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Colégio Brasileiro de Medicina e Saúde Outubro de 2017 Ano I Edição II


Editorial Saudações científicas a todos. E como costumo dizer aos meus colegas de especialidade, SAUDAÇÕES DERMATOLÓGICAS. É com a sensação de estarmos no caminho certo que venho anunciar mais uma cria do Colégio Brasileiro de Medicina e Saúde - CBMS, o segundo volume da Revista CBMS Paper, um instrumento de academicismo, uma peça que trará expansão aos projetos de disseminação do conhecimento assumidos pelo Colégio. Desta vez com o cumprimento de uma promessa, que passamos a chamar ECOS DE CONGRESSOS, concretizada no momento em que podemos PUBLICAR os artigos e trabalhos produzidos para apresentações orais em eventos dos quais participamos. É com essa essência, do comprometimento acadêmico, que desejamos desenvolver CBMS Paper, oferecendo espaço à divulgação, ao planejamento e iniciação científica de profissionais de saúde que tenham por intenção a contribuição ao desenvolvimento da saúde. A Revista CBMS Paper é, e será, fruto da persistência e entusiasmo de um grupo de professores, empresários, coordenadores e trabalhadores da saúde. Pessoas interessadas na amplificação das oportunidades em um mundo cada vez mais multidisciplinar e intuitivo, onde a divulgação de conteúdos é uma dádiva, não menos que um dever, um direito. Esperamos que nossos alunos e colaboradores, bem como a comunidade científica, possam aproveitar em plenitude, não apenas com participação, mas com contribuição para o constante aperfeiçoamento. Thiago Gondim Dermatologista Mestre em Patologia – UFPE Doutorando em Medicina Tropical - UFPE

Conselho Editorial Dieggo Morgan Silva Nascimento Maria Lenyssa Cavalcanti Nunes Tháleia Gomes de Figueiredo Gondim Thiago Gomes de Figueiredo Gondim Veridiana Gomes de Figueiredo Gondim

cbms.com.br

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Indice Ação social em dermatologia: em busca do triple aim

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Ações sociais contra Hanseníase: ferramenta de ensino e colaboração social

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Aplicativo para telefones como instrumento de facilitação acadêmica e profissional

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Ceratose actínica: uma revisão bibliográfica crítico-reflexiva

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Fasciíte necrosante: Importância do diagnóstico precoce das opções de tratamento

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Feohifomicoses: infecções fúngicas oportunistas

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Piomiosite: revisão bibliográfica

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Reflexão sobre a criocirurgia como opção terapêutica no tratamento do corno cutâneo.

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Ação social em dermatologia: em busca do triple aim

Ingrid Ramalho Leite1 Thiago Gomes de Fiqueiredo Gondim²

1. PÓS GRADUANDA EM DERMATOLOGIA CLÍNICA E CIRÚRGICA CMBS / ESPECIALISTA EM QUALIDADE EM SAÚDE E SEGURANÇA DO PACIENTE - FIOCRUZ 2. MESTRE EM PATOLOGIA – UFPE / COORDENADOR DA PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM DERMATOLOGIA CBMS

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RESUMO

confiável); melhorar a saúde de uma população (alcançando comunidades e organizações, enfocando a prevenção e o bem-estar) e diminuir custos. (BISOGNANO; KENNEY, 2015). De acordo com Stiefel e Nolan (2012), o Triple Aim tem o propósito fundamental de incentivar novos sistemas de saúde a contribuirem para a saúde geral das populações, reduzindo os custos. Embora seja uma nova estrutura para um número crescente de organizações de assistência médica, o Triple Aim não é uma ideia nova. A primeira exposição pública sobre o tema foi em 2007, através de uma apresentação do IHI National Forum pelo Dr Donald Berwick, CEO do Intitute for Healthcare Improvement (IHI), em que destacou a importância do Triple Aim na atenção em saúde. A partir dai, cresce o reconhecimento de perseguir o Triple Aim não apenas como uma questão de aprimoramento de assistência médica, mas também como uma plausível estratégia administrativa, além de ser essencial para a estabilidade da economia nacional (BISOGNANO; KENNEY, 2015). Dessa forma, a assistência em saúde e mais especificamente a prática médica vem passando por profundas mudanças, no campo econômico, social e ético. Alternativas que priorizem a humanização na atenção médica têm repercutido de forma positiva na qualidade do atendimento médico prestado (AUGUSTO et al., 2007). A solidariedade e a sensibilidade são atributos es¬senciais para o médico, melhorando as relações com os pacientes (ORSINNI et al., 2013). Dessa forma, nos últimos anos, vem desenvolvendo uma grande área de reflexão e pensamento denominada “humanidades médicas”. A realidade social e a experiência individual são incorporadas às humanidades médicas, as quais permitem desenvolver uma nova compreensão da vivência e do sofrimento da pessoa. As ações sociais são reflexos da disseminação das humanidades médicas e estão inseridas nesta prática (AUGUSTO et al., 2007). De acordo com Orsinni et al. (2013), esse modo de ação possibilita despertar a solidariedade e a sensibilidade. Falar em melhoria da assistência em saúde acoplada ao baixo custo é falar em inovação. A prática das ações sociais une todos os aspectos necessários para o atendimento médico com qualidade, uma vez que beneficia o paciente carente, promove aos médicos o aperfeiçoamento do aprendizado, proporciona a sensação de plenitude quanto profissionais médicos bem como seres humanos; além de implicar em redução de gastos ao SUS, uma vez que as ações não vislumbram o lucro. Baseando-se nas lacunas existentes na saúde do Brasil, incluindo a dificuldade ao acesso a médicos especialistas, e mais especificamente ao acesso aos dermatologistas, as ações sociais em saúde constituem medidas inovadoras e promissoras que unem os objetivos propostos pelo Triple Aim.

A história da saúde brasileira se configura entre períodos de dificuldades e períodos de conquistas. Os percalços com os quais os brasileiros sofrem quando se deparam com a necessidade de se usar o Sistema Único de Saúde (SUS) são incontáveis. Atualmente vive-se uma crise econômica mundial e consequentemente no Brasil em todos os setores da sociedade, e principalmente na área da saúde. Com os investimentos em recursos materiais e humanos para a saúde cada vez mais restritos, aumenta ainda mais a dificuldade do acesso à assistência médica adequada pelo SUS e, principalmente, do acesso à consultas médicas de especialistas, como, no caso em questão, médicos dermatologistas. A ação social trata-se de uma medida alternativa a problemática existente na saúde brasileira atual, mais especificamente na área da dermatologia e visa prestar um atendimento baseado na metodologia do triple aim: atendimento médico com qualidade, humanização e baixo custo. Dessa forma, o Colégio Brasileiro de Medicina e Saúde (CBMS), através da pós-graduação lato sensu em dermatologia tem focado parte das suas atividades acadêmicas em ações sociais, o que beneficia o aprendizado dos médicos pós-graduandos duplamente, tanto no aspecto acadêmico, quanto no aspecto social. Palavras chaves: Dermatologia. Ação Social. Triple Aim. INTRODUÇÃO Considerado um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo, o Sistema Único de Saúde (SUS) é descrito pelo Ministério da Saúde na cartilha Entendendo o SUS como "um sistema ímpar no mundo, que garante acesso integral, universal e igualitário à população brasileira, do simples atendimento ambulatorial aos transplantes de órgãos”. Instituído pela Constituição Federal de 1988 (artigo 196) e regulado pela lei 8.080/1990, o SUS tornou efetivo o mandamento constitucional do direito à saúde como um “direito de todos” e “dever do Estado” (BRASIL, 1990). O SUS está definido como o “conjunto de ações e serviços de saúde, prestados por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais da administração direta e indireta e das fundações mantidas pelo Poder Público”, assim como está definido no artigo 4º da Lei 8.080. A integralidade, a universalidade, a equidade, a descentralização, privilegiando a municipalização das ações e a participação social são os princípios fundamentais que regem o SUS. Seu financiamento é feito na sua totalidade através dos impostos e contribuições sociais (PAIM et al., 2011). O aumento cada vez mais crescente das demandas da saúde tem levado a um crescimento assustador do orçamento associado a equipamentos médicos e insumos, tanto em nível nacional como mundial. Os dispêndios com saúde tem sido objeto de preocupação em quase todos os países (OPAS, 2007). As atenções em saúde estão cada vez mais voltadas para a eficiência, efetividade e equidade nos gastos, uma vez que os maiores níveis de dispêndio são condições insuficientes para alcançar melhores condições de saúde, tal essa realidade ocorre em países desenvolvidos e em desenvolvimento (HSIAO, 2007). Nos países mais pobres, por sua vez, é premente a necessidade de estender o acesso aos serviços de saúde, de forma igualitária, a toda população, de melhorar a qualidade do atendimento e de buscar formas de suprir o financiamento setorial em concorrência com outras exigências de desenvolvimento social e econômico (PIOLA et. al., 2008). Em virtude do alto custo da saúde, nos Estados Unidos, medidas alternativas e inovadoras com foco nas ideias, visão e ação têm sido utilizadas. Tais medidas têm contribuído de forma positiva no encontro de soluções para as fragilidades da assistência médica e tem como metodologia a ideia do Triple Aim (STIEFEL; NOLAN, 2012). A ideia fundamental do Triple Aim é otimizar os três objetivos primordiais na saúde: melhorar a experiência da assistência (prestar uma assistência que seja efetiva, segura e

METODOLOGIA Trata-se de um estudo descritivo que relata a ação social praticada por um grupo de médicos pós-graduandos em dermatologia pelo Colégio Brasileiro de Medicina e Saúde (CBMS). As ações sociais deram início em 2011 e tem como missão ofertar atendimento médico a população carente. A princípio, a ação iniciou em um programa chamado Ação Social Contra o Câncer de Pele e a Hanseníase, que conta com médicos em processo de especialização e profissionais em função de preceptoria. Os atendimentos médicos são realizados mensalmente em ações voltadas para atendimento médico em dermatologia clínica e cirúrgica. As ações ocorrem através da parceria entre o CMBS e as prefeituras dos diversos municípios do estado de Pernambuco, sem fins lucrativos. O grupo é composto por uma equipe multidisciplinar composta por 25 médicos sendo 3 médicos preceptores e os demais médicos pós-graduandos, 1 farmacêutico, 2 enfermeiras, 5 técnicas de enfermagem, 1 psicólogo e 1 secretário administrativo. O número

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de profissionais em enfermagem é variável e fica a critério da disponibilidade de cada município. O local de atuação se dá nos municípios de origem dos próprios pacientes e ocorre através do deslocamento da equipe multidisciplinar por transporte terrestre como ônibus e vans. Os atendimentos são feitos em repartições públicas de saúde do próprio município, como hospitais ou policlínicas. As salas de atendimentos e procedimentos são organizadas previamente e de acordo com as normas existentes. Os materiais utilizados são fornecidos pela prefeitura de cada município bem como o transporte para deslocamento da equipe. A utilização dos materiais é baseada na otimização do material e de acordo com as normas estipuladas pela ANVISA, evitando o desperdício. As ações do grupo seguem um organograma que vai desde a preparação do médico pós graduando em sala de aula, onde há a exposição de todos os procedimentos a serem realizados até aulas práticas. A partir dai as ações são inicialmente voltadas ao atendimento em dermatologia clínica e os casos cirúrgicos são encaminhados para as ações sociais em dermatologia cirúrgica. Para fomentar o presente estudo, foi realizada uma revisão bibliográfica construída através do levantamento de dados encontrados na literatura já existente. Foram realizadas pesquisas bibliográficas durante os meses de setembro e outubro de 2015 por meio das bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), Scientific Electronic Library Online (SCIELO) e National Center for Biotechnology Information (PUBMED), onde foram consultados artigos originais e de revisão sobre o tema.

patologias cirúrgicas, no próprio município da origem do paciente. Os casos de cirurgia que necessitem de maior suporte são também encaminhados para a Clínica em Dermatologia em Recife. As ações sociais realizadas através dos mutirões ocorreram nas seguintes cidades do estado de Pernambuco: Recife (Clínica Gondim), Belo Jardim, Glória d7e Goitá, Abreu e Lima, Amaraji, Goiana, Limoeiro, Passira, Glória de Goitá e Vitória de Santo Antão. Desde de 2011 até o presente momento totalizam 7.000 atendimentos clínicos e 1.600 procedimentos cirúrgicos dermatológicos. Além do contexto social, as ações sociais em questão são conduzidas concomitantemente às atividade de ensino, o que tem mostrado ser bastante produtiva. Realizam-se paralelamente atividades de revisão bibliográfica e produção de material para publicação. CONSIDERAÇÕES FINAIS As dificuldades existentes na área da saúde são reflexos não apenas da crise econômica atual como também da falta de planejamento de medidas sustentáveis em saúde desde tempos remotos. O crescimento desenfreado da utilização dos recursos em saúde pelo SUS vem onerando cada vez mais os cofres públicos, o que tem se tornado cada vez mais preocupante. Para Bisognamo e Kenney, 2015, o novo paradigma da atenção em saúde consiste no Triple Aim, o qual se sustenta no cuidado ao paciente, na avaliação da saúde populacional como na estratégia de prevenção aos agravos e na otimização dos recursos em saúde. Através da ação social em dermatologia, a busca pelo método alternativo incorporado a filosofia do Triple Aim possibilita melhoria a assistência à saúde, permite ao paciente acesso a um profissional médico especialista, além de contribuir na prevenção e promoção à saúde do indivíduo, da família e da comunidade. Desse modo, o grupo trabalha com recursos materiais minímos, mas que oportunizam um exame clínico com minuciosidade. A troca de experiência vivida nas ações sociais em questão beneficia todos os envolvidos, tanto a equipe de profissionais em saúde por proporcionar aprendizado, experiência e sensação de plenitude profissional e pessoal, como também aos pacientes carentes, uma vez que os é permitido ter acesso aos cuidados médicos com qualidade, segurança e sem custos. As ações sociais constituem um plano de ação que precisam de maior adesão da equipe médica não apenas vinculada a vida acadêmica, mas também da adesão do profissional médico autônomo. A inserção do profissional médico em ações sociais em saúde gera benefício duplo expressado na satisfação para quem serve e quem é servido. A presença do médico nas ações sociais em saúde implica em maior adesão dos demais grupos da sociedade. O médico tem papel fundamental nos cuidados em saúde com qualidade e segurança e precisa engajar-se na liderança em busca de medidas sustentáveis para a melhoria da saúde tanto no aspecto econômico quanto no social.

