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| 2017

de Minas Novas-MG Cecília Aparecida Figueiredo Sousa

Requalificação do Centro Histórico

Patrimônio e Cidade:


Cecília Aparecida Figueiredo Sousa

Patrimônio e Cidade: Requalificação do Centro Histórico de Minas Novas-MG

Trabalho Final de Graduação do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Moura Lacerda. Orientador: Prof. Dr. Rodrigo Sartori Jabur

Ribeirão Preto-SP

2017


DEDICO

Ao povo do Vale do Jequitinhonha.


AGRADEÇO A DEUS Aos meus pais Aos meus irmãos Ao meu namorado Aos verdadeiros amigos A todos da Escola Estadual Olídia Lemos de Oliveira Aos professores do Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Moura Lacerda E a todos que, de alguma forma, torceram e/ou contribuíram para a realização deste sonho.


Você que anda com o pé rachado e com a palha atrás da orelha Com a aba do chapéu na testa e se vira da noite pro dia Você que banha no Fanado e que tira ouro de bateia Que faz da vida uma festa e adora falar poesia Desculpe, seu doutor, mas receba os cumprimentos meus Eu fico com a filosofia do mestre João de Deus A saudade me maltrata e me faz olhar no calendário Pra ver se faltam poucos dias para ouvir o tambor do rosário... Vale que vale cantar Vale que vale viver Vale do Jequitinhonha Vale eu amo você. (Jequitivale - Verono)


RESUMO

Os edifícios antigos e os sítios históricos necessitam de intervenções que sejam capazes de mantê-los aos moldes atuais, garantindo a manutenção e lhe atribuindo o devido valor histórico. É a proposta de uma possível Requalificação do Centro Histórico da cidade de Minas Novas, região do Alto Jequitinhonha, estado de Minas Gerais. A partir do reconhecimento de todo o município, principalmente da área urbana, se esclarece, mais afundo, as necessidades que, tanto a população quanto o sítio histórico da cidade, possuem. A compreensão dos modelos de referência, assim como das diferentes teorias de restauração e a legislação que atende as etapas de intervenção, conclui numa adequada proposta de restauro do Sobradão e conservação/manutenção dos demais monumentos históricos junto à infraestrutura urbana, com o desejo de tornar uma cidade turística, economicamente viável e com uma população que respeita a sua história. Palavras-chave: requalificação; restauração; intervenções; Minas Novas; Sobradão; Centro Histórico.


ABSTRACT Old buildings and historical sites require interventions that are capable of keeping them in the current mold, guaranteeing maintenance and giving it due historical value. It is the proposal of a possible requalification of the Historical Center of the city of Minas Novas, region of Alto Jequitinhonha, state of Minas Gerais. From the recognition of the entire municipality, especially from the urban area, it clarifies, further, the needs that both the population and the historic site of the city have. The understanding of the reference models, as well as of the different restoration theories and the legislation that attends the stages of intervention, concludes with an adequate proposal for the restoration of SobradĂŁo and conservation/maintenance of the other historical monuments next to the urban infrastructure, with the desire to make a tourist city, economically viable and with a population that respects its history. Keywords: requalification; restoration; interventions; Minas Novas; SobradĂŁo; Historic Center.


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO 12 HISTÓRIA QUE CORRE NAS VEIAS 15 A HISTÓRIA EDIFICADA 18

IGREJA MATRIZ DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS 19 CAPELA DE SÃO JOSÉ 22 IGREJA DE NOSSA SENHORA DO AMPARO 25 IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO 27 CAPELA DE SÃO GONÇALO 31 OUTRAS EDIFICAÇÕES DE INTERESSE 34

O PATRIMÔNIO E A CIDADE 37 A OCUPAÇÃO 38 A CIDADE 42

ASPECTO ECONÔMICO 44 ASPECTO URBANO 46 ASPECTO AMBIENTAL 52

A CONEXÃO 53

A TRADIÇÃO 54 O DESCASO 56 A OPORTUNIDADE 58

SOBRADÃO: DIAGNÓSTICO E ESTADO DE CONSERVAÇÃO 61 SOBRADÃO 62 INTERVENÇÕES 63 ATUAL ESTADO DE CONSERVAÇÃO 66 PISO TABOADO CORRIDO 67 PORTAS E JANELAS 67

BARROTEAMENTO DE FORROS E PISOS 68

REVESTIMENTO EM REBOCO 68 INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E HIDRÁULICAS 69 ESTRUTURA EM MADEIRA E TELHADO DA COBERTURA 69


REFERÊNCIAS PROJETUAIS 71 PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO DO CENTRO HISTÓRICO DE SALVADOR AO PLANO DE REABILITAÇÃO PARTICIPATIVO DO CENTRO ANTIGO 72 REVITALIZAÇÃO E RECUPERAÇÃO: A EXPERIÊNCIA DE OLINDA-PE 77 PROJETO DE RESTAURAÇÃO DA CASA DE CÂMARA E CADEIA DE MARIANA-MG 80

O PROJETO 83 DIRETRIZES 84 PROPOSTA 85

PLANTAS, CORTES E FACHADA (SEM A INTERVENÇÃO) 86 INTERVENÇÃO NO ESPAÇO 98

CONSIDERAÇÕES FINAIS 123

Teatro a Bordo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 124


INTRODUÇÃO

O presente trabalho propõe a requalificação do Centro Histórico da cidade de Minas Novas. Numa reflexão sobre as necessidades existentes na relação entre o patrimônio histórico e a cidade, enxergamos os bens culturais como perpetuadores da memória e da identidade de um povo. Serão abordadas ao longo do trabalho todas as características que foram tidas como relevantes e que dependem de uma atenção maior. Quando lidamos com um edifício histórico, ou mesmo com vários deles, é necessário verificar o grau de contribuição que estes têm para com o local, para que então possam ser realizadas as intervenções. A escolha das formas como estas intervenções serão realizadas, dependem, tanto quanto, de como se encontra a situação de preservação dos bens de valores históricos. A atual situação de conservação/manutenção dos edifícios de caráter histórico da cidade de Minas Novas não é das melhores. O Sobradão, uma das principais construções arquitetônicas do período Colonial brasileiro, hoje se encontra em péssimas condições, assim como tantas outras edificações. Atrelado a isso, está a baixa condição econômica que se situa a cidade, onde os investimentos são poucos e os níveis de migração de pessoas em busca de melhores oportunidades de vida são altos. Em resposta a estes problemas, a requalificação irá proporcionar a geração de renda através do turismo. O aumento da atração turística representará o aumento da economia da cidade; além da conservação dos bens, o turismo incentivará o trabalho da população local, constituindo ganhos para todos. Há de se entender, entretanto, que a requalificação só levará bons frutos para a cidade se abranger toda a população, sem nenhum tipo de segregação. O objetivo geral, então, é fazer com que esta requalificação mude as atuais condições econômicas da cidade de Minas Novas, como também conserve e mantenha as intervenções, a fim de valorizar as raízes e potencializar o uso das edificações. Os objetivos específicos tem por maiores premissas a restauração do edifício do Sobradão, com o intuito de manter seu uso voltado para a atividade cultural; a manutenção e conservação dos demais edifícios de caráter histórico e por fim, intensificar o turismo na região como forma de criação de renda e diminuição dos níveis de migração. Este trabalho serve como forma de difundir certas características municipais desconhecidas por boa parte da população, visto o grande desinteresse dados por eles aos edifícios históricos, onde muitos julgam como atraso para o desenvolvimento da cidade. Um maior aprofundamento nas informações mostra o quanto o município de Minas Novas já foi importante para a estruturação da região do Vale do Jequitinhonha, e como esta ainda pode se

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tornar um lugar bem constituído, que conserva sua história e a repassa para as futuras gerações. Como metodologia de pesquisa, foram realizadas visitas ao IPHAN de Belo HorizonteMG em Outubro de 2016 e Agosto de 2017, para consultas em arquivos referentes à cidade de Minas Novas; assim como visitas ao próprio local em Janeiro e Julho de 2017, a fim de se ter noção da real situação em que se encontra e poder ter as sensações que somente uma cidade com muita história pra contar e de um povo acolhedor tem. Todas estas prospecções estão unidas a dados bibliográficos a respeito da cidade e das técnicas de intervenções, a fim de manter uma pesquisa centrada e bem contextualizada. Após as devidas reflexões, a pesquisa ficou estruturada em cinco capítulos. O primeiro deles apresenta, de forma breve, toda a história de ocupação da cidade, da sua prosperidade até a decadência em virtude do esgotamento das pedras preciosas. Além disso, é demonstrado o histórico das principais edificações da cidade, caracterizando sua estrutura física e materialidades, como também os órgãos responsáveis pelos seus tombamentos (quando existente). O segundo capítulo estrutura como a cidade se encontra atualmente em seus aspectos econômicos, ambientais e urbanos, além de caracterizar a maneira como a população se relaciona com os bens históricos. A questão de descaso é apresentada e logo em seguida são mostradas as possíveis oportunidades para mudar a situação atual. O terceiro capítulo apresenta, sinteticamente, as intervenções realizadas no Sobradão ao longo dos anos, bem como o diagnóstico e atual estado de conservação do mesmo. Pode-se perceber a tamanha degradação geral da edificação, onde problemas aparecem desde o telhado até o piso tabuado corrido do térreo. O quarto capítulo consta as experiências projetuais vividas pelos projetos de requalificação, revitalização e recuperação de centros históricos, neste caso, os de Olinda e Salvador. As situações são bem significantes e ajuda a nortear na questão de como fazer dar certo uma intervenção em sítio histórico junto com a população e respeitando a memória do local. As questões que não deram certo também servem de referência (a não ser seguida). Conta também com o projeto de recuperação da Casa de Câmara e Cadeia de Mariana, exemplificando como é possível manter uma relação harmônica entre o novo e o antigo. O quinto e último capítulo especifica, após a leitura e compreensão de diversos dados, a proposta de projeto a ser realizada. O foco principal de intervenção será a restauração do Sobradão, visto o seu atual estado de degradação, mas sempre com preocupação em relação ao entorno do edifício e aos demais monumentos históricos que também merecem os devidos cuidados.

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HISTÓRIA QUE CORRE NAS VEIAS


O antigo Termo da Vila do Fanado, hoje município de Minas Novas, teve um processo de formação singular. Ocupando um amplo território no norte-nordeste mineiro, a exploração e ocupação ocorreram em fins da década dos setecentos. Por volta de 1727, um grupo de bandeirantes – chefiados por Sebastião Leme do Prado – que em busca de novas jazidas embrenhavam-se sertão adentro, localizou a ocorrência de ouro em um dos afluentes do Rio Fanado, que recebeu o nome de Ribeirão Bom Sucesso. Entre o rio e o seu afluente dividiu-se as terras e foi construída uma capela em homenagem a São Pedro, em torno da qual se formou o primeiro núcleo populacional, nascendo assim o Arraial de São Pedro do Fanado. As primeiras populações da cidade vieram do Distrito Diamantino – atual Diamantina – fugindo de uma epidemia, além do fluxo migratório atraído pela fama de riqueza das novas jazidas. Em 1730, o arraial foi elevado à categoria de Vila, com nome de “Vila de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Minas Novas do Araçuaí” ou “Vila do Bom Sucesso do Fanado de Minas Novas”. Até 1757, Minas Novas pertenceu à capitania da Bahia. Apesar de estar comissionado pelo Governador de Minas Gerais como guarda-mor das terras mineiras descobertas, Sebastião Leme do Prado foi convencido por seus primos – Domingos Dias do Prado e Francisco Dias do Prado, líderes de Itacambira –, a comunicar a descoberta do Bom Sucesso ao Governo da Bahia. Os irmãos Dias Prado alegavam que as terras recém-descobertas pertenciam àquela capitania, mas desde 1722 as fronteiras entre Minas Gerais e Bahia já estavam definidas pelo Rio Verde, da nascente até a foz. Os descobridores paulistas estavam mais preocupados em sonegar os quintos do que defender a alçada da Bahia. Logo que o Governador da Bahia e vice-rei do Brasil D. Vasco Fernandes César de Menezes recebeu o manifesto, tratou de se apoderar das terras e só então comunicar ao rei, que determinou estabelecer uma intendência naquela região, em que o ouro pudesse ser quintado. Em 1730, atendendo a reclamação da população por uma justiça mais próxima, o Conselho Ultramarino submeteu a Vila de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Minas Novas do Araçuaí à comarca do Serro, estando então vinculada judicialmente a Minas Gerais, mas permanecendo subordinada à Bahia no âmbito militar, administrativo e eclesiástico. Esta situação foi agravada quando, em 1742, foi criada a comarca de Jacobina ao sul da Bahia, onde Minas Novas acabou ficando por sua alçada. Devido ao aparecimento de diamantes na região, houve a transferência da Vila e seu Termo para a Capitania de Minas Gerais e à Comarca de Serro, em treze de maio de 1757. A justificativa era que esta tranferência iria impedir os diversos extravios de diamantes que se faziam para a Bahia,

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fato este que não poderia ser reprimido pelo intendente geral, que residia no Tijuco (Diamantina), pois suas ordens deveriam passar primeiro pelo governo da Bahia, a léguas de distância. Minas Novas teve um curto período de prosperidade – assim como todas os núcleos mineradores da capitania – , entrando em decadência à medida que iam se esgotando as reservas auríferas e de pedras preciosas. Houve um esvaziamento populacional, onde os que permaneceram passaram a trabalhar na lavoura e a criar gados para subsistência. O declínio da cidade foi retardado por alguns anos devido a cultura do algodão; a terra era próspera para o seu cultivo e, em finais do século XVIII e começo do XIX, o antigo Termo da Vila do Fanado tornou-se importante exportador de cobertores e algodão em rama, além de outros tecidos grossos. Saint-Hilaire, naturalista francês que visitou a região em 1817 junto com outros companheiros, fez diversos elogios à qualidade dos cobertores de algodão de Minas Novas, que eram bastante apreciados na Europa. Outro importante viajante, Johann Emanuel Pohl, também descreveu a região e suas qualidades comerciais: Toda a região é montanhosa, especialmente ao norte; e os cumes das serras, em sua maioria, formam extensas chapadas ou tabuleiros. Os vales são geralmente cobertos de matas e frequentemente atravessados por rios e riachos, que tornam o solo limítrofe muito fértil e especialmente adequado à cultura do algodão. Cria-se gado em amplas áreas. O gado e os produtos agrícolas alimentam atualmente os habitantes, que, desde que diminuiu notavelmente a produção de ouro, que aqui ocorria tão abundantemente nos rios, estão inteiramente empobrecidos. Antigamente este Termo era muito rico também em pedras preciosas. (POHL, 2000, p. 331-332). Através da lei Provincial nº 163, em nove de março de 1840 a Vila foi elevada à categoria de cidade, com nome de Minas Novas. Em 1856, devido às dificuldades de administração de todo aquele território isolado, foi proposto a instituição da província autônoma de Minas Novas ao parlamento do Império, onde seriam abrangidas as comarcas de Porto Seguro e Caravelas, que pertenciam à Bahia, e Jequitinhonha, que pertencia à Minas Gerais. A nova província não foi aceita e a região continuou distante dos principais centros de decisões, acentuando sua estagnação. Uma alternativa para o crescimento na época foi a construção de uma estrada de ferro que ligava Filadélfia (Teófilo Otoni) até o Porto de Caravelas, na Bahia. Porém, o ramal que ligava Teófilo Otoni a Minas Novas não foi executado, deixando a região dependente das estações vizinhas para o escoamento de seus produtos agropecuários como o toucinho, a aguardente, o algodão e o açúcar.

