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CENTRO UNIVERSITÁRIO SENAC ARQUITETURA E URBANISMO

HOSTEL ESPLANADA

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO BRUNA TANAKA DE FREITAS SÃO PAULO 2019


BRUNA TANAKA DE FREITAS      

HOSTEL ESPLANADA Trabalho de Conclusão de Curso apresen-

 

tado ao Centro Universitário Senac como parte das exigências para obtenção do título de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo sob orientação do Profº. Mestre Maurício Miguel Petrosino.

  SÃO PAULO 2019


AGRADECIMENTOS   Agradeço a paciência e sabedoria do professor e orientador Maurício Miguel Petrosino e pelo incentivo nas discussões que tornaram esse trabalho possível.    À minha família, que sempre está ao meu lado, me incentivando a cada momento a sonhar mais com meu futuro na área da Arquitetura.    Aos meus amigos fiéis, que embarcaram comigo nessa longa jornada da vida.

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DEDICATÓRIA

Ao meu avô querido, que hoje é mais uma estrela no céu, pela sua força de vontade.

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RESUMO Atualmente o edifício Ermírio de Moraes, localizado no centro de São Paulo, na esplanada do Theatro Municipal e ao lado do Vale do Anhangabaú, é sede da Secretaria da Agricultura e Abastecimento da cidade, ocupado pelo governo de Geraldo Alckmin no ano de 2014, com o intuito de aproximar todos os tipos de secretarias na zona central de São Paulo e facilitar a visitação da população relacionada às atividades agropecuárias. Entretanto, o edifício poderia ser ocupado com atividades relacionadas ao seu entorno, que há um grande polo cultural. Portanto, foi semeada a ideia e criação de um hostel no edifício, que adquirisse a valorização do espaço, alcançando o público turístico da cidade e resgatando a memória do antigo Hotel Esplanada que funcionava na era do café, atribuindo novamente grande importância ao local. O novo projeto do Hostel Esplanada irá dispor abrigos com valores acessíveis ao público de classes baixa e média renda, pois na zona central e turística da cidade não há muitos hotéis com preços acessíveis, sendo assim, sua estrutura será composta por módulos de dormitórios compartilhados e privativos com recursos de acessibilidade inclusos. Também terá acesso ao público que não se hospeda no hostel para utilização de serviços prestados diariamente como restaurante, café e eventos culturais. Através dessas oportunidades de um hostel para a população, o centro da cidade de São Paulo se beneficia e gera um fluxo contínuo de permanência turística e cultural. Palavras-chave: Projeto Arquitetônico. Bem tombado. Centro de São Paulo. Hostel Esplanada. Valorização cultural do espaço.

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ABSTRACT Currently, the Ermirio de Moraes building, located in the São Paulo downtown, at esplanade of Municipal Theater and next to Anhangabaú Valley, has been headquartered of secretary of agriculture and supply, occupied by the government of Geraldo Alckmin in 2014 with propose to approach all kind of secretaries on the central zone of São Paulo city and to facilitate the population visitation related to agricultural activities. However, the building can be occupied with activities related with neighborhood that exists a great cultural pole, to your better benefit. Therefore, was created the idea of Hostel on the building that had your space appreciated, reaching a touristic audience of city and rescues the memory of old Esplanada Hotel that worked in the coffee era, attributing once again great local importance.   The new project of Esplanada Hostel will provides housing with affordable values to public of low and middle income social class, because in the central zone and touristic of city does not exist hotels with low prices, therefore, in your structure will be composed by housing models shared and private with resources of accessibility. Also, will have access to public that does not only stay in the Hostel, being able to use services provided like restaurant, coffee shop and cultural events. Through of Hostel opportunities to population, São Paulo downtown benefits and creates a continuous flow of touristic and cultural stay local.   Keywords: Architectural Project, Heritage place, São Paulo Downtown. Esplanada Hostel. Valuing space of city.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1. FORMARTE. Vista antiga para Theatro Municipal de São Paulo e Edifício Ermírio de Moraes à direita na foto. Antigo Hotel Esplanada/São Paulo Palace Hotel. 2019. Fotografia. Disponível em: http:// www.formarte.com.br/projetos-finalizados-edificioermirio-de-moraes. Acesso em: 3 jun. 2019 .....................17 Figura 2. FORMARTE. Setorização do novo projeto do Hostel. 2019. Ilustração. Disponível em: http://www. formarte.com.br/projetos-finalizados-edificio-ermiriode-moraes. Acesso em: 3 jun. 2019 .................................... 19 Figura 3. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Fachada frontal do edifício Ermírio de Moraes. 2018. Fotografia .......... 19 Figura 4. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Fachada lateral do edifício Ermírio de Moraes. 2018. Fotografia .......... 19 Figura 5. GOOGLE EARTH. Localização ampliada do edifício. 2019. Fotografia aérea. Disponível em: https:// www.google.com.br. Acesso em: 3 jun. 2019 ................ 20 Figura 6. GOOGLE EARTH. Localização do edifício e seu entorno. 2019. Fotografia aérea. Disponível em: https://www.google.com.br. Acesso em: 3 jun. 2019 . 21

Figura 7. GEOSAMPA. Entorno em um raio de 3 Km, bibliotecas. 2019. Fotografia aérea. Disponível em: http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br. Acesso em: 3 jun. 2019 .......................................................................................... 22 Figura 8. GEOSAMPA. Entorno em um raio de 3 Km, espaços culturais. 2019. Fotografia aérea. Disponível em: http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br. Acesso em: 3 jun. 2019 ...................................................................................... 23 Figura 9. GEOSAMPA. Entorno em um raio de 3 Km, museus. 2019. Fotografia aérea. Disponível em: http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br. Acesso em: 3 jun. 2019 .......................................................................................... 23 Figura 10. GEOSAMPA. Entorno em um raio de 3 Km, teatros, cinemas, shows. 2019. Fotografia aérea. Disponível em: http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br. Acesso em: 3 jun. 2019 ............................................................................. 24 Figura 11. GEOSAMPA. Entorno em um raio de 3 Km, outros locais culturais. 2019. Fotografia aérea. Disponível em: http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br. Acesso em: 3 jun. 2019 ............................................................. 24


Figura 12. GEOSAMPA. Área envoltória com principais equipamentos culturais. 2019. Fotografia aérea. Disponível em: http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br. Acesso em: 3 jun. 2019 ............................................................................. 25 Figura 13. DIÁRIO DE TRANSPORTE. Fluxo de pessoas à frente do Theatro Municipal de SP e do edifício-projeto. 2019. Fotografia. Disponível em: https://diariodo transporte.com.br/2016/09/09/opiniao-cidade-e-lugarde-pessoas. Acesso em: 3 jun. 2019 ................................... 26 Figura 14. BARGUIL, João Marcos; KON, Fábio. Classificação do acesso ao transporte público na região da República. São Paulo, fev. 2018. Disponível em:https:// www.nossasaopaulo.org.br/2018/06/25/mapa-demons tra-que-centro-tem-distritos-mais-acessiveis-de-sp. Acesso em: 3 jun. 2019 ............................................................. 27 Figura 15. BARGUIL, João Marcos; KON, Fábio. Classificação do acesso ao transporte público na região da Sé. São Paulo, fev. 2018. Disponível em: https://www. nossasaopaulo.org.br/2018/06/25/mapa-demonstraque-centro-tem-distritos-mais-acessiveis-de-sp. Acesso em: 3 jun. 2019 .........................................................................27

