SambaPhoto

Festa Junina, Andréa Ebert (2004). Aquarela sobre papel, 35 3 40 cm. Coleção particular. Prof.(a), estas questões devem ser respondidas oralmente. O objetivo é o levantamento do conhecimento prévio dos alunos sobre o tema da unidade.

1.

Sente-se com alguns colegas. Observem as telas e conversem sobre elas:

a) Vocês conhecem as festas representadas nos quadros? b) Vocês acham que as cores usadas pelos artistas combinam com o tema dos quadros: festas? Por quê?

c) Alguma dessas festas é comemorada na região onde vocês moram? d) De qual das telas vocês gostaram mais? Por quê?

2. Pesquisem

em jornais, em revistas ou na internet informações sobre festas típicas brasileiras. Anotem as informações que conseguirem em uma folha. Procurem também fotos e ilustrações sobre esse tema.

3.

No dia combinado com a professora, apresentem à turma as informações pesquisadas e as imagens.

4. Montem na classe, com os colegas dos outros grupos, um grande painel com as

informações sobre festas brasileiras e as imagens. Deem um título ao painel.

151


5

Capítulo

Independência ou morte!

Texto 1 – Para preparar a leitura Observe os textos a seguir. São telas pintadas por artistas brasileiros: Ambas são sobre a independência: a primeira é sobre a independência Pedro Américo e Mauricio de Sousa. do Brasil e a segunda sobre a independência da Turma da Mônica. A tela de Mauricio de Sousa é uma releitura da tela de Pedro Américo. O que você acha que elas têm de parecido e de diferente? Você imagina Prof.(a), aproveite a observação das telas para que os por que Mauricio de Sousa pintou essa tela? alunos resgatem todas as informações que têm sobre Acervo do Museu Paulista da Universidade de São Paulo.

a Independência, que é tema geralmente estudado nas aulas de História do 5º- ano. Alunos nessa faixa etária encontram dificuldades no estabelecimento de relações. Dessa forma, sugerimos realizar as atividades coletivamente, explicitando e problematizando as dificuldades encontradas e buscando, com a sua orientação, solucioná-las.

arte e história

© mauricio de sousa/mauricio de sousa produções

Independência ou morte, Pedro Américo (1888). Óleo sobre tela, 415 x 760 cm.

Independência da Turma, tela pintada por Mauricio de Sousa, em 2001.

152


Quem são os pintores? O paraibano Pedro Américo de Figueiredo e Melo nasceu em Areia, em 1843. Formou-se em Belas Artes no Rio de Janeiro e continuou seus estudos de artes na Europa, cursando também filosofia, física e literatura. Fez várias viagens à Europa e, no Brasil, foi professor de desenho, de história da arte, de estética e de arqueologia. Apreciador da pintura histórica, atendeu ao pedido de dom Pedro II e veio da Itália, onde ficava seu ateliê, para estudar a região do Ipiranga e se inteirar dos fatos. A tela foi pintada em Florença, Itália, e veio para o Brasil em 1888. Hoje a tela Independência ou morte, mais conhecida como O Grito do Ipiranga, encontra-se no Salão Nobre do Museu Paulista. Pedro Américo é um dos principais artistas brasileiros e foi um dos mais famosos pintores de sua época. Morreu em 1905 na Itália, mas foi enterrado na Paraíba. O paulista Mauricio de Sousa nasceu em 1935 em Santa Isabel e desde criança gostava de desenhar. Na adolescência, fez cartazes e pôsteres, além de trabalhar em emissoras de rádio. Seus primeiros quadrinhos foram publicados no jornal Folha da Manhã, onde também trabalhava como repórter. A partir daí, e muitas vezes inspirado em seus filhos, criou várias personagens, como Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali, que deram origem à Turma da Mônica.

Para dialogar com o texto 1.

história

Prof.(a), como a leitura das telas depende fundamentalmente do conhecimento prévio dos alunos sobre a História do Brasil e as personagens da Turma da Mônica, seria interessante que as atividades fossem desenvolvidas em duplas ou em grupos, para depois serem debatidas coletivamente.

Quem é a personagem histórica retratada no centro da tela de Pedro Américo? Que relação existe entre essa personagem e o título da tela? Dom Pedro I. Segundo os relatos históricos, ele grita “Independência ou morte!” às margens do riacho Ipiranga para marcar a Independência do Brasil em relação a Portugal.

2.

Na tela de Mauricio de Sousa, que personagem da Turma da Mônica corresponde a essa figura histórica? O que ela usa como espada? Cebolinha. Usa o coelhinho da Mônica.

3.

Que outras personagens da Turma da Mônica você consegue identificar na tela pintada por Mauricio de Sousa? Sugestão de resposta: O elefante Jotalhão, Mônica, Cascão, Chico Bento, Horácio etc. Prof.(a), se necessário, traga revistas em quadrinhos para a classe e apresente as personagens aos alunos.

153


Para estudar as telas 1. Descreva detalhadamente o cenário em que as personagens da Turma da Mônica estão.

O ambiente é rural. Ao fundo há uma casa, à beira da estrada em que a cena é retratada. No fim da estrada de terra, há um rio (uma referência ao riacho Ipiranga, da história da Independência). O céu está claro, azul, cheio de nuvens. Prof.(a), nesta atividade, os alunos terão de fazer uma pequena descrição. É interessante realizar a atividade oralmente, em um primeiro momento, e só depois construir um texto escrito.

2. As

cenas retratadas são estáticas ou há representação de movimento? Como isso pode ser percebido? As cenas apresentam movimento. Podemos ver isso no posicionamento das patas dos cavalos e das armas e no esguicho de água do riacho, principalmente.

3.

Como são as cores empregadas: fortes ou suaves? Que cores predominam em cada tela? Por que essa característica é diferente nas duas telas? Justifique. Na primeira tela as cores empregadas são suaves predominando o marrom-claro e o verde. Na tela de Mauricio de Sousa o colorido é mais intenso. Prof.(a), é importante os alunos perceberem que Pedro Américo pintou um fato histórico, e os tons mais suaves escolhidos dão maior seriedade à tela. Já Mauricio de Sousa apresenta uma tela mais colorida porque ela é destinada ao público infantojuvenil dos seus quadrinhos, imprimindo um tom lúdico à cena.

4. Aproximadamente, quantos anos depois da tela de Pedro Américo foi pintada a de Mauricio de Sousa? Aproximadamente 115 anos depois.

5.

Em sua opinião, por que Mauricio de Sousa pintou uma tela como essa? Prof.(a), levante hipóteses com os alunos. Para entenderem a relação de intertextualidade entre as obras, os alunos precisam perceber que a intenção de Mauricio de Sousa foi recriar o texto dentro de uma outra época e para um outro tipo de público; no caso, os leitores de revistinhas. É importante ampliar a ideia de recriação de texto através de outros textos intertextualizados, como músicas, poesias, outras obras de arte etc.

154


Texto 2 – Para preparar a leitura Observe o texto que você vai ler. Ele foi publicado num site chamado Canal Kids. Leia os títulos, veja as imagens. O que você acha que vai ler: um texto literário, de ficção, ou um texto informativo? Explique sua resposta. Prof.(a), os textos são informativos. É importante que os alunos argumentem sobre sua resposta.

http://www.canalkids.com.br/cultura/historia/independencia.htm Prof.(a), leve os alunos a observar a presença do hipertexto: as

Independência não é só grito palavras sublinhadas são uma marca que indica que, quando se

lê o texto na internet, outras informações aparecerão, até mesmo outros textos; para isso, basta clicar o botão do mouse em cima dessas palavras. Sem o mouse, mas por meio de uma leitura mais direta, essa estratégia de leitura está sendo implementada aqui nesta coleção.

As mais famosas foram a Inconfidência Mineira, em Minas Gerais, no ano de 1789 — aquela que acabou levando Tiradentes à forca; a Conjuração Baiana, também conhecida como Revolta dos Alfaiates, na Bahia, quase dez anos depois, em 1798; e a Revolução Pernambucana, em 1817 (quase vinte anos depois da revolução baiana!). E o grito de dom Pedro só foi acontecer no dia 7 de setembro de 1822, cinco anos mais tarde.

M10 - Victor B.

Quem acha que a independência foi só o famoso grito “Independência ou morte!” de dom Pedro I às margens do Ipiranga? Pois não foi, não. Durante nossa história tivemos muitas lutas pela independência, todas reprimidas pelo governo português.

Aqui você vai saber tudo sobre a Independência do Brasil! Vamos lá? Pra começar, fique sabendo que o Brasil era a galinha dos ovos de ouro de Portugal...

Agora veja por que Portugal considerava o Brasil sua galinha dos ovos de ouro.

155


http://www.canalkids.com.br/cultura/historia/galinha.htm

Por que tanta luta? Não é muito fácil responder a essa pergunta... Depois do descobrimento do Brasil, em 1500, nosso país tornou-se colônia de Portugal. Como colônia, tinha de respeitar um trato chamado “pacto colonial”, que sempre foi o grande motivo dos conflitos. Esse pacto dizia que a colônia devia obedecer à metrópole em tudo, sem reclamar. O Brasil era uma espécie de galinha dos ovos de ouro de Portugal, a quem tinha de fornecer riquezas e mais riquezas, mesmo à custa de muito sacrifício. Além disso, não podia fazer nada por conta própria, como leis, escolher governantes ou vender mercadorias para outros países. Não podia tomar nenhum tipo de decisão! Nessa época, a maioria dos países europeus tinha suas colônias no “Novo Mundo” (a América) e na África. É o que a gente conhece como imperialismo. E todos os países que conquistavam colônias tratavam logo de pôr em prática o tal pacto colonial. Então, no final do século XVIII, muitas revoluções começaram a pipocar. Diversas colônias se revoltaram contra o pacto colonial para poder andar com suas próprias pernas. Foi quando aconteceu a independência dos Estados Unidos, e a de muitos países da América Espanhola, como o México. Corriam as ideias da Revolução Francesa pelo mundo, que inspiravam a liberdade. A Revolução Francesa queria “liberdade, igualdade e fraternidade”.

M10 - Victor B.

Ela foi muito importante porque, pela primeira vez na história, o povo conseguiu derrubar o rei para colocar quem ele escolhesse no governo. [...]

E em seguida mais uma versão de como o Brasil começou a andar com suas próprias pernas.

156


http://www.canalkids.com.br/cultura/historia/grito.htm

O grito do Ipiranga Finalmente! No dia 14 de agosto de 1822, dom Pedro viajou para São Paulo para resolver um problema político. Deixou que dona Leopoldina, sua mulher, ficasse no poder durante sua ausência. Quando as coisas já tinham se acalmado e ele seguia para Santos, chegaram ao Rio de Janeiro ordens das Cortes: dom Pedro deveria voltar para Portugal naquele instante, José Bonifácio deveria ser julgado, e um ministério seria criado para colocar ordem naquela “bagunça”. Tudo isso destruía todas as medidas de dom Pedro! Dona Leopoldina e José Bonifácio mandaram seus mensageiros correrem com essas notícias. Um mensageiro encontrou-se com dom Pedro às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo. Era a tarde do dia 7 de setembro de 1822. Existem pelo menos seis versões dessa história, por isso ela já foi contada de diversas maneiras... Uma delas, a do padre Belchior, conta que dom Pedro leu os decretos e perguntou: — E agora, padre?

— Independência ou morte!

Vic tor M10 -

Trinta e oito pessoas assistiram à cena: dom Pedro desembainhou (tirou) a espada, ergueu-a e gritou:

B.

O padre aconselhou dom Pedro a proclamar a independência do Brasil. Senão, ele seria feito prisioneiro das Cortes. Não tinha jeito!

Disponível em: <www.canalkids. com.br>. Acesso em: 18 maio 2014. Texto adaptado.

Cortes: a Corte portuguesa.

157


Para dialogar com o texto Sente-se com um colega para resolver as atividades.

1.

Prof.(a), o texto tem caráter informativo, visa à transmissão de conhecimentos sobre um fato histórico; portanto, é importante os alunos retomarem dados apresentados no texto para perceberem essa característica.

Vamos recordar algumas informações contidas no texto:

história

a) Que outras lutas pela independência foram citadas no texto? Quando e onde aconteceram?

A Inconfidência Mineira, em Minas Gerais, em 1789; a Conjuração Baiana, ou Revolta dos Alfaiates, na Bahia, em 1798; e a Revolução Pernambucana, em 1817.

b) Onde e quando aconteceu o “grito do Ipiranga”?

Em 7 de setembro de 1822, às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo.

2.

O que estabelecia o “pacto colonial” a que o Brasil deveria obedecer? Segundo o “pacto colonial”, o Brasil (colônia) deveria obedecer à metrópole (Portugal) em tudo, sem reclamar.

3.

Segundo o texto, que revoluções do século XVIII influenciaram a proclamação da Independência do Brasil? A independência dos Estados Unidos e de outros países da América, além dos ideais de liberdade da Revolução Francesa.

4. O autor encerra o texto apresentando o que ele chama de uma das versões contadas sobre o “grito do Ipiranga”. O que ele quer dizer com isso? Por que será que existem diferentes versões? Prof.(a), ajude os alunos a entender que existem diferentes registros sobre o acontecimento, mas que ninguém pode garantir ao certo o que aconteceu. Incentive os alunos a pesquisar outras fontes e a descobrir outras versões desse momento histórico.

158


5. Releiam a frase.

M10 - Victor B.

“[...] o Brasil era a galinha dos ovos de ouro de Portugal...”

a) De acordo com o texto, o que ela quer dizer?

Quer dizer que o Brasil era uma fonte de riqueza para Portugal.

b) Qual é a origem dessa expressão? A que história ela se refere?

O autor do texto refere-se a uma história infantil, a da galinha que botava ovos de ouro e que foi motivo de extrema cobiça por parte de seus proprietários. Prof.(a), aproveite para trazer a história para ser contada na classe.

c) Copiem do texto um trecho em que se explica a afirmação lida acima.

“O Brasil era uma espécie de galinha dos ovos de ouro de Portugal, a quem tinha de fornecer riquezas e mais riquezas, mesmo à custa de muito sacrifício.”

Para estudar o texto informativo na internet Sente-se com um colega para resolver as atividades.

1.

Qual é a fonte desse texto? O site <www.canalkids.com.br>. Prof.(a), leia com os alunos as três fontes que aparecem no topo de cada texto. Explique-lhes que o primeiro endereço é o do site (<www.canalkids.com.br>), as informações seguintes indicam em que seção os textos aparecem (“cultura/ historia”) e o último dado aponta o próprio nome do texto (portanto, “independencia”, “galinha” ou “grito”).

159


2. Todo texto é criado com um objetivo principal. Assinalem a opção que indica corretamente a finalidade do texto lido.

O objetivo principal do texto é narrar uma história, unindo ficção e realidade. X

O objetivo principal do texto é transmitir conhecimentos sobre um fato histórico. O objetivo principal do texto é descrever uma personagem histórica.

3.

Observem, no trecho a seguir, a linguagem usada pelo autor para escrever o texto.

Aqui você vai saber tudo sobre a Independência do Brasil! Vamos lá? Pra começar, fique sabendo que o Brasil era a galinha dos ovos de ouro de Portugal...

comunicativa), para que entendam que o uso da língua deve ser adequado à situação comunicativa.

M10 - Victor B.

Prof.(a), é importante trabalhar com os alunos a noção de registro (variante linguística que existe em função do grau de formalidade adequado à situação

a) Observem o uso de expressões como “Vamos lá?” ou “Pra começar”. Como é a linguagem usada na escrita do texto?

Espera-se que os alunos percebam que o tom do texto é bastante informal, apresentando expressões características da língua oral.

b) Converse com seu colega e respondam: a quem esse texto se destina? Onde o texto foi publicado? A escolha dessa linguagem é adequada? Expliquem sua resposta.

Como o texto foi publicado na internet num site destinado a crianças, o uso da linguagem informal é mais adequado, pois faz com que o leitor a que o texto se destina tenha mais interesse pela leitura.

c) A expressão “galinha dos ovos de ouro” aparece sublinhada. Nos textos publicados em páginas da internet, isso é denominado hipertexto. Que outras palavras ou expressões são hipertexto no texto estudado?

Inconfidência Mineira, Tiradentes, Revolta dos Alfaiates, Bahia, Revolução Pernambucana, descobrimento do Brasil, andar com suas próprias pernas. Prof.(a), seria interessante se os alunos tivessem oportunidade de ver esse recurso na prática consultando a página do site na internet.

Hipertexto: palavra ou expressão que, quando clicada com o mouse, faz abrir uma nova explicação, um novo texto.

160


Para refletir sobre nossa língua Ortografia: acentuação das paroxítonas (final); verbos terminados em -ram e -rão 1.

Prof.(a), nesta unidade, será concluído o estudo da acentuação das paroxítonas e será feita uma revisão dos casos apresentados na unidade anterior.

Leia as palavras do quadro em voz alta.

jóquei

bíceps

móveis hífen

homens pônei itens pólen jovens

vôlei

tríceps

fósseis

a) Separe as sílabas das palavras e circule a sílaba tônica.

jó-quei, bí-ceps, mó-veis, hí-fen, jo-vens, vô-lei, ho-mens, pô-nei, i-tens, pó-len, trí-ceps, fós-seis.

b) Como essas palavras são classificadas quanto à posição da sílaba tônica?

Todas são paroxítonas.

c) Observe o acento gráfico e as terminações das palavras acima. Complete o quadro abaixo com a regra de acentuação.

As paroxítonas recebem acento gráfico quando terminam em ei(s), PS

2.

e

N

.

Copie as palavras a seguir acentuando-as quando for necessário.

dezesseis gluten

porta-niqueis faceis

forceps

quadriceps

abdomen hifens

nissei

imagem

São acentuadas: porta-níqueis, fórceps, abdômen, glúten, fáceis, quadríceps.

161


3.

Sente-se com um colega, leiam os trechos a seguir e procurem encontrar os erros de acentuação gráfica. Escrevam as palavras incorretas, acentuando-as corretamente. Justifiquem a acentuação de acordo com as regras estudadas.

a) A Independencia do Brasil foi proclamada por dom Pedro I, um nobre portugues.

Independência – proparoxítona aparente. Português – oxítona terminada em E ou ES.

b) Nos patios das escolas brasileiras, os alunos, alem dos folguedos, também homenageiam sua patria.

Pátios, pátria – proparoxítona aparente. Além, também – oxítona terminada em EM ou ENS. Prof.(a), recorde com os alunos as regras de acentuação estudadas na unidade anterior.

4.

5.

Desafio! Pesquisem em jornais e revistas outras paroxítonas acentuadas. Façam uma lista de 10 palavras. No momento indicado pela professora, ditem as palavras para outra dupla. Em seguida, façam o contrário: escrevam as palavras que a outra dupla vai ditar. Comparem as palavras e corrijam os erros. Todo mundo acertou tudo? Quais palavras foram mais difíceis de escrever? Qual dupla se saiu melhor?

Circule os verbos que estão no passado. Prof.(a), os finais -RAM e -RÃO já foram vistos no livro do 4º- ano. Por se tratar de um aspecto notacional que gera muitas dúvidas entre as crianças, optamos por retomá-lo neste ano.

Então, no final do século XVIII, muitas revoluções começaram a pipocar. Diversas colônias se revoltaram contra o pacto colonial [...].

162


a) Quanto à posição da sílaba tônica, esses verbos são palavras oxítonas, paroxítonas ou proparoxítonas?

Palavras paroxítonas.

b) Imagine que os fatos anunciados nesse trecho ainda fossem ocorrer. Como esse trecho deveria ser escrito?

Então, no final do século XVIII, muitas revoluções começarão a pipocar. Diversas colônias se revoltarão contra o pacto colonial [...].

c) Como são classificadas agora essas palavras quanto à posição da sílaba tônica: oxítonas, paroxítonas ou proparoxítonas?

São palavras oxítonas.

d) Além da mudança da posição da sílaba tônica, os verbos começar e revoltar sofreram alteração na grafia quando passaram para o futuro. Explique o que aconteceu.

No passado, os verbos terminam em -RAM; no futuro, terminam em -RÃO.

6. Complete a tabela conforme a primeira fileira. Presente

Passado

Futuro

chegar

chegam

chegaram

chegarão

lutar

lutam

lutaram

lutarão

descobrir

descobrem

descobriram

descobrirão

conquistar

conquistam

conquistaram

conquistarão

163


Para refletir sobre nossa língua Gramática: preposição Prof.(a), antes de solicitar o registro das respostas, realize as reflexões iniciais oralmente.

