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BIO

Vida & Obra

Traduzi dois poemas de Laurentius Medice (seu nome, de laurus, “louro” do latim, já parecia coroá-lo poeta, & muitas vezes se usou o trocadilho para bajulá-lo): um deles, o belíssimo “Lascia l'isola tua” parte de uma pequenina ode de Horácio (I, 30), uma prece para evocar Vênus junto com seu fervidus puer — o molequinho ardente Eros, ou Amor; no poema de Lorenzo, Vênus é evocada para acabar com a castidade à moda da deusa da caça, Diana. No outro, Lorenzo desdobra o mote de uma elegia latina de Poliziano, Molles o violae, veneres munuscula nostrae (Ó tenras violetas, presente da minha Vênus), numa pequena história do amor à distância.

Lorenzo sofria também de gota, como o desafortunado Piero, seu pai. Dizem que chamou Girolamo Savonarola, frade dominicano educadíssimo, mas verdadeiro fanático religioso de grande & contagiosa eloquência febril, para ouvir sua confissão & para a absolvição in extremis. Lorenzo se sentia culpado por, sendo banqueiro, operar o terrível pecado da usura, a ser punido com lava no outro mundo. Morreu em 1492, meses antes de Colombo descobrir a América. Dois anos depois (1494), envenenados por arsênico, morreriam dois de seus melhores amigos, Angelo Poliziano e Giovanni Pico della Mirandola. Fim do período de esplendor: Florença passaria às mãos inábeis de Savonarola com a invasão francesa. Ele faria sua famosa Fogueira das Vaidades, queimando livros & obras de arte em 1497; um ano depois, o próprio Savonarola seria frito na Piazza della Signoria, como se estivéssemos na Commedia dantesca & a lei fosse o contrapasso.

66 Celuzlose 06 - Setembro 2010

Celuzlose 06  

Revista Literária

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