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Luka e Thiago Deejay

Na trilha sonora das noites paulistanas

Festival DoSol

Comemoração da 10ª edição do festival

Soundcheck

Vanguart • Twinpine(s) • John Wayne • Depois Do Fim Jan & Fev‘14 | Distribuição Gratuita | www.curtocircuito.art.br


(índice) EDITORIAL DESTINO Festival DoSol COTIDIANO O Lifestyle Do Vegetarianismo PRIMEIRA BANDA Nenê Altro SOUNDCHECK Vanguart Twinpine(s) John Wayne Depois Do Fim TRALHAS CAPA: LUKA E THIAGO DEEJAY Na trilha sonora das noites paulistanas WALLPAPER Paulo Rocker RESENHAS ARTIGOS 5 DESTAQUES

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(expediente) Edição: #7, 2014 Projeto: Hearts Bleed Blue Edição: Antonio Augusto Coordenação: Alexandre M. Redação: Camila Grillo Foto de Capa: Antonio Carlos Brachenberg Revisão: Alexandre M. Colaboradores: Antonio Carlos Brachenberg, Ariel Martini, Artur Torres, Bruno Barbieri, Camila Fontana, Cristina Sininho Sá, Gregor S., Helio Suzuki, Henrike BlindPigs, Mariana Perin, Otávio Dias, Paola Zambianchi, Rafa Amaro, Rafael Passos, Shamil Carlos, Wander Willian Assessoria Jurídica: R4A Publicidade: contato@curtocircuito.art.br Assinatura (Gratuita): Envie seu endereço com o assunto CURTO CIRCUITO EM CASA! para contato@curtocircuito.art.br Edições Anteriores: www.curtocircuito.art.br CURTO CIRCUITO é uma revista de bolso, com publicação bimestral, impressa e digital - ambas com distribuição gratuita. Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução sem autorização prévia e escrita.


(editorial) Aqui estamos nós, 240 páginas depois. Ou se preferir, em nossa edição comemorativa de 1 ano. E nessa revista #7, trazemos algumas mudanças editoriais, incluindo novos textos, como Primeira Banda, mais bandas no Soundcheck, Resenhas e os 5 Destaquest escolhidos pela redação, com temas variados a cada novo número. Para relembrar esse primeiro ano, preparamos uma coletânea virtual, com audição gratuita - assim como a revista - com os artistas que estiveram nas páginas das 6 primeiras edições da Curto Circuito. Você pode escutar as músicas em www.curtocircuito.art.br 2013 foi um ótimo ano e agradecemos a você, nosso leitor, pelas críticas e suporte a esta publicação de bolso sobre o mercado artístico. É incrível saber como muitos se interessaram pelo assunto, a ponto de fazer com que esta revista chegasse nas mãos de pessoas de quase todas as capitais, além de outras cidades do país, como Camaquã (RS) e Iranduba (AM), para ilustrar. Espero que isto seja um sinal para o crescimento da produção cultural nacional e sua divulgação. Depende de nós para fazer que 2014 seja lembrado não apenas como o ano da Copa no Brasil. Antonio Augusto


(destino)

Festival DoSol Texto: Camila Grillo Foto: Rafael Passos Info: dosol.com.br

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Zander (RJ)

Para a participação no festival, as bandas geralmente passam por um processo de curadoria. “Nós assistimos COMEMORAÇÃO DA 10ª muitos shows para fazer a escolha dos artistas e também ouvimos EDIÇÃO DO FESTIVAL materiais que nos mandam. Vamos Um dos festivais mais importantes do convidando no decorrer do ano. nordeste brasileiro completa 10 anos de Levamos em consideração qualidade estrada. O Festival DoSol, que teve sua e correria da banda dentro da cena última edição durante o mês de novembro, independente. Se for de fora e tiver em trouxe diversas bandas do cenário tour, a chance da gente receber é bem alternativo para a região. De acordo com alta”, explica. Anderson de Freitas, idealizador do projeto, Contribuindo para a divulgação chegar a esta data comemorativa repredas bandas, o festival é um canal de senta correria, batalha e principalmente, divulgação para quem faz música indepersistência. “O Festival DoSol começou pendente. “Acho que temos feito um para ser uma espécie de festa anual do trabalho para as bandas novas que a selo DoSol, ainda em 2002, depois vimos a TV e o rádio deveriam fazer, mas não possibilidade de ter mais ações envolvendo fazem, que é dar alguma visibilidade artistas locais, até se desenvolver e chegar para esses trabalhos”, diz. no formato que ele é hoje”, diz Anderson. Tendo bastante participação das Atuando nas cidades de Natal, Mossoró pessoas de cidades próximas a Natal, e Caicó, o festival já teve edições em Recife, o festival vem ganhando ainda mais Goiânia e até São Paulo, contando com espaço. “A procura é boa, se levarmos patrocínio privado para sua realização. em consideração que o rock e suas Entre os nomes que já passaram pelos vertentes não são muito populares por palcos do DoSol estão Marky Ramone, aqui. Acho que estamos acima da média Danko Jones, The Donnas, Tulipa Ruiz, de alguns estados vizinhos”, revela. Mundo Livre S/A, Dead Fish, Exploited, Sobre as expectativas para os próxiSlackers, Truckfighters, Macaco Bong, mos, Anderson finaliza: “Se continuarentre outros. mos existindo, já vai ser uma vitória.”


Se continuarmos existindo j谩 vai ser uma vit贸ria

Mukeka Di Rato (ES)

Monster Coyote (RN)

The Sinks (RN)


(cotidiano)

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O LIFESTYLE DO VEGETARIANISMO Texto: Camila Grillo | Foto: Camila Fontana | Info: veggielifestore.com.br Com a correria do dia a dia, viver uma vida fast food virou rotina. Em metrópoles, como a terra da garoa, ter uma vida saudável exige uma mudança de comportamento, afinal, como diz o velho ditado: você é o que você come. “São Paulo é uma cidade muito diferente de outras grandes cidades do mundo. Apesar de ter potencial, estamos em um país de terceiro mundo. Consequentemente a cidade sofre muito com a desigualdade, corrupção e tudo mais. Por outro lado, temos algumas facilidades de cidade grande, mesmo que pagando caro por elas. Mesmo com os problemas só crescendo, a qualidade de vida só cai. Nasci aqui, cresci aqui. Não consigo ficar muito tempo longe. É aquela relação de amor e ódio durante todos os dias”, diz Rodolfo Duarte Nogueira, sócio na Veggie Life Store.

