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GEO

Literatura sem Fronteiras

Javier Díaz Gil Poeta espanhol, residente em Madri. Nascido em 1964, é licenciado em Geografia e História. Recebeu, em 2000, o 1º Prêmio “NICOLÁS DEL HIERRO” pelo livro Hallazgo de la visión; em junho de 2000, o 1º Prêmio I Certamen “Humberto Tenedor”, pelo livro Humo; em 2000, 2001 e 2002, o Prêmio “Ciudad de Getafe” de poesia; entre outras premiações. Tomou parte como jurado de diversos prêmios de poesia e de contos. Participou dos encontros de poesia Poquita Fe, em Santiago do Chile (2006), e Festival Tordesilhas, em São Paulo (2007). Entre 1995 e 2006 organizou oficinas de criação literária em centros culturais de Madri. Desde 2006, coordena uma tertúlia literária no café Galdós, em Madri.

IV. O FANTASMA O fantasma que deixei em casa Está a descuidar as tarefas. Sei que deixa De regar as plantas, Levanta-se tarde E esquece-se de ir trabalhar. Vagueia pela casa, Deixa a cama por fazer, Come mais que o que deve, Não responde ao telefone Nem aos meus amigos. Mas nada disso importa, Nem sequer Que tenha deixado evaporar a água De toda a chuva que eu guardei. Tenho medo - que, por esquecimento Não tenha sabido Guardar-me a memória.

IV. EL FANTASMA El fantasma que he dejado en casa Está descuidando las tareas. Sé que está dejando De regar las plantas, Levantándose tarde Y olvidándose de ir a trabajar. Deambula por la casa Dejando la cama sin hacer Comiendo más de la cuenta, Desatendiendo el teléfono Y a mis amigos. Pero nada de eso importa, Ni siquiera Que haya dejado evaporarse el agua De toda la lluvia que guardé. Tengo miedo - que por olvido No haya sabido Guardarme la memoria.

36 Celuzlose 02 - Setembro 2009

Celuzlose 02  

Revista Literária

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