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ACONTECEU

ooo

VOL. I

CRテ年ICAS

DE VALDEZ JUVAL

LEMOS ed. 20120822


VALDEZ JUVAL é o autor da novela policial MARIAS, publicada recentemente. O seu trabalho foi muito bem recebido pela crítica que, com certeza, lhe deu o estímulo para outras publicações. E aqui estão alguma crônicas tipo “contos ligeiros” que enaltecem mais ainda o seu quilate literário. É um escritor versátil, simples e ao mesmo tempo surpreendente, com discreto humor e realismo. MCabral. O TEMPO - RIO


TROCA DE MULHERES CRテ年ICA BURLESCA

Valdez Juval


Brasília... Ah! Brasília. Bem que ela não tem culpa na História! O maior problema é o conglomerado de gente que nela se estabelece para prestar serviços na Capital Federal. E é gente de toda parte. E os Ministérios? Quem sabe quantos são? Um doce para quem acertar. Não concorrem os setores que têm os mesmos status. Outra pergunta para quem pretende ganhar o prêmio: O que fazem os Srs. Ministros, seus assessores e companhia? Confesso total ignorância.


Os projetos vêm de cima para baixo. As aprovações são silenciosas e quando existe dúvida basta se olhar para o Presidente (da reunião Ministerial - o da República está viajando) que este acenará com a cabeça o devido procedimento. Mas não se vive somente de reuniões. Os nobres Ministros aproveitam as folgas(!?) e procuram comparecer às suas comunidades e assim não sendo, organizam seus programas na própria capital. Dizem que a principal atração era visitar os motéis.


Um dia próximo, passado, dois Ministros se encontraram no saguão de uma especial casa de tolerância. Um chegava e o outro saia. Cumprimentaram-se timidamente e se fizeram surpresos em especial por notarem que as suas mulheres formavam par trocado. A do Ministro que chegava era esposa do Ministro que ia embora. E vice versa. Situação embaraçosa. Gaguejaram e ficaram sem saber quem falaria primeiro. O Ministro que saia tomou a


palavra. - Nobre colega, bem vê a situação incômoda que cada um de nós nos encontramos. Você com minha mulher entrando no Motel e eu com sua digníssima esposa saindo do mesmo Motel. Tudo se torna fácil de resolver se trocarmos nossas companheiras, fiando cada qual com sua mulher. Fazemos de conta que nada aconteceu. - Muita justa seria a sua proposição meu nobre colega se não verificássemos que o senhor já usufruiu do Motel e está saindo com minha mulher enquanto que eu ainda estou


entrando no Motel com sua dignĂ­ssima esposa. Aconteceu em BrasĂ­lia...


Est贸ria r谩pida de Zeca e Fil贸 valdez juval


Malandro de alta estirpe, Zeca morava no morro, em uma casinha bem arrumada e que servia muito bem para a vida que levava com Filó, mulher de pouca instrução mas de um corpinho jeitoso e que poderia salvar o seu problema financeiro. Naquele dia chegara em casa e enquanto sua companheira preparava algum coisa para comer, teve uma ideia mirabolante. A situação não estava propícia para as “meninas” que Zeca controlava nos “rendez-vous” da cidade. O apurado de cada dia caia


muito e não era suficiente para manter a linha do todo poderoso chefão. Pediu que Filó se sentasse e ouvisse atentamente o seu plano. _ Vem mulher, senta aqui. _ Sou toda ouvido, meu amo e senhor _falou Filó, aproximando-se. _ Senta aí, mulher. Deixa de besteira e presta atenção. Zeca prosseguiu: _ Filó, você tem que me ajudar a pagar as despesas. Esse negócio de ficar em casa e não ganhar


nada, está ficando ruim para lhe sustentar. _ E o que você quer que eu faça? _indagou Filó. _ Vou lhe arrumar... fazer de você uma mulher de 1ª... cuidando de sua beleza. Uma roupa só é suficiente... Já observei um ponto na estrada da BR e vamos fazer vida. _ Quer dizer que você quer que eu vá pra rua, pra eu vendê a minha... _ Não. Vender, não. Alugar.