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A HISTÓRIA EDIFICADA Devido à vinculação de Minas Novas à Bahia, a documentação dos arquivos sobre a formação social e cultural da região é, praticamente, escassa. As edificações religiosas e civis não possuem uma tangente histórica concreta, onde o pouco que se sabe deve-se a frequentes citações feitas por autores do século XVIII e XIX. Não é possível saber a data precisa de suas construções, os artistas que trabalharam ali, quem foram seus construtores, etc. Não há como afirmar se houve participação de artífices renomados ou se foram, exclusivamente, artistas locais. Algumas peculiaridades e soluções um tanto que originais de improvisação levam a crer na segunda hipótese, porém, há certas características similares a outras partes da Capitania, que foram adaptados às condições locais. Muitas das igrejas, por exemplo, apresentam características parecidas com a arquitetura bandeirista, especialmente no que diz respeito à solução adotada na cobertura. São hipóteses, mas não deixam desmerecer a bela arquitetura da cidade, esta que encantou também os diversos viajantes estrangeiros que por lá passaram no início do século XIX.

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IGREJA MATRIZ DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS A atual matriz, que pertence à Ordem Terceira de São Francisco de Assis de Minas Novas, foi construída na segunda metade do século XVIII. Ela adquiriu esta função após a demolição da antiga matriz de São Pedro, em 1923. Esta última era pra ser reconstruída com preservação de sua capela-mor, porém, não foi efetivada a reconstrução. Segundo documentação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, a Matriz de São Francisco de Assis sofreu reparações em 1854 e 1872 efetuadas pela Província, mas não se sabe ao certo que trabalhos foram realizados. Em 1955, a restauração esteve por conta do IPHAN, que derrubou a parede dos fundos; e mais tarde, suprimiram-se dois altares do arco-cruzeiro e retiraramse as grades que separavam a nave da capela-mor. Estruturada originalmente em taipa e madeira, possui planta composta de nave, capela-mor e longos corredoressacristias. No segundo pavimento, os corredores possuem tribunas em toda a extensão, abrindo-se para o interior da igreja.

A fachada principal é desprovida de torres e engloba, além do frontispício central, os muros dos corredores laterais. De acordo com o IPHAN, esta ausência de vãos pressupõe uma possível construção de torres que não foi realizada, onde todo o edifício parece ter sido construído aos poucos, sem um plano definido. De característica rígida, a fachada apresenta porta única e três janelas com balaústres entalados à altura do coro, um óculo ao meio da empena e logo abaixo, uma sineira. Todas as janelas e portas são trabalhadas com técnica de almofadada. Internamente, o forro é abobadado na capela-mor e telhado aparente na nave, local onde se destacam os dois púlpitos em madeira almofadada. Do conjunto de talha que existia ali, restou apenas o altar-mor, “simplificado em suas linhas estruturais, com ausência de colunas e delimitado apenas por duas pilastras laterais, este retábulo da capela-mor denuncia, em interpretação provinciana, as características do rococó tardio (...)” (IPHAN, 1979). Figura 1 | Fachada principal da Matriz de São Francisco de Assis (1978). Fundação João Pinheiro

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Figura 2 | Altar-mor da Matriz de SĂŁo Francisco de Assis. Arquivo pessoal

Figura 4 | Corredor-sacristia. Arquivo pessoal

Figura 5 | À direita, tribunas que se abrem para o interior da igreja; ao fundo, parte do coro. Arquivo pessoal

Figura 3 | Forro abobadado na capela-mor e telhado aparente na nave. Arquivo pessoal

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A Matriz de São Francisco de Assis é tombada pelo IEPHA-MG, conforme Decreto Estadual nº 20.557, de treze de maio de 1980.

Figura 6 | Fachada principal da Matriz de São Francisco de Assis. Sérgio Mourão

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CAPELA DE SÃO JOSÉ De acordo com o IPHAN, nada comprova a data concreta da construção da Capela de São José, o que leva a supor que tenha sido edificada na segunda metade do século XVIII. Nem mesmo a data inscrita em seu sino – 1728 – é um indício totalmente confiável. O que mais chama a atenção nesta edificação é a sua singularidade arquitetônica, visto que ela é a única com planta octogonal do período colonial brasileiro. Sylvio de Vasconcellos a compara com a Capela Templária de Laon, na França, construída no século XIII. Segundo Sylvio, as plantas das duas capelas são completamente iguais, apenas diferenciando na sua forma de construir: “Numa, utilizando soluções peculiares à Colônia, com técnica de pau-a-pique e nártex em alpendre ou copiar

e, noutra, soluções medievais, em pedra, ogivais”. O corpo central da Capela é constituído pela nave em formato octogonal, coberta por uma pequena cúpula e precedida por um vestíbulo do tipo alpendre, desprovido de forro e à meia altura das paredes e vãos fechados por grades de madeira. A capela-mor possui planta hexagonal, que se conecta a nave por um arco-cruzeiro de madeira e teto abobadado apainelado. O sino se encontra em uma delgada janela lateral. A talha é de grande simplicidade, mas esta é compensada pela magnífica qualidade das pinturas que representam cenas protagonizadas por São José. Constam-se textos de restaurações ocorridas em 1954 e 1965, promovidas pelo IPHAN, na Sede do Instituto em Belo Horizonte - MG.

Figura 7 | Fachada lateral da Capela de São José (1978). Fundação João Pinheiro

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Figura 8 | Planta baixa da Capela de SĂŁo JosĂŠ. casaabalcoada.blogspot.com.br

Figura 10 | Ao fundo, Capela-mor com teto abobadado apainelado, precedida pelo arco-cruzeiro. Arquivo pessoal

Figura 9 | Teto do corpo central da Capela. Arquivo pessoal

Figura 11 | Sino lateral. Arquivo pessoal

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A Capela de São José é tombada pelo IPHAN, conforme Inscrição nº 396 – Livro de História, fls.64, data de abril de 1967.

Figura 12 | Fachada principal da Capela, com destaque visual para o vestíbulo do tipo alpendre (2017). Arquivo pessoal

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IGREJA DE NOSSA SENHORA DO AMPARO Conforme documentação do IPHAN, a Igreja de Nossa Senhora do Amparo foi construída pela Irmandade dos Homens Pardos da antiga Vila do Fanado, na segunda metade do século XVIII, no auge das irmandades e confrarias religiosas do período colonial de Minas Gerais. Sua antiguidade é comprovada através de referências feitas por dois importantes autores do século XIX, são eles: Aires do Casal e Pizarro Araújo. Esta sofreu diversas modificações e reforma ao longo de sua história. Em 1854 já havia relatos de necessidade de auxílios para impedir a ruína da edificação. Nos anos de 1956/1957 e 1962/1963, restaurações foram promovidas pelo IPHAN. A documentação do IPHAN indica que as amplas

Figura 13 | Fachada principal da Igreja de Nossa Senhora do Amparo (1978). Fundação João Pinheiro

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reformas sofridas acabaram modificando seu caráter original. Houve aumento do espaço interno com integração dos corredores à nave, com demolição das paredes divisórias que comprometeu a harmonia dos volumes externos do edifício. A capela-mor é a única parte primitiva que ainda está intacta, com peças de interesse decorativo, como o retábulo, a pintura do forro e algumas imagens em madeira policromada. O altar-mor em talha rococó possui características regionais estruturado em pilastras e quartelões, com ornatos e dois nichos com dosséis nas laterais e guirlandas de flores pintadas. Durante um trabalho de restauração em 2009, foi encontrada, por baixo de camadas de tintas, uma importante pintura decorativa em perspectiva no forro da capela-mor.


Figura 14 | Ao fundo, Altar-mor com pintura no teto. À direita e esquerda, corredores-sacristias. Arquivo pessoal

Figura 15 | Porta almofadada. Arquivo pessoal

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A Igreja de Nossa Senhora do Amparo não é tombada, apesar de sua relevância para com a história da cidade.

Figura 16 | Fachada principal da Igreja de Nossa Senhora do Amparo (2017). Arquivo pessoal

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IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO Segundo o IPHAN, não foram encontrados nenhum documento que comprovasse a data de construção da igreja. Por suas características, é de se pressupor que foi construída ainda no século XVIII, embora a tradição local constatar que a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos da antiga Vila do Fanado, responsável pela edificação, tenha surgido somente em 1810. A igreja é uma das mais prestigiadas pelos fiéis da cidade, pois, anualmente, nesta é realizada a tradicional Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Minas Novas. Seu aspecto arquitetônico está voltado para o partido das primeiras matrizes mineiras da primeira metade do século XVIII, assim como a Igreja de Nossa Senhora do Amparo. Sua planta é quadrangular, com divisão em nave, capela-mor e corredoressacristias ao longo de toda fachada lateral do edifício.

A fachada principal possui duas torres de seção quadrada e cobertura em telhado de quatro águas, empena lisa com um pequeno óculo, porta almofadada e duas janelas balaustradas de madeira recortada. A estrutura é em madeira e taipa, com telhado de duas águas e beirais em cachorros. Internamente, seu forro é abobadado, de tabuado liso, com pintura decorativa e arco-cruzeiro de madeira, púlpito único e grade de madeira torneada separa a nave dos altares do arco-cruzeiro. O conjunto de talha é composto de três altares, onde o retábulo da capela-mor em estilo rococó de interpretação provinciana é o mais interessante. A igreja possui importantes peças da imaginária barroca. A repintura de alguns elementos ornamentais e o piso em cimento vermelhão, infelizmente, contribui para a desarmonia do conjunto interno da igreja.

Figura 17 | Fachada da Igreja de Nossa Senhora do Rosário (1978). Fundação João Pinheiro

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Figura 18 | Cerimônia de lavação da Igreja em período festivo. Destaque para o piso em cimento vermelhão e o coro, ao fundo. Secretaria de Cultura de Minas Novas

Figura 20| Altar-mor da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, com destaque para as peças de imaginária. Agência Minas

Figura 19 | Imagem de Nossa Senhora do Rosário. Geraldo M. M. Coelho

Figura 21 | Vista posterior da Igreja de Nossa Senhora do Rosário Sérgio Mourão

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A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos não é amparada por medida legal de tombamento.

Figura 22 | Fachada da Igreja de Nossa Senhora do Rosário (2017). Arquivo pessoal

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CAPELA DE SÃO GONÇALO Não há documentação sobre a data de construção desta capela, tampouco dos artistas e artífices que trabalharam na sua edificação e ornamentação. Segundo tradição local, a Capela de São Gonçalo seria a mais antiga da cidade e sua construção realizada pelos portugueses que vieram para a Vila do Fanado. Sua fachada principal está voltada para a Casa de Fundição no Morro da Contagem, para assim, esta estar sob a proteção do santo padroeiro. De acordo com o IPHAN e fato facilmente notado, é seu aspecto arquitetônico de imensa simplicidade. A planta possui nave, capela-mor e duas sacristias laterais, com ausência de torres ou sineiras. Sua estrutura é em taipa e madeira, a cobertura é em duas águas nos corpos

principais e meia água nas sacristias, enquanto as beiradas são em cachorro e madeira corrida. A fachada é singela, com cunhais de madeira, duas janelas rústicas, um pequeno óculo abaixo da empena e uma porta com verga em desenhos de curva e vedação em folhas almofadadas. Internamente, o IPHAN destaca como mais interessante o sistema de acesso ao coro e ao púlpito, através de um estreito corredor embutido na parede de taipa. No forro da capela-mor se destaca um painel representando São Gonçalo, datado do século XVIII. As peças de imaginária pertencentes à capela, imagens de São Gonçalo e de Nossa Senhora do Terço, estão guardadas na matriz local.

Figura 23 | Fachada da Capela de São Gonçalo (1978). Fundação João Pinheiro

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Figura 24 | Capela-mor da Capela de São Gonçalo e forro pintado. Carla Mabel

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A Capela de São Gonçalo é tombada pelo IEPHA-MG, conforme Decreto Estadual nº 20.557, datada de maio de 1980.

Figura 25 | Fachada principal da Capela de São Gonçalo (2017). Arquivo pessoal

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OUTRAS EDIFICAÇÕES DE INTERESSE Além destas edificações apresentadas, Minas Novas possui várias edificações de significado histórico que caracterizam o Período Colonial. São eles: a Casa da Família Badaró, que pertenceu ao inconfidente Domingos de Abreu Vieira onde, se hospedou por várias vezes, o líder da Inconfidência Mineira, o Tiradentes; o Sobrado Dário Magalhães, na Rua São José; o edifício da Cadeia Municipal, o da Prefeitura e o da Sede do Banco do Brasil, além de diversas outras edificações térreas e assobradadas hoje usadas como habitações e pequenos comércios. Todas as construções permitem que a memória da antiga Vila do Fanado permaneça viva. As velhas ruas, becos, o calçamento, as igrejas e os edifícios civis conservam toda a esfera urbana da cidade. Outro marco histórico importante é a existência de um obelisco no Morro da Contagem, construído em 1940 como referência à antiga Casa de Fundição da cidade, em cumprimento da Lei de quintagem do ouro explorado na região. Infelizmente não há nenhum registro mais afundo sobre a Casa de Fundição, como fotografias, plantas e/ou histórico e nem o porquê da edificação não existir mais.