Além de atuar na loja, voltada para o público vegetariano, Rodolfo toca guitarra na Good Intentions desde 2009 e agora está junto com alguns amigos movimentando uma nova banda de Hardcore chamada “Institution”. O interesse pelo vegetarianismo surgiu quando Rodolfo era adolescente. “Eu nunca fui muito fã de comer Carne. Quando eu tinha 15 anos a mãe de um amigo, que era meu vizinho, percebeu isso e me mostrou algumas opções com soja, tofu, legumes, etc. Ela era adepta do Hare Krishna. A partir dali me tornei vegetariano. Durante quase dois anos pesquisei, conheci pessoas e estava sempre buscando informação. Venho de uma família nordestina e o medo que a cultura da carne te coloca, faz com


que você sempre tenha um pé atrás. Mas a partir do momento que conheci a realidade, o bem que me trouxe, o bem que trás para os animais e para o meio ambiente me abriu os olhos e a partir daí me tornei vegan. Isso já faz nove anos”, ressalta. Para encarar esse novo estilo de vida, é necessário saber por que as pessoas escolhem viver sem carne. “Muita gente para de comer carne e se torna vegetariano por saúde. Realmente é uma dieta comprovadamente boa para a vida, mas o consumo de carne esta diretamente ligado ao desmatamento de florestas, animais em extinção, poluição, doenças e alguns outros problemas pelo mundo. Um exemplo próximo é o desmatamento da Amazônia pelo número de plant ções de soja, principalmente. Muita gente questiona: “espera ae, quem que come soja? O que isso tem haver com a Carne?”. Aproximadamente 90% de toda soja plantada é para o consumo de animais e não humano. Então você soma o número de pastos com o número de plantações e você terá um desmatamento descontrolado do pulmão do planeta. É uma questão complicada que dá para ficar escrevendo ou falando por horas, sobre política, economia e cultura. Tudo isso estará ligado ao consumo de carne”, explica. Entre os que não comem carne, mas consomem produtos derivados do leite e do ovo (ovo lacto vegetariano) e os que eliminam todos os produtos que contenham origem animal (vegan), está uma ideologia que vem ganhando forças na atualidade. “O crescimento de pessoas aderindo ao vegetarianismo e ao veganismo está bem claro e só tende a crescer.Estamos em constante evolução. Quando se trata de informação e conscientização, as pessoas estão chegando facilmente

até essas informações e com isso elas entendem melhor e perdem o medo que a cultura da carne impôs durante anos. Conforme cresce o número de pessoas aderindo, elas influenciam outras que influenciam outras e por ai vai.” Com essa opção para se alimentar, mais meios têm surgido para beneficiar adeptos do vegetarianismo. “Como muita coisa esta centralizada, é a lei do mercado. Você monta o negócio onde tem movimento, visibilidade, etc. Aqui no centro de São Paulo temos muitas opções dentre vários tipos de culinária vegetariana, além da facilidade que as pessoas têm para chegar, já que muitas trabalham pelo centro. A Veggie Life esta localizada no centro de São Paulo. Infelizmente se a loja se localizasse em partes mais periféricas não sei se daria certo. Se você está no centro, você atende a cidade toda; se você está em uma região, você acaba atendendo somente ela e o público vegetariano ainda é minoria. Mas vemos cada dia mais pessoas montando ideias em suas cidades e regiões. O vegetarianismo está se propagando para todos os lados.” O lifestyle vegetariano faz parte da vida do músico, seja por gostar de cozinhar em casa ou até mesmo tendo influências no seu trabalho com a banda Good Intentions, já que sempre teve letras e posturas voltadas para o estilo de vida vegetariano. “A música é uma arma de efeito em massa que você consegue divulgar e defender qualquer ideia. Ela sempre será válida para o veganismo e qualquer outra ideia politica”, finaliza.

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(primeira banda)

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Nenê Altro (a frente)

Texto: Camila Grillo Foto: Wander Willian Info: nenealtro.tumblr.com Integrante das bandas Dance of Days e Seek Terror, Fábio “Nenê” Altro recorda os tempos em que tudo começou. Nascido em Guarulhos, teve a sua primeira banda em 1988. Confira entrevista em que o músico fala sobre sua trajetória.

Como começamos: Ensaiei um tempo com

meus primos, de brincadeira mesmo, entre 1986 e 1987, tocando Olho Seco, Garotos Podres, Replicantes, etc. Nunca deu em nada, pois tínhamos entre 13 e 15 anos, mas desde então não parava de pensar em montar uma banda. Em 1987 eu já andava com a galera punk de Guarulhos e havia uma banda chamada R.A. (Rebeldes Anarquistas). Em um dos shows da R.A. tocou uma banda cha-

mada H2SO4, que era da banda dos Makabros, também de Guarulhos. Um tempo depois me tornei amigo do Edu, que era guitarrista deles, e quando o H2SO4 acabou montamos o Penitenciária, em 1988.   Primeiro show: Foi no Teatro Cepac, no centro de Guarulhos, com Coiotes Malditos e Restos de Nada, em 1988 também. Nesse show tocamos sem baterista, então um brother que tinha uma banda da cidade e que estava lá tocou de improviso e Ficávamos falando pra ele “agora é hardcore” quando chegava a parte rápida e gritando “punk rock! punk rock!” quando chegavam as partes lentas (risos).


f curto circuito

Momento curioso: Em 1988 participamos do festival de música do Perestroika Bar, no centro de Guarulhos. Incrivelmente fomos classificados e chegamos às finais, perdendo pro Utopia, que depois veio a virar Mamonas Assassinas. Nesse show também estávamos sem baterista e quem tocou foi o batera do Coiotes Malditos, mas com ele nós pelo menos ensaiamos (risos).

Porque acabamos: Com o batera que tocou em definitivo na banda pegando Exército acabamos ensaiando menos e menos. O Edu também estava com problemas de horário devido ao trampo e eu também acabei me mudando para o Jardim Cumbica, subúrbio de Guarulhos, o que dificultou mais ainda ensaiar. Nessa época também comecei a fazer um outro rolê, mais político, com a galera anarco-punk que colava na Luz e morando no Cumbica acabei também montando uma nova banda, o B.H.i. (Barulhento Horrível Insuportável), mas isso já era 1989.

Hoje em dia: Não tenho notícias de ninguém desde

aquela época. Quando cantei no Penitenciária eu tinha só 16 anos (risos). O B.H.i. tocou de 1989 a 1990, depois me mudei e montei o Repulsive, que durou de 1991 até 1992, e em 1993 comecei a ensaiar no Parque Cecap com o Personal Choice. Hoje toco no Dance of Days e no Seek Terror.

