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dos Mosteiros da Ordem da Imaculada Conceição

Edição Especial – JMJ Rio 2013


A JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE – RIO 2013 O que significou a JMJ Rio 2013 para o Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição da Ajuda? A JMJ Rio 2013 foi um momento de graças especiais, mas para nós do Ajuda foi muito especial mesmo. No dia 7 de julho tivemos a alegria de receber a Cruz e o Ícone de Nossa Senhora. Na ocasião celebramos ofício das Vésperas do 14º Domingo do Tempo comum com os fiéis que vieram em grande número participar conosco. Por uma delicadeza incomum do Vigário Episcopal do Vicariato Norte recebemos também relíquia do Beato João Paulo II. Outra grande alegria da JMJ para nós foi podermos acolher as nossas Irmãs que vieram de diversas partes do Brasil e também da Bolívia e Argentina. Foram dias de bênçãos, muito ricos. Aos poucos foram chegando... Dia 10 de julho chegou a Irmã Maria Clara Beatriz do Coração de Jesus do Mosteiro de Floriano no Piauí, no dia 18, a Irmã Maria José do Menino Deus, do mesmo Mosteiro, dia 19 a Irmã Ana Beatriz da Imaculada e Irmã Maria Clara Beatriz do Mosteiro de Fortaleza. Sábado dia 20 chegou a Madre Maria do Rosário do Coração de Jesus, do Mosteiro de Caratinga, trazendo um belo saco com limões doces. No domingo dia 21 completou o número das Irmãs que iriam trabalhar no Espaço Franciscano com a chegada de Irmã Maria Teresa de Jesus, Irmã Francisca Letícia, Irmã Cristiane e a Aspirante Bruna; um 2


pouco mais tarde chegaram Madre Lindinalva de Maria e a Postulante Beatriz, do Mosteiro de Salvador e Irmã Eleusa Maria do Coração de Jesus do Mosteiro de Jataí. A cada chegada uma festa e alegria. Mas algo extraordinário estava para acontecer: a chegada de dez Irmãs vindas da Bolívia e Argentina! O que aconteceu na terça-feira 23. Por volta das duas horas da tarde chegaram a Madre Maria Aparecida de São José, Irmã Eliana Cristina e Irmã Jane do Bom Jesus, do Mosteiro da Luz e junto com elas as nossas queridas Irmãs da Bolívia e Argentina: Madre Bernadita Perez Argota – Presidente da Federação “Limpia Concepcion Y Santa Beatriz”; Irmã Maria Mercedes Choquehuanca Yapu – Secretária; Irmã Maria de La Imaculada Sorucu Vargas – Juniorista; Irmã Maria de La Encarnacion Arancibia Uanos – Juniorista; Irmã Maria de San José Ochoa – Juniorista, todas da Comunidade La Paz – Bolivia; Madre Maria de La Paz Bretel Barba – Abadessa; Irmã Maria de La Natividad Quispe Peralta; Irmã Maria de La Concepcion Merlo Valencia; Irmã Maria de La Imaculada Céspedes Ramos, da Comunidade Cochabamba – Bolivia; Irmã Maria de La Anunciacion Muro, da Comunidade De Oran-Salta – Argentina. Veio também com elas a Irmã Maria Cecilia do Mosteiro de Jatai. No dia 24 pela manhã, chegaram ainda a Madre Inês Maria do Coração de Jesus e Irmã Francisca Beatriz do Mosteiro de Piratininga, para participarem do encontro com o Santo Padre no Hospital de São Francisco na Providência de Deus. A cada chegada a explosão de alegria. Foram dias de intensa convivência fraterna que muito nos enriqueceram, e que deixaram em nossos corações a certeza de que somos uma família numerosa dispersa por diversas partes da terra. Recebemos também outras Irmãs 3


Bolivianas que vieram com grupos da própria diocese e se hospedaram em outro local, mas fizeram questão de nos visitar. Foi uma alegria muito grande ver nosso Coro e nosso refeitório repleto de monjas... bateu a saudade dos tempos idos em que a nossa comunidade era também numerosa. Sem falar da felicidade que sentimos ao participar da santa missa na Catedral no sábado dia 27 de julho, quando estivemos muito próximas ao Santo Padre e a Madre Maria Teresa teve a ventura de oscular a mão do Papa Francisco. Terminada a JMJ foi a casa se esvaziando, as que partiam deixavam um pouco de si e levavam também algo de nós e os laços da caridade fraterna se tornando sempre mais estreitos. Com o coração agradecido pedimos ao Senhor que os frutos e as graças dessa Jornada perdurem em nossos corações e possamos experimentar sempre “como é bom os irmãos viverem juntos bem unidos”, como canta o salmo 132. “Bote Cristo na sua vida, deposite n’Ele sua confiança e nunca se decepcionará!” Papa Francisco Ir.Maria Auxiliadora do Preciosíssimo Sangue, OIC Presidente da Federação Imaculada Conceição dos Mosteiros da OIC no Brasil.

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Símbolos da JMJ e Relíquia do Beato João Paulo II visitando o Mosteiro de Nossa Senhora da Ajuda - Rio

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Tenha a palavra nosso Assistente Religioso... Caras Irmãs, O Papa Francisco voltou para Roma e nós ficamos. Ficamos profundamente agradecidos por estes dias de graça que sua presença entre nós causou. Entre as muitas frases marcantes, nos seus discursos e homilias, não me sai da mente a frase-convite insistente: “Devemos abrir as portas das nossas igrejas!” E ele mesmo explicou o que significa esta frase-convite. Abrir as portas das igrejas, não em primeiro lugar, como nós muitas vezes pensamos, para que o povo possa entrar e encher as nossas igrejas, dando-nos a sensação de sucesso pelo bom trabalho pastoral, mas “abrir as portas” para sair e ir ao encontro dos outros, para sermos missionários e missionárias que levam e anunciam pela vida e pela palavra a Boa Nova ao povo. Guardadas as devidas proporções, esta frase-convite vale também para as irmãs de vida contemplativa. Todos nós sabemos que a clausura não é um valor absoluto em si. Clausura serve para servir. Com outras palavras: - recolhemo-nos em clausura para cultivar a intimidade com Deus e 6


