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CONECTANDO SABERES MANUAL PARA GESTテグ DE BLOGS ESCOLARES

lIVIA DE SOUZA VIEiRA NAIARA LARSEN


Lívia de Souza Vieira e Naiara Larsen

Conectando saberes:

Manual para gestão de blogs escolares 1° edição

Joinville (SC) Casa da cultura Digital Multiplica Bom Jesus/Ielusc

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V658c Vieira, Lívia de Souza. Conectando saberes : manual para gestão de blogs escolares / Lívia de Souza Vieira, Naiara Larsen. – Joinville, SC :[s.n.], 2015. Modo de acesso: <https://casadaculturadigitalmultiplica.wordpress.com/> Projeto de Extensão da Associação Educacional Luterana Bom Jesus/IELUSC ISBN 978-85-918511-0-2 1. Blogs escolares. 2. Comunicação digital. 3. Educação. I. Larsen, Naiara. II. Título.

CDD 372.3

Ficha catalográfica elaborada por Alessandra Mara Schroeder – CRB 14/679 Diagramação: Naiara Larsen Capa: freepik.com

O trabalho Conectando Saberes: manual para a gestão de blogs escolares de Lívia de Souza Vieira e Naiara Larsen está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

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AGRADECIMENTOS À Associação Educacional Luterana Bom Jesus/IELUSC, pelo apoio financeiro e institucional. Obrigada, professores Silvio Iung, Paulo Aires e Silvio Melatti. Ao Núcleo de Estudos em Comunicação do Bom Jesus/IELUSC, por estar sempre de portas abertas para projetos de extensão e pesquisa. Obrigada, Maria Elisa Máximo. Agradecemos também a Patrícia Gaglioti, Almério Francês e Rogério da Silva Filho, que participaram do primeiro brainstorm que deu origem a esse e-book. À Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Joinville, que incentivou o projeto desde seu início. Obrigada, Marco Aurélio Braga, Rodrigo Schwarz e Rogério Kreidlow. À Secretaria de Educação da Prefeitura de Joinville, por nos receber de forma tão carinhosa e por acreditar no projeto. Obrigada, Mônica Schüler e equipe do Núcleo de Tecnologia. Aos professores Franciele Padoim, Dênis Souza e Everson Luiz dos Reis, que gentilmente nos concederam entrevistas para um entendimento mais assertivo da realidade escolar.

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PREFÁCIO Rubem Alves recupera a filosofia dos mestres Zen para falar da educação dos seus sonhos. Ele nos conta que os mestres Zen eram educadores “estranhos”, pois ao invés de ensinar, pretendiam “desensinar”. “ ‘Desensinavam’ para que os discípulos pudessem ver como nunca tinham visto” (ALVES, 2012, p. 27). E se “só vemos aquilo que a linguagem permite e ordena ver” é preciso desarticular a linguagem, “quebrar seu feitiço” para libertar os olhos dos “saberes” e devolver a eles a condição de olhos de criança, capazes de ver como nunca haviam visto (ibid, p. 28). Inspirado na pedagogia dos mestres Zen, Rubem Alves sonha uma educação – e uma escola – que aposte e invista nas desconstruções, nas desaprendizagens, nas rupturas com os discursos lógicos e na abertura para mundos ainda não vistos ou conhecidos. Eu diria sem medo que este projeto surgiu de uma série de “desensinamentos” e “desaprendizagens”, ou seja, de uma desconstrução gradual, mas revolucionária, do próprio modelo de ensino no qual estamos imersos e que, paradoxalmente, também ajudamos a construir. Em primeiro lugar, porque foi uma aluna que nos colocou no caminho desta ideia. E quando um aluno ou uma aluna chega ao professor com uma proposta, quase uma convocação – Que tal esta ideia? Aceita desenvolvê-la comigo? –, temos uma revolução acontecendo. Quando isso acontece é porque o aluno desaprendeu a enxergar o professor como centro do processo passando a ver ele mesmo refletido no centro daquilo que pensa, produz ou idealiza. Assim, a Naiara Larsen, idealizadora do projeto que aqui começa a se concretizar, subverteu a nossa rotina escolar, muitas vezes refém dos planos de ensino, dos diários de classe, dos modelos didáticos e avaliativos, e nos apontou o caminho da aventura: a aventura de colocar, finalmente, a educação na perspectiva da tecnologia, da dinâmica das redes e das múltiplas conexões que povoam o contemporâneo. Em segundo lugar, porque a própria tecnologia, renovando-se rapidamente e multiplicando possibilidades, nos impele a constantes e radicais desaprendizagens. A cada inovação, somos convidados a repensarmos conceitos, práticas e hábitos, buscando novas formas de lidar, transitar e participar da vida cotidiana na atualidade. No campo educacional, hoje muito ainda se debate sobre se devemos ou não incorporar as tecnologias digitais às nossas práticas pedagógicas. Pra mim, é um debate anacrônico, fora do lugar. Afinal, negar que as pessoas e os dispositivos tecnológicos interagem, atualmente, de formas cada vez mais simétricas e horizontais é negar a própria característica

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da contemporaneidade. Como afirma Manuel Castells ao descrever as transformações que marcam e definem a chamada sociedade em rede, “nós sabemos que a tecnologia não determina a sociedade: é a sociedade” (CASTELLS, 2005, p. 17). Assim sendo, a meu ver, não cabe mais decidirmos se devemos ou não aceitar que o aluno acesse seu celular ou smartphone em sala de aula; não cabe mais nos incomodarmos com os notebooks e tablets conectados ao Facebook, ao Twitter ou aos blogs. Cabe, sim, discutirmos sobre como incorporar a tecnologia aos processos e percursos educacionais. Cabe, também, inventarmos espaços onde a tecnologia possa participar da aprendizagem promovendo a autonomia, a criatividade e a capacidade de encontrar soluções para as demandas cotidianas de nossos estudantes. Não tenho dúvidas de que a melhor forma de fazer este debate é trazendo, efetivamente, a web, os dispositivos móveis, as redes sociais online, os blogs, os games, aplicativos etc para o centro da educação. O material que temos aqui é, certamente, um primeiro passo nesta direção. Um passo pequeno, sim, mas é o começo de um sonho. Melhor dizendo, “Conectando Saberes” parece surgir como uma espécie de licença para sonharmos. É isso! O término da primeira etapa de um projeto que se quer maior e mais ambicioso nos autoriza a acreditar que é possível, sim, transformarmos a forma como pensamos e fazemos educação. E o que desejamos é que você, que começa a explorar este material, sonhe conosco e amplie as possibilidades de transformar a nossa realidade educacional. Maria Elisa Máximo Dra. em Antropologia Social Coordenadora do Núcleo de Estudos em Comunicação (Necom) do Bom Jesus/Ielusc

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SUMÁRIO Apresentação

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Primeiros passos: por que sua escola deve ter um blog?

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Caminhando pelo texto: técnicas de redação para blogs

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Exercitando o olhar: a imagem como aliada nas postagens

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Registrando o movimento: vídeos que contam histórias

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Para ir além: outras ferramentas úteis

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Considerações finais

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Referências

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Sobre as autoras

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apresentação

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Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. Rubem Alves

Este e-book parte do entendimento de que inclusão digital é também inclusão social. Ou seja, indivíduos que são estimulados a criar e inovar nos ambientes digitais estão construindo para si – e para outros – um empoderamento social. Inicialmente, destacamos que o ‘Conectando saberes: manual para gestão de blogs escolares’ é o primeiro projeto desenvolvido pela Casa da Cultura Digital Multiplica, e foi viabilizado por meio de aprovação no Edital no 2/2014 de projetos de extensão do Bom Jesus/IELUSC. As ‘Casas da Cultura Digital’ são lugares de utopias reunidas, como elas mesmas se definem. São espaços independentes de coworking, em que diversas organizações trabalham em uma filosofia de troca e cooperação. Atualmente, há unidades em São Paulo, Porto Alegre, Campinas e Belém. Por sua própria natureza, não há ‘donos’ e, portanto, qualquer pessoa ou instituição pode criar a sua Casa da Cultura Digital. É o que fizemos e este e-book marca, de forma embrionária, o início de uma empreitada que visa o compartilhamento de conhecimentos para a comunidade. Por isso adicionamos ao nome a palavra ‘Multiplica’. Nesse contexto entre a interface do jornalismo e a comunicação comunitária, nasceu a ideia de contribuirmos com a comunicação digital das escolas a partir de uma iniciativa já existente e com muitas potencialidades: os blogs escolares. Para isso, vamos explicar como tudo começou. No primeiro semestre de 2014, a acadêmica de Jornalismo do Bom Jesus/IELUSC Naiara Larsen desenvolveu o trabalho “Educação em Ação – Perfis”¹, que retratou, em vídeo, professores com projetos pedagógicos interessantes e inovadores na área da educação pública na cidade de Joinville (SC). Para encontrar essas histórias, uma das estratégias utilizadas pela estudante foi a de buscar informações nos blogs das escolas. Na pesquisa, ela constatou que quase todas as instituições de ensino utilizavam a plataforma como vitrine para divulgar atividades realizadas em sala de aula. Contudo, durante este processo, foi observado que os blogs são utilizados de forma pouco eficiente, sem aproveitar suas potencialidades. Entre os problemas constatados estão a desatualização, falta de critérios de publicação e a ausência de diálogo com a linguagem e ferramentas para o ambiente digital. ¹ Sob orientação da professora Beatriz Cavenaghi

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A percepção destas necessidades surgiu, principalmente, após a acadêmica cursar as disciplinas de Meios Digitais, Produção Jornalística em Ambiente Digital 1 e 2, ministradas pela professora Lívia Vieira. Nas aulas, os estudantes são incentivados a utilizar a rede para criar produtos jornalísticos diferenciados, empregando as habilidades da profissão com as ferramentas disponibilizadas pela internet, além de compreender como a informação circula no ambiente digital e entender os mecanismos de buscas na rede. A partir desses critérios e também do entendimento sobre a importância da internet no mundo atual como ponte para compartilhar informações, percebemos as possibilidades que poderiam surgir a partir da utilização plena de uma ferramenta como o blog. Dessa forma, o objetivo deste e-book é reunir boas práticas de conteúdo para blogs escolares. A ideia não é, simplesmente, ensinar os professores a fazer; mas orientá-los a saber fazer. Dito de outra forma: não é nossa pretensão direcionar conteúdos, mas sim mostrar aos professores que existe uma grande quantidade de ferramentas e de soluções para ampliar a divulgação dos trabalhos realizados nas escolas. Seguindo a concepção do educador Paulo Freire (2005, p. 77), repudiamos a educação ‘bancária’ e perseguimos a educação libertadora. “A educação que se impõe aos que verdadeiramente se comprometem com a libertação não pode [...] ser a do depósito de conteúdos, mas a da problematização dos homens em suas relações com o mundo”. Portanto, o termo ‘manual’ tem um caráter muito mais didático do que padronizador. Nossa missão foi compilar as melhores práticas de conteúdo para que elas integrem uma ampla cartela de opções a que os professores podem recorrer em suas postagens nos blogs. O manual é, nesse entendimento, um ponto de partida e não um ponto de chegada. Ao percorrer os cinco capítulos - ‘Primeiros passos’, ‘Caminhando pelo texto’, ‘Exercitando o olhar’, ‘Registrando o movimento’ e ‘Outras ferramentas úteis’, o leitor terá orientações técnicas e de conteúdo para fazer com que o blog escolar seja um espaço de comunicação e aprendizado. Salientamos ainda que a efetivação deste manual será plena com a capacitação dos professores, próxima etapa de nosso projeto. Para os que nos leem, incluam essa ação no planejamento pós-leitura do manual. Assim, acreditamos que a pertinência desta iniciativa se dá principalmente no contexto atual, cada vez mais interligado digitalmente. Não fazer parte desse universo de forma efetiva é estar excluído, também socialmente, de uma série de possibilidades oferecidas por esse novo mundo. Além disso, os blogs surgem como uma possibilidade de comunicação entre escolas, pais, professores, alunos e comunidade, um diálogo essencial para a construção de uma sociedade mais informada e ativa. Boa leitura!

