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Universidade do Minho Mestrado em Comunicação Cidadania e Educação Media Participação e Cidadania Ano letivo 2012/2013

TRABALHO DE GRUPO________

Docente: Sara Pereira Discente: Carlos Rodrigues, Catarina Cameselle, Isabel Rodrigues e Leila Dias

Braga, 7 de Junho de 2013


Introdução da Atividade

O evento que passaremos a apresentar vem no âmbito dos objectivos da Disciplina de Média, Participação e Cidadania integrada no mestrado de Comunicação, Cidadania e Educação. Foi-nos sugerido que desenvolvêssemos um evento que se integrasse na Iniciativa Nacional “7 Dias com os Média”, que decorreu de 3 a 9 de Maio de 2013. Este evento, desenvolvido em parceria com o Espaço GNRation em Braga, entre os dias 3 e 8 de Maio, desdobrou-se em duas atividades que se complementam, com o fim de atingir todos os objetivos acima esclarecidos. Primeiramente, foi feita uma Exposição intitulada: “Toque nos Média”. Esta exposição, em parceria com a EDIGMA (empresa pioneira na criação de mesas e painéis de grandes formatos multitoque), colocou ao dispor de todos os visitantes, uma mesa e um placard electrónico, em que os interessados poderiam interagir com o equipamento e também consultar a história da evolução dos meios de comunicação, entre outros artigos de interesse alusivos ao tema, a partir de um blogue, cujos conteúdos elaborados pelo grupo de mestrandos foram criados exclusivamente para o acontecimento. Foi também programado um Debate, realizou-se igualmente no espaço onde decorreu a exposição. Este contou com a presença dos Professores da Universidade do Minho e do nosso mestrado Sara Pereira e Manuel Pinto, Eduardo Jorge Madureira, responsável pelo Projeto “PÚBLICO na Escola”, Paulo Monteiro, diretor do jornal Correio do Minho, Luísa Ribeiro, chefe de redação do jornal Diário do Minho, Miguel Fonseca, sócio da empresa EDIGMA - The Touch Company e por fim contou com a moderadora, Elisabete Barbosa, directora executiva da agência de comunicação “LK Comunicação”. Este relatório compila o plano do evento, em que estão patentes todas as atividades inerentes ao desenvolvimento da acção a que nos propusemos desenvolver, nomeadamente a explicação do tema, objectivos, público-alvo, entre outros aspetos que acreditamos serem pertinentes para este trabalho. Pág.1


O documento em questão faz ainda uma avaliação e balanço dos resultados finais desta iniciativa e, por fim, uma avaliação individual por parte de todos os elementos do grupo que pretende ir de encontro com os assuntos abordados ao longo da disciplina em causa e que é fundamentada com a bibliografia que nos foi fornecida.

Objetivos do trabalho

Atendendo aos requisitos gerais da iniciativa, ”7 dias com os media”, que visa a sensibilização de todos os cidadãos para uma melhor compreensão da literacia dos media, o grupo de trabalho decidiu criar um evento na cidade de Braga que se destacase por cultivar o interesse sobre a importância dos meios de comunicação tradicionais e digitais na sociedade contemporânea. Os objetivos deste projeto visaram o levantamento de questões, que cruzam com

os

desafios

da

educação

para

os

media,

tais

como:

O que mudou na actual paisagem mediática com o surgimento dos novos media digitais? Os meios de comunicação constituem nos dias de hoje a principal fonte de informação e de opinião para o grande público? Existe algum grau de influência indirecta do público sobre os conteúdos veiculados pelos media? Em suma e com esta nossa escolha tivemos em mente uma dupla pretensão, por um lado, aliciar os cidadãos e profissionais com conhecimentos sobre o contexto mediático, a contribuir com a partilha de ideias, críticas e reflexões sobre o impacto dos media no exercício da inclusão e cidadania na sociedade de informação atual e por outro, a sensibilizar todos os interessados para este tema que, cada vez mais, tem um peso importante na sociedade, comportamentos, políticas económicas de todos os países desenvolvidos.

Público Envolvido O público-alvo escolhido foi heterogéneo, tendo em conta o objetivo geral da iniciativa “7 dias com os Media” em que se pretende chegar a um maior número de pessoas para a sensibilização sobre a literacia dos media. Pág.2


Neste sentido, decidiu-se que todos os interessados neste evento poderiam participar tanto na exposição como no debate. Esta decisão foi crucial na definição do espaço onde iria decorrer o evento (fora do contexto académico, no centro da cidade) e nos meios de comunicação escolhidos para a divulgação da iniciativa (rádio e jornais/blogues)

Metodologia da atividade

No que toca ao planeamento e estratégias de ação definidos para o desenvolvimento deste evento foi feito o seguinte: Em primeiro lugar o grupo definiu o tema e posteriormente escolheu o local. A escolha do GNRation, para a realização do nosso evento, resultou de uma parceria desenvolvida com a Dr.ª Ângela Rodrigues e o Dr. Rui Dória, ambos responsáveis pelo espaço. Na primeira reunião que tivemos foi acordado que nos seria dispensado o espaço sem custos, bem como a criação do cartaz publicitário a troco de ser divulgada a agenda cultural do mês de maio do GNRation e também a utilização de um dos quadros iterativos para a divulgação do evento durante o fim-de-semana em que o mesmo material estaria exposto. Em segundo lugar, entramos em contacto com os convidados do debate que cedo aceitaram em participar e de acordo com a sua disponibilidade, marcamos a data para a realização do debate. Em terceiro lugar, criamos uma parceria com a EDIGMA – The touch company que nos permitiu usar o seu equipamento para podermos mostrar ao público novas formas de comunicação digital, por outro esta seria uma boa oportunidade por parte da empresa poder mostrar aos cidadãos o seu trabalho, não implicando custos de parte a parte. Posto isto, em termos de recursos pouco há a acrescentar, não foram necessários recursos financeiros e quanto aos recursos humanos estiveram implicados na fase do pré evento os quatro elementos o grupo de trabalho, sendo que no “Dia D” contámos com a participação dos oradores.

