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EDITORIAL 05

TENDÊNCIAS DE DETROIT

SAE World Congress 2012 06/17

NOTÍCIAS 18/25

AUTO/MOBILIDADE/AERO

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EDITORIAL TENDÊNCIAS DE DETROIT

Durante o mês de abril diversas empresas do setor automóvel apresentaram resultados do primeiro trimestre podendo, de uma forma geral, dizer-se que o resultado é positivo e promissor para o resto do ano. No entanto, e um ano após o terramoto do Japão que levou a que diversas linhas de produção automóvel um pouco por todo o mundo fossem obrigadas a parar por falta de componentes, um novo acidente volta a pôr em causa a construção de cadeias de fornecimento. No final de março passado um acidente numa instalação fabril da empresa Evonik Industries fez com que a produção de Nylon-12 fosse suspensa. Aparentemente trata-se de um acidente com uma importância menor, porém este material é utilizado para o fabrico de componentes dos circuitos de combustível e óleo em automóveis. O que torna esta ocorrência relevante é o fato de ter provocado um corte em mais de metade da capacidade de produção mundial desse material. As consequências são evidentes: possível falta de componentes de circuitos de combustível e óleo nas linhas de produção. Analistas têm vindo a prever que este problema poderá afetar primeiro a Europa devido aos menores stocks e volumes de mercadorias em trânsito do que nos EUA ou América do Sul. Os fabricantes e fornecedores estão já há semanas a trabalhar na obtenção de uma alternativa a este material. São novamente postas em causa as cadeias de fornecimento globais bem como o funcionamento perto do Just-in-time na indústria. Ao mesmo tempo evidencia-se com isto a importância de um sistema de intelligence que por um lado consiga monitorizar todos estes acontecimentos, do ponto de vista industrial, mas que ao mesmo tempo seja capaz de identificar tecnologias relevantes e mudanças de paradigma que possam provocar alterações industriais a médio ou longo prazo. Exemplo deste último tipo de vigilância tecnológica são as visitas e apresentações a congressos relevantes da indústria. Abril foi o mês do SAE World Congress 2012. Um evento que reuniu uma parte significativa da indústria automóvel mundial desde grandes construtores, fornecedores, centros de investigação e desenvolvimento e inclusive algumas universidades sobretudo norte-americanas. Por ser um salão de grande importância, não ao nível de novos modelos automóveis, mas antes ao nível das tecnologias e tendências em vários domínios da indústria e da cadeia de fornecimento, a VOZ-OFF deste mês é inteiramente dedicada a este Congresso. Através de um conjunto de artigos sobre diversos temas apresentados e debatidos ao longo dos três dias do evento, é feito um relato das principais tecnologias e tendências apresentadas. Trata-se de apresentações de aplicação de tecnologia como é o caso do autocarro elétrico, mas ainda apresentação e discussão de conceitos de mobilidade de aplicação a longo o prazo como é o caso da tecnologia da Google que permite a condução autónoma de automóveis. Esta edição do SAE World Congress foi ainda uma oportunidade para o Projeto MOBICAR começar a apresentar resultados. Durante o congresso foram apresentados três artigos técnicos, sobre alguns dos resultados já atingidos com o projeto. 5


SAE

2012//

WORLD CONGRESS

Na capital do automóvel, Detroit, realizou-se entre 24 e 26 de Abril mais um congresso mundial da SAE. Este é o palco preferencial a nível mundial para os construtores e fornecedores da indústria automóvel apresentarem os principais desenvolvimentos ao nível das motorizações, materiais, sistemas, etc. O evento dispõe de um espaço de exposição onde os principais construtores, sobretudo norte-americanos, se fazem representar, bem como diversos fornecedores de vários níveis, desde motores, componentes, matérias-primas, software e ainda centros de engenharia e testes. Paralelamente, e durante os três dias do evento, decorrem de forma quase imparável sessões técnicas paralelas subordinadas a diversos temas relevantes para a indústria como seja o powertrain, materiais, eletrónica, emissões/ambiente, engenharia de sistemas e produção e segurança/testes. Realizaram-se ainda diversas sessões plenárias, promovidas pelas principais empresas de desenvolvimento e teste de powertrain, a AVL e a FEV, dedicadas a temas estratégicos da indústria automóvel com a presença dos principais representantes da indústria e as maiores figuras mundiais do setor automóvel e mobilidade.

