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Cristina Ataíde intervalos do real

galeria novaOgiva, Óbidos 2009 > NOVEMBRO ’09 / FEVEREIRO ’10 > NOVEMBER ´09 / FEBRUARY ´10




ÓBIDOS: DO PATRIMÓNIO CONSTRUÍDO À PAISAGEM HISTÓRICA Óbidos, 13 de Novembro de ´09 Óbidos é local de encontros, lendas, sonhos e memórias. Estabelece a ponte entre o património construído e a paisagem histórica, muralhas e Lagoa ligam-se num longo percurso simbólico e metamórfico. Esse percurso chega ao Presente com Óbidos a reforçar a sua estratégia de desenvolvimento, na relação da sua história com as artes, através de uma fusão, onde a produção criativa está em estreita relação com múltiplas competências e saberes, materializando assim, de forma irreversível, essa proposta de trabalho. Para tanto, Óbidos escolheu a Criatividade como ferramenta, acreditando que pode ser factor de desenvolvimento em pequenos territórios. Nesse sentido, Óbidos é pioneira e líder da rede Clusters Criativos em Territórios de Baixa Densidade, no âmbito do programa europeu URBACTII, e que tem como objectivo provar que é possível em zonas rurais e de baixa densidade atrair a chamada classe criativa. Também a nível nacional temos contribuído nesse sentido e aguardamos a aprovação de uma nova rede sobre economias criativas. É nesse quadro de uma Óbidos Criativa que nos propômos partilhar o futuro com uma multiplicidade de actores, e integrá-los na construção de um ambiente único ou actuar num território de uma forma convergente: da conceptualização ao projecto, até à execução. Participar, deixando uma marca de excelência, de exigência e inovação, numa abordagem activa, experimental e rigorosa de preparação do Futuro. Comungando da ideia de Cristina Ataíde de encenar na galeria novaOgiva um pedaço da paisagem histórica do Concelho, nasce a exposição Intervalos do Real. Através da representação e da metáfora: as pedras, a argila, a água, a cor, o movimento da transformação de umas coisas noutras, concebe uma construção do Real, carregada de simbologia, que nos honra receber na galeria maior de Óbidos. No período de ouro seiscentista, em virtude da sua vida cultural e efervescência artística, Óbidos foi vivida na pintura como uma autêntica Corte de Aldeia. Para o futuro, o epíteto da Vila será o resultado da dinâmica de criatividade e de inovação que todos consigam fazer despertar neste território que se projecta como um living lab. Presidente da Câmara Municipal de Óbidos Telmo Henrique Correia Daniel Faria


ÓBIDOS: FROM THE BUILT HERITAGE TO THE HISTORIC LANDSCAPE Óbidos, 13 de Novembro de ´09 Obidos is a place of encounters, legends, dreams and memories. It establishes the connection between the built heritage and the historic landscape, the fortified walls and the Lagoon join in a long symbolic and metamorphic route. This route reaches present-day with Obidos reinforcing its development strategy, in its historic relation with the arts, through a fusion, where creative production is in close relation with multiple skills and knowledges, therefore, materializing, this work proposal, in an irreversible way. As for such, Obidos chose Creativity as a tool, believing that it could be a factor for development in small territories. In this sense, Obidos is the pioneer and leader of a network on Creative Clusters in Low Density Urban Areas, in the ambit of the European Program URBACT II, which intends to prove that it is possible in rural and low density areas to attract the so called creative class. We have also contributed in this sense, nationwide, and we wait for the approval of a new network on creative economies. It is in this framework of a Creative Obidos that we propose to share the future with a multiplicity of actors and to integrate them in the construction of a unique atmosphere or to act in a territory in a converging way: from the conceptualization to the project until the completion. To participate, leaving a mark of excellence and innovation, in an active, experimental and rigorous approach for the preparation of the Future. By sharing Cristina Ataíde´s idea to stage a piece of the municipality´s historic landscape in the novaOgiva Gallery, the exhibition Intervalos do Real takes place. Through the representation and the metaphor: the stones, the clay, the water, the color, the movement … the “transformation of one thing into another”, she projects a construction of the “Real” (reality), full of symbolism, which we are honored to welcome in Obidos’ principal gallery. In the golden age of the 17th century, due to its cultural life and artistic effervescence, Obidos was represented in painting as an authentic “Corte de Aldeia” (Village of the Court). In the future, the Town’s epithet will be the result of the dynamics in creativity and innovation that everyone will produce in this territory, projecting itself as a living lab. The Mayor of the Town Hall of Obidos Telmo Henrique Correia Daniel Faria


(im)permanências #14 . 2008 . Impressão a jacto de tinta s/ papel fotográfico Epson . 100x160 cm . Edição de 2




(im)permanências III cristina ataíde joão pinharanda


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COMO TUDO O QUE PASSA JOÃO PINHARANDA Elvas, 7 de Janeiro ’09

1. O barco, como tudo o que passa, permanece apenas na memória como um rasto; e depois apaga-se também da memória, como se fecharam atrás de si todas as águas que foi abrindo. O barco, varado nas margens, com elas se vai profundamente confundindo. Marca, molde contra molde, o seu esqueleto no lodo: as madeiras como costelas abertas, como pele rasgada de um animal que não respira e se abandona. O peso que se afunda agora, dantes flutuava. A proa que perde desenho e gume cortava as pequenas ondas do rio e as grandes ondas do mar. A popa que segurava o leme tomba sem direcção. Das cavilhas que seguravam remos, dos bancos que transportavam remadores, do mastro que erguia velas nada restará no tempo. 2. A realidade das coisas vivas e das coisas fabricadas tem em comum esta realidade de desaparecimento físico e desaparecimento da memória. Transformação de umas coisas noutras matérias noutras formas noutras ideias noutras imagens. 3. A água e o barco, os reflexos da luz e os caminhos dos barcos nas águas, as cores das sombras, a vontade dos que os guiam, alimentam um rico sistema de metáforas: sobre vida e morte, sobre o que parte e não regressa ou regressa, sobre o que permanece e o que se modifica. 4. No seu trabalho, desde há muito que CA se interessa pela natureza íntima das coisas: pelo coração dos homens, pela raiz das árvores, pelas mãos que desenham as folhas do vento, pelo perfil afilado das montanhas, pelas palavras com que chamamos as coisas.


