Page 1

!""#$%% !""&'!()%#$

*+*   62

Marรงo / Abril 9 

 


SUMÁRIO / CONTENTS Rev Col Bras Cir 2019; 46(2) ARTIGOS ORIGINAIS Acidentes na infância: casuística de um serviço terciário em uma cidade de médio porte do Brasil Accidents in childhood: casuistry of a tertiary service in a medium-sized city in Brazil Anderson César Gonçalves; Maria Paula Bortoleti de Araújo; Karina Veronezi de Paiva; Caio de Souza Araújo Menezes; Anna Érica Mero Cavalcanti da Silva; Giuliana de Oliveira Santana; Érika Veruska Paiva Ortolan; Pedro Luiz Toledo de Arruda Lourenção .............................. e2104 Análise da eficiência de uma rede de urgência para tratamento de múltiplos queimados Analysis of the efficiency of an emergency network for the treatment of multiple burn victims Fábio Mendes Botelho Filho; Iara Mateus Marçal; Lina Roa; André Gonçalves Marinho; Gabriela Zamunaro Lopes Ruiz; Leonardo Motta Costa Lopes; Lígia Ferreira Brenck; Juliana Louzada Campos; Letícia Maria Moreira Rabelo; Taylane Vilela Chaves; Luide Scalioni Borges Dias; Ana Paula Rosendo Santos; Lucas Barbosa Tolentino; Nivaldo Alonso ......................................................................................................................... e2115 Perfil epidemiológico do trauma torácico em um hospital referência da Foz do Rio Itajaí Epidemiological profile of thoracic trauma in a reference hospital of Foz do Rio Itajaí Gulherme Zappelini Zanette; Rafaela Silva Waltrick; Mônica Borges Monte ................................................................................................ e2121 Accuracy of the ultrasound examination in patients with inguinal hernia Avaliação da acurácia do exame ultrassonográfico em pacientes portadores de hérnia inguinal Bárbara Henriqueta Ferreira Duarte; Ana Paula Marconi Iamarino; Silvio Gabor; Murillo de Lima Favaro; Yara Juliano; Neil Ferreira Novo; Marcelo Fontenelle Ribeiro Júnior ............................................................................................................................................................................ e2108 Expression of neurotrophins and their receptors in primary osteosarcoma Expressão de neurotrofinas e de seus receptores no osteossarcoma primário Bruno Pereira Antunes; Ricardo Gehrke Becker; André Tesainer Brunetto; Bruno Silveira Pavei; Caroline Brunetto de-Farias; Luís Fernando da Rosa Rivero; Julie Francine Cerutti Santos; Bruna Medeiros de-Oliveira; Lauro José Gregianin; Rafael Roesler; Algemir Lunardi Brunetto; Fernando Pagnussato; Carlos Roberto Galia ............................................................................................................................................................... e2094

Rev Col Bras Cir

Rio de Janeiro

Vol 46

Nº 2

mar/abr

2019


Órgão Oficial do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

BIBLIOTECÁRIA Lenita Penido Xavier

EDITOR

GUILHERME PINTO BRAVO NETO, TCBC-RJ Professor Associado IV do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - Rio de Janeiro - RJ - BR

EDITORES ASSOCIADOS

FELIPE CARVALHO VICTER, TCBC - RJ Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) - Rio de Janeiro – RJ - BR FERNANDO PONCE LEON, TCBC- RJ Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - Rio de Janeiro - RJ - BR

ASSISTENTE DE REDAÇÃO David da Silva Ferreira Júnior

PROJETO GRÁFICO

GN1 Sistemas e Publicações

JORNALISTA RESPONSÁVEL João Maurício Carneiro Rodrigues Mtb 18.552

CONSELHO DE REVISORES ABRÃO RAPOPORT, ECBC-SP - Universidade de São Paulo (USP) - São Paulo - SP - BR ADRIANA DAUMAS P. GUIMARÃES, TCBC-AM - Universidade Federal do Amazonas (UFAM) - Manaus - AM - BR AGNALDO SOARES LIMA, TCBC-MG - Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) - Belo Horizonte - MG - BR ALBERTO BICUDO SALOMÃO, TCBC-MT - Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) - Cuiabá MT - BR ALDO DA CUNHA MEDEIROS, ECBC-RN-Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Natal - RN - BR ALEXANDRE FERREIRA OLIVEIRA, TCBC-MG - Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora - MG - BR ALFREDO GUARISCHI, TCBC-RJ - Instituto Nacional do Câncer (INCa) - Rio de Janeiro - RJ - BR ÁLVARO ANTONIO BANDEIRA FERRAZ, TCBC-PE - Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Recife – PE - BR ANA CRISTINA DE OLIVEIRA MARINHO, ACBC-RJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro – RJ - BR ANA CRISTINA GOUVEIA MAGALHÃES - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio De Janeiro- RJ – BR ANDRÉ GUSMÃO CUNHA, TCBC-BA - Universidade Federal da Bahia (UFBA) - Salvador - BA - BR ANDY PETROIANU, TCBC-MG – Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte - MG-BR ANTONIO CARLOS ACCETTA, TCBC-RJ - Universidade Federal Fluminense (UFF) - Niteroi - RJ - BR ANTONIO CARLOS LIGOCKI CAMPOS, TCBC-PR - Universidade Federal do Paraná (UFPR) - Curitiba - PR - BR ANTONIO CARLOS VALEZI, TCBC-PR – Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina - PR – BR ANTONIO JOSÉ GONÇALVES, TCBC-SP - Faculdade De Ciências Médicas da Santa Casa de São PauloSão Paulo - SP - BR ARLINDO MONTEIRO DE CARVALHO JR., TCBC - PB -Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa - PB - BR ARMANDO GERALDO FRANCHINI MELANI, TCBC-SP – ICARD América Latina – São Paulo - SP –BR BRUNO MOREIRA OTTANI, TCBC-DF - Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) - Brasília - DF - BR BRUNO MORISSON – Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBCV), Rio de Janeiro RJ - BR CARLOS ALBERTO PORCHAT, TCBC-RJ - Hospital Clementino Fraga Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (HUCFF), Rio de Janeiro - RJ - BR CARLOS ANSELMO LIMA, TCBC-SE- Universidade Federal de Sergipe (UFSE), Aracaju - SE-BR CARLOS DELROY - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) - São Paulo - SP – BR CARLOS TEIXEIRA BRANDT, ECBC-PE – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) – Recife - PE – BR CLÁUDIO DE SABOYA DAVID, TCBC-RJ - Instituto de Pós-Graduação Médica Carlos Chagas (IPGMCC) - Centro - RJ - BR DAYSE COUTINHO VALENTE, TCBC-RJ- Instituto Fernando Luiz Barroso – Rio de Janeiro - RJ - BR DIOGO FRANCO, TCBC-RJ- Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro - RJ - BR DOMINGOS ANDRÉ FERNANDES DRUMOND, TCBC-MG - Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) - Belo Horizonte - MG - BR DJALMA JOSE FAGUNDES, ECBC-SP - Universidade Federal De São Paulo (USP), São Paulo - SP - BR EDNA FRASSON DE SOUZA MONTERO, TCBC-SP- Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo – SP - BR EDUARDO CREMA, TCBC-MG - Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Uberaba - MG - BR EDUARDO HARUO SAITO, TCBC-RJ - Universidade do Estado do Rio De Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro - RJ-BR ELIZABETH GOMES DOS SANTOS, TCBC-RJ - Universidade Federal Do Rio De Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro – RJ - BR FÁTIMA CARNEIRO FERNANDES - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro - RJ - BR FLAVIO DANIEL SAAVEDRA TOMASICH, TCBC-PR - Universidade Federal do Paraná (UFPR), Curitiba – PR - BR FLÁVIO MALCHER M. DE OLIVEIRA, TCBC-RJ - Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), Rio de Janeiro - RJ - BR FLORENTINO DE ARAUJO CARDOSO FILHO, TCBC-CE - Universidade Federal do Ceará (UFCE) Fortaleza - CE - BR FREDERICO AVELLAR SILVEIRA LUCAS, TCBC-RJ - Instituto Nacional Do Câncer (INCa), Rio de Janeiro - RJ - BR GIULIANO ANCELMO BENTO, ACBC- RJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro – RJ – BR

GUSTAVO PEIXOTO SOARES MIGUEL, TCBC-ES - Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Vitório - ES - BR HAMILTON PETRY DE SOUZA, ECBC-RS- Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre - RS –BR HAROLDO VIEIRA DE MORAES Jr. - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro RJ - BR HELIO MACHADO VIEIRA JR., TCBC-RJ HENRI CHAPLIN RIVOIRE, TCBC-RS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), Porto Alegre - RS - BR HENRIQUE MURAD, ECBC-RJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro - RJ – BR IRAMI ARAUJO FILHO, TCBC-RN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Natal – RN - BR IZIO KOWES, TCBC-BA - Instituto de Ensino e Simulação em Saúde (INESS) - Salvador - BA - BR JOAQUIM RIBEIRO FILHO, TCBC-RJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - Rio de Janeiro - RJ - BR JOSÉ ANACLETO DUTRA RESENDE Jr. - Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), Rio de Janeiro - RJ - BR JOSÉ EDUARDO DE AGUILAR-NASCIMENTO, TCBC -MT-Universidade Federal De Mato Grosso (UFMT), Cuiabá – MT –BR JOSÉ EDUARDO FERREIRA MANSO, TCBC-RJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro – RJ – BR JOSÉ JÚLIO DO REGO MONTEIRO FILHO, TCBC-RJ - Sociedade Brasileira de Videocirurgia e Robótica (SOBRACIL) - Rio de Janeiro - RJ - BR JOSÉ LUÍS DE SOUZA VARELA, TCBC-RJ JOSÉ LUIZ BRAGA DE AQUINO, TCBC-SP- Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP), Campinas – SP - BR JOSÉ MARCUS RASO EULÁLIO, TCBC-RJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro – RJ – BR JOSÉ MAURO DA SILVA RODRIGUES, TCBC-SP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), São Paulo - SP – BR JOSÉ SÉRGIO FRANCO, TCBC-RJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro – RJ – BR JOSÉ WILSON NOLETO - Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa - PB - BR JULIO CESAR BEITLER, TCBC-RJ – Universidade Estácio de Sá – Rio de Janeiro –RJ - BR JÚLIO CEZAR UILI COELHO, TCBC-PR – Universidade Federal do Paraná (UFPR), Curitiba –BR KÁTIA SHEYLA MALTA PURIM - Universidade Positivo (UP), Curitiba-PR-BR LAERCIO ROBLES, TCBC-SP - Hospital Santa Marcelina - São Paulo - SP -BR LEONEL DOS SANTOS PEREIRA - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro - RJ - BR LISIEUX EYER DE JESUS, TCBC-RJ- Universidade Federal Fluminense (UFF), Niteroi - RJ - BR LUCIANO ALVES FAVORITO – Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro – RJ – BR LUCIO FILGUEIRAS PACHECO MOREIRA, ACBC-RJ – Instituto de Transplantes – Rio de Janeiro – RJ - BR LUIZ AUGUSTO MALTONI JR., TCBC-RJ - Hospital Fundação do Câncer - Rio de Janeiro - RJ - BR LUIZ CARLOS DUARTE DE MIRANDA, ACBC-RJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro - RJ - BR LUIZ CARLOS VON BAHTEN, TCBC-PR- Universidade Federal do Paraná (UFPR), Curitiba - PR - BR LUIZ GUSTAVO DE OLIVEIRA E SILVA, TCBC-RJ- Hospital Federal de Ipanema/Ministério da Saúde- Rio de Janeiro – RJ - BR MANOEL XIMENES NETO, ECBC-DF - Universidade de Brasília (UnB), Brasília -DF-BR MANUEL DOMINGOS DA CRUZ GONÇALVES, ECBC-RJ- Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro – RJ – BR MARCELO AUGUSTO F. RIBEIRO JR., TCBC-SP - Universidade de Santo Amaro (UNISA), São Paulo SP – BR MARCO ANTONIO MARQUES LEITE, ECBC-RJ - Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica - Rio de Janeiro - RJ - BR MARCOS ALPOIM FREIRE – TCBC-RJ- Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro –RJ – BR MARCOS BETTINI PITOMBO, TCBC-RJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro – RJ - BR MARIA APARECIDA DE ALBUQUERQUE CAVALCANTE - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro - RJ - BR MARIA FERNANDA MARTINELLI TRABULSI, TCBC-SP - Santa Casa de Misericórdia de São José do Rio Preto - São José do Rio Preto - SP - BR MARIA ISABEL TOULSON CORREIA, TCBC-MG - Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) - Belo Horizonte - MG - BR


MARIA DE LOURDES P. BIONDO SIMÕES, TCBC-PR – Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Curitiba – PR-BR MAURÍCIO AUGUSTO S. MAGALHÃES COSTA, TCBC-RJ - Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), Rio De Janeiro - RJ – BR MAURICIO GONÇALVES RUBINSTEIN, TCBC-RJ – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro – RJ – BR MAURO DE SOUZA LEITE PINHO, TCBC-SC – Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE), Joinville – SC - BR MIGUEL LUIZ ANTONIO MODOLIN, ECBC-SP - Universidade de São Paulo (USP), São Paulo - SP- BR NELSON ADAMI ANDREOLLO, TCBC-SP - Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas – SP - BR ORLANDO JORGE MARTINS TORRES, TCBC-MA - Universidade Federal do Maranhão (UFMA), São Luís - MA - BR OSVALDO MALAFAIA, ECBC-PR- Universidade Federal do Paraná (UFPR), Curitiba – PR- BR PAULO FRANCISCO GUERREIRO CARDOSO, ACBC-RS- Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre (UFCSPA), Porto Alegre – RS- BR PAULO GONÇALVES DE OLIVEIRA, TCBC-DF- Universidade de Brasília (UnB), Brasília - DF - BR RAFAEL RODRIGUEZ FERREIRA, TCBC-RJ RAMIRO COLLEONI NETO, TCBC-SP - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) - São Paulo SP- BR RENATO ABRANTES LUNA, TCBC-RJ – Hospital Federal dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro (HSE), Rio de Janeiro – RJ- BR RENI CECÍLIA LOPES MOREIRA, TCBC-MG - Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC/MG) - MG - BR RICARDO ANTONIO CORREIA LIMA, TCBC-RJ – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Rio de Janeiro – RJ – BR