ANÁLISE DOS DADOS A qualidade e a segurança do atendimento ao doente dependem de recursos humanos, recursos materiais e estrutura física da unidade de saúde, interagindo na tríade estrutura, processo e resultado. Porém, mesmo que estes três elementos estejam disponibilizados nos serviços de saúde, torna-se fundamental a aplicação de normas e valores institucionais que permitam uma cultura organizacional de segurança, a fim de que os profissionais se tornem inseridos neste processo. O treinamento prévio existente da equipe médica bem como dos demais profissionais em saúde envolvidos na ação social além de qualificar o profissional contribui para a aproximação da equipe, uma vez que parte do treinamento é feita de forma multidisciplinar. O treinamento abrange tanto a parte teórica através da leitura de artigos e livros em dermatologia, aula expositiva e áudio-visual, bem como a parte prática através da identificação e organização dos materiais necessários e de treinamento dos procedimentos, sempre na presença dos preceptores. A interação entre os membros da equipe já se inicia nesse momento, o que contribui para uma ação social baseada na segurança e qualidade do seu atendimento médico prestado. As ações sociais contemplam em média 250 atendimentos por dia nas ações sociais em dermatologia clínica e 50 atendimentos por dia nas ações sociais em dermatologia cirúrgica. As patologias dermatológicas abrangem desde lesões de pele simples e de fácil diagnóstico, como ptiríase versicolor, micoses, nevos, acne, ceratoses actínicas, dermatites, vitiligo, bem como neoplasias de pele e hanseníase. Nas ações sociais em dermatologia clínica, o atendimento é focado na qualidade e humanização e é feita uma triagem das patologias clínicas que necessitam de acompanhamento e das patologias dermatológicas cirúrgicas que necessitam de procedimentos. Tal triagem é feita através da avaliação dos pacientes e o encaminhamento das patologias dermatológicas que necessitem de acompanhamento é feito para a Clínica em Dermatologia situada em Recife, sede do CBMS. A realização dos casos cirúrgicos ocorre em um dia de atendimento específico para

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REFERÊNCIAS BISOGNANO, M; KENNEY,C. Buscando do Triple aim na saúde. 1ª ed. Ed. Atheneu, p.440, 2015. AUGUSTO, K.L; LINO, C.A; CARVLAHO, A.C.M et al. Educação e Humanidades em saúde: a experiência do grupo de Humanidades do curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará (Uece). REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO MÉDICA v.32, n.1, p.122 – 126 ; 2008

ORSINI, M; OLIVEIRA, A.B; LEITE, M.A.A et al. O Resgate do Cuidar na Medicina e o Real Valor do Médico no Brasil. Rev Neurocienc. v.21, n.1, p.155-161, 2013.

STIEFEL, MPH; NOLAN, K MA. A Guide to Measuring the Triple Aim: Population Health, Experience of Care, and Per Capita Cost. Innovation Series, 2012.

PIOLA, SF et al. Estado de uma Nação . Textos de Apoio: Saúde no Brasil: Algumas questões sobre o Sistema Único de Saúde. Brasília: IPEA, Texto para Discussão n. 1391, 2008. HSIAO, W. Why is a systemic view of health financing necessary? Health Affairs, Vol. 25, n 4, p. 950-961, july/august 2007. OPAS. Organização Panamericana da Saúde. Health in the Americas, 2007 — Volume I — Regional. BRASIL, Entendendo o SUS (em português brasileiro). Ministério da Saúde. Visitado em 09 de outubro de 2015. CASA CIVIL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990 PAIM J, TRAVASSOS C, ALMEIDA C, BAHIA L, MACINKO J. The Brazilian health system: history, advances and challenges. Lancet 2011; publicado online em 9 de maio. DOI:10.1016/S0140-6736(11)60054-8. TOSTESON DC. New Pathways in General Medical Education. N Engl J Med 1990; 322(4): 234-38.

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Ações sociais contra Hanseníase: ferramenta de ensino e colaboração social. Erika Helena Gondim Paiva1 Thiago Gomes de Figueiredo Gondim2 Júlio César de Santana Gonçalves3

1 Médica pós-graduada em Dermatologia Clínica e Cirúrgica pelo Colégio Brasileiro de Medicina e Saúde

2 Médico Coordenador da Pós-graduação do CBMS / Mestre em Patologia pela UFPE / Doutorando em Medicina Tropical - UFPE 3 Professor de Metodologia Científica do CBMS / Mestre em Administração pela UFPE

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RESUMO

comunidade, assistência secundaria e terciária para o suporte dos casos que não possam ser conduzidos na atenção primária, bem como a prerrogativa do acesso fácil e rápido à poliquimioterapia e terapêuticas direcionadas às reações. A tentativa Organização Mundial de saúde (OMS) é de eliminar a hanseníase ou reduzir sua incidência nos países para 1 caso a cada 10 mil habitantes até o ano de 2015. No Brasil essa meta não será alcançada, pela grande dificuldade que enfrentamos na saúde pública, falta de educação continuada dos profissionais envolvidos (médico e não médico), não realização ou ineficiência na execução dos programas, com falha busca ativa, diagnóstico precoce e exame físico dos comunicantes intra-domiciliares, tudo isso somados à pouca verba e falta de comprometimento dos gestores. Os dados da endemia no Brasil são duvidosos, embora tenha apresentado uma redução significativa ao longo de todos esses anos. A quantidade de casos novos informados continua sendo alarmante, o mais curioso é que o diagnóstico em crianças menores de 15 anos vem aumentando, algo para ser questionado (FRADE, 2015). Podemos observar com o abordado anteriormente a grande dificuldade que nosso país enfrenta na saúde pública, e ver que não conseguimos alcançar as metas estipuladas pela OMS. Diante de todas as questões existentes o Colégio Brasileiro de Medicina e Saúde (CBMS), uma instituição impulsionadora do ensino médico sediada na capital pernambucana, decidiu contribuir, acreditando que essa responsabilidade não compete só aos órgãos públicos e que poderíamos somar de forma significativa no estado do Pernambuco. O CBMS tem se tornado referência no Estado graças à qualidade dos seus cursos e aos muitos serviços prestados à população, Oferece cursos de Pós-Graduação Lato Sensu em Dermatologia Clínica e Cirúrgica, dentre outras especialidades como a Reumatologia. Preocupado com a qualificação médica, incentivando o conhecimento de forma diferenciada, colaborando significativamente com o aumento de especialistas no Estado do Pernambuco e vários outros no Brasil, desde o princípio queríamos ser uma instituição a formar médicos com uma consciência e colaboração social, tendo em conta a grande dificuldade que nosso país enfrenta em relação à inacessibilidade da população aos serviços especializados. Surgiu assim o Projeto das Ações Sociais. Realizado com duas intenções principais, as Ações têm por primazia a qualificação e treinamento dos alunos médicos, mantendo-os em contato constante e números significativos de pacientes acometidos por uma diversidade de patologias dermatológicas, isso associado à constante supervisão de professores e monitores. A segunda intenção tangencia o proporcionar à população carente o acesso ao médico com conhecimentos dermatológicos, o que traz contribuição importante para o combate à hanseníase e outras doenças dermatológicas que assolam o nosso país, como é o caso do câncer de pele, em 2015 que o câncer mais incidente será o Câncer de pele não Melanoma com 182 mil casos novos na população brasileira (INCA, 2014).

A hanseníase e uma patolgoia infecciosa, com caráter de cronicidade, sendo resultado do acometimento pelo Mycobacterium leprae, um bacilo com alta poder de infectividade, contudo com baixa patogenicidade. A patologia quando não diagnosticada e tratada no início, torna-se incapacitante, constituindo um importante problema na saúde pública no Brasil. A Organização Mundial de saúde tem por objetivo a eliminação da hanseníase, ou mesmo a redução de sua incidência nos países, com meta de 1 caso a cada 10 mil habitantes até o atual ano de 2015. No Brasil essa meta não será alcançada, pela grande dificuldade que enfrentamos na saúde pública. A quantidade de casos novos informados continua sendo alarmante, com diagnóstico em crianças menores de 15 anos ainda aumentando. Diante de todas as questões o Colégio Brasileiro de Medicina e Saúde (CBMS), uma instituição impulsionadora do ensino médico sediada na capital pernambucana, decidiu contribuir, acreditando que essa responsabilidade não compete só aos órgãos públicos e que, portanto, poderia somar de forma significativa no Estado do Pernambuco. Preocupado com a qualificação médica, incentivando o conhecimento de forma diferenciada, colaborando significativamente com o aumento de especialistas no Estado do Pernambuco e vários outros no Brasil, desde o princípio o CBMS decidiu formar médicos com uma consciência e colaboração social, surgindo assim o Projeto das Ações Sociais, realizado com duas intenções principais, a primeira de qualificação e treinamento dos alunos médicos, mantendo-os em contato constante e números significativos de pacientes acometidos por uma diversidade de patologias dermatológicas, e a segunda tangencia o proporcionar à população carente o acesso ao médico com conhecimentos dermatológicos, o que traz contribuição importante para o combate à hanseníase e outras doenças dermatológicas que assolam o nosso país, como é o caso do câncer de pele. PALAVRAS-CHAVE: HANSENÍASE, AÇÃO SOCIAL, PÓS-GRADUAÇÃO. INTRODUÇÃO A hanseníase e uma doença infecciosa crônica, causada pelo Mycobacterium leprae, com alta infectividade e baixa patogenicidade. O bacilo apresenta tropismos pelas células de Schwann, afetando principalmente pele e nervos periféricos (SECRETARIA DE SAÚDE DO ESTADO DO CEARÁ, 2014). Quando não diagnosticada e tratada no início, torna-se incapacitante. Não existe predileção por sexo, idade ou raça, sabendo-se que pessoas com condições socioeconômicas desfavorecidas são mais afetadas, pelas condições insalubres e modo de vida (FLEURY, 2004). Os conceitos distorcidos formados por uma sociedade que não teve o privilégio de ser bem informada e que vivenciou cenas fortes de pacientes com sequelas, onde não tiveram a oportunidade de serem diagnosticados e tratados de forma eficaz, fez com que a doença fosse vista de forma discriminada pela população e negligenciada durante muito tempo pelos que teriam responsabilidade no tema. A estigmatização que envolve a hanseníase é tão importante que consegue figurar entre os próprios profissionais de saúde, onde muitos não vivenciam a prática com pacientes hansênicos e apresentam duvidas na forma de transmissão e principalmente no diagnóstico. Constitui um importante problema na saúde pública no Brasil. O Programa de Controle da Hanseníase no Brasil tem como principal ação a atenção básica, onde há uma equipe multiprofissional formada por médicos e enfermeiros preparados para realizar o diagnóstico, notificar casos novos para alimentar o sistema, fazer o tratamento e acompanhamento até a cura. No programa ainda está previsto a busca ativa e resgate de abandonos, orientação da

OBJETIVOS: Geral Propor para a Pós-graduação em Dermatologia do Colégio Brasileiro de Medicina e Saúde um PROTOCOLO DE EXECUÇÃO para a o atendimento em dermatologia dito Ação Social contra a Hanseníase. Específicos Avaliar as regras existentes e propor modificações para melhoria no ATENDIMENTO MÉDICO-ASSITENCIAL;

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Criar METODOLOGIA para afixação dos diagnósticos feitos e suspeitos durante o atendimento médico;

(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2012), com treinamento das equipes envolvidas quanto a: anamnese, avaliação dermatológica, avaliação neurológica, diagnóstico dos estados reacionais, diagnóstico diferencial, classificação do grau de incapacidade física;

Criar METODOLOGIA para os encaminhamentos a partir dos diagnósticos, com afixação de necessidades, sejam elas: a) tratamento específico; b) encaminhamento a especialistas; c) encaminhamentos aos níveis de complexidade do SUS; d) encaminhamento ao ambulatório do CBMS em Recife; e) encaminhamento à cirurgia dermatológica;

b. Promover discussões dos casos vistos na Ação Social por meio do aplicativo para smartphones e computadores, o Line, comumente usado no CBMS, sempre de forma imediata ao término do evento;

Avaliar e propor modificações que venham a ampliar a conexão entre o CBMS e o serviço de saúde ou município participante do Projeto da Ação Social contra a Hanseníase, assim como dos governos, a partir de: a) contato prévio com autoridades de saúde responsáveis pelas ações de saúde da região/município/serviço para a tomada de informações quanto às necessidades para o atendimento e as necessidades da população; b) avaliar a origem dos pacientes que participarão da Ação Social, bem como a forma de seleção e potenciais encaminhadores; c) avaliar meios para a feitura do atendimento; d) observar a forma de divulgação da Ação Social, propondo a correção e evitando aproveitamentos inadequados;