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Figura 26 | Obelisco construído no Morro da Contagem. Descubra Minas

Figura 27 | Beco da Mestra Flora, antes da restauração. Geraldo M. M. Coelho

Figura 28 | Casa da Família Badaró. Arquivo pessoal

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O PATRIMÔNIO E A CIDADE


A OCUPAÇÃO Como já dito, a ocupação do município de Minas Novas ocorreu a partir dos seus recursos hídricos que possuíam amplas riquezas minerais. Assim como todas as demais cidades coloniais mineiras, o traçado urbano da área histórica de Minas Novas é totalmente orgânico, o que não significa que a ocupação não era ordenada. A via principal da cidade encontra-se localizada paralela aos dois cursos d’água principais: o Rio Fanado e o Ribeirão Bom Sucesso, o que facilitava o abastecimento de água naquela época. Foram ao longo deste percurso longitudinal que se definiram os primeiros lotes, as primeiras edificações. Em grande maioria das cidades mineiras, assim como, provavelmente, também em Minas Novas, a ocupação populacional em determinado local acontecia em virtude de acidentes geográficos ou do estabelecimento de comércios nos caminhos entre vilas, consolidados com uma edificação religiosa. As ruas acompanhavam a

Figura 29 | Recursos hídricos determinantes para a institucionalização da cidade. Google Maps (editado)

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topografia do terreno, resultando num traçado orgânico. Segundo Sylvio de Vasconcellos (1983), a ausência de ordens religiosas e congregações (carmelitas, jesuíticas, franciscanas, etc.) que responsabilizaram o organismo social com a existência de Irmandades, Ordens Terceiras e Confrarias levam a crer que a relação entre arquitetura religiosa e cada sistema social determinaram o desenvolvimento urbano. As povoações foram acontecendo em torno das edificações religiosas, onde a acumulação de bens da classe social passou a definir a riqueza da edificação. O que antes se iniciou em conjunto tem sua harmonia quebrada, onde cada grupo resolve os problemas a sua maneira. As antigas e simplificadas Capelas dão lugar às ostentadas Matrizes. Fruto do esforço coletivo, da contribuição de grandes parcelas da população, para as iniciativas religiosas se transferiram toda a tendência à ostentação, ao luxo, ao brilho, toda a manifestação do orgulho social que pudesse existir e que não se tornava possível exprimir individualmente. (VASCONCELLOS, 1983, p. 45).

Figura 30 | Demarcação da Via principal (amarelo) e o Centro Histórico (vermelho). Google Earth (Editado)

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Figura 31 | Principais edificações históricas inseridas no eixo viário longitudinal principal. Google Maps e Google Imagens (Editado)

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Figura 32 | Outras edificaçþes importantes. Google Maps e Google Imagens (Editado)

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A CIDADE O município de Minas Novas está localizado na microrregião do município de Capelinha, região do Alto Jequitinhonha, Minas Gerais. Quem ali pertence é chamado de minasnovense ou fanadeiro. Atualmente, o município possui quatro distritos: Baixa Quente, Cruzinha, Lagoa Grande de Minas Novas e Ribeirão da Folha. Sua população, segundo dados do IBGE de 2016, está estimada em 31.963 habitantes, numa área territorial de 1.812,398 Km², segundo dados de 2015. Todos os demais municípios que fazem fronteira com o território de Minas Novas já foram seus distritos, são eles: Chapada do Norte, Capelinha, Leme do Prado, Turmalina, Novo Cruzeiro e Setubinha. Destes atuais municípios, Capelinha é o que apresenta maior crescimento e desenvolvimento econômico, seguido por Turmalina. O acesso destes municípios a Minas Novas é feito por rodovias Estaduais – MG211 e MG308 – e pela rodovia Federal BR367. A extensão destas vias são parte asfaltada e parte ainda em terra batida, este último caso reafirma o esquecimento dos Governos Federal e Estadual para com a região do Vale do Jequitinhonha.

Figura 33 | Mapa da região do Vale do Jequitinhonha e o município de Minas Novas, estado de Minas Gerais. pt.wikipedia.org

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Figura 34 | Mapa regional de Minas Novas e municĂ­pios vizinhos. Mapstore, 2013 (Editado)

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ASPECTO ECONÔMICO

Minas Novas, apesar de ter gerado intensa influência na região nos séculos passados, sendo considerada como “mãe” dos municípios do nordeste mineiro, nos últimos anos parece ter parado no tempo no que diz respeito ao desenvolvimento econômico. Seus setores mais relevantes são o agropecuário e o serviço, seguido pelo comércio, com uma forte tradição no artesanato, principalmente o produzido em argila. Numa pesquisa realizada por Lalada Dalglish (2006), em seu livro “Noivas da Seca: Cerâmica Popular do Vale do Jequitinhonha” percebe-se o quão importante e representativo são os trabalhos das ceramistas da região, onde, principalmente na comunidade de Coqueiro Campo, esta é uma das poucas maneiras de subsistência, onde as dificuldades da região do Vale do Jequitinhonha não oferecem muitas oportunidades de emprego, ainda que esta realidade venha mudando ao longo dos anos. A agricultura familiar é outra vertente que dá apoio à subsistência do município. As feiras-livres são tradicionais em todas as cidades mineiras e são de extrema importância para os agricultores familiares, consumidores, comércios e cultura locais. Segundo análise do Programa de Apoio às Feiras e à Agricultura Familiar no Jequitinhonha Mineiro, a feira em Minas Novas é realizada em um galpão que é aberto todos os sábados; a comercialização é livre, não são cobradas taxa e a Prefeitura Municipal disponibiliza o transporte dos agricultores até a cidade. Além de frutas e verduras, se nota a presença de produtos beneficiados, artesanato, carnes, entre outros. A feira se configura não só como espaço de trocas, mas também de lazer, com cerca de 2.000 pessoas. Para muitas famílias feirantes, este é o único meio de renda mensal onde, grande parte delas, gasta o que recebe no comércio da cidade (supermercados, açougues, lojas, cabeleireiros, etc.), especialmente nos dias de feira, aproveitando o transporte disponibilizado; o fluxo comercial aumenta ainda mais na época das chuvas e no final do ano, quando a feira aumenta sua oferta e produção e os jovens retornam do corte de cana, trazendo consigo o dinheiro guardado referente aos meses de trabalho. O setor de serviços é o que mais emprega, tendo como principais locais as creches, as escolas de ensino fundamental e médio – municipais e estaduais –, secretarias e cargos públicos, instituições sociais (CREAS e CRAS) e as unidades médicas, como pequenos postos de saúde, a Policlínica Domingos Mota e o Hospital Badaró Júnior. Existe, ainda, uma mobilização social em prol da implantação do Campus da UFVJM no município, o que possibilitaria um ensino superior gratuito e de qualidade, além de proporcionar o desenvolvimento econômico, social e sustentável da região.

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Figura 35 | Feira livre de Minas Novas, no interior do Mercado Municipal. Sérgio Mourão

Figura 36 | Feira livre de Minas Novas na área externa. Geraldo M. M. Coelho

Figura 37 | Exemplos do comércio e serviço de Minas Novas. Arquivo pessoal

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ASPECTO URBANO A morfologia viária da cidade é resultado da desarticulação da malha urbana. O desenvolvimento ocorre a partir de toda a extensão do eixo viário principal de caráter arterial, de onde se distribui inúmeras vias coletoras e locais que formam os bairros. Percebe-se a tamanha importância exercida por este eixo desde o início da ocupação da cidade até os dias atuais. Hodiernamente, o comércio e serviço de maior porte da cidade assim como o setor institucional, se desenvolvem, principalmente, ao longo dele, “cortando” toda a extensão da cidade. Portanto, pode-se concluir que, além de portar os principais edifícios históricos, a via arterial denota, praticamente, toda a estrutura econômica e social urbana da cidade. As ruas são estreitas e muitas ainda possuem o calçamento original do Período Colonial: faixa contínua de lajeados, denominada Capistrana, preenchida nas laterais por demais lajes-pedra encaixadas irregularmente, mas com caimento voltado para o eixo a fim de que a água da chuva pudesse escorrer naturalmente. Os demais trechos são em bloquetes de cimento intertravados, que permitem o escoamento da água para o subsolo. Tais características, aliadas ao intenso fluxo de veículos e pedestres, fazem com que o trânsito fique complicado para ambos, já que a sinalização também não contribui e não há existência de transporte público. Estes problemas são ainda maiores na área próxima à rodoviária. As edificações, em geral, são de uma arquitetura simples, sem muitos detalhes, mas com singeleza em suas fachadas. Em muitas não há a presença de muros e/ou outros aspectos para segurança, como cerca-elétrica. A calmaria de cidade pequena e a apreciação da paisagem despertam certa sensação de salvaguarda. Os gabaritos são baixos, chegando a, no máximo, três pavimentos, o que deixa o aspecto da cidade mais “puro”. Entretanto, são poucas as edificações que ainda conservam em seu exterior o caráter original; em muitas se mudaram as fachadas e os usos, onde as que eram residências no passado, agora possuem funcionamento voltado para o comércio e serviço, tirando um pouco da característica/memória da cidade.

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Figura 38, 39, 40 e 41 | Vista aĂŠrea de parte da cidade, com destaque para o eixo viĂĄrio principal (2017). Bruno Lages

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Figura 42 | Via principal (1918). Marcelo Wilton

Figura 43 | Via principal (Anos 70). Dudu Pictures

Figura 44 | Via principal (2012). Irene Sena

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Figura 45 | Encontro das lajespedra com o piso intertravado, ao lado da rodoviária. Arquivo pessoal

Figura 46 | Fluxo de veículos próximo à rodoviária e Sobradão. Arquivo pessoal

Figura 47 | Singeleza das fachadas. Arquivo pessoal

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Figura 48 | Praça Dr. Badaró. Sérgio Mourão

Figura 49 | Praça da Gruta. Sérgio Mourão

Figura 50 | Coreto. City Brazil

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Como boa cidade pacata que é, Minas Novas tem as praças como grande ponto de encontro da população. Durante todo o dia e também durante a noite, nota-se a intensa movimentação nestes lugares, onde as pessoas saem pra colocar o papo em dia, apreciar a cidade e até mesmo trabalhar. Apesar do pouco mobiliário existente, tanto no sentido de quantidade como em variação, percebe-se o apresso que muitas pessoas têm em utilizar as praças. Grande parte desses ambientes está anexada ao bem de valor histórico, funcionando como um complemento da edificação e do espaço circundante. As árvores são frondosas e dão boas sombras, e a vegetação menor está sempre bem podada. No quesito iluminação, a cidade deixa a desejar. Apesar da maioria das praças serem bem iluminadas, o que mais se nota é o posteamento das ruas com fiação superior, que acaba “poluindo” o ambiente. Quem mais sofre com estes aspectos são as edificações históricas, que ficam escondidas em meio ao emaranhado de fios. Além das praças, a população também usufrui de momentos de lazer. A Barragem das Almas, antiga Usina Hidrelétrica de Minas Novas, é um dos lugares mais frequentados pelos moradores para se refrescar e encontrar os amigos. Outro lugar muito frequentado também é a AABB de Minas Novas, mas que possui uma restrição de público, onde somente associados participam. O Ginásio Poliesportivo e o Estádio Municipal completam esta pequena lista de locais para lazer municipal.

Figura 51 | Barragem das Almas, Minas Novas. Geraldo M. M. Coelho

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ASPECTO AMBIENTAL A região de Minas Novas possui clima semiárido caracterizado pelo cerrado, que resulta em intensa variação em relação ao clima, relevos, solos, regime dos rios e biodiversidade. As chuvas duram, no máximo, cinco meses, começando em outubro e terminando em fevereiro. Em época de seca, as temperaturas diminuem até o mês de julho e a partir de agosto começam a subir novamente, até a chegada do período de chuvas. A jornada do dia seguinte foi de cinco léguas. O calor era excessivo; a terra ressecada estava coberta de folhas mortas, e não avistei nem uma flor, nenhum pássaro, nem mesmo um único inseto. Desde que estava em viagem, jamais experimentara tamanho tédio. (SAINT-HILAIRE, 2000, p.239-240.) Na citação acima, feita por Saint-Hilaire durante sua viagem pela região do Rio Jequitinhonha (séculos XIX e XX), pode-se perceber o quanto o clima quente e seco o incomodava e como isto impactava na paisagem e na biodiversidade local, o que não é muito diferente dos dias atuais. A falta e a má distribuição de chuva durante boa parte do ano faz com que os cursos d’água corram em filetes, tornando a falta d’água uma preocupação para o abastecimento de toda a cidade. Segundo Marcos Lobato Martins (2008), em análise às mudanças ambientais no Médio Jequitinhonha entre o início do século XIX e o início do XX, aliados à falta de chuva estavam os assoreamentos dos rios causados pela antiga mineração e o sistema de rodízio da agricultura. Esse rodízio consistia no desmatamento e queima das terras virgens que eram de grande fertilidade; com o passar do tempo, devido a grande quantidade de vezes em que o solo era submetido a essa prática, as terras se tornavam inférteis, havendo necessidade de se encontrar novos lugares. Outro prejudicial foi a prática da pecuária, que desestabilizou os solos e a biodiversidade, com queimadas e derrubadas de vegetação nativa para implantação de pastos cobertos de capins. Atualmente, tais condições, mesmo que em menor escala, ainda encontramse presentes. Associado a eles, está o crescente plantio de eucaliptos na região, o que torna a situação ainda mais preocupante; a prática aumenta os desequilíbrios ambientais e alteram as condições naturais de vegetação local. Tendo em vista a tamanha destruição causada

pelas práticas agrícolas insustentáveis, desmatamentos e crescimento da cidade, há alguns anos foi criada a Associação de Recuperação e Proteção Ambiental de Minas Novas, grupo de voluntários preocupados com a questão ambiental do Rio Fanado e seus afluentes, com o objetivo de lutar contra os atos de degradação. Segundo dados da Associação, foram constatados que a recuperação da bacia hídrica dependia de um longo programa de resgate das matas ciliares e também a proteção das nascentes, juntamente com o tratamento de esgoto das cidades próximas e desenvolvimento de ações de educação ambiental como também oferta de alternativas econômicas sustentáveis, aumentando assim o volume das águas do Rio Fanado, além de melhorar a vida da população. Em 2012, a ARPAMN teve o Projeto Piloto de Recuperação das Nascentes e Mata Ciliar do Rio Fanado aprovado, junto com o Fundo de Recuperação, Proteção e Desenvolvimento Sustentável das Bacias Hidrográficas do estado de Minas Gerais (FHIDRO). Contribuindo com a recuperação, está a Estação de Tratamento de Esgoto operada pela COPASA desde 2014. Esta começou atendendo 56% da população urbana, apresentando como resultado a diminuição de doenças de veiculação hídrica e, consequentemente, internações hospitalares. Além da ETE, a COPASA opera também, duas ETAs, que atendem toda a população da rede urbana.

