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ERS INTERNATIONAL CONGRESS Comunidade pneumológica portuguesa ganha relevo no palco internacional

nº23 SETEMBRO//OUTUBRO 2016 ANO 4 3€

SERVIÇO DE ENDOCRINOLOGIA, DIABETES E METABOLISMO do Centro Hospitalar de São João SOCIEDADE PORTUGUESA DE ONCOLOGIA Nova sede reforça a importância da formação como um dos pilares da SPO

CANCRO DO PULMÃO NOVIDADES TERAPÊUTICAS TOMAM LUGAR NO 7.º CONGRESSO DO GRUPO DE ESTUDOS DO CANCRO DO PULMÃO


SD/MAI14/005

SEDOXIL, comprimidos doseados a 1 mg de Mexazolam. Indicações terapêuticas: tratamento da ansiedade associada ou não a estados psiconeuróticos. Posologia e modo de administração: Adultos: em média 1 a 3 mg por dia, preferencialmente divididos em 3 tomas. Idosos: não ultrapassar a dose de 1,5 mg por dia. Crianças: SEDOXIL não se destina a uso pediátrico. Contraindicações: Miastenia gravis, hipersensibilidade às benzodiazepinas, insuficiência respiratória grave, síndrome de apneia do sono e insuficiência hepática grave. Efeitos indesejáveis: Os efeitos indesejáveis das benzodiazepinas são, quase sempre, uma extensão das suas ações farmacológicas e incluem sonolência diurna, embotamento afetivo, redução do estado de alerta, confusão, fadiga, cefaleias, sensação de cabeça vazia, fraqueza muscular, ataxia ou diplopia. Com o mexazolam, ocorreram raramente (menos de 0,1%) alterações dos movimentos linguais, hipotensão, sensação de cabeça vazia, náuseas, vómitos, anorexia, desconforto gástrico, dor gástrica, dor abdominal, diarreia, sintomas de hipersensibilidade (por exemplo, erupções cutâneas), diminuição da líbido, elevação da fosfatase alcalina, anemia e leucopenia. Infrequentemente (0,1 - 5%) ocorreram sonolência, vertigens, tonturas, cefaleias, ataxia, boca seca, fraqueza, elevação das transaminases glutamicoxalacética e glutamicopirúvica e elevação da gama-glutamiltranspeptidase. Os efeitos indesejáveis ocorrem habitualmente nos primeiros dias de tratamento e normalmente desaparecem com a continuação da terapêutica. Sob licença de Daiichi-Sankyo CO, Ltd. Apresentação e Comparticipação: Sedoxil - cx. 20 comp. e 60 comp. 37% (Regime Geral) 52% (Regime Especial). Para mais informações deverá contactar o titular da AIM: Medibial – Produtos Médicos e Farmacêuticos, S.A.- À Av. da Siderurgia Nacional - 4745-457 S. Mamede do Coronado. Capital Social €50.000 - Sociedade Anónima - Matrícula N.º 502 661 046 - Conservatória do Registo Comercial da Trofa - NIPC 502 661 046. Medicamento sujeito a receita médica. DIDSAM120403


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Sofia Filipe


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6 INTRODUÇÃO À OCULOMOTRICIDADE Dr. F. Vaz Garcia 8 ANATOMIA DOS MOVIMENTOS OCULARES Prof. Doutor José Pimentel 10 “OS MAIS RECENTES AVANÇOS CIENTÍFICOS NO CAPÍTULO DAS DOENÇAS INFECCIOSAS E DA MICROBIOLOGIA CLÍNICA” Prof. Doutor Saraiva da Cunha 13 ESPINHO ACOLHE A REUNIÃO ANUAL DA SPH Prof. Doutor José Eduardo Guimarães 14 DIA MUNDIAL DO AVC: SPAVC EM VÁRIAS FRENTES PARA “FAZER FRENTE” AO AVC Prof. Doutor Castro Lopes 16 CONTINUAR A MELHORAR A SAÚDE RESPIRATÓRIA NACIONAL Prof. Doutor José Alves 18 ECIM 2016: UM SUCESSO AOS OLHOS DO DR. LUÍS CAMPOS Dr. Luís Campos 20 ERS INTERNATIONAL CONGRESS Prof. Doutor Carlos Robalo Cordeiro 22 DESTAQUES DO CONGRESSO DA EUROPEAN RESPIRATORY SOCIETY Prof. Doutor João Carlos Winck 26 “LUNG CANCER, NONINVASIVE MOLECULAR TREATMENT AND MONITORING” Prof. Doutor José Carlos Machado 27 ENDOCRINOLOGIA DO SÃO JOÃO: A CIÊNCIA AO SERVIÇO DO DOENTE Prof. Doutor Davide Carvalho 33 NÚMERO DE DOENTES ESTÁ A AUMENTAR: CONSULTA EXTERNA Dr. José Luís Castedo 33 TRATAR E INVESTIGAR PARA GANHAR EM SAÚDE Dr. Celestino Neves 34 UMA DOENÇA CRÓNICA E COMPLEXA: OBESIDADE Prof.ª Doutora Paula Freitas

34 ECOGRAFIAS E BIÓPSIAS NA COMPETÊNCIA DO SERVIÇO DE ENDOCRINOLOGIA Dr.ª Eva Lau

64 A HETEROGENEIDADE TUMORAL NO TRATAMENTO DO CANCRO DO PULMÃO Prof. Doutor António Araújo 65 OTIMIZAÇÃO DA JORNADA DO DOENTE COM CPNPC ALK+ OU ROS1+ Dr.ª Bárbara Parente

36 NOVAS GUIDELINES PARA O DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA AGUDA E CRÓNICA Prof.ª Doutora Cândida Fonseca

65 RADIOTERAPIA NA DOENÇA LOCALMENTE AVANÇADA Dr.ª Catarina Travancinha

38 GUIDELINES E NOVOS FÁRMACOS MARCARAM HEART FAILURE 2016 Prof. Doutor Adelino Leite Moreira

71 NOVIDADES PARA 2017 EM CANCRO DO PULMÃO Dr.ª Encarnação Teixeira

40 NOVIDADES CIENTÍFICAS NO HEART FAILURE Dr.ª Lucy Calvo

71 NOVIDADES TERAPÊUTICAS Dr.ª Marta Soares

43 SOCIEDADE PORTUGUESA DE ONCOLOGIA: NOVA CASA DE TODOS E PARA TODOS Dr.ª Gabriela Sousa

72 OVERCOMING RESISTANCE TO TKI TREATMENT IN NSCLC EGFRM + PATIENTS Dr. Sanjay Popat

51 HIPERPLASIA BENIGNA DA PRÓSTATA AFETA 75% DOS HOMENS COM MAIS DE 65 ANOS Dr. Rui Borges

72 RADIOTERAPIA TORÁCICA NO CPPC IV Dr.ª Joana Cardia

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54 A IMUNOTERAPIA NO TRATAMENTO DA DOENÇA ALÉRGICA EM IDADE PEDIÁTRICA Dr. Libério Ribeiro

76 “UM ESPAÇO DE REFLEXÃO E DEBATE SOBRE A PREVENÇÃO CARDIOVASCULAR” Dr. Pedro Marques da Silva

Morada*_______________________________________

56 ABORDAGEM À DOENÇA ALÉRGICA EM IDADE PEDIÁTRICA DEBATIDO COM SUCESSO Dr.ª Fátima Praça

78 RISCO OU SAÚDE CARDIOVASCULAR: DESAFIOS DE E PARA A DIREÇÃO GERAL DE SAÚDE Prof. Doutor Mário Espiga de Macedo

Código postal*____________________________________

58 3.º SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE FUNÇÃO RESPIRATÓRIA Dr. Mário Morais de Almeida Prof. Doutor Luís Miguel Borrego

80 COMPROMISSO BMS: PROMOVER O ACESSO PRECOCE A MEDICAMENTOS INOVADORES DE IMUNO-ONCOLOGIA Dr.ª Carla Benedito

60 “CONTRACEÇÃO, QUE OPÇÕES NO RISCO E NA DOENÇA?” Dr.ª Teresa Bombas

82 GERIATRIA PRÁTICA Prof. Doutor Manuel Teixeira Veríssimo

63 EM RETROSPETIVA Dr. Fernando Barata

86 EM QUE SENTIDO CAMINHAR: ADESÃO À TERAPÊUTICA Prof.ª Doutora Isabel Vitória Figueiredo Dr.ª Ana Cabral

63 UMA DOENÇA CRÓNICA: CANCRO DO PULMÃO Prof. Doutor Venceslau Hespanhol

90 ACREDITAR NA DOR NO IDOSO E TRATAR Dr. Paulo Reis Pina

64 O PAPEL DO DIAGNÓSTICO Prof. Doutor José Carlos Machado

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REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE OTONEUROLOGIA

INTRODUÇÃO À OCULOMOTRICIDADE

DR. F. VAZ GARCIA MÉDICO ORL, RESPONSÁVEL PELO EQUI – CLÍNICA DA VERTIGEM E DESEQUILÍBRIO

O estudo dos movimentos oculares desempenha um papel fundamental na exploração funcional otoneurológica. Durante muito tempo esteve quase só ligada à avaliação vestibular – e mesmo nesta, limitando-se ao estudo dos canais semicirculares horizontais e, até nestes, quantificando de modo rudimentar o seu desempenho. Porém, posteriormente, todos os movimentos oculares - sejam resultantes de estimulação vestibular como visual, reflexos ou voluntários, conjugados ou desconjugados, de maior ou menor amplitude, rápidos ou lentos - vieram gradualmente a fazer parte dos protocolos da exploração funcional. Deixou, assim, de ter sentido

avaliar o sistema vestibular isoladamente. Existe uma anatomia com estruturas comuns e alguns mecanismos partilhados, conforme os movimentos oculares se realizam nos planos horizontal ou vertical, estruturas que os executam e controlam superiormente, como existem conexões estreitas entre si. Na evolução das espécies há aspetos que convém salientar. Os animais com olhos implantados em ambos os lados da cabeça têm uma visão quase total do ambiente circundante, mas os animais com os olhos no plano frontal têm uma noção de profundidade que constitui uma terceira dimensão. E a existência da fóvea retiniana proporciona uma muito maior acuidade visual. Desde os trabalhos de Purkinje até à atualidade, foram quase dois séculos de progresso. No entanto, muitos dos mecanismos e estruturas envolvidas nos movimentos oculares estão por esclarecer. Salientamos os trabalhos de Barany, Lorente de Nó, Fluorens, Ewald, J. Leigh, R. Baloh, D. Zee. Mas a bibliografia é imensa. Uma referência ao papel que Borges de Sena desempenhou em Portugal, interessando um grupo que se ampliou e hoje se acolhe fundamentalmente na Associação Portuguesa de Otoneurologia. Os olhos são, portanto, os órgãos alvo desta avaliação. Na retina humana distinguem-se duas áreas que desempenham papéis diferenciados. A retina macular e a sua fóvea que garantem o reconhecimento das formas, cores, dimensões, distâncias e ângulos e localização precisa dos alvos e a retina periférica, filogeneticamente mais antiga, que é, sobretudo, um recetor do movimento dos alvos visuais. Os movimentos dos olhos são realizados por seis pares de músculos - reto externo, interno, superior e inferir, grande oblíquo e pequeno oblíquo, globalmente conhecidos por musculatura extraocular (MEO), inervados pelo III, IV e VI pares cranianos. Os músculos de modo coordenado realizam os diferentes movimentos horizontais, verticais, torsionais, verticais ascendentes ou descendentes. Aspeto importante é o mecanismo que faz a MEO vencer a inércia ocular (pulso) e depois consegue que ele se mantenha nessa posição, contrariando a elasticidade (step). Do mesmo modo, é im-

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O ESTUDO DOS MOVIMENTOS OCULARES DESEMPENHA UM PAPEL FUNDAMENTAL NA EXPLORAÇÃO FUNCIONAL OTONEUROLÓGICA portante a coordenação entre estes dois estímulos, por meio dum processo de integração matemática que correlaciona velocidade e posição, respetivamente codificadas pelo pulso e step. São vários os reflexos cujo órgão efetor é o olho, cujos objetivos são a estabilização ocular ou a procura de novos alvos para conduzir as suas imagens à fóvea: >>Reflexo vestíbulo-oculomotor (RVO), responsável pelo movimento de compensação ocular à aceleração da cabeça, de modo a manter estável a imagem ocular. >>Perseguição ocular que permite, dentro de certos limites, manter na fóvea retiniana a imagem dum alvo que se desloca no campo visual. >>Sacadas (que podem ser voluntárias ou reflexas) e trazem para a fóvea a imagem que surge na retina periférica. As voluntárias, cujo paradigma são as sacadas de busca e as reflexas, as fases rápidas dos nistagmos. >>Nistagmo optocinético (NOC) desencadeado pelo movimento do campo visual mantendo-se fixa a cabeça. O NOC nas situações de vida real atua coordenadamente com o RVO. O conhecimento da neuroanatomia – das estruturas que programam e controlam os diferentes movimentos oculares a nível do córtex, diencéfalo, tronco cerebral e cerebelo, e das estruturas que os efetuam, associado ao reconhecimento de eventuais perturbações, permite a identificação da topografia das lesões. Para tal, exigem-se testes e equipamentos adequados e protocolos rigorosos que garantam um varrimento das estruturas e dos mecanismos envolvidos.


NOVO

ODIS 24mg

comprimido orodispersível DOENTES ATIVOS

DOENTES NAUSEADOS

DOENTES IDOSOS

Absorção rápida1 Não necessita de água1 2xdia1

NOME DO MEDICAMENTO Betaserc Odis 24 mg comprimidos orodispersíveis. COMPOSIÇÃO QUANTITATIVA E QUALITATIVA Cada comprimido contém 24 mg de dicloridrato de beta-histina correspondente a 15,63 mg de beta-histina. FORMA FARMACÊUTICA Comprimido orodispersível. Indicações Terapêuticas Está indicado em adultos para o tratamento sintomático de síndrome de Ménière e vertigem vestibular. Posologia e modo de administração 1 comprimido, 2 vezes/dia. A posologia de beta-histina para adultos está normalmente no intervalo de 24-48 mg por dia, divididos em duas ou três doses e deve ser adaptada individualmente de acordo com a resposta. Estão disponíveis outras formulações para obter uma posologia inferior a 48 mg por dia. A melhoria pode por vezes apenas ser observada após algumas semanas de tratamento. Os melhores resultados por vezes só são obtidos após alguns meses. Existem indicações que o tratamento desde o início da doença previne a progressão da mesma e/ou a perda da audição nas fases posteriores da doença. Idosos: Embora apenas existam dados limitados de estudos clínicos neste grupo de doentes, a extensa experiência pós-comercialização sugere que não são necessários ajustes da dose nesta população de doentes. Insuficiência renal, Insuficiência hepática: Não existem ensaios clínicos específicos disponíveis neste grupo de doentes, mas de acordo com a experiência pós-comercialização não parece ser necessário nenhum ajuste posológico. População pediátrica: A segurança e eficácia de Betaserc Odis comprimidos orodispersíveis em crianças com idade inferior a 18 anos não foram estabelecidas. Não existem dados disponíveis. Modo de administração Via oral. Os comprimidos devem ser colocados na língua e deve permitir-se que os mesmos desintegrem antes de engolir, com ou sem água. Contraindicações Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer dos excipientes do medicamento.Feocromocitoma. Advertências e precauções especiais de utilização Os doentes com asma brônquica ou com antecedentes de úlcera péptica necessitam de ser cuidadosamente monitorizados durante o tratamento. Este medicamento contém aspartamo E951, uma fonte de fenilalanina. Pode ser prejudicial em indivíduos com fenilcetonúria. Este medicamento contém sacarose. Doentes com problemas hereditários raros de intolerância à frutose, malabsorção de glucose-galactose ou insuficiência de sacarase-isomaltase não devem tomar este medicamento.Interações medicamentosas e outras formas de interação Não foram realizados estudos de interação in vivo. Com base nos dados in vitro não é esperada inibição in vivo das enzimas do citocromo P450. Os dados in vitro indicam uma inibição do metabolismo da beta-histina por fármacos que inibem a monoamino oxidase (MAO), incluindo o subtipo B da MAO (por ex.: selegilina). Recomenda-se precaução quando a beta-histina é utilizada concomitantemente com os inibidores da MAO (incluindo os seletivos MAO-B). Dado que a beta-histina é um análogo da histamina, a interação da beta-histina com anti-histamínicos pode, em teoria, afetar a eficácia de um destes fármacos. Efeitos indesejáveis Para além dos efeitos notificados durante os ensaios clínicos, foram notificados os seguintes efeitos indesejáveis, espontaneamente, durante a utilização pós-comercialização e na literatura científica. Como as frequências não puderam ser estimadas a partir dos dados disponíveis, foram classificados como “Desconhecido”. Doenças do sistema imunitário Desconhecido: Reações de hipersensibilidade, por ex., anafilaxia. Doenças do sistema nervoso Frequentes (≥1/100 a <1/10): Cefaleia. Doenças gastrointestinais Frequentes (≥1/100 a <1/10): Náuseas e dispepsia Desconhecido: Queixas gástricas ligeiras (por ex., vómitos, dor gastrointestinal, distensão e inchaço abdominal). Estas podem ser normalmente controladas tomando a dose durante as refeições ou reduzindo a dose. Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos Desconhecido: Reações de hipersensibilidade cutâneas e subcutâneas, em especial edema angioneurótico, urticária, erupção cutânea e prurido. DATA DE REVISÃO DO TEXTO 14.04.2015 TITULAR DA AIM: Titular da AIM: BGP Products, Unipessoal, Lda. Uma empresa Mylan. Medicamento sujeito a receita médica, Medicamento não comparticipado: Embalagem 20 comprimidos - PVP 4,21€ e Embalagem 60 comprimidos - PVP 12,14€. Para mais informações deverá contactar o Titular da AIM. E-mail da Farmacovigilância: bgp.farmacovigilancia@mylan.com 2/2016/EPD/030 BIBLIOGRAFIA 1| RCM Betaserc 24mg Odis 3/2016/EPD/052

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REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE OTONEUROLOGIA

ANATOMIA DOS MOVIMENTOS OCULARES

PROF. DOUTOR JOSÉ PIMENTEL DEPARTAMENTO DE NEUROCIÊNCIAS, HOSPITAL DE SANTA MARIA (CHLN) FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE LISBOA

O controlo dos movimentos oculares é realizado no encéfalo a vários níveis, o supra-nuclear, no mesencéfalo, protuberância e córtex cerebral, o nuclear (núcleos de origem dos pares oculo-motores), no mesencéfalo (III e IV pares) e na protuberância (VI par), e o infra-nuclear, nos troncos nervosos dos pares óculomotores, nas respetivas junções neuromusculares e nos músculos que eles enervam. Dedicar-nos-emos, em exclusivo, ao controlo supranuclear o qual permite a focagem voluntária do olhar, a estabilização dos objetos quando o observador se movimenta e a focagem dos objetos para longe e perto. Esta faculdade é realizada por intermédio de mecanismos neuronais localizados no mesencéfalo e protuberâncias, e influenciados por centros medulares, cerebelosos, dos gânglios da base e dos lobos frontal e occipital. Os movimentos oculares supranucleares dividem-se em conjugados (MOC) (versões), síncronos e simétricos, e desconjugados (vergentes), em diferentes direções, com um componente fusional, para manutenção das imagens visuais sempre na parte retiniana respetiva, perto (convergência) e longe (divergência), e um componente acomodativo. Há diversos tipos de MOC: a) Rápidos ou sacádicos (modificação rápida da fixação ocular para trazer as imagens de novos objetos à fóvea), mais frequentemente movimentos horizontais e verticais. Podem ser testados instruindo o doente para olhar para direita ou esquerda (sacadas sob comando) ou para movimentar os olhos para um alvo (sacadas de refixação); b) Lentos ou de perseguição, para estabilizar na fóvea a imagem de um objeto em movimento que possa “cair” fora desta. São gerados no córtex parieto-occipital ipsilateral, modulados no cerebelo e findam no núcleo do VI par (movimentos horizontais) e no intersticial de Cajal (movimentos verticais). Podem ser lesados nas lesões dos gânglios da base e hemisférios cerebrais; c) Nistagmo opto-cinético, que são ciclos de movimentos de perseguição e de refixação (sacadas involuntárias, rápidas repetidas) em resposta a uma série de alvos visuais a entrar no campo visual (por ex. visualização de inúmeras árvores a quando uma

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ESTA FACULDADE É REALIZADA POR INTERMÉDIO DE MECANISMOS NEURONAIS LOCALIZADOS NO MESENCÉFALO E PROTUBERÂNCIAS, E INFLUENCIADOS POR CENTROS MEDULARES, CEREBELOSOS, DOS GÂNGLIOS DA BASE E DOS LOBOS FRONTAL E OCCIPITAL

deslocação de automóvel). Atingido nas lesões do lobo parietal posterior ipsilateral; d) Reflexo vestíbulo-ocular que permite a coordenação (estabilização das imagens na fóvea) dos movimentos oculares com os de rotação da cabeça por intermédio da produção de um movimento ocular de “perseguição-like” na direção oposta ao do movimento da cabeça. Na prática, pode ser pesquisado pelos reflexos óculo-cefálicos, pelo “head impulse test” e pelos testes vestibulares calóricos. Este reflexo inicia-se na porção vestibular do labirinto ósseo, respetivamente utrículo e sáculo (deteção das acelerações lineares) e canais semi-circulares (deteção das acelerações angulares). Segue-se o gânglio de Scarpa, ou vestibular, no meato auditivo interno, o nervo vestibular até aos núcleos vestibulares, situados no bulbo e protuberância. A partir deles, saem projeções - fita de Reil - para os núcleos dos III, IV, e VI pares.


O primeiro medicamento biossimilar de um anticorpo monoclonal (mAb) com indicação na doença inflamatória intestinal1 agora com mais de 2 anos de experiência

Uma outra perspectiva INFLECTRA™ é o primeiro medicamento mAb biossimilar. Concebido com uma eficácia, segurança e qualidade 2,3 comparável ao original para aumentar as opções de tratamento dos seus doentes INFLECTRA – Uma outra percepção terapêutica. 1

Indicações abreviadas: Doença de Crohn (DC): tratamento da doença de Crohn ativa, moderada a grave, em doentes adultos que não apresentaram resposta mesmo após um ciclo completo e adequado de terapêutica com um corticosteroide e/ou um imunossupressor; ou que apresentam intolerância ou contraindicações para tais terapêuticas.Tratamento da doença de Crohn ativa, com formação de fístulas, em doentes adultos que não apresentaram resposta mesmo após um ciclo completo e adequado de terapêutica com um tratamento convencional (incluindo antibióticos, drenagem e terapêutica imunossupressora).Tratamento da doença de Crohn ativa, grave, em crianças e adolescentes com idades compreendidas entre os 6 e os 17 anos, que não apresentaram resposta à terapêutica convencional, incluindo um corticosteroide, um imunomodulador e terapêutica de nutrição primária; ou que apresentam intolerância ou contraindicações para tais terapêuticas. Infliximab foi estudado apenas em associação com terapêutica imunossupressora convencional.

Colite ulcerosa (CU): tratamento da colite ulcerosa ativa, moderada a grave, em doentes adultos que não responderam adequadamente à terapêutica convencional, incluindo corticosteroides e 6-mercaptopurina (6-MP) ou azatioprina (AZA), ou que apresentam intolerância ou contraindicações para estas terapêuticas. Tratamento da colite ulcerosa ativa grave, em crianças e adolescentes com idades compreendidas entre os 6 e os 17  anos, que apresentaram uma resposta inadequada à terapêutica convencional, incluindo corticosteroides e 6-MP ou AZA, ou que apresentam intolerância ou contraindicações para tais terapêuticas.

Esta é uma versão abreviada do RCM, com as informações essenciais do mesmo. Não excluí a leitura do RCM completo para mais detalhes e informação. Este medicamento está sujeito a monitorização adicional. Isto irá permitir a rápida identificação de nova informação de segurança. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas. Para saber como notificar reações adversas, ver secção “Efeitos indesejáveis”. Nome do medicamento Inflectra 100 mg pó para concentrado para solução para perfusão. Composição qualitativa e quantitativa Um frasco para injetáveis contém 100 mg de infliximab*. Depois da reconstituição cada ml contém 10 mg de infliximab. * Infliximab é um anticorpo monoclonal IgG1 humano-murino quimérico produzido em células de hibridoma de murino por tecnologia de ADN recombinante. Forma farmacêutica Pó para concentrado para solução para perfusão. O pó é branco. Indicações terapêuticas Artrite reumatoide Inflectra, em associação com o metotrexato, é indicado para a redução de sinais e sintomas, bem como a melhoria da função física em: • doentes adultos com doença ativa que apresentaram uma resposta inadequada a fármacos modificadores da evolução da doença reumatismal (DMARDs), incluindo o metotrexato. • doentes adultos com doença grave, ativa e progressiva, que não receberam previamente tratamento com metotrexato ou outros DMARDs. Doença de Crohn em adultos Inflectra está indicado para: • tratamento da doença de Crohn ativa, moderada a grave, em doentes adultos que não apresentaram resposta mesmo após um ciclo completo e adequado de terapêutica com um corticosteroide e/ou um imunossupressor; ou que apresentam intolerância ou contraindicações para tais terapêuticas. • tratamento da doença de Crohn ativa, com formação de fístulas, em doentes adultos que não apresentaram resposta mesmo após um ciclo completo e adequado de terapêutica com um tratamento convencional (incluindo antibióticos, drenagem e terapêutica imunossupressora). Doença de Crohn pediátrica Inflectra está indicado para o tratamento da doença de Crohn ativa, grave, em crianças e adolescentes com idades compreendidas entre os 6 e os 17 anos, que não apresentaram resposta à terapêutica convencional, incluindo um corticosteroide, um imunomodulador e terapêutica de nutrição primária; ou que apresentam intolerância ou contraindicações para tais terapêuticas. Infliximab foi estudado apenas em associação com terapêutica imunossupressora convencional. Colite ulcerosa Inflectra está indicado para o tratamento da colite ulcerosa ativa, moderada a grave, em doentes adultos que não responderam adequadamente à terapêutica convencional, incluindo corticosteroides e 6mercaptopurina (6MP) ou azatioprina (AZA), ou que apresentam intolerância ou contraindicações para estas terapêuticas. Colite ulcerosa pediátrica Inflectra está indicado para o tratamento da colite ulcerosa ativa grave, em crianças e adolescentes com idades compreendidas entre os 6 e os 17 anos, que apresentaram uma resposta inadequada à terapêutica convencional, incluindo corticosteroides e 6MP ou AZA, ou que apresentam intolerância ou contraindicações para tais terapêuticas. Espondilite anquilosante nflectra está indicado para o tratamento da espondilite anquilosante ativa grave, em doentes adultos que não responderam adequadamente a terapêuticas convencionais. Artrite psoriática Inflectra está indicado para o tratamento da artrite psoriática ativa e progressiva em doentes adultos quando houver uma resposta inadequada a uma terapêutica prévia com DMARD. Inflectra deve ser administrado • em associação com metotrexato • ou em monoterapia, em doentes que demonstraram intolerância ao metotrexato ou para os quais o metotrexato está contraindicado. Psoríase Inflectra é indicado para o tratamento da psoríase em placas, moderada a grave, em doentes adultos que não apresentaram resposta, ou que têm uma contraindicação, ou que são intolerantes a outras terapêuticas sistémicas, incluindo ciclosporina, metotrexato ou psoraleno associado à radiação ultravioleta (PUVA). Posologia e modo de administração O tratamento com Inflectra deve ser iniciado e efetuado sob a supervisão de um médico especialista com experiência no diagnóstico e tratamento da artrite reumatoide, de doenças intestinais inflamatórias, espondilite anquilosante, artrite psoriática ou psoríase. Inflectra deve ser administrado por via intravenosa. As perfusões de Inflectra devem ser administradas por profissionais de saúde qualificados com formação adequada para detetar quaisquer problemas relacionados com a perfusão. Os doentes medicados com Inflectra devem receber o folheto informativo e o Cartão de Alerta do Doente. No decurso do tratamento com Inflectra, a utilização de outras terapêuticas concomitantes, por exemplo com corticosteroides e imunossupressores, deverá ser otimizada. Posologia Adultos (≥ 18 anos) Artrite reumatoide 3 mg/kg administrados sob a forma de uma perfusão intravenosa, seguidos por doses adicionais de 3 mg/kg administradas 2 e 6 semanas após a primeira perfusão e, em seguida, em intervalos de 8 semanas. Inflectra deve ser administrado concomitantemente com metotrexato. Doença de Crohn ativa moderada a grave 5 mg/kg administrados sob a forma de uma perfusão intravenosa, seguidos por uma perfusão adicional de 5 mg/kg 2 semanas após a primeira perfusão intravenosa. No caso de o doente não responder ao tratamento após as 2 primeiras doses, não deve ser administrado um tratamento adicional com infliximab. Doença de Crohn ativa, com formação de fístulas 5 mg/kg administrados sob a forma de uma perfusão intravenosa, seguidos de doses adicionais de 5 mg/kg, administradas por perfusão às 2 e 6  semanas após a primeira perfusão. Se um doente não responder após 3  doses, não deve ser administrado qualquer tratamento adicional com infliximab. Colite ulcerosa 5  mg/kg administrados sob a forma de perfusão intravenosa, seguidos por doses adicionais de 5 mg/kg administradas por perfusão 2 e 6 semanas após a primeira perfusão, e em seguida, em intervalos de 8 semanas. Espondilite anquilosante 5 mg/kg administrados sob a forma de perfusão intravenosa, seguidos por doses adicionais de 5 mg/kg, administradas por perfusão, 2 e 6 semanas após a primeira perfusão e, em seguida, em intervalos de 6 a 8  semanas. Se o doente não responder até às 6 semanas (i.e. após a administração de 2 doses), não deve ser administrado tratamento adicional com infliximab. Artrite psoriática 5 mg/kg administrados sob a forma de perfusão intravenosa, seguidos por doses adicionais de 5 mg/kg, administradas por perfusão, 2 e 6 semanas após a primeira perfusão e, em seguida, em intervalos de 8 semanas. Psoríase 5 mg/kg administrados sob a forma de perfusão intravenosa, seguidos por doses adicionais de 5 mg/kg, administradas por perfusão, 2 e 6  semanas após a primeira perfusão e, em seguida, a intervalos de 8 semanas. Se um doente não responder dentro de 14 semanas (i.e. após a administração de 4 doses), não deve ser administrado tratamento adicional

com infliximab. Readministração na doença de Crohn e artrite reumatoide Caso se verifique recorrência dos sinais e sintomas da doença, infliximab pode ser readministrado no período de 16  semanas após a última perfusão. Readministração na colite ulcerosa A segurança e eficácia da readministração não foram estabelecidas noutros intervalos que não os de 8  semanas. Readministração na espondilite anquilosante A segurança e eficácia da readministração não foram estabelecidas noutros intervalos que não os de 6 a 8  semanas. Readministração na artrite psoriática A segurança e eficácia da readministração não foram estabelecidas noutros intervalos que não os de 8  semanas. Readministração na psoríase A experiência limitada de repetição do tratamento com uma dose única de infliximab na psoríase, após um intervalo de 20 semanas, sugere uma eficácia reduzida e uma incidência mais elevada de reações ligeiras a moderadas à perfusão comparativamente com o regime de indução inicial. Readministração nas várias indicações No caso de ser interrompida a terapêutica de manutençãoe existir necessidade de reiniciar o tratamento, não é recomendada a utilização de um regime de reindução. Nesta situação, Inflectra deve ser reiniciado na forma de uma dose única, seguida pelas recomendações posológicas de manutenção descritas acima. Doentes idosos (≥ 65 anos) Não foram realizados estudos específicos com Inflectra em doentes idosos. Compromisso da função renal e/ou hepática Inflectra não foi estudado nesta população de doentes. Não podem ser efetuadas quaisquer recomendações sobre a posologia. População pediátrica Doença de Crohn (6 a 17  anos) 5 mg/kg administrados sob a forma de uma perfusão intravenosa, seguidos de perfusões adicionais de 5 mg/kg, 2 e 6 semanas após a primeira perfusão e, em seguida, em intervalos de 8 semanas. Os dados disponíveis não suportam a continuação do tratamento com infliximab em crianças e adolescentes que não respondem nas primeiras 10 semanas de tratamento. Colite ulcerosa (6 a 17 anos) 5 mg/kg administrados sob a forma de uma perfusão intravenosa, seguidos de perfusões adicionais de 5 mg/kg, 2 e 6 semanas após a primeira perfusão e, em seguida, em intervalos de 8 semanas. Os dados disponíveis não suportam a continuação do tratamento com infliximab em doentes pediátricos que não respondem nas primeiras 8  semanas de tratamento. Psoríase A segurança e eficácia de Inflectra em crianças e adolescentes com idade inferior a 18 anos na indicação psoríase não foram estabelecidas. Artrite idiopática juvenil, artrite psoriática e espondilite anquilosante A segurança e eficácia de Inflectra em crianças e adolescentes com idade inferior a 18  anos nas indicações artrite idiopática juvenil, artrite psoriática e espondilite anquilosante não foram estabelecidas. Artrite reumatoide juvenil A segurança e eficácia de Inflectra em crianças e adolescentes com idade inferior a 18 anos na indicação artrite reumatoide juvenil não foram estabelecidas. Compromisso da função renal e/ou hepática Inflectra não foi estudado nestas populações de doentes. Não é possível efetuar recomendações posológicas. Modo de administração Inflectra deve ser administrado por via intravenosa durante um período de 2 horas. Todos os doentes aos quais se administra Inflectra devem ser mantidos sob observação durante, pelo menos, 12 horas após a perfusão para despiste de reações agudas relacionadas com a perfusão. Deve estar disponível equipamento de emergência, tais como adrenalina, anti-histamínicos, corticosteroides e ventilação artificial. Os doentes podem ser tratados previamente com, por ex., um anti-histamínico, hidrocortisona e/ou paracetamol e a taxa de perfusão pode ser diminuída para reduzir o risco de reações relacionadas com a perfusão, especialmente se ocorreram previamente reações relacionadas com a perfusão. Perfusões mais curtas nas indicações para adultos Em doentes adultos cuidadosamente selecionados que toleraram, pelo menos, 3 perfusões iniciais de 2 horas de Inflectra (fase de indução) e que estão a receber tratamento de manutenção, pode considerar-se a administração das perfusões subsequentes durante um período não inferior a 1  hora. Se ocorrer uma reação à perfusão associada a uma perfusão mais curta, pode ser considerada uma taxa de perfusão mais lenta para futuras perfusões se o tratamento for para continuar. Não foram estudadas perfusões mais curtas com doses > 6 mg/kg. Para informação mais detalhada sobre Posologia e modo de administração, consultar o Resumo das Características do Medicamento completo. Contraindicações Doentes com antecedentes de hipersensibilidade ao infliximab, a outras proteínas murinas ou a qualquer um dos excipientes do medicamento. Doentes com tuberculose ou outras infeções graves, tais como, sepsis, abcessos, e infeções oportunistas. Doentes com insuficiência cardíaca moderada ou grave (classe III/IV da NYHA). Efeitos indesejáveis Resumo do perfil de segurança A infeção do trato respiratório superior foi a reação adversa ao medicamento (RAM) notificada com maior frequência em ensaios clínicos, ocorrendo em 25,3 % dos doentes tratados com infliximab em comparação com 16,5 % dos doentes do grupo de controlo. As RAMs mais graves associadas à utilização de antagonistas do TNF que têm sido notificadas para o infliximab incluem a reativação do VHB, insuficiência cardíaca congestiva, infeções graves (incluindo sepsis, infeções oportunistas e tuberculose), doença do soro (reações de hipersensibilidade tardia), reações hematológicas, lúpus eritematoso sistémico/síndrome semelhante ao lúpus, doenças desmielinizantes, acontecimentos hepatobiliares, linfoma, HSTCL, leucemia, carcinoma de células Merkel, melanoma, neoplasias malignas pediátricas, sarcoidose/reação tipo sarcoide, abcesso intestinal ou perianal (na doença de Crohn) e reações graves à perfusão. Lista de reações adversas Lista das RAMs baseadas na experiência dos estudos clínicos, bem como as reações adversas, algumas fatais, notificadas durante a experiência pós-comercialização. As reações adversas encontram-se divididas pelas seguintes categorias de frequência: muito frequentes (≥  1/10); frequentes (≥  1/100 a <  1/10); pouco frequentes (≥ 1/1.000 a < 1/100); raros (≥ 1/10.000 a < 1/1.000); muito raros (< 1/10.000), desconhecido (não pode ser calculado a partir dos dados disponíveis). Reações adversas nos estudos clínicos e durante a experiência pós-comercialização Infeções e infestações Muito frequentes: Infeção viral (p. ex., gripe, infeção por vírus do herpes). Frequentes: Infeções bacterianas (p. ex., sepsis, celulite, abcesso). Pouco frequentes: Tuberculose, infeções fúngicas (p. ex., candidíase). Raros: Meningite, infeções oportunistas[tais como infeções fúngicas invasivas (pneumocistose, histoplasmose, aspergilose, coccidioidomicose, criptococose, blastomicose), infeções bacterianas (micobacteriose atípica, listeriose, salmonelose) e infeções

virais (citomegalovírus)], infeções parasitárias, reativação da hepatite B. Desconhecido: Infeção ligada à vacina [após exposição a infliximab no útero, incluindo tuberculose bovina (infeção BCG disseminada)]. Neoplasias benignas malignas e não especificadas (incluindo quistos e polipos) Raros: Linfoma, linfoma não-Hodgkin, doença de Hodgkin, leucemia, melanoma, cancro do colo do útero. Desconhecido: Linfoma hepatoesplénico de células T (primariamente em adolescentes e adultos jovens com doença de Crohn e colite ulcerosa), carcinoma de células Merkel. Doenças do sangue e do sistema linfático Frequentes: Neutropenia, leucopenia, anemia, linfadenopatia. Pouco frequentes: Trombocitopenia, linfopenia, linfocitose. Raros: Agranulocitose (incluindo em crianças expostas a infliximab no útero), púrpura trombocitopénica trombótica, pancitopenia, anemia hemolítica, púrpura trombocitopénica idiopática. Doenças do sistema imunitário Frequentes: Sintoma alérgico respiratório. Pouco frequentes: Reação anafilática, síndrome semelhante ao lúpus, doença do soro ou reação semelhante à doença do soro. Raros: Choque anafilático, vasculite, reação do tipo sarcoide. Perturbações do foro psiquiátrico Frequentes: Depressão, insónia. Pouco frequentes: Amnésia, agitação, confusão, sonolência, nervosismo. Raros: Apatia. Doenças do sistema nervoso Muito frequentes: Cefaleias. Frequentes: Vertigens, tonturas, hipostesia, parestesia. Pouco frequentes: Convulsão, neuropatia Raros: Mielite transversa, doenças desmielinizantes do sistema nervoso central (doença semelhante a esclerose múltipla e nevrite ótica), doenças desmielinizantes periféricas (tal como síndrome de Guillain-Barré, polineuropatia inflamatória crónica desmielinizante e neuropatia motora multifocal). Afeções oculares Frequentes: Conjuntivite. Pouco frequentes: Queratite, edema peri-orbital, hordeólo. Raros: Endoftalmite. Desconhecido: Perda transitória de visão que ocorre durante ou nas 2 horas após a perfusão. Cardiopatias Frequentes: Taquicardia, palpitação. Pouco frequentes: Insuficiência cardíaca (aparecimento ou agravamento), arritmia, síncope, bradicardia. Raros: Cianose, derrame pericárdico. Desconhecido: Isquemia do miocárdio/enfarte do miocárdio. Vasculopatias Frequentes: Hipotensão, hipertensão, equimose, afrontamentos, rubor. Pouco frequentes: Isquemia periférica, tromboflebite, hematoma. Raros: Falência circulatória, petéquias, vasospasmo. Doenças respiratórias, torácicas e do mediastino Muito frequentes: Infeção do aparelho respiratório superior, sinusite. Frequentes: Infeção do aparelho respiratório inferior (ex.: bronquite, pneumonia), dispneia, epistaxis. Pouco frequentes: Edema pulmonar, broncospasmo, pleuresia, derrame pleural. Raros: Doença pulmonar intersticial (incluindo doença de progressão rápida, fibrose pulmonar e pneumonite). Doenças gastrointestinais Muito frequentes: Dor abdominal, náuseas. Frequentes: Hemorragia gastrointestinal, diarreia, dispepsia, refluxo gastro-esofágico, obstipação. Pouco frequentes: Perfuração intestinal, estenose intestinal, diverticulite, pancreatite, queilite. Afeções hepatobiliares Frequentes: Função hepática anormal, aumento das transaminases. Pouco frequentes: Hepatite, lesão hepatocelular, colecistite. Raros: Hepatite autoimune, icterícia. Desconhecido: Falência hepática. Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos Frequentes: Aparecimento ou agravamento de psoríase, incluindo psoríase pustulosa (principalmente palmar e plantar), urticária, erupção cutânea, prurido, hiperidrose, pele seca, dermatite fúngica, eczema, alopecia. Pouco frequentes: Erupção bolhosa, onicomicose, seborreia, rosácea, papiloma da pele, hiperqueratose, pigmentação anormal da pele. Raros: Necrólise epidérmica tóxica, síndrome de Stevens-Johnson, eritema polimorfo, furunculose. Desconhecido: Agravamento dos sintomas de dermatomiosite. Afeções musculosqueléticas e dos tecidos conjuntivos Frequentes: Artralgias, mialgias, dor dorsal. Doenças renais e urinárias Frequentes: Infeção do trato urinário. Pouco Frequentes: Pielonefrite. Doenças dos órgãos genitais e da mama Pouco frequentes: Vaginite. Perturbações gerais e alterações no local de administração Muito frequentes: Reação relacionada com a perfusão, dor. Frequentes: Dor torácica, fadiga, febre, reação no local da injeção, arrepios, edema. Pouco frequentes: Cicatrização deficiente. Raros: Lesão granulomatosa. Exames complementares de diagnóstico Pouco frequentes: Auto-anticorpo positivo. Raros: Irregularidades do fator de complemento. Para informação mais detalhada sobre Efeitos indesejáveis, consultar o Resumo das Características do Medicamento completo. Notificação de suspeitas de reações adversas A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas diretamente ao INFARMED, I.P.: INFARMED, I.P. Direção de Gestão do Risco de Medicamentos Parque da Saúde de Lisboa, Av. Brasil 53 1749-004 Lisboa Tel: +351 21 798 73 73 Linha do Medicamento: 800222444 (gratuita) Fax: + 351 21 798 73 97 Sítio da internet: http://extranet.infarmed.pt/page.seram.frontoffice.seramhomepage E-mail: farmacovigilancia@infarmed.pt DATA DA REVISÃO DO TEXTO: 09-2016 Medicamento de receita médica restrita, de utilização reservada a certos meios especializados. Para mais informações deverá contactar o Representante Local do Titular da Autorização de Introdução no Mercado. 6-MP = 6-mercaptopurina AZA = Azatioprina Referências: 1. Braun J, Kudrin A Immunotherapy (2015) 7(2), 73–87 2. INFLECTRATM European Public Assessment Report (EPAR). Disponível em: www.ema.europa.eu/docs/en_GB/document_library/EPAR_-_Public _assessment_report/human/002778/WC500151490.pdf. [consultado em abril 2016]. 3. EMA. Guideline on similar biological medicinao products containing monoclonal antibodies - non-clinical and clinical issues. Maio 2012. Disponível em: www.ema.europa.eu/docs/en_GB/document_library /Scientific_guideline/2012/06/WC500128686.pdf [Consultado em Junho 2015]. PP-IFA-PRT-0001


XIII CONGRESSO NACIONAL DE DOENÇAS INFECCIOSAS E MICROBIOLOGIA CLÍNICA XI CONGRESSO NACIONAL DE VIH/SIDA

“OS MAIS RECENTES AVANÇOS CIENTÍFICOS NO CAPÍTULO DAS DOENÇAS INFECCIOSAS E DA MICROBIOLOGIA CLÍNICA” A Associação Portuguesa para o Estudo Clínico da SIDA (APECS) e a Sociedade Portuguesa de Doenças Infeciosas e Microbiologia Clínica (SPDIMC) organizam, uma vez mais, o XIII Congresso Nacional de Doenças Infeciosas e Microbiologia Clínica e o XI Congresso Nacional de VIH/ /SIDA, a 30 de novembro, 1 e 2 de dezembro de 2016. Em entrevista, a antevisão do evento científico, pelo Prof. Doutor Saraiva da Cunha.

tes doentes, o progresso na terapêutica antirretroviral e a investigação para a descoberta de uma vacina. MN | Que critérios pesaram na escolha dos temas? SC | Procuramos selecionar temas de grande atualidade, e que ao mesmo tempo tenham um impacto forte nos cuidados de saúde que prestamos diariamente. Médico News (MN) | Quais as razões subjacentes para esta organização conjunta? Prof. Doutor Saraiva da Cunha (SC) | A SPDIMC e a APECS estabeleceram uma parceria estratégica já há alguns anos, com o objetivo de organizar conjuntamente os respetivos Congressos com periodicidade bienal. A proliferação de reuniões científicas e as dificuldades em se conseguir o necessário financiamento obrigaram a este esforço de concentração de meios. MN | Qual o principal objetivo deste evento científico? SC | Divulgar os mais recentes avanços científicos no capítulo das doenças infecciosas e da Microbiologia Clínica, com particular destaque na infeção por VIH.

