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11ª edição Novembro de 2010 Jornal Laboratório Especializado em Meio Ambiente - Jornalismo/Unifra

Soluções ambientais – responsabilidade de todos BRUNO MELLO NÍCHOLAS FONSECA

Antes ... Um ano depois, o JornalEco volta às escolas municipais de Santa Maria e confere os resultados do plantio de árvores do projeto Mundo Verde. Página central

BRUNO MELLO

... e depois MARINNA SELlMER

Compromisso ambiental Instituições, empresas e pessoas que adotam soluções sustentáveis nas mais diversas áreas apostam na qualidade do ambiente. Páginas 3, 5 e contracapa

Planejamento urbano Pensar as cidades também é uma forma de preservar a natureza.

Páginas 10 e 11


2 Editorial Há muita discussão sobre a evidência de que tentamos matar nosso planeta. A humanidade “evoluiu” para uma cultura degradante da natureza. A cultura consumista de massa precisa usar o que a natureza oferece para suprir as necessidades do nosso estilo de vida. Por isso cortamos árvores e colocamos cimento em seus lugares. Queimamos muito carvão, petróleo e seus derivados. Fazemos muita fumaça e jogamos para o ar. Isso fere mortalmente a nossa proteção contra o calor e radiação do Sol – a camada de ozônio – e bagunça a ordem das estações e temperaturas. Há quem diga que isso não é verdade absoluta. As variações da temperatura e clima, no entanto, sempre determinaram a sobrevivência dos habitantes de cada era. Enquanto isso, a população mundial cresce a índices nunca antes vistos na história da humanidade, o que exige cada vez mais produção de alimentos e bens de consumo e desencadeia uma produção elevadíssima de lixo. Com a situação atual, espera-se que haja uma tomada de consciência coletiva no sentido de limitar este crescimento e, ao mesmo tempo buscar uma simbiose com a natureza. Como? O Centro Universitário Franciscano, neste contexto, chamou para si a discussão sobre responsabilidade social e ambiental, com a realização do Simpósio de Ensino, Pesquisa e Extensão sobre o tema. A disciplina de Jornalismo Especializado I, do curso de Jornalismo, coloca a 11ª edição do jornal laboratório especializado em Meio Ambiente – JornalEco - à disposição deste debate. Nas próximas páginas, trazemos exemplos de responsabilidade socioambiental que estão em curso na nossa cidade e esperamos contribuir para a disseminação de mais ideias a favor da vida do planeta.

Expediente JornalEco - 11ª edição Jornal experimental produzido na disciplina de Jornalismo Especializado I do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Franciscano Reitora: profª Irani Rupolo Diretora da Área de Ciências Sociais: profª Sibila Rocha Coordenação do Curso de Jornalismo: profª Sione Gomes Profª orientadora: jorn. Aurea Evelise Fonseca – Mtb 5048 Diagramação: jorn. Stefanie Carlan da Silveira – Mtb 13.408 Revisão: prof. Iuri Lammel – Mtb 12.734 Reportagens e textos: Aline Merladete de Souza, Bruna Prestes Severo, Bruno Pinheiro Garrido, Carla Melo Tavares, Carlos Roberto Wenceslau Junior, Diego Lermen de Araujo, Fernando Custódio Oliveira, Flávia Müller, Francieli Jordão Fantoni, João Alberto de Miranda Filho, Julia Schäfer, Letícia Poerschke de Almeida, Luís Felipe Leal Martins, Marinna Sellmer Gonçalves, Maurício Lavarda do Nascimento, Natália Müller Poll, Nathale Cadaval Kraetzig, Paola Marcon, Paulo Ricardo Cadore, Rita de Cassia Barchet Vieira, Rodrigo Gularte Ricordi, Sabrina Kluwe Hoehr, Sabrina Pereira Dutra, Sofia Viero, Tarso Negrini Farias, Ulisses Scheineider Castro. Fotos: Bruno Mello e Halisson Barcelos (Laboratório de Fotografia e Memória), Eduardo Ramos e Nicholas Fonseca (jornalistas egressos da Unifra), Bruno Garrido, Carlos Wenceslau Jr., Flávia Müller, Francieli Jordão, Letícia de Almeida, Marinna Sellmer, Nathale Kraetzig, Rodrigo Ricordi, arquivo do Escritório da Cidade. Contatos/Redação: sala 716C – prédio 13 – Centro Universitário Franciscano – Rua Silva Jardim, nº 1175 – (055) 3025-9040 E-mail: agenciacentralsul@gmail.com Impressão: Gráfica Gazeta do Sul Tiragem: 1000 exemplares Distribuição gratuita Novembro 2010

EDITORIAL

Novembro de 2010


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ENERGIA SOLAR

Novembro de 2010

Sol: fonte de energia limpa O astro é estudado para ajudar a resolver problemas ambientais

E

m regiões de escassez de energia elétrica, a energia solar é umas das opções mais práticas e objetivas de geração. Limpa e abundante, é a solução mais inteligente, além de ser inesgotável. A sua utilização viabiliza a imediata implantação de projetos de infraestrutura básica, demandando recursos proporcionalmente muito limitados, e será cada vez mais importante no Brasil, a exemplo de outros países em desenvolvimento. Os problemas apontados para a implantação da captação de energia solar sempre foram o custo e a eficiência, consideradas as maiores barreiras para a popularização desse tipo de energia. O cenário está mudando, novos materiais estão sendo testados e novas soluções são apresentadas para renovar e atualizar a geração de energia solar.