2. Há necessidade de se ter uma memória sobre os diagnósticos realizados, bem como das suspeitas e encaminhamentos praticados durante o evento da Ação Social, assim a FICHA CBMS - DIAGNÓSTICOS E ENCAMINHAMENTO e a FICHA CBMS – ATENDIMENTO DE HANSENÍASE foram desenvolvidas (APÊNDICE 1 e 2) para facilitar o trabalho e arquivar de forma simplificada tais informações; 3.Os encaminhamentos possíveis, quando do atendimento, serão os seguintes: a.Tratamento específico, que no caso da hanseníase provocaremos encaminhamento ao serviço de saúde de complexidade primária, já com orientação quanto ao seguimento, que poderá ser um parecer para encaminhamentos a outros serviços mais especializados;

Criar espaços dentro da Ação Social para palestras com populares, líderes comunitários e profissionais de saúde, com intuito de divulgar os objetivos da atividade; Avaliar e propor melhorias à logística da Ação Social, a partir de modificações: a) no transporte; b) alimentação da equipe; c) horários das atividades; d) aporte de material a ser encaminhado (médico e de consumo); f) disposições no local de atendimento (consultório, fichas, ordem de atendimento, número de médicos e pessoal de apoio, número de atendimentos);

b.Encaminhamento a especialistas, que no caso da hanseníase obedecerá os níveis de complexidade do Programa; c.Encaminhamento ao Ambulatório do CBMS em Recife, em casos que necessitamos e desejamos fazer o acompanhamento, e se isso for de interesse do paciente;

Criar FÓRUM DE DISCUSSÃO das Ações Sociais na Pós-graduação CBMS.

d.Encaminhamento à cirurgia dermatológica, podendo nesse caso haver encaminhamento ao Ambulatório do CBMS em Recife, encaminhamento a Ação Social cirúrgica (quando de programação para tal), ou mesmo encaminhamento a outros serviços, profissionais ou, principalmente, serviços do Sistema Único de Saúde. Para tal encaminhamento produzimos uma FICHA CBMS – ENCAMINHAMENTO À CIRURGIA DERMATOLÓGICA (APÊNCICE 3);

METODOLOGIA O presente artigo trata de um estudo avaliativo, onde comparamos um processo, aqui dito Ação Social, em como é observado e como é esperado. Tendo a definição do que se deseja alcançar, ou seja, um nível de organização para eventos ligados ao atendimento médico proposto pelo Colégio Brasileiro de Medicina e Saúde a pacientes com doenças dermatológicas, sobretudo a hanseníase. Aqui nos permitimos identificar dificuldades existentes dentro do processo, o que nos propiciou criar medidas que participem das soluções de tais entraves.

4.Para a marcação da Ação Social contra a Hanseníase o CBMS passará a realizar as seguintes missões: a.Contato prévio com autoridades de saúde responsáveis pelas ações de saúde da região/município/serviço para a tomada de informações quanto às necessidades para o atendimento e as necessidades da população; b.Solicitará avaliação quanto à origem dos pacientes que participarão da Ação Social, bem como a forma de seleção e potenciais encaminhadores;

RESULTADOS Mesmo sendo uma atitude engrandecedora para o CBMS e seus professores, preceptores e alunos, montar uma Ação Social contra a Hanseníase, que possa trazer melhoramentos ao quadro atual encontrado no Estado do Pernambuco, no que referencia a hanseníase, não é tarefa simples, muito menos fácil. Por tais complexidades no desenvolvimento das Ações, decidimos ajudar na montagem de um PROTOCOLO para organização dos eventos que somados nortearão o processo.

c.Avaliará meios propostos e possíveis para a feitura do atendimento; d.Observará a forma de divulgação da Ação Social, propondo a correção e evitando aproveitamentos inadequados; e.A partir das missões acima qualificadas produzirá um RELATÓRIO para discussão em sala em pelo aplicativo LINE, onde tomarão ciências os envolvidos, sejam eles, professores, preceptores, médicos alunos e responsáveis locais pelo atendimento;

1. Propostas ao ATENDIMENTO MÉDICO-ASSITENCIAL: a. Padronização do diagnóstico clínico da hanseníase conforme descrito pelo GUIA PARA O CONTROLE DA HANSENÍASE

f.Ao final da avaliação do RELATÓRIO, será criado e-mail

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(documento) para encaminhamento aos gestores/responsáveis locais pelo atendimento;

da, e que tenha a sua dinâmica facilitada e seguida por outros grupos e instituições médica e de ensino. Ações como essa sustentada pelo CBMS atendem prontamente a um estudo avaliativo, exatamente por terem um objetivo de valor, como informa Aguilar e Ander-Egg (1994). Procuramos discutir o tema como uma forma de trazer soluções e melhorias a uma atividade que pode ser amplificada, sobretudo com o firmamento de um modelo bem sucedido, que ajude a saúde pública brasileira, e que seja vista e entendida como uma ferramenta qualificada suplementar aos esforços governamentais. É importante salientar mais uma vez o aspecto do poderio científico de tal evento, visto que por trás dela há um trabalho de planejamento profissional e acadêmico, bem como uma avaliação posterior dos casos atendidos e das necessidades de equalização quanto aos temas médicos.

5.O CBMS passará a criar espaços dentro da Ação Social para palestras com populares, líderes comunitários e profissionais de saúde, com intuito de divulgar os objetivos da atividade. Dessa forma, serão desenvolvidas oficinas com objetivo de tornar possíveis os seguintes eventos: a.PALESTRAS: A partir de organização prévia, por meio do contato com os gestores e responsáveis locais pela Ação Social, serão criadas reuniões para divulgação da HANSENÍASE, em datas que fortaleçam o evento principal, em ambiente adequado à população de interesse; b.GRAVAÇÃO DE MÍDIAS: Por meio do Marketing CBMS serão criadas interfaces de contato com o nosso público alvo, seja a partir de vídeos, cartilhas, textos, oficinas, ou outros meios, sempre com a participação dos gestores e responsáveis locais e Equipe CBMS (preceptores e alunos);

CONCLUSÃO

6.Melhorias quanto à logística da Ação Social, a partir das seguintes observações:

A Hanseníase é uma doença endêmica, incapacitante e estigmatizante, porém curável, e quando diagnosticada no seu início não produzirá sequelas. Ainda no Brasil se constitui em importante problema de saúde pública, uma vez que até agora todos os esforços não foram suficientes para controle e erradicação, possivelmente por causa das diversas falhas encontradas na saúde do nosso país.

a.Transporte: que todos os integrantes possam ser acomodados em um único veículo, que seguirá completamente as regras vigentes, inclusive com o cuidado de não desgastar a equipe, que deverá estar apta à Ação ao final do deslocamento. Deverá ser observada a baixa velocidade no trajeto;

O CBMS através das Ações Sociais está contribuindo com as ferramentas das quais dispõe, na tentativa de ajudar a mudar essa dura realidade do povo brasileiro, em uma tarefa que compete a cada um dos habitantes desta nação, principalmente os médicos, quando tratamos da sáude.

b.Alimentação da equipe: deverá ser feita em único local, com discussão anterior sobre cardápio e horário para as refeições; c.Horários das atividades: a Ação Social poderá ser realizada em um ou dois turnos, a depender do número dos pacientes a serem atendidos e da distância da localidade ao CBMS;

A Principal intenção desse trabalho foi a de mostrar como nós fazemos esse evento da Ação Social, ao mesmo tempo em que foi criando um Protocolo que poderá ser usado como norteador, por nós e por outras instituições que tenha interesse em somar na Luta contra a Hanseníase.

d.Aporte de material a ser encaminhado (médico e de consumo): a partir de seguimento de RELATÓRIO DISPENSADO CONTENDO OS OBJETIVOS DA AÇÃO SOCIAL; e.Disposições no local de atendimento (consultório, fichas, ordem de atendimento, número de médicos e pessoal de apoio, número de atendimentos): será realizada mediante conversações e visitas ao local de atendimento; 7.Criar FÓRUM DE DISCUSSÃO das Ações Sociais na Pós-graduação CBMS: a.Reservarmos tempo com os integrantes do CBMS para discutirmos os pontos positivos e negativos das Ações e o que poderíamos fazer para melhorar tais questões levantadas; b.Tal Fórum será permanente, durante os encontros da Pós-graduação e a partir do artifício do Aplicativo Line.

DISCUSSÃO A hanseníase é hoje ainda um entrave na saúde pública do Brasil e de outros países no mundo, mostrando grande dificuldade para seu controle, e ainda um percentual importante de incapacidades motoras e sequelas (ARAÚJO, 2003; LASTÓRIA; ABREU, 2012; GARBINO et al., 2003). Por meio da implantação dos resultados do nosso trabalho esperamos que a Ação Social contra a Hanseníase seja impulsiona-

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REFERÊNCIAS AGUILAR, M. J.; ANDER-EGG, E. Avaliação de serviços e programas sociais. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1994. ARAÚJO, MG. Hanseníase no Brasil. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropica 36(3):373-382, mai-jun, 2003. FLEURY, RN. Obstáculos à eliminação da hanseníase como problema de Saúde Pública. Hansenol. int. (Online) vol.29 no.2 Bauru dez. 2004. FRADE, MAC. Simpósio Brasileiro de Hansenologia. Acessível em <http://www.oxfordeventos.com.br/hansenologia2015/> em 10/10/2015 as 2:00 GARBINO, JA; NERY, JA; VIRMOND, M; STUMP, PRN; BACCARELLI, R; MARQUES Jr, W. PROJETO DIRETRIZES - Hanseníase: Diagnóstico e Tratamento da Neuropatia. Associação Médica Brasileira, 4 de julho de 2003. GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ Secretaria de Saúde, Informe Epidemiológico Hanseníase, Agosto/2014. HACK, N; Situação epidemiológica da hanseníase no Brasil – análise de indicadores selecionados na última década e desafos para eliminação , 2013 009 Boletim Hanseniase Final 13, on Aug 17, 2013 LASTÓRIAL, JC; ABREULL, MAMM. Hanseníase: diagnóstico e tratamento. Diagn Tratamento. 2012;17(4):173-9. MENDONÇA VA; COSTA RD; MELO GB; ANTUNES AM; TEIXEIRA. AL; Imunologia da hanseníase; An. Bras. Dermatol. vol.83 no.4. Rio de Janeiro July/Aug, 2008. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia para o Controle da hanseníase. Brasília: Ministério da Saúde, 2002. Portal da Saúde, Situação, 27 Março 2014. Acessível em <http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/leia-mais-o-ministerio/705-secretaria-svs/vigilancia-de-a-a-z/hanseniase/11298-situacao-epidemiologica-dados)> em 10/10/2015. SECRETARIA DE SAÚDE DO ESTADO DO CEARÁ. Informe Epidemiológico Hanseníase. Agosto de 2014.

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APLICATIVO PARA TELEFONES COMO INSTRUMENTO DE FACILITAÇÃO ACADÊMICA E PROFISSINAL Silvia Rejany Campos de Souza Cavalcanti1 Thiago Gomes de Figueiredo Gondim2 Júlio César de Santana Gonçalves3

1 Médica pós-graduada em Dermatologia Clínica e Cirúrgica pelo Colégio Brasileiro de Medicina e Saúde

2 Médico Coordenador da Pós-graduação do CBMS / Mestre em Patologia pela UFPE / Doutorando em Medicina Tropical - UFPE 3 Professor de Metodologia Científica do CBMS / Mestre em Administração pela UFPE

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Resumo

técnicas, somado à demanda da sociedade por cuidados médicos cada vez mais confiáveis e eficientes, aumenta a exigência do nível de competência dos profissionais envolvidos na atmosfera da medicina. Visualizando toda importância e necessidade da educação continuada e do aprofundamento da capacitação do profissional, as Pós-graduações Lato Sensu, que enfrentam a problemática da descontinuidade da interação entre alunos e professores, devido ao parco espaço de tempo para discussões, para a análise de casos e marcação de horas extras de estudo comparando com o tempo extenso que precisa o profissional lançar mão para uma adequada formação de especialização, visto a carga horária da maior parte das pós-graduações serem compostas por aulas quinzenais ou mensais, encontrou na utilização desses recursos tecnológicos, como o LINE, um aplicativo gratuito, acessível a vários modelos de celulares e computadores, que possibilita o compartilhamento de imagens, de vídeos, mensagens de texto, mensagens de voz, arquivos em word, pdf e power point, assim como configuração de álbuns acessíveis ao grupo. O Aplicativo gera a possibilidades de uma educação continuada, com horários flexíveis, auxiliando no processo de aprendizagem e contribuindo para o aperfeiçoamento profissional, a partir dessa interação diária entre alunos e professores. Tal dinâmica vem auxiliando a sanar dúvidas acadêmicas, facilitando as discussões aprofundadas sobre patologias, análise de casos, abordagens de sessões clínicas com casos reais de pacientes, verificação de questões de concursos e discussão em tempo real sobre diagnósticos e terapêuticas.

O presente artigo tem como objetivo analisar a importância da utilização de ferramentas tecnológicas na educação médica continuada, e como essas ferramentas podem contribuir para a valorização dos cursos de pós-graduações. Mostrará como o alcance da tecnologia devido a sua facilidade de acesso, aplicabilidade e amplitude de utilização de dados, pode fazer profissionais de cursos Lato Sensu interagirem diariamente entre si preenchendo as lacunas deixadas pela descontinuidade de cursos com carga horária quinzenal ou mensal, proporcionando aos alunos um meio possível de acesso a informações contínuas e permanentes, entre os profissionais. A ferramenta tecnológica que esta inserida nessa abordagem é o Line, uma múltipla plataforma que traz como vantagem a sua enorme compatibilidade em diversos modelos de celulares e computadores, sua gratuidade e capacidade de utilização de recursos. OBJETIVOS Assim, com base nas questões até então aqui contextualizadas, este artigo busca responder a seguinte questão: Qual recurso um curso de pós-graduação lato sensu pode utilizar para preencher o hiato deixado pela descontinuidade de sua carga horária e proporcionar uma elevação no padrão da formação de seus alunos? Dessa forma, para o alcance do objetivo geral, descreverá a utilização de aplicativos para celulares e computadores como ferramentas de profissionalização e desenvolvimento acadêmico em uma especialização médica, e como objetivo específico descreverá as funcionalidades do aplicativo.