- para compartilhar (servir) este amor de Deus com os nossos irmãos. Creio que isto aconteceu de maneira maravilhosa nestes dias da visita do Papa ao Brasil. Em pleno centro do Rio de Janeiro, a Família Franciscana ofereceu um “Espaço Franciscano” de acolhida para os jovens do mundo inteiro. Parte da equipe foram

as irmãs vindas de diversos mosteiros da nossa Federação. Todos os dias estavam aí presentes, acolhendo os visitantes, explicando quem representavam e o que se propõe a Ordem da Imaculada Conceição e adorando Jesus na Eucaristia na “capela dos escravos”. “Foi muito bom”, disseram as irmãs que estiveram presentes – num dia enriquecidas com a presença das irmãs que vieram da 7


Bolívia -. “Foi muito bom”, digo eu que acompanhei as irmãs nestes dias. “Foi muito bom” ouvi também de tantos outros que aí passaram, trabalhando ou visitando. Foi realmente um momento único de também sermos missionários, de irmos ao encontro dos outros e de estarmos presentes no meio do povo jovem, de mostrarmos o nosso rosto, fazer conhecido o nosso ideal, de darmos testemunho de nossa vocação. Quero agradecer profundamente a todas as irmãs que deixaram seu mosteiro nestes dias e marcaram sua presença neste “Espaço Franciscano” e também na “Feira Vocacional”. Agradeço também a todas que ficaram nos seus mosteiros, suprindo os trabalhos das que foram e rezando pelo bom êxito da Jornada Mundial dos Jovens. Sem ufania podemos realmente dizer: A JMJ foi um grande sucesso e nela a OIC que a sua valiosa contribuição. Que Deus e sua Imaculada Mãe sejam louvados! Frei Estêvão Ottenbreit, OFM Assistente Religioso da Federação Imaculada Conceição

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A GRAÇA DE PARTICIPAR DA JMJ Na JMJ/2013, vivi dias com momentos únicos de comunhão com toda a Igreja, por meio da oração e pelo carisma que era influenciado por nosso Santo Padre e por todos ali presentes de todas as nações, louvando a uma só voz ao Senhor, lotando o Rio de Janeiro. O Papa Francisco fez a Igreja sair pelas estradas, levou-a às periferias, fez ouvir a sua voz de Mãe, deu-lhe novamente dinamismo e, assim fazendo, com seus gestos e atitudes, ensinounos qual Igreja ele quer e qual relação ela deve ter com o mundo. Obviamente, vivi este esplêndido evento eclesial com as minhas irmãs, com os jovens, como Concepcionista, procurando entender melhor como este novo momento eclesial deve ser acolhido, traduzido e vivido em nossa Ordem da Imaculada Conceição. Seria de grande ajuda e estímulo se todas retomássemos as palavras do Santo Padre, para assumirmos e trazermos para a vida as suas orientações espirituais e pastorais como tarefa prioritária da caminhada de serviço e testemunho dentro da vida da Igreja e em nossos respectivos mosteiros. Marcamos presença significativa no “Espaço Franciscano” estando em adoração ao SS. Sacramento na Capela dos Escravos, que foi especialmente montada para a ocasião, onde funcionava a antiga senzala da Igreja de São Francisco da Penitência. Nesse espaço sagrado, foram muitos que acorreram estreitando assim os laços de comunhão e intimidade com Deus. Experiência gratificante, 9


que revela a supremacia de Deus na vida de cada pessoa e a necessidade de cultivarmos a vida de oração, que “nos faz sair de nós mesmos”, como disse o Papa Francisco. Enquanto continuamos a rezar pelo Papa Francisco, como Ele mesmo pede insistentemente, e em todos os lugares, confiemos a Maria, a Imaculada Conceição, a Igreja e a nossa querida Ordem, para que possa estar à altura do que o Senhor e os jovens esperam de nós. Que fique a mensagem do Papa Francisco: "Não tenham medo daquilo que Deus lhes pede! Vale a pena dizer ‘sim’ a Deus. N’Ele está a alegria!" Que se cumpra o mandato de Jesus: "Ide e fazei discípulos entre todas as nações!" Mt 28, 19 Com afeto, em Santa Beatriz, Ir. Eleusa Maria, OIC Mosteiro de Jataí - GO A LINGUAGEM DA ALEGRIA A experiência que nestes dias vivemos na JMJ no Rio de Janeiro, ficará para sempre gravado em meu coração. Convivência alegre e fraterna das Irmãs reunidas no mesmo ideal se fazia presente nos momentos comunitários. Quando a comunicação tornava-se difícil pela diferença do idioma, brasileiras e bolivianas simplificavam tudo com o “sorriso”, o 10


“abraço”. Fazendo cada uma sentir: “Você é bem vinda!” – “Sua presença nos faz feliz!”. O amor contagiava e a alegria verdadeira superava os sacrifícios que também fizeram parte da Jornada. Superados por que o prazer de estar junto falava mais alto. Os jovens deram um “show” de disposição e fé. Irradiavam alegria e, sorrindo, testemunhavam como é maravilhoso o amor de Nosso Deus e como é linda nossa Igreja. “Sigam na linha de frente” - “Cristo bota fé em vocês!” “Ide sem medo de servir!” O Papa Francisco em todas as suas mensagens provocava a juventude a responder com grandeza de alma ao convite de Cristo: “Ide fazei discípulos em todas as nações”. O Brasil parou, a cidade do Rio de Janeiro presenciou o maior espetáculo de Fé de sua história. Quem foi ou quem ficou e acompanhou mesmo de longe, experimentou no coração a alegria de pertencer a esta Igreja, de acreditar em Deus. Em nossa Jornada cotidiana sigamos agora “sem medo de servir”, pois, afinal, o Cristo “bota fé em nós”. Dando mais colorido e sabor no nosso dia-a-dia Concepcionista, na Fraternidade que Deus escolheu e chamou para testemunhar a Boa Nova do Evangelho. Muito obrigada Madre Maria Teresa e Madre Auxiliadora e todas as Irmãs da Comunidade do 11