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A nível estratégico diversas intervenções apontaram para a necessidade de aumento da competitividade através da inovação sobretudo ao nível da energia e formas de conversão e transporte, bem como o desenvolvimento de novas formas de mobilidade e respectiva infra-estrutura de suporte e gestão. Um dos exemplos é o da GE que além da implementação de um sistema de carregamento experimental na China anunciou a aquisição de 15.000 veículos eléctricos para a renovação da sua frota operacional. Esta aposta é um investimento a longo prazo, no entanto foi apontado também um constrangimento futuro que se relaciona com a falta de engenheiros. Em termos médios, por cada engenheiro formado nas universidades europeias e americanas formam-se quase 10 nas universidades chinesas e indianas o que a médio e longo prazo irá provocar fortes desequilíbrios na indústria. Este ano além da confirmação da mobilidade eléctrica como uma tendência de futuro, registaram-se duas principais tendências tecnológicas: os materiais e estratégias para a redução de peso em veículos e as estratégias e tendências de melhoria da mobilidade tendo em vista o aumento da segurança nos automóveis. Neste último domínio é de realçar a presença da Google, que aparentemente não tem qualquer relação com a indústria automóvel, mas que o desenvolvimento que tem vindo a realizar no âmbito da condução autónoma, foi uma das principais tecnologias em destaque neste congresso. Durante o decorrer do congresso houve ainda a oportunidade para o consórcio MOBICAR apresentar alguns dos resultados já alcançados no projeto. Foram apresentados 3 artigos técnicos. No primeiro dia foi apresentado um artigo sobre um modelo matemático desenvolvido para a simulação de desempenho de autocarros elétricos em ambiente urbano. No segundo dia foi a vez de ser apresentado um artigo sobre os materiais para o fabrico de exteriores para automóveis e especificamente para veículos elétricos. Neste artigo é feito um estudo sobre a aplicação de DCPD-RIM no fabrico destes painéis e não apresentados resultados em termos de redução de peso destes componentes. Finalmente no último dia foi apresentado um conceito de chassis skate-board para utilização em veículos eléctricos. Este artigo causou forte impacto na audiência registado durante a sua apresentação.

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NOVOS REQUISITOS PARA O AÇO SE MANTER COMO MATERIAL PARA A INDÚSTRIA AUTOMÓVEL

Existe, por parte de toda a indústria automóvel a nível global, um objetivo comum na redução de peso dos veículos. Este movimento tem contribuído para a ascensão de soluções de construção alternativas recorrendo a novos materiais, nomeadamente os plásticos e compósitos. No entanto o aço continua a ser visto como um material, que devido às suas características, tem um potencial crescente para aplicação automóvel. Existem, no entanto, um conjunto de desafios que se colocam à indústria do aço para que este material continue a ser um material de eleição na construção automóvel. Actualmente (reportando a dados de 2010), o conteúdo em aço, em termos de peso num veículo automóvel é de cerca de 65,5 %, seguindo-se o alumínio com cerca de 8,5 % e 22 % para materiais não metálicos. As previsões para 2015 apontam, para além de uma diminuição global do peso dos automóveis, uma redução da importância dos materiais ferrosos em favor sobretudo do alumínio de forma menos significativa dos materiais não metálicos. Apesar desta quebra no conteúdo de materiais ferrosos de forma global, prevê-se que os aços AHSS (Advanced High Strenght Steel) tenham um crescimento significativo. Efetivamente, o tipo de aços AHSS é o material de aplicação automóvel com maior crescimento na última década e deverá manter essa tendência na próxima década. Este material tem vindo a permitir que as características de lightweight e resistência ao impacto (segurança) consigam ser asseguradas nos modelos que a indústria automóvel tem vindo a desenvolver. Os desenvolvimentos que têm vindo a ser feitos em torno deste tipo de aços direcionam-se sobretudo para os tratamentos térmicos de austentitização e o desenvolvimento dos processos de fabrico de componentes finais, nomeadamente a estampagem a quente com arrefecimento na matriz. Desta forma é possível processar este tipo de aços, que tem um alto limite elástico, sem necessidade de um aumento significativo da capacidade dos equipamentos, nomeadamente prensas, nem significativas alterações aos materiais das matrizes de estampagem. Apesar de introduzir um aumento no tempo de ciclo, este tem vindo a revelar-se pouco significativo (23 segundos em média) compensado pela redução de massa e desempenho dos componentes.

Posicionamento dos aços AHSS de 3a geração 8


Processo de estampagem a quente

O desenvolvimento da terceira geração de AHSS tem em vista a caracterização mais profunda deste tipo de aços para desta forma dotar a indústria automóvel do conhecimento para um melhor projeto e construção de componentes e veículos completos. As principais linhas de investigação e desenvolvimento deverão ter como objectivo responder aos seguintes desafios: Conhecimento da plasticidade e fratura: o conhecimento detalhado sobre o comportamento deste tipo de aços no domínio plástico e no limite da fratura são fundamentais para o projeto de componentes, permitindo a validação de modelos de desenvolvimento bem como o estabelecimento de design guidelines para diferentes tipologias de componentes. Técnicas de união: devido às próprias características deste tipo de aços e aos tratamentos térmicos a que são sujeitos, o processo de soldadura provoca alterações localizadas, resultando em uniões com características inferiores ao material de base. Assim, existe uma necessidade de desenvolvimento destes métodos de soldadura, bem como o estudo de uniões com outro tipo de materiais. Fabrico do aço: para os aços AHSS pretendem-se atingir tensões de cedência de cerca de 2000 MPa e nessa medida todo o tipo de tratamentos térmicos, tratamentos superficiais e revestimentos que envolvam ciclos de temperaturas de grandes amplitudes podem causar um forte impacto no resultado final do desempenho do aço. Surge por isso a necessidade de desenvolver processos de produção destes aços que garantam a sua qualidade estrutural acima de tudo. Todos estes desafios deverão ser o foco da indústria do aço nos próximos anos de forma a garantir a presença deste material na indústria automóvel, num futuro a médio e longo prazo.