FOTOS: BRUNO MELLO

INOVAÇÃO — Devido ao clima do sul do país, aço inxos é usado na fabricação de aquecedores solares

era fabricar equipamentos no segmento de energia que ajudassem na sustentabilidade. No Brasil, o uso ainda é es- “Foi um ano de pesquisas, até casso, tendo em vista o des- achar o material ideal para conhecimento do sistema, o fazermos os aquecedores que preço e o suporresistissem ao te técnico. Ainda clima frio do sul”, não existe uma comenta Davi rede especializaLamb, diretor da da no segmento empresa. de energia limpa Lamb viajou que atenda às até Israel e Alenecessidades namanha, que poscionais. suem condições Santa Maria é climáticas simipioneira no inlares às do sul terior do estado país, para codo no ramo de Diretor importou a tecnologia lher dados para tecnologia solar. Através de a tecnologia ser aplicada, eviiniciativa privada surgiu uma tando que no inverno a água proposta inovadora - a em- congelasse no encanamento presa Intecsol - para suprir a do material. Então surgiu a necessidade de energia lim- ideia de fazer seus compopa com baixos custos. A ideia nentes com aço inox. O ma-

Aplicação em Santa Maria

terial tem grande utilidade vo pelo qual os clientes buscam tanto no meio rural, quanto nossos equipamentos basicano espaço urbano. mente são: economia, uso da O aquecedor solar garante energia renovável pensando 40% de economia de energia. O em sustentabilidade, conforto e cálculo é feito em cima de cada resposta à mídia, que fala muito placa aquecida, com capacida- sobre o assunto. De certa forma de para 100 liestá se tornantros de água. do moda o uso Aquecedores Os aquecede energias redores se aplinováveis”. solares cam a todo e As construgarantem 40% qualquer lugar toras também que necessite estão interesde economia na água quente, sadas em inconta de luz como residêncluir energia cias, piscinas, solar, através nos processos de seus engeindustriais (pré-aquecimento) nheiros. “Outro motivo delas e em instalações rurais. estarem mais acessíveis em reLamb observa que o perfil lação a esse assunto, é que nas do consumidor urbano é o mais principais capitais do Brasil, diverso, desde a pessoa com já existe legislação que obriga alto poder aquisitivo até outras o uso de energia solar em nocom menos condições. “O moti- vas edificações. Com certeza

Verdades sobre a energia solar

► É uma energia limpa, não produz nenhum dejeto, odor ou ruído.

número de placas solares de acordo com o seu consumo.

► É baseada em uma fonte gratuita e inesgotável: o Sol.

► É autossuficiente: uma vez com o sistema dimensionado e instalado você dá adeus à conta de luz.

► É de fácil instalação e praticamente dispensa manutenção. ► É modular: você pode aumentar ou diminuir o

► É durável: a vida útil de uma placa solar é superior a 25 anos .

isso vai se espalhar por todo o país”, diz Lamb. O diretor da Intecsol confia no crescimento da energia solar, como meio de conscientização das pessoas, já que o aumento da demanda de energia elétrica tem um custo cada vez maior, atrelado ao crescente aumento dos movimentos protecionistas da natureza. Algumas pesquisas dizem haver limitações na tecnologia, visto que só funciona durante o dia e baixa efetividade em dias nublados. Lamb lembra que o próprio nome já diz, são aquecedores solares. “Na falta deste, faz-se necessário ter algum outro tipo de sistema de aquecimento, para que haja a garantia de água quente em todos os meses do ano. Todo aquecedor solar deve ser instalado atrelado a outro sistema de aquecimento. O segredo é fazê-lo usando os diversos tipos existentes com inteligência, e usando a tecnologia disponível. O sol deve ser o principal agente de aquecimento e o sistema de apoio somente complemente o aquecimento, quando necessário, e da forma correta.” O dimensionamento de aquecimento solar é feito levando em conta o número de pessoas na residência. Por exemplo, numa casa com quatro pessoas, o custo de um equipamento instalado fica entre R$ 5.000,00 e R$ 6.000,00 reais. O diretor da empresa lembra as vantagens em relação a outros tipos de energia limpa: é “o custo de implantação e a simplicidade do sistema”.

Diego Araujo Fernando Custódio João Miranda Filho

O Sol Desde as culturas antigas, o Sol é considerado fonte de vida. Já foi chamado de deus e já se considerou que girava em torno da Terra. Hoje, é a fonte de energia mais abundante disponível. A tecnologia de absorção de energia solar existe desde a metade do séc. XX. Com as mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global, a busca por aperfeiçoamento é constante.


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POPULAÇÃO

Novembro de 2010

O meio ambiente e a explosão demográfica É necessário ter consciência coletiva para limitar este crescimento

A

o aumento elevado e repentino da população de seres humanos dáse o nome de explosão demográfica. Este fenômeno nunca foi tão discutido como nos dias atuais, está associado aos avanços tecnológicos, tendo o maior deles ocorrido no século XX, com o desenvolvimento da industrialização. Segundo o autor Walter H. Corson, no Manual Global de ecologia: o que você pode fazer a respeito da crise do meio ambiente, é evidente que o homem, até o período de 8.000 a.C. não havia se multiplicado de forma tão explosiva como atualmente. Após a revolução industrial, esse processo reprodutivo da espécie humana ganhou proporções alarmantes. Conforme dados da Population Reference Bureau and United Nations (PRBUN), atualmente somos 6.5 bilhões de pessoas, com projeção para 8 bilhões em 2024. Em 1800, a grande maioria da população do mundo residia na Ásia e Europa. Em 1900, parte da Europa teve sua população aumentada significativamente, impulsionada pela Revolução Industrial. Esse crescimento se Este crescimento desenfreespalhou para as Américas, ado da população mundial aumentando causa grandes sua participadanos na natução no total reza. Faz com Atualmente mundial. O poque o homem, somos 6,5 voamento teve em sua sobremaior acelevivência, nebilhões. Em ração depois cessite extrair 2024, seremos da Segunda reservas natuGuerra Munrais cada vez 8 bilhões dial, quando a mais escassas, população dos portanto suspaíses menos desenvolvidos cetíveis à extinção. começou a aumentar dramaThomas Malthus (1766ticamente. 1834), demógrafo e econo-

mista, menciona em suas publicações o problema do crescimento populacional e da produção de alimentos. Malthus assegurava que a expansão populacional traria a miséria e a infelicidade, pois não sobrariam recursos naturais suficientes para a demanda mundial. Entre os problemas desencadeados por tal crescimento destacam-se: o desmatamento, a desertificação do solo pela agricultura, a extinção de espécimes da fauna e o crescimento das

cidades, que trazem consigo a problemática do lixo. O economista Guido Rietjens, formado pela Universidade de Cruz Alta (Unicruz), defende o planejamento governamental e a conscientização das pessoas: “Possuir primeiramente um planejamento urbano para cuidar dos usos dos recursos da natureza e da produção de cada região”. A socióloga e professora do Centro Universitário Franciscano (Unifra), Carolina Colvero, acredita que somente o contro-

le da natalidade não resolveria a questão: “Antes de atacar as taxas de natalidade com políticas desrespeitosas ao direito à procriação, deve-se pensar por que as presenças maciças degradam tanto o meio”. Somente através da instituição de modelos de convivência harmônica, e gerenciamento dos recursos naturais ainda disponíveis, é que o homem poderá perpetuar sua espécie.