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(soundcheck)

(soundcheck: name the band0 Texto: Camila Grillo | Fotos: Daniela Ometto | Info: nametheband.com.br

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VANGUART LANÇA TERCEIRO ÁLBUM E SE PREPARA PARA NOVO VIDEOCLIPE

Texto: Camila Grillo | Resenha: Shamil Carlos Foto: Ariel Martini | Info: vanguart.com.br

Lançado recentemente, o terceiro álbum de estúdio da banda Vanguart é intitulado Muito Mais que o Amor. O tema é inspirador: “Falamos de amor. Das pequenas coisas que nos fazem acordar de manhã e sorrir para as pessoas que amamos”, diz Reginaldo Lincoln, integrante da banda. Além do lançamento, a banda já está se preparando para as filmagens do clipe de Meu Sol, mais uma novidade que vem chegando aí. Iniciada por meio de um projeto do Hélio, violão e voz, o Vanguart surgiu de gravações feitas em casa e colocadas na internet. “Na época do segundo disco caseiro, ele me chamou para produzir o disco e logo em seguida fomos chamando nossos melhores amigos para formar o que hoje é o Vanguart.” Atualmente a formação da banda conta com Hélio Flanders, Reginaldo Lincoln, David Dafré, Luiz Lazzaroto, Douglas Godoy e Fernanda Kostchak, que vivem somente da música. Anteriormente à banda, Hélio e David foram professores de inglês em Cuiabá. Luiz fazia faculdade de administração e Douglas trabalhava em um estúdio de gravação. Desde 2005 o grupo vem fazendo turnês por quase todos os estados brasileiros e já tocaram também no exterior. “Fizemos 3 shows na Alemanha em 2008. Em 2014 pretendemos rodar o país novamente.” Para Reginaldo, o Vanguart tem um importante papel em sua vida. “Representa a minha vontade de viver de música, de acreditar nesse sonho e me sinto abençoado por vivê-lo, plenamente”, finaliza.

O Vanguart já é figura carimbada na tal cena fora-do-eixo que veio morar em São Paulo. Formada em 2002, em Cuiabá, a banda chega ao seu terceiro disco de estúdio produzido novamente pelo Rafael Ramos e lançado pela Deck Disk, assim como os dois anteriores. Esse álbum marca uma fase mais “feliz” e apaixonada do grupo. Hélio Flanders, mais uma vez, se mostra um excelente compositor e o disco é tão bonito que é realmente fácil de acreditar que todos, simplesmente todos integrantes, estão apaixonados, ainda mais agora com a violinista Fernanda Kostchak como integrante oficial (ela já tinha participado do ultimo álbum “Boa Parte de mim vai embora” de 2011). Lançado em CD e Vinil o “Muito Mais Que O Amor” ainda tem algumas faixas do folk-melancólico que fez do grupo famoso, as influências de Neil Young e Bob Dylan são perceptíveis, mas o destaque fica mesmo para as faixas radiofônicas “Estive”, “Pra Onde Eu Devo Ir?” e o hit certo de “Meu Sol”, que já foi vinculada a uma novela da Rede Globo e está tocando nas rádios de rock e até mesmo em rádios típicas de consultórios médicos.

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(soundcheck)

TWINPINE(S)

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Texto: Camila Grillo | Foto: Otávio Dias | Info: twinpines.com.br Com o objetivo de voltar para o estúdio no ano que vem, a banda Twinpine(s) pretende gravar seu segundo disco. “Já estamos ensaiando e temos testado algumas delas ao vivo, como Holiday Out e The Menaced Assassin, por exemplo. Esse é certamente o maior plano, mas também estamos pensando em fazer mais um EP especial, com um projeto meio diferente. Só que isso ainda está em fase de conversação”, explica Bruno Palma Fernandes, um dos integrantes da banda. Recentente o grupo lançou um single da música As a Surprise, que já estavam tocando há algum tempo nos shows. “O single tem duas músicas como lado B: First Try e a instrumental Niagara Falls. As a Surprise, de uma maneira bem resumida e simplória, é uma música sobre como deve ser morrer, sobre o fato de que a gente está vivo e de repente pode não estar mais e as consequências que a morte causa em tudo o que está em volta. First Try é uma música bastante antiga. A gente gravou essa versão no lado B, mas a gente planeja gravar uma nova versão dela para o nosso próximo disco. Niagara Falls é a música que deu nome ao nosso primeiro disco, lançado em 2010. Ela foi a primeira composição da banda, mas não entrou nesse álbum de estréia. Para essa gravação convidamos o Renato Braga, guitarrista da formação original, para gravar uma participação”, revela. Por dialogar com a música alternativa produziada nos anos 90, o Twinpine(s) tem inspirações de bandas como Superchunk, Sonic Youth, Dinosaur Jr, Nada Surf e Superdrag. “Mas cada um ouve diversos gêneros musicais, que acabam sendo utilizados como referências musicais aqui e ali. Sem contar que também nos inspiramos em outros tipos de manifestações artísticas e culturais, como cinema, literatura, filme e artes visuais.” Levando o som para diferentes cidades do país, a banda já tocou em São Paulo e interior, Goiânia, Blumenau, Florianópolis e uma pequena turnê pelo Rio Grande do Sul, onde tocaram em Porto Alegre, Canoas e Campo Bom. “No ano que vem vamos tocar pela primeira vez no Rio de Janeiro. Também estamos fazendo planos para uma primeira ida a Belo Horizonte. Ainda não marcamos nada no exterior, mas temos vontade, claro”, finaliza.


JOHN WAYNE Texto: Camila Grillo | Foto: Rafa Amaro | Info: johnwaynemusic.blogspot.com.br Atualmente, a banda está trabalhando na divulgação do primeiro álbum. “Lançado em Novembro de 2012, o Tempestade demonstra o amadurecimento e a evolução da banda adquiridos em quase dois anos de estrada. Fizemos o show de lançamento do álbum no Carioca Club, São Paulo, de forma independente. Cerca de 1.200 pessoas estavam presentes e prestigiaram um show histórico envolvendo somente bandas do cenário Underground”, conta Denis Dallago, baixista da banda. O próximo passo da banda é finalizar seu primeiro videoclipe, da música Lágrimas. “O clipe foi produzido pela MB Filmes e tem previsão de lançamento para Dezembro/Janeiro. Planejamos gravar um novo single para o primeiro semestre de 2014 e iniciar as composições para o novo álbum. Vamos continuar divulgando álbum “Tempestade” fazendo shows pelo país e um dos planos para 2014 é viabilizar uma turnê por alguns países da America do Sul”, diz o músico.

DEPOIS DO FIM Texto: Camila Grillo Info: depoisdofim.com

Com influências variadas que transitam entre Demi Lovato, Dance of Days, Millencolin e Rouge, a banda Depois do Fim lançou há pouco mais de um mês o clipe do novo single Idiota. “Todo o nosso planejamento e atenção estão voltados para ele. Continuamos fazendo a divulgação e trabalhando com essa música”, diz Jess Camacho, vocalista da banda. O grupo, formado por quatro mulheres e um homem, ainda não fez turnê pelo país, mas tem essa como uma de suas metas e objetivos. “Sonhamos com isso! Quem sabe não rola mais pra frente”. Para o futuro da banda os planos são: “Continuar tocando e espalhando nosso trabalho para o mundo todo. Fazer o que toda banda sonha, viver da música”.