RICARDO BREIGEIRON, TCBC-RS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre - RS - BR RICARDO SILVA GUIMARÃES, TCBC-RJ - Universidade Federal Fluminense (UFF) - Niteroi - RJ - BR ROBERTO CAMPOS MEIRELLES, TCBC-RJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro - RJ - BR RODRIGO ALTENFELDER SILVA, TCBC-SP- Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo - São Paulo - SP-BR ROGERIO APARECIDO DEDIVITIS, TCBC-SP- Universidade De São Paulo (USP), São Paulo - SP - BR RUBENS ANTONIO AISSAR SALLUM, TCBC-SP - Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP - São Paulo - SP - BR RUFFO DE FREITAS JÚNIOR, TCBC-GO- Universidade Federal de Goiás (UFGO), Goiânia – GO – BR SILVIO HENRIQUES DA CUNHA NETO, TCBC- RJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - Rio de Janeiro - RJ - BR SIZENANDO VIEIRA STARLING, TCBC-MG - Hospital João XXIII - Belo Horizonte - MG - BR TÉRCIO DE CAMPOS, TCBC-SP- Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo - São Paulo - SP - BR THALES PAULO BATISTA, TCBC-PE- Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS)/ Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), Recife - PE - BR VIVIAN RESENDE, TCBC-MG - Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte - MG - BR WANDA ELIZABETH MASSIERE Y CORREA, TCBC-RJ – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUCRJ), Rio de Janeiro – RJ - BR WELLINGTON ANDRAUS, TCBC-SP - Universidade de São Paulo (USP) - São Paulo - SP - BR WILSON CINTRA JR., TCBC-SP-Universidade de São Paulo (USP), São Paulo - SP - BR

CONSULTORES NACIONAIS ALCINO LÁZARO DA SILVA, ECBC-MG - Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) - Belo Horizonte - MG - BR. ALUIZIO SOARES DE SOUZA RODRIGUES, ECBC-RJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)Rio de Janeiro - RJ - BR. ANTONIO PELOSI DE MOURA LEITE, ECBC-SP - Instituto de Moléstias Cardiovasculares de São José do Rio Preto - SP - BR DARIO BIROLINI, ECBC-SP - Universidade de São Paulo (USP) - São Paulo - SP - BR FERNANDO MANOEL PAES LEME, ECBC-RJ - Faculdade de Medicina de Campos (FMC) - Campos - RJ - BR GASPAR DE JESUS LOPES FILHO, TCBC-SP - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) - São Paulo - SP - BR GUILHERME EURICO BASTOS DA CUNHA, ECBC-RJ - Universidade Federal Fluminense (UFF) -Niteroi - RJ - BR

HELÁDIO FEITOSA DE CASTRO FILHO, TCBC-CE - Universidade Federal do Ceará (UFCE) Fortaleza - CE- BR ISAC JORGE FILHO, TCBC-SP- Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP)- Ribeirão Preto - SP - BR JOSÉ REINAN RAMOS, TCBC-RJ - Hospital Vitória - RJ - BR LUIZ GUILHERME BARROSO ROMANO, ECBC-RJ MARCOS FERNANDO DE OLIVEIRA MORAES, ECBC-RJ – Fundação do Câncer - RJ - BR ORLANDO MARQUES VIEIRA, ECBC-RJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - Rio de Janeiro - RJ - BR PAULO ROBERTO CORSI, TCBC-SP - Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São PauloSP - BR ROBERTO SAAD JR., TCBC-SP - Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo - SP - BR SAMIR RASSLAN, ECBC-SP - Universidade de São Paulo (USP) - São Paulo - SP - BR

CONSULTORES ESTRANGEIROS ARNULF THIEDE - University Hospital of Würzburg, Würzburg, Germany CLAUDE DESCHAMPS - University of Vermont Medical Group, Vermont, USA EDUARDO PARRA-DAVILA - Florida Hospital Celebration Health, Florida, USA EMILIO DE VICENTE LÓPEZ – Hospital Universitario Madrid Sanchinarro, Madrid, España

KARL-HERMANN FUCHS - Goethe University of Frankfurt, Germany MURRAY BRENNAN - Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, New York, USA ULRICH ANDREAS DIETZ - University of Würzburg, Medical School, Würzburg, Germany WALTER WEDER - Klinikdirektor - UniversitätsSpital Zürich, Switzerland

EDITORES DA REVISTA DO CBC 1967 - 1969 JÚLIO SANDERSON

1969 - 1971 JOSÉ HILÁRIO

1973 - 1979 HUMBERTO BARRETO

1980 - 1982 EVANDRO FREIRE

1980 - 1982 EVANDRO FREIRE

1983 - 1985 JOSÉ LUIZ XAVIER PACHECO

1986 - 1991 MARCOS MORAES

1992 - 1999 MERISA GARRIDO

2000 - 2002 JOSÉ ANTÔNIO GOMES DE SOUZA

2002 - 2005 GUILHERME PINTO BRAVO NETO

2006 - 2015 JOSÉ EDUARDO FERREIRA MANSO

A REVISTA DO COLÉGIO BRASILEIRO DE CIRURGIÕES é indexada no Latindex, Lilacs e Scielo, Scopus, Medline/PubMed, DOAJ, Free Medical Journals e enviada bimestralmente a todos os membros do CBC, aos seus assinantes, a entidades médicas, bibliotecas, hospitais, e centros de estudos, publicações com as quais mantém permuta, e aos seus anunciantes.

REDAÇÃO, ASSINATURAS e ADMINISTRAÇÃO Rua Visconde de Silva, 52 - 3º andar - Botafogo - 22271-092 - Rio de Janeiro - RJ - Brasil Tel.: + 55 21 2138-0659; Fax: + 55 21 2286-2595; E-mail: revistacbc@cbc.org.br http//www.cbc.org.br

International Standard Serial Number ISSN 0100-6991

IMPRESSÃO e ACABAMENTO Gráfica e Editora Prensa Ltda Rua João Alvares, 27 Saúde - Rio de Janeiro - RJ Tel.: (21) 2253-8343

REVISTA DO COLÉGIO BRASILEIRO DE CIRURGIÕES Indexada no Latindex, LILACS e SciELO, Medline/PubMed, Scopus, DOAJ e Free Medical Journals

PROJETO GRÁFICO GN1 Sistemas e Publicações PROJETO GRÁFICO - CAPA Libertta Comunicação


Artigo Original

DOI: 10.1590/0100-6991e-20192104

Acidentes na infância: casuística de um serviço terciário em uma cidade de médio porte do Brasil. Accidents in childhood: casuistry of a tertiary service in a medium-sized city in Brazil. Anderson César Gonçalves, TCBC-SP1; Maria Paula Bortoleti de Araújo1; Karina Veronezi de Paiva1; Caio de Souza Araújo Menezes1; Anna Érica Mero Cavalcanti da Silva1; Giuliana de Oliveira Santana1; Érika Veruska Paiva Ortolan1; Pedro Luiz Toledo de Arruda Lourenção1 R E S U M O Objetivo: investigar as principais causas e situações de risco mais comuns relacionadas aos acidentes na infância, em nossa realidade local. Métodos: estudo observacional, transversal, retrospectivo, descritivo e analítico, a partir dos prontuários médicos de pacientes atendidos nos serviços de urgências pediátricas do complexo hospitalar do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP, no ano de 2016. Foram incluídos os atendimentos de pacientes de zero a 15 anos de idade que haviam recebido atendimento médico relacionado a acidentes, determinando-se idade, sexo, tipo de acidente, período do dia e ambiente onde aconteceu o acidente e histórico de acidentes pregressos. Resultados: do total de atendimentos com registros adequados no prontuário, 936 (27,5%) estavam relacionados a acidentes: 588 (62,8%) em pacientes do sexo masculino e 348 (37,2%) em pacientes do sexo feminino. Quanto à idade, 490 (52,3%) acidentes ocorreram com crianças de zero a cinco anos, 245 (26,2%) com crianças de seis a dez anos e 201 (21,5%) com crianças com mais de dez anos de idade. Quedas e traumas locais foram os tipos de acidentes mais comuns em todas as faixas etárias analisadas. A maior parte dos acidentes ocorreu à tarde (46,1%), em casa (60,7%), e 26,6% dos pacientes apresentavam antecedentes de acidentes prévios. Conclusão: os acidentes foram responsáveis por grande parcela dos atendimentos de urgência. A elevada taxa de pacientes com registros de acidentes prévios indica a exposição repetida destas crianças às situações de risco. Descritores: Prevenção de Acidentes. Saúde da Criança. Prevenção & controle. Pesquisa sobre Serviços de Saúde.

INTRODUÇÃO

O

s acidentes na infância representam um grave problema para o sistema de saúde em todo o mundo1-3. Lesões não intencionais são as maiores causas de morbidade e mortalidade na infância, correspondendo a cerca de 25% das causas de mortes entre crianças de cinco e nove anos de idade4. Dados da Organização Mundial de Saúde demonstram que os acidentes na infância são responsáveis por aproximadamente 830.000 mortes por ano4. No Brasil, os acidentes de trânsito e os afogamentos são as principais causas de mortalidade, seguidos por sufocações, queimaduras, quedas e intoxicações5. Dados do Ministério da Saúde revelam que, por ano, 4,7 mil crianças morrem e 125 mil são hospitalizadas vítimas de acidentes6. O traumatismo chega a ser responsável por 19,5% da mortalidade de crianças até a adolescência e, na faixa dos cinco aos 19 anos de idade, representa a principal causa de morte7.

Aproximadamente 90% das lesões não intencionais podem ser evitadas por meio de medidas de prevenção4. Vários estudos comprovam a redução nos índices de acidentes após implantação de estratégias de prevenção educacionais, legislativas e ambientais8-11. Estas atividades de prevenção podem ser otimizadas se elaboradas com base em aspectos da realidade local, considerando os principais fatores de risco e as situações cotidianas relacionadas à ocorrência de acidentes4. Entretanto, em nível nacional, este tipo de informação ainda é limitado, com poucas casuísticas publicadas. Nosso grupo tem desenvolvido, desde 2014, atividades de prevenção de acidentes na infância em escolas de ensino fundamental, direcionadas para pais, alunos e professores do sexto ano12. Desta forma, nós decidimos investigar quais são as principais causas e as situações de risco mais comuns relacionadas aos acidentes na infância, em nossa realidade local, em uma cidade de médio porte, da região Sudeste do Brasil.

1 - Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Medicina de Botucatu, Departamento de Cirurgia e Ortopedia, Botucatu, SP, Brasil. Rev Col Bras Cir 46(2):e2104


2

Gonçalves Acidentes na infância: casuística de um serviço terciário em uma cidade de médio porte do Brasil

MÉTODOS Foi realizado um estudo observacional, transversal, retrospectivo, descritivo e analítico, a partir dos prontuários médicos de pacientes atendidos nos serviços de urgências pediátricas do complexo hospitalar do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP (HC-FMB-UNESP), no ano de 2016. Estes atendimentos foram realizados em dois locais: no Pronto Socorro Infantil do Hospital do Bairro, da cidade de Botucatu - SP e no Pronto Socorro Infantil Referenciado, localizado no HC-FMB-UNESP. Foram incluídos os atendimentos de pacientes com idade de zero a 15 anos, que haviam recebido atendimento médico relacionado a algum dos seguintes tipos de acidentes: quedas, afogamentos, queimaduras, intoxicações exógenas, acidentes com corpos estranhos, acidentes de trânsito, traumas locais, agressões físicas entre crianças e acidentes com animais. Os traumas locais incluíram ferimentos cortantes, corto-contusos e contusões locais, sem relação direta com nenhum outro tipo de acidente. Os acidentes com corpos estranhos incluíram a ingestão, a aspiração e a colocação de corpos estranhos no ouvido. Os acidentes com animais compreenderam as mordeduras por cães ou por outros animais e as picadas de insetos peçonhentos. As queimaduras incluíram lesões térmicas, químicas e elétricas. As intoxicações exógenas incluíram acidentes relacionados à exposição a agentes químicos, inclusive as substâncias cáusticas. Os acidentes de trânsito incluíram acidentes automobilísticos envolvendo crianças como passageiros de veículos e os atropelamentos. As agressões físicas foram representadas por agressões entre crianças, sem incluir casos de violência praticada por adultos. Foram excluídos os atendimentos que não apresentavam registro adequado de informações.

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina de Botucatu UNESP (CAAE nº 55911316.7.0000.5411). As consultas de urgência relacionadas aos acidentes foram analisadas de forma detalhada para obtenção das seguintes informações: idade, sexo, tipo de acidente, período de ocorrência do acidente (matutino, vespertino e noturno), região do corpo atingida, ambiente de ocorrência do acidente, diagnóstico médico definido pela Classificação Internacional de Doenças (CID) e histórico de acidentes pregressos envolvendo a própria criança. Os dados obtidos foram submetidos à análise estatística descritiva e analítica. Variáveis quantitativas foram representadas por números absolutos e respectivos valores percentuais. Foram determinados valores de média (± desvios padrão) e mediana (mínimo/máximo). Diferenças entre proporções foram analisadas por meio do teste binomial. A comparação estatística entre as idades dos pacientes de acordo com sexo, tipo de acidente e região do corpo acometida foi realizada pelo do teste de Mann-Whitney, após comprovação da distribuição não paramétrica dos dados pelo teste de Kolmogorov-Smirnov. O nível de significância considerado foi de 5% e a análise foi realizada no software SPSS 22.0 for Windows.

RESULTADOS Foram revisados 3612 atendimentos médicos de urgência envolvendo crianças, registrados no ano de 2016. Foram excluídos 213 atendimentos, por não apresentarem informações mínimas nos prontuários médicos. Novecentos e trinta e seis (27,5%) atendimentos estavam relacionados a acidentes. Destes, 588 (62,8%) ocorreram em pacientes do sexo masculino e 348 (37,2%) em pacientes do sexo feminino. A média de idade foi de 71,7 (± 51,7) meses, com mediana de 60 (1 a 180) meses.