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CONDUÇÃO AUTÓNOMA

A distração é uma das principais causas de sinistralidade rodoviária.

Veículo vencedor do desafio DARPA 2007

Diversos estudos estatísticos têm sido feitos sobre a sinistralidade rodoviária, tendo-se chegado a valores alarmantes do número de fatalidades, cerca de 1 milhão e quinhentas mil pessoas no mundo inteiro. Por outro lado também foi possível concluir que cerca de 90% dos acidentes que resultam em colisões têm fundamentalmente como causa o erro humano, nomeadamente distração, já que existe um hábito por parte de uma boa parte dos condutores de realizarem uma variedade de actividades durante a condução. Desde a simples conversação ao telemóvel até à alimentação, podem citar-se variados exemplos de actividades que muitos realizam durante a condução.

se o nível do desafio, passando o ambiente de demonstração a ser urbano, se bem que devidamente delimitado e controlado. A equipa vencedora juntou do ponto de vista do automóvel a General Motors e do ponto de vista da tecnologia a Universidade de Carnegie Mellon. A tecnologia incorporada assenta na instalação no veículo de diversos tipos de sensores que de forma redundante garantem um nível significativo de fiabilidade na navegação sem a intervenção humana. Mais recentemente em 2009 a Google foi capaz de realizar a primeira entrega de pizza por um veículo autónomo, na zona de S. Francisco. Finalmente, no início de 2012 foi possível o sistema desenvolvido pela Google foi incorporado num carro de um invisual que atualmente embora sob condições limitadas, dispõe de uma melhor qualidade de vida.

No sentido de reduzir os números da sinistralidade, a multinacional Google tem vindo a desenvolver tecnologia que permite que automóveis circulem sem a intervenção humana. Segundo a Google esta tecnologia deverá contribuir para a redução significativa da quantidade de acidentes rodoviários, nomeadamente os causados por erro humano. O desenvolvimento tecnológico em torno dos veículos autónomos remonta a 2005 quando o Departamento de Defesa dos EUA lançou um concurso para o desenvolvimento de veículos autónomos. Os testes foram feitos no deserto, uma vez que não havia qualquer garantia da fiabilidade dos sistemas de navegação desenvolvidos. Posteriormente em 2007, aumentou-

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Estes sistemas baseiam-se na combinação de diversas tecnologias desde laser para varrimento da envolvente em todas as direcções do veículo, câmaras, radares, GPS. Os sinais gerados por esta quantidade de sensores são tratados por um computador dedicado que através de um sistema drive-by-wire conduz o veículo, acelerando, travando e voltando na direção pretendida. O computador que controla o veículo, constrói em ambiente virtual, toda a envolvente utilizando ainda um sistema cartográfico que


Toyota Prius equipado com o sistema de navegação e controlo da GOOGLE.

tem caracterizado toda a infra-estrutura, garantindo desta forma um posicionamento com um erro na casa dos 5 cm. Com base neste cenário criado de forma virtual, são criados todos os elementos móveis, desde carros, velocípedes e peões. Relativamente a estes elementos que se representam por volumes, que têm uma velocidade e direção, é calculado o tempo para a colisão, permitindo ao computador criar medidas preventivas (mudanças de direção, reduções de velocidade e travagens) de forma a evitar colisões. Esta tecnologia está ainda a alguma distância de poder ser utilizada de forma alargada uma vez que situações como obras, em que a via e a envolvente se alteram com muita velocidade, desde os cortes de via, mudanças de faixa de circulação, etc, acabam por anular toda a digitalização prévia da infraestrutura.

Por tudo isto, a Google considera que a função mais importante para um computador nos próximos 10 anos será conduzir um automóvel. Existe no entanto ainda um caminho a percorrer. Desde logo a alteração do quadro legal que permita a implementação desta tecnologia. Através de um trabalho com diversos estados, já foi possível no Nevada, Califórnia e Florida, alterar a legislação de forma a introduzir a figura da “condução autónoma”. Esta alteração ao quadro legal estende-se ainda à abordagem das companhias de seguros a este tipo de condução. Do ponto de vista tecnológico, a “digitalização” do mundo é o maior desafio, para que os computadores sejam capazes de forma garantidamente fiável de calcular as rotas e conduzir um veículo sem provocar colisões.