Figura 16. BARGUIL, João Marcos; KON, Fábio. Classificação por escala de acesso ao transporte público nas regiões metropolitanas de SP. São Paulo, fev. 2018. Disponível em: https://www.nossasaopaulo.org.br/ 2018/ 06/25/mapa-demonstra-que-centro-tem-distri tos-mais-acessiveis-de-sp. Acesso em: 3 jun.2019 ...... 27 Figura 17. GEOSAMPA. Rede cicloviária em um raio de 3 Km do entorno do projeto. 2019. Fotografia aérea. Disponível em: http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br. Acesso em: 3 jun. 2019 ............................................................. 28 Figura 18. GEOSAMPA. Pontos de ônibus e caminhos das linhas existentes em um raio de 3 Km do entorno do projeto. 2019. Fotografia aérea. Disponível em: http://geosampa.prefeitura.sp.gov.br. Acesso em: 3 jun. 2019 .......................................................................................... 28 Figura 19. GEOSAMPA. Linhas de metrô existentes em um raio de 3 Km do entorno do projeto. 2019. Fotografia aérea. Disponível em: http://geosampa.prefeitura. sp.gov.br. Acesso em: 3 jun. 2019 ........................................ 29 Figura 20. BOOKING. Classificação de hospedagem em hotéis na região da República e sua precificação. Disponível em: https://www.booking.com. Acesso em: 3 jun. 2019 ...................................................................................... 30


Figura 21. BOOKING. Preços mais baratos dos hotéis Excelsior e Plaza na região da República. Disponível em: https://www.booking.com. Acesso em: 3 jun. 2019 ............................................................................................................. 30 Figura 22. BOOKING. Preços mais baratos dos hotéis Excelsior e Plaza na região da República. Disponível em: https://www.booking.com. Acesso em: 3 jun. 2019 ................................................................................................... 30 Figura 23. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Implantação do projeto do Hostel e Praça que conecta a Praça das Artes. Planta ................................................................................. 34 Figura 24. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Segundo subsolo. Planta ............................................................................ 35 Figura 25. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Segundo subsolo . Setorização ................................................................ 36 Figura 26. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Primeiro subsolo. Planta ............................................................................ 37 Figura 27. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Primeiro subsolo . Setorização ................................................................ 38 Figura 28. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Antigo acervo do edifício Ermírio de Moraes. 2019. Fotografia .......... 39

Figura 29. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Antigo Salão de Festas do edifício. 2019. Fotografia ................................... 39 Figura 30. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Paredes de demolição do antigo térreo. Planta .................................. 40 Figura 31. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Malha estrutural do térreo. Planta ......................................................................... 41 Figura 32. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Pavimento Térreo. Planta...................................................................................... 42 Figura 33. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Térreo. Setorização .................................................................................................... 43 Figura 34. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Paredes de demolição dos antigos pavimentos tipos - dormitórios. Planta .............................................................................................. 44 Figura 35. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Primeiro pavimento. Planta ..................................................................... 45 Figura 36. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Primeiro pavimento. Setorização .......................................................... 46 Figura 37. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Segundo pavimento. Planta ..................................................................... 47


Figura 38. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Segundo pavimento. Setorização .......................................................... 48

Figura 47. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Casa de Máquinas. Planta e setorização............................................ 57

Figura 39. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Terceiro pavimento. Planta ..................................................................... 49

Figuras 48 e 49. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Corte transversal e seus usos ............................................................ 58

Figura 40. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Terceiro pavimento. Setorização .......................................................... 50

Figuras 50 e 51. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Corte Longitudinal e seus usos ........................................................ 59

Figura 41. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Quarto ao quinto pavimentos tipo. Planta ........................................... 51

Figura 52. ARCHDAILY. Conexão entre Hostel e Praça das Artes. 2013. Ilustração. Disponível em: https:// www.archdaily.com.br/br/626025/praca-das-artesbrasil-arquitetura. Acesso em: 3 jun. 2019 ..................... 60

Figura 42. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Quarto ao quinto pavimentos tipo. Setorização ................................ 52 Figura 43. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Sexto ao sétimo pavimentos tipo. Planta............................................................53 Figura 44. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Sexto ao sétimo pavimentos tipo. Setorização ................................................54 Figura 45. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Oitavo pavimento e terraço. Planta ..................................................55 Figura 46. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Oitavo pavimento e terraço. Setorização .......................................56

Figuras 53 e 54. RED BULL STATION. Fachada do Red Bull Station. 2019. Fotografia. Disponível em: http://www. redbullstation. com.br/. Acesso em: 3 jun. 2019 ................................................................................................... 64 Figura 55. RED BULL STATION. Fachada antiga do Red Bull Station. 2019. Fotografia. Disponível em: http:// www.redbullstation. com.br/. Acesso em: 3 jun. 2019 .............................................................................................................. 65 Figuras 56 e 57. RED BULL STATION. Fachada e espaço interno restaurado do edifício Red Bull Station. 2019. Fotografia. Disponível em: http://www. redbullstation. com.br/. Acesso em: 3 jun. 2019 ........................................... 65


Figura 58. RED BULL STATION. Vista interna do edifício para a Praça da Bandeira. 2019. Fotografia. Disponível em: http://www. redbullstation. com.br/. Acesso em: 3 jun. 2019 ............................................................. 66

Figura 65. RED BULL STATION. Cafeteria do Red Bull Station. 2019. Fotografia. Disponível em: http://www. redbullstation. com.br/. Acesso em: 3 jun. 2019 .......... 68

Figura 59. RED BULL STATION. Localização do edifício do Red Bull Station. 2019. Fotografia. Disponível em: http://www. redbullstation. com.br/. Acesso em: 3 jun. 2019 ................................................................................................... 66

Figuras 66, 67, 68 e 69. ARCHDAILY. Red Bull Station. 2013. Plantas. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/01-155192/redbullstation-sao-paulo-slash-triptyque. Acesso em: 3 jun. 2019. .................................................................................................. 69

Figuras 60 e 61. RED BULL STATION. Vistas da cobertura à noite e de tarde do edifício. 2019. Fotografia.Disponível em: http://www.redbullstatiocom.br/ .Acesso em: 2019 ......................................................................... 67

Figura 70. ARCHDAILY. Red Bull Station. 2013. Cortes. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/01155192/redbull-station-sao-paulo-slash-triptyque. Acesso em: 3 jun. 2019.............................................................. 70