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CA viajou frequentemente pela Índia. Esse acumular de experiências (viver, ouvir, ler, saber, desenhar, escrever; ver) serviu-lhe para esclarecer todo o seu trabalho anterior e sustenta o seu trabalho posterior. 5. Este seu barco, entenda-se, não se afunda nem flutua. Também não voa. Está parado, paira, suspende-se de um vazio. Ou seja, não passa. 6. Este barco afirma-se pela luz: é um traço de cor num globo escurecido. A sua presença justifica o próprio Eu da artista, reclama a necessidade da palavra através da qual ela convoca a realidade e a refere a si. Centro visual e de sentidos a agulha magnética desse barco, suspenso no espaço e no tempo (como se pudesse ser permanente e impermanente em simultâneo) é que constrói em seu redor o monumento em que se apresenta: planta concêntrica e circular, corpo cilíndrico, cúpula semi-esférica. É o barco que faz girar em seu redor, numa velocidade que podemos alterar da vertigem à paralisia, as imagens de águas onde o vermelho não é sangue derramado mas circulante. 7. Com este projecto CA pretende contrariar tempo e peso, morte e afundamento. Ao que se molda e ao que se desfaz, CA opõe o fogo da luz e a leveza do ar: o escuro é o ventre da cor, o pó é o testemunho do vento e a palavra convoca toda a realidade imaginada. O barco somos nós, com ela, (im)permanecendo vivos, através da memória mutável e viva da arte.


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LIKE ALL THINGS THAT PASS JOÃO PINHARANDA Elvas, 7 TH January ’09 01. The boat, like all things that pass, leaves in memory but a trace; which then also vanishes from memory, like the wakes the boat left on the water. The stranded boat deeply mingles itself with the shore. Mould on mould, it prints its skeleton on the mud: its wooden frame like visible ribs, like the torn skin of an animal that no longer breathes and lets itself go. The now sinking weight used to float once. The prow that now loses shape and edge used to cut through the small waves of the river and the large waves of the sea. The stern that once held the rudder now lies aimlessly. Of its rowlocks empty of oars, of its vacant benches, of its mast without a sail nothing will remain in time. 02. Living and artificial things share this reality of physical disappearance and disappearance from memory. Things are changed into other materials, other forms, other ideas, other images. 03. The water and the boat, the reflections of light and the boats’ trails on the waters, the hues of the shadows, the will of those who steer them, all of this feeds a rich system of metaphors: about life and death, about what departs and returns (or not), about what remains and what changes. 04. In her work, CA has long shown interest in the intimate nature of things: in the hearts of men, in the roots of trees, in the hands that draw leaves in the wind, in the sharp contour of the mountains, in the words with which we name things.


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CA has often travelled across India. This accumulation of experiences (living, listening, reading, learning, drawing, writing; seeing) has helped her put into perspective all her previous work, and forms the basis on which her later work rests. 05. Let us keep in mind that this boat of hers does not sink or float. Neither does it fly. It is still, it hovers, hanging from a void. In other words, it does not pass. 06. This boat affirms itself through light: it is a trace of colour in a darkened globe. Its presence justifies the artist’s very self, demands the word through which she invokes reality and refers it to herself. A visual and meaning centre, this boat, a magnetic needle suspended in space and time (as if it could be permanent and impermanent at once), creates around itself the monument in which it is displayed: a concentric, circular design, a cylindrical body, an hemispherical dome. The boat spins around itself, at a speed we can alter from vertigo to paralysis, images of waters where red is circulating, rather spilled blood. 07. With this project, CA wishes to defy time and weight, death and sinking. To what yields and crumbles, CA opposes the fieriness of light and the lightness of air: darkness is colour’s underbelly, dust gives evidence of the wind and the word invokes all imagined reality. The boat is us, along with her, all kept alive through art’s mutable and living memory.


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(im)permanências III . 2009 madeira, papel, pigmento e cabo de aço 80x120x1050 cm


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(im)permanências #13 . 2008 impressão a jacto de tinta s/papel fotográfico Epson 100x160 cm Edição de 2


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(im)permanências #15 . 2008 impressão a jacto de tinta s/papel fotográfico Epson 100x255 cm Edição de 2

(im)permanências #16 . 2008 impressão a jacto de tinta s/papel fotográfico Epson 100x255 cm Edição de 2


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(im)permanências #17 . 2008 impressão a jacto de tinta s/papel fotográfico Epson 100x160 cm Edição de 2


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(im)permanências #19 . 2008 impressão a jacto de tinta s/papel fotográfico Epson 100x160 cm Edição de 2


inside me #07 . 2003 . color print . 73x110 cm . Edição de 3

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inside me cristina ataĂ­de margarida medeiros


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PAISAGEM / IMAGEM DENTRO DE UM COPO MARGARIDA MEDEIROS Lisboa, 6 de Fevereiro ’03 Já passou o tempo em que a representação do corpo feminino era a representação do desejo do Outro sobre este mesmo corpo. Também já passou o tempo em que essa representação era a única possível, moldada pela idealização mítica de uma identidade muda. Neste trabalho de Cristina Ataíde é ao corpo feminino que regressamos. Criado a partir de dentro, sem linguagem, ou antes da linguagem. Regressamos também à intervenção na paisagem (aqui mediada pela fotografia), servindo-lhe aqui como o espaço sem limites a partir do qual pode enunciar genuinamente os seus fantasmas corporais. Permitindo-lhe expor-se, simbolizar-se, sem jogo de espelhos. Com violência. Fotografias de grandes dimensões distribuem-se pelo espaço, dando conta de um trabalho na paisagem, que o tempo apagou. Uma intervenção na paisagem da Índia, junto a um velho barco abandonado. Tinta vermelho, de pigmentos naturais e locais, escorre por fendas abertas pela artista na areia da praia. O pó mistura-se com a água e desenha sulcos, poças de formato uterino; ou, a seco, rodeia um orifício profundo, que abre simbolicamente para o interior de um corpo imaginado. Uma vagina, um útero, um canal, que se tornam metonímia de todo o corpo. É a linguagem visual que caminha por entre os intervalos da palavra, retornando, abruptamente, ao tempo do pré-verbal, onde corpo, terra e paisagem se misturam. A fotografia regista aqui a obra efémera, construída pela mão e destruída pelo tempo, e que repete, literalmente — e não apenas