MN | A crise migratória na Europa tem ocupado a agenda noticiosa dos últimos meses. Que desafios se impõem na área das doenças infecciosas e de que forma estará espelhado este assunto no programa? SC | Os migrantes e refugiados vão merecer alguma atenção nas mesas-redondas em que se vai discutir a epidemiologia da infeção por VIH e também quando se abordar o tema das bactérias multirresistentes aos antibióticos.

O progresso científico neste domínio é uma constante e a troca de experiências entre os vários centros portugueses pode contribuir para a melhoria dos cuidados de saúde a estes doentes. MN | Quais os assuntos que estão no centro do debate? SC | Na primeira parte do Congresso serão abordados, de forma mais exaustiva, os progressos em Microbiologia Clínica, nomeadamente nos métodos de diagnóstico microbiológico, a questão candente da infeção em cuidados de saúde, e o futuro das hepatites víricas. Numa segunda fase, dedicada em exclusivo a diversos aspetos da infeção por VIH, saliento as mudanças epidemiológicas, a abordagem multidisciplinar des-

MN | A crescente resistência aos antibióticos será outro dos assuntos em foco. Quais os caminhos a seguir para reverter o problema? SC | Este assunto merece especial destaque numa das mesas

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redondas a realizar no primeiro dia do Congresso. Só com a adoção generalizada das medidas de controlo de infeção e com uma prescrição racional de antibióticos conseguiremos, porventura, inverter esta situação calamitosa. MN | Em termos de investigação para a cura do VIH, ainda há esperança no desenvolvimento de uma vacina? SC | A eventual cura do VIH vai passar uma estratégia concertada de intervenções que incluirão a terapêutica antirretroviral, a imunomodelação com fármacos e, eventualmente, uma vacina terapêutica. A investigação nesta área está numa fase muito incipiente, mas os progressos na investigação das vacinas preventivas são mais animadores. MN | Quais são as expectativas para esta edição? SC | Esperamos que os temas selecionados sejam atrativos para os diversos grupos profissionais que se revêm neste Congresso, como os infecciologistas, os microbiologistas, os clínicos e todos os outros profissionais de saúde envolvidos nos cuidados de saúde aos doentes infetados por VIH.


INFORMAÇÕES ESSENCIAIS COMPATÍVEIS COM O RCM Este medicamento está sujeito a monitorização adicional. Isto irá permitir a rápida identificação de nova informação de segurança. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas. Para saber como notificar reações adversas, ver sítio da internet do INFARMED: http://extranet.infarmed.pt/page.seram.frontoffice. seramhomepage; E-mail: farmacovigilancia@infarmed.pt. NOME DO MEDICAMENTO Triumeq COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA, FORMA FARMACÊUTICA Cada comprimido revestido por película contém 50 mg de dolutegravir (sob a forma de sódio), 600 mg de abacavir (sob a forma de sulfato) e 300 mg de lamivudina. INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS Tratamento de adultos e adolescentes infetados com o VIH com mais de 12 anos de idade e que pesem pelo menos 40 kg. Antes do início da terapêutica com medicamentos contendo abacavir, deve ser realizado o teste para deteção da presença do alelo HLA-B*5701 em qualquer doente infetado pelo VIH, independentemente da sua origem étnica. O abacavir não deve ser utilizado em doentes que se saiba possuírem o alelo HLA-B*5701. POSOLOGIA E MODO DE ADMINISTRAÇÃO Deve ser prescrito por um médico experiente no controlo da infeção pelo VIH. Adultos e adolescentes (>40 kg): Um comprimido 1x/dia. Não deve ser administrado a adultos ou adolescentes com peso <40 kg, porque a dose do comprimido é fixa e não pode ser reduzida. Não deve ser prescrito a doentes que necessitem de ajuste da dose. Estão disponíveis formulações separadas de dolutegravir, abacavir ou lamivudina para os casos em que está indicada a interrupção ou ajuste de dose de uma das substâncias ativas. O médico deverá consultar os respetivos RCMs. Doses esquecidas: Caso o doente se esqueça de tomar uma dose, deve-a tomar o mais rapidamente possível, desde que a próxima dose não esteja prevista no prazo de 4 horas. Se a dose seguinte estiver prevista num prazo de 4 horas, o doente não deve tomar a dose esquecida e deve, simplesmente, retomar o esquema posológico habitual. Idosos (≥ 65 anos): Os dados disponíveis são limitados. Não existe evidência de que requeiram uma dose diferente da dos doentes adultos jovens. Recomenda-se precaução especial neste grupo etário devido às alterações associadas com a idade, tais como a diminuição na função renal e alterações dos parâmetros hematológicos. Compromisso renal: Não se recomenda a utilização em doentes com ClCr < 50 ml/min. Compromisso hepático: Pode ser necessária uma redução da dose de abacavir em doentes com compromisso hepático ligeiro (grau A de Child-Pugh). Uma vez que não é possível uma redução da dose com Triumeq, devem ser utilizadas formulações separadas de dolutegravir, abacavir e lamivudina. Não é recomendado em doentes com compromisso hepático moderado e grave. População pediátrica: Não existem dados disponíveis. Modo de administração: Via oral. Pode ser tomado com ou sem alimentos. CONTRAINDICAÇÕES Hipersensibilidade ao dolutegravir, abacavir ou lamivudina ou a qualquer um dos excipientes. Administração concomitante com dofetilida. ADVERTÊNCIAS E PRECAUÇÕES ESPECIAIS DE UTILIZAÇÃO Transmissão do VIH: Embora uma supressão vírica eficaz com TAR tenha provado reduzir substancialmente o risco de transmissão sexual, não pode ser excluída a existência de um risco residual. Devem ser tomadas precauções de acordo com as orientações nacionais. Reações de hipersensibilidade: Tanto o abacavir como o dolutegravir estão associados com um risco de reações de hipersensibilidade, e partilham algumas características comuns como febre e/ou erupção cutânea com outros sintomas que indicam envolvimento multissistémico. O tempo até ao início foi tipicamente de 10-14 dias para reações associadas com abacavir e dolutegravir, embora as reações com abacavir possam ocorrer em qualquer altura durante a terapêutica. Clinicamente não é possível determinar se uma reação de hipersensibilidade com Triumeq é causada por abacavir ou dolutegravir. Foram observadas reações de hipersensibilidade mais frequentemente com abacavir, algumas das quais foram potencialmente fatais, e em casos raros fatais, quando não foram tratadas de forma apropriada. O risco de ocorrência de reação de hipersensibilidade com abacavir é elevado em doentes que possuam o alelo HLA-B*5701. Contudo, foram notificadas reações de hipersensibilidade com abacavir numa baixa frequência em doentes que não possuem este alelo. O estado de HLA-B*5701 deve ser sempre documentado antes de se iniciar a terapêutica. Triumeq nunca deve ser iniciado em doentes com presença do alelo HLA-B*5701, nem em doentes negativos para a presença do alelo HLA-B*5701 que tiveram uma suspeita de reação de hipersensibilidade ao abacavir num regime anterior contendo abacavir. Triumeq tem de ser interrompido imediatamente, mesmo na ausência do alelo HLA-B*5701, se se suspeitar de uma reação de hipersensibilidade. Um atraso na interrupção no tratamento após o início da hipersensibilidade pode resultar numa reação imediata e potencialmente fatal. Deve ser monitorizado o estado clínico incluindo aminotransferases hepáticas e bilirrubina. Após interromper o tratamento devido a suspeita de uma reação de hipersensibilidade, Triumeq ou qualquer outro medicamento contendo abacavir ou dolutegravir não pode nunca ser reiniciado. Reintroduzir medicamentos contendo abacavir após uma suspeita de reação de hipersensibilidade com abacavir pode resultar num regresso imediato dos sintomas em poucas horas. Esta recorrência é geralmente mais grave do que a forma inicial e poderá incluir hipotensão potencialmente fatal e morte. Ocorreram pouco frequentemente reações semelhantes após o reinício de abacavir em doentes que tiveram apenas um dos sintomas chave de hipersensibilidade antes de interromperem abacavir; e foram observados, em ocasiões muito raras, em doentes que reiniciaram a terapêutica sem sintomas precedentes de uma reação de hipersensibilidade (i.e., doentes anteriormente considerados como sendo tolerantes ao abacavir). A fim de evitar a reiniciação de abacavir e dolutegravir, os doentes que tenham apresentado uma suspeita de reação de hipersensibilidade devem ser instruídos a desfazer-se dos comprimidos de Triumeq não utilizados. Descrição clínica das reações de hipersensibilidade Notificadas reações de hipersensibilidade em <1% dos doentes tratados com dolutegravir em estudos clínicos, caracterizadas por erupção cutânea, alterações constitucionais e, por vezes, disfunção orgânica, incluindo reações hepáticas graves. As reações de hipersensibilidade ao abacavir foram bem caracterizadas ao longo dos estudos clínicos e durante o acompanhamento pós-comercialização. Os sintomas aparecem normalmente nas primeiras seis semanas (média do tempo para início de 11 dias) após início do tratamento com abacavir, embora estas reações possam ocorrer em qualquer altura durante a terapêutica. Quase todas as reações de hipersensibilidade ao abacavir irão incluir febre e/ou erupção cutânea (normalmente maculopapular ou urticariana) como parte do síndrome, contudo ocorreram reações sem erupção cutânea ou febre. Outros sinais e sintomas observados como parte da reação de hipersensibilidade ao abacavir incluiram sintomas respiratórios, gastrointestinais ou constitucionais como letargia ou mal-estar geral. Esses sintomas poderão confundir o diagnóstico de reação de hipersensibilidade com doença respiratória (pneumonia, bronquite, faringite) ou gastroenterite. Os sintomas relacionados com esta reação de hipersensibilidade agravam-se com a continuação da terapêutica e podem ser potencialmente fatais. Estes sintomas normalmente resolvem-se com a descontinuação de abacavir. Raramente, os doentes que pararam de tomar abacavir por razões que não os sintomas de reação de hipersensibilidade também tiveram reações potencialmente fatais horas após o reinício da terapêutica com abacavir. Nestes doentes, o reinício de abacavir tem de ser feito num local em que a assistência médica seja facilmente disponibilizada. Peso e parâmetros metabólicos: Durante a terapêutica antirretrovírica pode ocorrer um aumento do peso e dos níveis de lípidos e glucose no sangue. Estas alterações podem estar em parte associadas ao controlo da doença e ao estilo de vida. Para os lípidos, existe em alguns casos evidência de um efeito do tratamento, enquanto para o aumento do peso não existe uma evidência forte que o relacione com um tratamento em particular. Para a monitorização dos lípidos e glucose no sangue é feita referência às orientações estabelecidas para o tratamento do VIH. As alterações lipídicas devem ser tratadas de modo clinicamente apropriado. Doença hepática: A segurança e a eficácia não foram estabelecidas em doentes com disfunção hepática subjacente significativa. Não é recomendado em doentes com compromisso hepático moderado a grave. Os doentes com disfunção hepática pré-existente, incluindo hepatite crónica ativa, têm um aumento da frequência de anomalias da função hepática durante a TARC e devem ser monitorizados de acordo com a prática padronizada. Se se verificar um agravamento da doença hepática nestes doentes, terá de ser considerada a interrupção ou descontinuação do tratamento. Doentes com hepatite B ou C crónica: Risco acrescido de reações adversas hepáticas graves e potencialmente fatais. No caso de terapêutica antivírica concomitante para a hepatite B ou C, consultar o RCM para estes medicamentos. Triumeq inclui lamivudina, que é ativa contra a hepatite B. O abacavir e o dolutegravir não possuem tal atividade. A monoterapia com lamivudina não é habitualmente considerada um tratamento adequado para a hepatite B, uma vez que o risco de desenvolvimento de resistência à hepatite B é elevado. Se Triumeq for utilizado em doentes coinfetados com hepatite B, normalmente é necessário um antivírico adicional. Devem consultar-se as linhas de orientação de tratamento. Caso Triumeq seja interrompido em doentes coinfetados pelo vírus da hepatite B, recomenda-se a monitorização periódica dos testes da função hepática e dos marcadores de replicação do VHB, uma vez que a interrupção da lamivudina pode resultar em exacerbação aguda da hepatite. Síndrome de Reativação Imun-

ológica: Em doentes infetados pelo VIH com deficiência imunitária grave à data da instituição da TARC, pode ocorrer uma reação inflamatória a patogénios oportunistas assintomáticos ou residuais e causar situações clínicas graves, ou o agravamento dos sintomas. Estas reações foram observadas durante as primeiras semanas ou meses após início da TARC. Exemplos relevantes: retinite por citomegalovírus, infeções micobacterianas generalizadas e/ou focais, pneumonia causada por Pneumocystis carinii. Quaisquer sintomas de inflamação devem ser avaliados e, quando necessário, instituído o tratamento. Tem sido notificada a ocorrência de doenças autoimunes (tais como Doença de Graves) no contexto de reativação imunológica; contudo, o tempo notificado para o início é mais variável e estas situações podem ocorrer vários meses após o início do tratamento. No início da terapêutica com dolutegravir, foram observados em alguns doentes com coinfeção por hepatite B e/ou C, aumentos dos valores das análises hepáticas consistentes com síndrome de reconstituição imunológica. Recomenda-se a monitorização dos parâmetros bioquímicos hepáticos em doentes com coinfeção por hepatite B e/ou C. Disfunção mitocondrial: Os análogos dos nucleosídeos e nucleótidos demonstraram causar lesões mitocondriais de grau variável. Existem notificações de disfunção mitocondrial em lactentes VIH negativos, expostos in utero e/ou após o nascimento a análogos dos nucleosídeos. Os principais acontecimentos adversos notificados são afeções hematológicas (anemia, neutropenia), doenças metabólicas (hiperlipasemia). Estes acontecimentos são geralmente transitórios. Foram notificadas algumas afeções neurológicas de início tardio (hipertonia, convulsões, comportamento anómalo). Desconhece-se, até ao momento, se as afeções neurológicas são transitórias ou permanentes. Qualquer criança exposta in utero a análogos dos nucleosídeos e nucleótidos, mesmo as crianças VIH negativas, deverá ter seguimento clínico e laboratorial e, em caso de sinais e sintomas relevantes, deve ser investigada quanto à possibilidade de disfunção mitocondrial. Estes resultados não afetam as recomendações nacionais atuais sobre a utilização de TAR em mulheres grávidas, para prevenir a transmissão vertical do VIH. Enfarte do miocárdio: Estudos observacionais mostraram uma associação entre o enfarte do miocárdio e o uso de abacavir. Esses estudos incluíram principalmente doentes com experiência prévia de TAR. Dados dos ensaios clínicos mostraram um número limitado de enfartes do miocárdio e não conseguiram excluir um pequeno aumento do risco. No conjunto, os dados disponíveis dos estudos coorte observacionais e de ensaios aleatorizados mostram alguma inconsistência pelo que não podem confirmar ou refutar a relação de causalidade entre o tratamento com abacavir e o risco de enfarte do miocárdio. Não foi encontrado nenhum mecanismo biológico para explicar um potencial aumento do risco. Quando prescrever Triumeq devem ser tomadas ações para tentar minimizar todos os fatores de risco modificáveis (ex. fumar, hipertensão e hiperlipidemia). Osteonecrose: Notificados casos de osteonecrose, particularmente em doentes com com fatores de risco identificados, doença pelo VIH avançada e/ou exposição prolongada a TARC, apesar da etiologia ser considerada multifatorial (incluindo utilização de corticosteroides, bifosfonatos, consumo de álcool, imunossupressão grave, um índice de massa corporal aumentado). Os doentes devem ser instruídos a procurar aconselhamento médico caso sintam mal-estar e dor articular, rigidez articular ou dificuldade de movimentos. Infeções oportunistas: Triumeq não é uma cura para a infeção pelo VIH, pelo que os doentes podem continuar a desenvolver infeções oportunistas e outras complicações da infeção pelo VIH. Resistência ao medicamento: Uma vez que a dose recomendada de dolutegravir é de 50 mg 2x/dia em doentes com resistência aos inibidores da integrase, a utilização de Triumeq não é recomendada em doentes com resistência a inibidores da integrase. Interações medicamentosas: Uma vez que a dose recomendada de dolutegravir é de 50 mg 2x/dia quando administrado concomitantemente com etravirina (sem inibidores da protease potenciados), efavirenz, nevirapina, rifampicina, tipranavir/ritonavir, carbamazepina, fenitoína, fenobarbital e erva de S. João, a utilização de Triumeq não é recomendada em doentes a tomar estes medicamentos. Triumeq não deve ser administrado concomitantemente com antiácidos contendo catiões polivalentes. Recomenda-se que Triumeq seja administrado 2 horas antes ou 6 horas após estes agentes e após tomar suplementos de cálcio ou de ferro. Dolutegravir aumentou as concentrações de metformina. Para manter o controlo glicémico, deve ser considerado um ajuste de dose de metformina quando se inicia e interrompe a administração concomitante de dolutegravir com metformina. Esta combinação pode aumentar o risco de acidose láctica em doentes com compromisso renal moderado (estadio 3a da depuração da creatinina [CrCl] 45– 59 ml/min) e recomenda-se uma abordagem cautelosa. A redução da dose da metformina deve ser fortemente considerada. A combinação de lamivudina com cladribina não é recomendada.Triumeq não deve ser tomado com quaisquer outros medicamentos contendo dolutegravir, abacavir, lamivudina ou emtricitabina. EFEITOS INDESEJÁVEIS As reações adversas mais frequentemente notificadas consideradas possíveis ou provavelmente relacionadas com dolutegravir e abacavir/lamivudina foram náuseas (12%), insónia (7%), tonturas (6%) e cefaleia (6%). Muitas das reações adversas listadas ocorrem frequentemente (náuseas, vómitos, diarreia, febre, letargia, erupção cutânea) em doentes com hipersensibilidade ao abacavir. Os doentes com qualquer um destes sintomas devem ser cuidadosamente avaliados para a presença desta hipersensibilidade. Foram notificados casos muito raros de eritema multiforme, síndrome de Stevens-Johnson ou necrólise epidérmica tóxica em que a hipersensibilidade ao abacavir não pôde ser excluída. Nestas situações os medicamentos contendo abacavir devem ser interrompidos permanentemente. O acontecimento adverso mais grave possivelmente relacionado com o tratamento com dolutegravir e abacavir/lamivudina, visto em doentes individuais, foi uma reação de hipersensibilidade que incluiu erupção cutânea e efeitos hepáticos graves. Doenças do sangue e do sistema linfático: Pouco frequentes: neutropenia, anemia, trombocitopenia Muito raros: Aplasia pura dos glóbulos vermelhos Doenças do sistema imunitário: Frequentes: hipersensibilidade Pouco frequentes: síndrome de reconstituição imunológica Doenças do metabolismo e da nutrição: Frequentes: anorexia Pouco frequentes: hipertrigliceridemia, hiperglicemia Muito raros: acidose láctica Perturbações do foro psiquiátrico: Muito frequentes: insónia Frequentes: sonhos anormais, depressão, pesadelos, perturbação do sono Pouco frequentes: ideação suicida ou tentativa de suicídio (principalmente em doentes com história pré-existente de depressão ou doença psiquiátrica) Doenças do sistema nervoso: Muito frequentes: cefaleia Frequentes: tonturas, sonolência, letargia Muito raros: neuropatia periférica, parestesia Doenças respiratórias, torácicas e do mediastino: Frequentes: tosse, sintomas nasais Doenças gastrointestinais: Muito frequentes: náuseas, diarreia Frequentes: vómitos, flatulência, dor abdominal, dor abdominal alta, distensão abdominal, mal-estar abdominal, doença de refluxo gastroesofágico, dispepsia Raros: pancreatite Afeções hepatobiliares: Pouco frequentes: hepatite Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos: Frequentes: erupção cutânea, prurido, alopecia Muito raros: eritema multiforme, síndrome de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica Afeções musculosqueléticas e dos tecidos conjuntivos: Frequentes: artralgia, afeções musculares Raros: rabdomiólise Perturbações gerais e alterações no local de administração: Muito frequentes: fadiga Frequentes: astenia, febre, mal-estar geral Exames complementares de diagnóstico: Frequentes: Aumentos da CPK, aumentos da ALT/AST Raros: aumentos da amilase. Hipersensibilidade ao abacavir Ver acima. Os sinais e sintomas que foram notificados em pelo menos 10% dos doentes com uma reação de hipersensibilidade estão em negrito. Pele Erupção cutânea (normalmente maculopapular ou urticariana) Trato gastrointestinal Náuseas, vómitos, diarreia, dor abdominal, ulceração na boca Trato respiratório Dispneia, tosse, garganta irritada, síndrome de dificuldade respiratória do adulto, insuficiência respiratória Diversos Febre, letargia, mal-estar geral, edema, linfoadenopatias, hipotensão, conjuntivite, anafilaxia Neurológicos/ Psiquiátricos Cefaleia, parestesia Hematológicos Linfopenia Fígado/pâncreas Aumento dos testes da função hepática, hepatite, insuficiência hepática Musculosqueléticos Mialgia, raramente miólise, artralgia, aumento da creatina fosfoquinase Urologia Aumento da creatinina, insuficiência renal. Alterações nos paramêtros químicos laboratoriais Durante a primeira semana de tratamento com dolutegravir ocorreram aumentos da creatinina sérica que se mantiveram estáveis ao longo de 96 semanas. Estas alterações não são consideradas clinicamente relevantes uma vez que não refletem uma alteração na taxa de filtração glomerular. Foram também notificados aumentos assintomáticos na CPK principalmente em associação com exercício com a terapêutica com dolutegravir. População pediátrica Não existem dados sobre os efeitos de Triumeq na população pediátrica. TITULAR DA AIM ViiV Healthcare UK Limited, 980 Great West Road, Brentford, Middlesex,TW8 9GS, Reino Unido DATA DA REVISÃO DO TEXTO setembro de 2016. Está disponível informação pormenorizada sobre este medicamento no sítio da internet da Agência Europeia de Medicamentos: http://www.ema.europa.eu. Para mais informações deverá contactar o representante local do titular da AIM. Medicamento sujeito a receita médica restrita, de utilização reservada a certos meios especializados. Para mais informações ou em caso de suspeita de acontecimento adverso contactar o Departamento Médico da ViiV Healthcare – Telf: +351 21 094 08 01. Sujeito ao regime de avaliação prévia.


REUNIÃO ANUAL SPH 2016

sentada pelos Profs. Doutores Gert Ossenkoppele e Robin Foà (ex-presidente da EHA) e pelo Prof. Doutor Alberto Órfão.

ESPINHO ACOLHE A REUNIÃO ANUAL DA SPH

habituais programas educacionais e as comunicações livres, que vão preencher grande parte do programa científico. MN | Houve alguma novidade este ano? JEG | Esta edição anual, tal como tem acontecido em reuniões anteriores, contará com dois programas educacionais, que decorrerão em dois dias diferentes (18 e 19 de novembro). Embora não seja uma novidade, este ano, no mesmo dia da Junior Lecture (18 novembro), protagonizada pela Dr.ª Rita Coutinho, decorrerá a Lição Abel Salazar, proferida pela Prof.ª Doutora Maria de Sousa, imunologista jubilada. Todos os anos, cada lição tem o nome de uma figura de destaque na área da Hematologia. Este ano decidimos homenagear Abel Salazar, que escreveu um livro sobre Hematologia e que, provavelmente, foi o primeiro professor a ensinar Hematologia em Portugal. Além disso, este ano, pela primeira vez, teremos um simpósio conjunto entre a SPH e a European Hematology Association (EHA), repre-

A mais recente edição da Reunião Anual da Sociedade Portuguesa de Hematologia (SPH), que decorre, em Espinho, de 17 a 19 de novembro, tem como ponto alto a realização de um simpósio conjunto entre a SPH e a European Hematology Association (EHA). Em entrevista, o Prof. Doutor José Eduardo Guimarães, presidente da SPH e diretor do Serviço de Hematologia Clínica do Centro Hospitalar de São João (CHSJ), no Porto, que este ano é responsável pela organização do evento, faz uma antevisão da Reunião magna da Hematologia, em Portugal, que prevê receber 500 participantes.

Médico News (MN) | Esta edição está em linha com o formato de Reuniões anteriores? Prof. Doutor José Eduardo Guimarães (JEG) | Mantivemos o mesmo modelo de edições anteriores. Este ano, o primeiro dia de trabalhos será preenchido com três cursos, subordinados a temas distintos: Hematologia na gravidez (coordenado pelo Dr. Joaquim de

Andrade); Síndromes Mielodisplásicas e Falência Medular (coordenado pelo Dr. Ricardo Pinto e pelo Prof. Doutor António Almeida) e Hematologia Molecular (coordenado pela Dr.ª Paula Gomes e pelo Prof. Doutor Manuel Sobrinho Simões). No mesmo dia, 17 de novembro, decorrerão ainda simpósios da Indústria Farmacêutica. Nos dias seguintes, teremos os

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MN | Esta edição terá um número considerável de “Lições”, muitas das quais proferidas por palestrantes internacionais. A participação de preletores estrangeiros é uma forma de elevar os parâmetros científicos deste evento? JEG | Teremos um elevado número de convidados internacionais nesta edição da Reunião Anual, mas temos igualmente palestrantes nacionais. Este ano iremos receber a participação do Prof. Doutor Mohamad Mohty (presidente do EBMT), que ficará responsável pela Lição EBMT, subordinada ao tema “Dadores alternativos, novos condicionamentos e desenvolvimentos futuros”. Temos apostado na criação de um programa científico de elevada qualidade e, por isso, temos recebido a participação de palestrantes nacionais e internacionais, que são reconhecidos pelo seu mérito científico. MN | O programa do evento é igualmente composto por comunicações orais e por uma visita aos posters. Qual o número de trabalhos recebido? JEG | Haverá 30 comunicações orais e 105 posters, sendo que dois foram enviados pela Enfermagem. MN | A Enfermagem também tem uma participação elevada nesta Reunião… JEG |Tal como aconteceu em edições anteriores - e este ano não será exceção - decorrerão, em simultâneo, sessões dedicadas exclusivamente a enfermeiros, integradas num Programa de Enfermagem. O conteúdo programático foi desenvolvido pela Comissão Organizadora de Enfermagem composta por cinco enfermeiros (Graça Duarte, Aida Santos, António Figueira, Paulo Bessa e Sérgio Carvalho), que exercem atividade no CHSJ.


SOCIEDADE PORTUGUESA DO ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL

DIA MUNDIAL DO AVC

SPAVC EM VÁRIAS FRENTES PARA “FAZER FRENTE” AO AVC O acidente vascular cerebral (AVC) continua a ser a primeira causa de morte e incapacidade em Portugal, razão pela qual a Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC), presidida pelo Prof. Doutor Castro Lopes, aproveitou a comemoração do Dia Mundial do AVC, a 29 de outubro, para alertar uma vez mais a população para este problema, enfatizando a importância de se conhecer os sinais e sintomas de alerta desta doença súbita.

“É urgente aprender a reconhecer os sintomas e sinais de alerta que devem levar à ativação dos serviços de emergência. No caso do AVC, “tempo é cérebro” e, por isso, quanto mais cedo o doente chegar ao hospital, maior será a probabilidade de sobrevivência sem sequelas”, sublinhou o Prof. Doutor José Castro Lopes. Basta um destes sintomas, falta de força num braço, face desviada (boca ao lado) e dificuldade em falar, para suspeitar de um AVC e, por isso, contactar os serviços de emergência médica através do 112. “Nesse momento, é ativada a Via Verde do AVC, que está organizada em Portugal para encaminhar rapidamente os doentes para os hospitais capazes de fornecer os tratamentos adequados”, reforçou o neurologista. Para dar voz a esta importante mensagem, a SPAVC juntou-se à campanha “Este pode ser o jogo da sua vida”, na qual os jogadores da 9.ª Jornada da Liga Portuguesa de Futebol Profissional entraram em campo com t-shirts com mensagens como “Seja mais rápido que um AVC” e quais os sinais de

vas passa pela divulgação de informação credível e cientificamente certificada sobre este problema de saúde pública, e pela missão de contribuir para um aumento da literacia em saúde”, explicou o Prof. Doutor Castro Lopes. O Manual Digital para Jornalistas foi apresentado no dia 28 de outubro à comunicação social e contou com o apoio exclusivo da Daiichi Sankyo. Esta ferramenta é constituída por sete capítulos temáticos (terminologia, epidemiologia, fatores de risco, sequelas, terapêutica de fase aguda, reabilitação pós-AVC e mensagens para a população), cada um deles contendo um vídeo explicativo protagonizado por especialistas da SPAVC. Já o Guia Prático para a população contou com o apoio da Daiichi Sankyo, Bayer, Nutricia e Boehringer Ingelheim. Definição, sintomas e sinais de alerta, fatores de risco, epidemiologia, sequelas e complicações, são alguns dos tópicos abordados no Guia para o público em geral que foi distribuído nas várias ações de sensibilização relativas ao Dia Mundial do AVC com chancela da SPAVC.

PARA DAR VOZ A ESTA IMPORTANTE MENSAGEM, A SPAVC JUNTOU-SE À CAMPANHA “ESTE PODE SER O JOGO DA SUA VIDA”, NA QUAL OS JOGADORES DA 9.ª JORNADA DA LIGA PORTUGUESA DE FUTEBOL PROFISSIONAL ENTRARAM EM CAMPO COM T-SHIRTS COM MENSAGENS COMO “SEJA MAIS RÁPIDO QUE UM AVC” E QUAIS OS SINAIS DE ALERTA QUE EXIGEM CHAMADA IMEDIATA PARA O 112

alerta que exigem chamada imediata para o 112. A par desta ação, a SPAVC lançou dois projetos editoriais: um Manual Digital para Jornalistas e um Guia Prático sobre o AVC dirigido à população. “O objetivo destas duas iniciati-

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O Dia Mundial do AVC assinala-se todos os anos a 29 de outubro, com o objetivo de sensibilizar a população a nível global sobre as elevadas taxas de AVC, de alertar para as possibilidades de prevenção e tratamento desta doença e para garantir melhores cuidados de saúde aos sobreviventes de AVC. A iniciativa foi criada pela World Stroke Organization (WSO) em 2006 e, quatro anos depois, em 2010, o AVC foi reconhecido como um problema de saúde pública major.

11.º CONGRESSO PORTUGUÊS DO AVC Na vertente científica, a SPAVC prepara já o 11.º Congresso Português do AVC, agendado para os dias 2, 3 e 4 de fevereiro de 2017, no Porto. Acompanhe as iniciativas da SPAVC em www.spavc.org.


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1 Comprimido por dia

Informações essenciais compatíveis com o RCM. NOME DO MEDICAMENTO Zolnor 20 mg + 5 mg comprimidos revestidos por película COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA Cada comprimido revestido por película de Zolnor contém 20 mg de olmesartan medoxomilo e 5 mg de amlodipina (como besilato de amlodipina). FORMA FARMACÊUTICA Comprimido revestido por película. Cor branca, forma redonda, comprimido revestido por película de 6 mm com C73 gravado num dos lados. INFORMAÇÕES CLÍNICAS Indicações terapêuticas: Tratamento da hipertensão essencial. Zolnor está indicado em doentes adultos cuja tensão arterial não está adequadamente controlada com olmesartan medoxomilo ou amlodipina em monoterapia. Posologia: Adultos: A posologia recomendada de Zolnor é de um comprimido por dia. Zolnor 20 mg + 5 mg pode ser administrado em doentes cuja tensão arterial não esteja adequadamente controlada com olmesartan medoxomilo 20 mg ou amlodipina 5 mg em monoterapia. Recomenda-se a titulação gradual da dosagem dos componentes individuais antes da mudança para a combinação fixa. Quando clinicamente apropriado, pode ser considerada uma mudança direta da monoterapia para a combinação fixa. Por conveniência, os doentes a tomar olmesartan medoxomilo e amlodipina em comprimidos separados podem mudar para Zolnor comprimidos contendo os componentes nas mesmas doses. Zolnor pode ser tomado com ou sem alimentos. Idosos (idade igual ou superior a 65 anos): Geralmente não é necessário um ajuste da dose recomendada em idosos mas aumentos da dosagem devem ser efetuados com precaução. Se for necessária a titulação para a dose máxima diária de 40 mg de olmesartan medoxomilo, a tensão arterial deve ser cuidadosamente monitorizada. Compromisso renal: A dose máxima de olmesartan medoxomilo em doentes com compromisso renal ligeiro a moderado (depuração da creatinina 20-60 ml/min) é de 20 mg de olmesartan medoxomilo uma vez por dia, devido à experiência limitada com dosagens mais elevadas neste grupo de doentes. Não se recomenda a utilização de Zolnor em doentes com compromisso renal grave (depuração da creatinina <20 ml/min). É aconselhável a monitorização dos níveis de potássio e de creatinina em doentes com compromisso renal moderado. Compromisso hepático: Zolnor deve ser usado com precaução em doentes com compromisso hepático ligeiro a moderado. Em doentes com compromisso hepático moderado, a dose inicial recomendada de olmesartan medoxomilo é de 10 mg uma vez por dia e a dose máxima não deve exceder os 20 mg uma vez por dia. É aconselhável uma monitorização cuidadosa da tensão arterial e da função renal em doentes com compromisso hepático que já estão em tratamento com diuréticos e/ou outros fármacos anti-hipertensores. Não existe experiência com olmesartan medoxomilo em doentes com compromisso hepático grave. Como acontece com todos os antagonistas dos canais de cálcio, a semivida da amlodipina é prolongada em doentes com compromisso hepático, não tendo sido estabelecidas recomendações relativas à posologia. Nestes doentes, Zolnor deve ser administrado com precaução. A farmacocinética da amlodipina não foi estudada no compromisso hepático grave. Em doentes com compromisso hepático, a amlodipina deve ser iniciada na dose mais baixa e titulada lentamente. A utilização de Zolnor em doentes com compromisso hepático grave está contraindicada. População pediátrica: A segurança e eficácia de Zolnor em crianças e adolescentes com idade inferior a 18 anos não foram ainda estabelecidas. Não existem dados disponíveis. Modo de administração: O comprimido deve ser engolido com uma quantidade suficiente de líquido (por exemplo, um copo de água). O comprimido não deve ser mastigado e deve ser tomado à mesma hora todos os dias. Contraindicações: Hipersensibilidade às substâncias ativas, aos derivados da di-hidropiridina ou a qualquer um dos excipientes. Segundo e terceiro trimestres de gravidez. Insuficiência hepática grave e obstrução biliar. O uso concomitante de Zolnor com medicamentos contendo aliscireno é contraindicado em doentes com diabetes mellitus ou compromisso renal (TFG < 60 ml/min./1,73 m2). Devido ao componente amlodipina, o Zolnor está também contraindicado em doentes com hipotensão grave, choque (incluindo choque cardiogénico), obstrução do trato de saída do ventrículo esquerdo (por exemplo, estenose aórtica de grau elevado), insuficiência cardíaca hemodinamicamente instável após enfarte agudo do miocárdio. Efeitos indesejáveis: As reações adversas mais frequentemente notificadas durante o tratamento com Zolnor são edema periférico (11,3%), cefaleias (5,3%) e tonturas (4,5%). As reações adversas do Zolnor em ensaios clínicos, estudos de segurança pós-autorização e notificações espontâneas estão resumidas na tabela abaixo, assim como as reações adversas dos seus componentes individuais, olmesartan medoxomilo e amlodipina, baseadas no perfil de segurança conhecido destas substâncias. Foi utilizada a seguinte terminologia para classificar a ocorrência das reações adversas: muito frequentes (>1/10), frequentes (>1/100, <1/10), pouco frequentes (>1/1.000, <1/100), raras (>1/10.000, <1/1.000), muito raras (<1/10.000), desconhecida (não pode ser calculado a partir dos dados disponíveis). Doenças do sangue e do sistema linfático: Leucopenia: muito rara (Amlodipina). Trombocitopenia: pouco frequente (Olmesartan), muito rara (Amlodipina). Doenças do sistema imunitário: Reacção alérgica/hipersensibilidade medicamentosa: rara (Associação olmesartan/amlodipina), muito rara (Amlodipina). Reacção anafilática: pouco frequente (Olmesartan). Doenças do metabolismo e da nutrição: Hiperglicemia: muito rara (Amlodipina). Hipercaliemia: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina), rara (Olmesartan). Hipertrigliceridemia: frequente (Olmesartan). Hiperuricemia: frequente (Olmesartan). Perturbações do foro psiquiátrico: Confusão: rara (Amlodipina). Depressão: pouco frequente (Amlodipina). Insónia: pouco frequente (Amlodipina). Irritabilidade: pouco frequente (Amlodipina). Diminuição da libido: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina). Alterações do humor (incluido ansiedade): pouco frequente (Amlodipina). Doenças do sistema nervoso: Tonturas: frequente (Associação olmesartan/amlodipina, Olmesartan, Amlodipina). Disgeusia: pouco frequente (Amlodipina). Cefaleias: frequente (Associação olmesartan/amlodipina, Olmesartan, Amlodipina). Hipertonia: muito raras (Amlodipina). Hipoestesia: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina, Amlodipina). Letargia: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina). Parestesia: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina, Amlodipina). Neuropatia periférica: muito rara (Amlodipina). Tonturas posturais: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina). Perturbações do sono: pouco frequente (Amlodipina). Sonolência: frequente (Amlodipina). Síncope: rara (Associação olmesartan/amlodipina), pouco frequente (Amlodipina). Tremor: pouco frequente (Amlodipina). Afecções oculares: Perturbações visuais (incluindo diplopia): pouco frequente (Amlodipina). Afecções do ouvido e do labirinto: Acufenos: pouco frequente (Amlodipina). Vertigens: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina, Olmesartan). Cardiopatias: Angina de peito: pouco frequente (Olmesartan, Amlodipina (incl. agravamento da angina de peito)). Arritmia (incluindo bradicardia, taquicardia ventricular e fibrilhação auricular): muito rara (Amlodipina). Enfarte do miocárdio: muito rara (Amlodipina). Palpitações: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina, Amlodipina). Taquicardia: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina). Vasculopatias: Hipotensão: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina), rara (Olmesartan), pouco frequente (Amlodipina). Hipotensão ortostática: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina). Rubor: rara (Associação olmesartan/amlodipina), frequente (Amlodipina). Vasculite: muito rara (Amlodipina). Doenças respiratórias, torácicas e do mediastino: Bronquite: frequente (Olmesartan). Tosse: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina), frequente (Olmesartan), muito rara (Amlodipina). Dispneia: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina, Amlodipina). Faringite: frequente (Olmesartan). Rinite: frequente (Olmesartan), pouco frequente (Amlodipina). Doenças gastrointestinais: Dor abdominal: frequente (Olmesartan, Amlodipina). Alteração dos hábitos intestinais (incluindo diarreia e obstipação): pouco frequente (Amlodipina). Obstipação: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina). Diarreia: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina), frequente (Olmesartan). Xerostomia: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina, Amlodipina). Dispepsia: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina), frequente (Olmesartan), pouco frequente (Amlodipina). Gastrite: muito rara (Amlodipina). Gastroenterite: frequente (Olmesartan). Hiperplasia gengival: muito rara (Amlodipina). Náuseas: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina), frequente (Olmesartan, Amlodipina). Pancreatite: muito rara (Amlodipina). Dor abdominal superior: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina). Vómitos: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina, Olmesartan, Amlodipina). Enteropatia semelhante a esprue: muito rara (Olmesartan). Afecções hepatobiliares: Enzimas hepáticas elevadas: frequente (Olmesartan), muito rara (principalmente consistentes com um quadro de colestase) (Amlodipina). Hepatite: muito rara (Amlodipina). Icterícia: muito rara (Amlodipina). Afecções dos tecidos cutâneos e subcutâneas: Alopécia: pouco frequente (Amlodipina). Edema angioneurótico: rara (Olmesartan), muito rara (Amlodipina). Dermatite alérgica: pouco frequente (Olmesartan). Eritema multiforme: muito rara (Amlodipina). Exantema: pouco frequente (Olmesartan, Amlodipina). Dermatite exfoliativa: muito rara (Amlodipina). Hiperhidrose: pouco frequente (Amlodipina). Fotosensibilidade: muito rara (Amlodipina). Prurido: pouco frequente (Olmesartan, Amlodipina). Púrpura: pouco frequente (Amlodipina). Edema de Quincke: muito rara (Amlodipina). Erupção cutânea: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina, Olmesartan, Amlodipina). Descoloração da pele: pouco frequente (Amlodipina). Síndrome de Stevens-Johnson: muito rara (Amlodipina). Urticária: rara (Associação olmesartan/amlodipina), pouco frequente (Olmesartan), muito rara (Amlodipina). Afecções musculosqueléticas e dos tecidos conjuntivos: Edema dos tornozelos: frequente (Amlodipina). Artralgia: Pouco frequente (Amlodipina). Artrite: frequente (Olmesartan). Dorsalgias: pouco frequente (Associação olmesartan/ amlodipina), frequente (Olmesartan), pouco frequente (Amlodipina). Espasmos musculares: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina), rara (Olmesartan), pouco frequente (Amlodipina). Mialgia: pouco frequente (Olmesartan, Amlodipina). Dores nas extremidades: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina). Dor esquelética: frequente (Olmesartan). Doenças renais e urinárias: Insuficiência renal aguda: rara (Olmesartan). Hematúria frequente (Olmesartan). Aumento da frequência urinária: pouco frequente (Amlodipina). Perturbações da micção: pouco frequente (Amlodipina). Nictúria: pouco frequente (Amlodipina). Polaquiúria: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina). Insuficiência renal: rara (Olmesartan). Infecção do tracto urinário: frequente (Olmesartan). Doenças dos órgãos genitais e da mama: Disfunção eréctil/impotência: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina, Amlodipina). Ginecomastia: pouco frequente (Amlodipina). Perturbações gerais e alterações no local de administração: Astenia: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina, Olmesartan, Amlodipina). Dor torácica: frequente (Olmesartan), pouco frequente (Amlodipina). Edema facial: rara (Associação olmesartan/amlodipina), pouco frequente (Olmesartan). Fadiga: frequente (Associação olmesartan/amlodipina, Olmesartan, Amlodipina). Sintomas do tipo gripal: frequente (Olmesartan). Letargia: rara (Olmesartan). Mal-estar: pouco frequente (Olmesartan, Amlodipina). Edema: frequente (Associação olmesartan/amlodipina, Amlodipina). Dor: frequente (Olmesartan), pouco frequente (Amlodipina). Edema periférico: frequente (Associação olmesartan/amlodipina, Olmesartan). Edema “pitting”: frequente (Associação olmesartan/amlodipina). Exames complementares de diagnóstico: Aumento da creatinina no sangue: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina), rara (Olmesartan). Aumento da creatina-fosfoquinase no sangue: frequente (Olmesartan). Diminuição do potássio no sangue: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina). Aumento da ureia no sangue: frequente (Olmesartan). Aumento do ácido úrico no sangue: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina). Aumento da gama glutamil transferase: pouco frequente (Associação olmesartan/amlodipina). Diminuição de peso: pouco frequente (Amlodipina). Aumento de peso: pouco frequente (Amlodipina). Foram notificados casos singulares de rabdomiólise em associação temporal com a toma de bloqueadores dos recetores da angiotensina II. Foram notificados casos singulares de síndrome extrapiramidal em doentes tratados com amlodipina. Notificação de suspeitas de reações adversas: A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas através de: INFARMED, I.P. Direção de Gestão do Risco de Medicamentos – Parque da Saúde de Lisboa, Av. Brasil 53 – 1749-004 Lisboa –Tel: +351 21 798 71 40 – Fax: + 351 21 798 73 97 – Sítio da internet: http://extranet.infarmed.pt/page.seram.frontoffice.seramhomepage E-mail: farmacovigilancia@infarmed.pt – Para mais informações deverá contactar o titular da autorização de introdução no mercado - Menarini International Operations Luxembourg, S.A. Representante: A. Menarini Portugal-Farmacêutica, S.A. – Quinta da Fonte, Edifício D. Manuel I, Piso 2A – Rua dos Malhões nº 1, 2770-071 Paço de Arcos – Telef. +351 210 935 500 – Email: menporfarma@menarini.pt www.menarini.pt – NIPC: 501 572 570 IECRCM inclusos. RCM disponibilizado a pedido MSRM. Reg. Geral 69%; Reg. Especial 84%. Sob licença da DAIICHI SANKYO EUROPE Gmbh. Refª 04/2015. Novembro 2014 Zol/95_2/2016