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POWER TRAIN 2018 E EM DIANTE

Durante o congresso realizou-se uma sessão sobre as principais tendências em termos de powertrains para o futuro da indústria automóvel. Esta sessão reuniu representantes de desenvolvimento de powertrain dos principais construtores como a Chrysler, GM, Ford, Toyota e AVL. Existe uma diferenciação a nível global sobre as necessidades de motorização, sendo que existem regiões onde o desenvolvimento de motores a gasolina em conjunto com os híbridos, incluindo os range extenders, serão a prioridade, como seja o mercado norte americano, enquanto que na Europa a tendência será o aumento da eficiência conjugada com o downsizing e o desenvolvimento do Diesel com alguma hibridização, incluindo a Diesel. Para a China serão os motores utilizando combustíveis alternativos e os elétricos. No Japão os híbridos com motores a gasolina otimizados em simultâneo com fuel cells para frotas de nicho. Finalmente na América do Sul serão os motores adaptados para combustíveis de base biomássica. Todas estas tendências refletem requisitos regionais em termos de legislação sobre emissão de gases de efeito de estufa, bem como outros requisitos relacionados com políticas energéticas, nomeadamente a necessidade de tornar a economia mais independente do petróleo. Por isso é geral a opinião de que não existirá uma única solução para resolver a questão relacionada com a redução das emissões de CO2. Por isso a capacidade de cada uma das tecnologias de powertrain a ser adotada dependerá de diversos fatores como sejam o tempo de retorno do investimento por parte do cliente final, a autonomia permitida por cada tecnologia, a capacidade da infra-estrutura em fornecer a energia necessária (incluindo o fator preço) e ainda a eficiência de todo o processo de obtenção, transporte e entrega da energia aos veículos. Assim, ao nível dos motores a gasolina o desenvolvimento futuro assenta na melhoria das várias eficiências (volumétrica, mecânica, termodinâmica, combustão, etc.) associadas a este tipo de motores. Relativamente aos motores Diesel o desenvolvimento deverá assentar em três pontos principais: a melhoria da mistura ar combustível, a diluíção sobretudo através de EGR (Exhaust Gas Recirculation) e o tratamento dos gases de escape de forma eficiente em termos de custos. No que se refere a transmissões, o aumento do número de relações de transmissão (velocidades de caixa), a melhoria da eficiência mecânica e a funcionalidade start/stop serão os principais aspetos a receber atenção em termos de desenvolvimento. Nos powertrains híbridos e eléctricos o desenvolvimento deverá centrar-se na melhoria do carrega-

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Transmissão hibrida da BMW com 8 velocidades

mento rápido e no aumento da densidade energética das baterias. Por parte da Ford foi apresentada a estratégia de desenvolvimento de plataformas globais de grandes volumes que sejam capazes de suportar qualquer tipo de powertrain de forma a obter economias de escala a nível global e um crescimento positivo.

Motor Ford 3 cilindros Ecoboost

A principal conclusão foi de que o motor de combustão interna deverá continuar a dominar ao mercado no futuro a longo prazo (próximos 15 a 20 anos), a não ser que exista uma descoberta revolucionária que permita reduzir o custo e/ou aumentar a autonomia de veículos híbridos e eléctricos. Os motores de combustão interna são facilmente adaptáveis para a utilização de combustíveis alternativos, desde que a infra-estrutura seja capaz de fornecer esse mesmo combustível com o mesmo nível de oferta da atualidade. As transmissões continuarão a evoluir de forma a ser possível operar os motores em pontos de máxima eficiência. No entanto não será possível atingir as metas de legislação de emissões de CO2 no futuro se não se reduzir o nível de consumo de energia no veículo, que é conseguido sobretudo através da redução do peso do próprio veículo.

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CARREGAMENTO DE VEÍCULOS ELÉCTRICOS POR INDUÇÃO

“Implementing Wireless Power Charging of PEVs” Oak Ridge National Laboratory (ORNL), John M. Miller O carregamento por indução ou carregamento sem fios (wireless) é uma tecnologia ainda em fase embrionária de desenvolvimento e teste, existindo diversos laboratórios, centros de pesquisa e empresas interessados nesta tecnologia. Uma destas entidades é o “Oak Ridge National Laboratory” cuja tecnologia é baseada no acoplamento magnético de uma fonte de energia com a bateria do veículo, conseguindo-se atingir uma eficiência de 90% ou mais, dependendo da distância que a bateria está da estação de carregamento, o que seria tão eficiente quanto conectar o veículo através de fios à rede e sem as desvantagens que isso traz. A motivação para este projeto veio do fato de o carregamento sem fios ser prático e seguro. Pesquisas apontam para o fato de as pessoas não terem a rotina de chegar ao local de estacionamento, incluindo a garagem de casa, e ligarem o carro ao ponto de carregamento de forma a terem a bateria do veículo devidamente carregada para utilização. O carregamento sem fios permite que pontos de recarga sejam construídos nas ruas, perto dos semáforos, por exemplo, ou perto de estações de autocarros de forma que, enquanto o autocarro espera os passageiros, as suas baterias sejam recarregadas. A investigação em curso tem ainda preocupações ao nível da saúde e da segurança. A tecnologia de carregamento sem fios desenvolvida no laboratório concentra e isola a zona ativa do campo magnético para assegurar que os campos marginais estão dentro dos limites estabelecidos pelos padrões internacionais, nomeadamente da International Commission on Non-Ionizing Radiation Protection (ICNIRP). Complementa ainda que o carregamento sem fios não consegue emitir campos eletromagnéticos fora dos limites das bobinas de acoplamento. Algumas das características desta tecnologia são (com patentes pendestes por parte da ORNL): Sistema com reduzido peso, de acoplamento a ar, com frequência otimizada de operação para transferência máxima; Bobinas para carregamento desenvolvidas com nanotecnologia para reduzir a perda de energia; Sistema de alinhamento sem fios para maximizar a eficiência do carregamento; Desenvolvida para trabalhar com qualquer input de potência,