METODOLOGIA: O presente artigo trata de um estudo avaliativo, onde observamos a dinâmica de inclusão providenciada por um Aplicativo para smartphones e computadores, o Line, a partir do qual, as turmas de pós-graduação em dermatologia do CBMS realizam contatos continuados entre alunos e professores, com uma perspectiva de melhoramentos acadêmicos e profissionais.

INTRODUÇÃO Segundo o Accreditation Council for Continuing Medical Education (ACCME) – entidade que certifica provedores de conteúdo para educação médica continuada nos Estados Unidos o número de médicos registrados em cursos à distância naquele país cresceu 110% entre 1998 e 2000. Apesar do crescimento extraordinário, somente 2% destes cursos foram oferecidos via internet. Os dados sugerem que, mesmo na principal economia do mundo, o computador e a internet ainda não fazem parte da rotina da grande maioria dos médicos. Mas este fato parece não comprometer o crescimento da Educação a Distância (EaD) na área médica. Entre abril de 1999 e janeiro de 2001 surgiram mais de 160 sites de educação médica nos Estados Unidos. Em 1999 os investimentos chegaram a US$ 1,1 bilhão, contra apenas US$ 650 mil investidos nos três anos anteriores. Mesmo considerando o bem conhecido “naufrágio” das chamadas empresas pontocom, ocorrido no final de 2000, as perspectivas de retorno dos investimentos em EaD ainda parecem otimistas. Pela proliferação de escolas e universidades virtuais nos anos recentes, é possível afirmar que os investimentos em EaD, de forma geral, e na área médica em particular, cresceram também no Brasil, embora não haja dados precisos a respeito (CHRISTANTE, Luciana; RAMOS, Monica; BESSA, Ricardo; SIGULEM, Daniel. O papel do ensino a distância na educação médica continuada: uma análise crítica). As pressões que impulsionam o desenvolvimento dessa área advêm, por um lado, do recente e acelerado desenvolvimento tecnológico e, por outro, da velocidade cada vez maior com que o conhecimento científico se torna obsoleto. Procurar, entender e utilizar informações técnicas e científicas, agora disponíveis numa escala sem precedentes, é de fundamental importância para todas as áreas profissionais, em especial para a Medicina, devido também ao fato de que o foco em novas perspectivas da ciência impulsionado pelo desenvolvimento e evolução dos métodos e

DISCUSSÃO: A importância da utilização de ferramentas tecnológicas na educação médica continuada é uma realidade na formação profissional de qualquer especialidade. Segundo informações do Portal da educação, no artigo sobre Educação a Distancia no mundo. Apesar de Educação á distancia nos parecer algo inovador, sua origem remonta experiências de Educação por correspondência iniciadas no final do século XVIII, de acordo com alguns autores Educação á Distancia é algo tão antigo quanto as primeiras epístolas bíblicas. (Portal Educação. Educação à distância no mundo). Os cursos de Pós-Graduações, tendo a necessidade de aproximar seus alunos a uma formação médica com níveis de aprendizado semelhantes aos de uma residência médica, onde a interação entre os especializandos e professores se faz de forma contínua, encontrou em alguns aplicativos tecnológicos, como o LINE, características amplas que contribuem para a valorização do Curso Lato Sensu, proporcionando aos alunos um meio possível, continuo e permanente de acesso a novas informações. O referido aplicativo, LINE, que é um dos diversos mensageiros instantâneos multiplataforma, destaca-se pela enorme compatibilidade. Ele é totalmente gratuito, está disponível em português e pode ser baixado em Android, iOS, Windows Phone, BlackBerry, Firefox OS e Nokia Asha no mobile, além de Windows e Mac. O Aplicativo apresenta também uma gama variada de recursos, que impulsionam uma interação continuada entre os profissionais que através de grupos de discussões têm a possibilidade de aprofundar avaliações, discutirem artigos científicos, analisarem

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protocolos, fazerem análises críticas às condutas terapêuticas de várias escolas, estabelecerem estudos contínuos sobre temas pré-fixados, receberem arquivos com imagens das mais diversas patologias, fazendo sua própria biblioteca de álbuns, assim como se auxiliarem mutualmente na conclusão de diagnósticos, em tempo real de, da mesma forma no fomento às condutas terapêuticas. Dessa forma se vislumbra a queda do estigma encrostado há muito nesses cursos, algumas vezes referenciados de forma pejorativa e preconceituosa como "cursos de fim de semana". Pretende se encontrar uma verdadeira revolução e amplificação das possibilidades científicas, acadêmicas e profissionais nessas especializações, pelo fato de a tecnologia possibilitar o estímulo diário aos pós-graduandos, a um busca permanente de informações, um compartilhamento de dúvidas, um interagir constante com vastas trocas de informações e experiências, o que contribui de forma decisiva à formação profissional.

CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste artigo foi abordada a grande importância da utilização de ferramentas tecnológicas de ampla capacidade, como o LINE, na educação médica continuada, proporcionando ao profissional uma interação dinâmica, ágil e atualizada de discussões e abordagens diagnósticas e terapêuticas, auxiliando no seu cotidiano de forma contundente. Ainda se abordou a contribuição para o engrandecimento da qualidade de cursos de pós-graduações, a partir do preenchimento de lacunas de compartilhamento diário de informações, tal como fornecido pelos cursos de residência médica e especializações diárias. Acompanhando todo o avanço tecnológico abrimos as possibilidades para a utilização de recursos que proporcionem às Pós-graduações e pós-graduandos maiores possibilidades de uma formação acadêmico-profissional de excelência.

REFERÊNCIAS Portal Educação. Educação à distância no mundo. Disponível em: <http://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos/16530/educacao-a-distancia-no-mundo#ixzz3nm>. Acesso em: 05/10/2015. CHRISTANTE, Luciana; RAMOS, Monica; BESSA, Ricardo; SIGULEM, Daniel. O papel do ensino a distância na educação médica continuada: uma análise crítica. Rev. Assoc. Med. Bras. vol.49 no.3. São Paulo: July/Sept. 2003. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ramb/v49n3/a39v49n3.pdf>. Acesso em: 05/10/2015.

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Ceratose actínica: uma revisão bibliográfica crítico-reflexiva Raquel Travassos Queiroga Nóbrega1 Thiago Gomes de Figueiredo Gondim2 Júlio César de Santana Gonçalves3 Raquel Ferreira Lavor de Lacerda4 Renata Gomes Souza5 1 Médica pós-graduada em Dermatologia Clínica e Cirúrgica pelo Colégio Brasileiro de Medicina e Saúde

2 Médico Coordenador da Pós-graduação do CBMS / Mestre em Patologia pela UFPE / Doutorando em Medicina Tropical - UFPE 3 Professor de Metodologia Científica do CBMS / Mestre em Administração pela UFPE

4 Médica pós-graduada em Dermatologia Clínica e Cirúrgica pelo Colégio Brasileiro de Medicina e Saúde 5 Médica pós-graduada em Dermatologia Clínica e Cirúrgica pelo Colégio Brasileiro de Medicina e Saúde

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Resumo

radiação em local de nascimento, grupo caucasiano, história de neoplasia cutânea prévia, ocupação, baixo nível sócio-econômico e fototipos baixos; ocasionalmente, também podem estar relacionadas a exposição aos raios-x, radioterapia e fototerapia. Além disto, segundo Wlodek et al. (2013, p. 1), pacientes expostos a longo prazo a medicações imunossupressoras, como aqueles receptores de órgãos transplantados, têm susceptibilidade significativamente aumentada de desenvolvimento de ceratoses actínicas e, nestes pacientes, o tempo médio de transformação em carcinoma espinocelular (CEC) é de 9 anos pós-transplante, apresentando lesões mais agressivas e com maior tendência a recorrência e metastatização. Sabe-se ainda, que há inflamação de ceratoses actínicas induzidas por quimioterapia, tipicamente presentes em pacientes com lesões subclínicas (CHAMBERS et al., 2014, p.3). A radiação UVB, promove a formação de dímeros de timina no material genético, originando mutações na telomerase e no gene p53 (SCHMITT et al., 2012, p. 426). Tais alterações no p53 atuam suprimindo a apoptose, estimulando angiogênese, permitindo o crescimento e a proliferação de queratinócitos com mutações (SCHMITT et al., 2012, p. 426). Ainda segundo Schmitt et al. (2012, p. 426), o papel da radiação UVA é de estímulo à imunossupressão e à produção de formas reativas de oxigênio que, em última instância, aumentam o dano causado pela UVB. Soma-se ainda à fisiopatologia da ceratose actínica, uma hiperexpressão da COX-2 e de seus efeitos pró-inflamatórios, possibilitando um estado inflamatório importante no mecanismo da tumorigênese (SCHMITT et al., 2012, p. 426). O diagnóstico clínico envolve anamnese, inspeção e palpação das lesões e, para Schmitt et al. (2012, p. 430), este é realmente definido pelo exame histopatológico da lesão. Segundo Kirkham (2011, p. 767), podem ser reconhecidos cinco tipos de queratose actínica histologicamente: hipertrófica, atrófica, bowenóide, acantolítica e pigmentada. Transições e combinações entre esses cinco tipos também ocorrem. Histopatologicamente, a ceratose actínica é caracterizada pela perda maturação organizada e apresenta queratinócitos atípicos na epiderme, além de um número aumentado de mitoses (SCHMITT et al., 2012, p. 430). Para Malvehy (2015, p. 4), as mudanças estão presentes no estrato córneo (paraqueratose e hiperqueratose), estratos granuloso e espinhoso (arquitetura anormal, acantose e pleomorfismo), estrato basal (empilhamento de queratinócitos e pleomorfismo celular) e derme (elastose solar e aumento da vascularização); pode haver ainda irregularidade na junção dermo-epidérmica. Além disso, os queratinócitos atípicos com perda da polaridade, polimorfismo nuclear e desordem da maturação têm como consequência a classificação da ceratose actínica como um CEC in situ no trabalho de Malvehy (2015, p.4), classificação esta também citada por Kirkham (2011, p.767). Diversos tratamentos têm sido propostos para as lesões de ceratoses actínicas e Uhlenhake (2013, p. 29 e 30) os classifica em terapias para lesões-alvo (crioterapia, eletrodissecção e curetagem) e terapias para áreas cancerizáveis (que podem ser divididas em terapias administradas pelo próprio paciente imiquimode, 5-fluorouracil, diclofenaco, ingenol - e terapias administradas pelo médico - terapia fotodinâmica, laser resurfacing, dermoabrasão, peeling de ácido tricloroacético com ou sem Solução de Jessner). Além destes, Chambers et al (2014, p.3) afirmam que nas lesões inflamatórias de ceratoses actínicas induzidas por quimioterapia, o manejo pode ser feito com sucesso utilizando-se corticosteródes tópicos, não necessitando de descontinuação do agente quimioterápico causador. Outro aspecto importante em alguns dos estudos analisados é a abordagem de opções para prevenção e redução da prevalência da ceratose actínica. Schmitt et al. (2014, p.) afirmam que o uso regular do ácido acetilsalicílico por via oral por mais de seis meses esteve associado a uma menor prevalência de queratose actínica, especialmente faciais e eritematosas. Para Ianhez et al. (2013, p.

As ceratoses actínicas são lesões relacionadas à exposição crônica e cumulativa à radiação UV, com potencial de transformação em câncer de pele não melanoma. Nos últimos dez anos tem sido observado um aumento na proporção de casos destas lesões, bem como aumento na incidência dos cânceres de pele não melanoma, demonstrando que o tema, apesar de bem conhecido, tem sido subvalorizado. O presente trabalho objetiva fazer uma revisão bibliográfica sobre a ceratose actínica, com uma reflexão crítica sobre o aumento do número dos casos de ceratoses e de transformação maligna, evidenciando a necessidade de adoção de medidas de informação para o esclarecimento da população geral, bem como do desenvolvimento e aplicação de esforços e políticas educativas acerca da prevenção, diagnóstico precoce e necessidade de tratamento das lesões de ceratose actínica. Introdução Schmitt et al. (2012, p. 425; 2014, p. 131) definem ceratoses actínicas como neoplasias intraepiteliais benignas com potencial de transformação em carcinoma espinocelular. São a terceira causa de consultas dermatológicas nos Estados Unidos, a quarta no Brasil e a primeira no Brasil se considerados apenas os pacientes acima dos 65 anos de idade (IANHEZ et al., 2013, p. 586). A ceratose actínica tem potencial de transformação em câncer de pele não melanoma (CPNM) que, segundo o Instituto Nacional do Câncer - INCA (2012) é o câncer mais frequente no Brasil e corresponde a 25% de todos os tumores malignos registrados no país. Dados de 2012 do Instituto estimam 134.170 novos casos de CPNM, sendo 62.680 em homens e 71.490 em mulheres. Felizmente, as chances de cura dos CPNM podem ser altas se a detecção e o tratamento forem precoces (INCA, 2012). A proporção de casos de ceratose actínica tem aumentado quase continuamente nos últimos 10 anos, em comparação com outras condições dermatológicas (SCHAEFER et al., 2014, p. 309). Diante do aumento de sua frequência na população geral, bem como de seu potencial para malignização, as ceratoses actínicas não devem ser subvalorizadas ou negligenciadas e o presente trabalho objetiva refletir criticamente acerca deste aumento, evidenciando a necessidade de esclarecimento e incentivo quanto à prevenção e tratamento, junto à população geral e autoridades competentes, em concordância com o trabalho de Schmitt et al. (2012, p. 430 e 431). Metodologia O presente artigo trata do tema das ceratoses actínicas, de forma crítico-reflexiva, por meio de uma revisão da literatura, através de uma abordagem qualitativa, para a qual não foi empregada análise estatística, de artigos publicados nos últimos 5 anos nas bases de dados LILACS, MEDLINE, PUBMED, coletados por pesquisa eletrônica entre setembro e outubro de 2015, bem como fontes literárias consagradas na área. Discussão Na ceratose actínica, a área exposta à radiação solar é afetada pela doença, resultando em uma área de cancerização (MALVEHY, 2015, p.). Para Azulay et al. (2013, p. 581), é o resultado de uma exposição crônica, progressiva e cumulativa à radiação solar. Além da exposição solar, há outros fatores de risco implicados no desenvolvimento de ceratose actínica, como citado por Schmit et al. (2012, p. 426): idade avançada, sexo masculino, alto índice de

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585 e 591), a maioria dos estudos sobre tratamento com retinóides mostra redução na contagem das queratoses actínicas após a medicação, mas ainda há necessidade de ajustes no delineamentos destes estudos, bem como esclarecimento quanto aos reais benefícios dos retinóides tópicos e/ou orais. Políticas de fotoproteção, fotoeducação, autoexame periódico e diagnóstico precoce são ainda citados por Schmitt et al. (2012, p. 430 e 431) como fatores de prevenção e redução de morbidade.