FUNDAÇÃO PORTUGUESA DO PULMÃO

mais difíceis de mudar porque têm uma personalidade muito própria. No entanto, há algumas pequenas alterações, pequenos melhoramentos, porque a FPP era uma instituição bem marcada na realidade da Saúde Respiratória portuguesa, e por isso há melhoramentos a fazer, nomeadamente na ligação com a população, com o Braço Armado, com a execução de coisas que eu, particularmente, acho que são precisas para melhorar a qualidade da prestação de serviços. Nós temos uma ótima Saúde Respiratória em Portugal, ótimos médicos, ótimas regras, ótima medicação, mas há pequenas falhas que quem “está no terreno”, quem trabalha, quem todos os dias mexe com os doentes, há pequenas coisas que não se percebe porque é que funcionam mal, mas é o que acontece e isso tem que melhorar. E é aí que a FPP irá atuar.

CONTINUAR A MELHORAR A SAÚDE RESPIRATÓRIA NACIONAL

Ao assumir o cargo de presidente, nunca senti nem sinto que “é assim porque teve de ser”, mas sim porque se quis. Há também o sentimento de substituir o Prof. Doutor Teles de Araújo, que era um homem de trabalho incansável. Nunca conheci ninguém que trabalhasse tanto e no fim sorrisse com tanta vontade como ele sorria. Era um homem que trabalhava muito e no fim, para descansar, trabalhava mais um bocadinho. É muito difícil substituir uma pessoa com esta capacidade de trabalho. Por outro lado, incutiu à FPP um cariz muito pessoal, que vai ser difícil continuar e repetir porque eu tenho outra personalidade. É um sentimento de muita dificuldade, substituir uma pessoa quase insubstituível e continuar um projeto inicial que é ótimo. E é um sentimento de melhorar aquilo que de muito bom já está feito.

Difícil de substituir. É desta forma que o recém-nomeado presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão, Prof. Doutor José Alves, descreve em jeito de homenagem o Prof. Doutor Artur Teles de Araújo, falecido no início de agosto. Em entrevista à Médico News, o pneumologista destaca os principais projetos e áreas em que a entidade pretende intervir.

Médico News | No dia 1 de agosto, a Pneumologia nacional perdeu um dos seus nomes de maior relevo com o falecimento do Prof. Doutor Artur Teles de Araújo, na altura presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP). Assim, tendo em conta os estatutos da FPP, a direção deveria ser assumida por um dos vice-presidentes e, por isso, o seu nome foi o escolhido. Qual o seu sentimento ao

encabeçar agora a direção da FPP? Prof. Doutor José Alves (JA) | Nunca colocamos a hipótese de haver falecimentos quando elaboramos os estatutos, mas o facto de o vice-presidente ser obrigatoriamente um dos substitutos do presidente foi muito valorizado. No entanto, se qualquer um dos mesmos se recusar a substituir a presidência, esta pode ser assumida por qualquer outro elemento do Conselho de Administração.

MN | A política da nova direção será de continuidade ou haverá mudanças? JA | As instituições são as coisas

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MN| Quais serão as linhas prioritárias da nova direção, em prol da saúde pulmonar? JA | Se quisermos particularizar aquilo que a FPP irá fazer, adicionalmente ao que já fazia, diria que pretendo que o ano de 2017 seja o ano da técnica inalatória, isto é, ensinarmos os doentes a inalar a medicação. Inalar não é o mesmo que tomar um comprimido, é extremamente difícil. Depende do inalador, da pessoa que está a inalar, da capacidade de o fazer. Este é muitas vezes um dos pontos fracos que determina a qualidade do tratamento. Este vai ser um ponto muito importante para a FPP, quer isoladamente, quer em união com os diversos parceiros que estiverem disponíveis para nos ajudar. O outro ponto é a ajuda ao doente insuficiente respiratório. Estes doentes evoluem muitas vezes para a insuficiência respiratória por qualquer outro motivo. Em qualquer dos casos, quando é precisa uma prótese ventilatória, isto é, quando é preciso um aparelho


FUNDAÇÃO PORTUGUESA DO PULMÃO

que respire pelo doente, há muitas coisas que funcionam mal: o diagnóstico, a prescrição, o pagamento, a capacidade científica do aparelho, a eficácia e eficiência do aparelho. É preciso utilizá-lo corretamente, no tempo necessário e isso depende muito do ensino dos cuidadores, dos médicos de família e da prática também. Neste ponto incluo também os doentes que precisam de uma máquina para dormir, o CPAP, porque é fundamental e é muito frequentemente mal utilizada. Cerca de 40% dos doentes a quem está prescrito o CPAP não o fazem nas horas mínimas obrigatórias. Outro ponto de importância é a reabilitação respiratória, que não é um medicamento e, portanto, não há nenhuma empresa a puxar por ela. No entanto, na doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) faz tão bem ou melhor que qualquer medicamento. Tem que ser institucionalizada no tratamento crónico e habitual do doente. E os doentes com DPOC têm que ter acesso a esse tratamento quer sejam de Bragança ou do centro de Lisboa. Não se pode excluir um tratamento por questões geográficas. É preciso criar, em diversos pontos, centros com uma distância relativamente curta e disponibilizar esse tratamento aos doentes. Vamos também ser muito fortes na tentativa de convencer as pessoas a deixar de fumar e de convencer o legislador a alterar a lei do tabaco, porque esta é muito permissiva. E também na evicção das infeções, estimulando a prescrição de vacinas, desde que elas sejam eficazes e eficientes. MN | Qual é a posição da FPP relativamente à alteração na Lei do Tabaco, nomeadamente, sobre a proibição de fumar junto a portas e janelas de estabelecimentos de cuidados de saúde e de ensino? JA | Há muitas coisas que têm de ser feitas em relação à lei do taba-

HÁ TAMBÉM O SENTIMENTO DE SUBSTITUIR O PROF. DOUTOR TELES DE ARAÚJO, QUE ERA UM HOMEM DE TRABALHO INCANSÁVEL. NUNCA CONHECI NINGUÉM QUE TRABALHASSE TANTO E NO FIM SORRISSE COM TANTA VONTADE COMO ELE SORRIA

que nós não sabemos qual vai ser o efeito daqui a dez ou vinte anos. Sabemos que já provocaram pneumonias lipídicas e estimulam a vontade de fumar dos outros. É proibido fumar, ponto final. Os cigarros eletrónicos também devem ser abrangidos pela lei. MN | Que outras medidas legislativas pensa que deveriam ser implementadas? JA | O que eu acho que é preciso fazer, em primeiro lugar, é aumentar os preços. Em segundo lugar, deixar de ter exceções à lei, porque “é proibido fumar”, mas há sempre um sítio onde se pode, há sempre um mas. E por fim, aplicar as coimas a quem não seja cumpridor. PROJETOS DA FPP

co. A principal é proibir a sério, isto é, aplicar coimas a quem não a respeite. Já seria muito bom que não se pudesse fumar até às portas exteriores dos hospitais e nas escolas. O que é fundamental é proibir definitivamente o hábito de fumar em espaços públicos. Outro ponto importante é aumentar o preço do tabaco. Quanto mais alto for o preço do tabaco, menos as pessoas fumam. Não é proibi-lo, mas sim aumentar o preço. Por último, o Estado pagar parte do tratamento dos doentes que precisam de fumar. As drogas com derivados de nicotina devem ser comparticipadas pelo Estado, mas apenas em alguns casos. Por exemplo, um doente com DPOC que não consiga deixar de fumar, nesse caso deve ser comparticipado o preço dessa “droga”.

MN | O VII Congresso da Fundação Portuguesa do Pulmão realizou-se nos dias 14 e 15 de outubro em Lisboa, sob o mote “Pulmão e Ambiente”. O programa científico incluía várias doenças pulmonares, passando pelas doenças infeciosas, mas também a importância da qualidade do ar. Que intervenções ou tópicos gostaria de salientar? JA | O programa em si era muito bom e homogéneo, abordando assuntos prementes, nomeadamente as pneumonias e a quantidade de mortes relacionadas com estas, aborda a dificuldade que há na relação entre os cuidadores e os doentes, entre os médicos e a população, de uma forma muito interessante, e aborda também a qualidade do ar, dentro e fora de casa. Se tivesse que destacar algo seria a palestra do Prof. Doutor Sobrinho Simões, um ícone, que irá falar sobre neoplasias e deverá ter alguma versão, como sempre, extremamente rica quer em termos de resultados científicos quer em termos de projetos que levam depois a posterior investigação.

MN | E no que diz respeito à interdição de fumar cigarros eletrónicos em espaços públicos? JA | Os cigarros eletrónicos são iguais aos outros. O problema do tabaco em si, para além da nicotina, são os alcatrões que são queimados. No cigarro eletrónico não se queimam essas substâncias, mas queimam-se gorduras

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MN | Faltam poucos meses para terminar o ano de 2016. A FPP já tem projetos para o próximo ano? JA | Fui eleito há pouco tempo, mas não tenho feito outra coisa que não seja elaborar projetos, apresentados de uma forma mais ou menos detalhada numa reunião, no dia 28 de outubro, na sede. Nestes projetos o que se vai propor é o apoio ao doente obstrutivo com o ensino da técnica inalatória, apoio ao doente insuficiente com apoio domiciliário e de ensino, a evicção, a reabilitação respiratória e a evicção infecciosa. MN | Para a FPP, o que seria uma boa notícia na área da Saúde Respiratória? JA | A cura do cancro do pulmão. Mas isso é ficção. As boas notícias fazem-se todos os dias. Nós é que fazemos as boas notícias, passo-a-passo. Não podemos acreditar num “Messias”. Nesta área o “Messias” somos nós, temos de ser nós a dar pequenos passos. Uma boa noticia para a FPP será continuarmos o trabalho do Prof. Doutor Teles de Araújo, tentando implementar novas atividades que tornem a FPP num melhor parceiro para o doente respiratório.

UMA BOA NOTICIA PARA A FPP SERÁ CONTINUARMOS O TRABALHO DO PROF. DOUTOR TELES DE ARAÚJO, TENTANDO IMPLEMENTAR NOVAS ATIVIDADES QUE TORNEM A FPP NUM MELHOR PARCEIRO PARA O DOENTE RESPIRATÓRIO


15th EUROPEAN CONGRESS OF INTERNAL MEDICINE

ECIM 2016

UM SUCESSO AOS OLHOS DO DR. LUÍS CAMPOS “A representação portuguesa foi muito forte”, como habitualmente acontece neste Congresso, afirma o Dr. Luís Campos. E acrescenta que, para além do elevado número de internos nacionais portugueses, Portugal foi também o país com mais comunicações. O balanço do presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna em entrevista.

foi muito forte, como é habitual nestes congressos

Este Congresso foi um desafio para a própria European Federation of Internal Medicine (EFIM) que, pela primeira vez, organizou o European Congress of Internal Medicine sem as sociedades locais. O presidente da congénere portuguesa elogia ainda a Comissão Organizadora pelo desenho do programa científico, escolha de “temas atrativos” e a presença de líderes de opinião em cada uma das sessões. “Connecting with the patient” foi o mote escolhido pela Federação para a 15.ª edição do ECIM. A poucos dias do início do Congresso, entrevistado pela News Farma, o Dr. Luís Campos destacava o atual contexto da relação médico-doente em Portugal como “um dos desafios da Medicina e não só da Medicina Interna”. E acrescenta: “Nós somos porventura uma das especialidades mais sensibilizadas para esta questão na medida em que a colheita da história clínica é uma das nossas principais ferramentas. A comunicação médico-doente é o procedimento médico

europeus. Tivemos muitos internos e fomos o país com mais comunicações”, realça o internista. “Apostou-se em ter líderes de opinião em cada uma das matérias”. O Dr. Luís Campos congratula as escolhas da Comissão Organizadora e Científica para o 15.º ECIM, entre as quais a decisão de haver apenas duas salas em paralelo. Por outro lado, os temas escolhidos foram, na sua perspetiva, muito atrativos: “Entre os temas tratados e que me parecem mais relevantes foram, por um lado, a importância das pessoas idosas, que são o alvo principal da Medicina Interna”. O Dr. Luís Campos destaca ainda a Campanha Choosing Wisely, “que começou nos Estados Unidos e que pretende, em cada área e cada país, identificar tipos de procedimentos, prescrições, exames que são pedidos sem justificação”, procurando assim evitar os prejuízos económicos e de saúde para os doentes. No Congresso foi ainda partilhada uma persptiva do que se faz nos outros países no campo da educação pós-graduada, procurando assim refletir o futuro da Educação Médica Contínua em Medicina Interna.

mais comum na nossa prática clínica: cada médico tem, em média, ao longo da sua vida profissional, cerca de 200 mil episódios de contacto com doentes. A qualidade da comunicação tem um impacto não só na fidelização do doente mas também na sua adesão às recomendações, modificação de comportamentos de risco, adesão às terapêuticas e na sua capacidade e oportunidade de participar no plano de cuidados. Apesar disso é das matérias mais menosprezadas na formação dos médicos. Assim, numa altura em que os próprios doentes estão cada vez mais informados e exigem uma relação que respeite a sua autonomia, os médicos têm que estar preparados para se adequarem e estimularem este novo padrão relacional com os doentes.” Depois de dois dias de discussão dos desafios do internista do século XXI, entre outras temáticas, o balanço do presidente da congénere portuguesa é muito positivo, com uma participação muito acima das expectativas. “A representação portuguesa

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“ESTAMOS A ENTRAR NA ERA DO BIG DATA, COM A POSSIBILIDADE DE TERMOS UMA GRANDE BASE DE DADOS NA ÁREA DO CONHECIMENTO, DADOS DOS DOENTES, E DE QUE FORMA OS COMPUTADORES PODEM AJUDAR A JUNTAR AS DUAS COISAS E SER UM AUXILIAR PARA O DIAGNÓSTICO E A IDENTIFICAÇÃO DAS DOENÇAS”

Por fim, realça a importância da digitalização como um hot topic da Saúde e da Medicina em geral: “Estamos a entrar na era do big data, com a possibilidade de termos uma grande base de dados na área do conhecimento, dados dos doentes, e de que forma os computadores podem ajudar a juntar as duas coisas e ser um auxiliar para o diagnóstico e a identificação das doenças.”


ERS INTERNATIONAL CONGRESS :: DOSSIÊ PROF. DOUTOR CARLOS ROBALO CORDEIRO “Este é, de forma cada vez mais visível, o maior evento internacional da área respiratória”

PROF. DOUTOR JOÃO CARLOS WINCK “O Congresso deste ano da ERS colocou um holofote sobre as últimas descobertas na área respiratória”

PNEUMOLOGIA NO PALCO INTERNACIONAL PORTUGAL GANHA RELEVO NO ERS INTERNATIONAL CONGRESS De 3 a 7 de setembro, Londres foi o epicentro da Pneumologia internacional. A European Respiratory Society (ERS) promoveu a 26.ª edição do seu Congresso, evento científico que reuniu mais de 20 mil de especialistas de todo o mundo no debate dos mais recentes temas do foro respiratório. Desde 2015, este Congresso passou a designar-se internacional, pela sua abrangência e relevância, sendo atualmente o principal evento científico na área, no qual a Pneumologia portuguesa continua a afirmar-se.

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PROF. DOUTOR JOSÉ CARLOS MACHADO “É possível utilizar amostras de sangue periférico (biópsia líquida) como alternativa às biópsias tumorais”


DOSSIÊ :: ERS INTERNATIONAL CONGRESS

ERS INTERNATIONAL CONGRESS da saúde respiratória, de forma bem mais abrangente. Exemplos desta internacionalização e abertura foram, no Congresso de Londres, as sessões em Chinês, em Português e Espanhol, em Russo e ainda em Francês, que decorreram incluídas no respetivo programa. Este foi igualmente o Congresso mais mediatizado de sempre, com 180 jornalistas credenciados, com artigos, entrevistas e comentários nos principais órgãos de informação da imprensa e das televisões do Reino Uni-

PROF. DOUTOR CARLOS ROBALO CORDEIRO SECRETÁRIO-GERAL DA ERS 2016/2019

Durante cinco dias decorreu em Londres, no Centro de Congressos ExCeL, o maior Congresso Respiratório do ano, o European Respiratory Society (ERS) International Congress, que congregou 22.645 delegados inscritos. Este é, de forma cada vez mais visível, o maior evento internacional da área respiratória, organizado por uma sociedade que é também, de forma crescente, a mais internacional das sociedades respiratórias. Com efeito, a ERS evoluiu, de 10.753 membros em 2014, para um impressionante número de 36.430 sócios, no momento do Congresso de Londres. Esta expansão, parte integrante do plano estratégico 2013/2018 da ERS, faz com que atualmente existam, na nossa Sociedade, sócios de 159 países diferentes, das diferentes partes do globo. É uma globalização que, embora com a manutenção da matriz europeia da ERS, permite uma partilha do conhecimento, de material educacional e científico e de promoção

do e com ações organizadas pelo programa Healthy Lungs for Life, a partir de Trafalgar Square, a constituírem um enorme sucesso de aceitação e de envolvimento da comunidade, de figuras de relevo social e de responsáveis políticos londrinos. Aqui se iniciaram alguns novos projetos, como o Live@ ERS, um canal de TV online transmitido no site da sociedade durante a semana do Congresso e que permitiu, através de 19.000 acessos (80% dos quais de fora do ambiente do congresso), a visualização de apresentações ao vivo, de breves entrevistas com os delegados, de vídeos existentes no canal YouTube da ERS e ainda de entrevistas de líderes, em estúdio próprio instalado no ExCeL, sobre temas-chave do programa do Congresso e da estratégia da ERS. Ensaiou-se a instalação de Hubs em três cidades chinesas, Pequim, Shangai e Guangzhou, onde, a partir de hotéis dessas cidades, centenas de colegas puderam assistir a sessões selecionadas. Também a aplicação disponibilizada para dispositivos eletrónicos permitiu 443.000 visualizações de sessões. Foi igualmente no Congresso de Londres que a recém criada Research Agency (RA) da ERS se deu a conhecer. Trata-se de um projeto bandeira, que tem com principais objetivos facilitar a investigação na área respiratória, através da coordenação e de diversas formas de apoio à comunidade respiratória, nomeadamente nos esforços de obtenção de financiamento. Encontra-se já em início o 1.º programa, em doenças das vias aéreas, que permitiu a submissão recente de quatro candidaturas ao programa de financiamento europeu Hori-

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ESTE É, DE FORMA CADA VEZ MAIS VISÍVEL, O MAIOR EVENTO INTERNACIONAL DA ÁREA RESPIRATÓRIA, ORGANIZADO POR UMA SOCIEDADE QUE É TAMBÉM, DE FORMA CRESCENTE, A MAIS INTERNACIONAL DAS SOCIEDADES RESPIRATÓRIAS zonte 2020, estando igualmente em desenvolvimento programas em doenças cardiopulmonares e em doenças respiratórias raras. Diversas bases de dados estão também a migrar para a coordenação centralizada desta agência de investigação, de que constituem exemplos paradigmáticos as que decorrem dos projetos U-BIOPRED, Global Lung Initiative e Nordic Asthma Register. Apenas por este desenho sumário é fácil adivinhar as vantagens de que a comunidade respiratória poderá beneficiar a breve prazo, com o desenvolvimento da RA, que constitui um dos projetos mais ambiciosos e simultaneamente mais difíceis de erguer a que a ERS se alcandorou. Encerro esta descrição breve de alguns pontos menos conhecidos associados ao congresso de Londres para sublinhar que, mais uma vez, os jovens portugueses se distinguiram no programa educacional HERMES (Harmonising Education in Respiratory Medicine for European Specialists), já que, dos 150 delegados que realizaram o European Examination in Adult Respiratory Medicine, para obtenção do respetivo diploma, Portugal se situou em 3.º lugar nessa participação. Esperamos que Milão seja de novo um sucesso, onde contamos mais uma vez com uma forte e ativa participação portuguesa, entre os dias 9 a 13 de setembro de 2017.


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(furoato de fluticasona e vilanterol, pó para inalação)

2 componentes, uma combinação única1

FF Furoato de Fluticasona

24 Horas EFICÁCIA2

VI Vilanterol

Relvar proporciona eficácia mantida durante 24 horas com apenas uma dose inalada.1,2 Administrado através de Ellipta, um dispositivo intuitivo e fácil de usar.3,4

INFORMAÇÕES ESSENCIAIS COMPATÍVEIS COM O RCM Este medicamento está sujeito a monitorização adicional. Isto irá permitir a rápida identificação de nova informação de segurança. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas. Para saber como notificar reações adversas, ver sítio da internet do INFARMED: http://extranet. infarmed.pt/page.seram.frontoffice.seramhomepage; E-mail: farmacovigilancia@infarmed.pt. NOME DO MEDICAMENTO Relvar Ellipta COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA Relvar Ellipta 92/22 mcg: Cada inalação disponibiliza uma dose administrada de 92 mcg de furoato de fluticasona e 22 mcg de vilanterol (como trifenatato). Isto corresponde a um recipiente unidose de 100 mcg de furoato de fluticasona e 25 mcg de vilanterol (como trifenatato). Relvar Ellipta 184/22 mcg: Cada inalação disponibiliza uma dose administrada de 184 mcg de furoato de fluticasona e 22 mcg de vilanterol (como trifenatato). Isto corresponde a um recipiente unidose de 200 mcg de furoato de fluticasona e 25 mcg de vilanterol (como trifenatato). FORMA FARMACÊUTICA Pó para inalação em recipiente unidose INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS Asma: Relvar Ellipta 92/22 mcg e 184/22 mcg está indicado para o tratamento regular da asma em adultos e adolescentes com idade ≥ 12 anos em que a utilização de um medicamento contendo uma associação (agonista beta2 de ação prolongada e corticosteroides para inalação) é adequada: doentes que não estão adequadamente controlados com corticosteroides para inalação e com agonistas beta2 de curta ação ‘conforme o necessário’. DPOC: Relvar Ellipta 92/22 mcg está indicado para o tratamento sintomático de adultos com DPOC com um FEV1 previsível normal <70% (após o broncodilatador) com antecedentes de exacerbação apesar da terapêutica regular com um broncodilatador. POSOLOGIA E MODO DE ADMINISTRAÇÃO Asma (92/22 mcg e 184/22 mcg) Adultos e adolescentes ≥12 anos Uma inalação 1x/dia. Os doentes normalmente verificam uma melhoria na função pulmonar 15 minutos após a inalação. Necessário o uso diário regular para manter o controlo dos sintomas de asma e o uso deve ser continuado mesmo quando esta é assintomática. Se os sintomas surgirem no período entre as doses, deve ser tomado um agonista beta2 de curta duração, por inalação, para o alívio imediato. Deve considerar-se uma dose inicial de 92/22 mcg para adultos e adolescentes ≥12 anos que requeiram uma dose média de corticosteroides para inalação em associação com um agonista beta2 de ação prolongada. Se os doentes não estiverem corretamente controlados com 92/22 mcg, a dose pode ser aumentada para 184/22 mcg. Os doentes devem ser regularmente reavaliados. A dose deve ser titulada para a dose mais baixa com a qual é mantido um controlo efetivo dos sintomas. Relvar Ellipta 184/22 mcg deve ser considerado para adultos e adolescentes ≥12 anos que requeiram uma dose mais elevada de corticosteroides para inalação em associação com um agonista beta2 de ação prolongada. A dose máxima recomendada é 184/22 mcg 1x/dia. Crianças <12 anos A segurança e a eficácia ainda não foram estabelecidas na indicação para a asma. DPOC (92/22 mcg) Adultos ≥18 anos Uma inalação 1x/dia. Os doentes normalmente verificam uma melhoria na função pulmonar 16-17 minutos após a inalação. População pediátrica Não é relevante na população pediátrica para a indicação de DPOC. Populações especiais Idosos (> 65 anos) e Compromisso renal Não é necessário ajustar a posologia. Compromisso hepático Estudos revelaram um aumento na exposição sistémica ao FF. Devem tomar-se precauções na definição da posologia em doentes com compromisso hepático que possam estar em risco mais elevado de reações adversas sistémicas associadas a corticosteroides. Para os doentes com compromisso hepático moderado ou grave a dose máxima é 92/22 mcg. Modo de administração Via inalatória. Deve ser administrado à mesma hora do dia, todos os dias. Se uma dose for omitida, deve tomar-se a próxima dose à hora habitual no dia seguinte. Após inalação, os doentes devem enxaguar a boca com água sem a engolir. CONTRAINDICAÇÕES Hipersensibilidade às substâncias ativas ou a qualquer um dos excipientes. ADVERTÊNCIAS E PRECAUÇÕES ESPECIAIS DE UTILIZAÇÃO Deterioração da doença Não deve ser utilizado para tratar sintomas de asma aguda ou uma exacerbação aguda na DPOC, para os quais é necessário um broncodilatador de curta duração. O uso aumentado de broncodilatadores de curta duração para aliviar os sintomas indica deterioração do controlo. Os doentes não devem interromper a terapêutica na asma ou na DPOC, sem supervisão de um médico, uma vez que os sintomas podem reaparecer após a descontinuação. Os acontecimentos adversos e as exacerbações relacionadas com a asma podem ocorrer durante o tratamento. Deve pedir-se aos doentes que continuem o tratamento mas que procurem aconselhamento médico se os sintomas da asma continuarem incontroláveis ou piorarem após o início do tratamento com Relvar Ellipta. Broncospasmo paradoxal Pode ocorrer com um aumento imediato na pieira após a administração. Deve

ser tratado imediatamente com um broncodilatador para inalação de curta duração. Relvar Ellipta deve ser suspenso imediatamente, o doente avaliado e uma terapêutica alternativa instituída conforme o necessário. Efeitos cardiovasculares Podem ser observados efeitos cardiovasculares, tais como arritmias cardíacas por ex., taquicardia supraventricular e extra-sístoles. Deve ser utilizado com precaução em doentes com doença cardiovascular grave ou anomalias do ritmo cardíaco, tirotoxicose, hipocaliemia não corrigida ou em doentes com predisposição para níveis baixos de potássio sérico. Doentes com compromisso hepático Para os doentes com compromisso hepático moderado a grave, deve ser utilizada a dose de 92/22 mcg. Efeitos sistémicos dos corticosteroides Podem ocorrer com qualquer corticosteroide para inalação, em especial com doses elevadas receitadas durante longos períodos (ocorrência muito menos provável do que com corticosteroides orais). Incluem síndrome de Cushing, características cushingoides, apoplexia suprarrenal, diminuição na densidade mineral óssea, retardação do crescimento em crianças e adolescentes, cataratas e glaucoma e, mais raramente, uma variedade de efeitos psicológicos e comportamentais incluindo hiperatividade psicomotora, perturbações do sono, ansiedade, depressão ou agressão (em especial em crianças). Administrar com precaução em doentes com tuberculose pulmonar ou em doentes com infeções crónicas ou não tratadas. Hiperglicemia Notificados casos de aumentos nos níveis de glucose no sangue em doentes diabéticos e tal deve ser considerado quando se receita a doentes com antecedentes de diabetes mellitus. Pneumonia em doentes com DPOC Um aumento da incidência de pneumonia, incluindo pneumonia que requer hospitalização, tem sido observado nos doentes com DPOC a receberem corticosteroides inalados. Existe alguma evidência de um risco aumentado de pneumonia com o aumento da dose de esteroide mas isto não foi demonstrado de forma conclusiva entre todos os estudos. Não existe evidência clínica conclusiva para diferenças dentro da mesma classe na magnitude do risco de pneumonia entre os medicamentos contento corticosteroides inalados. Os médicos devem continuar alerta para o possível desenvolvimento de pneumonia em doentes com DPOC pois as características clínicas de tais infeções sobrepõem-se aos sintomas das exacerbações da DPOC. Os fatores de risco para pneumonia em doentes com DPOC incluem tabagismo atual, idade avançada, índice de massa corporal (IMC) baixo e DPOC grave. Pneumonia em doentes com asma A incidência de pneumonia em doentes com asma foi frequente na dose mais elevada. A incidência de pneumonia em doentes com asma a tomar 184/22 mcg foi numericamente superior quando comparada com aqueles a receber 92/22 mcg ou placebo. Não foram identificados fatores de risco. Excipientes Cada dose administrada contém aproximadamente 25 mg de lactose (na forma mono-hidratada). Doentes com problemas hereditários raros de intolerância à galactose, deficiência de lactase ou malabsorção de glucose-galactose não devem tomar este medicamento. EFEITOS INDESEJÁVEIS As reações adversas mais frequentemente notificadas foram cefaleia e nasofaringite. Com a exceção de pneumonia e fraturas, o perfil de segurança foi semelhante em doentes com asma e DPOC. Durante os estudos clínicos, pneumonia e fraturas foram mais frequentemente observadas em doentes com DPOC. Infeções e infestações Frequentes Pneumonia, infeção do trato respiratório superior, bronquite, gripe, candidíase da boca e da garganta Doenças do sistema imunitário Raros Reações de hipersensibilidade incluindo anafilaxia, angioedema, erupção cutânea e urticária Doenças do sistema nervoso Muito frequentes Cefaleia Raros Tremor Perturbações do foro psiquiátrico Raros Ansiedade Doenças cardíacas Pouco frequentes Extra-sístoles Raros Palpitações, taquicardia Doenças respiratórias, torácicas e do mediastino Muito frequentes Nasofaringite Frequentes Dor orofaríngea, sinusite, faringite, rinite, tosse, disfonia Doenças gastrointestinais Frequentes Dor abdominal Afeções musculosqueléticas e dos tecidos conjuntivos Frequentes Artralgia, dorsalgia, fraturas, espasmos musculares Perturbações gerais e alterações no local de administração Frequentes Pirexia. TITULAR DA AIM Glaxo Group Limited, 980 Great West Road, Brentford, Middlesex TW8 9GS, Reino Unido DATA DA REVISÃO DO TEXTO junho 2016. Está disponível informação pormenorizada sobre este medicamento no sítio da internet da Agência Europeia de Medicamentos http://www.ema.europa.eu/. Consultar o RCM completo para informação detalhada. Para mais informações contactar o representante local do titular da AIM. Medicamento Sujeito a Receita Médica. Regime de Comparticipação: Escalão B. Regime Geral 69%, Regime Especial 84%, mediante autorização da comparticipação por despacho do Secretário de Estado da Saúde de 26-08-2014. Para mais informações ou em caso de suspeita de acontecimento adverso contactar o Departamento Médico da GlaxoSmithKline. Telf.: +351 21 412 95 00. O representante local do titular de AIM de Relvar®Ellipta® é: GlaxoSmithKline, Produtos Farmacêuticos Lda. Nº Contr.500 139 962. Rua Dr. António Loureiro Borges, 3ARQUIPARQUE Miraflores.1499-013 Algés.

A Glaxo Group Limited é o detentor da AIM de Relvar® Ellipta®. O representante local do titular de AIM de Relvar® Ellipta® é: GlaxoSmithKline, Produtos Farmacêuticos Lda. Nº Contr.500 139 962 Rua Dr. António Loureiro Borges, 3ARQUIPARQUE Miraflores 1499-013 Algés Portugal.

PRT/FFT/0030/16(1) Data de preparação: Setembro 2016

Referências: 1. RCM Relvar Ellipta, Janeiro 2016. 2. Bleecker ER et al. JACI in Practice. 2014; 2(5): 553-561. 3. Svedsater H et al. npj Primary Care Respiratory Medicine (2014) 24, 14019. 4. Svedsater H et al. BMC Pulmonary Medicine 2013; 13:72.


DOSSIÊ :: ERS INTERNATIONAL CONGRESS

DESTAQUES DO CONGRESSO DA EUROPEAN RESPIRATORY SOCIETY O Congresso deste ano da ERS colocou um holofote sobre as últimas descobertas na área respiratória através de uma variedade de sessões científicas e educacionais. Destacaria sete temas principais: POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA Foi considerada um “hot topic” destacando-se dois simpósios: Poluição atmosférica nas áreas urbanas e Poluição atmosférica urbano e saúde humana

PROF. DOUTOR JOÃO CARLOS WINCK SECRETÁRIO DO GRUPO-02.02-NONINVASIVE VENTILATORY SUPPORT NA EUROPEAN RESPIRATORY SOCIETY COORDENADOR DA UNIDADE DE PNEUMOLOGIA DO HOSPITAL PRIVADO DE ALFENA-VALONGO (GRUPO TROFA SAÚDE) CONSULTOR DO NÚCLEO DE REABILITAÇÃO CARDIO-RESPIRATÓRIA DO CENTRO DE REABILITAÇÃO DO NORTE (CRN-SC MISERICÓRDIA DO PORTO) PROFESSOR AFILIADO DA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DO PORTO – FMUP

Os simpósios tiveram como objetivos: 1) destacar as mais recentes preocupações sobre o crescente impacto da poluição atmosférica derivada do tráfego urbano, nomeadamente por partículas e partículas de exaustão do diesel (DEP), sobre a saúde respiratória e cardiovascular; 2) resumir os mais recentes conhecimentos sobre como as mudanças climáticas afetam a composição do ar e, consequentemente, como influenciam diretamente a função pulmonar

O CONGRESSO DESTE ANO DA ERS COLOCOU UM HOLOFOTE SOBRE AS ÚLTIMAS DESCOBERTAS NA ÁREA RESPIRATÓRIA ATRAVÉS DE UMA VARIEDADE DE SESSÕES CIENTÍFICAS E EDUCACIONAIS

JOVENS ESPECIALISTAS A ERS mostrou-se empenhada em apoiar os seus membros que estão nos estágios iniciais de suas carreiras e o programa do Congresso deste ano teve uma série de destaques para os cientistas em início de carreira, médicos e outros profissionais de saúde. Destacaria o Workshop: Como preparar conteúdos para ensino “online”. Destinado a ganhar competências para sessões online de alta qualidade e melhores práticas para a comunicação de ciência com experiências interativas de aprendizagem online; resumir o conhecimento atual sobre a necessidade de interatividade na aprendizagem online; aprender a aplicar diferentes categorias de atividades de aprendizagem interativos online; identificar as alterações necessárias para mudar o conteúdo do curso para um formato de apresentação online; usar padrões de avaliação com base na qualidade de analisar um curso online. SONO O tema dos distúrbios respiratórios do sono teve um destaque notável no Congresso des-

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te ano. Houve uma gama de várias sessões, cursos, workshops, simpósios e sessões “hot topic” cobrindo áreas como: apneia do sono e comorbilidades, sono e circulação pulmonar; obesidade e doenças respiratórias; condução e sonolência; e uma discussão muito atual em torno de potenciais ligações entre cancro e apneia do sono. Destacaria o simpósio conjunto ESRS / ERS sobre Condução e sonolência que descreveu os avanços neste campo e as implicações da nova diretiva da UE no contexto prático e médico-legal na Europa. MEDICINA PERSONALIZADA A capacidade de caracterizar os indivíduos a fim de prevenir e tratar doenças com base na predisposição individual irá ser cada vez mais valiosa no futuro. A medicina respiratória personalizada é um campo estimulante e em franca evolução. O congresso deste ano apresentou as informações mais recentes em medicina respiratória personalizado com temas candentes como o “endotyping” e a fenotipagem molecular.


DOSSIÊ :: ERS INTERNATIONAL CONGRESS

AS GRANDES ÁREAS DA ASMA E DPOC ESTÃO EM CONSTANTE EVOLUÇÃO, TRAZENDO NOVOS DESAFIOS PARA OS PROFISSIONAIS QUE TRABALHAM NA ÁREA ASSISTENCIAL

ASMA E DPOC As grandes áreas da asma e DPOC estão em constante evolução, trazendo novos desafios para os profissionais que trabalham na área assistencial. Os principais tópicos abordados no congresso deste ano incluíram o subdiagnóstico na DPOC, as origens genéticas da asma, avanços na fenotipagem das doenças das vias aéreas e uma atualização a partir do projeto EARIP financiado pela UE. >> EARIP é uma abordagem coordenada e integrada para a investigação, desenvolvimento e inovação na asma em toda a Europa. As atividades do projeto vão desde a investigação científica básica até intervenções para melhorar os sistemas de saúde europeus. Apoiado pela Comissão Europeia e a executar ao longo de um período de três anos, o EARIP reunirá especialistas de asma de toda a Europa para definir o que é necessário para reduzir mortes por asma e internamentos em todos os estados membros da UE. >> Destaco ainda o simpósio Abordagens Regenerativas para a DPOC: Nele se descreveram as alterações das células estaminais que ocorrem nos pulmões em resposta às

exposições ambientais crónicas, discutindo novas maneiras de ver a anatomia molecular do tecido pulmonar e septos alveolares, e delinear abordagens atuais e futuras para a preservação ou função de células-estaminais no reforço das vias aéreas. INFEÇÕES Destaco o simpósio a ERS e a Tuberculose: Este simpósio destacou as principais ações do núcleo na prevenção e controle da tuberculose e atualizou as novas diretrizes da ATS (que tinham sido desenvolvidas em colaboração com a ERS) e o requisito de que os novos regimes de tratamento para Tuberculose precisam de ter Target Product Profiles (TPPs) tal como desenvolvidos pela OMS. Durante a sessão o novo documento da OMS sobre os novos esquemas anti-TB TPPs foi oficialmente lançado. REABILITAÇÃO RESPIRATÓRIA Destacaria o Simpósio sobre o Novo “statement” sobre reabilitação pulmonar onde se descreveram os principais desenvolvimentos na reabilitação pulmonar desde o “statement” ATS/ERS de 2013.

