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A revista Coyote lançou recentemente a sua vigésima edição e já é uma referência em termos de revistas literárias no Brasil. Gostaria que você falasse sobre o trabalho editorial da Coyote. Quais as maiores dificuldades que foram superadas ao longo destes anos e quais as perspectivas para os próximos anos? Na Coyote somos três editores, Ademir Assunção, Marcos Losnak e eu. Nós nos conhecemos na UEL [Universidade Estadual de Londrina] quando cursávamos jornalismo. Era um ambiente efervescente. A revista era um velho sonho e já havia se manifestado em experiências anteriores, como a Hã e a K'AN. O projeto gráfico, do Losnak, é um dos elementos que dão a diferença da revista. Acho que a Coyote, em quase oito anos de estrada, já se firmou como uma referência cultural, como uma importante revista literária. Tentamos fazer a nossa parte para minorar um problema flagrante na realidade do país hoje: a dificuldade, por parte do leitor comum, de acesso à produção e reflexão de artistas e escritores brasileiros e estrangeiros, principalmente contemporâneos. Ela é feita em Londrina, norte do Paraná, e financiada pelo Programa de Incentivo à Cultura da prefeitura da cidade, com distribuição nacional pela Iluminuras. Em 20 números, a Coyote já publicou centenas de poetas, escritores, fotógrafos, tradutores, artistas gráficos, ensaístas e artistas em geral de Londrina e de vários estados brasileiros (Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul,

Santa Catarina, Minas Gerais, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Bahia, Mato Grosso, entre outros) e de diversos países (Argentina, Uruguai, Cuba, França, Irlanda, Estados Unidos, China, Síria, Peru, Inglaterra, Chile, México, Coreia, Eslovênia, República Dominicana, Romênia e Egito). Nossa ambição sempre foi fazer a revista que gostaríamos de ler. As principais finalidades da publicação têm sido a de revelar novos autores e textos pouco conhecidos, propor outras possibilidades estéticas além das canonizadas pela crítica e pela indústria cultural, bem como tornar-se um polo de aglutinação de escritores: um fórum de ideias e reflexões mas, sobretudo, um espaço de criação. Apesar das dificuldades de distribuição que ainda enfrentamos (nossa ideia é ter, no futuro, um site da revista disponibilizando todos os números) a principal missão da revista Coyote tem sido abrir suas páginas para abrigar escritores inéditos; divulgar obras de escritores mais conhecidos, mas que andam esquecidos; estimular a reflexão crítica através de ensaios e entrevistas; publicar traduções de autores internacionais de modo a ampliar as referências estéticas brasileiras. Outro dado importante é que ela figura, atualmente, entre as raras revistas brasileiras de literatura e arte que atingiram sete anos de atividade ininterrupta. Acredito que, no futuro, se um estudioso ou um leitor curioso quiser saber como era a literatura brasileira produzida no início do século 21, terá em revistas como a Coyote um rico material de investigação.

“nossa ideia é ter, no futuro, um site da revista disponibilizando todos os números” Nas 4 páginas seguintes, poemas de Rodrigo Garcia Lopes. Celuzlose 06 - Setembro 2010 13

Celuzlose 06  

Revista Literária

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