1. Releia o trecho abaixo observando as palavras em destaque. No dia 14 de agosto de 1822, dom Pedro viajou para São Paulo [...] Deixou que dona Leopoldina, sua mulher, ficasse no poder durante sua ausência. Quando as coisas já tinham se acalmado e ele seguia para Santos, chegaram ao Rio de Janeiro ordens das Cortes: dom Pedro deveria voltar para Portugal naquele instante, José Bonifácio deveria ser julgado, e um novo ministério seria criado [...] Tudo isso destruía todas as medidas de dom Pedro! Dona Leopoldina e José Bonifácio mandaram seus mensageiros correrem com essas notícias. Um mensageiro encontrou-se com dom Pedro às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo. Era a tarde do dia 7 de setembro de 1822.

r to Vic 10 -

B.

M

a) Imagine que a professora perguntasse o significado dessas palavras em des-

taque. Qual é o significado da palavra de? E da palavra para? O que você responderia?

Prof.(a), a atividade visa levar os alunos a perceber que, diferentemente dos nomes e dos verbos, as preposições são palavras que em sua maioria não apresentam significado próprio, pois elas servem basicamente para relacionar (ligar) dois termos. Deixe que os alunos procurem significados para essas preposições antes de falar sobre elas.

b) Difícil, não é? Isso acontece porque, ao contrário dos nomes e dos verbos, as

palavras destacadas no trecho acima não possuem um significado próprio, relacionado a algo que exista no mundo (como os nomes), ou a algo que possamos fazer (como os verbos). Será que isso quer dizer que elas poderiam ser retiradas do texto? Faça o teste: releia o trecho retirando as palavras destacadas. Como ele fica? O texto fica sem sentido, difícil de ser lido.

164


c) As palavras destacadas nesse trecho são chamadas de preposições e não poderiam ser retiradas do texto porque, mesmo não tendo um significado próprio, elas têm uma função, isto é, elas servem para “ligar” as palavras de um texto (ou partes desse texto) estabelecendo uma relação de sentido entre elas. Observe o esquema a seguir.

Frase

Dom Pedro

viajou

para

São Paulo

Significado

Primeiro Imperador do Brasil, filho de dom João VI, proclamador da Independência.

Foi de um lugar para o outro. Fez uma viagem.

Função

Nomear o primeiro Imperador do Brasil.

Indicar a ação de viajar, situando-se no tempo.

Ligar as palavras viajou e São Paulo e estabelecer uma “relação de direção” entre elas.

Nomear a cidade.

Classe de palavra

Substantivo

Verbo

Preposição

Substantivo

Maior cidade do Brasil, capital do estado de mesmo nome.

Na frase Dom Pedro viajou para São Paulo, a preposição para serve para indicar a direção (São Paulo) da viagem de dom Pedro. Logo, a preposição é a palavra usada para apontar a relação entre uma palavra e outra, nesse caso, a relação entre viajou e São Paulo.

2. Leia: Preposição é a palavra que “liga” dois termos e indica o tipo de relação que existe entre eles. Exemplos de relação:

• de direção: Viajou para Pernambuco. • de origem: Voltou de Minas Gerais. • de finalidade: Correu para alcançar o ônibus. • de posse: Perdeu o livro do menino. • de lugar: Mora em São Paulo. 165


3.

Leia as frases e responda que tipo de relação as preposições em destaque estabelecem: de tempo, direção, lugar, posse, origem, finalidade etc.

a)

b)

c)

4.

Tudo isso destruía todas as medidas de dom Pedro! Indica posse, ou seja, de quem são as medidas.

Quando as coisas já tinham se acalmado e ele seguia para Santos [...] Indica direção.

[...] riacho Ipiranga, em São Paulo. Indica o lugar do riacho.

As preposições podem aparecer sozinhas ou unidas a determinantes, como os artigos (o, os, a, as) ou os pronomes (aquele, aqueles, ele, ela etc.). Por exemplo:

do = preposição de + artigo o na = preposição em + artigo a naqueles = preposição em + pronome aqueles

• Sabendo disso, leia os versos a seguir, do Hino da Independência do Brasil. Já raiou a liberdade

a) Quais são as preposições encontradas no trecho ao lado?

No horizonte do Brasil. [...]

Ou ficar a pátria livre

b) Elas aparecem sozinhas ou unidas a determinantes?

Ou morrer pelo Brasil. Evaristo da Veiga.

No, do, pelo.

Com determinantes.

c) Com que determinante elas são formadas?

Elas são formadas pela junção do determinante O: em + o (no); de + o (do); por + o (pelo).

d) De que classe de palavra é esse determinante?

166

Esse determinante é um artigo. Prof.(a), proponha aos alunos que releiam o texto da atividade 1 e identifiquem as preposições que aparecem unidas a determinantes (no, ao, das, naquele, às, do).


Texto 3 – Para preparar a leitura Observe o poema. Leia a fonte, o título e a explicação logo abaixo do título. Você consegue imaginar qual é o assunto? Já ouviu a expressão “meter o nariz onde não é chamado”? Sabe o que ela quer dizer? O que será que ela tem a ver com o título do poema que você vai ler? Prof.(a), “meter o nariz onde não é chamado” é uma expressão usada para indicar a intromissão de uma pessoa em um assunto que não lhe diz respeito. No caso do texto, diz respeito à abolição da escravatura, assinada pela princesa Isabel, que contribuiu para a proclamação da República e o fim da Monarquia no país. No momento dessa preparação, antes da leitura, os alunos provavelmente não farão a relação Ana Maria Miranda dos fatos. Assim, aponte-a durante a leitura. Peça a alguns alunos, com antecedência, que preparem a leitura oral em casa para que leiam em classe para os colegas.

O nariz de Isabellinha

O poema a seguir narra a história da proclamação da República, em 1889. Traz várias personagens. Entre elas, dom Pedro II e Isabella, ou Isabellinha, como a princesa Isabel era chamada pela mãe. Dom Pedro era imperador Tão bonito, barba branca Com rico manto dourado E a imperatriz, tão feinha! A princesa era Isabel E ela seria um dia a rainha Dançava de festa em festa Uma boa bailarina [...] Os soldados, generais, Cansados da Monarquia, Gritavam, Fora o rei! Fora o rei! Fora a rainha! Os clubes e os jornais

10

M

-

r to Vic

B.

Fora rei! Fora rainha! [...]

167


Acabada a escravidão Os fazendeiros gritavam Zangados, fora o rei! Viva a República! E abaixo a Monarquia! O rei mandou Dinheiro para os pobres Dinheiro para flagelados Dinheiro para colonos Dinheiro para fazendeiros Agora você é barão Agora você é conde Agora você é marquês Daonde? Daonde? Da cozinha Obrigado, rei. Viva o rei! Viva a rainha! [...] Majestade, meu esposo, Disse a imperatriz Havemos de ter República Por causa daquele nariz De nossa filha Isabella

Fora o rei Fora o real Que vá bailar Em Portugal!

168

M10 - Victor B.

Que é tão bela.


Camaradas! Camaradas! A opressão é um crime! Disse em brados altos O capitão de artilharia Fora rei! Fora rainha! Vamos à Praia Vermelha Todos ao Arsenal! E ao quartel-general! Ao Campo da Aclamação! Abrir caminho às estrelas Com a ponta de nossa espada Viva a Revolução! E o povo: Fora rei! Fora rei, fora rainha!

Quem é que é a alma Deste golpe popular? Deodoro e Benjamim. E o povo que tem raiva. Disse o rei, encalacrado: Farei novo Ministério Chamai o Saraiva! Muito tarde! Muito tarde! Fora o rei! Fora a rainha! Atenção, concidadãos Agora somos República O vapor já vai partir E dona Isabel chorava Os senhores estão doidos?

O rei estava bem calmo: Isto não há de ser nada Amanhã é outro dia Isso é brasileirada!

Não deixai cair ao mar O meu papai!

M10 - V

O palácio está cercado Guaraná, ó Guaraná

ictor B .

Majestade, fuja logo A Revolução chegou Acabou-se a Monarquia A República estourou!

Zarpou o paquete Levando a Monarquia Não lhe dizia, senhor meu esposo? Temos República Por causa do nariz De nossa Isabellinha, Disse a rainha. Miranda, Ana Maria. Folha de S.Paulo, São Paulo, 11 nov. 2006. Folhinha.

Quem é a autora? Ana Maria Miranda nasceu em 1951 em Fortaleza, onde vive atualmente. Formada em arquitetura e artes plásticas, foi atriz famosa antes de decidir ser escritora, na década de 1980. Seus primeiros romances, escritos para o público adulto, já eram conhecidos em vários países do mundo quando ela se arriscou a escrever para crianças, em 2004. De lá para cá já foram publicados mais de cinco livros para os jovens leitores, entre eles Flor do Cerrado: Brasília e Lig e o gato de rabo complicado.

169


Para dialogar com o texto 1.

No texto, são feitas referências a personagens históricas, da época da proclamação da República. Com a ajuda da professora, consulte livros de História e escreva quem eram:

a) dom Pedro:

Era dom Pedro II, imperador do Brasil, filho de dom Pedro I. história

b) princesa Isabel:

Era filha de dom Pedro II, assinou a Lei Áurea (que aboliu a escravidão).

c) marechal Deodoro:

Foi o militar que liderou a Proclamação da República.

2.

Vamos recordar um pouco mais de história do Brasil?

a) A princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que aboliu a escravatura no Brasil. Segundo o poema, essa foi uma das causas da queda da Monarquia. Quais versos confirmam isso? Copie-os.

“Acabada a escravidão / Os fazendeiros gritavam / Zangados, fora o rei! / Viva a República! / E abaixo a Monarquia!”

b) Releia a estrofe abaixo e identifique quem é a personagem que está falando. É a Imperatriz Teresa Cristina, esposa de dom Pedro II.

Majestade, meu esposo, Disse a imperatriz Havemos de ter República Por causa daquele nariz De nossa filha Isabella Que é tão bela.

170

M10 - Victor B.


c) Considerando as questões anteriores, explique o título O nariz de Isabellinha.

Segundo a imperatriz, a princesa Isabel enfiou o nariz onde não devia, quando assinou a Lei Áurea.

3. Releia: Majestade, fuja logo A Revolução chegou Acabou-se a Monarquia A República estourou!

a) Qual é a diferença entre Monarquia e República? Procure o significado das palavras no dicionário e anote.

Monarquia é uma forma de governo exercida por um soberano (governante), geralmente vitalício (por toda a vida); o poder é transmitido hereditariamente. A república é uma forma de governo em que um representante, normalmente chamado presidente, é escolhido pelo povo para ser o chefe de Estado. A forma de eleição é normalmente realizada por voto livre e secreto, em intervalos regulares que variam conforme o país.

b) A que revolução o texto faz referência?

À proclamação da República no Brasil.

Para estudar o poema narrativo 1.

Logo abaixo do título, há um pequeno texto. Para que ele serve? Para explicar o que vai ser contado e a forma de apresentação do texto: um poema.

171


2. O poema O nariz de Isabellinha narra uma história que tem introdução, desenvolvimento e desfecho, que é o final da história. Pensando nisso, coloque as estrofes abaixo na ordem correta, de acordo com a sequência dos acontecimentos apresentada no poema.

Atenção! Não é necessário copiar o texto. Identifique as estrofes pelas letras correspondentes a elas. B, D, E, C, A. (A) Zarpou o paquete Levando a Monarquia Não lhe dizia, senhor meu esposo? Temos República Por causa do nariz De nossa Isabellinha, Disse a rainha. (B) Dom Pedro era imperador

(E)

Tão bonito, barba branca

O rei mandou

Com rico manto dourado

Dinheiro para os pobres

E a imperatriz, tão feinha!

Dinheiro para flagelados Dinheiro para colonos

(C)

Dinheiro para fazendeiros

Majestade, fuja logo A Revolução chegou Acabou-se a Monarquia A República estourou! (D) Os fazendeiros gritavam Zangados, fora o rei! Viva a República! E abaixo a Monarquia!

172

ilustrações: M10 - Victor B.

Acabada a escravidão


a) Que estrofe corresponde à introdução? Identifique-a pela letra.

B

b) Que estrofes correspondem ao desenvolvimento da história?

D, E, C

c) Que estrofe corresponde ao desfecho?

A.

3. Releia a estrofe a seguir e explique a expressão destacada de acordo com o contexto.

Prof.(a), incentive os alunos a voltar ao texto e relacionar a estrofe à sequência de acontecimentos narrados. Nos versos, dom Pedro despreza a ação dos brasileiros, menospreza a revolução, afirmando indiretamente que os brasileiros não seriam capazes realmente de fazer a revolução e proclamar a república. “Isso é brasileirada” quer dizer “coisa de brasileiro”.

O rei estava bem calmo: Isto não há de ser nada Amanhã é outro dia M10 - Victor B.

Isso é brasileirada!

4. Escreva um pequeno resumo da história contada no poema. Sugestão de resposta: Havia uma Monarquia, mas, descontentes com ela, soldados, generais, clubes, jornais, fazendeiros, todos queriam a República. O rei tentou “comprar” todas essas pessoas com dinheiro e títulos, mas não obteve sucesso. Assim mesmo, ele se manteve calmo, pois acreditava que nada iria acontecer, até que a República foi proclamada e a família real teve de ir embora do Brasil. A rainha dizia que a culpa era do nariz da Isabellinha, isto é, da atitude da princesa, que assinou a Lei Áurea. história

173


conexões

História

No tempo do seu tataravô Na época da Monarquia, o governante do Brasil não era escolhido pelo voto do povo Coleção Princesa Isabel, Rio de Janeiro

Roberson de Oliveira Especial para a Folha

Há muito tempo, quando os nossos tataravôs eram crianças, o governante do Brasil não era escolhido por intermédio do voto, como acontece hoje em dia. Ele tinha de ser escolhido no interior da família que descendia de dom Pedro 1º- , primeiro imperador do Brasil. Foi assim que dom Pedro 2º- , filho de dom Pedro 1º- , virou imperador. Era o tempo da Monarquia. Depois de mais de 40 anos governando o Brasil, dom Pedro 2º- começou a enfrentar opositores. Por diversas razões, vários brasileiros discutiam que o Brasil deveria adotar um outro sistema: a República, regime em que os cidadãos escolhem o seu governante.

A última fotografia da família imperial no Brasil, por Otto Hees. Da esquerda para a direita: a imperatriz Dona Teresa Cristina, D. Antônio, a princesa Isabel,o imperador, D. Pedro Augusto (filho da irmã da princesa Isabel, Dona Leopoldina, duquesa de Saxe), D. Luís, o conde d’Eu e D. Pedro de Alcântara (príncipe do Grão-Pará).

Insatisfeitos, os fazendeiros reclamavam da filha do imperador, a princesa Isabel, que assinara a Lei Áurea. Os militares, que diziam receber menos verba do que a Marinha, também andavam descontentes.

174


Até o dia em que os oficiais do Exército chegaram à conclusão de que o único jeito de mudar a situação era derrubar o imperador, acabar com a Monarquia e implantar a República. Segundo boatos da época, os militares se reuniram para decidir sobre a derrubada da Monarquia no dia de uma festa no Rio de Janeiro, com a presença da família real. Foi no Baile da Ilha Fiscal. Verdade ou não, o fato é que, cinco dias depois, em 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca proclamou a república e determinou o exílio da família de dom Pedro 2º- , que foi embora para a França. Dom Pedro 2ºAos cinco anos, seu pai, dom Pedro 1º-, voltou para Portugal, deixando-o com os irmãos no Brasil. Os responsáveis pela sua educação eram admirados pela sua inteligência, mas ele gostava mesmo era da governanta Dadama e de um criado particular, o negro Rafael. Tornou-se imperador aos quinze anos. Princesa Isabel A herdeira de dom Pedro 2º- teve uma educação tão boa quanto a do imperador. Casou-se com um príncipe francês, conde d’Eu e, depois de se tornar mãe, passava a maior parte do tempo cuidando da casa e dos filhos. Também se envolveu com política e assinou a Lei Áurea, que acabou com a escravidão no Brasil. Imperatriz D. Teresa Cristina Filha do rei das Duas Sicílias, ela se casou com dom Pedro 2º- sem conhecê-lo. Era baixa, feia e manca. Quando o imperador a viu pela primeira vez, ele correu para os braços da velha governanta e disse “Enganaram-me, Dadama!”. Com o tempo, conquistou o imperador. Conde d’Eu Era francês. Ele e seu primo foram trazidos da Europa para se casarem com as duas filhas do imperador. Isabel escolheu o conde. Após o casamento, o príncipe foi enviado para comandar tropas brasileiras em guerra no Paraguai. Praticamente não lutou, mas ficou com a glória da vitória. Oliveira, Roberson de. Folha de S.Paulo, São Paulo, 11 nov. 2006. Folhinha. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/folhinha/dicas/di11110603.htm>. Acesso em: 18 maio 2014.

175


Produção de texto oral e escrito Seminário Os textos que você leu mostraram um pouco da História da Independência e da proclamação da República no Brasil. Agora, vamos conhecer outros movimentos que aconteceram no país e contribuíram para que ele chegasse ao modelo de Prof.(a), o objetivo desta produção é levar os alunos a pesquisar informações sobre outros fatos governo atual. históricos brasileiros e apresentá-los em forma de seminário. Com os alunos, selecione os fatos históricos que serão pesquisados. De preferência, apresente uma listagem inicial com fatos que fazem referência a lutas pela liberdade, como Canudos, Inconfidência Mineira, e até mesmo fatos mais recentes, como o movimento das Diretas-Já. Seria importante que algumas pesquisas apresentassem referências à região em que os alunos vivem.

Planejando a pesquisa Etapa 1

1. 2.

Consultem livros, revistas especializadas, sites e enciclopédias e escolham o fato histórico sobre o qual vão falar. Mostrem a escolha à professora.

Etapa 2

3.

Sob a orientação da professora, forme um grupo com quatro ou cinco colegas.

Prof.(a), nessa etapa da atividade, confira os temas escolhidos para que as pesquisas dos grupos não sejam repetidas. Isso evitará a reincidência de informações e contribuirá para ampliar, no final das apresentações, o conhecimento histórico dos alunos.

Agora, é hora de aprofundar seus conhecimentos sobre o assunto. Em casa, cada componente do grupo deverá pesquisar informações sobre o fato histórico escolhido. Em sua pesquisa, volte a usar livros, revistas especializadas, sites e enciclopédias, dessa vez procurando informações só sobre o acontecimento escolhido pelo grupo.

10

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176

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B.


4. Anote os dados encontrados. Em dia determinado pela professora, você e os demais integrantes deverão trazer para a classe essas anotações: o grupo vai se reunir para ler e discutir as informações coletadas.

Prof.(a), o importante é que, por meio da atividade, os alunos aprendam a organizar uma pesquisa. Auxilie os grupos a indicar as fontes consultadas, não simplesmente copiando textos sem fazer referência a seus autores. Além disso, os textos consultados devem ser reunidos numa síntese escrita, para que seja feita a apresentação. Portanto, oriente-os a seguir os encaminhamentos e refletir sobre a pesquisa como atividade escolar.

Organizando a apresentação

5. Reúnam-se e organizem o material pesquisado. Selecionem as informações que

considerarem mais importantes e organizem um texto com elas. Tentem conseguir fotos para ilustrar o trabalho. Tragam curiosidades sobre o fato pesquisado. Não se esqueçam de citar corretamente a fonte de todos os textos consultados. Se necessário, peçam ajuda à professora.

Apresentando o seminário 6. Um

seminário é uma exposição oral de um conhecimento específico sobre um assunto, no caso, o fato histórico que cada grupo pesquisou. No dia marcado pela professora, apresentem a pesquisa feita.

7.

Assistam às apresentações dos outros grupos e anotem dúvidas que tiverem sobre elas. No final de cada apresentação a professora abrirá um espaço para que essas perguntas sejam feitas. Prof.(a), auxilie os grupos expositores a responder às dúvidas levantadas.

Trocando ideias e avaliando 8. Avaliem o trabalho apresentado.

Se quiserem, sigam as sugestões da ficha abaixo. Ficha de avaliação

• A participação de todos os elementos do grupo foi satisfatória e colaborativa?