PARTICIPAÇÃO PORTUGUESA O número de abstracts enviados pelos autores portugueses (n= 117) diminuiu em relação a 2015, após três anos de tendência crescente1, com números inferiores aos dos abstracts enviados pela Grécia, Suécia e Brasil, respetivamente 136, 130 e 146. Relativamente a moderadores convidados pela Organização do Congresso, o número também caiu em relação a 2015, com apenas sete1. Apenas dois portugueses participaram como palestrantes no programa oficial e um num simpósio da indústria farmacêutica2. Assim, a “pegada” da Pneumologia portuguesa na European Respiratory Society é muito menor do que seria desejável. Qual deveria ser o nosso objetivo no futuro? Continuar a manter a Pneumologia portuguesa escondida da Europa, qual jangada de pedra, ou navegar outros mares, confiando no talento e criatividade dos mais ousados1?

Referências 1. Winck JC, Bugalho A, Drummond M, Ferreira AJ, Moreira S. Portuguese Pulmonology footprint in Europe: From abstracts to papers and grants. Rev Port Pneumol (2006). 2016 Feb 17. pii: S2173-5115(16)00011-7. doi: 10.1016/j.rppnen.2015.12.011. [Epub ahead of print] 2. http://erscongress.org/programme-2016/access-the-programme.html

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O nível de satisfação de um doente com o seu inalador tem um impacto positivo nos objetivos de tratamento da asma ao aumentar a sua adesão ao tratamento.1

Se o seu doente está controlado com Seretaide, para quê mudar? Informação de segurança Efeitos adversos muito frequentes: cefaleias; nasofaringites.2

SERETAIDE

Referências 1. Small M. et al. Adv Ther (2011); 28(3):202-212. 2. Resumo das Características do Medicamento Seretaide Diskus, março de 2015.

INFORMAÇÕES ESSENCIAIS COMPATÍVEIS COM O RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO NOME DO MEDICAMENTO: Seretaide Diskus COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA: Cada inalação disponibiliza uma dose administrada de 47 microgramas de salmeterol (sob a forma de xinafoato de salmeterol) e 92, 231 ou 460 microgramas de propionato de fluticasona. Isto corresponde a um recipiente unidose de 50 microgramas de salmeterol (sob a forma de xinafoato de salmeterol) e 100, 250 ou 500 microgramas de propionato de fluticasona. FORMA FARMACÊUTICA: Pó para inalação, em recipiente unidose. INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS Asma: Tratamento regular da asma, quando for adequada a utilização de um medicamento com esta associação (agonista β2 de longa duração de ação e corticosteroide inalado), i.e., em doentes não controlados adequadamente com corticosteroide inalado e agonista β2 de curta duração de ação inalado, quando necessário, ou em doentes já controlados adequadamente com corticosteroide inalado e agonista β2 de longa duração de ação. A dosagem de Seretaide Diskus 50 microgramas/100 microgramas não é adequada em adultos e crianças com asma grave. DPOC: tratamento sintomático de doentes com DPOC, com VEMs <60% do previsto normal (prébroncodilatador) e antecedentes de exacerbações repetidas, que apresentem sintomas significativos, apesar da terapêutica broncodilatadora regular. POSOLOGIA E MODO DE ADMINISTRAÇÃO: Via inalatória. Os doentes devem ser informados de que, para obtenção do benefício máximo, Seretaide Diskus tem de ser administrado diariamente, mesmo quando assintomáticos. Os doentes devem ser regularmente reavaliados pelo médico, para assegurar que a dosagem de Seretaide que utilizam se mantém adequada, devendo esta ser alterada apenas por indicação do médico. A dose deve ser ajustada à dose mínima que permita manter o controlo eficaz dos sintomas. Nos casos em que se mantém o controlo dos sintomas com a dosagem mais baixa da associação, duas vezes por dia, poderá numa fase seguinte, incluir testar a monoterapia com corticosteroide inalado. Como alternativa, para os doentes que necessitam de um agonista β2 de longa duração de ação, a dose de Seretaide pode ser titulada para uma administração diária. No caso da posologia indicada ser de uma administração por dia, esta deve ser de manhã ou de noite conforme o doente apresentar respetivamente uma história de sintomatologia diurna ou noturna. Os doentes deverão receber a dosagem de propionato de fluticasona apropriada à gravidade da sua doença. Asma Adultos e adolescentes (≥ 12 anos): uma inalação de 50 microgramas de salmeterol e 100, 250 ou 500 microgramas de propionato de fluticasona, duas vezes por dia. Poderá considerarse utilizar Seretaide a curto prazo, como terapêutica inicial de manutenção em adultos ou adolescentes com asma moderada persistente para os quais um rápido controlo da asma é essencial. Nestes casos, a dose inicial recomendada é de uma inalação de 50 microgramas de

PRT/SFC/0003/15a Data de preparação: Fevereiro 2016

Salmeterol e Propionato de fluticasona

salmeterol e 100 microgramas de propionato de fluticasona duas vezes por dia. Uma vez conseguido o controlo da asma, o tratamento deve ser revisto e deverá considerar-se a possibilidade de os doentes passarem para monoterapia com corticosteroide inalado. É importante a avaliação regular dos doentes quando a terapêutica é reduzida. Na ausência de um ou dois dos critérios de gravidade da doença não foi demonstrado um benefício claro comparativamente à monoterapia de propionato de fluticasona inalado como terapêutica inicial de manutenção. Em geral, os corticosteroides inalados, continuam a ser a terapêutica de primeira linha para a maioria dos doentes. Seretaide não se destina ao controlo inicial da asma ligeira. A dosagem de Seretaide 50 microgramas/100 microgramas não é adequada para adultos e crianças com asma grave; recomenda-se que a dose apropriada de corticosteroide inalado seja estabelecida antes de usar qualquer associação fixa em doentes com asma grave. Crianças (≥ 4 anos): uma inalação de 50 microgramas de salmeterol e 100 microgramas de propionato de fluticasona, duas vezes por dia. A dose máxima de propionato de fluticasona aprovada nas crianças e fornecida por Seretaide, é de 100 microgramas duas vezes/dia. DPOC Adultos: uma inalação de 50 microgramas de salmeterol e 500 microgramas de propionato de fluticasona duas vezes por dia. Grupos especiais de doentes: Não é necessário ajuste da dose em doentes idosos ou em doentes com compromisso renal. Não estão disponíveis dados sobre a utilização de Seretaide em doentes com compromisso hepático. CONTRAINDICAÇÕES: Hipersensibilidade às substâncias ativas ou a qualquer um dos excipientes. ADVERTÊNCIAS E PRECAUÇÕES ESPECIAIS DE UTILIZAÇÃO: Não deve ser utilizado no tratamento dos sintomas agudos da asma. Podem ocorrer acontecimentos adversos graves relacionados com a asma e exacerbações durante o tratamento. O aumento da necessidade de utilização de medicação de alívio ou a diminuição da resposta à medicação de alívio indicam deterioração do controlo da doença. Em doentes com DPOC com exacerbações, é geralmente indicado o tratamento com corticosteroides sistémicos. O tratamento com Seretaide não deve ser interrompido bruscamente em doentes com asma devido ao risco de exacerbação. Em doentes com DPOC, a cessação da terapêutica poderá estar também associada à descompensação sintomática. Administrar com precaução em doentes com tuberculose pulmonar ativa ou quiescente e em caso de infeções fúngicas, víricas ou outras infeções das vias respiratórias, em doentes com problemas cardiovasculares graves ou arritmias cardíacas e em doentes com diabetes mellitus, tirotoxicose, hipocaliemia não corrigida ou em doentes predispostos a baixos níveis séricos de potássio. Poderá ocorrer broncospasmo paradoxal. Notificados os efeitos indesejáveis farmacológicos da terapêutica com agonistas β2 e poderão ocorrer efeitos sistémicos dos corticosteroides, particularmente se prescrito em doses elevadas por períodos prolongados. Seretaide contém até 12,5 miligramas/dose de lactose, o que não causa normalmente

problemas nos doentes com intolerância à lactose. O tratamento prolongado com doses elevadas de corticosteroides inalados pode resultar em depressão da função suprarrenal e crise adrenérgica aguda. Os doentes transferidos da terapêutica com esteroides orais poderão permanecer em risco de diminuição da reserva suprarrenal. O ritonavir (e outros inibidores potentes do CYP3A) pode aumentar consideravelmente as concentrações plasmáticas de propionato de fluticasona. Houve um aumento das notificações de infeções do trato respiratório inferior (particularmente pneumonia e bronquite) em doentes com DPOC. Doentes idosos, doentes com um índice de massa corporal baixo (<25 kg/m2) e doentes com doença muito grave (VEMs<30%) apresentaram o maior risco de desenvolver pneumonia independentemente do tratamento. O uso concomitante de cetoconazol sistémico aumenta significativamente a exposição sistémica ao salmeterol, o que poderá levar ao aumento da incidência de efeitos sistémicos (p.ex. prolongamento do intervalo QTc e palpitações). População pediátrica Crianças e adolescentes <16 anos que tomem doses elevadas de propionato de fluticasona (normalmente ≥ 1000 microgramas/dia) poderão estar particularmente em risco. Consultar RCM completo. EFEITOS INDESEJÁVEIS: Muito frequentes: cefaleias, nasofaringite. Frequentes: candidíase da boca e garganta, pneumonia, bronquite, hipocaliemia, irritação da garganta, rouquidão/disfonia, sinusite, contusões, cãibras musculares, fraturas traumáticas, artralgia e mialgia. Pouco frequentes: reações de hipersensibilidade cutânea, sintomas respiratórios (dispneia), hiperglicemia, ansiedade, alterações do sono, tremor, cataratas, palpitações, taquicardia, fibrilhação auricular e angina de peito. Raros: candidíase esofágica, angioedema (principalmente edema facial e edema orofaríngeo), sintomas respiratórios (broncospasmo), reações anafiláticas incluindo choque anafilático, Síndrome de Cushing, manifestações Cushingoides, supressão da função suprarrenal, atraso do crescimento em crianças e adolescentes, diminuição da densidade mineral óssea, alterações comportamentais incluindo hiperatividade psicomotora e irritabilidade (predominantemente em crianças), glaucoma, arritmias cardíacas (incluindo taquicardia supraventricular e extrassístoles), broncospasmo paradoxal. Desconhecidos: depressão, agressividade (predominantemente em crianças). TITULAR DA AIM: Glaxo Wellcome Farmacêutica, Lda. R. Dr.António Loureiro Borges, 3 Arquiparque, Miraflores 1495131 Algés DATA DE REVISÃO DO TEXTO: março 2015. Consultar o RCM completo para informação detalhada. Para mais informação deverá contactar o titular da AIM. Medicamento Sujeito a Receita Médica. Comparticipação: Escalão B. Regime Geral: 69%. Regime Especial: 84%. Para mais informações ou em caso de suspeita de acontecimento adverso contactar o Departamento Médico da GlaxoSmithKline - Telf: +351 21 412 95 00.

Glaxo Wellcome Farmacêutica, Lda. R. Dr. António Loureiro Borges, 3 Arquiparque, Miraflores 1499-013 Algés, Portugal Tel.: + 351 21 412 95 00 Fax: + 351 21 412 18 57 Nº Cont.: 500127328


DOSSIÊ :: ERS INTERNATIONAL CONGRESS

“LUNG CANCER, NONINVASIVE MOLECULAR TREATMENT AND MONITORING” Parte do sucesso destas novas terapias está associado ao uso de biomarcadores preditivos para identificar os doentes que têm maior probabilidade de responder ao tratamento. Infelizmente, mesmo nos doentes onde o tratamento se revela inicialmente eficaz, é comum o reaparecimento da doença oncológica por aquisição de resistência terapêutica. Neste contexto, onde o sucesso do tratamento depende em boa parte das características do cancro, é fundamental que as decisões terapêuticas tomadas durante a

PROF. DOUTOR JOSÉ CARLOS MACHADO VICE-PRESIDENTE DO INSTITUTO DE PATOLOGIA E IMUNOLOGIA MOLECULAR DA UNIVERSIDADE DO PORTO (IPATIMUP)

A transformação de uma célula normal numa célula cancerosa depende da acumulação de alterações genéticas oncogénicas e da reprogramação da diferenciação da célula. Muitos destes mecanismos de transformação estão hoje identificados em vários modelos de cancro. A nível clínico este conhecimento tem tido impacto no desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas mais eficazes e mais específicas.

progressão da doença sejam baseadas em informação que inclui as características moleculares do cancro no momento em que a decisão tem que ser tomada. Esta pretensão não corresponde à realidade atual, em boa medida porque obter biópsias tumorais dum doente com cancro após progressão é frequentemente difícil, pode comportar riscos importantes para o doente e é mesmo impossível em algumas situações. Assim, há uma necessidade urgente de desenvolver uma nova estratégia para a avaliação de alterações genéticas somáticas clinicamente relevantes no diagnóstico e durante a progressão da doença, utilizando fontes alternativas de ácidos nucleicos do tumor. O projeto que temos vindo a desenvolver demonstra que é possível utilizar amostras de sangue periférico (biópsia líquida) como alternativa às biópsias tumorais para a identificação de alterações somáticas do cancro, quer aquando do diagnóstico quer durante a progressão da doença. A concretização deste projeto permitirá disponibilizar uma solução simples para a rotina de recolha de material biológico para análise molecular e para informar a decisão terapêutica em todas as fases de acompanhamento clínico do doente com cancro. Neste projeto tiramos partido da existência em circulação de ácidos nucleicos libertados por células cancerosas para detetar mutações somáticas. O estudo que estamos a realizar no i3S/ /Ipatimup, com o apoio financeiro do Fundo para a Investigação em Saúde - Infarmed é prospetivo e observacional e inclui mais de 100 doentes com adenocarcinoma do pulmão em estádio avançado (IIIB/IV) seguidos no Centro Hospitalar de São João. Para cada

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PARTE DO SUCESSO DESTAS NOVAS TERAPIAS ESTÁ ASSOCIADO AO USO DE BIOMARCADORES PREDITIVOS PARA IDENTIFICAR OS DOENTES QUE TÊM MAIOR PROBABILIDADE DE RESPONDER AO TRATAMENTO

doente, as amostras sanguíneas são colhidas em três fases: 1) Aquando do diagnóstico e previamente ao início de tratamento: 2) Aquando do início do tratamento e mensalmente durante o tratamento; 3) Após recidiva. Neste momento já recolhemos mais de 1500 amostras de sangue e amostras do respetivo tumor primário. No nosso estudo, a deteção e quantificação das mutações somáticas no plasma e em tumor primário é realizada através de sequenciação de nova geração (NGS) e inclui a deteção de 500 mutações (SNVs, indels e translocações cromossómicas) em 22 genes, incluindo o EGFR, ALK e outros potencialmente responsáveis por resistência à terapia ou que possam representar alvos terapêuticos adicionais para o cancro do pulmão. Este projeto tem e terá um impacto importante na gestão clínica de doentes, introduzindo o conceito de biópsia líquida na rotina clinica. Na sequência deste projeto, as biópsias líquidas já estão a ser utilizadas por vários centros clínicos em Portugal para diagnóstico, para caracterização do tumor para seleção de terapia, para controlar a resposta do tumor à terapia, para a deteção de doença residual após a cirurgia, e para o acompanhamento da doença a longo prazo.


SERVIÇO ENDOCRINOLOGIA, DIABETES E METABOLISMO DO CENTRO HOSPITALAR S. JOÃO :: REPORTAGEM

ENDOCRINOLOGIA DO SÃO JOÃO

A CIÊNCIA AO SERVIÇO DO DOENTE O Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo do Centro Hospitalar de São João, no Porto, é um centro de referência para o tratamento das doenças endócrinas e, a atestá-lo, estão as mais 24.400 consultas externas realizadas no ano passado, afirma o seu diretor, Prof. Doutor Davide Carvalho.

Médico News (MN) | Como apresenta o Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo do Hospital de São João? Prof. Doutor Davide Carvalho (DC) | O nosso Serviço nasceu a partir da Unidade de Endocrinologia que existia no Serviço de Medicina 1 e depois 4 deste Hospital. Em termos de funcionamento temos uma longa tradição de autonomia, mas como Serviço propriamente dito somamos pouco mais de 10 anos de existência. Trata-se de um Serviço, como naturalmente se depreende, vocacionado para o tratamento de toda a patologia endócrina, tendo referência direta, nomeadamente, dos Agrupamentos de Centros de Saúde do Porto Oriental, Maia/Valongo. Acabamos por receber também muita referenciação indireta, por exemplo, de Viana do Castelo, da URS do Alto Minho e da região do Tâmega e Sousa para patologia hipotálamo hipofisária, pé diabético etc. Este Serviço é, ainda, um centro de referência ou de elevada diferenciação para o tratamento cirúrgico da obesidade e para o uso de bombas infusoras de insulina e, indiretamente, centro de referência para o tratamento da hipófise – temos uma consulta de grupo com os colegas da Neurocirurgia. Em suma, o Serviço regista uma referência direta relativamente pequena, de cerca de meio milhão de pessoas, mas a indireta atinge quase dois milhões, porquanto abrange patologias mais específicas que não podem ser tratados noutros serviços de Endocrinologia. Em linha com as três principais funções de qualquer serviço hospitalar, o nosso possui também funções assistenciais, de ensino e de investigação. No que se refere ao ensino, recebemos estudantes da Faculdade de Medicina do Porto e disponibilizamos estágios para psicólogos, nutricionistas e podólogos. Fazemos ainda formação pós-graduada, dirigida, nomeadamente, a internos de Endocrinologia,

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REPORTAGEM :: SERVIÇO ENDOCRINOLOGIA, DIABETES E METABOLISMO DO CENTRO HOSPITALAR S. JOÃO

Medicina Interna, Medicina Geral e Familiar, do Ano Comum e de Patologia Clínica. No que se refere à investigação temos diversas linhas – de que é exemplo a do carcinoma da tiroide, desenvolvida em colaboração com o IPATIMUP –, sendo que fazemos também investigação na área do metabolismo, nomeadamente obesidade, lipodistrofias, lispostrofias da infeção por VIH e adenomas da hipófise, da patogénese ao tratamento integrados no I3s. Fazemos, ainda, ensaios clínicos envolvendo diversas áreas e opções. MN | Quantos médicos integram este Serviço? DC | O Serviço conta com 12 médicos do quadro e estamos em vias de conseguir a contra-

tação de um 13.º. Contamos também, como habitualmente, com dois internos por cada ano, o que significa que, na prática, são dez. Algo que muito nos orgulha é o facto de logo no primeiro dia de escolha dos internos o nosso Serviço esgotar as suas vagas, o que interpretamos como um reconhecimento do bom acolhimento e formação que o Serviço proporciona. Acresce que recebemos ainda todos os meses três internos de Medicina Geral e Familiar para fazerem um estágio de um ou dois meses e um de Medicina Interna, assim como internos de Patologia Clínica, que connosco estagiam alguns meses, em particular na área dos estudos dinâmicos endócrinos. No que concerne à estrutura do Serviço, oferecemos um internamento com seis camas,

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assim como Hospital de Dia. No ano passado registámos 255 internamentos, com uma demora média de 6,01 dias. A taxa de ocupação rondou os 91% e fizemos 24.441 consultas, das quais 4.380 primeiras consultas. MN | Em termos de patologias, quais são as que observam com maior frequência? DC | De acordo com as definições no que concerne à referenciação, o nosso Serviço presta cuidados a todas as patologias do foro endócrino. Porém, a maior parte dos doentes


SERVIÇO ENDOCRINOLOGIA, DIABETES E METABOLISMO DO CENTRO HOSPITALAR S. JOÃO :: REPORTAGEM

o metabolismo e o cancro. Neste contexto, estamos prestes a dar início a um projeto do Horizonte 2020 com vista ao estudo de fatores metabólicos em doentes diabéticos que desenvolveram cancro. O objetivo é, precisamente, tentar compreender esta ligação. PORTUGAL CENTRO DA ENDOCRINOLOGIA EUROPEIA

que observamos é composta por diabéticos, em particular tipo 1. Neste contexto importa referir que somos centro de referência para a colocação de bombas infusoras de insulina. Os diabéticos tipo 2 que nos são referenciados conferem uma de duas situações em particular: apresentam hemoglobinas glicadas elevadas (8%, dificuldade de controlo) ou têm complicações – por exemplo nefrológicas ou decorrentes do Pé Diabético, assim como problemas macrovasculares que requerem a nossa colaboração, em paralelo ao

seguimento que lhes é já prestado noutras unidades do hospital. Temos, inclusivamente, uma consulta específica para o pé diabético, que realizamos em conjunto com a Cirurgia Vascular e com a Ortopedia. Registamos, igualmente, um elevado número de doentes obesos. Neste momento são operados cerca de 500 doentes por ano, o que significa que são observados e preparados por nós. Na maioria dos casos estas cirurgias de obesidade são de bypass ou sleeve (a colocação de bandas gástricas, por exemplo, corresponde a um número relativamente pequeno). Observamos, também, um elevado número de patologias da tiroide, muito frequentes quer em termos funcionais, hipotiroidismos e hipertiroidismos, quer em termos de alterações morfológicas – bócios uninodulares ou multinodulares. Temos ainda uma consulta específica de Oncologia Endócrina, na qual a maioria dos casos é, obviamente, de cancro da tiroide. Cabe aqui sublinhar que graças à excelente colaboração que mantemos com o IPATIMUP acabamos por fazer também investigação nesta área. Estamos ligados ao Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), no âmbito do qual temos um grupo de investigação sobre as doenças endócrinas da nutrição e do metabolismo que desenvolve investigação própria. Hoje em dia valorizam-se muito as relações entre

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MN | A Endocrinologia nacional acompanha o estado da arte a nível internacional? DC | Sim, efetivamente sim, acompanha. Somos reconhecidos pela União Europeia Monoespecializada como um centro de referência para a formação. Em termos gerais diria que estamos bem. Veja, por exemplo, que em 2017 Portugal vai ser o centro de toda a Endocrinologia europeia, porque vamos ter o Congresso Europeu de Obesidade, a realizar de 18 a 20 de maio, no Porto, o Congresso Europeu de Endocrinologia, de 20 a 22 de maio, em Lisboa, e o Congresso da Associação Europeia para o Estudo da Diabetes, de 11 a 15 de setembro, em Lisboa. O próximo ano vai, na verdade, ser o ano de todos os grandes eventos nesta área. Acresce o facto de a Prof.ª Doutora Paula Freitas, presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade, ser membro do Comité executivo da European Association for the Study of Obesity, a Dr.ª Conceição Pereira fazer parte da União Europeia Mono-Especializada, enquanto eu inte-

12 PUBLICAÇÕES CIENTÍFICAS O Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo do Centro Hospitalar de São João regista, na atualidade, uma média de 12 publicações por ano em revistas indexadas com fator impacto, afirma o Prof. Doutor Davide Carvalho. Um tal volume de publicações resulta do esforço enorme que tem sido desenvolvido por toda a equipa. Temos conseguido manter uma qualidade de investigação significativa, salienta. O Serviço possui três doutorados e a curto prazo o número deve aumentar, o que reflete, nomeadamente, o interesse pela investigação e pela própria inovação ligada à investigação, conclui.


REPORTAGEM :: SERVIÇO ENDOCRINOLOGIA, DIABETES E METABOLISMO DO CENTRO HOSPITALAR S. JOÃO

gro o comité executivo da European NeuroEndocrine Association. Portanto não só estamos representados nestas entidades internacionais, como em termos gerais e de atendimento é-nos reconhecida qualidade assistencial. A única observação que faço neste domínio – e falo especificamente do nosso Serviço – é a necessidade que sentimos de ter instalações modernas e adaptadas à nova realidade. Por outro lado, em meu entender existe uma certa assimetria na organização e distribuição dos serviços de Saúde e de Endocrinologia a nível nacional. Na zona norte, por exemplo, temos mais serviços de Endocrinologia – nomeadamente em Viana do Castelo, Braga, Matosinhos, Vila Nova de Gaia, Santa Maria da Feira, Vila Real e Penafiel –, enquanto na zona sul há serviços em Lisboa, Setúbal, Almada e só muito recentemente há um endocrinolo-

OBJETIVOS A CURTO PRAZO Questionado sobre quais são os objetivos do Serviço que dirige, o Prof. Doutor Davide Carvalho afirma: numa perspetiva a cinco anos, queremos manter as áreas de grande diferenciação e, se possível, aumentar o número de doentes tratados no âmbito da cirurgia da obesidade, bem como, naturalmente, melhorar os nossos resultados a nível geral. Temos esperança de duplicar o número de doentes operados a curto prazo e queremos reforçar e alargar o papel de centro de referência para instalação de bombas infusoras de insulina e tratamento intensivo com insulina utilizando estes dispositivos. A curto prazo esperamos também poder dispor de pâncreas artificiais para os nossos doentes, o primeiro dos quais acaba de ser aprovado pela Food and Drug Administration. Queremos continuar como centro de referência para o tratamento dos adenomas da hipófise, assim como das lipodistrofias – são patologias relativamente raras, mas que requerem um cuidado especial – e estamos a trabalhar com o mesmo objetivo no que se refere ao cancro da tiroide. Claro que isto não significa menos atenção prestada a qualquer uma das outras áreas em que atuamos, destaca o Prof. Doutor Davide Carvalho.

gista em Faro e outro em Évora, o que obriga os doentes a fazerem grandes deslocações com todo o impacto negativo que daí advém não só no diagnóstico das doenças como no tratamento de proximidade. Os serviços têm, pois, que ser estruturados em termos de área de referenciação direta e indireta, o que significa que há que centralizar patologias mais raras em centros de referência para melhorar a qualidade do atendimento. Porém, muitas das doenças mais frequentes, como obesidade, diabetes e patologia tiroideia, devem ser revisadas em centros mais próximos da realidade dos doentes. MN | No que se refere à inovação em Endocrinologia, o que destaca? DC | Nos últimos anos, nomeadamente na área da diabetes tipo 1, o mais revelante tem sido o recurso a monitorização subcutânea contínua, o que nos permite ter perfis de 24 horas do controlo glicémico dos doentes. Os novos dispositivos permitem-nos esse controlo com grande facilidade e revelam-se um grande avanço, porquanto passámos a conseguir diagnosticar muitas hipoglicemias não reconhecidas pelos doentes, dando terreno a ajustes em termos de insulinoterapia. Noutras áreas temos recorrido a novos fármacos, nomeadamente análogos da somastotatina, no tratamento quer da Acromegalia, quer da síndrome de Cushing e temos usado novos inibidores da esteroidogenese também no tratamento da síndrome de Cushing – estamos a fazer ensaios clínicos nesta área. No que concerne à investigação, estamos a tentar compreender melhor quais são os fatores preditivos de mau prognóstico nos doentes com micro carcinoma da tiroide. Tradicionalmente, o microcarcinoma é uma situação benigna – são tumores com menos de 10 mm –, mas há doentes que apresentam tumores mais agressivos. Como interpretar estes casos e o que podemos fazer? Estamos, efetivamente, a trabalhar com este objetivo que irá melhorar o atendimento aos doentes. No que se refere a inovação em termos de cuidados, começou a funcionar este ano a Consulta de Transição, que possibilita às crianças e aos adolescentes passarem da Pediatria para a Endocrinologia, um processo que envolve mudança de médicos e de instalações. No período de transição as consultas de Pediatria são realizadas em conjunto com endocrinologistas de adultos. Os doentes são seguidos nesta consulta durante um ou dois anos, passando depois para a consulta de adultos.

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FORMAÇÃO É VITAL MN | O que podemos esperar da 23.ª edição do Curso de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, a realizar em abril, na cidade de Évora? DC | Temos grande tradição, também, na formação pós-graduada. Em termos de pós-graduação, realiza-se no próximo ano a 23.ª edição deste curso, efetuado pela primeira vez em 1980. No ano passado alterámos o modelo que tínhamos estado a seguir e reti-


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rámos o chamado Curso Avançado, criado há seis anos, do Curso Geral. Até então realizávamos o Curso Pós-Graduado em Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, que integrava o Curso Avançado. Mas em 2015 decidimos separar os dois cursos porque entendemos que devem ser dirigidos e ter objetivos específicos de acordo com os destinatários. O Curso Geral dirige-se, sobretudo, a médicos de Medicina Geral e Familiar, a farmacêuticos, enfermeiros e a nutricionistas, e é um curso mais generalista que abrange muitas

perspetivas da Endocrinologia, tendo por objetivo satisfazer as necessidades de formação dos médicos de família. Já o Curso Avançado procura corresponder às necessidades de formação dos internos de Endocrinologia e de atualização dos especialistas de Endocrinologia. O conflito de interesses que se gerava para os nossos internos e especialistas que por vezes não conseguiam assistir ao Curso Avançado porque participavam como formadores no Curso Geral, levou-nos a tornar os cursos independentes e esta foi, de facto, uma aposta ganha. No ano transato tivemos cerca de uma centena de participantes no Curso Avançado e cerca de 700 no Curso Geral. Para além destes cursos, realizamos também regularmente

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sessões da Academia da Diabetes, destinadas à formação de médicos de Medicina Geral e Familiar. Esta abordagem foi solicitada pelos colegas que todos os meses recebemos no Serviço, que nos fizeram sentir necessidade de formação complementar. MN | Os portugueses estão despertos para as doenças endócrinas? DC | Bom, em geral, as pessoas não sabem muito bem o que é a Endocrinologia, ainda que as doenças endócrinas sejam bastante conhecidas e referidas. Por exemplo, toda a gente sabe da existência da diabetes e da obesidade, assim como dos problemas da tiroide, mas nem sempre correlaciona estas patologias com a Endocrinologia. Importa


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NÚMEROS DO SERVIÇO Os números que se seguem dizem respeito a algumas das atividades desenvolvidas no Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo no ano passado, a saber:

referir que a Endocrinologia é uma ciência que estuda doenças de elevadíssima prevalência, nomeadamente, obesidade, diabetes e patologia tiroideia, mas mesmo entre estas patologias extremamente frequentes há pequenas variantes bastante raras. Há certas variantes da diabetes que são raras, os denominados MODYs, enquanto a causa genética mais frequente destas alterações na obesidade é a mutação do recetor da melanocortina 4. Apesar de raras, importa ter presente que estas patologias existem e são importantes. Muitas vezes, as pessoas desconhecem que estas doenças são tratadas pelos endocrinologistas, pelo que nunca será demais chamar

a atenção para este tema. Mesmo em relação aos colegas é sempre positivo reavivar estes temas, uma vez que algumas patologias relativamente raras são muitas vezes esquecidas. Estou a lembrar-me, por exemplo, das alterações do metabolismo fosfocálcico. Por vezes os doentes andam anos com o cálcio alto e a ser seguidos em Psiquiatria, chegando a estar internados, sem que o cálcio lhes seja doseado. Ora esta situação é passível de tratamento, neste caso cirurgicamente. Recordo-me, a propósito, que há algum tempo tivemos aqui no hospital uma doente com hipercalcemia em cadeira de rodas, com uma longa evolução, e que depois de convenien-

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> Hospital de Dia: 2.109 sessões (pulsos de corticoterapia, colocações de bombas infusoras e troca de bombas infusoras) > Chamadas de Consulta Interna: apoio a outros serviços, 5.885 pedidos, com um total 17.555 observações > Tratamentos na Consulta do Pé Diabético: lesão aberta com e sem infeção: 3.250 > Pressão transcutânea de O2: 200 > Suportes plantares 405; Ortoteses digitais 100; Sapato de descarga 360

temente estudada foi enviada para cirurgia tendo saído daqui curada e pelo próprio pé. Na sua história clínica esta doente tinha estado, inclusivamente, internada durante dois anos, com uma depressão grave, num hospital psiquiátrico. Isto mostra que, por vezes, mesmo na perspetiva de alguns colegas nem sempre se pensa na patologia endócrina como causa de algumas das manifestações que nos aparecem.


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NÚMERO DE DOENTES ESTÁ A AUMENTAR

CONSULTA EXTERNA Na Consulta Externa de Endocrinologia são observados doentes cujos pedidos de consulta provêm maioritariamente do exterior, nomeadamente dos Médicos de Família nos Centros de Saúde, mas também muitos doentes referenciados por médicos das diversas Especialidades do Centro Hospitalar de S. João, declara o Dr. José Luís Castedo, chamando a atenção para o facto de o número de doentes estar a aumentar.

“Até ao momento a nossa resposta em termos de triagem dos pedidos de consulta externa (P1) tem sido muito célere, situando-se abaixo da média nacional”, refere o Dr. José Luís Castedo, acrescentando que o prazo de marcação está também dentro dos parâmetros nacionais. A diabetes mellitus e as doenças da tiroide são, claramente, as patologias mais prevalentes nesta consulta. São observados também doentes com obesidade, nomeadamente obesidade mórbida, cujo tratamento prévio não foi eficaz, bem como outras patologias menos frequentes, nomeadamente patologia da hipófise, suprarrenais, do metabolismo fosfocálcico, etc, cujo estudo exige meios que não estão disponíveis no âmbito da Medicina Geral e Familiar (por exemplo, ressonância magnética e provas funcionais), acrescenta o especialista.

A consulta externa de Endocrinologia, prossegue, disponibiliza várias consultas específicas, de que são exemplo, entre outras, a de Bombas Infusoras de Insulina, a de Medicina Sexual (recentemente criada para melhor acompanhamento deste grupo de patologias, incluindo o elevado número de indivíduos transsexuais), a de Oncologia Endócrina e a de Preconceção, para a qual são encaminhadas as doentes (nomeadamente diabéticas e com patologia tiroideia) que necessitam de acompanhamento específico pré-conceção. “Nos primeiros nove meses do corrente ano fizemos cerca de 2.500 primeiras consultas e quase 13 mil subsequentes, totalizando, portanto, cerca de 15.300 consultas realizadas entre janeiro e setembro”, adianta, salientando novamente que o número de pedidos de consulta tem vindo a aumentar, o que poderá vir a refletir-se nas listas de espera, particular-

mente se não forem contratados especialistas que permitam colmatar as saídas dos que, nos últimos dois anos, deixaram o Serviço. Para além do caráter assistencial da Consulta Externa, o Dr. José Luís Castelo refere ainda a existência de uma vertente formativa na área da Endocrinologia que tem como destinatários os colegas da Medicina Geral e Familiar e de outras especialidades que efetuam estágios no Serviço.

TRATAR E INVESTIGAR PARA GANHAR EM SAÚDE Casos de doença autoimune da tiroide, doença de Graves e tiroidite de Hashimoto são muito frequentes na Consulta Externa e, simultaneamente, revelam-se como alguns dos mais observados pelo Dr. Celestino Neves, responsável por investigação clínica a decorrer nesta valência. No que se refere concretamente à doença de Graves, o especialista diz que se trata de uma patologia exuberante, com sintomatologias mais acentuadas em relação à qual, salienta, o tratamento deve ser determinado em conjunto com a Oftalmologia. “Em algumas fases desta doença, regista-se desfiguração em termos de atingimento de oftalmopatia”, explica. Sobre a consulta dedicada à diabetes tipo 1, o Dr. Celestino Neves declara que concentra os casos mais complicados da patologia: “quando não se consegue atingir o controlo metabólico com múltiplas injeções diárias, então faz-se a administração com bombas infusoras de insulina. Esta é, sem sombra de dúvida, uma

consulta muito importante para o Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo. É multidisciplinar e tem a participação da enfermagem”, adianta. Na área da Consulta Externa o especialista identifica ainda uma vertente com cada vez maior destaque, envolvendo os ensaios clínicos. “Por tradição estes ensaios costumam fazer-se no Hospital de Dia, mas ultimamente passaram a ser realizados também aqui. São efetuados por uma equipa diferenciada da Endocrinologia”, diz, salientando que contam com a colaboração de pessoal de Enfermagem com treino específico. Na atualidade, prossegue, há ensaios clínicos a decorrer na área da

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diabetes tipo 1, envolvendo fármacos já usados na diabetes tipo 2. O objetivo é perceber se os benefícios observados na diabetes tipo 2 podem ser transladados para a diabetes tipo 1. Estão igualmente em curso ensaios clínicos na diabetes tipo 1 na perspetiva de preservação da célula beta – pessoas que têm diagnóstico recente de diabetes tipo 1, com alguma reserva pancreática. Em termos de investigação interessa verificar se anticorpos monocolonais conseguem diminuir o processo de destruição autoimune da célula beta na diabetes tipo 1, acrescenta o Dr. Celestino Neves, responsável por estes ensaios, avançando ainda a existência de outros no Hospital de Dia.


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UMA DOENÇA CRÓNICA E COMPLEXA

OBESIDADE A Consulta Multidisciplinar do Tratamento Cirúrgico da Obesidade envolve três fases, a primeira das quais corresponde ao pré-operatório, a segunda à cirurgia e a terceira ao seguimento do doente, explica a Prof.ª Doutora Paula Freitas, responsável de Endocrinologia. Na primeira fase os doentes são observados por especialistas em Endocrinologia, Nutrição, Cirurgia, Psiquiatria, Psicologia e Anestesia e, se necessário, por Pneumologia e Cardiologia. Esta avaliação permite, nomeadamente, excluir a patologia endócrina ou genética e avaliar se o doente tem critérios para a cirurgia – verifica-se que a maior parte tem obesidade exógena. Os critérios para a cirurgia são ter índice de massa corporal superior a 40 ou a 35 kg/m2 com doenças associadas (diabetes, hipertensão, apneia do sono, etc), não ter dependência de álcool ou drogas, apresentar uma obesidade estável, ter feito, pelo menos, um ano de intervenção nutricional estruturada e estar ciente de que é preciso mudar de comportamentos em termos de estilo de vida (alimentação e prática regular de exercício físico) para sempre. Após a cirurgia, os doentes são observados semestralmente durante três anos e depois anualmente durante mais três anos. Após estes seis anos, são orien-

tados para o seu médico assistente, devendo regressar à Endocrinologia dentro de dois ou três anos para nova observação. De referir que a média de consultas semanais realizadas nesta valência é de 60, mas a intenção é aumentar o número devido à existência de uma lista de espera longa de doentes que pretendem submeter-se a cirurgia, adianta. No presente, o perfil do obeso mostra que é mulher – 60% dos casos – e que tem cerca de 40 anos. Dados recentes divulgados pelo Eurostat indicam que, pela primeira vez, a taxa de obesidade em Portugal é maior nas mulheres do que nos homens, contrariamente ao apurado em estudos anteriores. A Prof.ª Doutora Paula Freitas deixa, entretan-

ECOGRAFIAS E BIÓPSIAS NA COMPETÊNCIA DO SERVIÇO DE ENDOCRINOLOGIA Fazer ecografias da tiroide e biopsias ecoguiadas é, desde julho, uma competência do Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, declara a Dr.ª Eva Lau, responsável por esta valência. “Trata-se de uma decisão que faz todo o sentido, uma vez que a observação destes doentes é feita pelo nosso Serviço. Numa só consulta é possível fazer ecografia e biópsia, sempre que necessária, e de seguida orientar o doente. “Para além de proporcionar uma gestão de recursos mais eficaz, a medida revela-se de maior comodidade para o doente, permitindo ainda economia de recursos”, salienta. Anteriormente, depois de observado o doente

e quando pedida ecografia, este tinha que se deslocar à Radiologia para se submeter ao exame, recorda a especialista. Com o objetivo de assumir a responsabilidade por esta valência do Serviço, a Dr.ª Eva Lau fez um estágio na Universidade de Pisa, em Itália, identificada como um centro de referenciação internacional no âmbito das doenças da tiroide, onde adquiriu as devidas competências que a habilitam a fazer ecografias e biopsias.

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to, um alerta ao sublinhar que a obesidade é uma doença e complexa. “Não podemos ser redutores e pensar que a obesidade é apenas uma falência individual. Existem muitos outros fatores, nomeadamente genéticos, sociais, psicológicos, microrganismos, microflora intestinal… até a evolução da temperatura do planeta e das casas pode ter impacto na obesidade”, explica. São necessárias políticas de saúde para o tratamento da obesidade – uma doença crónica que requer equipas multidisciplinares para a tratar –, sendo fundamental investir na prevenção da patologia logo desde a infância através da promoção de estilos de vida saudáveis. “Só assim será possível termos menos obesos no futuro do que hoje”, conclui.


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NOVAS GUIDELINES PARA O DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA AGUDA E CRÓNICA A apresentação das novas guidelines para o diagnóstico e tratamento da insuficiência cardíaca (IC) aguda e crónica foram o marco da Conferência da European Society of Cardiology (ESC) dedicada à IC, Heart Failure 2016. Em entrevista, a Prof.ª Doutora Cândida Fonseca, coordenadora do Grupo de Estudos de Insuficiência Cardíaca (GEIC) da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) partilha as principais novidades que farão, a partir de agora, parte do dia-a-dia dos clínicos.