Os casos crescentes de transformação maligna demonstram o desconhecimento, a desinformação da população geral e a falta de esforços e ineficiência das políticas educativas. É preciso perceber que resultados na diminuição desta estatística apenas serão obtidos quando o paciente for uma aliado no esforço preventivo e diagnóstico e, para tanto, precisa-se do esclarecimento desta população com relação: • ao caráter cumulativo da radiação UV (e às mutações por ela induzidas); • ao reconhecimento que a ceratose actínica é uma afecção e não um evento normal relacionado ao envelhecer; • à ocorrência de áreas cancerizáveis na pele fotoexposta cronicamente. O incentivo ao autoexame, à fotoproteção e fotoeducação, bem como às consultas regulares com especialistas, a exemplo do que se aplica na Alemanha (KORNEK et al. 2012, p. 289), são medidas importantes que podem promover uma melhora nos dados de incidência e prevalência da ceratose actínica e dos CPNM.

Considerações Finais A ceratose actínica é uma condição comum na população com histórico de fotoexposição e diversos estudos podem ser encontrados nas bases de dados abordando epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento. No entanto, é importante ter em mente que o tema não está esgotado com as informações disponíveis, pois o aumento constatado no número de casos de CPNM corrobora a necessidade de estudos quanto à prevenção e diminuição da prevalência e incidência da doença, bem como de ações de cunho educativo para os pacientes.

Referências AZULAY, D. R; AZULAY, R. D. In: Azulay: Dermatologia. Rio de Janeiro, 2013. 6. ed. p.578-586. CHAMBERS, C. J. et al. Eruptive purpuric papules on the arms; a case of chemotherapy-induced inflammation of actinic keratoses and review of the literature. UC Davis - Dermatology Online Journal. Volume 20, Issue 1, 2014. Disponível em: http://escholarship.org/uc/item/1151d3gx. Acesso em: 02 out. 2015. IANHEZ, M. et al . Retinoids for prevention and treatment of actinic keratosis. An. Bras. Dermatol., Rio de Janeiro, v. 88, n. 4, p. 585-593, Aug. 2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0365-05962013000400585&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 02 Out. 2015. BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Câncer de pele não melanoma 2012. Disponínel em: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/pele_nao_melanoma. Acesso em: 02 out. 2015. KIRKHAM, N. Tumores e Cistos da Epiderme. In: Lever, Histopatologia da Pele. Rio de Janeiro, 2011. 10.ed. p. 751-806. KORNEK, T. et al. Routine Skin Cancer Screening in Germany: Four Years of Experience from the Dermatologists’ Perspective. Dermatology 2012; Vol. 225, No. 4, p. 289–293. DOI: 10.1159/000342374. Published online: January 3, 2013. Disponível em: www.karger.com/Article/Pdf/342374. Acesso em 02 out. 2015. MALVEHY J. A new vision of actinic keratosis beyond visible clinical lesions. JEADV 2015, 29 (Suppl. 1),3 –8. Disponível em: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/jdv.12833/full. Acesso em: 02 out.2015. SCHAEFER, I. et al. Prevalence and risk factors of actinic keratoses in Germany – analysis of multisource data. Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology. Volume 28, Issue 3, pages 309–313, March 2014. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1111/jdv.12102. Acesso em: 02 out. 2015. SCHMITT, J.V., MIOT H. A. Actinic keratosis: a clinical and epidemiological revision. An Bras Dermatol., Rio de Janeiro, vol.87. no.3. p. 425-34, May/June 2012;87:425-34. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0365-05962012000300012. Acesso em: 02 out. 2015. SCHIMITT, J.V., MIOT H. A. Oral acetylsalicylic acid and prevalence of actinic keratosis. Rev. Assoc. Med. Bras., São Paulo, v. 60, n. 2, p. 131-138, 2014. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302014000200131&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 02 Out. 2015. UHLENHAKE E., E. Optimal treatment of actinic keratoses. Clinical Interventions in Aging 2013:8 29–35. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3549675/. Acesso em: 02 out. 2015. WLODEK C., ALI F. R., LEAR J. T. Use of Photodynamic Therapy for Treatment of Actinic Keratoses in Organ Transplant Recipients. Bio Med Research International. Volume 2013, Article ID 349526, 7pages. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23509711. Acesso em: 02 out. 2015.

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Fasciíte necrosante: Importância do diagnóstico precoce e das opções de tratamento na redução das taxas de morbimortalidade. Dialla Tâmara Alves dos Santos1 Thiago Gomes de Figueiredo Gondim2 Júlio César de Santana Gonçalves3 Andréa Morcerf Wanderley Cartisano4 Silvia Rejany Campos de Souza Cavalcanti5 1Graduada em Medicina pela UNCISAL (2013). Pós-graduanda em Dermatologia Clínica e Cirúrgica pelo CBMS. 2Mestre em Patologia pela UFPE.

3Mestre em Administração pela UFPE.

4Graduada em Medicina pela UNCISAL. Pós-graduada em Medicina do Tabalho pela USFSP. Pós-graduanda em Dermatologia Clínica pelo CBMS. 5Graduada em Medicina pela UPE (1994). Pós-graduada em Dermatologia pela CEMEPEABD.

Pós-graduada em Nutrologia pela Sociedade Brasileira de Nutrologia. Pós-graduanda em Dermatologia Clínica e Cirúrgica pelo CBMS.

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RESUMO

e fáscia profunda. Sendo assim, como ressaltou Costa et al. (2004), é importante o estabelecimento do diagnóstico precoce e tratamento adequado, a fim de reduzir a elevada taxa de morbimortalidade desta patologia. Foram identificados vários fatores que dificultam este processo de estabelecimento precoce do diagnóstico e de escolha correta do tratamento. Soares et al. (2008) observou que apesar de na maior parte dos casos, a extensão da lesão ocorrer a partir de pequenos traumas, picadas de insetos ou incisões cirúrgicas, em 20% das situações, nenhum trauma prévio pode ser identificado. Outro fator abordado por Costa et al. (2004) é a semelhança de apresentação, em seu estágio inicial, da FN com uma infecção mais superficial de partes moles, como celulite ou erisipela, apresentando também semelhanças quanto à etiologia e aos fatores predisponentes. Tendo estas infecções mais superficiais uma alta frequência, relativa facilidade no diagnóstico e boa resposta ao tratamento, pode-se incorrer em falhas terapêuticas nos casos que evoluem com comprometimento da fáscia superficial e tecido subcutâneo, com elevado potencial para complicações graves. Desse modo, torna-se imprescindível um alto índice de suspeição clínica para realização precoce do diagnóstico e tratamento da FN, reduzindo-se as taxas de morbimortalidade. Este ponto também é reforçado por Costa et al. (2004) ao afirmar que a esta aparência relativamente benigna engana e com frequência retarda o diagnóstico, aumentando a morbimortalidade e tornando o diagnóstico precoce difícil e incerto. Lima et al. (2003) ressalta que apesar da FN ser causada por agentes aeróbios e anaeróbios, principalmente por estreptococos beta-hemolíticos, estafilococos hemolíticos, coliformes, enterococos, pseudômonas e bacterioides, esta flora bacteriana muda durante o curso da doença, o que atua dificultando o estabelecimento do tratamento adequado. Segundo Soares et al. (2008), o diagnóstico é eminentemente clínico e corroborado por alguns achados cirúrgicos, como pouca aderência do tecido subcutâneo (observada à manipulação cirúrgica), ausência de sangramento e liquefação da gordura subcutânea. Outros exames como hemoculturas e culturas de material colhido, no procedimento cirúrgico, podem vir a auxiliar na identificação dos microorganismos envolvidos e na sensibilidade aos antibióticos. No presente estudo foram encontradas opiniões diferentes no que diz respeito ao uso de exames de imagem para o estabelecimento do diagnóstico. Para Soares et al. (2008) apesar dos métodos diagnósticos por imagem poderem fornecer informações adicionais, úteis ao diagnóstico, na maioria das vezes, esses achados são pouco específicos e não são imprescindíveis para abordagem cirúrgica. Estando em desacordo com a opinião de Costa et al. (2004) para o qual os exames radiológicos além de serem úteis para o estabelecimento do diagnóstico, auxiliando no diagnóstico diferencial, proporcionam uma intervenção cirúrgica mais precoce e facilitam o plano operatório. Fica claro, nesta revisão, a importância da avaliação da fáscia para o estabelecimento do diagnóstico definitivo. Para Costa et al. (2004) o diagnóstico definitivo é feito pela presença de necrose da fáscia durante à exploração cirúrgica e para Soares et al. (2008) se dá através da realização da biópsia da fáscia, que é considerada padrão-ouro para o diagnóstico e deve ser realizada em todos pacientes durante o desbridamento, mesmo naqueles em que seu aspecto macroscópico for normal. Os autores que basearam esta revisão concordam com Soares et al. (2008) quando ele afirma que uma vez estabelecido o diagnóstico, o tratamento deve ser instituído imediatamente e que consiste em reposição volêmica; desbridamento cirúrgico amplo, com retirada de todo material necrótico, incluindo a fáscia; e a utilização de antibióticos de amplo espectro. Soares et al. (2004) ressalta ainda que o debridamento cirúrgico imediato (poucas horas após o início da antibioticoterapia) é imprescindível se o eritema não regredir, e deve ser feito com incisões longitudinais se estendendo até a fáscia profunda e além da área necrótica. Em geral, fazem-se

O presente artigo tem como objetivo mostrar a importância do diagnóstico precoce e da escolha da melhor opção de tratamento no manejo da fasciíte necrosante, com o intuito de contribuir com a redução das taxas de morbimortalidade desta patologia. Para tal foi realizado uma pesquisa de natureza descritiva-explicativa, a partir de uma revisão bibliográfica de artigos coletados no período de setembro a outubro de 2015 nas bases eletrônicas de dados. Após o levantamento, procedeu-se a análise dos dados de maneira qualitativa. Concluiu-se que ainda existem vários pontos de discordância entre os autores, mostrando assim a necessidade de mais estudos envolvendo esta temática para que ocorra uma redução nas taxas de morbimortalidade. INTRODUÇÃO Fasciíte necrosante (FN) é infecção bacteriana destrutiva e rapidamente progressiva do tecido subcutâneo e fáscia superficial, associada a altos índices de morbimortalidade (COSTA et al.., 2004, p. 212). É uma grave condição clínica que pode ocasionar destruição rápida e irreversível dos tecidos, podendo resultar em amputação de membros e óbito, e o diagnóstico deve ser precoce necessitando de elevada suspeição clínica a fim de minimizar potencial evolução desfavorável. (SOARES et al.., 2013, p.30). A FN apresenta uma mortalidade que varia de 13% a 76%, sendo influenciada pela precocidade do diagnóstico, abordagem cirúrgica e doenças associadas, afirma Soares et al. (2008). Segundo Biagi et al. (2012), as duas falhas mais comuns que ocorrem no manejo desses casos são o retardo no diagnóstico e o debridamento cirúrgico inadequado, sendo a realização apenas de incisão e drenagem uma estratégia cirúrgica inadequada. Nesse contexto, o presente artigo teve como objetivo realizar uma revisão sistemática sobre a importância do diagnóstico precoce e da escolha da melhor opção de tratamento no manejo da fasciíte necrosante, com o intuito de reduzir as taxas de morbimortalidade desta patologia. Diante da importância e escassa produção científica desta temática na literatura nacional, sua discussão se torna relevante. METODOLOGIA Esta pesquisa, quanto aos fins, é de natureza descritiva-explicativa. Descritiva, pois segundo Moresi (2003) é aquela que estabelece correlações entre variáveis e define sua natureza, não tendo o compromisso de explicar os fenômenos que descreve, embora sirva de base para tal explicação. Já a explicativa, pois consiste em esclarecer quais fatores contribuem, de alguma forma, para a ocorrência de determinado fenômeno. Assim, diante destas definições esta classificação se coaduna para este artigo. A coleta de dados foi baseada fundamentalmente numa revisão bibliográfica de artigos coletados no período de setembro a outubro de 2015 nas bases eletrônicas de dados SCIELO (Scientific Eletronic Libary Online), LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e BIREME (Biblioteca Regional de Medicina). Após o levantamento, procedeu-se a análise dos dados, que foi realizada de maneira qualitativa, onde foi utilizada uma pequena amostra a fim de proporcionar uma compreensão do contexto do problema, para a qual não foi empregado instrumental estatístico. ANÁLISE DOS DADOS Como afirma Pitta et al. (2011) a fasciíte necrosante é uma infecção bacteriana rapidamente progressiva do tecido subcutâneo