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Primeiros passos: por que a sua escola deve ter um blog?

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Primeiros passos: por que a sua escola dever ter um blog?

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o Brasil, os primeiros blogs nasceram na década de 1990 como grandes diários virtuais. Hoje, eles são muito mais abrangentes e utilizados tanto por cidadãos comuns como por profissionais: jornalistas, cientistas, artistas e professores. A essência de um blog está em sua pertinência para determinado grupo de pessoas, que formam grandes comunidades virtuais em torno de um assunto específico. O nosso é a Educação. Mas antes de criar um blog, é preciso fazer um questionamento importante: Por que minha escola precisa ter um? E mais: pra que serve um blog? Para responder a essas perguntas, vamos propor uma viagem no tempo. Tente lembrar da sua época de estudante em idade escolar. Brincadeiras, atividades, professores, colegas de classe, aulas… certamente são momentos inesquecíveis, que fazemos questão de guardar na memória. Agora, imagine um lugar onde essa memória, somada a de outras pessoas, pudesse ser acessada a qualquer momento, e não somente nos antigos álbuns de fotografia? É isso que um blog escolar proporciona: o registro de uma memória de riqueza imensurável, imaterial, que pode ser compartilhada com alunos, pais, professores e comunidade. O jornalista e pesquisador Leonardo Foletto afirma que um blog é: [...] um meio de comunicação pessoal e interativo tendo como elemento básico o hipertexto (BLOOD 2002, LÓPEZ 2007) e como componente organizacional principal o Sistema de Publicação de Conteúdo (CMS), que confere ao weblog uma interface de edição simplificada que exime o autor da necessidade de usar códigos de linguagens de programação web e dá, estruturalmente, o formato de entradas datadas organizadas em uma ordem cronológica reversa onde, em cada uma das entradas, existe possibilidade do usuário fazer comentários (FOLLETO, 2009, p. 36).

De forma simplificada, o autor chama atenção para algumas importantes características dos blogs:

Interatividade: os blogs permitem a participação das pessoas por meio dos comentários; Hipertextualidade: dá autonomia ao leitor para navegar por meio de links para conteúdos dentro e fora do blog; Facilidade de publicação: você não precisa ser um programador para ter um blog. Basta que aprenda a utilizar uma ferramenta de publicação de conteúdo, como ensinaremos aqui. Estrutura singular: é fácil reconhecer um blog, pois ele possui posts publicados em ordem decrescente (do mais recente para o mais antigo). Alguns ainda possuem perfil do blogueiro, categorias de assuntos, arquivo com o histórico das postagens e lista de blogs recomendados.

Dessa forma, o blog escolar é uma poderosa ferramenta de comunicação e de registro de experiências nesse ambiente tão rico e marcante na vida de todos nós. Mais do que utilizar uma tecnologia ‘da moda’, o blog é uma extensão permanente da escola, onde alunos, professores, pais e comunidade podem trocar informações, conhecimento, estreitar relações de afeto e divulgar as práticas pedagógicas bem sucedidas.

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Conectando Saberes: manual para gestão de blogs escolares

Blog ou Facebook? Se os blogs são da década de 1990, como dissemos anteriormente, as redes sociais digitais são bem mais recentes. O Facebook, segundo site mais acessado no Brasil² , foi criado em 2004 pelo norte-americano Marck Zuckerberg, que tinha apenas 20 anos de idade. Atualmente, muitas escolas utilizam as duas mídias sociais e incluem nas fanpages a divulgação das postagens dos blogs escolares. Essa é uma boa prática, mas chamamos atenção para algumas questões: - Por regra, o Facebook só permite o cadastro de pessoas a partir de 13 anos de idade. No entanto, sabemos que alunos com menos idade e até crianças estão na rede social, muitas vezes com a permissão dos pais. Ao criar uma fanpage para se comunicar com os alunos, a escola deve estar ciente dessa norma e refletir sobre a real pertinência da presença no Facebook. Se a própria rede social estabelece uma idade mínima, é porque há razões para isso, inclusive com relação à exposição de imagem e risco para as crianças. - Para acessar um blog, não é preciso cadastro. Há plataformas gratuitas para criação de blogs e há também a possibilidade de instalação de um plugin em um servidor próprio. Dessa forma, a instituição tem total controle sobre o conteúdo e as mudanças podem ser planejadas de dentro para fora. - O Facebook pertence a uma empresa privada, portanto, fora do controle de seus usuários. Vamos imaginar, por exemplo, que Marck Zuckerberg acorda um dia de mau humor e resolve acabar com a rede social? É claro que essa é uma situação hipotética e dificilmente se tornaria realidade, mas bem ilustra que a gestão da ferramenta não está em nossas mãos. Todo o investimento em conteúdo deve ser pensado sob essa perspectiva. Além disso, a própria exibição dos posts para que curte a página de uma escola, por exemplo, é controlada pelo Facebook, que utiliza muitos critérios não divulgados. - Todo o conteúdo de um blog é exibido para quem o acessa, sem restrição. Além disso, há a possibilidade de receber as atualizações por e-mail para quem se cadastrar ou ‘seguir’ o blog. Outra opção é a moderação de comentários, para evitar ofensas ou conteúdo inadequado. Com essas considerações, não queremos dizer que a escola deve optar por um blog ou descartar o Facebook, mas que seus gestores precisam ter consciência das vantagens e desvantagens da presença institucional nas mídias sociais. Como este manual trata especificamente de blogs escolares, nossa atenção está voltada para suas potencialidades de interatividade entre pessoas e ensino-aprendizagem.

² Dados da empresa de informação de internet Alexa. O primeiro site mais acessado do Brasil é o Google. Fonte: Infomoney, 2013. Disponível em: http://www.infomoney.com.br/minhas-financas/gadgets/noticia/2961393/sites-mais-acessados-brasil-segundo-site-alexa

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Primeiros passos: por que a sua escola dever ter um blog?

Planejar, planejar, planejar Se a escola já tem um blog ou pretende criar um, a orientação é a mesma: planejar. Um dos maiores desafios está na atualização do blog, que precisa ser constante, sob o risco de ser esquecido pelos próprios alunos, pais e professores. Por outro lado, um blog atualizado pode ser mais do que um canal de divulgação das atividades escolares: tem potencial para ser fonte de informação na comunidade, criar relacionamento com os pais e até virar pauta para a imprensa local. Tudo isso, como dissemos, requer planejamento. Vamos lá? - Primeira atitude: Designar pelo menos uma pessoa para ser responsável pela gestão do blog escolar. Em muitos casos, como nas escolas municipais de Joinville, essa responsabilidade fica com o professor da sala de Informática, que possui conhecimento técnico para utilizar as ferramentas. No entanto, enfatizamos que qualquer professor pode adquirir conhecimentos para atualizar o blog. Esse é, inclusive, o principal objetivo deste manual: capacitar os profissionais a utilizar com eficiência o blog escolar. - Segunda atitude: Estabelecer o fluxo de recebimento, autorização e publicação de conteúdo. Recomendamos que qualquer professor ou aluno possa ter liberdade para sugerir um assunto para o blog. Ao criar o conteúdo, este deve ser encaminhado, preferencialmente por e-mail, ao responsável pela atualização do blog, que vai avaliar o material e publicálo. Outra recomendação é para que a diretora ou diretor da escola participe do planejamento de conteúdo (terceiro passo), mas não precise autorizar previamente a publicação de um post no blog, pois isso pode comprometer a dinâmica de atualização. Educação para a autonomia, como disse o mestre Paulo Freire. - Terceira atitude: Definir o público do blog, missão e visão. É de extrema importância saber para quem estamos falando e é importante que essa informação seja de conhecimento de todos. Pode parecer óbvio que o público de um blog escolar é composto por alunos, professores, pais, familiares e a própria comunidade em torno da escola. No entanto, poderíamos acrescentar também imprensa e governo locais, outras escolas, entre outros. O importante é refletir e discutir sobre a escolha desse público, pois toda a comunicação será direcionada para ele. Além disso, estabeleça a missão (objetivo do blog) e visão (uma meta, o que ele quer ser). Essas diretrizes serão essenciais para o planejamento do blog, atitude a seguir. - Quarta atitude: Organizar um planejamento de conteúdo anual para o blog. O melhor momento para isso é antes do início do ano letivo, quando há reuniões de planejamento pedagógico. Com professores, supervisores e diretores reunidos, deve ser feito o planejamento para as postagens durante todo o ano, já prevendo datas comemorativas, eventos da escola e projetos a serem desenvolvidos. Enfatizamos que esse planejamento será atualizado e pode ser modificado, pois é como um organizamo vivo. Mas esse passo é muito importante para que não haja ‘falta de assunto’ ou sobrecarga para o professor responsável pela atualização. Nessa etapa, é também fundamental definir a periodicidade de publicação: recomendamos, no mínimo, 3 vezes por semana. Veja um exemplo simples de planejamento de conteúdo para duas semanas em um blog escolar:

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Conectando Saberes: manual para gestão de blogs escolares

Data da publicação

Assunto

Recurso multimídia

Responsável pelo conteúdo

Responsável Data de envio do conteúdo por e-mail pela publicação

Vídeos e fotos

Professor 1

1.2.2015

Aluno 1

3.2.2015

Pai 1

5.2.2015

Professor 2

2.2.2015

O que fazer nas férias? Opções de brincadeiras e jogos educativos

4.2.2015

Retrospectiva do ao anterior, contada por um aluno

Fotos

6.2.2015

Depoimento de um pai sobre o aprendizado do filho

Fotos

9.2.2015

Volta às aulas. Boas vindas aos alunos

Fotos de todos os professores

Professor 3

8.2.2015

Professor 2

11.2.2015

Festa de recepção para os alunos

Fotos

Professor 4

10.2.2015

Professor 2

13.2.2015

Novidades para o ano

12.2.2015

Professor 2

Tabela interativa

Professor 5

Professor 2

Professor 2

Caminho das pedras Para a escola que ainda não tem um blog, há inúmeras opções de plataformas gratuitas. No entanto, recomendamos que as escolas de uma mesma rede (municipal, estadual ou federal) utilizem uma única plataforma, que deve estar instalada em servidor próprio. Dessa forma, a gestão é bastante facilitada, para que não haja perda de senhas ou informações de arquivo. Como sabemos que esse processo é por vezes trabalhoso e depende da articulação com outras áreas, como Tecnologia da Informação, apresentamos a seguir tutoriais para criação de blog escolar em duas das plataformas mais populares: Wordpress e Blogspot. Enfatizamos que os layouts das páginas abaixo e os próprios procedimentos de cadastro podem ser alterados ao longo do tempo, mas muito provavelmente as informações solicitadas serão as mesmas.