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metaforicamente —, a efemeridade do corpo e a natureza do corpo feminino em particular — o seu fazer e desfazer cíclico, bem como a sua estreita relação com a vida e a morte. Mas o interesse presente pela exposição de fotografias (e não esculturas, instalações, desenhos, que tem sido a matéria preferencial da artista) tem em si um sentido específico: a imagem “técnica” (fotográfica) contorna o primitivismo das matérias, introduzindo aqui um elemento de distância, uma espécie de mecanismo de não-contaminação. O interesse de Cristina Ataíde pela corporalidade materializa-se aqui na produção de um efeito visual sobre a paisagem onde exterior (superfície, pele, aparência, cobertura) são preteridos em favor da revelação e pesquisa das emoções que circundam o interior e as entranhas do corpo, objecto de pulsões eróticas e agressivas simultaneamente. Encontramo-nos perante o gesto paradoxal por excelência, que funda a representação visual. Existe um último reduto, sempre perverso, do corpo, que foge à linguagem e ao pensamento (à razão), e que, no entanto encontrou um modo obsidiante de se fazer ouvir: a imagem, a fotografia. A sua representação é paradoxal, porque se por um lado a ela dá a ver qualquer coisa, por outro, ela não explica nada, porque emudece o espectador dessa imagem numa tensão agonística, imobilizadora. Colocao numa posição de descontrolo total, de pura presença do fantasma que o tabu se esforça por reprimir. É a este descontrolo do corpo e das suas formas que inconscientemente todos aspiramos; as imagens que aqui vemos tocam a beleza mais bela do corpo — a sua verdade, sempre contraditória.


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LANDSCAPE / IMAGE IN A BODY MARGARIDA MEDEIROS Lisbon, 6 TH February ’03 Time has long passed in which the representation of the female body was the representation of the “Other” longing for this same body. Time has also passed in which this representation was the only one possible, molded by the mythical idealization of a mute identity. In Cristina Ataide’s work we go back to the body. Created from the inside, without language, or even before language. We also go back to the intervention in the landscape (here mediated by photography), serving here as an unlimited space from where it could enunciate its genuine corporal phantoms. Allowing it to be exposed, symbolized, without mirror games. With violence. Large scale photographs are distributed throughout the space, giving us a perception of a work in the landscape, which time has erased. An intervention in India´s landscape, near an old abandoned boat. Red paint, of natural and local pigments, drips from the artist’s open slits in the sand beach. The dust mingles with the water and draws furrows, pools in a uterine shape; or, when dry, surrounds a deep hole which symbolically opens to the interior of an imagined body. A vagina, a womb, a channel that become the metonymy of all the body. It’s the visual language that moves through the interspaces of the word, returning, abruptly, to the time of the pre-verbal, where body, earth and landscape merge. Here the photograph registers the ephemeral work, handmade and destroyed by time, and which repeats, literally, - and not only


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metaphorically – the ephemerality of the body and the nature of the female body in particular – its cyclic doing and undoing, as well as its close relation to life and death. But the current interest for the photography exhibition (and not sculptures, installations, nor drawings which have been the preferential themes of the artist) has in itself a specific sense: the “technical” image (photography) outlines the primitivism of the substances, introducing here an element of distance, a kind of mechanism of non-contamination. Cristina’s Ataíde’s interest for corporeality is here materialized by the production of a visual effect on the landscape where exterior (surface, skin, appearance, cover) is ignored in favor of the revelation and research of emotions that circulate the interior and the innards of the body, object of erotic and aggressive drives simultaneously.

We are before the paradoxical gesture par excellence that establishes the visual representation. There is a last refuge, always perverse, of the body, which escapes language and thought (reason), and that, however, has found an obsessive way to be heard: the image, the photograph. Its representation is paradoxical because, if on the one hand it gives itself something to see, on the other, it does not explain anything, because it mutes the viewer of this image in an agonistic tension, immobilizing. It puts one in a position of total helplessness, of pure presence of the phantom that the taboo tries to repress. It is to this helplessness of the body and its shapes that, unconsciously, we all aspire; the images that we see here reach the most intimate beauty of the body – its truth, always contradictory.


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inside me #5A e #5B . 2003 color print 110x73 cm Edição de 3


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inside me #16 conj . 2003 color print . painel de 8 fotos 110x228 cm Edição de 3


Ă­nfimos detalhes de falĂŠsia #3 . 2009 pigmento e madeira . 30x20x25 cm

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falésia em erosão cristina ataíde


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ínfimos detalhes de falésia #3 . 2009 pigmento e madeira 30x20x25 cm

ínfimos detalhes de falésia #4 . 2009 barro cinzento e madeira 30x20x25 cm

ínfimos detalhes de falésia #5 . 2009 madeira fossilizada e madeira 30x20x25 cm


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Ă­nfimos detalhes de falĂŠsia (pormenor) madeira fossilizada e pigmento


Ă­nfimos detalhes de falĂŠsia #2 . 2009 madeira fossilizada e pigmento 21x43x8 cm


Ă?nfimos detalhes de falĂŠsia #6 . 2009 bronze, corda e papel 286x20x9 cm


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Ínfimos detalhes de falésia #8 . 2009 pedra calcária e água 20x113x70 cm


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auto-retrato #5 . 2006 fotografia impress達o Lambda 120x200 cm


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auto-retrato #6 . 2006 fotografia impress達o Lambda 120x200 cm


