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PINTORA FRANCESA DO INICIO DO SÉCULO XX Tipo de pintura: NAIF


Seraphine de Senlis foi habitada por um espírito criativo que ultrapassou as barreiras mais inóspitas da improbabilidade. Numa remota aldeia francesa, sem família, emerge de um orfanato religioso para uma vida difícil de pobreza e sacrifício, resistindo nos limites com o parco rendimento das suas tarefas indiferenciadas ao domicilio. O trato rude e grosseiro adequa-se a uma personalidade funcional, preocupada com os aspectos práticos da sobrevivência, mas esconde a expressividade de um talento transcendente. À noite, no pequeno e desconsolado quarto alugado onde vive, Seraphine pinta pequenos quadros num impulso quase demente, experimentando materiais inusitados que durante o dia vai recolhendo à falta de outros que escapam às suas posses. Contemporânea de Picasso ou Dali, Seraphine inspira-se nos elementos da natureza que a rodeiam e resiste. À pobreza, ao preconceito, à arrogância, à guerra e, como se verá, à loucura. Até que um coleccionador alemão nos anos conturbados da I Grande Guerra, Wilhelm Uhde, lhe descobre a arte e lhe cria expectativas e, com isso, abre inadvertidamente a caixa de Pandora onde se acoitavam anjos e demónios. Biografia de uma humanidade quase palpável, Seraphine oferece-nos o contraste entre a boçalidade das suas condições de vida e o esplendor de uma natureza luxuriante que ela vai retratando de forma cada vez mais exuberante à medida que o tempo passa. E passa devagar, o ritmo do filme é lento, mas só assim se apreende com o devido vagar os maravilhosos enquadramentos fotográficos e o trabalho impressionantemente realista da belga Yolande Moreau.



Seraphine de Senlis