Figura 52 | Cerrado, Minas Novas. Iolanda Huzak

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A CONEXÃO Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural pode ser definido como um bem material, natural ou imóvel que possui significado e importância para uma sociedade, criando um vínculo coletivo de identidade e memória. Compreender a importância do bem histórico faz com que a memória fique preservada por gerações. É dar valor àquilo que faz parte da identidade da própria pessoa e de toda a população. O impulso de preservar o passado é parte do impulso de preservar o seu eu. Sem saber onde estivemos, é difícil saber para onde estamos indo. O passado é o fundamento de identidade individual e coletiva; objetos do passado são a fonte da significação como símbolos culturais. A continuidade entre passado e presente cria um sentido de sequência para o caos aleatório e, como a mudança é inevitável, um sistema estável de sentidos organizados nos permite lidar com a inovação e a decadência. O impulso nostálgico é um importante agente do ajuste à crise, é o seu emoliente social, reforçando a identidade nacional quando a confiança se enfraquece ou é ameaçada. (HARVEY, 1992, p.85). A relação do patrimônio com a cidade não é nenhuma novidade. Entretanto, criar uma boa relação entre este patrimônio histórico e o desenvolvimento urbano em sítios históricos é um desafio, uma vez que deve-se considerar a composição constante dos significados e identidades, considerando o patrimônio como recurso ao desenvolvimento.

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A TRADIÇÃO Segundo Paula Marques Braga (2013), as áreas Centrais Históricas desempenham importante papel devido ao Patrimônio Cultural que guardam, exigindo associar as análises deste processo, os aspectos complexos da preservação do Patrimônio Cultural e das relações de identidade que o envolvem. O Centro Histórico da cidade de Minas Novas é um fragmento da cidade e um espaço de representação cultural, o que confere valor simbólico ao conjunto de todo o espaço urbano. Lugar rico em festas tradicionais, como o Carnaval de rua e o aniversário da cidade, Minas Novas possui em sua maior ênfase e importância cultural as festas de cunho religioso, tendo como destaque a Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Minas Novas, que ocorre todo ano durante o mês de Junho na Igreja do Rosário e seu entorno, onde colocar a festa na rua exige todo um ritual, que inicia com a lavação da igreja e recebe o nome de “Quinta do Angu”; há também, nesta mesma igreja, a tradicional Festa de São Benedito. A Festa de Pentecostes ocorre na Matriz de São Francisco de Assis e a Festa de São Sebastião é realizada na Igreja de Nossa Senhora do Amparo. Durante todo ano, as igrejas e matrizes são utilizadas para batizados, casamentos, missas e outras festividades católicas. Alguns sobrados são utilizados para abrigar a sede da Prefeitura, as Secretarias Municipais, a rádio da cidade e o Banco do Brasil. O Sobradão, conhecido como “a menina dos olhos do povo de Minas Novas”, já foi sede das Secretarias de Cultura e Esporte, além de ter funcionado também como museu e loja de artesanato. Além dos edifícios, pode-se considerar também como patrimônio municipal imaterial e bens a serem protegidos, as peças de cerâmica produzidas pelas mulheres da zona rural da cidade onde, além de manter a tradição técnica de fabricação herdada de seus antepassados, as artesãs adaptam o trabalho como forma de se diferenciar no mercado.

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Figura 53 | Cortejo da Festa de Nossa Senhora do Rosário. Circuito das Pedras Preciosas

Figura 54 | Banda da Festa de Nossa Senhora do Rosário. Gazeta Araçuaí

Figura 55 | Produção do artesanato em cerâmica. Revista Sagarana

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O DESCASO O acervo histórico, nos últimos anos, vem sofrendo diversos desfalques com casos de demolições e arruinamentos dos edifícios civis e religiosos; há também, ocorrências de evasão de várias peças de arte. Apesar de toda a simbologia, a relação entre o patrimônio e a cidade em geral não é das melhores. Mesmo os edifícios sendo utilizados com grande frequência, eles não se encontram em boas condições. O Sobradão, por exemplo, teve que interromper suas atividades há quatro anos, em virtude das péssimas condições em que se encontra sua estrutura física. As obras setecentistas estão sendo descaracterizadas por construções posteriores que acabam competindo com a visibilidade do monumento tombado, seja por uma pintura inadequada ou mesmo execução de uma obra de volume e gabarito inadequado. Tais ações ocorrem devido a falta de políticas públicas locais sobre intervenções urbanas e no que isso afeta no patrimônio arquitetônico e urbanístico. Infelizmente, grande parte da população não tem consciência da importância histórica e representativa que os edifícios possuem, talvez pela falta de informações. Não existem programas de incentivo ao conhecimento da história local, o que também contribui para que esta não se espalhe e demais pessoas possam ter a conciência da imporância da cidade no âmbito nacional. Outro ponto determinante é a falta de empenho da administração local que, por muitas gestões, não trabalhou a fim de preservar tais edifícios e a história que há por trás deles, não correndo atrás de recursos financeiros de preservação do patrimônio através de órgãos como o IEPHA/ MG e IPHAN. O comprometimento com a conservação destes bens se tornou negligente e omisso diante de toda a deteriorização que os mesmos vem sofrendo. A população, mesmo tendo conhecimento e vendo todo o descaso por parte da Prefeitura e Câmara Municipal, não procura pressioná-los a fim de que tomem alguma providência. Além disso, muitos acreditam que os edifícios são um “atraso” para a cidade, contribuindo para que nada seja feito.

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Figura 56 | Detalhe dos estragos notelhado do Sobradão, causados pela chuva em 2011. Geraldo M. M.Coelho

Figura 57 | Âmbula e cálices desaparecidos. Site IEPHA-MG

Figura 58 | Estrutura do prédio está se deteriorando com a ação do tempo. Álbano Silveira Machado

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A OPORTUNIDADE O descaso deixa à mercê do tempo algo que poderia facilmente contribuir para o crescimento econômico da cidade. Todos sabem que a região do Vale do Jequitinhonha é conhecida como o “Vale da Pobreza”, onde as oportunidades de empregos são mínimas e os índices de migração extremos, apesar de toda sua riqueza cultural. Algumas iniciativas já vem possibilitando novas oportunidades de trabalho, como é o caso do Turismo Solidário, iniciativa do Governo de Minas, elaborado pela Secretaria de Estado Extraordinária e seus parceiros para realizar a ordenação turística de localidades que possuem rico patrimônio natural e cultural, mas com baixos índices de desenvolvimento humano. Diante do potencial turístico que as regiões do Vale do Jequitinhonha e Norte de Minas possuem, com seu rico patrimônio, o Programa Turismo Solidário atua como mola propulsora do desenvolvimento sustentável na geração de trabalho e renda para as comunidades, como definem. O Programa, além de contribuir para o desenvolvimento econômico da região, promove o envolvimento e participação do turista com a população e seu desenvolvimento social. O turista se hospeda na casa das famílias e ambos compartilham um pouco de seus conhecimentos. O intuito é despertar no viajante o compromisso de participar das transformações sociais e econômicas, por meio de ações solidárias despertadas de acordo com seus interesses. Outra iniciativa importante, que tem sua vertente extremamente ligada ao turismo e que diz respeito à subsistência populacional, é a cerâmica produzida pelas mulheres da zona rural da cidade. Como já citado no capítulo anterior, este artesanato é uma das formas de subsistência para as famílias em meio a seca e a intensa migração. O êxodo rural sazonal dos homens durante quase todo o ano, principalmente para o interior dos estados de São Paulo e Bahia, deixa as mulheres com a responsabilidade de cuidar da casa, dos filhos e de parte do sustento. A cerâmica vem então como complemento na renda familiar, onde os principais “clientes” desta atividade são os turistas que visitam a cidade. Muito além da economia gerada, o turismo solidário, juntamente com a tradição local, contribui para a troca de valores e experiências, enaltecendo a cultura popular e sua infinita riqueza. Ao invés de levar os artesanatos para outras cidades e até mesmo outros estados, ele [turismo] leva as pessoas até o produto. A urbanística atual propõe o reforço da personalidade local através de técnicas adequadas de manutenção da imagem da cidade, do esforço de conservação da população residente local e valorização do patrimônio. Esta atitude tem reflexos nos investimentos que se fazem através do turismo. Tão importante quanto investir em acomodações e treinamentos é investir em infraestrutura urbana e também na recuperação dos edifícios históricos. Desta maneira, o patrimônio histórico e o turismo instituem parceria produtiva e objetiva, se tornando importante resposta à preservação de nossa imensa herança cultural.

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Figura 59 | Conversa entre turistas e artesĂŁs. Ă lbano Silveira Machado

Figura 60 | Turista em frente a um receptivo familiar. Cris Marques

Figura 61 | Atriz Dira Paes (ao centro) aprendendo a como transformar barro em arte. Gshow

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Arquivo pessoal


SOBRADÃO: DIAGNÓSTICO E ESTADO DE CONSERVAÇÃO


SOBRADÃO Construído em 1821, o Sobradão é um dos exemplares mais originais da arquitetura colonial brasileira. Localizado na esquina da Rua Presidente Getúlio Vargas com a Rua São José, a edificação possui quatro pavimentos e tem a forma de um polígono de seis lados. Nos documentos encontrados não consta qual foi a iniciativa de se iniciar o projeto, sua finalidade ou autoria, o que se sabe é que o Sobradão sempre foi utilizado para serviços de interesse do município. Entre os anos de 1900 a 1907, ali funcionou a Antiga Escola Normal de Minas Novas; de 1907 até 1928 a Câmara Municipal; em 1929 voltara o funcionamento da referida Escola; de 1929 a 1960 serviu como Fórum desta Comarca, sendo instalado o tribunal do júri, todos os cartórios e o gabinete do Ministério Público. Sua estrutura é autoportante em peças de madeira, com vedações externas de adobe e algumas paredes internas de pau-a-pique. Na fachada principal, observam-se quatro portas no pavimento térreo e quatro janelas em cada um dos demais pavimentos. Suas laterais possuem mais trinta e nove janelas distribuídas pelos andares, três pequenas portas e uma de altura incomum que chega até a altura do segundo pavimento. O edifício é pintado com cal de cor branca e as janelas e portas com tinta óleo de cor azul. Seus pisos são em madeira tabuada corrida. A escada principal dá acesso do pavimento térreo até o segundo, com um patamar em nível do primeiro. Por possuir um grande significado nos aspectos históricos e arquitetônicos, o Sobradão foi tombado pelo IPHAN conforme Inscrição nº 28 – Livro Paisagístico, fls. 7, datada de setembro de 1959.

Figura 62 | Sobradão quando ainda funcionava como Escola Normal. Geraldo M. M. Coelho

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INTERVENÇÕES

As maiores intervenções ocorreram nos anos de 1952, 1961, 1972 e 1980. Em documentos datados de 1961 e 1962, percebem-se as obras realizadas como também os materiais que foram utilizados. Os valores eram encaminhados pelo DPHAN, onde todos os recibos dos gastos e solicitações eram enviados ao Chefe do 3º Distrito – Sylvio de Vasconcellos –, sob responsabilidade do Sr. Isaías José do Rosário, este último era o encarregado das obras do Sobradão por ordem do Patrimônio Histórico. Apesar desta reforma ocorrida em 1961, no ano de 1967 já havia solicitações de reparos da cobertura, pois uma parede do Sobradão ameaçava cair. Esta solicitação foi feita pelo Sr. Isaías José do Rosário – vizinho da edificação – ao Dr. Richard Lima Goytacazes. No ano de 1972, atendendo à solicitação do Dr. João Pacheco Netto – Diretor Adjunto de Assuntos Culturais do MEC –, José de Souza Reis, então diretor da DCR, esteve inteiramente de acordo com os propósitos de restauração do Sobradão. Neste mesmo ano, o Presidente da Comissão de Educação e Cultura – Murilo Badaró –, enviou um ofício ao Senador Jarbas Passarinho – Ministro da Educação e Cultura – expondo o interesse da comunidade minasnovense em se instalar um museu regional nas dependências do Sobradão, com finalidade de preservação dos bens artísticos e históricos de imensa significação cultural que estavam à mercê de mercadores de antiguidades. O edifício também indicava a necessidade de reparos, inclusive na parte interna, bem como a adaptação do interior para o pretendido museu e as instalações hidráulicas e elétricas donde, então, foram solicitados os recursos necessários. A última intervenção relevante ocorreu em 1980, através do “Programa de Obras Urgentes” executadas pelo IEPHAMG, com a tarefa de recompor o interior do edifício; esta obra foi realizada em comemoração aos 250 anos de emancipação política do município de Minas Novas. Os serviços a serem executados eram: estabilização estrutural, recuperação da cobertura, recomposição das vedações e recuperação e/ou proteção dos acabamentos e elementos funcionais. Em 1985, em virtude da falta de utilização do Sobradão, a Fundação João Pinheiro realizou um projeto para que fosse implantada a Casa de Cultura de Minas Novas, consistindo

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em quatro unidades: Centro de Artesanato, Centro de Desenvolvimento Comunitário, Biblioteca e Museu Regional. Em 1997, visando instruir a regularização do Sobradão via Usucapião Administrativo, foi proposto o encaminhamento ao IPHAN de memorial descritivo do terreno com azimutes, distâncias e confrontações, além de plantas atualizadas. Para realização da documentação, foi solicitado ao Dr. Sérgio Abrãao – Diretor do Departamento de Planejamento e Administração do IPHAN – recursos financeiros específicos para pagamento de topógrafo e arquiteto. No ano de 2001, houve uma proposta de projeto de restauro efetuado pelo IPHAN com intenção de abrigar o Centro Integrado de Educação e Cultura de Minas Novas, contando com Núcleo de Comercialização do Artesanato, Núcleo de Documentação Histórica e Núcleo de Música e Museu Regional de Arte Popular e de Folclore de Minas Novas. Neste mesmo ano, devido ao péssimo estado de conservação do edifício, foram suspensas as aulas de música no segundo pavimento e foram retiradas as instalações da Associação Comercial de Minas Novas. A edificação estava com a cobertura comprometida, pisos desnivelados, reboco degradado, pintura deteriorada e esquadrias comprometidas pela ação de intempéries e térmitas. Em 2005, o Senador Murilo Badaró, na qualidade de Prefeito do Município de Minas Novas, encaminhou ao então Ministro da Cultura do Brasil – Gilberto Gil –, um apelo que pudesse determinar ao IPHAN uma urgente tomada de providências que impedissem a deterioração definitiva do Sobradão. A Prefeitura Municipal de Minas Novas estava desenvolvendo um projeto que tinha como objetivo a recuperação do Centro Histórico da cidade, envolvendo não apenas a recuperação dos monumentos, mas também a retirada do posteamento, fazendo sua substituição por cabos subterrâneos, além de devolver os nomes históricos às ruas urbanas. Atualmente, foram contratadas obras de caráter emergencial por iniciativa do IPHAN que visam garantir a integridade física da edificação. A intervenção incluirá a completa consolidação estrutural, a recuperação do telhado, a complementação de trechos de alvenaria danificados e a substituição de grande parte do piso assoalhado de madeira.