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No que concerne aos recursos materiais utilizamos apenas os quadros interativos cedidos pela EDIGMA assim como o espaço e materiais cedidos pelo GNRation. Posteriormente tratou-se da criação das ferramentas de promoção e da própria divulgação do evento assim como a criação de conteúdos para um blog (anexo 5) (www.producoesmediaticas.wordpress.com) que retratasse a história e evolução dos meios de comunicação de massa tradicionais e digitais (cinema, imprensa, televisão, telefone, Internet fotografia, rádio, entre outros) e da pesquisa e recolha de material/bibliografia que se encarregasse de justificar a importância deste tema à luz da globalização, da evolução da sociedade e da opinião de “experts” na matéria e que está acessível através da biblioteca interativa do nosso blog (anexo 5) As diretrizes escolhidas para a comunicação do evento foram as seguintes: A divulgação através de um spot publicitário que passou na Rádio Universitária na semana que antecedeu ao evento, com o apoio da mesma e que integra também o trabalho da disciplina de Produções Mediáticas, o envio de um comunicado de imprensa do evento a todos os meios de comunicação social (anexo 2) via e-mail a cerca de 6000 empresas e pessoas do distrito de Braga, Viana do Castelo e Guimarães, a criação de uma página de evento no Facebook e divulgação a título pessoal por todos os elementos do grupo de trabalho e a criação de um cartaz publicitário (ver em anexo 3). A divulgação foi bem sucedida dado que, antecipadamente, surgiram notícias em diversos meios de comunicação social, que noticiaram o evento (anexo 4). Esclarecidos os fatores estruturais de planeamento passamos, finalmente, ao “Dia D”, o dia do evento em que foram desenvolvidas as últimas atividades de preparação do mesmo, nomeadamente preparou-se o auditório que iria receber os convidados e participantes bem como todo o serviço de receção pelo que, foram resolvidos todo e qualquer factor imponderável que pudesse comprometer o sucesso desta iniciativa (problema de iluminação, por exemplo).

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Descrição e Análise Crítica

O Evento decorreu dentro daquilo que se previu inicialmente e, na opinião geral dos elementos do grupo, teve um impacto positivo e atingiu os objetivos a que, inicialmente nos propusemos. Se por um lado ao longo de seis dias a exposição foi visitada por inúmeras pessoas, desde nativos a imigrantes digitais, por outro, o debate também teve o sucesso pretendido. Todos os convidados desempenharam um papel único e insubstituível na discussão do tema deste evento. Embora o tema fosse bastante amplo, acabou por se centrar bastante no impacto que os meios digitais vêm exercendo sobre os meios tradicionais de comunicação. Para tal, tentou-se chamar para a discussão de que forma essa mudanças tem afetado o leitor, os jornalistas e a própria lógica do jornal. Numa sociedade cada vez mais em Rede e Global (Castells, 2009) e com novas formas de agir e interagir do público de toda esta sociedade, que passa a ser mais ativa nas formas de comunicação, que procura leituras mais rápidas e possui muita informação de uma forma muito fácil. Tudo isto e muitos outros factos trazem efetivamente uma pressão sobre os meios tradicionais de comunicação que neste momento se vêm a repensar sobre as formas de se fazer a comunicação e a informação, assim como a forma de chegar ao públicoalvo. Estas mudanças foram salientadas durante o decorrer do debate, tal como a rapidez que a notícia chega aos públicos, se antes as notícias eram diárias ou semanais e que atualmente é por questões de minutos. Parece que assim como Bauman (2010) reflete, a sociedade atual é fluida e liquida e não consegue se prender por muito tempo. Vive com tanto excesso de símbolos, imagens e informação que não se concentram por demais em questões mais profundas. Talvez o jornalismo informativo seja sólido demais para esses dias líquidos. Na mesa de debate esse assunto não ficou de fora e trouxe o questionamento, se é importante hoje um jornalismo investigativo ou um jornalismo de manchetes, que para ser o primeiro em audiência, pode até mesmo a estar a passar notícias erróneas, ou então um jornalismo com notícias bem fundamentadas, feito com mais calma e atenção.

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Nesta mesma discussão levantou-se o perigo que o primeiro tipo pode trazer, do jornalismo mais raso, porque de acordo com a mesa de debate, dessa forma os próprios jornalistas vêm perdendo um certa credibilidade perante o grande público. Outro também evidenciado foi o facto de haver menos leitores nas edições em papel, os jornais ainda não encontraram na internet um modelo de negócio viável. Seguindo o discurso de Manuel Pinto, professor e investigador da Universidade do Minho, este considerou que “o decréscimo do papel ainda não foi compensado com o digital’, salientando que o jornalismo atravessa hoje uma “fase de mudança mais profunda” do que aquelas que viveu com o surgimento da rádio e da televisão em épocas anteriores. Por outro lado, Sara Pereira, investigadora do Instituto de Ciências Sociais, deu conta dos resultados de um inquérito a cerca de 600 adolescentes que confirma que estes “consomem muitas poucas notícias” e que raramente lêem jornais ou revistas em formato papel.

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Bibliografia

BAUMAN, Zygmunt (2000). Modernidade L铆quida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. CASTELLS, Manuel (2009) Comunicaci贸n y poder. Madrid: Alianza Editorial.


Universidade do Minho Instituto de Comunicação Social Mestrado em Comunicação, Cidadania e Educação. Disciplina: Média e Participação Professora: Sara Pereira Aluna: Leila Dias O ritmo da informação escrita nos meios impresso e digital

Durante o evento organizado pelo nosso grupo em harmonia com a ação nacional 7 dias com os media foi-se ressaltado durante o debate um panorama da realidade do jornalismo nos dia de hoje devido ao período de mudanças por que passa a imprensa, não só em Portugal mas em todo o mundo, por causa da evolução digital. Sobre este assunto, parte que nos parece interessante destacar aqui é que a concepção do que é jornal não seria mais a mesma. Em sua fala, o professor e investigador da Universidade do Minho, Manuel Pinto, nos ajudou a clarificar, através do conhecimento do significado epistemológico da palavra Jornal uma pouco sobre o quanto essa concepção vem mudando: “Jornal deriva do latim Diurnale que significa dia.” Em referencia a esta observação podemos pensar neste transformação da realidade que vivemos hoje, se a muito tempo o jornal tinha a função de informar o que se passava no dia, hoje a informação nos vem a cada minuto, ou ainda em menor espaço de tempo. Essa mudança esta intimamente relacionada com a sociedade em rede, que segundo Castells ( 2009) “ é aquella cuya estructura social está compuesta de redes activadas por tecnologias digitales de La comunicacion y La formaciona basadas em La microeletrônica. Ou seja, vivemos numa sociedade baseada na informação que devido aos avanços de sua parte técnica pode ser feita muito rapidamente, e isso vem mudando a lógica do jornal que passa valorizar “furo Jornalístico” do que o jornalismo de investigação. Este tópico foi levantado pela Diretora do Diário do Minho, que colocou ser isso hoje um fator preocupante quanto a qualidade das informações passadas pelos veículos, seja TV, rádio ou mesmo na internet.