• As informações apresentadas sobre o fato histórico foram claras e os dados foram precisos?

9. Após

as apresentações, exponham os textos produzidos pelos grupos em um mural para que as informações sejam coletivizadas.

177


6

Capítulo

Viva a gente brasileira!

Texto 1 – Para preparar a leitura Observe o texto que você vai ler agora: leia o título, consulte a fonte. Você já leu algum livro desse autor? De que assunto parece tratar o texto? O texto trata de indígenas e suas características, o que podemos perceber principalmente pelo título.

É índio ou não é índio? Daniel Munduruku

Certa feita tomei o metrô rumo à praça da Sé. Eram meus primeiros dias em São Paulo, e eu gostava de andar de metrô ou de ônibus. Tinha um gosto especial em mostrar-me para sentir a reação das pessoas quando me viam passar. Queria poder ter a certeza de que as pessoas me identificavam como índio a fim de formar minha autoimagem. Nessa ocasião a que me refiro, ouvi o seguinte diálogo entre duas senhoras que me olharam de cima abaixo quando entrei no metrô: — Você viu aquele moço? Parece que é índio — disse a senhora A. — É, parece. Mas eu não tenho tanta certeza assim. Não viu que ele usa calça jeans? Não é possível que ele seja índio usando roupa de branco. Acho que ele não é índio de verdade — retrucou a senhora B. — É, pode ser. Mas você viu o cabelo dele? É lisinho, lisinho. Só índio tem cabelo assim, desse jeito. Acho que ele é índio, sim — defendeu-me a senhora A. — Sei não. Você viu que ele usa relógio? Índio vê a hora olhando pro tempo. O relógio do índio é o Sol, a Lua, as estrelas... Não é possível que ele seja índio — argumentou a senhora B. — Mas ele tem olho puxado — disse a senhora A. — E também usa sapatos e camisa — ironizou a senhora B. — Mas tem as maçãs do rosto muito salientes. Só os índios têm rosto desse jeito. Não, ele não nega. Só pode ser um índio e, parece, dos puros.

178


C. M10 - Diego

— Não acredito. Não existem mais índios puros — afirmou cheia de sabedoria a senhora B. — Afinal, como um índio poderia estar andando de metrô? Índio de verdade mora na floresta, carrega arco e flechas, caça e pesca e planta mandioca. Acho que não é índio coisa nenhuma... — Você viu o colar que ele está usando? Parece que é de dentes. Será que é de dentes de gente? — De repente até é. Ouvi dizer que ainda existem índios que comem gente — disse a senhora B. — Você não disse que não achava que ele era índio? E agora parece que você está com medo? — Por via das dúvidas... — O que você acha de falarmos com ele? — E se ele não gostar?

— Paciência... Ao menos nós teremos informações mais precisas, você não acha? — É, eu acho, mas confesso que não tenho muita coragem de iniciar um diálogo com ele. Você pergunta? — disse a senhora B, que a esta altura já se mostrava um tanto constrangida. — Eu pergunto. Eu estava ouvindo a conversa de costas para as duas e de vez em quando ria com vontade. De repente senti um leve toque de dedos em meu ombro. Virei-me. Infelizmente elas demoraram a chamar-me. Meu ponto de desembarque estava chegando. Olhei para elas, sorri e disse: — Sim! Munduruku, Daniel. Histórias de índio. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2000.

Para dialogar com o texto 1.

Quem é o autor do texto? O indígena Daniel Munduruku.

2. De que assunto o texto trata? De uma experiência vivida pelo autor do texto: a reação de duas senhoras quando o viram andando de metrô em São Paulo. Prof.(a), explique aos alunos que, como aconteceu na Unidade 1, quando leram o texto de Ana Maria Machado, o texto de Daniel Munduruku também é um relato pessoal, ou seja, o autor conta fatos que ocorreram com ele.

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3. Releia o diálogo entre as senhoras A e B. a) Liste as características do autor que chamaram a atenção da senhora A.

Parecia índio, tinha o cabelo lisinho, olhos puxados, maçãs do rosto salientes e usava um colar de dentes.

b) Liste as características do autor que chamaram a atenção da senhora B.

Usava calça jeans, relógio, sapatos, camisa e andava de metrô.

c) Responda: a que conclusão se pode chegar? Parece que estão observando a mesma pessoa? Por que isso acontece?

Espera-se que os alunos percebam que são modos distintos de olhar a mesma pessoa, pois elementos diferentes chamam a atenção das senhoras. Prof.(a), terminada a atividade, converse com os alunos sobre esses diferentes pontos de vista, relacionando-os às várias maneiras de se analisarem fatos do cotidiano, formulando juízos parciais a respeito de situações e de pessoas.

4. Segundo o texto, por que o indígena Daniel Munduruku gostava de passear de ônibus ou de metrô?

Porque queria sentir a reação das pessoas ao vê-lo: um indígena de verdade. Queria saber como o viam para formar sua autoimagem.

5. Durante a conversa, as duas senhoras manifestam sentimentos como curiosidade, constrangimento, dúvida, segurança etc. Identifique quais sentimentos elas Prof.(a), explique aos alunos que, para compreender as intenções da fala, devem demonstram nas falas a seguir. procurar certos indícios no texto, como as indicações do relator e a pontuação usada.

a)

b)

180

— [...] Acho que não é índio coisa nenhuma [...] Dúvida.

— É, eu acho, mas confesso que não tenho muita coragem de iniciar um diálogo com ele. Você pergunta? — disse a senhora B, que a esta altura já se mostrava um tanto constrangida. Constrangimento, receio.


c)

— Eu pergunto. Decisão, firmeza.

Para estudar o relato pessoal 1.

Assinale a opção que completa adequadamente a frase:

O texto É índio ou não é índio? é considerado um relato pessoal porque: X

o autor relata uma experiência de vida que aconteceu com ele mesmo. o autor conta uma história sobre índios que ouviu de seus antepassados. os fatos são contados em terceira pessoa.

2.

No relato pessoal, em que pessoa gramatical os verbos e os pronomes são empregados, na primeira ou na terceira? Justifique exemplificando com passagens do texto. São empregados em primeira pessoa, pois quem relata os fatos é o próprio autor do texto. Sugestões: “Certa feita tomei o metrô rumo [...]”; Nessa ocasião a que me refiro, ouvi [...]”; “Eu estava ouvindo a conversa [...]”; “Meu ponto de desembarque [...]“; “Olhei para elas, sorri e disse [...]”

3.

Prof.(a), as atividades 3 e 4 favorecem trabalhar indisciplinarmente com as áreas de História e Geografia, no estudo dos povos indígenas de outros tempos e da atualidade.

O relato é um texto baseado em fatos reais ou fictícios? É baseado em fatos reais.

181


4. Releia o trecho.

Prof.(a), aproveite para retomar a noção de parágrafo. Nesta coleção, tem-se insistido nessa observação dos parágrafos para que os alunos percebam como os textos se organizam e assim utilizem esse conhecimento na construção de relatos e narrativas, por exemplo.

Nessa ocasião a que me refiro, ouvi o seguinte diálogo entre duas senhoras que me olharam de cima abaixo quando entrei no metrô: — Você viu aquele moço? Parece que é índio — disse a senhora A. — É, parece. Mas eu não tenho tanta certeza assim. Não viu que ele usa calça jeans? Não é possível que ele seja índio usando roupa de branco. Acho que ele não é índio de verdade — retrucou a senhora B.

a) Quantos parágrafos há nesse trecho? E no texto completo?

O trecho tem três parágrafos. O texto completo, 22.

b) Por que o primeiro parágrafo do trecho não é iniciado por travessão como os outros dois? O que indica o travessão no início dos parágrafos?

O primeiro parágrafo contém parte do relato, a voz do relator, enquanto os outros dois, iniciados por travessão, contêm a reprodução das falas das pessoas que participaram dos fatos.

c) Há travessões também no meio de alguns parágrafos. O que indicam?

Esses travessões indicam o fim da reprodução das falas das senhoras. Prof.(a), após o reconhecimento dessa estrutura, organize uma leitura oral do texto em que um aluno seja o relator e outros dois leiam as falas das duas senhoras. Incentive-os a procurar indicadores no texto que os ajudem a dar entonação à leitura, como as explicações do relator (retrucou, ironizou, argumentou) e a pontuação.

Para conversar

Converse com os colegas sobre estas questões:

1.

Como você imagina que Daniel Munduruku se sentiu ao ouvir a conversa entre as duas senhoras no metrô? Resposta pessoal.

2.

Se você fosse a pessoa sobre quem as senhoras estavam falando, como imagina que se sentiria? Resposta pessoal.

3.

A senhora B afirma que: [...] Índio de verdade mora na floresta, carrega arco e flechas, caça e pesca e planta mandioca.

Prof.(a), chame a atenção dos alunos para os precon-

Você concorda com ela? Justifique sua resposta. ceitos que possam surgir. Diga-lhes que os indígenas,

mesmo quando aculturados, se vivem no grupo de origem, guardam a identidade ancestral. Com o contato, as culturas do branco e do indígena se misturaram, absorvendo traços uma da outra, que se manifestam na vida cotidiana dos indivíduos da comunidade nacional.

4. O que você sabe sobre a vida dos indígenas brasileiros na atualidade? 182

Prof.(a), se os alunos apresentarem apenas noções vagas sobre o tema, ajude-os a pesquisar em jornais, livros, revistas e na internet informações sobre as questões indígenas da atualidade.


Texto 2 – Para preparar a leitura Observe no texto a seguir a fonte, o nome do autor, as imagens. A quem o título do texto se refere? Que relação você percebe entre este texto é uma biografia do autor do texto anterior, Daniel Munduruku. texto e o anterior? OProf.(a), peça aos alunos que localizem o nome do livro na citação da fonte para que entendam que

os dois textos são do mesmo livro, sendo este a autobiografia do autor do relato anterior. Durante a leitura, localize no mapa os lugares a que o autor se refere. A localização espacial é importante para a compreensão do texto.

O autor

Daniel Munduruku

Daniel Monteiro Costa (Daniel Munduruku — Derpó Munduruku). Nasci em Belém do Pará quando no Brasil se falava em golpe militar — um momento muito triste de nossa história, em que pessoas eram perseguidas por pensar de forma diferente dos militares (1964). Nasci índio e cresci como índio mesmo, tendo recebido toda a minha formação escolar na própria cidade de Belém. Quando criança — na fase pré-escolar — ia com frequência para uma aldeia familiar que foi construída nos arredores da cidade, onde cresci embalado pelas lindas histórias contadas por meus avós e tios. Infelizmente parte dessas histórias ficou apenas na lembrança (e não na memória) de meus pais e irmãos, e acabou por perder-se no tempo — devorador das histórias que não são contadas. Aos sete anos (1971) entrei na Escola Salesiana do Trabalho, de onde só saí quando concluí o primeiro grau (1979). Lá, aprendi a gostar de esportes, tendo sempre me destacado no futebol e em atletismo. Também lá desenvolvi um grande amor às crianças pobres e marginalizadas, uma vez que minha família vivia em situação econômica muito delicada e eu precisei trabalhar desde cedo como vendedor de doces, salgados, sacos de feira, sorvetes, picolés etc. Também com os salesianos fiz um curso profissionalizante — gráfico de off-set — e, por vários motivos, não consegui exercer essa profissão. Muito embora fosse índio, eu não gostava que me chamassem assim: sentia vergonha de ser índio, pois todo mundo dizia que índio era preguiçoso, sujo, e eu não me identificava com esse jeito de ser. Mas não valeu muito meu esforço para evitar os apelidos: todo mundo me chamava de índio, de Peri — um personagem indígena da literatura —, de Juruna — em referência ao índio xavante que foi deputado federal. Enfim, mesmo que eu quisesse me livrar disso, todos lembravam minha origem. [...] Em 1986 permaneci em Manaus — uma linda cidade banhada pelo rio Negro —, onde lecionei em uma escola rural que dava formação específica para índios. Foi uma experiência gratificante. Em 1987, depois de ter concluído meu curso superior em filosofia, resolvi mudar para o estado de São Paulo, onde poderia trabalhar e estudar mais um pouco. Devido

183


à amizade com os salesianos, fui convidado a ir morar numa cidadezinha de nome Lorena, no interior de São Paulo. [...] Em fins de 1989 mudei para a capital paulista. Sabem o que vim fazer? Trabalhar com menores de rua! Adivinhem onde? Na praça da Sé e depois na Lapa! Fascinante, não? De 1990 a 95 trabalhei numa escola de nome Santa Maria, onde coordenei o grupo Missões, que atuava na periferia de São Paulo. Além disso, dei aulas de filosofia e ensino religioso.

M10 - Diego C.

Nessa ocasião já conhecia a pessoa que mudou parte da minha vida: Tania Mara. Tania, que estudava na mesma faculdade que eu, sempre me incentivou a escrever e me deu muito apoio. Casei com ela em junho de 1990, na bela catedral de Lorena. Tania acompanhou-me até São Paulo posteriormente.

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Em 1992 ingressei no Programa de Pós-Graduação da Universidade de São Paulo para desenvolver uma pesquisa sobre o meu povo indígena — os Munduruku. Atualmente estou em fase de finalização desse trabalho, que me obrigou a reorganizar meu tempo. Em fevereiro de 1993 nasceu Gabriela, a indiazinha loura da tribo Munduruku, e em 1995 nasceu Lucas, um belo menino de olhos azuis: os dois estão aguardando a oportunidade de conhecer os parentes indígenas lá do Pará. Hoje em dia, além de dedicar-me aos estudos de pós-graduação, dou palestras em escolas sobre a questão indígena e — quando sobra tempo — escrevo. Sobre o quê? Sobre muitas coisas, mas o que mais gosto é de escrever as histórias que os povos indígenas contam, os mitos. [...] Munduruku, Daniel. Histórias de índio. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2000.

Para dialogar com o texto 1. Releia o trecho. [...] Nasci em Belém do Pará quando no Brasil se falava em golpe militar [...] (1964).

• Pesquise em livros de História do Brasil, em enciclopédias ou na internet e responda: o que foi o golpe militar de 1964?

O golpe militar de 1964 foi um golpe de Estado dado pelos militares brasileiros, que derrubaram o governo civil e assumiram o poder.

2.

Explique o sentido das palavras em destaque, de acordo com o texto. Se necessário, consulte um dicionário.

a)

Quando criança — na fase pré-escolar — ia com frequência para uma aldeia familiar que foi construída nos arredores da cidade [...] Arredores: entorno, periferia.

185


b)

[...] Também com os salesianos fiz um curso profissionalizante — gráfico de off-set — e, por vários motivos, não consegui exercer essa profissão. Curso profissionalizante: aquele que forma um profissional, um técnico; off-set: processo de reprodução fotográfica por meio de chapa de metal.

c)

[...] mas o que mais gosto é de escrever as histórias que os povos indígenas contam, os mitos. Mitos: histórias que simbolizam forças da natureza e aspectos profundos da vida humana.

3.

Explique com suas palavras o que o autor afirma no trecho a seguir. [...] cresci embalado pelas lindas histórias contadas por meus avós e tios. Infelizmente parte dessas histórias ficou apenas na lembrança (e não na memória) de meus pais e irmãos, e acabou por perder-se no tempo — devorador das histórias que não são contadas. O autor afirma ter crescido ouvindo histórias contadas por outros indígenas e lamenta que parte dessas histórias tenha deixado de ser contada e tenha se perdido no tempo.

4. Por que o autor sentia vergonha de ser indígena? Porque as pessoas achavam que indígena era preguiçoso e sujo, e ele não se identificava com isso.

5. De que outros nomes Daniel era chamado? Por que se sentia ofendido com esses nomes?

Índio, Peri e Juruna — estes dois últimos, nomes de indígenas conhecidos popularmente. Espera-se que os alunos percebam que chamar Daniel por esses nomes é desmerecê-lo como pessoa, já que esse modo de tratá-lo significa atribuir a ele e a todos os indígenas uma única identidade, negando-lhes individualidade.

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Para estudar a autobiografia 1.

Você acabou de ler uma autobiografia. Leia as definições a seguir e, com base nelas, responda às questões.

história

A biografia é um texto que traz informações sobre a vida de uma pessoa, como nome completo, local e data de nascimento, sequência cronológica dos principais fatos que aconteceram desde a infância. A biografia apresenta tanto fatos relacionados às atividades profissionais do biografado como também fatos de sua vida pessoal. A autobiografia é um texto em que o autor conta a sua própria vida, ou seja, escreve a sua biografia. Assim, ele é ao mesmo tempo a figura principal dos fatos narrados e a pessoa que narra os acontecimentos.

a) Em que uma pessoa se baseia para escrever uma autobiografia? De onde ela retira os fatos que conta?

Ela se baseia em suas memórias, nas lembranças e seleciona fatos de sua vida que deseja contar.

b) Se na autobiografia o autor fala de si mesmo, em que pessoa gramatical deve ser escrito o texto?

Em primeira pessoa: eu.

c) O texto lido está escrito na pessoa adequada? Justifique sua resposta com exemplos.

Sim, o texto é escrito em primeira pessoa. Espera-se que os alunos selecionem trechos com marcas da primeira pessoa, como: “Nasci índio e cresci [...]”; “Muito embora fosse índio, eu não gostava que me chamassem [...]”; “Em fins de 1989 mudei para a capital paulista.”.

187


2.

Localize os dados pessoais contidos na autobiografia e escreva as informações pedidas a seguir:

a) nome completo do autor;

Daniel Monteiro Costa.

b) nome indígena do autor, seu nome de origem;

Daniel Munduruku — Derpó Munduruku.

c) local de nascimento;

Belém, no estado do Pará.

d) ano de nascimento.

3.

1964.

Observe a linha do tempo abaixo e responda: o que aconteceu com Daniel em cada uma das datas destacadas? Nós já anotamos o acontecimento de 1964. Nascimento de Daniel Munduruku 1964 século XX

1971

1979

1986

1987

1989

1990

1992

1993

1995

2001 século XXI

Sugestão de resposta: 1971: Entrou na Escola Salesiana do Trabalho, aos sete anos. 1979: Concluiu o primeiro grau e saiu da Escola Salesiana do Trabalho. 1986: Permaneceu em Manaus e lecionou em uma escola rural que dava formação específica para indígenas. 1987: Mudou-se para Lorena (SP). 1989: Mudou-se para São Paulo (SP). 1990: Começou a trabalhar na escola Santa Maria, em São Paulo (SP), onde coordenou o grupo Missões. 1992: Ingressou no Programa de Pós-Graduação da Universidade de São Paulo para desenvolver pesquisa sobre o povo Munduruku. 1993: Nasceu Gabriela, sua filha. 1995: Nasceu Lucas, seu filho. Prof.(a), ajude os alunos a perceber a ordem cronológica das informações apresentadas, característica dos textos biográficos. Seria interessante fazer a linha do tempo no quadro para ir completando com a ajuda de toda a classe, com base na consulta ao texto.

188


4. Use a linha do tempo da atividade anterior e responda: a) Em que século nasceu Daniel Munduruku?

No século XX.

b) Quantos anos ele tem hoje?

5.

Prof.(a), ajude os alunos a fazer essa conta integrando esse conteúdo com Matemática.

Respostas pessoais.

E você, em que ano nasceu? Quantos anos você tem? Prof.(a), discuta essa característica do gênero com os alunos para que eles percebam a importância de usar o recurso em suas produções.

6. Releia o trecho e observe as marcas de tempo empregadas pelo autor em sua autobiografia.

Aos sete anos (1971) entrei na Escola Salesiana do Trabalho, de onde só saí quando concluí o primeiro grau (1979). Lá, aprendi a gostar de esportes, tendo sempre me destacado no futebol e em atletismo. [...] Em 1986 permaneci em Manaus — uma linda cidade banhada pelo rio Negro —, onde lecionei em uma escola rural que dava formação específica para índios. Foi uma experiência gratificante. Em 1987, depois de ter concluído meu curso superior em filosofia, resolvi mudar para o estado de São Paulo, onde poderia trabalhar e estudar mais um pouco. Devido à amizade com os salesianos, fui convidado a ir morar numa cidadezinha de nome Lorena, no interior de São Paulo. [...]

a) Explique: por que os marcadores de tempo são importantes em textos como esse?

Espera-se que os alunos percebam que textos biográficos são baseados numa sequência temporal, daí a importância de marcadores de tempo, como as datas. Eles conduzem a leitura, facilitando a compreensão do texto.

b) Localize no texto e copie outros exemplos de marcadores de tempo.