Rev Col Bras Cir 46(2):e2104


Gonçalves Acidentes na infância: casuística de um serviço terciário em uma cidade de médio porte do Brasil

Na estratificação por sexo, não houve diferença estatisticamente significativa entre as idades dos pacientes (p=0,636). Quatrocentos e noventa (52,3%) acidentes ocorreram com crianças de zero a cinco anos, 245 (26,2%) com crianças de seis a dez anos e 201 (21,5%) com crianças de dez a 15 anos de idade. A tabela 1 apresenta a distribuição dos acidentes, estratificados pelo tipo de acidente, e os respectivos valores de média e mediana de idade dos pacientes. A figura 1 apresenta a distribuição percentual dos tipos de acidentes, por faixas etárias.

3

Quedas e traumas locais foram os tipos de acidentes mais comuns em todas as faixas etárias analisadas. O grupo de pacientes que sofreu quedas, traumas locais ou que foram vítimas de agressões foi composto por crianças com idade mais elevada do que o grupo de pacientes vítimas de acidentes relacionados a corpos estranhos e intoxicações exógenas (p=0,003). A distribuição dos tipos de acidentes, de acordo com o sexo, é apresentada na tabela 2. Nota-se proporção mais elevada, com significância estatística, de meninos vítimas de quedas, traumas locais e acidentes com animais.

Tabela 1. Distribuição dos acidentes de acordo com tipo de acidente e idade.

Tipo de acidente

n (%)

Quedas Traumas locais Acidentes com corpos estranhos Acidentes com animais Queimaduras Intoxicações exógenas Agressões Acidentes de trânsito Quase-afogamento

475 (50,7%) 276 (29,5%) 48 (5,1%) 42 (4,5%) 32 (3,4%) 30 (3,2) 19 (2,1%) 13 (1,4%) 1 (0,1%)

Idade (meses) Média ± Desvio padrão Mediana (min/máx) 63,9 ± 50,0 48 (1/189) 85,9 ± 52,8 78,5 (4/204) 54,4 ± 37,6 43,5 (11/156) 81,9 ± 46,5 77,5 (12/173) 62,7 ± 54,2 32,58 (10/176) 47,7 ± 43,0 31 (4/176) 105,2 ± 49,1 120 (12/168) 118 ± 48,7 120 (37/187) 9 meses

Tabela 2. Distribuição dos acidentes de acordo com tipo de acidente e sexo.

Tipo de acidente Quedas Traumas locais Acidentes com animais Acidentes com corpos estranhos Queimaduras Intoxicações exógenas Agressões Acidentes de trânsito Quase-afogamento

Masculino n 295 188 28 27 19 18 7 6 0

% 62,1 68,1 66,7 56,2 59,4 60,0 36,8 46,1 0

Feminino n 180 88 14 21 13 12 12 7 1

p*: teste binomial para duas proporções; n/a**: não adequado para cálculo estatístico.

Rev Col Bras Cir 46(2):e2104

p* % 37,8 31,9 33,3 43,8 40,6 40,0 63,2 53,9 0

<0,0001 <0,0001 0,002 0,220 0,133 0,121 0,104 0,694 n/a**


4

Gonçalves Acidentes na infância: casuística de um serviço terciário em uma cidade de médio porte do Brasil

A tabela 4 apresenta a distribuição dos acidentes de acordo com o período do dia e ambiente de ocorrência. Quinhentos e dois (53,6%) atendimentos traziam informações sobre o período do dia em que o mesmo ocorreu e 397 (42,4%) referiam informações sobre o ambiente de sua ocorrência. A figura 2 representa a distribuição percentual dos tipos de acidentes de acordo com o ambiente de ocorrência.

Figura 1. Distribuição dos tipos de acidentes de acordo com as faixas etárias: A) de 0 a 5 anos; B) de 6 a 10 anos; e C) >10 anos de idade.

A tabela 3 apresenta a distribuição dos tipos de acidentes de acordo com características específicas e com os diagnósticos médicos estabelecidos pela CID. A região de cabeça, face e pescoço, incluindo os traumatismos cranioencefálicos, foi a mais atingida pelos acidentes causados por quedas. Os traumas locais estiveram mais relacionados às lesões que acometeram os membros superiores e inferiores. Os politraumatismos, por outro lado, acometeram principalmente crianças vítimas de acidentes de trânsito. As vítimas de acidentes que atingiram a região da cabeça e do pescoço apresentaram idade significativamente menor do que as vítimas de lesões em outras regiões do corpo (p<0,001).

Figura 2. Distribuição dos tipos de acidentes de acordo com os locais de ocorrência: A) casa; B) rua; C) escola; e D) clube, parques ou quadras esportivas.

Rev Col Bras Cir 46(2):e2104


Gonçalves Acidentes na infância: casuística de um serviço terciário em uma cidade de médio porte do Brasil

5

Tabela 3. Distribuição dos tipos de acidente de acordo com características próprias e com os diagnósticos estabelecidos pela Classificação Internacional de Doenças (CID).

Tipo de Acidente (n) Quedas (475)

Traumas locais (276)

Caracterização Cabeça, face e pescoço

n % 264 55,5

Tórax Abdome Membros superiores

3 0,6 9 1,9 112 23,6

Membros inferiores Politraumatismo Períneo Não Informado Cabeça, face e pescoço

51 24 5 7 67

10,7 5,0 1,1 1,6 24,3

Tórax 5 1,8 Membros superiores 92 33,3 Membros inferiores 105 38,1 Politraumatismo 3 1,1 Períneo 4 1,4 Agressões (19) Cabeça, face e pescoço 8 42,1 Tórax 2 10,5 Membros superiores 3 15,8 Membros inferiores 3 15,8 Politraumatismo 2 10,5 Não Informado 1 5,3 Queimaduras (32) Membros superiores 16 50,0 Membros inferiores 5 15,6 Múltiplas regiões 1 3,1 Cabeça, face e pescoço 9 28,2 Não informado 1 3,1 Acidentes de trânsito (13) Politraumatismo 5 38,5 Cabeça, face e pescoço 4 30,9 Membros inferiores 2 15,3 Não informado 2 15,3 Acidentes relacionados a Corpo estranho no trato gastrointestinal 33 68,8 corpos estranhos (48) Corpo estranho nas vias aéreas 12 25,0 Corpo estranho no ouvido 3 6,2 Intoxicações exógenas (30) Substâncias cáusticas 6 20 Outros agentes químicos ou medicamentos 24 80 Animais (42) Cães 24 57,1 Outros mamíferos (porcos) 2 4,8 Insetos peçonhentos 16 38,1 Queimaduras (32) Térmicas 21 65,6 Químicas 9 28,2 Elétrica 1 3,1 Não informado 1 3,1 * CID: Classificação Internacional de Doenças. Rev Col Bras Cir 46(2):e2104

Códigos CID* S01/S01.0/S01.2/ S01.3/S01.4/S099 S29 S36 S40/S43.0/S50/S52/ S60/S62 S70/S80/S82/S90/S92 T07 S31 S00.4/S01/S01.4/ S01.5/S05.4/S099 S29 S40/S50/S52/S60/S62 S80/S82/S90 T07 S31 S01/S01.2/S01.5/Y04 S29 S60/S80/Y04 S80/S90/Y04 T07 T22, T23 T24, T25 T29 T20 T07 S01.2/S099 S70/S80/S82/S90/S92 T18 T17 T16 T54.3,T18 T50.9,X29 W54 W54 W57 T20, T21, T22, T23, T24, T25 W87 -


6

Gonçalves Acidentes na infância: casuística de um serviço terciário em uma cidade de médio porte do Brasil

Tabela 4. Distribuição de tipos de acidentes de acordo com período do dia e local de ocorrência.

Variável Período do dia (n=502)

Local do acidente (n=397)

Característica Manhã Tarde Noite Casa Rua Escola Clube, parques, quadras esportivas

Novecentos e quatorze (97,6%) atendimentos traziam informações sobre a ocorrência de outros acidentes ao longo da vida. Duzentos e quarenta e três (26,6%) apresentavam história positiva para acidentes prévios. Nenhum dos pacientes analisados evoluiu para óbito.

DISCUSSÃO Nosso estudo apresenta o perfil dos acidentes na infância, atendidos nos dois serviços de urgência do complexo hospitalar do HCFMB-UNESP. Estes serviços atendem pacientes da cidade de Botucatu, município de médio porte, do interior do Estado de São Paulo, e são referência em nível terciário, pelo Sistema Único de Saúde, para o atendimento de uma região com população estimada em até dois milhões de pessoas13. A parcela de atendimentos referentes a acidentes na infância foi bastante significativa, representando 27,5% de todos os atendimentos de urgência realizados no ano de 2016. Este índice é superior aos apresentados em outros estudos14,15, o que pode ser justificado pelas características dos serviços, que são referência para atendimento especializado de urgências em pediatria. A maioria dos pacientes atendidos por acidentes era do sexo masculino, o que vai de encontro com outros estudos nacionais e internacionais14-18.

n 87 231 184 241 103 31 22

% 17,3 46,1 36,6 60,7 25,9 7,8 5,6

Isso pode ser justificado pelo aspecto cultural das principais atividades e brincadeiras executadas pelos meninos, que habitualmente envolvem maior exposição à força, velocidade e impacto corporal14. Em contraponto, é interessante observar que houve predominância do sexo feminino para os atendimentos que envolviam agressões entre crianças, o que demonstra que os indivíduos de ambos os sexos estão expostos a desentendimentos e eventuais danos causados por agressões físicas. Os dados registrados nos atendimentos não foram suficientes para se analisar o sexo da criança que havia praticado a agressão. A faixa etária mais acometida pelos acidentes envolveu crianças com até cinco anos de idade. Este achado, também demonstrado em outros estudos16,19,20, pode ser justificado pelo fato de que as crianças desta faixa etária possuem entendimento limitado sobre a exposição a potenciais riscos. Tipicamente apresentam pensamentos mágicos, com percepção egocêntrica e uma lógica própria de interpretação do ambiente, fatores que podem favorecer a ocorrência de determinados tipos de acidentes, principalmente as quedas16. Os tipos de acidentes mais comuns, em todas as faixas etárias analisadas, foram quedas e traumas locais. Isso vai de encontro à maioria dos levantamentos publicados14-17, confirmando que as quedas representam o principal mecanismo de trauma na infância, podendo causar inúmeras lesões, algumas vezes bastante graves14.

Rev Col Bras Cir 46(2):e2104


Gonçalves Acidentes na infância: casuística de um serviço terciário em uma cidade de médio porte do Brasil

No Brasil, a proporção de quedas entre pacientes menores de 15 anos de idade foi a maior causa de hospitalizações no ano de 2017, em todas as faixas etárias5. Os traumas locais, por sua vez, incluem traumas contusos, cortantes e corto-contusos, resultados de contatos e colisões. Esse tipo de acidente também foi bastante comum em outros levantamentos15,16. Em nosso estudo, houve aumento proporcional de sua incidência com o aumento da idade, sendo mais comum em crianças com mais de dez anos de idade. Além disso, os traumas locais ocorreram mais comumente em ambientes fora do domicílio, como na rua, escola e em quadras esportivas e parques, o que pode ser justificado por estarem associados a atividades mais dinâmicas, como brincadeiras ao ar livre e esportes. O número elevado de acidentes relacionados a corpos estranhos, representados principalmente pela sua ingestão e impactação no tubo digestório, demonstra o quanto esse tipo de acidente é comum na infância, principalmente em crianças abaixo de cinco anos, de forma semelhante ao reportado em outros estudos14,21,22. Os pacientes que foram vítimas de intoxicações ou de acidentes por corpos estranhos eram mais jovens do que aqueles que sofreram os outros tipos de acidentes. Isso pode ser justificado pelo fato de que as crianças até os cinco anos de idade comumente apresentam curiosidade aguçada, buscando conhecer novas coisas, muitas vezes levando esta nova "descoberta" à boca. Desta forma, objetos como moedas, baterias em disco, pregos ou substâncias tóxicas, como a soda cáustica, são ingeridos acidentalmente, podendo levar a lesões graves, com elevada morbimortalidade22-24. Cabe ressaltar que os indicadores relativos aos acidentes com corpos estranhos podem ter sido influenciados pelas características do nosso centro, que atua como uma das poucas referências para o tratamento de urgências endoscópicas em toda a região. Os tipos de acidentes e os respectivos mecanismos de trauma relacionados tiveram influência direta na topografia das lesões. As quedas estiveram mais relacionadas a lesões na cabeça, face e pescoço.

7

Os traumatismos locais levaram a um número maior de lesões em membros superiores e inferiores. Os politraumatismos, por sua vez, estiveram mais presentes em vítimas de acidentes de trânsito. É interessante notar, também, que as lesões do segmento cefálico foram mais frequentes em crianças mais jovens, quando comparados aos outros segmentos corpóreos. Isso pode ser justificado pela maior relação entre o tamanho da cabeça e o restante do corpo, típica de crianças mais jovens, tornando mais provável uma lesão deste segmento corpóreo25. Da mesma forma que evidenciado por outros estudos, a maioria dos acidentes ocorreu no período da tarde, dentro do domicílio15,16. Provavelmente, no período da tarde, as crianças estão no ápice de suas atividades, dentro de casa, depois de retornarem do período escolar, e provavelmente sem supervisão. Não haviam informações suficientes nos prontuários analisados a respeito da supervisão das crianças, nos momentos de ocorrência dos acidentes, impedindo uma análise mais específica sobre esse aspecto. Apesar de os acidentes representarem a principal causa de mortalidade na infância4-6, em nosso levantamento, não houve nenhum óbito registrado nos atendimentos analisados. Vale ressaltar que foram analisados apenas os atendimentos iniciais dos serviços de urgência, e não os dados relacionados a eventuais internações hospitalares em enfermarias ou unidades de terapia intensiva. A elevada taxa de pacientes que possuíam registros de terem sido vítimas de acidentes pregressos representa, sem dúvida, a exposição repetida destes pacientes à situações de risco. Evitar este tipo de exposição é o principal objetivo das atividades de prevenção, que representam a melhor forma de tratamento para este problema de saúde pública2,4,26. Por tudo isso, acreditamos que este levantamento de dados possa contribuir positivamente, ao fornecer dados do perfil dos atendimentos por acidentes em crianças atendidas em uma cidade de médio porte brasileira, podendo direcionar futuras atividades de prevenção.