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(tralhas)

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Quais são as suas tralhas favoritas? O que você gosta de colecionar? Separamos aqui algumas coisas que gostamos e que talvez você curta também.


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Lobo Sonora: loja.lobosonora.com Idealshop: idealshop.com.br Ivoor: ivoor.com.br Breaknecks: breaknecks.com.br Kanui: kanui.com.br Amo Muito: amomuito.com Takeout: takeoutrockshop.iluria.com Petit Bon Bon: flaviaribeiro1.wix.com/petitbonbon Vert Shoes: vert-shoes.com.br Loja Hole: Galeria do Rock, Rua 24 de Maio 62, Lojas 275/277, SP. Tel (11) 3337 1261


(capa) LUKA E THIAGO DEEJAY NA TRILHA SONORA DAS NOITES PAULISTANAS Texto: Camila Grillo Foto: Cristina Sininho Sá, Gregor S. e Antonio Carlos Brachenberg Livre de rótulos e adoradora de música. A “primeira dama do rock” inspira com seu bom humor, simpatia e a paixão pelo trabalho que corre nas veias.

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Em parceria com Thiago Deejay (34), Luciana Salomão (37), continua fazendo história. Com a volta da consagrada 89 FM, a rádio rock, a dupla vem conquistando cada vez mais espaço. Para Thiago, trabalhar com a Luka já é um sonho realizado. Já para a locutora o seu maior sonho é: “viver com os amigos sempre por perto, trampando feliz, falando muito sobre som e repetindo esse refrão num looping eterno (risos).” A paulistana, que adora a terra da garoa, aproveita as horas vagas para curtir o melhor da cidade. “Eu piro em SP, adoro isso aqui! Curto dar role com meus dogs, gosto de correr na Brás leme, dar role com o Thiago Deejay, que sempre tem algum lugar legal pra mostrar! São Paulo tem “de um tudo” (risos)”, explica.


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(capa) Inspirações da vovó

A paixão pela música começou quando ainda era pequena. Luka teve seu primeiro contato com grandes nomes através de sua avó. “Ela me ensinou a tocar órgão/ piano. A gente fazia uns sons estilo boogie-woogie, bepop e afins. Ela me ensinou a ouvir Memphis Slim, Charlie Parker, Big Joe Turner, Chuck Berry e com isso eu fui estudando a vida desses caras e descobrindo nomes relativamente atuais que se inspiraram em alguns desses nomes. Um desses caras, que eu descobri bem novinha, foi o Angus Young. Comecei a pirar em AC/DC. Depois disso, foi como se fosse uma vida antes de AC e depois de DC”.

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Desde a adolescência, muitas bandas fizeram e fazem parte da vida da moça. Entre elas estão: Suicidal Tendencies, Anthrax, Infectious Grooves, AC/DC, Faith No More, Motorhead, Pantera, entre outras. Com tantas referências, Luka sempre teve a música permeando sua vida. “Eu fui “decepcionista” de uma escola de música... Era para ser recepcionista né? Hehehe... Da Opus Music Mania! Mas antes disso, eu conseguia um troco vendendo pulseira na Praia Grande”, revela.

Após terminar o segundo grau, ela entrou no Senac para cursar locução. Assim se iniciou o processo como locutora de rádio. “Comecei quando a Kiss começou, logo quando abriu. O sinal não chegava direito em São Paulo ainda, no meio dos anos 90. Depois fui para Eldorado e em 98 entrei na 89FM a convite do Luiz Augusto, diretor da radio na época. Trampar na 89 era meu sonho”, evidencia. Voltando atualmente para a 89FM, Luka define a importância da rádio para as pessoas. “Significa a grande parte da minha vida e de quem sou (risos)! Na vida das outras pessoas, eu acho que tem uma “póta” importância, porque a rádio marcou e continua fazendo muita história na vida de muita gente! Faz parte do Lifestyle das pessoas que curtem rock’n’roll, novidades, clássicos, inclusões sociais, shows e todo pacote completo da rádio rock”, afirma. Um momento que marcou muito sua vida foi a recente volta da rádio. “Foi muito loko ligar pro Thiago e falar: maninho, chega aí que a gente vai fazer horário junto de novo! Foi uma adrenalina absurda! Quando o Junior ligou dizendo que a rádio ia voltar, eu tremi com as dez! Foi muito loko! Até hoje a bigorna parece que não caiu de vez na cabeça! É demais fazer horário com o Thiago e ter um chefe tão da hora e que ama rock como o Junior Camargo.”


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(capa) a paixão pelo microfone

Sem pensar em desistir da profissão, Luka demonstra o profundo amor pelo que faz. “Locutor é uma profissão. Agora, fazer locução com tesão, entrar no ar dando o seu máximo e deixando qualquer tipo de problema do lado de fora do estúdio, significa a maior realização possível. É a melhor coisa do meu mundo”.

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Durante a carreira, ela teve a oportunidade conhecer diversas bandas do cenário nacional e internacional. “Poutz, não sei nem te dizer o nome de todas que entrevistei, mas citando as que mais pirei... Foram... Iron Maiden, Bad Religion, Offspring, Phil Anselmo, do Pantera, com o Down, Public Enemy, Mano Brown, Pennywise, Green Day... Foram várias bandas! E das nacionais, praticamente todas”. Vivenciando diariamente o que rola no mundo musical, Luka diz que, para viver de música no Brasil as bandas precisam fazer um corre. “É hard o corre! Tem que fazer show, rachar bilheta, tocar em lugar com camarim com goteira, juntar público, se fuder bastante, agregar conhecimento, subir degrau por degrau. Não adianta querer pegar o elevador e já chegar querendo ser o fodão que toca na melhor casa e já entrar na programação da rádio! Tem que cativar o público, tem que fazer show! Tem que amar música, fazer pelo som, fazer com verdade! Se for bom o som, as pessoas vão curtir e a consequência vem. Espaço tem sim!”, afirma.