Levando em consideração essa colocação podemos realmente pensar sobre isso, pois se vemos muitas empresas valorizando uma informação sem profundidade e as vezes dando importância ao ser o primeiro a noticiar mesmo que isso gere erro e depois tenham que se retratar, levando a descrédito até mesmo da própria profissão. Mas será que essa necessidade de informação rápida, vindo da necessidade de uma sociedade cada vez com rápida e “líquida” (Bauman, 2009) seja mesmo uma justificativa para esse posicionamento dos meios de comunicação? Não vemos também um crescimento exponencial de profissionais independentes, aproveitando as possibilidades da web 2.0? Sim, vemos se destacando pessoas fazendo um jornalismo mais consciente e profundo, que mobilizam milhares de seguidores que procuram realmente entender o que se passa mais profundamente e acompanharem seus “posts”, na chamada blogosfera. Para nós essa parece ser uma contradição que ainda espera por investigação e outros debates que possam ajudar a elucidar o que se passa neste âmbito. Ainda sobre esses impactos da sociedade em rede outros fatos vem a impactar essa relação com a informação e aqui vamos nos apoiar no texto do professor e investigador da Universidade de Coimbra Antonio Dias Figueiredo: A geração 2.0 e os novos saberes. Figueredo começa seu artigo por caracterizar três gerações: 0.0., a da oralidade, 0.1, da escrita e da leitura e 0.2, da intereacção eletrônica, e depois assinala suas principais diferenças de acordo com seu nível de literacia. Mas aqui gostaríamos de ressaltar uma: o tempo de aprendizagem. O autor utiliza para demonstrar as diferenças entre as gerações 1.0 e 2.0 com os termos “ just-in-case e Just-in-time, e as define: Os nativos da geração 1.0 reconhecem a necessidade de aprender tudo o que possa, no futuro, vir a ser necessário. Valorizam assim, a aprendizagem Justi-in-case (...) Os nativos da geração 2.0, pelo contrario sentem-se a vontade com a aprendizagem justi-in time: aprender o que for necessário quando, e só quando, for necessário.

Esse tipo de comportamento vem impactando muitos setores da sociedade e poderia ser um ponto também para podermos compreender essa relação da sociedade atual com a informação da imprensa escrita.


Mas vemos aqui uma contradição para fazermos isso, na sua fala, a professora e investigadora da Universidade do Minho, Sara Pereira, disse-nos que a geração atual lê pouca informação diretamente dos medias, o que nos leva a pensar que os grandes consumidores desse veículo de comunicação é a geração 1.0, a que se apoia na escrita e leitura, e que preferem leituras mais aprofundadas e que fazem parte de uma faixa etária mais velha. Sendo assim, temos uma imprensa que vem valorizando informações mais rápidas, com o valor da novidade e com informações menos trabalhadas e que se justifica com a ideia de que o perfil do leitor atual é para leitura rápida e fragmentada. Mas então será que a imprensa está trabalhando para um perfil errado, já que este perfil não é do leitor mais velho, o que hipoteticamente seria o consumidor de informação? Ou será que vemos então a geração 1.0 se adaptando ao Just –in –time no consumo dos médias? Ou poderíamos conduzir nosso pensamento por outro momento de participação do prof. Manuel Pinto que diz que como em outras situações da nossa vida temos momentos que queremos algo rápido, em outro algo mais profundo e tranquilo e o mesmo acontece com as leituras, às vezes queremos ler apenas títulos, outras vezes queremos ler algo com mais profundidade. Mas assim como o debate não se esgotou nos problemas e possibilidades que vivenciamos hoje também muitas são as direções que a investigação acadêmica ou mesmo das próprias empresas deverão vislumbras para entender e quem sabe prever como será o papel da imprensa escrita nos próximos tempos. Auto avaliação Minha participação no grupo correu bem e ajudou com que o nosso evento saísse de forma a agradar a todos. O grupo de trabalho sempre em prol de alcançar os objetivos em comum estabelecidos, tendo a participação ativa em todas as etapas pelo que passamos até a conclusão do debate e encerramento da exposição.


Referencias Bibliográficas BAUMAN, Zygmunt (2000). Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. CASTELLS, Manuel (2009) Comunicación y poder. Madrid: Alianza Editorial. FIGUEIREDO, António Dias (2010). A geração 2.0 e os Novos Saberes. Seminário “Papel dos Media” das Jornadas “Cá fora também se aprende”, Conselho Nacional de Educação. PRENSKY, M. (2010) “Não me atrapalhe, mãe – eu estou aprendendo!” Como os videogames estão preparando nossos filhos para o sucesso no século XXI – e como você pode ajudar! Tradução de Lívia Bergo, São Paulo: Phorte.


Reflexão Individual Mestrado em Comunicação Cidadania e Educação Media, Participação e Cidadania Docente: Sara Pereira Discente: Catarina Carvalho Cameselle, PG23012

No âmbito da unidade curricular, Media Participação e Cidadania, foi proposto pela docente a criação de uma iniciativa integrada na operação nacional “7 dias com os Media” e foi desta forma, o grupo de trabalho criou um evento que fomentasse a participação dos cidadãos em geral e os mobilizasse em torno desta iniciativa. O tema do evento centrou-se na influência dos meios de comunicação tradicionais e digitas na sociedade contemporânea, levando um público, de carácter heterógeno, a refletir acerca da importância dos media na suas vidas. Através de uma espécie de “linha do tempo” pretendia-se reunir os media tradicionais e digitais de modo a que os cidadãos em geral percebem as evoluções sentidas desde o seu aparecimento até aos dias de hoje, com um foco especial nas mudanças que ocorreram na paisagem mediática com o surgimento dos novos media digitais e a possível “extinção” dos media tradicionais. Vivemos atualmente num período de evolução tecnológica nunca visto anteriormente e que teve em outros momentos da história um enlace que não podemos esquecer. Transformações tais como: a apropriação da escrita; o relógio; a imprensa e outras descobertas que nos proporcionaram uma contínua evolução que hoje nos possibilita viver este mundo tecnológico pautado na cibercultura e que André Lemos (2002) define como a conexão entre as tecnologias da comunicação, informação

e

a

cultura

emergentes

a

partir

da

confluência

da

informatização/telecomunicação da década de 1970. Neste sentido, assistimos nos dias hoje a uma sociedade cada vez mais dependente dos meios digitais, utilizando-os com uma maior intensidade e sobrepondo-se aos meios tradicionais de formato impresso. Segundo Castells (2009) vivemos numa sociedade em rede, esta caracteriza-se por ter as suas estruturas sociais ativas por tecnologias e são globais porque transcende os limites territoriais e institucionais de todo o mundo.


