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Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas

Ano 4 | nº 52 | Junho| 2010 Casinhas - Pernambuco

Cisterna fortalece produção de alimentos no Semiárido A agricultora Laurisbela Izabel de Arruda Ferreira, conhecida como dona Lala, mora na comunidade de Catolé do Mitonho, no município de Casinhas, Agreste Setentrional de Pernambuco. Casada com José Leandro Ferreira, também agricultor, ela é mãe de quatro filhos, sendo três mulheres e um homem. Que são: Joaci Leandro Ferreira, 26 anos, Jaci de Arruda Ferreira, 24 anos, Laurizete de Arruda Ferreira, 22 anos, e Jaqueline Souza, de oito anos. Dona Lala mora na comunidade desde que nasceu. Sua propriedade mede 1,2 hectares e ela produz de forma agroecológica, ou seja, sem agredir a natureza. Além de produzir uma grande variedade de alimentos que garantem uma alimentação mais saudável para sua família. Na sua produção tem laranja, manga, pitomba, pitanga, pinha, graviola, mamão, coco e caju. Já no roçado ela planta milho, feijão, fava, batata, macaxeira, jerimum, melancia, maxixe e quiabo. Dona Lala também cultiva plantas medicinais e assim prepara remédios para a casa, como alguns chás.

Dona Lala tem uma produção agroecológica

“Pra mim a agroecologia é ter mais diversidade de plantas na propriedade, plantas que contribuam para o meio ambiente, ajudando a terra e não fazendo queimadas, eu gosto mesmo é de plantar e preservar. Plantando mais coisas, quando eu precisar só vou lá e pego. Diminuindo os gastos com compras de algumas coisas que eu mesma posso cultivar em minha terra”, explica a agricultora. Tudo que a família produz é para o próprio consumo.O único produto que é comercializado são as pitombas. Ela também tem uma pequena criação de galinhas. Muitos dos Dona Lala e sua Neta na sua propriedade em Casinhas conhecimentos que dona Lala pratica em sua propriedade ela aprendeu em visitas de intercâmbios a experiências de outras famílias. Foi assim que conheceu várias práticas agroecológicas, como não queimar a terra. Foi também em uma das visitas de intercâmbio da qual participou que dona Lala se interessou pelo canteiro econômico.

Pernambuco


Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas

Pernambuco

Na localidade que dona a agricultora mora as famílias têm dificuldade de ter água de qualidade para consumo. No entanto, essa realidade mudou quando a família dela conquistou uma cisterna com capacidade para armazenar 16 mil litros. A água que é acumulada na cisterna é da chuva e é captada através do telhado da casa. A cisterna conquista por dona Lala faz parte do Programa Um Milhão de Cisternas Rurais (P1MC), da Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA). A água dessa cisterna serve para beber e cozinhar, e garante água de qualidade para a família durante todo o ano. “A cisterna do P1MC é muito importante para mim, pois não preciso mais sair de casa pra pegar água em lugares longes, cuido da cisterna com muito carinho. Antes da cisterna eu pegava água para beber no barreiro”, lembra dona Lala. No ano de 2009, a família de dona Lala teve uma nova conquista que tem ajudado na produção de alimentos. Foi a cisterna calçadão, através do Programa Uma Terra e Duas Águas, também da ASA.

A agricultora tem uma grande diversidade de plantas

A cisterna calçadão acumula até 52 mil litros de água da chuva, sendo guardada através de uma calçada no quintal da casa da família. “Essas cisternas ajudam muito a gente, a cisterna calçadão é uma coisa maravilhosa, teve gente que se arrependeu de não ter ficado com uma cisterna aqui na comunidade. Com ela posso aguar minhas plantas e tenho mais vontade de fazer minha horta”, conta orgulhosa a agricultora. Mas ela também sabe que a água é preciosa na região onde mora e da importância de preserváDona Lala produz seus próprios alimentos la. “A maior dificuldade desta comunidade é a pouca água para consumo, e sem água não dá pra plantar. Por isso aqui nós temos a preocupação de trabalhar na agricultura de forma a economizar água”, explica a agricultora. Com uma produção diversa e saudável, dona Lala também participa das dinâmicas comunitárias. Ela é vice presidente da Associação dos Moradores do Catolé do Mitonho. Na associação acontecem reuniões de dois em dois meses e nelas são discutidas questões da comunidade. “Daí a gente repassa as experiências que aprendemos para outras famílias. Na última reunião repassamos as experiências que vimos no intercâmbio que aconteceu em Soledade, na Paraíba”, explica a agricultora. Apoio:

Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome

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www.asabrasil.org.br


O candeeiro 52