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Nevoeiro Quente . 2009 DVD Video, loop, DV-PAL, som, côr, 09´25´´ Montagem Nelson Lança


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Sem TĂ­tulo (montanha #4, Monte Rosa) . 2008 . LĂĄpis Glasochrom s/ papel . 150x456 cm

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percurso cristina ataĂ­de leonor nazarĂŠ


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CRISTINA ATAÍDE LEONOR NAZARÉ

Nasceu em Viseu em 1951. Concluiu o curso de escultura da ESBAL em 1977. Entre 1978 e 1981 frequentou o curso de design da mesma escola. Em 1984 concebeu com Pedro Croft uma espécie de altar, de portas abertas para o oceano, ou de marcação do lugar pelo fogo e pela pedra, no Cabo Espichel. Em 1985 estava a trabalhar com ferro e pedra em composições abstractas em que a linha oblíqua e o desencontro de superfícies eram algumas das constantes estruturais. Os trabalhos a que chamou Sombras e Penumbas, em 1987 são séries de chapas em ferro do tamanho de portas fendidas por algumas frestas rectilíneas, através das quais se desenham linhas de luz, na área de sombra projectada pelo objecto. São da mesma época, algumas estruturas paralelepipédicas abertas, de grande formato e também em ferro. A partir de 1985, Cristina Ataíde trabalhava já na MadeIn Objectos, uma fábrica ligada ao trabalho da pedra, onde também realizou design de objectos industriais (1988-1991), mas onde pôde sobretudo aproveitar tecnologia para produções artísticas pessoais. Com a pedra, normalmente calcária, e posteriormente o ferro, ou os dois conjugados, constrói estruturas de parede, de chão ou para o exterior que jogam ainda com a luz e a sombra, a geometria volumétrica e alguma ténue sugestão temática dada por títulos ou formas de ocupação.

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A partir de 1991 realiza objectos a que chama Mecanoplastias: apropria peças mecânicas como anilhas industriais, altera-lhes o aspecto material e qualquer relação previsível com a escala, atribui leitura e expressão novas aos cortes e aberturas das peças; e reproduz algumas dessas formas em calcário azul cascais ou moca creme. Em 1994, na exposição Oposições na Galeria Graça Fonseca ainda está a fazer estes “quase objectos”, como alguém lhe chama, desta vez em madeira pintada. Surge pela primeira vez a cor vermelha, que se vai manter até hoje. A sugestão

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corporal ou orgânica começa a ser visível. Nesta altura, mostra paralelamente trabalho em desenho e realiza alguma escultura pública. Em 1995 ocupa diferentes espaços do mosteiro de Tibães com instalações de diferentes tipos: das pilhas de pratos na cozinha aos aglomerados de telha num pátio, passando por uma cama gigantesca em ferro junto do nicho duma Fonte, ou uma intervenção com mangueiras numa latada. Os ex-votos em cera à escala humana, colocados nas Arcadas do Passadiço serão mais tarde quebrados e os seus pedaços preenchidos com gesso, dando origem a um novo trabalho, já relacionado com os seus “garde-fous” de 1996; espécie de protecções de escadas perigosas. No mesmo ano, na Bienal de Caldas da Rainha mostrou Acqua Sana, uma imponente instalação de antigas banheiras do Hospital termal local, empilhadas. (1) Em 1996 e 1997, a ocupação em grande escala de um espaço interior surge como estratégia particularmente feliz em dois casos: em Dos corpos ausentes, exposição em Braga em que centenas de fios telefónicos se enrolavam amontoados quase até ao tecto; e em Ventres Emersos (Faro, 1997), composição circular e aerodinâmica feita com 200 merujonas (cestas para pesca de polvos ) cobertas por alcatrão. No mesmo ano, as pequenas peças Memórias guardam, engradadas ou como em cofres semi-acessíveis, materiais e cartas relacionadas com diferentes momentos da vida da artista, fechando de algum modo, capítulos de um percurso que vai ter outras componentes a partir daí. Nomeadamente, aquela que advém do trabalho com Graça Pereira Coutinho, marcado por um âmbito social de pesquisa e intervenção. Em 1998 na Sala do Veado, apresentam a exposição conjunta Silêncio?, com elementos tão diversas como filmes de entrevistas, escritos a giz no chão ou cabeças em pedra. (2) Em 2000 realizam Memória na Casa da Cerca, a partir da participação da comunidade de Almada, de que resultam paredes forradas de desenhos infantis, projecções, desenhos, aglomerados de vasos com árvores identificadas com o nome de quem as escolheu. (3) A árvore permanece presente em desenhos a carvão, como na exposição Transmutações em 2000 e em peças tridimensionais, troncos moldados em bronze que coloca sobre pedestais sulcados de poemas e a que chama Seres Fractais (2001) ou sobre estruturas de madeira (2003). Os caminhos e a circulação sanguínea, os cortes histológicos e a anatomia interna, pela qual se interessará por estes anos, aproxima-se, aliás, na sua configuração, das ramificações vegetais, tão eloquentemente sobrepostas à estrutura do corpo humano por uma gravura oportunamente retirada da enciclopédia de Diderot e d’Alembert no contexto do trabalho Anatomia do Sentimento, com Paulo Cunha e Silva. Noutros trabalhos, o coração é tratado como objecto em

