Page 1


Instalação 11h00 – 22h00 | Atividades Paralelas 19h00 – 21h30: Conferências Elísio Macamo, 8 de julho + Jota Mombaça, 15 de julho + Marta Lança, 21 de julho + Manuela Ribeiro Sanches, 22 de julho + Mamadou Ba, 29 de julho Performance‑conferência Rita Natálio, 28 de julho Concertos Grupo de Batuque Finka‑Pé, 7 de julho + Mlynarczyk, 14 de julho Direção artística e conceção: Gonçalo Amorim

Apoio à pesquisa e seleção de textos para a fanzine: Marta Lança

Direção, conceção e seleção de textos para a fanzine: Raquel S.

Desenho de luz e realização plástica: Renato Marinho e Francisco Campos

Conceção e realização plástica: Catarina Barros e Cristóvão Neto

Desenho de som: Rui Lima e Sérgio Martins

Antecipando a comemoração dos 500 anos passados sobre a circum-navegação marítima por Fernão de Magalhães (1519), chegou a altura de lhe fazer perguntas. Continuamos a aceitar uma História escrita sobre os discursos dos outros: uma narrativa de glorificação, expansionista, colonialista, imperialista. O que ficou de fora desta historiografia? NAU! é uma instalação que usa um contentor marítimo como simulacro, um dispositivo imersivo que procura, também, a emersão: o espectador intervém no espaço, trazendo à tona o avesso do discurso historiográfico da circum­ ‑navegação. O exterior da instalação serve igualmente de espaço de encontro, de discussão e problematização públicas do colonialismo e da historiografia, convocando conferências e performances abertas a todos. NAU! procura, usando as palavras de Walter Benjamin, “escovar a história a contrapêlo”.

Grupo de Batuque Finka-Pé 07 JUL Surgiu em 1988 no Bairro Alto da Cova da Moura, concelho da Amadora, no âmbito das atividades desenvolvidas pela Associação Moinho da Juventude. O batuque é, pois, um dos géneros mais representativos do património musical da ilha de Santiago. O seu contexto habitual, em Cabo Verde, é o momento importante de convívio das comunidades. Festas religiosas, vésperas de casamentos ou batizados e a receção de personalidades importantes são algumas das ocasiões escolhidas para se fazerem batuques e, assim, através dos textos que cantam as mulheres, exprimirem admiração e louvor ou crítica e sátira sobre as pessoas e os acontecimentos que marcam o seu dia a dia. O espaço tradicional do batuque é o terreiro: o pátio interior ou das traseiras da casa em que, pela noite fora, as mulheres se sentam em círculo, com a(s) dançarina (s) no centro, tocando a ‘tchabeta’ - o pano que enrolado se percute pousado entre as pernas - cantando e dançando até altas horas da madrugada. O repertório cantado pelo Grupo é sobretudo baseado em cantigas de batuque de Cabo Verde. No entanto, devido à sua função interventiva, estas cantigas são naturalmente adaptadas - num processo improvisado - em função dos locais onde o grupo atua e das pessoas que estão a assistir. Os temas de grande parte das cantigas interpretadas pelo Grupo Finka-Pé relacionam-se com a difícil condição feminina das suas componentes e com os problemas concretos com que elas têm que se defrontar no dia a dia da sua vida em Portugal.

Elísio Macamo

08 JUL

De Moçambique mas vive na Suíça. Professor de estudos africanos na Universidade de Basileia, na Suíça.

Formou-se em sociologia pela University of North London na Inglaterra. Tem doutoramento em sociologia e antropologia social e agregação em sociologia geral pela Universidade de Bayreuth na Alemanha. É membro do comité científico do Conselho Africano para o Desenvolvimento de Ciências Sociais com sede em Dakar, no Senegal, e coeditor da African Sociological Review. As suas áreas de pesquisa incluem o risco e os desastres, a religião, a tecnologia e processos de desenvolvimento. Os seus interesses teóricos estão virados para a sociologia do conhecimento e sua relevância para a metodologia das ciências sociais.

– VER COM UM OLHO O título é em referência ao grande poeta português, Luís de Camões. A apresentação usa a perda do olho direito como uma metáfora para problematizar o lado da expansão portuguesa que até há pouco merecia menos destaque nas perceções portuguesas do significado da sua própria história. A questão que a apresentação coloca, portanto, consiste em saber de que maneira certas coisas se furtaram ao olhar português e como a sua recuperação pode contribuir para uma reconciliação de Portugal com os valores usados como lentes na interpretação gloriosa do seu passado.

