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Escolhas Autárquicas Com   as   eleições   locais   marcadas   para   11   de   Outubro   do   corrente,   coloca­se   ao  eleitorado a necessidade de avaliar o trabalho dos eleitos nos últimos 4 anos de mandato  na   autarquia   silvense,   reflectir   sobre   as   candidaturas   que   se   perfilam   e   proceder   à  escolha democrática e consciente de quem melhor servirá os interesses do concelho de  Silves. Três mandatos sucessivos de maioria PSD, os dois últimos de maioria absoluta, sendo  confortável   para   quem   governa,   é   decerto,   gerador   de   vícios   e   práticas   rotineiras,  inércias,   dependências   e   cumplicidades   por   vezes   pouco   éticas   em   torno   do   poder  instalado, inclusive, a castração de liberdades individuais, para além da proliferação de  tiques autoritários e a indiferença pelo papel das oposições e pelo pulsar da sociedade  que não é positivo para a dinâmica do desenvolvimento do concelho. Tal como no país,  também   no   poder   local   democrático,   não   é   aconselhável   a   formação   de   maiorias  absolutas pelos motivos atrás invocados, a não ser nas condições em que haja de facto  sensatez   e   sentido   de   Estado,   humildade   e   práticas   salutares,   políticas   correctas   e  eficazes, pensamento e acção estratégicas, elevada competência nas equipas dirigentes,  coisa que no concelho de Silves, a meu ver, manifestamente, não se verifica. Mais de 30 anos após a instauração do poder local democrático, é tempo do eleitorado e  das populações subirem a fasquia nos critérios de exigência e de avaliação a que devem  submeter o desempenho das equipas que governam os concelhos (se é que funcionam  em equipa). Não basta fazer obra, lançar projectos ou promover eventos de qualquer  maneira sob o reino da desorganização, ao sabor do imediatismo e do eleitoralismo. Não  basta fazer, é preciso, sobretudo, fazer bem. É do interesse geral que a realização dos  investimentos e a promoção das actividades camarárias, obedeçam ao uso criterioso dos  recursos   e   à   definição   de   prioridades,   numa   palavra   ­   que   se   planeie,   exigindo­se  qualidade desde a concepção à conclusão dos trabalhos, processando­se o uso devido do  dinheiro   dos   contribuintes.   Reclamam­se   projectos   técnicos,   profissionalmente   bem  elaborados, com o mínimo de omissões – que previnam derrapagens financeiras  ­ e  programação   de   investimentos,   dotados   de   efectiva   cobertura   orçamental   que  proporcione à autarquia pagar a tempo e horas. Exige­se, pois, que os autarcas sejam  competentes e terminem com o funcionamento desregrado das finanças públicas locais 


que   no   caso   da  autarquia   silvense   tem   sido  escandaloso   e   a   sua  imagem   de   marca  (negativa)  ao longo  dos  últimos  12 anos  de  maioria  PSD, tal  é a  dimensão  do seu  endividamento   corrente   e   os   dilatados   prazos   médios   de   pagamento   que   não  salvaguardam   tampouco   os   mínimos   da   decência.   Ao   eleitorado   não   pode   passar  despercebido   que   investimentos   tão   vultuosos   como   a   Recuperação   e   Restauro   do  Teatro Mascarenhas Gregório, na cidade de Silves, (só para dar um exemplo), tenha  sido objecto de inauguração pomposa nas vésperas das últimas eleições locais de 2005 e  ainda   hoje, 4 anos  depois, tão  valioso  equipamento  cultural,  se mantenha  de portas  fechadas!  A complexidade dos tempos modernos e a aspiração legítima das populações locais ao  desenvolvimento equilibrado do todo concelhio, pressupõe liderança colectiva capaz,  norteada   por   princípios   e   valores,   com   visão   e   orientação   estratégicas,   socialmente  sensível, arrojada e criativa, próxima dos cidadãos, dos agentes locais e das instituições.

Francisco Martins Economista, Professor do Ensino Secundário, ex­Vereador da CMSilves

P.S. É  notável   a   qualidade   da   intervenção   do   Vereador   Não   Permanente   da   CDU   no   Executivo  Municipal de Silves, Dr. Manuel Ramos, na linha, aliás, dos melhores autarcas desta Coligação  Unitária; estudioso, muito bem preparado e profundo conhecedor dos dossiers, acutilante na  crítica,  corajoso na denúncia, inteligente na  análise e  na formulação  da  proposta,  carreou a  informação e o debate dos problemas autárquicos/locais  para a sociedade, de forma pioneira e  categorizada, através do blogue:  www.vereadordacdu.blogspot.com. Por aqui se vai fazendo a  diferença.

Publicado no Jornal “Terra Ruiva” de Julho de 2009


Escolhas Autárquicas  

Artigo da autoria de Francisco Martins. Publicado no Jornal Regional Terra Ruiva. Julho 2009

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