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redomas, desenhado, tapado, verbalmente evocado, estabilizado em formol (corações de porco), triturado e guardado em frascos, aproximado de peças de laboratório. (4) A questão da memória vai continuar a trabalhar por dentro a da identidade e orienta as pesquisas em torno de algum espaço rural beirão vivido na infância (Com o suor do rosto, 2002). A dimensão da viagem e das viagens realmente realizadas, por exemplo à Índia, vem complementar esse traçado de um território pessoal e sensível: em 37ºN; 25ºW, coordenadas que correspondem a Ponta Delgada, reuniu uma série de Desenhos de Viagem (2003) que se diriam mapas vagos onde escreve horas e locais e em cuja quadrícula espalha manchas, pontos e recortes em tons avermelhados, rotas, ilhas, direcções... Com Inside me (Braga, 2003) faz intervenções em poços de areia abertos por caranguejos, tingindo-os de vermelho, tal como o fará nalgumas fendas em pedras (Mater Natura), (5) em evocações repetidas da anatomia feminina. Essa mesma cor vermelha invade o interior de um longo barco de remo trazido para a Galeria Luís Serpa, (Im)permanências (2004) na sequência da documentação fotográfica de um outro deste tipo, na Índia. (6) Forrado a pigmento, o objecto negro suspenso no ar, adquire a aura duma gigantesca relíquia, memória de um encontro ritualizado, duma experiência de encantamento e também de analogias formais com o corpo, já exploradas. A ruína de um barco ou a superfície da água são filtrados nalgumas fotografias a vermelho em contraste com a luz prateada de outras. (7) Há ainda “desenhos” efémeros e casuais duma sombra, de traves de madeira, de um sulco repentino na superfície do rio, fotograficamente registados. Durante o Rio dá nome a uma série recente de desenhos feitos de sedimentos do rio deixados nas folhas nele mergulhadas e posteriormente intervencionadas. Estiveram presentes no Espaço Chiado 8, Arte Contemporânea. (8) Também em 2005, realizou no Pavilhão Branco do Museu da Cidade, Depois tb Florescem, um trabalho de instalação e fotografia. (9) O entendimento das sedimentações que elaboram a sua própria existência e interioridade pessoais cruza sempre, na obra, uma pesquisa da vitalidade e dos sentidos que a natureza essencial das coisas parece revelar-lhe.

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BIBLIOBRAFIA > (lm)permanências, Galeria Luís Serpa, Lisboa,2003 > Anatomia do Sentimento, com Paulo Cunha e Silva, Porto, Galeria André Vi­ana, Porto, 2001­ > Dos Corpos Ausentes..., Galeria da Universidade, Braga, 1996 > Oposições, Galeria Graça Fonseca, Lisboa, 1994.

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CRISTINA ATAÍDE LEONOR NAZARÉ

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Born in Viseu in 1951. Complet­ed the ESBAL sculpture degree in 1977. From 1978 to 1981 she at­tended the design course at the same school. In 1984, on Cape Espichel, she conceived, along with Pedro Croft, a type of altar or way of marking a place through fire and stone whose doors opened out onte the ocean. In 1985 she worked with iron and stone creating abstract compositions where the oblique line and divergence of surfaces were some of the structural constants. The works she entitled Sombras e Penumbras (Shadows and Penumbras), in 1987, are a series of door sized iron sheets split by some rectilinear slits through which the lines of light are drawn on the shadow projected by the object. The large iron open paralelepiped structures are also from this period. In 1985 Cristina Ataíde had already begun working for MadeIn Objectos, a stone masonry factory, where she also created some industrial design objects (19881991), but where she was mainly able to take advantage of the technology for her own personal artistic productions. With stone, mainly limestone, and later on with iron or a combination of both, she built wall, fIoor, or exterior structures that still play with light and shadow, volumetric geometry and a tenuous suggestion of theme given by the titles or the forms of occupation. From 1991 onward she began to create objects which she named Mecanoplastias: she would appropriate mechanical parts, such as industrial washers, change their material appearance and any predictable relationship to their scale, and assign a new reading and expression to the cuts and openings in the parts; and she would reproduce some of these forms in Cas­cais-blue or moca cream lime-­stone. In 1994, at the Oposições (Oppo­sitions) exhibition at the Galeria Graça Fonseca she was still pro­ducing these “almost objects”, as someone called them, only this time in painted wood. This is the first time that the colour red, which to date remains present in her work, appeared. The sugges­tion of something corporeal or organic becomes visible. Simultane­ously, some drawings were shown in parallel


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and some public sculpt­ures produced. In 1995, several spaces of the Ti­bães monastery were occupied with different types of installat­ions: from stacks of plates in the kitchen or heaps of roofing tiles in a patio, to a giant iron bed next to a fountain niche or an intervent­ion with hoses on a trellis. The human scale wax ex-votos placed in the Passadiço Arcade were lat­er broken and the resulting piec­es filled with plaster originating a new work, already related to her 1996 “garde-fous”; types of pro­tections for dangerous stairs. In that same year, at the Caldas da Rainha Biennale, the artist ex­hibited Acqua Sana, an imposing installation of stacks of old bath tubs from the local thermal Hos­pital. (1) In 1996 and 1997, the large scale occupation of an interior space becomes a particularly effective strategy in two cases: Dos Corp­os Ausentes (On Absent Bod­ ies), an exhibition in Braga where hundreds of telephone wires were intertwined in heaps that almost reached the ceiling; and in Ventres Emersos (Submerged Abdomens - Faro, 1997), a circular and aero­dynamic composition made out of 200 merujonas (baskets used to capture octopi) covered in tar. In that same year, the small piec­es, Memórias (Memories), kept, caged or in semiaccessible safes, materials and letters pertaining to different moments of the artist’s life, somewhat locking away, chap­ters of a journey that would begin to take on new elements. Namely, one resulting from work, character­ised by a scope of social research and intervention, conducted with Graça Pereira Coutinho. In 1998, at lhe Sala do Veado (Fac­uldade de Ciências, Lisbon), they held a joint exhibition, Silêncio? (Silence?), with elements as di­verse as interview films, chalk writ­ing on the floor, or stone heads. (2) In 2000 they produced Memória (Memory) at the Casa da Cerca, from the participation of the com­munity of Almada. This resulted in several walls papered in child-like drawings, projections, drawings, groups of vases with trees identified by the name of the person that had chosen them. (3) The tree remained present in the charcoal drawings, like in the Trans­ mutações (Transmutations) exhi­bition, and in three dimensional pieces, branches moulded in bronze placed on pedestals with furrows of poems and which the artist has named Seres Fractais (2001 - Fractal Beings) or on wooden structures (2003). The paths and the circulation of blood, the histological cuts and internal anatomy that had begun to interest the artist around these years, are similar, in their config­ uration, to vegetable ramifica­tions, eloquently juxtaposed on the structure of the human body by a print opportunely taken from the Diderot and d’Alembert ency­clopaedia in the context of the work Anatomia do Sentimento (Anatomy of Feeling), with Paulo Cunha e Silva. In other works the heart is treated as an object in a glass bubble, sketched, covered, evoked verbally, stabilised in for­maldehyde (pigs’ hearts), triturat­ed and kept in jars, approximately laboratory pieces. (4)