Mosteiro da Ajuda que nos acolheram com carinho e solicitude. Gratas também somos ao Frei Estevão e demais Frades que nos concederam o privilégio de participar do “Espaço Franciscano” e pela calorosa acolhida que nos deram. Foi muito bom sentir de perto que pertencemos a uma linda Família: Família Franciscana! Agradeço de coração a todas vocês, queridas Irmãs, que fizeram parte do grupo Concepcionista na JMJ. Pelo esforço, dedicação e doação alegre! Deus vos pague! Ir.Maria Teresa, OIC Mosteiro de Piratininga – São Paulo “A GRATIDÃO É A MEMÓRIA DO CORAÇÃO” Que momento abençoado foi a semana da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro! Dias de graças, chuva de graças, foram dias muito marcados pelo encontro, partilha, reflexão, oração... Estar na JMJ foi um presente de Deus. Foram dias que serão guardados no coração. Por isso louvo e agradeço a Deus por este presente, esta oportunidade de poder participar destes dias maravilhosos, nas pessoas das queridas Madre Maria Auxiliadora, Madre Lindinalva, Ir. Eleusa, Madre Inês, Madre Maria Teresa e a Comunidade da qual faço parte (Mosteiro de Piratininga) e a toda Ordem, e a Frei Estevão, por estes dias abençoados por Deus, muito obrigada. Também quero agradecer fraternalmente a nossas queridas Irmãs do Mosteiro D’Ajuda que nos acolheram carinhosamente sendo a 12


presença de Maria nestes dias que lá estivemos, muito obrigada, só Deus poderá recompensá-las. E como foi bom encontrar nossas queridas irmãs da Bolívia e Argentina, que para mim foi um exemplo de alegria, coragem, determinação, foi muito bom o tempo que pudemos conviver e nos conhecer, que Deus as abençoe. Ver e sentir a presença do nosso Santo Padre o Papa Francisco era como ver o próprio Cristo, assim meditava na missa de encerramento do dia 28/07 no domingo. Vendo e estando no meio daquela multidão de jovens, imaginava quando Jesus esteve na terra Ele atraia multidões que o queriam ver, tocar e estar com Ele, e assim foi com nosso querido Papa Francisco. Recordei também da linda frase de nosso saudoso Beato Papa João Paulo II: “São Francisco de Assis o mundo tem saudades de ti.” Que Papa simples, sua presença fraterna e humilde nos cativa. Que dias lindos também no espaço franciscano com nossos queridos irmãos franciscanos e a juventude que por lá passava; e a capelinha acolhedora onde ficava exposto Jesus Eucarístico o dia todo e onde era muito visitado, adorado... É... foram dias agraciados, era coisa de Deus esse momento que vivemos na Jornada Mundial da Juventude no Rio! Deus seja louvado por todas as graças e benefícios que recebemos nestes dias e que, essas graças também sejam derramadas para toda a Ordem e a toda Santa Igreja. Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo... Ir. Cristiane Nani Mosteiro de Piratininga - SP

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P A R T I L H A N D O... Para mim essa experiência da JMJ ficará gravada em meu coração, com momentos de muitas alegrias, partilhas e emoções vividas com minhas companheiras de jornada! Com ansiedade esperava encontrar nossas Irmãs dos países vizinhos e quanta festa na chegada delas. Foi muito bom estar no Espaço Franciscano, no encontro com os Gerais da Ordem de São Francisco e ali nos sentir parte dessa grande família. Também foi uma graça ver o Papa Francisco e sentir sua presença entre nos, sentir a presença do Cristo Ressuscitado que ele trouxe a nós, como o maior tesouro que se pode possuir; e o momento em que a emoção tomou conta de mim foi durante a Santa Missa do Domingo, quando cantávamos o Cordeiro de Deus. Mas quero ainda destacar um outro ponto que fica por traz das cortinas o qual me encanta e motiva meu caminhar, que e o espírito de caridade e sacrifício oblativo que pairava sobre o Rio de Janeiro: A começar por nossas Irmãs que ficaram em casa, com numero reduzido, para que pudéssemos estar lá, pela comunidade no Mosteiro da Ajuda, que na pessoa da Madre Teresa nos acolheu com extremo carinho; pelo apoio da Madre Auxiliadora e pelos bons exemplos de virtudes de todas as demais Irmãs. A vida fraterna me encanta e sustenta!

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Tal espírito também constatamos nos jovens que enfrentaram o frio, a chuva, o desconforto e tantos desafios e diante de tudo isso não pensavam em si, mas, todos pensavam em todos, e aquela multidão ali reunida nos mostra com toda força que nossa Igreja é VIVA !! Ave Maria Puríssima! Sem pecado concebida! Ir. Francisca Letícia

Mosteiro de Piratininga - SP

A EXPERIÊNCIA DA JMJ RIO 2013 Na Jornada Mundial da Juventude, pude sentir que a Igreja possui, apesar da diversidade cultural dos povos representados por cada peregrino, um só coração e uma só alma. Foram dias de muita alegria, de união e de muitas graças. Sei que a semente plantada em nossos corações mais cedo ou mais tarde germinará, crescerá e dará seus frutos no tempo devido. Eu boto fé! O Papa Francisco deixou, não só no meu coração, mas no coração de todos os jovens peregrinos, a certeza de que n��o estamos sozinhos; de que podemos sim, fazer a diferença no mundo em que vivemos tão materialista e individualista. O Papa Francisco BOTOU FÉ em nós, que lutamos por um mundo melhor e mais justo.

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Muitos discípulos surgirão após esta JMJ e não se calarão. Com o mesmo fervor com o qual viveram a JMJ anunciarão o Evangelho. O Santo Padre disse para não termos medo de nadar contra a corrente, de sermos os protagonistas da nossa própria história, de sermos livres e capazes de viver com coragem, renúncia e disposição o santo Evangelho. Jesus ‘bota fé’ em nós que vivemos momentos de graças nesta JMJ, sigamos em frente! Não posso esquecer também o quanto foi maravilhoso estar no Espaço Franciscano, um ambiente de muita alegria, de acolhimento e de oração. Tive a oportunidade de estar com muitos jovens de vários países e de, é claro falar um pouco da nossa Ordem, principalmente aos de língua espanhola, "a gente se entende!" um jovem Argentino ao se despedir disse: “Irmã, nos encontraremos no céu”. É essa a esperança de que o Papa Francisco tanto falou na JMJ, o "fim da jornada é o céu". Valeu a pena cada momento. Trago a "mochila" cheia de esperança e de coragem para colocar em prática tudo, ou quase tudo, que experimentei na JMJ. Não posso deixar de agradecer á minha comunidade na pessoa da Me. Lindinalva que me permitiu participar deste momento tão maravilhoso, ás irmãs do Mosteiro D`Ajuda pelo carinho da acolhida, e ás minhas irmãs companheiras de JMJ, foi uma alegria gigantesca

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conhecê-las e ter passado momentos de tanta alegria em união com a igreja jovem ali presente. Valeu “galera”! Continuaremos unidas pela oração. Aquele abraço!!!