“Em 1992 ingressei no Programa de Pós-Graduação da Universidade de São Paulo para desenvolver uma pesquisa [...]. Atualmente estou em fase de finalização desse trabalho, que me obrigou a reorganizar meu tempo.”; “Em fevereiro de 1993 nasceu Gabriela, a indiazinha loura da tribo Munduruku, e em 1995 nasceu Lucas [...]”; etc.

189


conexões

História: depoimentos.

M10 - Diego C.

Leia a parte final da autobiografia de Daniel Munduruku e responda às questões no caderno.

Tenho alguns sonhos para o Brasil: fim da discriminação racial, religiosa, política. Porém, o que eu mais gostaria é que não houvesse mais discriminação social. Não queria que houvesse tão poucos ricos com mesa farta e tantos pobres sem mesa sequer. Se eu tivesse algum poder mágico, mudar essa situação seria o meu primeiro ato. Também daria uma atenção especial aos meus parentes índios, que muito têm sofrido com o preconceito e o desrespeito. Enfim, o meu terceiro ato seria dirigido às crianças do mundo inteiro: faria com que todas as nações do mundo pusessem em prática os Direitos Universais da Criança. Você os conhece? Não? Então corra até a biblioteca mais próxima e procure descobrir quais são; depois, ensine-os para seus irmãos; em seguida, junto com seus irmãos, reúna seus amigos e os amigos de seus amigos e lhes diga quais são esses direitos. Depois, enfim, una-se a todos os adultos que amem as crianças e, juntos, gritem bem forte: EU TENHO O DIREITO DE SER CRIANÇA! Daniel Munduruku. Histórias de índio. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2000.

a) E você, que sonhos tem para seu futuro? Resposta pessoal. b) Pesquise o documento a que o autor se refere, a Declaração Universal dos Direitos das Crianças. Escolha um dos itens desse documento e escreva um parágrafo sobre ele. Depois, explique a escolha para a turma. c) O que você acha que poderia ser feito pelas crianças brasileiras hoje? E no b) Prof.(a), lembre aos alunos que parte desse futuro? Respostas pessoais. texto já foi visto na Unidade 2 deste livro.

190


Para refletir sobre nossa língua Ortografia: mudança de letra, mudança de sentido

Prof.(a), procure resolver as atividades no quadro coletivamente. É importante também, no final, usar outras atividades e a observação de textos variados para fixar as normas ortográficas vistas nesta seção.

1.

Leia o texto em voz alta e observe as palavras destacadas. Escrevi em uma sexta M10 - Diego C.

Uma carta sem acento Coloquei-a numa cesta Pra rechear seu assento.

a) Que semelhanças e diferenças existem entre as palavras sexta e cesta?

Espera-se que os alunos percebam que elas são semelhantes na pronúncia, mas são diferentes na escrita e no significado.

b) Qual é o sentido dessas palavras?

Sexta: dia da semana; cesta: balaio.

c) E as palavras acento e assento, que semelhanças e diferenças existem entre elas?

Espera-se que os alunos percebam que, como nas palavras anteriores, elas são semelhantes na pronúncia e diferentes na escrita e no significado.

d) Qual é o significado delas?

Acento: sinal gráfico; assento: apoio, cadeira

2.

Complete as frases abaixo com uma das palavras entre parênteses. Consulte o dicionário para fazer a escolha certa.

a) Ele colocou a

sela

(cela / sela) no cavalo e saiu cavalgando.

b) Os prisioneiros ficaram trancados na

cela

(cela / sela) por

muito tempo.

191


c) Na

sexta

(sexta / cesta), pretendemos fazer uma festa na es-

cola.

d) Uma

(sexta / cesta) básica foi distribuída a cada uma das famílias carentes daquela favela.

e) O

cesta

(acento / assento) largo e estofado da cadeira da sala do diretor era muito colorido. assento

f) Todas as palavras proparoxítonas recebem

acento

(acento /

assento) gráfico.

3.

Escreva uma frase com cada uma das palavras a seguir. Se tiver dúvidas sobre os significados delas, consulte um dicionário. Respostas pessoais.

a) concerto – conserto;

b) caçar – cassar;

c) cinto – sinto;

d) cem – sem;

e) cerrar – serrar.

192


Para refletir sobre nossa língua Gramática: conjunção 1. Releia o trecho que segue observando as palavras destacadas. Certa feita tomei o metrô rumo à praça da Sé. Eram meus primeiros dias em São Paulo, e eu gostava de andar de metrô ou de ônibus. Tinha um gosto especial em mostrar-me para sentir a reação das pessoas quando me viam passar. [...] Nessa ocasião a que me refiro, ouvi o seguinte diálogo entre duas senhoras que me olharam de cima abaixo quando entrei no metrô: — Você viu aquele moço? Parece que é índio — disse a senhora A. — É, parece. Mas eu não tenho tanta certeza assim. Não viu que ele usa calça jeans? Não é possível que ele seja índio usando roupa de branco. […] — retrucou a senhora B.

a) O autor diz que eram os primeiros dias dele em São Paulo e logo em seguida acrescenta uma informação.

• Que informação é essa?

A informação é que ele gostava de andar de metrô ou de ônibus.

• Que palavra ele usa para expressar a ideia de acréscimo, adição?

Ele usa a palavra e.

b) Na frase “gostava de andar de metrô ou de ônibus”, o autor afirma que:

preferia andar de metrô;

preferia andar de ônibus;

X

para ele era indiferente andar de metrô ou de ônibus.

c) Que palavra na frase no item b expressa a ideia de alternância?

A palavra ou.

d) Que palavra, no trecho lido, a senhora B usou para expressar a ideia de oposição, discordância em relação ao que a senhora A disse?

A palavra mas.

193


e) No trecho “[…] ouvi o seguinte diálogo entre duas senhoras que me olharam de cima abaixo quando entrei no metrô”, qual palavra introduz a ideia de tempo em relação ao que foi dito antes?

A palavra quando.

2. Leia: Algumas palavras ou expressões da língua portuguesa servem para ligar orações, parágrafos ou outras palavras. Quando fazem isso, elas expressam diferentes ideias: • de tempo; • de oposição; • de causa; • de adição; • de alternância; • de explicação etc. A essas palavras ou expressões damos o nome de conjunções. Responda: qual é a ideia expressa pelas conjunções destacadas abaixo?

a)

b)

[...] Eram meus primeiros dias em São Paulo, e eu gostava de andar de metrô ou de ônibus. [...] Adição e alternância.

[...] duas senhoras que me olharam de cima abaixo quando entrei no metrô: Tempo.

c)

3.

— É, parece. Mas eu não tenho tanta certeza assim. [...] Oposição.

Observe o quadro e responda oralmente. e Marina pediu uma boneca

quando

seu irmão pediu um carrinho.

porém

a) O que acontece se trocarmos as conjunções que ligam as duas sentenças? Mudamos o sentido da frase.

b) Que relação de sentido cada um desses casos expressa? 194

Relação de adição, de tempo e de oposição.


Produção de texto oral e escrito Biografia

Prof.(a), o objetivo desta produção é levar o aluno a redigir uma autobiografia ou a biografia de alguém conhecido para apresentar à classe.

Que tal escrever sobre a vida de alguém que você conhece bem? Pode ser seu pai, sua mãe, seu avô, sua avó, um tio, uma tia. Ou você mesmo: escrever uma autobiografia pode ser uma boa forma de deixar seus colegas conhecerem você melhor.

Fazendo pesquisas 1. Recorde as características dos textos biográficos e autobiográficos apresentados anteriormente. Indique oralmente algumas dessas características.

2.

Prof.(a), ajude os alunos a levantar esses pontos.

Pesquise as informações de que vai precisar para escrever. Se quiser, siga as sugestões do quadro a seguir. Copie-o no caderno e complete-o com os dados da pessoa escolhida ou com seus dados (se for escrever uma autobiografia). Acrescente outras informações que achar importantes.

• Nome e sobrenome: • Local e data de nascimento: • Formação escolar: • Acontecimentos importantes (em ordem cronológica) desde a infância: em casa, na escola, com os amigos/parentes, na vida profissional etc.:

• Coisas de que gosta ou não: – de fazer: – de comer: – de assistir: – de ouvir: Prof.(a), peça aos alunos que pesquisem dados interessantes para apresentar na biografia ou na autobiografia.

195


Fazendo o rascunho 3.

Organize as informações do quadro em forma de texto. Não se esqueça das características que você deve dar ao seu texto para que ele tenha o perfil dos textos biográficos. Por exemplo, você deve mencionar datas e lugares importantes na vida da pessoa biografada (ou na sua vida, caso esteja fazendo uma autobiografia). Prof.(a), discuta com os alunos sobre a importância de acrescentar elementos coesivos (conjunções, pronomes etc.) entre as frases para que elas formem de fato um texto.

4. Se possível, selecione fotos para ilustrar algum fato que você queira destacar.

Revisando o texto 5. Troque o texto com um colega. Peça a ele que faça observações sobre o que

você escreveu. Faça o mesmo com o trabalho dele. Se quiser, siga as sugestões da ficha: Ficha de avaliação

• O texto apresentou o nome completo da pessoa, o local e a data do nascimento e a formação escolar dela?

• Foram apresentados os acontecimentos mais importantes desde a infância? Os gostos da pessoa biografada também foram citados?

• Os marcadores de tempo e lugar foram bem empregados, isto é, ficou clara a sequência dos acontecimentos e onde eles aconteceram?

6. Faça as modificações necessárias. Em caso de dúvida, consulte a professora.

Fazendo uma apresentação oral 7.

196

Prof.(a), após as apresentações, avalie com a classe as escolhas feitas, o desenvolvimento dos trabalhos e a apresentação de cada aluno. É importante incentivar a classe com críticas construtivas, valorizando o processo vivido e não apenas o produto da atividade proposta.

Convide pessoas da família ou funcionários da escola para assistir à apresentação oral dos textos. Na sua vez, se você escreveu a biografia de algum familiar ou conhecido, justifique sua escolha. Leia o texto biográfico para toda a turma. Ouça com atenção a apresentação dos colegas.


CONHEÇA TAMBÉM LIVROS

• • •

Faz muito tempo, de Ruth Rocha. Editora Ática.

• • • • • •

Um rei e seu cavalo de pau, de Elias José. Editora FTD.

A história dos escravos, de Isabel Lustosa. Companhia das Letrinhas. Os bichos que tive (memórias zoológicas), de Sylvia Orthof. Editora Salamandra. Asas brancas, de Carlos Queiroz Telles. Editora Moderna. Rá-ré-ri-ro-rua, de Lenice Gomes. Editora Bagaço. A arara e o guaraná, de Ana Maria Machado. Editora Ática. Fotografando Verger, de Angela Lühning. Companhia das Letrinhas. Coisas de índio: versão infantil, de Daniel Munduruku. Editora Callis.

sites

• • • • • • •

<www.escolakids.com/historia/ > <www.soutomaior.eti.br/mario> (site oficial do folclorista Mario Souto Maior) <www.danielmunduruku.com.br> <www.canalkids.com.br> <www.klickeducacao.com.br> <www.recreionline.com.br> <www.ibge.gov.br>

Acessos em: 22 jun. 2014. filmes

Tainá: uma Aventura na Amazônia. (Brasil, 2000). Tietê Produções.

1492: a conquista do paraíso. (Estados Unidos, 1992). Paramount Pictures.

Carlota Joaquina: princesa do Brasil. (Brasil, 1995). Elimar Produções Artísticas.

197


PARA concluir

Prof.(a), o texto é a letra de um famoso samba-enredo de Silas de Oliveira, composto em 1964 para o desfile da Império Serrano, do Rio de Janeiro, e que essa escola voltou a usar no Carnaval de 2004. Em conexão com a área de Geografia, peça aos alunos que tentem identificar os lugares citados na letra, mesmo que os conheçam apenas por meio de reportagens impressas ou televisionadas. Se for possível, faça a leitura da letra junto com um mapa do país, apontando os estados conforme são mencionados.

Nesta unidade conversamos sobre o Brasil, parte de sua História e de sua gente. Para encerrar, leia a letra do samba-enredo de 1964 da escola de samba Império Serrano, do Rio de Janeiro, e viaje um pouco mais por nosso país.

Aquarela brasileira Silas de Oliveira

Vejam essa maravilha de cenário É um episódio relicário Fábio Colombini

Que o artista, num sonho genial, Escolheu para este Carnaval E o asfalto, como passarela, Será a tela de um Brasil em forma de aquarela Passeando pelas cercanias do Amazonas Conheci vastos seringais No Pará, a ilha de Marajó

Vista aérea da Ilha de Marajó, Pará, 2004.

E a velha cabana do Timbó Caminhando ainda um pouco mais,

Marco Antônio Sá/Pulsar Imagens

Deparei com lindos coqueirais Estava no Ceará, terra de Irapuã, De Iracema e Tupã E fiquei radiante de alegria Quando cheguei na Bahia Bahia de Castro Alves, do acarajé, Das noites de magia do candomblé Depois de atravessar as matas do Ipu Assisti em Pernambuco À festa do frevo e do maracatu Brasília tem o seu destaque Na arte, na beleza e arquitetura Feitiço de garoa pela serra São Paulo engrandece a nossa terra

198

Apresentação do grupo Leão da Mata, Nazaré da Mata, Pernambuco, 2014.

Prof.(a), o samba é um ritmo conhecido mundialmente como brasileiro, faz parte da identidade do país. Trabalhe outras letras de samba, que poderão ser trazidas pelos próprios alunos. Relicário: algo precioso, de grande valor. Se for possível, Cercanias: arredores, vizinhança. traga para a sala os áudios das músicas Candomblé: religião africana introduzida sugeridas. no Brasil pelos escravos.


Thiago Leite/Shutterstock

Do leste, por todo o centro-oeste Tudo é belo e tem lindo matiz E o Rio, de sambas e batucadas, Dos malandros e mulatas Dos requebros febris Brasil, essas nossas verdes matas, Cachoeiras e cascatas de colorido sutil E este lindo céu azul de anil

Ponte Estaiada na cidade de São Paulo, São Paulo, 2014. Edson Sato/Pulsar Imagens

Emolduram, aquarelam meu Brasil. Oliveira, Silas de. Aquarela brasileira. Intérprete: Simone. In: Aula de samba: a história do Brasil através do samba. São Paulo: Biscoito Fino, 2008. 1 CD. Faixa 5. Matiz: tom suave de cor. Anil: azul. Emoldurar: servir de moldura; enfeitar. Prof.(a), além dessas palavras, outras podem ser desconhecidas dos alunos. Organize uma consulta ao dicionário para a ampliação do vocabulário.

Pão de Açúcar e Morro da Urca, Rio de Janeiro, 2012.

Forme um grupo com alguns colegas para trocar ideias e fazer uma pesquisa. Prof.(a), a atividade 1 deve ser respondida apenas oralmente.

1.

No dicionário, a palavra aquarela tem vários significados. Na letra do samba-enredo ela se refere a um tipo de pintura. Que relação existe entre esse sentido da palavra aquarela (um tipo de pintura) e a letra do samba-enredo? A letra do samba-enredo é como a aquarela de uma paisagem: descreve algumas cenas brasileiras como se fossem uma pintura.

2.

Vamos tentar fazer como no samba-enredo: traçar um retrato do Brasil, de seu povo e de sua cultura. Para isso, escolha com seu grupo um destes temas para fazer uma pesquisa: comidas, danças e festas típicas, histórias do folclore, escritores, música popular brasileira, artistas nacionais, nossa fauna, nossa flora, as regiões do país.

a) Procurem em livros, em revistas ou na internet informações sobre o assunto pesquisado. Consigam imagens para complementar as informações.

b) Anotem os dados que considerarem mais interessantes. c) No dia combinado com a professora, apresentem à classe o material coletado. Convidem para a apresentação colegas de outras turmas e familiares.

Prof.(a), estimule os grupos, conforme o tema escolhido, a levar para a classe, no dia da apresentação, comidas típicas, fantasias, fotos e também a dançar danças típicas, a cantar etc.

199


Atividades complementares 1.

A seguir, você vai ler uma fábula. Descubra quais preposições faltam e escreva-as.

O leão e o rato Mary e Eliardo França

tos morava

um velho tronco de

em

árvore:

ra-

M10 - Diego C.

de

Uma numerosa família avô

do

o neto,

a

podiam-se contar oito ratinhos. O avô contava orgulhoso que nunca tipor

nha sido caçado por

um leão e, então, dava consepara

lhos

um gato nem

os netos. para

Um dia, o avô saiu

um

passeio e sentiu que alguma coisa prendia seu rabo. Era um leão, que por sorte estava

barriga cheia, porque ti-

de

nha acabado

comer um leitão,

de

e resolveu soltar o vovô rato. Depois

algum tempo, pas-

de

sado o susto, o rato saiu

para

um

novo passeio e ouviu o rugido do leão tentando se livrar

de

uma armadilha.

Vovô rato roeu, roeu, roeu sem descansar e sem parar. O rato conseguiu libertar o leão. Moral da história: É sempre bom fazer amigos! FRANÇA, Mary e FRANÇA, Eliardo. Fábulas 2. São Paulo: Ática, 1999. Texto adaptado.

200


Leia as tirinhas observando as relações de sentido expressas pelas conjunções destacadas e assinale as opções corretas.

ziraldo/ace rvo do cartunista

a)

ZIRALDO. As melhores tiradas do Menino Maluquinho. São Paulo: Melhoramentos, 2000.

No terceiro quadrinho, qual é a ideia expressa pela conjunção mas?

condição

explicação

X

oposição

b) ziraldo/ace rvo do cartunista

2.

ZIRALDO. As melhores tiradas do Menino Maluquinho. São Paulo: Melhoramentos, 2000.

No primeiro quadrinho, qual é a ideia expressa pela conjunção se? X

condição

explicação

oposição

201


Giakita/Shutterstock

Minerva Studio/Shutterstock

Unidade

4

Uma hist贸ria puxa a outra


© keribevan/ dreamstime.com

Ler para quê? Ler por quê? Você já se fez essas perguntas? Converse com seus colegas sobre a importância da leitura. SIHASAKPRACHUM/Shutterstock

Sandi Fitzgerald/Getty Images


Para começar... ZIRALDO ALVES PINTO/GOVERNO FEDERAL/MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

Observe o cartaz.

204

Prof.(a), é importante despertar o hábito de leitura nos alunos, levá-los a acreditar que, por meio dela, não só poderão vivenciar experiências, conhecer mundos novos, fantásticos, povoados de sonhos, mistérios, fantasia, desafios, conquistas, como também se tornar leitores proficientes que interpretam, opinam, criticam, pessoas capazes de realizar uma leitura e avaliá-la.


1.

Sente-se com alguns colegas. Observem o cartaz na página ao lado e conversem sobre ele.

a) Descrevam detalhadamente o que vocês veem. b) No dia a dia, que tipo de produto costumamos dizer que é “gênero de primeira necessidade”?

Principalmente alimentos.

c) Por que vocês acham que essa expressão foi usada no cartaz? d) Que mensagem o cartaz traz?

Espera-se que os alunos percebam que o cartaz induz o leitor a equiparar a necessidade de ler à necessidade de se alimentar.

Espera-se que os alunos percebam que o cartaz pretende mostrar que a leitura é tão necessária à vida quanto os alimentos.

2. Troquem ideias sobre estas questões:

a) Para vocês, as aulas de Língua Portuguesa são importantes? Por quê? Respostas pessoais.

b) Por que é importante ler e escrever? Saber ler e escrever faz muita ou pouca diferença na vida diária das pessoas? Por quê? Respostas pessoais.

c) Que livros vocês já leram e gostariam de recomendar a leitura para os colegas? Resposta pessoal.

d) Entre os livros que vocês já leram, algum lhes trouxe um ensinamento especial? Qual? Como era a história? Respostas pessoais.

e) Que textos vocês mais gostam de ler na escola e fora dela? Resposta pessoal.

3. Agora vocês vão fazer como o Ziraldo e criar um cartaz para tentar convencer as pessoas de que ler é muito importante. Para isso:

a) criem e escrevam em meia folha de cartolina (ou outro papel resistente) uma frase interessante e que chame a atenção das pessoas para a importância da leitura;

b) ilustrem o cartaz com desenhos ou fotos.