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Primeiros passos: por que a sua escola dever ter um blog?

Criação de blog no Wordpress

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Acesse: www.wordpress.com

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Digite o endereço do blog. Esse item é importante, pois um endereço simples e não muito longo facilita a busca. O mais recomendado é o próprio nome da escola. (Ex.: www.escolaxx.wordpress.com)

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Embaixo do ‘Endereço do blog’, que já estará preenchido, clique em ‘Não, obrigado, eu vou usar o Wordpress gratuito’.

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Informe um endereço de ‘E-mail’. Aqui recomendamos que seja criado um email para a escola (Ex.: escolaxx@gmail.com), de modo que o blog não fique atrelado à conta pessoal de algum professor (isso pode dificultar a gestão futura). O mesmo para o ‘Nome de usuário’ (colocar o nome da escola) e para ‘Senha’ (nunca utilizar uma senha pessoal, mas sim uma genérica que pode ser lembrada posteriormente. Ex.: escolaxx1983, em que, hipoteticamente, ‘1983’ é o ano de fundação da escola).

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Em seguida, clique em ‘Criar blog’.

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Conectando Saberes: manual para gestão de blogs escolares

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Preencha os campos abaixo com as informações já definidas de ‘E-mail ou nome de usuário’ e ‘Senha’. Clique em ‘Login’.

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Configure seu blog: escreva o título, um slogan para facilitar a busca (opcional) e deixe selecionado o idioma Português. Clique em ‘próxima etapa’.

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Primeiros passos: por que a sua escola dever ter um blog?

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Escolher um tema: há inúmeras opções de temas, entre pagos e gratuitos. Como se trata de um blog escolar, recomendamos que o template seja simples, sem muitos detalhes. O importante é o conteúdo, já que um layout muito poluído visualmente pode dificultar a leitura. Lembre-se: menos é mais. Clique em ‘próxima etapa’.

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Compartilhamento de posts: essa opção permite a conexão do blog com as contas do Twitter e Facebook. Pelos motivos explicitados na página 12, recomendamos o não compartilhamento. No entanto, entendemos que essa é uma decisão institucional. Clique em ‘próxima etapa’.

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Conectando Saberes: manual para gestão de blogs escolares

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Verifique seu endereço de e-mail: para começar a publicar os posts, você deve entrar no email informado no ato de criação da conta e clicar no link de confirmação. Clique em ‘confirmar endereço de email’.

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Você será direcionado para o blog que acabou de criar. Clique no lápis que aparece no canto superior direito e pronto! Você já pode inserir o primeiro post, com título, texto e opções de adicionar mídia (fotos e vídeos). Ao concluir, clique em ‘publicar’. Irá aparecer a opção de ‘Ver post’. Clique e você verá o post publicado no blog.

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Primeiros passos: por que a sua escola dever ter um blog?

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Há também a opção de agendar o post, para publicá-lo posteriormente. Clique em ‘alterar status’, marque ‘agendado’ e insira a data e hora desejados.

Outro recurso é inserir ‘tags’, etiquetas que auxiliam na encontrabilidade do conteúdo pelos buscadores. Escolha algumas palavraschave que têm relação com o assunto do post. Além disso, é interessante criar categorias de grandes temas para o blog. (Ex.: Projetos Educacionais, Eventos, entre outros). Isso facilita a própria organização dos conteúdos no blog.

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Conectando Saberes: manual para gestão de blogs escolares

Criação de blog no Blogspot

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Acesse www.blogspot.com. Você será direcionado para a tela de conta do Gmail, pois o Google comprou o Blogspot. Então, o primeiro passo é digitar o e-mail e senha da escola no Gmail (se não tiver um, é preciso criar).

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Dê um título para o blog e digite o endereço desejado. Aqui fazemos a mesma recomendação: crie um email para a escola (Ex.: escolaxx@gmail.com), de modo que o blog não fique atrelado à conta pessoal de algum professor (isso pode dificultar a gestão futura). O mesmo para o ‘Nome de usuário’ (colocar o nome da escola) e para ‘Senha’ (nunca utilizar uma senha pessoal, mas sim uma genérica que pode ser lembrada posteriormente. Ex.: escolaxx1983, em que, hipoteticamente, ‘1983’ é o ano de fundação da escola). Escolha também um ‘modelo’ para o blog. Recomendamos o ‘simples’. Clique em ‘criar um blog’.

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Clique em ‘novo blog’.

Como o Google já tem suas informações de contato, o passo a passo para criar um blog no Blogspot é mais simples. Basta clicar em ‘iniciar postagem’ para publicar seu primeiro post.

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Primeiros passos: por que a sua escola dever ter um blog?

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Escolha o título, digite o texto e adicione outras opções de mídia (fotos e vídeos). Clique em ‘publicar’, no canto superior direito.

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Assim como no Wordpress, há a opção de agendar o post, para publicá-lo posteriormente. Clique em ‘programar’ e marque ‘definir data e hora’. Após escolher, clique em ‘concluído’.

Outro recurso é inserir ‘marcadores’, etiquetas que auxiliam na encontrabilidade do conteúdo pelos buscadores. Escolha algumas palavras-chave que têm relação com o assunto do post. Clique em ‘concluído’.

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cAMINHANDO PELO TEXTO: TÉCNICAS DE REDAÇÃO PARA BLOG

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Caminhando pelo texto: técnicas de redação para blog

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ste capítulo é dedicado à escrita do blog. Trazemos do universo jornalístico algumas dicas que podem ser válidas na construção dos textos. Começamos falando sobre o critério de postagem, ou seja, que tipo de informação é relevante para um blog escolar. Feita a escolha do que se quer postar, o passo seguinte é a elaboração do texto. Neste tópico vamos apontar alguns caminhos que podem ajudar na hierarquização das informações e melhorar a clareza do post. A etapa final será adequar esse texto para a web. A ideia é que esses posts tenham a linguagem do mundo digital e aproveitem as ferramentas que a internet oferece, deixando assim o conteúdo ainda mais interessante.

Critérios de postagem Uma das primeiras perguntas com que um estudante de jornalismo se depara na faculdade é “O que é notícia?”. Aliado a este questionamento outros também aparecem, como, “o que faz um fato virar notícia?”, e ainda, “quem escolhe o que é ou não notícia?”. No jornalismo as respostas para essas perguntas são os critérios de noticiabilidade. Eles ajudam os jornalistas a determinarem os fatos que serão destacados nos veículos de comunicação. Essa discussão é longa e muitos teóricos do Jornalismo e da Comunicação estudaram e ainda estudam essas questões. Ainda assim, podemos oferecer uma definição primária que nos ajuda a entender o que é notícia e a definir alguns critérios de noticiabilidade. Para virar notícia, um fato precisa ter algo fora do comum, que não saiu como planejado, aconteceu ao acaso e de forma inesperada. Por exemplo, milhares de aviões cruzam o céu do país todos os dias, e isto não é noticiado porque este é o normal, mas se algum avião cai, com certeza isto estará nos jornais. Existe uma máxima no Jornalismo que ilustra bem o que pode ou não ser considerado notícia:

“SE UM CACHORRO MORDE UM HOMEM, NÃO É NOTÍCIA. SE UM HOMEM MORDE UM CACHORRO, É.””

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A partir daí, os critérios de noticiabilidade norteiam a publicação de determinado fato. Pegando novamente o exemplo de um avião: se uma aeronave cai na Índia e mata cerca de 150 pessoas, com certeza isto será muito noticiado no país, mas aqui no Brasil ganhará provavelmente apenas algumas linhas de textos de jornais e portais on-line, e não mais que um minuto nos telejornais e programas de rádio. Mas, se o presidente dos EUA estivesse no avião e morresse, sem dúvidas isto ganharia um espaço considerável nos veículos de comunicação. Nesses exemplos estão embutidos pelo menos dois critérios de noticiabilidade. O primeiro é a proximidade. Um avião cai na Índia, o fato é incomum, com certeza é uma notícia, mas por ser um país distante do Brasil e o acidente não ter nada a ver com nosso país, o fato aqui não será repercutido. Ou seja, é possível perceber que os jornais trazem notícias que se referem à região na qual o veículo está situado, pois as pessoas se identificam com o que está próximo geograficamente delas.

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Conectando Saberes: manual para gestão de blogs escolares

O segundo exemplo, o da queda do avião com o presidente norte-americano, nos revela como critério de noticiabilidade a proeminência. Este termo se refere a personalidades públicas. Resumindo a ideia, sempre que um fato incomum acontecer com alguém “importante”, uma pessoa conhecida, como por exemplo, um político, um artista ou um cantor, o fato vai ganhar destaque na mídia. Neste caso, o presidente dos EUA tem uma importância global e sua morte geraria implicações mundiais. É importante ressaltar que os critérios de noticiabilidade não se dão de forma isolada, muitas vezes eles são utilizados conjuntamente para analisar se um fato é pertinente ou não. Outra questão primordial para a veiculação de uma notícia é sua atualidade. O fato pode ser incomum e inusitado, mas se ocorreu há dois meses, não tem mais validade, porque os veículos de comunicação trabalham com acontecimentos recentes, esta é a sua marca. Você pode estar se perguntando o que toda essa explicação tem a ver com a criação dos blogs escolares. Acreditamos que é importante que a(s) pessoa(s) responsável (eis) pela página da escola se questionem quanto ao material que será disponibilizado na internet. A ideia com toda essa explicação é estabelecer parâmetros, a partir dos critérios de noticiabilidade, para a postagem de textos nos blogs.

Entre tantas atividades que acontecem cotidianamente na escola, o que seria relevante postar?

Essa questão é importante e a conceituação do que é notícia pode nos apontar alguns caminhos. Vimos que um fato só vira notícia se ele foge do comum. Podemos aplicar isto também para encontrar assuntos pertinentes para o blog. Nesse contexto, precisamos exercitar nosso olhar para perceber o que de incomum e diferente está acontecendo dentro da escola, e este será um processo peculiar para cada “blogueiro”.

Conseguimos intuitivamente elencar alguns eventos que poderiam ser destaque no blog:

- Feira de ciência ; - Apresentações Artisticas e culturais de alunos; - Apresentações artísticas e culturais de artistas de fora; - Visitas a campo; - Visitas de autoridades a escola; - Alunos e professores destaques em premiação ou eventos; - Alunos destaques em competições esportivas externas; - Competições esportivas internas; - Festas ou comemorações de datas representativas.