As tecnologias digitais e as redes vêm, de uma certa forma influenciar a nossa forma de estar e de viver. Uma das mudanças mais impressionantes é a da globalização ao implicar que os seres humanos permaneçam mais conectados e ligados em rede, “ (…) las fuerzas que impulsaron la globalización sólo pudieron desencadenarse porque tenían a su disposición la capacidade de conexión en rede global (…) la sociedad red es pues una sociedad global.” (2009, pág.51). Para uma melhor compreensão das formas de leitura desde o aparecimento do livro até os tempos digitais, apoiei-me no estudo de Lucia Santaella (2001) que em primeiro lugar começa por destacar o leitor contemplativo que vivenciou no seculo XVI e caracteriza-se por ser uma leitura individual, silenciosa, e com grande consistência textual. Isso faz despertar uma relação de intimidade entre o leitor e o seu livro. No que concerne às várias transformações passadas na sociedade, principalmente pela revolução industrial, surge o leitor movente/fragmentado. Não é mais possível uma dedicação a leituras complexas, demoradas e com índices elevados de concentração, “Aparece assim, com o jornal o leitor fugaz, novidadeiro, de memória curta, mas ágil. Um leitor que precisa esquecer, pelo excesso de estímulo e na falta do tempo para retê-los. Um leitor de fragmentos, de tiras de jornal e fatias de realidade” (Santaella, 2001, pág.29). Por fim e mais recentemente com o advento da internet e as suas páginas com hiperligações e vários recursos multimédia em um único ambiente, surgiu um outro tipo de leitor: o imersivo/digital que se caracteriza por ser “diferente do leitor do livro, que tem diante de si um objeto manipulável, o ecrã sobre o qual o texto eletrónico é lido, não é mais manuseado diretamente, mas imediatamente pelo leitor imersivo” (Santaella, 2001, pág.32).

“ (…) as semelhanças não podem nos levar a menosprezar o facto de que se trata de um modo inteiramente novo de ler, distinto não só do leitor contemplativo da linguagem impressa, mas também do leitor movente, pois não se trata mais de um leitor que tropeça, esbarra em signos físicos, materiais, como é o caso deste tipo de leitor, mas de um leitor que navega numa tela programando leituras, num universo de signos evanescentes eternamente disponíveis contanto que não se perca a rota que leva a eles. (Santaella, 2001, pág.32)


O “Hoje" talvez seja um momento de transformação acentuada, um momento pautado pelo uso das tecnologias de comunicação que já são consideradas “ quase um prolongamento de si” (Pinto, 2011). Assim, deparámo-nos atualmente com uma nova paisagem mediática e que todos nós somos produtores de media e através dos meios digitais (ex.internet) poderem aceder de diversas partes do globo. Os meios de comunicação tradicionais (jornais, revistas, TV, rádio) tiveram efectivamente de se actualizar e corresponder a todas estas mudanças para não perder as audiências dos seus públicos. Atualmente, a maioria dos meios de comunicação tradicionais, encontram novas formas de chamar atenção dos seus leitores e nomeadamente com foco especial nas gerações mais novas, pois estas vêm de encontro ao tipo de leitor imersivo/digital referido anteriormente e que eleva a aposta nos recursos multimédia, uma informação mais sintética, acessível em diferentes pontos e rápida, ou seja, os meios tradicionais tiveram que procurar e desenvolver conteúdos multimédia para smartphones, tablets, desenvolver espaços que fomentam a participação dos cidadãos, por exemplo na televisão assistimos cada vez mais a programas de opinião pública, também a aposta nas redes sociais, fóruns e blogues, em que cada vez mais se verifica um aumento do número de “posts”, comentários/discussão de diversas notícias. Em suma, os computadores e os dispositivos móveis fazem parte do quotidiano de quase todos os habitantes do planeta e esses aparelhos, de um certo modo, ligamnos ao mundo, pela internet, 24 horas por dia, facultando um contacto com a informação de todos os cantos do mundo a um simples “clique”, havendo um pequeno estímulo. De um modo geral, o evento realizado com a parceria do GNRation teve um resultado bastante positivo, desde do início da exposição dos media que houve uma grande aderência do público e as espectativas superam aquando da realização do debate que nos surpreendeu positivamente. O meu trabalho foi de um modo global importante em toda a realização deste evento, nomeadamente na parte dos contactos com o GNRation, divulgação do evento na imprensa e através das redes sociais, e na organização de todo o material para proceder à exposição, conteúdos da história dos media digitais/tradicionais, e posteriormente na organização do debate. O grupo de


trabalho também funcionou bem, o apoio de todos foi fulcral para o seu desenvolvimento e resultado final, pois cada um de nós deu sempre o seu contributo desde a criação das ideias, ao seu desenvolvimento e na elaboração do resultado final.

Bibliografia

CASTELLS, Manuel (2009) Comunicación y poder. Madrid: Alianza Editorial. LEMOS, André. Cibercultura: tecnologia e vida social na cultura contemporânea. Porto Alegre: Sulina, 2002. PINTO. M. (2011). Educação para os Media em Portugal. Porto: ERC SANTAELLA, L. (2004) Navega no ciberespaço - Perfil cognitivo do leitor imersivo. São Paulo: Paulus.


Reflexão Individual Mestrado em Comunicação Cidadania e Educação Media, Participação e Cidadania Docente: Sara Pereira Discente: Carlos Rodrigues, PG23476

A presente reflexão tem como objetivo elaborar de uma forma sucinta algum referencial teórico sobre a influência dos meios tradicionais e digitais na sociedade contemporânea, a partir de uma análise de estudos e opiniões de vários especialistas e investigadores, que contribuíram significativamente para a produção deste trabalho prático. Assistimos nos dias hoje a uma sociedade cada vez mais enamorada pelos dispositivos digitais em substituição do conhecimento tradicional em formato impresso. Esta mudança na paisagem dos media tem-se tornado cada vez mais alvo de discussões pertinentes, ao mesmo tempo, tem colocado uma pressão na indústria dos meios de comunicação de massa convencionais e nas suas cadeias de distribuição. A sociedade em rede apresentada por Castells (1999) aponta o impacto que as novas capacidades fornecidas pela tecnologia trouxe às relações sociais numa perspectiva mais agregada. Em virtude do salto tecnológico das tecnologias de informação e comunicação registado nas últimas décadas, a transição do universo de escassos canais de media analógicos para um universo de abundância digital, qualquer individuo tem a possibilidade de ser produtor de conteúdos de media (textos, filmes, música, etc.) e difundi-los a uma audiência mundial, através da Internet. A diversidade de canais de televisão e de sítios na Internet, bem como o acesso à informação nos seus vários formatos em todo o mundo, tem tido um forte impacto nos media tradicionais e, como refere Thompson (1995), as tecnologias digitais transformaram a organização espácio-temporal da vida social, criando novas formas de ação e interação, novos modos de relação social e novas formas de relacionamento com os outros e connosco.