De acordo com a cardiologista, as novidades dizem respeito à publicação de novas guidelines da European Society of Cardiology, bem como à atualização das guidelines americanas que trazem algumas inovações: “As europeias, nomeadamente, reportam novidades nas várias secções”, afirma e destaca “o diagnóstico, por exemplo, agora mais baseado numa suspeição clínica e no elevado valor preditivo negativo dos péptideos natriureticos que quando baixo permite excluir o diagnóstico de IC, mas também a classificação da IC propriamente dita.” E acrescenta: “Ou seja, falávamos de IC com fração de ejeção deprimida e com fração de injeção preservada. Agora existe a IC com fração de injeção intermédia, que se posiciona entre os 40 e os 49%, grupo sobre o qual não sabemos muito mas que vai seguramente impulsionar a investigação nesta área.” Ao nível dos algoritmos de tratamento da IC crónica, a Prof.ª Doutora Cândida Fonseca explica que surge

AO NÍVEL DOS ALGORITMOS DE TRATAMENTO DA IC CRÓNICA, A PROF.ª DOUTORA CÂNDIDA FONSECA EXPLICA QUE SURGE AGORA UM NOVO FÁRMACO – SACUBITRIL/ /VALSARTAN: “TRATA-SE DE UM FÁRMACO CAPAZ DE ANTAGONIZAR OS RECETORES DE ANGIOTENSINA (VALSARTAN) E A NEPRILISINA E QUE MOSTROU, QUANDO COMPARADO COM A TERAPÊUTICA PADRÃO COM ENALAPRIL, DIMINUIR AINDA MAIS A MORTALIDADE E A HOSPITALIZAÇÃO. PORTANTE, É UM AVANÇO ESSENCIAL E QUE NOS VAI PERMITIR TRATAR MELHOR OS NOSSOS DOENTES.”

agora um novo fármaco – sacubitril/valsartan: “Trata-se de um fármaco capaz de antagonizar os recetores de angiotensina (valsartan) e a neprilisina e que mostrou, quando comparado com a terapêutica padrão com enalapril, diminuir ainda mais a mortalidade e a hospitalização. Portante, é um avanço essencial e que nos vai permitir tratar melhor os nossos doentes.” As indicações para a colocação de dispositivos de

ressincronização cardíaca com ou sem desfibrilhador implantável também sofreram alterações, “baseadas nos últimos estudos sobre ressincronização cardíaca nos doentes com insuficiência cardíaca e fração de ejeção deprimida”, assegura a coordenadora do GEIC. Por fim, no que diz respeito à insuficiência cardíaca aguda, “há um novo algoritmo de tratamento também baseado no perfil clínico dos doentes que apresentam em

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insuficiência cardíaca aguda e que é uma forma interessante e concomitantemente diferente das guidelines anteriores, de abordar estes doentes”. No que concerne o tratamento, a ideia, no caso da IC aguda, é extrapolar para a IC o conceito já há muito interiorizado para as síndromes coronárias agudas de que o tempo é miocárdio e tratar de forma eficaz e dirigida, com a maior rapidez possível, os doentes com IC aguda, de forma a melhorar o prognóstico.


TZILP163S1UR â&#x20AC;&#x201C; elaborado em maio de 2016


HEART FAILURE 2016

GUIDELINES E NOVOS FÁRMACOS MARCARAM HEART FAILURE 2016 “Esta reunião magna constitui uma excelente oportunidade para os seus participantes ouvirem e discutirem com os maiores especialistas mundiais da área, o quer constitui obviamente uma experiência muito enriquecedora”. A visão do Prof. Doutor Adelino Leite Moreira, cirurgião cardiotorácico do Centro Hospitalar de São João, em entrevista ao Médico News, sobre as mais recentes novidades apresentadas no Heart Failure.

HÁ SISTEMATICAMENTE UM CONJUNTO DE RESULTADOS DE GRANDE RELEVÂNCIA QUE SÃO DIVULGADOS NESTA REUNIÃO CIENTÍFICA, ALGUNS DOS QUAIS COM IMPACTO IMEDIATO NA PRÁTICA CLÍNICA

Médico News (MN) | O Heart Failure é a reunião magna europeia da Medicina Cardiovascular, com foco na insuficiência cardíaca. Enquanto especialista, como considera o retorno deste evento científico para os seus participantes ao nível da aquisição de novos conhecimentos para a prática clínica? Prof. Doutor Adelino Leite Moreira (ALM) | Embora focado na insuficiência cardíaca, o programa científico do Heart Failure é sempre bastante abrangente e conta com inúmeras novidades. De facto, há sistematicamente um conjunto de resultados de grande relevância que são divulgados nesta reunião científica,

ciência cardíaca, a Reunião contou com um conjunto de sessões sobre novos fármacos para a insuficiência cardíaca, bem como a divulgação de resultados relativos à utilização e potencialidade de dispositivos, nomeadamente no que respeita ao suporte circulatório mecânico, cardiodesfibriladores implantáveis e terapia de ressincronização cardíaca. De salientar também as apresentações sobre comorbilidades e sobre a influência do estilo de vida e exercício físico na insuficiência cardíaca. Houve ainda espaço para levantar um pouco o véu sobre o que o futuro nos poderá trazer relativamente à evolução tecnológica ao nível da imagiologia 3D e biomarcadores aplicados à insuficiência cardíaca, bem como novas abordagens para explorar o

alguns dos quais com impacto imediato na prática clínica. Este ano houve ainda a particularidade do lançamento das novas normas de orientação clínica (guidelines) relativas à insuficiência cardíaca. Finalmente, esta reunião magna constitui uma excelente oportunidade para os seus participantes ouvirem e discutirem com os maiores especialistas mundiais da área, o quer constitui obviamente uma experiência muito enriquecedora. MN | Quais as principais novidades avançadas nesta edição do Heart Failure? ALM | Para além de várias apresentações com temas no âmbito das novas guidelines da insufi-

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potencial das células estaminais para o seu tratamento. MN | A incidência da insuficiência cardíaca em Portugal é um dos aspetos mais preocupantes na área da Cardiologia. Estas preocupações foram respondidas no Heart Failure 2016? ALM | A insuficiência cardíaca é de facto muito prevalente e o seu prognóstico ainda sombrio, apesar dos enormes progressos feitos nas últimas décadas para a sua prevenção e tratamento. Contudo à medida que se resolvem alguns problemas, novos desafios se levantam, sendo que no que respeita à insuficiência cardíaca, a Cardiologia e a cirurgia cardíaca têm sido “vítimas” do seu próprio sucesso. De facto, o aumento da eficácia do tratamento das doenças cardiovasculares tem felizmente permitido que um número crescente de pacientes sobreviva a essas doenças, mas tem como contrapartida o problema de que alguns desses sobreviventes vêm a desenvolver mais tarde insuficiência cardíaca. Além disso, o aumento da longevidade, com o consequente envelhecimento da população, aliado ao aumento da prevalência de obesidade, diabetes e outros fatores de risco cardiovascular têm também contribuído decisivamente


HEART FAILURE 2016

para a crescente incidência da insuficiência cardíaca em tudo o mundo, e Portugal não é exceção. Todos os anos, o Heart Failure procura dar algumas respostas às inúmeras questões sobre esta problemática e em 2016, mais uma vez, houve perguntas importantes que foram respondidas, mas muitas outras continuam a aguardar investigação intensa para a sua resolução, pelo que aguardamos ansiosamente pelo próximo Heart Failure para desvendarmos mais um pouco dos mistérios que envolvem este complexo síndrome. MN | Um dos hot topics da Reunião foi a apresentação das mais recentes guidelines em insuficiência cardíaca. O que trazem de novo? ALM | As novas guidelines de insuficiência cardíaca (IC) constituem uma excelente atualização e revisão das recomendações prévias que já tinham quatro anos. Trata-se globalmente de um excelente documento com inúmeras novidades a merecer uma leitura atenta por todos os que lidam com estes doentes. Desde logo, é de salientar que este documento integra recomendações relativamente à insuficiência cardíaca aguda e crónica havendo uma preocupação clara de sublinhar que estamos a falar sempre da mesma doença

HOUVE PERGUNTAS IMPORTANTES QUE FORAM RESPONDIDAS, MAS MUITAS OUTRAS CONTINUAM A AGUARDAR INVESTIGAÇÃO INTENSA PARA A SUA RESOLUÇÃO

embora em fases diferentes da sua manifestação clínica. Relativamente à classificação é de realçar a introdução de uma nova classe, até agora pouco estudada, que integra os pacientes com disfunção intermédia da função ventricular esquerda (FE 40-49%). Quanto ao diagnóstico, surgem dois conceitos importantes: o de que sem sintomatologia não existe insuficiência cardíaca e o de diagnóstico por probabilidade de se ter a doença, utilizando não só a história clínica

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e o exame físico, mas também o cut-off dos peptídeos natriuréticos (BNP ou NT-proBNP > 35 ou 135 pg/mL). No que concerne ao tratamento, destaca-se a introdução do sacubitril/valsartan nas recomendações, as alterações nas indicações para a terapia de ressincronização ventricular e a definição do papel da ivabradina. Para terminar destacamos a introdução de novos algoritmos para o diagnóstico e terapêutica da insuficiência cardíaca.


HEART FAILURE 2016

NOVIDADES CIENTÍFICAS NO HEART FAILURE

DR.ª LUCY CALVO INTERNA DE FORMAÇÃO ESPECÍFICA DE 4.º ANO DE CARDIOLOGIA HOSPITAL SENHORA DE OLIVEIRA - GUIMARÃES

Este ano o Congresso Europeu de Insuficiência Cardíaca (IC) decorreu em Florença. A organização do Congresso foi excelente e por isso a afluência foi grande. Estiveram presentes mais de 4700 profissionais de Saúde de todo o mundo. A Cardiologia nacional esteve muito bem representada, com especialistas e internos da maioria dos Centros Hospitalares a participarem ativamente nas sessões de posters e comunicações orais. A participação no Congresso permitiu a atualização dos conhecimentos relativamente às recomendações atuais para a melhor forma de tratar os doentes com IC. Estas recomenda-

ções resultaram essencialmente de grandes ensaios. A referir que muitos Centros Hospitalares Portugueses participaram em ensaios clínicos dos quais resultaram as recomendações que agora contribuem para a melhoria da prática clínica de todo nós. Neste tipo de reuniões internacionais é muito gratificante e enriquecedor o contacto com realidades diferentes e a troca de experiência e saber com colegas de outros países. As novas recomendações da Sociedade Europeia de Cardiologia para o diagnóstico e tratamento da IC aguda e crónica, apresentadas durante o congresso, trouxeram algumas novidades: >> Revisão da classificação da IC, com a introdução de uma nova classe de doentes com IC e fração de ejeção (Fej) moderadamente comprometida (Fej entre 40-49%) a acrescentar aos dois grupos previamente definidos, o grupo de IC com Fej preservada (Fej>50%) e o grupo de IC com Fej reduzida (Fej<40%). Sendo que as atuais recomendações aplicam-se somente a este último grupo, IC com Fej reduzida. Infelizmente, não existem ainda recomendações relativamente aos restantes doentes, estão neste momento a decorrer ensaios clínicos em fase II e III. >> Outra novidade diz respeito ao algoritmo de diagnóstico de IC crónica. O novo algoritmo é um algoritmo simples e prático, facilmente aplicável na prática clínica diária, que pretende favorecer uma abordagem baseada em probabilidades utilizando ferramentas simples e acessíveis. >> Relativamente ao tratamento, uma das principais novidades reflete-se no tratamento farmacológico standard da IC com Fej reduzida. Mantêm-se as recomendações do tratamento base com as três classes farmacológicas: inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA), beta-bloqueador e antagonista dos recetores dos mineralocorticoides. A novidade é a indicação de substituição do IECA pelo novo composto, LCZ696, que associa inibidores de recetores da angiotensina e da neprilisina (sacubitril/valsartan), nos doentes que permanecem sintomáticos. A evidência científica é suportada pelo ensaio clínico

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PARADIGM-HF que demonstrou a redução do risco de hospitalização e morte com este fármaco, neste grupo de doentes. Relativamente à terapêutica de ressincronização cardíaca está atualmente contraindicada nos doentes com QRS inferior a 130ms >> No que diz respeito ao tratamento da IC aguda, as novas guidelines defendem uma abordagem semelhante àquela utilizada no SCA, “quanto mais rápido melhor”. Ou seja, as medidas terapêuticas adequadas devem ser instituídas o mais precocemente possível, de forma a prevenir ou minorar a lesão ou disfunção de outros orgãos. Nestas guidelines é atribuída grande importância à identificação e tratamento das comorbilidades, como a DPOC, a DRC, a DM, a anemia, o défice de ferro, entre outras. Refletindo o reconhecimento de que os doentes são cada vez mais idosos e mais complexos, apresentam muitas vezes mais do que uma doença, habitualmente inter-relacionadas, que contribuem para a progressão da IC, limitam o tratamento e condicionam o prognóstico. Durante todo o Congresso foi discutida a necessidade imperiosa de elaborar equipas multidisciplinares para uma melhor abordagem destes doentes. Equipas envolvendo diferentes profissionais de Saúde, de forma a educar o doente e promover o autocuidado e adesão terapêutica. Envolver o indivíduo, promovendo a auto monitorização de sintomas e ajuste da terapêutica diurética. Fomentar a prática de exercício aeróbico regular para melhorar a capacidade funcional, diminuir sintomas e reduzir o risco de hospitalização por IC descompensada. Assumiu particular importância também a discussão sobre os cuidados no fim de vida do doente, que implica não só o tratamento farmacológico sintomático do doente e a organização das infraestruturas físicas, mas também, o suporte psicossocial do doente e família. É fundamental garantir que existam sistemas implementados, bem organizados e funcionais, de forma a garantir que possam ser prestados os melhores cuidados para o doente e família na fase final da doença. Dessa forma estaremos também a diminuir o impacto negativo da doença na sociedade.


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SOCIEDADE PORTUGUESA DE ONCOLOGIA :: REPORTAGEM

SOCIEDADE PORTUGUESA DE ONCOLOGIA

NOVA CASA DE TODOS E PARA TODOS

A Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO) tem uma nova sede, em Coimbra, na qual se destaca uma sala destinada à formação, uma das vertentes de enfoque da atividade da SPO tal como o sublinha a sua presidente, Dr.ª Gabriela Sousa. Em entrevista ao Médico News, a especialista passa em revista o ano em curso e fala do próximo referindo-o como o ano dedicado à investigação.

Médico News (MN) | A SPO tem uma nova sede. A que se deve esta mudança? Dr.ª Gabriela Sousa (GS) | A nova sede surge da necessidade de termos condições que a antiga já não oferecia. A SPO cresceu – possui 592 membros –, conta com um potencial muito relevante de jovens internos e tem levado a cabo um plano de formação intenso. A anterior sede já não cumpria os requisitos necessários à atividade desenvolvida, pelo que foi imperioso mudar. O novo espaço possui uma sala com capacidade para acolher entre 30 a 40 pessoas, o que nos dá autonomia para a realização de cursos e outras ações de formação. Temos instalado equipamento de videoconferência que permite alargar a comunicação e proceder, tal como é nosso objetivo, à realização de webinars, com discussão de casos clínicos complexos, envolvendo profissionais ligados à Oncologia e até experts estrangeiros. As novas metodologias de comunicação ajudam a que façamos parte de uma networking internacional e cada vez é mais fácil estar ligado ao mundo sem nos deslocarmos. Também vamos dispor de um espaço para estudo e convívio. MN | Que outras vantagens destaca na nova sede? GS | O salto qualitativo é muito grande. O grande destaque é para o espaço dedicado à formação, mas entendemos ser importante para a

1506PT16PR06850-01 Data de elaboração: 05/2016


REPORTAGEM :: SOCIEDADE PORTUGUESA DE ONCOLOGIA

BALANÇO POSITIVO Questionada sobre que balanço faz da atividade em 2016 e o que perspetiva para 2017, a Dr.ª Gabriela Sousa afirma que este ano fica marcado pelo muito trabalho realizado: mudámos de sede, renovámos o site e relançámos a Revista Portuguesa de Oncologia. Destaca ainda o terem conseguido colocar no site da SPO os ensaios clínicos com recrutamento aberto em Portugal. Para nós, prossegue, é muito gratificante que os profissionais, mas também os doentes e respetivas famílias, tenham acesso a estas informações a partir do nosso site. Estamos também a concluir a área reservada do site, o que para os elementos da Sociedade será um passo muito importante no envolvimento e conhecimento do funcionamento da SPO. Conseguimos rejuvenescer a Sociedade e hoje o Núcleo de Internos e Jovens Especialistas é fundamental à vida da SPO. Estamos igualmente a fomentar a investigação de iniciativa do investigador e vamos continuar a exigência de qualidade na formação, adianta.

vida da Sociedade um espaço de partilha, onde as pessoas possam estar, conviver e até estudar. Pretendemos instalar computadores com verdadeiras ferramentas de estudo (uptodate, assinaturas de revistas internacionais), para que todos os colegas possam sentir a sede da SPO como um espaço seu e onde podem estar com todos. PRIORIDADES DE UMA SOCIEDADE DINÂMICA MN | No que se refere à formação, o que está previsto e quais são os cursos mais requisitados? GS | Temos uma população de internos e de jovens em formação com diferentes necessidades ao longo do internato. A oferta formativa da SPO tem tentado ir de encontro a esta diversidade de necessidades e exigências. Os internos dos primeiros anos necessitam de uma formação bastante transversal às diversas áreas da Medicina Interna e temos tido oportunidade de lhes oferecer o Curso de Suporte Avançado de Vida, estando em avaliação para o próximo ano a oferta do Curso de SEPSIS. São cursos certificados, que

constituem uma mais-valia formativa. Temos tido, também, muita procura nos cursos de Estatística e de Epidemiologia, que ministramos em parceria com o Instituto de Higiene e Medicina Tropical de Lisboa. Este curso é muito exigente, com 60 horas letivas e seminários, para apresentação dos trabalhos executados. O melhor trabalho tem sido selecionado para apresentação sob a forma de comunicação oral no Congresso da SPO. Também tem sido uma experiência muito boa a receção que a SPO faz aos seus novos internos, fornecendo-lhes dicas e truques para vencerem o internato da melhor forma possível. Para aqueles com mais experiência e requerendo um nível científico e de complexidade formativa maior, realizamos ações de formação em diversas patologias. Vamos iniciar os webinars, de acordo com o plano formativo apresentado pelo Núcleo de Internos e Jovens Especialistas da SPO, sob a forma de discussão de casos clínicos complexos ou mesmo formação em sala em determinadas patologias. No ano passado iniciámos um programa de formação para os internos dos 4.º e 5.º anos, que associa a formação em metodologias de investigação à realização e desenvolvimento de traba-

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lhos de investigação da sua iniciativa. Denominado REACT, o programa centrou-se na área da próstata e tem proporcionado aos participantes contacto com ferramentas de investigação: desenho dos estudos e os passos necessários para a sua implementação. Foram constituídos quatro grupos e cada um deles está a desenvolver um trabalho de investigação, cuja apresentação terá lugar no congresso da SPO em 2017. MN | E em termos de investigação, o que nos pode adiantar? GS | No plano de ação apresentado para este triénio, este grupo diretivo definiu três pilares fundamentais: formação, comunicação e investigação. O ano de 2015 foi o da formação, durante o qual iniciámos e colocámos em marcha um programa de formação que hoje permite uma oferta formativa de qualidade, com calendário anual. Este ano estamos a fortalecer a comunicação, tal como o demonstra a mudança de sede. Ficámos melhor equipados do ponto de vista da comunicação, quer interna, graças à renovação do nosso site e à instalação na sede de equipamento de vídeoconferência, quer exter-


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Prolonga a vida. Dirigido às metástases ósseas. XOFIGO ESTÁ INDICADO: Para o tratamento de adultos com carcinoma da próstata resistente à castração, com metástases ósseas sintomáticas e sem doença metastática visceral conhecida.1 Redução de 30% do risco de morte com Xofigo vs. Placebo (HR=0,695)1 Sobrevivência prolongada em 3,6 meses com Xofigo vs placebo (HR=0,695) 1 O risco de complicações ósseas sintomáticas diminui em 34%.1 O tempo até ao primeiro SSE* foi significativamente prolongado em 5,8 meses vs. placebo 1 *Skeletal Symptomatic Events

Este medicamento está sujeito a monitorização adicional. Nome: Xofigo 1.000 kBq/ml solução injetável Composição: 1.000 kBq dicloreto de rádio-223/ml, equivalente a 0,53 ng rádio-223 na data de referência. O rádio está presente na solução como ião livre. 6 ml de solução/frasco (6,0 MBq dicloreto de rádio-223 na data de ref.). O rádio-223 é um emissor de partículas alfa com uma semivida de 11,4 dias e uma atividade específica de 1,9 MBq/ ng. Contém 0,194 mmol (eq. a 4,5 mg) de sódio/ml. Forma farmacêutica: Solução injetável. Indicações terapêuticas: tratamento de adultos com carcinoma da próstata resistente à castração, com metástases ósseas sintomáticas e sem metástases viscerais conhecidas. Posologia e administração: administrar apenas por pessoas autorizadas a manusear radiofármacos, em ambientes clínicos específicos para o efeito e após avaliação do doente por um médico qualificado. Posologia: 50 kBq/kg de peso corporal, administrado a cada 4 semanas até perfazer 6 injeções. Doentes idosos, com afeção hepática ou com compromisso renal: Não se consideram necessários ajustes posológicos Administração: injeção intravenosa lenta (até 1 min). Contraindicações: Não existem contraindicações conhecidas. Advertências e precauções especiais mielossupressão; Doença de Crohn e colite ulcerosa; compressão da medula espinal; fraturas ósseas; osteonecrose do maxilar; neoplasias malignas secundárias Interações: suspender a suplementação com cálcio ou fosfato e/ou Vitamina D alguns dias antes de iniciar o tratamento Efeitos indesejáveis: trombocitopenia, neutropenia, pancitopenia, leucopenia linfopenia diarreia, vómitos, náuseas reações no local de injeção. Titular da A.I.M.: Bayer Pharma A.G. Representante local: Bayer Portugal, S.A. Número da A.I.M.: 5585914 Data de revisão do texto: novembro 2013. Medicamento sujeito a receita médica restrita, de utilização reservada a certos meios especializados. Para mais informações, deverá contactar o Titular da Autorização de Introdução no Mercado. Bayer Portugal, S.A., Rua Quinta do Pinheiro, nº5, 2794-003 Carnaxide, NIF 500 043 256.

L.PT.SM.12.2013.0257

1. Resumo das caracteristicas do Medicamento Xofigo, revisão de novembro 2013.


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na, com a Revista Portuguesa de Oncologia e outras iniciativas que estão em marcha. O próximo ano será efetivamente o da investigação. Serão apresentados os trabalhos do REACT e foi lançada uma bolsa de investigação na área do cancro da mama metastizado, sob a denominação de YOUR Project, cujos resultados também serão apresentados no próximo ano. A SPO tem procurado apoiar os mais jovens com vista a alavancar a investigação clínica, uma área que consideramos muito importante para o país e para a Oncologia. Atualmente, a investigação básica tem dado passos muito importantes em Portugal, com centros de excelência na área da investigação do cancro, mas há ainda muito a fazer em investigação clínica, porque não estamos organizados de modo a que esta seja uma tarefa fácil. É preciso alterar o modelo organizativo dos serviços e estruturas hospitalares para que a investigação clínica possa ser mais produtiva. MN | O que se perspetiva para o Simpósio Nacional SPO 2016, que decorrerá de 17 a 19 de novembro? GS | O Simpósio deste ano, para o qual são esperados cerca de 500 participantes, colmatará mais um ano de trabalho e nele serão apresentadas as principais novidades na área da oncologia, do diagnóstico e da “Medicina personalizada” e inovação terapêutica. Teremos o 1.º Encontro Nacional de Internos e Jovens Especialistas de Oncologia, durante o qual serão debatidos temas como a formação e a investigação, promovido pelo recém-criado Núcleo de Internos e Jovens Especialistas (NIJE), e onde serão abordados os mais importantes de-

safios de um jovem oncologista vividos na primeira pessoa, com debate de ideias e partilha de experiências. Será assinalado com a Europacolon e com o Grupo de Estudos de Cancro de Digestivo o Dia Mundial do Cancro do Pâncreas, de forma a sensibilizar a população para a necessidade de alerta para este tumor que é tão mortal. A jornada culminará com uma tertúlia sobre os avanços e recuos em Oncologia nos últimos anos – “Cancro: Doença Maldita”, porque consideramos de interesse passar ensinamentos vividos noutros tempos aos mais jovens. Outra das novidades do simpósio deste ano será a presença de profissionais da Associação de Enfermagem Oncológica Portuguesa (AEOP). Cada vez mais a Oncologia é multiprofissional, para além de multidisciplinar, e por isso convidámos os enfermeiros que diariamente trabalham connosco para analisarmos e discutirmos os problemas que todos sentimos. Em suma, procurámos fazer um programa o mais transversal possível e que envolvesse as novidades desde o diagnóstico à terapêutica nas várias áreas, não só no tratamento sistémico oncológico por natureza, mas também na Radioterapia, Cirurgia, Imagiologia, Medicina Nuclear e Diagnóstico Molecular. MN | A que outras sociedades científicas a SPO está ligada e em que projetos? GS | A SPO está naturalmente ligada a todas as sociedades científicas. A Oncologia é uma disciplina transversal, com muitas áreas de fronteira com outras especialidades. O ano passado trabalhámos arduamente com a Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução, Sociedade Portuguesa de Andrologia e

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VERIFICÁMOS NA PRÁTICA CLÍNICA QUE TUMORES BIOLOGICAMENTE IGUAIS COMPORTAM-SE DE FORMA DIFERENTE DE ACORDO COM O HOSPEDEIRO


SOCIEDADE PORTUGUESA DE ONCOLOGIA :: REPORTAGEM

A SPO ESTÁ NATURALMENTE LIGADA A TODAS AS SOCIEDADES CIENTÍFICAS. A ONCOLOGIA É UMA DISCIPLINA TRANSVERSAL, COM MUITAS ÁREAS DE FRONTEIRA COM OUTRAS ESPECIALIDADES

ELEVAR A QUALIDADE DA ONCOLOGIA

Sociedade Portuguesa de Hematologia. Em conjunto levámos a cabo um trabalho denominado Recomendações da Preservação do Potencial Reprodutivo nos Doentes Oncológicos, de que resultou um documento comum, publicado em breve na nossa revista e que ficará disponível para todos online, junto com um formulário de referenciação aos Centros de Medicina da Reprodução. No verso estão listados todos os Centros que podem receber doentes para preservação da fertilidade. Com a Sociedade Portuguesa de Medicina Intensiva e novamente com a de Hematologia estamos a trabalhar na definição dos Critérios de Referenciação do Doente Oncológico aos Cuidados Intensivos. Estamos ainda a trabalhar na área da imunologia e doenças autoimunes

com colegas da Reumatologia e Medicina Interna; com a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar temos a intenção de trabalhar na área dos longos sobreviventes de cancro; e com a Associação Portuguesa de Urologia organizámos este ano fóruns de discussão e workshops sobre cancro urológico. CUIDADOS CENTRADOS NO DOENTE MN | Como vê a evolução da Oncologia? GS | Estamos a atingir uma fase em que o conhecimento avança a grande velocidade. Nos últimos anos estivemos focados na biologia do tumor, em conhecer melhor a célula tumoral. Porém, verificámos na prática clínica que tumores biologicamente iguais comportam-se de

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É possível elevar ainda mais a qualidade da Oncologia que se pratica em Portugal se se trabalhar de forma mais integrada, envolvendo as diversas entidades e organizações que trabalham nesta área, garante a Dr.ª Gabriela Sousa. As instituições ou as unidades de Oncologia de proximidade são muito importantes porque estão próximas da residência do doente. Contudo, os centros estão melhor apetrechados e têm maior diferenciação técnica, daí que estes dois tipos de unidades tenham que se encontrar e complementar, adianta. Estes modelos de referenciação que existem na Oncologia não têm funcionado porque na prática o doente tem apenas um caminho, que é sempre de casa para o centro. Porém, acreditamos que mediante um modelo colaborativo e integrativo as unidades possam complementar-se. Há situações em que o doente precisa de ser tratado num centro diferenciado e outras em que o pode fazer perto de casa. Centrando os cuidados oncológicos no doente e organizando-nos melhor, obtemos ganhos em Oncologia, sublinha.


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forma diferente de acordo com o hospedeiro. Foi, entretanto, encetada uma nova era na investigação, agora com enfoque no hospedeiro, procurando compreender melhor como é que o tumor interage com o organismo onde se desenvolve e como é que este permite que cresça. Assiste-se a uma nova era no tratamento do cancro: a imunoterapia. Os resultados são promissores e é com grande expetativa que a comunidade científica e sobretudo os doentes aguardam por uma renovada esperança de “cura”. MN | O que podemos esperar em termos de evolução diagnóstica e terapêutica? GS | Num futuro próximo vamos certamente ter a possibilidade de diagnosticar os tumores em fase infra clínica. A evolução nas técnicas laboratoriais para deteção e monitorização da fase líquida da doença, que geralmente precede a deteção por métodos de imagem, é uma realidade cada vez mais próxima. A tecnologia das células tumorais isoladas ou a determinação do DNA tumoral circulante são formas de biópsias líquidas e estão a ser alvo de grande investigação. Também conhecemos cada vez melhor os tumores que temos para tratar, o que nos permite adequar melhor o tratamento, começando a era da medicina personalizada. Neste contexto, o desenvolvimento de biomarcadores moleculares que nos permitam fazer o tratamento apenas a quem dele beneficia, vai trazer ganhos significativos de eficiência. MN | Quais são os principais desafios que a SPO enfrenta? GS | A SPO tem muitos desafios pela frente. Quando assumi a responsabilidade deste cargo achei que o principal desafio seria congregar toda uma comunidade científica proveniente das diversas áreas da Oncologia de modo a elevarmos a qualidade do que se faz em Portugal. Prestar cuidados centrados no doente exige novos modelos de organização. Contudo, no panorama económico do país, onde os recursos são escassos e estamos habituados a fazer muito com pouco, um grande desafio para a comunidade científica será como acomodar a inovação que surge na Oncologia, desde o diagnóstico ao tratamento, num SNS que se quer equitativo, universal e tendencialmente gratuito. A SPO está empenhada em colaborar com as várias estruturas governativas (DGS, INFARMED, Registo Oncológico) no sentido de se encontrarem soluções que garantam um acesso equitativo dos doentes à melhor prática clínica de acordo com o estado da arte.

SOCIEDADE PORTUGUESA DE ONCOLOGIA FUNDADA A 29 DE OUTUBRO DE 1982, A SPO CELEBRA A PASSAGEM DO 35.º ANIVERSÁRIO EM 2017

CONSTITUÍDA POR

592

SÓCIOS

EM 2016 FOI CRIADO O NÚCLEO DE INTERNOS E JOVENS ESPECIALISTAS (NIJE) DA SPO

CARATERIZAÇÃO DOS SÓCIOS TOTAL

592

SÓCIOS IDADE DOS SÓCIOS VARIA ENTRE OS 27 ANOS (1 SÓCIO) E OS 91 ANOS (1 SÓCIO). A MÉDIA DAS IDADES É DE 50,28 ANOS

288

SÓCIOS DO SEXO MASCULINO (48,6%)

ESPECIALIDADES (MAIS FREQUENTES)

* 251

SÓCIOS (42,4%) DE ONCOLOGIA MÉDICA SÓCIOS (12,2%) DE CIRURGIA GERAL SÓCIOS (6,4%) DE RADIOTERAPIA SÓCIOS (4,1%) DE MEDICINA INTERNA SÓCIOS ATIVOS: (90,5%) SÓCIOS APOSENTADOS: SÓCIOS (9,5%)

* 72 * 38 * 24

304

SÓCIOS DO SEXO FEMININO (51,4%)

536 56

CARATERIZAÇÃO DO NIJE DA SPO O NIJE é constituído por internos e jovens especialistas, sócios da SPO

TOTAL: 164

40

A idade varia entre os (8 sócios) e os 27 anos (1 sócio). A média das idades é de anos

33,50

42 sócios do sexo masculino (25,6%)

ESPECIALIDADES (mais frequentes):

*

122 sócios do sexo feminino (74,4%)

48

146 sócios (89%) – Oncologia Médica * 6 sócios (3,7%) de Cirurgia Geral * 8 sócios (4,9%) de Radioterapia


EM REVISTA

9.ª SEMANA APFH: “SEGURANÇA & INOVAÇÃO - PILARES DO FUTURO”

A Associação Portuguesa de Farmacêuticos Hospitalares (APFH) realiza, entre os dias 23 e 25 de novembro, o IX Congresso Nacional da APFH com o tema “Segurança & Inovação - Pilares do Futuro”, no Centro de Congressos do Estoril. A edição deste ano vai contar com várias sessões plenárias de formação, apresentação de trabalhos por farmacêuticos hospitalares e sete simpósios-satélite. Este evento pretende ser um espaço inteiramente dedicado à atualização de conhe-

REABILITAÇÃO AUDITIVA CIRÚRGICA DEBATIDA EM LISBOA E NO PORTO

cimentos nas áreas da farmácia hospitalar e à avaliação de quais os novos desafios e oportunidades para os farmacêuticos hospitalares. A Comissão Científica é presidida pelo Prof. Doutor Francisco Batel Marques, responsável pela Unidade de Farmacovigilância da Associação para a Investigação Biomédica e Inovação em Luz e Imagem (AIBILI) e a Comissão Organizadora é presidida pela Dr.ª Marisa Caetano, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

“PARA FALAR DE SIDA” É TEMA DE REUNIÃO PARA JORNALISTAS A Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Programa Nacional para a Infeção VIH/SIDA organizam uma série de encontros especificamente dirigidos a jornalistas. “Para falar de SIDA” dá título a esta série de reuniões cujo objetivo é contribuir para um conhecimento mais aprofundado sobre esta temática, tendo em conta a evolução constante da patologia. As reuniões serão coordenadas pelo Dr. Kamal Mansinho, diretor do Programa Nacional para a Infeção VIH/SIDA. A quarta sessão acontece no dia 22 de novembro entre as 10h00 e as 13h00 na sede

da Direção-Geral da Saúde em Lisboa, tendo como tema “O que devemos saber sobre a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição)”. Já a quinta sessão tem data marcada para o dia 13 de dezembro, entre as 10h00 e as 13h00, na sede da DGS, e, dando seguimento ao tema da sessão anterior, terá como mote “Porque é tão difícil a implementação da PrEP (Profilaxia Pré-Exposição)?”. O formato de cada encontro é de três horas. A primeira parte é dedicada à exposição do tema e a segunda em formato de debate para que os jornalistas coloquem as respetivas questões e haja um debate interativo.

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Os Hospitais Lusíadas Lisboa e Porto promovem, entre os dias 16 e 19 de novembro, o “Ouvido 2016”, um curso de reabilitação auditiva cirúrgica destinado a todos os profissionais de saúde ligados à área de Otorrinolaringologia. Entre os temas em debate estão a reabilitação na população pediátrica, em pós linguais e fora do ambiente hospitalar, a reabilitação auditivo-verbal, os aspetos psicológicos da surdez e da reabilitação auditiva, próteses do ouvido médio, implantes cocleares e ouvido médio, cuidados pós-operatórios e ferida operatória, entre outros. Para os dias 17, 18 e 19 estão ainda agendadas cirurgias ao vivo: implante coclear, timpanoplastia e implante coclear e/ /ou ouvido médio. Aos oradores portugueses – Doutor Carlos Ribeiro, Dr.ª Conceição Peixoto, Doutor Filipe Freire, Doutor Guilherme Carvalho, Doutor Herédio Sousa, Doutor Hugo Estibeiro, Doutor José Paço e Doutor Vítor Correia da Silva – juntam-se os especialistas estrangeiros - Doutor Arthur Castilho (Brasil), Prof. Dr.ª Daniele Marchioni (Itália), Dr.ª Eulália Juan e Doutor Manuel Manrique (Espanha) e Prof. Doutor Thomas Zahnert (Alemanha). O curso é coordenado pelos médicos Dr.ª Luísa Monteiro e Doutor António Sousa Vieira, coordenadores da Unidade de Otorrinolaringologia do Hospital Lusíadas Lisboa e Porto, respetivamente.


HIPERPLASIA BENIGNA DA PRÓSTATA AFETA 75% DOS HOMENS COM MAIS DE 65 ANOS A próstata é uma glândula do tamanho de uma castanha e que faz parte do aparelho reprodutor masculino. Ela está localizada à frente do reto, abaixo da bexiga e envolve a uretra. A hiperplasia benigna da próstata (HBP) consiste no aumento das dimensões da próstata levando à compressão da uretra. A incidência de HBP aumenta com a idade, afetando de forma sintomática aproximadamente 25% dos homens com idade superior a 40 anos e cerca de 75% com mais de 65 anos. Visto que a próstata envolve a uretra o aumento do seu tamanho pode levar à compressão da uretra e, consequente, à obstrução da bexiga. Se deixada sem tratamento, pode provocar alterações irreversíveis no funcionamento da bexiga bem como dos rins levando, inclusive, à insuficiência renal. Os sintomas provocados pela HBP são o aumento da frequência urinária, quer durante o dia, quer durante a noite, a vontade súbita e inadiável de urinar, a incontinência, o gotejamento no final da micção, a dificuldade em iniciar a micção e a necessidade de esforço abdominal para urinar. Estes sintomas condicionam a atividade diária e o padrão de sono, alterando, drasticamente, a qualidade de vida destes doentes. No entanto, não existe uma boa correlação entre os sintomas e o tamanho da próstata. Alguns homens com próstatas grandes (superiores a 100g) podem ter poucos sintomas que não interferem com a sua qualidade de vida e outros homens, com próstatas mais pequenas (30-40g) podem ter obstrução urinária que condiciona alterações graves na sintomatologia urinária. O objetivo do tratamento não é curar a HBP, mas reduzir os sintomas e evitar as complicações da doença. Podemos dividir o tratamento em três etapas. A vigilância está indicada se a sintomatologia é ligeira e não tem interferência significativa na qualidade de vida. Quando os sintomas são mais acentuados as opções terapêuticas são o tratamento médico e cirúrgico.

A HIPERPLASIA BENIGNA DA PRÓSTATA (HBP) CONSISTE NO AUMENTO DAS DIMENSÕES DA PRÓSTATA LEVANDO À COMPRESSÃO DA URETRA

DR. RUI BORGES UROLOGISTA DO HOSPITAL LUSÍADAS PORTO

O tratamento médico inclui várias opções. A fitoterapia que consiste na terapêutica com extratos vegetais e pode ser útil em doentes com sintomas ligeiros ou moderados, com a vantagem de, praticamente, não ter efeitos laterais importantes. Os bloqueadores dos recetores α1-adrenégicos, que incluem entre outros a alfuzosina, doxazosina, tamsulosina e silodozina, relaxam a musculatura prostática, o colo da bexiga e uretra proximal, e são os mais rápidos na diminuição dos sintomas. Os inibidores da 5α-redutase (dutasteride e finasteride), bloqueiam a transformação na próstata da hormona masculina, testosterona em dihidrotestosterona. Diminuem parcialmente o volume deste órgão e os sintomas urinários, embora demorem algumas semanas a atuar

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EM QUALQUER DESTAS CIRURGIAS O OBJETIVO É O MESMO: A REMOÇÃO DO TECIDO HIPERTROFIADO E OBSTRUTIVO CENTRAL e só sejam eficazes nas próstatas mais volumosas. Mais recentemente, é consensual a utilização do tadalafil, um medicamento utilizado para o tratamento da disfunção eréctil, que tem vantagens nos doentes que tenham sintomas de HBP associados a problemas de ereção. A cirurgia é outra opção terapêutica muito

eficaz e inclui os procedimentos transuretrais e a cirurgia aberta/laparoscópica. Habitualmente, os procedimentos transuretrais estão reservados para as próstatas de menores dimensões (até 70/80g). Estes procedimentos podem ser realizados quer utilizando ansas com corrente elétrica ou utilizando diferentes tipos de lasers. Para as próstatas mais volumosas a opção é

a prostatectomia por via aberta. Mais recentemente, este procedimento tem sido substituído pela laparoscopia com iguais bons resultados. Em qualquer destas cirurgias o objetivo é o mesmo: a remoção do tecido hipertrofiado e obstrutivo central responsável pela sintomatologia pelo que o risco de incontinência urinária e disfunção erétil são mínimos.

EM REVISTA

NOVO MEDICAMENTO DA NOVARTIS PARA O TRATAMENTO DA IC JÁ COMPARTICIPADO EM NOVE PAÍSES NA EUROPA Entresto (sacubitril/valsartan) é o primeiro fármaco de uma nova classe (ARNI - inibidor da neprilisina e dos recetores da angiotensina) com um mecanismo de ação único e que representa o culminar de décadas de investigação na área da insuficiência cardíaca (IC). Na Europa já se encontra comparticipado em 9 países: Suíça, Escócia, Suécia, Alemanha, Reino Unido, Finlândia, Albânia, Holanda e Eslováquia. O Entresto (sacubitril/valsartan) atua modulando o sistema neuro-hormonal cardíaco por duas vias: aumentando, por um lado, os efeitos protetores do sistema dos péptidos natriuréticos (PN) e suprimindo, em simultâneo, o sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), reduzindo os seus efeitos deletérios e, restabelecendo desta forma, o equilíbrio neurohormonal.

Apesar dos avanços terapêuticos dos últimos anos, a mortalidade por insuficiência cardíaca permanece inaceitavelmente elevada, com mais de 50% dos doentes a não sobreviver nos 5 anos após o diagnóstico. Cerca de 21 milhões de adultos nos Estados Unidos e Europa sofrem de insuficiência cardíaca, apresentando elevado risco de morte e baixa qualidade de vida. A insuficiência cardíaca tem um impacto significativo e crescente, contribuindo atualmente para uma despesa em saúde de mais de 108 mil milhões de dólares/ano a nível mundial, valor este que pode duplicar até 2030. Ainda de notar que 60-70% destes custos são relativos a hospitalizações.

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Esta página não é touch. No futuro será.

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CURSO DE FORMAÇÃO PARA PEDIATRAS

A IMUNOTERAPIA ESPECÍFICA OU VACINAS ANTI-ALÉRGICAS SÃO A PRINCIPAL ARMA TERAPÊUTICA NO TRATAMENTO DAS DOENÇAS ALÉRGICAS, DADO ATUAREM NA ETIOLOGIA DA DOENÇA, NÃO SE LIMITANDO AO TRATAMENTO DOS SINTOMAS

A IMUNOTERAPIA NO TRATAMENTO DA DOENÇA ALÉRGICA EM IDADE PEDIÁTRICA

aumentado de forma assustadora nas últimas décadas, não só na sua prevalência, mas também na sua severidade e nalgumas, a sua mortalidade, sendo consideradas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um problema major de saúde pública, encontrando-se muitas vezes subdiagnosticadas e subtratadas, acarretando custos diretos e indiretos elevados. Daí a escolha do tema “Doença alérgica. Do Diagnóstico à Terapêutica”.