Julia Schäffer Felipe Martins


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DESTINO Dos RESÍDUOS

Novembro de 2010

Como aliar economia e preservação do ambiente Projetos em instituições da cidade dão destino adequado às lâmpadas fluorescentes

A

s lâmpadas fluorescentes estão associadas à ideia de economia de energia elétrica. Isso porque, comparadas às lâmpadas incandescentes, elas são consideradas mais eficazes em termos de luminosidade. Além disso, as lâmpadas fluorescentes emitem menos calor e são mais duráveis. Mas, o que num primeiro momento parece vantajoso, pode transformar-se num sério problema no futuro. Muitas pessoas não sabem como fazer o descarte correto desse tipo de lâmpada. Como o funcionamento é diferente das lâmpadas incandescentes, as fluorescentes têm gases em seu interior que garantem o seu funcionamento correto. Porém, estes gases são tóxicos e causadores de contaminação aos seres vivos que venham a ficar expostos a esse tipo de material. Entre os elementos tóxicos está o mercúrio, substância altamente nociva. Em relação à saúde humana, o contato com o mercúrio pode causar danos irreversíveis afetando os sistemas nervoso e cardiovascular, além do risco de morte. O mercúrio pode depositar-se no solo e na água, e sua degradação no meio ambiente é lenta, provocando riscos de contaminação pela cadeia alimentar. Para evitar problemas desse tipo, existe a reciclagem das lâmpadas fluorescentes. Em Santa Maria, temos exemplos como da Escola Padre Caetano, da Universi-

dade Federal de Santa Maria (UFSM) e do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA). As instituições desenvolvem projetos visando dar um destino adequado a esse material.

Visão na comunidade e atitude na escola

O Instituto Estadual Padre

descartados nesses locais e nos aterros sanitários do município, que causam contaminação a médio e longo prazo nos lençóis freáticos e cursos de água, chegando à cadeia alimentar, tornou-se urgente a conscientização na escola. Como polo gerador de conhecimentos, foi necessário

ção às lâmpadas fluorescentes. Com o trabalho que está sendo realizado aqui, alunos, professores e funcionários têm a oportunidade de sanar as dúvidas sobre o cuidado que é necessário ter em relação a esse assunto, e poder transmitir isto em suas comunidades”, comenta o professor BRUNO GARRIDO

“Isso é muito importante para nós alunos, porque além de fazer o melhor para a nossa comunidade, essa é uma pequena parte para ajudar o nosso planeta e o meio ambiente, conscientizando nossos familiares, vizinhos e amigos para que nossa vila fique livre de contaminações”, diz Karine da Rosa de Oliveira, estudante do 1° ano do Ensino Médio e auxiliar do projeto na escola.

Consciência nas universidades

COMPROMETIMENTO — Um grupo de alunos é responsável pelo recolhimento das lâmpadas que chegam à escola

Caetano, cuja maioria dos alunos mora em vilas que circundam o arroio Cadena e a sanga da Aldeia, ambos afluentes do rio Arenal, adotou um método de coleta de lâmpadas fluorescentes na comunidade escolar. Ao constatar um grande número de resíduos perigosos

uma atitude de alertar sobre os riscos de contaminação do meio ambiente e proporcionar um lugar seguro e adequado para receber esse material para posterior reciclagem. “A comunidade que envolve a nossa Escola precisava de uma conscientização em rela-

mais aconchegantes, ideais para quartos, salas de estar e de jantar.

► Envolva os pedaços em papelão, jornal ou plástico e não misture com lixo doméstico para não colocar outras pessoas em risco .

Luiz Mário Azevedo, responsável pelo projeto na escola. A instituição construiu um coletor de lâmpadas fluorescentes, onde a comunidade pode depositar o material para que depois ele seja recolhido por órgãos competentes e possa ser reaproveitado.

Nas instituições de Ensino Superior também é feita reciclagem das lâmpadas fluorescentes. Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), são recolhidas em torno de cem lâmpadas só no departamento de Química, como explica o professor Edegar Ozório da Silva. O trabalho de transporte é realizado pela empresa RTM que leva o material até Chapecó (SC), onde é reciclado pela empresa Central de Tratamento de Resíduos Industriais (CETRIC). No Centro Universitário Franciscano não é diferente. Todas as lâmpadas queimadas são encaminhadas para a reciclagem, não são descartadas no lixo comum. Semanalmente uma empresa de recolhimento de lixo faz a coleta na Unifra, explica o diretor do Patrimônio Administrativo, Carlos Rui Robalo da Silva.

Bruno Garrido Carlos Wenceslau Sofia Viero

Garantir segurança sem abrir mão de vantagens requer algumas precauções: carlos wenceslau

► Ao comprar a lâmpada, verifique se ela possui o selo PROCEL, que garante que são testadas e aprovadas pelo INMETRO e têm durabilidade superior. ► Lâmpadas brancas são adequadas para escritórios, cozinha, lavanderia etc. ► Lâmpadas amarelas são

► Nunca quebre a lâmpada. ► Não segure a lâmpada pelo vidro. ► Em caso de quebra acidental, recolha os cacos usando uma luva.

► Lembre-se: o gás que sai e o material interno contém mercúrio, produto tóxico que não é eliminado pelo organismo humano.


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PLANTIO DE ÁRVORES

Novembro

Sementes crescidas de um mu Um ano depois, como estão as mudas de árvores plantadas pelo Projeto Mundo Verde?