The issue of memory continues to be worked within the issue of identity and guided the research on a rural space in Beira experi­enced in childhood, Com o suor do rosto ( With the sweat of the face, 2002). The dimension of journeying and the trips actually undertaken, to India for example, will comple­ment this sketch of a personal and sensitive territory: in 37°N; 25°W, The coordinates corresponding to Ponta Delgada, the artist com­piled a series of TraveI Sketch­es - Desenhos de Viagem (2003) that look like vague maps on which she writes times and plac­es and on whose grid she dispers­es blotches, dots, and cut-outs in reddish tones, routes, islands, di­rections... With Inside me (Braga, 2003) she intervenes in wells of sand opened by crabs by dyeing them red, as she will also do on some slits in rocks (Mater Natura) , (5) in re­peated evocations of the female anatomy. This same red invades the interior of a long rowing boat brought into the Galeria Luís Serpa, (lm)permanêncías ((Im)perma­nencies], 2004 ) which followed the photographic documentation of a similar one conducted by the artist in India. (6) Covered in pigment, the black object, suspended in the air, acquires the aura of a gigantic relic, the memory of a ritualised encounter, of an experience of en­chantment and also of the afore­ mentioned formal analogies of the body. The ruins of a boat or the surface of the water are filtered red in some of the photographs in contrast to the silver light of oth­ers. (7) There are also the ephemeral and casual “drawings” of a shad­ ow, the wooden beams, a sudden ripple in the surface of the river, all registered photographically. Durante o rio (During the river) is the title of a recent series of draw­ings made from sediments of the river left on leaves plunged into it and later subjected to interven­ tion. They were presented at the Chiado 8, Contemporary Art. (8) Also in 2005 the artist held at the Museu da Cidade’s Pavilhão Bran­co Depois tb Florescem (Af­ terwards They Will Blossom Too), with installation and photography work. (9) The understanding of the sedi­mentations that develop the art­ist’s own personal existence and inwardness always intersects, in the work, research concerning vi­ tality and the senses, which the es­sential nature of things appears to reveal to the artist.

BIBLIOGRAPHY > (lm)permanências, Galeria Luís Serpa, Lisboa,2003 > Anatomia do Sentimento, com Paulo Cunha e Silva, Porto, Galeria André Vi­ana, Porto, 2001­ > Dos Corpos Ausentes..., Galeria da Universidade, Braga, 1996 > Oposições, Galeria Graça Fonseca, Lisboa, 1994.

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Curriculum Vitae CRISTINA ATAÍDE 1951 Nasceu em Viseu. Vive e trabalha em Lisboa. Licenciada em Escultura pela ESBAL. Frequentou o Curso de Design de Equipamento da ESBAL. Foi directora de produção de Escultura e Design da Madein de 1987 a 1996.

1951 Born in Viseu. Lives and works in Lisbon. Sculpture major by ESBAL. Studied Equipment Design at ESBAL. Production Director of Sculpture and Design by Madein, from 1987 to 1996 EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS / SOLO EXHIBITIONS 2009 Aqui, Galeria Magda Bellotti, Madrid LUGARES DE DERIVA, Galeria Fonseca Macedo, Ponta Delgada [curador Paulo Reis] (IM)PERMANÊNCIAS II, instalação integrada na Exposição Corpo, Densidade e Limites, Museu de Arte Contemporânea de Elvas, Paiol [curador João Pinharanda]. TODAS AS MONTANHAS, com Alexandra Oliveira, Galeria Gomes Alves, Guimarães “…são bons ESTES LUGARES DE CINZA para a solidão dos pássaros”, Quase Galeria, Espaço T, Porto [curadora Fátima Lambert] 2008 MANUAL DE INSTRUÇÕES, Galeria Carlos Carvalho – Zoom, Lisboa TODAS AS MONTANHAS DO MUNDO, Giefarte, Lisboa OLHARDIZERSENTIR, Galeria Quattro, Leiria INWARD, Centro Cultural de S. Lourenço, Almancil 2007 LABORATÓRIO ÁRVORE II, Forte de S. João Batista, Foz do Porto ESCULTURA E DESENHO, Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros 2006 PÓ DO MEU CORPO, Galeria Gomes Alves, Guimarães FEEL IT, Galeria Évora-Arte, Évora 2005 DEPOIS TB FLORESCEM, Pavillhão Branco do Museu da Cidade, Lisboa* FICUS, Giefarte, Lisboa. DURANTE O RIO, Chiado 8 Arte Contemporânea, Lisboa e Galeria Fernando Santos, Porto* 2003 (IM)PERMANÊNCIAS, Galeria LUÍS SERPA Projectos, Lisboa INSIDE ME, Museu da Imagem, Braga 37º N; 25º W, Galeria Fonseca Macedo, Ponta Delgada [Conf. João Lima Pinharanda]* 2002 COM O SUOR DO ROSTO, Museu Francisco Tavares Proença Júnior, Castelo Branco* 2001 ANATOMIA DO SENTIMENTO, com Paulo Cunha e Silva, Galeria André Viana, Porto * SERES FRACTAIS, Galeria Gomes Alves, Guimarães 2000 MEMÓRIA, com Graça Pereira Coutinho, Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea, Almada * TRANSMUTAÇÕES, Galeria de Arte G, Viseu * TRANSMUTAÇÕES II, Galeria Giefarte, Lisboa 1998 SILÊNCIO? com Graça Pereira Coutinho, Sala do Veado, Museu de História Natural, Lisboa * ORGANISMOS FRÁGEIS, Galeria Gomes Alves, Guimarães ORGANISMOS, Giefarte, Lisboa 1997 VENTRES EMERSOS, Galeria Trem e Arco, Faro * REENCONTROS, Casa Museu de Almeida Moreira, Viseu