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fáscia profunda e além da área necrótica. Em geral, fazem-se necessários vários debridamento, e o enxerto de pele é quase sempre necessário. Com relação à escolha do tipo de reconstrução, Biagi et al. (2012) afirma que não há uma regra geral, devendo cada caso ser individualizado e considerados aspectos como a cicatrização da ferida, manutenção da função e a recuperação estética. Quanto à antibioticoterapia Costa et al. (2004) e Pitta et al. (2011) concordam que a mesma não é suficiente quando utilizada de maneira isolada, devido a presença da necrose tecidual, a qual compromete a concentração da droga no local da infecção. Segundo Soares et al. (2008), em 80% dos casos a forma é polimicrobiana, o que justifica a antibioticoterapia inicial empírica, de amplo espectro, formada pela associação de clindamicina, com aminoglicosídeo ou ciprofloxacin, empregada em casos relatados. Ele ainda afirma que recentemente a Sociedade Americana de Doenças Infecciosas indicou a associação de ampicilina-sulbactam, clindamicina e ciprofloxacin como esquema de escolha para infecções comunitárias. Já nos casos de infecção hospitalar, é indicada a associação de carbapenêmico a anaerobicida, de acordo com o perfil se sensibilidade das bactérias mais prevalentes na instituição. Para autores como Lima et al. (2003) e Soares et al. (2013), o uso do oxigênio hiperbárico é uma modalidade de tratamento auxiliar que vem resultando em melhoras nas taxas de morbimortalidade. Biagi et al. (2012) reforça que a oxigenoterapia hiperbárica além de deter o processo infeccioso, na fase da reconstrução ela atua melhorando as condições circulatórias locais e consequentemente a cicatrização. Porém para Pitta et al. (2011) existe uma necessida-

mento seja útil para algumas lesões, não existem evidências suficientes para indicar quais o pacientes que dela se beneficiarão e qual o momento adequado para iniciar o tratamento. Concordando todos com Lima et al. (2003) quando o mesmo afirma que a OHB tem grande valia, não como tratamento isolado, mas associado aos debridamento cirúrgicos necessários e à antibioticoterapia apropriada, desde que a indicação seja adequada e o tratamento seja instituído o mais precocemente possível, visando à diminuição da alta taxa de mortalidade normalmente encontrada nesse tipo de patologia. Atualmente, a amputação só é realizada excepcionalmente, quando o membro acometido já se tornou absolutamente inviável. (COSTA et al.. 2004, p. 222). CONSIDERAÇÕES FINAIS A Fasciíte Necrosante é uma patologia muito grave, verdadeira mergência clínica, que ainda mantém uma elevada taxa de morbimortalidade. Este artigo encontrou vários pontos de discordância entre os autores, desde o estabelecimento da certeza diagnóstica até a escolha da antibioticoterapia e uso da oxigenoterapia hiperbárica (modalidade de tratamento que vem demonstrando diminuição da morbimortalidade da FN), mostrando assim a necessidade de mais estudos envolvendo esta temática de diagnóstico precoce (através do aumento da suspeição clínica) e escolha correta do tratamento. Ficando alguns questionamentos (Como aumentar a suspeição clínica para um diagnóstico precoce? Qual o melhor esquema de antibiótico? A oxigenoterapia hiperbárica deve ser usada?) que podem servir como sugestões para futuras pesquisas e ampliar, desta forma, a discussão e o conhecimento sobre esta patologia.

REFERÊNCIAS BIAGI, Veruska; et al.. Infecções necrosantes de tecidos moles: experiência do serviço de cirurgia plástica do Hospital Universitário Cajuru. Curitiba, 2012. 134-135p. LIMA, Edgard; et al.. O papel da oxigenoterapia hiperbárica no tratamento a gangrena gasosa clostridiana e da fasciíte necrotizante. São Paulo, 2003. 220-223p. MORESI, Eduardo. Metodologia da pesquisa. Brasília, 2003. 9p. PITTA, Guilherme; et al.. Fasciite necrotisante após vacina influenza: relato de caso. Maceió, 2011. 185-188p. SOARES, Felipe; et al.. Fasciíte necrotizante em paciente diabético. Campos, 2013. 220p. SOARES, Thiago; et al.. Diagnóstico e tratamento da fasciíte necrosante (FN): relato de dois casos. Minas Gerais, 2008. 29-30p. COSTA, Izelda; et al.. Fasciíte necrosante: revisão com enfoque nos aspectos dermatológicos. Rio de Janeiro, 2004. 211-224p.

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Feohifomicoses: infecções fúngicas oportunistas

Lívia Pereira Nunes Bomfim1 Ingrid Ramalho Leite² Thiago Gomes de Fiqueiredo Gondim3 1.PÓS GRADUANDA EM DERMATOLOGIA CLÍNICA E CIRÚRGICA CMBS

2.PÓS GRADUANDA EM DERMATOLOGIA CLÍNICA E CIRÚRGICA CMBS / ESPECIALISTA EM QUALIDADE E SEGURANÇA DO PACIENTE PELA FIOCRUZ 3.MESTRE EM PATOLOGIA – UFPE / COORDENADOR DA PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM DERMATOLOGIA CBMS)

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RESUMO

feohifomicoses estão dispersos abundantemente no meio ambiente e exigem condições particulares para passar do saprofitismo à patogenicidade, raramente causando enfermidades. A maior ocorrência dessas patologias incide sobre pacientes imunocomprometidos, principalmente em regiões tropicais das Américas Central e do Sul. Apesar de também acometer indivíduos hígidos, estes fungos atingem geralmente pacientes com doença crônica e debilitante e estão sendo cada vez mais reconhecidos como importantes patógenos humanos em pacientes com diabete mellitus, neoplasias, leucemia, linfoma, mieloma múltiplo, síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA), bronquiectasias, que fazem diálise peritoneal, em transplantados de órgãos sólidos e em quem faz uso prolongado de drogas imunossupressoras, quimioterápicos e corticosteróides sistêmicos (LIMA et al., 2010; ROSSETTO et al. 2010; SOOD et al., 2014; RAZA, et al., 2015).

O termo feohifomicose é utilizado para descrever infecções cutâneas, subcutâneas e sistêmicas causadas por fungos demáceos no tecido hospedeiro. Este grupo heterogêneo de fungos oportunistas é constituído por saprófitas do solo, patógenos de plantas e contaminantes que vivem no ambiente, afetando principalmente indivíduos imunodeprimidos. Este estudo tem como principal objetivo destacar os principais aspectos relacionados às feohifomicoses, dentre eles: etiologia, classificação, diagnóstico, conduta, prognóstico. Trata-se de uma revisão bibliográfica realizada durante os meses de setembro e outubro de 2015 por meio das bases de dados Lilacs, Medline, Scielo e Pubmed, onde foram consultados artigos originais e relatos de caso sobre o tema. Tendo em vista que um dos órgãos mais afetados pela feohifomicose é a pele, ressalta-se que a dermatologia tem papel fundamental no diagnóstico e orientação terapêutica para as demais especialidades médicas, principalmente nos casos com localizações atípicas das lesões.

ETIOLOGIA, CLASSIFICAÇÃO O agente etiológico das feohifomicoses é composto por um grande grupo heterogêneo de fungos filamentosos denominados dematiáceos ou demáceos por possuírem melanina na parede celular, o que lhes confere patogenicidade. As manifestações clínicas têm sido verificadas principalmente nos tecidos cutâneo e subcutâneo, embora também sejam descritas formas rinosinusais, oculares, osteolíticas, disseminação para vários órgãos, além de acometimento do sistema nervoso central (FERREIRO et al., 2007). Conforme Minotto et al. (2014), os fatores de virulência para o desenvolvimento da doença incluem a produção, pelo fungo, de melanina por enzimas proteolíticas e hialuronidases. A forma subcutânea ocorre quando o agente penetra na pele por trauma ou solução de continuidade. Por sua vez, a infecção sistêmica ocorre quando os esporos são inalados ou a pele é invadida. Segundo os autores supracitados, as feohifomicoses são clinicamente classificadas em: superficial; cutânea e córnea; subcutânea e sistêmica. Lesões subcutâneas afetam homens e mulheres igualmente, e a maior incidência está entre a terceira e a quinta décadas de vida. Manifestam-se como cistos feomicóticos, comuns nas falanges dos dedos das mãos ou nódulos bem demarcados, de crescimento lento, geralmente localizados nas áreas expostas, tais como membros superiores e inferiores. A forma cística é a lesão subcutânea mais comum e é caracterizada como um tumor firme com bordas marcadas e superfície da pele intacta. Exophiala jeanselmei é reconhecido como agente causador de feohifomicose devido a sua abundância na natureza. Este é um tipo raro de infecção e não existem ensaios clínicos para orientar o tratamento adequado desta doença. Feohifomicose subcutânea pode ocorrer em imunocompetentes e imunocomprometidos, com maior risco de fracasso terapêutico nestes (MINOTTO et al., 2014). Lima et al. (2010) afirmam que a infecção cutânea superficial e de tecidos subcutâneos é comum, principalmente com uso de medicação imunossupressora. Para esses autores, a forma subcutânea se manifesta como cistos feomicóticos, comumente nas falanges de quirodáctilos ou como nódulos bem delimitados e de crescimento lento, geralmente em áreas expostas como as extremidades.

INTRODUÇÃO Associadas a uma ampla variedade de infecções oportunistas, as feohifomicoses são causadas por fungos saprófitos do solo, patógenos de plantas ou fitopatogênicos e contaminantes que vivem no ambiente. Têm distribuição cosmopolita e são comuns em climas quentes e úmidos, porém pouco frequentes em patologia humana e animal (FERREIRO et al., 2007). Entretanto, em pacientes imunocomprometidos, estes fungos são habitualmente admitidos como importantes microorganismos patogênicos (RAZA, et al., 2015). O termo feohifomicose é utilizado para descrever infecções cutâneas, subcutâneas e sistêmicas causadas por fungos demáceos no tecido hospedeiro. Segundo Sood et al. (2014), mais de 100 espécies e 60 géneros de fungos (principalmente os gêneros Wangiella, Alternaria e Exophiala) têm sido implicados na etiologia de feohifomicose. Ainda conforme Sood et al. (2014), as manifestações mais graves dessas infecções oportunistas são as que acometem o sistema nervoso central (SNC), sendo a feohifomicose cerebral uma doença rara e frequentemente fatal. Este estudo crítico reflexivo tem como principal objetivo destacar os principais aspectos relacionados às feohifomicoses, dentre eles: etiologia, classificação, diagnóstico, conduta, prognóstico. METODOLOGIA Este estudo trata-se de uma revisão bibliográfica construída através do levantamento de dados encontrados na literatura. Foi realizada pesquisa bibliográfica durante os meses de setembro e outubro de 2015 por meio das bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), Scientific Electronic Library Online (SCIELO) e National Center for Biotechnology Information (PUBMED), onde foram consultados artigos originais e de revisão sobre o tema. Pretendeu-se resumir os dados mais relevantes na literatura sobre as feohifomicoses, destacando etiologia, classificação, diagnóstico, conduta, prognóstico e salientar questões que, por esclarecer, poderão ser alvo de estudos futuros.

DIAGNÓSTICO

ANÁLISE DOS DADOS

Apesar dos agentes etiológicos serem muito heterogêneos sob o ponto de vista taxonômico, as manifestações clínicas por pacientes acometidos por esses fungos são muito similares. Desta forma, ressalta-se a importância da identificação do agente etiológico

INCIDÊNCIA/PREVALÊNCIA/EPIDEMIOLOGIA Segundo Rossetto et al. (2010), os fungos causadores de

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envolvido na feohifomicose através do exame histopatológico ou imunohistoquímico (FERREIRO et al., 2007; LIMA et al., 2010).

na literatura mundial.