Segundo a visão de Tubella, semelhante à de Castells, os media tradicionais, em especial a televisão, têm um importante papel na construção da identidade coletiva, a Internet influencia a construção da identidade individual. Isto, na medida em que os indivíduos confiam cada vez mais nos seus próprios recursos para construir uma identidade coerente para si mesmos, num processo aberto de formação do self enquanto projeto simbólico, através da utilização dos materiais simbólicos disponíveis. Muitos pesquisadores defendem que a maioria da comunicação pública continua a ser realizada pelos meios de comunicação, pela televisão, rádio e pela imprensa inscrita. A internet não eliminou os meios de comunicação tradicionais mas transformou-os. David Bolter e Richard Grusin (1999), referem que as tecnologias digitais surgiram para completar as tecnologias anteriores. Estes teóricos acreditam que o aparecimento das novas tecnologias vieram permitir a Remidiação (Remidiation), ou seja, as mudanças que ocorrem num meio ou meios (media) diante do aparecimento de uma tecnologia que chega para, ao mesmo tempo, competir com e completar tecnologias anteriores. Quando, por exemplo, uma empresa jornalística, transfere o seu produto, no caso o jornal, para o meio electrónico, o que ocorre não é a morte do impresso, mas a sua transformação: o jornal material, por assim dizer, perde o seu corpo e se transforma em virtual e, simultaneamente, perde algumas de suas características (materialidade, localização enquanto objeto em certos espaços físicos), e ganha outras (virtualidade, facilidade de acesso). Em oposição, estão os teóricos, como Pierre Levy e Jean Boudrillard que vêm na Internet o fim do jornalismo. Não sendo necessário um mediador que selecione e apresente as notícias, uma vez que todos podem aceder às mesmas fontes de informação que os jornalistas, estes deixarão de ter um papel relevante na sociedade e seremos, ao mesmo tempo, produtores e consumidores de conteúdos. Outros, ainda, nessa mesma linha, exaltam o computador e a Internet como a ``verdadeira revolução do século'', comparável à imprensa de tipos móveis de Gutemberg, que modificou a maneira de pensar e aprender. É corrente a expressão ``Revolução da Informação'', como um sucedâneo de ``Revolução Industrial'', para designar os impactos em curso.


Aroldi e Colombo (2003), argumentam que uma das razões porque autolimitamos a nossa capacidade de compreender o verdadeiro papel dos media na nossa sociedade está relacionada com a própria análise teórica das nossas escolhas, que tendem a concentrar-se demasiado numa ideia individualizada de media. Por outras palavras, o estudo isolado da rádio, dos jornais ou da Internet, limita a nossa compreensão do poder e cunho dos media como elementos de mudança social. Como seres sociais, não usamos apenas um único media como fonte de comunicação, informação, ação e entretenimento, mas combinamo-los, usamo-los em rede. Para Cardoso (2007), “as ligações entre os media e a sociedade têm sido de natureza diversa ao longo da história. Por um lado, existem os que apontam como determinantes as relações causa/efeito, como a ideia de que os mass media “criaram” a sociedade de massas. Esta é, por exemplo, a ideia de um grupo de analistas definido por Umberto Eco como “apocalípticos”, os quais estabelecem ligações quase diretas entre informação e o modelo de entretenimento originado nos media e processos de massificação social e homogeneização cultural nos anos 70. De acordo com as teorias deterministas – por exemplo, o Marxismo tradicional – a comunicação em massa seria a expressão de um autoritarismo produzido pelo reduzido poder de controlo sobre o desenvolvimento técnico (Poster 1999). A mesma visão reaparece no discurso tecnocultural (Robbins 1999) no contexto da sociedade de informação no fim do século XX, particularmente na oposição entre os media interativos e passivos, ou, se preferirmos, os novos media (como a Internet) e os media antigos (como a televisão).” Para Santaella (2007), desde os primórdios da imprensa escrita, as ferramentas comunicacionais fazem circular a linguagem e com o aparecimento dos meios electrónicos esses tipos de linguagens tornam-se mais diversos e híbridos. A expansão dos meios de comunicação electrónicos, a interação do indivíduo com o outro e com o mundo ficou mais complexa, dinâmica, e a mediação dos signos (palavras, imagens) e informações continuam a utilizar o suporte técnico, mas deixam de ser uma exclusividade dos profissionais que atuam nos meios de comunicação. Graças às ferramentas disponíveis na internet, públicos de hoje passaram a ter um papel de produtores e consumidores de informação e têm a possibilidade de construir as


notícias de acordo com o seu estilo, com as suas preferências no momento que desejam. Na perspectiva de Silverstone a sociedade consome os media pelos media, “[…] o consumo é, ele mesmo, uma forma de mediação, à medida que os valores e significados dados de objetos e serviços são traduzidos e transformados nas linguagens do privado, do pessoal e do particular. Consumimos objetos. Consumimos bens. Consumimos informação. Mas, nesse consumo, em sua trivialidade quotidiana, construímos nossos próprios significados, negociamos nossos valores e, ao fazê-lo, tornamos nosso mundo significativo (Silverstone, 2002, p. 150). Vários estudos mundiais apontam para a queda da imprensa tradicional. A internet, os media tradicionais disputam cada vez mais os mesmos leitores, o que tem levado a profundas reestruturações em jornais e revistas à escala global. A rádio, a televisão, os jornais e as revistas, deixaram de marcar a sua presença na rede através de uma simples página de internet. Hoje procuram afirmar-se também nos outros canais, como as redes sociais, os sítios de partilha de vídeos, os blogs, entre outros. Atualmente, a maioria dos meios de comunicação tradicionais, disponibilizam conteúdos multimédia para telemóveis, permitem a participação através fóruns de discussão, de comentários e opiniões, incentivam à interatividade e ao envio de material colaborativo por parte dos públicos. Considerações finais: Os media tradicionais parecem perder, dia a dia, a sua superioridade no que toca à vinculação de informação. Através do uso dos dispositivos electrónicos pessoais os cidadãos procuram interagir e contribuir diretamente nas notícias que são vinculadas e levadas ao conhecimento público, excluindo por vezes a mediação da imprensa. Esta forma de informação, conhecida por jornalismo cidadão tem-se destacado sobretudo através do uso das redes sociais e outros canais digitais de grande audiência. No entanto, a internet não suprimiu os meios de comunicação tradicionais mas modificou-os. A imprensa está empenhada em combinar o jornalismo tradicional com o jornalismo cidadão e discutir os mesmos públicos com canais digitais.


É unânime afirmar que os meios de comunicação e os jornalistas terão que se adaptar às novas tecnologias. Embora existam muitas opiniões divergentes sobre esta temática, partilhamos a opinião de Joaquim Vieira, responsável do Observatório de Imprensa, que refere numa entrevista à Revista Meios e Publicidade que “Estamos a atravessar um período de crise devido à mudança do paradigma informativo e por isso estamos todos à procura de modelos viáveis para o futuro. É algo que se vai construindo aos poucos, em articulação com o desenvolvimento das tecnologias e da sociedade, ninguém consegue prever como é que as coisas vão ficar”. O tema “ Os media: Ontem, hoje e amanhã”, despertou em mim um grande interesse pois trata-se de um assunto que tem gerado discussões pertinentes entre muitos teóricos da comunicação. Confesso que a preparação do debate foi a parte que mais me cativou. A escolha dos oradores para o painel foi na minha opinião uma escolha bastante acertada e equilibrada. Em relação à outra parte do evento a exposição interativa “Toque nos Media” foi muito interessante a realização da mesma, pois apresentava de uma forma muito clara conteúdos multimédia sobre a evolução dos media tradicionais e digitais, com a vantagem das matérias expostas estarem disponíveis em enormes mesas interativas que cativaram toda a audiência. No que diz respeito aos colegas do grupo estabeleci uma excelente relação com eles. A concepção e os objetivos traçados para a execução do nosso trabalho foram sempre discutidas entre todos os elementos do grupo. Embora, como é habitual em trabalhos desta natureza, nem sempre houve concordância total nas ideias apresentadas, contudo, as nossas divergências foram ultrapassadas com relativa facilidade. O envolvimento de todos os elementos foi notório ao longo deste projeto. Quando surgiam as dificuldades, ninguém baixou os braços e cada um cumpriu com as suas responsabilidades.