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AMIGA DE Fé e irmã camarada

Em um dia marcante, o telefone tocou. Do outro lado, era a Luciana trazendo as boas novas. “Inesquecível foi estar num sábado em casa e a Luka ligar falando: “amanhã a gente vai fazer Hora dos Perdidos na 89”, sendo que pra mim a rádio já estava na mão de uma igreja. Tipo sonho realizado”, revela Thiago Deejay. O locutor, que divide as madrugadas com Luka, ainda toca em casas noturnas com a parceira, levando um set list especial para as noites paulistanas. “A gente toca bastante em festas/eventos. Eu tenho esse apelido de DJ, antes de eu discotecar. Eu ia com camiseta de bandas/grupos de hardcore/hip-hop no colegial e o povo me chamava de “DJ”, e eu sempre gostei de fazer umas mixtapes, gravar umas sequências pros amigos ouvirem em fita K7. Esse apelido se arrastou do colegial pro cursinho, pra faculdade e um dia o DJ Focka me chamou pra discotecar na Torre do Dr. Zero. Cheguei lá, fiz um set de hip-hop, hardcore e alterna, e no dia seguinte ele me ligou e falou: vem semana que vem de novo; aí desandou. A Luka já fazia festas pela 89. Quando a gente começou a trampar juntos, a sintonia rolou e a gente inventou de tocar em dupla. O legal é que ela puxa um pouco pro pop, eu um pouco mais pro alternativo e isso dá um balanço legal nas festas. Atualmente fixo, a gente faz dois sábados por mês: a “Festa dos Perdidos” na Outs, que bomba de gente. As outras festas são esporádicas, mas quase todo fim de semana tem”.


(capa) música e as raízes

O primeiro contato de Thiago com a música começou dentro de casa. “Minha mãe sempre gostou de Raul Seixas, Roberto Carlos e meu pai de Jovem Guarda e Beatles. Depois, um pouco mais velho, eu ficava na bota dos meus tios e do meu irmão mais velho. Eles tinham uma turma lá na Vila Piauí, chamava-se Jacaranjos, o logo era um Jacaré com asas pitando um cigarro; eles ouviam muito rock nacional e eu tava sempre ali aprendendo com eles. Meu irmão também fazia umas luvas com fita dupla face e tachinhas e me vestia de punk, a raiz foi essa”, diz.

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Definindo-se como “Hardcore, ska, hip-hop = SK8 music eternamente”, o radialista formado teve muitas influencias. “Os estilos que fizeram parte da minha adolescência são os que fazem parte da minha vida até hoje, dizem que o que você ouve na adolescência é o que você vai ouvir pra vida toda, e eu nunca deixei de ouvir o que eu ouvia, que sempre foi hardcore, punk, metal, 80s, 90s, hip-hop; eu nunca abandonei o que eu gostava e vendi meus discos, ou mudei de estilo, eu só fui adicionando novos gostos à minha vida, faço isso até hoje. As bandas que eu mais ouvia eram Legião Urbana, Sick Of It All, Dead Kennedys, Offspring, Green Day, Toy Dolls, Racionais MCs, Public Enemy, Beastie Boys, Minor Threat, Metallica, Sepultura, Pantera, Slayer, Helmet, Ratos de Porão, Devo, Titãs, DZK, Raimundos, Planet Hemp, Chico Science & Nação Zumbi, Pennywise, NOFX, Bad Religion, Misfits, Maguerbes, Pixies, Sonic Youth, Weezer...” Antes de trabalhar na 89, além de fazer uma rádio comunitária na cidade de Osasco, Thiago teve outros trabalhos. “De trabalho eu já fiz de tudo: empacotador, office boy, auxiliar de escritório, professor de informática, assessoria de imprensa, produção em gravadora, shows e eventos. Recentemente eu fiz a direção musical do programa “Batalha de DJs” no Multishow, que foi muito gratificante”.


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vida de locutor

Comprometimento e paixão fazem de Thiago um cara que gosta muito do que faz. “Eu nem sei se eu sou locutor, eu sou um cara que gosta de música, e tem o prazer de trabalhar com isso epoder fazer no ar o que eu faço na porta de um show, discutir, informar e é claro tirar sarro dos meus gostos e dos gostos alheios, isso não tem preço”, ressalta.

(Dogtown) e o Greg Hetson (Bad Religion / Circle Jerks) quando eles vieram pro Brasil com o General Fucking Principle. Pena que o Crazy Tom (DFL) não veio junto. Ele é o vocal da banda e eu piro em DFL, aqueles hardcores sujos de muleque apanhando, escola Beastie Boys.”

Mesmo no tempo em que não estava na rádio, Thiago nunca pensou em deixar a profissão de lado. “Sem a 89, não tinha Além de entrevistar grandes nomes da rádio pra mim, porque aqui eu falo do que música, o locutor possui alguns gran- eu gosto, eu vivo isso aqui, eu tô em show des amigos. “Proximidade mesmo eu toda hora, estou ouvindo bandas novas, tenho com o CPM 22, principalmente discos, redescobrindo umas velharias. com o Badauí que é meu amigo desde Abandonar nunca, mas fui fazendo outras antes da rádio, desde antes da banda coisas, sempre relacionadas à música, estourar, e o cara é sempre a mesma nesse meio tempo.” coisa, humildade total. Também tem os Tihuanas que são muito fodas; Diante de um mercado com muitas possimas também teve uma pá de gente bilidades, Thiago diz que até tem espaços que quando eu sai da rádio, sumiu, para locutores. “Mas pra quem curte esse tipo eu não era mais ninguém, puro lifestyle do rock, é pequeno. Eu acho que interesse, mas esses não valem a pena ainda faltam uns programas de TV fodas citar nomes, deixa no ostracismo. O direcionados pra esse público, com quem legal é falar dos bons, dos verdadeientende do assunto e não com um monte ros “Gente-Fina”. Entrevistas legais, de modelo e jornalista que não vive o rolou uma esse ano com o Tony Alva rock, falando sobre o estilo.”

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momentos marcantes

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Para Thiago, a profissão de locutor representa muito para sua vida. “Minha história se mistura com a história da rádio, eu ouvia a rádio, eu comecei atendendo telefone, já fiz de um tudo aqui dentro, e com essa volta, graças a Luka e ao Junior, eu fui chamado de volta e minha vida mudou completamente. Pra quem curte rock, é o porto seguro do cara, é onde ele vai escutar os clássicos, as novidades, informações, saber sobre os shows, ele pode até usar a internet, ver na TV, mas o rádio vai ser sempre aquela primeira namoradinha, aquela foda inesquecível.” Entre os shows que marcaram a vida do locutor, está o Beastie Boys no Olympia, nos anos 90, tour do Ill Communication. “Eu ia viajar com a minha tia, fui na rodoviária, vendi minha passagem e a dela e comprei o ingresso pro show, fui sozinho, foi um puta show!” Nas horas vagas, ele aproveita para curtir São Paulo e andar de bike no Parque Toronto, localizado perto de sua casa, em Pirituba. “Acho que fora da música é só isso, porque nem no cinema eu vou muito, de resto é show, balada, festa na casa dos amigos, e é claro minha família, sempre que dá eu tô com eles, são a minha raiz.” Um momento que marcou bastante a vida de Thiago foi apresentar o show do Pennywise e do Bad Religion no aniversário da 89. “Foi demais, apresentei e desci pro Pogo.”