Figura 62. RED BULL STATION. Atividades gratuitas que o projeto oferece. 2019. Fotografia. Disponível em: http://www. redbullstation. com.br/. Acesso em: 3 jun. 2019.....................................................................................................68

Figuras 71, 72 e 73. SOUL KITCHEN HOSTEL. Localização do Hostel. 2019. Fotografia. Disponível em: http:// www.soulkitchenhostel.com/hostel/. Acesso em: 3 jun. 2019 ................................................................................................... 71

Figura 63. RED BULL STATION. Corredor onde há ambientes artísticos. 2019. Fotografia. Disponível em: http://www. redbullstation. com.br/. Acesso em: 3 jun. 2019 ....................................................................................................68

Figuras 74, 75, 76 e 77. SOUL KITCHEN HOSTEL. Ambientes internos. 2019. Fotografia. Disponível em: http:// www. soulkitchenhostel.com/hostel/. Acesso em: 3 jun. 2019 ............................................................................. 73

Figura 64. RED BULL STATION. Escada metálica inserida após reforma. 2019. Fotografia. Disponível em: http://www. redbullstation. com.br/. Acesso em: 3 jun. 2019 ................................................................................................... 68

Figura 78. DE FREITAS, Bruna Tanaka. Vista do terraço do edifício. 2019. Fotografia .................................................. 74


SUMÁRIO

01.

04.

INTRODUÇÃO ................................ 16

PROJETO DO EDIFÍCIO: HOSTEL ESPLANADA ................ 32

02. OBJETO DE ESTUDO E PRÉVIA DO PROJETO ................................. 18

Plantas .............................................................................. 34 Cortes ................................................................................ 58 Revalorização do espaço ......................................... 60

03.

05.

ESTUDO DE CASO NO CENTRO

REFERÊNCIAS PROJETUAIS: ..... 62

DE SÃO PAULO ........................... 20

Projeto do Red Bull Station..................................... 64

Dados do edifício Ermírio de Moraes ................. 20

Dados do projeto ......................................................... 64 Reflexão sobre o Red Bull Station ....................... 70

Localização ..................................................................... 20 Área envoltória e sua importância como entorno cultural ....................................................................... 22 Fluxo de pessoas no bairro da República ........ 26 Transporte público como acesso na região .... 26 Periculosidade .............................................................. 30 Precificação de locais de hospedagem ............ 30

Soul Kitchen Hostel .................................................... 71 Dados do edifício ......................................................... 71 Conclusão ........................................................................ 74


06. BIBLIOGRAFIA ......................... 75

07. ANEXOS ....................................... 77


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INTRODUÇÃO No ano de 1911, os arquitetos Emilie Viret e Gabriel Marmorat, de origem francesa, desenharam a planta arquitetônica de um edifício com função hoteleira à esplanada de um dos principais símbolos culturais da época, que era o Theatro Municipal. Em paralelo ocorria o grande marco para a economia do Brasil, na cidade de São Paulo, com a produção do café. O Theatro Municipal era encontro da população de classe social abastada para assistir aos espetáculos de óperas e ballets que ocorriam no local. Assim sendo, encontravam também oportunidades para adquirir parcerias e contatos com quem estava relacionado a atividades mercadológicas. Portanto, o local de encontros demandava em seu entorno algum lugar que abrigasse quem viesse de longe ou fora da cidade. Então, foi projetado o edifício com proposição hoteleira, nomeado de São Paulo Palace Hotel e tinha a mesma configuração de desenho arquitetônico do Hotel Copacabana Palace, situado na cidade do Rio de Janeiro.

Também era conhecido e foi apelidado como o “hotel dos artistas”, pelo fato de ser ao lado de um polo cultural. Em 1923, após muitas mudanças políticas na cidade, foi inaugurado o espaço à população e permaneceu até 1957, onde por decisões políticas e de degradação, foi fechado ao público. Entre tantos acontecimentos no local antes de seu fechamento, haviam se conhecido no antigo Hotel Esplanada, o casal Votorantim, que são atualmente proprietários da empresa com mesmo nome, e tinha sido realizada a cerimônia de casamento dos mesmos, que por consequência e por valor sentimental pessoal, Ermírio de Moraes reabre o edifício ao público na década de 60 e instala sua companhia o renomeando com seu próprio nome. Em 1992 o edifício é tombado pelo CONPRESP (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da cidade de São Paulo) e há negociações de venda para o governo de Geraldo Alckmin em 2014, que ocupa o

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edifício com a Secretaria da Agricultura e Abastecimento. Com tantos acontecimentos desde o século XX e justificada sua importância histórica onde o edifício é localizado, foi

o espaço novamente na zona central e turística da cidade.   O projeto de Hostel defende a ideia de ser um local flexível e acessível para toda a população que se interessa por um po-

pensado e idealizado um novo projeto, do funcionamento de um Hostel, para resgatar a memória do antigo Hotel e valorizar

lo cultural na cidade de São Paulo e contribui para o desenvolvimento local que beneficia os serviços de turismo.

Figura 1. Vista antiga para Theatro Municipal de São Paulo e Edifício Ermírio de Moraes à direita na foto. Antigo Hotel Esplanada/São Paulo Palace Hotel.

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OBJETO DE ESTUDO E PRÉVIA DO PROJETO O Hostel Esplanada é situado em edificação histórica e tombada, logo atrás do Theatro Municipal, nomeado como Ermírio de Moraes. A escolha de um local de patrimônio histórico, sugere sua reutilização, reforma e aproveitamento do espaço para fins públicos e em benefício da cidade por agregar a revalorização do mesmo.   O hostel será composto por dois sub-

garagens, entrada do café público e área de serviços do hostel. O térreo terá biblioteca com acervo já existente do local com a história do edifício Ermírio de Moraes, que foi realocado do antigo subsolo, o mezanino do café público e a circulação principal da entrada que dá de encontro com um pátio externo aberto. O primeiro e segundo pavimentos serão destinados ao uso administrativo do hostel e apoio cul-

solos, oito pavimentos e um terraço, assim como a edificação original. Terá dormitó-

tural. O terceiro pavimento será destinado ao uso de lazer dos hóspedes do hostel e

rios compartilhados e privativos, também incluindo pessoas portadoras de neces-

público de fora como área de convivência. Do quarto pavimento até o sétimo será

sidades especiais. No total serão cinquenta e seis dormitórios, sendo vinte e quatro

destinado ao uso de dormitórios compartilhados e privativos. E por fim, o oitavo

para uso de portadores de necessidades especiais, vinte e quatro de uso privativo e

pavimento será destinado ao uso do terraço que será composto por um solário

oito de uso compartilhado, como exemplificado na figura 2.

e bar para uso público.

  A implantação do edifício terá uma praça conectada ao pátio externo aberto da fachada posterior e ao vizinho Praça das Artes. Os subsolos serão destinados às

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Figura 2. Setorização do novo projeto do Hostel.