TRATAMENTO/CONDUTA/PROGNÓSTICO

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ferreiro et al. (2007) recomendam tratamento cirúrgico preferencialmente associado à terapia antifúngica. Entretanto, a remissão do quadro pode ser prejudicada pela indefinição da terapêutica medicamentosa, da longa duração do tratamento (3 a 6 meses) e do espectro de ação dos próprios antifúngicos atualmente disponíveis. Ressalta-se ainda a necessidade de acompanhamento constante da evolução do quadro para prevenir recidivas e observar possíveis efeitos tóxicos colaterais. Mesmo assim, é muito frequente o aparecimento de múltiplas recidivas (FERREIRO et al., 2007). De acordo com Raza et al. (2015), o tratamento não é padronizado e a maioria dos fungos demáceos é sensível aos triazóis, assim como à anfotericina B. Não há consenso formal em relação a qual agente específico deve ser usado, bem como a duração da terapia ideal, porque os ensaios clínicos são deficientes. Segundo Ferreiro et al. (2007), os derivados azólicos são os antifúngicos mais empregados: Cetoconazol (5mg/kg bid); Itraconazol (5 mg/kg sid) e Fluconazol (5mg/kg bid), sendo possível associação com Flucitosina. Esses autores também sugerem o uso de terbinafina. Os azóis são geralmente utilizados para o tratamento de feohifomicose devido à segurança em administração de longa duração e apresentam moderada a excelente atividade contra fungos dematiáceos. Entre os azóis disponíveis, itraconazol e voriconazol foram relatadas como tendo a atividade mais consistente e potente. Itraconazol tem penetração do líquido cefalorraquidiano pobre, mas é capaz de atingir níveis elevados no tecido cerebral. Em contraste, o voriconazol é capaz de alcançar uma boa penetração tanto de tecido fluido e cérebro cefalorraquidiano (SOOD et al., 2014). Cladophialophora bantiana e Ramichloridium mackenziei são os feohifomicetos mais frequentes causadores de feohifomicose cerebral; embora vários outros fungos dematiáceos, como Exophiala dermatitidis, também têm sido implicados (SOOD et al., 2014). Exophiala dermatitidis é produtor da melanina constitutiva, é consistentemente capaz de crescer a temperaturas superiores a 37°C e produz cápsulas de polissacáridos extracelulares. Estes três fatores têm sido associadas com a virulência do fungo. A espécie tem sido relatada a partir do meio ambiente, mas não é um sapróbio comumente encontrado. Está ausente em material vegetal morto ou no solo e também a partir do ar exterior. No entanto, tem sido isolado a partir de banhos de vapor públicos e reservatórios de água. O nicho ecológico natural de Exophiala dermatitidis ainda tem de ser determinado, mas parece provavelmente ser caracterizado por elevada temperatura e umidade e baixa concentração de compostos orgânicos. Espécies de Exophiala sp. assemelham-se microscopicamente, sendo diferenciadas com base na tolerância à temperatura, assimilação de nitrato e também pela caracterização molecular (SOOD et al., 2014). A mortalidade associada a Exophiala dermatitidis é extremamente elevada, chegando a quase 100% nos casos de envolvimento do SNC. Por causa da raridade de tais casos, não há consenso em relação ao tratamento adequado de feohifomicose cerebral. Uma combinação de tratamento médico e cirúrgico é geralmente recomendado (SOOD et al., 2014). Ferreiro et al. (2007) também enfatizam a opção da excisão cirúrgica preferencialmente associada ao emprego dos derivados azólicos. Mesmo inexistindo imunodepressão, o período de tratamento é longo e o processo bastante dispendioso, sem melhorias no quadro, o que, infelizmente, torna o prognóstico desfavorável, segundo Ferreiro et al. (2007), na maioria dos casos mencionados

As feohifomicoses, enquanto infecções oportunísticas, podem afetar indivíduos imunocomprometidos de ambos os sexos e todas as raças e vêm ganhando destaque como importantes patógenos humanos. Entretanto, há grande dificuldade em estabelecer-se uma terapia apropriada, devido ao fato de os agentes etiológicos serem diversos e difíceis de identificar. Não há consenso formal em relação a qual agente específico deve ser usado, bem como a duração da terapia ideal, porque os ensaios clínicos ainda são bastante deficientes. Sugere-se, portanto, que os médicos envolvidos no tratamento de pacientes imunocomprometidos tenham um alto grau de suspeição clínica para esses patógenos oportunistas para permitir um diagnóstico correto e uma terapêutica eficaz. Tendo em vista que um dos órgãos mais afetados pela feohifomicose é a pele, ressalta-se que a dermatologia tem papel fundamental no diagnóstico e orientação terapêutica para as demais especialidades médicas, principalmente nos casos com localizações atípicas das lesões. Percebe-se, assim, que, no referente às feohifomicoses, distintos serão os papéis e as atribuições do médico dermatologista. Em linhas gerais, é ele quem fará o diagnóstico da doença, que envolve a suspeita ou o estabelecimento do nexo causal, definirá o tratamento e encaminhará para os procedimentos cirúrgicos necessários, quando couber, além de salientar questões que, por esclarecer, poderão ser alvo de futuros estudos, mais detalhados, recomendados para determinar os parâmetros epidemiológicos, quadro clínico, apresentação e diagnóstico, bem como estratégias terapêuticas dos diversos tipos de feohifomicoses.

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REFERÊNCIAS FERREIRO, L.; SPANAMBERG, A.; BORBA, M.R.; SANCHES, E.M.C.; ROEHE, C.; SANTURIO, J.M.; CHERMETTE, R. 2007. Feohifomicoses: infecções micóticas emergentes. Acta Scientiae Veterinariae. 35(Supl 2): s239-s241, 2007. LIMA, C.; CAPANEMA, P.; TROPE, B.; QUINTELLA, L.; ISHIDA, C. Feohifomicose subcutânea em paciente imunodeprimido. Serviço de Dermatologia e Curso de Pós-Graduação HUCFF-UFRJ, Faculdade de Medicina - Universidade Federal do Rio de Janeiro. Anais do 65º Congresso Brasileiro de Dermatologia Rio de Janeiro – Setembro 2010. p.328. MINOTTO, R.; CORTE, L.D.; SILVA, M.V.S.; MORAIS, M.R.; VETTORATO, G. Phaeohyphomycosis of the ungual apparatus - Case report. An Bras Dermatol. 2014;89(4):649-51. RAZA, H.; KHAN, R.U.; ANWAR, K. et al. Visceral pheohyphomycosis caused by Alternaria alternata offering a diagnostic as well as a Therapeutic Challenge. Saudi J Kidney Dis Transpl 2015;26(2):339-343. ROSSETTO, A.L.; DELLATORRE, G.; PÉRSIO, R.A.; ROMERO, J.C.M.; CRUZ, R.C.B. Feo-hifomicose subcutânea por Exophiala jeanselmei localizada na bolsa escrotal - Relato de caso. An Bras Dermatol. 2010;85(4):517-20. SOOD, S.; VAID, V.K.; SHARMA,M.H.; BHARTIYA,H. Cerebral phaeohyphomycosis by Exophiala dermatitidis. Indian Journal of Medical Microbiology. 2014. v. 32, p. 188-190. TSANG, C.C.; CHAN, J.F.W; IP,P.P.C.; NGAN, A.H.Y.; CHEN, J.H.K.; LAU, S.K.P.; WOO, P.C.Y. Subcutaneous Phaeohyphomycotic Nodule Due to Phialemoniopsis hongkongensis sp. nov. Journal of Clinical Microbiology p. 3280–3289 September 2014 Volume 52 Number 9.

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Piomiosite: revisão bibliográfica Tália de Moura Sousa1 Mirelle Fabianne Santos de Souza2 Thiago Gomes de Figueiredo Gondim3 Júlio César de Santana Gonçalves4

1.PÓS GRADUANDA EM DERMATOLOGIA CLÍNICA E CIRÚRGICA CMBS 2.PÓS GRADUANDA EM DERMATOLOGIA CLÍNICA E CIRÚRGICA CMBS

3.MESTRE EM PATOLOGIA – UFPE / COORDENADOR DA PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM DERMATOLOGIA CBMS) 4.MESTRE EM ADMINISTRAÇÃO PELA UFPE.

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RESUMO

DISCUSSÃO

A piomiosite é uma infecção bacteriana rara, que acomete o tecido muscular, mais comumente o tronco e membros inferiores, causado principalmente pelos Staphylococcus aureus. Esta patologia frequentemente acomete indivíduos entre 10 a 20 anos de idade, em regiões tropicais, entretanto sua incidência em adultos e zonas temperadas tem aumentado em decorrência de pacientes imunocomprometidos, por este motivo, convém ao profissional de saúde estar devidamente atualizado sobre essa importante temática a fim de evitar atraso no diagnóstico, levando a complicações graves ou letais. O presente estudo trata-se de uma abordagem qualitativa de natureza descritivo-explicativa, realizada através da pesquisa de artigos científicos, nos meses entre agosto e setembro, não foi determinado o tempo entre os artigos pesquisados devido à raridade do tema abordado. A pesquisa objetiva fazer uma revisão bibliográfica sobre piomiosite, a cerca do conceito, prevalência, incidência, diagnóstico e tratamento para difundir o tema proposto no meio profissional.

Na piomiosite vários fatores predisponentes podem estar associados, dentre eles: residir em áreas tropicais, infecção pelo HIV, diabetes, neoplasias, doenças reumatológicas, doenças hematológicas, dermatite atópica, malária, uso de imunossupressores, exercícios extenuantes, uso de drogas intravenosas, trauma local, infecções virais e deficiência nutricional (HASHEMI et al., 2012). Embora possa ser causada por qualquer agente bacteriano, 90% dos casos dessa enfermidade são provocados pelo Staphylococcus aureus nas zonas tropicais e 75% nas áreas temperadas, secundário a disseminação hematogênica. Cerca de 1–5% são acometidos por estreptococos do grupo A e menos comumente estão envolvidos os estreptococos do grupo B, C e G, pneumococos, bacilos gram negativos e Haemophilus spp. (GARCÍA et al., 2013) A patogênese da doença é incerta. Na maioria dos casos a infecção ocorre sem porta de entrada, por isso acredita-se que a infecção ocorre como complicação da bacteremia. Outra hipótese é a associação da bacteremia a anormalidade muscular, causada pelo trauma muscular dias antes do acometimento da doença. Este fato explica o aparecimento de piomiosite após choque elétrico, crises convulsivas e exercícios extenuantes (BARAN et al., 2012). Em relação às manifestações clínicas podemos identificar três estágios da doença: estágio 1 ou invasiva - se caracteriza por manifestações inespecíficas, como dor muscular, sinais inflamatórios, febre, rigidez muscular que pode simular câimbras. Nesta fase pode estar presente eosinofilia e leucocitose; estágio 2 ou supurativa – ocorre a partir do décimo dia com a formação do abscesso e presença de leucocitose. Devido à clareza do quadro, nessa fase são realizados 90% dos diagnósticos; e estágio 3 ou tardia – ocorre a partir do vigésimo dia com dor importante, febre alta, sinais de toxemia podendo evoluir para choque séptico e complicações à distância, dentre elas: pneumonia, derrame pleural e pericárdio, abscesso pulmonar e cerebral, síndrome compartimental, osteomielite e destruição articular (AZEVEDO et al., 2004; EJNISMAN et al., 2007). A evolução da piomiosite depende do agente causador, a doença causada pelo Staphylococus aureus geralmente é benigna e raramente leva a óbito. Em contrapartida, a doença causada pelo Streptococcus sp., principalmente os betahemolítico do grupo A, pode ser muito agressiva, causando necrose e sepse, mesmo realizando o tratamento adequado (AZEVEDO et al., 2004). Conforme Azulay et al. (2013, p. 386) o diagnóstico etiológico é realizado por meio de hemoculturas, bacterioscopia e cultivo de exsudato do abscesso através de punção ou drenagem cirúrgica. A leucocitose e a velocidade de hemossedimentação geralmente estão presentes. Em contrapartida, as enzimas musculares raramente se alteram. A ultrassonografia e a tomografia computadorizada podem ser úteis, mas são menos sensíveis no estágio inicial da doença, diferente da ressonância magnética, exame padrão ouro no diagnóstico da piomiosite por ser capaz de detectar inflamação da musculatura (AZEVEDO et al., 2004). O tratamento depende do estágio da doença. Na fase inicial pode ser realizado apenas antibioticoterapia (EJNISMAN et al., 2007). A presença de abscesso exige a necessidade de drenagem associado ao antibiótico. Para Siqueira e Siqueira (1998) a oxacilina é o antibiótico de escolha. De acordo com Azevedo et al. (2004) os antibióticos utilizados como terapêutica na piomiosite são penincilinas com beta-lactamases, como: oxacilina, metacilina ou cefalosporinas de primeira a terceira geração, sendo o diagnóstico precoce fundamental para o tratamento adequado e para prevenção de complicações.

INTRODUÇÃO Piomiosite (PM) é uma infecção rara, subaguda, que acomete grandes músculos dos membros inferiores e do tronco, mais prevalente em regiões tropicais e negros (AZULAY et al., 2013, p. 386). Em contrapartida, Hashemi et al. (2012) afirma que esta patologia é de caráter agudo e a incidência vem aumentando em locais de clima temperado devido a pacientes imunocomprometidos. Piomiosite tropical é assim denominada por acometer, principalmente, em regiões tropicais. Além dessa nomeação é também chamada de piomiosite primária, miosite infecciosa, purulenta ou supurativa, miosite purulenta tropical, abscesso epidêmico ou miosite bacteriana (AZEVEDO et al., 2004). O gênero masculino é o mais acometido, podendo acontecer em qualquer faixa etária, no entanto é mais freqüente na primeira e segunda décadas de vida em pessoas sem comorbidades e a partir dos 30 anos é comum em adultos imunocomprometidos (AZEVEDO et al., 2004). É importante o diagnóstico correto e precoce desta doença a fim de evitar complicações e evolução letal. Em nosso país a piomiosite ainda é uma doença pouco difundida acarretando atraso no diagnóstico, devido a pouco conhecimento médico, diversidade de apresentações clínicas, raridade e dificuldade em afastar diagnósticos diferenciais (HASHEMI et al., 2012). Diante do exposto, o presente trabalho visa difundir o conhecimento na área da saúde a cerca da piomiosite, descrevendo conceito, diagnóstico e tratamento. METODOLOGIA A presente pesquisa trata do tema piomiosite, por meio de uma revisão da literatura, através de uma abordagem qualitativa de natureza descritivo-explicativa, para a qual não foi empregada análise estatística de artigos publicados na base de dados LILACS, PUBMED, MEDLINE e BVS, coletados por pesquisa eletrônica entre agosto e setembro de 2015, bem como fontes literárias consagradas na área. Conforme Gil (2008) a pesquisa descritiva tem a finalidade de caracterizar uma determinada população, fenômeno ou a existência de relações entre variáveis, podendo ir além desse objetivo ao determinar a natureza dessa relação, se aproximando da natureza explicativa da pesquisa. Esta, por sua vez, identifica os fatores determinantes ou contribuintes para a realização do fenômeno pesquisado, explicando a razão dos eventos e, desta forma, aproximando o conhecimento da realidade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS A piomiosite é uma patologia presente principalmente em zonas

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tropicais, motivo pelo qual foi denominada de piomiosite tropical, poucos estudos recentes podem ser encontrados na base de dados, talvez justificado pela raridade da doença. Entretanto, por ser uma enfermidade potencialmente letal e que pode evoluir com sérias complicações, é de suma importância sua identificação precoce, por meio de anamnese, exame clínico e laboratorial, atentando-se para os sinais de alerta, como faixa etária, condição imunológica do paciente, localização - por acomete grandes grupos musculares, bem como história recente de trauma local. Afinal, a rápida intervenção e início da antibioticoterapia, são fundamentais para

aplacar a evolução natural dessa enfermidade e evitar a instalação de um estado grave de disfunção orgânica generalizada, denominada de choque séptico. Portanto, faz-se necessário estudos mais aprofundados, como forma de elucidar a patogênese, ainda obscura dessa doença, possibilitando assim um diagnóstico e intervenção terapêutica precoces, reduzindo drasticamente complicações e mortalidade decorrente do incorreto manejo dessa infecção.