Postulante Beatriz de Jesus Barreto

Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição - Salvador-Ba

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“NOSSO CLAUSTRO TEM A DIMENSÃO DO MUNDO” São Francisco de Assis As palavras do santo Padre, proferidas na cidade do Rio de Janeiro, vão continuar ecoando em nossas vidas e em nossos ouvidos por muito tempo. De fato, descrever o que se sentiu naqueles dias não é tarefa fácil para ninguém: emoção, oração, respeito, partilha, encontro, fé. Algumas palavras que tentam narrar uma experiência que vai ficar para a história de quem pode sentir e viver de perto o vigor de uma juventude sadia, decidida e consciente. O cansaço era detalhe, quando aquele homem vestido de branco, com um olhar terno e sorriso sincero se aproximava. No auge de seus 76 anos, ele parecia incansável, sempre atento, próximo e amigo de todos. E quando o papamóvel se ia, ficavam apenas os sorrisos e o sentimento de que ele tinha olhado e sorrido para cada um, daqueles milhões que se espremiam para vê-lo o mais perto possível. E o que dizer da presença das irmãs Concepcionistas Franciscanas na Jornada Mundial da Juventude? Resumiria tudo em uma palavra: simplicidade. Próprio do nosso carisma, elas vivenciaram com os jovens, o sentido pleno desta palavra, seja no sorriso, nos gestos, na oração, no carinho. Do silêncio da clausura para o 18


turbilhão de sons, próprios da juventude, as irmãs foram sinal visível, para todos àqueles que as encontraram, do belo carisma suscitado no coração de Beatriz da Silva há mais de quinhentos anos, e no coração de cada uma delas, nos dias de hoje. Agora é continuar a missão que nos foi confiada por Jesus Cristo, reafirmada por nossos fundadores, e testemunhada por nós, no dia-a-dia de nossos claustros, trabalhos, vidas. Como bem disse o Papa Francisco na missa de encerramento da Jornada: “Ide, sem medo, para servir.” Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM

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MILAGRE DO PAPA FRANCISCO Dizem que sonhar não custa nada! Em nosso caso isso se fez realidade... Na reunião do Conselho Federal do mês de janeiro a Madre Presidente Bernadita Pérez, lançou a ideia motivada pelo encontro que haviam vivido nossas irmãs jovens dos Mosteiros da Espanha na JMJ de Madrid e nos entusiasmaram com isso. Pensamos que se nos oferecia uma oportunidade de participar desse encontro com o Santo Padre. Como era natural, nossa resposta foi que seria algo lindo mas que lamentavelmente não contávamos com os meios econômicos nem tampouco tínhamos contatos no Brasil... e tudo ficou em suspenso... mas não ficamos de braços cruzados e começamos a averiguar os custos. Sem esperarmos, nos surpreendeu a grata visita do Frei Estêvão que foi um enviado de Deus já que passamos uma tarde inesquecível. Comunicamos nosso desejo de participar da JMJ e ele imediatamente se comunicou com a Madre Presidente Maria Auxiliadora do Brasil, a qual se interessou muito e entrou em contato por telefone com os Mosteiros de La Paz e Cochabamba, oferecendo seu Mosteiro para alojar-nos. Desde esse momento sentiu-se mais forte o carinho fraterno de nossas irmãs brasileiras. E fomos nos preparando com encontros com a JMJ da Diocese os quais foram muito enriquecedores e nos faziam sentir-nos peregrinas. Ao mesmo tempo a Madre Bernadita foi conseguindo as ajudas para conseguir as passagens e graças a Deus encontrou generosos benfeitores. Deus lhes recompense! 20


Assim chegou esse formoso dia em que nos reunimos as três comunidades em nosso Mosteiro de Cochabamba. Por causa da emoção e dos preparativos não dormimos nada até chegar a hora de partir as 02:30 da manhã. Alegria, emoção e temos são sentimentos que se misturaram pois íamos para algo desconhecido por nós. Ao chegar ao aeroporto nos encontramos com um grupo de peregrinos e tudo foi emoção até embarcar no avião. A Ir. Mercedes teve problemas com a documentação e permaneceu mais dois dias para ajeitar tudo, enquanto nós seguimos viagem desfrutando do vôo. Chagando ao aeroporto de São Paulo nos sentimos superacolhidas vendo a multidão de peregrinos e nos perguntávamos se alguma irmãs estava ali para nos receber. Nossa alegria foi grande ao ver uns lindos sorrisos de Madre Aparecida, Madre Eliana e ir. Cecília que nos esperavam com tanto carinho. Realmente, que bonito é sentir-se irmãs e em casa e o idioma não foi nenhum impedimento para nos comunicar pois todas falamos a linguagem do amor... Nossas irmãs do Mosteiro da Luz foram muito bondosas conosco nos dedicando seu tempo para que estivéssemos contentes e levando-nos em seu próprio automóvel até o Rio de Janeiro a nosso Mosteiro da Ajuda. Chegando ao Mosteiro da Ajuda nos encontramos com a calorosa acolhida da parte da Madre Maria Teresa e da Madre Presidente Maria Auxiliadora e toda comunidade que com muita alegria nos receberam. 21


A tarde fomos ao “Espaço Franciscano” e lá conhecemos outras irmãs de nossa Ordem que nos demonstraram o mesmo carinho fraterno. No dia seguinte começou nossa peregrinação ao encontro do Santo Padre. Em duas ocasiões participamos das catequeses em língua espanhola em Copacabana: um dia foi pelo arcebispo do Panamá e o outro pelo Cardeal de Cuba, encontrando-nos com uma juventude cheia de um entusiasmo contagiante. Todas as tarde participávamos das jornadas da juventude (eventos centrais). Encontros inesquecíveis e repletos de satisfação. Percebemos que apesar de tanta crise de fé há uma juventude sã e repleta do amor de Deus que é a esperança da humanidade. Como se surpreendiam com nossos hábitos!! Os flashs choviam como nunca em nossa vida e as perguntas de onde éramos, qual a Ordem e se recomendavam a nossas orações. Eram umas caminhadas intermináveis pois as avenidas estavam fechadas e tínhamos que ir caminhando até encontrar um transporte que nos levasse até o Mosteiro preocupando com nossa demora as irmãs do Mosteiro que nos esperavam ansiosas com uma ceia quente e deliciosa... Outra experiência inesquecível foi o encontro com o Cristo do Corcovado encontrando-nos com uma multidão de jovens entusiasmados que viviam sua experiência de fé. Os dias se passaram voando e trazendo-nos doces recordações cheias de satisfação além da experiência de encontro com o Papa e com nossas irmãs brasileiras: as que nos acolheram em seus mosteiros e as que vieram de outros lugares do Brasil. Mais uma vez, obrigada por tudo. Queridas irmãs recebam um forte abraço e que esta seja uma oportunidade para que se 22


estreitem nossos laços fraternais e algum dia possamos confederar-nos. E já sabem que as esperamos a toada na Bolívia... são o motivo de nossas conversações e as levamos em nosso coração! Ao partirmos do aeroporto as lágrimas encheram nossos olhos por causa da despedida, porque embora tenhamos convivido poucos dias ficaram marcas indeléveis em nossos corações, momentos ricos em experiência fraterna e que nos fizeram sentir parte dessa grande família concepcionista. Obrigada, queridas irmãs... Esse foi o milagre do Papa Francisco... Irmãs dos Mosteiros de Bolívia e Argentina Tradução: Ir. Lindinalva de Maria, OIC