Bibliografia AROLDI, Piermarco, COLOMBO, Fausto (2003), Le Età della Tv, Milano: VP Università. BOLTER, David e GRUSIN, Richard. Remediation: Understanding the New Media. Cambridge: The MIT Press, 1999. CARDOZO, Gustavo Leitão (2007), A Mídia na Sociedade em Rede. Rio de Janeiro: Editora FGV. CASTELLS, Manuel (1999), A sociedade em rede. 8 Edição. São Paulo: Paz e Terra. THOMPSON, J. B. (1995), The Media and Modernity: A Social Theory of the Media, Cambridge, Polity Press. SANTAELLA, Lúcia (2007). Linguagens líquidas na era da mobilidade. São Paulo: Paulus. SILVERSTONE, Roger. Por que estudar a mídia? São Paulo: Loyola, 2002.

Artigos: Tubella, Imma. “Television and Internet in the construction of identity”, disponível em: http://www.cies.iscteiul.pt/linhas/linha2/sociedade_rede/pr_htdocs_network/apps/immatubella.pdf, consultado em 3 de Maio de 2013 Cardoso, Gustavo. “Da Comunicação em Massa à Comunicação em Rede: Modelos Comunicacionais e a Sociedade de Informação”, disponível em: http://www.portalcomunicacion.com/uploads/pdf/51_por.pdf, consultado em 3 de Maio de 2013 Meios&Publicidade - Outubro de 2012 - Francisco Rui Cádima (DCC) analisa futuro dos media tradicionais, disponível em: http://www.fcsh.unl.pt/media/clipping/meiospublicidade-outubro-de-2012-francisco-rui-cadima-dcc-analisa-futuro-dos-mediatradicionais , consultado em 4 de maio de 2013


Reflexão Individual Mestrado em Comunicação Cidadania e Educação Media, Participação e Cidadania Docente: Sara Pereira Discente: Isabel Rodrigues

Esta reflexão tem a pretensão de justificar e fundamentar bibliograficamente o evento realizado no dia 8 de Maio, cujo se debruçou acerca da história dos media tradicionais (exposição) e na importância destes, bem como dos meios de comunicação digital, na sociedade contemporânea. Assim, é com enorme prazer que se cria um documento onde se combinam ideias de personalidades com opiniões de peso nesta matéria e que estiveram presente na tertúlia em questão, com algumas referências bibliográficas que fomos recolhendo ao longo de dois semestres de intensa pesquisa sobre o tema em questão. A maioria dos teóricos que se debruçam sobre o tema da globalização, quando referem média e comunicação, mostram alguma ignorância no seu desenvolvimento histórico, tal como refere Rantanem na sua obra “Media e Globalização”, daí a necessidade de se abordarem ao longo da história os meios de comunicação tradicionais e o rumo que estão a tomar com o fenómeno da globalização resultante desta nova sociedade em rede. Que travessia estão a tomar a rádio, o cinema, o telefone, a imprensa, a televisão com o aparecimento da internet que se propaga cada vez mais facilmente quer no espaço quer no tempo (através dos mais diversos softwares de suporte à sua utilização, desde os telemóveis aos tablets)? De acordo com Luiza Ribeiro, chefe de redação do Correio do Minho, presente nesta tertúlia, há cada vez menos leitores de jornal. A compra dos jornais desceu para os 30% em França, por exemplo. Há uma migração para o digital o que tem sido problemática em termos económicos, havendo, inclusivamente, jornais que já ponderam passar só para a edição on line. Porém, na maioria dos casos corta-se nos Recursos Humanos. O jornalismo não vive sem jornalistas.


Eduardo Joge Madureira, Professor e Diretor do Projeto “Público na Escola” salienta que vivemos um período de grande turbulência e ninguém sabe muito bem como as coisas se vão passar no que toca, no contexto em questão. De facto é geral esta ideia de Lipovetski que ressalva que as transformações culturais com o aparecimento das novas tecnologias e da propagação de uma sociedade virtual em rede, desorientaram os cidadãos em geral. Manuel Pinto relembrou que no passado com o aparecimento de novos meios, puseram em causa o jornalismo e que neste momento se repete o mesmo fenómeno porque estamos novamente numa fase de transição e alerta para a uma enorme pressa em publicar noticias e nem sempre as noticias sao fidedignas. Ele prevê que no futuro, não voltamos ao mesmo jornalismo, mas vamos ver a “coexistência de diferentes ritmos jornalísticos”. Esta será a solução para que o jornalismo, como arte e como profissão de seres humanos, ao “viver a correr” não se evapore, de acordo com as teorias da sociedade liquida Zigmund Bauman. Ainda no que toca a este aspecto dos meios de comunicação tradicional, refere-se que as notícias são cada vez mais curtas na sociedade contemporânea o que nos transporta mais uma vez para as questões que Castells coloca, nomeadamente se não caminhamos para uma iliteracia. A hipertrofia da oferta mercantil e a superabundância de informação de imagens ao invés de consistência de texto de que fala Lipoveski, estão aqui, mais uma vez reforçadas. Relativamente à televisão denota-se que este meio de comunicação não sofreu alterações tão drásticas como a imprensa ao longo deste processo de digitalização do mundo global. Sara pereira crê que o “mundo” dos jovens não é o mundo em geral, mas o mundo dos amigos, da escola, etc, e corrobora com a ideia de que os jovens lêem as coisas na net e denota-se mesmo, um decréscimo da leitura dos jornais, não havendo, no entanto uma “substituição, mas sim uma sobreposição” do uso dos meios digitais sobre os tradicionais. No entanto, por exemplo em relação à televisão não se vê um decréscimo de utilização. Há são novas formas de usar a televisão (gravações, etc). Nestas afirmações estão igualmente espelhadas as opiniões de Buckingham e de Dias Figueiredo. De facto os jovens continuam a desenvolver atividades tradicionais, no