Rev Col Bras Cir 46(2):e2104


Gonçalves Acidentes na infância: casuística de um serviço terciário em uma cidade de médio porte do Brasil

8

A B S T R A C T Objective: to investigate the main causes and most common risk situations related to childhood accidents, in our local reality. Methods: an observational, cross-sectional, retrospective, descriptive, and analytical study from the medical records of patients attended in the pediatric emergency services of the hospital complex of Hospital das Clínicas, Botucatu Medical School - UNESP, in 2016. We included patients from zero to 15 years old who had received medical care related to accidents, determining age, gender, type of accident, period of the day, accident place, and history of previous accidents. Results: considering all consultations with appropriate medical records, 936 (27.5%) were related to accidents: 588 (62.8%) in male patients and 348 (37.2%) in female patients. As to age, 490 (52.3%) happened with children from zero to five years, 245 (26.2%) with children from six to ten years, and 201 (21.5%) with children over ten years. Falls and local traumas were the most common types of accidents in all analyzed age groups. Most accidents occurred in the afternoon (46.1%), at home (60.7%), and 26.6% of the patients had a history of previous accidents. Conclusion: accidents were responsible for a large portion of urgent care. The high rate of patients with previous accident records indicated the repeated exposure of these children to risk situations. Keywords: Accident Prevention. Child Health. Prevention & control. Health Services Research.

REFERÊNCIAS 1.

2. 3.

4.

5.

6.

7.

8.

Alonge O, Hyder AA. Reducing the global burden of childhood unintentional injuries. Arch Dis Child. 2014;99(1):62-9. Heaton K. Using theory to guide injury prevention activities. J Emerg Nurs. 2011;37(3):278-9. Hong J, Lee B, Ha EH, Park H. Parental socioeconomic status and unintentional injury deaths in early childhood: consideration of injury mechanisms, age at death, and gender. Accid Anal Prev. 2010;42(1):313-9. Peden M, Oyegbite K, Ozanne-Smith J, Hyder AA, Branche C, Rahman F, et al, editors. World report on child injury prevention [Internet]. Genebra: WHO; UNICEF; 2008 [cited 2019 Jan 4]. Available from: https://www.who.int/violence_injury_prevention/ child/injury/world_report/en/ Criança Segura Brasil [Internet]. Os acidentes em números: conheça os dados sobre acidentes. São Paulo (SP): Criança Segura Brasil. c2019 - [cited 2019 Jan 4]. Disponível em: https://criancasegura. org.br/dados-de-acidentes/ Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise de Situação de Saúde. Política nacional de redução da morbimortalidade por acidentes e violências. 2a ed. Brasília: Editora do Ministério da Saúde; 2005. Baracat EC, Paraschin K, Nogueira RJ, Reis MC, Fraga AM, Sperotto G. [Accidents with children in the region of Campinas, Brazil]. J Pediatr (Rio J). 2000;76(5):368-74. Portuguese.

Ameratunga SN, Peden M. World report on child injury prevention: a wake-up call. Injury. 2009;40(5):469-70. 9. Mytton J, Towner E, Brussoni M, Gray S. Unintentional injuries in school-aged children and adolescents: lessons from a systematic review of cohort studies. Inj Prev. 2009;15(2):111-24. 10. Roberts YH, Huang CY, Crusto CA, Kaufman JS. Health, emergency department use, and early identification of young children exposed to trauma. J Emerg Med. 2014;46(5):719-24. 11. Chandran A, Khan UR, Zia N, Feroze A, de Ramirez SS, Huang CM, et al. Disseminating childhood home injury risk reduction information in Pakistan: results from a community-based pilot study. Int J Environ Res Public Health. 2013;10(3):1113-24. 12. Lourenção PLTA, Ortolan EVP, Caponi CA, Choaib ML, Oliveira Junior WE. Prevenção de acidentes com crianças: uma campanha educativa nas escolas de ensino fundamental de Botucatu/SP. In: de Castro RM. Extensão Universitária e Saúde. São Paulo: Cultura Acadêmica; 2018. p. 83-100. 13. Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP [Internet]. Disponível em: http:// www.hcfmb.unesp.br. Acesso em: 04 de janeiro de 2019. 14. Filócomo FRF, Harada MJCS, Mantovani R, Ohara CVS. Perfil dos acidentes na infância e adolescência atendidos em um hospital público. Acta Paul Enferm. 2017;30(3):287-94.

Rev Col Bras Cir 46(2):e2104


Gonçalves Acidentes na infância: casuística de um serviço terciário em uma cidade de médio porte do Brasil

15. Batalha S, Salva I, Santos J, Albuquerque C, Cunha F, Sousa H. Acidentes em crianças e jovens, que contexto e que abordagem? Experiência de nove meses no serviço de urgência num hospital de nível II. Acta Pediatr Port. 2016;47:30-7. 16. Bem MAM, Silva Júnior JL, Souza JA, Araújo EJ, Pereima ML, Quaresma ER. Epidemiologia dos pequenos traumas em crianças atendidas no Hospital Infantil Joana de Gusmão. ACM Arq Catarin Med. 2008;37(2);59-6. 17. Malta DC, Mascarenhas MDM, Bernal RTI, Viegas APB, Sá NNB, Silva Junior JB. Acidentes e violência na infância: evidências do inquérito sobre atendimentos de emergência por causas externas - Brasil, 2009. Ciênc Saúde Coletiva. 2012;17(9):2247-58. 18. Cleves D, Gómez C, Dávalos DM, García X, Astudillo RE. Pediatric trauma at a general hospital in Cali, Colombia. J Pediatr Surg. 2016;51(8):1341-5. 19. Martins CB, Andrade SM. Epidemiologia dos acidentes e violência entre menores de 15 anos em município da região sul do Brasil. Rev Lat Am Enfermagem. 2005;13(4):530-7. 20. Barros MD, Ximenes R, Lima ML. Mortalidade por causas externas em crianças e adolescentes: tendências de 1979 a 1995. Rev Saúde Pública. 2001;35(2):142-9. 21. Sousa STEV, Ribeiro VS, Menezes Filho JM, Santos AM, Barbieri MA, Figueiredo Neto JA. Aspiração de corpo estranho por menores de 15 anos: experiência de um centro de referência no Brasil. J Bras Pneumol. 2009;35(7):653-9.

9

22. Kramer RE, Lerner DG, Lin T, Manfredi M, Shah M, Stephen TC, Gibbons TE, Pall H, Sahn B, McOmber M, Zacur G, Friedlander J, Quiros AJ, Fishman DS, Mamula P; North American Society for Pediatric Gastroenterology, Hepatology, and Nutrition Endoscopy Committee. Management of ingested foreign bodies in children: a clinical report of the NASPGHAN Endoscopy Committee. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2015;60(4):562-74. 23. Schvartsman C, Schvartsman S. Intoxicações exógenas agudas. J Pediatr (Rio J). 1999;75 Supl 2:244-50. 24. Arnold M, Numanoglu A. Caustic ingestion in children-A review. Semin Pediatr Surg. 2017;26(2):95-104. 25. Huelke DF. An overview of anatomical considerations of infants and children in the adult world of automobile safety design. Annu Proc Assoc Adv Automot Med. 1998;42:93-113. 26. Mickalide A, Carr K. Safe Kids Worldwide: preventing unintentional childhood injuries across the globe. Pediatr Clin North Am. 2012;59(6):1367-80. Recebido em: 04/01/2019 Aceito para publicação em: 27/01/2019 Conflito de interesse: nenhum. Fonte de financiamento: nenhuma. Endereço para correspondência: Pedro Luiz Toledo de Arruda Lourenção. E-mail: plourencao@gmail.com lourencao@fmb.unesp.br

Rev Col Bras Cir 46(2):e2104


Artigo Original

DOI: 10.1590/0100-6991e-20192115

Análise da eficiência de uma rede de urgência para tratamento de múltiplos queimados. Analysis of the efficiency of an emergency network for the treatment of multiple burn victims. Fábio Mendes Botelho Filho, ACBC-MG1; Iara Mateus Marçal1; Lina Roa2; André Gonçalves Marinho1; Gabriela Zamunaro Lopes Ruiz1; Leonardo Motta Costa Lopes1; Lígia Ferreira Brenck1; Juliana Louzada Campos1; Letícia Maria Moreira Rabelo1; Taylane Vilela Chaves1; Luide Scalioni Borges Dias1; Ana Paula Rosendo Santos1; Lucas Barbosa Tolentino1; Nivaldo Alonso2 R E S U M O Objetivo: avaliar a eficácia da estratégia adotada e a qualidade do atendimento em trauma pediátrico na sobrevivência dos pacientes atendidos após desastre em uma cidade do interior de Minas Gerais, em comparação a resultados esperados por estudos sobre mortalidade infantil em grandes queimados. Métodos: análise retrospectiva observacional de dez pacientes que sofreram queimaduras e foram transferidos para um centro de referência de trauma. Utilizou-se o escore de R-Baux modificado para estimar a mortalidade esperada. Comparou-se a mortalidade esperada a partir do escore de R-Baux e a mortalidade real, a partir do teste de uma proporção. Comparou-se, também, tempo de admissão pós-trauma com mortalidade e grau de superfície corporal queimada com mortalidade. Resultados: o R-Baux médio foi de 75,2, o que significa uma mortalidade esperada para grandes queimados de 5%. No entanto, a mortalidade do grupo com grande área de superfície corporal queimada desse estudo foi de 60%, valor p=0,001. Observou-se neste caso uma mortalidade muito além da esperada pela literatura. Conclusão: apesar das inúmeras variáveis, aventa-se a hipótese de infraestrutura de atendimento em trauma pediátrico aquém da necessária no Estado. Este estudo sugere maior incentivo à políticas públicas para atendimento de trauma pediátrico, centro de referência preparado, acordos de transferência bem estabelecidos e otimização de planos de catástrofe para diminuição da morbimortalidade para os pacientes que sobrevivem à primeira hora após o trauma. Descritores: Centros de Traumatologia. Ferimentos e Lesões. Queimaduras. Criança.

INTRODUÇÃO

N

o dia 05 de outubro de 2017, na cidade de Janaúba, a cerca de 557km de Belo Horizonte (MG), o vigia de um centro municipal de educação infantil ateou fogo em si mesmo, em funcionários e nas crianças da creche em que trabalhava, provocando uma grande tragédia1. Naquele momento, havia 75 crianças e 17 funcionários. Quatro crianças faleceram no local. Uma faleceu durante o transporte para a cidade de Montes Claros (MG), situada a 134km. A Santa Casa de Montes Claros confirmou o falecimento de outras duas crianças na tarde do dia seguinte. As dez crianças mais graves, após triagem na cidade de origem, foram encaminhadas para o Hospital João XXIII (HJXXIII), em Belo Horizonte. Neste hospital, outras três crianças não resistiram, totalizando dez óbitos infantis.

O HJXXIII é o maior centro de referência em trauma na América Latina2 e, para o desastre de Janaúba, acionou seu Plano de Catástrofes: estratégia de reorganização de equipes, setores e recursos hospitalares, de forma a otimizar e priorizar o atendimento em situações desafiadoras em que a demanda de atendimento cresce desproporcionalmente à capacidade ofertada pela instituição3. A capacidade total de atendimento diária do HJXXIII é de 400 pacientes, mas pode receber, em situações de desastre, até 80 pessoas apenas na sua unidade emergencial. O nível mais elaborado do Plano de Catástrofes foi posto em prática para o trauma em questão: acionamento da rede para auxílio de outros hospitais, para reserva de leitos e remanejamento de pacientes previamente internados; liberação total de leitos da Sala de Politraumatismo e das vagas da UTI

1 - Hospital João XXIII, Grupo de Pesquisa em Trauma Pediátrico, Belo Horizonte, MG, Brasil. 2 - Harvard Medical School, Program in Global Surgery and Social Change, Boston, Massachusetts, Estados Unidos da América. Rev Col Bras Cir 46(2):e2115


2

Botelho Filho Análise da eficiência de uma rede de urgência para tratamento de múltiplos queimados.

pediátrica; convocação, em caráter extraordinário, da equipe de pediatria de urgência (apresentaram-se 17 profissionais) e pediatras intensivistas, além da equipe de Cirurgia Plástica, Anestesiologia e Toxicologia (devido à inalação de fumaça). Foram suspensos todos os procedimentos eletivos. O presente trabalho objetiva avaliar a sobrevivência dos pacientes pediátricos atendidos no HJXXIII após o desastre de Janaúba em comparação a resultados esperados por estudos sobre mortalidade infantil em grandes queimados. A partir do desfecho, espera-se analisar os possíveis fatores que influenciaram nessa mortalidade.

Onde R=1, se há lesão por inalação, e R=0, se não há lesão por inalação. Coloca-se o valor encontrado em um normograma para avaliar, então, a mortalidade esperada a partir daquele valor. Comparou-se, também, o tempo de admissão pós-trauma com a mortalidade, e o grau de superfície corporal com a mortalidade. Essas comparações foram realizadas por meio do teste Mann-Whitney, uma vez que a amostra era pequena. As análises foram realizadas no programa MINITAB versão 18. Foi adotado nível de significância de5%.