Figura 63 | Sobrad達o em 1949. Arquivos IPHAN Belo Horizonte

Figura 64 | Sobrad達o em 1952. Arquivos IPHAN Belo Horizonte

Figura 67 | Sobrad達o em 1980. Arquivos IPHAN Belo Horizonte

Figura 68 | Sobrad達o em 1983. Arquivos IPHAN Belo Horizonte

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Figura 65 | Sobrad達o em 1962. Arquivos IPHAN Belo Horizonte

Figura 66 | Sobrad達o em 1970. Arquivos IPHAN Belo Horizonte

Figura 69 | Sobrad達o em 2004. Emmanuel Pinheiro

Figura 70 | Sobrad達o em 2017. Arquivo pessoal

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ATUAL ESTADO DE CONSERVAÇÃO Considerando o atual grau de degradação dos imóveis e sítio históricos da cidade de Minas Novas, especialmente do Sobradão, observa-se a urgente necessidade de uma proposição de intervenções que possam mudar este quadro. Através das diversas formas de intervenção – restauração, conservação, reconstituição e adaptação a novo uso – pretende-se retomar a qualidade dos bens históricos bem como a rememoração de um lugar que já teve grande importância no âmbito regional e estadual. Segundo Coelho (2003), tanto o edifício de valor histórico quanto o sítio histórico, requerem intervenções que os mantenham aptos a abrigar as atividades humanas nos atuais moldes, garantindo a manutenção dos suportes das representações que atribuem a ele o específico valor. Uma pequena avaliação preliminar, realizada em Janeiro de 2017, possibilitou o diagnóstico da atual situação de conservação do Sobradão, onde foi possível perceber problemas de degradação de cunho natural, devido o envelhecimento dos materiais construtivos e as intempéries (variação de temperaturas, chuvas fortes, seca, umidade, etc.). O mais preocupante é o fato da maior parte da degradação ser advinda do descaso da população do município e casos de intervenções mal sucedidas. Em vistoria feita na parte interna e externa do Sobradão em Julho de 2017, foi constatado o alto grau de deterioração generalizada da edificação. Desde a intervenção de 1980, o Sobradão veio sofrendo apenas pequenos reparos. O piso tabuado corrido, o barroteamento de forros e pisos, janelas e portas, revestimentos em reboco, instalações elétricas e a estrutura em madeira e telhado da cobertura vem aumentando seu grau de degradação com o passar dos anos. A presente situação é grave, uma vez que já pode ser notado o arruinamento da cobertura, correndo o risco da queda dos beirais, onde as peças estão perdendo resistência estrutural devido ao apodrecimento causado pela água das chuvas e também por ataque de cupins. O telhado possui vários pontos de goteiras, causando a deterioração das paredes em adobe e do madeiramento. Outro agravante é a circulação constante de veículos nas imediações, o que agrava os danos, podendo levar o edifício ao desabamento. Relatórios de Vistorias Técnicas realizadas pelo IPHAN nos anos de 2001, 2003 e 2005 constam os mesmos problemas mencionados acima, o que demonstra o imenso descaso com a edificação devido a demora de se tomar uma providência concreta e eficaz.

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PISO TABOADO CORRIDO

Figura 71 | Degradação causada por cupins. Arquivo pessoal

Figura 72 | Peça faltante no piso. Arquivo pessoal

Figura 73 | Irregularidade do piso. Arquivo pessoal

PORTAS E JANELAS

Figura 74 | Degradação das janelas causada por térmitas e água da chuva. Arquivo pessoal

Figuras 75 e 76 | Degradação das portas causada por térmitas Arquivo pessoal

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BARROTEAMENTO DE FORROS E PISOS

Figura 77 | Peรงas de madeira do forro/ piso atacada por cupins e umidade. Arquivo pessoal

Figura 78 | Forro de madeira do quarto pavimento degradado e com vรกrias peรงas faltantes. Arquivo pessoal

REVESTIMENTO EM REBOCO

Figura 79 | PDesprendimento da tinta e do reboco das paredes, deixando o adobe aparente. Arquivo pessoal

Figura 80 | Desprendimento da tinta e do reboco da parede interna, deixando o adobe aparente. Arquivo pessoal

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INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E HIDRÁULICAS

Figuras 81 e 82 | Instalação elétrica colocada de maneira irregular. Arquivo pessoal

Figura 83 | Instalação hidráulica aparente Arquivo pessoal

ESTRUTURA EM MADEIRAE TELHADO DA COBERTURA

Figuras 84 e 85 | Vários pontos de goteiras, causando a deterioração das paredes em adobe e do madeiramento. Arquivo pessoal

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Figura 86 | Deterioração do beiral Arquivo pessoal


horadoenem.org


REFERÊNCIAS PROJETUAIS


PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO DO CENTRO HISTÓRICO DE SALVADOR AO PLANO DE REABILITAÇÃO PARTICIPATIVO DO CENTRO ANTIGO

O Centro Antigo de Salvador nasceu junto com a cidade e teve intenso progresso econômico e social quando ela passou a ser capital do país; entretanto, este obteve decadência quando as famílias de maior poder aquisitivo deixaram o local e passaram a ocupar os bairros soteropolitanos mais modernos. Segundo Paula Marques Braga e Wilson Ribeiro dos Santos Júnior (2009), com o surgimento de novas centralidades – administrativas e comerciais – e queda no valor imobiliário, a área passou a abrigar a população pobre da cidade, principalmente os descendentes de ex-escravos, acarretando no comprometimento dos edifícios por falta de manutenção. Em 1984, a área foi tombada pelo IPHAN e, em 1985, reconhecida pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade. Este último fato fez voltar os olhos atentos do governo do estado, reconhecendo o Pelourinho como potencial turístico, dando origem ao Programa de Recuperação do Centro Histórico de Salvador, em 1991. O Programa tinha por objetivo, segundo o discurso oficial, a revitalização e reestruturação urbana, criando um centro de atração turística e de atividades de lazer e diversão. Esta inclusão do Pelourinho no projeto turístico fez com que obras de restauro e reabilitação dos edifícios históricos fossem iniciadas, modificando as dinâmicas anteriores que ali ocorriam, introduzindo novos usos e contra-usos na área gerados pelas novas relações entre a atividade turística e a atividade cotidiana. (BRAGA; JÚNIOR, 2009, p. 24) Os critérios para escolhas das áreas de recuperação foram a importância artístico-cultural dos imóveis e seus estados de conservação; as estratégias previam obras de restauro, recuperação estrutural, reconstrução e conservação dos edifícios, a partir do zoneamento dos quarteirões – que constituíram as unidades de intervenção –, saneamento básico e cadastramento dos habitantes. A implantação de infraestrutura possibilitou a organização do espaço físico-territorial. O financiamento do programa foi público, através de venda, desapropriação, pagamento de indenização, concessão de usufruto e troca, e envolvido por diversas

instituições como o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), a Companhia de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Salvador e a Prefeitura da cidade. A expectativa é que a valorização do Pelourinho gerasse a valorização dos imóveis, retornando com os investimentos públicos e aumentando o turismo da cidade. O discurso até soaria mais bonito se a população residente não tivesse sofrido medidas de desapropriação, sendo mandadas para a periferia da cidade após pagamento de indenização. As atividades foram divididas em fases de intervenção, que foram divididas ainda em etapas, a fim de se atingir as expectativas esperadas. A primeira fase (entre 1992 e 1995) foi dividida em quatro etapas e teve como foco a realocação dos usuários e a readequação das atividades vocacionais da área e dos imóveis, privilegiando o comércio, a fim de atender o número máximo de turistas. A segunda fase (1995), que também foi dividida em quatro etapas, teve como caraterística principal a busca por financiamento externo e cautela do Estado ao implantar as intervenções, visto que o caráter turístico da intervenção já sobrepunha o viés social. Segundo a IPAC, foram realizadas obras complementares como estacionamentos, estabilização de imóveis em risco, consolidação do Espaço Cultural/Centro de Vivência “Pelourinho Dia

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& Noite”, manutenção da infraestrutura, proteção de monumentos e recuperação de edifícios históricos. Logo após a conclusão das primeiras etapas, houve uma intensa crítica em relação à maneira com que estavam sendo realizadas as intervenções. As justificativas iniciais, como as manifestações da cultura africana e a importância do conjunto arquitetônico, estavam sendo completamente obstruídas; já quase não existiam moradores no local, apenas hotéis. Realmente ocorreu uma mudança socioeconômica na área, mas para população original, que foi, simplesmente, evacuada para as periferias da cidade até a sexta etapa, nenhuma condição foi desenvolvida. A Gentrificação da área, além de retirar a população local, tornou o bem material histórico apenas um objeto de consumo, fazendo o Pelourinho desestabelecer todo o vínculo que tinha com a cidade; o caráter cultural – um dos motivos para o tombamento – foi substituído pelo turismo, colocado acima das questões sociais. Além disso, com o tempo a área não mais tinha vida cotidiana e a visitação turística decaía a cada dia, ações que fizeram com que muitos comércios fechassem as portas e verbas começassem a diminuir, dando espaço para a prostituição, consumo e venda de drogas, e crescimento no número de mendigos. A não contemplação da sustentabilidade econômica, social, urbanística e ambiental fez a necessidade da

criação de um método que mudasse as condições atuais, partindo para a sétima etapa de intervenção – 2007. A proposta agora tem seu nome modificado e passa a ser o Plano de Reabilitação Participativo do Centro Antigo de Salvador, com ideia de uma atividade conjunta que mantém o original da área e gestão através de uma parceria entre iniciativa privada, poder público e população. As legislações incidentes hoje sobre a área dividem-se entre as leis de Incentivos Fiscais e o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU 2008), cujas prioridades estão voltadas à criação de um Plano Específico, “complementando ações de preservação, recuperação e possibilidades de sustentação econômica”. (BRAGA; SANTOS JÚNIOR, 2009, p. 30) O Plano de Reabilitação Participativo do Centro Antigo de Salvador pretendia corrigir os erros das etapas anteriores, constituindo de uma sistematização das propostas apresentadas pela sociedade, com ênfase nas ações voltadas para a educação, cultura e lazer, seguido pelas questões sociais e de segurança, e só então vem o turismo, junto com a limpeza e meio ambiente. Preocupado com a qualidade de vida das pessoas, tanto as que moram como as que visitam ou trabalham, foi aplicada a inclusão da região ao cotidiano da cidade. A propaganda não mais está relacionada ao turismo, mas o “morar no centro”.

Figura 87 | Etapas de intervenção no Centro Histórico de Salvador. Paula Marques Braga (Editado)

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74 Figura 88 | Etapas de intervenção no Centro Histórico de Salvador, respectivamente. Paula Marques Braga (Editado)


Figura 89 | Área da sétima etapa de intervenção. Paula Marques Braga

Figura 90 | Área de abrangência do Plano de Reabilitação Paula Marques Braga

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Segundo dados do Escritório de Referência do Centro Antigo, a área de abrangência, definida como Centro Antigo, engloba o Centro Histórico, definido por Decreto Federal (número 25/1937), a Área de Proteção Rigorosa Municipal e a Área Contígua à de Proteção Rigorosa, definidas por Lei Municipal (número 3.289/83). A nova área definida tem 7 Km2, corresponde a 2,25% da área de Salvador e abrange 14 bairros. Os moradores do Centro Histórico representam 21% da população residente do Centro Antigo. (BRAGA; SANTOS JÚNIOR, 2009, p. 30)

As diretrizes de atuação são: 1.

Fortalecimento de centralidade – simbólica, cultural, política e econômica;

2. Reversão da tendência de esvaziamento populacional, mediante: Prioridade para usos residenciais e atividades complementares e estímulo a novos empreendimentos multiresidenciais e de uso misto; 3.

Plano Urbanístico;

4.