Mlynarczyk

14 JUL

Yzyrz MMn M ylyllczyazzz rccMrzlzycyMcnrMnMclaylyccncczanl, ylyc czl c ry nlyly. Cznccc nnaaynczr a Mcnrlyzccrlzln nnrayczr Mrarr My caccrzrM, rzccrlzn... MryyrzaccM. Raca McayrzMy rzcyMcryy zac z. Mnlyy aanyMnnMnzyrzzlca zanyacca nczl M. cyMc yln yl nlczM cc ncyzr rMzl zcl Myzlrn ly cM cycy ycn yyyzcllrycMzacMMnynrcyrcyznlc la lrrcn yylMc.

Assistência à conceção: Patrícia Gonçalves

Coordenação de produção: Teresa Leal

Assistência à montagem: Pedro Cunha

Ilustrações da fanzine: Nuno Matos

Produção executiva e secretariado: Ana Santos

Design gráfico: Studio Bruto

Produção TEP: Direção técnica: Renato Marinho e Francisco Campos

Jota Mombaça

Assistência de produção: Joana Mesquita

15 JUL

Brasil 1991 É uma bicha não binária, nascida e criada no Nordeste do Brasil, que escreve, performa e faz estudos acadêmicos em torno das relações entre monstruosidade e humanidade, estudos kuir, giros descoloniais, interseccionalidade política, justiça anti-colonial, redistribuição da violência, ficção visionária e tensões entre ética, estética, arte e política nas produções de conhecimentos do sul-do-sul globalizado.

– DOR, DÍVIDA, DILEMA: O QUE SIGNIFICA DESCOLONIZAR? O que significa descolonizar, se o pós­ ‑colonial, como ficção teórica e historiográfica, não tem força para constituir um espaço efetivamente pós, destacado dos modos de atualização da máquina colonial sobre o tempo e sobre as formas de viver no presente? Que significa descolonizar, quando qualquer gesto de colonialidade efetiva a performance do apocalipse do outro como condição de articulação do sujeito colonial? Que significa descolonizar, perante a fronteira como ferida e em face da geometria social dos privilégios como mecanismo de aprofundamento do abismo e da dívida?

Marta Lança

21 JUL

Lisboa 1976. Doutoranda em Estudos Artísticos na FCSH-UNL, a sua pesquisa é sobre o debate pós-colonial e a ideia de sul na programação cultural, entre Brasil e Portugal, orientada por Margarida Brito Alves. Criou e editou a revista temática e experimental V-ludo (2000-1), a revista Dá Fala em Cabo Verde (2004-5) e o portal BUALA dedicado à cultura contemporânea e questões pós-coloniais. Co-editou a Jogos Sem Fronteiras (2008) e Este corpo que me habita (Buala, 2014). Escreveu em várias publicações. Traduziu artigos e livros do francês. Lecionou na Universidade Agostinho Neto, e trabalhou na 1o Trienal de Luanda (Angola 2005-7). Fez programação e edição de catálogo do Dockanema (Maputo, programa InovArtes 2009). Fez pesquisa e produção em séries documentais. Comissariou o Roça Língua, residência de escrita de autores de língua portuguesa e editou o livro de contos daí resultante (S.Tomé e Príncipe, 2011). Programou com Rita Natálio o programa Expats para o FITEI (Porto, 2015). Concebeu o ciclo Paisagens Efémeras dedicado a Ruy Duarte de Carvalho, no qual organizou o colóquio Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho e a exposição Sob uma delicada zona de compromisso (Galeria Quadrum, Lisboa, 2015). Tutora do programa de residências artísticas A Sul, do Teatro do Silêncio.

– MODOS DE PRODUZIR MEMÓRIA A nossa memória cultural deve tanto às políticas comemorativas e suas retóricas de legitimação, como à cultura visual, determinadas pedagogias, artefatos e símbolos, e à nossa capacidade de perspetivar as forças aí em jogo. A tendência de fixar-se o passado num sentido de unidade, paz e de consenso, mesmo quando se trata da mais atroz violência que pode até implicar quem

o celebra, funciona muitas vezes como uma resposta à atualidade. É o caso de algumas das narrativas fundadoras de uma certa ideia de Portugal (descobrimentos, colonialismo brando, lusofonia, etc) que têm sido muito disputadas, debatidas e desconstruídas. Para perceber os elementos que atuam na construção e transmissão de determinadas memórias coletivas, e como influenciam a nossa perceção (ou concorrem para a ausência de memória), revisitaremos modos de produzir memória - memoriais, toponímias, efemérides e práticas artísticas e documentais - que ajudam a repensar a nossa memória cultural sobre aspetos da nossa História.