EMEI Luizinho De Grandi COHAB Santa Marta Ano passado, os alunos cuidavam das árvores. Nesse ano, a manutenção é feita pelo zelador. Tiveram problemas com animais que pastavam no pátio e quebraram algumas mudas. EMEI Sinos de Belém Vila Por do Sol Os alunos regam as árvores. Há outros projetos, como plantio de uma horta, de um canteiro de flores e minhocário. EMEI Araci T. Caurio Vila Lídia As árvores são mantidas pelo zelador. Ações em sala de aula. Plantio de uma horta. EMEI Zulânia COHAB Tancredo Neves Não conseguiram conscientizar as crianças, que não cuidam das árvores e arrancam as folhas, muitas vezes de forma inocente, para

Verde é diferente em cada escola. Enquanto algumas se limitaram apenas a regar as mudas, outras aproveitaram para expandir ideias ambientais. O JornalEco percorreu todas as escolas onde as mudas foram plantadas para conferir o que aconteceu depois.

tante a gente dar continuidade (ao projeto), então eles estão trabalhando sobre o meio ambiente”, contou a diretora. Além de envolver as crianças no cultivo das plantas, há a idéia da criação de uma horta, em que cada turma cuidará do seu canteiro. Também está em desenvolvimento um minhoOs frutos de uma nova cário. “Nós não temos muito consciência espaço, então estamos fazenUm dos exemplos de projeto do uma parceria com a EMAbem sucedido está na EMEI Si- TER, que nos dá assistência”, ressalta Sandra. E entre BRUNO MELLO as árvores do Os pais Mundo Verressaltaram que de, as crianças plantaera importante rão flores a gente dar em pneus. A gincana ecocontinuidade lógica é outra ao projeto. atividade realizada pelas Sandra Kemerich turmas e tem Diretora da EMEI o objetivo Sinos de Belém de arrecadar garrafas PET para reciclanos de Belém. Segundo a dire- gem e confecção de canteiros tora Sandra Kemerich, a escola suspensos. Esta ação envolve ampliou a iniciativa. Primeiro, não somente os alunos, mas, as professoras fizeram um es- também os pais, professores e tudo sobre meio ambiente e, funcionários. então, uma pesquisa com os Na EMEI Santa Rita de Cáspais. “Nas entrevistas os pais sia, o projeto Mundo Verde ressaltaram que era impor- evoluiu para “Construindo o

As ações de cada escola

presentear as professoras.

Fazem ações de reciclagem de lixo.

EMEI Montanha Russa Bairro Itararé Em todas as tentativas do Jornaleco, a pessoa responsável não se encontrava na escola. Na observação que os repórteres fizeram no pátio da escola, as mudas não estão desenvolvidas.

EMEI Eufrazia Lorenzi Vila Urlândia Os alunos cuidam das árvores, cada semana uma turma é responsável. Trabalham também com reciclagem de lixo.

EMEI Santa Rita de Cássia Bairro Itararé Ano passado as crianças estavam bem envolvidas com o projeto e eram divididas em equipes para regar as mudas. Nesse ano, a manutenção é feita pelos funcionários. Há outras ações, como o projeto Construindo o Mundo. EMEI Ângela Tomazetti Bairro Tomazetti As professoras estimulam que os alunos cuidem das árvores. Também plantaram um canteiro de flores.

CRESCIMENTO — As mudinhas, ao serem plantadas pelas crianças em 2009 e depois de um ano, bem desenvolvidas

NÍCHOLAS FONSECA - 2009

Mundo”. Através da criação de equipes, as crianças recolhem lixo reciclável em suas casas. Esse material é revendido e visa arrecadar recursos para a própria escola. A EMEI Araci

Cáurio, na vila Lídia, promove passeios pela região, conscientizando as crianças sobre a questão do lixo. A diretora, Valquíria Salvador, conta que está

HÁLISSON BARCELOS

I

magine uma criança com as mãozinhas sujas de terra. Agora, imagine o sorriso dessa criança, olhando para a árvore que acabou de plantar. Essa cena se repetiu várias vezes no ano passado, quando o projeto Mundo Verde, realizado durante a Multifeira de Santa Maria - FEISMA, promoveu o plantio de mudas de árvores nas Escolas Municipais de Ensino Infantil (EMEI). Foram beneficiadas quatorze instituições, que receberam quase 300 plantas. O projeto viabilizou o plantio de 35 mil mudas de árvores nativas, cultivadas no Viveiro Florestal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Além das mudas distribuídas nas escolas, durante a FEISMA também foram distribuídas mudas para o público da feira. Funcionários e estudantes de Engenharia Florestal da Universidade foram os responsáveis técnicos pelo plantio e o Exército pelo transporte das plantas. Após um ano, o panorama de evolução do Mundo

EMEI CAIC Vila Lorenzi Cada turma adotou uma árvore. EMEI Ady Beck Bairro Camobi As crianças foram conscientizadas sobre os cuidados com as árvores (foto), mas a manutenção era feita pela diretora e pelo jardineiro. Nas férias, algumas mudas foram roubadas. EMEI João Franciscatto Bairro Camobi Foram plantadas apenas três mudas, pelo terreno ser inadequado. EMEI Nossa Srª da Conceição

Vila Conceição Mantém um ambiente arborizado, as crianças estão envolvidas nos cuidados das mudas. Também trabalham em sala de aula a questão da preservação. EMEI Luiza Ungaretti Trabalham o assunto de

preservação ambiental em sala de aula. As crianças regam e cuidam das mudas de árvores. EMEI Alfredo Tonetto Bairro Camobi Segundo a professora responsável, as mudas foram plantadas em local inapropriado, nenhuma árvore “vingou”.


o de

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PLANTIO DE ÁRVORES

2010

undo mais verde

Uma ideia, 35 mil mudas NATHALE KRAETZIG

BRUNO MELLO

Todo projeto parte de uma ideia, seja ela coletiva ou individual. O Mundo Verde floresceu na mente da jornalista, Sione Gomes. A estruturação do projeto começou em março do ano passado, mas a idéia de se trabalhar questões ambientais na FEISMA já era anterior. Como vontade apenas não basta, Sione partiu para a ação. Ela buscou parcerias e assim foi possível desenvolver o projeto. Durante todas as etapas, a coordenação dos processos ficou por sua conta. ► Qual o sentimento de saber que algumas escolas seguiram com o projeto e implantaram novos a partir dele?