“Doença alérgica: do diagnóstico à imunoterapia” foi o tema do Curso de Formação para Pediatras, organizado pela Sociedade Portuguesa de Alergologia Pediátrica (SPAP) com o apoio da Bial-Aristegui. Em entrevista à Médico News, o presidente da SPAP, Dr. Libério Ribeiro enquadra esta iniciativa, tendo em conta a missão da Sociedade e a importância do assunto no controlo da doença alérgica em idade pediátrica.

Médico News (MN) | Realizou-se no dia 24 de setembro o Curso de Formação para Pediatras intitulado “Doença alérgica: do diagnóstico à imunoterapia”. Como se enquadra este curso na oferta formativa da SPAP? Dr. Libério Ribeiro (LR) | Este Curso enquadra-se nos objetivos da SPAP, nos quais, entre outros, se procura promover e estimular

MN | A referência e experiência dos formadores são sempre uma garantia da qualidade de qualquer formação médica. Como surgiu a possibilidade de ter os Drs. Pedro Gamboa e Borja Bartolomé como formadores deste curso? LR | Dos formadores, o Dr. Pedro Gamboa é um conceituado Alergologista do Hospital Basurto e o Dr. Borja Bartolomé é o responsável pelo Laboratório Aplicação da Bial-Aristegui, em Bilbao.

o estudo da Imunoalergologia e divulgar os conhecimentos existentes nesta área através de várias formas, incluindo Cursos como este “Doença Alérgica. Do Diagnóstico à Terapêutica”, além do Congresso Anual e da Reunião Temática anual que todos os anos acontecem. MN | De que forma se justifica a escolha deste tema? LR | As doenças alérgicas têm

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MN | Que avaliação faz do curso quanto aos tópicos escolhidos para apresentação e ao número de participantes? LR | O número de participantes era limitado a 35 pediatras, o qual foi atingido, sendo opinião generalizada dos participantes o interesse do tema, a sua abrangência e qualidade, considerando muito vantajoso para a sua valorização profissional os vários assuntos tratados, quer na vertente teórica, quer na vertente prática, a qual foi realçada e amplamente discutida. TRATAR A DOENÇA ALÉRGICA COM IMUNOTERAPIA MN | A imunoterapia está em voga em algumas áreas da Medicina, sendo vista como uma mudança de paradigma na abordagem a doenças. O mesmo está a acontecer na Alergologia Pediátrica? LR | A imunoterapia específica ou vacinas anti-alérgicas são a principal arma terapêutica no tratamento das doenças alérgi-


CURSO DE FORMAÇÃO PARA PEDIATRAS

cas, dado atuarem na etiologia da doença, não se limitando ao tratamento dos sintomas, mas tendo também um papel preventivo no desenvolvimento de outras sensibilizações, tão frequentes, seguindo o que habitualmente designamos por “marcha alérgica”. Podemos dizer que são a única arma terapêutica que altera a história natural da doença alérgica. Dado a eficácia ser tanto maior quanto mais precocemente se institui, é na idade pediátrica que tem melhores resultados. MN | Considera que os pediatras de hoje estão habilitados para a gestão da doença alérgica, nomeadamente para a prescrição de imunoterapia? LR | A maioria dos pediatras estão habilitados para o diagnóstico e tratamento das doenças alérgicas mais comuns e frequentes, embora haja situações onde é necessário o apoio e orientação do alergologista pediátrico. Quanto à prescrição da imunoterapia específica deverá ser feita pelo alergologista pediátrico, dado ter de preencher vários requisitos que só quem devidamente habilitado o pode e deve fazer. MN | Após o diagnóstico, quais são os critérios de seleção que devem ser seguidos pelos pediatras, de forma a adotarem a imunoterapia como estratégia de tratamento? LR | A prescrição de imunoterapia específica pressupõe a demonstração inequívoca de sensibilização alergénica e da sua relevância e pertinência clínicas. Um diagnóstico etiológico correto é um pré-requisito indispensável na prescrição de vacinas anti-alérgicas. A existência duma sensibilização IgE-dependente, demonstrada por testes cutâneos ou por doseamento de IgE específicas no soro e a impossibilidade de implementar medidas de evicção eficazes, são condições a preencher.

MN | Em que consiste a imunoterapia no contexto da doença alérgica? Quais os objetivos a atingir? LR | A imunoterapia específica consiste na administração aos doentes alérgicos dos alergénios aos quais reagem, em doses crescentes até se atingir um regime de manutenção, o qual se mantém por um certo período de tempo (três a cinco anos), numa tentativa de induzir tolerância clínica à exposição natural.

da abordagem da alergia respiratória. Como referimos, além do seu efeito “curativo”, com diminuição ou desaparecimento dos sintomas, também tem um efeito preventivo no desenvolvimento de outras sensibilizações, pelo que está particularmente indicada nas idades pediátricas. São contra-indicações os doentes que estejam a fazer beta-bloqueantes ou que tenham contra-indicação para o uso de adrenalina, os doentes com doenças do foro imunológico graves, os doentes com asma grave e instável, ou por falta de colaboração do doente.

MN | No caso da idade pediátrica e tendo em conta a fase de desenvolvimento do doente, este tipo de abordagem terapêutica tem alguma particularidade? LR | A imunoterapia específica, quando indicada, pode ser iniciada a partir dos cinco anos de idade, segundo as orientações das Academias Científicas. Contudo, vários estudos demonstram a sua eficácia e segurança a partir dos três anos de idade, podendo neste escalão etário, optar-se pelas vacinas sublinguais em alternativa às injetáveis.

MN | A imunoterapia é um tema consensual no contexto da doença alérgica? LR | Atualmente, existe grande consenso sobre esta terapêutica dado o melhor conhecimento dos seus mecanismos imunológicos, a demonstração inequívoca da sua eficácia e segurança e dispormos, de meios de diagnóstico mais minuciosos, fiáveis e precisos com os alergénios moleculares e de extratos standardizados, mais purificados, de alta qualidade, mais imunogénicos, eficazes e seguros.

UM DIAGNÓSTICO ETIOLÓGICO CORRETO É UM PRÉ-REQUISITO INDISPENSÁVEL NA PRESCRIÇÃO DE VACINAS ANTI-ALÉRGICAS

MN | Dentro da doença alérgica, para que patologias há maiores desenvolvimentos? E quais as que carecem de investigação? LR | A imunoterapia específica está indicada nas alergias de expressão respiratória (asma e rinite), na alergia aos venenos de himenópteros, na alergia ao látex, podendo ter interesse nalgumas alergias alimentares (leite, ovo).

MN | Quais os benefícios e contraindicações da imunoterapia nos doentes em idade pediátrica? LR | A imunoterapia específica deve ser considerada como tratamento inicial e não reservada para os doentes que não respondem à terapêutica farmacológica, devendo ser proposta como tratamento precoce na estratégia

OBJETIVOS FUTUROS DA SPAP MN | Sendo este um tema de relevo, tem a SPAP alguma perspetiva de publicar um documento próprio sobre recomendações para esta área? LR | A SPAP espera publicar orientações na utilização desta

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ferramenta terapêutica, embora já existam publicadas normas consensuais por várias Sociedades e Academias Científicas. MN | Que outros projetos de caráter formativo ou iniciativas institucionais tem a SPAP em linha? LR | A SPAP, além do seu Congresso Anual (o próximo será o 6.º Congresso, nos dias 12 e 13 de maio de 2017, em Vilamoura) e da sua Reunião Temática Anual (a próxima será no dia 18 de fevereiro de 2017, na Batalha, e terá como tema “Meios de diagnóstico. O que pedir. Quando pedir”), realizará mais um Curso para Pediatras em 2017.

IMUNOTERAPIA ESPECÍFICA SEM COMPARTICIPAÇÃO O impacto da não comparticipação desta terapêutica, para os doentes e o erário público, foi também objeto de análise do presidente da SPAP, Dr. Libério Ribeiro: “Sendo um tratamento avaliado e certificado pela O.M.S., e o único tratamento etiológico que pode modificar a história natural da doença alérgica, poupando nos custos diretos e indiretos da doença, proporcionando uma melhor qualidade de vida aos doentes e evitando novas sensibilizações, é, no mínimo, paradoxal a não comparticipação, que só uma moderação cega nos gastos com a saúde pode explicar”.


CURSO DE FORMAÇÃO PARA PEDIATRAS

ABORDAGEM À DOENÇA ALÉRGICA EM IDADE PEDIÁTRICA DEBATIDO COM SUCESSO “Globalmente enriquecedor e do agrado de todos os participantes”, foi a apreciação da Dr.ª Fátima Praça, em entrevista à Médico News, a propósito do Curso de Formação para Pediatras, organizado pela Sociedade Portuguesa de Alergologia Pediátrica (SPAP) e pela Bial-Aristegui. A especialista do Serviço de Pediatria do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho e membro da direção da SPAP, comenta a relevância do tema e do Curso para a prática clínica dos pediatras.

prevenir novas sensibilizações, o aparecimento de asma no doente com rinite e manter eficácia clínica mesmo após interrupção do tratamento. A imunoterapia é reconhecida pela OMS como a única estratégia de tratamento capaz de modificar a evolução da história natural da doença alérgica, facto que torna do máximo interesse que seja conhecida por todos os profissionais de saúde que lidam com doentes com alergia.

Médico News (MN) | “Doença alérgica: do diagnóstico à imunoterapia” foi o assunto escolhido para este curso de formação para pediatras. Quais as razões para a escolha deste tema? Dr.ª Fátima Praça (FP) | “Doença alérgica: do diagnóstico à imunoterapia” foi o assunto escolhido para o Curso pela grande prevalência de esta patologia na idade pediátrica; estando mesmo estimado que, dentro de poucos anos cerca de 50% da população europeia irá apresentar algum tipo de alergia, este é um tema preocupante e merecedor de reflexão. Pelo impacto que a doença alérgica provoca na qualidade de vida, na atividade laboral e na escolar,

MN | O curso foi organizado em conjunto pela Sociedade Portuguesa de Alergologia Pediátrica e pela Bial-Aristegui. Como surgiu esta parceria e quais os objetivos? FP | A Sociedade Portuguesa de Alergologia Pediátrica (SPAP), além do Congresso e da Reunião Temática que realiza anualmente,vai passar a organizar mais este curso/reunião, em parceria com a Bial, também de periodicidade anual. Os temas serão definidos por ambas as partes, tendo sempre em consideração o interesse formativo. Sendo a Bial uma empresa nacional com forte aposta na investigação, como é o caso da área da imunoterapia e sendo esta uma temática do interesse dos nossos sócios, esta-

um diagnóstico correto e atempado é de crucial importância para a adequada estratégia preventiva e terapêutica. A educação do doente e da família, a implementação de medidas ambienciais, a farmacoterapia e a imunoterapia com alergénios são as armas de que atualmente dispomos para ajudar as nossas crianças com sintomatologia do foro alérgico . Quanto à imunoterapia, registando já uma história com mais de cem anos de utilização, ela é um somatório de diferentes mecanismos de intervenção combinados no sentido da modulação do sistema imunitário. Quando corretamente prescrita e orientada, a imunoterapia pode

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vam reunidas as condições para a elaboração conjunta do programa. MN | Que apreciação global faz no que diz respeito à recetividade dos profissionais e ao número de participantes no curso? FP | Este 1.º Curso, essencialmente dirigido aos sócios da SPAP, teve as inscrições esgotadas. Por isso, é de registar o sucesso desta ação formativa, muito encorajador para futuras edições. MN | De que forma foi desenhado o programa? Como foram escolhidos os tópicos que constituíram o programa do curso? FP | Resumidamente, este curso teve uma vertente laboratorial sobre as modernas técnicas de preparação dos extratos alergénicos e outra mais dedicada à pratica clínica com abordagem da prescrição, administração e monitorização da imunoterapia. MN | Quais as mais-valias do curso para a prática clínica dos pediatras? FP | Durante o Curso aperfeiçoaram-se conhecimentos e reavivaram-se outros, trocaram-se experiências e houve ainda espaço para conviver, pelo que foi globalmente enriquecedor e do agrado de todos os participantes.


3.º SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE FUNÇÃO RESPIRATÓRIA

3.º SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE FUNÇÃO RESPIRATÓRIA

DR. MÁRIO MORAIS DE ALMEIDA COORDENADOR DO 3.º SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE FUNÇÃO RESPIRATÓRIA

PROF. DOUTOR LUÍS MIGUEL BORREGO COORDENADOR DO 3.º SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE FUNÇÃO RESPIRATÓRIA

No dia 16 de setembro do corrente ano decorreu o 3.º Simpósio Internacional de Função Respiratória, na Fundação Calouste Gulbenkian, organizado pelo Centro de Alergia do Hospital CUF Descobertas. Este Simpósio contou com a participação de vários especialistas nacionais e do Prof Martin Miller, reconhecido internacionalmente pelo seu envolvimento na divulgação de normas orientadoras de boas práticas em função respiratória. As provas de função respiratória são reconhecidamente instrumentos essenciais na avaliação de diversas patologias, nomeadamente na asma e na doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), para confirmação diagnóstica, monitorização da sua evolução natural, ou após intervenção terapêutica. Mas, em Portugal, muito existe ainda a fazer para que estas essenciais medidas de avaliação sejam adequada e amplamente utilizadas na prática clínica. É cada vez mais comprovada a sua utilidade na prática clínica diária, sendo fulcral a sua correta interpretação e avaliação. Neste sentido, foram debatidas as orientações internacionais para a utilização destas provas na monitorização clínica do doente com asma, com DPOC ou até mesmo no desportista. De facto, ainda que seja comumente aceite a sua importância nas duas primeiras entidades, acresce um cuidado especial no desportista, pela especificidade de critérios de diagnóstico de obstrução funcional das vias aéreas, bem como pela importância da valorização de sintomas, muitas vezes descurados nos desportistas, sejam eles amadores ou profissionais. O Prof. Martin Miller clarificou a importância de uma correta avaliação da obstrução das vias aéreas na prática clínica, de modo a evitar o sobre ou subdiagnóstico funcional de obstrução. Evidenciou a importância das orientações internacionais da European Respiratory Society (ERS), nas quais esteve envolvido, e que desencorajam a valorização clássica dos parâmetros de função respiratória em valores percentuais fixos, recomendando a utilização de limites da normalidade. Este Simpósio permitiu o encontro de diferentes profissionais de saúde (médicos de di-

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AS PROVAS DE FUNÇÃO RESPIRATÓRIA SÃO RECONHECIDAMENTE INSTRUMENTOS ESSENCIAIS NA AVALIAÇÃO DE DIVERSAS PATOLOGIAS, NOMEADAMENTE NA ASMA E NA DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÓNICA (DPOC), PARA CONFIRMAÇÃO DIAGNÓSTICA, MONITORIZAÇÃO DA SUA EVOLUÇÃO NATURAL, OU APÓS INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA

ferentes especialidades, desde a Imunoalergologia, Pneumologia e Pediatria à Medicina Geral e Familiar, técnicos de Cardiopneumologia, fisioterapeutas), num total de mais de 150 participantes, com interesse comum nesta área, permitindo o debate de ideias e conceitos num ambiente informal. Foi enfatizada a importância da continuação da realização desta reunião de caráter anual, de elevado interesse e com grande sucesso, sendo um dos raros eventos que permitem a abordagem específica de temas em função respiratória. No próximo ano contamos com a presença de todos.


6.ª REUNIÃO NACIONAL DA SOCIEDADE PORTUGUESA DE CONTRACEPÇÃO

“CONTRACEÇÃO, QUE OPÇÕES NO RISCO E NA DOENÇA?” A Sociedade Portuguesa da Contracepção nasceu em 2010, é jovem, tem crescido e na última Reunião já contámos com 230 inscritos, e recebemos 46 trabalhos, o que consideramos um balanço muito positivo. O tema veio na sequência do trabalho que temos desenvolvido no âmbito da saúde sexual e reprodutiva. Este ano dedicámos a Reunião à formação e debate sobre a orientação contracetiva de mulheres portadoras de doenças. Tivemos a colaboração na qualidade de palestrantes e moderadores muitos colegas expert na área: Dr.as Ana Rosa Costa, Fátima

DR.ª TERESA BOMBAS PRESIDENTE DA SOCIEDADE PORTUGUESA DA CONTRACEPÇÃO

Palma, Maria João Carvalho, Olga Caramelo, Rita Sousa e Dr. Joaquim Neves, entre outros aos quais mais uma vez agradecemos a colaboração. Foi abordada pela Dr.ª Lisa Vicente a situação nacional no acesso e uso de contraceção. Foi abordada a problemática da contraceção em mulheres com antecedentes e/ou história familiar de cancro de mama, a contraceção em mulheres polimedicadas. O risco de tromboembolismo venoso (TEV) ligado à contraceção hormonal continua a ser uma preocupação e voltámos a abordar o tema, baseado na discussão atual da importância/necessidade da realização de rastreio de trombofilias. A enxaqueca, hoje, é uma doença bem estudada e com uma prevalência importante na população feminina, pelo que discutimos as recomendações na escolha contracetiva para estas mulheres. A contraceção definitiva tem sido um tema afastado das últimas reuniões, mas a realidade é que existem mulheres que a desejam e, por isso, devemos manter a nossa atualização. Abordámos a contraceção masculina onde a investigação ainda está longe da aplicabilidade clínica. Discutimos a atualização das nossas recomendações em contraceção, que esperamos estarem disponíveis no próximo ano. Um dos pontos altos da Reunião foi a discussão da formação em Saúde Sexual e Reprodutiva durante a Internato em Ginecologia e Obstetrícia. A Dr.ª Amália Pacheco apresentou os resultados de um inquérito realizado entre especialistas e internos da especialidade, ficando claro que a formação nesta área deve ser revista. Tivemos entre nós, o Professor Johannes Bitzer um dos responsáveis pelo programa de formação Euro-

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O RISCO DE TROMBOEMBOLISMO VENOSO (TEV) LIGADO À CONTRACEÇÃO HORMONAL CONTINUA A SER UMA PREOCUPAÇÃO E VOLTÁMOS A ABORDAR O TEMA, BASEADO NA DISCUSSÃO ATUAL DA IMPORTÂNCIA/ /NECESSIDADE DA REALIZAÇÃO DE RASTREIO DE TROMBOFILIAS

peu do European Board & College of Obstetrics and Gynaecology (EBCOG) que nos falou deste projeto e o Professor Ezequiel Perez de Campos que nos falou da experiência do Master em Saúde Sexual e Reprodutiva da Sociedade Espanhola de Contracepção (SEC) com a Universidade Alcalá de Henares, Madrid. Nos workshops abordámos a prática dos métodos de contraceção de longa duração e as dificuldades clínicas no uso da contraceção. Tivemos uma inovação que foi a formação “Em situações de crime contra a autodeterminação sexual”. A formação nesta área é fundamental e foi ótima a colaboração dada pelos Drs. João Redondo, do Grupo de Violência do Serviço de Psiquiatria dos CHUC, do Dr. Jorge Leitão, Procurador da República (DIAP Coimbra) e dos Drs. José Vieira de Sousa e Rosário Lemos, da Medicina Legal de Coimbra. Premiámos os melhores trabalhos apresentados sob a forma de poster e de comunicação livre. Para o ano, a Reunião será no Porto na mesma altura do ano, ocasião em que se comemora o Dia Mundial da Contraceção.


DOSSIÊ :: 7.º CONGRESSO DO GRUPO DE ESTUDOS DO CANCRO DO PULMÃO DR. FERNANDO BARATA “O Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão está de parabéns por mais um grande evento”

PROF. DOUTOR VENCESLAU HESPANHOL “Há cada vez mais tratamentos disponíveis, mais doentes com uma maior qualidade de vida, mais sobrevivência”

CANCRO DO PULMÃO

NOVIDADES TERAPÊUTICAS TOMAM LUGAR NO 7.º CONGRESSO DO GECP Coimbra foi palco para a 7.ª edição do Congresso do Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão (GECP). Mais de 200 especialistas rumaram ao centro do país, levando consigo os temas chave em pneumologia oncológica para partilhar durante três dias de Congresso.

PROF. DOUTOR ANTÓNIO ARAÚJO “A heterogeneidade tumoral é uma área muito importante do conhecimento médico oncológico”


7.º CONGRESSO DO GRUPO DE ESTUDOS DO CANCRO DO PULMÃO :: DOSSIÊ

EM RETROSPETIVA Foram mais de 200 os especialistas que se reuniram em Coimbra, no Hotel Vila Galé, para três dias de profunda discussão acerca das mais recentes novidades no campo da patologia oncológica respiratória. Em entrevista, o Dr. Fernando Barata, presidente do Congresso e do Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão, traça uma avaliação muito positiva do evento científico. “Penso que foi um excelente Congresso”, afirma sem hesitação. E acrescenta que a

sétima edição do Congresso, que se realiza de dois em dois anos, foi pautada pela diversidade temática. A multidisciplinaridade no tratamento e abordagem do cancro do pulmão esteve espelhada nas múltiplas sessões, nas quais os “temas foram tratados de uma forma exemplar e de elevado grau científico por todos os palestrantes”. Em retrospetiva, o presidente do GECP reforça ainda que este foi um evento com bastante

interação entre todos os presentes, não esquecendo o grande entusiasmo dos seus participantes em todo o Congresso. De realçar também a grande adesão, que tem vindo a ser uma marca dos encontros do Grupo de Estudos. No final, o Dr. Fernando Barata lança o repto para a 8.ª edição do Congresso, que decorrerá em outubro de 2018 e felicita o GECP: “O Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão está de parabéns por mais um grande evento”.

DR. FERNANDO BARATA

UMA DOENÇA CRÓNICA CANCRO DO PULMÃO

PROF. DOUTOR VENCESLAU HESPANHOL

Para o Prof. Doutor Venceslau Hespanhol, Presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, a sessão promovida pelo Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão foi, por si só, um desafio. Um desafio – refere - no sentido de interpretar se o cancro do pulmão, uma doença que tanto preocupa os especialistas desta área ao longo da sua vida de trabalho, se está a transformar numa doença crónica. Posto isto, o médico coloca duas questões: “O primeiro problema tem a ver com o que é uma doença crónica. É difícil identificar quando os limites

são próximos, o que torna mais complicado de interpretar o assunto. Será que posso já considerar uma doença crónica? O outro problema é se ela será uma doença crónica para todos os doentes.” O que se tem vindo a verificar, segundo o especialista do Centro Hospitalar São João, é que há cada vez mais pessoas capazes, tendo em conta a identificação precoce da sua doença. E com os tratamentos que progressivamente se oferecem, há cada vez mais uma percentagem significativa de pessoas que são capazes de viver a com a doença.

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“Estes que mantêm a doença não a conseguimos, em muitos casos, curar; mas não estando curada, permite que a pessoa tenha uma vida o mais normal possível e uma sobrevivência cada vez maior com estas opções.” Para concluir, o Prof. Doutor Venceslau Hespanhol afirma que há cada vez mais tratamentos disponíveis, mais doentes com uma maior qualidade de vida, mais sobrevivência e, provavelmente, há mais pessoas que têm cancro do pulmão avançado como uma doença crónica, e não como uma doença fulminante, como antigamente sucedia.


DOSSIÊ :: 7.º CONGRESSO DO GRUPO DE ESTUDOS DO CANCRO DO PULMÃO

O PAPEL DO DIAGNÓSTICO

PROF. DOUTOR JOSÉ CARLOS MACHADO

A necessidade de caracterizar molecularmente os tumores de forma rotineira e fácil foi o foco da apresentação do Prof. Doutor José Carlos Machado, vice-presidente do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP), numa sessão dedicada à temática “Diagnosis landscape on the determination of EGFR resistant mutations”. “Aquilo que nós fazemos hoje

em dia tem muito a ver com a informação que se obtém no momento do diagnóstico, mas a doença progride, e não faz muito sentido tratar um doente ao fim de dois anos de doença com informação recolhida no diagnóstico”, explica o especialista em Genética Molecular. E acrescenta: “a possibilidade de utilizar métodos como a biopsia líquida para

rapidamente e de forma simples perceber o que está a acontecer de momento ao doente é uma forma excelente e prática”, para além de garantir o melhor tratamento possível. Na sua apresentação, o Prof. Doutor José Carlos Machado focou ainda que o que se pretende nesta área é que o doente beneficie ao máximo das opções terapêuticas que lhe são oferecidas.

A HETEROGENEIDADE TUMORAL NO TRATAMENTO DO CANCRO DO PULMÃO Segundo o Prof. Doutor António Araújo, diretor do Serviço de Oncologia do Centro Hospitalar do Porto e presidente da Pulmonale, a heterogeneidade tumoral é uma área muito importante do conhecimento médico oncológico, especificamente para o tratamento do cancro do pulmão. O especialista esclarece que o motivo da sua importância reside na capacidade de a heterogeneidade tumoral explicar por que razão alguns tumores resistem ao tratamento e se continuam a desenvolver. Foram abordados quais os mecanismos de aparecimento de heterogeneidade intertumoral, nomeadamente de que forma é que as células vão sendo cada vez mais distintas das iniciais, como se explica que as metástases provenientes do tumor sejam tão diferentes entre si, e do próprio tumor de origem, e as

implicações que estes fatores têm a nível do tratamento. “Este facto é aquele que explica que nós não consigamos, muitas vezes, a cura do tumor; explica as dificuldades que temos em tratar os doentes, em encontrar o melhor tratamento possível para os doentes.” O método de avaliação da heterogeneidade também foi um dos temas abordados, e de acordo com o Prof. Doutor António Araújo, esta área ainda é de conhecimento relativamente recente e os meios disponibilizados para investigação são, de alguma forma, primários. Ainda assim, acrescenta, estão a ser desenvolvidas investigações. Entre esta, refere a sequenciação genética profunda, que permite dar uma noção de como vão aparecer os clones de células, diferentes entre si e de como evoluem. Fica por saber que

implicações práticas poderá este conhecimento vir a ter na seleção dos medicamentos. “Por outro lado, estamos também a desenvolver a reconstrução tridimensional de tumores a partir de linhas celulares de tumores dos nossos doentes, de forma a tentar também entender como é que evolui o tumor. Este estudo é feito em laboratório, mimetizando de alguma forma, o que se passa no doente. Pretendese saber como é que este tumor vai evoluir e como é que ele poderá vir a responder aos tratamentos que lhe queremos efetuar, de forma a identificar quais os melhores tratamentos para aquele doente. Isto porque já percebemos que cada doente é um doente, e cada tumor não é uma massa homogénea, mas sim uma massa heterogénea que vai evoluir de forma diferente, de doente para doente.”

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PROF. DOUTOR ANTÓNIO ARAÚJO


7.º CONGRESSO DO GRUPO DE ESTUDOS DO CANCRO DO PULMÃO :: DOSSIÊ

OTIMIZAÇÃO DA JORNADA DO DOENTE COM CPNPC ALK+ OU ROS1+ A Dr.ª Bárbara Parente, membro do Conselho Científico do Grupo de Estudo do Cancro do Pulmão (GECP), explica, em entrevista, de que forma se devem otimizar os diferentes fármacos em diferentes linhas do cancro do pulmão. De acordo com a palestrante, o ponto da situação é de grande importância para pneumologistas oncológicos. Isto porque tratam de um fármaco, o Crizotinib, que neste momento tem indicação em primeira linha em duas situações: nos doentes que têm translocação do ALK positivo e nos doentes que têm o ROS positivo. Sendo uma área de tão difícil tratamento quanto é o cancro do pulmão, em que se sabe que apenas 15% dos doentes têm mutação positiva

do GFR, e esses sim são tratados com terapêuticas alvas; a estes podem acrescentar-se mais 10%, e o total de cerca de 25% são os doentes que podem ser tratados em primeira linha. O Crizotinib deve ser usado nestas circunstâncias o maior tempo possível, diz a Dr.ª Bárbara Parente, porque muitas vezes os doentes estão a progredir lentamente mas estão a responder ao tratamento e têm uma boa qualidade de vida, particularmente na doença oligometastática. Outro fator importante são os efeitos laterais dos fármacos. Apesar de estes não serem muito graves, é necessário ter atenção aos efeitos secundários, porque se assim for, é possível tratar os doentes durante mais tempo.

“Se eu sei quais são os efeitos laterais, faço as análises atempadamente, estou atenta e apercebo-me quando surge uma alteração, ou clínica ou hematológica, e posso imediatamente suspender esse fármaco se for o caso. Nomeadamente foi levantado por um colega da assistência uma pneumonite, que é raríssimo na maioria dos casos, e temos que saber parar imediatamente nessa altura”, afirma. A especialista reforça ainda a importância da avaliação do hemangioma, alertando para a necessidade de “ser feita com calma e não pode ser feita cedo de mais”, para não aparecerem resultados onde o fármaco ainda não teve tempo de atuar.

DR.ª BÁRBARA PARENTE

RADIOTERAPIA NA DOENÇA LOCALMENTE AVANÇADA

DR.ª CATARINA TRAVANCINHA

A apresentação da Dr.ª Catarina Travancinha, do Serviço de Radioterapia do IPO de Lisboa, centrou-se na inovação em Radioncologia no tratamento do carcinoma do pulmão localmente avançado. O carcinoma do pulmão é o 3.º cancro mais comum na Europa e a primeira causa de morte oncológica. A Dr.ª Catarina Travancinha explica que “a radioterapia (RT) em combinação com a quimioterapia (QT) é o tratamento de eleição nos 35% de carcinomas do pulmão de não pequenas células

(CPNPC) localmente avançados, inoperáveis. O tratamento poderá ser realizado em regime sequencial ou concomitante, tendo o tratamento concomitante mostrado superioridade (SG três anos de 24% vs 18%). Quando se pensa neste subgrupo de doentes, com carcinoma do pulmão localmente avançado, há que ter dois fatores em consideração: as toxicidades e os resultados quer em termos de controlo local como em termos de sobrevivência. A especialista afirma que com a evolução da radioterapia, tem-se

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verificado que ao aumentar a precisão tanto de diagnósticos de adiamento como de entrega de doses e de verificação, consegue-se um melhor rácio terapêutico. Em conclusão, aponta: “Conseguimos diminuir os nossos volumes de tratamento, conseguimos diminuir as toxicidades, diminuir os défices da qualidade de vida dos doentes e aumentamos com isso uma melhor cobertura do volume alvo, melhoramos o controlo local e consequentemente a sobrevivência destes doentes”.


DOSSIÊ :: 7.º CONGRESSO DO GRUPO DE ESTUDOS DO CANCRO DO PULMÃO

O PAPEL DA IMUNO-ONCOLOGIA NO TRATAMENTO DO CANCRO DO PULMÃO Por ocasião do 7º Congresso Português do Cancro do Pulmão, a Bristol-Myers Squibb® promoveu uma sessão dedicada à Imuno-Oncologia. Esta sessão contou com a participação do Dr. Jaime Jesus Corral, oncologista no Hospital Universitario Virgen del Rocío, em Sevilha, e da Dr.ª Ana Barroso, responsável pela Unidade Multidisciplinar de Tumores Torácicos do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia-Espinho.

NIVOLUMAB: UMA NOVA OPÇÃO TERAPÊUTICA “Até há pouco tempo as opções terapêuticas de 2.ª linha para o tratamento do carcinoma do pulmão de não pequenas células (CPNPC) eram apenas o erlotinib, o docetaxel e o pemetrexedo. Nos últimos anos, desde 2014, o paradigma mudou radicalmente, pois surgiu a associação de antiangiogénicos à quimioterapia e, mais recentemente, a ImunoOncologia”, introduziu o Dr. Jaime Jesus Corral. O oncologista destacou o papel do nivolumab, começando por apresentar um estudo de fase I desenvolvido por Gettinger S, et al., em 2015, que avaliou a eficácia do anticorpo no tratamento do CPNPC avançado. Neste ensaio, “verificou-se que a sobrevivência global (OS) após um ano desde o início do tratamento com nivolumab foi de 56%, após dois anos de 42% e após três anos de 27%”. Foi também observado que “o fármaco foi eficaz quer na histologia escamosa, quer na histologia não-escamosa. Os doentes que responderam ao tratamento apresentaram resposta

nas primeiras oito semanas e, após suspensão da terapêutica, o benefício do fármaco manteve-se”. Relativamente à toxicidade associada ao nivolumab, o orador destacou que “os eventos adversos de grau 3 e 4 foram inferiores a 10%”, acrescentando que “esta percentagem é muito diferente daquela que habitualmente acontece com a quimioterapia”. O especialista apresentou também um ensaio de fase III (Brahmer J, et al., 2015) que comparou a eficácia de nivolumab versus docetaxel como tratamento de 2.ª linha em doentes com CPNPC avançado. Os resultados mostraram que o nivolumab, inibidor de checkpoint “beneficiou os doentes com PD-L1 negativo e com PD-L1 positivo” e que “houve um benefício absoluto de três meses na OS”.

naturais do organismo e do próprio sistema imunológico para lutar contra o cancro”, acrescentou. “Ainda existem alguns desafios na prática clínica com a Imuno-Oncologia, nomeadamente a avaliação da resposta ao tratamento (critérios de resposta imuno-relacionados), a gestão dos efeitos secundários e a sua aprovação pelas entidades reguladoras”, admitiu. Relativamente à gestão dos efeitos secundários, a palestrante começou por esclarecer que “a Imuno-Oncologia tem um perfil completamente diferente do perfil de toxicidade de outros medicamentos já conhecido”, como é o caso da quimioterapia. “Os eventos adversos da Imuno-Oncologia são autoimunes e inflamatórios, ou seja, há inflamação que pode surgir em qualquer órgão. Os sintomas mais comuns são fadiga, rash, prurido, náuseas e diarreia. Na maioria das vezes a toxicidade associada à Imuno-Oncologia é controlável com medicação imunossupressora. O início destes efeitos adversos pode surgir em qualquer altura, podendo aparecer após a descontinuação

COMO TRATAR OS EFEITOS SECUNDÁRIOS EM IMUNO-ONCOLOGIA? “A Imuno-Oncologia é um novo conceito terapêutico que veio revolucionar a vida dos nossos doentes”, começou por afirmar a Dr.ª Ana Barroso. “Passamos a poder recorrer às capacidades

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“A SOBREVIVÊNCIA GLOBAL (OS) APÓS 1 ANO DESDE O INÍCIO DO TRATAMENTO COM NIVOLUMAB FOI DE 56%, APÓS DOIS ANOS DE 42% E APÓS TRÊS ANOS DE 27%”. DR. JAIME JESUS CORRAL do tratamento”. Segundo a pneumologista, “é fundamental reconhecer e tratar precocemente os efeitos secundários imunorrelacionados”. No final da sessão, a preletora sublinhou que “ É importante ter sempre presente a possibilidade de que possam ocorrer efeitos secundários imunorrelacionados. Como tal, é necessário estabelecer um plano de vigilância, identificar o grau de gravidade dos efeitos e atuar de acordo com protocolos pré-estabelecidos. Por fim, a oradora salientou que, acima de tudo, o doente deverá ser alertado para a ocorrência de eventuais eventos adversos, sendo, nesta altura, entregue o cartão de alerta do doente, que contém informação de segurança relativamente ao tratamento com nivolumab.


7.º CONGRESSO DO GRUPO DE ESTUDOS DO CANCRO DO PULMÃO :: DOSSIÊ

O PAPEL DOS ANTICORPOS MONOCLONAIS NO TRATAMENTO DO CANCRO DO PULMÃO No âmbito do 7º Congresso Português do Cancro do Pulmão, que decorreu em Coimbra entre os dias 13 e 15 de outubro, a Lilly Portugal® promoveu um simpósio satélite para debater opções terapêuticas no cancro do pulmão de não-pequenas células (CPNPC). Numa sessão moderada pela Dr.ª Encarnação Teixeira e pelo Dr. Henrique Queiroga, um painel de especialistas de renome partilhou o seu expertise sobre o tratamento desta neoplasia difícil de tratar.

RECENTES DESENVOLVIMENTOS NA PRIMEIRA LINHA DE TRATAMENTO DO CPNPC AVANÇADO DE HISTOLOGIA ESCAMOSA: ENSAIO SQUIRE “Diferentes doentes, diferentes doenças”, introduziu o Prof. Doutor Nick Thatcher, do Christie Hospital em Manchester, enquadrando que “o CPNPC de histologia escamosa compreende 30-40% dos tumores do pulmão é um tumor agressivo e difícil de tratar, afecta predominantemente homens com hábitos tabágicos pronunciados e associa-se a uma sobrevivência global (OS) 30% inferior aos tumores de histologia escamosa. Estes doentes apresentam frequentemente comorbilidades, como doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC).” As opções terapêuticas de primeira linha para doentes com CPNPC avançado são escassas e, até 2015, não se registavam avanços significativos há cerca de duas décadas, permanecendo os dupletos de quimioterapia como o standard of care. Desde o início de 2000, foram testados vários dupletos de

quimioterapia com platinos, não tendo sido observada uma diferença significativa nos ganhos de sobrevivência global entre eles. No entanto, em 2005 uma meta-análise de outcomes de sobrevivência sugeriu um benefício de sobrevivência global a um ano de 3.9% a favor de regimes contendo platinos mais gemcitabina comparados com outros regimes com platinos. Em 2012, um ensaio de fase III trouxe os primeiros resultados animadores para os doentes com CPNPC de histologia escamosa, ao demonstrar um significativo benefício na taxa de resposta global (ORR) objetiva ao adicionar nabpaclitaxel versus paclitaxel convencional (solvent based) à carboplatina em primeira linha de tratamento destes doentes) (41% vs. 24%, p<0.001). Não se observaram, no entanto, benefícios de sobrevivência livre de progressão (PFS) ou de sobrevivência global (OS). “As terapêuticas-alvo disponíveis para o tratamento em primeira linha do CPNPC do tipo escamoso são extremamente desafiantes e, até 2015, “não tinham sido aprovados agentes desta

classe para a primeira linha de tratamento destes doentes.” As imunoterapias, em concreto os inibidores de checkpoint imunológicos, têm causado bastante entusiasmo como opção de tratamento em primeira linha no CPNPC de histologia escamosa, embora nem todos os resultados até à data sejam favoráveis. O ensaio de fase III de nivolumab versus quimioterapia falhou, não tendo alcançado o seu endpoint primário, mas o ensaio recentemente divulgado KEYNOTE-024, de pembrolizumab versus quimioterapia, alcançou um significativo benefício de PFS e OS a favor do pembrolizumab sobre os dupletos de quimioterapia com platinos. Sabe-se que a ativação do recetor do fator de crescimento epidérmico (EGFR) desempenha um papel importante na génese tumoral e é um alvo potencial para tratar o CPNPC do tipo escamoso. O primeiro anticorpo monoclonal (mAb), direcionado ao EGFR, investigado como opção de primeira linha, em associação com quimioterapia com platinos foi o cetuximab. No entanto no ensaio de fase III – FLEX - , apesar de ter demonstrando ser eficaz

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no CPNPC em particular no subgrupo de histologia escamosa não foi aprovado dado ao perfil desfavorável risco benefício. Necitumumab é um anticorpo anti-EGFR humanizado de segunda geração. Este mAb foi investigador no ensaio de fase III SQUIRE, em que 1093 doentes com CPNPC de histologia escamosa em estádio IV sem tratamento prévio foram aleatorizados para receber gemcitabina mais cisplatina (Gem-Cis) ou este regime em associação com necitumumab. Os resultados obtidos evidenciaram uma mediana de sobrevivência global (OS) significativamente mais longa no grupo do necitumumab (11.5 vs. 9.9 meses; hazard ratio [HR] 0.84; p=0.01), com as curvas de KaplanMeier a separar-se precocemente a favor do necitumumab mais Gem-Cis (a partir dos três meses de tratamento) e até ao final do estudo. A sobrevivência livre de progressão (PFS) também foi significativamente superior com a adição de necitumumab ao regime (5.7 vs. 5.5 meses; HR 0.85; p=0.02), bem como o tempo até ausência de resposta (4.3 vs. 3.6 meses; HR 0.84; p=0·006). De modo consistente, o benefício de OS e PFS observado


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com necitumumab manteve-se na maioria dos subgrupos analisados, incluindo doentes com ECOG PS 2. O perfil de segurança da associação de necitumumab a Gem-Cis foi aceitável, e de acordo com o esperado aos anticorpos anti-EGFR, salientando-se apenas a hipomagnesemia e o rash com superior incidência no braço do necitumumab. Adicionalmente, esta associação não teve impacto na deterioração da qualidade de vida (QoL) relacionada com a saúde (sintomas e PS) nestes doentes. Dado que um número semelhante de doentes em ambos os grupos de tratamento recebeu terapêutica antineoplásica sistémica após o estudo (47% no braço com vs. 45% no braço sem necitumumab), e uma vez que o tipo de agentes utilizados na terapêutica pós-estudo também estavam bem balanceados entre os dois braços de tratamento, “é legítimo considerar que o benefício de sobrevivência observado nos braços do necitumumab se deve à adição deste agente à quimioterapia em vez de a um desequilíbrio na terapêutica administrada após o estudo.” “No geral, os resultados do SQUIRE constituem um importante avanço na pesquisa de novas opções terapêuticas para doentes com CPNPC do tipo escamoso metastático e representa uma nova opção de primeira linha para esta doença difícil de tratar”. A European Lung Cancer Conference (ELCC) 2016 trouxe mais dados de necitumumab decorrentes do ensaio SQUIRE, apresentando os resultados de um estudo que analisou outcomes no subgrupo de doentes com tumores com expressão de EGFR comparados com doentes sem expressão desta proteína. Verificou-se que, em 982 doentes do ensaio SQUIRE, 95% tinham tumores com expressão de EGFR e 5% não tinham expressão da proteína. A adição de

necitumumab a Gem-Cis traduziu-se num benefício de sobrevivência global e de sobrevivência livre de progressão de 21% e 16%, respetivamente, em relação à quimioterapia isolada em doentes cujos tumores expressavam o EGFR. Em contrapartida, não houve benefício nos doentes sem expressão de EGFR nos seus tumores. “Daqui se conclui que os doentes com CPNPC cujos tumores expressam o EGFR são os que mais beneficiam da adição de necitumumab à quimioterapia”, rematou.

docetaxel mais ramucirumab ou placebo como segunda linha de tratamento de doentes com CPNPC (de histologia escamosa e não-escamosa) em estádio IV após progressão sob platinos foram investigadas no ensaio aleatorizado de fase III REVEL. Um total de 1253 doentes foram aleatoriamente atribuídos a ramucirumab ou placebo. As características de baseline e demográficas dos doentes estavam bem balanceadas entre ambos os braços de estudo. Observou-se uma mediana de sobrevivência global de 10.5 meses para os 628 doentes alocados a ramucirumab mais docetaxel e 9.1 meses para os 625 doentes alocados a placebo mais docetaxel (HR 0.86; p=0.023). A mediana de sobrevivência livre de progressão foi de 4.5 meses para o grupo do ramucirumab versus 3.0 meses para o grupo de controlo (HR 0.76; p<0.0001). Tanto a taxa de resposta global (ORR) (22.9% vs. 13.6%; p<0.001) como a taxa de controlo da doença (DCR) (64.0% vs. 52.6%; p<0.001) foram significativamente superiores no braço do ramucirumab comparativamente ao placebo. Os benefícios de sobrevivência global e sobrevivência livre de progressão foram consistentes na maioria dos principais subgrupos analisados, incluindo os de histologia escamosa e não-escamosa. “O perfil de segurança de ramucirumab foi o esperado da associação de um anti-VEGFR a docetaxel, não se traduzindo num aumento de EAs graves ou de EAs conducentes a morte.” Foram observados EAs relacionados com o tratamento em 98% dos doentes na população de segurança de ramucirumab e 95% dos doentes da população de segurança de controlo. Os EAs de grau ≥3 mais comuns foram neutropenia (49% vs. 40%), neutropenia febril (16% vs. 10%), fadiga (14% vs. 10%), leucopenia (14% vs. 12%) e

DESAFIOS NA SEGUNDA LINHA DE TRATAMENTO DO CPNPC AVANÇADO: ENSAIO REVEL O Dr. Fernando Barata, Presidente do Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão (GECP), abordou os avanços na segunda linha de tratamento do CPNPC, sublinhando que estes têm sido limitados. “Apenas três agentes estão aprovados pelo regulador americano FDA neste contexto: docetaxel, pemetrexed e erlotinib, com medianas de sobrevivência global de 7-8 meses.” “Excluindo análises de subgrupos, mais nenhum ensaio a avaliar a adição de um novo agente à quimioterapia standard em segunda linha demonstrou um benefício de sobrevivência nestes doentes”, acrescentou. Para o tratamento após progressão sob platinos estão disponíveis duas novas classes de fármacos (para além da quimioterapia e dos anti-EGFRs): anti-angiogénicos e inibidores de checkpoint imunológicos. O ramucirumab surge como uma nova opção terapêutica no contexto do tratamento em segunda linha do CPNPC avançado. Trata-se de um anticorpo monoclonal humanizado dirigido ao domínio extracelular do recetor do fator de crescimento endotelial vascular 2 (VEGFR2). A eficácia e segurança do tratamento com

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hipertensão (6% vs. 2%). O número de mortes por EAs (5% vs. 6%) e de hemorragias pulmonares de grau ≥3 (1% vs. 1%) não diferiu entre os grupos de tratamento. As toxicidades foram manejáveis com reduções de dose e cuidados de suporte. “Face a estes resultados, ramucirumab mais docetaxel associa-se a um benefício de sobrevivência em segunda linha de tratamento de doentes com CPNPC em estádio IV.” Uma análise exploratória dos 29% de doentes do estudo REVEL que foram refratários à quimioterapia em primeira linha foi apresentada no congresso da ASCO 2016. Estes doentes têm tradicionalmente um prognóstico particularmente desfavorável e constituem um subgrupo difícil de tratar. Os doentes foram aleatorizados para docetaxel mais ramucirumab ou placebo, tendo-se verificado no braço de controlo “uma mediana de OS de 6.3 meses versus 10.3 meses para os doentes refratários e não refratários à primeira linha de tratamento, respetivamente, evidenciando o pior prognóstico dos doentes refratários.” As características de baseline do subgrupo refratário à quimioterapia estavam bem balanceadas entre os grupos de tratamento. Face a estes resultados, os investigadores concluíram que o efeito da associação de ramucirumab a docetaxel no tratamento de doentes com CPNPC avançado refratário à primeira linha de tratamento “é consistente com o observado na população em intenção-de-tratar (ITT). O perfil de risco/benefício para doentes refratários sugere que ramucirumab mais docetaxel é uma opção de tratamento legítima mesmo neste subgrupo de doentes difícil de tratar.” “Ramucirumab é, pois, um fármaco de valor acrescentado, valioso tanto na primeira como na segunda linha de tratamento de doentes com CPNPC avançado.”