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TRÊS MINISTROS, UM SÓ CORAÇÃO... FRANCISCO Encontro dos Ministros Gerais – JMJ Rio 2013 Por Moacir Beggo Os Ministros e Superiores Gerais se encontraram nesta quarta-feira (24), na Igreja de São Sebastião, na Tijuca, para falar do carisma de São Francisco e Santa Clara aos jovens e religiosos (as) da Família Franciscana do Brasil e mundial. E foi assim, mostrando que esse carisma é atual e interpela a todos, que os representantes de Francisco e Clara tiveram esse encontro especial na Jornada Mundial da Juventude, como parte da programação do Espaço Franciscano. A jovem croata, representante da Juventude Franciscana no Conselho Geral da Ordem Franciscana Secular, Anna Fruk, conduziu a mesa dos Gerais. O primeiro a ter esse contato foi o Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, o norte-americano Michael Perry, que foi recémeleito para continuar nesta missão até 2015. Citando o Evangelho de Lucas (1, 1-4), quando Jesus foi à cidade de Nazaré, entrou na sinagoga, e levantou-se para fazer a leitura. Deram-lhe o livro do profeta Isaías, onde leu a passagem que está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar 24


a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos, e para proclamar um ano de graça do Senhor.” Frei Michael lembrou que o Espírito do Senhor está sobre nós e nos chama à liberdade, nos chama para dar esperança ao mundo inteiro, nos chama para sermos discípulos de Jesus, nos chama para perto dos mais pobres. “E o Papa Francisco está dizendo que é preciso voltar aos pobres”, enfatizou, reforçando que é importante “para nós, franciscanos, não deixar os lugares fraturados esquecidos”. Segundo Frei Michael, o Espírito do Senhor está chamando para dar esperança e liberdade a todo mundo. “Vamos acreditar que o Espírito do Senhor está mesmo sobre nós. Vamos ter olhos, corações e nariz abertos para conhecer e proclamar o Evangelho”, enfatizou. Na mesma linha de reflexão do Papa Francisco, pautou-se o Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, Mauro Jöhri, que lembrou uma história do tempo de São Francisco, quando o santo repreende um frade que chamou um pobre de “fingido”. São Francisco mandou que ele tirasse o hábito, pedisse perdão e beijasse os pés do pobre. “Francisco não aceitava que se desprezasse o pobre. Um frade nunca despreza um pobre. Franciscano nunca despreza um pobre (aplausos)”, reforçou o Ministro Geral dos Capuchinhos. “Francisco reconheceu que encontrou Cristo nos pobres. Só quando se abriu para os pobres conseguiu se abrir para Cristo. Antes os pobres lhe davam repulsa. Os leprosos cheiravam mal. Mas, um dia, Deus lhe agarrou e levou para o meio dos pobres. Aquilo que era amargo se tornou doce. Não se pode dizer que ama a Deus que não se vê e ao pobre que se vê. Existem tantos pobres 25


que esperam por um gesto de solidariedade e amizade. Você pode não ter dinheiro para dar a um pobre, mas poderá saudá-lo e ficar um tempo com ele”, encerrou, desejando boa caminhada. O Ministro dos Frades Menores Conventuais, Frei Marco Tasca, tratou do “carisma franciscano e a comunicação”. “Eu sei que esse tema da comunicação vocês não conhecem mais ou menos, mas conhecem muito bem”, brincou. “Eu gostaria de recordar um dado muito importante. Deus se conectou primeiramente conosco. Não esperou que nós nos conectássemos a ele. E ele fez de uma maneira muito interessante. Mandou seu Filho Jesus ao nosso meio. Isto é, se conectou conosco através de um corpo, com afetos, com sonhos, com gestos concretos”, assinalou. Para ele, é claro que os meios de comunicação são uma grande oportunidade, mas é preciso vivê-los de uma maneira cristã e franciscana. “Penso que São Francisco e Santa Clara foram grandes comunicadores. Todos vocês conhecem a passagem da Perfeita Alegria e como São Francisco expressa aquilo que está vivendo como história. Creio que nós, de fato, somos chamados hoje a viver esses meios de comunicação com uma maneira diferente. Porque temos um modo diferente de amar; um modo diferente de estar juntos; um modo diferente de economia; um modo diferente de viver as relações. É isto que o mundo espera de nós: que sejamos sinal de diferença. Que não sejamos iguais a todos e não façamos o que todo mundo faz, não vivamos como todos vivem. Somos chamados a ser sinal de diferença. Coragem irmãos! Vamos mudar o mundo naquilo que o mundo está esperando”, convocou. O Vigário Geral da Terceira Ordem Regular, Frei Amando Trujillo, falou de ecologia e espiritualidade, um tema cada vez mais atual e um compromisso dos franciscanos. “Nós, como franciscanos, temos a obrigação de renovar a criação como um dom de Deus”. Segundo ele, o Papa Francisco convoca a todos a 26


serem protetores da criação e não destruidores. “Estamos destruindo a natureza e, consequentemente, destruindo nossas vidas”, lamentou. Já a presidente da Confederação Internacional dos Irmãos e Irmãs Franciscanasnas, TOR, Deborah Lockwood, OSF, falou de fraternidade na espiritualidade franciscana. “Cada irmão, cada irmã é um presente de Deus e por isso devemos ter respeito por eles”, destacou, enquanto o Vice-ministro da Ordem Franciscana Secular, Amando Trujillo, abordou o tema do trabalho na perspectiva secular franciscana. Segundo Trujillo, para Francisco, trabalho é uma doação e trabalhar é uma graça. “O trabalho é uma maneira de servir à comunidade e uma oportunidade de servir a Deus e ao próximo”, completou. A simpática Ministra Geral da OFS, Encarnación del Pozo, falou com carinho da Juventude Franciscana e lembrou da dificuldade para se ter assistência espiritual da Primeira Ordem no mundo inteiro. A vice-presidente da Federação das Irmãs Concepcionistas do Brasil, Ir. Lindinalva de Maria, disse que o desafio hoje é recuperar o jovem que está se distanciando da Igreja. Quatro jovens fizeram perguntas aos Ministros Gerais e, pela Província da Imaculada, Frei João Pedro Inácio Silva Almeida, interpelou Frei Michael Perry sobre qual deve ser a postura do frade menor numa sociedade marcada pelo relativismo e secularismo? Segundo o Ministro Geral OFM, essa realidade não deve afastar o frade do mundo. “Essas situações negativas fizeram Francisco se aproximar do mundo. A tendência é se afastar, mas o frade menor deve se tornar um sinal de fé, esperança e caridade”, disse. 27