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Carregador sem fios (ORNL)


De forma a minimizar os custos para o utilizador, o ORNL propõe que a maior parte da complexidade deste sistema deva estar presente do lado da rede, e não do lado do veículo, tendo este o menor número de componentes eletrónicos possível, o que faz com que o veículo fique mais leve e mais baratos. Na figura da página anterior, pode-se observar este sistema ilustrado num veículo elétrico. Definição de uma frequência de operação fixa e única; Garantir de que não há interferências; Um lugar padrão no veículo para instalação do sistema de acoplamento; Definir de forma consistente a palavra “alinhamento”; Comunicações bilaterais que sejam privadas, seguras e compatíveis com os existentes serviços de V2I (vehicle to infrastructure); Construção de rodovias seguidas de conexão com a rede, uma vez que eles pregam que com uma potência de 100 kW, é possível carregar sem fios um veículo em alta velocidade.

Sistema de carregamento simples apresentado pela DELPHI

O sistema de carregamento por indução é conveniente, flexível, seguro e autónomo, contanto que o processo seja adequadamente isolado e o hardware protegido. A gestão da potência deve ser capaz de rapidamente proceder ao desacoplamento no caso de uma falha no sistema de armazenamento de energia. No congresso também a Delphi esteve presente com um sistema de carregamento por indução em demonstração com um Nissan Leaf. O sistema em demonstração ainda está em fase de desenvolvimento, mas é já indicada uma potência de transferência de energia de 3,3 kW através de um intervalo de 20 cm, com uma minimização de perdas de campo magnético. O sistema é composto por um emissor montado no solo e um recetor montado na superfície inferior do veículo. Este sistema tolera alguns desalinhamentos entre o recetor e o emissor.

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MOBILIDADE INTELIGENTE

A abordagem ao tema “Mobilidade Inteligente: Transporte Urbano Conveniente e Eficiente através da Conectividade de Serviços e Informação”, provocou um consenso: a forma como as pessoas se deslocam apenas poderá mudar se existir uma cooperação entre construtores, governos, fornecedores e consumidores. Pela primeira vez a ser tratado num Congresso SAE, o tema da Mobilidade Inteligente juntou os profissionais da indústria a falar sobre as oportunidades e os desafios. Sandy Stojkovski, Presidente da Scenaria Inc. e moderador no painel, considerou que o desafio está na identificação das opções que sejam simultaneamente as melhores para a satisfação das necessidades dos consumidores e as mais viáveis. Para a Ford, a curto prazo a mobilidade está centrada em mapas 3D, câmaras e radares; contudo num prazo mais alargado, o plano da mobilidade consiste no uso inteligente de software para o cálculo de uma rota mais eficiente e adequada. Por outro lado, Christopher Borroni-Bird, da General Motors, foca a sua atenção na população que estará a viver em zonas urbanas em 2030: estima-se que serão 60% da população mundial. A sua aposta é repensar o tamanho das viaturas para as necessidades do seu utilizador e exemplo disso é o modelo EN-V da GM, um conceito de 500 kg, para duas pessoas e que percorre 40 a 50km com uma só carga. Um veículo pequeno, de fácil parqueamento e manobra que usa comunicações wireless para evitar acidentes. Para Borroni-Bird os automóveis convencionais são demasiado elaboradores para o seu uso quotidiano. Takao Asami, da Nissan, deu ênfase à necessidade da prevenção do congestionamento no trânsito e dos custos associados aos acidentes que este provoca. A estratégia da Nissan para combater este problema é dada pelo «city congestion canceller concepct», uma abordagem multi-etapas que inclui a previsão do trânsito. Lynn Peterson, representante do Governo de Oregon, defende que é importante existirem comunidades construídas para as pessoas viverem, trabalharem e se divertirem.

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Conectividade como ferramenta de apoio e informação ao condutor

Comunicação V2V (Vehicle to vehicle) para aplicação ao controlo de tráfego

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NOTÍCIAS AUTO MOBILIDADE AERO

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NOTÍCIAS AUTO

FORD IMPÕE TRABALHO REDUZIDO DEVIDO À CRISE

vamente escolhendo soluções deste tipo.

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COMISSÃO EUROPEIA ESTUDA PLANO PARA O SETOR AUTOMÓVEL

A fábrica da Ford em Colónia, que produz o Fiesta vai requerer o regime laboral reduzido para 4000 trabalhadores, devido à quebra da procura na Europa, incluindo Portugal. A Ford, que garante apoio financeiro aos trabalhadores afetados, quer suprimir 16 dias de laboração de Maio a Outubro. In Diário de Notícias 25-04-2012

PORTUGAL PASSOU A COMPRAR MUITO MENOS CARROS DO QUE PRODUZ ...................................................................................................................