Figura 3. Fachada frontal do edifício Ermírio de Moraes.

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Figura 4. Fachada lateral do edifício Ermírio de Moraes.


ESTUDO DE CASO NO CENTRO DE SÃO PAULO LOCALIZAÇÃO A localização do edifício Ermírio de Moraes na rua Praça Ramos de Azevedo nº 254, tem vários pontos de interesse em seu entorno, como a Praça das Artes e o Theatro Municipal que fazem parte do polo cultural da cidade. Há edificações de interesse público como o edifício Matarazzo, que atualmente é sede da prefeitura de São Paulo e o Shopping Light, que recebe diariamente os transeuntes na zona central da capital. Além de haver um grande espaço para descanso e permanência na Praça Ramos de Azevedo e passagem por cima no Viaduto do Chá, que interliga os bairros da República e Sé.

DADOS DO EDIFÍCIO ERMÍRIO DE MORAES Área: 2.021, 76 m² Capacidade: em média 500 pessoas Estrutura: 10 pavimentos, incluindo 2 subsolos e 1 terraço Material: concreto e alvenaria de tijolos Relevância: equipamento tombado pelo órgão CONPRESP (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico e Ambiental da cidade de São Paulo) e situado em localidade próxima a um polo cultural. Grande fluxo de pessoas.

N

100 m Figura 5. Localização ampliada do edifício.

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Praça do Correio

Sesc 24 de Maio

Shopping Light

Praça das Artes

Conselho de Arquitetura e Urbanismo

Edifício Matarazzo (prefeitura)

Edifício Ermírio de Moraes

Praça Ramos de Azevedo

Theatro Municipal de São Paulo

Viaduto do Chá

4

4

3

2 6

1 1

1. R. Praça Ramos de Azevedo 2. R. Conselheiro Crispiniano 3. R. Formosa 4. Av. São João 5. R. Celso Xavier de Toledo 6. R. 24 de Maio 7. Viaduto do Chá

1 1

7 5

N

140 m Figura 6. Localização do edifício e seu entorno.

21


ÁREA ENVOLTÓRIA E SUA IMPORTÃNCIA COMO ENTORNO CULTURAL Foi estudado no entorno a área envoltória, que é composta por bens tombados historicamente e de patrimônio nacional que estão localizados também no bairro da República, conforme figuras 7, 8, 9, 10, 11 e 12. Foi analisado um raio de 3 km de distância do local de projeto com o seguinte pressuposto: os equipamentos culturais e de interesse público adjacentes, contribuem para o grande fluxo da população dentro do bairro, além do transporte público facilitado. Portanto, se torna um espaço movimentado e importante que possibilita o interesse em permanecer no novo projeto do hostel.

Figura 7. Entorno em um raio de 3 Km, bibliotecas.

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Figura 8. Entorno em um raio de 3 Km, espaรงos culturais.

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Figura 9. Entorno em um raio de 3 Km, museus.


Figura 10. Entorno em um raio de 3 Km, teatros, cinemas, shows.

Figura 11. Entorno em um raio de 3 Km, outros locais culturais.

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Theatro Municipal Praรงa dos Correios Praรงa das Artes Sesc 24 de Maio Red Bull Station

Figura 12. รrea envoltรณria com principais equipamentos culturais.

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FLUXO DE PESSOAS NO BAIRRO DA REPÚBLICA Foi analisado que nesse cenário da zona central da cidade, especificamente à frente do Theatro Municipal de São Paulo, que a população paulista não permanece por muito tempo para utilizar o polo cultural à sua volta, interessando a maioria daqueles que não são da cidade ou que não permeiam sempre dentro daquele espaço. Muitas vezes, os impossibilitam de aproveitar todos os equipamentos culturais públicos, pois não há tempo para visitar todos os locais ao entorno, que são diversos e funcionam dentro de um horário específico,. Há também muitos comércios na região, assim trazendo um fluxo de pessoas que estão no famoso chamado “movimento pendular”, que saem da área periférica da cidade para se deslocarem ao trabalho na zona central, sendo assim, mais um dos motivos de não usufruírem e aprovei-

Figura 13. Fluxo de pessoas à frente do Theatro Municipal de SP e do edifício-projeto.

TRANSPORTE PÚBLICO COMO ACESSO NA REGIÃO Foi constatado que ao entorno do edifício Ermírio de Moraes, há acessibilidade para os pedestres da região através do transporte público. O modal rodoviário é composto por mais de 16 linhas de ônibus e 15 paradas, além da companhia de metrô dispor de 2 estações, Anhangabaú e República, a menos de 2Km que atendem o bairro, conforme figuras 18 e 19.

tarem do espaço oferecido pela cidade.

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Com base nessas informações, é reconhecido que há um fluxo grande da população e o acesso ao local é facilitado.   Em uma pesquisa da USP (Universidade de São Paulo), foram analisados dados sobre a mobilidade via transporte público no bairro da República e um próximo, que é o bairro da Sé. Sendo assim, classificaram por notas de 0-10, sendo 0 a precariedade do transporte público e 10 com acesso total do transporte às regiões, conforme imagens 14, 15 e 16.

Figura 15. Classificação do acesso ao transporte público na região da Sé. Acesso total Com pontos consideráveis Precário Sem acesso

Figura 14. Classificação do acesso ao transporte público na região da República.

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Figura 16. Classificação por escala de acesso ao transporte público nas regiões metropolitanas de SP.


Figura 17. Rede cicloviĂĄria em um raio de 3 Km do entorno do projeto.

Figura 18. Pontos de Ă´nibus e caminhos das linhas existentes em um raio de 3 Km do entorno do projeto..

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Figura 19. Linhas de metrĂ´ existentes em um raio de 3 Km do entorno do projeto..

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PERICULOSIDADE Há uma problemática na zona central da cidade que é a segurança quanto a permanecer na região. Por esse motivo, muitas pessoas não se sentem bem ao aproveitar os equipamentos culturais, pois dependem de tempo para utilizar o espaço e voltar às suas residências que nem sempre são próximas. Essa falta de segurança ocorre pelo mesmo motivo do fluxo urbano que existe na região do Centro, pois ao mesmo tempo que existem trabalhadores, há moradores de rua pedindo esmolas, drogados ou bandidos.

PRECIFICAÇÃO DE LOCAIS DE HOSPEDAGEM

região central por mais tempo. Os pontos azulescuros são os locais que oferecem hospedagem e os pontos azul-claro são os pontos de interesse no mapa, conforme figuras 20, 21 e 22.

300 m Figura 20. Classificação de hospedagem em hotéis na região da República e sua precificação.

Foram analisados alguns locais de hospedagem nas proximidades e levantado a precificação de cada lugar, temos em média hospedagens acima do valor de 100 reais até mais de 1.000 reais, assim impossibilitando alguns transeuntes ou turistas permanecerem em hotéis na

Figuras 21 e 22. Preços mais baratos dos hotéis Excelsior e Plaza na região da República.