MÉTODOS

O HJXXIII atendeu dez crianças vítimas de queimaduras graves no período descrito, das quais 60% eram do sexo feminino. A média de idade foi de 4,6 anos. Todos sofreram lesão por inalação e foram intubados durante o atendimento pré-transferência. Do total, seis crianças apresentaram queimaduras cutâneas e quatro sofreram apenas lesão por inalação. A média de SCQ foi de 27,6%. O tempo médio do trauma até a admissão hospitalar foi de 18,5 horas e o tempo de internação médio, no HJXXIII, foi de 23,5 dias. A mortalidade global intra-hospitalar no HJXXIII foi de 30% (Tabela 1). Duas crianças estáveis foram transferidas para outro hospital após 24 horas de observação pela equipe de referência. Pacientes com mais de 20% da superfície corporal queimada foram classificados como grandes queimados. Calculou-se, para esses pacientes, a mortalidade esperada pelo R-Baux para cada um, conforme tabela 2. Para esse último grupo, portanto, a média de idade foi de 4,6 anos, sendo a média de superfície corporal queimada de 54% (Tabela 3). O R-Baux médio foi de 75,2, o que significa uma mortalidade esperada de 5%. No entanto, a mortalidade deste grupo foi de 60%, valor p=0,001. Por fim, a tabela 4 ilustra as comparações entre o tempo de trauma e grau de superfície corporal com a mortalidade. Não houve diferença significativa para essas comparações.

Análise retrospectiva observacional de dez pacientes que sofreram queimaduras e foram transferidas para o Hospital João XXIII em Belo Horizonte, durante o período de 05 a 07 de outubro de 2017. Foram incluídas apenas as vítimas da tragédia de Janaúba, triadas na cena, que necessitaram de atendimento em centro de referência e com possibilidade de sobrevida ao transporte. Vítimas que obtiveram tratamento no hospital de referência regional ou que vieram a óbito no local ou durante o transporte não foram consideradas. Esse estudo faz parte do projeto de pesquisa em trauma pediátrico autorizado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Fundação Hospital de Minas Gerais, sob o número: 094B/2017. Realizou-se coleta das seguintes variáveis: sexo, idade, tempo de trauma, tempo de internação, superfície corporal queimada (SCQ) para lesões de segundo e terceiro graus, presença de lesão de via aérea ou inalação e mortalidade. Utilizou-se o escore de R-Baux modificado para estimar a mortalidade esperada. Comparou-se, então, a mortalidade esperada a partir do escore de R-Baux e a mortalidade real, a partir do teste de uma proporção. O R-Baux é calculado através da seguinte fórmula: R-baux = SCQ + idade + [17 x R].

RESULTADOS

Rev Col Bras Cir 46(2):e2115


Botelho Filho Análise da eficiência de uma rede de urgência para tratamento de múltiplos queimados.

3

Tabela 1. Vítimas de queimaduras transferidas para o Hospital João XXIII de acordo com tempo de trauma desde admissão, sexo, idade, SCQ, lesão de via aérea, óbito e tempo de internação.

Paciente 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Tempo de trauma (horas) 10 11 11 11 16 17 17 23 23 46

Sexo Idade M F M F F F M F M F

5 4 5 6 5 5 5 3 4 4

SCQ* (2º e 3º graus) 80% 63% 8% 0 0 25% 50% 0 0 50%

Via aérea definitiva Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim

Óbito Sim Não Não Não Não Não Sim Não Não Sim

Tempo de internação (dias) 98 42 18 5 6 61 2 1 1 1

* SCQ: superfície corporal queimada.

Tabela 2. R-Baux: mortalidade esperada e mortalidade encontrada para pacientes com SCQ>20%.

Paciente 1 2 6 7 10

Tempo de trauma (horas) 10 11 17 17 46

Sexo Idade M 5 F 4 F 5 M 5 F 4

SQC* 80% 63% 25% 50% 50%

R-Baux/Mortalidade esperada (%) 102/30% 84/9% 47/<1% 72/4% 71/4%

Óbito Sim Não Não Sim Sim

* SCQ: superfície corporal queimada.

Tabela 3. Características do grupo considerado de grandes queimados (SCQ>20%).

Grandes queimados (SCQ>20%) Média de idades SCQ*média Lesão de via aérea R-baux médio Mortalidade esperada (%) Mortalidade obtida (%)

4,6 anos 54% Sim 75,2 ~5% 60%

* SCQ: superfície corporal queimada.

Tabela 4. Comparações entre o tempo de trauma, grau de superfície corporal e a mortalidade.

Características

Tempo de trauma (horas) Grau de superfície corporal

Mortalidade n 3 3

Média 24 60

Sim DP* 19,1 17,3

Mediana 17 50

* DP: Desvio padrão; ** teste de Mann-Whitney.

Rev Col Bras Cir 46(2):e2115

n 7 7

Valor-p Não Média DP 16 5,4 14 23,6

Mediana 16 0

0,909** 0,069**


4

Botelho Filho Análise da eficiência de uma rede de urgência para tratamento de múltiplos queimados.

DISCUSSÃO O trauma pediátrico ainda é responsável pela maior parte dos óbitos de crianças e adolescentes no Brasil4. Apesar disso, poucos estudos sobre o tema são difundidos e poucos são os hospitais de referência habilitados para o tratamento do trauma pediátrico, não só no Brasil, como no mundo5,6. Seguindo tendência nacional, a faixa etária pediátrica é a que apresenta a grande maioria dos óbitos, que ocorrem fora do hospital, por queimaduras, sendo que de 2008 a 2014, entre crianças de cinco a 14 anos de idade, essa proporção foi de 85%7. Esse fato, tendo em consideração um centro de referência em nível nacional, faz questionar se o atendimento às crianças traumatizadas neste estudo poderia apresentar um desfecho melhor do que o apresentado. A tragédia de Janaúba foi um evento que mobilizou a rede de urgência do Estado, sendo importante a análise dos dados a fim de se avaliar meios de melhoramento do sistema para outras possíveis situações de catástrofe. Nota-se, pelo presente estudo, que o tempo do trauma até a admissão na unidade de referência foi elevado, em média de 18,5 horas. Sabe-se que a garantia de uma via aérea definitiva na primeira hora após o trauma e a ressuscitação volêmica para aqueles com superfície corporal queimada nas primeiras oito horas, são medidas críticas para sobrevida dos pacientes8. Infere-se, portanto, que as crianças chegaram à unidade definitiva de referência tardiamente e, tendo em vista as distâncias geográficas para este centro de referência (557Km) e para o centro regional (Montes Claros, 134km), não se pôde realizar os cuidados imediatos até a chegada no destino final. Essa demora deveuse tanto à grande distância da cidade à capital, quanto ao grande número de vítimas. O fato de as crianças terem chegado após as horas mais críticas de ressuscitação, pode justificar a ausência de associação entre mortalidade e tempo de trauma,

visto que não houve crianças que chegaram nas primeiras oito horas iniciais para poder se comparar os desfechos. Se as crianças tivessem chegado nas primeiras oito horas após o trauma, poder-se-ia ter uma alteração significativa na mortalidade. Um segundo aspecto notado no trabalho, é que não houve associação da mortalidade com a área de superfície corporal queimada (p=0,069), o que se pode explicar pelo tamanho pequeno da amostra. Apesar de a lesão de via aérea ser crítica no atendimento ao queimado, as crianças com lesão por inalação isoladas tiveram um tempo de internação e de mortalidade esperados correspondentes à literatura, ao passo que os pacientes com lesões cutâneas apresentaram morbimortalidade maior. O tratamento essencial de um grande queimado com destruição cutânea significativa é a reposição volêmica nas primeiras horas, seguidos de cuidados para prevenção de infecção8,9. Atualizações sobre reposição volêmica e prevenção de infecção em queimados poderiam ser temas trabalhados melhor com as equipes de urgência do Estado e que poderiam ter modificado o desfecho do grupo de grandes queimados. Neste grupo (com mais de 20% de SCQ), a mortalidade foi maior em comparação com a esperada pelo R-Baux (p=0,001). Utilizou-se o R-Baux modificado nesse trabalho, por se considerar que seja um dos melhores escores de prognóstico do paciente queimado. O R-Baux modificado considera como fatores prognósticos decisivos: idade, superfície corporal queimada e lesão ou não por inalação10. O escore já foi validado em trabalhos anteriores e, apesar das críticas em relação à população pediátrica (porque em lactentes a mortalidade observada normalmente é maior), ele ainda é um dos escores mais fidedignos10-13. Já foi tentada a adaptação do escore para a população pediátrica, o P-Baux, no entanto, a metodologia e sua validação ainda estão em desenvolvimento12,13.

Rev Col Bras Cir 46(2):e2115


Botelho Filho Análise da eficiência de uma rede de urgência para tratamento de múltiplos queimados.

Apesar de ser um estudo limitado, inclusive pela pouca literatura acerca de preditores de mortalidade em trauma pediátrico13 e pelo tamanho reduzido da amostra, conclui-se que ainda há necessidade de maior incentivo a políticas públicas para atendimento de trauma infantil em Minas Gerais. De acordo com Citron et al.7, o percentual de mortes por queimadura reduz com cada dólar de acréscimo na renda per capita. Regiões mais desenvolvidas do Brasil, com melhor renda e maior infraestrutura em saúde, têm menores taxas de mortalidade extra-hospitalar (apesar de ainda alta) e maiores taxas de admissão intra-hospitalar, bem como, o contrário é verdadeiro: em regiões menos desenvolvidas, há mais óbitos fora do hospital e menos admissões em instituições de saúde. Apesar de uma maior gravidade das lesões iniciais poder justificar uma parcela da mortalidade

5

extra-hospitalar, tal análise permite assumir que a dificuldade de acesso em saúde e a distância de centros especializados de trauma são as prováveis responsáveis por essa elevada disparidade. Ressalta-se a importância de ter centros especializados a duas horas de cada cidadão14. Centros de referência preparados, acordos de transferência bem estabelecidos e implementação de Planos de Catástrofe, como visto no HJXXIII, são essenciais para redução da morbimortalidade dos pacientes que sobrevivem à primeira hora após o trauma. Mas, estratégias isoladas, não funcionam. As estratégias devem ser descentralizadas, regionalizadas e integradas. Com esse estudo, alerta-se aos governantes a repensar suas políticas de urgência, para que no futuro o tratamento de crianças, sempre inocentes, seja mais efetivo.

A B S T R A C T Objective: to evaluate the effectiveness of the adopted strategy and the care quality for pediatric trauma in the survival of patients attended after a disaster in a city in the interior of Minas Gerais state, compared to the expected results of studies on infant mortality in major burns. Methods: retrospective observational analysis of ten patients who were burned and transferred to a trauma reference center. We used the modified R-Baux score to estimate the expected mortality. We compared the expected mortality predicted by R-Baux score and the actual mortality determined from one-ratio test. We also compared time of post-trauma admission with mortality and burned body surface area with mortality. Results: mean R-Baux score was 75.2, which means an expected mortality of 5% among major burn patients. However, in this study, mortality in the group of children with large burned body surface area was of 60%, p=0.001, a rate far beyond that expected in literature. Conclusion: despite the innumerable variables, we consider the hypothesis of the pediatric trauma care infrastructure being inferior than the one needed in the state. This study suggests a greater incentive for public policies concerning pediatric trauma care, prepared referral center, wellestablished transfer agreements, and optimization of catastrophe plans, in order to reduce morbimortality of patients who survive the first hour after trauma. Keywords: Trauma Centers. Wounds and Injuries. Burns. Child.

REFERÊNCIAS 1.

2.

Lisboa A, Pereira M, Peixoto J. Segurança ateia fogo em creche de Janaúba e mata crianças e professora. G1 Grande Minas. 2017 Out 5. Disponível em:<https:// g1.globo.com/mg/grande-minas/noticia/guarda-decreche-em-janauba-ateia-fogo-em-criancas-deixandomortos-e-feridos.ghtml>. Acesso em: 6 ago 2018. Hospital João XXIII é eleito o melhor do país em atendimento de emergências. Jornal Estado de Minas. 2013 mar 16. Disponível em: <http://www.

3.

em.com.br/app/noticia/gerais/2013/03/16/interna_ gerais,357992/hospital-joao-xxiii-e-eleito-o-melhor-dopais-em-atendimento-de-emergencias.shtml>. Acesso em 6 Ago 2018. Oliveira J, Vale JH. Hospital Joao XXIII abre as portas ao EM e mostra protocolo para desastre. Jornal Estado de Minas. 2018 jan 3. Disponível em: <https:// www.em.com.br/app/noticia/gerais/2018/01/03/ interna_gerais,928371/saiba-como-funciona-oprotocolo-para-desastres-do-hospital-joao-xxiii. shtml> Acesso em 10 Ago 2018.

Rev Col Bras Cir 46(2):e2115


6

4.

Botelho Filho Análise da eficiência de uma rede de urgência para tratamento de múltiplos queimados.

Ministério da Saúde. DATASUS. Banco de Dados do Sistema Único de Saúde. Disponível em: <http:/ w3.datasus.gov.br/datasus/datasus.php>. Acesso em 6 Ago 2018. 5. Athey J, Dean JM, Ball J, Wiebe R, Melesed'Hospital I. Ability of hospitals to care for pediatric emergency patients. Pediatr Emerg Care. 2001;17(3):170-4. 6. Carter EA, Waterhouse LJ, Kovler ML, Fritzeen J, Burd RS. Adherence to ATLS primary and secondary surveys during pediatric trauma resuscitation. Resuscitation. 2013;84(1):66-71. 7. Citron I, Amundson J, Saluja S, Guilloux A, Jenny H, Scheffer M, et al. Assessing burn care in Brazil: an epidemiologic, cross-sectional, nationwide study. Surgery. 2017;163(5):1165-72. 8. American College of Surgeons. Advanced Trauma Life Support Student - ATLS. Student Course Manual. 9th ed. Chicago: American College of Surgeons; 2012. 9. Jeschke MG, Herndon DN. Burns in children: standard and new treatments. Lancet. 2014;383(9923):116878. 10. Osler T, Glance LG, Hosmer DW. Simplified estimates of the probability of death after burn injuries: extending and updating the baux score. J Trauma. 2010;68(3):690-7.