No fim do ano passado, em Portugal, a produção de carros fez uma ultrapassagem histórica às vendas de automóveis. Foi a primeira vez, mas não a última. E se em Dezembro, a diferença era ténue, menos de mil unidades, este ano os veículos que saíram até Março das fábricas portuguesas são já quase o dobro do número de viaturas adquiridas nos stands. O presidente da Associação Automóvel de Portugal (ACAP), Hélder Pedro, afirma ao Negócios que o diferencial tem tendência a aumentar. “As vendas estão numa situação muito complicada, em que a tendência é de descida”, sublinha. In Jornal de Negócios 23-04-2012

PEUGEOT E CITROEN PORTUGAL GERIDAS A PARTIR DE ESPANHA ...................................................................................................................

O Grupo PSA vai passar a ter um centro de decisão Ibérico, elevando assim para 15 o número de marcas de carros que têm uma estrutura reduzida em Portugal, completada com sinergias de grupo. Em período de crise da dívida soberana, o risco que as multinacionais vêem nas suas operações em diversos países é superior, pelo que têm optado por conter os investimentos, inclusi-

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In Dinheiro Vivo (DN + JN) 21-04-2012

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A Comissão Europeia, pela mão do Comissário Europeu da Indústria e Empreendedorismo, vai apresentar até ao fim de Abril um plano de reestruturação e apoio ao sector automóvel na Europa, revelou Antonio Tajani durante a conferência de imprensa de apresentação do eurobarómetro sobre PME, eficiência dos recursos e mercados ‘verdes’, que decorreu em Bruxelas em finais de Março. O plano, que está a ser estudado pelo grupo de alto nível criado no âmbito do programa Cars 21, visa responder às dificuldades do setor, que “necessita de reformas e de perspetivas de intervenção para ultrapassar este momento”, explicou Antonio Tajani à “Vida Económica”. In Vida Económica 20-04-2012

EMPRESAS DE COMPONENTES ACREDITAM QUE VÃO CRESCER EM 2012 ...................................................................................................................

O vice-presidente da Associação de Fabricantes da Indústria Automóvel (AFIA), Filipe Villas Boas, contraria o pessimismo generalizado para o sector automóvel e defende que o sector dos componentes automóveis vai continuar a crescer este ano e a criar empregos. Villas-Boas apresenta dois argumentos: por um lado, recorda que o ‘cluster’ foi, em 2011, um dos poucos contribuintes líquidos para a criação de empregos (directos), ao assegurar 40.400 colaboradores. Ou seja, mais 4,1% que no ano anterior. Por outro, e ao contrário do que vai sendo dado como verdadeiro, alega que o setor europeu da construção automóvel está a crescer. In Diário Económico 19-04-2012


OPINIÃO A PricewaterhouseCoopers prevê para 2012 um recuo na produção na Europa de 590 mil unidades face a 2011. A Europa é aliás a única zona do globo onde esta consultora prevê um decréscimo de produção este ano. Na América do Norte, as previsões vão no sentido contrário com um aumento de 760 mil unidades. Para muitos analistas, esta situação é resultado de nos EUA a crise de 2009 ter resultado numa maior reestruturação do setor comparativamente ao que se verificou na Europa. Na Europa, com o programa de abate, estimulou-se uma vez mais o consumo como forma de evitar o colapso da indústria sem que outras medidas tivessem sido postas em prática para atacar os problemas estruturais do setor. A sobre-capacidade é apenas um dos fatores que continuou a condicionar a competitividade da indústria europeia e não foi encarada de forma objetiva. É verdade que reduzir a capacidade excedentária não resolve todos os problemas da indústria Europeia. Mas é necessário que a UE tenha a coragem de exigir aos construtores algumas contrapartidas nesta área se quiser avançar com um novo plano para a indústria automóvel na Europa. Uma vez que a situação de estagnação que se tem vindo a registar na Europa nos últimos anos é preocupante mas não uma catástrofe como a que se previa em 2009, existem condições para que este plano incida mais na criação de condições para o reforço da competitividade das empresas do setor. Apostar em I&D, em novas tecnologias e materiais que possam ser valorizados fora da Europa (exportação) deverá ser o principal enfoque deste plano. António Monteiro (INTELI)

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NOTÍCIAS MOBILIDADE

PORTUGUESES QUEREM POSTOS DE RECARGA NA VIA PÚBLICA ...................................................................................................................

Segundo o Observatório Cetelem 2012, os automobilistas portugueses encontram-se entre os mais exigentes utilizadores de veículos elétricos, com 96% a reivindicarem a implantação de estações de recarga rápida na via pública. Os portugueses parecem igualmente seduzidos pelo conceito de recarrega rápida, do tipo quick drops, que permite a troca de uma bateria descarregada em poucos minutos. Os portugueses estão entre os europeus mais entusiastas dos automóveis eléctricos e 70% admitem mesmo vir a comprar um, revela um estudo da Cetelem. Apenas os russos e os turcos se deixam cativar mais pela ideia. O futuro do carro elétrico enfrenta, porém, as críticas daqueles que apontam a sua fraca autonomia. In i- 27-04-2012

CARREGADORES RÁPIDOS EM PORTUGAL ATÉ AO VERÃO ...................................................................................................................