Prof.(a), dar aos alunos a oportunidade de produzir cartazes de conscientização os ajudará a desenvolver um trabalho que visa à criação de situações espontâneas de comentários sobre livros vivenciados tanto na escola quanto fora dela.

M10 - Diego C.

4. Exponham o cartaz em um mural na escola.

205


7

Capítulo

Que comédia! Prof.(a), antes de lerem essa versão da história da Cinderela, é muito importante recordar o enredo da história clássica. Assim, os alunos terão melhor compreensão das adaptações realizadas.

Texto 1 – Para preparar a leitura Observe o texto a seguir. Leia o título, consulte a fonte. O que você que os alunos percebam que vão ler a história da Cinderela em forma de texto de acha que vai ler agora? Espera-se teatro. Ela também é conhecida pelo nome Gata Borralheira. Você conhece alguma história que tenha um título semelhante? O que você sabe sobre essa personagem? Que outro nome é dado à Cinderela Prof.(a), ajude os alunos na leitura oral do texto; em geral, eles têm pouco contato com textos dos contos clássicos? de teatro. Sugerimos que você leia as rubricas do texto, isto é, a parte que se destina ao leitor e que fornece as informações sobre as personagens, o cenário, a movimentação das cenas etc., e

distribua as falas das personagens na classe para uma leitura coletiva. Nessa segunda etapa é interessante que eles leiam sozinhos para que tenham contato com o texto e consigam expressar as intenções da fala na leitura oral.

A verdadeira história de Cinderela – parte I M10 - Diego C.

Gabriela Rabelo

Personagens

• • • • 206

Micaela: irmã de Cinderela.

Prof.(a), a peça de teatro favorece um trabalho interdisciplinar com a área de Arte.

Gabriela: irmã de Cinderela. Madrasta: mãe de Micaela e Gabriela. Cinderela: esta personagem pode ser representada por um homem, o que aumentaria


a comicidade. Mas, se não for, exagerar na composição do figurino, ou colocando-lhe muitas roupas ou vestindo-a com roupas que não lhe caibam (apertadas ou folgadas), para que Cinderela fique bem desajeitada, deselegante.

• Príncipe • Amigo do príncipe • Emissário: que pode ser representado pelo mesmo ator que fizer o amigo do príncipe. Cenários As mesmas cadeiras que servirão para compor a sala da casa de Cinderela serão usadas para o salão do palácio do príncipe, evitando, assim, perdas de tempo com trocas de cenário. Eventualmente, alguns brasões ou cortinas poderão ser acrescentados ao salão do príncipe, para lhe aumentar a pomposidade. Obs.: Para facilitar as trocas de roupa, poderiam ser usados, sobre os vestidos de baile, uns aventais longos, parecidos com capas. Assim, os figurinos seriam transformados rapidamente. Cena I – Apresentação da história Micaela, irmã de Cinderela, entra em cena e se apresenta ao público. Um foco de luz se ilumina sobre ela. Atrás dela, no escuro, o cenário da próxima cena já está montado. Micaela: Olá. Meu nome é Micaela. Eu sou irmã de uma personagem muito famosa. Seu nome é Cinderela. É. Cinderela, Gata Borralheira… são dois nomes para uma mesma pessoa.

M10 - Diego C.

Pois bem: a história da minha irmã, a história da Cinderela, é uma história muito conhecida. Mas, na verdade, o que aconteceu com ela foi um pouco diferente do que se costuma contar. O que aconteceu, de verdade, foi mais ou menos o seguinte…

207


M10 - Diego C.

Cena II – Sala da casa de Cinderela A luz se acende numa geral. Micaela se incorpora à cena e senta-se em uma cadeira, pegando, sobre ela, um bastidor. Em duas outras cadeiras estão sentadas a madrasta e sua outra filha, Gabriela. Elas bordam. Gabriela cantarola, baixinho, uma ária medieval. Munida de uma vassoura, Cinderela, grandalhona, sem jeito, varre o Ária: canção, cantiga. chão enquanto canta, com voz grossa e desafinada, uma música bem cafona. Canta alto. Gabriela (Bem baixinho, pra Cinderela não ouvir.): Ah, mãe, não dá mais pra aguentar. Assim também já é demais. A Cinderela não para de cantar um minuto. Madrasta: Deixa, coitadinha. O que mais ela pode fazer? Micaela: É que a cabeça da gente fica doendo com essa barulheira toda. Madrasta: Eu vou ver o que posso fazer. (Alto.) Cindi! (Cinderela continua cantando e não ouve o chamado da madrasta.) Cinderela! Cinderela: O que foi, madrasta? Madrasta: Vem cá, meu doce. Senta juntinho da gente. Vem aprender a bordar… Cinderela: A senhora sabe que eu não tenho jeito pra isso. Madrasta: Ora, que bobagem, todo mundo tem jeito. É só questão de um pouco de esforço. Venha cá que eu te ensino. Cinderela, toda desengonçada, se aproxima da madrasta. Esta lhe dá um bastidor com agulha e linha. Cinderela, toda sem jeito, segura o bastidor. Madrasta: Isto, segure bem firme, assim. Agora, veja bem, você enfia a agulha por aqui (Ela executa o que diz, ensinando a Cinderela.) e puxa assim… Entendeu?

208


Cinderela: Deixa eu experimentar. Enfia a agulha assim… Ai, picou meu dedo, picou meu dedo… (Ela chora. As irmãs, preocupadas, se aproximam para ver.) Gabriela: O que foi? Madrasta: Me deixa ver, vamos, me mostre o machucado, Cinderela. Cinderela: Ah, ah, peguei duas bobas na casca do ovo… Não machucou nada. Eu fiz direitinho. (Ela ri, bem bobona. As duas irmãs se olham com cara de “eu não acredito!”.) Agora eu puxo assim. (Ela puxa a agulha e a espeta, sem querer, no bumbum de Gabriela, que está por perto.) Gabriela (Dando um pulo.): Ai!… Você me espetou, sua… sua… Madrasta: Foi sem querer, minha querida. Micaela: É, foi sem querer, Gabriela. Não fala assim com a Cindi. Gabriela sai, furiosa. Cinderela (Chorosa.): Tá vendo, eu bem que não queria mexer com agulha. Toda vez é a mesma coisa. Ou eu me machuco ou machuco alguém. Ai, ai, ai… Eu sou tão desajeitada… eu sou tão infeliz… Ninguém gosta de mim… Micaela: Não chora, maninha. Todo mundo te adora. Você é um amor. Só é um pouco desajeitada. Não fica triste. Com o tempo você vai aprender a bordar, viu? Cinderela: Você acha que eu vou conseguir aprender? Micaela: Eu tenho certeza que sim. Batem palmas, fora de cena. Mensageiro (Fora de cena.): Ó de casa! Tem alguém aí? Madrasta: Estão batendo. Eu vou ver quem é.

M10 - Diego C.

Cinderela: Pode deixar, madrasta. Eu vou. Eu vou.

209


Ela sai, toda solícita. A madrasta suspira. Gabriela entra em cena novamente, atraída pelas palmas. Cinderela (Para alguém que está atrás dela.): Entra, pode entrar. (Para a madrasta e as irmãs.) Gente, adivinha só quem está aí. (O emissário entra.) Olha só que gracinha de rapaz… Madrasta (Percebendo que o emissário está completamente sem graça.): Pois não, meu senhor. O senhor queria… Emissário: Eu venho a mando do príncipe herdeiro Nicolau. Cinderela: Do príncipe? Mas que chique. E o que ele quer?

M10 - Diego C.

Arauto: oficial das Emissário: Ele lhes manda um convite. Com suas licenças, eu monarquias medievais vou ler o convite (Com voz de arauto, ele lê.): “O príncipe herdeiencarregado de proclamações solenes, ro Nicolau tem a honra de convidar V. Sa. e Exma. família para das notícias. o baile que se fará realizar em comemoração ao seu aniversário. Nesse baile estarão presentes todas as moças solteiras e em idade de se casar, deste reino. E, entre elas, o príncipe escolherá aquela que será sua esposa. A festa se dará no dia tal, às tantas horas”. É este o convite, o príncipe conta com a presença de vocês.

Madrasta: Mas é claro que iremos. Com o maior prazer! Emissário: Então, até a festa. (Inclina-se, respeitosamente.) Minha senhora… senhoritas… Madrasta: Eu vou acompanhá-lo até a porta. Ela sai com o emissário. Um tempo. Assim que percebem que o emissário está longe, Micaela e Gabriela pulam de alegria. Micaela: Oba, um baile no castelo do rei!

210


Gabriela: Eu vou começar a cuidar de minha roupa desde já! Micaela: Eu também. Cinderela acompanha a alegria das duas, vibrando também, mas dando a entender que não considera que o convite foi extensivo a ela. As três saem de cena. Cena III – Mesmo cenário A luz cai, sem resistência, mas sem se apagar por completo. Na penumbra, fora de cena, continua-se a conversa da cena anterior. A passagem de tempo será dada pelo texto. De vez em quando, alguém pode passar correndo pela cena, como se estivesse procurando ou indo buscar alguma coisa, com uma grande pressa. Apenas se percebem os vultos que passam, sem se saber ao certo se foi Gabriela, Micaela ou a madrasta quem entrou em cena. Quando for Cinderela, marcar sempre a entrada com um desastre acontecendo: ou é o barulho de uma coisa que cai, ou alguém que grita porque lhe pisaram no pé, ou é a própria Cinderela que escorrega… enfim, algo que as circunstâncias da montagem sugerirem ao diretor e aos atores. M10 - Diego C.

Um minueto saltitante acompanha a cena, baixinho.

Micaela: Eu quero ir bem bonita. Que tal este modelo, Gabriela? Gabriela: Eu gosto mais daquele ali, daquele azul. Cinderela: Eu também. Eu acho o azul mais bonito. Micaela: Mas o azul é todo bordado, não dá tempo de fazer. Gabriela: Eu te ajudo. Cinderela: Eu também. Madrasta: Vamos lá, mãos à obra que temos muito o que fazer. Desordenadamente diversas frases se fazem ouvir: “Me passa a tesoura”, “Isto, dá um franzido aqui que fica mais bonito”, “Hum, está ficando lindo”, “Deste lado está mais comprido”, etc., etc.

211


Cena IV – Mesmo cenário A luz volta a se acender numa geral. As quatro tornam a entrar em cena. Micaela, Gabriela e a madrasta estão arrumadas para o baile. Cinderela está com a mesma roupa. Madrasta: Então? Como é, vocês já estão prontas? Gabriela: Eu já estou pronta, mãe. Micaela: E para mim só falta colocar os sapatos. (Ela começa a procurar os sapatos.) Madrasta: E você, Cinderela, não quer mesmo ir ao baile? Cinderela: Não, madrasta. A senhora sabe que eu não gosto de dançar. Madrasta: Mas você fica comigo. Eu também não vou dançar. Cinderela (Sem nenhum ressentimento.): Não, madrasta. Eu prefiro ficar aqui. Madrasta: Você é quem sabe, minha filha. Então, crianças, vamos? Micaela: Eu não estou achando minha caixa de sapatos. Cinderela, você não viu meus sapatos? Cinderela: Não, mas eu vou te ajudar a procurar.

M10 - Diego C.

Cinderela dá um passo. Ouve-se um barulho de vidro quebrado. Mas é um barulho exagerado, como se uma grande janela estivesse sendo espatifada. Todos ficam parados, congelados, duros no lugar. A primeira a se mexer é Micaela. Micaela: Mas… o que foi isso? (Aos poucos, Micaela percebe o que aconteceu. Fica em pânico; Cinderela, Gabriela e a madrasta continuam mudas e quedas.) Não… não pode ser… meus sapatinhos de cristal!… Meus sapatinhos de cristal não… Não… Cinderela, você… Você não quebrou meus sapatinhos de cristal… Como um zumbi ela se aproxima de Cinderela, que continua estática e tira, de sob sua saia, uma caixa. Está cheia de cacos de vidro. Micaela chora. Micaela: Meus sapatinhos de cristal… reduzidos a cacos… os sapatinhos que foram da vovó… (Chora, chora.) Cinderela (Recuperando a fala.): Desculpe, irmãzinha. Foi sem querer. Micaela: Sua desastrada… mastodonte… elefante sem rabo… Madrasta (Brava.): Micaela, mas o que é isto? Não ofenda sua irmã! Micaela (Ainda chorando.): Mas ela quebrou meus sapatinhos…

212


Cinderela (Chorando.): Deixa, madrasta, deixa ela xingar. Eu sou desastrada mesmo. Eu sou mesmo uma mastonderontondonte, que nem ela falou… (Chora também.) Madrasta: Não chora, Cinderela. Foi sem querer. Eu sei. Não fica triste, a gente arranja outro sapato para ela ir ao baile. Micaela: Mas que outro sapato, mãe? Eu só tenho… aliás, só tinha aqueles… Cinderela: Se você quiser, eu te empresto os meus. (Ela levanta a saia. Veem-se umas botinas bem pesadonas, enormes, tipo coturno de exército.) Gabriela (Rindo.): A Micaela com esses… esses… Madrasta: Gabriela! Gabriela: … com esses sapatinhos tão delicados, mãe? Cinderela: Eu sei que não são bonitos, mas são os únicos que eu tenho. E como eu não vou ao baile… Madrasta: É o jeito, Micaela. Pegue os sapatos da Cinderela. (Micaela está chorando.) E pare de chorar, minha filha, senão você vai ficar com o nariz todo vermelho… Micaela funga. Cinderela tira as botinas. Entrega-as para Micaela, que as calça. Ela se olha. Não resiste. Abre o bocão de novo. Finalmente as três saem para o baile. Cinderela acena um adeus para elas. Uma valsa, a princípio baixinho, depois com todo vigor, toma conta da cena. Desajeitadamente, Cinderela dá uns passos de dança e, rodopiando, sai de cena.

M10 - Diego C.

Rabelo, Gabriela. Uma história pelo avesso e outras histórias: teatro para crianças 2. São Paulo: FTD, 1998.

Quem é a autora? Gabriela Rabelo é diretora de teatro e autora do livro Uma história pelo avesso e outras histórias..., que tem sete peças para serem representadas em classe ou no teatro da escola.

213


Para dialogar com o texto 1.

Prof.(a), após a leitura inicial do texto, peça a alguns alunos que contem a história oralmente, para que seja observada a sequência da narrativa.

Segundo Micaela, na apresentação da história (cena I), o que será contado? A verdadeira história da Cinderela. Ela afirma que a versão mais conhecida não é verdadeira.

2. Releia, no início da cena II, as indicações feitas para a montagem. a) Como é descrita Cinderela?

Grandalhona, sem jeito, cantando com voz grossa e desafinada.

b) O que acontece na cena que confirma essa caracterização inicial da personagem Cinderela?

A madrasta tenta ensiná-la a bordar, mas não consegue, porque Cinderela é muito desajeitada.

3.

Por que um emissário foi à casa de Cinderela? Para levar um convite para o baile de aniversário do príncipe Nicolau.

4. Nessa

primeira parte da história, como é a convivência entre Cinderela, a madrasta e as irmãs? Pense nisso e, em seguida, responda:

a) Que diferença existe entre os acontecimentos narrados e a história clássica da Cinderela?

Na história clássica, a madrasta e as irmãs maltratam a Cinderela; nesta versão, elas são amigas.

b) Por que você acha que a autora mudou a história clássica?

214

Espera-se que os alunos entendam que a autora tinha o objetivo de recontar a história dando nova versão a ela. Prof.(a), recorde com os alunos o conceito de paródia: imitação cômica de um texto com o objetivo de criticá-lo, satirizá-lo.


Para estudar o texto de teatro 1. Releia o trecho a seguir, observando a maneira como foi escrito. Cinderela, toda desengonçada, se aproxima da madrasta. Esta lhe dá um bastidor com agulha e linha. Cinderela, toda sem jeito, segura o bastidor. Madrasta: Isto, segure bem firme, assim. Agora, veja bem, você enfia a agulha por aqui (Ela executa o que diz, ensinando a Cinderela.) e puxa assim… Entendeu?

Gabriela: O que foi?

M10 Diego C.

Cinderela: Deixa eu experimentar. Enfia a agulha assim… Ai, picou meu dedo, picou meu dedo… (Ela chora. As irmãs, preocupadas, se aproximam para ver.)

Madrasta: Me deixa ver, vamos, me mostre o machucado, Cinderela. Cinderela: Ah, ah, peguei duas bobas na casca do ovo… Não machucou nada. Eu fiz direitinho. (Ela ri, bem bobona. As duas irmãs se olham com cara de “eu não acredito!”.) Agora eu puxo assim. (Ela puxa a agulha e a espeta, sem querer, no bumbum de Gabriela, que está por perto.) Gabriela (Dando um pulo.): Ai!… Você me espetou, sua… sua… Madrasta: Foi sem querer, minha querida. Micaela: É, foi sem querer, Gabriela. Não fala assim com a Cindi.

a) Antes da fala das personagens, há um trecho escrito em letras inclinadas (itálico). Você sabe para que ele serve?

Espera-se que os alunos percebam que serve para indicar as ações e a maneira de ser das personagens.

b) Entre parênteses (também em itálico) aparecem algumas indicações nas falas das personagens. Você sabe para que elas foram escritas?

As indicações entre parênteses são marcadores de cena, ou seja, indicam os gestos que devem ser feitos e os sentimentos que devem ser expressos (funcionam como um direcionamento para a cena). Prof.(a), é importante voltar ao texto e localizar os parênteses para que os alunos possam identificá-los.

215


c) Observe que as palavras Madrasta, Cinderela, Gabriela e Micaela são escritas em negrito no início de cada fala. Por que isso acontece?

Para indicar ao leitor do texto a mudança de fala das personagens na cena.

2. As indicações que aparecem no texto de teatro são chamadas rubricas e servem

para dar orientações para a montagem da peça. Com base nessa explicação, responda: você acha que os textos de teatro foram escritos apenas para ser lidos ou para ser encenados? Prof.(a), ajude os alunos a perceber que textos teatrais foram escritos para ser encenados, daí a presença das rubricas.

3. Releia esta fala da Cinderela:

M10 - Diego C.

Cinderela: Ah, ah, peguei duas bobas na casca do ovo… [...]

• O que significa essa expressão popular?

216

Significa que uma pessoa enganou a outra. Prof.(a), aproveite a oportunidade e faça o levantamento de outras expressões populares com os alunos, desafiando-os a explicar seu sentido.


4. Sente-se com um colega para ler o verbete a seguir. comédia s.f. 1. Gênero dramático que tem no humor um dos principais elementos. 2. Peça, filme etc. desse gênero. 3. Dissimulação, hipocrisia. 4. Fig. Fato cômico, ridículo. Dicionário Larousse de língua portuguesa. São Paulo: Ática, 2003.

a) Conversem sobre os vários sentidos da palavra. Qual deles parece estar de acordo com o texto que estamos estudando?

Os significados 1 e 2 são adequados ao texto em questão. Prof.(a), aproveite para conversar sobre todas as informações contidas no verbete. Peça aos alunos que tentem explicar oralmente todos os significados, exemplificando com situações do cotidiano ou com base em vivências pessoais.

b) Que elementos do texto ajudaram vocês a responder à questão anterior?

Espera-se que os alunos apontem que se trata de um peça de teatro (significado 2) que usa humor como ferramenta, o que pode ser exemplificado com passagens cômicas do texto (significado 1). Prof.(a), é importante ampliar o repertório dos alunos em relação a esse gênero textual. Traga outros textos de teatro para a sala, peça aos alunos que tentem localizar textos teatrais em bibliotecas. Isso vai garantir que eles se apropriem com mais eficácia desse gênero de texto.

Para refletir sobre nossa língua Ortografia: o som /s/ (sê); emprego de -zinho, -inho em diminutivos 1. Releia o trecho em voz alta observando o som /s/ (sê) nas palavras destacadas. Olá. Meu nome é Micaela. Eu sou irmã de uma personagem muito famosa. Seu nome é Cinderela. É. Cinderela, Gata Borralheira… são dois nomes para uma mesma pessoa.

a) Copie as palavras destacadas acima.

Sou, personagem, seu, Cinderela, são, nomes, mesma, pessoa.

b) Circule nas palavras que você copiou as letras que representam o som /s/ (sê).

c) Que letras você circulou?

As letras S, C e SS.

217


2.