yin e yang

Enquanto Luka ouve Skindred, adora ler livros como “Reino Sangrento do Slayer, Guerreiros do Palco do Rage Against The Machine, Entrei na Feira da Fruta do Bááátima, O Lado Bom da Vida e agora o Música, ídolos e Poder do André Midani”, Thiago está ouvindo o acústico do CPM. “Esse ouço todo dia, o true North do Bad Religion foi o disco que eu mais ouvi esse ano, Hello Nasty dos Beastie Boys, o último do Maguerbes que saiu em vinil, o novo da M.I.A., Off!, Matanza e umas velharias, Nevermind do Nirvana, Kill ‘Em All do Metallica, Chaos A.D. do Sepultura, o primeiro do Sick Of It All e sempre Racionais MCs e Tim Maia. Eu Leio a Bíblia, quase todo dia, pelo menos um capítulo; acabei de ler o “Meu Nome Não é Johnny”, Li o livro do Slayer da edições Ideal, o do Rage Against The Machine que também é deles; além de muita HQ, acabei de ler uma Graphic com as primeiras histórias do Monstro do Pântano e tô lendo o Kick-Ass 2.” A melhor definição para a trilha sonora da vida de Thiago seria: “Os méééééééstres Sick Of It All. É a banda que eu mais gosto, o primeiro disco deles é o clássico máximo do hardcore mundial.” Enquanto isso, a da vida de Luka resume-se em algumas grandes bandas. “Ouço MUUUITO Skindred, AC/DC, Minor Threat, Buddy Holly, Wilson Pickett, e atualmente tenho pirado muito no projeto de The Grunge Revenge do Xan Rojas e no One Day As A Lion, do Zack de La Rocha.” A inspiração das pistas para Luka vem desde rock 80, 90 até os atuais. Para Thiago, o ska, música jamaicana em geral e o rock, fazem parte do repertório. “Gosto de tocar anos 90, grunge, guitar, rock alternativo, hardcore, punk, alterna, electro-rock, depende muito da pista e do público”, finaliza.


(wallpaper) Paulo Rocker Texto: Camila Grillo Info: behance.net/paulorocker


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Formado em desenho industrial pela Universidade de Brasilia - UnB, Paulo Rocker (32), já fez de tudo. “Comecei “profissionalmente” desenhando numa loja de tatuagem e fazendo desenho para os amigos. Trabalho muito com publicidade. Então faço muita coisa em estilos diversos, de mascotes à storyboard, ilustração para revista e identidade visual. Já fiz muita coisa legal para clientes bem legais e muita merda também...”, diz. O trabalho do artista também se estende à criação de estampas para a marca de camisas TooFast, de Nova Jersey. “Trabalho com eles já faz bastante tempo e é sempre legal. Faço muita estampa para camiseta, tanto de bandas quanto para lojas mesmo.”, explica e ainda destaca: “Faço muita arte para CD também, acho que as bandas têm sido meus maiores clientes nos últimos tempos. Não os que pagam mais (risos), longe disso, mas com certeza os melhores trabalhos e os mais divertidos. Já trabalhei com NxZero, Gloria, Blind Pigs, Autoramas, Soulstripper, Carbona etc...” Sem se acostumar com o processo 100% digital, Paulo gosta de desenhar com lápis. “Acho que nada substitui o ato de rabiscar um papel. Desenho com lápis, passo o nanquim e escaneio. Aí sim vou para o photoshop. Finalizo a grande maioria dos desenhos no photoshop mesmo.” Entre as inspirações do desenhista estão os filmes e músicas. “A grande maioria dos meus desenhos é relacionado a música. Vejo muita foto também, até porque uso muita referência. Apesar de ver muita ilustração, sempre termino meio frustrado quando vejo uma galera muito boa... Dá até uma tristeza. Acho que me inspiro mais por foto do que por ilustração”.


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(resenhas) anzol O Preço Do Mefisto

Após uma década morando em São Paulo, Fábio Sonrisal (Street Bulldogs, Hateen, Aditive) volta a sua terra natal Pindamonhagaba para se estabelecer e montar seu estúdio. Lá resolve retomar um antigo projeto com os velhos amigos, Cássio (ex-Zumbis do Espaço, Present Day) Tennysson e o Gordinho, que também tocou por muito tempo nos Bulldogs. Entre um ensaio e outro, eles acabaram fazendo diversos shows de tributo ao Ramones e Beatles e algumas músicas próprias, que culminou no nascimento do Anzol. O resultado é O Preço Do Mefisto, ep com cinco músicas, lançado em vinil 7” e CD. O som? É punkrock n’ roll como eles próprios definem, com influências que vão do Ramones ao Hellacopters com pitadas de Social Distortion e Screeching Weasel, não esquecendo o Kiss, banda do coração de Sonrisal. Helio Suzuki

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Eles percorreram alguns (muitos) quilômetros, encontraram a felicidade instantânea, passaram por um longo inverno, recomeçaram e agora reapresentam aos seus fãs boa parte da carreira da banda numa roupagem acústica. Ao lado de Daniel Ganjaman, Phil (ex Dead Fish) e Dinho Ouro Preto, entre outras participações especiais, o CPM mostrou um repertório de 22 canções desplugadas, entre elas as clássicas Não Sei Viver Sem Ter Você, Desconfio, Irreversível, Tarde De Outubro, O Mundo Dá Voltas, Um Minuto Para O Fim Do Mundo e Regina Let’s Go, além de 4 faixas inéditas para este projeto. Acústico retrata de uma maneira interessante e fiel a trajetória de um dos grupos que abriu as portas do rock independente para o mercado popular. Antonio Augusto

ímola Raiva E Retorno

Ao escutar Raiva e Retorno, do Ímola, é impossível ficar desanimado! Os instrumentos encaixam perfeitamente na música, montando um som que, somado com o vocal rápido e gritado e com letras maduras, forma uma sonoridade que com certeza agradará a maioria dos fãs do hardcore old school. Lembra os clássicos de Good Riddance e as mais rápidas do Rise Against. Ímola com certeza representa muito bem essa nova leva das bandas paulistanas do underground! Artur Torres


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seek terror Ódio E Resistência

O Sick Terror começou como um projeto despretensioso de Nenê Altro em 1999 e logo tomou grandes proporções. Gravaram inúmeros compactos, um LP, fizeram duas turnês pelos squats punk europeu e excursionaram pelo Brasil com os finlandeses do Riistetyt, mas Nenê acabou deixando a banda em 2004. Em 2013, após um show de reunião, a banda resolve voltar à ativa sob o nome de Seek Terror (pois um antigo membro registrou o nome original) e gravam o disco Ódio e Resistência. A essência continua a mesma, hardcore punk sem firulas, letras ácidas berradas por Nenê, acompanhado de baterias cadenciadas e guitarras que irão rasgar seus ouvidos como uma serra-elétrica. O disco remete aos anos 80, lembrando começo dos Inocentes e o punk inglês do GBH, Exploited e Discharge. Helio Suzuzi

segundo inverno As Coisas Que Movem O Mundo

Lançado em 2012, este é o primeiro disco cheio da banda de rock gótico/post-punk paulistana Segundo Inverno, que havia colocado na estrada até então dois EPs (2009 e 2010). O disco conta com 13 faixas que seguem a risca o padrão do estilo, ou seja, bateria eletrônica e vocais soturnos! As músicas, cantadas em português, abordam, na maior parte do tempo temas sociais e políticos, o que os diferencia de outras bandas clássicas do estilo! Os destaques ficam por conta das faixas Entre Em Pânico, Planalto e Viver e Morrer, que apresentam boas letras e boas estruturas melódicas! Apesar do gênero ser característico da Europa, o Segundo Inverno aparenta e soa bem brasileiro, bem anos 80. Acredito que agrade muito fãs de The Strangways, Zigurate ou até mesmo Xmal Deutschland. Alexandre M.