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HOSTEL ESPLANADA


O projeto é iniciado com o pressuposto de haver grande fluxo de pessoas e de interesse turístico local, onde a população possa se hospedar e permanecer no espaço de um pequeno trecho da cidade de

sitação do público. A implantação do

São Paulo, que há um polo cultural em grande escala ao seu entorno. A partir disso, foi idealizado o retrofit dos espaços internos da edificação e readequação de

edifício é bem consolidada e há outras diversas edificações adjacentes que não permitem aumentar o projeto no local. Assim sendo, foram levantadas as edificações vizinhas em seu entorno e visto que, algumas das mesmas são também propriedades do governo do Estado de São Paulo, assim, permitindo a mudança em

layout com mais mobiliários do que construção planejada, pois as fachadas são tombadas e para que fosse viável sua reforma, os ambientes foram projetados sem que houvesse qualquer obstrução visual nas janelas do edifício. Possui dez pavimentos, compostos por dois subsolos, o térreo, os primeiros pavimentos com pédireito duplo, integrando espaços corporativos, culturais e de convivência caracterizando a troca e experiência entre hóspedes e público de fora - e o quarto ao sétimo pavimentos são compostos por dormitórios compartilhados e privativos, sendo o último o terraço, onde foi projetado um solário para aproveitar a vista das construções adjacentes e um bar para vi-

um dos perímetros da fachada da edificação. Na fachada noroeste do hostel, há um edifício, que era o antigo Cine Marrocos, e atualmente é Secretaria da Educação. Atrás deste vizinho, havia um galpão subutilizado e que se situava na fachada posterior do hostel. Portanto, foi semeada a ideia de retirar o galpão das fachadas posteriores entre os edifícios de projeto e vizinho, criando um novo ambiente público de passagem que desagua no pátio da Praça das Artes. A retirada do galpão e abertura do espaço, possibilitaram o apoio que o hostel pode oferecer ao seu entorno cultural. Para isso foi retirado um muro de concreto que separava a Praça das Artes e o hostel, conforme figura 23.

33


1. 2. 3. 4. 5. 6.

Rua Praça Ramos de Azevedo Rua Cons. Crispiniano Avenida São João Rua Formosa Térreo Praça

3

2

4 6 5 1

Figura 23.. Implantação do projeto do Hostel e Praça que conecta a Praça das Artes.

34


No nível dos primeiros subsolos, foram separados espaços para a garagem e serviços aos funcionários do hostel, incluindo no primeiro subsolo a entrada da cafeteria pública, conforme as plantas a seguir. 1. 2. 3. 4. 5.

Garagem para funcionários Casa de Máquinas Depósito D.M.L. Lixo

6. Vestiário dos func. 7. Descanso dos func. 8. Refeitório dos func.

1

2

34 5 6

7

Figura 24.. Planta do segundo subsolo Garagem para funcionários.

35

8


1. 2. 3. 4. 5.

Garagem para funcionários Casa de Máquinas Depósito D.M.L. Lixo

6. Vestiário dos func. 7. Descanso dos func. 8. Refeitório dos func.

Serviços Circulação e Acessos

2

34 5 6

1 7

8

Figura 25.. Setorização do segundo subsolo Garagem para funcionários.

36


1. Garagem para funcionários 2. Bicicletário para funcionários 3. Depósito/Lixo/Câmara Fria e Estoque da Cafeteria 4. Cozinha da Cafeteria 5. Atendimento da Cafeteria 6. Entrada de V.U.C. do Hostel 7. Entrada para restaurante 8. Entrada da cafeteria

9

9. Praça conectada à Praça das Artes

3

1

4

2

5 7

Figura 26.. Planta do primeiro subsolo Garagem para funcionários e Cafeteria.

37

8

6


1. Garagem para funcionários 2. Bicicletário para funcionários 3. Depósito/Lixo/Câmara Fria e Estoque da Cafeteria 4. Cozinha da Cafeteria 5. Atendimento da Cafeteria 6. Entrada de V.U.C. do Hostel 7. Entrada para restaurante 8. Entrada da cafeteria 9. Praça conectada à Praça das Artes

9

Serviços Circulação e Acessos

3

Cafeteria

4

2

5

1 7

6

8

Figura 27.. Setorização do primeiro subsolo Garagem para funcionários e Cafeteria

38


O pavimento térreo foi separado em ambientes de serviços, eixo de circulação e áreas sociais e têm suas entradas principais voltadas ao Theatro Municipal e algumas delas localizadas no declive do terreno, em direção ao Vale do Anhangabaú. Havia um acervo já existente do antigo proprietário da compania Votorantim (conforme figura 28) e na época, era instalado um museu e biblioteca no subsolo. Para isso, foi transportado o acervo para o térreo, não o deixando “invisível” à população e possibilitando o público acessar a biblioteca, passando diretamente do hall de entrada ao espaço. Do outro lado do edifício, em paralelo, há dois acessos que são apresentados no declive da implantação e foi projetado a circulação direta de entrada do restaurante, que está situado no primeiro pavimento (conforme figura 29), e uma cafeteria para utilização do público externo, com espaços de leitura e co-working ao lado.

39

Tanto pelo mezanino da cafeteria quanto pela biblioteca pública, há acessos à um pátio externo aberto que se conecta diretamente com uma praça que se integra com o pátio da Praça das Artes, conforme plantas a seguir.

Figura 28. Antigo acervo do edifício Ermírio de Moraes.

Figura 29. Antigo Salão de Festas do edifício.


10. Salão da Diretoria 1. W.C. 18. Entrada de Serviços 19. Entrada do Administrativo 2. Vestiário de Funcionários 11. Gerência 20. Entrada Principal 3. Refeitório de Funcionários 12. Caixas 4. Armazém 13. Contabilidade 5. Loja 14. Hall 6. Serviço 15. Recepção de viajantes 7. Área 16. Bar 8. Pátio Coberto 17. Biblioteca/Acervo antigo 9. Circulação da Votorantim

Figura 30. Paredes de demolição do antigo térreo

2 6

6 7 1

4

9

6

3

7

8

1 17

9 5

18

10

19

12 11 13

14

15

16

9

20

40


Eixos Vigas Pilares

A B C D E F G H I J K L M 1 2

3 4 5

6 7

8

9

10

11

12

13 14

15 16

17

Figura 31.. Malha estrutural do tĂŠrreo.

41

18

19 20 21 22 23 24 25 26


10. Pátio Aberto 1. Garagem 11. Praça conectada 2. Biblioteca à Praça das Artes 3. D.M.L. 12. 4. W.C. Entrada da Garagem 5. Hall 13. Entrada Principal 2 6. Circulação 14. Entrada Principal 1 7. Cafeteria 8. Espaço Co-Working 9. Espaço de Leitura

6 3 4

11

4 6

4

10

1

9

8 6

2

13

7 4

5 12

3

10

6

6

14

Figura 32. Planta do térreo.