começando o plantio de uma horta na escola, que produzirá alimentos para serem consumidos na merenda. “É uma horta para as crianças, elas têm ido lá, observado e ajudado”, afirma a professora Valquíria. A dificuldade de manutenção foi um dos empecilhos para que muitas escolas aprimorassem a ação. Fatores como clima, terreno inapropriado e até

mesmo animais prejudicaram o cultivo das mudas. Houve até um caso, na escola Ary Beck, na vila Maringá, em que algumas mudas mais desenvolvidas foram roubadas durante o período de férias. Uma constatação importante é a de que, mesmo que algumas escolas não tenham ampliado o projeto, todas elas estão promovendo algum tipo de educa-

ção ambiental. Umas em sala de aula, com a conscientização, outras com ações práticas de preservação. As crianças das quatorze EMEI beneficiadas pelo Mundo Verde crescerão cientes de que cada indivíduo é importante na preservação do meio ambiente.

Nathale Kraetzig

Conheça o Viveiro Florestal O Viveiro Florestal da Universidade Federal de Santa Maria foi criado na década de 80 para servir de laboratório para o curso de Engenharia Florestal. Com capacidade de armazenamento de 40 mil mudas de plantas, o local disponibiliza parte delas para venda com um preço acessível. No ano passado, o Viveiro doou cerca de 30 mil mudas para o Projeto Mundo Verde, que ocorreu durante a FEISMA 2009. Parte das plantas foi destinada a quatorze escolas municipais de Santa

É uma satisfação muito grande, porque sempre que se fala na questão de muda, se tem a analogia da semente. Então, nessa situação, a gente enxerga perfeitamente uma semente que germinou, que realmente está sólida nessa plantação e que está se desenvolvendo. Que ótimo que escolas levaram adiante e realmente acreditaram. Foi uma das preocupações no desenvolvimento do programa, a de não apenas distribuir a muda, e sim promover esse momento de ir à escola e plantar. Porque a gente tinha a percepção de que entregar a muda poderia ser pouco. ► Em algum momento houve vontade de fazer um acompanhamento nas escolas após o plantio? A vontade de ver o pós-projeto já existia. O primeiro passo no momento de desenvolver o trabalho foi reunir as diversas escolas. Foi uma opção que fizemos por escolas de educação infantil, e na primeira reunião já se falou nessa possibilidade (de acompanhar o pós-projeto). Mas, claro, já percebendo o quanto teríamos as limitações, uma vez que as parcerias foram estabelecidas para o desenvolvimento dessa parte inicial do projeto. Então não tínhamos em mãos as condições de ir adiante, voltar nessas escolas para fazer esse acompanhamento.

NÍCHOLAS FONSECA - 2009

► Há alguma expectativa de repetir o projeto? Vontade há. Mas não será o foco da FEISMA deste ano. Não tem uma perspectiva de voltar com o trabalho dessa natureza. O que tem, sim, é uma preocupação grande em termos ambientais, desde a questão da papelaria que se usa, todo o material é reciclável, da preocupação dentro da feira com coleta seletiva. Existe a preocupação, mas existem basicamente outras ações.

Maria, para o programa de conscientização ambiental.

Endereço: Campus da UFSM Contato: telefone 3222- 8276

O projeto Mundo Verde – FEISMA 2009 foi uma parceria entre a UFSM, Câmara de Comércio, Indústria e Serviço de Santa Maria (CACISM), 3ª Divisão do Exército, Fundação Eny e Gráfica e Editora Palloti. O trabalho foi acompanhado por acadêmicos de Jornalismo da UNIFRA, que realizaram a assessoria de imprensa da Feira.


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AGRICULTURA

Novembro de 2010

Agricultura familiar: uma prática sustentável Atividade gera menores impactos ambientais

N

os últimos tempos, ou- brasileiros, entretanto, é neve-se falar em proble- cessário que os agricultores mas climáticos, mudan- conheçam as políticas públiças ambientais e outros tantos cas voltadas para o ramo e assuntos que geram preocu- se apropriem delas para depação. Mas você sabe de uma senvolverem suas atividades. saída eficaz para amenizar alguns efeitos? Eis a Agricultura Práticas da Familiar, que traz geração de agricultura familiar emprego, renda e qualidade de A dona de casa Tereza Weiss vida para todos. Moreira, 79 anos, aprendeu A Agricultura Familiar é a a cultivar a terra com o pai. principal responsável pela Passou a infância no interior produção dos do Rincão dos alimentos que Reis, distrisão disponito de Jaguari. Agricultura bilizados para Trabalhava de familiar: fonte o consumo da dia para comer população; à noite. Nunde renda e é o que realca frequentou autossustentamente chega a escola, pois à nossa mesa. era difícil sair bilidade É constituída dos arredores de pequenos de casa; tudo e médios produtores rurais, ficava muito longe. Na adolescomunidades tradicionais e cência, fugiu para trabalhar e assentamentos da reforma morar em casa de família: “Foi agrária. Entre suas principais lá que aprendi a ser gente”. A produções, estão: milho, raiz rotação de culturas não aprende mandioca, pecuária leiteira, deu nos livros de geografia, gado de corte, ovinos, capri- mas com a vida. nos, feijão, c ana, arroz, suA agricultura está desde ínos, aves, café, trigo, mamona, muito cedo na vida de Terefrutas e hortaliças. za. Hoje, a prática não é mais A agricultura familiar de- para a sobrevivência, é uma sempenha papel fundamen- terapia. “É coisa mais boa tal na economia e melhoria plantar, virar a terra, pra mim nas condições de vida dos é a melhor coisa. Adoro ver a

FRANCIELi JORDÃO

LAZER — Na horta, Tereza aproveita para relaxar e ocupar-se com as plantas

planta bonita”, finaliza. Já a rotina do casal de produtores rurais Gelso Rodrigues, 24 anos, e Elisandra Foggiato Rodrigues, 20 anos, é diferente. Acordar às 5 horas da manhã para ordenhar doze vacas, faz parte do trabalho deles. Moradores da localidade de Santo Inácio, interior do município de São Martinho da LETÍCIA DE ALMEIDA