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A Honda vai ceder a sua tecnologia de híbridos a construtores chineses com o objetivo de aumentar as receitas no maior mercado mundial. Com as vendas da Honda na China a um ritmo lento, a empresa espera conseguir uma reviravolta com a introdução dos veículos híbridos, diz o jornal “Nikkei”, citado pela Lusa. Historicamente, os produtores japoneses evitam a partilha de soluções tecnológicas com outras companhias devido aos receios de competitividade. In Diário Económico 23-04-2012

GOVERNO QUER MAIS CARROS ELÉTRICOS NAS CIDADES ...................................................................................................................

“WORLD GREEN CAR 2012”

O actual Governo quer apostar nos carros elétricos e para isso pretende atribuir a quem detém esse tipo de automóvel, estacionamento grátis e possibilidade de circulação nas faixas de rodagem reservadas aos transportes públicos. Um documento, relativo aos Planos Nacionais de Acção para a Eficiência Energética e para as Energias Renováveis, defende a existência de uma quota de veículos elétricos nas frotas da administração central e dos municípios. Segundo o mesmo documento, a utilização de energias renováveis nos transportes está aquém do desejado, o que pode comprometer os acordos assumidos por Portugal até 2020. Essa utilização pode levar a incentivos financeiros, como a redução ou isenção do Imposto Automóvel.

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In Destak 20-04-2012

A Nissan prepara-se para introduzir na europa uma remessa de 400 novos carregadores rápidos de corrente contínua que cumprem as normas internacionais ChadeMo, ou seja, permitem carregar todos os veículos dotados desta norma “universal”. De acordo com a sucursal portuguesa da Nissan Iberia, a implementação dos carregadores rápidos em Portugal já está a ser negociada, não sendo ainda conhecida a quantidade de carregadores destinados ao nosso mercado – apenas que deverão ser implementados em território nacional até ao verão. In Auto Hoje- 26-04-2012

No cair do pano do salão de Nova Iorque, ficou a saber-se que o Mercedes S 250 CDI BlueEfficiency foi eleito “World Green Car 2012”. O modelo bateu os dois finalistas (ford Focus e Peugeot 3008 Hybrid), apurados de uma lista de 23 veículos novos. 22

HONDA CEDE TECNOLOGIA PARA CARROS HÍBRIDOS A CONSTRUTORES CHINESES DE AUTOMÓVEIS

In Auto Hoje 26-04-2012


OPINIÃO É cada vez mais inegável que a mobilidade elétrica é uma realidade que veio para ficar. Recheadas de um misto de promessas e entusiasmo, desilusões e desconfianças, o hype relativamente aos elétricos tem recebido mixed feelings do público em geral, dos profissionais do setor e entidades governamentais. As conclusões do Observatório Cetelem antecipam em Portugal uma cada vez maior sensibilização e conhecimento do público em geral sobre o fenómeno emergente da mobilidade elétrica, antecipando um futuro risonho para este novo paradigma. Com a conclusão da implementação da fase piloto em Portugal até ao final do ano, os desejos dos Portugueses em disporem de um maior número de pontos de recarga rápida disponíveis na via pública será concretizado, com a instalação de mais de 40 pontos de carregamento rápido (compatíveis com a norma japonesa CHAdeMO para os modelos da Nissan, Mitsubishi, Citroen e Peugeot) acrescendo ainda os fornecidos pela Nissan, para além de outros postos com maior potência de carregamento (em AC) que permitem carregar a bateria de veículos como os da Renault em pouco mais de 1 h. Se 2011 foi o ano dos elétricos, com o Nissan Leaf (elétrico puro) a vencer o World Car of the Year e o Chevrolet Volt (elétrico com extensor de autonomia) a ser atribuído com o World Green Car, em 2012 os elétricos foram relegados para segundo plano com o galardão a ser atribuído ao Mercedes S250 CDI Blue Efficiency privilegiando a eficiência no consumo num segmento de luxo. Espera-se que um ressurgimento da economia mundial conjugado com a maior pressão relacionada com os custos energéticos e ambientais, origine um renovado apoio do poder central e local dos diversos países na promoção da mobilidade elétrica, sobretudo através de incentivos indiretos. Ao contrário do que anuncia a notícia do jornal, Destak&, os veículos elétricos já são neste momento isentos de ISV (e IUC) fruto da definição do próprio imposto. André Dias (INTELI)

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NOTÍCIAS AERO

NEWFACE VAI INFLUENCIAR AVIAÇÃO CIVIL DO FUTURO

BOMBARDIER REFORÇA PRESENÇA NA CHINA

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Na continuidade do projecto LIFE, (Lighter, Integrated, Friendly and Eco-Efficient aircraft cabin), a SET – Sociedade de Engenharia e Transformação, do Grupo Iberomoldes, da Marinha Grande, vai liderar o newFACE (Future Aircraft Configurations for Eco-Efficiency), um projecto na área da aeronáutica desenvolvido por um consórcio de quatro empresas e instituições.