11. Heng JS, Clancy O, Atkins J, Leon-Villapalos J, Williams AJ, Keays R, et al. Revised Baux Score and updated Charlson comorbidity index are independently associated with mortality in burns intensive care patients. Burns. 2015;41(7):1420-7. 12. Karimi H, Motevalian SA, Rabbani A, Motabar AR, Vasigh M, Sabzeparvar M, et al. Prediction of mortality in pediatric burn injuries: R-baux score to be applied in children (pediatrics-baux score). Iran J Pediatr. 2013;23(2):165-70. 13. Tsurumi A, Que YA, Yan S, Tompkins RG, Rahme LG, Ryan CM. Do standard burn mortality formulae work on a population of severely burned children and adults? Burns. 2015;41(5):935-45. 14. Meara JG, Leather AJ, Hagander L, Alkire BC, Alonso N, Ameh EA, et al. Global Surgery 2030: evidence and solutions for achieving health, welfare, and economic development. Surgery. 2015;158(1):3-6. Recebido em: 16/01/2019 Aceito para publicação em: 27/01/2019 Conflito de interesse: nenhum. Fonte de financiamento: nenhuma. Endereço para correspondência: Fábio Mendes Botelho Filho E-mail: mendesbotelho@hotmail.com

Rev Col Bras Cir 46(2):e2115


Artigo Original

DOI: 10.1590/0100-6991e-20192121

Perfil epidemiológico do trauma torácico em um hospital referência da Foz do Rio Itajaí. Epidemiological profile of thoracic trauma in a reference hospital of Foz do Rio Itajai. Gulherme Zappelini Zanette1; Rafaela Silva Waltrick1; Mônica Borges Monte1 R E S U M O Objetivo: descrever o perfil epidemiológico do trauma torácico na região da Foz do Rio Itajaí, no Estado de Santa Catarina, Brasil. Métodos: estudo observacional, descritivo e prospectivo, realizado através de coleta de dados a partir de formulário pré-elaborado pelos pesquisadores e preenchido pela equipe responsável pelo atendimento em hospital de referência, entre junho de 2017 e maio de 2018. Resultados: foram analisados 119 formulários de pacientes vítimas de trauma torácico, dos quais 70,5% eram homens e 29,4% mulheres, com média de idade de 39,8 anos. Os atendimentos ocorreram geralmente no período diurno (67,9%), 30,2% dos pacientes chegaram ao serviço através de meios próprios e 52,9% após uma hora do trauma. Quanto aos exames admissionais, a maior parte das vítimas foi submetida exclusivamente à radiografia de tórax (67,2%). Houve prevalência de trauma torácico fechado (89%), tendo como principal mecanismo os acidentes com motocicleta (35,2%) e a lesão predominante foi a fratura de costela (42%). A maioria dos pacientes (53,8%) foi submetida a tratamento conservador. O tempo médio de internação foi de 2,6 dias e a taxa de óbito de 5%. Conclusão: o perfil dos pacientes com trauma torácico em Itajaí é de homens jovens, atendidos durante o dia, a maioria com fratura de costela, acometidos por trauma torácico fechado em decorrência de acidente de trânsito envolvendo motocicleta. A radiografia de tórax foi utilizada para a confirmação de grande parte dos diagnósticos e houve prevalência de tratamento conservador. O tempo de internação e taxa de óbito foram menores do que na literatura, o que pode ser explicado pelo alto índice de lesão muscular exclusiva. Descritores: Traumatismos Torácicos. Tórax. Pneumotórax. Hemotórax. Epidemiologia. Centros de Traumatologia.

INTRODUÇÃO

C

om alta prevalência no mundo, o trauma passou a ser considerado um problema de saúde pública, associado à alta morbimortalidade, tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento. Segundo a Organização Mundial de Saúde, morrem mais de nove pessoas por minuto vítimas de trauma, com um gasto equivalente a 12% ao de todas as doenças1-3. No Brasil, dados do Departamento de Informações do Sistema Único de Saúde (DATASUS) mostram que, em 2015, houve 37.306 mortes somente por acidentes de trânsito. Agressões físicas, acidentes automobilísticos e outras formas de violência urbana representaram 12,5% do total de mortes, sendo a terceira causa de morte no país4. No estado de Santa Catarina5, entre 1996 e 2014, houve 72.857 óbitos decorrentes de causas externas, mais comum em homens (80,6%), jovens entre 20

e 29 anos (29,6%) e como principal mecanismo de trauma, acidentes de trânsito (46,6%). O município de Itajaí segue este mesmo padrão com 3181 mortes por causas externas no mesmo período5,6. O trauma torácico (TT) representa de 10% a 15% do total de traumas no mundo. Nos Estados Unidos, corresponde ao terceiro tipo de trauma mais letal, ficando atrás do trauma cranioencefálico e do trauma de extremidades3. Já no Brasil, essa taxa corresponde a 7,3% das ocorrências, sendo o segundo tipo de trauma mais frequente, atrás apenas do trauma de extremidades7. Representa aproximadamente 25% das mortes causadas por trauma, além de ser fator contribuinte em outros 25%. Das vítimas de TT, cerca de 80% são tratadas apenas por toracostomia com drenagem pleural fechada (TDPF) associada à analgesia e terapia ventilatória. Já a toracotomia é reservada à menor parcela dos pacientes, entre 10% e 20%.

1 - Universidade do Vale do Itajaí, Curso de Medicina, Itajaí, SC, Brasil. Rev Col Bras Cir 46(2):e2121


2

Zanette Perfil epidemiológico do trauma torácico em um hospital referência da Foz do Rio Itajaí.

Ainda assim, um terço dos pacientes com injúrias graves de tórax morrem antes de receberem o atendimento hospitalar e outros 20% apresentam morte tardia, em consequência de complicações pleuropulmonares de natureza infecciosa8. Diagnóstico e conduta precoces, de acordo com o protocolo do ATLS, são fundamentais, sendo que o atendimento na primeira hora do trauma ou hora de ouro (golden hour) está associado à maior possibilidade de redução da morbimortalidade9,10. As vítimas de injúria torácica com lesões de órgão isolado têm mortalidade que varia entre 4% e 8%; quando há envolvimento de outro órgão, essa porcentagem aumenta para 10% a 25%; com o acometimento de múltiplos órgãos, este porcentual se eleva para 35%8. O TT é classificado em aberto (penetrante) ou fechado (contuso) e o espectro da lesão vai determinar a gravidade do mesmo11. De acordo com o tipo de trauma, podemos dividir as lesões em quatro grandes grupos: lesões da parede torácica, pulmonares, mediastinais e diafragmáticas12. As lesões mais frequentes são as fraturas costais, injúrias cardíacas, de aorta, de vias aéreas e de diafragma13. Os ferimentos com maior risco imediato de morte são: obstrução de via aérea, pneumotórax hipertensivo, pneumotórax aberto, tamponamento cardíaco e hemotórax maciço. Já os que têm potencial de risco de morte e que devem ser diagnosticados e tratados no exame secundário são: pneumotórax simples, hemotórax, contusão pulmonar, tórax instável, traumatismo contuso do coração, ruptura traumática de aorta, ruptura traumática de diafragma e ferimentos transfixantes do mediastino10. Comumente as lesões torácicas não se expressam de forma óbvia, sendo necessário exames complementares. Por outro lado, quando há lesão grave verdadeiramente nítida ou altamente suspeita, embora menos comum, o diagnóstico pode ser realizado sem os exames de imagem, na própria sala de emergência ou até mesmo na cena do trauma14.

O exame de imagem de primeira escolha, após avaliação inicial, é a radiografia de tórax. Na maioria das lesões traumáticas é suficiente para elucidar o diagnóstico, tratamento e acompanhamento15. A radiografia anteroposterior, junto à história clínica, pode avaliar e diagnosticar rapidamente acometimentos de risco de vida intratorácico, como, por exemplo, hemotórax maciço. No entanto, possui baixa sensibilidade para diagnosticar algumas lesões graves, como a contusão pulmonar16. A tomografia computadorizada (TC) é um método mais sensível, mas deve-se ter cautela em usá-la, uma vez que sua eficácia nem sempre compensa os potenciais riscos relacionados ao tempo gasto para realização e aos custos mais elevados17,18. Este estudo tem por finalidade ampliar o conhecimento sobre a epidemiologia, tipos e mecanismos de TT na região da Foz do Rio Itajaí, a fim de contribuir para a organização de protocolo de atendimento, bem como, permitir que políticas públicas sejam elaboradas a partir de resultados obtidos.

MÉTODOS Estudo observacional, descritivo e prospectivo realizado no Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen, referência para atendimento de trauma na região da Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí (AMFRI), entre junho de 2017 e maio de 2018. A pesquisa teve como objetivo principal descrever o perfil dos pacientes vítimas de trauma torácico. Os objetivos específicos envolveram determinar características demográficas, catalogar os tipos de trauma, classificar mecanismos de trauma, descrever intervenções e conduta inicial, quantificar morbimortalidade, quantificar tempo até a chegada ao hospital e tempo de internação hospitalar. Foram avaliadas as variáveis idade, sexo, tipo do trauma, mecanismo do trauma, diagnóstico ou lesões específicas, exames de imagem realizados na admissão, conduta, intervenções realizadas e desfecho.

Rev Col Bras Cir 46(2):e2121


Zanette Perfil epidemiológico do trauma torácico em um hospital referência da Foz do Rio Itajaí.

Foram incluídas vítimas de trauma torácico admitidos no serviço, com idade mínima de 18 anos. Os pacientes menores de 18 anos de idade, aqueles que faleceram antes da conduta do cirurgião ou na cena do trauma e aqueles submetidos à drenagem torácica ou toracotomia por causas não traumáticas foram excluídos da pesquisa. Utilizou-se para a coleta dos dados formulário pré-elaborado pelos pesquisadores e preenchido pela equipe responsável pelo atendimento na sala de trauma. Ressalta-se que todos os envolvidos na coleta dos dados receberam orientações e treinamento quanto ao adequado preenchimento do formulário para evitar vieses na pesquisa. Os dados foram tabulados em planilha do Excel for Windows versão 2016 (16.0.4639.1000) e analisados por meio de estatística descritiva, utilizando-se frequências absoluta e relativa e valores de média para a apresentação dos resultados. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, CAAE nº 68392917.7.0000.0120, parecer nº 2.095.811/2017, em junho de 2017.

RESULTADOS Foram estudados 119 pacientes, dos quais 84 (70,5%) eram homens e 35 (29,4%), mulheres, com idade variável entre 18 e 85 anos. A faixa etária prevalente variou de 30 a 44 anos (31,9%), com média de 39,98 anos, conforme a tabela 1.

3

Quanto ao atendimento pré-hospitalar, 36 (30,2%) pacientes chegaram ao serviço por meios próprios, 32 (26,8%) foram transportados pelos Bombeiros, 22 (18,4%) foram conduzidos por ambulâncias, 20 (16,8%) pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), enquanto que apenas nove (7,5%) foram trazidos pelo Serviço de Atendimento Móvel da concessionária rodoviária Autopista Litoral Sul. Considerando o tempo de chegada ao hospital, 63 (52,9%) deram entrada no serviço em tempo maior do que uma hora do momento do trauma e 46 (38,6%) chegaram em menos de uma hora. Dez pacientes não tiveram o tempo de chegada preenchido pela equipe médica. No que se refere à realização de exames de imagem na admissão, 80 (67,2%) pacientes foram submetidos somente à radiografia de tórax, enquanto 15 (12,6%) realizaram apenas TC de tórax, sendo que, entre todas as vítimas, 21 (17,6%) foram submetidas a ambos os exames e três (2,5%) não realizaram nenhum exame na admissão. No total, foram realizadas 101 radiografias, representando 73,7% dos exames realizados e 36 tomografias (26,2%). Em relação à classificação do TT, em 106 (89%) foram contusos, com maior prevalência para acidentes automobilísticos envolvendo motocicleta, em 42 (35,2%). Em 13 (10,9%) pacientes o TT foi penetrante, sendo mais frequentes em decorrência de ferimentos por arma branca, em oito (6,7%) casos (Tabela 2).

Tabela 1. Distribuição dos formulários analisados por faixa etária e sexo.

Faixa etária 18-29 30-44 45-59 >60 anos Total

Sexo Feminino 02 13 14 06 35

Masculino 35 25 18 06 84

Rev Col Bras Cir 46(2):e2121

Total

%

37 38 32 12 119

31,0 31,9 26,8 10,0 99,7


Zanette Perfil epidemiológico do trauma torácico em um hospital referência da Foz do Rio Itajaí.

4

Tabela 2. Distribuição dos mecanismos de trauma conforme registro nos formulários analisados.

Mecanismo de trauma

n 106 42 32 15 09 03 05 13 08 05 119

Contuso      Acidente automobilístico – motocicleta       Queda de plano elevado       Acidente automobilístico – carro       Agressão física       Atropelamento       Outros Penetrantes       Arma branca       Arma de fogo Total Quanto ao tipo de lesão, fratura de costela foi o mais prevalente, acometendo 50 (42%) pacientes, seguido por lesão muscular em 32 (26,8%), pneumotórax em 30 (25,2%), hemopneumotórax em 17 (14,2%), contusão pulmonar em 15 (12,6%), hemotórax isolado em cinco ( 4,2%) e pneumotórax aberto em um (0,8%) (Figura 1).

% 89,0 35,2 26,8 12,6 7,5 2,5 4,2 10,9 6,7 4,2 99,9

Quanto à conduta, 55 (46,2%) pacientes precisaram ser hospitalizados. Destes, 35 (63,6%) foram manejados por meio de tratamento cirúrgico, sendo que 33 (94,2%) foram submetidos exclusivamente à TDPF e dois (5,7%) realizaram TDPF associada à toracotomia exploradora. Os 20 demais (36,3%), mesmo hospitalizados, foram submetidos a tratamento conservador. A figura 2 especifica de forma detalhada o desfecho dos casos. Pode se observar que 64 (53,8%) pacientes obtiveram alta hospitalar, 36 (30,3%) foram internados em leito comum, 13 (10,9%) tiveram internação em centro de terapia intensiva (CTI) e seis (5%) morreram.

Figura 1. Proporção dos diagnósticos registrados nos formulários analisados.

No que tange à associação de lesões torácicas, 95 (79,8%) tiveram apenas um diagnóstico, 17 (14,2%) tiveram dois, sendo mais predominante a combinação entre pneumotórax simples e fratura de costela, em 11 (9,2%). Sete pacientes (5,8%) apresentaram três diagnósticos relacionados, com predominância entre pneumotórax simples, contusão pulmonar e fratura de costela, em cinco (4,2%) ocorrências.