REFERÊNCIAS 1. AZEVEDO, P.S.; MATSUI, M.; MATSUBARA, L.S.; PAIVA, S.A.R.; INOUE, R.M.T.; OKOSHI, M.P.; MORCELI, M.; ZORNOFF, L.A.M.; Piomiosite tropical: apresentações atípicas. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, Uberaba, v. 37, n. 3, Mai/Jun. 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0037-86822004000300014. Acesso em: 09/08/2015. 2. AZULAY, D. R.; AZULAY, R. D.; In: Azulay: Dermatologia. Rio de Janeiro, 2013. 6. ed. p. 386. 3. BARAN, E.; AGUILERA, K.; LORENZI, L.M.; SIMONETO, R.; VALUNTAS, L.; BASSO, G.; Piomiositis en un paciente inmunocompetente. Rev. Chilena infect., v. 29, n. 2, 2012. Disponível em: http://www.scielo.cl/scielo.php?pid=S0716-10182012000200017&script=sci_arttext. Acesso em: 09/08/2015. 4. CARDOZO FILHO, N.S.; GASPAR, E.F.; SIQUEIRA, K.L.; MONTEIRO, G.C.; ANDREOLI, C.V.; EJNISMAN, B.; COHEN, M.; Piomiosite em atletas após o uso de esteróides anaolizantes – relato de casos. Rev. Bras. de Ortopedia, v. 46, n. 1, Jul. 2011. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-36162011000100019. Acesso em: 09/08/2015. 5. CAVAGNARO, F.; RODRÍGUEZ, J.; ARANCIBIA, M.E.; WALKER, B.; ESPINOZA, A.; Piomiositis em niños. Reporte de 2 casos. Rev. Chilena Infectol., v. 30, n. 1, 2013. Disponível em: http://www.scielo.cl/scielo.php?pid=S0716-10182013000100014&script=sci_arttext. Acesso em: 09/08/2015. 6. EJNISMAN, B.; FILHO, J.S.; ANDREOLLI, C.V.; MONTEIRO, G.C.; POCHINI, A.C.; COHEN, M.; Piomiosite multifocal em atleta: relato de caso. Rev. Brasileira de Ortopedia, v. 42, n. 5, Mai. 2007. Disponível em: http://www.rbo.org.br/Desktopdefault.aspx?tabid=132&ItemID=1818&edicaoid=211. Acesso em: 09/08/2015. 7. GARCÍA, C.; HALLIN, M.; DEPLANO, A.; DENIS, O.; SIHUINCHA M.; GROOT, R.; GOTUZZO, E.; JACOBS, J.; Staphylococcus aureus causing tropical pyomyositis, Amazon Basin, Peru. Emerging Infectious Diseases, v. 19, n. 1, 2013. Disponível em: http://wwwnc.cdc.gov/eid/article/19/1/12-0819_article. Acesso em: 09/08/2015 8. GIL, A. C.; Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo, 2008. 6 ed. 9. HASHEMI, S.A.; VOSOUGHI, A.R.; POURMOKHTARI, M.; Hip abductors pyomyositis: a case report and rewiew of the literature. J. Infect. Dev. Ctries, v. 6, n. 2, 2012. Disponível em: http://www.jidc.org/index.php/journal/article/viewFile/22337849/684. Acesso em: 09/08/2015. 10. HASSAN, F.O.A.; SHANNAK, A.; Primary pyomyositis of the paraspinal muscles: a case report and literature review. Eur. Spine J., v. 17, n. 2, 2008. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2525891/. Acesso em: 09/08/2015. 11. POLIZELLI, D.V.; GERALDINO, G.C.; NARVAES, E.; FUNES, E.; TOLEDO, R.A.; MENIN, R.C.; Piomiosite associada ao Diabetes mellitus e cirrose hepática. Rev. Bras. de Reumatologia, São Paulo, v. 50, n. 4, Mai. 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0482-50042010000400011&script=sci_arttext. Acesso em: 09/08/2015. 12. SIQUEIRA, N.G.; SIQUEIRA, C.M.V. M.; Piomiosite tropical. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, v. 25, n. 3, 1998. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rcbc/v25n3/09.pdf. Acesso em: 09/08/2015. 13. TALAVERA, M.B.; WAKAI, M.; CAMPOS, L.M.A.; BALDACCI, E.R.; SILVA, C.A.A.; Piomiosite Bacteriana aguda (PBA) em crianças eutróficas. Ver. Bras. de Reumatologia, São Paulo, v. 46, n. 4, Jul/Ago. 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbr/v43n4/a10v43n4.pdf. Acesso em: 09/08/2015.

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PROPOSTA


Reflexão sobre a criocirurgia como opção terapêutica no tratamento do corno cutâneo. Renata Gomes Souza1 Thiago Gomes de Figueredo Gondim2 Julio César de Santana Gonçãves3 Dialla Tâmara Alves dos Santos4 Ingrid Ramalho Leite5 1.PÓS GRADUANDA EM DERMATOLOGIA CLÍNICA E CIRÚRGICA CMBS

2.MESTRE EM PATOLOGIA – UFPE / COORDENADOR DA PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM DERMATOLOGIA CBMS) 3.MESTRE EM ADMINISTRAÇÃO PELA UFPE.

4.PÓS GRADUANDA EM DERMATOLOGIA CLÍNICA E CIRÚRGICA CMBS 5.PÓS GRADUANDA EM DERMATOLOGIA CLÍNICA E CIRÚRGICA CMBS

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RESUMO

(24; 26,09%), queratose seborreica (20; 21,74%); hiperplasia epitelial benignas (6; 6,52%), triquilemoma (3; 3,26%) e outras (10; 10,87%). Segundo estudo de Nair, Pragya A. (2013) os cornos cutâneos cursam com lesões de base benignas, pré-malignas, ou maligna em 61,1% e 23,2% 15,7% dos casos, respectivamente. Os cornos cutâneos podem ser removidos por um simples desprendimento e cauterização da base papilar. A excisão cutânea com posterior avaliação histopatológica para descartar subjacentes malignidades e orientar a terapia mais potencial, é a mais indicada. (FERNANDES, N. F. et al., 2009. p.191). A criocirurgia é um procedimento que consiste na aplicação de frio em baixas temperaturas direta e indiretamente sobre a pele, causando uma destruição local do tecido em forma eficaz e controlada. Sobre lesões benignas podemos utilizá-la como eleição em verruga vulgar, verrugas planas, ceratose seborreica, molusco contagioso, ceratose actinica, lentigo senil, simples ou vulga, entre outros; como alternativa em condilomas acuminados, dermatofibroma, queloides e cicatrizes hipertróficas, leucoplasia, xantelasmas, entre outras lesões, assim como também podemos usa-la em precancer e câncer cutâneos como queilite actinica, leucoplasia, ceratose actínica, lentigo maligno, doença de Bowen, carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular. (TRUJILLO et al., 2007. p. 161,162). Em relação à exérese cutânea encontramos algumas vantagens, tais como: relativa facilidade e rapidez de aplicação, baixo custo e alto rendimento, não há necessidade de anestesia local, não há sangramentos, podem ser realizadas em idosos com segurança. E como inconveniente é uma técnica cega, ou seja, sem dados histopatológicos e causam edema de moderada intensidade, ardor e dor que duram alguns minutos. (TRUJILLO et al., 2007. p.162)

O corno cutâneo é uma projeção cônica com excrecência eczematosa, de queratina coesa, projetando-se sobre a pele. Grosseiramente se assemelha a um chifre de animal, mas que carece de um núcleo ósseo. Podem esta associada a lesões benignas, pré-malignas e malignas. Este fato por si demonstra a importância dessa patologia. O objetivo deste estudo será observar a segurança da utilização da criocirurgia em algumas dessas lesões encontradas, mesmo sendo o tratamento mais indicado à excisão cutânea com posterior avaliação histopatológica para descartar subjacentes malignidades. Sendo a excisão cutânea com posterior histopatologia a mais indicada, a criocirurgia também é uma opção terapêutica adequada para tratar tumores cutâneos benignos, pré-malignos ou malignos, lesões cutâneas pequenas, medias ou grandes, manchas na pele, remoção de verrugas, ceratose actínicas, Doença de Bowen e em alguns casos de carcinoma basocelular, todas podendo ser encontras como base no corno cutâneo. INTRODUÇÃO Corno cutâneo é uma projeção cônica, acentuadamente hiperqueratótica que se assemelha a um corno de um animal e que pode estar associada a lesões benignas, pré-malignas e malignas. Estas lesões podem ser únicas ou múltiplas, de coloração branca ou amarelada, com formas retilíneas ou curvilíneas, e surgem comumente sobre áreas expostas à luz solar, predominantemente em cabeça e membros superiores (MANTESE et al., 2010, p. 158). Como opção de tratamento do corno cutâneo podemos incluir, além da criocirurgia, a exérese cutânea, eletrocauterização, dióxido de carbono, NdYAG laser. Tendo como desvantagem maior custo, uso de anestesia local, técnica mais invasiva, contraindicações em alguns casos. A criocirurgia utiliza o nitrogênio líquido a -196 C provocando o congelamento das lesões cutâneas ao reduzir sua temperatura para muito abaixo de zero, levando a alteração que leva a destruição do tecido doente. Este artigo tem como objetivo ressaltar a segurança na utilização de criocirurgia em determinadas lesões, mesmo sendo a conduta utilizada para o tratamento de corno cutâneo a exéreses cirúrgica seguida de avalição histopatológica, segundo Mantese et al. (2010, p.158).

CONSIDERAÇÕES FINAIS A importância do corno cutâneo se dá por este está associado a lesões benignas, pré-malignas e malignas. Eles raramente são vistos maior que 1 cm de comprimento na prática clínica devido a sua natureza de crescimento lento e remoção precoce, o que nos permite utilizar a criocirurgia como uma opção segura, deixando assim a excisão cutânea com margem de segurança para lesões com aspecto de malignidade de base.(FERNANDES, N. F. et al., 2009. p.190). São mais frequentes em idosos o que nos leva a optar por tratamentos menos agressivos. A criocirurgia é uma técnica cirúrgica amplamente utilizada. É um método eficaz, simples e seguro no tratamento de muitas das lesões dermatológicas. (TRUJILLO et al., 2007. p.167). Ela não é a única modalidade de tratamento, mas representa uma alternativa de muito valor e em ocasiões resulta ser a terapia de primeira linha. Como vantagem desse tratamento com as demais opções terapêuticas encontramos o baixo custo, facilidade e rapidez da aplicação, não utiliza anestesia local, não altera o ritmo de vida do paciente com seus temores a uma operação, não tem sangramento e pode ser realizado nos pacientes onde exista contraindicação a outras técnicas. (TRUJILLO et al., 2007. p.162)

METODOLOGIA A metodologia deste artigo se baseou fundamentalmente em uma revisão bibliográfica em artigos, coletados no período de agosto a setembro nas bases cientificas de dados SciELO e Bireme. O tratamento dos dados se deu predominantemente qualitativo, a fim de proporcionar uma compreensão do contexto do problema, não empregando assim um instrumental estadístico como base do processo de análise. Trata-se de uma pesquisa descritiva e explicativa. ANÁLISES DOS DADOS Em vários casos revisados para valorizar as associações histopatológicas do corno cutâneo, se demonstrou sua preferencia por lesões benignas. No estudo de Mantese et al. (p.158,159), de um total de 222 lesões, 92 cornos cutâneos (41,44%) apresentavam na sua base alterações histopatológicas benignas, 114 lesões (51,35%) eram pré-malignas e 16 (7,21%) eram malignas. Entre as lesões benignas as mais frequentes foram verrugas virais (29; 31,52%), queratoacantoma

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REFERÊNCIAS Chambô Filho A, Souza Filho JB, Pignaton CC, Zon I, Fernandes AS, Cardoso LQ. Chronic mucocutaneous candidiasis: a case with cutaneous horns lush in nipples. An Bras Dermatol. 2014;89(4):641-4 Fernandes, N. F. et al. Cutaneous horn: a potentially malignant entity. New Jersey, 2009.189-193p. Kumar, Sunil et al. Carcinoma Buccal Mucosa Underlying a Giant Cutaneous Horn: A Case Report and Review of the Literature. India, 2014. Mantese SAO, Diogo PM, Rocha A, Berbert ALCV, Ferreira AKM, Ferreira TC. Corno cutaneo: estudo histopatologico retrospectivo de 222 casos. An Bras Dermatol. 2010;85(2):157-63. Nair, Pragya A. et al. Actinic keratosis underlying cutaneous horn at an unusual site- a case report. India, 2013, 7:376 p. Trujillo, Israel Alfonso et al. Criocirurgia em dermatologia. Experiencia en el Hospital Clinico Quirurgico Unversitario “Hermanos Ameijeiras”. Peru, 2007. Vol 17(3).

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Colégio Brasileiro de Medicina e Saúde Setembro de 2017 Ano I Edição II

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