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Caminhando pelo texto: técnicas de redação para blog

Assim como as notícias são divulgadas no dia em que aconteceram ou no máximo no dia seguinte, é imprescindível que todas essas atividades também sigam essa regra. Não faz sentido escrever na sexta-feira sobre uma feira de ciência que ocorreu na segunda anterior, a informação já ficou velha e pode não interessar mais ao leitor. Outra questão importante quando falamos em internet é a frequência de postagem. Já destacamos aqui a importância do blog como ferramenta para que as pessoas conheçam a escola, mas além disso é indispensável que o blog seja sempre atualizado. Uma página desatualizada demonstra um relaxamento, que pode ser associado à própria imagem da escola. Ao contrário, um blog alimentado constantemente demonstra que a escola é ativa e movimentada. O ideal é que o blog receba conteúdo, pelo menos, três vezes por semana. Outras possibilidades como a cada 15 dias, ou mesmo, mensalmente, tornam o blog desinteressante para o leitor. Outra dica importante: não fazer postagens constantes no blog, por exemplo todos os dias, e depois deixar três semanas sem atualizar. Lembre-se que, para o leitor, o conteúdo vai representar as atividades realizadas na escola, então, se as postagens forem irregulares, vai parecer que numa semana o colégio estava fazendo diversas atividades e nas semanas seguintes não fez nada. Então, quando falamos na frequência de postagens, a palavra chave é regularidade. Se não for possível manter a média de três posts semanais, é importante que o prazo entre um texto e outro não seja muito longo.

DICA Podemos ainda elencar outras informações que podem ser pauta nos blogs escolares, como por exemplo, lista do material escolar, calendário do ano letivo, convite para festas e eventos, avisos gerais da secretaria da escola, entre outros. Essas informações são pertinentes para o leitor, principalmente, para os pais e responsáveis pelos alunos.

O texto Agora que já vimos o que é relevante postar no blog, o próximo passo é entender a forma como vamos colocar essas informações na internet. Aqui podemos, mais uma vez, pegar emprestadas algumas técnicas do jornalismo para nos ajudar a escrever um bom texto. A notícia, mais que um conceito subjetivo para entendermos que fato merece ou não ser destaque nos jornais, é também um estilo de texto jornalístico. Quem abrir um jornal vai encontrar, pelo menos, três tipos de textos: as notas, as notícias e as reportagens. As notas contêm textos curtos, até um parágrafo, com informações factuais, mas que não merecem tanto destaque. As notícias narram um fato de forma mais profunda que a nota, contextualizando o acontecimento através de informações mais detalhadas. As reportagens abordam os fatos de forma ainda mais densa e exigem mais investigação do jornalista, por isso nem sempre são factuais. Desses estilos, o que mais se encaixa com os blogs é a estrutura da notícia. Isso porque ela informa na medida certa, ou seja, não é tão rasa quanto uma nota, nem tão extensa quanto uma reportagem. A notícia traz as informações necessárias e pertinentes, destacando os principais fatos e personagens do acontecimento. E estes são os nossos objetivos para o blog.

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A estrutura da notícia A construção de um texto noticioso é, de certa maneira, fácil, porque segue o mesmo raciocínio de quando contamos um fato inusitado a alguém. Por exemplo: estamos na rua e presenciamos um atropelamento. Quando relatamos a história, normalmente dizemos: “Nossa, vi um atropelamento hoje, uma moto bateu em um senhor que caminhava na calçada, o acidente foi na rua tal!”. Se analisarmos nossa fala, podemos perceber que começamos a história pelo fato principal, ou seja, o que aconteceu (neste exemplo foi o atropelamento). Depois detalhamos, dizendo quem estava envolvido e continuamos descrevendo o local em que tudo isto se passou. Essa é a característica principal da notícia, revelar o QUE aconteceu já no começo do texto. Depois, seguimos contando QUEM foi a vítima do acontecido e também buscamos contextualizar o fato, descrevendo ONDE isto aconteceu. Quando um jornalista vai escrever sobre o atropelamento, apesar de ele usar a mesma estrutura lógica da fato contado, ele precisa adaptar a narrativa para a linguagem escrita e também buscar mais dados para passar uma informação completa ao seu leitor. Então, ele procura saber também QUANDO, COMO E POR QUE o fato aconteceu. Por exemplo, nesta notícia do Diário de Santa Maria: Quem - Um idoso de 87 anos O quê - morreu atropelado Onde - na Rua Rio Branco, no bairro Parque Pinheiro Machado Quando - perto das 20h deste domingo Como - Luiz Flores Difante, caminhava ao lado da mulher quando foi atingido por um motociclista Aqui a questão “Por quê?” ficou de fora, não foi colocada na notícia. O porque significa a circunstância e provavelmente seria a resposta do motoqueiro, ou seja, o idoso foi atropelado na calçada porque o condutor da moto perdeu a direção do veículo.

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Dessa forma, estrutura básica de uma notícia e dos textos que podemos desenvolver para o blog envolve seis perguntas:

O QUE quando como QUEM Por que Onde

A partir das sugestões de postagem citadas no tópico anterior, vamos criar dois exemplos fictícios: Primeiro exemplo: Feira de Ciências A Escola Municipal Paulo Freire realizou nesta quarta-feira (14/1/2014) a oitava Feira de Ciências “Albert Einstein”. O encontro ocorreu no pátio e envolveu todos os estudantes da escola. No período da manhã, as turmas do primeiro ao quinto ano expuseram os trabalhos e, à tarde, foi a vez dos alunos do sexto ao nono ano. A feira é a oportunidade dos estudantes mostrarem o conhecimento aprendido durante as aulas. Aqui podemos identificar as questões: Quem - A Escola Municipal Paulo Freire O que - realizou a oitava Feira de Ciências... Quando - Nesta quarta-feira Onde - No pátio da escola Como - No período da manhã, as turmas do primeiro.. Porque - A feira é a oportunidade... Segundo Exemplo: Apresentações artísticas e culturais de artistas de fora O grupo de teatro Epidemia se apresentou ontem (16/2/2014) na quadra da escola. A trupe encenou para os alunos do nono ano o espetáculo “Pare, olhe e escute”. A peça fala sobre os riscos que corre quem não obedece as leis de trânsito. O que motivou a apresentação do espetáculo foi um acidente de carro em frente à escola. Neste exemplo também podemos identificar as perguntas: Quem - O grupo de teatro Epidemia O quê - encenou o espetáculo “Para, Olhe e escute” Quando - ontem (16/2/2014) Onde - na quadra da escola Porque - O que motivou a apresentação do espetáculo foi um acidente de carro em frente à escola.

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Para ir além... (Parte 1)

Como pudemos perceber, a composição do primeiro parágrafo de uma notícia pretende responder as questões QUEM, O QUÊ, QUANDO, ONDE, COMO E PORQUE. A intenção é contextualizar a informação para o leitor. Emprestamos essa ideia para a elaboração de textos mais interessantes para os blogs. Mas isso não quer dizer que não podemos ir além e acrescentar mais conteúdo ao nosso post. Mesmo sendo curtas, as notícias normalmente não se limitam ao primeiro parágrafo, mas agregam outros dados nos parágrafos seguintes. Eles são utilizados pra descrever mais detalhadamente algumas das questões do início do texto.

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Voltamos ao exemplo da Feira de Ciências: A Escola Municipal Paulo Freire realizou nesta quarta-feira (14/1/2014) a oitava Feira de Ciências “Albert Einstein”. O encontro ocorreu no pátio e envolveu todos os estudantes da escola. No período da manhã, as turmas do primeiro ao quinto ano expuseram os trabalhos e, à tarde, foi a vez dos alunos do sexto ao nono ano. A feira é a oportunidade dos estudantes mostrarem o conhecimento aprendido durante as aulas. Um dos destaques da Feira foi os desenhos criados pelos alunos do terceiro ano A, do período matutino. A professora de ciências Maria Luiza Ribeiro trabalhou em sala de aula, durante o segundo bimestre, o sistema respiratório. Durante as aulas ela dividiu a turma em pequenos grupos, e cada um deles ficou responsável por desenhar um órgão que faz parte do sistema. Ao final eles juntaram todos os desenhos para montar o sistema respiratório completo. Observamos que, no segundo parágrafo, foram acrescentadas algumas informações mais pontuais, que são interessantes e ajudam o leitor do blog a entender um pouco mais sobre o evento. No exemplo dois, também é possível perceber que o acréscimo de dados deixa o post ainda mais informativo. O grupo de teatro Epidemia se apresentou ontem (16/2/2014) na quadra da escola. A trupe encenou para os alunos do nono ano o espetáculo “Pare, olhe e escute”. A peça fala sobre os riscos que corre quem não obedece as leis de trânsito. O que motivou a apresentação do espetáculo foi um acidente de carro em frente à escola. Ao final da apresentação todos os estudantes ganharam uma cartilha com as principais leis de trânsito. Semana que vem, os estudantes vão fazer uma caminhada próxima à escola, entregando panfletos para a comunidade e alertando sobre os perigos da imprudência no trânsito.

Resumindo: Traga no primeiro parágrafo do texto as informações mais importantes que contextualizem o fato ao leitor e nos parágrafos seguintes narre outros detalhes que vão deixar o texto informativo e interessante

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Para ir além... (Parte 2) Outra questão importante que pode acrescentar qualidade ao texto é saber fazer uma citação. Isso porque, se quisermos acrescentar ao post a fala de alguém, precisamos fazer de forma correta. Para essa técnica também vamos nos basear no Jornalismo. Em textos dissertativos e narrativos, quando queremos evidenciar a fala de alguém, ou mesmo diálogos, normalmente utilizamos o travessão (-) para indicar as falas, como por exemplo³ : A filha de Niterói, ciente das complicações, adverte-o: - Por que o senhor não vai plantar em terreno ainda não cultivado? O sítio lá tem cinco alqueires, pois então escolha o mais distante e faça sua horta nele. - Planto onde eu quiser. Não faltava mais anda! Um homem como eu, já idoso...

X

No texto jornalístico utilizamos as aspas (“”) quando queremos retratar a fala de alguém. O interessante sempre é contextualizar o momento do discurso e então colocar a citação para dar veracidade ao texto. Utilizando os dois exemplos anteriores, vamos acrescentar uma declaração no terceiro parágrafo: A Escola Municipal Paulo Freire realizou nesta quarta-feira (14/1/2014) a oitava Feira de Ciências “Albert Einstein”. O encontro ocorreu no pátio e envolveu todos os estudantes da escola. No período da manhã, as turmas do primeiro ao quinto ano expuseram os trabalhos e, à tarde, foi a vez dos alunos do sexto ao nono ano. A feira é a oportunidade dos estudantes mostrarem o conhecimento aprendido durante as aulas. Um dos destaques da Feira foi os desenhos criados pelos alunos do terceiro ano A, do período matutino. A professora de ciências Maria Luiza Ribeiro trabalhou em sala de aula, durante o segundo bimestre, o sistema respiratório. Durante as aulas ela dividiu a turma em pequenos grupos, e cada um deles ficou responsável por desenhar um órgão que faz parte do sistema. Ao final eles juntaram todos os desenhos para montar o sistema respiratório completo. O grupo do estudante Saulo de Oliveira ficou responsável pelo desenho do pulmão. Saulo comenta o que aprendeu com a experiência. “Gostei muito de fazer esse projeto, eu e o grupo pesquisamos bastante para conseguirmos desenhar o pulmão mais parecido com a realidade”.

³ Trecho retirado da crônica “Retrato de velho” do livro a Bolsa e a Vida de Carlos Drummond de Andrade

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Podemos também ver no texto dois outro exemplo de como acrescentar a citação ao post.