Leia as palavras do quadro em voz alta.

sentiu

emissário

príncipe

peça

personagem disse

assim

adormeceu

cedo

braço

cabeça

madrasta

Que letras representam o som /s/ (sê) na escrita dessas palavras? As letras S (sentiu, personagem, madrasta), SS (emissário, assim, disse), C (cedo, príncipe, adormeceu), Ç (cabeça, peça, braço).

3. Agora leia em voz alta estas palavras. piscina

cresça

próximo

fascinante

exceção

excelente

rapidez

máximo desço

fiz

• Que letras representam o som /s/ (sê) na escrita dessas palavras?

As letras SC (piscina, fascinante), SÇ (cresça, desço), X (próximo, máximo), XC (exceção, excelente), Ç (exceção), Z (rapidez, fiz).

4. Complete a explicação. O som /s/ (sê) pode ser representado na escrita pelas letras s, ç, sç, xc,

SS

,

C

,

SC

,

X

,e

Z

.

5. Como você viu, na escrita, o som /s/ (sê) pode ser representado por várias letras. Isso pode trazer dificuldades na hora de escrever palavras com esse som? Explique. Espera-se que os alunos respondam que sim, que não é raro haver confusão e o som /s/ ser representado de forma errada na escrita, escrevendo-se, por exemplo, a letra C no lugar de Ç ou a letra S em vez de SS.

218


6. De que forma essas dificuldades podem ser solucionadas? Como descobrir a escrita correta de algumas palavras em caso de dúvida?

Espera-se que os alunos respondam que, em caso de dúvida, podemos consultar um dicionário, pedir ajuda a outra pessoa, observar como a palavra é escrita em outros textos etc.

7. Converse com um colega sobre a questão anterior para, se necessário, reesretome a atividade coletivamente, considerando as truturar ou complementar sua resposta. Prof.(a), dificuldades levantadas. Destaque mais alguns aspectos que

julgar difíceis para os alunos e crie atividades significativas de análise e reflexão sobre a escrita ortográfica.

8. Vamos brincar?

a) Convide um colega para fazer a atividade. b) Releiam algumas cenas do texto teatral estudado neste capítulo. c) Selecionem dez palavras que, na opinião de vocês, geram dúvidas na hora de ser escritas.

d) Escrevam essas palavras.

e) Ditem as palavras escolhidas um para o outro. Primeiro um dita e o outro escreve. Depois invertam.

f) Corrijam, juntos, o que cada um escreveu. g) Conversem sobre as dificuldades que vocês encontraram na escrita das palavras ditadas.

Prof.(a), converse sobre as dificuldades encontradas pelas duplas e escreva algumas das palavras selecionadas no quadro. Crie novas situações de uso dessas palavras para que sua escrita possa ser fixada.

219


9. Escreva palavras da mesma família de: a) nascer:

nascente, nascimento

b) disciplina: c) exceder: d) cena:

Prof.(a), conclua com os alunos que palavras da mesma família têm uma parte que é escrita da mesma forma. Essa descoberta pode ajudá-los na hora de decidir sobre a ortografia de uma palavra. Prof.(a), as respostas são sugestões.

disciplinado, indisciplina

excesso, excessivo, excedente

encenar, cenário

10. Leia o texto. Tatiana Belinky

Andrezinho tem três anos E já se acha bem grandão: É por isso que não gosta De diminutivo, e então Não suporta que lhe digam “Dê a mãozinha” — (em vez de mão) Ou que mandem: “A boquinha Abre e come, coração!” “Inho”, “inha”, “ito”, “ita”, São para ele humilhação, O diminutivo o irrita: O Andrezim prefere um “ão”! Chama “gala” a galinha, Não aceita correção; “Escrivana”, a escrivaninha, E o vizinho é “vizão”; Chama “coza” a cozinha, O toucinho é “toução”, É “campana” a campainha — E ele próprio é o “Dezão”… Belinky, Tatiana. Revista Atrevida. São Paulo: Abril, jun. 2003.

220

M10 - Diego C.

Inho, não!


a) Encontre no texto as palavras que terminam em -inho e -inha e escreva-as.

Andrezinho, mãozinha, boquinha, galinha, escrivaninha, vizinho, cozinha, toucinho e campainha.

b) Quais dessas palavras são realmente diminutivos, isto é, indicam tamanho pequeno?

Andrezinho, mãozinha, boquinha. Prof.(a), se achar oportuno, comente com os alunos que nem todas as palavras terminadas em -zinho, -zinha, -inho ou -inha indicam “tamanho pequeno”. Às vezes, essas terminações fazem parte da palavra, como ocorre, por exemplo, em galinha, vizinho, cozinha. Outras vezes, dependendo do contexto, podem exprimir sentimentos positivos (como em: mãezinha, filhinho) ou negativos (como em: gentinha).

c) Que terminação essas palavras receberam para formar o diminutivo?

As terminações -zinho, -zinha, -inha. Prof.(a), aproveite para mostrar que palavras terminadas por -ca, -co, como boca e porco, quando recebem a terminação -inho(a), são escritas com -qu no lugar do c para manter o som /k/.

11. Observe, agora, como se forma o diminutivo das seguintes palavras: asa

asinha

mesa

raiz

raizinha

voz

mesinha vozinha

a) O que você percebeu na formação desses diminutivos?

Espera-se que os alunos percebam que nas palavras asinha e mesinha cai a letra a e acrescenta-se a terminação -inha. Já nas palavras raizinha e vozinha apenas se acrescenta a terminação -inha, sem nenhuma alteração na palavra.

b) As palavras que já tinham s mantiveram essa letra no diminutivo?

Sim.

c) E as palavras que tinham a letra z, ficaram como?

Ficaram com a letra z.

12. Considerando o que acabamos de ver, complete a explicação. As palavras que formam o diminutivo com o acréscimo de -zinho(a) não têm s ou z ou são sempre escritas com

z

.

Exemplos: pé

pe zinho

voz

vozinha

221


As palavras que formam o diminutivo com o acréscimo de -inho(a) são escritas com

s

se já têm a letra s e são escritas com

z

se já

têm a letra z na palavra de origem. Exemplos: mesa

me sinha

nariz

narizinho

13. Originalmente, as palavras destacadas no poema a seguir estavam no diminutivo. Reescreva a poesia corrigindo os termos em destaque para que eles voltem a ser palavras no diminutivo.

A cachorra

A cachorrinha

Vinicius de Moraes

Mas que amor de cachorra! Mas que amor de cachorra! Pode haver coisa no mundo Mais branca, mais bonita Do que a tua barriga Crivada de mama? Pode haver coisa no mundo Mais travessa, mais tonta Que esse amor de cachorra Quando vem fazer festa Remexendo a traseira? Moraes, Vinicius de. Vinicius de Moraes: poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986. Texto adaptado.

222

Mas que amor de cachorrinha! Mas que amor de cachorrinha! Pode haver coisa no mundo Mais branca, mais bonitinha Do que a tua barriguinha Crivada de mamiquinha Pode haver coisa no mundo Mais travessa, mais tontinha Que esse amor de cachorrinha Quando vem fazer festinha Remexendo a traseirinha? Prof.(a), explique aos alunos que Vinicius empregou o diminutivo mamiquinha como licença poética, mas que o diminutivo de mama é maminha.


Para refletir sobre nossa língua Gramática: pontuação e intencionalidade

Prof.(a), é interessante pelo menos iniciar as atividades seguintes coletivamente, discutindo os sentidos e os exemplos destacados para que os alunos percebam a função da pontuação em textos teatrais.

M10 - Diego C.

1. Releia o trecho a seguir observando a pontuação empregada na escrita.

Micaela: Meus sapatinhos de cristal… reduzidos a cacos… os sapatinhos que foram da vovó… (Chora, chora.) Cinderela (Recuperando a fala.): Desculpe, irmãzinha. Foi sem querer. Micaela: Sua desastrada… mastodonte… elefante sem rabo… Madrasta (Brava.): Micaela, mas o que é isto? Não ofenda sua irmã! Micaela (Ainda chorando.): Mas ela quebrou meus sapatinhos… Cinderela (Chorando.): Deixa, madrasta, deixa ela xingar. Eu sou desastrada mesmo. Eu sou mesmo uma mastonderontondonte, que nem ela falou… (Chora também.) Madrasta: Não chora, Cinderela. Foi sem querer. Eu sei. Não fica triste, a gente arranja outro sapato para ela ir ao baile.

a) Localize no trecho uma frase em que as reticências foram usadas para indicar continuidade do pensamento da personagem que está falando. Copie a frase.

“Meus sapatinhos de cristal… reduzidos a cacos… os sapatinhos que foram da vovó…”

223


b) Agora encontre e copie uma frase em que as reticências foram usadas para indicar uma enumeração feita pausadamente.

“Sua desastrada… mastodonte… elefante sem rabo…”

c) Em algumas situações do trecho acima a pontuação foi empregada para indicar o final de uma afirmação ou declaração. Que sinal de pontuação foi usado nesses casos? Retire exemplos do trecho.

O ponto final. Prof.(a), servem de exemplo todas as frases do trecho com ponto final.

2. Releia este outro trecho observando o uso do ponto de interrogação. Micaela: Não chora, maninha. Todo mundo te adora. Você é um amor. Só é um pouco desajeitada. Não fica triste. Com o tempo você vai aprender a bordar, viu? Cinderela: Você acha que eu vou conseguir aprender? Micaela: Eu tenho certeza que sim. Batem palmas, fora de cena. Mensageiro (Fora de cena.): Ó de casa! Tem alguém aí? Madrasta: Estão batendo. Eu vou ver quem é.

a) Nas falas de quais personagens o ponto de interrogação foi usado para indicar pergunta?

Nas falas de Cinderela e do Mensageiro.

b) Assinale a opção que completa a frase: Na primeira fala de Micaela o ponto de interrogação foi usado para:

224

X

indicar pergunta. indicar que a personagem apenas quer confirmar o que diz.


3. Releia: Emissário: Eu venho a mando do príncipe herdeiro Nicolau. Cinderela: Do príncipe? Mas que chique. [...] Assinale a afirmação correta sobre o uso do ponto de interrogação no trecho acima. Foi usado para indicar certeza. X

Foi usado para indicar dúvida, questionamento.

4. Observe o uso do ponto de exclamação nas falas a seguir. O que esses pontos indicam? Que sentimentos ajudam a expressar? Micaela: Oba, um baile no castelo do rei!

M10 - Die

go C.

Gabriela: Eu vou começar a cuidar de minha roupa desde já!

Os pontos de exclamação marcam afirmações feitas com ênfase, indicam entusiasmo.

5. Reflita sobre as respostas dadas nas atividades anteriores e responda: qual é a importância da diversidade de pontuação em textos teatrais?

Espera-se que os alunos compreendam que a pontuação ajuda a indicar a entonação da fala das personagens na hora da representação.

225


Produção de texto oral e escrito Desfecho de texto teatral e encenação

Prof.(a), o objetivo desta produção é levar os alunos a escrever um final para o texto A verdadeira história de Cinderela e depois prepararem a encenação.

O que será que aconteceu no baile? Vamos imaginar um desfecho para o texto de teatro A verdadeira história de Cinderela?

Planejando o texto e fazendo o rascunho 1. Reúna-se com dois ou três colegas. Cada grupo vai produzir um texto teatral. Um dos textos será escolhido para ser representado pela turma.

a) Discutam possíveis finais para a história e escolham um deles. b) Redijam o texto. Não se esqueçam de que ele deve apresentar características de um texto teatral: os diálogos entre as personagens e as rubricas, isto é, as indicações das ações das personagens, a maneira como elas agem durante os diálogos, como se movimentam no cenário etc.

Avaliando o texto e passando a limpo 2. Ao

terminar de escrever, releiam o texto e corrijam o que for necessário. Troquem de caderno com outro grupo. Leiam a produção dos colegas e deem sua opinião sobre ela. Em caso de dúvida, consultem a professora. Se desejarem, orientem-se pela ficha sugerida abaixo. Ficha de avaliação Verifiquem se:

• o texto está compreensível ou se existe algo dificultando a leitura; • estão presentes as características específicas do gênero: - indicação de quem fala; - marcadores de cena para direcionar o trabalho de quem vai preparar a encenação; - indicações de como os atores devem agir, com que entonação de voz devem falar etc.

• o final é coerente com o restante do texto.

3. 226

Passem o texto a limpo e entreguem à professora para que ela o avalie.


Preparando a encenação do texto teatral 4. Depois

que a professora devolver os textos à classe, um deles será escolhido a escolha do final que será apresentado deve ser feita coletivamente. Para isso, peça a para a apresentação. Prof.(a), cada grupo que faça uma leitura dramatizada do final que criaram para a história. A classe votará naquele de que gostar mais.

5. Escolham os atores para a encenação. 6. Organizem os ensaios. Distribuam os papéis que cada um representará. Aproveitem os ensaios para decorar as falas.

7. Comecem

o ensaio com a parte inicial escrita pela autora Gabriela Rabelo e acrescentem a continuação do texto escolhida pela turma.

8. A professora poderá indicar um dos alunos para ajudá-la a dirigir os ensaios para

a encenação do texto. Escolham três grupos de alunos para serem os planejadores e organizadores: um ficará responsável pelo cenário, o outro pelo figurino e o último pela sonoplastia.

9. O restante da classe constituirá a plateia. Como observadores, vocês podem dar sugestões aos atores, à diretora e aos organizadores da peça. Atores: pessoas que representam os papéis durante a encenação do texto teatral. Cenário: conjunto de elementos visuais (tais como telões, móveis, objetos, adereços e efeitos de luz) que compõem o espaço onde se apresenta um espetáculo teatral, cinematográfico, televisivo etc. Figurino: roupas e acessórios que caracterizam as personagens. Sonoplastia: recursos sonoros (música, ruídos, efeitos acústicos etc.) em espetáculos teatrais, filmes, programas de rádio e televisão etc.

Representando

M10 - Diego C.

Plateia: espaço de um teatro, cinema, auditório destinado aos espectadores; pessoas que ocupam esse espaço; público.

10. Enfim, chegou o dia da encenação. A professora in-

dicará um aluno para conferir se está tudo em ordem, se não falta alguma coisa.

11. Convidem outras turmas da escola para assistir à

peça. Se houver oportunidade, fotografem ou filmem a encenação para documentar o trabalho realizado. Prof.(a), a ampliação das atividades realizadas para além dos limites da sala de aula, além de servir para elevar a autoestima dos alunos, fortalece o caráter interativo das atividades de fala e escrita. Quanto mais situações reais de comunicação os alunos vivenciarem, mais eles poderão se conscientizar da importância, em nossa sociedade, de falar e escrever adequadamente.

227


Avaliando 12. Após a apresentação, a turma se reunirá para avaliar a produção. Ficha de avaliação Observem se:

• os atores desempenharam bem os papéis; • a plateia esteve atenta à apresentação; • o final escolhido pela turma ficou de acordo com a parte inicial do texto;

• a plateia colaborou, houve participação adequada. Façam outras observações que considerarem convenientes.

E assim terminou essa história

Prof.(a), antes de começar a ler a segunda parte do texto de Gabriela Rabelo, seria interessante recordar oralmente com os alunos o que leram até agora para que percebam a continuidade narrativa.

A verdadeira história de Cinderela – parte II M10 - Diego C.

Prof.(a), a peça de teatro favorece um trabalho Gabriela Rabelo interdisciplinar com a área de Arte.

Cena V – Salão do palácio do príncipe As mesmas cadeiras permanecem em cena. O príncipe herdeiro Nicolau e seu amigo — que pode ser o emissário da outra cena — entram. Príncipe: E então? Que tal lhe parece o baile?

228


Amigo: Uma maravilha. Tem uma moça aqui, especialmente linda. Eu já a tirei para dançar diversas vezes… Mas ela não aceitou. Disse que não gosta de dançar… Mas eu acho que ela não gostou foi de mim. Príncipe: E eu te confesso que ainda não achei nenhuma moça que me impressionasse, que me falasse ao coração… Amigo: Pois então continue a procurar. O salão está cheio de moças lindas… Príncipe: É o que eu vou fazer. Com licença. (Ele se afasta.) Entra Micaela, andando com muita dificuldade. Não vê o amigo do príncipe. Micaela: Droga de botinas. (Tropeça. Vai cair. O amigo do príncipe avança e a ampara.) Ó! Obrigada. Amigo: Espero que você não tenha se machucado. Micaela: Não. Eu só estou um pouco cansada. É que… meus pés… meus sapatos… (Mudando de assunto.) Ah, eu queria uma cadeira! Amigo: Não seja por isto. (Pega uma cadeira.) Sente-se! Micaela: Obrigada. (Ela sorri.) Que calor, não? Amigo: Você quer um refresco? Micaela: Ah, eu adoraria. Amigo: Pois eu vou buscar. (Ele sai.) Entra o príncipe. Vê Micaela. Príncipe: Mas… quem é aquela moça? Eu ainda não a tinha visto! (Aproxima-se de Micaela.) Boa noite, gentil donzela. Micaela: Boa noite, meu príncipe. Príncipe: Não quer dar-me o prazer desta dança? Micaela: Sinto muito. Mas estou indisposta. Prefiro não dançar. Entra uma valsa, dessas gostosas de se dançar. Micaela: (Impulsivamente.) Ah, eu adoro dançar valsa. Príncipe: Então, o que estamos esperando? Vamos? Micaela: (Gagueja.) Não… eu prefiro não… Príncipe: (Com uma severa doçura.) Como príncipe eu lhe ordeno que dance comigo. Desorientada, Micaela se levanta, toma do braço que o príncipe lhe oferece e o acompanha. Eles tentam dançar. Micaela se atrapalha toda. Desesperada, foge. Príncipe: Não. Espere. Não fuja de mim… Mas Micaela sai correndo. O príncipe sai atrás. Volta daí a pouco com o pé de botina nas mãos. O amigo do príncipe volta, com um copo de refresco na mão.

229


Príncipe: (Para o amigo, meio aflito.) Ela fugiu. Mas na sua fuga, deixou cair esta botina. Nem que eu tenha que levar toda a minha vida procurando, eu hei de achar a dona desta botina e hei de me casar com ela. Palavra de príncipe. (Ele olha a botina.) Quem diria! Ela tão delicada com esse pezão tão grande… Mas não me importa, eu hei de me casar com a dona desta botina. O príncipe sai. Cena VI – Sala da casa de Cinderela Micaela, Gabriela e a madrasta entram em cena. Bordam, recompondo a mesma cena do início da peça. Cinderela canta e varre o chão. Gabriela: Como o tempo passa depressa, não? Já faz uma semana que aconteceu o baile do príncipe… Pra mim parece que foi ontem… Cinderela: E o príncipe? Ele é bonito, como dizem? Micaela: Ele é lindo. Mas tem um amigo que é mais bonito ainda. Príncipe: (Gritando, fora de cena.) Ó de casa! Posso entrar? Cinderela: Eu vou ver quem é. Ela sai. Volta toda eufórica, a vassoura no ombro. Cinderela: É o príncipe. É o príncipe. Madrasta: Pois faça-o entrar.

M10 - Diego C.

O príncipe, no entanto, já vem entrando. Seu amigo o acompanha. Exatamente neste momento Cinderela se vira para ir buscá-lo e acaba batendo com a vassoura no príncipe, que cai. Cinderela vai apanhá-lo no chão. Acaba tropeçando e caindo por cima dele. A madrasta acode.

230

Madrasta: Desculpe, alteza. É que Cinderela é um pouquinho… como direi… um pouquinho… desgovernada…


Príncipe: Ora, não foi nada. Não tem importância. A finalidade de minha visita é tão importante que nada do que acontece me abala. (Ele mostra a botina para a madrasta.) Minha senhora, desejo experimentar este sapato em todas as moças solteiras que morem nesta casa. Madrasta: (Com uma reverência.) Vossa alteza ordena e eu cumpro. Micaela! Gabriela! As duas se aproximam. O príncipe olha, entusiasmado, para as duas, em especial para Micaela. Esta, por sua vez, está encantada com o amigo do príncipe. Elas se sentam numa cadeira. Oferecem o pé. O príncipe se aproxima. Experimenta a botina. Não serve em nenhuma das duas. O amigo fica contente por a botina não ter servido em Micaela. Ela também. Cinderela segue a cena da experimentação da botina atentamente. Príncipe: Que pena! (Para Micaela.) Não serviu em você. Cinderela: Sabe, olhando assim parece justinho o meu número. Vamos conferir? Se for, vai ser uma beleza, porque aí completa o par, né? (Ela levanta a saia e mostra que só um pé está calçado.) Ela se senta. Morrendo de medo de a botina servir em Cinderela, o príncipe aproxima o calçado do pé dela. Mas, sem experimentar direito, já desiste. Príncipe: Não, não serve não. É muito pequeno para você. Cinderela: (Tomando a botina da mão dele.) Pequeno nada. É porque você não está sabendo calçar. Quer ver? Olha aqui, ó. (Ela calça a botina. Levanta a perna, exultante.) Serviu direitinho.