Todos os Ministros (as) acenderam as velas no Círio Pascal e passaram a chama aos jovens em sinal de envio nesta Jornada Mundial da Juventude que tem como tema “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28, 19). No encerramento, o grupo de teatro da Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Nilópolis representou a vida de São Francisco de Assis. Fonte: http://www.franciscanos.org.br

RELIGIOSIDADE E ORAÇÃO Quando se pensa em religiosidade invariavelmente fazemos uma ligação com a oração. Há no coração humano uma tendência natural para o religioso, para o sagrado. Daí a religiosidade se apresentar como algo muito amplo. Toda civilização, todo povo, toda família, toda pessoa se relaciona com o sagrado e o faz de uma forma única. Muitas pessoas podem nem saber o que é Liturgia mas desejam “Que Deus proteja na viagem”... sabem que “Deus é mais”... invocam “Valei-me, Nossa Senhora”... Já tive oportunidade de ouvir um Evangélico dizer “Vixi Maria”... Enfim, o que Freud denominava de “Instinto de Proteção”, como algo inerente à condição humana, desencadeia numa necessidade de Proteção vinda de um Ser superior, expressada, como vimos, por palavras, ritos, gestos, Liturgia. “Um levantamento realizado em 21 países constatou que o Brasil possui a terceira população jovem mais religiosa do mundo. Segundo pesquisa do instituto alemão 65% dos jovens brasileiros são considerados "profundamente religiosos". 28


Empatado com a Indonésia e o Marrocos --países de maioria muçulmana--, o Brasil fica atrás apenas da Nigéria e da Guatemala, primeiro e segundo lugar, respectivamente. Um total de 21 mil jovens entre 18 a 29 anos participaram da pesquisa alemã. Em âmbito global, mais de quatro entre cada cinco jovens (85%) são religiosos, e quase metade (44%) são profundamente religiosos. Apenas 13% não acreditam em Deus ou não têm religião, de acordo com a sondagem. No Brasil, 65% dos jovens se declaram profundamente religiosos, 30% se dizem religiosos e 4% afirmam não ter religião. Apesar de 74% dos brasileiros declararem que rezam diariamente, somente 35% disseram viver de acordo com os preceitos religiosos.” (www1.folha.uol.com.br) Esses são dados que confirmam essa necessidade do sagrado, necessidade de respostas para nossos questionamentos mais profundos. Em outras palavras temos necessidade de Deus desde a mais tenra idade! Diante disso nos perguntamos: e a oração? Eu arriscaria dizer que toda oração é religiosidade e toda religiosidade é oração se tomamos o conceito de oração como “elevação do coração a Deus”. Talvez o desafio consista em diferenciar, direcionar nossa religiosidade para o Deus Verdadeiro. Aqui não me refiro a uma adesão às Grandes Religiões mas uma atenção especial àquelas “religiosidades” que criamos ou que a mídia nos impõe e de bom grado acolhemos e fazemos disso uma crença inquestionável. 29


Daí a pergunta: a que Deus eu sirvo? A que Deus eu busco? A que Deus me consagrei? Uma Concepcionista se compromete diante de Deus e da Igreja a viver segundo o Evangelho. Então tenho claro que o senso religioso que há em mim, que nasce comigo, e toda religiosidade recebida da minha família, da minha nação, da minha cultura ela estará direcionada, ela encontrará um rosto dentro da fé que eu professo... então eu sufoco o aspecto religioso pessoal, individual, único que há em mim? Certamente que não... mas esse aspecto ganhará asas numa vida em que caminho a medida que descubro como nada sou sem Deus, que sou incompleta se ignoro essa sede insaciável de algo que é mais que eu, que está acima de mim e que, de alguma forma, me faz uma pessoa plena na totalidade do meu existir. Creio que vivemos um momento privilegiado da história da humanidade quando tudo é facilitado: comunicação, deslocamento, um infinito leque de opções que complica e confunde na hora de fazer uma escolha. Mas, por outro lado, vive-se um momento de muita superficialidade. As respostas são rápidas, as decisões são rápidas, as mudanças são rápidas e no entanto, nunca há uma saciedade... falta alguma coisa, falta alguém... falta um eu profundo que reflete, que reza antes de decidir... que não se contenta com um nivelamento por baixo... E onde está o privilégio em tudo isso, nesse momento da história? Aqui gostaria de me referir basicamente à Vida Religiosa. Nós devemos ser essa ponte, a referência que mostre ao jovem que dentre as muitas opções existe uma que responde a partir de dentro aos seus anseios de felicidade, de plenitude, de realização como pessoa. Nós somos privilegiados em poder oferecer e ser na sociedade um referencial, uma luz para indicar caminhos, indicar o Caminho: Jesus. 30


A grande oração da vida religiosa hoje é seu profetismo. Vive-se a amizade na gratuidade, a doação e a fraternidade, a confiança e a partilha. São elementos desacreditados na sociedade mas o religioso pela seu testemunho torna-se uma oração viva e traz de volta o re-ligare da humanidade com Deus. Nós, Monjas Concepcionistas, em cada Mosteiro do Brasil ou de qualquer outro lugar do mundo, queremos dizer para você, jovem, vale a pena optar por Jesus, vale a pena dar a sua vida por Ele e para Ele. E sabemos não é preciso necessariamente ser frade, ser freira... basta descobrir o que Ele quer de você ou deixar que Ele se revele a você e viva com convicção essa Presença... tudo o mais virá por acréscimo! Não deixaremos de ser cidadãos, cidadãs do século XXI... não deixaremos de usufruir de todo bem que os avanços da técnica e da ciência nos proporcionam, não deixaremos de ser quem somos, todavia, teremos consciência de que, como dizia Santo Estanislau Kostka: “Nascemos para as coisas do alto”. Francisco, Clara, Beatriz nos deram exemplo. Foram pessoas que, na fase mais tenra de suas vidas, fizeram uma opção fundamental: seguir radicalmente Jesus Cristo. Nesse processo, aperfeiçoaram a oração e direcionaram a religiosidade inerente que possuíam para a opção fundamental que livremente escolheram. E nós seremos exemplos para a posteridade?? Ir. Lindinalva de Maria, OIC Mosteiro de Salvador – Bahia (Representando a OIC no Encontro dos Ministros Gerais)

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Ir. Eleusa e Ir. Clara, OIC, com o Ministro Geral da OFM, Frei Michael Perry, ofm.