1º TRATAMENTO BIOLÓGICO APROVADO PELA EMA* para os doentes com CPNPC, histologia escamosa

PA R T I L H E M A I S CO M PORTRAZZA

Um aumento da sobrevida que proporciona aos doentes mais momentos especiais para partilhar. Portrazza em associação com quimioterapia com gemcitabina e cisplatina está indicado no tratamento de doentes adultos com carcinoma do pulmão de não pequenas células localmente avançado ou metastático, de histologia escamosa, com expressão do recetor do fator de crescimento epidérmico (EGFR) que não receberam prévia quimioterapia para esta patologia1

17% PTONC00095 AO/OUT2016

de melhoria na mediana OS1

OS mediana no braço de Portrazza foi 11,5 meses Vs 9,9 meses no braço de GC (HR [95% CI]: 0,84 [0,74, 0,96]; P=0,012)1

95%

dos doentes presentes no SQUIRE expressaram EGFR1

1. RCM PORTRAZZA, FEV 2016; disponibilizado a pedido. Medicamento sujeito a receita médica restrita. Para mais informação contactar o titular da AIM.

Lilly Portugal - Produtos Farmacêuticos. Lda. TORRE OCIDENTE, Rua Galileu Galilei, N°2, Piso 7 Fracção A/D 1500-392 LISBOA Matriculada na Conservatória do registo Comercial de Cascais sob o número único de matrícula e de pessoa colectiva 500165602 Sociedade por quotas com o capital de €5.134.893,07 integralmente realizado.


PA R T I L H E MAIS COM PORTRAZZA Informações Essenciais Compatíveis com o Resumo das Características do Medicamento. Nome do medicamento: Portrazza 800 mg concentrado para solução para perfusão. Composição qualitativa e quantitativa: Cada frasco de 50 ml contém 800 mg de necitumumab. Cada ml de concentrado para solução para perfusão contém 16 mg de necitumumab. O concentrado deve ser diluído antes de ser utilizado. Excipiente com efeito conhecido: Cada frasco de 50 ml contém aproximadamente 244,4 mg de sódio. Forma farmacêutica: Concentrado para solução para perfusão (concentrado estéril). Indicações terapêuticas: Portrazza em associação com quimioterapia com gemcitabina e cisplatina está indicado no tratamento de doentes adultos com carcinoma do pulmão de não pequenas células localmente avançado ou metastático, de histologia escamosa, com expressão do recetor do fator de crescimento epidérmico (EGFR) que não receberam prévia quimioterapia para esta patologia. Posologia e modo de administração: Portrazza é administrado em associação com quimioterapia com gemcitabina e cisplatina por um período máximo de 6 ciclos de tratamento, toxicidade inaceitável. A dose recomendada de Portrazza é de 800 mg (dose única), administrada por perfusão intravenosa durante 60 minutos nos dias 1 e 8 de cada ciclo de 3 semanas. Se for indicada uma taxa de perfusão menor, a duração da perfusão não deverá ultrapassar 2 horas. Os doentes deverão ser vigiados durante a perfusão relativamente a sinais de reações relacionadas com a perfusão. Medicação prévia: Recomendase a medicação prévia com um corticosteroide e um antipirético em associação com um anti-histamínico em doentes que tenham registado anteriormente uma reação de hipersensibilidade deverá considerar-se a administração de medicação prévia para possíveis reações cutâneas. Modo de administração: Portrazza destina-se unicamente a utilização intravenosa. É administrado por perfusão intravenosa durante cerca de 60 minutos através de uma bomba de perfusão. Portrazza não deve ser administrado através de bólus intravenoso ou injeção intravenosa rápida. Caso tenha ocorrido anteriormente uma reação de hipersensibilidade ou uma reação relacionada com a perfusão, deverão ser observadas as recomendações de tratamento em caso de reações de hipersensibilidade/reações relacionadas com a perfusão, de acordo com o Quadro 1 do RCM. Só deverá ser utilizado cloreto de sódio 9 mg/ml (0,9 %) como diluente. As perfusões de Portrazza não devem ser administradas nem misturadas com soluções de glucose. Para instruções acerca da diluição do medicamento antes da administração, ver secção 6.6 do RCM (Consultar o Resumo das Características do Medicamento para informação detalhada). Contraindicações: Os doentes com história de hipersensibilidade grave ou potencialmente fatal à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes mencionados na secção 6.1 (ver secção 4.4 do RCM).(Consultar o Resumo das Características do Medicamento para informação detalhada). Advertências e precauções especiais de utilização: Acontecimentos tromboembólicos: Foram observados acontecimentos tromboembólicos venosos (VTE) e acontecimentos tromboembólicos arteriais (ATE), incluindo casos fatais, com necitumumab em associação com gemcitabina e cisplatina (ver também secção 4.8 do RCM). A administração de necitumumab deve ser cuidadosamente ponderada em doentes com história de acontecimentos tromboembólicos (como, por exemplo, embolia pulmonar, trombose venosa profunda, enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral) ou com fatores de risco pré-existentes de acontecimentos tromboembólicos (como idade avançada, doentes com períodos prolongados de imobilização, doentes gravemente hipovolémicos, doentes com doença trombofílica adquirida ou genética). O risco relativo de VTE ou ATE foi aproximadamente três vezes maior em doentes com história anterior de VTE ou ATE. O necitumumab não deve ser administrado a doentes com múltiplos fatores de risco de acontecimentos tromboembólicos, exceto se os benefícios em doentes com cavitação tumoral ou envolvimento dos grandes vasos pelo tumor). Tanto os doentes como os médicos devem prestar atenção a sinais e sintomas de tromboembolismo. Os doentes devem ser aconselhados a procurar cuidados médicos, se desenvolverem sintomas como falta de ar, dor no peito, inchaço dos braços ou das pernas. Deverá considerar-se a descontinuação de necitumumab em doentes que sofram um elevada de acontecimentos tromboembólicos graves (incluindo acontecimentos fatais) nos doentes do braço de necitumumab em associação com pemetrexedo e cisplatina em comparação pemetrexedo e cisplatina no CPNPC avançado de histologia não-escamosa. Doenças cardiorrespiratórias

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necitumumab em associação com gemcitabina e cisplatina, em comparação com 0,6% (3/541) dos doentes tratados apenas com quimioterapia. Doze dos quinze doentes morreram nos 30 dias posteriores à última dose de necitumumab e tinham comorbilidades, entre as quais história de doença arterial coronária (n=3), hipomagnesemia (n=4), doença pulmonar obstrutiva crónica (n=7) e hipertensão (n=5). Onze dos 12 doentes enfarte do miocárdio nos últimos 6 meses, hipertensão não

Reações de hipersensibilidade/reações relacionadas com a perfusão: episódios ocorreu geralmente após a primeira ou segunda administração de necitumumab. Durante e após a perfusão, os doentes devem ser observados em relação à ocorrência de sinais de hipersensibilidade e reações relacionadas com a perfusão, devendo ser igualmente assegurada a disponibilidade de equipamento de ressuscitação e dos recursos médicos adequados. Em doentes que tenham registado anteriormente uma recomenda-se a medicação prévia com um corticosteroide e um antipirético em associação com um anti-histamínico. Relativamente ao tratamento e aos ajustes da dose, ver secção 4.2. do RCM. Reações cutâneas cutâneas com necitumumab (ver secção 4.8). O início dos episódios ocorreu sobretudo durante o primeiro ciclo de tratamento. Relativamente ao tratamento e aos ajustes da dose, consultar a secção 4.2. do RCM. Pode ser útil um tratamento preventivo da pele, incluindo hidratante, protetor solar, creme esteroide tópico (1% hidrocortisona) e um antibiótico oral (por exemplo, doxiciclina) no tratamento de reações dermatológicas, desde que considerado apropriado do ponto de vista clínico. Os doentes podem ser aconselhados a aplicar hidratante, protetor solar e creme esteroide tópico no rosto, mãos, pés, pescoço, costas e peito. Anomalias electrolíticas: Ocorre com frequência uma diminuição progressiva dos níveis séricos de magnésio (81,3%), podendo causar hipomagnesiemia grave (18,7%) (ver também secção 4.8). A hipomagnesiemia pode voltar a ocorrer com o mesmo grau ou um grau pior após o adiamento da dose. Os doentes devem ser cuidadosamente vigiados relativamente aos eletrólitos séricos, incluindo magnésio, potássio e cálcio, antes de cada administração de necitumumab e após a conclusão do tratamento com necitumumab, até atingirem os níveis normais. Recomenda-se a rápida reposição dos eletrólitos, de acordo com as necessidades. Idosos: Em geral, não se observaram performance status e a tolerabilidade provável à quimioterapia com a associação de necitumumab devem, por isso, ser exaustivamente avaliadas antes do início do tratamento em doentes com mais de 70 anos de idade. Mulheres com potencial para engravidar/contraceção feminina: Com base no seu mecanismo de ação e em modelos animais em que a expressão do EGFR está alterada, o necitumumab pode causar malformações ou anomalias de desenvolvimento ao feto. As mulheres com potencial para engravidar devem ser aconselhadas a evitar engravidar durante o tratamento com necitumumab. Para além disso, necitumumab. Recomenda-se a adoção de medidas contracetivas ou abstinência (ver secção 4.6). Dieta restrita em sódio: Este medicamento contém 244 mg de sódio por dose. Este facto deve ser tido em consideração em doentes com uma : As reações adversas dieta restrita em sódio. (Consultar o Resumo das Características do Medicamento para informação detalhada). Efeitos indesejáveis: mais graves (Grau ≥3) observadas em doentes tratados com necitumumab foram reações cutâneas (6,3%) e acontecimentos de tromboembolismo venoso (4,3%). As reações adversas observadas com maior frequência foram reações cutâneas, acontecimentos de tromboembolismo venoso e anomalias laboratoriais (hipomagnesemia e hipocalcemia corrigida para a albumina). As reações adversas observadas com maior frequência em doentes tratados com necitumumab foram: Muito frequentes (≥1/10): Vómitos, estomatite, reações cutâneas, pirexia, hipomagnesemia, hipocalcemia corrigida para a albumina, hipofosfatemia, hipocalemia e perda de peso. Frequentes (≥1/100 a <1/10): Infeção do trato urinário, cefaleias, disgeusia, epistaxis, dor orofaríngea, disfagia, ulceração da boca, reações de hipersensibilidade/reações relacionadas com a perfusão, espasmos musculares e disúria (Consultar o Resumo das Características do Medicamento para informação detalhada). contínua ARMED, I.P. INFARMED, I.P. Direção de Gestão do Risco de Medicamentos Parque da Saúde de Lisboa, Av. Brasil 53, 1749-004 Lisboa, Tel: +351 21 798 73 73; Linha do Medicamento: 800222444 (gratuita):Fax:+351 21 798 73 97 E-mail: farmacovigilancia@infarmed.pt Lista dos excipientes: Citrato de sódio di-hidratado (E331), Ácido cítrico anidro (E330), Cloreto de sódio Glicina (E640), Manitol (E421), Polisorbato 80 (E433), Água para injetáveis DATA DA REVISÃO DO TEXTO: março 2016 Está disponível informação pormenorizada sobre este medicamento no sítio da internet da Agência Europeia de Medicamentos: http://www.ema.europa.eu. Medicamento de receita médica restrita. Para mais informações deverá contactar a Lilly Portugal, Produtos Farmacêuticos, Lda.

Lilly Portugal - Produtos Farmacêuticos. Lda. TORRE OCIDENTE, Rua Galileu Galilei, N°2, Piso 7 Fracção A/D 1500-392 LISBOA Matriculada na Conservatória do registo Comercial de Cascais sob o número único de matrícula e de pessoa colectiva 500165602 Sociedade por quotas com o capital de €5.134.893,07 integralmente realizado.


7.º CONGRESSO DO GRUPO DE ESTUDOS DO CANCRO DO PULMÃO :: DOSSIÊ

NOVIDADES PARA 2017 EM CANCRO DO PULMÃO “Novidades para 2017” foi o tema da mesa redonda moderada pela Dr.ª Encarnação Teixeira. Em entrevista, a pneumologista do Hospital de Santa Maria, Centro Hospitalar Lisboa Norte, sintetiza os pontos-chave discutidos na apresentação. Referindo-se à primeira intervenção feita pelo Prof. Peter Goldstraw, cirurgião torácico do Royal Brompton Hospital, a propósito do novo estadiamento do cancro do pulmão, a especialista realça a importância que este assunto

terá em termos de prognóstico e das abordagens terapêuticas. Na segunda intervenção, o Prof. Erik Thunnissen do departamento de patologia da VU University Medical Center falou acerca da nova classificação do adenocarcinoma. Para a pneumologista, a nova classificação do cancro do pulmão é importante pois, o facto de haver conceitos diferentes, poderá levar a abordagens terapêuticas diferentes, de acordo com esses pormenores e com

variadíssimas opções que poderão surgir. Em relação à terceira intervenção, orientada pela Dr.ª Rosário Campelo, especialista em Oncologia no Hospital Quirón A Coruña, sobre a integração de novos biomarcadores na prática multidisciplinar, a Dr.ª Encarnação Teixeira afirma que este tema é aquele que “traz mais entusiasmo” à discussão. Realça ainda que este assunto “está na base da evolução do cancro do pulmão e das terapêuticas”.

DR.ª ENCARNAÇÃO TEIXEIRA

NOVIDADES TERAPÊUTICAS

DR.ª MARTA SOARES

A coordenadora da Clínica do Pulmão do Instituto Português de Oncologia do Porto (IPOPorto), Dr.ª Marta Soares, foi uma das moderadoras do simpósio “Um novo tratamento sem precedentes na 1L do CPNPC EGFRmut+”, decorrido no âmbito do 7.º Congresso Português do Cancro do Pulmão. Em entrevista, a especialista destaca que esta sessão tem como propósito resumir os dados que foram apresentados recentemente no European Society for Medical Oncology Congress (ESMO 2016) sobre a utilização da Imuno-oncologia, principalmente em segunda linha, referindo que este é o

setting onde estes fármacos são utilizados de momento. A Dr.ª Marta Soares menciona ainda haver uma vantagem clara destes fármacos em segunda linha em termos de sobrevivência, com um perfil de toxicidade diferente do habitual, em comparação com quimioterapia. No que respeita aos efeitos laterais, a oncologista afirma que estes não são graves e são facilmente manejáveis, “desde que reconhecidos precocemente e tratados atempadamente”. Em conclusão, a especialista deixa em aberto: “A discussão seguinte e dado que existem já outros agentes com dados objetivos de eficácia, será

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qual a melhor estratégia de utilização dos vários fármacos. Qual a melhor combinação. Agente de 1.ª linha seguido de agente de 2.ª linha? Será que estes novos fármacos de 2.ª linha terão por si só melhor eficácia se usados em 1.ª linha? Estão a decorrer ensaios comparativos para termos respostas a algumas destas questões. Vivemos tempos de grande entusiasmo no tratamento do cancro do pulmão. Esperamos que com todo o conhecimento que temos até ao momento e com aquele que está a chegar possamos melhorar a qualidade de vida e se possível a quantidade de vida dos nossos doentes.”


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OVERCOMING RESISTANCE TO TKI TREATMENT IN NSCLC EGFRM + PATIENTS

DR. SANJAY POPAT, FRCP, PHD

The field of EGFR mutation positive non-small cell lung cancer (NSCLC) is moving rapidly. Despite initial excellent results with first-like EGFR tyrosine kinase inhibitors (TKIs) all patients eventually relapse. Several patterns of relapse are recognized including local failure (e.g.: brain metastases), oligoprogression (in a small number of sites) or systemic failure. How best to manage such patients has been the topic of investigation over recent years. Using second the generation TKI afatinib in this setting did not prolong overall survival. Rebiopsy studies of patients progressing on first-line EGFR TKIs have demonstrated a number of different molecular mechanisms of acquired resistance, including small cell

lung cancer transformation, bypass track signalling (e.g.: MET amplification), and emergence of the T790M allele; the latter being the commonest mechanism observed. This genotype is present at diagnosis at sub-clonal frequency in many patients, being detectable using ultra-sensitive EGFR testing methodology, and can also arise de novo. Third generation EGFR TKIs, including have been developed to overcome this T790M mediated acquired resistance. Such TKIs are mutation specific, with activity both against the typical L858R and del19 common EGFR mutations, but specifically also against EGFR T790M+ clones and are minimally active against the wild type EGFR kinase. Hence, toxicities observed with osimertinib typically do not

include marked rash, diarrhoea, or nail changes. Osimertinib is now EMA licensed for patients with EGFR T790M positive advanced NSCLC, from the dose-escalation and cohort expansion AURA trial data. This demonstrated a recommended dose of 80mg daily, with a response rate of 61% and median progression-free survival of 9.6 months in patients conformed to be T790M positive. Toxicities at this dose were minimal, with minimal major typical EGFR TKI toxicities observed: 1% grade 3+ diarrhoea, 0 grade 3+ rash. Data on the confirmatory CHAURAL trial randomizing patients between osimertinib and platinumpemetrexed chemotherapy is awaited to quantify the magnitude of the benefit of osimertinib.

RADIOTERAPIA TORÁCICA NO CPPC IV

DR.ª JOANA CARDIA

O cancro de pulmão de pequenas células (CPPC) representa cerca de 13% de todos os cancros do pulmão, e mais de metade dos casos é diagnosticado em estadio IV. É uma doença muito sensível aos tratamentos de quimioterapia (QT) e radioterapia (RT). No entanto, a recidiva ou progressão ocorre quase invariavelmente e a curto prazo, sendo a sobrevivência global (SG) no estadio IV de 4-7% aos dois anos. Dada a sua radiossensibilidade, a RT é usada para paliação de sintomas e como profilaxia da metastização cerebral. Após QT primária 75-90% dos doentes apresentam persistência de doença intratorácica, e 90% apresentam progressão nesta localização em menos de um ano,

tendo surgido estudos para avaliar a eficácia da RT torácica (RTT) de consolidação. Dois estudos randomizados (Jeremic et al e CREST study) mostraram o benefício da RTT de consolidação em doentes que apresentam resposta à QT e presença de doença torácica residual, com aumento da sobrevivência, sem toxicidade significativa. Outro estudo (RTOG 0937), que associou a RTT a RT paliativa aos locais de metastização à distância, foi descontinuado após análise preliminar, dado ter-se verificado que a RT não aumentava a sobrevivência dos doentes no braço experimental, e a toxicidade era excessiva. Apesar do pequeno número de

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estudos randomizados, o uso de RTT após resposta à QT primária, em doentes com doença residual intratorácica e pouco volume de doença à distância, parece estar associado a melhoria da sobrevivência livre de progressão e da SG. A dose de RT a ser administrada ainda está por definir, no entanto a dose de 30 Gy em 10 frações mostrou benefício sem toxicidade significativa. Apesar de demonstrado o benefício, os resultados são modestos, mantendo-se a SG aos dois anos baixa. São necessários mais estudos, que permitam avaliar se doses de RT mais elevadas poderão ser mais eficazes, e qual o papel da RT a locais de metastização assintomáticos.


INFORMAÇÃO

FDA APROVA PEMBROLIZUMAB EM PRIMEIRA LINHA PARA CPCNP COM ELEVADA EXPRESSÃO DE PD-L1 A Food and Drug Administration (FDA) acaba de aprovar o pembrolizumab (anti-PD-1) no tratamento de primeira linha do cancro do pulmão de células não pequenas (CPCNP) metastático, com elevada expressão de PD-L1 (>50%), sem alterações genómicas tumorais de EGFR ou translocação ALK. Após esta indicação, o pembrolizumab surge como o primeiro agente anti-PD1 aprovado no tratamento de primeira linha neste grupo de doentes. A aprovação deste fármaco em primeira linha decorre dos dados do estudo KEYNOTE-024 (aberto, aleatorizado), que comparou o pembrolizumab em monoterapia versus quimioterapia contendo platina, incluindo doentes com CPCNP metastático de histologia escamosa (18%) e histologia não escamosa (82%). O estudo dividiu uma amostra de 305 doentes em dois braços: pembrolizumab (200 mg a cada duas semanas) versus quimioterapia (standard of care) à escolha do investigador, contendo platina (pemetrexedo + carboplatina; pemetrexedo + cisplatina; gemcitabina +

cisplatina; gemcitabina + carboplatina ou paclitaxel + carboplatina). O estudo, que incluiu como endpoint primário a sobrevivência livre de progressão (PFS, sigla em inglês), permitiu a terapêutica de manutenção com pemetrexedo em doentes com histologia não escamosa. O ensaio foi interrompido em junho deste ano, porque, após uma análise interina, ficou demonstrada a superioridade de pembrolizumab, em comparação com quimioterapia, tanto para o endpoint primário (PFS), como para o objetivo secundário de sobrevivência global (OS). Nesta fase, foi dada a oportunidade para que os doentes no braço de quimioterapia pudessem receber tratamento com pembrolizumab. Relativamente aos resultados, o estudo evidenciou uma redução do risco de progressão ou morte de 50% com pembrolizumab, em comparação com quimioterapia. O estudo KEYNOTE-024 também demonstrou uma redução de 40% no risco de mortalidade versus quimioterapia.

Além desta nova indicação, a FDA também aprovou uma atualização de Informação do Medicamento, incluindo também os dados do estudo KEYNOTE-010, que avaliou o pembrolizumab (versus docetaxel 75 mg/m2 a cada três semanas) em segunda linha em doentes com CPCNP metastático, com expressão tumoral de PD-L1 (>=1%), tal como determinado através do teste aprovado pela FDA, após progressão da doença durante ou após quimioterapia. Neste ensaio de fase 2/3, pembrolizumab demonstrou uma OS superior a docetaxel em doentes com qualquer nível de expressão de PD-L1 O kit PD-L1 IHC 22C3 PharmaDXTM foi aprovado em 2015, pela FDA, para utilização na deteção de PD-L1. Este teste de diagnóstico é uma ferramenta auxiliar de diagnóstico e destina-se à identificação de doentes elegíveis para tratamento com pembrolizumab, incluindo previamente tratados, com tumores com qualquer nível de expressão de PD-L1 (TPS≥1%) e doentes naïve, cujos tumores expressam níveis de PD-L1 ≥50%.

EM REVISTA

CHLO LIDERA PROJETO PIONEIRO SOBRE INSUFICIÊNCIA CARDÍACA No âmbito do programa de Boas Práticas Clínicas de Integração de Cuidados, o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, em parceria com o ACES Lisboa Ocidental e Oeiras e com o apoio da Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, está a desenvolver no terreno o projeto “Elos da Insuficiência Cardíaca”, cujo objetivo é diagnosticar precocemente a insuficiência cardíaca (IC), uma doença que afeta cerca de 400 mil pessoas em Portugal. Este projeto permite que estes doentes sejam detetados e referenciados pelos Cuidados de Saúde Primários para o Programa de Insuficiência Cardíaca do Hospital (Unidade de IC aguda, Consulta de IC, ou Hospital de Dia consoante as situações) através da criação de uma “Via Verde para a IC”, de modo a permitir o acesso precoce aos cuidados necessários, reduzir os internamentos por descompensação, melhorar a informação clínica de retorno, cumprindo as indicações da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC). “Desta forma conseguimos garantir uma melhor investigação e acompanhamento dos doentes”, refere a Prof.ª Doutora Cândida Fonseca, responsável pela Unidade de Insuficiência Cardíaca e Hospital de Dia de

Especialidades Médicas do Hospital São Francisco Xavier, Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental. E acrescenta: “É consensual que existe um subdiagnóstico da insuficiência cardíaca, uma vez que mais de 50% dos doentes não são devidamente identificados. Estima-se ainda que 50% dos doentes com diagnóstico de insuficiência cardíaca não sobrevive cinco anos após o diagnóstico, pelo que é fundamental conseguirmos identificar os doentes o quanto antes”. “Elos da Insuficiência Cardíaca” integra-se no programa “Boas Práticas de Governação”, uma iniciativa da Novartis em parceria com a Universidade Nova de Lisboa, que proporciona, aos participantes, uma oportunidade de acesso a um plano curricular que lhes garante as bases teóricas e o acompanhamento necessário ao desenvolvimento dos projetos. Este ano sob o tema “Caminhos para a Implementação”, o programa “Boas Práticas de Governação” teve como objetivo apoiar a implementação na prática clínica de ideias inovadoras que fomentaram uma maior articulação entre cuidados de saúde primários e hospitalares, e que contribuíram para melhorias efetivas na qualidade de vida do doente.

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KEYTRUDA® (pembrolizumab) aprovado para o tratamento de doentes com Cancro do Pulmão de Células Não-Pequenas avançado, previamente tratados e cujos tumores expressam PD-L1.

Nome do medicamento KEYTRUDA® 50mg pó para concentrado para solução para perfusão. Composição quantitativa e qualitativa Um frasco para injetáveis de pó contém 50 mg de pembrolizumab, Após reconstituição, 1 ml de concentrado contém 25mg de pembrolizumab. Pembrolizumab é um anticorpo monoclonal humanizado, antirrecetor PD-1. Indicações terapêuticas KEYTRUDA® em monoterapia está indicado para o tratamento do melanoma avançado (irressecável ou metastático) em adultos. KEYTRUDA® está indicado para o tratamento do cancro do pulmão de células não-pequenas (CPCNP) localmente avançado ou metastático em adultos cujos tumores expressam PD-L1 e que receberam pelo menos um esquema de tratamento prévio com quimioterapia. Doentes com mutações tumorais positivas EGFR ou ALK devem também ter recebido a terapêutica aprovada para essas mutações antes do tratamento com KEYTRUDA®. Posologia e modo de administração 2mg/kg, administrada por via intravenosa, durante um período de 30 minutos a cada 3 semanas. Os doentes devem ser tratados com KEYTRUDA® até progressão da doença ou toxicidade inaceitável. Doentes com CPCNP devem ser selecionados para o tratamento com base na expressão de PD-L1 no tumor, confirmada por um teste validado. Contraindicações Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes. Efeitos indesejáveis Advertências e precauções especiais de utilização Pembrolizumab é mais frequentemente associado com reações adversas relacionadas com o sistema imunitário; segurança avaliada em 2.799 doentes com melanoma avançado ou CPCNP sendo as reações adversas mais frequentes fadiga (24%), erupção cutânea (19%), prurido (18%),diarreia (12%), náuseas (11%) e artralgia (10%), maioria Grau 1 – 2 e reações adversas mais graves imunitárias ou relacionados com perfusão. KEYTRUDA® deve ser interrompido definitivamente se toxicidade de Grau 4, exceto para endocrinopatias controladas com hormonas de substituição, dose de corticosteroides não puder ser reduzida para ≤10 mg de prednisona dia ou equivalente em 12 semanas, toxicidade relacionada com o tratamento não diminuir para Grau 0-1 em 12 semanas após última dose ou ocorrer segunda vez acontecimento de Grau ≥3. Pneumonite: Grau 2 suspender; Grau 3 – 4, ou recorrente, interromper definitivamente; Colite, Grau 2 ou 3 suspender, Grau 4 interromper definitivamente; Nefrite Grau 2 com creatinina >1,5 – 3x LSN suspender, Grau ≥3 com creatinina ≥3 vezes o LSN interromper definitivamente; Endocrinopatias, Hipofisite sintomática, Diabetes tipo 1 com hiperglicemia Grau >3 ou cetoacidose, Hipertiroidismo de Grau ≥3 – suspender; endocrinopatia de Grau 3 ou Grau 4 interromper tratamento os se melhorar para Grau 2 ou inferior, controlada com substituição hormonal, pode ser considerada continuação com pembrolizumab após redução de corticosteroides; Hipotiroidismo gerido com terapêutica de substituição sem interrupção do tratamento. Hepatite: suspender se AST ou ALT > 3 – 5 x LSN ou bilirrubina total >1,5 – 3x; LSN (Grau 2); interromper definitivamente AST ou ALT >5 x LSN ou bilirrubina total >3 vezes o LSN (Grau ≥3), metástases hepáticas com aumento Grau 2 de AST ou ALT, hepatite com aumentos da AST ou da ALT ≥50% durante ≥1 semana; Reações relacionadas com a perfusão: Grau 3 ou 4 interromper definitivamente. KEYTRUDA® sem ajuste posológico para doentes idosos, compromisso renal ligeiro ou moderado ou compromisso hepático ligeiro; não estudado em doentes pediátricos, compromisso renal grave, compromisso hepático moderado ou grave. Dados limitados de segurança e eficácia em doentes com melanoma ocular. Interações medicamentosas e outras formas de interação Não foram realizados estudos de interação medicamentosa com pembrolizumab, não sendo esperadas quaisquer interações medicamentosas metabólicas por pembrolizumab ser eliminado por catabolismo. Evitar o uso de corticosteroides sistémicos ou outros imunossupressores antes de iniciar pembrolizumab; podem ser usados corticosteroides sistémicos ou outros imunossupressores após início de pembrolizumab para tratar reações adversas imunitárias. Não existem dados sobre a utilização de pembrolizumab em mulheres grávidas ou excreção no leite materno. Pembrolizumab não deve ser utilizado durante a gravidez. Data da Revisão do texto: 07/2016.

Merck Sharp & Dohme, Lda. | www.msd.pt | Tel. 214 465 700 Quinta da Fonte, 19 - Edifício Vasco da Gama, 2770-192 Paço de Arcos | NIPC 500 191 360 Copyright © 2016 Merck Sharp & Dohme Corp., uma subsidiária de Merck & Co., Inc., Kenilworth, NJ, EUA. Todos os direitos reservados. | Medicamento sujeito a receita médica restrita, de utilização reservada a certos meios especializados | Para mais informações contactar o titular de AIM ou seu representante local Merck Sharp & Dohme, Lda. RCM KEYTRUDA® disponível a pedido. | Antes de prescrever KEYTRUDA®, consulte o Resumo das Características do Medicamento. ONCO-1195851-0001 10/2016


10.AS JORNADAS DE PREVENÇÃO DO RISCO CARDIOVASCULAR PARA MEDICINA FAMILIAR

“UM ESPAÇO DE REFLEXÃO E DEBATE SOBRE A PREVENÇÃO CARDIOVASCULAR”

DR. PEDRO MARQUES DA SILVA PRESIDENTE DAS 10.as JORNADAS DE PREVENÇÃO DO RISCO CARDIOVASCULAR PARA MEDICINA FAMILIAR

Meus amigos, Caros colegas, Em junho, com vocês, vivi mais um momento de prazer e alegria: “10.ªs Jornadas de Prevenção do Risco Cardiovascular para Medicina Familiar”. Albufeira, juntos, em dois dias de reflexão, aprendizagem, controvérsia e aprofundamento. Obrigado, a todos! Será este também um propósito que, nós médicos, – para bem dos nossos doentes, mas também (porque não dizê-lo!) para nossa satisfação pessoal – temos de calcorrear… Um caminho, passo a passo, que se vai vagando, no tempo, na passagem do tempo… O tempo é um imperativo. O tempo é também uma aprendizagem. O tempo dura na passagem do tempo. Disse-o (relembro!) na cerimónia de abertura, citando um texto que muito me impressionou e enternece: “Lavou-

ra arcaica” de Raduan Nassar. “O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor; embora inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento (e dele nos alimentámos nestes dias, numa refeição em conjunto…); sem medida que o conheça, o tempo é contudo nosso bem de maior grandeza: não tem começo, não tem fim; é um pomo exótico que não pode ser repartido, podendo entretanto prover igualmente a todo mundo (nestes 10 anos foi, exatamente, isto que tentámos: partilhar ideia, recolher saberes e concretizar atitudes. A bem da melhor evidência médica disponível, mas sempre concatenada com a experiência e o omnipresente biopsicossocial do nosso doente…); onipresente, o tempo está em tudo (também nos mestres, nos colegas, nos companheiros que, todos os anos, gostamos, honrados, de homenagear na sua dedicação à prevenção cardiovascular. Este ano honrou-nos, com a sua presença e a sua erudição, o Prof. Doutor José Pereira de Moura), está “na água que bebemos, na terra que fecunda, na semente que germina, nos frutos que colhemos, no pão…” que transmitimos aos nossos doentes. Apesar de nos sabermos, tantas vezes condicionados. Enclausurados na nossa vivência clínica diária, tomamos consciência – muitas vezes de forma embaraçosa! – que o saber técnico e cognitivo é importante. Mas não será suficiente. Estas Jornadas, de que comemorámos os seus 10 anos têm tentado ser um espaço de reflexão e debate sobre a prevenção cardiovascular (em todas as suas mundividências) favorecedoras do nosso desenvolvimento curricular, do aperfeiçoamento de prática clínica, estruturada e fundamentada. De novo Nassar: “rico só é o homem que aprendeu, piedoso e humilde, a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura, não contrariando suas disposições, não se rebelando contra o seu curso, não irritando sua corrente, estando atento para o seu fluxo, brindando-o antes com sabedoria para receber dele os favores e não a sua ira; o equilíbrio da vida depende essencialmente deste bem supremo”. Neste tempo – que foi nosso – tivemos (como podiam faltar!) a modificação dos estilos de vida (e o exercício físico, na dose certa e ajustada ao nosso doente,

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ESTAS JORNADAS, DE QUE COMEMORÁMOS OS SEUS 10 ANOS TÊM TENTADO SER UM ESPAÇO DE REFLEXÃO E DEBATE SOBRE A PREVENÇÃO CARDIOVASCULAR

também ele na corrente do tempo…), a hipertensão arterial, as dislipidemias e a diabetes. Mas também a anticoagulação oral na fibrilação auricular, as terapêuticas combinadas e a insulinoterapia… E, finalmente (foi também bom e íntegro…) um debate –aberto, espontâneo e vivo – interpares sobre os problemas e dúvidas com que somos confrontados no dia-a-dia. Não me cabe a mim – porque seria injusto! – salientar todo o painel de palestrantes, que foram – sem favor – brilhantes. Muito obrigado. “Ninguém em nossa casa há-de começar nunca as coisas pelo teto: começar as coisas pelo teto é o mesmo que eliminar o tempo que se levaria para erguer os alicerces e as paredes de uma casa; aquele que exorbita no uso do tempo, precipitando-se de modo afoito, cheio de pressa e ansiedade, não será jamais recompensado, pois só a justa medida do tempo dá a justa natureza das coisas”. O tempo agora é de reflexão, para começarmos a pensar em 2017… O próximo ano deverá ter outra vez Junho… e as 11.ªs Jornadas! Queremos que sejam, de novo, um espaço de expressão, livre de ideias e pressupostos, a não ser os do Saber. Queremos abrir-nos aos outros e encontrar, de novo, aa Comunidade Médica a que, orgulhosamente, pertencemos. “Caprichoso como uma criança, não se deve contudo retrair-se no trato do tempo, bastando que sejamos humildes e dóceis diante de sua vontade, abstendo-nos de agir quando ele exigir de nós a contemplação, e só agirmos quando ele exigir de nós a ação”. E, já agora, aproveitem e leiam este livro fabuloso: “Lavoura arcaica”, Raduan Nassar. Reconhecido.


10.AS JORNADAS DE PREVENÇÃO DO RISCO CARDIOVASCULAR PARA MEDICINA FAMILIAR

RISCO OU SAÚDE CARDIOVASCULAR

DESAFIOS DE E PARA A DIREÇÃO GERAL DE SAÚDE

PROF. DOUTOR MÁRIO ESPIGA DE MACEDO CARDIOLOGISTA, PROGRAMA NACIONAL DAS DOENÇAS CARDIOVASCULARES (PNDCV)

A palestra iniciou-se pela apresentação dos últimos dados estatísticos portuguesses publicados recentemente pelo PNDCCV, onde se verifica que, pela primeira vez, e em 2015, a percentagem de mortes por doenças cardiovasculares desceu abaixo dos 30%. Significa isto que, nos últimos 10 anos, tem havido uma franca melhoria nos índices portugueses, relativamente ao enfarte do miocárdio e ao acidente vascular cerebral. Contudo, lembra que de modo algum se pode diminuir a atenção para o mau controlo dos mais importantes fatores de risco cardiovasculares em Portugal, que no seu conjunto constituem o risco cardiovascular global, devendo ser este o conceito que deve nortear a postura e a ação dos médicos em Portugal. Apesar de todos os avanços tecnológicos e

da Medicina Molecular, que têm contribuido para conseguir avanços no melhor tratamento e de cada vez mais doenças: Não podemos ignorar que o primado da medicina clínica, nunca deve ser esquecida. Porém o que nos mostram os dados epidemiológicos e os alertas de responsáveis pela saude a nível mundial, como a OMS, o IOM, a AHA, o ACC, a SEC, continuarão a ser as doenças cardiovasculares a estar no topo das causas de doença e morte das populações em todo o mundo, seja qual for o seu nível de desenvolvimento social e económico. Também em Portugal, continuam a ser preocupantes os conhecimentos que temos sobre as doenças e fatores de risco ligados às doenças cardiovasculares. Falámos da diabetes, da hipertensão arterial, das dislipidemias, da obesidade, etc.. Estes continuam a ter uma prevalência deveras significtiva entre nós, e com níveis de tratamento e controlo, ainda distantes dos valores desejáveis, sendo de salientar que a região do Alentejo é, para todos eles, a zona do país onde é maior a mortalidade por doenças cardiovasculares. Como dizia Sir Geoffrey Rose, “para doenças de massas, são precisos remédios de massas”, isto é, sem esquecer a importância da prevenção secundária, é na prevenção primária que se deve também investir no sentido de evitar muitas das doenças CV atuais, e fazer com que elas surjam cada vez mais tarde na vida de cada um. Este conceito em relaçao à prevenção primária das DCV tem sido desde sempre objeto de alguma controvérsia, principalmente no que diz respeito à sua relação custo-eficácia. Como iremos ver em alguns estudos recentemete apresentados, as dúvidas vão-se dissipando cada vez mais. Assim no Tromsø Study, a intervenção em prevenção primária numa população da Noruega, aumentando a vigilância clínica e cuidando melhor da população em relação à hipertensão arterial, à dislipidemia, à diabetes, à obesidade, tabaco e exercício físico e durante 15 anos, conseguiu-se uma redução dos níveis de todos os fatores de risco, nalguns casos chegou a atingir uma redução de cerca de 50%. Como consequência a morbilidade e mortalidade teve uma enorme redução. Também entre nós, a publicação de dados do Centro de Saude de Santa Maria da feira, re-

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NOS ÚLTIMOS 10 ANOS, TEM HAVIDO UMA FRANCA MELHORIA NOS ÍNDICES PORTUGUESES, RELATIVAMENTE AO ENFARTE DO MIOCÁRDIO E AO ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL vela que o simples maior cuidado e atenção em relação a uma amostra de doentes com fator de risco cardiovascular fez com que uma percentagem significativa dos mesmos baixassem o seu nível de SCORE. Pode-se pois perguntar se é possível melhorar o panorama nacional sobre DCV, e a resposta tem que ser necessariamente afirmativa. Para o conseguir, a estratégia passará sempre por prestar mais atenção aos tratmentos dos doentes, com a preocupação sempre presente de explicar melhor a cada um, aquilo que se lhes pede, conseguindo que a sua adesão quer aos tratamentos, quer à modificação dos estilos de vida seja o mais persistente possível. Irei citar alguns exemplos de formas práticas de o conseguir. Valentim Fuster, ainda este ano, faz a proposta de intervenção populacional com base de apoio na família, não só para os adultos, mas fundamentalmente para os mais jovens, para desde cedo evitar os maus estilos de vida ou corrigir os já existentes. Por outro, não é demais relembrar a recomendação recente da OMS neste sentido, bem como o êxito persistente e recorrente do Programa CHEP, aplicado no Canadá. Para finalizar, o PNDCCV está disponível para apoiar todas as iniciativas que venham a ser criadas neste sentido. Lembra também a todos os profissionais de saúde que o cuidar bem dos doentes, com vigilância e intervenções recorrentes nos seus doentes e também apoiando todas as iniciativas da sociedade civil na promoção de estilos de vida saudáveis vai com certeza levar ainda a uma melhoria dos índices de doenças cardiovasculares em Portugal.