Garantia de infraestrutura à modernização do Porto;

5. Ordenamento e controle do comércio informal.

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REVITALIZAÇÃO E RECUPERAÇÃO: A EXPERIÊNCIA DE OLINDA-PE Perante o estado de degradação que se encontravam os bens tombados das cidades nordestinas, foi proposto, em 1973, o Programa Integrado de Reconstrução das Cidades Históricas do Nordeste, com a necessidade de defesa do patrimônio natural, como também do cultural. O principal objetivo do Programa era preservar os monumentos tombados, tornando-os atrativos da atividade turística, coordenado pela Secretaria de Planejamento da Presidência da República (SEPLAN-PR). De traçado seiscentista, Olinda ainda guarda um significativo casario e um extenso número de monumentos representativos em seu sítio de beleza exuberante, conforme caracteriza Vera Bosi (1986). Em 1968, seu conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico foi tombado pelo IPHAN. Seu Centro Histórico estabelece um acervo de grande importância, que fez Olinda ser reconhecida pelo Congresso como Cidade Monumento Nacional em 1980 e como Patrimônio Natural e Cultural da Humanidade em 1982, pela UNESCO. Segundo Vera Bosi (1986), a Prefeitura Municipal de Olinda tinha como premissa retomar o desenvolvimento socioeconômico da cidade através de um processo participativo entre instituições e comunidades, em favor do patrimônio e incluindo a população. A existência do Sistema Municipal de Preservação possibilitou a realização do Primeiro Projeto Piloto com os subsídios necessários para a criação do Programa de Revitalização e Recuperação de Núcleos Históricos no âmbito do Banco Nacional de Habitação e do, até então, SPHAN/Pró-Memória. Os princípios metodológicos envolviam a participação ativa e permanente da comunidade durante todo o processo de desenvolvimento, implantação e acompanhamento do Programa, buscando a maior amplitude possível. A ideia era transformar as áreas degradadas, tanto fisicamente como socialmente, em bairros saneados e revitalizados. Apenas os recursos financeiros do BNH não solucionariam o problema de habitação nem atenderia os objetivos da preservação, sendo necessária a criação de um programa especial que conjugasse as várias linhas de financiamento para distintos fins e rendas, visto a diversidade social e

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econômica da área. O SPHAN/Pró-Memória realizou mudanças de nível operacional e funcional. O Programa Especial para Recuperação e Revitalização de Núcleos Históricos foi uma compatibilização entre o SPHAN/ Pró-Memória e o BNH, estabelecendo as ações básicas de: Pesquisa – Cadastramento para Revitalização dos Centros Históricos; Desenvolvimento Comunitário; Legalização e Aquisição de Imóveis; Recuperação e Restauração de Imóveis; Integração de Ações Setoriais nos Núcleos Históricos. Através do apoio dado pelo acordo entre MINTER e MEC em 1983, e seus estudos realizados, foi possível avançar na busca pelo objetivo primário, que forneceria o aporte para o objetivo final: (...) inserção do Programa de Recuperação e Revitalização de Núcleos Históricos na política de desenvolvimento urbano, ou, ainda, que no contexto da política de preservação do patrimônio cultural brasileiro se inclua a dimensão social, econômica e política, o se valorizar o homem, seu fazer, seu bem-estar e seu compromisso com a preservação da memória nacional, numa perspectiva de melhoria da qualidade de vida. (BOSI, 1986, p. 138) Os primeiros contratos assinados, em 1985, foram feitos a partir de investimentos da Fundação Centro de Preservação dos Sítios Históricos de Olinda, da Prefeitura Municipal e também do Banco Nacional de Habitação. Esta primeira fase, que foi aprovada pelo BNH em 1984, considerou a metodologia proposta e a abrangência do Plano Global. Sua parte operacional estava voltada, principalmente, para a habitação – por considerá-la como mais importante e o elemento mais frequente na área a se preservar – e os sistemas de infraestrutura e serviços urbanos, resultado das concordâncias entre o objetivo do projeto e as primazias dos moradores. O Painel de Debates foi o ponto de partida para o início imediato do trabalho, estabelecendo credibilidade diante do diálogo entre a instituição e a comunidade. Esta primeira etapa refere-se basicamente à divulgação do programa, início dos trabalhos com a comunidade, estruturação de todo aparato jurídico-institucional, definição de referencial técnico e elaboração da proposta de um sistema financeiro administrativo que atenda ao programa, satisfaça aos moradores e garanta Recuperação e Revitalização dos Sítios Históricos de Olinda. (BOSI,1986, p. 140)


Para Vera Bosi (1986), por se tratar de habitação, era fundamental que a formulação de uma proposta de financiamento possibilitasse a harmonia entre as condições do Sistema Financeiro de Habitação a partir das diferentes classes sociais que seriam atendidas pelo Projeto. Em relação a estas classes, para as que possuíam até três salários mínimos, a prioridade era a habitação, visto as condições precárias em que viviam, seja pelas sub-habitações em locais quase sempre inadequados em relação ao aspecto físico-ambiental, seja pela ocupação de bens arquitetônicos sem salubridade mínima necessária. Já para a classe considerada média, a prioridade era o saneamento, visto que o Centro Histórico não possuía rede de esgoto. Foram levantados também problemas relacionados com a segurança, trânsito, sistema viário, iluminação pública, limpeza urbana, interior das quadras com utilização comunitária, telefones públicos, etc. Tal diferenciação de classes no local se deu, principalmente, a partir dos anos 1970, caracterizada pela atração de uma classe média para uma cidade que naquele momento possuía diversos predicados e imóveis a preço acessível, onde a estimulação dos moradores em vender suas casas por falta de condições de conservá-las deixou em situação precária os moradores que habitavam ali há um bom tempo. A partir de estratégia baseada na adesão e participação dos moradores, que oferecia orientação técnica, respaldo jurídico e proposta de financiamento para a então recuperação dos imóveis, estruturada com o Programa de Serviços e Reparos do Casario, foram apresentadas três modalidades de atuação: fornecimento de material; fornecimento de material e mão de obra; elaboração de Projeto, fornecimento de material e/ou mão de obra. Os relatos dos moradores sobre suas necessidades davam andamento aos trabalhos. Os reparos e recuperações eram agrupados em módulos de atendimento: estabilização; restauração; melhoria; revalorização; conservação; construção, onde os recursos financeiros dos moradores é que definia qual deles seria indicada para a situação, com atendimento total ou parcelado. Os moradores recebiam um recurso financeiro através de benefícios tributários e de execução das obras de preservação por resguardar imóveis de sua propriedade, variando de 5 a 50% do valor dos serviços que seriam realizados. As necessidades seriam analisadas caso a caso, uma vez que a tipologia de imóveis e seus distintos estados de conservação não viabilizaria uma padronização de custos e de modos de intervenção. No contexto Projetual, foi produzido o Manual do Morador, uma importante publicação que dava as informações básicas sobre construções. Este manual apresentava diretrizes que definiam gabaritos, usos potenciais, escalas, além de outras restrições de ocupação.

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Figura 91 | Área final do Projeto Piloto de Olinda (traço vermelho). Fernanda Gusmão

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PROJETO DE RESTAURAÇÃO DA CASA DE CÂMARA E CADEIA DE MARIANA-MG O projeto foi recorrência feita pela Câmara Municipal de Mariana ao Mestrado em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável para solucionar as questões da falta de espaço e da necessidade de restauração. Foi coordenado pelos professores Leonardo Castriota e Flávio Carsalade, da Escola de Arquitetura da UFMG, e lançado em dezembro de 2012. Além da restauração, foi apresentada a proposta de uma ampliação contemporânea, com equipe formada por arquitetos, engenheiros, historiadores e turismólogos, entre outros. A Casa de Câmara e Cadeia, localizada na Praça Minas Gerais, foi tombada pelo IPHAN em 1947, sendo a primeira câmara de Minas Gerais e a única que ainda apresenta funcionamento voltado para o propósito inicial. Apesar de manter seu uso e possuir reconhecimento nacional de seu valor histórico e arquitetônico, segundo diagnóstico do estado de conservação realizado pelos autores do projeto, o conjunto arquitetônico, formado pela sede da Casa de Câmara e Cadeia, Capela e Armazém, encontrava-se em mau estado de conservação devido o desgaste dos materiais de construção, a falta de manutenção preventiva e intervenções incorretas ao longo dos anos. De acordo com os autores do projeto, a transferência da Câmara Municipal para outro sítio acabaria com a significação simbólica tanto do edifício como do trecho urbano onde ele está inserido. A manutenção do uso perdura a história e a memória. A ampliação deveria ser feita cautelosamente para não interferir na superioridade da edificação, sem retirar-lhe a grandeza ou disputar sua visualidade. A integração do passado com o presente através da manutenção da entrada da Câmara pelo próprio edifício respeitaria seu ritual histórico. Como estratégia projetual, a área do estacionamento recebe uma edificação subterrânea que será destinada aos espaços mais amplos e de maior atratividade pública, como explica os autores. O espaço definido por um extenso muro concede os locais destinados aos gabinetes dos vereadores. O trecho marcado pela presença da capela e do pequeno edifício antigo respeita esses dois elementos, dignificando o acesso à capela e utilizando outro edifício com entrada alternativa – de onde são propostos dois pavimentos que preservam a visada

de fundo. A articulação entre o antigo e o novo acontece através do auditório e do foyer, que serão importantes espaços cívicos e culturais e estão localizados no espaço subterrâneo, onde recebem iluminação a partir de aberturas no gramado acima que possibilitam o bom aproveitamento espacial. Os acessos atendem aos critérios básicos da acessibilidade universal e a sua valorização. O principal deles acontece pelo primeiro pavimento do edifício de onde integra passado e presente, valorizando o edificado através da criação de uma galeria de arte e manifestações marianense. As calçadas alargadas e tratadas paisagisticamente unem os edifícios à praça. No que diz respeito ao restauro do edifício antigo, a proposição era de recuperação de seus aspectos físicos, estéticos, históricos como, também, ambientais. O rigoroso diagnóstico realizado de acordo com técnicas de restauração indicaram os caminhos corretos para a intervenção, esta que foi proposta de maneira mínima com apenas melhoria na infraestrutura e a conexão com a nova ala. Respeitando a ordem arquitetural preexistente, os autores do projeto esclarecem que o pavimento superior apresenta uma natural adaptação dos usos, enquanto no térreo, onde era a antiga cadeia, necessita agora de uma nova proposta. Após a restauração da Câmara, sua conservação se

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dará pela nova utilização proposta: reuso como Centro da Memória da Câmara e Cadeia em parte do edifício, divulgando o rico acervo institucional a e ainda abrigando, no pavimento superior, salas de assessoria jurídica, o Plenário e a Presidência da Câmara. Este novo uso, de acordo com os envolvidos no projeto, criará uma intensa relação entre a população e a casa de seus representantes políticos. Ao ver dos autores, a obra de restauração, reutilização e ampliação da Câmara contribuirá para a requalificação do entorno como também para uma importante iniciativa de valorização do Centro Histórico da cidade de Mariana.

Figura 92 | Relação da população com o bem histórico Gustavo Kamino

Figura 93 | O espaço novo em respeito à capela e ao edifício antigo. Gustavo Kamino

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Figura 94 | Vista superior do projeto. Gustavo Kamino


Arquivo pessoal


O PROJETO


DIRETRIZES A partir da compreensão da Teoria de Restauro de Cesare Brandi, das Cartas Patrimoniais de Veneza e Lisboa, das Normas de Quito, das experiências anteriores nos projetos do Plano de Reabilitação Participativo do Centro Antigo de Salvador, da Revitalização e Recuperação experimentada por Olinda e do Projeto de restauração da Casa de Câmara e Cadeia de Mariana, além de todo o conhecimento do centro histórico de Minas Novas, pôde-se definir algumas diretrizes genéricas projetuais. Teoria Brandiana: o reconhecimento do Sobradão como obra de arte, e sua dúplice instância – estética e histórica – tornará possível um restauro de caráter crítico, visando a intervenção sobre a matéria da edificação sem cometer um falso histórico. A extensão dos procedimentos de restauro para o ambiente ou entorno da obra como forma de garantir sua adequada conservação física e também sua leitura como obra de arte. Carta de Veneza: a conservação do Sobradão exigirá uma manutenção permanente, uma vez que esta é a garantia para o prolongamento da vida útil dos edifícios históricos; será conservado seu esquema tradicional de cores e volumes, respeitando as contribuições recebidas ao longo dos anos. Os elementos que estiverem faltando, serão integrados de maneira harmoniosa, mas de maneira que possa ser distinguido. Carta de Lisboa: a relação entre patrimônio urbano e o edificado norteará as intervenções que serão realizadas no sítio histórico, a partir da Reabilitação Urbana, que foi tida como a melhor definição a ser usada na cidade de Minas Novas. Normas de Quito: os bens culturais de Minas Novas representarão um valor econômico que contribuirá para o progresso local, visto as tamanhas dificuldades financeiras enfrentadas pela população do Vale do Jequitinhonha. As requalificações da área histórica e de suas edificações contribuirão para o aumento da atividade turística; esta última, unida a Prefeitura Municipal, a população local e a iniciativa privada possibilitarão a conservação e manutenção de todos os bens. Plano de Reabilitação Participativo do Centro Antigo de Salvador: tendo em vista a necessária participação de toda comunidade local no processo de reabilitação, com ênfase nas ações voltadas para a educação, cultura e lazer, a principal preocupação não deve ser tornar a cidade de Minas Novas qualitativa apenas para o turista, mas buscar a qualidade de vida para a população que tem sua história atrelada ao local. Outra vertente importante é a preocupação para que o Sobradão não seja motivo para a gentrificação do local, nem que seja dada a ele tamanha importância que o “desmembre” do restante do centro histórico. Revitalização e Recuperação experimentada por Olinda: a responsabilidade de manter a população residente do centro histórico de Minas Novas junto ao seu processo de preservação dos monumentos tombados e a atratividade da atividade turística torna possível a ideia de cidade acolhedora; participação da iniciativa privada em conjunto com a população mostra-se como importante papel pra a manutenção e conservação, principalmente das habitações de baixa renda. Projeto de restauração da Casa de Câmara e Cadeia de Mariana: o respeito à superioridade do Sobradão fomentará numa intervenção arquitetônica que se integra sem lhe “roubar a cena”; a relação harmônica é uma das premissas imprescindíveis para que não haja uma disputa na visualização. A consideração do entorno para a implantação do edifício novo na área de sítio ou conjunto urbano é um comprometimento com essa estrutura, onde restauração, reutilização e ampliação contribuem para a requalificação da vizinhança e devolvem a edificação à vida urbana da cidade de Minas Novas.

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PROPOSTA Uma edificação sem uso não é capaz de lutar contra as ações e degradações causadas pela ação do tempo, estando condenada a um possível arruinamento. A imposição de um uso adequado foi a questão primordial para a decisão das atividades que serão abrigadas no ambiente do Sobradão; as limitações para abrigar os usos atuais tornarão necessárias as adaptações dos espaços, sem que isso prejudique o edifício. Tendo em vista a importância do uso da edificação histórica para que haja sua manutenção permanente, optou-se por ocupar os espaços do Sobradão com atividades voltadas para a cultura regional, além do comércio do artesanato local e apoio ao turista. A participação da população na conservação e manutenção do bem histórico possibilitará o resgate da cidadania dos munícipes e ampliará a identificação, reconhecimento e valorização da cidade. Em análises realizadas através de fotografias antigas como também observando pessoalmente, constatou-se que algumas edificações vizinhas ao Sobradão já não possuem mais caráter histórico, estando totalmente diferentes da construção original. Portanto, serão desapropriados dois terrenos que contam com edificações dessa tipologia para a então construção de dois anexos. As novas construções serão compatíveis com as análises de proteção de patrimônio histórico e cultural, como com a capacidade de suporte de infraestrutura já existente e também ao sistema viário, uma vez que o local de intervenção pertence à Zona Histórica da cidade. Serão volumes simples em respeito à superioridade do Sobradão e que, respeitando o entorno, devolverá a edificação histórica à vida urbana da cidade. O pedestre poderá permanecer no local ou apenas atravessar da Rua Getúlio Vargas para a Rua São José e vice-versa, já que a implantação irá permirtir essa permeabilidade. Estruturalmente, os anexos se resolvem por pilares, parede estrutural e laje, e o fechamento será em vidro temperado transparente. Para resolver o problema da iluminação direta foi escolhido o cobogó, que resguarda o ambiente e, ao mesmo tempo, preserva a boa ventilação e iluminação natural, onde sua forma lembra os traços retilíneos do Sobradão. O cobogó é feito de concreto, mas será pintado de branco. O anexo 01 abrigará o Escritório Técnico do IPHAN, a administração e espaço para os funcionários. Já o anexo 02 será uma cafeteria que dará suporte ao local e contribuirá na movimentação de pessoas no espaço durante o decorrer do dia. O pavimento térreo do Sobradão contará com: um Centro de Informação Turística (CIT), onde o atendimento será feito por pessoas qualificadas prontas para oferecer informações atualizas e completas sobre os eventos da cidade, os atrativos turísticos, a infraestrutura e serviços.