M10 - Diego C.

Príncipe: Oh!, não… Não…

231


Mas uma marcha nupcial impiedosa entra no ar. O príncipe se levanta, se empertiga, oferece o braço para Cinderela, que, toda feliz, aceita o braço do príncipe. O amigo do príncipe oferece o seu a Micaela, que, toda feliz, aceita. E, de braços dados, o príncipe e Cinderela, o amigo e Micaela, Gabriela e a mãe formam um cortejo que sai de cena ao som da marcha nupcial. Antes de sair completamente, Micaela se afasta dos outros e diz: Micaela: E foi assim que Cinderela se tornou rainha. Com o tempo, o príncipe e todo o povo aprenderam a gostar daquela rainha totalmente desastrada, desajeitada, mas de muito bom coração. E, por gostarem dela, foram, aos poucos, modificando a sua história, que acabou ficando daquele jeito que vocês conhecem. Mas esta, que vocês acabaram de assistir, é que é a verdadeira história de Cinderela. O cortejo volta a se formar e sai de cena, sempre ao som da marcha nupcial.

M10 - Diego C.

Rabelo, Gabriela. Uma história pelo avesso e outras histórias...: teatro para crianças 2. São Paulo: FTD, 1998.

Para conversar Reúna-se com um colega e discutam:

1.

Para vocês, Cinderela mereceu se casar com o príncipe?

Resposta pessoal.

2. Esse texto de teatro mostra outro lado da história: um final feliz para uma personagem desastrada. Vocês conhecem outra história assim? Resposta pessoal.

232


8

Capítulo Prof.(a), em conexão com História e Geografia, é importante despertar os alunos para a diversidade das manifestações culturais brasileiras, mostrar a necessidade de respeitar todas as expressões culturais, por revelarem a identidade dos diferentes grupos sociais. A literatura de cordel é uma manifestação da cultura popular. No Brasil, ela ainda é bastante presente na cultura nordestina. Explique a eles que cordel significa

história e geografia

Feira de verso

“corda fina, barbante”. A literatura de cordel recebeu esse nome porque os textos eram impressos em folhetos e pendurados em cordéis nas feiras populares. Mostre aos alunos que, no poema, o autor emprega palavras escritas da forma como são faladas. Essa marca está relacionada ao próprio gênero, já que a literatura de cordel muitas vezes tem origem na oralidade. Depois de conhecer os versos do cordelista Patativa do Assaré, os alunos lerão um texto expositivo sobre a literatura de cordel. Então, neste início de atividade, deixe-os apresentar livremente o conhecimento que têm sobre o assunto, pois eles o confrontarão com as informações do texto 2.

Texto 1 – Para preparar a leitura Agora você vai conhecer Patativa do Assaré, um importante autor de literatura de cordel. O que você sabe sobre esse tipo de literatura?

O boi zebu e as formigas Patativa do Assaré

Um boi zebu certa vez Moiadinho de suó, Temendo o calô do só Entendeu de demorá E uns minutos cuchilá

M10 - Diego C.

Querem sabê o que ele fez?

Na sombra de um juazêro Que havia dentro da mata E firmou as quatro pata Em riba de um formiguêro. (juazeiro): árvore muito comum no Nordeste. Em riba: em cima, sobre.

233


Já se sabe que a formiga Cumpre a sua obrigação, Uma com outra não briga Veve em perfeita união Paciente trabaiando Suas fôia carregando Um grande inzempro revela Naquele seu vai e vem E não mexe com ninguém Se ninguém mexê com ela. Por isto com a chegada Daquele grande animá Todas ficaro zangada, Começaro a se açanhá E fôro se reunindo Nas pernas do boi subindo, Constantimente a subi, Mas tão devagá andava Que no começo não dava Pra ele nada senti. Mas porém como a formiga Em todo canto se soca, Dos casco até na barriga Começou a frivioca. E no corpo se espaiando O zebu foi se zangando E os casco no chão batia Mas porém não miorava, Mais formiga aparecia. Frivioca: agitação, fervilhamento.

234

M10 - Diego C.

Quanto mais coice ele dava


Com esta formigaria Tudo picando sem dó, O lombo do boi ardia Mais do que na luz do só E ele zangado as patada, Mais a força encorporada O valentão não aguenta, O zebu não tava bem, Quando ele matava cem, Chegava mais de quinhenta. Com a feição de guerrêra, Uma formiga animada Gritou para as companhêra: — Vamo, minhas camarada Acabá com o capricho Deste ignorante bicho Com nossa força comum Defendendo o formiguêro Nós somo muntos miêro E este zebu é só um.

- Die

Formiga de toda cô

M10

Que a terra ali ficou cheia

go C .

Tanta formiga chegô

Preta, amarela e vremêa No boi zebu se espaiando Cutucando e pinicando Aqui e ali tinha um moio E ele com grande fadiga Pruqué já tinha formiga Até por dentro dos oio.

235


M10 - Diego C.

Com o lombo todo ardendo Daquele grande aperreio O zebu saiu correndo Fungando e berrando feio E as formiguinha inocente Mostraro pra toda gente Esta lição de morá Contra a farta de respeito Cada um tem seu direito Até nas lei naturá. As formiga a defendê Sua casa, o formiguêro, Botando o boi pra corrê Da sombra do juazêro, Mostraro nesta lição Quanto pode a união; Neste meu poema novo O boi zebu qué dizê Que é os mandão do podê, E estas formiga é o povo. Assaré, Patativa do. Ispinho e Fulô. São Paulo: Hedra, 2005. p. 42-45. Aperreio: aperto, sofrimento. Pseudônimo: nome suposto, falso, com que um autor assina sua obra.

Quem é o autor? Patativa do Assaré, pseudônimo de Antônio Gonçalves da Silva, nasceu em 1909 na Serra de Santana, no município de Assaré, Ceará. Foi um dos poetas mais populares do Brasil. Os poetas populares eram chamados de “patativas” porque viviam cantando versos. Para ser mais bem identificado, adotou o nome de sua cidade. Passou só quatro meses na escola, mas discutia como mestre a arte de versejar. Morreu em 2002, aos 93 anos. Teve muitos poemas musicados por nomes famosos da nossa música popular, como Fagner e Gilberto Gil.

236


Para dialogar com o texto 1. Vamos recordar alguns acontecimentos dessa história? a) O que o boi zebu fez quando se sentiu cansado e suado?

Parou para cochilar debaixo de um juazeiro e em cima de um formigueiro.

b) Segundo o que é contado na segunda estrofe, como são as formigas?

Elas não são de brigar, trabalham muito, são pacientes e vivem em harmonia.

c) Por que ficaram zangadas? E como reagiram?

Porque o boi mexeu com elas. Reagiram subindo pelas pernas do boi zebu.

d) E o boi zebu? O que fez?

Foi se zangando e batendo com o casco no chão, porque estava sendo picado pelas formigas.

e) Qual o desfecho da história?

O boi foi expulso pelas formigas.

As formiga a defendê Sua casa, o formiguêro, Botando o boi pra corrê

M10 - Diego C.

2. Essa história, assim como as fábulas, tem uma moral. Localize-a na última estrofe.

Da sombra do juazêro, Mostraro nesta lição Quanto pode a união; Neste meu poema novo O boi zebu qué dizê Que é os mandão do podê, E estas formiga é o povo.

237


a) Qual é a lição de que o poeta fala?

A lição é que as pessoas, quando se unem, são mais fortes, vencem obstáculos maiores.

b) Assinale o ditado popular que melhor representa essa moral.

“Quem com ferro fere com ferro será ferido.”

“Casa de ferreiro, espeto de pau.”

“Quem ama o feio, bonito lhe parece.”

X

“A união faz a força.”

c) Segundo o poeta, quem o boi representa nessa história? E as formigas?

O boi representa as pessoas que têm poder, que mandam. Já as formigas representam o povo.

d) Explique, com suas palavras, o que você entendeu dessa comparação anterior.

Espera-se que os alunos entendam que o poeta quer dar mais uma lição: a de que o povo pode vencer os mais fortes com a união.

Para estudar a literatura de cordel 1. O texto tem a forma de um poema. a) Quantas estrofes ele tem?

Nove estrofes.

b) Quantos versos tem cada estrofe?

238

Cada estrofe tem dez versos.


2. Releia um trecho da primeira estrofe e responda às questões. Na sombra de um juazêro Que havia dentro da mata Em riba de um formiguêro.

M10 - Diego C.

E firmou as quatro pata

a) Quais palavras rimam entre si?

Juazêro/formiguêro; mata/pata.

b) Volte ao texto e observe as rimas. Elas estão presentes em todo o poema ou não?

Estão, todos os versos rimam.

3. Os poemas da literatura de cordel são narrativos, contam histórias. Vamos buscar os elementos de textos narrativos no poema?

a) Quem são as personagens?

Boi zebu e as formigas.

b) Que fato é contado?

O boi é atacado por formigas quando se deita para descansar embaixo de uma árvore onde havia um formigueiro.

c) Em que momento do dia os fatos acontecem?

Na hora do sol forte.

d) Em que lugar?

Debaixo do juazeiro.

239


4. No texto, há discurso direto, ou seja, a fala de uma personagem. a) Copie a fala.

“— Vamo, minhas camarada / Acabá com o capricho / Deste ignorante bicho / Com nossa força comum / Defendendo o formiguêro, / nós somo muntos miêro / e este zebu é só um.”

b) Quem é a personagem?

Uma das formigas.

c) Como você descobriu o discurso direto? De que maneira ele foi indicado?

Pelo travessão.

5. Observe a maneira como o texto foi escrito. Tanta formiga chegô Que a terra ali ficou cheia Formiga de toda cô Preta, amarela e vremêa No boi zebu se espaiando Cutucando e pinicando Aqui e ali tinha um moio E ele com grande fadiga Pruqué já tinha formiga

M10 - Diego C.

Até por dentro dos oio.

240


a) Como seriam escritas as palavras destacadas na estrofe acima se fossem registradas de acordo com a variedade padrão da língua?

Chegou, cor, vermelha, espalhando, molho, olhos.

b) Por que essas palavras foram escritas assim?

Para imitar a maneira como são faladas em determinada variedade linguística, no caso, pelo sertanejo.

c) Observe também o uso de algumas expressões, como as que foram circuladas no texto. Elas são mais comuns na linguagem oral ou na escrita?

Na linguagem oral.

d) Levando em conta a variedade padrão da língua, qual é o erro de concordância presente nessa estrofe? Localize-o e explique a resposta.

“Dos oio” deveria ser “dos olhos”.

e) Você já sabe que a linguagem pode ser mais ou menos formal, conforme a situação em que é usada. E a linguagem também varia de acordo com a região onde é falada, a idade e o grupo social das pessoas que falam, o que é chamado dialeto. No caso desse poema de cordel, o que explica essa variedade da língua empregada na escrita?

Prof.(a), ajude os alunos a perceber que a variedade linguística usada no poema tanto busca representar a informalidade característica da oralidade como reflete o fato de que os cordelistas representam um grupo social muitas vezes iletrado ou de poucos anos de escolaridade. No texto 2, os alunos terão mais informações sobre esse assunto. Seria interessante que essa questão fosse retomada depois da leitura desse texto.

241


Para refletir sobre nossa língua Gramática: variedade linguística No início deste capítulo você leu um texto de literatura de cordel em que as formigas se uniram para mostrar ao boi que ele as estava maltratando. Vimos que esse texto foi escrito de uma forma especial para reproduzir um modo bem específico de falar o português, ou seja, uma variedade linguística.

Variedade linguística: variação que a linguagem adquire de acordo com as situações de uso e em função de alguns fatores, como região, faixa etária, sexo, grau de escolaridade, grupo social etc. Entre as variedades linguísticas está a variedade padrão, que é a que apresenta maior prestígio social, mas todas as variedades são adequadas, desde que garantam a comunicação entre as pessoas.

1. Releia o trecho abaixo, retirado do cordel O boi zebu e as formigas. Um boi zebu certa vez Moiadinho de suó, Querem sabê o que ele fez? Temendo o calô do só Entendeu de demorá E uns minutos cuchilá Na sombra de um juazêro E firmou as quatro pata Em riba de um formiguêro.

M10 - Diego C.

Que havia dentro da mata

a) A variedade linguística com a qual foi escrito esse texto se parece com a que você usa com seus amigos e sua família?

Resposta pessoal.

b) E com a que você usa na escola, durante as aulas, ou apresentando um trabalho?

242

Prof.(a), discuta com os alunos a influência do contexto de fala na variedade linguística que escolhemos usar. Aproveite para iniciar uma discussão sobre a relação que existe entre o fato de a escola ser um espaço institucional público e a necessidade de emprego da variedade padrão decorrente desse fato.


c) Você acha que essa variedade linguística é mais característica de alguma parte do Brasil?

Prof.(a), ajude os alunos a perceber que a variedade empregada na literatura de cordel é muito comum na área rural e em pequenos núcleos urbanos de diversos estados, em especial os da porção mais setentrional do país.

d) Se esse poema estivesse escrito na variedade padrão da língua portuguesa, ele seria mais legal ou menos? Por quê?

Prof.(a), ajude os alunos a perceber que o fato de o texto tentar reproduzir o modo de falar do sertanejo é um recurso que traz mais vivacidade a ele, tornando-o mais divertido.

2. O trecho a seguir foi retirado da obra Vidas secas, de 1938, escrita por Graciliano Ramos. Nesse livro é narrada a história de retirantes nordestinos. Leia.

— Comprei os mantimentos. Botei o gibão e os alforjes na bodega de Seu Inácio [...] A mulher se incharia com a notícia. Talvez não se inchasse. Era atilada, notaria a pabulagem. ramos, Graciliano. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2003.

a) Você conhece todas as palavras usadas nesse diálogo? Se não, qual ou quais você desconhece?

É possível que alguns alunos não conheçam o significado das seguintes palavras: mantimentos; gibão; alforjes; bodega; incharia; atilada; pabulagem.

b) Consulte o dicionário e anote o significado das palavras que você desconhece.

Mantimentos: alimentos; gibão: colete; alforjes: sacos duplos, sacola; bodega: venda, loja; incharia: orgulharia; atilada: perspicaz, sagaz, sabida; pabulagem: embuste, mentira.

c) Na região onde você mora, que palavras são usadas para indicar essas mesmas coisas? Reescreva o trecho, adaptando-o ao seu jeito de falar, ao vocabulário mais comum na sua região.

Sugestão: Comprei os alimentos. Botei o colete e as sacolas na venda do Senhor Inácio [...] A mulher se orgulharia com a notícia. Talvez não se orgulhasse. Era sabida, notaria a mentira.

243


3.

Leia os grupos de palavras seguintes e identifique qual delas você usa normalmente. Depois confronte sua resposta com a dos colegas para ver se há coinciProf.(a), sugerimos que a atividade seja feita oralmente. Se no confronto das respostas houver diferenças, tente discutir dências: com os alunos as causas dessas diferenças. Por exemplo, certos alunos, por terem pais migrantes, podem conhecer alguns vocábulos que a maioria desconhece. Convém, no caso, verificar a região da qual ele se origina.

mandioca aipim macaxeira

guri menino, menina

farpinha palito

piá arribar subir

roleta catraca aratu

pingado café com leite

caranguejo guaiamum

bengala bisnaga

ADÃO ITURRUSGARAI/ACERVO DO CARTUNISTA

4. Leia:

Adão. Folha de S.Paulo, São Paulo, 23 nov. 2002. Folhinha. Prof.(a), ajude os alunos a encontrar o significado das palavras destacadas no contexto em que aparecem.

a) Você conhece as palavras e expressões man, muito louco, maluco, tá ligado?, saquei a parada, mó doideira!? O que elas significam?

244

man: cara; muito louco: diferente, interessante; maluco: bonito, belo; tá ligado?: compreendeu?; saquei a parada: entendi o pedido, compreendi o que se quer; mó doideira: a maior beleza, excelente.


b) Como são denominadas essas palavras ou expressões usadas na escrita dos quadrinhos?

Gírias.

c) Com que finalidade elas foram usadas?

Para caracterizar as personagens dos quadrinhos.

d) Em que situações do dia a dia você acha que o uso dessa linguagem é adequado?

Sugestão de resposta: Numa conversa de jovens, entre familiares da mesma faixa etária ou com grande grau de intimidade etc.

e) Em que situações seria inadequado esse uso?

Na sala de aula, em conversa com adultos com os quais não se tem intimidade, numa apresentação oral de trabalho etc.

f) Você conhece outras gírias? Se sim, cite algumas.

Resposta pessoal.

g) No seu dia a dia você costuma usar gírias? Em que situações?

Respostas pessoais.

5. Considerando as reflexões anteriores, responda: por que é importante levar em conta as variedades linguísticas na hora de falar e escrever?

Espera-se que os alunos concluam que é sempre importante adequar a linguagem à situação comunicativa, por isso é importante saber o que são variedades linguísticas.

245


conexões

Geografia

Migração e deslocamento Migração O Censo 2010 mostrou que 35,4% da população não residia no município onde nasceu, sendo que 14,5% (26,3 milhões de pessoas) moravam em outro estado. São Paulo (8 milhões de pessoas), Rio de Janeiro (2,1 milhões), Paraná (1,7 milhão) e Goiás (1,6 milhão) acumularam a maior quantidade de pessoas residentes que não nasceram lá. Enquanto isso, Minas Gerais (3,6 milhões de pessoas), Bahia (3,1 milhões), São Paulo (2,4 milhões) e Paraná (2,2 milhões) foram os estados com os maiores volumes de população natural que foi morar em outras unidades da federação. Em relação à migração entre países, em 2010, o país recebeu 268,5 mil imigrantes internacionais, 86,7% a mais do que em 2000 (143,6 mil). Os principais países de origem dos imigrantes foram os Estados Unidos (51,9 mil) e Japão (41,4 mil). Verificou-se que o Brasil está recebendo de volta muitos brasileiros que estavam no exterior. Do total de imigrantes internacionais, 174,6 mil (65,0%) eram brasileiros e estavam retornando; já em 2000, foram 87,9 mil imigrantes internacionais de retorno, 61,2% do total dos imigrantes. Deslocamento Algumas pessoas se deslocam do município onde moram para trabalhar ou estudar. O Censo também contou esses casos e em 2010 foi possível pesquisar em separado quem se deslocava para o trabalho e para o estudo. Em 2000, essas duas informações foram pesquisadas junto. Deslocamento para estudo Hoje sabemos que do total de 59,6 milhões de pessoas que frequentavam escola ou creche, 55,2 milhões (92,7%) estudavam no próprio município onde moravam. O Sudeste foi a região com maior número de pessoas que se deslocavam para outro município para estudar: 2,0 milhões (8,5%) de estudantes, a maioria em São Paulo: 1,1 milhão de pessoas (57,0% do total do Sudeste). Veja no gráfico a seguir a quantidade de pessoas que estuda num município diferente daquele onde mora e que precisam se deslocar para estudar:

246


Pessoas que frequentavam escola ou creche, por local da escola ou creche que frequentavam, segundo as Grandes Regiões e as Unidades da Federação - 2010 24.000.000 matemática

18.000.000

12.000.000

6.000.000

0 Norte

Nordeste

Sudeste

Município de residência

Sul

Centro-Oeste

Outro município

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2010.

Deslocamento para o trabalho No Brasil, do total de 86 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade ocupadas em 2010, 87,1% trabalhavam no mesmo município onde moravam, sendo que 20 milhões (26,6%) trabalhavam no próprio domicílio e 55 milhões, fora dele. Já os que trabalhavam em outro município atingiram 11,8% da população ocupada (10,1 milhões). Outra informação pesquisada pelo Censo 2010 foi o tempo de deslocamento entre a residência e o trabalho. O resultado foi que, no Brasil, 32,2 milhões de pessoas (52,2% do total de trabalhadores que trabalhavam fora do domicílio) levavam de seis a 30 minutos para chegar ao trabalho em 2010 e 7,0 milhões (11,4%) levavam mais de uma hora. Disponível em: <http://7a12.ibge.gov.br/vamos-conhecer-o-brasil/nosso-povo/migracao-e-deslocamento>. Acesso em: 23 maio 2014.