TEDAR153A1PU/JUL/2015


BRISTOL - MYERS SQUIBB

alargada que a BMS tem feito nesta área. A quantidade de ensaios clínicos e de investigação é imensa e queremos assegurar que todas as pessoas têm acesso à informação. Só assim podemos garantir e consolidar a nossa posição de líderes no tratamento do cancro do pulmão em segunda linha. MN | A Reunião teve como mote “Da inovação em ciência à prática clínica”. Foi com base neste conceito que o programa foi desenhado de forma a incluir sessões de partilha de experiência?

COMPROMISSO BMS

PROMOVER O ACESSO PRECOCE A MEDICAMENTOS INOVADORES DE IMUNO-ONCOLOGIA Investigar, desenvolver e disponibilizar medicamentos inovadores em I-O são os pilares do compromisso que a Bristol-Myers Squibb (BMS) assume quer com os doentes, quer com os profissionais de saúde. O empenho da BMS em desenvolver iniciativas que promovam o conhecimento sobre esta nova classe terapêutica concretiza-se em ações como a decorrida IO BMS Lung Meeting que, no dia 22 de outubro juntou a comunidade oncológica em torno do tema “Da inovação em ciência à prática clínica”. Em entrevista à Médico News, a Country Manager da BMS, Dr.ª Carla Benedito, enuncia os objetivos, ensaios clínicos e os projetos que a companhia tem definidos e já em curso com vista a uma posição de vanguarda na Imuno-Oncologia em Portugal.

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Médico News (MN) | A IO BMS Lung Meeting reuniu um painel de especialistas portugueses na área do cancro do pulmão. O que motivou a organização da reunião? E quais as mais-valias para quem participa neste tipo ações da BMS? Dr.ª Carla Benedito (CB) | Esta Reunião foi muito importante para nós, como companhia e líderes em Imuno-Oncologia. Tivemos como objetivo promover um fórum de apresentação de alguns dos dados mais recentes na área da Imuno-Oncologia e, ao mesmo tempo, proporcionar aos médicos e outros profissionais de saúde uma oportunidade para compreenderem em profundidade esses dados. E, desta forma, ser possível destrinçar quais os doentes elegíveis e como estes podem beneficiar das novas terapêuticas. Este é o nosso objetivo número um: fazer chegar aos médicos, aos farmacêuticos, aos enfermeiros e a todos os que abordem esta patologia os dados resultantes da investigação

CB | Quisemos fazer a ponte entre a parte mais teórica, com os dados existentes, e a parte prática, ou seja, como efetivamente estes medicamentos podem ser utilizados no doente no dia-a-dia. Em Portugal, já temos muita experiência com o nivolumab, nomeadamente através de um Programa de Acesso Precoce (PAP) muito alargado que a BMS proporcionou e que abrangeu centenas de doentes. Queremos, por isso, que esta experiência chegue ao maior número possível de profissionais, pois é através do tratamento dos doentes que se percebe como os medicamentos podem ser utilizados e qual o seu impacto na vida do doente. MN | Quais foram os tópicos focados durante o programa da IO BMS Lung Meeting? CB | Na primeira parte foram apresentados os dados a dois anos, pelo Dr. Fernando Barata, e a apresentação de um caso clínico, pela Dr.ª Gabriela Fernandes, sobre cancro do pulmão de não-pequenas células, numa mesa moderada pelo Prof. Doutor António Araújo. No seguimento do programa, teremos a experiência partilhada pelo Dr. Francesco Grossi [do Instituto Nazionale per la Ricerca sul Cancro, em Génova], sobre o PAP em Itália. Foram também mostrados dois casos clínicos


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de histologia não escamosa e escamosa, pelas Dr.as Ana Barroso e Marta Soares, respetivamente. E, por fim, numa das palestras foi discutida a questão do biomarcador PD-L1, pela Dr.ª Catarina Eloy. ESTRATÉGIA BMS PARA OS AVANÇOS EM IMUNO-ONCOLOGIA MN | Atualmente, a Imuno-Oncologia é considerada uma mudança de paradigma no que diz respeito às abordagens terapêuticas existentes para as várias doenças oncológicas. Que tipo de benefícios traz a Imuno-Oncologia para os doentes com cancro do pulmão não-pequenas células, em termos de comparação com outro tipo de opções de tratamento? CB | A Imuno-Oncologia é, realmente, uma mudança de paradigma no tratamento do cancro do pulmão de não-pequenas células. Passámos de uma doença em que, com a quimioterapia e as terapias standard, a sobrevida era cerca de seis meses para uma realidade de sobrevida a dois anos. Isto significa mais do que triplicar a sobrevida do doente. O benefício é muito claro: mais tempo de vida para os doentes estarem com as suas famílias, para trabalharem, para contribuírem para a sociedade enquanto membros ativos. Sublinho, é muito importante destacar que o doente não só tem mais tempo de vida, mas também com qualidade. Ao fim de relativamente pouco tempo de tratamento os doentes podem voltar às suas atividades normais. Este facto é relatado por muitos médicos. É uma mudança de panorama muito diferente do que existia há dois anos, isto é, antes destes medicamentos entrarem no mercado. MN| Durante o Congresso da ESMO foram apresentados os dados mais recentes sobre o CheckMate 026. Qual a posição da BMS face aos resultados des-

IMUNO-ONCOLOGIA É, REALMENTE, UMA MUDANÇA DE PARADIGMA NO TRATAMENTO DO CANCRO DO PULMÃO DE NÃO-PEQUENAS CÉLULAS

te estudo para o tratamento de doentes de cancro do pulmão de não-pequenas células avançado sem terapêutica prévia? CB | Em Ciência, uma deceção é sempre um encorajamento para o futuro, porque podemos sempre retirar lições do que correu menos bem. E é exatamente dessa forma que estamos a encarar os resultados deste estudo. A BMS foi muito ambiciosa no seu programa de investigação do cancro do pulmão em primeira linha. Tínhamos dados iniciais que nos levaram a pensar que a monoterapia poderia funcionar em todos os doentes. Chegámos à conclusão que, efetivamente, não funciona em todos os doentes e, por esse motivo, talvez seja necessário introduzir um booster, ou seja, um aliado terapêutico que nos possibilite uma potenciação do tratamento.

uma combinação de tratamento, eventualmente com dois agentes de imunoterapia, que possuam mecanismos de ação complementares. Por outras palavras, eventualmente, a monoterapia não é suficiente para abarcar todos os doentes que podem beneficiar deste tipo de estratégia terapêutica. Esta foi, aliás, uma das conclusões preliminares demonstradas no CheckMate 012, que revelou aumento substancial na taxa de respostas e nasobrevivência em doentes que receberam tratamento com a associação ipilimumab + nivolumab. Recentemente, foram apresentados dados positivos de um subgrupo de doentes que apresentavam tumores com expressão aumentada de PD-L1. No entanto, só 18 a 25% dos doentes podem beneficiar com esta abordagem de tratamento, tal como foi demonstrado no estudo Checkmate 227. Portanto, tendo em conta estas informações, o programa de investigação da BMS procura estender o espectro de doentes que mais pode beneficiar com esta associação; e, eventualmente, até se poderá pensar na possibilidade de posicionar esta associação em primeira linha. Ou seja, queremos oferecer uma nova esperança aos doentes que não têm, até ao momento, qualquer opção para além da quimioterapia convencional/standard.

MN | A associação de nivolumab com outro fármaco também desenvolvido pela BMS, o ipilimumab, já recebeu aprovação pela US Food and Drug Administration (FDA) para o tratamento do melanoma metastático. Esta mesma associação está a ser estudada para o tratamento do cancro do pulmão de não-pequenas e pequenas células, no ensaio de fase III CheckMate 227, cujos resultados (positivos) parecem estar em conformidade com os dados já obtidos no CheckMate 012 (ensaio de fase I que avaliou esta associação em primeira linha). Na sua perspetiva, qual o impacto destes resultados? CB | Os dados do Nivolumab, em segunda linha, foram bastante robustos. Conseguimos provar que o Nivolumab tem um impacto tremendo e queremos estender estes resultados a linhas de tratamento mais precoces. No entanto, tal como já referi anteriormente, julgo que estes estudos consolidam a hipótese de que só conseguimos proporcionar um aumento da sobrevivência com

MN | Qual a tradução clínica dos resultados obtidos no Checkmate 227? CB | O CheckMate 227 é um es-

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tudo fulcral na nossa estratégia de investigação. Acreditamos que a associação destes dois fármacos poderá ter um potencial benefício em primeira linha no grupo de doentes com cancro do pulmão metastático. Neste estudo estamos a explorar todas as possibilidades, avaliando o papel de novas associações, como, por exemplo, a combinação de imunoterapia com quimioterapia ou com terapêuticas dirigidas, para abordagem mais eficiente no subgrupo de doentes mais difíceis de tratar. MN | A BMS tem inúmeros ensaios clínicos a decorrer. Algum destes estudos está a ser realizado em Portugal ou a incluir doentes portugueses? CB | Neste momento temos quatro estudos em Portugal, uns já a decorrer e outros ainda em fase de recrutamento de doentes, na área do cancro do pulmão, do melanoma e do cancro gástrico. Tal demonstra bem como a BMS se assume como parceira da comunidade científica em Portugal. A nossa visão e o nosso objetivo é contribuir para o desenvolvimento da Ciência em Portugal, proporcionar aos médicos nacionais a oportunidade de participar nestes estudos mundiais envolvendo doentes portugueses. Tal irá permitir, por um lado, ter acesso precoce a tratamentos e, por outro, dá a possibilidade de a comunidade científica estar envolvida em áreas muito vanguardistas da Ciência. Saliento ainda que assumimos um compromisso de sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde (SNS), através da investigação científica e proporcionando PAP a doentes, tal como foi feito no final de 2015 e início de 2016, em que duas centenas de doentes tiveram acesso gratuito ao nivolumab para o tratamento de cancro do pulmão. Foi o nosso contributo para o SNS português.


XIV CURSO PÓS-GRADUADO SOBRE ENVELHECIMENTO

GERIATRIA PRÁTICA

PROF. DOUTOR MANUEL TEIXEIRA VERÍSSIMO PRESIDENTE DO XIV CURSO PÓS-GRADUADO SOBRE ENVELHECIMENTO

Realizou-se nos dias 22 e 23 de setembro, em Coimbra, o XIV Curso Pós-Graduado sobre Envelhecimento, uma organização que teve a sua primeira edição em 2002 e que, desde então, se tem vindo a afirmar como uma reunião científica de referência na região centro e no país, sendo prova disso o crescente número de inscritos, que este ano atingiu os 1249 participantes, oriundos das várias regiões portuguesas. Particularmente dedicado à Geriatria Prática, teve um carácter multidisciplinar como, de resto, a prática geriátrica o impõe. De facto, a multidisciplinaridade, bem como a interdisciplinaridade, são uma inerência da Geriatria, quer em relação às especialidades médicas quer em relação às profissões paramédicas. Os idosos têm habitualmente várias doenças e limitações físicas e funcionais que implicam a necessidade da multidisciplinaridade, necessitando por um lado de especialidades médicas generalistas, como a Medicina Interna e a Medicina Geral e Familiar, capazes de avaliar holisticamente o idoso e de integrar e supervisionar as várias doenças e terapêuticas instituídas, mas necessita também das outras especialidades menos genéricas, como a Cardiologia, a Gastrenterologia, a Pneumologia, a Nefrologia, as especialidades médico-cirúrgicas, entre outras, que, com o seu conhecimento aprofundado e técnicas diferenciadas, são essenciais em Geriatria. Daí a importância da multidisciplinaridade e da inter-relação e complementaridade entre todas as especialidades. De salientar, contudo, que, dadas as particularidades dos idosos, em função das limitações físico-funcionais associadas ao envelhecimento, todos os médicos deverão ter conhecimentos de Geriatria, pois com excepção da Pediatria, todas as especialidades tratam idosos, os quais são cada vez mais velhos e, por isso, com maior necessidade de ajuste às suas particularidades. Neste contexto é desejável, como em geral já acontece, que em todas as Faculdades de Medicina portuguesas a disciplina de Geriatria integre o programa pré-graduado das suas licenciaturas/mestrados integrados e que nas especialidades de Medicina Interna e Medicina Geral e Familiar possa haver formação nesta área durante o período de especialização.

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TUDO DEVE COMEÇAR NA AVALIAÇÃO GERIÁTRICA MULTIDIMENSIONAL, A QUAL, UTILIZANDO INSTRUMENTOS DE NATUREZA DIVERSA, NUMA PERSPETIVA MULTIDISCIPLINAR E INTERDISCIPLINAR, DEVERÁ FAZER UM LEVANTAMENTO, O MAIS COMPLETO POSSÍVEL, DO ESTADO DE SAÚDE DO IDOSO, BEM COMO DOS SEUS PROBLEMAS SOCIAIS, ECONÓMICOS, FAMILIARES OU OUTROS

Mas a multidisciplinaridade e interdisciplinaridade não se deve verificar apenas entre as especialidades médicas mas sim, também, entre os médicos e outros profissionais de saúde, que do mesmo modo são fundamentais no processo de avaliar e tratar os idosos. É o caso dos enfermeiros, nutricionistas, farmacêuticos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, profissionais de educação física e psicólogos, entre outros, que, com maior ou menor peso, consoante as circunstâncias, são peças importantes na saúde e qualidade de vida dos idosos. Em Geriatria, os doentes apresentam problemas e limitações relacionados com as doenças, com o próprio envelhecimento fisiológico e com a sociedade onde estão inseridos. Para responder a estes problemas deve-se ter uma visão global do complexo bio-psico-social que é o idoso, que a multidisciplinaridade complementa. Tudo deve começar na avaliação geriátrica multidi-


XIV CURSO PÓS-GRADUADO SOBRE ENVELHECIMENTO

mensional, a qual, utilizando instrumentos de natureza diversa, numa perspetiva multidisciplinar e interdisciplinar, deverá fazer um levantamento, o mais completo possível, do estado de saúde do idoso, bem como dos seus problemas sociais, económicos, familiares ou outros que determinem o seu comportamento e condicionem a sua autonomia e, consequentemente, a sua qualidade de vida. Assim, esta avaliação deverá ir muito para além da avaliação clínica, que é a prática habitual nas nossas instituições de saúde, avaliando também, sistematicamente, as áreas onde o idoso é habitualmente deficitário como o estado físico, mental, funcional e social, com o objectivo de elaborar um plano geral que responda não só aos seus problemas de doença, mas também aos seus problemas psíquicos e sociais relacionados com as suas incapacidades e necessidades. Deverá, pois, ser um processo de avaliação em que todos os problemas do idoso sejam diagnosticados e analisados com vista à selecção das medidas mais adequadas para a sua resolução. Esta avaliação, devendo estar centrada no médico,

COM ESTE CURSO PENSAMOS TER COLOCADO MAIS UMA PEDRA NA CONSTRUÇÃO DO EDIFÍCIO DA SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA DOS IDOSOS PORTUGUESES

em princípio generalista, deverá apelar, em maior ou menor grau, consoante as necessidades e disponibilidades, à participação de médicos de outras especialidades, bem como de outros profissionais de saúde. Se é verdade que a necessidade da multidisciplinaridade aumenta com a evolução da ciência e a ultra-especialização da Medicina, isso é ainda é mais verdade quando se fala de Geriatria.

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Nesta perspetiva, o XIV Curso Pós-Graduado sobre Envelhecimento – Geriatria Prática abordou, tal como as edições anteriores, temas da prática clínica diária da Geriatria, procurando discutir e dar respostas a questões que, pela sua frequência ou complexidade, preocupam os médicos e restantes profissionais de saúde, não esquecendo temas inovadores como a Medicina Antiaging e as unidades de Geriatria. Foram palestrantes do curso ilustres figuras da Geriatria e da Medicina Portuguesa, bem como o Prof. Doutor Francisco Tresguerres, da Universidade Complutense de Madrid, que, pela sua qualidade científica e pedagógica, foram o garante do sucesso do evento. Os idosos, embora com sistemas anatomofisiológicos de base e entidades nosológicas semelhantes aos dos não idosos, têm, contudo, particularidades que exigem diferentes abordagens dos seus problemas de saúde e de doença. Com este Curso pensamos ter colocado mais uma pedra na construção do edifício da saúde e qualidade de vida dos idosos portugueses.


CADA DOENTE É DIFERENTE OS ANTICOAGULANTES ORAIS DEVEM CONSIDERAR AS DIFERENÇAS E AS NECESSIDADES INDIVIDUAIS DE CADA DOENTE

COMORBILIDADES

HISTORIAL DE FALTA DE ADESÃO TERAPÊUTICA

BAIXO PESO CORPORAL

IDOSOS

COMPROMISSO RENAL

Daiichi Sankyo Portugal, Lda Lagoas Park Edifício 11, 2740-270 Porto Salvo Contribuinte N.º 501 509 860 Soc. Com. por quotas Nº 16556 C.R.C.O Capital Social: 349 158,53 e www.daiichi-sankyo.pt

EDO AD JUL 2015

MEDICAÇÃO CONCOMITANTE


XIV CURSO PÓS-GRADUADO SOBRE ENVELHECIMENTO

EM QUE SENTIDO CAMINHAR

ADESÃO À TERAPÊUTICA A adesão à terapêutica é apontada por vários estudos como um dos principais fatores condicionantes do sucesso terapêutico. A não adesão tem sido associada não só a baixas taxas de controlo de várias doenças crónicas, como também ao início precoce de complicações associadas, diminuição da qualidade de vida do doente, necessidade da realização de procedimentos de diagnóstico ou terapêuticos mais complexos, maior recurso a serviços de urgência, aumento de hospitalizações e consequente impacto negativo nos sistemas de saúde1-3. Definida como o «grau ou extensão em que o comportamento do doente, em relação à toma de medicação, ao cumprimento da dieta e alterações de hábitos ou estilos de vida, corresponde às instruções veiculadas por um profissional de saúde»4, a

PROF.ª DOUTORA ISABEL VITÓRIA FIGUEIREDO FARMACÊUTICA, PROFESSORA AUXILIAR COM AGREGAÇÃO DA FACULDADE DE FARMÁCIA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

DR.ª ANA CABRAL FARMACÊUTICA, ESTUDANTE DE DOUTORAMENTO DA FACULDADE DE FARMÁCIA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

adesão à terapêutica é um processo dinâmico e multifatorial que interliga variáveis pessoais, clinicas, sociais ou económicas5. Assim, para poder desenvolver uma estratégia eficaz no sentido de aumentar a adesão à terapêutica, tão importante como classificar o doente como aderente/não aderente, importa perceber as razões para a não-adesão. Só desta forma se podem realizar intervenções direcionadas às necessidades de cada doente e, portanto, obter melhores resultados em saúde. No mais recente estudo realizado em Portugal sobre adesão à terapêutica6 verificou-se que perto de metade dos portugueses acredita que “o esquecimento” é o principal motivo de não-adesão, seguindo-se “a falta de recursos económicos”. Motivos como “a falta de instrução”; “não querer ou não gostar de tomar medicamentos”, “a presença de efeitos secundários”, “a falta de compreensão das vantagens do tratamento” e “a relação de confiança entre o médico e o doente” foram também referidos como fatores condicionantes. Para a generalidade dos inquiridos, os médicos e também os farmacêuticos deveriam dedicar mais tempo a cada doente, a fim de explicarem os tratamentos que prescrevem e fornecerem um plano detalhado do tratamento. Por outro lado, vários estudos demonstram que a adesão está altamente associada ao conhecimento que os doentes têm sobre a sua doença e às crenças que têm relativamente aos medicamentos, aos seus benefícios e aos riscos associados à sua utilização7, 8.

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A ADESÃO À TERAPÊUTICA É APONTADA POR VÁRIOS ESTUDOS COMO UM DOS PRINCIPAIS FATORES CONDICIONANTES DO SUCESSO TERAPÊUTICO

Desta forma, a melhor estratégia para aumentar a adesão à terapêutica assenta numa abordagem bio-psicossocial, que encare os doentes como parceiros ativos no percurso terapêutico, que identifique os motivos de incumprimento e promova a educação dos doentes em relação à sua doença e à terapêutica instituída. Obviamente, que as estratégias selecionadas devem ter em conta as características individuais de cada doente. A título de exemplo, no contexto do doente idoso polimedicado e cuja falta de memória e destreza pessoal possam comprometer um correto cumprimento do esquema terapêutico, é necessário que os profissionais de saúde, conhecendo a multiplicidade dos aspetos


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envolvidos no processo de adesão, planeiem e implementem estratégias, que agreguem mudanças de comportamentos, de forma a colmatar as singularidades de cada situação. É recomendável um trabalho de educação em saúde que envolva, não só os idosos inseridos no seu contexto social, como a sua família, como os seus amigos, com o objetivo de promover o melhor benefício da terapêutica prescrita. De igual forma, uma forte aposta no desenvolvimento de cuidados domiciliários, bem como o recurso a ferramentas como, a entrega de tabelas terapêuticas, a preparação

SEJA QUAL FOR O CONTEXTO, A RELAÇÃO COM O PROFISSIONAL DE SAÚDE É UM FATOR DETERMINANTE NA ADESÃO AO TRATAMENTO

individualizada da medicação, a adequação da forma farmacêutica prescrita, potenciarão uma melhoria da adesão à terapêutica. Em jeito de conclusão, seja qual for o contexto, a relação com o profissional de saúde é um fator determinante na adesão ao tratamento, seja ele farmacológico ou assente em alterações de hábitos ou estilos de vida. É imperioso que os doentes sejam entendidos como parceiros ativos no percurso terapêutico, sendo o diálogo e a qualidade da comunicação, um pilar central nas estratégias para melhorar a adesão à terapêutica.

Referências 1. DiMatteo, M.R., et al., Patient adherence and medical treatment outcomes: a meta-analysis. Med Care, 2002. 40(9): p. 794-811. 2. Holland, N., et al., Identifying barriers to hypertension care: implications for quality improvement initiatives. Dis Manag, 2008. 11(2): p. 71-7. 3. World Health Organization, A global brief on Hypertension - Silent killer, global public health crisis. 2013. 4. World Health Organization, Adherence to long-term therapies - Evidence for action. 2003. 5. Horne, R., et al., Concordance, adherence and compliance in medicine taking: a conceptual map and research priorities. National Institute for Health Research Service Delivery and Organisation R&D 2006. 6. Cabral, M. and P. Silva, A adesão à terapêutica em portugal: atitudes e comportamentos da população portuguesa perante as prescrições médicas2010. 7. Magadza, C., S.E. Radloff, and S.C. Srinivas, The effect of an educational intervention on patients’ knowledge about hypertension, beliefs about medicines, and adherence. Res Social Adm Pharm, 2009. 5(4): p. 363-75. 8. Gazmararian, J.A., et al., Health literacy and knowledge of chronic disease. Patient Educ Couns, 2003. 51(3): p. 267-75.

EM REVISTA

PORTUGAL É O SEGUNDO PAÍS COM MAIS TRABALHOS SUBMETIDOS NA UEG WEEK 2016 “Portugal é o país que mais trabalhos apresenta nesta reunião per capita”. As palavras são do Prof. Doutor Rui Tato Marinho, que acrescenta estar muito confiante na Gastrenterologia portuguesa. Em entrevista, o presidente da Semana Digestiva 2017 aponta os principais temas que serão também abordados na reunião magna portuguesa. Especialistas de todos os cantos do mundo partilham nestes cinco dias as novidades da Gastrenterologia e Hepatologia, discutem técnicas e procedimentos cirúrgicos, bem como diferentes abordagens e novas terapêuticas. Entre estes, mais de 150 trabalhos são apresentados por portugueses e há vários especialistas nacionais representados em várias estruturas diretivas, explica o gastrenterologista do Hospital Santa Maria. Cancro digestivo - “uma doença de saúde pública” -, doença inflamatória intestinal, os novos avanços no tratamento das doenças do fígado, “nomeadamente, a hepatite C” serão algumas das temáticas em discussão na Semana Digestiva 2017. E acrescenta, “a Nutrição, pois a população mundial está a caminhar a graves passos para uma epidemia muito grande de obesidade”. O vice-presi-

dente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia destaca ainda de grande importância a discussão da formação dos especialistas, “com um foco muito grande nos especialistas mais novos”. Portugal é o segundo país com mais trabalhos submetidos na UEG Week 2016, com um total de 349 submissões, mais 113 que na edição anterior. De acordo com a organização do evento, Portugal foi ultrapassado apenas pelo Japão, que contabilizou um total de 386 trabalhos. Nas últimas três edições, apesar de não ser uma das maiores delegações, Portugal manteve-se sempre no 5.º lugar do ranking de países que mais submetem abstracts, sendo notória a evolução ao longo dos anos: em 2013, o número total de trabalhos submetidos foi 184, em 2014, foram 210 e na edição da UEG Week de 2015 os especialistas portugueses submeteram 236 resumos. De acordo com o presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG), Prof. Doutor José Cotter, “a crescente participação portuguesa deve-se ao facto de progressivamente a UEG Week ser reconhecida como o grande fórum europeu anual da Gastrenterologia, com forte impacto científico e pedagógico”.

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ACREDITAR NA DOR NO IDOSO E TRATAR O XIV Curso Pós-Graduado Sobre Envelhecimento, contou com a participação do Dr. Paulo Reis Pina, da Unidade de Cuidados Paliativos da Casa de Saúde da Idanha, para apresentar o tema “Tratamento Farmacológico da Dor no Idoso. Mitos e Realidades”. Em entrevista ao Médico News, o especialista sublinha a importância de tratar a dor e de que forma pode ser feita a abordagem a este problema.

“Um estudo nacional feito recentemente mostrou que na população portuguesa com mais de 65 anos, a prevalência da dor anda à volta 60%”, começou o Dr. Paulo Reis Pina por enquadrar o tema. Segundo o especialista, é necessário “acreditar que a dor existe” e que a mesma não faz parte da idade, mas sim da exposição ao dano ao longo da vida. “Será provável que as pessoas do campo ou as que trabalharam com máquinas durante longos anos, sem grandes cuidados e noções de ergonomia no trabalho, com elevada exposição à sobrecarga laboral, tenham dor”, frisou. O QUE TER EM CONTA NA ABORDAGEM À DOR? O idoso é por norma uma pessoa polimedicada, uma vez que “com a longevidade surgem algumas circunstâncias patológicas”, como por exemplo, hipertensão arterial, dislipidemia ou insuficiências cardíaca e renal. No entanto, chama a atenção para o facto de se desprezar a dor como doença: “Não podemos viver numa sociedade em que as outras doenças têm que ser tratadas

porque são graves e a dor tem que ser de certa forma ignorada”. Para suportar a ideia que defende, o especialista mencionou o documento publicado pela DGS (2003), em que a dor foi decretada um sinal vital: “Percebeu-se que a presença de dor pode levar a um aumento de tensão arterial, da frequência cardíaca, da glicemia, do ritmo respiratório… ou seja, tem impacto nos outros parâmetros vitais”. Por isso, é necessário dar à dor a mesma prioridade dada às outras doenças. QUE MUDANÇAS SÃO NECESSÁRIAS?

sintoma porque só o é quando existe associada a um dano durante os primeiros três meses.

Porém, e tal como salientou, “em Portugal ainda existe algum receio por se considerar que os

Após esse período, a dor não é um sintoma, mas sim uma doença, concretamente uma síndrome dolorosa crónica”. Em linha com as suas considerações, o médico destacou um inquérito realizado a estudantes de Medicina sobre os seus conhecimentos em dor crónica e tratamento adequado: “Mais de 90% dos alunos confessaram que estavam pouco preparados para lidarem com a dor crónica nos doentes. Tinham sido muito bem treinados para a dor aguda, que é a dor que aparece depois de um dano, mas para lidarem com aquelas pessoas que cronicamente aparecem, por exemplo, com lombalgias, não se sentiam preparados”.

derivados da morfina são para doentes com cancro em fase terminal”. Segundo o especialista, os opióides, como a morfina, o tramadol e a buprenorfina, devem ser “prescritos em doses pequenas para não colocar o idoso em perigo, devido à questão da polimedicação e das insuficiências fisiológicas (renal, cardíaca, hepática, etc.), sendo também necessário alargar o intervalo posológico, como por exemplo, tomar de 12 em 12 horas”. Um dos mitos existentes refere-se à dependência aos opióides, mas o Dr. Paulo Reis Pina explica que o “que se observa é a tolerância analgésica, o que significa que ao longo do tempo, é necessário aumentar a dose para que o doente continue a sentir eficácia”. O médico acrescenta ainda que o “verdadeiro problema destes fármacos é serem obstipantes” e, por isso, o profissional de saúde deve garantir que o idoso compreende a importância de uma boa hidratação e ingestão de fibras, assim com o exercício físico (parte de um envelhecimento saudável). “É possível melhorar a qualidade de vida de um idoso numa consulta, mas temos de ter noção quais as moléculas que devem ser prescritas e com menos interações com outros fármacos”, concluiu.

ABORDAGENS TERAPÊUTICAS “As mudanças culturais levam bastante tempo”, frisou, mostrando no entanto, que as preocupações com a dor estão a surgir e que “este Curso sobre o Envelhecimento, com foco no tratamento da dor é um exemplo de que, gradualmente, a mudança está a acontecer”. Contudo, o Dr. Paulo Reis Pina considera “que a dor ainda é um parente pobre das escolas de Medicina” e, por isso, “as faculdades têm de fazer um crescimento nesta área e deixar de ensinar a dor como sendo um

O especialista defende que devem ser apresentadas alternativas terapêuticas ao doente: “podemos dar medicação transdérmica que apenas se faz de três em três dias. Outra opção passa por prescrever comprimidos de toma única diária”. Fundamental é “minorar a questão da polimedicação, impedindo por exemplo a primeira passagem hepática dos fármacos ou a sobrecarga do citocromo P450”. Uma opção válida para tratar a dor é a utilização de opióides.

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EM REVISTA

PERSONALIDADES

APDP FAZ 90 ANOS E PROMOVE A “FESTA DA DIABETES”

Na sua 24.ª edição, o Congresso Português de Aterosclerose, que decorreu nos dias 21 e 22 de outubro, foi presidido pelo Dr. Francisco Araújo.

No âmbito das comemorações dos seus 90 anos, a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) promove a “Festa da Diabetes”, que irá decorrer no dia 26 de novembro entre as 9h30 e as 16h30, no Pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa. Este ano, o foco do Dia Mundial da Diabetes está centrado na retinopatia diabética (RD) e na importância de diagnosticar precocemente esta manifestação oftalmológica da diabetes, que constitui uma das principais causas de perda grave de visão a nível mundial. Na causa da retinopatia diabética, que é umas

das mais graves complicações crónicas da diabetes, está o aumento dos níveis de açúcar no sangue, que provoca alterações nos pequenos vasos sanguíneos da retina, no interior do olho. Neste sentido, a APDP vai promover durante o mês de novembro diversas iniciativas de rastreio, de incentivo à atividade física e de discussão da diabetes. Saiba mais aqui. Os interessados em participar desta festa deverão enviar a sua inscrição para o e-mail festaapdp@apdp.pt ou ligar para o 213816101/51 até dia 21 de novembro.

O Dr. Silvestre Abreu presidiu as XIII Jornadas de Diabetes da Madeira, onde se reuniram mais de 600 especialistas.

A primeira edição do Congresso Nacional do Pé Diabético, presidido pelo Prof. Doutor José Luiz Medina, foi uma iniciativa da SPD e APDP

20.º CONGRESSO PORTUGUÊS DE OBESIDADE AGENDADO PARA NOVEMBRO “Obesidade, Uma Prioridade!” é o lema do 20.º Congresso Português de Obesidade. Em entrevista à News Farma, a Prof.ª Doutora Paula Freitas, presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO), destaca os temas em evidência neste encontro, que vai decorrer entre os dias 18 e 20 de novembro, no Hotel Porto Palácio. Assista ao vídeo. A obesidade é uma doença crónica e complexa, pois resulta de uma multiplicidade de fatores que interagem entre si e contribuem para esta problemática: fatores comportamentais, genéticos, psicológicos e também fatores inerentes à sociedade contemporânea (globalização, meios de transporte, indústria alimentar, meios de comunicação e publicidade) e às políticas públicas. Assim expõe à News Farma a Prof.ª Doutora Paula Freitas, neste Dia Mundial da Obesidade.

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A especialista sublinha que “devemos tomar consciência da dimensão deste problema e perceber que a sua solução não parte simplesmente do indivíduo”, mas da sociedade em geral. Estes dias servem, por isso, para “alertar a comunidade não científica da problemática da obesidade, que é cada vez mais um problema global de Saúde Pública”. Integrado no Congresso, a SPEO organiza também o curso “Obesidade na Escola”, integrado no 20.º Congresso Português de Obesidade. Dirigida a professores, esta ação é gratuita e está agendada para a manhã do dia 19 de novembro, no Hotel Porto Palácio. Serão abordados temas como a prevenção da obesidade em crianças, alimentação saudável na escola, promoção de hábitos saudáveis e o projeto Futebol é Saúde.


MAGAZINE

DIA MUNDIAL DA PSORÍASE IMPACTO PSICOSSOCIAL DA DOENÇA EM ANÁLISE No dia 28 de outubro, data em que se assinalou o Dia Mundial da Psoríase, a PSO Portugal – Associação Portuguesa da Psoríase organizou uma mesa redonda em torno do tema “O Impacto Psicossocial da Psoríase em Portugal: Onde estamos e para onde queremos ir?”. O encontro contou com o apoio da Lilly Portugal e reuniu profissionais de Saúde, figuras públicas, doentes e representantes da indústria farmacêutica que debateram quais os principais desafios que ainda enfrentam as pessoas com psoríase e o que pode ser feito para inverter a situação atual.

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O PAPEL FUNDAMENTAL DA VITAMINA D NA SAÚDE “Que consequências para a saúde das populações? Qual a realidade portuguesa? Como vamos diagnosticar e tratar?” foram as três principais questões entre outras sobre a vitamina D que a Reunião Molinar quis colocar sobre a mesa de discussão e encontrar as devidas respostas. Decorrida no dia 1 de outubro, em Lisboa, e moderada pela jornalista Alberta Marques Fernandes, a Reunião incidiu sobre a problemática do défice da Vitamina D na população, quando atualmente há evidências da importância da vitamina D na manutenção da saúde óssea e muscular. A Reunião MOLINAR contou com o contributo de diversos especialistas, entre os quais do Dr. Almeida Nunes e do Dr. Alexandre Marques, na abordagem sobre os factos, investigação e benefícios da vitamina D, e o défice da mesma na população portuguesa, respetivamente. O Prof. Doutor Carlos Vaz abordou a importância desta vitamina para a saúde óssea, enquanto a Dr.ª Paula Ambrósio focou a importância da vitamina D para o bem-estar da mulher. Recorde-se ainda que a vitamina D tem um papel modulador da resposta imunitária e na fisiologia cardiometabólica.

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SOCIEDADE PORTUGUESA DE ALERGOLOGIA E IMUNOLOGIA CLÍNICA ORGANIZA REUNIÃO ANUAL “Doença Imunoalérgica na Criança – Novos Paradigmas e Melhor Controlo” foi o tema central da 37.ª Reunião Anual da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), que decorreu entre os dias 7 e 9 de outubro, no SANA Lisboa Hotel. O evento contou com a participação de especialistas nacionais e internacionais e foi preenchido com conferências, mesas-redondas, workshops teórico-práticos e simp��sios, bem como a apresentação de vários trabalhos científicos.

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SPPSM ORGANIZA SIMPÓSIO NO DIA EUROPEU DA DEPRESSÃO “Conhecer a Pessoa – Tratar a Doença” foi o nome do simpósio promovido pela Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM) com o apoio do Centro Hospitalar Lisboa Norte, E.P.E. Hospital de Santa Maria e Hospital Pulido Valente. O evento decorreu a 17 de outubro, na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL). A sessão de boas vindas esteve a cargo do Dr. Luís Camara Pestana e da Prof.ª Doutora Maria Luísa Figueira. Em foco estiveram questões como o tratamento da depressão e estratégias de adaptação à doença. 1 Prof.ª Doutora Maria Luísa Figueira

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EM CORPO GO

ELONTRIL, comprimidos de libertação modificada contendo 150 mg e 300 mg de cloridrato de bupropiom. Indicações terapêuticas: Tratamento de episódios depressivos major. Posologia e modo de administração: A dose inicial recomendada é de 150 mg uma vez por dia. No caso de não se verificarem melhorias após 4 semanas de tratamento, esta poderá ser aumentada para 300 mg uma vez por dia. Em doentes com insuficiência hepática ou renal a dose recomendada é de 150 mg, uma vez por dia. Contraindicações: Doentes com hipersensibilidade ao bupropiom ou a qualquer dos excipientes; doentes que estejam a tomar qualquer outro medicamento que contenha bupropiom, uma vez que a incidência de convulsões é dose-dependente e para evitar sobredosagem; doentes com doença convulsiva atual ou história de convulsões; doentes com tumor no sistema nervoso central; doentes que, em qualquer altura durante o tratamento, interrompam abruptamente o consumo de álcool ou de qualquer medicamento que se saiba associado ao risco de convulsões quando suspenso (em particular benzodiazepinas ou relacionados); doentes com cirrose hepática grave; doentes com diagnóstico anterior ou atual de bulimia ou anorexia nervosa. A utilização concomitante de ELONTRIL e inibidores da monoaminoxidase (IMAOs) está contraindicada. Efeitos indesejáveis: As reações adversas listadas por frequência (muito frequentes: ≥1/10, frequentes: ≥1/100 a <1/10, pouco frequentes: ≥1/1,000 a <1/100, raros: ≥1/10,000 a <1/1,000, muito raros: <1/10,000) foram as seguintes: Muito frequentes: insónia, cefaleias, boca seca e perturbações gastrintestinais incluindo náuseas e vómitos; Frequentes: reações de hipersensibilidade tais como urticária, anorexia, agitação, ansiedade, tremor, tonturas, alterações do paladar, alterações da visão, zumbidos, aumento da pressão arterial (algumas vezes grave), rubor, dor abdominal, obstipação, erupções cutâneas, prurido, suores, febre, dor torácica e astenia; Pouco frequentes: perda de peso, depressão, confusão, perturbações da concentração e taquicardia; Raros: convulsões; Muito raros: reações de hipersensibilidade mais graves, incluindo edema angioneurótico, dispneia/ broncospasmo e choque anafilático. Foram também notificadas artralgia, mialgia e febre associadas a erupções cutâneas e a outros sintomas sugestivos de hipersensibilidade retardada. Alterações da glicemia, agressão, hostilidade, irritabilidade, agitação, alucinações, sonhos anómalos, incluindo pesadelos, despersonalização, delírio, ideação paranóica, distonia, ataxia, parkinsonismo, descoordenação, perda de memória, parestesia e síncope, palpitações, vasodilatação e hipotensão ortostática, elevação das enzimas hepáticas, icterícia, hepatite, eritema multiforme, síndrome de Stevens-Johnson, exacerbação da psoríase, contrações e frequência e/ou retenção urinária; Frequência desconhecida: ideação suicida e comportamento suicida, psicose. Apresentação: ELONTRIL 150 mg, comprimidos, caixas de 7 e 30 comp. ELONTRIL 300 mg, comprimidos, caixa de 30 comp. Comparticipação 37% (Regime Geral) e 52% (Regime Especial). Sob licença GlaxoSmithKline. Para mais informações deverá contactar o titular da AIM: BIAL - Portela & Cª S.A.- À Av. da Siderurgia Nacional - 4745-457 S. Mamede do Coronado - PORTUGAL Capital Social €50.000.000 - Sociedade Anónima - Matrícula Nº 500 220 913 Conservatória do Registo Comercial da Trofa - NIPC 500 220 913 - www.bial.com - info@bial.com. Medicamento sujeito a receita médica. DIDSAM110726

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