O grupo de teatro Epidemia se apresentou ontem (16/2/2014) na quadra da escola. A trupe encenou para os alunos do nono ano o espetáculo “Pare, olhe e escute”. A peça fala sobre os riscos que corre quem não obedece as leis de trânsito. O que motivou a apresentação do espetáculo foi um acidente de carro em frente à escola. Ao final da apresentação todos os estudantes ganharam uma cartilha com as principais leis de trânsito. Semana que vem, os estudantes vão fazer uma caminhada próxima à escola, entregando panfletos para a comunidade e alertando sobre os perigos da imprudência no trânsito. “É muito importante que vocês saibam um pouco mais sobre as leis de trânsito. Espero que a partir de agora prestem mais atenção quando andarem pelas ruas e que também levem essas informações aos seus pais”, disse a diretora Rosangela Machado aos estudantes, no término do espetáculo.

DICA As citações com aspas muitas vezes utilizam verbos declarativos, que antecedem ou sucedem a fala ou declaração de uma pessoa. Os mais usados normalmente são: disse, falou e comentou. Mas existem outras opções que também são usadas, como: declarou, afirmou, apontou, comunicou, confirmou, esclareceu, entre outros. O segredo é saber variar o uso do verbo dependendo da situação.

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Além da estrutura do texto, também vamos elencar algumas dicas que podem auxiliar na construção de posts mais interessantes para os leitores.

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Lembre sempre de escrever as palavras corretamente, preste atenção na grafia, nos acentos. Tenha em mente que você está escrevendo em um blog escolar, então é preciso ter um cuidado extra. Além das palavras, preste atenção no contexto e veja se os verbos estão conjugados de forma correta, assim como a relação entre as palavras no singular e plural. Não são duas ‘pessoa’, e sim ‘pessoas’; Use sinônimos, isso enriquece o texto. Ao invés de falar duas vezes no mesmo parágrafo a palavra aluno, use também estudante. É interessante identificar a data do post colocando o dia, o mês e o ano entre parênteses, como por exemplo, nesta quartafeira (13/4/2014), ou ontem (12/5/2014). Isso ajuda a situar o leitor; Evite redundâncias, como ‘acabamento final’ (pode ser só acabamento), ou ‘ambos os dois’ (escreve-se somente ambos), ou ainda ‘regra geral’ (é possível dizer apenas regra); Não use palavras difíceis, que vão confundir o leitor. Busque sempre a simplicidade, isso não quer dizer que o conteúdo ficará irrelevante; Sempre que citar o nome de alguém coloque-o por completo (por exemplo, professora de inglês Nádia de Souza). Lembrese que esse texto estará na internet, para o mundo inteiro. Na escola todos podem conhecer a professora Nádia, mas fora dela talvez não, então é importante identificá-la pelo nome completo. O texto jornalístico normalmente não utiliza adjetivos. Provavelmente você não verá uma notícia da seguinte forma: acidente horroroso mata cinco pessoas. Mas nos blogs, se for pertinente, é possível usá-los, mas sem exageros. Citações precisam de fontes, ou seja, sempre que escrever alguma coisa que alguém disse, lembre-se de dar o crédito. Isto vale para uma frase de alguém famoso, por exemplo: “Nada se cria, tudo se transforma” (Lavoisier), ou mesmo para falas que serão acrescentadas ao próprio texto, como: “Esta peça de teatro é muito interessante para os alunos”, falou a diretora Rosangela Machado. Não utilize várias fontes no texto. Não fica interessante para o leitor. Ao contrário, fica confuso. Escolha uma fonte e utilize-a em todas as postagens ; O mesmo vale para cores. Não utilize diversas cores no texto, isso tira o fico do que é realmente importante. Fuja do colorido, dê preferência ao preto. Não escreva com fontes de tamanhos diferentes. Isso também atrapalha a fluência da leitura;

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NÃO ESCREVA OS POSTS EM CAIXA ALTA. Na linguagem da internet, usamos a caixa alta quando estamos gritando com alguém, então, utilize sempre a caixa baixa nos textos, o post ficará mais elegante. Sempre que for citar alguém, é interessante apresentar a pessoa pela profissão, cargo ou local onde trabalha. Por exemplo: (...) o prefeito da cidade, Antônio Martins; (...) o contador de histórias da biblioteca pública, Jorge André; (...) a coordenadora de Projetos Extracurriculares da Secretaria de Educação, Olívia Pires; Na internet não são usuais os parágrafos recuados, essa demarcação da mudança de assunto dentro do texto normalmente é feita pulando uma linha.

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O texto para a web Agora que já aprendemos como estruturar um texto de maneira interessante e atraente para leitor, o passo seguinte é incorporar ao material técnicas que façam com que ele dialogue com o universo digital. A internet oferece infinitas possibilidades, e por isso é necessário saber utilizar esse potencial a nosso favor. Vamos dar algumas dicas básicas, que fazem a diferença na composição de um material para a web. Título O título é uma parte importante de um material escrito, é ele, muitas vezes, que fará com que o leitor leia ou não o nosso texto. Para postagens na internet, pensar no título se faz ainda mais indispensável. Para encontrar alguém, a web conta com os buscadores, como o Google, e estes por sua vez, utilizam algumas técnicas de rastreamento de material e ranqueamento. Uma delas é o título. Ou seja, ao procurar um termo, os motores de busca vão verificar textos que se referem aquilo que foi pedido, e um dos critérios é se o título do material traz as informações colocadas na busca. A dica é compor títulos claros, objetivos e que revelem o que o texto vai tratar. Vamos ver como ficaria o título do exemplo da Feira de Ciências: A Escola Municipal Paulo Freire realizou nesta quarta-feira (14/1/2014) a oitava Feira de Ciências “Albert Einstein”. O encontro ocorreu no pátio e envolveu todos os estudantes da escola. No período da manhã, as turmas do primeiro ao quinto ano expuseram os trabalhos e, à tarde, foi a vez dos alunos do sexto ao nono ano. A feira é a oportunidade dos estudantes mostrarem o conhecimento aprendido durante as aulas. Um dos destaques da Feira foi os desenhos criados pelos alunos do terceiro ano A, do período matutino. A professora de ciências Maria Luiza Ribeiro trabalhou em sala de aula, durante o segundo bimestre, o sistema respiratório. Durante as aulas ela dividiu a turma em pequenos grupos, e cada um deles ficou responsável por desenhar um órgão que faz parte do sistema. Ao final eles juntaram todos os desenhos para montar o sistema respiratório completo. O grupo do estudante Saulo de Oliveira ficou responsável pelo desenho do pulmão. Saulo comenta o que aprendeu com a experiência. “Gostei muito de fazer esse projeto, eu e o grupo pesquisamos bastante para conseguirmos desenhar o pulmão mais parecido com a realidade”.

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O título ideal para qualquer postagem precisa ter a ver com o assunto principal tratado no texto, aqui no caso seria a Feira de Ciências, mas não só isso, é preciso situar ainda mais o tema dentro do título. Assim, o título poderia ser o seguinte: Escola Municipal Paulo Freire realiza oitava edição da Feira de Ciências Albert Einstein. Ao colocarmos títulos que se referem diretamente ao que queremos dizer no texto aumentamos a nossa chance de sermos encontrados na internet. 4

Veja um exemplo do resultado de uma pesquisa no Google pelo título:

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Exemplo fictício

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Palavras-chave Outra técnica de texto para web que melhora o ranqueamento nos buscadores é o uso de negrito e itálico em palavras-chave do texto. Os buscadores entendem que aquelas palavras são importantes para o texto e por isso estão em destaque. A dica é utilizar o negrito e o itálico em palavras ou expressões que expliquem ou denotem o contexto do material. Por exemplo, vamos utilizar o negrito para ressaltar algumas partes do texto exemplificado anteriomente. O grupo de teatro Epidemia se apresentou ontem (16/2/2014) na quadra da escola. A trupe encenou para os alunos do nono ano o espetáculo “Pare, olhe e escute”. A peça fala sobre os riscos que corre quem não obedece as leis de trânsito. O que motivou a apresentação do espetáculo foi um acidente de carro em frente à escola. Ao final da apresentação, todos os estudantes ganharam uma cartilha com as principais leis de trânsito. Semana que vem, os estudantes vão fazer uma caminhada próxima à escola, entregando panfletos para a comunidade e alertando sobre os perigos da imprudência no trânsito.

TAGS Outra ferramenta importante na composição de um texto para a internet são as tags, também conhecidas como marcadores. Na web elas são utilizados para sinalizar o tipo de conteúdo a que se refere aquele material, ou seja, são palavras-chave. As tags são importantes porque também são utilizadas pelos buscadores para encontrarem conteúdos relevantes, de acordo com o que foi buscado. Nos blogs há espaços destinados para as tags, eles se localizam na mesma página onde é escrito o texto para a postagem.

“É muito importante que vocês saibam um pouco mais sobre as leis de trânsito. Espero que a partir de agora prestem mais atenção quando andarem pelas ruas e que também levem essas informações aos seus pais”, disse a diretora Rosangela Machado aos estudantes, no término do espetáculo.

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Blogspost:

Wordpress: Normalmente, essas tags ou marcadores ficam no pé do texto. Elas são importantes ainda porque podem categorizar os posts dentro do próprio blog. Por exemplo, se sempre que um grupo de teatro visitar a escola os posts sobre o evento forem identificados pela tag “teatro”, quando alguém for buscar pelo tema encontrará todas as postagens referentes ao assunto. Também por isso é indispensável que todas as postagens tenham, pelo menos, duas palavras-chave para caracterizar o texto.

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Hipertexto A leitura de textos no ambiente digital é permeada por uma série de possibilidades de interação, ao contrário do que ocorre no papel. A internet proporciona uma navegação por camadas, ou seja, a partir de links podemos continuar nossa leitura em outras janelas e nos aprofundarmos nos assuntos que são de nosso interesse. Esse novo formato de texto na internet é denominado hipertexto. Exemplos:

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Caminhando pelo texto: técnicas de redação para blog

Assim, ao escrever um texto para a internet é preciso levar em consideração que ela oferece infinitas possibilidades de acréscimo de conteúdo ao material. É preciso pensar em links que agreguem valor à postagem. Por exemplo, no post da Feira de Ciências, poderíamos acrescentar os links da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, ou das revistas Ciência Hoje, Super Interessante, Mundo Estranho, Galileu. Ou mesmo acrescentar vídeos que mostrem experiências científicas, o site www.youtube.com reúne milhões deles. Por exemplo, este que ensina a “fazer” um pulmão caseiro : https://www.youtube.com/watch?v=DNbF6bnCoio

Podemos acrescentar outros links ao texto que têm relação direta com o que está escrito. No exemplo do grupo Epidemia, uma das ideias seria colocar um link no nome do grupo de teatro, caso ele tivesse um site ou mesmo uma página no Facebook. Isso é válido porque muitos leitores podem querer saber mais sobre o grupo e a peça. Poderíamos ainda acrescentar, como o texto fala em trânsito, o link do Código Brasileiro de Trânsito.

A dica aqui é entender que a internet oferece inúmeras possibilidades. É preciso dialogar com essa linguagem e disponibilizar ao leitor conteúdos e informações adicionais, indo além daquilo que está no texto. A palavra de ordem é criatividade.