_ Seu sínico. Cabra safado... _ Deixa de tolice. Voce continuará a mesma... _ Muié comida por todos os home... _ É o jeito, mulher. Não acredito que você ainda pensa que sem instrução, já de certa idade, ainda teria condições de conseguir trabalho que rendesse melhor... Ficou tudo acertado. Zeca levou Filó para um salão de beleza do próprio morro e na butique da esquina mandou que ela provasse um vestido de


saia bem curta com decote longo, alem de um sapato de salto bem alto. Deixou tudo num fiado e assegurou que pagaria com 30 dias. Tudo pronto, os dois foram para a estrada. Ela ficaria no acostamento e ele se esconderia em uma moita, junto de um cerca. Movimento fraco. O neg贸cio era ter paci锚ncia e esperar. Os far贸is de um carro apontaram l谩 em cima e os dois se prepararam em seus lugares. Parou um jovem de aparentemente 20 anos,


nervoso e ansioso querendo um relacionamento. Viajava só. Filó se debruçou na janela do lado do carona para dentro do carro e falou: _ Boa noite, moço. _ Vamos fazer um programa? _ perguntou o rapaz. _ Que programa? _ respondeu a “debutante”. _ Quanto você cobra? _ Pera aí um instantinho.


E saiu correndo ao encontro de Zeca. Sussurrando chamou pelo nome. _Zeca... _O que é que há? _ O moço tá perguntando quanto é... _ Cem reais, Filó. Não já havia combinado isso? Ela correndo voltou para o carro e aproveitou para perguntar o nome de seu cliente. _ Juca _ respondeu o moço.


_ Pois é, Juca. Eu sou Filó. É cem real o serviço completo. _ Ah!... Não dá para mim. Só tenho setenta... O que você faz com R$ 70,00? _ Um momentinho Seu Juca. Volto já. E correu Filó novamente para saber do marido como deveria ser agora. Zeca instruiu sua mulher para aceitar os R$ 70,00 mas disse logo que o serviço não seria completo. Não chegaria aos “finalmente”.


E foi assim que Filó explicou para o Juca como teria que proceder. Quando ela chegou no carro Juca puxou-a para dentro, apressado. Queria fazer sexo de qualquer maneira, fosse como fosse. Já estava preparado, de espada erguida, calça arreada despertando em Filó um forte desejo de também gozar. Filó pediu licença ao Juca e foi, muito mais apressada, falar com seu marido. _ Zeca, corre, me arranja 30 REAL pra eu emprestá praquele moço!


(Baseado no anedotรกrio brasileiro. Como sempre, de autoria desconhecida).


O PASSARINHO AZUL Cr么nica de VALDEZ JUVAL


Relutei antes de voltar a escrever. O cansaço do tempo vivido e as intempĂŠries que acontecem na vida, distanciam os pensamentos e transportam o criador para mundos distantes e perturbadores, sem querer acreditar no futuro. Recorda-se mas nĂŁo se revive e o castelo desmorona. Pensei em Baudelaire: “Lembro-me mais do que se eu tivesse mil anos. Um grande contador cheio de antigos planos,


Versos, cartas de amor, autos, literaturas, Um cacho de cabelo enrolado em facturas, Não tem segredos como meu cérebro inquieto ...” Mas que importa? A vida sempre foi bela e assim deve ser vivida. Um burburinho doméstico então, desperta a minha realidade. Revivo o instante em que... A portinha da gaiola amanheceu aberta e o inquilino que ali morava foi embora. Não deixou bilhete, não pagou o aluguel, não deu satisfação a ninguém. Só poderia estar muito feliz!


Naquela casa, porém, era grande o alvoroço. Gritavam, choravam, resmungavam. Queriam descobrir quem cometera tamanha “violência”. E o “malvado” não se denunciava. Era de se imaginar a nova vida daquela ave ganhando a liberdade, sentindo o prazer de viver. Possivelmente já encontrara companheiros, saboreando os frutos, os insetos, as folhas que a natureza lhes dava por alimento. Estava aprendendo com eles. Aproveitava o espaço infinito que tinha a seu redor, voando, pulando, “cantando”. Tudo era diferente, maravilhoso.


Era mais uma ave a inspirar os poetas. Somente agora percebo uma gaiola na varanda. Dentro, um minĂşsculo passarinho de isopor, adornando a moradia. Talvez tenha sido o que me fez lembrar o passarinho azul que ajudei a fugir.


NOTA DO AUTOR Estes trabalhos não são inéditos. Já foram publicados em alguns Sites e Blogs como ELTHEATRO de Elpídio Navarro e UNLIMITED de Hugo Caldas, respectivamente. Em sequência pretendo usar do mesmo expediente com outros alfarrábios. Tenho a certeza de que não incomodarei ninguém pois o direito de meu amigo leitor será sempre livre para deletar. Em vez do lixo, os meus rascunhos agora terão o endereço de um arquivo de leitura virtual. Para comentar e ou criticar: VALDEZ JUVAL valdez_juval@hotmail.com vjuval@gmail.com


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