Manuela Ribeiro Sanches 22 JUL É professora aposentada da FLUL, onde ensinou entre 1981 e 2016. Tendo feito o seu doutoramento sobre o viajante e revolucionário Georg Forster, o seu interesse por literatura de viagens e tópicos relacionados, tais como os processos que sustentam a perceção e narração dos objetos descritos, levou-a a alargar a sua pesquisa ao campo da história da antropologia, em articulação com os estudos culturais, a partir de uma perspetiva pós-colonial. Tendo dedicado a sua atividade de docência e investigação a estudar os efeitos e repercussões, até ao presente, dos processos de (des)colonização a nível cultural e político, interessou-se, mais recentemente, pelos movimentos anticoloniais, nas suas vertentes nacionalista e transnacional. Publicações recentes: Europe in Black and White: Immigration, Race, and Identity in the “Old Continent” (Intellect, 2011) e ‘Malhas que os impérios tecem. Textos anti-coloniais, contextos pós-coloniais’ (Edições 70, 2011). De momento está a organizar um conjunto de textos sobre Cabral, Césaire and Du Bois a publicar em 2018.

– PERSPETIVAS E MUNDOS ÀS AVESSAS OU COMO ABRIR O CÍRCULO DAS CIRCUM­ ‑NAVEGAÇÕES. São conhecidas as ficções tornadas célebres no século XVIII acerca dos ‘outros’ da Europa como crítica à ‘escravatura’ e à tirania de reis e, sobretudo, de aristocratas. Tais ficções tiveram, por sua vez, origem nos relatos de viagem postos em circulação desde a era dos ‘descobrimentos’ europeus, começando com a Carta de Colombo e prosseguindo com a de Pêro Vaz de Caminha sobre o ‘achamento’ do Brasil. Desde as Cartas persas de Montesquieu até a’O ingénuo de Voltaire, passando pel’O cidadão do mundo de Oliver Goldsmith, para não falar, evidentemente do ‘bom selvagem’ de Jean-Jacques Rousseau, essas narrativas alimentaram tanto o gosto pelo exótico como a crítica da civilização europeia ou a sua sátira. Contudo, estas narrativas, que permitem questionar as versões monolíticas do ocidente, não escapam a um solipsismo etnocêntrico que urge questionar. Para o efeito, considerar-se-á outras narrativas, como a Interessante narrativa da vida de Olaudah Equiano, ou Gustavo Vassa, o Africano, e outros relatos de escravos, até aos mais recentes da autoria dos seus descendentes, como os

O TEP é uma estrutura residente no Teatro Campo Alegre, no âmbito do programa Teatro em Campo Aberto.

Coprodução Cultura em Expansão/ Câmara Municipal do Porto.

itinerários europeus de Caryl Phillips ou de Richard Wright. Narrativas de viagem, todas elas, em aceções diferentes, estes textos, que descrevem espaços de experiência muito distintos, podem, se lidos em contraponto, permitir uma abordagem que abra espaço menos a mundos alternativos, horizontes de expectativa desmesuradamente utópicos, do que a formas precárias, mas mais justas, de vivermos em conjunto num mundo finito e, mal, partilhado.

Rita Natálio

28 JUL

Nasceu em Lisboa em 1983 e vive entre Lisboa e São Paulo desde 2012. Estudou Artes do Espetáculo Coreográfico na Universidade de Paris VIII e realizou o Curso de Pesquisa Coreográfica do Fórum Dança 2006. É mestre em Psicologia pela PUCSP. É doutoranda em Estudos Artísticos na FCSH-UNL e Antropologia na USP. A sua atividade principal tem-se centrado nas áreas da poesia, ensaio, dramaturgia e performance. Entre os seus trabalhos de performance destaca Não se vê que sou eu mas é um retrato (Temps d’Images/Culturgest, 2011) e Não entendo e tenho medo de entender, o mundo assusta-me com os seus planetas e baratas (São Luiz, 2012) e o projeto Museu Encantador (MAM-RJ) que recebeu o Prêmio Redes Artes Visuais 10a Edição da Funarte/ Brasil. Em 2015, publicou o seu primeiro livro de poesia Artesanato pela “(não) edições”, nomeado para o Prémio Novos 2016 em Portugal. Este ano, publicou Plantas humanas com selo da mesma editora, e criou a conferência-espectáculo Antropocenas com João dos Santos Martins. Prepara um projeto de criação de um audio guide para o Museu da Imigração de São Paulo a convite do Geothe Institut São Paulo, MitSp e SpielArt Festival de Munique. Paralelamente, trabalha com críticas de espetáculos e/ ou entrevistas a artistas para a DNA [Departures and Arrivals]. Como dramaturgista, colaborou regularmente com Vera Mantero, João Fiadeiro, Cláudia Dias, Guilherme Garrido, Pieter Ampe, António Pedro Lopes e Marianne Baillot. Apresentou também diversas conferências a propósito do seu trabalho de investigação.