Frei Marco Tasca, Ministro Geral da OFM Conv. e Frei Mauro Jรถhri, Ministro Geral da OFM Cap

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O RASTRO LUMINOSO QUE FRANCISCO DEIXOU Maria Clara Bingemer Quando o avião da Alitália que levava o Papa Francisco de volta ao Vaticano decolou, certamente algo de muito importante havia acontecido em termos teológicos e eclesiais. E isto não apenas no Brasil, ou no Rio de Janeiro, onde se concentrou sua visita, mas em toda a Igreja Universal e no mundo inteiro, onde homens e mulheres vivem, esperam, trabalham, amam e sofrem. Qualquer tentativa de balanço dessa luminosa visita permanece inconsistente diante da estatura do visitante e das dimensões da mobilização que sua figura logrou. Conscientes de que não esgotamos o tema, levantamos, no entanto, alguns pontos que nos parecem importantes do legado de Francisco nesta Jornada Mundial da Juventude. É a nossa leitura e estamos conscientes de que certamente há muitas outras. 1. A própria pessoa do Papa - Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, apresenta um perfil que impressiona e atrai. Não por causa de nada extraordinário, mas exatamente pela sua normalidade, suas atitudes, seus gestos. Faz questão de se comportar e agir como o comum das pessoas. E isso faz com que todos e todas consigam identificar-se com ele e abrir-se a sua mensagem. Ao ser interrogado, já no avião de volta, por que carrega ele mesmo sua pequena maleta preta e não a entrega aos assessores, respondeu com simplicidade contundente: “Porque é normal”. E revelou o conteúdo da mala, muito comum em qualquer 33


sacerdote e, por conseguinte, também no Papa, tal como breviário, ordinário da missa etc. Francisco insiste em que as pessoas da Igreja devem ser normais, como todo mundo. Não esquisitas, não estranhas. Mas normais. Nesse ponto, segue de perto seu mestre espiritual, Santo Inácio de Loyola, que nas Constituições da Companhia de Jesus, ao redigir as indicações de como deviam se vestir os jesuítas, afirma: “Vistam-se como os sacerdotes honestos do lugar.” 2. Sua concepção da missão da Igreja - Em seus discursos o Papa deixou bem claro como entende a missão da Igreja. Deve ser algo que desinstale, dinâmica, que saia da privacidade da sacristia e vá ao espaço público. Conclamou bispos e clérigos a cultivar a cultura do encontro. Isto implica sair dos espaços onde os segmentos eclesiais têm o domínio e ir ao encontro das pessoas que estão fora, muitas vezes afastadas e mesmo hostis à Igreja. E como aproximar-se delas? O meio é o diálogo, a abertura, o convite alegre à conversação e à partilha. Aos jovens, sobretudo, recomendou essa atitude permanente, dizendo querer agitação (lío, palavra espanhola que na verdade significa confusão), movimento e não pasmaceira e acomodação nas dioceses e nas diversas instâncias do tecido eclesial. A Igreja tem que sair de si, viver em êxodo permanente, ir ao encontro dos outros, viver em estado de pastoral. Essa é a Igreja de Francisco, Igreja que ele não inventa agora, mas que resgata das fontes mesmas do Cristianismo. Igreja alegre e participativa como eram as primeiras comunidades, onde o Senhor cada dia acrescentava ao número dos que a ela aderiam e eram salvos (Atos dos apóstolos, 2, 22-46) 3. Seu entendimento da composição do tecido eclesial - O Papa deixa bem claro ao terminar sua visita à JMJ que o clericalismo – ao lado de outros ismos - é incompatível com o rosto e o espírito da Igreja de Jesus Cristo. Não existe nem existirá Igreja ou evangelização se os cristãos leigos, batizados sem mais adjetivos não forem constitutiva e vigorosamente integrados à comunidade eclesial para todos os efeitos: não apenas em funções de suplência 34


ou acessórias, mas participando das decisões, recebendo adequada formação e tendo voz ativa na caminhada eclesial. Somente uma Igreja que não funcionar em termos de contraposição clero versus laicato poderá ser realmente Povo de Deus, Corpo de Cristo e revelar ao mundo o Evangelho do amor e da solidariedade. 4. Sua denúncia profética do consumismo e das injustiças - O Papa não poupou palavras e expressões fortes para denunciar a cultura do provisório, os ídolos que fascinam os jovens e lhes roubam o sentido da vida e a esperança, “os mercadores da morte” que lhes oferecem viagens sem volta nas asas das substâncias químicas e letais das drogas. Ao mesmo tempo, sua denúncia se transformou em anúncio alegre do que é a verdade. A verdade é o serviço gratuito e desinteressado que se presta ao outro. Isto é a essência do cristianismo e isto é que constrói a verdadeira Igreja. Ao fundo das palavras e gestos do Papa, na esteira do rastro luminoso por ele deixado refulge uma figura, uma pessoa. Trata-se daquele que é a razão de ser de seu compromisso e sua vida. Daquele que é o horizonte de sentido que o faz ser quem é, como é e fazer o que faz. Aquele que, tendo a condição divina, não se aferrou a suas prerrogativas mas tomou carne, habitou no meio de nós e foi obediente até a morte de Cruz. Conhecê-lo, amá-lo, contemplá-lo incessantemente é o caminho para qualquer peregrino, qualquer homem ou mulher que se autocompreenda como um ser a caminho para a Verdade e a Vida. Jesus Cristo: uma experiência mais viva de seu mistério, um desejo mais forte de construir seu Reino. Eis o coração, o núcleo do legado luminoso do Papa Francisco nesta visita ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude. Maria Clara Bingemer, Professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio

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ISSO É JMJ RIO 2013!