The Sluggs Sound That Kills

O álbum Sound That Kills, da banda The Sluggs, traz 13 músicas de punk rock bubblegum com influências do rock-a-billie e de várias bandas clássicas do punk mundial. Algumas dessas músicas me lembraram os clássicos do Holly Tree e dos Ramones. O vocal é dividido entre Artur Palma, Fernanda e Raphael Domeniche, fazendo com que as faixas não fiquem repetitivas e deixando o álbum mais leve! Vale a pena apontar que o baterista é o veterano Guilherme Camargo, da extinta banda Street Bulldogs, fazendo com que a bateria seja de alta qualidade! Artur Torres Envie seu material para a redação contato@curtocircuito.art.br

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2. Info: hohnierecords.de

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1. Em 1995 recebi uma carta do selo punk alemão Nasty Vinyl, que tinha Andreas Höhn, vulgo Höhnie, vocalista e guitarrista do Rasta Knast, como um dos sócios. Eles tinham escutado a fita demo “Sweet Fury” do Blind Pigs e gostariam de lançar um disco nosso, mas com uma condição: que mudássemos o nome da banda para São Paulo Chaos. Desnecessário dizer que isso acabou não acontecendo. No entanto, conseguimos um ótimo nome para nosso primeiro disco! Quando o Rasta Knast aportou no Brasil alguns anos depois pela primeira vez, dividimos o palco com eles no Hangar 110 e tive o prazer de conhecer o Höhnie pessoalmente. Entre uma cerveja e outra, combinamos de lançar um disco do Blind Pigs pelo seu novo selo, o Höhnie Records. Eis que nasce o primeiro registro da banda em vinil, “Süsse Wut”1 , lançado em 2001. Os dois primeiros (e melhores) LPs do Rasta Knast “Legal Kriminal”2 e “Die Katze Beisst in Draht” também foram lançados pela Höhnie Records no final dos anos 90, assim como a bela compilação “Rock Mot Svinen” 3 , em vinil amarelo, de uma das minhas bandas favoritas, os suecos do Asta Kask. Mais de dez anos e cem lançamentos depois, o selo continua firme e forte, relançando tesouros perdidos do punk rock alemão dos anos 80. Um belo exemplo é o LP de estreia da Notdurft, lançado em 1982. Punk melódico, com vocais masculinos e femininos. Outro relançamento da época é o LP homônimo da banda HC punk Brutal Verschimmelt 4, originalmente lançado em 1983 pelo infame selo Rock-O-Rama, um ataque sonoro aos ouvidos com alguns refrãos cantados em inglês e as estrofes em alemão! O split-LP de estreia da banda austríaca EXTREM alcança hoje uma pequena fortuna no círculo de colecionadores de vinil, mas Höhnie, um historiador do punk europeu, lançou o LP duplo “Jetzt Oder Nie” com tudo que os caras gravaram nos anos 80, uma verdadeira aula de punk rock anos 80 - nervoso, tosco e direto. E falando em história do punk, o selo relançou o clássico EP “Maailma Palaa Ja Kuolee” de 1982 dos finlandeses Bastards, uma porrada na orelha e uma essencial joia do HC europeu.


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Mas Andreas Höhn não vive só do passado, então vamos aos lançamentos das novas bandas do selo. O LP “Freiheit! Gleichheit! Brüderlichkeit!” da banda anarco punk Namenlos se destaca pelos vocais femininos e masculinos e por ser uma banda extremamente politizada. O disco ainda vem com um livreto sobre as revoluções que mudaram a Europa. A banda Hausvabot com o LP “Welches Leben?” destrói tudo no seu caminho com um punk hardcore extremamente bem tocado e com vocais urgentes. Música para dar mosh. O LP “1984” dos veteranos punks finlandeses Vivisektio honra o título. Lançado em parceria com o selo brasileiro Bucho Discos de Santo André, traz a sonoridade raivosa e agressiva do hardcore Finlandês dos anos 80, apesar de ter sido gravado em 2010. Os alemães Ugly Hurons tocam um ska punk em inglês e alemão no LP “Flux Kompensiert”, que faz referência à trilogia De Volta ao Futuro tanto no nome do disco, Capacitor de Fluxo, como na arte da capa. O melhor desse pacote foi o LP “Tik Tak” 5 da banda Apurtu do País Basco. Punk rock de primeira cantado com uma sonoridade diferente e agradável de ouvir. Gosto de escutar as bandas cantarem em sua própria língua, e o encarte vêm também com as letras traduzidas para o espanhol, então fica fácil de entender. Höhnie sempre esteve envolvido em várias bandas: Rasta Knast, Legal Kriminal, Bratbeaters, Psychisch Instabil e algumas outras. Agora lança seu novo projeto, Perro Caliente 6 , em conjunto com o vocalista e guitarrista da Apurtu. O disco de estreia é um lindo compacto rosa com quatro petardos punks cantados em espanhol, alemão e na língua do País Basco! Um ótimo sete polegadas. E parece que podemos esperar mais do Perro Caliente ainda este ano! É isso aí, Höhnie Records preserva o passado punk alemão com seus relançamentos e aposta no futuro com bandas novas! Vida longa ao selo! Henrike Blind Pigs