42


1. Garagem 10. Pátio Aberto 11. Praça conectada 2. Biblioteca à Praça das Artes 3. D.M.L. 12. Entrada da Garagem 4. W.C. 13. Entrada Principal 2 5. Hall 14. Entrada Principal 1 6. Circulação 7. Cafeteria 8. Espaço Co-Working 9. Espaço de Leitura

Serviços

6 3

Circulação e Acessos Social Banheiros

11

2

4

4

3

10

6

10 8

1

4

9

Cafeteria

7

6 4 5 12

13

14

Figura 33. Setorização dos usos do térreo.

43

6

6


1 3

3

1. Serviços 2. Circulação 3. Dormitórios

2 3 Planta do primeiro e segundo pavimentos

Figura 34. Paredes de demolição dos antigos pavimentos tipo - dormitórios.

3

3 2

Planta do terceiro ao último pavimentos

44


1. Café/Descanso 2. W.C. 3. Reunião 4. Escritório 5. Circulação 6. D.M.L. 7. Depósito 8. Lixo 9. Cafeteria

1

1 7

2 3

6 4

8

2

5

4 2

Figura 35. Planta do primeiro pavimento Escritórios do administrativo do hostel.

45

3

9


1. Café/Descanso 2. W.C. 3. Reunião 4. Escritório 5. Circulação 6. D.M.L. 7. Depósito 8. Lixo 9. Cafeteria

Serviços Circulação e Acessos

1

1

Banheiros

8

7

2

Escritórios

3

3

9

6 4

2

5

4 2

Figura 36. Setorização dos usos do primeiro pavimento Escritórios do administrativo do hostel.

46


1. Espaço de exposições 2. Circulação 3. D.M.L. 4. Depósito 5. Lixo 6. W.C. 7. Auditório 8. Foyer

4

5 7

1

3 2

6

Figura 37. Planta do segundo pavimento Espaço Cultural.

47

6 8


1. Espaço de exposições 2. Circulação 3. D.M.L. 4. Depósito 5. Lixo 6. W.C. 7. Auditório 8. Foyer

Serviços

4

Circulação e Acessos Espaços Culturais Banheiros

5 7

1

3 2

6 6

8

Figura 38. Setorização dos usos do segundo pavimento Espaço Cultural..

48


1. Academia para hóspedes 2. W.C. 3. Salão de jogos para hóspedes 4. Circulação 5. D.M.L. 6. Depósito 7. Lixo 8. Cozinha do

9. 10. 11. 12.

Estoque do restaurante Câmara Fria do restaurante Lixo do restaurante D.M.L. do restaurante

restaurante

1

6

2

5

3

9 8 2 10 11 5

7

2

4

Figura 39. Planta do terceiro pavimento Convivência dos hóspedes e público.

49

2

12


1. Academia para hóspedes 2. W.C. 3. Salão de jogos para hóspedes 4. Circulação 5. D.M.L. 6. Depósito 7. Lixo 8. Cozinha do

9. 10. 11. 12.

Estoque do restaurante Câmara Fria do restaurante Lixo do restaurante D.M.L. do restaurante

restaurante

9 8 2 10 11 5

Serviços Circulação e Acessos

1

Social Banheiros

2

7

6 5

3

2

2

12

4

Figura 40. Setorização dos usos do terceiro pavimento Convivência dos hóspedes e público.

50


1. Vestiário 2. Dormitório comp. 3. Locker 4. Dormitório P.N.E. 5. W.C. 6. Lounge 7. Passa-Roupa 8. Rouparia/

9. 10. 11. 12.

Lixo Circulação Espaço Co-Working Serviço de telefone

Governanta

1

1 8

2

9 2

3

7

11 10

4

5

6 6

5

12

4

Figura 41. Planta do quarto ao quinto pavimentos tipo. dormitórios compartilhados.

51

3


1. Vestiário 2. Dormitório comp. 3. Locker 4. Dormitório P.N.E. 5. W.C. 6. Lounge 7. Passa-Roupa 8. Rouparia/

9. 10. 11. 12.

Lixo Circulação Espaço Co-Working Serviço de telefone

Governanta

Serviços Circulação e Acessos Social Banheiros/ Vestiários Dormitórios Comp./P.N.E.

1

1 9

8

2

2

3

10

12

Lockers

4

5

3

11

7

6

5

4

Figura 42. Setorização dos usos do quarto ao quinto pavimentos tipo dormitórios compartilhados.

52


1. W.C. 2. Dormitório privativo 3. Circulação 4. Dormitório P.N.E. 5. W.C. 6. Lounge 7. Passa-Roupa 8. Rouparia/

9. Lixo 10. Serviço de telefone 11. Espaço Co-Working

Governanta

8 1 2

9

7

11 10

3 4

5

1 2

6

5

4

Figura 43. Planta do sexto ao sétimo pavimentos tipo. dormitórios privativos.

53


1. W.C. 2. Dormitório privativo 3. Circulação 4. Dormitório P.N.E. 5. W.C. 6. Lounge 7. Passa-Roupa 8. Rouparia/

9. Lixo 10. Serviço de telefone 11. Espaço Co-Working

Governanta

Serviços Circulação e Acessos Social Banheiros Dormitórios Priv../P.N.E.

9

8 1 2

11

7

10

3 4

5

1 2

6

5

4

Figura 44. Setorização dos usos do sexto ao sétimo pavimentos tipo. dormitórios privativos.

54


1. Solário 2. Circulação 3. D.M.L. 4. Depósito 5. Lixo 6. W.C. 7. Estoque do Bar 8. Câmara Fria

9. Cozinha do Bar 10. Entrada/Saída do Bar 11. Atendimento do Bar 12. Salão do Bar

do Bar

4 1

6

5

3

78

2 6

Figura 45. Planta do oitavo e terraço Solário e Bar.

55

9 10

11

12


1. Solário 2. Circulação 3. D.M.L. 4. Depósito 5. Lixo 6. W.C. 7. Estoque do Bar 8. Câmara Fria

9. Cozinha do Bar 10. Entrada/Saída do Bar 11. Atendimento do Bar 12. Salão do Bar

do Bar

Serviços Circulação e Acessos

4

Social Banheiros

6

5

1 3

7 8

9

11 12

2 6

10

Figura 46. Setorização dos usos do oitavo e terraço Solário e Bar.

56


Serviços Circulação e Acessos

Figura 47. Planta da casa de máquinas e setorização acima do terraço.

57


Serviços Circulação e Acessos Social Dormitórios Escritórios Cultural Sem ambiente

Figura 48. Usos dos Cortes Transversais.