Figura 2. Distribuição dos desfechos conforme registros dos formulários analisados.

Rev Col Bras Cir 46(2):e2121


Zanette Perfil epidemiológico do trauma torácico em um hospital referência da Foz do Rio Itajaí.

Durante atendimento inicial, 25 (21%) pacientes apresentaram instabilidade hemodinâmica, dos quais 13 (52%) foram direcionados ao CTI, seis (24%) progrediram para o óbito e seis (24%) obtiveram estabilização e foram internados em leito comum. Ademais, o tempo médio de permanência dos pacientes vítimas de trauma torácico no serviço hospitalar foi de 2,6 dias.

DISCUSSÃO O TT é considerado uma doença mundialmente negligenciada e, além de ser um entrave financeiro à saúde pública, também é um problema econômico-previdenciário, já que atinge principalmente adultos jovens, sendo causa significante de morbimortalidade e incapacidade na população economicamente ativa19. Nota-se na literatura concordância em relação ao perfil das vítimas de TT com relação ao sexo e idade mais acometidos4,20-23. Esses dados sugerem que os homens estão mais expostos a eventos traumáticos, tanto pelo perfil mais afrontoso, quanto por serem a maioria dos condutores de veículos no munícipio, conforme informações do Departamento Estadual de Trânsito de Santa Catarina24. Além disto, ocorre associação de fatores, como excesso de velocidade e uso abusivo de álcool, respaldados em pesquisas que mostraram que 62% dos condutores masculinos tinham histórico de dirigir em alta velocidade e que houve 2,4 vezes mais homens envolvidos em acidentes de trânsito sob efeito de bebida alcóolica25,26. A maior parte dos atendimentos (68%) ocorreu durante o dia, ao contrário do observado por Broska Júnior et al.20, em que houve prevalência do período noturno em 56,9% dos eventos e principalmente durante a madrugada. Observamos, empiricamente, que os TT acontecem, em sua maioria, no período diurno, pois, Itajaí, além de ser um polo portuário que recebe muito trânsito de veículos de carga, é um município referência na região, circunscrito por diversas cidades dormitório.

5

Portanto, durante o dia, há migrações pendulares, seja a trabalho ou a estudo, resultando em maior fluxo de pessoas e veículos pelas rodovias, sendo esse período mais susceptível a eventos traumáticos. Nesse sentido, sugere-se um estudo aprofundado relacionando indicadores de saúde e migrações pendulares. Considerando o tempo de chegada dos pacientes ao serviço de atendimento médico, 38,36% chegaram em até uma hora do momento do trauma e 60,8% destes necessitaram de internação hospitalar, o que demonstra que os pacientes com maior gravidade tiveram atendimento precoce, fato corroborado pelo estudo de Ladeira e Barreto27. Além disso, considerando o índice de óbitos, 83,3% dos pacientes foram atendidos em tempo menor do que uma hora, sendo consonante com o estudo de Kotwal et al.28 que mostra que casos com maior potencial de morbimortalidade foram assistidos precocemente. Já 52,9% foram encaminhados em tempo maior do que uma hora do evento e destes, 34,9% tiveram como desfecho internação e 65% tiveram alta hospitalar, indicando que esses indivíduos apresentavam traumatismos de menor magnitude. Ressalta-se que 8,4% dos pacientes não tiveram o tempo de chegada preenchido pela equipe de trauma. Entre os meios de acessos pré-hospitalares, o SAMU foi o serviço mais eficiente, demonstrando associação direta entre o serviço e a gravidade das lesões, fato respaldado pela literatura27. Em contrapartida, ambulância branca e meios de transportes próprios chegaram em tempo maior do que uma hora. Quanto à abordagem, Broska Júnior 20 et al. afirmam, em seu estudo, que em 41,1% dos casos a associação de anamnese e exame físico foram suficientes para o diagnóstico, sendo que radiografias de tórax foram utilizadas em 31,8% dos eventos e TC em 26,5%. Nossa pesquisa, entretanto, constatou que apenas 2,5% dos casos não necessitaram de exames complementares para confirmação da suspeita.

Rev Col Bras Cir 46(2):e2121


Zanette Perfil epidemiológico do trauma torácico em um hospital referência da Foz do Rio Itajaí.

6

Esses dados convergem com a pesquisa de Souza et al.4, que mostra a realização de radiografias em 69% das ocorrências, TC em 9% e a associação desses exames em 15%. Somente em 7% dos casos a anamnese e exame físico foram suficientes para a confirmação diagnóstica. Em 69,3% dos casos as radiografias vieram alteradas, enquanto 100% das TC apresentaram alterações. Quanto ao tipo de trauma, houve predomínio dos TT fechados (89,1%), fato corroborado pela literatura, com índices entre 56,2% e 97%3,9,11. Houve dissonância em relação a outros estudos realizados em Goiânia e São Paulo, que demonstraram maior incidência de ferimentos penetrantes4,21. O mecanismo de TT contuso mais comum foi o acidente automobilístico envolvendo motocicletas (39,6%), em concordância com a literatura3,20,22,27. A segunda causa mais prevalente foram as quedas, mecanismo mais predominante em idosos, com 66,6% dos eventos nessa faixa etária. Nos casos de TT penetrantes, esta pesquisa observou prevalência de ferimentos por arma branca, consoante com outros trabalhos4,21. Assim como em nossa pesquisa, outros 21-23 estudos demonstraram as fraturas de costelas como lesões mais preponderantes em TT fechados. No que diz respeito às lesões produzidas por traumatismos abertos, hemopneumotórax foi

o achado mais frequente (46,1%), assim como encontrados por Souza et al.4 e Broska Júnior et al.20, porém divergentes de Scapolan et al.21, que destacaram hemotórax como principal consequência de trauma penetrante. Quase um terço (29,4%) dos nossos pacientes recebeu tratamento cirúrgico, dos quais 100% foram submetidos à TDPF e 5,7% tiveram toracotomia exploradora associada, elemento respaldado pelo ensaio de Narayanan et al.22, que demonstraram 5,56% de toracotomias. A taxa de óbito desta análise foi de 5%, índice inferior ao relatado por diversos estudos, que apresentaram taxa de óbitos entre 8,3% e 17,8%4. O tempo médio de permanência de pacientes encaminhados ao CTI encontrado na literatura foi de 10,3 dias7, enquanto que nesta pesquisa foi de 5,6 dias. Em relação ao tempo total de internação hospitalar, observou-se uma média de 2,4 dias, tempo menor do que o verificado na literatura7, o que pode ser justificado pelo grande número de pacientes diagnosticados exclusivamente com lesão muscular e que receberam alta em tempo inferior a 24 horas. Acreditamos que os dados apresentados em nosso trabalho possam auxiliar na organização de protocolos hospitalares de urgência e na implementação de políticas públicas preventivas e de conscientização.

A B S T R A C T Objective: to describe the epidemiological profile of thoracic trauma in the region of Foz do Rio Itajai, in the state of Santa Catarina, Brazil. Methods: observational, descriptive and prospective study performed through the collection of data starting with a form elaborated by researchers and filled in by the team in charge of a reference hospital between June 2017 and May 2018. Results: one hundred and nineteen forms from victims of thoracic trauma were analyzed, constituted of 70.5% male patients and 29.4% female patients, with an average of 39.8 years of age. Medical care happened mainly in daytime (67.9%), 30.2% of patients arriving by their own means, and 52.9% of patients one hour after suffering trauma. As to admission exams, most victims only went through chest X-ray (67.2%). There was a prevalence of closed thoracic trauma (89%), whose main cause was motorcycle accidents (35.2%) and the predominant lesion was rib fracture (42%). Most patients (53.8%) went through a conservative treatment. The average admission time was 2.6 days and the death rate was 5%. Conclusion: the profile of patients with thoracic trauma in Itajai comprises young men, admitted during the day, most of them presenting rib fracture, with closed thoracic trauma due to a road traffic accident involving a motorcycle. Chest X-ray were used to confirm most of the diagnoses, and there was a prevalence for conservative treatment. The admission time and the death rate were smaller than those cited in medical literature, which can be explained by the high index of exclusive muscular lesions. Keywords: Thoracic Injuries. Thorax. Pneumothorax. Hemothorax. Epidemiology. Trauma Centers..

Rev Col Bras Cir 46(2):e2121


Zanette Perfil epidemiológico do trauma torácico em um hospital referência da Foz do Rio Itajaí.

REFERÊNCIAS 1.

2.

3.

4.

5.

6.

7.

8.

7

9.

Batista SEA, Baccani JG, Silva RAP, Gualda KPF, Vianna Jr RJA. Análise comparativa entre os mecanismos de trauma, as lesões e o perfil de gravidade das vítimas, em Catanduva - SP. Rev Col Bras Cir. 2006;33(1):6-10. Guevara Rubio N, Olivarec Bonilla M, Ortega Sánchez R. Perfil epidemiológico del paciente con trauma de tórax em el Servicio de Urgencias Adultos del Hospital General <<José G Parres>>, periodo enero a diciembre de 2009. Arch Med Urgen Méx. 2012;4(3):105-11. Potlabathin RP, Kanala A. Experience with chest trauma: Analysis of 400 cases. J Evid Based Med Healthc. 2016;3(73):3986-89. Souza VS, Santos AC, Pereira LV. Perfil clínicoepidemiológico de vítimas de traumatismo torácico submetidas a tratamento cirúrgico em um hospital de referência. Sci Med. 2013;(2):96-101. Brasil. Ministério da Saúde. DATASUS. Informações de saúde. Estatísticas vitais: óbitos por ocorrência segundo causa externas do Brasil: Brasil por Município: Itajaí [Internet]. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2017 [citado 2017 mar 26]. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm. exe?sim/cnv/ext10uf.def Santa Catarina. Secretaria de Estado de Saúde. Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE). Mortalidade: 1996-2017: Óbitos e APVP por Causas Externas (acidentes, homicídios e suicídios): Itajaí [Internet]. Santa Catarina: SES/SC; 2017 [citado 2017 mar 28]. Disponível em: http://www.saude.sc.gov.br/ cgi/deftohtm.exe?sim_causas_externas.def Silva LAP, Ferreira AC, Paulino RES, Guedes GO, Cunha MEB, Peixoto VTCP, et al. Análise retrospectiva da prevalência e do perfil epidemiológico dos pacientes vítimas de trauma em um hospital secundário. Rev Med. 2017;96(4):246-53. Fontelles MJP, Mantovani M. Trauma torácico: fatores de risco de complicações pleuropulmonares pós-drenagem pleural fechada. Rev Col Bras Cir. 2000;27(6):400-7.

Naufel Júnior CR, Talini C, Barbier Neto L. Perfil dos pacientes vítimas de trauma torácico atendidos no Hospital Universitário Evangélico de Curitiba (HUEC). Rev Med UFPR. 2014;1(2):42-6. 10. American College of Surgeons. ATLS: Advanced Trauma Life Support for Doctors: student course manual. 10th ed. Chicago (IL): American College of Surgeons; 2018. 11. Pasha MA, Mokhtar MF, Ghazali MZA. A 10-year retrospective review of chest trauma in Hospital Universiti Sains Malaysia. IOSR J Dent Med Sci. 12.

13. 14.

15.

16. 17.

18.

19.

20.

2015;14(8):68-74. Whizar-Lugo V, Sauceda-Gastelum A, HernándezArmas A, Garzón-Garnica F, Granados-Gómez M. Chest trauma: an overview. J Anesth Crit Care Open Acess. 2015;3(1):2-11. McSawain NE Jr. Blunt and penetrating chest injuries. World J Surg. 1992;16(5):924-9. DeArmond D, Carpenter AJ, Calhoon JH. Critical primary survey injuries. Semin Thorac Cardiovasc Surg. 2008;20(1):6-7. Fenili R, Alcacer JAM, Cardona MC. Traumatismo torácico: uma breve revisão. ACM Arq Catarin Med. 2002;31(1-2):31-6. Majercik S, Pieracci FM. Chest wall trauma. Thorac Surg Clin. 2017;27(2):113-21. Aucar JA, Fernandez L, Wagner-Mann C. If a picture is worth a thousand words, what is a trauma computerized tomography panel worth? Am J Surg. 2007;194(6):734-9; discussion 739-40. Brink M, Deunk J, Dekker HM, Edwards MJ, Kool DR, van Vugt Ab, et al. Criteria for the selective use of chest computed tomography in blunt trauma patients. Eur Radiology. 2010;20(4):818-28. Padovani C, Silva JM, Tanaka C. Perfil dos pacientes politraumatizados graves atendidos em um serviço público de referência. Arq Ciênc Saúde. 2014;21(3):41-5. Broska Júnior CA, Botelho AB, Linhares AC, Oliveira MS, Veronese G, Naufel Júnior CR, et al. Perfil dos pacientes vítimas de trauma torácico submetidos à drenagem de tórax. Rev Col Bras Cir. 2017;44(1):27-32.

Rev Col Bras Cir 46(2):e2121


8

Zanette Perfil epidemiológico do trauma torácico em um hospital referência da Foz do Rio Itajaí.

21. Scapolan MB, Vieira NLP, Nitrini SS, Saad Júnior R, Gonçalves R, Perlingeiro JAG, et al. Trauma torácico: análise de 100 casos consecutivos. Einstein. 2010;8(3 Pt 1):339-42. 22. Narayanan R, Kumar S, Gupta A, Bansal VK, Sagar S, Singhal M, et al. An analysis of presentation, pattern and outcome of chest trauma patients at an urban level 1 Trauma Center. Indian J Surg. 2016;80(1):36-41. 23. Haines KL, Zens T, Beems M, Rauh R, Jung HS, Agarwal S. Socioeconomic disparities in the thoracic trauma population. J Surg Res. 2018;224(1):160-5. 24. DETRAN-SC. Departamento Estadual de Trânsito de Santa Catarina [Internet]. Disponível em: http:// www.detran.sc.gov.br/. Acesso em 2018 Mai18. 25. DETRAN-SP. Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo [Internet]. Disponível em: www.detran. sp.gov.br/. Acesso em 2018 Mai 18. 26. Damacena GN, Malta DC, Boccolini CS, Szwarcwald CL, Almeida WS, Ribeiro LS, et al. Consumo abusivo de álcool e envolvimento em acidêntes de trânsito na população brasileira, 2013. Ciênc Saúde Coletiva. 2016;21(12):3777-86.