• Converse com os colegas sobre a relação entre as informações do texto e sua vida.

247


Texto 2 – Para preparar a leitura Observe o texto a seguir. Compare-o com o texto O boi zebu e as formigas. Ele é escrito em versos ou em prosa? Em prosa. Pelo título, o que você acha que vai ler agora?

Trata-se de texto expositivo, que apresenta conhecimentos sobre a literatura de cordel.

Observe que o texto tem subtítulos. Quais são eles? Por que será que “Origens” e “O cordel no Brasil” são os subtítulos. Espera-se que os alunos percebam que eles têm a função foram usados? de dividir o texto em partes, facilitando a leitura. Podem indicar uma mudança de enfoque ou a introdução de novas informações no texto.

Corda, cordel, cordão: aventura e poesia de mãos dadas Cláudio Henrique Salles Andrade

Origens

J. L. Bulcão

O cordel, conhecido também pelo nome de literatura de folhetos, é uma forma de expressão universal que nasceu na Europa após a invenção da imprensa e a partir daí se difundiu. Entre seus principais traços está o fato de ser um tipo de poesia narrativa e de caráter popular, participando de um campo muito mais amplo de manifestações: os mitos, as lendas, os contos tradicionais, as narrativas de aventura, de lutas e viagens, as canções de ninar, as parlendas e os trava-línguas, os provérbios e as adivinhações, os desafios dos cantadores. Todas essas formas de expressão, que constituem o que chamamos de literatura popular, têm em comum o fato de serem transmitidas preferencialmente de forma oral, preservando-se assim graças à memória dos indivíduos e dos grupos. A preferência pela transmissão oral decorre do fato de serem manifestações artísticas do povo, gente humilde, com pouca ou nenhuma instrução escolar.

Literatura de cordel à venda no Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, Rio de Janeiro, 2012.

248


Com a invenção da imprensa, por volta de 1450, parte dessa literatura popular oral que circulava na Europa começou a ser publicada em pequenos livretos, feitos de papel ordinário e vendidos a preço baixo. Iniciava-se assim a literatura de folhetos. Em Portugal, esses livretos ganharam várias denominações curiosas como folhetos, folhas volantes, literatura de cegos e finalmente cordel. Às vezes, o poeta imprimia uma obra pequena, de poucas páginas, ou até um só poema curto, e então o fazia em folhas soltas, daí o nome folhas volantes. [...] Por fim, como os livretos eram expostos à venda pendurados em barbante ou cordão, palavra que em língua provençal significa cordel, adotou-se essa denominação, que acabou se generalizando tanto em Portugal como no Brasil. [...] O cordel no Brasil O cordel é, portanto, a transposição para a forma escrita de poemas, canções, aventuras e epopeias recitadas, lidas em voz alta ou cantadas por poetas ou violeiros, em praça pública, sempre postados no meio de um grande círculo de ouvintes que acompanham suas apresentações com enorme atenção e interesse. Os primeiros folhetos de cordel chegaram ao Brasil trazidos na bagagem dos colonizadores portugueses em fins do século XVI ou, no máximo, no século XVII; bem no início da nossa colonização. Junto com essa literatura popular impressa importada, vieram também artistas e poetas que desenvolveram aqui uma literatura oral, nos moldes daquela que se praticava na terra de Camões. Curiosamente, só três séculos depois da chegada desses livretos importados e do aparecimento dos nossos próprios artistas populares, lá pelo fim do século XIX, é que surgiram os primeiros folhetos de autoria de poetas brasileiros, na região Nordeste do país. O paraibano Leandro Gomes de Barros é considerado pelos pesquisadores como o primeiro autor popular a imprimir e vender histórias em versos na forma de folhetos, o que ocorreu por volta de 1890. Entre os vários motivos que retardaram o surgimento de um cordel cem por cento nacional, estava a proibição de tipografias no Brasil (livros só podiam ser impressos na metrópole). Com a vinda da família real, em 1808, a necessidade de se criar uma imprensa no país levou o rei D. João a suspender a velha e absurda proibição. No Nordeste brasileiro, o cordel parece ter encontrado um ambiente cultural dos mais propícios ao seu desenvolvimento: costumes e cultura típicos de um mundo rural com o predomínio absoluto das formas orais de comunicação. O isolamento espacial dos agricultores, com as longas distâncias entre as fazendas, levou à valorização das feiras livres e dos momentos de encontro da comunidade nas festas tradicionais, em especial as de caráter religioso. [...]

249


J. L. Bulcão

De Portugal para o Brasil, o cordel sofreu várias transformações. A primeira delas prende-se ao fato de que no Brasil nunca existiram, como houve em Portugal, os cordéis escritos em prosa; toda a nossa produção de folhetos sempre foi exclusivamente em versos. Tal diferença talvez possa ser explicada pela composição da sociedade sertaneja daquele período, constituída em sua maioria por homens iletrados, que não podiam se apoiar no texto escrito e que, portanto, dependiam da própria memória para reter as histórias. [...] Cláudio Henrique Salles Andrade. Origens. In: ANDRADE, Cláudio H. S.; SILVA, Nilson Joaquim da (Orgs.). Feira de versos: poesia de cordel. São Paulo: Ática, 2008. Literatura de cordel à venda no Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, Rio de Janeiro, 2012.

Quem é o autor? Cláudio Henrique Salles Andrade é mestre em literatura brasileira pela Universidade de São Paulo (USP), autor de Patativa do Assaré: as razões da emoção. Capítulos de uma poética sertaneja (São Paulo/Fortaleza, Nankin/UFC, 2004).

250


Para dialogar com o texto 1. Vamos recordar alguns dados apresentados pelo texto? Responda às questões. a) Onde nasceu o cordel e como ele também era conhecido?

O cordel nasceu na Europa e era conhecido como literatura de folheto.

b) Quais são suas características?

É poesia narrativa, de caráter popular, como os mitos, as lendas, os contos tradicionais, as narrativas de aventura, de lutas e viagens, as canções de ninar, as parlendas e os trava-línguas, os provérbios e as adivinhações, os desafios dos cantadores.

c) Como era transmitida a cultura popular? Por quê?

Era transmitida oralmente, porque era manifestação do povo, gente humilde, com pouca cultura.

d) O que aconteceu com o cordel depois da invenção da imprensa?

Começou a ser publicado em pequenos livros.

e) Por que essas publicações começaram a ser chamadas de literatura de cordel?

Porque os livretos eram postos à venda pendurados em barbante ou cordão (conhecido como cordel).

f) A literatura de cordel foi trazida para o Brasil pelos portugueses, durante a colonização. Onde, no Brasil, ela mais se desenvolveu? Segundo o autor do texto, por que isso aconteceu?

No Nordeste, porque, segundo o autor, havia um ambiente propício, já que predominavam na sociedade rural as formas de comunicação oral.

2. Explique o título Corda, cordel, cordão: aventura e poesia de mãos dadas. “Corda, cordel, cordão” é uma referência ao barbante ou corda em que os livros são pendurados. E “aventura e poesia de mãos dadas” sugere que histórias de aventuras são escritas em forma de poesia.

251


Para estudar o texto expositivo 1. Vamos recordar? O texto narrativo conta fatos, histórias. O texto argumentativo discute um assunto defendendo uma opinião sobre ele. E o texto expositivo, como é caracterizado? A principal característica desse tipo de texto é transmitir conhecimentos para o leitor.

a) O texto Corda, cordel, cordão: aventura e poesia de mãos dadas transmite conhecimentos sobre qual assunto?

Sobre a literatura de cordel.

b) Leia, no fim do texto, as informações apresentadas no quadro Quem é o autor?. O autor do texto é mestre em literatura brasileira. O que isso quer dizer? Se necessário, peça ajuda a algum adulto para responder a essa questão.

O autor tem mestrado em literatura brasileira, o que significa que ele tem uma importante especialização na área, conhecendo-a profundamente.

c) De maneira geral, os textos expositivos são escritos por especialistas em um determinado assunto. Levando em conta o objetivo desses textos, responda: por que essa formação do autor é importante?

2.

Porque os conhecimentos apresentados precisam ser fiéis aos estudos que existem sobre o assunto. Prof.(a), converse com os alunos sobre a circulação dos textos expositivos, apontando até mesmo aqueles que não fazem parte de seu repertório de leitura: artigos científicos publicados em revistas especializadas, livros que apresentam estudos sobre uma determinada área de conhecimento etc. Por transmitir saberes, esses textos em geral são escritos por especialistas.

Na escola, é muito comum ler textos expositivos. Veja alguns exemplos: são expositivos os textos dos livros didáticos, os verbetes de dicionário, os textos tirados de enciclopédias.

Você acha que esse tipo de leitura é importante na escola? Por quê? Espera-se que os alunos respondam que sim, porque uma das funções da escola é proporcionar o crescimento intelectual do aluno, dando-lhe oportunidade de conhecer de forma mais aprofundada tudo que o cerca.

252


3. Releia: Entre os vários motivos que retardaram o surgimento de um cordel cem por cento nacional, estava a proibição de tipografias no Brasil (livros só podiam ser impressos na metrópole). Com a vinda da família real, em 1808, a necessidade de se criar uma imprensa no país levou o rei D. João a suspender a velha e absurda proibição.

a) Nesse parágrafo, assim como em outros, as informações são apresentadas por meio de datas e referências a fatos históricos. Por que isso é importante em textos expositivos?

Se o objetivo do texto é transmitir saberes sobre um assunto, as informações devem ser apresentadas em linguagem precisa, para que o texto seja fiel à realidade.

b) Procure, na segunda parte do texto, outro parágrafo que apresente dados dessa forma. Explique como esse parágrafo mostra para o leitor que os dados são reais, pesquisados.

Podem ser apresentadas as referências a datas (como século XVI, XIX), ao nome do pesquisador etc.

Para refletir sobre nossa língua Ortografia: uso dos porquês 1.

Leia esta curiosidade e responda às questões.

Por que as formigas se cumprimentam? Na realidade esse fenômeno ocorre porque as formigas possuem um sistema de comunicação muito peculiar, através das antenas. O que ocorre de fato é o reconhecimento através do cheiro umas das outras, para detectarem se fazem parte do mesmo ninho. Por questões de segurança, as formigas não aceitam intrusos em sua colônia (formigueiro) e por isso a necessidade de estarem sempre atentas ao menor sinal de invasão de alguma formiga estranha ou até mesmo doente, quando é imediatamente isolada do grupo. Disponível em: <http://animalplanet.discoverybrasil.uol.com.br/vocesabia-porque-as-formigas-secumprimentam/>. Acesso em: 23 maio 2014.

253


a) A palavra porque foi usada duas vezes no texto. O que elas têm de diferente na escrita?

A primeira foi escrita em duas palavras separadas e a segunda apenas em uma palavra.

b) Uma delas foi usada no início de frase interrogativa e a outra em frase afirmativa, para responder ao que foi perguntado. Responda: quando foi usado o por que separado e quando foi usado o porque junto?

Por que foi usado no início da frase interrogativa e porque, em frase afirmativa, para responder o que foi perguntado.

2. Compare um trecho de O boi zebu e as formigas com um trecho de Quem é importante?, texto citado no capítulo 1 deste livro. E ele com grande fadiga Porque (pruqué) já tinha formiga Até por dentro dos oio.

E, logo, todo sinuoso, A rebolar-se, entrou, pimpão, O enxerido e muito curioso Dom Ponto de Interrogação: — Quem é? — Por quê?

a) No primeiro exemplo foi usada a palavra porque. No segundo, por quê.

• Qual foi usada para dar uma explicação?

A palavra porque.

254


• Qual foi usada em final de frase interrogativa? A palavra por quê.

b) Há diferença no emprego de por quê e por que (visto na atividade 1)? Por que eles são escritos de maneira diferente?

Não. Ambos são usados em caso de pergunta (frases interrogativas), mas usamos por quê, separado e com acento, quando a palavra aparece imediatamente antes do ponto de interrogação. Prof.(a), ajude os alunos a chegar a essa diferenciação.

c) Invente um diálogo entre o boi e a formiga usando porque e por quê.

Resposta pessoal.

3. Agora que você já observou o uso de porque (junto), por acento) e por quê (separado e com acento), responda:

que (separado e sem

a) Quando se usa porque junto?

Nas frases em que se dá alguma explicação, nas respostas.

b) Quando se usa por que separado e sem acento?

No início de frases interrogativas.

c) Quando se usa por quê separado e com acento?

No fim de frases interrogativas.

4. Reescreva as frases a seguir substituindo o a) Você ainda não fez o dever de casa?

b)

c)

por porque, por que ou por quê. ?

Por quê

eu estava fazendo uma pesquisa primeiro. Porque

você não adiantou a pesquisa no final de semana? Por que

Prof.(a), pesquise em outros textos algumas situações em que os porquês são usados para que os alunos possam ampliar as reflexões sobre o assunto.

255


CONHEÇA TAMBÉM LIVROS

• • • • • •

Fadas que não estão nos contos, uma confusão de contos clássicos, de Kátia Canton. Editora DCL. Vice-versa ao contrário, de Heloísa Prieto (Org.). Editora Companhia das Letrinhas. As sete viagens fabulosas do marinheiro Simbad, de Sérgio Severo. Editora Nova Alexandria. Bumba na farra do boi, de Gilberto Braga de Melo. Editora Bagaço. Pra boi dormir, de Sônia Miranda e Ziraldo. Editora Record.

Reprodução

O menino Pedro e seu boi voador, de Ana Maria Machado. Editora Ática. Cordel: Patativa do Assaré: uma voz do Nordeste, de Patativa do Assaré. Editora Hedra.

sites <www.ablc.com.br>

<http://literaturadecordel.vila.bol.com.br> Acessos em: 23 jun. 2014.

CD

Literatura de cordel, de Francisco Diniz.

FILMES

• • • •

256

A dama e o vagabundo (Estados Unidos, 1955), Estúdio Disney. O coronel e o lobisomem (Brasil, 2005), Estúdio Fox. Shrek 2 (Estados Unidos, 2004), Estúdio DreamWorks. Up: altas aventuras (Estados Unidos, 2009), Estúdio Disney/Buena Vista.

Reprodução

• •


PARA concluir O ano está terminando... É hora de fazer uma avaliação do que foi visto ao longo de todos esses meses. Hora também de pensar um pouco nas transformações por que você passou desde que entrou na escola.

1.

Sente-se com alguns colegas, conversem e respondam:

Respostas pessoais.

a) Entre todos os textos lidos durante o ano, de quais vocês gostaram mais? Por quê?

b) O que vocês mais gostaram de aprender? Que assunto gostariam de conhecer ainda mais?

c) Que mudanças importantes aconteceram com vocês desde que entraram na escola até hoje?

d) Como vocês imaginam que vai ser o próximo ano?

M10 - Diego C.

257


2.

Que tal registrar em um texto ou um desenho o que aconteceu de melhor com você nesses anos todos? Então, no espaço abaixo, escreva o que você quiser: pode ser um poema, ou uma letra de música, ou uma narrativa, ou uma história em quadrinhos. Se preferir, faça um desenho que expresse seu sentimento em relação à vida na escola (os colegas, os professores, o que foi aprendido, os passeios, as amizades etc.) ou apresente uma situação que tenha sido bem marcante nesses anos de escola. Em uma folha de papel, passe seu texto a limpo e exponha sua produção na classe, onde possa ser lida por todos. Parabéns por ter chegado até aqui! Boas férias!

M10 - Diego C.

Prof.(a), sugerimos que você deixe a critério dos alunos fazerem esta atividade final individualmente ou em grupo.

258


Atividades complementares 1. Leia:

ciências e matemática

Se pudéssemos olhar a Terra de cima, veríamos uma grande esfera azul: é porque o mar toma conta de quase todo o planeta.

M10 - Diego C.

Planeta Terra ou Planeta Água?

Os oceanos compõem cerca de 70% da superfície da Terra, e os continentes ocupam o restante. Ou seja: quase dois terços do planeta são cobertos de água. Mas a maior parte desse montão de água é imprópria para consumo. Do total, 97% é água do mar, muito salgada para beber e para ser usada em processos industriais; 1,75% está congelada na Antártica, na região do polo Norte e em outras geleiras; 1,243% fica escondida no interior da Terra. Sobra apenas 0,007% de água boa para ser usada. [...]

Disponível em: <www.canalkids.com.br/meioambiente/planetaemperigo/planeta.htm>. Acesso em: 13 jun. 2014. Texto adaptado.

a) Observe o título do texto. O que o uso do ponto de interrogação indica?

Indica que o autor inicia o texto propondo uma questão para o leitor.

b) Na sua opinião, a pontuação torna o título mais atraente? Por quê?

c) Observe a presença de numerais no texto. Para que servem esses dados numéricos em textos informativos?

Servem para apresentar informações exatas, baseadas em dados reais.

d) Copie a frase que tem um numeral fracionário.

“Ou seja: quase dois terços do planeta são cobertos de água.”

259


2. Faça

uma leitura silenciosa do texto a seguir. Depois, reescreva-o trocando os códigos pela pontuação correta de acordo com o sentido do texto. Prof.(a), aceite outras opções, desde que coerentes.

● ponto-final ou vírgula ▶ reticências ou ponto de interrogação ♦ dois-pontos ou ponto de exclamação

Fada Cisco Quase Nada Sylvia Orthof

Depois daquela floresta●

atrás do monte● ou defronte● num jardim de primavera●

com cerca de amor-perfeito●

atrás do monte, ou defronte, num jardim de primavera, com cerca de amor-perfeito,

mora uma pessoinha

mora uma pessoinha

tão pequena e escondida▶

tão pequena e escondida...

nem dá pra se ver direito♦

nem dá pra se ver direito!

Onde está▶ Só procurando♦

Onde está? Só procurando!

Olha bem para o jardim

Olha bem para o jardim

de margarida● mimosa●

de margarida, mimosa,

olha bem aquela rosa

que tem a cor desbotada.

Ali mora a pessoinha

Fada Cisco Quase Nada.

olha bem aquela rosa que tem a cor desbotada● Ali mora a pessoinha Fada Cisco Quase Nada● [...]

Orthof, Sylvia. Fada Cisco Quase Nada. São Paulo: Ática, 1999.

260

Depois daquela floresta,

[...]


3. Reescreva as frases a seguir substituindo o a) Você gosta de ler?

por porque, por que ou por quê.

?

Por quê

b) “Aí, no dia seguinte, eu fui e comprei um verde, a Bia escolheu um rosa-choque e a Dani levou um desbotado

era o último.”

porque

c)

quase todas as crianças compraram um talismã? Por que

d) Todos queriam ter um talismã

achavam que assim realizariam seus desejos.

porque

e)

Cinderela não foi ao baile do príncipe?

?

Por que; Por quê

4. Escreva as palavras do quadro colocando-as no diminutivo. mesa osso pastel vaso anel flor avô peso asa princesa mesinha, ossinho, pastelzinho, vasinho, anelzinho, florzinha, avozinho, pesinho, asinha, princesinha

261


5. Copie as palavras da lista abaixo em que aparece o som /s/ (sê). Atenção: esse som pode ser representado por diferentes letras!

cerca mimosa cisco crescimento rosa

pessoinha roxa

personagem cesta maçã

deserto

desenho paçoca

fascículo doce víscera

cerca / cisco / crescimento / pessoinha / personagem / cesta / paçoca / maçã / fascículo / doce / víscera

6. Reescreva as frases, empregando a pontuação adequada no final de cada uma, de acordo com a situação dada entre parênteses.

a) Não chore, Cinderela

Não chore, Cinderela.

b) Não chore, Cinderela

(Madrasta falando com carinho.)

(Madrasta dando uma ordem em voz alta.)

Não chore, Cinderela!

c) Você sabe por que eu estou chorando (Cinderela afirmando para a Madrasta.)

Você sabe por que eu estou chorando.

d) Você sabe por que eu estou chorando drasta.)

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Você sabe por que eu estou chorando?

(Cinderela perguntando para a Ma-


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Aprender e Saber - Língua Portuguesa 5 ano  
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