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Na prática Até aqui apresentamos diversas dicas para a escrita de conteúdos para a internet. Vamos ver como elas se encaixam na prática, com os seguintes exemplos:

1 - Título objetivo sintetiza o conteúdo da postagem; 2 - Primeiro parágrafo traz as informações essenciais; 3 - Palavras em negrito no texto destacam algumas expressões e termos importantes; 4 - Hipertexto com links para navegação em outras janelas ou material adicional; 5 - Citação; 6 - Tags.

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Caminhando pelo texto: técnicas de redação para blog

Podemos também perceber essas características no segundo exemplo:

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Exercitando o olhar: A imagem como aliada nas postagens

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Exercitando o olhar: a imagem como aliada nas postagens

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oda imagem fotográfica tem atrás de si uma história, lembra o fotógrafo e pesquisador Bóris Kossoy . Por isso gostamos tanto de fotos. É por meio delas que recontamos experiências vividas e rememoramos momentos especiais. A partir do final do século XX, com o advento da fotografia digital, a prática de fotografar só aumentou. Hoje, com câmeras acopladas em celulares e com redes sociais especializadas em imagens, fazer fotos tornou-se um hábito no cotidiano de muitas pessoas, inclusive de crianças e adolescentes. Por isso, um blog escolar precisa ser pensado a partir dessa perspectiva: vivemos um tempo de popularização das imagens. Utilizá-las de forma assertiva é acertar em cheio o coração de crianças, professores, pais e comunidade. A seguir, apresentamos algumas orientações básicas para fazer uma boa fotografia no modo automático das câmeras. - Enquadramento: na fotografia, há uma regra muito conhecida de enquadramento, a ‘regra dos terços’. Para entendê-la, basta imaginar um ‘jogo da velha’ na cena a ser fotografada. Os quatro pontos centrais (bolas azuis) são os preferenciais para o enquadramento da foto. Em outras palavras, em uma das bolinhas azuis (ou em mais de uma) devem estar os elementos que você quer colocar em evidência. Veja:

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Em “Os tempos da fotografia” (KOSSOY, 2007, p. 156)

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Exemplo: Se você está fotografando uma paisagem, posicione o horizonte em uma das linhas do ‘jogo da velha’. Se estiver um céu bonito (como na foto ao lado), enquadre na linha inferior (assim, o céu aparecerá em destaque). Se o mais importante for os elementos abaixo do horizonte, posicione-o na linha de cima do terço. Posicionamento: Uma dica bem simples de posicionamento é perceber a distância que o fotógrafo está da cena. A menos que sua câmera seja de excelente nível, normalmente a utilização do zoom diminui a qualidade da foto, deixando-a pixelada. Então, evite ao máximo esse recurso e aproxime-se da cena. Outra recomendação é: ao invés de abaixar ou levantar a câmera, levante ou abaixe seu corpo para fazer a foto. Iluminação: A iluminação natural é a melhor aliada do fotógrafo. Durante o dia, preste atenção na posição do sol, para que a foto não fique ‘estourada’ ou escura demais. No caso de câmeras digitais, faça uma foto de teste e, se não ser certo, mude de posição até que a iluminação fique boa. À noite, em ambientes não iluminados, é preciso utilizar o flash. Como esse tipo de iluminação é artificial, não raras vezes o rosto das pessoas pode ficar iluminado demais, por exemplo. Para evitar isso, veja se sua câmera tem a opção de ajustar a potência do flash.

Para orientações mais aprofundadas, recomendamos este “Manual de fotografia digital”, elaborado pela Universidade do Porto (Portugal). https://fauufpa.files.wordpress.com/2012/03/manual-defotografia-digital.pdf

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Exercitando o olhar: a imagem como aliada nas postagens

Critérios de seleção A grande quantidade de fotos à disposição de um simples clique é muito positiva, mas, por outro lado, pode gerar um excesso de imagens. Pense, por exemplo, nas centenas de fotos feitas numa festa de final de ano em uma escola. Apesar da facilidade de subir essas imagens no publicador do blog, é preciso fazer uma seleção das melhores, pois, como sabemos, quantidade não é sinônimo de qualidade. Veja alguns critérios de seleção para postagem de fotos em blog escolar:

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A escolha das imagens deve ser feita pelo professor responsável pela escrita do post ou pelo professor que faz a gestão e publicação no blog escolar. Em ambos os casos é preciso que haja um acordo explícito com todos os envolvidos, visando evitar desentendimentos. Analise bem as imagens antes de escolher. Pode ser óbvio, mas às vezes, na pressa, acabamos não percebendo alguns detalhes que tiram a qualidade da foto. Atente para a questão do direito de imagem. Recomendamos que, no início de cada ano letivo, no ato da matrícula, seja solicitado aos pais ou responsáveis a assinatura de autorização de uso da imagem do filho no blog ou em outros veículos de comunicação da escola. Assim, não haverá problemas quanto ao uso de fotos dos alunos. Caso algum pai se recuse a assinar o documento, esteja atento para não selecionar fotos em que a respectiva criança apareça. Veja se todos os rostos estão com foco, principalmente os que aparecem no primeiro plano da foto.

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Evite escolher fotografias em que pessoas aparecem em posições ou situações incômodas. Por exemplo, se numa imagem um professor aparece com o cabelo despenteado, por causa do vento, analise se ela é mesmo essencial ou se você pode escolher outra foto em que ele não esteja assim. Ao invés de fazer uma foto de toda a cena (por exemplo, da plateia e do palco de uma festa na escola), prefira captar algumas cenas isoladas: a emoção no rosto de uma mãe, o abraço de um pai em seu filho, a brincadeira de três crianças. Lembre-se daquela máxima de que uma boa imagem vale mais que mil palavras. Foto é emoção. Certifique-se de selecionar imagens dos momentos mais importantes de um evento, pois uma galeria de fotos é também uma forma de registro. O discurso da diretora, as apresentações, a despedida. Com boas fotos e legendas que contam a história daquele evento, é preciso somente um texto de contextualização e o post para o blog está praticamente pronto. Depois de fazer uma primeira seleção, faça outra. Quanto mais analisamos as fotos, mais nos tornamos criteriosos e percebemos novos detalhes. Uma galeria de fotos com riqueza de cenas não precisa ter mais que 20 imagens. O que passar disso pode acabar sendo cansativo para quem está vendo, por mais interesse que a pessoa tenha naquelas imagens.

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Como salvar em arquivo Após selecionar as melhores fotos, é hora de salvá-las e nomeá-las. Crie uma pasta no computador e dê a ela um nome que posteriormente será de fácil identificação (Ex.: Dia_mães2014). Quando baixamos as fotos da câmera fotográfica ou do celular, elas vêm nomeadas com letras e números seriados (Ex.: DSC564). Para subir as fotos no blog, é preciso mudar essa nomeação, pois ela é extremamente imprecisa para os mecanismos de busca. Imagine que alguém quer encontrar as fotos da festa do Dia da Mães da Escola X. Muito provavelmente a pessoa irá digitar essa frase no Google (ou em outro buscador). Se as imagens estão nomeadas como DSC 564, DSC 565…, dificilmente o resultado da busca será assertivo. No entanto, se nomear como Dia_maes_EscolaX_alunos, Dia_maes_EscolaX_diretora…., as chances de encontrar as fotos publicadas no blog aumentam consideravelmente.

resumindo: - Salve as fotos em seu computador, com um nome de fácil identificação; - Selecione as que vão para o blog; - Renomeie-as, incluindo o nome do evento e uma palavra que defina o que há em cada imagem. Isso pode levar um tempo maior, mas acredite, os resultados são compensadores. - Ajuste a resolução de cada foto, pois imagens muito grandes demoram para carregar e ocupam espaço no servidor do blog. Para isso, utilize qualquer editor de imagem (Photoshop, Microsoft Office, Corel Draw, entre outros) e escolha uma opção de redimensionamento. Como as imagens são para internet, o tamanho ideal é 640x480 pixels ou 72 dpi.

Como postar fotos no blog

Após a seleção e o correto arquivamento das fotos no computador, é hora de postá-las no blog. Há pelo menos três formas de fazer isso: adicionar imagens individuais em um post no blog; criar uma galeria de fotos usando o publicador do blog; ou criar uma galeria de fotos por meio de ferramentas online gratuitas.

Adicionar imagens individuais

Recomendamos que todo post tenha pelo menos uma foto e quanto maior o texto, maior também a necessidade de romper a uniformidade com uma imagem. Ninguém gosta de ler blocos extensos de texto. A foto ajuda a dar leveza à leitura e deve compor o post de forma harmoniosa.

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Exercitando o olhar: a imagem como aliada nas postagens

Na plataforma Wordpress, o passo a passo é:

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Clique em ‘Adicionar novo’ post - Após inserir o texto desejado, clique em ‘Adicionar mídia’ e posicione o cursor no local onde você quer que a foto apareça. No exemplo abaixo, antes do primeiro parágrafo.

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Clique na aba ‘Enviar arquivo’ para subir uma foto nova. Se ela já está no publicador, clique em ‘Biblioteca de mídia’. No exemplo, vamos subir uma imagem nova. Para isso, bastar clicar em ‘Selecionar aquivos’.

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Conectando Saberes: manual para gestão de blogs escolares

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Nesse momento, abra a janela com os arquivos que estão salvos em seu computador. Selecione a foto desejada na pasta em que ela foi salva e clique em ‘abrir’.

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A foto foi adicionada na biblioteca de mídia do publicador. Agora, é preciso preencher informações importantes que aparecem no lado direito da tela. O ‘título’ da foto é opcional e pode ser o mesmo que serviu para nomeá-la. O passo seguinte é inserir a ‘legenda’, que é muito importante. Ela não só descreve a foto, mas a complementa, com detalhes e informações. Outra ação importante é mencionar o crédito da foto na própria legenda. Caso a imagem seja retirada da internet e não haja menção ao autor, informe o site de onde você retirou a imagem. No entanto, dê preferência para fotos feitas por autores conhecidos.

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Exercitando o olhar: a imagem como aliada nas postagens

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Ainda na tela à direita, escolha o alinhamento da foto na página (centro, direita, esquerda ou nenhum). Como a imagem já foi redimensionada, em princípio não é necessário alterar o tamanho. De qualquer forma, dê preferência para as opções ‘tamanho completo’ ou ‘grande’. Evite ‘médio’ ou ‘miniatura’, pois esses tamanhos podem prejudicar a visibilidade da foto e não deixam a página tão bonita. Mesmo que a pessoa possa ver a foto em tamanho real clicando nela, é um passo desnecessário que obrigamos nosso leitor a dar. Fotos bonitas merecem destaque. Clique em ‘inserir no post’

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Repita o mesmo procedimento para inserir outras fotos e, quando terminar, clique em ‘publicar’. No exemplo abaixo, utilizamos duas fotos, veja:

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Na plataforma Blogspot, o passo a passo é:

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Clique em ‘criar nova postagem’. Após inserir o texto desejado, clique em ‘inserir imagem’ (ícone da paisagem) e posicione o cursor no local onde você quer que a foto apareça. No exemplo ao lado, após o primeiro parágrafo.

2

Clique na aba ‘Escolher arquivos’ para subir uma foto nova. Se ela já está no publicador, clique em ‘Deste blog’. No exemplo, vamos subir uma imagem nova

3

Nesse momento, abre a janela com os arquivos que estão salvos em seu computador. Selecione a foto desejada na pasta em que ela foi salva e clique em ‘abrir’. Depois, clique em ‘adicionar selecionadas’.