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O turista também encontrará à sua disposição guias turísticos, culturais, além de mapas da cidade e de locais de visitação; a tradicional loja de venda de artesanatos locais, o que irá gerar renda para as famílias que sobrevivem desta atividade; sanitários coletivos separados em masculino e feminino, e um sendo adaptado para portadores de deficiência física; área de estar, onde as pessoas poderão descansar e interagir; recepção para controle de acessos ao museu e demais espaços dos pavimentos superiores. O primeiro pavimento será totalmente voltado para exposição do acervo histórico da cidade de Minas Novas. Já o segundo contará com sala audiovisual para possíveis reuniões e palestra; sala para aulas de música; sala de informática; área de estar; além de depósitos. O terceiro pavimento ficará com as salas de oficinas de capacitação nos diversos segmentos de produção, manutenção e recuperação histórica, artística e cultural; salão de exposições destes trabalhos; além de um depósito. Para a adaptação do Sobradão aos novos usos, será usado drywall no preenchimento de vãos e divisão de ambientes, ademais, serão realizadas também aberturas para melhorar o acesso e permitir acessibilidade de pessoas com mobilidade reduzida com o uso do elevador, que vai do térreo ao último pavimento. Um pergolado de metal coberto por vidro irá proteger as entradas do Sobradão e anexos. Sua forma acompanha os espaços entre as edificações. O piso da área externa será granito de cor escura e perpendicular ao muro que separa os anexos das construções vizinhas haverá a área permeável. Em alguns trechos de ruas será impedido o trânsito de veículos, visto a tamanha problematização que estes causam à estrutura do Sobradão. Os trechos com trânsito obstruído possibilitarão aos pedestres ocupações livres, além de servir também como espaço para as manifestações culturais e grupos folclóricos tradicionais da cidade, expressos por meio do artesanato, festas e celebrações cívicas e religiosas. Nestes trechos, será mantido o calçamento onde for Capistrana, nos demais, será trocado o calçamento por bloco de concreto de formato sextavado. O projeto de restauração do Sobradão irá obedecer aos princípios modernos da preservação de bens culturais, tendo em vista salvaguardar a unidade da edificação em seus aspectos históricos, estéticos e ambientais. A reconstituição de suas partes faltantes será feita a partir do processo conhecido como “anastilose”. O Sobradão possui um grau máximo de proteção, não só por ser um bem tombado, mas pela importância que traz para a paisagem da cidade. O objetivo maior é a preservação e manutenção deste, diante de uma intervenção que atenda as medidas legais. O terreno que atualmente abriga o Sobradão possui um total de 261 m², sendo 230 m² de área construída e o restante em área livre. Somando-se a área livre do Sobradão ao terreno desapropriado, tem-se cerca de 426 m² de área, onde 186 m² deste será destinado à construção dos anexos. 86


Figura 95 | Localização do terreno escolhido(em vermelho). Google Maps (Editado) Figura 96 | Vista aérea das edificações a serem desapropriadas e demolidas. Bruno Lages (Editado)

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Figura 97 | À direita do Sobradão, edificação que será desapropriada e demolida (Rua Getúlio Vargas). Geraldo M. M. Coelho

Figura 98 | Ao fundo, edificação que será desapropriada e demolida. O muro separa os fundos do terreno da Rua São José. Arquivo pessoal

Figura 99 | Fundos do terreno. Cris Sousa

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Figura 100 | Edificações do terreno anexo visto do Sobradão. Arquivo pessoal

Figura 101 | À direita, pequeno terreno pertencente ao Sobradão. Arquivo pessoal

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Figura 102 | Situação. (sem escala) Arquivo pessoal

Figura 103 | Estudo volumétrico da implantação. (Em vermelho, o Sobradão; amarelo, anexo 01; azul, anexo 02). Arquivo pessoal

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PLANTAS, CORTES E FACHADAS (SEM A INTERVENÇÃO)

17.25 1.08

1

1.5

1

0.15

0.9

1.01

2.63

0.15

2 2

1.26 0.15

0.9

2.65

2.92

1

1.74

4.34

0.15

4.29

4.36

0.15

0.8

0.15

12.28

4.18

4.25

1.3 0.8 1.3

0.15

1

3.44

75

1. 9

0. 8

7. 3.

0.

2

2

.9

11

1.

6

8

1.

49

25

3. 3. 26 1. 41

0.

6

82

13

4.

4.

2. 97 7. 06

3.93

01

PLANTA TÉRREO ESCALA 1:150

91

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

8.9

1.3

0.8

1.6

4.77

1.2


17.25 1.53

0.9

1.25

0.9

0.9

1.2

1,00

2

1.11

2

0.9

1.3

0.9

3.13

1.3

0.9

1.15

4.42

1.2

4.33 0.15 91

0. 0.

64

4.

3.44

9

1 9

0.

65

57

1.

1.

0.

9

8 0.

06

21

9

7.

0.

4.

61

1

7.

2

1

.9

11 9 0.

93

1.

02

PLANTA 1ยบ PAVIMENTO ESCALA 1:150

92

0.8

3.13 3.93

12.28

0.9 1.2 0.9 1.2

8.9

0.9

4.36

1.2

0.9

0.5

7.69


17.25 1.53

0.9

1.25

0.9

0.9

1.2

1.5

0.9

1.73

0.9

1.3

0.9

1.3

0.9

1.15

12.45

4.21

1.2

0.15

1.2

0.15 9

0.

3.44

91

0. 64

4. 1 9

0. 9

1.

0.

65

57

1. 17

0.8

3.13 3.93

93

1.

PLANTA 2ยบ PAVIMENTO ESCALA 1:150

93

4.

2. 59

9

0.

61

7.

06

1

03

8

4.

9

0.

18

0.

2

1

.9

11 7.

12.28

4.33

4.48

0.9 1.2 0.9 1.2

8.9

0.9

4.21

0.9

0.5

4.8


CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

17.25 1.53

0.9

0.9

1

1.45

0.9

1.5

0.15

0.9

1.73

0.9

1.3

0.9

0.15

1.3

0.9

1.15

4.42

0.9 1.2 0.9

6.14 0.15 0.15

0.

9

0.

3.44

4.58

91

64

4. 1 9

0.

1.

9

0.

2.

45

57

3 0.

2

1

.9

11

0.8

9

0.

4.

31

1

7.

06

22

9

7.

0.

93

1.

04

PLANTA 3ยบ PAVIMENTO ESCALA 1:150

94

3.13 3.93

12.28

1.2 0.9

4.26

0.9

1.2

4.45

1.2 0.15 4.26

0.9 1.2 0.9 1.2

8.9

0.9

1.2

0.9

0.5

8.1

0.5

4.42


3.65 2.8

3

3.2

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

CORTE AA ESCALA 1:200

3

3.2

2.98

01

2.97

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK 02

CORTE BB ESCALA 1:200

95


VISTA 01 - RUA GETÚLIO VARGAS 01 CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK ESCALA 1:150 VISTA 02 - RUA SÃO JOSÉ

02

ESCALA 1:150

FACHADA NORTE

01

ESCALA NORTE 1:150 FACHADA

01

0

ESCALA 1:150

02

FACHADA OESTE ESCALA 1:150

FACHADA SUL

03

04

ESCALA 1:150

FACHADA LESTE ESCALA 1:150

01

02

01

VISTA 01 - RUA GETÚLIO VARGAS ESCALA 1:150

VISTA 02 - RUA SÃO JOSÉ ESCALA 1:150

FACHADA NORTE ESCALA 1:150

FACHADA FACHADA OESTE 02 02 ESCALA 1:150 ESCALA 1:150 03

OESTE

FACHADA SUL ESCALA 1:150

96


CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK VISTA 01 - RUA GETÚLIO VARGAS 01

02

01 02

ESCALA 1:150

VISTA 02 - RUA SÃO JOSÉ ESCALA 1:150

02

FACHADA OESTE ESCALA 1:150

FACHADA NORTE ESCALA 1:150

FACHADA OESTE ESCALA 1:150

FACHADA SUL

FACHADA SUL 0303 ESCALA 1:150 ESCALA 1:150

04

04

FACHADA LESTE ESCALA 1:150

01

02

01 02 03

VISTA 01 - RUA GETÚLIO VARGAS ESCALA 1:150

VISTA 02 - RUA SÃO JOSÉ ESCALA 1:150

FACHADA NORTE ESCALA 1:150

FACHADA OESTE ESCALA 1:150

FACHADA SUL ESCALA 1:150

FACHADA LESTE

FACHADA LESTE 0404 ESCALA 1:150 ESCALA 1:150

97

FACHADA LESTE ESCALA 1:150

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK


INTERVENÇÃO NO ESPAÇO

DO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

MENTO TÉRREO

VIMENTO

VIMENTO

MENTO

PORTA MANTIDA FECHADA PARA DIVISÃO DE AMBIENTES

PORTA MANTIDA FECHADA PARA DIVISÃO DE AMBIENTES

ABERTURA NA PAREDE ESTRUTURADA COM PÓRTICO DE METAL E COLOCAÇÃO DE PORTAS DRYWALL (RU) PARA DIVISÃO DOS AMBIENTES

ABERTURA NA PAREDE ESTRUTURADA COM PÓRTICO DE METAL E COLOCAÇÃO DE PORTA

1- LOJA 2- ADM. LOJA 3- ESTAR 4- WC ADAPTADO 5- RECEPÇÃO 6- WC MASCULINO 7- WC FEMININO 8- CIT 9- CIT 10 ESTAR/HALL

PLANTA TÉRREO - INTERVENÇÃO PLANTA TÉRREO - INTERVENÇÃO 0101 ESCALA 1:150

01

ESCALA 1:150

02

03

PLANTA 1º PAV. - INTERVENÇÃO

02

ESCALA 1:150

ESCALA 1:150

PLANTA ANEXO 02 ESCALA 1:150

PLANTA 2º PAV. - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

01 04

PLANTA ANEXO 01

PLANTA 3º PAV. - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

98

IMPLANTAÇÃO ESCALA 1:150


CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

RETIRADA DA PORTA PARA MELHORAR A CIRCULAÇÃO

ABERTURA NO PISO PARA O ELEVADOR QUE VAI DO TÉRREO AO ÚLTIMO PAVIMENTO

1- MUSEU 2- MUSEU 3- SALA MEMORIAL 4- MUSEU 5- MUSEU 6- HALL/RECEPÇÃO 7- MUSEU

02

3

4

PLANTA PAVIMENTO TÉRREO

01

ESCALA 1:150

PLANTA 1º PAVIMENTO ESCALA 1:150

PLANTA 2º PAVIMENTO

ESCALA 1:150

ESCALA 1:150

PLANTA 1º PAV. - INTERVENÇÃO 02 PLANTA 1º PAV. - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

02

03

ESCALA 1:150

PLANTA 3º PAVIMENTO

PLANTA TÉRREO - INTERVENÇÃO

ESCALA 1:150

01 02

ESCALA 1:150

PLANTA ANEXO 02 ESCALA 1:150

PLANTA 2º PAV. - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

01 04

PLANTA ANEXO 01

PLANTA 3º PAV. - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

99

IMPLANTAÇÃO ESCALA 1:150


CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

TA PAVIMENTO TÉRREO

DRYWALL (ST) PARA DIVISÃO DOS AMBIENTES

PORTA QUE SERÁ MANTIDA FECHADA PARA DIVISÃO DOS AMBIENTES

ABERTURA NA PAREDE ESTRUTURADA COM PÓRTICO DE METAL E COLOCAÇÃO DE PORTAS

1- SALA DE AULA DE MÚSICA 2- DEPÓSITO 3- SALA AUDIOVISUAL 4- SALA DE INFORMÁTICA 5- ESTAR 6- HALL 7- DEPÓSITO 8- DEPÓSITO

01

1:150

TA 1º PAVIMENTO

02

1:150

A 2º PAVIMENTO

50

01

ESCALA 1:150

PLANTA 1º PAV. - INTERVENÇÃO

02

ESCALA 1:150

PLANTA ANEXO 01 ESCALA 1:150

PLANTA ANEXO 02 ESCALA 1:150

2º PAV.2º - INTERVENÇÃO PLANTA PAV. - INTERVENÇÃO 03 PLANTA

03

ESCALA 1:150

:150

A 3º PAVIMENTO

PLANTA TÉRREO - INTERVENÇÃO

ESCALA 1:150

01 04

PLANTA 3º PAV. - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

100

IMPLANTAÇÃO ESCALA 1:150


CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

ABERTURA NA PAREDE ESTRUTURADA COM PÓRTICO DE METAL

02

03

04

5

ABERTURA NA PAREDE ESTRUTURADA COM PÓRTICO DE METAL E COLOCAÇÃO DE PORTA

PORTA QUE SERÁ MANTIDA FECHADA PARA DIVISÃO DOS AMBIENTES

PLANTA PAVIMENTO TÉRREO

PLANTA TÉRREO - INTERVENÇÃO

01

ESCALA 1:150

ESCALA 1:150

PLANTA 1º PAVIMENTO

PLANTA 1º PAV. - INTERVENÇÃO

02

ESCALA 1:150

ESCALA 1:150

PLANTA 2º PAVIMENTO ESCALA 1:150

PLANTA 3º PAVIMENTO ESCALA 1:150

03

01 02

1- SALA DE OFICINA 2- SALA DE OFICINA 3- SALA DE OFICINA 4- SALA DE OFICINA 5- SALÃO DE EXPOSIÇÃO PLANTA ANEXO 01 6- ESTAR 7- HALL ESCALA 1:150 8- DEPÓSITO