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ANGELUS Praça São Pedro – Vaticano Domingo, 4 de agosto de 2013 Queridos irmãos e irmãs! Domingo passado eu estava no Rio de Janeiro. Concluía-se a Santa Missa

e a Jornada Mundial da

Juventude. Penso que devemos todos juntos

agradecer

ao

Senhor

pelo

grande dom que foi este acontecimento para o Brasil, para a América Latina e para o mundo inteiro. Foi uma nova etapa na peregrinação dos jovens através dos continentes com a Cruz de Cristo. Não devemos nunca esquecer que as Jornadas Mundiais da Juventude não são “fogos de artifício”, momentos de entusiasmo com fins em si mesmos; são etapas de um longo caminho, iniciado em 1985, por iniciativa do Papa João Paulo II. Ele confiou aos jovens a Cruz e disse: ide, e eu irei com vocês! E assim foi; e esta peregrinação dos jovens continuou com o Papa Bento e graças a Deus também eu pude viver esta maravilhosa etapa no Brasil. Recordemos sempre: os jovens não seguem o Papa, seguem Jesus Cristo, levando a sua Cruz. E o Papa os guia e os acompanha neste caminho de fé e de esperança. Agradeço por isso os jovens que participaram mesmo a custa de sacrifícios. E agradeço ao Senhor também pelos outros encontros que tive com os Pastores e o povo daquele grande país que é o Brasil, bem como as autoridades e os voluntários. O Senhor recompense todos aqueles que trabalharam por esta grande festa da fé. Quero

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destacar também o meu agradecimento, tantos agradecimentos aos brasileiros. Brava gente esta do Brasil, um povo de grande coração! Não esqueço a sua calorosa acolhida, as suas saudações, os seus olhares, tanta alegria. Um povo generoso; peço ao Senhor que o abençõe muito! Gostaria de pedir-vos para rezarem comigo a fim de que os jovens que participaram

da Jornada

Mundial

da

Juventude possam

traduzir

esta

experiência no seu caminho cotidiano, nos comportamentos de todos os dias; e que possam traduzi-lo também em escolhas importantes de vida, respondendo ao chamado pessoal do Senhor. Hoje na liturgia ecoa a palavra provocativa de Eclesiastes: “Vaidade das vaidades… tudo é vaidade” (1, 2). Os jovens são particularmente sensíveis ao vazio de significado e de valores que muitas vezes os circunda. E infelizmente pagam as consequências. Em vez disso, o encontro com Jesus vivo, na sua grande família que é a Igreja, enche o coração de alegria, porque o enche de vida verdadeira, de um bem profundo, que não passa e não apodrece: vimos isso nos rostos dos jovens no Rio. Mas esta experiência deve enfrentar a vaidade cotidiana, o veneno do vazio que se insinua nas nossas sociedades baseadas no lucro e no ter, que iludem os jovens com o consumismo. O Evangelho deste domingo nos lembra propriamente o absurdo de basear a própria felicidade no ter. O rico diz a si mesmo: ó minha alma, tens à disposição muitos bens… descansa, come, bebe e divirta-se! Mas Deus lhe diz: Insensato, nesta noite ainda exigirei de ti a tua alma. E as coisas que ajuntaste, de quem serão? (cfr Lc 12, 19-20). Queridos irmãos e irmãs, a verdadeira riqueza é o amor de Deus compartilhado com os irmãos. Aquele amor que vem de Deus e faz com que nós compartilhemos entre nós e nos ajudemos entre nós. Quem faz esta experiência não teme a morte, e recebe a paz do coração. Confiemos esta intenção, a intenção de receber o amor de Deus e compartilhá-lo com os irmãos, à intercessão da Virgem Maria.

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M O M E N T O S... “Obrigado por terem vindo e permitam-me que lhes fale como amigo...” (Papa Francisco – Encontro com o Episcopado Brasileiro)

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“Bote fé e a vida terá um sabor novo... bote esperança e todos os seus dias serão iluminados... bote amor e a sua existência será como uma casa construída sobre a rocha, o seu caminho será alegre...” (Papa Francisco na festa de acolhida dos jovens)

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Estivemos juntos! 41


“Que bom estar com vocês aqui! Que bom! (...) Queria bater em cada porta e dizer “bom-dia”, pedir um copo de água fresca, beber um “cafezinho” – não uma cachacinha! – falar como amigos de casa, ouvir o coração de cada um...” (Papa Francisco na Comunidade de Varginha)

Sou marcado desde sempre com o sinal do Redentor, que sobre o monte, o Corcovado, abraça o mundo com Seu amor. Cristo nos convida: "Venham, meus amigos!" Cristo nos envia: "Sejam missionários!" (Hino Oficial da JMJ Rio 2013)

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O Arcebispo de Aparecida, Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis, recebeu uma carta com a mensagem escrita pelo Papa Francisco, que agradeceu pela acolhida no Brasil, em especial, na cidade de Aparecida, onde celebrou a Santa Missa no Santuário Nacional. "Venho renovar-lhe a expressão do meu agradecimento e, através de sua pessoa, a todos quantos o mesmo seja devido nessa amada diocese, particularmente no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, pelo carinho que me receberam e tudo predispuseram da melhor maneira para que eu pudesse visitar a casa da Mãe de todos os brasileiros", escreveu o Papa. Na carta, o Santo Padre enalteceu os fiéis que enfrentaram o frio e a chuva para vê-lo durante sua passagem pelo Santuário e afirmou que está rezando por todas as dioceses e prelazias do Brasil. O Pontífice ressaltou que sua última passagem pela Basílica de Aparecida foi "uma oportunidade para reviver as belas recordações" de sua permanência no Santuário, durante a Quinta Conferência do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. "Confiei a Ela, Nossa Mãe, a vida de cada brasileiro, bem como pedi que fizesse arder no coração de cada sacerdote desse imenso país um zelo sempre maior por anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo", salientou. O Papa Francisco solicitou à Dom Damasceno que se fizesse intérprete de suas gratidões aos bispos, párocos, pastorais e movimentos eclesiais do Brasil "pelo carinho e empenho postos na preparação e realização da Jornada Mundial da Juventude." 43


Segundo o Santo Padre, a JMJ realizada no Rio de Janeiro foi um evento "em que o Senhor cumulou de graças a Igreja que está no Brasil." O Vigário de Cristo dedicou seus sinceros votos aos jovens que estiveram presentes na Jornada, para que eles "possam frutificar" e permitir "uma nova primavera para a Igreja nesta amada nação." "A todos, concedo uma especial Bênção Apostólica e peço que, por favor, não deixem de rezar por mim", finalizou o Papa. (Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/49848#ixzz2d28EZE00)

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Bo especial jmj cópia