1996 GARDE-FOU, Galeria Graça Fonseca, Lisboa DESTROÇOS, Galeria Diferença (loja), Lisboa ... DOS CORPOS AUSENTES, Galeria da Universidade, Braga * 1995 ALGUNS PECADOS E UMA VIRTUDE, Museu do Mosteiro de S. Martinho de Tibães, Braga * VERMELHO, Galeria Gomes Alves, Guimarães 1994 OPOSIÇÕES, Galeria Graça Fonseca, Lisboa * OPOSIÇÕES II, Galeria Fernando Santos, Porto 1993 CONTRASTES, Galeria Quattro, Leiria MADEIN PORTUGAL, Sidi, Barcelona 1992 MECANOPLASTIAS, Galeria Fluxus, Porto * 1991 MOBILIÁRIO EM PEDRA, Galeria Vantag, Porto 1989 SUPORTES E CONTENTORES, Galeria Barata, Lisboa 1988 PENUMBRAS, Galeria Diferença, Lisboa ESCULTURAS, Fórum de Viseu. OBJECTOS, Galeria Barata, Lisboa 1986 OBJECTOS, Castelo de Palmela 1984 PEDRAS EM CASTELO, Museu Tavares Proença Júnior, Castelo Branco EXPOSIÇÕES COLECTIVAS (Selecção) / GROUP EXHIBITIONS (Selection) 2009 MEMORIA PERCIBIDA, Museu de Arte Moderno Carlos Mérida, Guatemala, CCE Miami, EUA [curador Eduardo Reboll] * TRINTA ANOS DE DIFERENÇA-II, Galeria Diferença, Lisboa ESTÉTICA SOLIDÁRIA, Associação Abraço, Palácio do Marquês, Lisboa [curador Paulo Reis] 2008 AQUILO SOU EU/ THAT IS ME, auto-retratos de artistas contemporâneos, Fundação Carmona e Costa, Lisboa * PERCURSOS, homenagem a M. José Salavisa, Galeria novaOgiva, Óbidos * LABORATÓRIO AFECTOS, Quinta das Lágrimas, Coimbra * 2007 Transfert (integrated in the cultural forum “The State of the World”, Fundação Calouste Gulbenkian), Museu Tavares Proença Júnior, Castelo Branco [curator: Leonor Nazaré] Na cozinha dos artistas/in the artist’s kitchen, Centro Cultural São Lourenço, Almansil * Com o Vento, intervenção na paisagem, Parque da Lavandeira, Vila Nova de Gaia * Musas, Fórum Cultural de Ermesinde [curador Paulo Reis] * 2006 Laboratório Terra, Tapada da Ajuda, Lisboa Densidade Relativa, Centro de Artes de Sines DESENHOS COM COR E OUTRAS INVESTIGAÇÕES, Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea, Almada Cabinet d’amateur ou  Arte como forma de vida, Galeria Luís Serpa projectos, Lisboa 2005 Densidade Relativa/ Relative Density, CAM, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa * Arte na urgência, Hospital de S. Francisco Xavier, Lisboa 5º Prémio Amadeu de Sousa Cardoso, Amarante * Feira de Arte Contemporânea, FIL, Lisboa com as Galerias Fernando Santos, Fonseca Macedo e Quattro 15 ANOS, Galeria Gomes Alves, Guimarães * * Exposições com catálogo

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2004 19 SENTIDOS CONTEMPORÂNEOS, Álvaro Roquette, Lisboa HORIZONTE, 20 anos [1984-2004] Galeria Luís Serpa projectos, Cordoaria Nacional, Lisboa * CRIAR UM LUGAR, Metro da Casa da Música pelo Espaço T, Porto FOTOPORTFÓLIO (20 ANOS), Galeria Luís Serpa, Lisboa IV SIMPÓSIO DA PEDRA, Cantanhede SIMPPETRA ‘04, Caldas da Rainha 2003 ARTE CONTEMPORÂNEA, Colecção CGD, Obras de 1968 a 2002, MEIAC; Badajoz * DESENHO, 1993-2003, Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea, Almada A ARTE DOS ARTISTAS, Culturgest, Lisboa * 2002 ARTE CONTEMPORÂNEA, NOVAS AQUISIÇÕES, Colecção CGD - Culturgest, Lisboa * DESENHO CONTEMPORÂNEO, Instituto Açoriano de Cultura, Angra do Heroísmo 2001 ARCO 2001,Galeria André Viana, Madrid REGRESSO À CONDIÇÃO, Museu Almeida Moreira, Viseu 2000 ARCO 2000, Galeria André Viana, Madrid MOTE E TRANSFIGURAÇÕES, Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa 1999 VI Mostra Union Fenosa, A Coruña [prémio aquisição | acquisition award] * P.L.M.J. UMA VISÃO SOBRE OS ANOA 80 E 90, Lisboa, ARTE CONTEMPORÃNEA DO NORTE DE PORTUGAL, Wiesloch, Alemanha, Amarante e Porto * CONTEMPORÂNEA DE Pontevedra e Feira de Industrias Culturais, Lisboa, com a Galeria André Viana 1998 A FIGURA HUMANA NA ESCULTURA PORTUGUESA DO SEC. XX, Museu dos Transportes e Comunicações, Porto * LIVRO DE ARTISTA, Sociedade de Belas Artes, Lisboa e Galerias Trem e Arco, Faro * SENSIBILIDADES FEMININAS DO NOSSO TEMPO, Palácio Foz, Lisboa * 1997 ECOS DE LA MATERIA, MEIAC, Museo Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporáneo, Badajoz e | and Sala de las Atarazanas, Valencia * ARCO 97, Galeria Graça Fonseca, Madrid V MOSTRA UNION FENOSA, Estación Marítima, La Coruña [prémio de aquisição | acquisition award] * MARCA 97. Madeira I SIMPOSIO INTERNACIONAL DE ESCULTURA, Consorcio Escuela del Marmol de Fines (Almeria) * 1996 ARCO 96, Galeria Graça Fonseca, Madrid (escultura seleccionada para Recorridos de ARCO | selected sculpture for the Recorridos de ARCO ) PERVERSÕES, Cenários de Design, Fio de Prumo, Porto EURO – BILDHAUER – SYMPOSION, Dreieich, Francfort 2ª BIENAL DE ARTE AIP´96, EUROPARQUE, S. João da Madeira * 1995 Arco 95, Galeria Graça Fonseca, Madrid 6ª Bienal de Escultura e Desenho, Caldas da Rainha [menção honrosa de escultura | honour mention in sculpture]. * 1994 Arco 94, Galeria Graça Fonseca, Madrid CONTEMPORARY PORTUGUESE DESIGN´94, Museu Azabu Kogei Kan, Tóquio e | and Design Center do Asia and Pacific Trade Center, Osaka. BATIBOUW, Bruxelas A ALMA DAS COISAS, Abação, Guimarães DESIGN LISBOA 94, Centro Cultural de Belém, Lisboa * 1993 OPSIONS, Estacion del Nort, Barcelona II Simpósio de Ferro da Amadora


