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GEO

Literatura sem Fronteiras

Julien Burri Nasceu em Lausanne, Suíça fracesa, em 1980. Com dezessete anos publicou sua primeira coletânea de poemas, La punition, e uma peça de teatro, L'étreinte des sables que recebeu o Prêmio Internacional dos jovens autores em Bruxelas. Publicou Journal à Rebours (poesia, 2000), Je mange um boeuf (romance, 2001), Jusqu'à la transparence (poesia, 2004), Si seulement (poesia, 2008) e La poupée (romance, 2009). Os poemas aqui traduzidos são retirados da obra Jusqu'à la transparence, cuja edição bilíngue francês-português, traduzida por Prisca Agustoni, está no prelo pela Editora Sans Chapeau de Juiz de Fora.

Cada corrente de ar cada palavra, cada olho aberto. (Tudo pode mudar pela manhã). Um instante para ver a extensão do esquecimento tudo está ali no entanto nada se deixa reconhecer.

Chaque courant d'air chaque parole, chaque œil ouvert. (Tout peut changer au matin.) Un instant pour voir l'étendue oublieuse tout est là pourtant rien ne se laisse reconnaître.

Não vê-lo a não ser em sonho É bem a prova que ele permanece por lá. Há um duplo fundo nessa caixa. (Seu rosto é clandestino.) Num bar, seguir falando refazer a cena. Ela vai embora em farrapos A borda dos copos desaparece. Nas garrafas, o vinho evaporou. Retornar cada dia para constatar os estragos.

Ne le voir plus qu'en rêve C'est bien la preuve qu'il est encore là. Il y a un double fond dans cette boîte. (Son visage est clandestin.) Dans un café, parler toujours refaire la scène. Elle part en lambeau Le bord des verres disparaît. A l'intérieur des bouteilles, le vin s'est évaporé. Revenir chaque jour constater les dégâts.

36 Celuzlose 06 - Setembro 2010

Celuzlose 06  

Revista Literária

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