entanto, fazem mais, fazem-no de outra forma. São multifacetados, são multitasking e a tecnologia permite-lhes, individualmente, organizar o seu tempo de uma forma mais democrática mas também mais individualista e particular. Os jovens vêm televisão, de facto, e até partilham o que lhes interessa nos Blogs, Twitter, micro blogs, wikis, facebook, youtube, linkedin, slideshare, flirck, entre outras plataformas. De facto, relativamente à televisão, à rádio, ao cinema e aos telefones, há uma sobreposição de formas de utilização dos mesmos que são característica irrefutável na sociedade contemporânea. Hoje a rádio não se ouve com tanta intensidade como se ouvia à trinta aos atrás, porém, quando temos interesse em ouvir uma rádio, hoje dispomos de tecnologia que ultrapassa a barreira das limitações das frequências transmissoras. A internet é o meio de atingir este fim. Hoje continuamos a usar o telefone, porém, não necessitamos de marcar hora para que nos liguem para um telefone fixo. Podemos atender uma chamada a qualquer momento, em qualquer lado. E um telefone deixou de ser apenas um telefone: é também uma carta, um correio, uma máquina fotográfica, um filme, à distância de um click e que quase todas as pessoas já podem ter, tornando a sociedade num mundo mais homogéneo. Hoje continuamos a poder comer pipocas para assistir um filme. O cinema continua a ser uma arte em voga e com audiência, apesar de em termos mercantilistas estarem abalados em virtude de uma (ainda) fraca educação para os média. No entanto, não podemos ignorar que a internet cortou o monopólio dos meios de comunicação tradicionais. Por outro lado, tal como referiu Eduardo Jorge Madureira, há perigos da internet; na

manipulação dos meios. Há pouca clareza entre informação e comunicação. A Doutora Sara Pereira, refere ainda que hoje a profissão de jornalista está mal conotada. Estas questões são igualmente levantas por Zigmund Bauman na sua obra “A ética é possível num mundo de consumidores?” Sara Pereira e Eduardo Jorge Madureira realçam ainda outro aspecto negativo desta oferta de informação que pode colocar em causa a educação e literacia para os média. Se por um lado o Professor refere que hoje em dia todos têm a necessidade de falar,


de mostrar ao mundo o seu ponto de vista e opinião, por outro é provavel que não haja a mesma disposição para ouvir critica e activamente o que se diz. Nell Postman diz igualmente que os cidadãos de hoje estão “afogados em informação”, tal como relembra a doutora Sara Pereira na sua intervenção. Posto isto, o busilis da questão não está na necessidade de mantermos os meios de comunicação tradicionais, do ponto de vista material. Da mesma maneira que os meios de transporte evoluiram e ninguém os questiona, as formas de suporte à comunicação e partilha de informação também podem evoluir. Aliás, o mundo, do ponto de vista económico e mercantil, tem vindo a sobreviver a partir da invenção de novos utensílios. A questão que impera passa pela forma como a sociedade contemporânea está a reagir a esta transição, a esta vaga de informação. Como estamos e vamos lidar académica, cultural, económica e socialmente com esta transforação que a sociedade em rede está a operar no mundo global, nos cidadãos independentemente do local em que nascem, do seu credo, religião ou tendência política? “ O desenvolvimento dos novos media e comunicação não consistem simplesmente no estabelecimento de novas redes para transmissão de informação entre as pessoas cujas relações sociais básicas prevalecem intactas. O desenvolvimento dos meios de comunicação criam novas formas de acção e interacção e novos tipos de relações

interpessoais – formas diferentes das que são cara a cara que é o meio de comunicação humano que mais tem prevalecido na história do ser humano.” Thompson (1992:81) É neste cenário que a Educação para os Média tem a máxima responsabilidade em se preocupar com o que os media no seu todo estão a operar na sociedade, que formas temos de maximizar os aspectos positivos e como podemos contribuir para combater, por outro lado, os prejuízos que daqui possam advir. Não nos podemos esquecer que “Primeiro de tudo, há o usuário de tecnologia de interação. Este tipo de interacção salienta que o acesso a tecnologia em si não é suficiente. Precisamos ser capazes de (de preferência habilmente) manipular essas tecnologias, a fim de gerar algo que lembra vagamente o conteúdo.” Nico Carpentier (2007:43).


Os média, tal como salientou o Professor Manuel Pinto, não são todos iguais e quando há diversidade “qb” de oferta e recepção, podem acontecer muitas coisas... Assim, é da nossa responsabilidade enquanto estudantes do mestrado de Comunicação, Cidadania e Educação, ponderar acerca desta temática e partilha-la com as pessoas em geral e com a comunidade em que estamos inseridos. A Doutora Sara Pereira diz que “O futuro passa também pelas pessoas”. E de facto são elas, no seu todo que, sensibilizadas para estas transformações, contribuem positivamente para a participação, cidadania e educação desta sociedade global.

Auto e Hetero Avaliação A realização deste trabalho foi bastante gratificante. Foi importante para mim participar na orientação e organização deste evento, auxiliar a gerir as relações com as partes interessadas de forma a assegurar uma responsabilidade partilhada. Como pontos fortes considero que acima de tudo a preparação do plano de evento foi uma área que me cativou especialmente e foi determinante para o sucesso desta iniciativa. Desenvolver, rever e atualizar o planeamento e a estratégia definida ao longo do tempo tendo em conta as necessidades das partes interessadas e os recursos disponíveis foi um desafio próprio das relações públicas que tanto aprecio e valorizo... Outro aspeto que me cativou imenso foi planear, implementar e rever a exposição “Toque nos Media” pelo seu carácter de modernização e a inovação. Desenvolver os conteúdos interativos revelou-se uma experiência muito interessante, porque me obrigou a utilizar técnicas e práticas adquiridas nas disciplinas lecionadas neste mestrado. No que toca à auto e hetero avaliação, no sentido humano, apenas tenho a dizer que aunião faz a força e que, cada um, dentro das suas aptidões, contribuiram para o sucesso, a meu ver, deste trabalho. Um prédio constrói-se com a ajuda de todos e neste caso, todos fomos arquitetos!


Bibliografia Pessoal Usada Bauman, Zigmund A ética é possível num mundo de consumidores?. (2011) Buckingham, DAVID. (2009), ‘The future of media literacy in the digital age: some challenges for policy and praice’, in Verniers, P. (ed.) Media literacy in Europe: Controversies, challenges and perspectives, Bruxelas: EuroMeduc,. CARPENTIER, Nico "Mundos Novos Media", Virginia Nightingale & Tim Dwyer, 2007 Lipovesky,Cultura Mundo, 2005 PINTO, MANUEL, PEREIRA, SARA, PEREIRA, LUIS, FERREIRA, TIAGO DIAS. Educação Para os Média em Portugal – Experiências, actores e contextos. ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social. RANTANEN, Terhi, The Media and Globalization, Sage publication LDA, 2005


Anexos


Anexo 1 Ficha de inscrição semana dos 7 dias com os media

Introdução Este projecto foi-nos apresentado pela Dr.ª Sara Pereira, nossa professora de Média, Participação e Cidadania no Mestrado de Comunicação, Cidadania e Educação, convidando-nos inclusivamente a participar ativamente no evento. Assim estamos a apresentar uma actividade que integre o projecto “7 DIAS COM OS MEDIA”, pelo que este documento pretende expor, de uma forma sucinta, a nossa proposta de inclusão nesta operação nacional. 1.