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Exercitando o olhar: a imagem como aliada nas postagens

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A foto foi adicionada no editor. Ao clicar na imagem, há uma série de opções. Primeiro, escolha o tamanho (pequeno, médio, grande, muito grande ou tamanho original). Como a imagem já foi redimensionada, em princípio não é necessário alterar o tamanho. De

qualquer forma, dê preferência para as opções ‘muito grande’ ou ‘grande’. Evite ‘médio’ ou ‘pequeno’, pois esses tamanhos podem prejudicar a visibilidade da foto e não deixam a página tão bonita. Mesmo que a pessoa possa ver a foto em tamanho real clicando nela, é um passo desnecessário que obrigamos nosso leitor a dar. Fotos bonitas merecem destaque. Escolha o alinhamento da foto na página (alinha à esquerda, centralizar ou alinhar à direita). O passo seguinte é clicar em ‘adicionar legenda’. Ela não só descreve a foto, mas a complementa, com detalhes e informações. Outra ação importante é mencionar o crédito da foto na própria legenda. Caso a imagem seja retirada da internet e não haja menção ao autor, informe o site de onde você retirou a imagem. No entanto, dê preferência para fotos feitas por autores conhecidos.

5

Repita o mesmo procedimento para inserir outras fotos e, quando terminar, clique em ‘publicar’. No exemplo ao lado , utilizamos duas fotos.

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Conectando Saberes: manual para gestão de blogs escolares

Criar galeria de fotos utilizando o publicador do blog Recomendamos a utilização de galeria de fotos quando o post tem a partir de três imagens. Visualmente, não é interessante posicionar uma foto embaixo da outra quando a quantidade é grande. Dificulta a leitura e torna a navegação mais cansativa, pois o leitor precisa utilizar demasiadamente a barra de rolagem da página. A regra é sempre tentar facilitar ao máximo. A plataforma Blogspot não tem a opção galeria de fotos. Na plataforma Wordpress, o passo a passo é o seguinte:

1

Abra um novo post. Clique em ‘adicionar mídia’ e depois, no canto esquerdo, em ‘criar galeria’. Clique em ‘selecionar arquivos’ e escolha todas as fotos para a galeria (aperte a tecla ‘shift’ do teclado para adicionar mais de uma foto por vez).

2

Com as imagens selecionadas, insira a legenda da galeria e o crédito das fotos. Clique em ‘criar uma nova galeria’.

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Exercitando o olhar: a imagem como aliada nas postagens

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Agora, insira a legenda de cada foto e escolha o tipo de galeria: apresentação de slides, grade de miniaturas, mosaicos, mosaicos quadrados ou círculos.

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No exemplo abaixo, escolhemos o tipo ‘apresentação de slides’. Pronto! A galeria de fotos foi criada. As imagens passam automaticamente ou com o clique do mouse.

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Conectando Saberes: manual para gestão de blogs escolares

Criar uma galeria de fotos por meio de ferramenta online gratuita Para quem utiliza a plataforma Blogspot ou para os que desejam ter mais opções de galerias de fotos, uma boa sugestão são as ferramentas gratuitas. Há muitas e a cada dia surgem novas. Selecionamos um exemplo e vamos explicar o passo a passo de uma galeria de fotos criada no www.photosnack.com. O único entrave é que o site é em língua inglesa, mas vamos traduzir os termos na medida do possível. Digite em seu navegador www.photosnack.com. Clique em ‘sign in’ (cadastre-se), no canto superior direito. Selecione ‘new user’ (novo usuário) e insira email e password (senha). Clique em ‘sign in’. Outra opção é cadastrar-se utilizando as informações de sua conta no facebook, google ou twitter. No entanto, para evitar o atrelamento a contas pessoais de professores, recomendamos o cadastro utilizando o email da escola, que pode ser o mesmo já usado no cadastro do blog.

Clique em ‘new slideshow’ (novo slideshow), no canto superior da tela

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Exercitando o olhar: a imagem como aliada nas postagens

Clique em ‘upload your photos’ (carregue suas fotos). Esse processo é igual ao que descrevemos para subir uma imagem no publicador: selecione as que deseja e clique em ‘abrir’.

Desça a barra de rolagem. As fotos selecionadas irão aparecer em ‘my photos’ (minhas fotos). Clique em ‘next’ (próximo).

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Conectando Saberes: manual para gestão de blogs escolares

Em seguida, clique em ‘edit slideshow’ (editar slideshow) para ter acesso a algumas opções interessantes.

Dê um título para a galeria de fotos (album title), adicione uma descrição (album description) e, logo abaixo, clique em ‘edit photos’ (editar fotos).

Você pode incluir um título, uma legenda e um link (opcional) para cada foto. Clique em ‘done’ (feito) e depois em ‘next’ (próximo).

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Exercitando o olhar: a imagem como aliada nas postagens

Escolha um template para a galeria de fotos e clique, no final da página, em ‘finish’ (finalizar).

Após criar a galeria de fotos, é preciso incorporá-la no blog. Para isso, clique no ícone laranja ‘Embed’ (incorporar), depois em ‘use free’ (utilizar versão gratuita). Vai aparecer uma janela com um código. Clique em ‘copy’ (copiar). Em seguida, vá para o editor do texto do blog e clique no ícone ‘html’ (Blogspot) ou na aba ‘texto’ (Wordpress). Por fim, cole (Ctrl V) o código no editor e publique o post. A galeria de fotos aparecerá incorporada e com diversos recursos visuais.

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registrando o movimento: v铆deos que contam hist贸rias

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Registrando o movimento: vídeos que contam histórias

A

ssim como a fotografia, o registro em vídeo também pode ser um importante aliado na construção de uma postagem mais interessante para o leitor. Sem contar que atualmente a maioria dos celulares, tablets e câmeras fotográficas digitais oferecem o recurso de filmagem. Pensando nisso, elencamos duas possibilidades de elaboração de vídeos para os blogs escolares e vamos explicálas passo a passo. Uma das possibilidades é filmar um trecho de alguma apresentação que está ocorrendo na escola. Por exemplo, se o local está promovendo um Festival de Dança entre os alunos, seria interessante filmar uma das apresentações. Ou mesmo se a quadra da escola está sendo inaugurada, uma das possibilidades seria registrar o discurso do prefeito ou da diretora da escola. Vale salientar que as filmagens são um complemento ao texto do post, elas servirão como uma ilustração para o tema que está sendo tratado na postagem, um conteúdo a mais. Por isso insistimos em afirmar que o interessante é filmar um trecho do evento e não ele inteiro, o ideal é que este vídeo não passe de cinco minutos. Outra dica importante é encontrar um ângulo interessante de filmagem que consiga captar toda a extensão da apresentação e não só a metade das bailarinas, por exemplo, no caso da gravação de um trecho de uma apresentação de dança. O indicado é estar de frente para o palco ou para o que se pretende registrar. Outro conselho é manter a câmera/celular/tablet parado durante a filmagem. Tenha em mente que é muito ruim assistir a um vídeo que fica tremido ou tem mudanças bruscas de angulação. O que pode ajudar neste caso para as câmeras digitais é o uso de tripés. Vamos exemplificar as dicas através de um vídeo feito especialmente para este manual. Mensalmente ocorre na cidade de Joinville, Santa Catarina, um evento chamado de Feira do Príncipe, que reúne vendedores de produtos artesanais e coloniais em barraquinhas no centro da cidade. Além do comércio, o evento também recebe atrações culturais. Gravamos um trecho de uma destas apresentações e vamos usá-lo para explicar as técnicas de filmagem e ainda como fazer a edição e postagem do vídeo no Youtube. A primeira dica é encontrar um enquadramento interessante, de preferência de frente para o objeto da gravação. Perceba isso na figura acima. Neste caso, a intenção era filmar a banda e, em especial, o cantor. Vale salientar que nesta gravação foi utilizado o tripé.

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Conectando Saberes: manual para gestão de blogs escolares 6

Depois de feita a gravação, o passo seguinte é a postagem do vídeo no Youtube. Acompanhe o passo a passo:

1

Para carregar o vídeo é preciso clicar em “Selecionar arquivos para enviar”

2

Selecione o arquivo de vídeo dentro dos seus documentos

6

Para conseguir acessar o site e subir um vídeo é necessário ter uma conta no Gmail.

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Registrando o movimento: vídeos que contam histórias

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Após a seleção do arquivo é iniciado o processo de envio do vídeo para o Youtube. Esse procedimento pode demorar, dependendo da velocidade da internet.

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É importante preencher todos os campos com a identificação do vídeo. Lembre-se que a regra na internet é descrever o máximo possível o evento com palavras-chave para que os buscadores encontrem o material.

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Conectando Saberes: manual para gestão de blogs escolares

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Após o envio concluído, clique em Publicar

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Clique no link do vídeo que aparece logo após a identificação do material

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Registrando o movimento: vídeos que contam histórias

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Clique no ícone ‘Melhorias’ para editar o vídeo

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Nesta tela é possível ver algumas possibilidades de melhorias e edição do vídeo

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Conectando Saberes: manual para gestão de blogs escolares

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É possível cortar trechos do vídeos que não ficaram interessantes. Para isso, clique no ícone ‘cortar’ e selecione na linha que aparecerá abaixo do vídeo as partes que você quer retirar do material

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Com o botão ‘Correção Automática’ é possível atenuar problemas na iluminação e cores do vídeo

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Registrando o movimento: vídeos que contam histórias

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É possível ainda ‘Estabilizar’ o vídeo, deixando-o menos tremido. Essa ferramenta é importante principalmente para aquelas filmagens feitas a partir de celulares

Último Passo: Ao final de todos esses processos salve as alterações no botão ‘Salvar’. O vídeo está pronto!

Assista ao vídeo exemplo neste link: https://www.youtube.com/watch?v=xdsadwvJ0vc

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Conectando Saberes: manual para gestão de blogs escolares

Depois de feitas a edição e a postagem do vídeo no Youtube, a próxima etapa é a postagem no blog. Acompanhe como se dá esse processo no Blogspot e no Wordpress: Blogspot: Abra um novo post e clique no ícone “Inserir um vídeo”

O passo seguinte é abrir a aba “Do Youtube” e prencher com a URL (endereço) do seu vídeo e clicar em pesquisar.

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Registrando o movimento: vídeos que contam histórias

A próxima etapa é selecionar o vídeo que você deseja

Por fim, faça uma adequação do texto com o vídeo no post e publique

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Conectando Saberes: manual para gestão de blogs escolares

Wordpress Abra um novo post e clique no ícone “Adicionar Mídia”

Selecione a aba ‘Inserir YouTube’, no canto esquerdo, coloque a URL do seu vídeo e clique em pesquisar

Ao final selecione o vídeo desejado, faça a adequação do texto e publique

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Registrando o movimento: vídeos que contam histórias

Além da possibilidade de gravar um trecho de uma apresentação para postar no blog, outra ideia é fazer um vídeo contando, através de imagens, como foi esse evento. Para compor esse vídeo, que deve ser curto, no máximo dois minutos, o ideal é gravar diversas imagens que narrem essa história para quem não estava lá. A dica é tentar capturar o máximo de imagens possíveis, desde aquelas que mostrem a movimentação do evento, as apresentações, até pequenos detalhes. Usamos novamente a Feira do Príncipe para ilustrar a explicação. Para fazer um vídeo contando um pouco sobre como foi a feira, mostrando as pessoas no evento, foi necessário fazer mais de 30 filmagens. São vídeos bem curtos de cinco a dez segundos, em que a câmera fica parada captando a imagem. O interessante é fazer muitas imagens para depois,

na hora da edição, ter opções para escolher. Uma dica é filmar a movimentação do evento. Registre vários desses momentos em diversos pontos do local. Outra ideia interessante e que traz qualidade ao vídeo é gravar detalhes do evento. Objetos ou mesmo pessoas e gestos que são peculiares daquele momento.