Serra, encontraram através do gado leiteiro uma alternativa para permanecerem no campo. Todas as manhãs e finais de tarde, o casal tira leite das suas vacas. O trabalho é manual e rende 20 litros por dia. O casal comercializa o leite que vai para dentro das “caixinhas”, por isso o cuidado com a higiene é redobrado. O alimento, antes de ser transportado, passa por alguns testes para comprovar a sua qualidade. O leite é armazenado em um resfriador por, no máximo, oito dias, enquanto eles esperam o caminhão tanque vir buscá-lo. O litro é vendido a R$ 0,45 cen-

tavos e gera uma renda média mensal de R$ 300,00. O casal reconhece que esse valor comparado ao preço que os produtores vendem no mercado é bastante inferior, porém pelo difícil acesso é mais viável comercializar para as indústrias. Gelso e Elisandra são bastante otimistas e acreditam que não será necessário ir embora para a cidade se o negócio render lucros. Além de vender leite, eles plantam alimentos para o consumo da família.

Francieli Jordão Letícia de Almeida Sabrina Kluwe

Política pública para a agricultura familiar O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) é um programa do Governo Federal criado em 1995, com o intuito de atender de forma diferenciada os mini e pequenos produtores rurais que desenvolvem suas atividades mediante emprego direto de sua força de trabalho e de sua família. O objetivo do PRONAF é o fortalecimento das atividades desenvolvidas pelo produtor familiar, de forma que possa integrá-lo à cadeia de agronegócios, agregando valor ao produto e à propriedade, proporcionando assim o aumento da renda mediante a modernização do sistema produtivo. Agricultura familiar é a profissionalização dos produtores familiares.

PRODUTIVIDADE — A produção de leite rende 20 litros por dia para o sustento do casal


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CLIMA

Novembro de 2010

Agricultores lutam contra o tempo Mudanças climáticas afetam a agricultura

S

Divulgação: Ag Solve

egundo dados de 2009 Apesar das dificuldades que levantados pela Conven- enfrentam, os agricultores já ção Quadro das Nações trabalham para se adaptar às Unidas sobre as Mudanças mudanças climáticas ou, pelo Climáticas, a agricultura é res- menos, amenizar seus efeitos. ponsável por 13,5% dos gases Para proteger o meio amantropogênicos biente, tanto – gerados e emias pessoas, tidos por ações quanto o goAs soluções do homem – os verno, devem devem estar no gases de efeito saber o real estufa. valor da agriplanejamento e Esse é tamcultura como também na bém o setor que solucionadora sofrerá maior de problemas sustentabilidade impacto com climáticos. o aumento das variações climáticas. Mesmo O clima muda assim, o setor agrícola possui ciclicamente força suficiente para solucioO doutor em Engenharia nar problemas e se adaptar a Agrícola, Arno Dallmeyer, diz essas variações e mudanças. que a questão de lidar com Essas mudanças desestabi- o clima é muito difícil, quase lizam a produção das diversas impossível. “O clima na Terra culturas, o que altera suas ne- é cíclico. As soluções têm que cessidades de manejo (quanti- ser no planejamento e sustendade de água e fertilizantes). tabilidade na produção. Não há como “acostumar” certa Renda agrícola pode planta ao clima. Quando ela se sofrer prejuízo adapta, o clima já mudou. As Dados do Ministério da Agri- plantas levam tempo demais cultura, Pecuária e Abasteci- para se adaptarem ao ambienmento (MAPA) apontam que te hostil”. a renda agrícola deve sofrer Segundo Dallmeyer, os Estauma redução de 3,8% este ano. dos Unidos sofreram muito esse

RODRIGO RICORDI

PREVISÃO — Sensor de umidade e temperatura utilizado na otimização de usos de recurso na produção agrícola

ano com a chuva. As plantações de soja tiveram baixas significativas devido ao excesso de chuva durante a colheita de 2010. LEGENDA: Legenda legenda legenda CLIMA — Arno Dallmeyer fala sobre o clima ciclico no planeta

Solução é investir em tecnologia

Uma solução para lidar com esta nova realidade e se adaptar às mudanças climáticas, é o in-

vestimento em tecnologias para monitoramento do microclima agrícola e umidade do solo. Com estes equipamentos é possível determinar quanto e quando irrigar, aplicar agroquímicos e fertilizantes; determinar o florescimento e a frutificação, conhecer os efeitos do clima nas fases vegetativa e produtiva;

saber o acúmulo de horas de frio ou graus-dia, a incidência de pragas e predadores, além da interação entre produção, produtividade e efeitos do clima naquela cultura e área.

Rodrigo Ricordi Tarso Negrini Natália Müller


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MATAS

Novembro de 2010

É possível recuperar a mata perdida? Matas ciliares são essenciais para garantir a proteção da água Arquivo escritório da cidade

M

ata ciliar, como diz o caso da Sanga da Aldeia, Sanga nome, é uma espécie do Hospital e o próprio Arroio de “cílio”, que garante Cadena, que estão localizados a proteção das águas. Conside- na parte mais urbanizada do rada pelo Código Florestal Fe- município. Estes cursos d’água deral como “área de preserva- com suas nascentes e afluenção permanente” (APP), com tes passaram por um processo diversas funções ambientais, de quase completa supressão deve respeitar uma extensão de suas matas ciliares. específica de Atualmente acordo com estes locais que As matas a largura deveriam estar do rio, lago, arborizados, dão ciliares estão represa ou lugar a loteaprotegidas nascente. É mentos irreguprotegida no lares, ocupações pelo Código Código Flodesordenadas e, Florestal restal pela até mesmo, loLei 4.771 de teamentos que 15/09/65. foram aprovados As consequências do des- anteriormente, quando a lematamento de APPs são des- gislação ambiental não estava truidoras. A ausência da mata ainda instituída de fato. ciliar faz com que a chuva não Apesar disso, alguns treconsiga penetrar no lençol fre- chos de cursos d’água ainda ático. Com a perda de cobertu- preservam uma tímida área ra vegetal, o solo não cumpre com vegetação, que é insusua função de absorvedor de ficiente para cumprir a sua águas. Essas matas constituem função ambiental. diversos habitats que colaboSegundo o secretário muniram para a manutenção da bio- cipal de Proteção Ambiental diversidade animal e vegetal, de Santa Maria, Luiz Alberto e ajudam a manter o nível de Carvalho Jr., existe um trabaumidade e de temperatura do lho de conscientização com a ar que proporciona o chamado população que mora nos arBRUNO MELLO redores dessas conforto térmico. áreas, o projeto Problemas e “Formiguinha”. soluções locais “Contamos tamAs matas ciliabém com um res na zona urbaconvênio com na de Santa Maria a UFSM, em um encontram-se sob projeto de planforte pressão pelo tio de cerca de processo de urba3 mil mudas de nização acelerado. árvores nativas, Grande parte da Secretário Luiz Carvalho Jr. no município de rede hidrográfica da cidade já Arroio Grande”. foi alvo de canalizações fechaPara a geógrafa do Escritório das e retificações, como é o da Cidade, Rosana Franco Tre-