SALÃO PLAZA MAYOR, Mogar, Madrid DESIGN DE INTERIORES, Galeria Vantag, Porto. Cooperativa Árvore, Porto Construcion 91, Sevilha* COLECÇÕES PÚBLICAS/ PUBLIC COLLECTIONS Banco Espírito Santo, BES, Lisboa Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa COLECÇÃO ANTÓNIO CACHOLA, Elvas Colecção Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea, Almada Colecção da Caixa Geral de Depósitos, Lisboa Colecção Unión Fenosa, La Coruña, Espanha Fundação P.L.M.J., Lisboa Hotel Açores Lisboa, Grupo Bensaúde, Lisboa Esculturas e projectos em locais públicos/ Public Sculptures “Sombras”, 1987, Paços do Concelho de S. João da Madeira. “Caixa IV”, 1993, Parque Central e “Caixa V”, 1993, Parque Urbano, Amadora. Painéis de azulejos e paredes, 2 Consultas Externas do Hospital de Ponta Delgada, Açores. “Escultura Habitada”, 1997, Biblioteca Municipal de Alenquer. “Sem título”, 1997, Fines, Espanha. “Silêncio?” Câmara Municipal de Santarém. “Passagem”, 2002, Av. Infante D. Henrique, Cascais. “Sem título”, 2003, Av. Marechal Carmona, Cascais. ”Homenagem a Ruy Belo”, 2004, Biblioteca de Rio Maior. “Mater Natura”, 2004, Cantanhede. “Urpunkt”, 2004, Caldas da Rainha. “Correia Garção”, Parque dos Poetas, Oeiras (em colocação) Esculturas 1 e 2 , 2007– Cepsa, Fundão. “Horizonte”, 2007, Gandarinha, Cascais Participação em livros e revistas Cartografia Íntima, Emília Ferreira, Lisboa, Difel, 2009 Mutante, Preto e branco, nº3, 2009 espaço com(tacto), “o desejo”, nº15, Porto, 2009 Ponto de Vista | Point of view, obras da colecção da Fundação PLMJ, 2007 A Constituição de 1976, comentada e ilustrada, Livraria Ideal Editora, Guimarães, 2007 Na cozinha dos artistas/ in the artist´s Kitchen, Cento Cultural São Lourenço, 2007 Anamnese, o Livro | The book, Fundação Ilídio Pinho, 2006 Eça de Queiroz, coordenação de Isabel Pires de Lima, Porto Cadernos de Viagem – Dos Lugares, da Memória e da Vontade, um projecto organizado por Manuel Valente Alves para a Associação de Médicos de Clínica Geral, Lisboa, 2004 Filmografia Cartaz das Artes, TVI, 29.5.2008 RTP2, “Tutto Somato” de Margarida Ferreira de Almeida produzido por Imaterial Produção de Ideias, Julho 2005 Acontece, RTP2, Anabela Mota Ribeiro, Depois tb florescem, 2005 RTP2, Depois tb florescem, 2005 Páginas Soltas, SIC Notícias, Bárbara Guimarães, 26.10.2004 RTP Açores, 37º N; 25º W, Ponta Delgada, 2003 Acontece, RTP2, Com o Suor do Rosto, 2002 Realce, RTP2, 31 Jan 1993 TV Artes, RTP1, Alexander Melo, Mecanoplastias, 1992 RTP1, Joaquim Aletria, 1989

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FICHA TÉCNICA > TECHNICAL FILE Coordenador de Exposição > Exhibition Coordinator Ana Calçada Assistente de Produção > Production Assistant Catarina Machado Imprensa > Media David Vieira, Pedro Pereira Créditos Fotográficos > Photographic Credits Edgar Libório Montagem Vídeo > Video Editing Nelson Lança Design Gráfico > Graphic Design Cátia Garcia, Susana Santos Impressão e Acabamento > Printing and Binding Torreana – Indústria e Comunicação Gráfica, S.A. Tiragem > Copies 750 exemplares Equipa de Montagem > Installation Team Jorge Maciel, Raquel Arsénio, Vítor Sousa e todos os colaboradores da Câmara Municipal de Óbidos e Óbidos Patrimonium E.M.M. Produção e Logística > Production and Logistics Óbidos Patrimonium E.M.M.


INDICE / INDEX

Óbidos: do Património construído à Paisagem Histórica Telmo Henrique Correia Daniel Faria 05

(im)permanências Cristina Ataíde João Pinharanda 08

inside me Cristina Ataíde Margarida Medeiros 24

falésia em erosão Cristina Ataíde 32 percurso Cristina Ataíde Leonor Nazaré 48

Curriculum Vitae Cristina Ataíde 56 Ficha Técnica 60


CATALGO CRISTINA ATAIDE  

CATALGO CRISTINA ATAIDE

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