– GEOFAGIA ‘Geofagia’ é a vontade ou hábito de comer terra. Alguns papagaios comem argila vermelha num ato de auto-medicação. Um mito Yanomami começa assim: “Essa é a história dos nossos antepassados que aos poucos se multiplicaram. Ela começa na época em que não havia Yanomami como os de hoje. Os comedores de terra sofriam, porque eles comiam terra. Nós também quase teríamos sofrido, como as minhocas, por cavar a terra e tomar vinho de barro, se não fossem os acontecimentos que seguem.” O modelo colonial, iniciado precocemente por Portugal no século XVI, está intrinsecamente ligado ao desenvolvimento de uma visão da terra como materialidade particular, um bem de natureza possessiva e usado com fins muito precisos: a extração de recursos naturais e a propriedade privada. Terra é posse e pouco mais. Portugal não come literalmente a terra dos povos nativos, mas “come” vo-

razmente a sua visão da terra, os seus modos de viver e pensar com os pés na terra. Assim, se para muitos o imaginário da colonização tem a ver com mar e navegação, em Geofagia queremos lembrar os Portugueses como grandes “comedores de terra”, num gesto muito mais próximo do transtorno alimentar do que da medicina.

Mamadou Ba

29 JUL

Nasceu no Senegal. Ativista e militante anti-racista, dedica-se à luta pelos direitos humanos dos migrantes e das “minorias étnicas”. É licenciado em Língua e Cultura Portuguesa pela Universidade Cheikh Anta Diop de Dakar; titular de Curso de Tradutor pela Universidade de Lisboa. Membro Fundador da Associação Luso-Senegalesa, da Rede Anti-Racista de Portugal, da Diáspora Afrique, assim como da Aliança das Pessoas Africanas e de Ascendência Africana na Europa. Foi, em representação de Portugal, membro efetivo do Conselho da Administração da European Network Against Racism de 1999 a 2010. Integra o Movimento SOS Racismo e a Coordenação da Plataforma Afrodescendentes de Portugal. Tem vários artigos e participações em publicações sobre a temática da diversidade, do racismo e das migrações.

– NÃO, AINDA NÃO SOMOS TODOS IGUAIS Enquanto o debate sobre racismo em Portugal continuar em larga medida no plano da moral, ou seja, na sua dimensão meramente interpessoal, continuaremos a não ser capazes de enfrentar o seu carácter estrutural. Ao longo do tempo, usou-se a semântica através da retórica da igualdade para não o nomear. Vários dispositivos retóricos na academia e na política foram mobilizados para não o encarar com frontalidade. Conceitos como a multiculturalidade, a interculturalidade, a diversidade e a igualdade de oportunidades serviram durante tanto tempo de biombo que ocultam a profundidade da estrutura ideológica do racismo e o seu impacto nas desigualdades que afetam os sujeitos racializados em sociedades, onde o privilégio branco resultou da colonialidade da cultura ocidental. A repetição à saciedade e, muitas vezes, com cinismo e sem convicção da proclamação de que ‘somos todos iguais’ tem conduzido a uma anestesia política e social sobre a real dimensão do racismo nas sociedades europeias e enclausurado o debate sobre o racismo no complexo teórico-ideológico da dimensão tradicional de luta de classes, sem atender à sua especificidade estrutural e transversal nas sociedades pós-coloniais. Propomos assim discutir a continuidade histórica do racismo nas suas várias formas de expressão hoje, questionar esta continuidade através do atual debate sobre a memória da empresa colonial e os impactos dos seus legados na sociedade atual, quais os desafios que tudo isso suscita e que possíveis caminhos para romper com esta circunstância.

NAU! | Teatro Experimental do Porto  

Antecipando a comemoração dos 500 anos passados sobre a circum-navegação marítima por Fernão de Magalhães (1519), chegou a altura de lhe faz...

NAU! | Teatro Experimental do Porto  

Antecipando a comemoração dos 500 anos passados sobre a circum-navegação marítima por Fernão de Magalhães (1519), chegou a altura de lhe faz...

Advertisement