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Conectando Saberes: manual para gestão de blogs escolares

Uma dica importante é gravar momentos ou objetos que contextualizem o evento para quem está assistindo ao vídeo. Às vezes uma placa com o nome do local, uma identificação das pessoas que estão envolvidas no evento, ou mesmo um símbolo, tudo isso é válido.

Após a gravação de todo esse material, a etapa seguinte é editar. Uma boa opção para fazer esse trabalho é o próprio editor que o Windows oferece, chamado de Movie Maker. A seguir relacionamos algumas dicas básicas para editar um vídeo usando essa ferramenta.

O primeiro passo é abrir o programa e clicar no ícone “Adicionar Vídeos e Fotos”

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Registrando o movimento: vídeos que contam histórias

O passo seguinte é escolher as filmagens que você quer para compor o vídeo final

Depois de escolhidas as imagens, a próxima etapa é editar, ou seja, encaixar essas filmagens. Esse momento é peculiar para cada editor, pois é ele que sabe como construir a narrativa da melhor forma.

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Conectando Saberes: manual para gestão de blogs escolares

Depois que as imagens já foram colocadas em sequência, é interessante acrescentar uma trilha sonora para o vídeo. Isso pode ser feito clicando no ícone “Adicionar uma música”.

O passo seguinte é colocar os créditos do vídeo, que nada mais é do que o nome dos responsáveis pele elaboração do material. Clique em ‘Créditos’.

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Registrando o movimento: vídeos que contam histórias

O passo final, depois de tudo pronto, é salvar o vídeo. Clique em ‘Salvar Filme’ e depois, ‘Recomendável’ para este projeto. É importante seguir esse caminho para salvar o arquivo, para que seja possível disponibilizá-lo posteriormente no Youtube

Assista ao vídeo Retratos da Feira do Príncipe, usado como exemplo: https://www.youtube.com/watch?v=6FBxmrfqnyg

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para ir alĂŠm: outras ferramentas Ăşteis

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Para ir além: outras ferramentas úteis

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internet é essencialmente dinâmica e propícia ao que chamamos convergência de mídias. São características do meio digital:

Hipertextualidade: conexões, links e vinculações entre os conteúdos; Interatividade: participação ativa e recíproca de uma pessoa em relação ao conteúdo; Personalização: possibilidade da pessoa escolher o conteúdo que deseja receber, em função de seus interesses; Instantaneidade: disposição de informações a cada momento, em tempo real; Ubiquidade: capacidade de ser encontrado em todo lugar; Memória: possibilidade de arquivar, conservar e acumular informação; Multimidialidade: utilização de texto, som, imagem e elementos dinâmicos na construção da narrativa. Dessa forma, o planejamento de conteúdo para o blog escolar deve levar em consideração essas características que compõem as especificidades do meio digital. No jornalismo, elas são essenciais para compreendermos as potencialidades da profissão nesse ambiente. Aplicando as características aos blogs escolares, recomendamos: Inserção de links nos posts para aprofundamento do assunto (hipertextualidade); Incentivo à participação dos leitores e respostas aos comentários (interatividade); Habilitação da opção de enviar os posts por e-mail para os que desejarem (personalização); Planejamento de cobertura ao vivo de eventos, tais como competições esportivas (instantaneidade); Utilização do blog escolar em sala de aula, por meio de interação nos tablets e/ou nos smartphones dos próprios alunos (ubiquidade); Ao fim do ano letivo, pode ser feita uma compilação dos melhores posts e exibição nos murais da escola (memória); Planejamento de conteúdo que preveja elementos além de texto e fotos (multimidialidade). Esse último item - a multimidialidade - é o objeto específico deste capítulo. Para ajudar os professores a utilizar conteúdos multimídia, apresentamos a seguir diversas ferramentas gratuitas, acrescentando sugestões de abordagem em cada uma delas.

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Conectando Saberes: manual para gestão de blogs escolares

Ideias de conteúdo Google Alert: https://www.google.com/alerts Esse serviço do Google é muito útil como fonte de possíveis assuntos para o blog escolar. Basta cadastrar palavras-chave (ex.:prática pedagógica; inovação em educação) e você receberá por e-mail conteúdos relacionados a elas. Mas atenção: como o Google simplesmente faz o rastreamento, é essencial que o professor analise a procedência das informações.

Mapa Mapbox: www.mapbox.com (em inglês) Ferramenta que cria mapas interativos, nos quais são incluídas informações, links, imagens e ícones. Pode ser utilizada durante uma excursão escolar, mostrando as cidades a serem visitadas, além de informações adicionais.

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Para ir além: outras ferramentas úteis

Infográfico Infogram: www.infogr.am É utilizado quando o elemento visual é pertinente em determinado conteúdo. Muito mais do que acrescentar ícones ou animações, o infográfico interativo deve ser utilizado em assuntos que envolvem, por exemplo, números e dados de compreensão mais difícil. No caso do blog escolar, uma boa ideia é criar um infográfico com informações que mostram a diversidade da instituição: gênero, idade, quantidade por turma, por turno, corpo docente, entre outras informações.

Linha do tempo Dipity: www.dipity.com (em inglês) Ferramenta de linha do tempo interativa, com opções de inclusão de texto, foto, vídeo, áudio e links. Uma das melhores utilizações desse recurso é para contar a história da escola, inserindo os marcos mais importantes. Ao invés de um longo texto retrospectivo, a linha do tempo interativa permite uma leitura mais imersiva, não linear e lúdica.

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Conectando Saberes: manual para gestão de blogs escolares

Podcast SoundCloud: www.soundcloud.com (em inglês) Podcast é um arquivo de áudio digital, mas não é só isso. Quando bem utilizado, o podcast pode ser um excelente canal de comunicação, que distribui conteúdo útil e relevante. Um dos diferenciais desse recurso é que a pessoa pode ouvir um podcast enquanto faz outras atividades. Por exemplo: um aluno ouve um podcast sobre a Revolução Francesa enquanto faz exercícios na academia ou ao ar livre. Além disso, é bastante indicado para deficientes visuais. Para fazer o podcast, você precisa primeiro de um gravador de áudio (hoje, grande parte dos celulares têm essa função). Em seguida, escolha o assunto e planeje um roteiro, que pode conter explanação, entrevista e efeitos sonoros. Um podcast simples pode dispensar até a edição. No entanto, caso seja necessário, baixe o programa Audacity (http://audacity. sourceforge.net/) em seu computador. Trata-se de um software livre, portanto, gratuito. Após a edição (caso necessário), é hora de subir o arquivo de áudio na ferramenta indicada acima, o SoundCloud. O passo a passo é bastante intuitivo. Apresentação interativa Prezi: www.prezi.com Ferramenta de apresentação interativa, indicada tanto para professores como para alunos. Excelente para exibição de conteúdo em sala de aula (uma opção aos famosos ‘power points’) e também pode ser incorporada no próprio blog escolar. Possibilita a inserção de texto, áudio, vídeo e links, e possui diversos templates.

A dica é: ao finalizar a criação do mapa, linha do tempo, infográfico ou podcast, procure pelo botão ‘share’ (compartilhar). Nele, geralmente há a opção ‘embed’ (incorporar), na qual fica aquele código que deve ser copiado e colado no publicador do blog

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Considerações finais Ufa! Depois de tantas orientações, você pode estar se perguntando: 'Como colocar tudo isso em prática? Será que vou conseguir?'. Temos certeza que sim. No início, pode ser difícil apreender tantos passos, mas depois eles são internalizados e os fazemos quase que de forma automática. O mais importante - e foi isso que tentamos dizer durante todo o e-book - é usar as ferramentas e técnicas para produção de um conteúdo de qualidade, que toque o coração dos alunos, professores, pais e comunidade. Como salientamos na apresentação, após a leitura do e-book é fundamental o planejamento de uma capacitação para os professores que cuidam da gestão do blog escolar. Essa etapa serve não só para operacionalizar os processos, mas para a discussão acerca dessa ferramenta de comunicação tão importante para o dia-a-dia da escola. Um grande encontro de professores pode suscitar ideias inovadoras, que despertam a criatividade e melhoram o ensino-aprendizagem. Então, é hora de arregaçar as mangas e começar a transformar o sonho em realidade!

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referências ALVES, Rubem. A escola que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir. Campinas, SP: Papirus Editora, 2012. CANAVILHAS, João (Org.). Webjornalismo: 7 características que marcam a diferença. Covilhã, UBI, Livros LabCom, 2014. CASTELLS, Manuel. A sociedade em redes: do conhecimento à política. In: CASTELLS, M. e CARDOSO, G. A sociedade em rede: do conhecimento à acção política. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2005: pp. 17-30. FOLETTO, Leonardo. O blog jornalístico: definição e características na blogosfera brasileira. Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de PósGraduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Florianópolis, 2009. FLORESTA, Cleide. Técnicas de reportagem e entrevista: roteiro para uma boa apuração. São Paulo: Saraiva, 2009. FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005. KOSSOY, Boris. Os tempos da fotografia: entender a história da imagem para entender a nossa história. Cotia: Ateliê Editorial, 2007. LAGE, Nilson. Teorias e técnica do texto jornalístico. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. NASCIMENTO, Patrícia Ceolin do. Técnicas de redação em jornalismo: o texto da notícia. São Paulo: Saraiva, 2009.

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Websites: Dicas de Fotografia http://www.dicasdefotografia.com.br/a-regra-dos-tercos-na-fotografia Manual para editores da web - Google http://www.multlinks.com.br/artigos/wp-content/uploads/2013/01/Manual-para-Editores-da-WebGoogle.pdf

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sobre as autoras Lívia de Souza Vieira Jornalista capixaba que trocou o bloquinho de notas por caracteres digitais criativos. Acredita que a internet abre portas para um mundo mais democrático e plural. É mestre e doutoranda em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), além de docente dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda do Bom Jesus/IELUSC. Contato: liviasvieira@uol.com.br

Naiara Larsen Jornalista récem-formada (2015). Apaixonou-se pelo tema educação depois de realizar, durante a faculdade, o Projeto Experimental “Educação em Ação - Perfis”. Acredita que a educação e o jornalismo podem mudar o mundo e vê na Casa da Cultura Digital Multiplica uma oportunidade para concretizar um pouco dessa mudança. Atua também como produtora da Rádio Educativa Joinville Cultural. Contato: naiara.larsen@gmail.com

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E-book "Conectando saberes: manual para gestão de blogs escolares"  

O objetivo deste e-book é reunir boas práticas de conteúdo para blogs escolares. A ideia não é, simplesmente, ensinar os professores a fazer...

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