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geração

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“Done is better than perfect” (Feito é melhor que perfeito) e “Do it yourself” (Faça você mesmo). Duas frases que você já deve estar cansado de ouvir daquele seu amigo que acabou de largar um ótimo emprego e um belo salário pra ir fazer o que realmente gosta, não foi? E não, eu não te conheço e nem sou vidente. A verdade é que hoje em dia, quase todo mundo tem um amigo desses. Ainda bem. Isso me dá esperança pra dizer que esta pode ser uma das gerações mais produtivas e criativas que o Brasil já teve. Eu sei que pode parecer exagero, mas é a primeira vez que vejo todo mundo correndo atrás. “Chega de sonhar vamos viver!” – grita o bêbado no bar. Esse espirito está por toda a parte. Já reparou a quantidade de pessoas indo atrás dos próprios sonhos? Ninguém mais quer seguir fórmulas de sucesso. É só fazer o que gosta e pronto. Elas estão abrindo as próprias minúsculas empresas, os próprios mini-restaurantes, movimentos culturais, coletivos de arte e até esta revista gratuita é um exemplo. Isso sem falar nas manifestações nas ruas, que estavam muito longe de serem perfeitas, mas e daí? Todo mundo estava lá, fazendo e correndo atrás do que acham certo. Eu realmente acredito que as duas frases que começam este texto guiam a juventude de hoje do Brasil e não estão em inglês por acaso. Elas estão assim para nos lembrar que estas mesmas frases, no começo dos anos 70, guiaram jovens americanos e britânicos a criarem um estilo musical que faz parte da vida de todos nós: o punk rock. Para os Ramones, perfeito era o som dos Beatles. Os garotos do Queens se juntaram para tentar tocar as músicas dos garotos de Liverpool, mas antes mesmo do primeiro ensaio terminar eles perceberam

que não iam conseguir. Mas ao invés de desistir, eles foram lá e fizeram do jeito deles. Criaram aquele rock ‘n’ roll minimalista e repetitivo, inconfundível. Já na Inglaterra, os Sex Pistols e o The Clash não queriam imitar seus compatriotas, eles queriam soltar os gritos contra a rainha e toda a recessão que tomava conta da ilha naqueles tempos. Dizem que o Sid Vicious nem baixo sabia tocar. Isso não era importante. Atitude era o que aqueles tempos pediam. Eles foram lá e cantaram o que todo mundo tinha vontade de falar. Em seu álbum de estreia, ao invés dos Ramones gravarem “ I saw her stading there” em busca do sucesso dos Beatles, eles gravaram o cover de “Let’s dance”. As duas músicas falam de garotas na pista de dança, mas me desculpem os beatlesmaníacos de plantão, pra mim essa é mais uma prova de que feito é melhor que perfeito. “Let’s dance” é foda! É por isso que sempre que alguém me pergunta se deve largar o ótimo salário atrás de um sonho, ou se deve ir pras ruas protestar, ou se deve fazer um blog só pras pessoas rirem, ou virar chef de cozinha ao invés de chefe de departamento, ou ainda fazer filmes ao invés de propaganda, a minha única resposta é: Hey! Ho! Let’s go! Bruno Barbieri, redator


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RINGUE E AMORES BAIXO AUGUSTA O mundo do entretenimento está morno. Enquanto faltam shows acessíveis ou casas que se preocupem com o bem estar do público, nós, meros mortais, assistimos ao The Voice. Sim, estou completamente alucinada pelo programa. Assisto as versões holandesa, brasileira e americana. Já virei a maior fan do Cee Lo Green e minha candidata favorita foi eliminada, a doce Caroline. Já no brasileiro, tô “garrando” um amor pelo Lulu Santos. Toda aquela bizarrice, misturada ao ídolo da minha infância e adolescência. E também, pelo prazer bizarro de ver a Maria Gadú humilhar Claudinha “Milk” com seus comentários brilhantes perante a um belo par de pernas cantantes. Toda quinta-feira, eu e meu marido fazemos questão: sentamos e assistimos ao programa. Avaliamos, conversamos, analisamos. Afinal, porque dois agentes culturais fazem isso? Simplesmente porque nosso mercado se tornou um grande esgoto. Nesta retrospectiva, deixamos para trás uma MTV, dois ídolos de uma banda pop rock santista, o assassinato do movimento “straight edge” através de um grupinho montado pelo whats app. Também deixamos para trás festivais incríveis (e sem sucesso), simplesmente porque este mercado está se perdendo em caminhos sem volta: Wros e Xtreme Noise. Também

neste ano de 2013, quero enterrar pseudo produtores que passam por cima de amigos inocentes que querem simplesmente tocar rock. Também quero exorcizar empresários musicais de fundo de quintal. Mas também, exalto ao Beco 203. Obrigada por trazer um pouco dessa união gaúcha para essa terra de ninguém e de todos chamada São Paulo. E também agradeço a HBB, por se tornar a minha família e para mim o selo do ano. Agradeço ao bar mais divertido do Baixo Augusta chamado Hotel Tees, onde ouve-se música boa, bebe-se bem e ainda podemos comprar camisetas dos Smiths para rememorar ao Madame dos melhores tempos. Também cito a volta do Madame, como um grande resgate do coração gótico de uma turma hoje indie. O ano acabou tarde. Um ano péssimo para trabalho: poucos “jobs”, poucos shows, um projeto aprovado em rouanet engavetado por falta de captação (e que realizaria o sonho de trazer Pharrell Williams pra um grande espetáculo). Uma virada cultural um pouco perdida, onde ali, vi caminhar em direção opostas: gênios, programadores, diretores de palco e o Poder Público. Por isso, aguardo batalhas no ringue do The Voice Brasil. Afinal, é o que me resta, enquanto não perco a esperança. Sim, existe cultura em SP. E muito amor também. Venha Arcade Fire, por favor! Feliz 2014. Mariana Perin, produtora

E aí, curtiu? Manda seu comentário pra contato@curtocircuito.art.br

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(5 destaques) Tem a intenção de apostar “5 DESTAQUES” que passaram pela redação da revista e que chamaram a nossa atenção! Não é uma lista e nem um ranking! Simplesmente vamos mencionar destaques do cenário nacional, sem dar muita importância para ano de lançamento ou estilo! Nesta edição escolhemos 5 capas de discos, que realmente merecem nossos aplausos! Alexandre M.

CURUMIN

Arrocha (Rodrigo Bueno) Rodrigo Bueno é artista gráfico e está a frente do Ateliê Mata Adentro. Sua forma de trabalho inclui fotos, pintura e materiais recicláveis!

Devotos

Póstumos (Neilton Carvalho) Neilton é guitarrista do Devotos é artista plástico e também proprietário da Altovolts, empresa voltada para construção de amplificadores valvulados e pedais!

Carbona

Panamá (Daniel Ete) Daniel Ete é famoso por seu estilo de desenhar, que sempre está relacionado a zumbis ou caveiras! Toca baixo no Muzzarelas, clássica banda punk do Brasil.

Brothers of brazil

Come On Over (Vinny Campos) Vinny Campos sempre acompanha o Brothers Of Brazil de perto! Tem seu estilo marcado por montagens fotográficas, sempre com muita personalidade. É sócio na agência Studio Lhama.

blind Pigs

Capitânia (Paulo Rocker) Paulo Rocker, além de artista gráfico e ilustrador, é baixista da banda punk rock Gramofocas, de Brasília. Para saber tudo sobre o artista leia a sessão Wallpaper desta edição!



Curto Circuito #7