A construtora aeronáutica canadiana Bombardier inaugurou ontem escritórios em Xangai, com o objetivo de reforçar a sua colaboração com a indústria chinesa do setor.

In Jornal de Leiria - Concelhos 26-04-2012

In OJE 11-04-2012

EMBRAER E BOEING FORTALECEM COOPERAÇÃO ...................................................................................................................

EMBRAER ANUNCIA AUMENTO DE 21% NAS ENTREGAS DO PRIMEIRO TRIMESTRE ...................................................................................................................

A fabricante brasileira de aviões Embraer aumentou em 21% as entregas durante o primeiro trimestre do ano, quando foram concluídas 34 aeronaves, face às 28 do mesmo período de 2011. In Diário Económico 18-04-2012

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A empresa brasileira de aeronáutica Embraer e a americana Boeing assinaram um acordo de cooperação para as áreas da investigação e desenvolvimento, num evento que se tornou o ponto alto da visita da presidente do Brasil, Dilma Rouseff, a Washington. In OJE 11-04-2012


OPINIÃO

‘Numa altura em que os países ocidentais começam a abrir o seu mercado a investimentos de origem chinesa, o contrário também acontece com a abertura da China ao mundo exterior, denotando uma cooperação que poderá trazer dividendos para ambos os lados. Um dos últimos actos desta cooperação ocorreu no passado dia 10 de Abril com a inauguração dos escritórios em Xangai da construtora aeronáutica canadiana Bombardier. Estas infra-estruturas serão um importante alicerce na consolidação do negócio desta empresa no mercado do nordeste asiático, bem como na gestão do projecto do maior avião comercial chinês, o COMAC C919. Sem dúvida, um exemplo a seguir num mercado com potencial e ainda pouco explorado. No início do ano previa-se uma recessão para a indústria aeronáutica e se olharmos para os dados liberados pela Empresa Brasileira de Aeronáutica S. A. (Embraer), uma das maiores do setor, parecem concordar com a previsão. Apesar do aumento de 21% nas entregas de aeronaves, verifica-se uma descida de cerca de 36% no lucro da empresa no primeiro trimestre deste ano quando comparado com o mesmo período do ano de 2011. No entanto, se compararmos o valor correspondente ao volume de encomendas de aeronaves EMBRAER (11.2 mil milhões de euros) com o endividamento actual da empresa (1.4 mil milhões de euros) verificamos que o primeiro é 8 vezes superior, justificando assim a vitalidade e o crescimento meteórico da Embraer na última década. Recentemente, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) revelou que a previsão para 2050 relativamente à dependência energética dos combustíveis fósseis será de 85% do total da energia requerida. Esta dependência implicará também um aumento de cerca de 50% das emissões de gases causadores de efeito de estufa. Tendo em conta estes dados e a volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis (nomeadamente, o petróleo) nos últimos anos, torna-se imperativo que medidas eficientes sejam tomadas. Dado que as diversas medidas governamentais até hoje implementadas não foram capazes de inverter este rumo, a consciencialização para este problema terá de partir, inevitavelmente, de quem mais depende destes mesmos combustíveis, ou seja, terá de partir de cada um de nós, mas também de instituições que através da sua grandeza possam influenciar outros. Portanto, é de salutar a cooperação entre duas das maiores empresas do ramo aeronáutico, a brasileira Embraer e a americana Boeing, de modo a aprimorar a eficiência, a segurança e a produtividade das suas aeronaves. Nestes acordos de cooperação prevê-se também um financiamento para a “análise de oportunidades” para a produção de combustíveis sustentáveis para a aviação, cenário que poderá consolidar ainda mais o Brasil como líder mundial na tecnologia de biocombustíveis. Em Portugal, apesar da conjuntura actual da economia nacional, também existem bons exemplos de investimentos nas energias renováveis direcionadas para as indústrias da mobilidade, destacando-se o MOBI.E como um projeto amplo e inovador. Relativamente ao ramo aeronáutico, tendo em conta que o volume de investimento é normalmente superior quando comparado com o ramo automóvel, os projetos para a melhoria de eficiência das aeronaves são mais escassos. No entanto, eles existem, salientando-se o projecto newFACE, liderado pela SET - Sociedade de Engenharia e Transformação, onde se pretende desenhar novas configurações de aeronaves de forma a aumentar a sua eficiência energética, bem como novos conceitos de interiores, com o objetivo de melhorar o conforto dos passageiros.’ André Matos (CEIIA)

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Ficha técnica Edição: PCT da Mobilidade (CEIIA e INTELI) Data: Abril, 2012 Equipa VOZ OFF: Bernardo Sousa Ribeiro (CEIIA), Diana Reis (INTELI), Gualter Crisóstomo (INTELI), Helena Silva (CEIIA), Maria João Rocha (INTELI), Sónia Pereira (CEIIA) Colaboraram nesta edição: André Camboa (MIT Portugal) André Dias (INTELI), André Matos (CEIIA), António Monteiro (INTELI), Deborah Perrotta (MIT-Portugal), Luís Isidoro (CEIIA) Design: Inês Neves (CEIIA) Coordenação: CEIIA/INTELI

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VOZ OFF Abril 2012