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BR.XXI

Literatura Brasileira Contemporânea

Ademir Demarchi Nasceu em Maringá-PR (1960) e reside em Santos-SP. É editor da revista de poesia BABEL e publicou os livros de poemas Os mortos na sala de jantar (Realejo, Santos, 2007); Do sereno que enche o Ganges (Coletivo Dulcineia Catadora, São Paulo, 2008) e Passeios na floresta (Éblis, Porto Alegre, 2008).

DA ÂNIMA PARA O ANIMAL E DE ANIMAL PARA ANIMAL (Poemas inéditos)

METAFÍSICA BARATA Quem entra pela metafísica e nela piamente acredita sem querer vira barata antes de morrer Um abraço terno pela manhã e a pergunta o que vai ser de nós? Ah, vamos morrer e virar pó, oras. Você vai se dissipar em árvores, arbustos, amoras, na couve que outro com fome irá comer, numa ovelha, num rato, numa barata... Ai, que horror!, disse, me afastando e voltando à vida humana que não ata nem desata indo fazer como gado o que se tem de fazer antes de morrer e vir a ser uma cópia exata:

ENQUANTO LEIO Enquanto leio e me vou sem sanha pelo mundo, perdido nos livros Minha cadela finge enleio, perfeita aranha em sorrateira soneca Não me engana, pois a sapeca não sonha, isso sim, arteira vigia Sonhar, sonho eu em meio a florestas, monstros e soldadescos devaneios Um distraído total e sem pelos mas ela está atenta a qualquer harpia Ou movimento estranho que faça o mundo se voltando contra nós E se ele ousa e isso ocorra, corre ela latindo bravia espantando o atroz Esforço-me em amavios para demovê-la, mas ah, teimosa!, ela não cede Vai guardando aos poucos diminuindo o rosnar afinado como um motor potente Que acelera a mil novamente a novo ruído me olhando de canto e dizendo Viu seu besta, não lato em vão, vá ensacando sua prudência que ingente Tudo o que você viu e sonhou nos livros aí fora está, vindo e chegando! 18 Celuzlose 06 - Setembro 2010

Celuzlose 06  

Revista Literária

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