Figura 49. Cortes Transversais

58


Figura 50: Usos do Corte Longitudinal

Serviços Circulação e Acessos Social Dormitórios Escritórios Cultural Banheiros

Figura 51. Corte Longitudinal

59


REVALORIZAÇÃO DO ESPAÇO A idealização de reutilizar o edifício para se tornar um hostel e trocar o seu uso atual, provém da ideia de melhorar e tornar o espaço da cidade mais unificado em relação às necessidades culturais do seu entorno. Facilitar a permanência dos transeuntes locais e turistas que estão na região central com segurança. Prever mais atividades culturais como apoio e conexão de outros locais que estão dentro do perímetro dos bairros da República e Sé, além de manter a essência projetual do antigo Hotel Esplanada, também conhecido como São Paulo Palace Hotel, respeitando suas características físicas e de tombamento.

70 m Figura 52. Ilustração da conexão entre Hostel e Praça das Artes.

60


REFERÊNCIAS PROJETUAIS


63


REFERÊNCIAS PROJETUAIS PROJETO DO RED BULL STATION DADOS DO PROJETO Arquitetura e restauro: Grupo Triptyque Localização: Praça da Bandeira, nº 137, São Paulo Data reabertura: Outubro de 2013

Toledo, pegando o acesso à Avenida 9 de Julho e virando na Rua Santo Amaro. Há várias formas de chegar ao mesmo destino. Pela passarela, é possível sentar nos diversos bancos ou ainda observar o movimento do terminal, e na praça frontal do Red Bull Station há também bancos prontos para serem utilizados.

Localizado entre as avenidas 9 de Julho e 23 de Maio, o patrimônio foi tombado pelo CONPRESP (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo). A antiga estação Riachuelo era uma instalação que abastecia os bondes elétricos da 23 de Maio. Essa rede de bondes já não existe mais, porém, as avenidas permanecem, assim como o Vale do Anhangabaú.   Situa-se numa posição privilegiada, apesar da passagem de pedestres ser feita por uma passarela acima do Terminal Bandeira por conta da Avenida 23 de Maio. Ainda é possível fazer um pequeno passeio saindo pela Rua Coronel Xavier de 

Figuras 53 e 54. Fachada do Red Bull Station.

64


A construção do objeto de estudo data de 1926. A empresa responsável pela sua construção, a São Paulo Trailway Light and Power, se instalou no Brasil em 1899 e seu objetivo ao criar a antiga Estação Riachuelo foi abastecer a instalação dos bondes elétricos da região. Nos anos 2000, infelizmente, a Subestação Riachuelo se encontrava completamente

com espaço para músicos, artistas, e o público em geral.

degradada, com pichações e janelas quebradas, servindo de abrigo para moradores de rua. Conforme figura 56. Dessa forma, a Marca Red Bull com seu programa internacional Red Bull Studios, que visa promover espaços para experi-

Figura 55. Fachada antiga do edifício Red bull Station.

mentação e produção musical para artistas, decidiu revitalizar o lugar, e como já previsto em seu conceito, devolver o centro da cidade à população. Dentre os objetivos, a preservação e o restauro da fachada e do interior eram prioridades, inclusive pela sua fachada ser tombada pelo CONPRESP. A modernização do interior também foi primordial, de forma a abrigar um pequeno centro cultural,

65

Figuras 56 e 57. Fachada e espaço interno restaurada do edifício Red bull Station.


No térreo, logo ao entrar, temos um grande corredor externo que deixa a mostra algumas das antigas vigas, além de evidenciar a grande escada metálica que foi instalada posteriormente. No térreo, nessa área externa, temos também a cafeteria/restaurante. No interior da edificação encontra-se a sala de música e mixagem, a área de exposições e a área livre ao pú-

Figura 58. Vista interna do edifício para a Praça da Bandeira.

blico, com uma pequena biblioteca pública que fica à disposição de todos a qual-quer momento durante o horário de funcionamento.

Praça da Bandeira Praça da Sé Red Bull Station

100 m

Figura 59. Localização do edifício do Red Bull Station.

66


Para acessar os outros pavimentos, há a escada original do edifício, o elevador social e uma plataforma para cadeirantes. No mezanino, além de uma pequena área também livre temos ainda o escritório do Red Bull Station, destinado para qualquer pessoa, com formação profissional ou não, que tenha interesse em patentear seu projeto. A condição é que seu projeto seja para uso público. Basta se inscrever no sítio do Red Bull Station e aguardar para usar o escritório pelo período de dois meses, utilizando de todos os seus produtos, como a impressora 3D, a máquina de corte a laser, entre outros. No primeiro pavimento, há mais uma área livre (como já previa o conceito do projeto), os ateliês artísticos se localizam nas antigas salas dos geradores e um grande auditório, que abriga palestras e, eventualmente, batalhas de rap. Por fim, na cobertura, a antiga fonte d’água foi restaurada, surpreendentemente sem apresentar nenhuma infiltração e foi construída uma grande estrutura metálica para captação da água

67

das chuvas, que também funciona como um grande guarda-sol nos dias de calor. Além da fonte, a arquitetura quase industrial foi mantida, juntamente com diversos objetos da decoração original, o fechamento de tijolo foi tratado e mantido aparente. Apenas nas áreas de exposição os elementos não estruturais foram demolidos para se obter uma planta mais livre.

Figuras 60 e 61. Vistas da cobertura à noite e de tarde do edifício.


Figura 62. Atividades gratuitas que o projeto oferece.

Figura 63. Corredor onde há ambientes artísticos.

Figura 64. Escada metálica inserida após reforma.

Figura 65. Cafeteria do Red Bull Station.

68


10 m Entrada

10 m Exposições

Biblioteca

Figura 66. Implantação e térreo do edifício.

Ateliês

Biblioteca

Figura 68. Pavimento superior do edifício.

69

Área Livre

Figura 67.. Mezanino do edifício.

10 m

10 m Entrada

Estúdio

Fonte

Área Livre

Figura 69. Cobertura do edifício.

Escritórios


REFLEXÃO SOBRE O RED BULL STATION Com o patrocínio de uma grande empresa privada, uma construção antes abandonada no centro de São Paulo passou a ser vista com outros olhos pela população, revertendo o impacto negativo anterior com a criação de novas utilidades no local. Hoje tornou-se um meio cultural e educacional, com ideias e ações positivas que agregam valor para população. Apesar da nova utilização do local, não houve uma descaracterização de seu estilo, mantendo a essência arquitetônica inicial. Algo que chama a atenção neste projeto é a adoção de características susten-

10 m

Porão (não acessível)

Figura 70. Corte do edifício e setorização dos usos.

táveis, unindo estética e utilidade, trazendo inúmeros benefícios para a qualidade de vida do entorno. como se mantiveram nestes 100 anos de existência do edifício. A sua alvenaria de tijolos aparentes é uma imagem forte e marcada na cidade. Quanto aos materiais utilizados, o aço foi o principal material construtivo adotado. Está presente nas passarelas, nos elevadores e nos parapeitos.

70


SOUL KITCHEN HOSTEL DADOS DO EDIFÍCIO Arquitetura: Lipin Localização: Moika embankment 62/2 app 9  190000 St. Petersburg, Russia Ano: 2009

Soul Kitchen é um albergue, localizado na segunda maior cidade da Rússia, São Petersburgo, próximo a estação Admiralteyskaya, que proporciona aos hóspedes um padrão alto de serviços, pois não é apenas um albergue para mochileiros e sim um local familiar com uma enorme variedade de dormitórios privativos.

