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Segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

FINANÇAS

Penhora de bens cresce entre os brasileiros da pelo preço de venda. Os juros do penhor variam em torno de 2,4% ao mês. Uma linha de crédito pessoal custa em média 6% ao mês. O micropenhor, modalidade voltada para o microempreendedor, tem taxa de 2% ao mês. A linha já responde por mais de R$ 200 milhões da carteira. O valor mínimo para empréstimo é de R$ 50,00. Alguns anos atrás, o penhor recebia de tudo. Desde máquinas de costura - objeto de trabalho de mulheres que se viam endividadas - até cueca samba-canção, passando por bicicletas, máquinas de escrever, câmeras fotográficas e medalhas olímpicas. É de 1937 a marchinha “Põe a roupa no penhor”, de Armando Bide e Marçal. “Se quiseres mais dinheiro, põe a roupa no penhor”, diz a canção interpretada por Patrício Teixeira, disponível no acervo da Biblioteca Nacional Digital. “Lembro de quando trabalhava em Minas Gerais e recebi mais de uma vez um campeão olímpico que vinha empenhar a sua medalha”, conta o diretor de Pessoa Física da Caixa, Édilo Ricardo Valadares. Mas, com o tempo, guardar tudo isso ficou

O penhor da Caixa Econômica Federal, única instituição financeira a oferecer o serviço, rompeu, pela primeira vez, a barreira de R$ 1 bilhão. Este é apenas o saldo remanescente nos cofres-fortes que o banco tem espalhados pelo País. O número de operações chegou a R$ 5,9 bilhões um mês antes de fechar o ano. Por trás do sucesso deste produto - criado no Rio de Janeiro por decreto de D. Pedro II para concorrer com as “casas de prego” e “casas de macaco”, que emprestavam dinheiro ao cidadão comum a juros escorchantes - estão a possibilidade de se levantar até 130% do valor da joia, a ascensão de 30 milhões à classe média e a explosão da cotação do ouro. O aumento do penhor não tem nada a ver com crises. Vem crescendo ao logo dos últimos anos em ritmo consistente e tem público certo. São sobretudo mulheres entre 40 e 50 anos. “São gerações usando o penhor. Este é um produto que está associado ao DNA da Caixa”, afirma o vice-presidente de Logística da Caixa, Paulo Roberto dos Santos. O Rio de Janeiro continua sendo, por força da tradição, o maior usuário do penhor e responde por 17% das operações realizadas em todo o País. Em geral, o penhor é usado por aquelas pessoas que precisam de crédito rápido a juros mais baixos, tendo em vista que dão o bem como garantia. Por isso, há quem entregue as joias à Caixa para levantar dinheiro para quitar uma dívida ou aumentar o negócio (diz-se que o penhor é o primeiro microcrédito do País). Mas há também aqueles que lançam mão do serviço simplesmente para guardar suas preciosidades em local seguro. Atualmente, a joia no prego com o maior valor está avaliada em R$ 114,5 mil. Mas o cliente optou por um empréstimo de R$ 76.500,00. Ele paga menos juros do que se tivesse tomado o valor integral da joia. Mesmo assim, ela está bem guardada e segura-

DIBYANGSHU SARKAR/AFP/JC

Nunca antes na história deste País - Império ou República - o brasileiro colocou tantas joias no prego

caro e contraproducente. Objetos pessoais como eletrodomésticos e roupas perdem seu valor depressa e, por isso, a Caixa agora só aceita joias, relógios e canetas. Hoje, vão aos tradicionais leilões depois de serem exibidos numa vitrine virtual. A novidade começou em outubro. Na semana passada, foi realizado o primeiro leilão do Rio de Janeiro. O piloto havia sido em Porto Alegre. Já não há mais movimento de carros-fortes circulando pelo País com as joias, que tampouco precisarão ser manipuladas ou expostas ao vivo aos clientes. Tudo pode ser feito por um clique a partir do computador ou até mesmo de um caixa automático da Caixa em qualquer lugar do País. Sinal dos tempos. De olho neste crescimento recorde do serviço que é parte da sua história, a Caixa vai investir pesado na sua ampliação. Está habilitando mais agências pelo País para realizá-lo e quer um resultado 30% maior já em 2012. Colocar a joia no prego dá a possibilidade de se levantar até 130% do seu valor


Todos Contra a Pedofilia - Porto Alegre, RS, 2011  

Palestra Todos Contra a Pedofilia - Porto Alegre, RS, 2011 - Carlos Fortes

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