Tema

"Os Media - Ontem, hoje e amanhã" 2.

Local e Data

De 3 a 8 de Maio no

GNRATION - Espaço de criação, consumo e experimentação de atividades

criativas, em Braga

3.

Contextualização do Tema

Vivemos um momento em que os media tradicionais e os novos media estão presentes em todas as actividades diárias de grande parte dos elementos de todas as sociedades civilizadas. A globalização está patente e este é um momento em que os meios de comunicação habituais e os novos meios se interligam, se cruzam, se misturam. O objectivo deste evento é, a partir de duas actividades, debater a importância e influência dos novos e velhos meios de comunicação de massas na sociedade contemporânea. Pretende-se o debate, a discussão, a sensibilização e a introspecção de todos os convidados para os efeitos que as mudanças que todos temos vindo a atravessar na forma de utilizar os media poderá ou não condicionar individual e globalmente os comportamentos, formas de socialização e no exercício da inclusão e cidadania na sociedade de informação atual. Para materializar este objectivo o evento, que decorrerá ao longo de seis dias, desenvolver-se-á em duas actividades:


1.

Exposição - “Toque nos Media”

Esta é uma exposição que resulta de uma parceria entre o nosso grupo de trabalho e a empresa bracarense EDIGMA – The Touch Company. O crescente consumo da informação digital levou-nos a criar uma exposição mediática em que proporcionamos aos participantes um ambiente digital, no qual possam entrar em contacto directo com os media digitais através de uma tecnologia inovadora e única a que chamamos de “quadros interactivos”. Através do uso destes ecrãs de grandes dimensões, sensíveis ao toque, pretende-se criar um ambiente interativo, onde os visitantes podem explorar conteúdos multimédia relacionados com os meios de comunicação de massa. No final, pretendemos reunir comentários/sugestões subjacentes ao nosso evento e aos temas explorados, através da elaboração de um “livro digital”. Cada quadro terá material previamente preparado para o efeito. As pessoas a partir de várias aplicações da internet poderão aceder a informações acerca da História/Evolução da Televisão, Rádio, Cinema, Jornais e revistas e os mais recentes media globais. Esta Exposição terá início no dia 3 de Maio, dia em que inicia oficialmente a Iniciativa Nacional 7 DIAS COM OS MEDIA e terminará no dia 8 de Maio, após o debate promovido por nós.

2. Debate - “A influência dos meios de Comunicação tradicionais e digitais na sociedade contemporânea” Esta iniciativa terá lugar no dia 8 de maio, pelas 21 horas, no espaço onde decorre o evento. A actividade tem como finalidade que os cidadãos e profissionais com conhecimentos sobre o contexto mediático, contribuam com a partilha de ideias, críticas e reflexões sobre o impacto dos media no exercício da inclusão e cidadania na sociedade de informação atual. O que mudou na atual paisagem mediática com o surgimento dos novos media digitais? Os meios de comunicação constituem nos dias de hoje a principal fonte de informação e de opinião para o grande público? Existe algum grau de influência indireta do público sobre os conteúdos veiculados pelos media? Procuramos respostas para estas e outras questões que cruzam com os desafios da educação para os media. Desta iniciativa resultará algum material interactivo alusivo ao tema e que estará disponível para consulta em http://2dedosdeconversa.wordpress.com/. 4.

Público-alvo


Este evento destina-se a todas as pessoas que queiram participar na iniciativa. Serão feitos convites direccionados para empresas que, na grande maioria, são compostas por emigrantes digitais e nativos digitais e a escolas, onde o publico predominante é composto por nativos digitais. Porém, será feita uma campanha publicitária a nível local através de duas rádios, pelo que podemos considerar que este evento está aberto a todos aqueles que estiverem interessados em aprofundar a questão dos media na sociedade contemporânea. 5.

Organização

Carlos Rodrigues, Catarina Cameselle, Isabel Rodrigues Leila Dias

Braga, 23 de Abril de 2013


Anexo 2 Comunicado de Imprensa

Comunicado de Imprensa

TRADIÇÃO E MODERNIDADE NOS MEDIA É TEMA DE DEBATE EM BRAGA

O Curso de Mestrado em Comunicação, Cidadania e Educação, da Universidade do Minho e o Espaço GNRation promovem no próximo dia 8 de Maio o debate “A influência dos meios de Comunicação tradicionais e digitais na sociedade contemporânea”, a reunir pesquisadores e profissionais da comunicação. A discussão traz à tona as mudanças na atual paisagem mediática com o surgimento dos novos media digitais. Questões sobre a influência indireta do público sobre os conteúdos veiculados pelos media e os desafios da educação no contexto da cultura digital compõem as reflexões propostas pelo evento, que terá a participação dos professores Manuel Pinto e Sara Pereira, ambos da Universidade do Minho, Eduardo Jorge Madureira, professor e diretor pedagógico do Projeto Público na Escola, Paulo Monteiro, diretor do Jornal Correio do Minho, Luísa Ribeiro, chefe de redação do Jornal Diário do Minho, Elisabete Barbosa, diretora executiva da LK Comunicação e Miguel Fonseca CEO da empresa Displax Interactive Systems. Quem participar poderá conferir ainda a exposição interativa “Toque nos Media”, que resulta de uma parceria com a empresa bracarense EDIGMA – The Touch Company. Através do uso de ecrãs de grandes dimensões, sensíveis ao toque, será apresentado um ambiente interativo, onde os visitantes poderão explorar conteúdos multimédia relacionados com os meios de comunicação. O debate começa às 21h30 no Espaço GNRation, antigo quartel da GNR, na Praça Conde de Agrolongo, em Braga. A entrada é gratuita.


Esta iniciativa associa-se ao projeto nacional “7 DIAS COM OS MEDIA” que é uma operação de sensibilização para o papel e lugar que os media tradicionais e de nova geração ocupam no quotidiano de todos nós.

PARA MAIS INFORMAÇÕES: GRUPO DE ESTUDANTES DO MESTRADO CCE DA UNIVERSIDADE DO MINHO: Grupo de Estudantes do Mestrado CCE da Universidade do Minho: Carlos Rodrigues – casrodrigues@gmail.com - telm. 915240904 Catarina Cameselle – catarina.cameselle1991@gmail.com - telm. 918571728 Isabel Rodrigues – isabelrodrigues_profissional@live.com.pt - telm. 91 351 34 89 Leila Dias – leiladcavalcante@gmail.com - telm. 912948548 COMUNICADO DE IMPRENSA 1 DE MAIO DE 2013


Anexo 3

Cartaz de Divulgação do Evento


Anexo 4 Divulgação do evento em blogues e na imprensa


Anexo 5

Blogue “Os media ontem, hoje e amanha”


Trab grupo mpc revisão cr  
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