PLANTA ANEXO 02 ESCALA 1:150

PLANTA 2º PAV. - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

01 PLANTA 3º PAV. - INTERVENÇÃO PLANTA 3º PAV. - INTERVENÇÃO

0404

ESCALA 1:1501:150 ESCALA

101

IMPLANTAÇÃO ESCALA 1:150


CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

8.52 0.15

4.87

0.39

2.08

0.39

2.72

0.39

0.39

01

PLANTA ANEXO 02

ESCALA 1:150

IMPLANTAÇÃO

6.74 7.52

ESCALA 1:150

PLANTA ANEXO 02

01

ESCALA 1:150

ANTA ANEXO 01

ALA 1:150

01

IMPLANTAÇÃO ESCALA 1:150

102

PLANTA ANEXO 02 ESCALA 1:150

12.67 0.15 2.36 2.010.15 0.39 0.39

1.98

0.39

3.37

0.15

0.15

10.52

10.52

7.22 12.67 0.15 2.36 2.010.15

0.39

1- COZINHA 2- SALÃO

0.39

02

0.39

7.61

3.22

0.39

0.39

ESCALA 1:150

8.52

2.17

7.52

01 4.87 ESCALA 1:1500.39

PLANTA ANEXO 02 1.3502 0.39 2.17

4.22

1.35

PLANTA ANEXO 01

ESCALA 1:150

01

7.22

0.79 12.67

4.55 0.15 3.32 0.39

ESCALA 1:150

PLANTA ANEXO 01

ESCALA 1:150

0.39

8.52

PLANTA ANEXO 02

8.52

PLANTA ANEXO 01

02

0.15

4.22

ESCALA 1:150

01

2.72

0.39

PLANTA ANEXO 01

02

CACIONAL DA AUTODESK

01

1- RECEPÇÃO 2- ARQUIVOS 3- ADMINISTRAÇÃO 4- COPA 5- DEPÓSITO

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AU CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

TODESK

1

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

0.39

CRIADO


539

538

537

536

RUA GETÚLIO VARGAS

DUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

O SÃ SÉ

JO

02

03

PLANTA TÉRREO - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

PLANTA 1º PAV. - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

01 02

ESCALA 1:150

PLANTA ANEXO 02 ESCALA 1:150

PLANTA 2º PAV. - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

01 04

PLANTA ANEXO 01

PLANTA 3º PAV. - INTERVENÇÃO

IMPLANTAÇÃO

IMPLANTAÇÃO ESCALA 1:150 05 ESCALA 1:200

ESCALA 1:150

103

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

A

RU

01


RUA GETÚLIO VARGAS

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

A

RU O

SÃ SÉ JO PLANTA PAVIMENTO TÉRREOTÉRREO PLANTA PAVIMENTO 02 01 ESCALA 1:150

01

ESCALA 1:150

03

04

05

PLANTA 1º PAVIMENTO

02

ESCALA 1:150

03

ESCALA 1:150

104

ESCALA 1:150

04

ESCALA 1:150

PLANTA 1º PAV. - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

01 02

PLANTA ANEXO 01 ESCALA 1:150

PLANTA ANEXO 02 ESCALA 1:150

PLANTA 2º PAV. - INTERVENÇÃO

PLANTA 2º PAVIMENTO

PLANTA 3º PAVIMENTO

PLANTA TÉRREO - INTERVENÇÃO

ESCALA 1:150

01 PLANTA 3º PAV. - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

IMPLANTAÇÃO ESCALA 1:150


RUA GETÚLIO VARGAS

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

A

RU O

SÃ SÉ JO 02

03

04

05

PLANTA PAVIMENTO TÉRREO

01

ESCALA 1:150

PLANTA 1º PAVIMENTO

02

PLANTA 1º PAVIMENTO 021:150 ESCALA ESCALA 1:150

PLANTA 2º PAVIMENTO

03

ESCALA 1:150

PLANTA 3º PAVIMENTO ESCALA 1:150

PLANTA TÉRREO - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

PLANTA 1º PAV. - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

01 02

105

ESCALA 1:150

PLANTA ANEXO 02 ESCALA 1:150

PLANTA 2º PAV. - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

01 04

PLANTA ANEXO 01

PLANTA 3º PAV. - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

IMPLANTAÇÃO ESCALA 1:150


RUA GETÚLIO VARGAS

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

A RU SÃ O SÉ

JO 02

03

04

05

PLANTA PAVIMENTO TÉRREO

01

ESCALA 1:150

PLANTA 1º PAVIMENTO

02

ESCALA 1:150

PLANTA 2ºPAVIMENTO PAVIMENTO PLANTA 2º 03 ESCALA 1:150 ESCALA 1:150 PLANTA 3º PAVIMENTO ESCALA 1:150

03

PLANTA TÉRREO - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

PLANTA 1º PAV. - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

01 02

PLANTA ANEXO 01 ESCALA 1:150

PLANTA ANEXO 02 ESCALA 1:150

PLANTA 2º PAV. - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

01 04

106

PLANTA 3º PAV. - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

IMPLANTAÇÃO ESCALA 1:150


RUA GETÚLIO VARGAS

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

A

RU O

SÃ SÉ

JO 02

03

04

05

PLANTA PAVIMENTO TÉRREO

01

ESCALA 1:150

PLANTA 1º PAVIMENTO

02

ESCALA 1:150

PLANTA 2º PAVIMENTO

03

ESCALA 1:150

PLANTA TÉRREO - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

PLANTA 1º PAV. - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

01 02

04

PLANTA ESCALA 1:150 3º PAVIMENTO 04 ESCALA 1:150

107

ESCALA 1:150

PLANTA ANEXO 02 ESCALA 1:150

PLANTA 2º PAV. - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

01

PLANTA 3º PAVIMENTO

PLANTA ANEXO 01

PLANTA 3º PAV. - INTERVENÇÃO ESCALA 1:150

IMPLANTAÇÃO ESCALA 1:150


REESTRUTURAÇÃO DO TELHADO PORTA QUE SERÁ MANTIDA FECHADA PARA DIVISÃO DOS AMBIENTES RECUPERAÇÃO DO FORRO DE MADEIRA RECUPERAÇÃO DO BEIRAL

3

3.2

3.65

RECUPERAÇÃO DO PISO BARROTEADO

PORTAS QUE SERÃO MANTIDAS FECHADAS PARA DIVISÃO DOS AMBIENTES

ABERTURA FECHADA COM DRYWALL

LAJE IMPERMEABILIZADA

0.1

PERGOLADO

3

2.8

2.97

COBOGÓ

ESQUADRIA DE VIDRO

ÁREA PERMEÁVEL

01

CORTE AA ESCALA 1:100

109


REESTRUTURAÇÃO DO TELHADO

3.2 3 2.97

RECUPERAÇÃO DO PISO BARROTEADO

3.65

RECUPERAÇÃO DO BEIRAL

ABERTURA NA PAREDE ESTRUTURADA COM PÓRTICO DE METAL E COLOCAÇÃO DE PORTA

RECUPERAÇÃO DO FORRO DE MADEIRA

02

CORTE BB ESCALA 1:100

ABERTURA NA PAREDE ESTRUTURADA COM PÓRTICO DE METAL E COLOCAÇÃO DE PORTA

ABERTURA NA PAREDE ESTRUTURADA COM PÓRTICO DE METAL E COLOCAÇÃO DE PORTA

110

ELEVADOR

ABERTURA NA PAREDE ESTRUTURADA COM PÓRTICO DE METAL


LAJE IMPERMEABILIZADA

LAJE IMPERMEABILIZADA

COBOGÓ

3.1

3.1

COBOGÓ

ESQUADRIA DE VIDRO

ESQUADRIA DE VIDRO

2.1

2.7

0.9

0.1

PERGOLADO

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

ÁREA PERMEÁVEL

ÁREA PERMEÁVEL

03

CORTE CC

04

ESCALA 1:100

111

CORTE DD ESCALA 1:100


CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK VISTA - RUA GETÚLIO VISTA 01 - RUA01 GETÚLIO VARGAS

01

01

ESCALA ESCALA 1:150 1:150

02

01 02 03

04

01 02

FACHADA NORTE ESCALA 1:150

FACHADA OESTE ESCALA 1:150

FACHADA SUL ESCALA 1:150

FACHADA LESTE ESCALA 1:150

VISTA 01 - RUA GETÚLIO VARGAS ESCALA 1:150

RUA SÃO JOSÉ 02 VISTA VISTA 02 - RUA ESCALA 1:150 ESCALA 1:150

02

VISTA 02 - RUA SÃO JOSÉ ESCALA 1:150

SÃO JOSÉ

ESCALA 1:150

FACHADA NORTE ESCALA 1:150

FACHADA OESTE ESCALA 1:150

112

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCA

01

VARGAS

ESCALA 1:150

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK


DETALHES

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA

01 DETALHAMENTO ESCALA 1:30

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

02 DETALHAMENTO ESCALA 1:25

M PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK 113


CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

03 DETALHAMENTO ESCALA 1:25

04 DETALHAMENTO ESCALA 1:25

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

05 DETALHAMENTO ESCALA 1:25 CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK 114


CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

08 DETALHAMENTO ESCALA 1:25

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

DETALHAMENTO ESCALA 1:25

09 DETALHAMENTO ESCALA 1:25

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

09

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

08 DETALHAMENTO ESCALA 1:25

07 DETALHAMENTO ESCALA 1:25

06 DETALHAMENTO ESCALA 1:25

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

CRIADO POR UM PRODUTO EDUCACIONAL DA AUTODESK

11 DETALHAMENTO ESCALA 1:25

10 DETALHAMENTO ESCALA 1:25

115


PERSPECTIVAS

Figura 104 | Perspectiva externa. Arquivo pessoal

117


118


Figuras 105 e 106 | Rua Getúlio Vargas. À direita, o Sobradão; à esquerda, o anexo 01; ao fundo, anexo 02. Arquivo pessoal

119


Figura 107 | Rua São José. À direita, o anexo 02 (Café); à esquerda, o Sobradão; ao fundo, anexo 01. Arquivo pessoal

120


Figura 108 | Interior do CafĂŠ. Arquivo pessoal

121


CONSIDERAÇÕES FINAIS O Sobradão é o grande ícone da cidade de Minas Novas, tendo abrigado sempre, em seu interior, atividades voltadas para toda população. O projeto desenvolvido teve o intuito de mostrar todo o potencial histórico, artístico e paisagístico do Sobradão para com a cidade. Retomar seus usos e idealizar uma nova maneira de se ocupar os espaços circundantes tornou-se algo imprescindível para que a edificação histórica permaneça de pé. Manter a população e o bem histórico em uma constante e direta relação desperta o sentimento de cuidado. O livre acesso torna a reocupação e a requalificação do espaço democrática, onde há trocas de valores e memorações. Os estudos e o projeto permitiram uma maior conscientização e a descoberta de informações que grande parte da população minasnovense desconhece. A permeação dos dados poderá despertar interesses de pessoas e instituições que, conhecendo o atual estado de conservação do Sobradão, tome as ideais providências.

123


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANASTASIA, C. M. J. A geografia do crime: violência nas Minas setecentistas. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2005; BOSI, V. Núcleos Históricos: recuperação e revitalização; a experiência de Olinda. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, vol.21, p. 134-144, 1986; BRAGA, Márcia. Conservação e Restauro: Arquitetura Brasileira. Editora Universidade Estácio de Sá, 2003; BRAGA, P. M. SANTOS JÚNIOR, W. R. Programa de Recuperação do Centro Histórico de Salvador: políticas públicas e participação social. Revista de pesquisa em arquitetura e urbanismo, Campinas, vol. 10, p. 23-34, 2009; BRAGA, P. M. Intervenções Urbanas em Áreas Centrais Históricas. Paisagens particulares vs a banalização da paisagem. Contradições entre a Preservação do Patrimônio e a promoção do turismo em intervenções realizadas no centro histórico de Salvador e no Bairro do Recife. Tese (doutorado). Instituto de Arquitetura e Urbanismo – São Carlos. Universidade de São Paulo, São Carlos, 2013; BRANDI, C. Teoria do Restauro. Tradução de Beatriz Mugayar Kühl. Cotia – Ateliê Editorial, Coleção Artes & Ofícios, 2005; BRASIL. Constituição (1998). Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 05 de Outubro de 1998. Brasília: Senado Federal, subsecretaria de Edições Técnicas, 2007. 462 p.; CAMARGOS. A. C. (2016). Ana Lúcia Camargos: entrevista. [novembro/2016]. Entrevista: SOUSA, C.P. Minas Novas: Secretaria de Cultura; CARTA DE LISBOA. Disponível em: https://www. culturanorte.pt/fotos/editor2/1995__carta_de_lisboa_ sobre_a_reabilitacao_urbana_integrada-1%C2%BA_ encontro_luso-brasileiro_de_reabilitacao_urbana.pdf>. Acesso em 05 de maio de 2017;

CARTA DE VENEZA. Disponível em: http://portal. iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Carta%20de%20 Veneza%201964.pdf>. Acesso em 05 de maio de 2017; Casa de Câmara e Cadeia de Mariana: a recuperação de um patrimônio nacional/organização Leonardo Barci Castriota. – Belo Horizonte: IEDS, 2012. 264 p.;il; COELHO, Cristina. O Projeto de Intervenção em Bens Culturais Imóveis Arquitetônicos e Urbanos (p.17-49). Parte 2. DALGLISH, L. Noivas da seca: cerâmica popular do Vale do Jequitinhonha. São Paulo: Editora UNESP, 2006. p. 10215; DECRETO-LEI Nº 25, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1937. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/uploads/ legislacao/Decreto_no_25_de_30_de_novembro_de_1937. pdf>. Aceeso em 03 de maio de 2017; Empoderamento e Preservação do Patrimônio Cultural: o caso do Programa de Recuperação e Revitalização de Núcleos Históricos: Projeto Piloto Olinda/PE, 1981-1989 / Fernanda Maria Buarque de Gusmão. – Recife: O autor, 2011. 172 f.; il; HARVEY, David. A condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. São Paulo: Edições Loyola, 1992. 349 p.; IBGE. Disponível em: <http://cidades.ibge.gov.br/xtras/ perfil.php?codmun=314180>. Acesso em 10 de abril de 2017; KUHL, B. M. História e Ética na Conservação e na Restauração de Monumentos Históricos. R. CPC, São Paulo, v.1, n.1, p. 16-40, nov. 2005/ abr. 2006;

124


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Arquivos consultados: Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG); Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em Belo Horizonte-MG.


Profile for Cecília Figueiredo

Patrimônio e Cidade: Requalificação do Centro Histórico de Minas Novas-MG  

Trabalho Final de Graduação do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Moura Lacerda.

Patrimônio e Cidade: Requalificação do Centro Histórico de Minas Novas-MG  

Trabalho Final de Graduação do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Moura Lacerda.

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