27. Ladeira RM, Barreto SM. Fatores associados ao uso de serviço de atenção pré- hospitalar por vítimas acidentes de trânsitos. Cad Saúde Pública. 2008;24(2)287-94. 28. Kotwal RS, Howard JT, Orman JA, Tarpey BW, Bailey JA, Champion HR, et al. The effect of a golden hour policy on the morbidity and mortality of combat casualties. JAMA Surg. 2016;151(1):15-24. Recebido em: 20/01/2019 Aceito para publicação em: 05/02/2019 Conflito de interesse: nenhum. Fonte de financiamento: nenhuma. Endereço para correspondência: Rafaela Silva Waltrick E-mail: rafawaltrick@hotmail.com rafaelawaltrick@gmail.com

Rev Col Bras Cir 46(2):e2121


INSTRUÇÕES AOS AUTORES ESCOPO E POLÍTICA A Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, órgão oficial do CBC, é publicada bimestralmente em um único volume anual, e se propõe à divulgação de artigos de todas as especialidades cirúrgicas, que contribuam para o seu ensino, desenvolvimento e integração nacional. Os artigos publicados na Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões seguem os requisitos uniformes recomendados pelo Comitê Internacional de Editores de Revistas Médicas (www.icmje.org), e são submetidos à avaliação por pares (peer review) em caráter duplo-cego. A Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões apoia as políticas para registro de ensaios clínicos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do International Committee of Medical Journal Editor (ICMJE), reconhecendo a importância dessas iniciativas para o registro e divulgação internacional de informações sobre estudos clínicos, em acesso aberto. Sendo assim, somente serão aceitos para publicação os artigos de pesquisas clínicas que tenham recebido um número de identificação em um dos registros de ensaios clínicos validados pelos critérios estabelecidos pela OMS e ICMJE. O número de identificação deverá ser registrado ao final do resumo. Entre três e cinco membros do Conselho Editorial, anônimos para os autores, recebem os textos, também de forma anônima, e decidem por sua publicação. No caso de ocorrência de conflito de pareceres, o Diretor de Publicações avalia a necessidade de um novo parecer. Artigos recusados são devolvidos aos autores. Somente serão submetidos à avaliação os trabalhos que estiverem dentro das normas para publicação na Revista. Os artigos aprovados poderão sofrer alterações de ordem editorial, desde que não alterem o mérito do trabalho. INFORMAÇÕES GERAIS A Revista do CBC avalia artigos para publicação em português (autores brasileiros) e inglês (autores estrangeiros) que sigam as Normas para Manuscritos Submetidos às Revistas Biomédicas, elaborados e publicadas pelo International Committe of Medical Journal Editors (ICMJE www.icmje.org), traduzido como Conselho Internacional de Editores de Revistas Médicas [CIERM Rev Col Bras Cir. 2008;35(6):425-41, ou de artigo no site da Revista do CBC (www.revistadocbc.org.br)] com as seguintes características: • Editorial: É o artigo inicial de um periódico, geralmente a respeito de assunto atual, solicitado pelo Editor, a autor de reconhecida capacidade técnica e científica. • Artigo Original: É o relato completo de investigação clínica ou experimental com resultados positivos ou negativos. Deve ser constituído de Resumo, Introdução, Método, Resultados, Discussão, Abstract e Referências, limitadas ao máximo de 35 procurando incluir sempre que possível artigos de autores nacionais e periódicos nacionais. O título deve ser redigido em português e inglês. Deve conter o máximo de informações, o mínimo de palavras e não deve conter abreviatura. Deve ser acompanhado do(s) nome(s) completo(s) do(s) autor(es) seguido do(s) nome(s) da(s) instituição(ões) onde o trabalho foi realizado. Se for multicêntrico, informar em números arábicos a procedência de cada um dos autores em relação às instituições referidas. Os autores deverão enviar junto ao seu nome somente um título e aquele que melhor represente sua atividade acadêmica. O Resumo deve ter no máximo 250 palavras e estruturado da seguinte maneira: objetivo, método, resultados, conclusões e descritores na forma referida pelo DeCS (http://decs.bvs.br). Podem ser citados até cinco descritores. O Abstract também deve conter até 250 palavras e ser estruturado da seguinte maneira: objective, methods, results, conclusion e keywords (http://decs.bvs.br). • Artigo de revisão: O Conselho Editorial incentiva a publicação de matéria de grande interesse para as especialidades cirúrgicas contendo análise sintética e crítica relevante e não meramente uma descrição cronológica da literatura. Deve ter uma introdução com descrição dos motivos que levaram à redação do artigo, os critérios de busca, seguido de texto ordenado em títulos e subtítulos de acordo com complexidade do assunto, resumo e abstract não estruturados. Quando couber, ao final poderão existir conclusões, opiniões dos autores sumarizando o referido no texto da revisão. • Cartas ao Editor: Comentários científicos ou controvérsias com relação aos artigos publicados na Revista do CBC. Em geral tais cartas são enviadas ao autor principal do artigo em pauta para resposta e ambas as cartas são publicadas no mesmo número da Revista, não sendo permitida réplica. • Communicação Científica: Conteúdo que aborde a forma da apresentação da comunicação científica, investigando os problemas existentes e propondo soluções. Por suas características, essa Seção poderá ser multiprofissional e multidisciplinar, recebendo contribuições de médicos, cirurgiões e não-cirurgiões e de outros profissionais das mais variadas áreas. Deverá constar de Resumo e Abstract não estruturados, Descritores e Keywords e texto livre. • Nota Técnica: Informação sobre determinada operação ou procedimento de importância na prática cirúrgica. O original não deve ultrapassar seis páginas incluídas as fotos e referências se necessário. Deverá constar de Resumo e Abstract não estruturados, Descritores e Keywords e texto livre. • Ensino: Conteúdo que aborde o ensino da cirurgia na graduação e na pós-graduação com formato livre. Resumo e abstract não estruturados. • Bioética na Cirurgia: Discussão dos aspectos bioéticos na cirurgia. O conteúdo deverá abordar os dilemas bioéticos existentes no desempenho da atividade cirúrgica. Formato livre. Resumo e abstract não estruturados. • Relatos de Casos: Poderão ser submetidos para avaliação e os relatos aprovados serão publicados, prioritariamente, na Revista de Relatos de Casos Cirúrgicos do CBC, que pode ser acessada através da página do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (www.cbc.org.br) ou diretamente em www.relatosdocbc.org.br.

SUBMISSÃO DE ARTIGOS O envio de artigos para a Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões só poderá ser feito através da plataforma online para submissão de artigos científicos que pode ser acessada através da página do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (www.cbc.org.br) ou diretamente em www.rcbc.gnpapers.com.br. FORMA E ESTILO • Texto: Os manuscritos submetidos à avaliação pela Revista do CBC devem ser inéditos e não devem estar sendo avaliados, integralmente ou em parte, por outro periódico científico. As imagens deverão ser encaminhadas separadas do texto, e de acordo com as instruções constantes na plataforma para submissão online. Os artigos devem ser concisos, não devendo ultrapassar 2500 palavras. As abreviaturas devem ser em menor número possível, limitadas aos termos mencionados repetitivamente, desde que não dificultem o entendimento do texto, e devem ser definidas a partir da sua primeira utilização. • Referências: Devem ser predominantemente de trabalhos publicados nos cinco últimos anos, não se esquecendo de incluir autores e revistas nacionais. Devem se restringir aos autores e trabalhos referidos no texto, em ordem de citação, numeradas consecutivamente e apresentadas conforme as normas de Vancouver (Normas para Manuscritos Submetidos às Revistas Biomédicas - ICMJE www.icmje.org - CIERM Rev Col Bras Cir. 2008;35(6):425-41 - www.revistadocbc.org.br). Não serão aceitas como referências anais de congressos e comunicações pessoais. Citações de livros e teses devem ser desestimuladas. Os autores do artigo são responsáveis pela veracidade das referências. • Agradecimentos: Devem ser feitos às pessoas que contribuíram de forma importante para a sua realização. TABELAS (máximo de 6) Devem ser numeradas com algarismos arábicos, encabeçadas por suas legendas com uma ou duas sentenças, explicações dos símbolos no rodapé. Cite as tabelas no texto em ordem numérica incluindo apenas dados necessários à compreensão de pontos importantes do texto. Os dados apresentados não devem ser repetidos em gráficos. A montagem das tabelas deve seguir as normas supracitadas de Vancouver. As tabelas devem ser digitadas no corpo do texto, e nunca enviadas como figuras. FIGURAS (máximo de 6) São consideradas figuras todos as fotografias, gráficos, quadros e desenhos. Todas as figuras devem ser referidas no texto, numeradas consecutivamente por algarismos arábicos e devem ser acompanhadas de legendas descritivas. Imagens histológicas devem conter nas legendas a técnica histológica utilizada e o grau de magnificação. Todas as figuras devem ser enviadas separadamente, ao final do manuscrito. CONDIÇÕES OBRIGATÓRIAS (LEIA COM ATENÇÃO) Fica expresso, com a remessa eletrônica, que o(s) autor(es) concorda(m) com as seguintes premissas: 1) que no artigo não há conflito de interesses, cumprindo o que diz a Resolução do CFM nº.1595/2000 que impede a publicação de trabalhos e matérias com fins promocionais de produtos e/ou equipamentos médicos; 2) que a fonte financiadora, se houver, será citada; 3) que o trabalho foi submetido à apreciação e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição (CEP), colocando no texto o número com que foi aprovado; 4) que todos os autores autorizam que o artigo sofra alterações no texto enviado, caso necessário, para que seja padronizado no formato linguístico da Revista do CBC, com correção de redundâncias, retirada de tabelas e/ou figuras que forem consideradas desnecessárias, desde que estas mudanças não alterem o sentido do texto. Caso haja discordâncias dos autores quanto a estas premissas, deverão eles escrever carta deixando explícito o ponto em que discordam cabendo ao Editor analisar se o artigo pode ser encaminhado para publicação ou devolvido aos autores. 5) que todos os autores são detentores, de forma irrestrita, dos direitos autorais do seu trabalho publicado. 6) que em caso de conflito de interesses, estes serão citados no texto da seguinte forma: “O(s) autor(es) (nominá-los) recebeu(ram) suporte financeiro da empresa privada (mencionar o nome) para a realização deste estudo”. Quando houver fonte financiadora de fomento à pesquisa ela também deverá ser citada. 7) que a responsabilidade por conceitos ou asserções emitidos em trabalhos e anúncios publicados na Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões cabe inteiramente ao(s) autor(es) e aos anunciantes. 8) que não serão aceitos trabalhos já publicados ou simultaneamente enviados para avaliação em outros periódicos. 9) que cada artigo aprovado terá um custo de R$ 1000,00 (mil reais) para os autores. Caso o autor principal seja membro do CBC, haverá um desconto de 50% na cobrança do artigo. Relatos de Casos, aprovados para publicação na Revista de Relatos de Casos Cirúrgicos do CBC, estão isentos de cobrança. CONTATO: Rua Visconde de Silva, 52 - 3° andar Botafogo - 22271-090 Rio de Janeiro - RJ - Brasil Tel.: (21) 2138-0659 Fax: (21) 2286 2595 Endereço para envio dos manuscritos: E-mail: revistacbc@cbc.org.br


SOBRE A REVISTA Informações básicas Objetivos: Divulgar trabalhos científicos da área cirúrgica da medicina que contribuam para o seu ensino e desenvolvimento. Histórico: A publicação e divulgação das atividades científicas dos seus membros é um dos objetivos das Sociedades Médicas. O Colégio Brasileiro de Cirurgiões, fundado em 1929, já em seu primeiro estatuto previa a edição do “Boletim do Colégio Brasileiro de Cirurgiões” como seu órgão oficial, cujo número inicial foi publicado em janeiro de 1930. Em 1967 o Diretório Nacional do CBC mudou o nome do periódico para “Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões”. A partir de 1974 a Revista do CBC passou a ser editada bimestralmente, de forma regular, até os dias de hoje. A abreviatura de seu título é Rev Col Bras Cir, que deve ser usada em bibliografias, notas de rodapé e em referências e legendas bibliográficas.

Creative Commons A Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-Não Comercial 4.0 Internacional. Esta licença permite a outros remixar, adaptar e criar a partir do seu trabalho, para fins não comerciais. Embora os novos trabalhos tenham de lhe atribuir o devido crédito e não possam ser usados para fins comerciais, os usuários não têm de licenciar esses trabalhos derivados sob os mesmos termos.

Sobre APC (Article Processing Charges) Tendo em vista os altos custos para publicação, a partir da Revista 1/2017, cada artigo aprovado passou a ter um custo de R$ 1000,00 (mil reais) para os autores. Artigos em que o autor principal é membro do CBC terão desconto de 50% da taxa de publicação.

Política Anti-Plágio TA Revista do CBC utiliza o programa iThenticate para identificação de plágio nos artigos submetidos para publicação.

Fontes de indexação · · · · · · ·

Latindex LILACS Scopus DOAJ Free Medical Journals MEDLINE/PUBMED SciELO

Propriedade intelectual Todo o conteúdo do periódico, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons do tipo atribuição CC-BY.

Patrocinadores Política de acesso livre Esta revista oferece acesso livre e imediato ao seu conteúdo, seguindo o princípio de que disponibilizar gratuitamente o conhecimento científico ao público proporciona maior democratização mundial do conhecimento.

A Revista do Colégio de Cirurgiões é patrocinada pelo CBC através de: · Anuidade de seus membros associados · Verba de anunciantes. · Taxa para publicação de artigos


!"#$%&'!$!%()!      

  

Profile for cbc cirurgioes

Revista do CBC v46n2-Português  

Revista do CBC v46n2-Português

Revista do CBC v46n2-Português  

Revista do CBC v46n2-Português