DEGRADAÇÃO — Em Santa Maria a situação das matas ciliares é precária - Vila Arco Iris Km2

visan, é importante haver o de- vência urbana. senvolvimento de um processo Ela também explica que um de sensibilização da comuni- dos casos mais críticos é o do dade como um todo, envolven- Arroio Cadena. Suas margens do além da população geral e foram desmatadas e seu curestudantil, os poderes execu- so foi alvo de obras de canativo e legislativo, os quais to- lização e retificação. Algumas mam as decisões no que se re- dessas intervenções de engefere ao planejamento urbano e nharia não foram projetadas FLÁVIA MÜLLER em conformidasocioambiental da cidade. Deveriam de com a dinâser elaborados e mica natural do estabelecidos como curso d’água. Um projetos prioritáexemplo disso é rios, a recuperação, nas imediações revitalização e mada Vila Oliveinutenção das marra. O local onde gens dos cursos antes estava lod’água que ainda calizado o leito podem ser reconsdo arroio sofre tituídos, para que Geógrafa Rosana Trevisan frequentemente possam, além de cumprir sua com problemas de alagamento. função ambiental, estar ainda Apesar do Projeto de Revitaliintegrados à paisagem e à vi- zação estar sendo implantado,

existem acelerados processos de erosão das margens, pois a tendência natural do curso d’água é voltar para sua forma original a fim de restabelecer o seu perfil de equilíbrio, ou seja, sua forma ideal em que não haja erosão nem assoreamento. Em consequência disso, a rua Coronel Porto está desaparecendo, sendo tragada pelo arroio. “A situação dos assentamentos irregulares que ainda existem no local amplia os problemas, pois a falta de conscientização da população a coloca em situações de risco de inundação, alagamento e de solapamento das margens, ameaçando suas casas e suas vidas”, afirma.

Bruna Severo Flávia Müller

A falta das matas ciliares acarreta problemas como:

ESCASSEZ DA ÁGUA

EROSÃO E ASSOREAMENTO

PRAGAS NA LAVOURA

► Não permitindo a infiltração e armazenamento no lençol freático. Assim, reduzem-se as nascentes, os córregos, os rios e os riachos.

► Sem a mata ciliar a erosão das margens leva terra para dentro do rio, dificultando a entrada da luz solar.

► A ausência ou a redução da mata ciliar pode provocar o aparecimento de pragas e doenças na lavoura e outros prejuízos às propriedades rurais.

FIM DOS CORREDORES NATURAIS

DESCONTROLE DE NUTRIENTES

► Essas áreas naturais possibilitam que as espécies da flora e da fauna possam se deslocar, reproduzir e garantir a biodiversidade.

► As matas ciliares funcionam como filtro entre os terrenos mais altos e o ecossistema aquático, participando do controle do ciclo de nutrientes na bacia hidrográfica.


Novembro de 2010

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URBANISMO

Planejar para construir Planejamento urbano propicia qualidade de vida aos cidadãos fOTOS: MARINNA SELLMER

O

planejamento urbano promessa de uma vida melhor. surgiu como uma alter- Só que crescimentos deste pornativa para solucionar te têm também seu lado ruim. os problemas causados pelo A cidade cresce desordenada e urbanismo moderno. Dessa a criminalidade torna-se uma forma, marca uma mudança de grande preocupação para as encarar as cidades. comunidades. A existência das cidades vem Um fator importante a considesde os primórdios, já com derar é a entrada em cena de Roma e Atenas, profissionais que são os dois de diversas símbolos da anáreas do coO planejamento tiguidade que nhecimento, ambiental prevê influenciaram cada um com as civilizações um olhar parmudanças no de sua época. ticular sobre ecossistema Na Idade Média os problemas (séculos IV ao das cidades. urbano XIII), a sociedaEssa visão veio de se organizaa confrontar a va basicamente na zona rural, ideia de que o urbanista devee foi com o fenômeno da in- ria “projetar a cidade”, tendo dustrialização que as cidades sob controle o desenvolvimencomeçaram o seu processo de to da área planejada, com meinchamento e crescimento, vi- canismos que ajudam a simular síveis até hoje. o processo de desenvolvimenUm dos maiores crescimen- to. Se pararmos para pensar tos urbanos brasileiros é a no quanto de nossas fontes cidade de São Paulo, que por “finitas” são desperdiçadas, no volta de 1900 iniciou o seu quanto se gasta no consumo processo de industrialização diário de água, no custo para com a ajuda dos imigrantes tratar os esgotos, nas alternaque se mudaram para lá com a tivas para melho problema do

Plano Diretor Urbano

► Plano Diretor Urbano é um planejamento de como a cidade deve crescer. Ele orienta e disciplina o crescimento da cidade. ► Os idealizadores colocam em um projeto as suas ideias partindo de um modelo imaginário para a cidade futura. ► O plano é um conjunto de normas legais capazes de orientar as iniciativas privadas e direcionar os públicos para os investimentos a fim de que alcance o ideal projetado. ► O processo para elaboração do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental - PDDUA, do município de Santa Maria teve início em 2001. O trabalho foi conduzido pela prefeitura através da Secretaria de Município de Planejamento, com a participação e suporte do Conselho Geral do Processo de Construção do PDDUA (fórum que busca sintetizar todos os aspectos referentes ao planejamento da cidade). ► A região de Santa Maria está localizada numa das áreas de patrimônio paleontológico mais reconhecidas do Brasil. ► A presença desses elementos na área municipal e as vantagens estruturais que a cidade oferece como presença de universidades, grande rede de ensino e ainda existência de boa rede hoteleira, fazem com que Santa Maria possa assumir a responsabilidade de promover o esforço da preservação e pesquisa desses bens.