Figura 72. Fachada do Hostel Soul Kitchen.

71

100 m Figura 71. Localização do Hostel Soul Kitchen.

Figura 73. Entrada do Hostel Soul Kitchen.


Os proprietários do Soul Kitchen construíram a pousada de baixo para cima. O objetivo é reunir a privacidade de um hotel com a vibração social da população jovem.

terrível. Então, demoliram todas as paredes, exceto as paredes de tijolos e construíram tudo de novo. O forno a lenha do século 19, foi muito amontoado para a época. Tem um compartimento cheio de

O edifício foi construído em 1863 e pertencia a Lipin, que adorava madeira como material. O local foi rentável como um hotel, onde famílias diferentes aluga-

água que é aquecido e pode ser derramado através de uma torneira. Agora o forno pode ser usado todos os dias usando gás. As telhas nas paredes e no chão tam-

vam um apartamento. Como em qualquer residência rentável. O segundo andar era

bém são históricas. O chão foi colocado há 150 anos, antes da revolução.

considerado o mais atraente, onde moravam as famílias mais ricas e os proprietários da casa. Quanto maior o chão, menos prestigioso. Portanto, as pessoas mais pobres moravam no último andar. No período soviético, esse prédio estava totalmente ocupado; os apartamentos foram transformados em apartamentos comuns. As condições eram ruins - várias pessoas moravam em cada quarto e havia apenas um banheiro em cada apartamento. Quando os proprietários chegaram no local, o apartamento comunitário já estava vazio e o apartamento parecia 

Atualmente, há um espaçoso lounge de TV, wi-fi gratuito e um lounge de leitura. Também há uma varanda onde se tem a vista do rio Moika. As instalações incluem 4 dormitórios e banheiros compartilhados e 10 privativos, três salas comuns (duas salas de estar e cozinha com área de jantar).

72


Figura 74. Corredor restaurado do Soul Kitchen.

Figura 75. Cozinha compartilhada do Soul Kitchen.

Figura 76. Dormitรณrio privativo do Soul Kitchen.

Figura 77. Dormitรณrio compartilhado do Soul Kitchen.

73


CONCLUSÃO Este trabalho teve por objetivo projetar um hostel em uma edificação tombada e de patrimônio histórico, para resgatar a memória e importância da utilização do mesmo conforme seu entorno que pro-

a criação de uma passagem entre edifícioprojeto e a Praça das Artes, contribuindo para a circulação de pessoas para aproveitarem do local cultural com segurança.

porciona um grande polo cultural. Prevê também, a revalorização da zona central e bairro da República da cidade de São Paulo, assim, contribuindo com a permanência dos transeuntes locais e gerando por consequência, a circulação e acessibilidade no âmbito cultural. Houveram algumas dificuldades em projetar dentro do edifício e inserir novos usos, pois as fachadas tombadas devem ser respeitadas, não permitindo obstruções visuais rentes à ela. Porém o lugar proporciona larga escala para usos diversificados, o que permitiu a idealização de espaços multiusos além de seu uso principal que é o abrigo e permanência de pessoas. Também por ser em um espaço privilegiado com entorno cultural, foi possível

Figura 78. Vista do terraço do edifício.

74


BIBLIOGRAFIA DOCUMENTOS   GIRÈ, Joseph. São Paulo Palace Hotel. Arquivo Histórico Municipal de São Paulo. 3 abr. 1922. Planta.   GIRÈ, Joseph. São Paulo Palace Hotel. CONPRESP, 3 abr. 1922. Planta.   STUERMER, CRISTINE MACHADO. Reconversão do Patrimônio Industrial e os valores contemporâneos. 2010. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) Mackenzie, São Paulo, 2010.   LIVROS GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO. Bens Culturais Arquitetônicos no município e na região metropolitana de São Paulo. SNM Emplasa Sempla, 1984.Autor: Governo de São Paulo. Editora: SNM Emplasa. PERRONE , Carlos ; WAKAHARA, Claudio. São Paulo por dentro, um guia panorâmico da arquitetura. SENAC, 2004.

SÍTIOS ARCHDAILY.. Disponível em: http://www.archdaily. com.br. Acesso em: 3 jun. 2019.   ARQUIVO Histórico Municipal de São Paulo. Disponível em: http://www.arquiamigos.org.br. Acesso em: 3 jun. 2019. GEOSAMPA. Mapas.2019. Disponível em: http://www. geosampa.prefeitura.sp.gov.br/PaginasPublicas/_SBC. aspx. Acesso em: 3 jun. 2019. GOOGLE EARTH. Mapas. 2019. Disponível em: https:// www.google.com.br/intl/pt-BR/earth/. Acesso em: 3 jun. 2019. GOOGLE. Mapas, 2019. Disponível em: http:// www.goo gle.com.br. Acesso em: 3 jun. 2019.   JORNAL do Estadão de São Paulo. Disponível em:http ://www.estadao.com.br. Acesso em: 3 jun. 2019.   JORNAL da Folha de São Paulo. Disponível em: http:// www.folha.uol.com.br. Acesso em: 3 jun. 2019.


JORNAL O Globo. Disponível em: http://www.oglobo. globo.com. Acesso em: 3 jun. 2019. PREFEITURA de São Paulo. Disponível em: http://ww w.capital.sp.gov.br. Acesso em: 3 jun. 2019. RED Bull Studios São Paulo. 6 abr. 2014.Disponível em: http:// www.pt.slideshare.net/nandamenezes _/redbull-station-restauro. Acesso em: 3 jun. 2019. RED Bull Station São Paulo. Disponível em: http://ww w.redbullstation.com.br. Acesso em: 3 jun. 2019.   REVISTA Veja. Disponível em: http://www.veja.abril. com.br. Acesso em: 3 jun. 2019.   SECRETARIA da Agricultura e Abastecimento. Disponível em: http:// www.agricultura.sp.gov.br. Acesso em: 3 jun. 2019. SOUL KITCHEN HOSTEL. Hostel. Disponível em: http:// www.soulkitchenhostel.com/hostel/. Acesso em: 3 jun. 2019.

VÍDEOS A HISTÓRIA do Hotel Esplanada - atual sede da Secretaria de Agricultura. Agricultura SP, 2017. Disponível em: http:// www.youtube.com/watchv=MMvq_xwJCRQ Acesso em: 3 jun. 2019.


ANEXO - I

Figura 79. Planta original do pavimento tĂŠrreo.

77


ANEXO - II

Figura 80. Planta original do pavimento tipo dos dormitรณrios.

78


Profile for SENACBAU_2014-2/2019-1

HOSTEL ESPLANADA | Bruna Tanaka  

HOSTEL ESPLANADA | Bruna Tanaka  

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