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BR.XXI

Literatura Brasileira Contemporânea

Celso de Alencar Poeta e declamador paraense, radicado em São Paulo desde 1972. Tradutor da poesia do nicaraguense Rubén Darío. Autor de Tentações (1979), Salve Salve (1981), Arco Vermelho (1983, 1985 e 1992) Os Reis de Abaeté (1985), O Pastor (infanto-juvenil, 1994), O Primeiro Inferno e Outros Poemas (1994 e 2001), Sete (2002), A Outra Metade do Coração (CD - Antologia poética), Testamentos (2003), Livro Obsceno (2008). Participou de diversas antologias entre as quais: Poesia Contemporânea Brasileira (Portugal, Ed. Alma Azul, 2001), Poesia do Grão-Pará (Governo do Estado do Pará, 2001), Scéne Poétique (Dez poetas franceses e dez poetas brasileiros, edição do Consulado da França em São Paulo e Cena - Centro de Encontro das Artes, 2003).

MUITAS VEZES EU FALO COISAS ESTRANHAS Às vezes eu me deparo com pessoas que não entendem o que eu falo. Mas quando eu digo: gontom, gontom, gontom, gontom, gontom ou cros, cros, cros, cros, cros, cros, sou facilmente compreendido. Aqueles que me ouvem e têm compreensão dessa minha estranha fala, são os que eu encontro com a cabeça dentro de mim. Por isso muitas vezes andando com botas de couro e pano aquelas próprias para se proteger do frio eu digo coisas estranhas em voz alta nu coberto de carvão e anil dentro de uma caixa silenciosa de papelão onde só aqueles que me compreendem plenamente conseguem ouvir.

24 Celuzlose 06 - Setembro 2010

Celuzlose 06  

Revista Literária

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