PROJETO — A revitalização da avenida Rio Branco é uma obra de planejamento urbano

transporte urbano, podemos também pensar como deve agir uma política de planejamento bem estruturada, pois a ideia de que uma cidade não se regula por si mesma, já implica numa ação preventiva e efetiva do poder público. Ação essa que deve assegurar bem-estar à população, mas com respeito ao meio ambiente.

Projetos da cidade A diretora do Escritório da Cidade, Sheila Comiran, afirma que os principais objetivos do planejamento urbano são: ordenar o desenvolvimento da cidade, o uso e ocupação do solo, a distribuição das atividades, a circulação de pessoas, os espaços livres, a valorização cultural, buscando melhorias na qualidade de vida dos habitantes e preservação do meio ambiente. Ela também destaca as principais ações possíveis no município, entre elas a participação da sociedade na gestão municipal da política urbana, através do Fórum Técnico e Conselho Superior, com um processo democrático e participativo entre a população e os diversos setores representativos da cidade, para discussão e planejamento do desenvolvimento urbano ambiental. Sheila ainda refere o processo permanente e sistemático de detalhamento, atu-

alização e revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental, junto a legislações correlatas. Através do setor de Geoprocessamento está sendo implantado um processo permanente de produção, coleta e análise das informações físicas e sócio-econômicas do município de Santa Maria e a emissão permanente de diretrizes para implantação de novos empreendimentos, de modo a ordenar o crescimento da cidade com a distribuição adequada das atividades urbanas. A revitalização e o meio ambiente Como exemplo prático da implantação desse processo permanente de produção, podem ser destacados os seguintes pro-

gramas: Revitalização do Centro Histórico e adjacências de Santa Maria, Programa Parques de Santa Maria e Programa de Mobilidade Urbana. Cada programa inclui diversos projetos que estão em andamento, tais como: Revitalização da Avenida Rio Branco e da Vila Belga. Assim, a importância do planejamento ambiental ocorre de forma harmônica, prevendo mudanças e proteção ao ecossistema, tendo um papel integrador entre o meio ambiente natural e a paisagem construída, aproveitando-se o melhor do espaço físico e dos recursos ambientais, buscando o desenvolvimento sustentável do município.

Aline Merladete Marina Sellmer Sabrina Dutra

REVITALIZAÇÃO — A Vila Belga é mais um exemplo de planejamento urbano


Jornal Laboratório Especializado em Meio Ambiente - Jornalismo/Unifra

Criatividade verde Lixo eletrônico vira arte

J

á imaginou sua sala decorada com memórias de computador, disquetes, cd´s, entre outras peças eletrônicas? Essa é uma das soluções criativas que artistas encontraram para minimizar o problema do lixo eletrônico, que emerge com a evolução tecnológica. Os resíduos tecnológicos contêm diversos materiais nocivos à natureza. Para Luciano Cardona, gerente de Tecnologia da Informação, isso é uma questão preocupante, pois o lixo eletrônico acaba sendo eliminado de forma incorreta. “Os resíduos tóxicos como mercúrio, arsênio, cobre, cádmio, dentre outros quando jogados no lixo comum, penetram no solo podendo entrar em contato com os lençóis freáticos e, consequentemente, contaminam plantas e animais.“ Cardona vê perspectivas para o futuro. Estima que existirão empresas semelhantes

eduardo ramos

às sucatas de automóveis, em que será possível obter peças e componentes de forma organizada. “Essa alternativa permitiria um reaproveitamento bastante significativo de itens tecnológicos”, conclui o gerente de TI.

Artistas inovam na transformação de resíduos eletrônicos em outros produtos Solução local Em Santa Maria, a artista plástica Lia Sartori dá exemplos criativos para o reaproveitamento do lixo eletrônico. Ela une resíduos e criatividade em prol do meio-ambiente. “Acredito que o meu trabalho é uma forma alternativa de

minimizar os problemas do descarte do lixo eletrônico. A solução virá com a conscientização das pessoas de que devem reduzir o consumo, inclusive dos bens eletrônicos, usar os aparelhos e equipamentos durante um período de tempo mais longo”. Lia explica que para criar sua arte faz uso de materiais inutilizados, como Cd´s, disquetes, placas-mãe e outros componentes do interior do computador. Ainda reforça a importância de seu trabalho: “A arte ambiental é um bem. Um bem material enquanto transformada em quadros e um bem imaterial enquanto arte, cultura e invento, postos à sociedade atual de muito consumo e regada por cópias e de pouca criação.”

Carla Tavares Maurício Lavarda Paola Marcon

TRANSFORMAÇÃO — Artista usa o lixo para fazer obras de arte

Arte em disquete Nick Gentry

vive em Londres, na Inglaterra, mas já exibiu suas obras na Europa, Estados Unidos e Reino Unido. Em suas criações utiliza o lixo digital como forma de protestar contra os efeitos do avanço tecnológico na sociedade. O artista retrata também como a memória digital muitas vezes se perde com a velocidade da sua evolução. Nick deixa o nome do arquivo escrito nos disquetes, para instigar o espectador a descobrir que tipo de informação aquele disquete contém, reafirmando assim o conceito do “Alzheimer digital”.

Para conhecer mais sobre o trabalho do artista twitter.com/g_e_n_t_r_y

@ www.nickgentry.co.uk/ www.flickr.com/photos/nickgentry

Artistas que utilizam lixo eletrônico pelo mundo: BRASIL - Naná Hayne – pedaços de gabinete, teclas, fios, placas, memórias de PC. JAPÃO - Kosuke Tsumura – utiliza cabos entrelaçados, aparelhos de MP3 e teclados.

JornalEco - 11ª edição / novembro de 2010  

Jornal Laboratório Especializado em Meio Ambiente - Jornalismo/Unifra

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